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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Neil Young a tireless righteous contrarian


Letra

Won't need no shadow man 
Runnin' the government 
Won't need no stinkin' WAR 
Won't need no haircut 
Won't need no shoe shine 

[refrão] 3x
After the garden is gone 
 
What will people do? 
After the garden is gone 
What will people say? 
After the garden 

Won't need no strong man 
Walkin' through the night 
To live a weak man's day 
Won't need no purple haze 
Won't need no sunshine

[refrão] 3x
After the garden is gone 

Where will people go?  
After the garden is gone 
What will people know? 
After the garden 

 [refrão] 2x

O videoclipe oficial de "After The Garden", integrado no projeto Living With War de Neil Young, cruza de forma crua o rock de protesto e o ativismo ecológico. Visualmente, o vídeo simula a urgência de um canal de notícias fictício, utilizando a imagem do ex-vice-presidente americano Al Gore e do seu documentário An Inconvenient Truth para expor a crise climática mundial. Os rodapés informativos na tela dividem as atenções entre a contagem de baixas de guerra e os alertas sobre o degelo, traçando um paralelo direto entre a destruição militar e o ecocídio provocado pela ganância industrial. A nível político, o "jardim" surge como uma metáfora óbvia para o planeta Terra e a natureza que a humanidade está prestes a esgotar, terminando com um apelo explícito à ação individual e coletiva, desde o consumo de energias limpas à pressão sobre os governos.

Musicalmente, a faixa assenta num rock de garagem denso e distorcido, onde a aspereza das guitarras traduz a gravidade e a pressa que o tema exige. A voz cética de Neil Young une-se a um coro potente no refrão, transformando a pergunta sobre o destino da humanidade "depois do jardim" num hino coletivo e numa espécie de prece fúnebre pelo planeta. É um rock de intervenção direto, sem artifícios, desenhado para incomodar e mobilizar.

English analysis
He is throwing back 1970 "After the Gold Rush (song)"
Now THIS
"After the Garden" serves as the powerful opening statement for Neil Young’s fiercely political album Living With War. Originally written in 2006 as a blistering critique of the George W. Bush administration and the Iraq War, it has taken on a new life with Young's Living With War 2026 archival project, reframing the music to parallel today's political landscape.

The song acts as a bridge between environmental destruction and the futility of war. Young uses "the garden" to represent pristine nature, Eden, or a peaceful Earth, posing the stark, driving question: "What will people say after the garden is gone?" He immediately follows this warning by asserting that in a devastated world, we "won't need no stinkin' war" because humanity will already be dealing with the fallout of its own survival. He sharply criticizes the public's desire for aggressive, authoritarian leaders, arguing that true strength is built on peace and preservation rather than military dominance or fear-mongering.

Musically, Young describes the track's style as "metal folk protest music." It features gritty, raw garage-rock guitar work and a steady, march-like rhythm that evokes the feeling of a protest movement. A massive, multi-voiced choir echoes his lyrics, giving the song the weight of a communal hymn rather than just a solo rant.

While the core vocal and instrumental performances remain from the original recording, Young remixed the entire project for this 2026 archival release to give it a refocused mix for the present day. In this edition, the 100-voice choir is mixed much higher and given a heavier, more distinct presence in the soundscape. By amplifying the wall of human voices, Young deliberately draws a straight line from his 2006 anti-war sentiments to modern anxieties, suggesting that the fight for the planet and against political division is more urgent than ever.

Fontes:
Neil Young Archives
Living with War (2006)

sábado, 4 de julho de 2026

A Filantropia enganadora e porque é importante taxar os bilionários

Durante anos venderam a ideia de que a luta de classes era uma invenção da esquerda. Conversa de comunistas. Teorias de ressabiados. Inveja de quem teve sucesso. Uma fantasia repetida sempre que alguém ousava falar de desigualdade ou da concentração da riqueza.
Depois aparece Warren Buffett. Sim, Warren Buffett. Esse conhecido marxista. Admirador de Che Guevara. Frequentador assíduo da Festa do Avante. Praticamente um bolchevique de Wall Street.
E diz isto:
De repente, a teoria da conspiração da esquerda passou a ser uma confissão de um dos homens mais ricos do planeta. Buffett não disse que a luta de classes existiu. Disse que existe. Não disse que a sua classe ganhou. Disse que está a ganhar. [New York Times, 2006]
Durante décadas, convenceram milhões de pessoas de que falar em luta de classes era coisa de comunistas, sindicalistas e ressabiados. Entretanto, a guerra continuou a ser travada. E, segundo um dos seus principais protagonistas, está a correr bastante bem para um dos lados.

"Regra Buffett" nunca chegou a ser implementada.
Apesar de ter tido uma enorme tração mediática e o apoio explícito do então presidente Barack Obama, a proposta falhou o seu caminho legislativo no Congresso dos Estados Unidos.

Em 2012, o projeto de lei (batizado formalmente como Paying a Fair Share Act) foi levado a votação no Senado norte-americano. Embora tenha conseguido uma maioria simples de votos a favor (51 contra 45), a proposta foi travada pela oposição do Partido Republicano através de uma manobra de bloqueio parlamentar (o chamado filibuster), que exigia uma maioria qualificada de 60 votos para que o debate e a votação final pudessem avançar.

Os opositores da medida argumentaram na altura que aumentar os impostos sobre os mais ricos equivalia a uma "guerra de classes" e que a introdução desta taxa iria prejudicar o investimento privado, travar a criação de emprego e desacelerar a economia.

Assim, o sistema fiscal norte-americano manteve-se estruturalmente idêntico no que toca à proteção dos rendimentos de capital. Até hoje, os ganhos derivados de investimentos financeiros e ações continuam a ser taxados a taxas significativamente mais baixas do que os salários do trabalho, permitindo que a assimetria denunciada por Warren Buffett continue a ser uma realidade.

