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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Felsmann + Tiley - Open Fields (feat. The Kite String Tangle)


Letra
[Verse]
I feel you close, I could hold you
But the walls are cold, I could fall through
And I know it’s hard, but I told you
When you’re gone

[Chorus]
Oh, these open fields where I’ll meet you
Will be worlds apart, but I’ll see you
Radiating through the cracks, just light intertwined

[Post-Chorus]
Mmh oh, oh, oh, oh

[Verse]
I feel you close, I could touch you
But the air is cold all around you
And I know it’s hard, but I told you
When you’re gone

[Chorus]
Oh, these open fields where I’ll meet you
Will be worlds apart, but I’ll see you
Radiating through the cracks, just light intertwined

[Post-Chorus] 2X

[Chorus]
Oh, these open fields where I’ll meet you (mmh oh, oh, oh, oh)
Will be worlds apart, but I’ll see you (mmh oh, oh, oh, oh)
Radiating through the cracks, just light intertwined (mmh oh, oh, oh, oh)

Oh, these open fields where I’ll meet you (mmh oh, oh, oh, oh)
Will be lighting up when I see you (mmh oh, oh, oh, oh)
Radiating through the cracks, just you and I (mmh oh, oh, oh, oh)

[Post-Chorus]

Open Fields de Felsmann + Tiley: estilo, significado e influências filosóficas
A canção "Open Fields", lançada em 2025 pelo duo alemão Felsmann + Tiley em colaboração com o artista australiano The Kite String Tangle (Danny Harley), aborda temas como a distância, a desconexão física e a presença emocional. A letra estabelece um contraste marcante entre o frio da separação física e o calor de uma ligação afetiva persistente, sugerindo que os chamados "campos abertos" representam um espaço metafórico ou pós-físico no qual a intimidade prevalece sobre a distância espacial.

No que respeita ao estilo musical, o tema enquadra-se na música eletrónica neoclássica e no ambient pop de cariz cinematográfico. Fiel à identidade estética de Felsmann + Tiley, a composição prescinde de percussão e bateria tradicionais, construindo a sua tensão dinâmica e carga emocional através da modulação de sintetizadores, de camadas harmónicas e do desempenho vocal intimista.

Do ponto de vista das influências literárias e filosóficas, a narrativa da canção evoca o conceito de espaço liminar e a noção de "não-lugar", proposta pelo antropólogo Marc Augé, apresentando os campos abertos como zonas de transição onde as barreiras físicas se diluem em prol da memória. Adicionalmente, a obra reflete o dualismo corpo-mente de matriz cartesiana e fenomenológica - ao explorar como a perceção e o afeto transcendem os limites do corpo -, mantendo igualmente pontos de contacto com a tradição romântica, na qual a paisagem natural serve de espelho e extensão dos estados emocionais humanos.

sábado, 27 de junho de 2026

PJ Harvey - Voyager

Letra
Long years, far place
Dark nights, dark days
Frozen, silent
Bearing Earth-songs
Earth-songs

Force fields, high winds
Cold moons, bright rings
Hear my signal
Will you follow?

Look back at us
As a speck of dust
Darkness our home
Bear it through love

Last note, last sign
Neptune, Triton
Fading signal
Choose light, choose love

Voyager, look back
At a pale blue dot
All we don't know
A flake of snow

Dust in a sunbeam, blue dot
So far, so cold
Kindness, kindness
Care for
Our shelter, tender, tender


PJ Harvey lançou esta quarta-feira (24 de junho) um tema novo, ‘Voyager’.
O tema é inspirado pelo Programa Voyager, da NASA, iniciado em 1977. Foi composto durante as sessões de gravação para o próximo álbum de PJ Harvey, ainda sem data de lançamento definida.
Em comunicado à imprensa, a artista britânica disse-se “entusiasmada com o desafio de compor uma canção com a ‘voz’ da Voyager 2”, sonda lançada em agosto de 1977 e que se encontra, atualmente, fora do Sistema Solar. “Perguntei-me: que nos diria ela se pudesse?”. ‘Voyager’ conta, ainda, com uma citação do já falecido astrónomo Carl Sagan.

