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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Tina Turner: uma das muitas vítimas da "medicina alternativa"

Em 2016, vítima de um cancro intestinal, aconselhada por charlatães, optou por tratamentos fitoterápicos (e homeopatia).Resultado: ela destruiu os rins, sobreviveu apenas graças a um transplante, em estado lamentável.
"Nada é mais poderoso do que uma ideia, e nada é mais potencialmente prejudicial do que um equívoco ou um equívoco que todos consideram verdadeiro sem nunca questionar nem por um momento, ou apenas verificar.
A atual popularidade da chamada medicina alternativa em geral, e dos remédios fitoterápicos em particular, baseia-se em vários mitos comumente aceites, sendo o principal deles, o líder, a ideia de que tudo o que é "natural" é bom.
Esses mitos, no entanto, não resistem ao escrutínio crítico. Eles florescem porque tocam uma corda sensível na psicologia humana. A indústria multimilionária de mezinhas ​​usa esses mitos como um plano de marketing fabuloso e os usa para consolidá-los no público a tal ponto que se tornaram parte da cultura.
Conclusão: nenhum tratamento - seja ele qual for - sem orientação médica, um produto "natural" pode ser muito mais tóxico que um medicamento!

sábado, 22 de abril de 2023

Feliz Dia Mundial da Terra

Earth Day 2023

Rosmaninho, a mais alegre das alfazemas
Comecemos por usar as palavras certas e deixar de chamar lavandas às alfazemas, porque é este o autêntico nome português desta família de plantas (apesar da sua nomenclatura científica ser Lavandulas). Vamos também deixar de chamar rosmaninho ao alecrim, superando outra confusão causada pelo nome científico. É que ser o alecrim designado por Rosmarinus officinalis – e ser “romero” em espanhol, “romarin” em francês e ”rosmarino” em italiano – causa frequentes erros de tradução.

O rosmaninho (Lavandula stoechas) é uma das várias espécies e variedades de alfazemas espontâneas no nosso território. Planta alegre e garrida, enche de tons de roxo o horizonte.

Arbusto perene, de folhas cinzentas e persistentes, muito resistente a condições climáticas extremas. A floração ocorre entre o fim da primavera e o verão. A cor das flores é normalmente lilás (ou azulada), podendo ser também branca ou rosa. É excelente como planta ornamental de exterior.

Prefere solos neutros, toleram geadas e mesmo nevões não muito prolongados. Deve ser colocada num local bem exposto ao sol, pois em locais sombrios terá crescimento e floração pobres e tempo de vida reduzido.

Planta muito útil em termos medicinais: ação antiespasmódica e anticancerígenas. Utilizado para dificuldades no sono, problemas de circulação, prevenção de doenças degenerativas e tratamento de enxaqueca.

Cosmética: utilizado no fabrico de sabonetes devido à sua ação bactericida, cicatrizante e hidratante.

Por vezes são empregues em culinária na aromatização de carnes e na curtimenta das azeitonas de conserva.

Bibliografia

ARAGÃO,M.J., Plantas e Algas Medicinais de A a Z. 2009. 198
CASTRO, F. L., Cultura de Plantas Aromáticas e Medicinais. 1995. 115
HAWKEY, S., Plantas Medicinais. 2004. 64
RAUSCH, A.; LOTZ, B., Ervas Aromáticas de A-Z. 2005. 298
PODLECH, D., Herbs and Healing Plants: of Britain & Europe. 1994. 249
PODLECH, D.; LIPPERT, W., Wild Flowers: of Britain & Europe. 1994. 252
ULLMANN, H. F., Botanicas’s Pocket: Gardening Encyclopedia. 2007. 1008

Sites

sábado, 3 de dezembro de 2022

Quantos jovens resgatei de um percurso mais doloroso

Street Art by Andrew Salgado

Quantos jovens resgatei de um percurso mais doloroso. Quantos casos incontáveis de putos entregues à CPCJ, sem família, nem escola, nada...Felizmente poucos não fui capaz de antecipar mais cedo um desfecho trágico. Acredito que a disciplina que lecciono lhes abre as mentes, ficam absortos, pretendem fazer mais, sentem-se envolvidos, ficam conscientes do seu corpo e da biocentricidade. Amava saídas de campo- mostrar-lhes seres vivos e os seus ecossistemas, as comunidades onde se encontravam inseridas, as características evolutivas que permitiam a sua adaptação ao meio ambiente , experiências laboratoriais e vê-los sorrir e criar autonomia na investigação científica (isto já mais a nível secundário).
Explicar-lhes cientificamente como fazer pão, iogurte e papel reciclado. Explicar-lhes as diferentes qualidades da água potável. Explicar a rotulagem e verificar a validade. Muitas das vezes sem condições de trabalho. O material laboratorial é muito pouco abundante nas nossas escolas. Tinha que ir mais cedo a correr para dentro da sala de aula, porque em poucas escolas temos material e assistentes técnicos especializados. Fazíamos herbários.
Corre João, corre como os meus alunos me chamaram, carinhosamente uma vez, a gazela.
Numa escola os meus alunos resolveram fazer um trabalho científico de produção de cerveja artesanal. Houve um sururu entre os docentes. Mas a vontade e bom senso superou essas impedâncias morais e os alunos lá conseguiram seguir o seu processo. A cerveja era de boa qualidade.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Coma bastantes vegetais se quer ser mais feliz e alcançar um maior bem-estar


Os vegetais contêm uma variedade de nutrientes que ajudam a ter uma melhor saúde fisica. Este estudo publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics sugere que, além da saúde física, os vegetais também podem promover uma boa saúde mental.