O outro lado da Filantropia
A generosidade proclamada pelos super-ricos através de iniciativas como o The Giving Pledge costuma recolher aplausos unânimes, mas, quando se vira a moeda, a filantropia dos multimilionários revela uma face muito mais cinzenta e amplamente criticada por economistas e sociólogos. Longe de ser um ato puramente altruísta, a transferência de fortunas para fundações privadas funciona, em grande parte, como um mecanismo altamente eficaz de evasão ou otimização fiscal. Ao canalizarem o seu dinheiro para estas estruturas, os bilionários obtêm deduções de impostos massivas, o que significa que o Estado — e, por arrastamento, os cidadãos comuns — deixa de arrecadar receitas que poderiam ser aplicadas em serviços públicos essenciais, como o SNS, a escola pública ou as infraestruturas.

Além da questão financeira, há um profundo défice democrático neste modelo. Quando a riqueza é transferida para fundações geridas pelos próprios magnatas ou pelas suas famílias, o poder de decisão sobre o que é prioritário para a sociedade passa das mãos de governos eleitos para as mãos de elites privadas. São os multimilionários que passam a ditar, segundo as suas convicções pessoais ou interesses de mercado, se o dinheiro deve ir para a cura de uma doença específica, para a exploração espacial ou para reformas educativas que nem sempre são testadas ou validadas. Este fenómeno cria uma espécie de plutocracia disfarçada de caridade, onde o destino do bem-estar social fica sujeito aos caprichos de um punhado de indivíduos que não respondem perante nenhum eleitorado. Ler como os ricos se tornaram mesquinhos

Por fim, não se pode ignorar o tremendo ganho de reputação e a lavagem de imagem, muitas vezes apelidada de philanthro-washing. Muitas destas fortunas colossais foram erguidas com base em práticas laborais controversas, salários baixos, lóbis políticos para travar direitos sociais ou modelos de negócio que aceleraram a crise climática. Ao doarem uma percentagem vistosa do que acumularam, estes empresários conseguem desviar as atenções do escrutínio público e das críticas à forma como geraram a sua riqueza, transformando-se de predadores económicos em benfeitores da humanidade, enquanto mantêm intacto o sistema económico que perpetua as desigualdades que eles próprios dizem combater.

A forma mais democrática é exigir regulação e taxação dos bilionários. 
A exigência de uma maior taxação sobre os bilionários tem deixado de ser um debate puramente académico para se tornar uma pressão política concreta, movida pela necessidade de corrigir o que muitos consideram ser uma falha estrutural do capitalismo moderno. A estratégia para viabilizar esta mudança assenta, primordialmente, na cooperação internacional, dado que os super-ricos operam numa economia globalizada que lhes permite deslocar o património para jurisdições com tributação mais favorável. Projetos como a proposta de um imposto global sobre a riqueza, que visa estabelecer uma taxa mínima anual sobre as maiores fortunas, são fundamentais para evitar a concorrência fiscal entre Estados e impedir a existência de paraísos fiscais que servem de refúgio ao capital.
A nível nacional, a luta pela justiça fiscal passa por reformas legislativas que alterem a forma como a riqueza é tributada, centrando-se na taxação de mais-valias não realizadas - o património latente que cresce sem ser tributado enquanto não é vendido - e no encerramento de lacunas que permitem aos multimilionários viver através de empréstimos garantidos pelas suas próprias ações, escapando assim ao imposto sobre o rendimento das pessoas singulares. Paralelamente, o reforço dos impostos sobre heranças é defendido como uma medida essencial para prevenir a cristalização de dinastias financeiras que exercem um poder desproporcional sobre a democracia. 
Esta causa tem vindo a ganhar força através da pressão cívica, com movimentos de cidadãos e até de investidores consciencializados a sublinharem que a filantropia voluntária é um paliativo insuficiente perante a necessidade urgente de um sistema redistributivo robusto, transparente e democrático, que reponha o equilíbrio entre a acumulação de capital privado e o financiamento dos bens e serviços públicos que sustentam a coesão social.

Saber mais:

terça-feira, 17 de março de 2026

Mohommad Paktyawal, cidadão norte-americano, serviu o País durante a guerra do Afeganistão, morreu 24 horas depois, nas mãos do ICE

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em veículos não identificados, cercaram Mohommad Nazeer Paktyawal em frente à sua casa, no Texas, quando ele se preparava para levar os filhos à escola. O homem de 41 anos, pai de seis filhos, que tinha servido ao lado do 3.º Batalhão das Forças Especiais do Exército dos EUA no Afeganistão, morreu sob custódia do ICE no dia seguinte.

After working with the U.S. military in Afghanistan, Mohommad Nazeer Paktyawal died in the country he spent years of his life helping.
The cruelty is endless.

Toda a história aqui e aqui
História detalhada aqui



As análises contundentes e realísticas de Yanis Varoufakis sobre a Guerra no Irão

Análise da Varoufakis sobre o bloqueio do estreito de Ormuz, hoje 17.03.206

Nesta entrevista concedida a Chris Hedges, o economista Yanis Varoufakis apresenta um diagnóstico sombrio sobre o impacto da guerra com o Irão, afirmando que o mundo entrou numa espiral de crise que ultrapassa a mera questão militar. O ponto central da análise é o bloqueio do Estreito de Hormuz, uma artéria vital por onde passa 20% da energia global, o que já provocou uma subida em flecha do preço do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis e fertilizantes. Segundo Varoufakis, este aumento nos fertilizantes terá um efeito dominó catastrófico nos preços dos alimentos, ameaçando a estabilidade social a nível mundial e empurrando a economia para uma depressão.