"Voyager", o single de PJ Harvey lançado em junho de 2026 a convite do físico Brian Cox para a sua digressão mundial Emergence, afasta-se do rock visceral de guitarras do início da sua carreira para abraçar uma sonoridade espacial, flutuante e de gravidade zero. A faixa insere-se no panorama do ambient e do art pop eletrónico, sendo construída sobre pulsações eletrónicas lentas e minimalistas e sintetizadores modulares, onde se destacam o Prophet-5 tocado por Harvey e o baixo de sintetizador Juno tocado pelo próprio Brian Cox. Há uma utilização intencional de efeitos que simulam distorções de fita e pequenas falhas de áudio, como se a música fosse um sinal de rádio enfraquecido a viajar pelo espaço, uma atmosfera que ganha uma imensa sensação de amplitude e grandiosidade cinematográfica graças aos arranjos de cordas criados por Dario Marianelli e executados pela Orquestra de Miraval. Sobre esta massa instrumental, a voz de PJ Harvey surge de forma etérea, fantasmagórica e descorporificada, acentuando uma profunda sensação de solidão cósmica.

O conceito central da canção é uma das propostas mais fascinantes da carreira da artista, uma vez que a letra é escrita e cantada sob a perspetiva da própria sonda espacial Voyager 2, lançada pela NASA em 1977 e que hoje navega pelo espaço interestelar, a milhares de milhões de quilómetros da Terra. Harvey revelou ter-se inspirado na questão de saber o que a espaçonave nos diria se pudesse falar, mimetizando os relatórios da sonda ao cruzar os limites do nosso sistema solar através de versos que mencionam forças de campo, ventos fortes, luas frias e anéis brilhantes. O significado da canção desdobra-se em camadas emocionais e filosóficas, prestando uma homenagem direta ao astrónomo Carl Sagan, que idealizou o Disco de Ouro da Voyager e poeticamente batizou o nosso planeta de "Ponto Azul Claro", uma ideia que a artista recupera ao usar metáforas que nos reduzem a um floco de neve ou a um grão de poeira na imensidão do cosmos. Ao olhar para a Terra através dos olhos da máquina distante, a música funciona como uma meditação sobre a nossa extrema pequenez e fragilidade, sugerindo que, diante do vazio absoluto do universo, os conflitos e as fronteiras humanas perdem totalmente o sentido. Apesar de mergulhada num ambiente frio e mecanizado, a mensagem final que PJ Harvey extrai dessa vastidão é profundamente humanitária e otimista, culminando num apelo urgente à sobrevivência e à união para a humanidade que ficou para trás, sintetizado no verso que nos incita a escolher a luz e a escolher o amor.

sábado, 16 de maio de 2026

Kalandra - Everything In Its Right Place


Alt eg ser (4X)

Flyt medstraums (4X)

Her i går, eg kava - sta imot ein storm
Her i går, eg kava - sta imot ein storm
Eg stod imot stride straumar utan form
Eg, eg kava sta imot ein storm

Alt eg er (3X)

Flyt motstraums (4X)

Alt eg ser er berre svart og kvitt (2X)
Men kva, kva freistar eg å nå?
Det, det er vonlaust å få sjå

Å få sjå (4X)

Kalandra é uma banda norueguesa-sueca que se define por um estilo folk-rock nórdico cinematográfico, misturando melodias etéreas com instrumentação grandiosa e expansiva. Na sua interpretação de "Everything In Its Right Place", o grupo transforma o clássico eletrónico dos Radiohead numa peça orgânica e mística, caracterizada pelas texturas atmosféricas e pelos poderosos vocais de Katrine Stenbekk, que evocam uma sensação de natureza selvagem e isolamento ancestral.
O significado da música, originalmente escrita por Thom Yorke, centra-se na dissociação mental e na tentativa desesperada de encontrar ordem dentro do caos. A letra minimalista e a famosa metáfora de "acordar a chupar um limão" sugerem um estado de amargura ou um colapso sensorial, onde repetir que tudo está no seu devido lugar funciona como um mantra para manter a sanidade mental. Enquanto a versão original parece claustrofóbica e tecnológica, Kalandra dá à faixa um tom de melancolia ancestral, transformando a sensação de alienação urbana numa aceitação profunda e sombria do destino.