«Os vegetais contêm micronutrientes, como zinco, magnésio e ferro que são essenciais para a função mental», afirma a nutricionista Isa Kujawski, «eles também contêm antioxidantes que protegem o corpo do stress oxidativo, que tem sido associado à depressão e à ansiedade»

No estudo, os investigadores queriam tentar perceber o impacto na felicidade e no bem-estar psicológico com base no número de vegetais que as pessoas consomem. Recrutaram 75 participantes com idades entre os 18 e os 65 anos, que habitualmente consumiam poucos vegetais. Dividiram-nos em grupos de teste.

Durante oito semanas, os participantes receberam uma seleção de vegetais frescos ou congelados sendo que consumiram cerca de duas a quatro porções por dia, uma quantidade maior do que consumiam habitualmente.

Depois, os investigadores usaram a Escala de Felicidade Subjetiva (SHS) para avaliar a felicidade antes e depois do estudo.

Os resultados mostraram que aumentar o consumo de vegetais pode melhorar os níveis de felicidade

«As pontuações de SHS aumentaram quando foram consumidas maiores quantidades de vegetais», afirma diz Shanon Casperson, bióloga do Centro de Pesquisa em Nutrição Humana de Grand Forks, USDA-Agricultural Research Services e uma das investigadoras do estudo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Universidade de Coimbra lança site que desvenda ‘segredos’ da botânica com mais de 100 anos

A plataforma, que contém informações taxonómicas e geográficas de potencial relevo para a definição de estratégias de promoção e conservação da biodiversidade em Portugal e vários países lusófonos, foi lançada pela UC com o contributo de mais de mil cientistas-cidadãos, que colaboraram na transcrição das cartas.

Já está online o site Cartas da Natureza (http://cartasdanatureza.uc.pt), que desvenda todos os pormenores das trocas de correspondência dos botânicos da Universidade de Coimbra (UC), em finais do século XIX e início do século XX. A plataforma, que contém informações taxonómicas e geográficas de potencial relevo para a definição de estratégias de promoção e conservação da biodiversidade em Portugal e vários países lusófonos, foi lançada pela UC com o contributo de mais de mil cientistas-cidadãos, que colaboraram na transcrição das cartas.

A base de dados “Cartas da Natureza” contém a transcrição pesquisável do conteúdo da correspondência trocada pelos responsáveis do Instituto, do Herbário e do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, entre cerca de 1870 e 1928 (cartas que hoje integram o espólio do Arquivo de Botânica do Departamento de Ciências da Vida da UC). Estas missivas, envolvendo mais de 1100 correspondentes diferentes, contêm informações relevantes sobre localizações históricas de plantas, áreas de distribuição e abundância de espécies, registos de trocas de plantas e sementes, processos científicos de colheita, classificação e taxonomia de plantas e dados para reconstrução do percurso de espécimes de herbário e objetos museológicos nas coleções de história natural da UC.

Todos esses dados, disponibilizados online, foram obtidos com a colaboração voluntária dos cidadãos-cientistas que responderam ao apelo à comunidade lançado em 2019, a partir da plataforma Zooniverse, que agrega interessados em projetos de ciência participativa. Cerca de 1200 participantes – muitos deles estrangeiros – contribuíram para a transcrição de mais de mil cartas, em seis línguas diferentes, num total de mais de 3,8 milhões de caracteres (mais de 640 mil palavras). “Sendo uma quantidade de dados muito grande, esta foi uma excelente oportunidade para pedir a colaboração de voluntários, cidadãos-cientistas, que ajudassem nessa parte do processo de criação do conhecimento. Era uma tarefa exigente, mas absolutamente fundamental. E, incrivelmente, ao fim de um ano, tínhamos o material praticamente todo transcrito”, recorda o Coordenador do projeto Cartas da Natureza e investigador do Centro de Ecologia Funcional da UC, António Gouveia.

“A transcrição torna facilmente pesquisável toda a informação que até aqui apenas estava contida nas imagens digitalizadas das cartas. “Estamos a falar de relações epistolares que relatam a ligação entre os cientistas da Universidade de Coimbra, como Júlio Henriques [grande impulsionador do estudo da botânica em Portugal], e os seus congéneres de toda a Europa, que criavam redes de conhecimento sobre as plantas. Na realidade, esta correspondência, que parece ter um âmbito relativamente local, é bastante global, quer em termos da informação que contém quer em termos dos atores que envolve”, explica António Gouveia.