Varoufakis argumenta que Donald Trump caiu numa armadilha estratégica montada por Benjamin Netanyahu, sublinhando que esta crise é estruturalmente diferente das tensões comerciais do passado. Se anteriormente o crescimento do setor da Inteligência Artificial conseguia camuflar certas fragilidades económicas, agora a própria IA está em risco devido ao seu consumo energético massivo. O economista prevê que o Ocidente não enfrentará uma hiperinflação, mas sim algo mais perverso: a estagflação. Neste cenário, os bancos centrais deverão subir as taxas de juro para proteger os ativos das classes dominantes, o que resultará num aumento drástico do desemprego e no esmagamento do poder de compra das classes trabalhadoras, de forma semelhante ao que aconteceu nos anos 70.

No contexto europeu, Varoufakis descreve uma União Europeia profundamente fragmentada e enfraquecida. Ele aponta o exemplo da Grécia, onde a submissão aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel, aliada a regimes oligárquicos locais, resultou em preços de eletricidade incomportáveis para a população. Esta "desunião" europeia, dividida entre países que pressionam por mais militarismo e outros que tentam manter alguma autonomia, retira à Europa qualquer capacidade de influenciar o desfecho do conflito.

Por fim, a entrevista aborda a deriva autoritária que acompanha estas crises económicas. Varoufakis alerta que o fascismo é a resposta histórica do capitalismo quando este perde o controlo sobre as suas próprias crises. Ele denuncia a repressão de jornalistas e a suspensão de direitos civis na Europa e nos EUA, onde vozes críticas são marginalizadas ou silenciadas por meios administrativos. O economista conclui que, perante este cenário de colapso do modelo de negócio global e de erosão democrática, a única saída reside na organização política coletiva e na resistência contra as elites que beneficiam com a economia de guerra.

Análise de Varoufakis, em 14. 03.2026

Nesta entrevista concedida a Glenn Diesen, Yanis Varoufakis apresenta uma análise incisiva sobre como o conflito com o Irão está a acelerar o colapso do modelo económico e geopolítico do Ocidente. O economista começa por destacar a natureza assimétrica desta guerra, onde o Irão, apesar da inferioridade militar convencional, utiliza o bloqueio do Estreito de Ormuz como uma arma económica devastadora. Este bloqueio expõe a fragilidade das potências ocidentais que, após décadas de políticas neoliberais e desindustrialização, perderam a sua soberania produtiva e tecnológica, tornando-se reféns de cadeias de abastecimento globais que agora se rompem.

Varoufakis critica severamente a falta de uma estratégia de saída por parte da administração de Donald Trump, sugerindo que o presidente norte-americano foi "atraído para uma armadilha" por Benjamin Netanyahu. Na sua visão, a estratégia de Israel passa por fomentar uma guerra permanente e um estado de insegurança regional que sirva de cobertura para a anexação da Cisjordânia e a continuação da limpeza étnica na Palestina. O economista aponta ainda o cinismo das justificações humanitárias, argumentando que a narrativa de "libertar as mulheres iranianas" através de bombardeamentos é um absurdo histórico, uma vez que a verdadeira libertação não pode ocorrer sobre as ruínas de um Estado falhado, como aconteceu na Líbia ou na Síria.

No campo militar, Varoufakis alerta para uma mudança radical no paradigma da guerra devido à tecnologia de drones e à Inteligência Artificial. Ele sublinha a insustentabilidade económica de utilizar mísseis de milhões de dólares para abater drones de baixo custo, o que favorece potências como a China e a Rússia, que dominam as cadeias de produção destes componentes. Além disso, expressa uma preocupação existencial com a automação do campo de batalha, onde drones autónomos podem tomar decisões de vida ou morte, empurrando a humanidade para um cenário de "tecnofeudalismo" militar onde a paz se torna um erro de sistema e a guerra o estado padrão.

Finalmente, Varoufakis aborda o dilema moral da esquerda ocidental. Embora se declare um opositor ferrenho do regime teocrático iraniano, ele recusa-se a escolher entre a teocracia e o imperialismo. Para o economista, o dever primordial dos cidadãos no Ocidente é responsabilizar e travar os seus próprios governos, que utilizam o dinheiro público para financiar crimes de guerra. Ele conclui que os grandes perdedores deste conflito são as classes trabalhadoras globais, que enfrentam agora preços de energia e alimentos incomportáveis, enquanto as elites políticas e económicas consolidam o seu poder através do caos.
Ler mais:
Recorde-se que o bloqueio do estreito de Ormuz foi feito em 02.03.2016

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Leonard Cohen - Democracy


A imagem do poderoso navio do Estado que deve passar pela tempestade do ódio, atravessar os recifes da ganância para chegar às praias da necessidade é a coisa mais linda que se pode ouvir numa canção!

"Democracy" é uma canção do Leonard Cohen com a participação de Jeff Fisher, originalmente lançada no álbum The Future, de Cohen, em 1992.  A letra aborda as falhas e as promessas da democracia nos Estados Unidos A canção foi escrita aproximadamente durante a queda do Muro de Berlim, o que levou Cohen a questionar a origem da democracia. Cohen afirmou que era "uma canção de profunda intimidade e afirmação da experiência democrática" nos Estados Unidos.