Kalandra | Nerver Live session

sábado, 11 de abril de 2026

Owsey - And Then I Woke Up


Letra
Now that you are here (6X)

Now that you are here
Now that you are here
There were days where I was almost dead
And the days where I was almost dead
And the days where I was almost dead

"There was a moment, when I was under in the darkness
Feeling...
I could feel.. I knew… So clear..
I could feel her.. I could feel it..
It was like I was part of everything that I'd ever loved, and we were all, just fading out. And all I had to do was let go. And I did
I said: ‘Darkness, yeah…’ and I disappeared
But I could still feel her love there. Even more than before. Nothing. Nothing but that love. And then I woke up."

Now that you are here
Now that you are here
Now that you are here
Now that you are here
I'm always here

Melhor som aqui

Owsey, o pseudónimo de Owen Ferguson, é um dos nomes mais respeitados da música ambiente e eletrónica atmosférica da Irlanda do Norte. Ficou conhecido pela sua capacidade de criar paisagens sonoras que parecem "sonhos acordados", misturando batidas de future garage com arranjos de piano e violino profundamente emocionantes.

A sua música é frequentemente descrita como a banda sonora perfeita para o isolamento, a nostalgia ou para observar a natureza. Mesmo após mais de uma década de carreira, ele mantém uma base de fãs fiel e uma postura independente, preferindo a ligação direta com os ouvintes através do seu site e redes sociais, onde continua a partilhar peças musicais que exploram temas como a perda, a esperança e a beleza do efémero.

domingo, 8 de março de 2026

You'll Never Get To Heaven - Caught In Time, So Far Away


Letra
This dream goes on forever
Keeps on and on
Can't reconcile the apathy
Its hold too strong
Automated, my senses are
Numb, broke and bleak
When it gets worse, I'll ask for you to believe
In me

Caught in time, so far away
Dreams linger on
Can't recreate naivety
The feeling's gone
Heavy hearts hung out to dry
It's plain to see
When it gets worse I'll ask for you to believe
In me

Automated, my senses are
Numb, broke and bleak
When it gets worse, I'll ask for you to believe
In me
To believe
In me

Footages fom the film "Dolls" de Takeshi Kitano 

Os You’ll Never Get to Heaven são um duo canadiano, originário de London, Ontário, composto por Alice Hansen e Chuck Blazevic. A sua sonoridade é uma das mais fiéis representações do que hoje entendemos por pop etérea, fundindo texturas de ambient, dream pop e uma nostalgia quase fantasmagórica que os críticos frequentemente associam ao conceito de hauntology. É uma música que não se impõe pela força, mas sim pela envolvência, assemelhando-se a uma neblina sonora onde a voz de Hansen flutua, processada e distante, como se fosse um eco de outra época.

A canção "Caught in Time, So Far Away" funciona como uma meditação profunda sobre a suspensão e o isolamento. O título sugere imediatamente alguém que ficou retido num momento específico do passado, incapaz de acompanhar o fluxo do presente. Em termos de significado, a letra não procura narrar um evento concreto, mas sim capturar o estado emocional de quem observa a própria vida através de uma lente baça. Existe uma melancolia inerente à ideia de estarmos "tão longe" (so far away), não necessariamente em termos de distância física, mas de desconexão emocional.

Ouvir este tema é como folhear um álbum de fotografias antigas onde as figuras começam a desaparecer. A música evoca a beleza triste da impermanência e a sensação de que certas memórias são tão vívidas que acabam por se tornar mais reais do que a própria realidade imediata. É, em última análise, um convite à introspeção, onde o ouvinte é transportado para um espaço liminal, algures entre o sonho e a vigília, onde o tempo parece ter parado por completo.