É também por isso que, passados mais de 100 anos, os ‘segredos’ das cartas agora desvendadas continuam a ter particular relevo científico. “Muita desta informação diz respeito a Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, que a poderão utilizar em questões relacionadas com o conhecimento da biodiversidade passada, que pode ter implicações na definição de estratégias de conservação presentes e futuras”, sublinha o Coordenador do Projeto e investigador associado da Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável – no âmbito da qual o projeto “Cartas da Natureza” foi desenvolvido, em colaboração com o Jardim Botânico, o Departamento de Ciências da Vida e o Centro de Ecologia Funcional da UC.

Para todos os potenciais interessados – e como reconhecimento pelos participantes que colaboraram de forma voluntária na transcrição – os documentos estão agora disponíveis online, em acesso aberto, para consulta da comunidade científica e sociedade civil. A iniciativa é também mais um exemplo do crescente envolvimento da UC nos domínios da ciência aberta. “Este projeto ilustra, de forma modelar, as inequívocas vantagens do paradigma emergente da chamada Ciência Cidadã, através da qual os cidadãos podem dar um contributo determinante para acelerar o desenvolvimento da ciência e reforçar a sua relevância social”, conclui o Vice-Reitor da UC para a Cultura e a Ciência Aberta, Delfim Leão.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Marcelo e Ferro manifestam pesar pela morte de Lourdes Castro

O Presidente da República e o presidente da Assembleia da República manifestaram hoje o seu pesar pela morte da artista plástica madeirense, Lourdes Castro, aos 91 anos.

Numa nota publicada no 'site' da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa classificou Lourdes Castro - que condecorou em junho passado - como "uma das mais inconfundíveis artistas portuguesas".

"Nascida na Madeira, Lourdes Castro estudou Belas-Artes em Lisboa, casou-se com René Bertholo e viveu em Munique, Berlim e Paris. Em 1958, fundou a revista KWY, e essas três letras do alfabeto, pouco habituais em português, anunciavam todo um programa cosmopolita, desalinhado e moderno", recorda a nota de Belém.

O texto do chefe de Estado refere que, regressada à Madeira em 1983, com Manuel Zimbro, Lourdes Castro "dedicou-se a livros de artista, álbuns de família, memoriais da história e do quotidiano, coleções de lugares e de plantas, sem abandonar uma das suas marcas autorais: a dialética da luz e das sombras (concretas, sugeridas, projetadas, esfumadas, transfiguradas)".

"Figura discreta, mas muito admirada, recebeu nas últimas décadas diversos prémios (EDP, Vieira da Silva, AICA) e reconhecimentos tendo sido condecorada pelo Presidente da República em junho passado com a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada", refere a nota, que recorda várias retrospetivas de que foi alvo.

Também o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, manifestou o seu "sentido pesar" pelo falecimento de Lourdes Castro, aos 91 anos, no Funchal.

"Nome incontornável da pintura portuguesa contemporânea, Lourdes Castro deixa uma vasta obra, marcada inicialmente pela abstração e pelo novo realismo e que conhece, no dealbar da década de 1960, o tema da sua eleição: a sombra", destaca a nota de Ferro Rodrigues.

O presidente do parlamento recorda ainda as "inúmeras exposições" em que participou ou que lhe foram dedicadas, como a retrospetiva "Além da Sombra", promovida em 1992 pela Fundação Calouste Gulbenkian, ou outra acolhida na Assembleia da República em 2018 ("Arte, Resistência e Cidadania"), no âmbito das Comemorações do 25 de Abril de 1974 e dos 40 Anos da Bienal de Cerveira, "na qual uma das suas obras assumiu lugar central no edifício-sede do Parlamento".

"Em meu nome e no da Assembleia da República, endereço à sua família e amigos as mais sinceras condolências", acrescenta o texto de Ferro Rodrigues.

Lourdes Castro nasceu a 09 de dezembro de 1930, no Funchal, ilha da Madeira, uma paisagem natural que deixou aos 20 anos para estudar em Lisboa, mas onde regressaria a partir de 1983 para viver em permanência, criando ali o seu refúgio.

A natureza era uma das suas grandes paixões, e com ela viveu uma estreita ligação que se projetou e entrelaçou profundamente no seu trabalho, nomeadamente na série "O grande herbário de sombras" (1972).

Lourdes Castro iniciou estudos no Colégio Alemão, mas, aos 20 anos, partiu em direção a Lisboa onde frequentou o curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes (ESBAL), terminado em 1956.

Iniciou o seu percurso expositivo com uma coletiva ao lado de José Escada, no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, em 1954.

Em 1958, foi-lhe atribuída uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, o que coincidiu e ajudou o início da revista, impressa à mão, em serigrafia, "KWY" (1958-1963), de título composto por três letras que não existiam, na época, no alfabeto português.

A sua obra foi celebrada por exposições de caráter antológico como "Lourdes de Castro e Manuel Zimbro: a Luz da Sombra", no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, em 2010, e na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1992, intitulada "Além da Sombra".

Em 2020, o Governo português atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural pelo seu "contributo incontestável para a cultura portuguesa".