Democracy
Leonard Cohen

It's coming through a hole in the air
From those nights in Tiananmen Square
It's coming from the feel
That this ain't exactly real
Or it's real, but it ain't exactly there
From the wars against disorder
From the sirens night and day
From the fires of the homeless
From the ashes of the gay
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming through a crack in the wall
On a visionary flood of alcohol
From the staggering account
Of the Sermon on the Mount
Which I don't pretend to understand at all
It's coming from the silence
On the dock of the bay
From the brave, the bold, the battered
Heart of Chevrolet
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming from the sorrow in the street
The holy places where the races meet
From the homicidal bitchin'
That goes down in every kitchen
To determine who will serve and who will eat
From the wells of disappointment
Where the women kneel to pray
For the grace of God in the desert here
Snd the desert far away
Democracy is coming to the U.S.A

Sail on, sail on
O mighty Ship of State!
To the Shores of Need
Past the Reefs of Greed
Through the Squalls of Hate
Sail on, sail on, sail on, sail on

It's coming to America first
The cradle of the best and of the worst
It's here they got the range
And the machinery for change
And it's here they got the spiritual thirst
It's here the family's broken
And it's here the lonely say
That the heart has got to open
In a fundamental way
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming from the women and the men
O baby, we'll be making love again
We'll be going down so deep
The river's going to weep
And the mountain's going to shout Amen!
It's coming like the tidal flood
Beneath the lunar sway
Imperial, mysterious
In amorous array
Democracy is coming to the U.S.A

Sail on, sail on

I'm sentimental, if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight
Getting lost in that hopeless little screen
But I'm stubborn as those garbage bags
That Time cannot decay
I'm junk but I'm still holding up
This little wild bouquet
Democracy is coming to the U.S.A

Em "Democracy", Leonard Cohen apresenta uma análise irónica e crítica sobre o ideal democrático nos Estados Unidos. Ele deixa claro que a democracia não é um estado já alcançado, mas um processo contínuo, muitas vezes marcado por caos e sofrimento. Cohen faz referência a eventos como as "noites em Tiananmen Square" (noites na Praça da Paz Celestial) e menciona "as cinzas dos gays" e "os incêndios dos sem-teto", conectando lutas globais e marginalizações internas. Com isso, sugere que a verdadeira democracia nasce das experiências de dor, exclusão e resistência de grupos marginalizados. O verso "Democracy is coming to the U.S.A." (A democracia está chegando aos EUA) traz esperança, mas também ironia, indicando que, apesar do discurso oficial, a democracia plena ainda não foi alcançada no país.

A música foi composta durante a queda do Muro de Berlim, um momento de grandes mudanças políticas, o que reforça a visão de Cohen dos EUA como um laboratório imperfeito, onde a experiência democrática é testado entre extremos: "the cradle of the best and of the worst" (o berço do melhor e do pior). Ele também ironiza a espiritualidade e a busca por transformação, enquanto reconhece a solidão e a fragmentação social americana: "It's here the family's broken / And it's here the lonely say / That the heart has got to open / In a fundamental way" (É aqui que a família está desfeita / E é aqui que os solitários dizem / Que o coração precisa se abrir / De uma forma fundamental). O refrão, repetido como um mantra, funciona como desejo e alerta, mostrando que a democracia só se concretiza quando impulsionada "from the sorrow in the street" (a partir da dor nas ruas) e das vozes dos excluídos. No final, Cohen se mostra sentimental, mas desiludido, optando por observar à distância, mas mantendo uma esperança persistente, como "those garbage bags / That Time cannot decay" (aqueles sacos de lixo / Que o Tempo não consegue destruir). A canção segue atual ao abordar as contradições e desafios do sistema democrático, sem perder a fé em sua renovação.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Mudar regimes tem sido uma aposta arriscada para os EUA


A posição dos EUA que levou à Guerra do Iraque ameaça agora criar problemas sérios na Venezuela.

Os Estados Unidos são o país que mais intervenções externas liderou para impor mudanças de regime. Calcula-se que tenham derrubado 35 governos estrangeiros nos últimos 120 anos. Este recorde assenta numa combinação perigosa de forte poder militar e um grande número de actores considerados inimigos — além de uma excessiva autoconfiança que se tem revelado sistematicamente errada.

Ninguém se tem mostrado mais tentado a recorrer às forças armadas e à economia mais fortes do mundo para vencer discussões, conquistar territórios, derrotar adversários e intimidar aliados do que Donald Trump. Neste momento, Washington tem em curso uma campanha militar e dos serviços secretos cada vez mais intensa contra o presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, depois de já ter atacado o Irão e o Iémen e de ter ameaçado, de forma mais vaga, a Nigéria, o México, o Panamá e mesmo a Dinamarca e o Canadá.

O derrube de líderes de outros países é uma tática suficientemente frequente para ter direito a uma sigla específica entre os académicos: FIRC, ou foreign-imposed regime change (mudança de regime imposta pelo estrangeiro).

De acordo com um levantamento realizado por Alexander Downes, professor associado e cientista político da Universidade George Washington e autor do livro Catastrophic Success: Why Foreign-Imposed Regime Change Goes Wrong (Sucesso Catastrófico: Porque Falham as Mudanças de Regime Impostas pelo Estrangeiro), entre 1816 e 2011, os Estados Unidos foram responsáveis por cerca de um terço das 120 destituições forçadas de líderes por uma intervenção externa em todo o mundo.

As mudanças de regime e outras intervenções violentas raramente correm de acordo com os planos. Pela sua parte, algumas das ameaças agora lançadas por Trump — como entrar «aos tiros» na Nigéria, onde há grupos extremistas armados e fortes conflitos étnicos e sectários — têm tudo para correr muito mal. Os fracassos do passado deveriam servir para recordar os americanos de que a arrogância pode ter consequências catastróficas, seja para os indivíduos, seja para os Estados.

Veja-se o caso da mudança de regime estrangeiro n.º 34, imposta pelos EUA ao Iraque, cujo resultado eu pude testemunhar numa série de patrulhas militares que acompanhei como repórter em Bagdad, em maio de 2006.