Sites
Bandcamp
Blogue
Spotify
Youtube

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Rival Consoles - Untravel


O artista Rival Consoles (nome artístico de Ryan Lee West) é de nacionalidade britânica. Ele nasceu em 10 de novembro de 1985 Leicester e reside atualmente em Londres, na Inglaterra.
Misha Shyukin nascido na Letónia e actualmente vive na Alemanha  é um artista visual e diretor que trabalha principalmente nas áreas de animação 3D e motion graphics.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Ao meu amigo e irmão Serafim Riem, dedico-te esta canção - "God Moving Over the Face of the Waters", do Moby


A ti Serafim, que descanses em paz e que a Luz da Natureza te retribua agora toda a bondade que a ela tu dedicaste ao longo da tua vida.

E que saibamos honrar o teu exemplo, continuando, com coragem e responsabilidade, o trabalho que tu começaste.

A escolha de "God Moving Over the Face of the Waters" para o desfecho de Heat - Cidade Sob Pressão é, sem dúvida, um dos momentos mais brilhantes do cinema contemporâneo, precisamente porque eleva o clímax do filme a uma dimensão quase espiritual de fraternidade. Ao longo de toda a narrativa, Michael Mann constrói as personagens de Al Pacino e Robert De Niro como duas faces da mesma moeda: homens solitários, obcecados pelos seus respetivos códigos de honra e incapazes de se ajustarem ao mundo comum. Embora um seja o caçador e o outro a presa, existe entre eles um entendimento silencioso e uma cumplicidade que nenhuma das suas relações pessoais consegue alcançar. Na célebre cena do café, eles verbalizam esse respeito mútuo, reconhecendo que, apesar de estarem em lados opostos da lei, partilham a mesma essência.

Quando a composição do Moby começa a ecoar na pista do aeroporto, após o confronto final, toda a violência e a adrenalina da perseguição desaparecem instantaneamente, dando lugar a uma melancolia avassaladora. Enquanto McCauley dá o seu último suspiro no chão, Hanna aproxima-se e segura-lhe na mão, num gesto de profunda ternura e dor. A melodia cresce exatamente nesse instante de contacto físico, transformando o desfecho trágico numa verdadeira elegia fúnebre. Hanna não celebra a vitória; pelo contrário, chora a morte do único homem que verdadeiramente o compreendia. É uma imagem de pura irmandade, onde as barreiras da lei se desfazem perante a perda e o respeito mútuo, tornando esta faixa uma escolha profundamente adequada para honrar a memória de alguém que partiu e que se considerava um irmão.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Slowdive - Crazy For You


O single "Crazy for You" (1990) é uma das suas faixas mais icónicas do shoegaze, caracterizada por guitarras etéreas, vocais suaves e camadas sonoras densas.

A letra, composta por uma única frase repetida várias vezes, 'Crazy for lovin' you', transmite uma sensação de obsessão e fixação emocional. A repetição incessante da frase sugere um estado mental onde o amor se torna uma força avassaladora, quase sufocante, que domina todos os pensamentos e sentimentos do eu lírico.

A simplicidade da letra contrasta com a complexidade da música, destacando a profundidade do sentimento de amor obsessivo.

A escolha de repetir a mesma frase inúmeras vezes pode ser vista como uma metáfora para a natureza cíclica e inescapável do amor obsessivo. O eu lírico está preso em um loop emocional, incapaz de pensar em qualquer outra coisa além do objeto de seu afeto. Essa abordagem minimalista e repetitiva é eficaz em transmitir a intensidade e a singularidade do sentimento, fazendo com que o ouvinte sinta a mesma fixação e intensidade emocional que o eu lírico experimenta.
Filmagens de A Swedish Love Story 1970, por Roy Anderson

Adoro passear com pessoas que me dizem "olha aquela nuvem"!

Ulrich Schnauss rework

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Paz ecológica e paz interior


Em cada 1º dia de Janeiro, crio uma lista de objectivos e medito sobre este dia, Dia Mundial da Paz. Preencho o dia escutando música. A música, independentemente do estilo, oferece uma playlist de aprendizado e reflexão. Cada canção ajuda-nos a perceber diferentes dimensões da paz: a empatia, a atenção ao mundo, a consciência da memória ecológica, a capacidade de escutar e respeitar o espaço do outro, e a necessidade de transformação pessoal e colectiva. Aqui segue o texto e a minha sugestão de playlist.