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Entrevista a Jorge Paiva: “Não há educação ambiental em Portugal”


Jorge Paiva diz-se “desiludido” com o comportamento das pessoas – mais ainda “com a hipocrisia dos decisores políticos nas questões ambientais”. Fala abertamente, dir-se-ia que praticamente sem filtros, como homem livre e cidadão crítico face às contradições que observa nos comportamentos e nas (in)decisões dos líderes governamentais, e não se refere apenas a Portugal.

Com a afabilidade que lhe é própria, o cientista cuja história de vida está intimamente ligada às plantas e aos seus segredos, embora avesso às exibições políticas e ao “show off” ambiental, recebe-nos no gabinete que ainda mantém no Departamento de Ciências da Vida, na Universidade de Coimbra.

Como taxonomista (que define os grupos de organismos biológicos com base nas suas características comuns), percorreu meio mundo em missões científicas: África, Austrália, América do Sul e, claro, Península Ibérica.

Distinguido com o estatuto de sócio de honra da Sociedade Portuguesa de Ecologia, a juntar às muitas provas de reconhecimento público e académico, é curioso o facto de, em 2020, a autarquia de Tomar ter aprovado, por unanimidade, atribuir o nome de Jorge Paiva ao carvalho-português centenário que se encontra no jardim da Biblioteca Municipal António Cartaxo da Fonseca. A ideia foi proposta pela Associação Sociocultural e Ambiental “30Por1Linha”, em parceria com a Escola Secundária de Santa Maria do Olival, que apresentou um requerimento ao município, aliando o botânico a esse exemplar da espécie classificada Quercus faginea.

Foram, então, marcantes as suas lições sobre a biodiversidade e, particularmente, o desafio que o botânico ali apresentou em relação aos sabores das comidas mais prováveis nos povos da antiga Lusitânia, coordenando um jantar que permitiu à comunidade escolar nabantina “saber como se alimentavam” esses caçadores e guerreiros lusitanos contemporâneos de Viriato: plantas como o dente-de-leão (para a salada), o saramago (para a sopa) e outros produtos selvagens que acompanhavam o javali e a lebre, com pão de bolota ou de castanha, a par de uma bebida alcoólica feita de frutos silvestres (a sidra, recordada pelo grego Estrabão), entre outros velhos pitéus.

Ao salientar a importância do património biológico para a sobrevivência humana, Jorge Paiva surpreende-se com o alheamento da sociedade consumista, que privilegia o património material. Quando este pedagogo costuma contar a história da floresta lusitana aos mais novos, o teixo (planta extremamente tóxica e letal até para o gado, entretanto desaparecida da serra da Lousã) parece que assume o papel de bruxa malvada, que ninguém quer ter próximo e que, por isso, corre o risco de se extinguir. Todavia, como nos apercebemos ao longo da entrevista, os maus na narrativa ambiental são outros.

sinalAberto (sA) – É uma preocupação mundial evitar os impactos do aquecimento global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e respectivas trajectórias de emissão de gases de efeito estufa, como expressa o relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O que pensa disto?

Jorge Paiva (JP) – Eu não acredito em nenhuma das atitudes que os políticos têm tido, desde há mais de trinta anos, reunindo-se internacionalmente e resolvendo que vão actuar. Porém, na reunião seguinte, chegam à conclusão de que não fizeram nada. De maneira que andamos nisto, porque os políticos mundiais ainda não se consciencializaram, não têm consciência da realidade. É por isso que eu insisto na educação ambiental, sobretudo nas escolas. Mas, neste momento, estou desiludido porque, quando esses jovens chegam a adultos, a sociedade consumista já os tem manipulados. Até agora, praticamente, ainda não se fez nada de concreto. Ao menos, tomem uma atitude mais frontal, como o fez Donald Trump, declarando que não queria colaborar. Dizer que colaboram e, depois, não fazerem nada é uma farsa!

sA – A obra pedagógica Litoral – Um Espaço de Descoberta, de que é co-autor (com Cristina Fernandes e José Alho, entre outros), chama a atenção das novas gerações para um ambiente de transição que voga ao sabor das marés. Um quarto de século depois de ter sido escrito, o que foi feito na defesa da diversidade biológica? A lição que o livro transporta foi bem apreendida pelos jovens a que se destinava?

JP – Não, a lição não foi bem compreendida por esses jovens, porque as pessoas esquecem. Inclusivamente, a nossa comunicação social não actua de uma forma pedagógica, antes pelo contrário. Isto está tudo interligado. Nesta sociedade consumista, também interessa que os órgãos da comunicação social, particularmente as televisões e as rádios, entrem neste processo. Estes assuntos são pouco mostrados nas televisões. E, quando é mostrada qualquer coisa, acontece fora de horas!

Quanto à diversidade biológica, também pouco tem sido feito. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), neste momento, é uma entidade burocrática. Não tem capacidade para actuar, porque não tem pessoal suficiente para as respostas. Apenas dá respostas burocráticas!

Degradação das zonas litorais

sA – É sabido que o litoral constitui uma unidade paisagística de extrema complexidade e sensibilidade, pelo seu valor biológico e ambiental. No entanto, assistimos à destruição das dunas, à degradação das lagoas costeiras e a uma acentuada urbanização e industrialização, com aumentados índices de poluição. O que se espera que as pessoas façam, confrontadas com as suas comodidades e as grandes pressões turísticas?