Três anos depois de os Estados Unidos terem derrubado Saddam Hussein com base em alegações falsas sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque, não havia sinais da vaga de democratização que a equipa do presidente George W. Bush vaticinara para o Médio Oriente. Pelo contrário, quando as acompanhei, as patrulhas da 10.ª Divisão de Montanha tinham-se convertido num serviço de remoção de cadáveres. Todas as noites, recolhiam e transportavam os cadáveres de iraquianos que outros iraquianos deixavam abandonados nas ruas e nas calçadas de Bagdad.

Os mortos, na sua maioria jovens, alguns com as mãos estendidas no ar em choque ou amarradas atrás das costas pelos seus assassinos, foram vítimas de uma guerra civil sectária que a administração Bush não antecipou. Derrubar o governo sunita de Saddam e as suas forças de segurança foi uma tarefa fácil para as Forças Armadas dos EUA. Não se pode dizer o mesmo relativamente à luta pelo poder entre as milícias xiitas iraquianas, apoiadas pelo Irão, e os grupos revoltosos sunitas, nascidos do vazio de segurança que se seguiu à intervenção norte-americana. O desenrolar dos acontecimentos acabou por deixar o Irão mais forte, além de ter criado as condições para o surgimento do Estado Islâmico enquanto ameaça global. Há tropas americanas na região até hoje.

Muito tempo depois de as forças americanas terem expulsado Saddam, os cidadãos iraquianos ainda sentiam na pele as consequências dessa intervenção. Todos os dias, enfrentavam sequestros, torturas e assassínios, carros armadilhados, bombas suicidas, entre outros ataques.

Certa noite, em Bagdad, as tropas americanas foram atingidas por uma bomba de fabrico artesanal. A explosão deixou alguns dos jovens soldados a coxear ou atordoados. Já um motorista iraquiano que circulava ali perto foi atingido na cabeça e morreu.

Naquela noite, Will Shields, o segundo-tenente de 23 anos que liderava a patrulha, dirigira-se a um posto da polícia de Bagdad — uma das forças de segurança controladas pelos xiitas que os Estados Unidos tinham criado para impor a ordem no Iraque. Entre exortações e negociações, Shields incitou os polícias xiitas assustados a saírem dos seus gabinetes para, sob a proteção americana, ajudarem a patrulha dos EUA a recolher os corpos daquela noite durante o tempo que fosse necessário.

«Vocês têm noção de que é o vosso trabalho?», perguntou o frustrado tenente norte-americano à polícia iraquiana naquela noite. «Como é que podem esperar que os americanos façam alguma coisa, se vocês não fazem nada?»

A dimensão dos assassínios com motivações sectárias impediu que fossem atribuídos nomes e histórias de vida aos mortos iraquianos, reduzindo-os a uma sucessão de ferimentos, registados pelos soldados enquanto atiravam os corpos para dentro dos veículos de caixa aberta.

O caso da Venezuela representa o regresso a uma longa tradição de interferência dos EUA na América Latina. Segundo a investigação de Downes, cerca de 20 das 35 mudanças de regime apoiadas pelos EUA ocorreram na América Central, na América do Sul ou nas Caraíbas.

Em alguns desses países, os governantes foram sucessivamente afastados e substituídos pelos Estados Unidos, numa cadência digna de quem sacode uma máquina de venda automática para que caia o chocolate certo. Só em 1954, por exemplo, Washington D.C. destituiu três líderes guatemaltecos.

A nível mundial, um terço de todas as quedas forçadas de regime resultaram, nos dez anos seguintes, em guerras civis no país intervencionado, concluiu Downes.

Um caminho frequente rumo ao desastre é o que se verifica quando os regimes entram em colapso total, deixando as forças de segurança armadas, insatisfeitas e desnorteadas. Outro rumo desastroso frequente é quando as potências estrangeiras colocam no poder um novo líder, o qual é obrigado a uma tremenda ginástica para ir ao encontro de prioridades diversas do seu povo e da potência estrangeira que o colocou no poder.

«O grande problema das mudanças forçadas de regime é a tendência para não se pensar no que vem depois, não se saber qual é o plano para o futuro», afirmou Downes. «E é incrível a frequência com que isso acontece», acrescentou. «Os países continuam a interferir e, das duas, uma, ou não pensam no que vai acontecer a seguir ou acreditam... que as coisas vão ser diferentes naquele caso.»

Trump optou por recorrer a meios militares e à CIA, seja para assustar Maduro levando-o a abandonar o poder, seja para forçar a sua saída de cena.

De acordo com as estatísticas, as mudanças forçadas de regime têm mais hipóteses de conseguir levar a uma democracia consolidada se ocorrerem em países com prévia experiência democrática, que sejam economicamente prósperos e tenham uma população relativamente homogénea, como o Japão ou a Alemanha no imediato pós-Segunda Guerra Mundial, concluíram Downes e os seus colegas de investigação.

Quando esses critérios não se verificam, surgem situações como o regresso ao poder dos talibãs no Afeganistão ou a ascensão da República Islâmica depois de os Estados Unidos e o Reino Unido terem ajudado o xá do Irão, afastando o seu adversário político. Após duas décadas de assassínios e rebeliões, o Iraque alcançou um certo grau de estabilidade, mas o custo de todo o processo assustou os restantes países da região, tornando-os ainda mais relutantes em relação a eventuais experiências democráticas. Alguns especialistas veem com alarme qualquer tentativa de impor uma mudança de regime na Venezuela, um país produtor de petróleo onde a má governação do autocrata socialista Maduro e do seu antecessor Hugo Chávez, agravada pelas sanções internacionais, destruíram a economia e criaram milhões de refugiados.