Paz ecológica e paz interior
Quando pensamos em paz, muitas vezes imaginamos apenas a ausência de guerra. Mas a paz é também a capacidade de habitar o mundo sem o ferir e de habitar-nos sem ruído excessivo. Em tempos de crises ecológicas e sociais, aprender a escutar tornou-se uma prática ética, quase revolucionária.

O pós-punk, nascido da fratura e da inquietação urbana, pode parecer sombrio à primeira audição. Mas é precisamente aí que mora a sua lição: recusar o excesso, escutar o vazio e sentir a tensão antes que ela se torne destruição. Entre riffs secos e atmosferas introspectivas, encontramos ensinamentos sobre respeito ao mundo e a nós mesmos.

A música pode refletir a terra ferida e a memória do que perdemos. Canções como “Cities in Dust” dos Siouxsie and the Banshees lembram-nos que civilizações desaparecem, mas deixam vestígios que não podemos ignorar. “Requiem” do Killing Joke é um grito diante do colapso ambiental e social, enquanto “A Forest” do The Cure transforma a natureza em labirinto, mostrando-nos que quando nos perdemos, percebemos a importância da atenção e do cuidado. A paz ecológica é, assim, reconhecer os limites antes que seja tarde demais.

O silêncio e o espaço são fundamentais tanto na música quanto na natureza. Álbuns como “Spirit of Eden” do Talk Talk respiram, respeitam o tempo e o espaço entre as notas — como um ecossistema saudável. Canções como “The Colour of Spring” de Mark Hollis mostram a fragilidade e a atenção às nuances, lembrando-nos da interdependência do mundo natural. E “An Ending (Ascent)” de Brian Eno cria uma paisagem sonora que coexiste sem dominar, ensinando que escutar é, de fato, um ato ecológico.

A paz do mundo começa na paz do indivíduo. Joy Division, em “Atmosphere”, convida-nos a caminhar com cuidado entre os outros, reconhecendo limites e espaço alheio. “Silent Air” do The Sound faz do ar uma metáfora de equilíbrio interior: invisível, mas essencial. E “Faith” do The Cure mostra que aceitar a fragilidade é uma forma de resistência, uma paz construída dentro de nós mesmos.

Mesmo na melancolia do pós-punk, há sinais de reconciliação e esperança. “I Believe in You” do Talk Talk funciona como uma oração laica, celebrando a vida e a esperança. “Second Skin” dos Chameleons lembra-nos da necessidade de transformação e adaptação, como a própria natureza nos ensina.

Em última análise, a paz, seja ecológica ou interior, não se proclama: pratica-se. Nas nossas escolhas, na forma como caminhamos pelo mundo, como consumimos e até como ouvimos música, reside o poder de transformação. O pós-punk, com a sua intensidade e sensibilidade, ensina que menos ruído é mais sentido, e que talvez a revolução mais urgente seja voltar a ouvir o mundo antes que ele se cale.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

woodworkings - Rust Flakes and Thinks Snow


"Woodworkings - Rust Flakes and Thinks Snow" refere-se a uma faixa específica de música ambiente/neoclássica do artista woodworkings, presente no álbum "Day breaks the morning shapes we speak", conhecido pelo seu som evocativo, invernal e melancólico, que explora temas de lugar e mente, perfeito para ouvir em climas frios.

Sobre a Música
Artista: woodworkings (Kyle Woodworth)

Género: Ambiente, Neoclássico, frequentemente descrito como atmosférico e cinematográfico.

Clima: Evoca frio, desolação e contemplação silenciosa, condizente com o título.

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Dia Mundial do Refugiado - Ahmad Joudeh Dance


Ahmad Joudeh é um bailarino e coreógrafo holandês. Ele nasceu e foi criado como refugiado apátrida na Síria. Mudou-se para a Holanda com a ajuda da Companhia Nacional Holandesa de Ballet em 2016. Atualmente atua internacionalmente como artista. Em 2021, obteve a cidadania holandesa.

É importante celebrarmos o Dia Mundial do Refugiado porque as pessoas precisam de perceber o que os outros estão a passar e parar de tratar mal as pessoas consideradas refugiadas. Guerras, conflitos e outras dificuldades podem destruir a realidade de uma criança nos dias de hoje. Podemos ajudá-las a salvar o seu futuro.