JP – Há entidades turísticas e hotéis que gostam de construir em cima da duna, mas a culpa é das autarquias que autorizam. Aí, o responsável já não é o governo central. E há muitas construções feitas sobre o património marítimo. Na faixa litoral, há inclusivamente um hospital [neste caso, o Centro Clínico Champalimaud, que está localizado na zona ribeirinha de Belém, em Lisboa]. Eu nunca entraria nesse hospital construído num local expressamente proibido!

E as pessoas também gostam de fazer a casa o mais próximo possível da praia, esquecendo-se das consequências. Quando começaram a ver o avanço do mar, construíram paredões que seguravam de um lado, mas tiveram de fazer outros no outro lado… Assim, a anterior linha da nossa costa, vista do ar, parece um pente!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Vida e obra de Lineu e links


Carlos Lineu, Carolus Linnaeus ou Carl Linnaeus (também  Carl von Linné, 1707-1778) foi um botânico, médico e zoólogo sueco cujo trabalho lançou as bases da sistemática e nomenclatura biológica moderna. Muito antes de Lineu, a ciência clássica foi importante na formação da ciência subsequente no Ocidente. Transmitida pelas culturas da área mediterrânea, a ciência clássica foi recuperada durante o Renascimento e a Revolução Científica que se seguiu, e alicerçou a busca de um novo sistema botânico. Com base no trabalho de seus predecessores e contemporâneos, Linnaeus desenvolveu um sistema coerente para descrever, classificar e nomear organismos. Os alunos de Linnaeus viajaram pelo mundo para explorar e coletar informações e espécimes. Aspectos do sistema de Lineu permitiram que amadores e profissionais em todo o mundo identificassem, nomeassem e descrevessem plantas por mais de dois séculos.

Para saber mais:

Pre-Linnaean botany
Materia Medica Mediterranea is a forthcoming database dealing with medicinal plants in the ancient Mediterranean world and resulting from 25 years of research into ancient books in libraries throughout the world by Alain Touwaide.

Maps of the Mediterranean world

Linnaeus

In addition to the Strandell Collection of Linnaeana, there are several other collections of Linnaean material of possible interest to researchers.

The library of The Linnean Society of London holds Linnaeus' own collections of plant and animal (fish, insects, shells) specimens as well as his personal library (books, manuscripts, correspondence).

The Institut de France, Paris, holds the plant specimens that Linnaeus collected in Lapland.

The Natural History Museum in London holds several collections of plant specimens and drawings consulted by Linnaeus.

The Botanical Museum at Uppsala University, Sweden (now Botany Section of the Museum of Evolution), contains plant specimens consulted by Linnaeus.

The University Libraries at Kansas State University, in Manhattan, Kansas, hold the Mackenzie Linnaeana collection, formerly at the New York Horticultural Society, which consists of books and dissertations.

A short biography of Linnaeus can be found at the Web site of the Department of Systematic Botany, Uppsala University.

A brief biography, plus a portrait and a synopsis of his scientific thought, can be found at the Museum of Paleontology, University of California, Berkeley site.

Information on the Linnaean herbarium at the Swedish Museum of Natural History, Stockholm, is available.

The Linnaeus Link project is an international collaboration based at The Natural History Museum in London. The project aims to improve access to Linnaean collections in a number of institutions through the creation of an on-line union catalogue of Linnaean material on the Web.

The Linnaean Society of New York was founded in 1878 as a natural history society and serves interested amateurs and professional scientists. Their public lectures, meetings and membership are open to persons with an active interest in ornithology, natural science and conservation, with a focus on the northeast United States. In the spirit of the society's namesake Carl Linnaeus, they maintain several funds promoting field work and scientific research and they also grant awards.

The Herbarium at Moscow State University has a Linnaean Collection.

Available on the Hunt Institute's Web site are databases of the index and the bibliography from Robert W. Kiger, Charlotte A. Tancin and Gavin D. R. Bridson's Index to Scientific Names of Organisms Cited in the Linnaean Dissertations together with a Synoptic Bibliography of the Dissertations and a Concordance for Selected Editions (Pittsburgh, Hunt Institute, 1999) and the Index to Bionomials Cited in the First Edition of Linnaeus' Species Plantarum.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

The Challenge of Rudolf Steiner


Uma visão histórica da vida de Rudolf Steiner, bem como exemplos de seu legado em todo o mundo, o trabalho atual inspirado por suas ideias - em particular o movimento da Escola Waldorf, agricultura biodinâmica e euritmia.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Encontros Improváveis- Júlio Henriques e Dead Can Dance: The Carnival is Over


Júlio Henriques, notável cientista e Professor da Universidade de Coimbra, foi pioneiro do Darwinismo em Portugal. 
“Parece pois que na espécie humana tem completa aplicação a teoria de Darwin. A muitos desagradará a ideia de que o homem é um macaco aperfeiçoado. Mas se Deus nos deu a razão, se hoje o progresso e desenvolvimento intelectual nos coloca tão longe do restante do mundo animal, que importa a origem? Que receio pode infundir uma teoria, cujas consequências são em geral a consecução de um maior grau de perfeição? E termina dizendo: “O mundo marcha: deixemo-nos ser levados nesse movimento de progresso” (“As espécies são mudáveis?” 
Dissertação para o Acto de Conclusões Magnas. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1865)

Biografia: Dead Can Dance

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nikolai Vavilov: o primeiro guardião da biodiversidade vegetal

É pouco conhecido do grande público. Mas foi o primeiro cientista a perceber que, para salvar a humanidade da fome, era imperativo conservar a biodiversidade genética das plantas cultiváveis do mundo inteiro em “bancos de sementes”. Ironicamente, morreu de fome na prisão durante o estalinismo.