A administração Trump acusou Maduro de ligação ao tráfico de droga, mas os Estados Unidos exageram o papel da Venezuela no contrabando de droga para os Estados Unidos. Para reforçar a presença militar, Washington enviou o seu maior porta-aviões para a região. Dezenas de pessoas foram mortas em ataques norte-americanos contra lanchas que, segundo os Estados Unidos, mas sem que tenham sido apresentadas provas, transportavam droga.

A administração Trump tem sido vaga quanto às intenções dos EUA, nomeadamente se pretendem usar a força para expulsar Maduro (que manipulou as eleições para se manter no poder), ou se, com as suas ações militares — como os ataques aéreos —, visam encorajar os venezuelanos a tratarem eles mesmos do assunto.

A estratégia mais pacífica que caracterizou o primeiro mandato de Trump — com imposição de sanções financeiras para aumentar a pressão sobre Maduro e a proposta de um acordo de partilha de poder para facilitar a sua saída — não serviu, ao contrário do que se esperava, para capacitar a oposição venezuelana. Neste novo mandato, Trump optou por recorrer a meios militares e à CIA, seja para assustar Maduro, levando-o a abandonar o poder, seja mesmo para o forçar a sair de cena.

Os opositores de Maduro consideram que a Venezuela tem um governo eleito, liderado pelo candidato da oposição, que para os EUA e outros países, é o vencedor das presidenciais de 2024

«Já vimos este filme antes», declarou Jacqueline Hazelton, especialista no tema do impacto político do poder militar e anteriormente professora do Naval War College, hoje editora da revista International Security, segundo a qual este tipo de intervenções costuma desencadear o choque violento entre fações.

A Venezuela tem uma oposição democrática forte e motivada, liderada por Maria Corina Machado, galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 2025. Porém, Maduro dispôs de vários anos para reforçar e diversificar o seu domínio sobre as instituições do país. Corina Machado não tem capacidade para quebrar esse domínio e reprimir adversários, disse ainda Hazelton.

Como argumento em prol de uma intervenção dos EUA na Venezuela, os seus defensores invocaram a 31.ª mudança forçada de regime liderada pelos EUA, ocorrida no Panamá em 1990, em que o governo militar foi substituído por um governo democrático.

O Panamá, no entanto, é um país muito mais pequeno do que a Venezuela, quer em território, quer em população, e estava aí baseado um contingente militar dos EUA, o que não acontece na Venezuela, observou Downes.

Os defensores da intervenção dos EUA na Venezuela têm-se esforçado por responder a quaisquer dúvidas sobre esta opção. Ao ponto de um escritor da oposição venezuelana, defensor da intervenção dos EUA, ter rejeitado que seja apropriado usar a expressão «mudança de regime», no caso do seu país.

Maduro chefia uma rede criminosa de tráfico de drogas, por isso não se trata de derrubar um governo legítimo, disse-me Walter Molina, que fugiu da Venezuela de Maduro e vive agora em Buenos Aires. Molina e outros opositores ao regime consideram que a Venezuela tem um governo eleito, liderado pelo candidato da oposição, o qual, segundo os Estados Unidos e outros países, venceu as eleições presidenciais de 2024, mas que foi posto de lado por Maduro, e que aguarda as condições para regressar.

Qualquer intervenção dos EUA servirá «para respeitar a vontade do povo venezuelano», declarou Molina.

Até pode ser verdade — talvez a conjugação entre o desagrado interno face à má governação de Maduro e uma intervenção forte do exterior sejam suficientes para derrubar um autocrata e instaurar a democracia. A incerteza, contudo, é suficiente para justificar cautela. O mundo, aliás, já assistiu mais vezes a este tipo de abordagem, como quando Dick Cheney, então vice-presidente dos EUA, declarou que as forças armadas norte-americanas seriam «recebidas como forças de libertação» no Iraque.

Sobre a imposição de mudanças de regime em países terceiros, Downes comentou: «É tentador simplesmente avançar, dizendo: “Bem, aconteça o que acontecer, não pode ser pior do que está”. Só que isso por vezes não é verdade.»

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Steven Cook, advogado com uma longa carreira na indústria química, mudou de posição em relação às regulamentações sobre PFAS

Steven Cook à direita

No início deste ano, Steven Cook era um advogado que representava as empresas químicas que estavam a processar para bloquear uma nova regra que as obrigaria a limpar a poluição causada pelos "químicos para sempre", que estão ligados a baixas taxas de natalidade e ao cancro. Agora, Cook ocupa um cargo de chefia na Agência de Proteção Ambiental, onde propôs a eliminação da mesma regra que os seus antigos clientes contestavam em tribunal. O seu papel será transferir os custos de limpeza dos poluidores para os contribuintes. Fonte

quarta-feira, 23 de julho de 2025

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”, e pediu um compromisso com o multilateralismo e os princípios da Carta das Nações Unidas. 

“Os Estados Unidos têm acumulado, há muito tempo, pagamentos em atraso das suas contribuições como membro da UNESCO”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, lamentando o novo anúncio de retirada feito por Washington esta semana.

“A China sempre apoiou firmemente o trabalho da UNESCO”, sublinhou Guo, destacando a missão da organização em “promover a cooperação internacional em educação, ciência e cultura, fortalecer o entendimento entre civilizações e salvaguardar a paz mundial”.

Wu Yan é o membro chinês do Conselho Executivo da UNESCO (2021-2025). É Vice-Ministro da Educação da China.

No contexto das comemorações do 80.º aniversário da fundação das Nações Unidas, o diplomata apelou a todos os países para que “reafirmem o seu compromisso com o multilateralismo” e apoiem um sistema internacional com a ONU no centro, “baseado no direito internacional e nos princípios da Carta das Nações Unidas”.

A República Popular da China é membro da UNESCO desde 1971, ano da sua entrada na ONU, e ocupa atualmente um assento no Conselho Executivo da agência (2021–2025).