Gostava que não ouvíssemos a palavra "refugiado" o tempo todo. A rotulagem tem um impacto enorme. Eu cresci a ser chamado de "refugiado" o tempo todo. O que é um "refugiado"? Como pode uma criança pequena compreender o conceito de "refugiado"?

As crianças não compreendem o que está a acontecer se elas e as suas famílias precisam de fugir e estão em constante movimento. E não conseguem perceber se vivem noutro país e continuam a ser chamadas de "refugiadas". Até quando uma pessoa pode ser considerada "refugiada"?

É a complexidade da pertença. As pessoas apoiam-se em rótulos para criar uma divisão, para fazer com que os outros pareçam inferiores e excluí-los sistematicamente.

Como podemos ser tão cruéis e deixar uma criança crescer sentindo que nunca pertence a lado nenhum? Que nunca se sentirá em casa e que não se poderá sentir segura.
Uma mudança não pode começar com ações de sistemas ou governos, mas precisa de começar na mente das pessoas.

As pessoas devem começar a reparar na forma como se olham e se tratam. Para isso, cada pessoa precisa de começar por si própria.
Entrevista aqui

domingo, 2 de abril de 2023

Morreu Ryuichi Sakamoto - o génio da sensibilidade


Compôs músicas extraordinárias e imemoráveis.
Além de álbuns a solo, compôs para realizadores renomeados de cinema como Pedro Almodóvar, Oliver Stone, Brian de Palma, Nagisa Ōshima, Luca Guadagnino ou Alejandro González Iñárritu.

Prolífico, Ryuichi Sakamoto trabalhou também com vários artistas e músicos, tanto em colaborações pontuais quanto em projetos mais duradouros. Alguns exemplos das suas parcerias incluem:
  • David Sylvian: Sakamoto e Sylvian trabalharam juntos em várias ocasiões, incluindo o álbum "Brilliant Trees" de Sylvian em 1984, que apresentou a música "Forbidden Colours", escrita por Sakamoto e cantada por Sylvian.
  • Iggy Pop: Sakamoto e Iggy Pop colaboraram pela primeira vez em 1982, quando Sakamoto co-escreveu a música "Warrior Whispers" para o álbum de Iggy "Zombie Birdhouse". Em 2016, eles lançaram o álbum "Post Pop Depression" juntos.
  • Alva Noto: Sakamoto e o músico alemão Alva Noto (nome real: Carsten Nicolai) colaboraram em vários álbuns, incluindo "Vrioon" (2002) e "Insen" (2005).
  • Fennesz: Sakamoto e o músico austríaco Christian Fennesz trabalharam juntos em vários projetos, incluindo o álbum "Flumina" (2011), que apresenta improvisações em piano e guitarra.
  • Jaques Morelenbaum: O violoncelista brasileiro Jaques Morelenbaum já colaborou com Sakamoto em várias ocasiões, incluindo o álbum "Casa" (1998) e o projeto "A Day in New York" (2003).
Não esquecer também colaborações com Cesária Évora, Caetano Veloso, Youssou N'Dour, António Chainho e Rodrigo Leão. 
Estas são apenas algumas das muitas colaborações de Ryuichi Sakamoto ao longo da sua carreira, mas cada uma delas tem características únicas que as tornam marcantes e especiais.

Ryuichi Sakamoto era também um ativista pelas causas da defesa do ambiente e da paz, tendo estado envolvido, por exemplo, no movimento anti-nuclear na sequência da tragédia na central japonesa de Fukushima.

Ativista ambiental de longa data, ele se tornou uma figura importante no movimento antinuclear no Japão após o desastre de Fukushima em março de 2011.

Como tal, em 2012 ele organizou notavelmente um megaconcerto contra a energia nuclear perto de Tóquio, convidando ironicamente seus amigos do Kraftwerk (que significa central elétrica em alemão), e tocaram juntos um dos títulos emblemáticos "Radioativity".

Em 2007, ele também fundou a More Trees, uma ONGA de gestão florestal sustentável no Japão, Filipinas e Indonésia.