Todos (ou quase) terão ouvido falar, nos media, do grande Cofre-Forte de Sementes Global de Svalbard, uma espécie de congelador gigante, de aspecto futurista, construído numa zona montanhosa do Árctico. Inaugurado em 2008, tem como objectivo proteger o maior número de espécies cultiváveis úteis do mundo – como feijões, arroz ou trigo –, contra as piores calamidades que possam acontecer, de forma a preservar o sustento alimentar da humanidade. Mas o que quase ninguém sabe é que essa ideia de preservação da biodiversidade agrícola nasceu há um século na cabeça de um cientista russo.

Foi precisamente em 1916 que Nikolai Vavilov, biólogo, geneticista, geógrafo, agrónomo e especialista do melhoramento das espécies vegetais partiu para a Pérsia (actual Irão) na sua primeira expedição, para recolher sementes cultivadas em regiões mais e menos “exóticas”. Essa sua actividade intensa de exploração dos quatro cantos do globo continuaria ao longo da sua vida e conduziria à criação, já em 1924 em São Petersburgo (então Leningrado), do primeiro banco de sementes do mundo.

“O sonho de Vavilov era acabar com a fome no mundo e o plano que tinha para o conseguir consistia em utilizar a ciência emergente da genética para gerar ‘super-plantas’, capazes de crescer em todos os locais e em todos climas – dos desertos de areia às gélidas tundras, durante secas ou inundações”, lê-se no site da cadeia global de televisão Russia Today. E para o poder fazer, o cientista precisava de trazer para o seu laboratório a diversidade genética global.

Coleccionador de plantas
Nikolai Vavilov nasceu em Moscovo a 25 de Novembro de 1887. O seu pai era um “próspero homem de negócios tornado milionário”, lê-se numa recensão de 1994, na revista Nature, da primeira da tradução em inglês (publicada em 1992) dos mais importantes trabalhos de Vavilov, coligidos sob o título de Origin and Geography of Cultivated Plants. Depois de acabar o curso no Instituto de Agricultura de Moscovo, Vavilov passou quase um ano, entre 1913 e 1914, no Reino Unido, no laboratório de William Bateson, pioneiro da genética moderna – e que cunhara aliás a palavra “genética” em 1901.

Quando estalou a Primeira Guerra Mundial, Vavilov regressou a Moscovo e, na Universidade de Saratov, (cidade situada a uns 700 quilómetros a sudeste de Moscovo, nas margens do rio Volga) começou a fazer investigações sobre a resistência das plantas às doenças, lê-se ainda na Nature, “virando-se depois para o estudo dos parentes selvagens das plantas cultivadas e formulando a ideia de que todas as plantas domesticadas tinham surgido em áreas de actividade humana na pré-história”. E foi para demonstrar esta hipótese que Vavilov organizou expedições “para sítios onde supostamente tinham assentado as povoações humanas mais antigas”. Identificou assim, primeiro cinco “centros de origem” das plantas cultiváveis. Mais tarde, esse número aumentou para sete ou oito (segundo as fontes).

A paixão de Vavilov pelas plantas vinha de longe. “Vavilov começou a coleccionar plantas durante a infância: tinha um pequeno herbário em casa”, escrevia em 1991 Barry Mendel Cohen (que fizera a sua tese de doutoramento sobre o cientista) num texto publicado na revista Economic Botany.

“Contudo”, prossegue Cohen, “a primeira verdadeira expedição destinada à recolha de plantas foi a sua viagem à Pérsia em 1916” – em plena Primeira Guerra Mundial. Vavilov não fora recrutado pelo exército por razões de saúde e o Ministério da Agricultura decidira então enviá-lo em missão à Pérsia.

Aquela expedição, que durou de Maio a Agosto, foi certamente uma aventura, salienta Cohen. “Primeiro, Vavilov ficou detido na fronteira durante três dias pelas autoridades russas, porque transportava com ele alguns manuais em alemão e mantinha um diário escrito em inglês” – um hábito que tinha adquirido durante a sua estadia no Reino Unido. Vavilov “foi acusado de ser um espião alemão e só foi libertado quando chegou a confirmação oficial da autenticidade dos seus documentos”, acrescenta Cohen.

Mas as peripécias não se ficaram por aí. “A sua caravana percorreu áreas de deserto onde a temperatura ultrapassava os 40 graus Celsius à sombra e chegou a estar a entre 40 e 50 quilómetros da frente de guerra da fronteira russo-turca”, diz ainda Cohen.