Nos últimos anos, a China tornou-se um dos principais contribuintes financeiros da UNESCO e acolhe vários centros ligados à organização, nas áreas da educação, património e ciência.

Mas já veio críticas dos EUA. Washington serviu de proteção contra os esforços da China para utilizar a UNESCO para influenciar a educação, as designações históricas e até a inteligência artificial.

A China tem sido acusada de perseguir vários grupos étnicos, religiosos e políticos. Um dos casos mais notórios e internacionalmente denunciados é o da perseguição aos uígures, um povo de maioria muçulmana que habita a região de Xinjiang, no noroeste da China.

Perseguição aos Uígures:
  1. Religião e Cultura: Os uígures são de origem túrquica e seguem predominantemente o Islão. A China tem restringido práticas religiosas, culturais e linguísticas desse povo.
  2. Campos de "reeducação": Estima-se que mais de um milhão de uígures foram detidos em campos que o governo chinês chama de "centros de reeducação", mas que têm sido denunciados por abusos, tortura e doutrinação política.
  3. Vigilância em massa: Há uso extensivo de tecnologia para controlar a população uígur, incluindo reconhecimento facial, controle de dados e presença policial constante.
  4. Trabalho forçado e esterilizações forçadas: Existem denúncias de uso de trabalho forçado e práticas de controle de natalidade que podem configurar crimes contra a humanidade.
Além dos uígures, a China também é acusada de repressão a outros grupos:

Outros grupos perseguidos:
  1. Tibetanos: Sofrem repressão cultural e religiosa desde a ocupação do Tibete pela China em 1950. O budismo tibetano é alvo de controle estatal.
  2. Cristãos: Igrejas não registradas são frequentemente alvo de demolições, prisões de fiéis e censura.
  3. Praticantes do Falun Gong: Um grupo espiritual que é fortemente perseguido desde 1999, com relatos de prisões arbitrárias e até extração forçada de órgãos.
  4. Ativistas e dissidentes: Defensores dos direitos humanos, jornalistas e advogados são frequentemente presos ou silenciados.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Trump decide EUA a saída da UNESCO dois anos após regresso à organização por "sentimento anti-Israel dentro da organização" e "ideologia de género"


Os Estados Unidos anunciaram esta terça-feira a saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), dois anos após o regresso, alegando o que considera ser o pendor anti-Israel desta estrutura da ONU.

A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, reagiu de imediato, dizendo que "lamenta profundamente" a decisão do Presidente norte-americano, mas reconhecendo que o anúncio era esperado.

A decisão da Casa Branca foi conhecida esta terça-feira, através de uma declaração da porta-voz adjunta da Casa Branca, Anna Kelly, citada pelo jornal The New York Post: "O Presidente Trump decidiu retirar os Estados Unidos da UNESCO, por apoiar causas culturais e sociais totalmente fora de sintonia com as políticas votadas pelos americanos em novembro", nas eleições presidenciais.

A decisão vai entrar em vigor no final de dezembro de 2026, noticiou a agência Associated Press (AP).

Esta é a terceira vez que os Estados Unidos abandonam a UNESCO, com sede em Paris, e a segunda numa administração Trump.

Em 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump, a saída da UNESCO foi justificada pelo alegado preconceito anti-Israel da organização. A decisão entrou em vigor um ano depois.

Em 2023, os Estados Unidos regressaram à UNESCO, após a administração do ex-presidente Joe Biden ter solicitado o reingresso.

No passado mês de fevereiro, Trump ordenou uma revisão da presença na UNESCO, pedindo especial atenção a qualquer manifestação de "antissemitismo ou sentimento anti-Israel dentro da organização."

De acordo com fontes da Casa Branca, citadas hoje pela imprensa norte-americana, nos últimos meses foram avaliadas as políticas de diversidade, equidade e inclusão da UNESCO, assim como "o seu pendor pró-Palestina e pró-China".

Em causa estão decisões da UNESCO como a classificação de "Património Mundial da Palestina", em sítios que a administração Trump alega serem judeus, e o uso da palavra "ocupação" para os territórios palestinianos ocupados por Israel, segundo as resoluções das Nações Unidas.

A Casa Branca de Trump também critica em particular a iniciativa “Transforming MEN’talities”, que visa abordar questões de género, promover a inclusão e trabalhar normas sociais que sustentam preconceitos.

Esta iniciativa acompanhou no ano passado a campanha do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher e publicou relatórios sobre a igualdade de género na Índia, os videojogos e o modo como estes podem promover inclusão.

“Não se trata apenas de controlar os impactos negativos dos videojogos, mas também de contar com eles para abordar estereótipos socioculturais e incentivar comportamentos positivos e antidiscriminatórios”, afirmou na altura a diretora-geral adjunta para as Ciências Sociais e Humanas da UNESCO, Gabriela Ramos.

Os Estados Unidos saíram pela primeira vez da UNESCO em 1983, durante a presidência de Ronald Reagan, alegando que a organização era mal gerida, corrupta e utilizada para promover os interesses da União Soviética.

O regresso à UNESCO aconteceu em 2003, durante a presidência de George W. Bush.

Minha reflexão
Entretanto o Governo criminoso de Israel continua o genocídio da população palestiniana seja há fome, sede ou assassinados nas filas de busca de comida.
E a Comunidade Internacional continua a compactuar com as atrocidades do Governo criminoso numa postura vergonhosa. Fonte

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

The Speech In Which Putin Told Us Who He Was


The beautiful and prosperous city of Munich, Germany, has many claims to notoriety. It was the hotbed of early Nazism, the site of Neville Chamberlain’s famous meeting to appease Hitler and, later, a hub of German resistance to Hitler. Now, it’s the venue for one of the most significant security conferences in the world. On Friday, as for the past 58 years, foreign policy leaders will convene at the Munich Security Conference to address challenges to the transatlantic community.