Citação favorita de R. Sakamoto : "Ars longa, vita brevis"
A arte é longa, a vida é breve.

安らかに、坂本龍一。
(Descanse em paz, Ryuichi Sakamoto)

Biografia: Wiki
Site oficial: Site Sakamoto

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Música do BioTerra: This Will Destroy You - The Mighty Rio Grande e versão da mesma música pelos We Are All Astronauts


Já estive no Texas e Arizona. Gente sulista, q.b. Bem há de tudo. Outra constatação é a diáspora portuguesa. Há portugueses em todo o canto do mundo. Mesmo nos locais mais inesperados. Outro facto marcante foi saber que há estudantes texanos que gostam de aprender Português- Universidade do Texas, em Austin . Mas é a paisagem que me marcou muito (retirando as grandes urbes): é imensa, por vezes aterradora e apaixonante, as alterações climatéricas são uma constante, os canyons são fabulosos e moldam espíritos. Daí produzir músicos excepcionais. Entre muitos destaco This Will Destry You, Stars of the Lid e os Explosion in the Skies.
 

sábado, 12 de novembro de 2022

Música do BioTerra : 2 interpretações do Avé Maria de "Giulio Caccini"

Infelizmente é um erro atribuir esta ária a  Giulio Caccini. Na verdade, foi composta por  Vladimir Vavilov (1925-1973). Em 1970 Vavilov gravou e publicou esta canção no álbum “Lute Music of the XVI-XVII centuries", editado pela Russian Melodia , com a atribuição de “Anonymous”.

Não sou fatimista nem considero muito o culto mariano. No entanto, em termos estéticos e éticos, realmente o sofrimento de uma mãe vendo seu filho barbaramente assassinado pelos Romanos, deve ser indescritível. Tem que se ter Fé e acreditar que Cristo sofreu por nós, pecadores e que ressuscitou. 

Seleccionei 2 bonitas interpretações. Acho tão bonita cantada por mezzo-sopranos ou contra-tenores.


1. Nina Solodovnikova 


2. DiMaio


terça-feira, 29 de março de 2022

Dia Mundial do Piano

Nascido em 2015 pela mão de Nils Frahm, o Piano Day, celebração de um instrumento inesgotável, internacionalizou-se.



O Piano Day celebra-se ao 88º dia do ano, em homenagem ao instrumento que tem essas mesmas teclas. Em Portugal, assinala-se a data em Lisboa e em Coimbra hoje e amanhã.

A iniciativa de caráter mundial foi iniciada pelo músico e compositor alemão Nils Fhram e tem continuado a acontecer todos os anos desde então. Nos últimos dois, apenas de uma forma virtual devido às restrições impostas pela pandemia.

O objetivo deste dia é a celebração do piano como instrumento mas, também, de todos aqueles que o tocam, fabricam, afinam e até de quem move pianos de um lado para outro.




"Says" é provavelmente a composição mais icónica de Nils Frahm (do álbum Spaces, 2013). É o exemplo perfeito do seu estilo:
A progressão: começa com um sintetizador em loop que utiliza um efeito de delay (eco) para criar uma pulsação hipnótica. Frahm integra sintetizadores analógicos e máquinas de eco (como o Roland Juno-60) nas suas performances.
O crescendo: a música constrói-se lentamente, camada sobre camada, até atingir um clímax emocional onde o piano e os sintetizadores se fundem.
A atmosfera: é descrita frequentemente como "música visual", parecendo a banda sonora de um filme que ainda não foi filmado.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Isolation Room presents Jónsi & Alex Somers - ‘Riceboy Sleeps’ and 'All Animals’



All Animals 
Chapter One - 1:45 
Chapter Two - 17:15 
Chapter Three - 19:45 

Riceboy Sleeps 
1) Happiness - 28:05 
2) Atlas Song - 35:55 
3) Indian Summer - 43:25 
4) Stokkseyri - 53:08 
5) Boy 1904 - 58:17 
6) All The Big Trees - 1:03:13 
7) Daníell In The Sea - 1:06:00 
8) Howl - 1:12:54 
9) Sleeping Giant - 1:19:28