A julgar pela lista dos destinos que visitou até ao início dos anos 1930, Vavilov não tinha medo das situações perigosas (fossem elas devidas à topografia, ao clima, aos conflitos ou simplesmente à vulgar criminalidade local) em que por vezes se via envolvido.

Visitou mais de 64 países e aprendeu 15 línguas para conseguir falar directamente com os agricultores. “Foi um dos primeiros cientistas a ouvir realmente os agricultores tradicionais, a gente do campo de todo o mundo, para saber por que é que achavam que a diversidade das sementes era importante nos seus campos ”, declarou em 2010, numa entrevista à rádio pública norte-americana, o ecologista e botânico Gary Paul Nabham, autor de uma biografia de Vavilov.

Depois da Pérsia, sempre a recolher espécies locais, Vavilov fez várias viagens aos Montes Pamir da Ásia Central; atravessou territórios nunca antes explorados do Afeganistão; percorreu países da zona mediterrânica, europeus (incluindo Portugal) e não só. No Sul da Síria, contraiu malária. Esteve na Palestina e, em África, foi até à Abissínia (na actual Etiópia), onde apanhou tifo. Também organizou expedições à China, Japão, Coreia, Taiwan, América do Norte, Central e do Sul.

Diga-se ainda que, em 1921, foi convidado a assistir, com outro colega russo, ao Congresso Americano de Patologista dos Cereais – “um convite de histórica importância”, diz Cohen, “na medida em que foi o primeiro exemplo de cooperação científica entre os Estados Unidos e a recém-criada União Soviética”. O convite também mostra que o trabalho de Vavilov já era, naquela altura, reconhecido fora da Rússia.
Lisenko, inimigo mortal

A partir de 1920 e durante 20 anos, Vavilov dirigiu a Academia Lenine de Ciências Agrícolas da União (mais tarde rebaptizada Instituto Vavilov da Indústria Vegetal da União em sua honra), com sede em Leningrado. Criou 400 estações experimentais, espalhadas por toda a União Soviética e onde trabalhavam cerca de 20.000 pessoas. Publicou centenas de artigos de genética, biologia, geografia e selecção vegetal.

Ao longo de 16 anos de périplos, Vavilov e os seus alunos recolheram umas 200.000 amostras de sementes oriundas da União Soviética e do resto do mundo, que a seguir foram organizadas e estudadas nas diversas estações. “Foi assim que nasceu o primeiro banco mundial de genes de plantas do mundo”, lê-se ainda na já referida recensão da Nature, da autoria do norte-americano Valery Soyfer, da Universidade George Mason.

Mas a partir de 1935, aquele que seria o maior inimigo de Vavilov – e aliás da genética e das ciências da vida soviéticas – começou a ensombrar a vida pessoal e profissional de Vavilov: Trofim Lisenko (1898-1976).

Ao contrário de Vavilov, que era de família burguesa e portanto suspeito – Lisenko era de origem camponesa e tinha conseguido fazer um curso de agronomia. De facto, o próprio Vavilov começou por louvar e promover o trabalho de Lisenko por achar que ele era um digno “filho” da revolução bolchevique.

Em poucos anos, Lisenko tornou-se o “cientista” favorito de Estaline e o promotor de uma “genética soviética” que negava a própria existência dos genes e do ADN. Lisenko também fazia pouco da selecção natural, o processo basilar da teoria da evolução emitida por Darwin em meados do século XIX.

Como explicava Soyfer em 1989, num outro artigo na Nature, hoje ninguém duvida que as actividades de Lisenko tenham contribuído para a destruição das ciências agrícolas, biológicas e até médicas na União Soviética.

Porém, no início da sua ascensão, Lisenko conseguiu uma aparente vitória contra a fome que alastrava na URSS devido à colectivização forçada da terra. E em 1929, anunciou que uma técnica da sua invenção, dita de “invernalização”, iria permitir fazer florescer em pleno inverno o trigo que normalmente só desabrochava na Primavera. O método não foi validado e acabou por não cumprir as promessas de Lisenko de aumento da produção. Mas ele não estava disposto a arcar com a responsabilidade do falhanço e o culpado escolhido seria Vavilov, o homem que tanto contribuíra para o celebrizar. Lisenko tinha-se tornado o seu inimigo mortal.

Assim, após o seu regresso do México, em 1933, Vavilov foi proibido de empreender novas viagens. E a partir de 1934, Lisenko fez dele “o bode expiatório pelas desastrosas políticas agrícolas de Estaline”, lia-se na revistaScience em 2008.

Quando Vavilov percebeu o que estava a acontecer, começou a criticar a “ciência” de Lisenko, numa controvérsia que culminaria com a “vitória” do pseudo-cientista Lisenko – e com uma tragédia: a detenção de Vavilov a 6 de Agosto de 1940 pela polícia secreta soviética.

“Vavilov estava a recolher amostras de plantas na Ucrânia” quando foi detido, escrevia em 2008 na Nature Jan Witkowski, geneticista do Laboratório de Cold Spring Harbor (EUA), a propósito da publicação de um livro sobre o assassínio de Vavilov. Transferido para Moscovo, foi submetido a um terrorífico interrogatório durante 11 meses. Em Julho de 1941, Vavilov e dois dos seus colegas foram condenados à morte. Os colegas foram fuzilados, mas a sentença de Vavilov acabou por ser comutada em 20 anos de prisão… na cadeia de Saratov, aquela mesma cidade onde tinha iniciado a sua carreira 26 anos mais cedo. Sobreviveu dois anos numa cela subterrânea e sem janelas, em condições tais que contraiu escorbuto.

Vavilov morreu de fome em Saratov a 26 de Janeiro de 1943, aos 55 anos de idade. Nem a própria mulher, que voltara a residir em Saratov, sabia que o marido estava ali tão perto.

Vavilov só seria parcialmente reabilitado – e Lisenko definitivamente desacreditado – em 1965 pelo então presidente da URSS Leonid Brejnev, sob a pressão de dissidentes russos como o físico Andrei Sakharov e o escritor Alexandre Soljenitsyne, explica ainda Barry Mendel Cohen.

A ausência de Vavilov não passou despercebida a nível internacional. O próprio Winston Churchill fez vários apelos a Estaline para saber o que tinha acontecido a Vavilov. E, numa carta publicada na revista Science a 21 de Dezembro de 1945, Karl Sax, da Universidade de Harvard (EUA), perguntava: “Onde está Vavilov, um dos maiores cientistas da Rússia e um dos maiores geneticistas do mundo? Vavilov fora eleito presidente do Congresso Internacional de Genética, que decorreu em Edimburgo em 1939, mas não apareceu e desde então não temos tido notícias dele. Recebemos agora a informação da nossa Academia Nacional das Ciências de que Vavilov morreu. Como morreu e porquê?”

Alguns colegas de Vavilov já tinham tido o mesmo destino trágico do que ele – não na prisão, mas no cerco de Leningrado pelas tropas nazis, de 1941 e 1944, que matou à fome dezenas de milhares de cidadãos.

Numa outra carta publicada na Science em 2003, apelando a Vladimir Putin para salvar a preciosa colecção do Instituto de Leningrado (que esteve à beira de ser demolido por promotores imobiliários), três antropólogos norte-americanos resumiam o que acontecera àqueles cientistas: “Apesar de sofrerem eles próprios de subnutrição grave e apesar de trabalharem a poucos metros de uma vasta reserva de alimentos [sementes, tubérculos e fruta], os cientistas preferiram morrer a empobrecer a herança genética do país”, que “percebiam ser indispensável para o futuro da agricultura” soviética. Oito morreram em 1942 e “pelo menos um deles (…), um especialista em amendoins, morreu sentado à sua secretária”, escrevem os autores.

Mas foi o seu gesto, mais do que heróico, que permitiu que o banco de genes do Instituto Vavilov seja, ainda hoje, um dos maiores do mundo.

domingo, 7 de junho de 2009

Herbário de Lineu

Nome: Rosa carolina L. [Fonte:Linnaeus Herbarium ]

Clica nas seguintes letras e observarás as espécies de plantas recolhidas por Lineu. As imagens são os microfilmes a partir do Herbário de Lineu.

At present: 3658 sheets are presented.
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z      

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Edvard Koinberg: Herbarium Amoris. Floral Romance- uma bela prenda de Dia da Terra

Floral Romance and Eroticism
The beauty of plants and their sexuality

Pode pré-visualizar as 283 maravilhosas páginas deste livro

Artigo, em espanhol

Texto na Taschen, em inglês


Celebremos o Dia da Terra


Todos os anos, a 22 de abril celebra-se o Dia Mundial da Terra.

Origem da data

A data foi criada em 1970, pelo senador norte-americano Gaylord Nelson que resolveu realizar um protesto contra a poluição da Terra, depois de verificar as consequências do desastre petrolífero de Santa Barbara, na Califórnia, ocorrido em 1969.

Inspirado pelos protestos dos jovens norte-americanos que contestavam a guerra, Gaylord Nelson, desenvolveu esforços para conseguir colocar o tema da preservação da Terra na agenda política norte-americana.

A população aderiu em força à manifestação e mais de 20 milhões de americanos manifestaram-se a favor da preservação da terra e do ambiente.

Atividades

Todos os anos, no dia 22 de abril, milhões de cidadãos em todo o mundo manifestam o seu compromisso na preservação do ambiente e da sustentabilidade da Terra. Neste dia de cariz educativo escrevem-se frases e poemas sobre a importância do planeta Terra nas escolas, entre outras atividades.

É possível juntar-se a atividades existentes, criar eventos próprios, doar dinheiro, ou tomar simples atos como plantar uma árvore ou separar o lixo, por exemplo.

O Dia Mundial da Terra conta já com mais de mil milhões de atos realizados em prol do ambiente ao longo da história. É o maior dia do ano para o planeta Terra, desejando que todos os habitantes do mundo realizem algum ato que o proteja. Este ato será uma espécie de semente para regar durante o resto do ano.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Dossiê Botânica e Floresta

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