The man who will be the single biggest topic of conversation at this year’s conference won’t be in attendance. But 15 years ago, Russian President Vladimir Putin used the gathering to issue a broadside that definitively rejected the European security order many in his audience had spent years trying to build. In February 2007, Putin stood in Munich’s Bayerischer Hof for 30 minutes and accused the United States of creating a unipolar world “in which there is one master, one sovereign.” He added, “at the end of the day this is pernicious.”

It wasn’t really Putin’s excoriation of the United States for hypocrisy after its invasion of Iraq that was notable; this was pretty much mainstream German, French, and much American thinking. The real moment of revelation was his broader conclusion that the U.S.-led liberal order, a.k.a. the Free World, was of no interest or value to Russia.

Putin’s speech came as a shock to those who had invested substantial effort in working with Russia to include it in a post-Cold War global stability system – and, at the time, still believed this was possible. A decade and a half later, a massive Russian military build-up in and around Ukraine is capable of striking at any moment. We should not now be surprised or confused. He made clear his intentions already in 2007.

What is more surprising is how the U.S. and Europe, despite Putin’s obvious warning in Munich and Russia’s many actions over 15 years, have nonetheless clung to the notion that we can somehow work together with Putin’s Russia on a strategic level. It is finally time for the West to face facts. Whether or not Putin launches a major new invasion of Ukraine, he has rejected the post-Cold War European security architecture and means it. He is on a deliberate and dedicated path to build a greater Russia, an empire where the Soviet Union once stood.

This weekend, at another fateful Munich Security Conference, the challenge will not be understanding Putin for what he is. Rather, it’s understanding – however belatedly – how to reorient the transatlantic community’s thinking away from the understandable but failed hopes of broader cooperation with Russia, and toward building a long-term position of strength to stare Putin down.

As Putin spoke in Munich 15 years ago, the atmosphere in the ballroom changed palpably. Having initially offered Putin a polite welcome, the audience – even those who shared Putin’s criticism of the Iraq war – reacted with shock, concern and even offense. Contrary to the qualified optimism that still prevailed about Russia, it sounded as if Putin was driving toward a new Cold War. U.S. Secretary of Defense Robert Gates was in the room, leading a delegation of administration officials (including one of us, Volker), as was a large congressional delegation led by Sen. John McCain, a Munich attendee from its earliest days, when McCain was the US Navy liaison to the Senate.

It may be easy to forget today that after Russia emerged from the ruins of the Soviet Union, the U.S. and Europe spent years working to integrate it into a new post-Cold War order. Far from triumphalist vengeance (as the Kremlin would have the world believe) the West provided Russia with substantial financial and technical assistance. All European states, including Russia, as well as the United States and Canada signed multiple agreements pledging to uphold key principles, including refraining from the threat or use of force; renouncing any change of borders by force; and affirming the right of all states to choose their own political and economic systems and security alliances.

Notably, Russia signed the Budapest Memorandum of 1994, which guaranteed Ukraine’s sovereignty and territorial integrity with the international borders in effect at that time, in exchange for Ukraine giving up the third-largest nuclear stockpile in the world. In 1997, NATO and Russia signed the “Founding Act” establishing a Permanent Joint Council and identifying a number of areas where the western alliance and Russia would work together to strengthen security -- an “alliance with the Alliance,” as some of its architects in the Clinton administration put it at the time.

Things started to change in the late 1990s and early 2000s. Russia was not happy with the NATO-led war in Kosovo, nor with President George W. Bush’s decision to invade Iraq in 2003. Putin became president of Russia in 2000 and declared his intention to restore Russian greatness. At the time, many Russians and international observers – including some in the Bush administration – welcomed his words. Coming on the heels of a decade of what many saw as wild-west capitalism, corruption, and breakdowns in law and order, Putin seemed poised to make a necessary correction that would strengthen Russian stability and modernization without doing major damage to its democracy.

In hindsight, however, we can see that what Putin meant by Russian greatness was not strengthening the rule of law and building up Russia’s economy and international stature in the world. Upon taking office, he methodically went about rebuilding the Russian military, modernizing and expanding Russia’s nuclear arsenal, reviving and expanding Russian intelligence services and activities. That in itself was not necessarily a problem, except that Putin also started dismantling the nascent Russian democracy: taking control of media outlets, consolidating state industries and undermining opposition to his United Russia party, including by assassination of political opponents. Putin didn’t just tame the oligarchs of the 1990s; he replaced them with his own. He was creating something resembling a Soviet system of Communist Party control, just without the Soviet ideology and a personal structure of rule in place of the old Party nomenklatura.

A clue to his thinking came in 2005 when he described the collapse of the Soviet Union as the greatest tragedy of the 20th century. Then, in 2007 at Munich, that shift in rhetoric became unmistakable.

Following the speech, Putin matched his words with actions, dismantling the structures designed to keep peace in post-Cold War Europe. Russia formally announced in July 2007 that it would no longer adhere to the Conventional Armed Forces in Europe Treaty. It continued to reject the principle of host-nation consent for its troop presence in Georgia and Moldova, and began ignoring Vienna Convention limits on troop concentrations, exercises and transparency.

In 2008, Russia invaded Georgia, trading its peacekeepers in the regions of Abkhazia and South Ossetia for regular military personnel, and driving tanks toward the capital, Tbilisi. Six years later, Russian operatives took over Crimea and rapidly orchestrated its illegal annexation by Russia. Russia followed up with attacks in eastern Ukraine and continues to engage in low-intensity fighting and to occupy parts of Donbas to this day. Later, Russia violated the INF Treaty and began to deny overflights requested under the Open Skies Treaty.

When the Munich speech happened, the Bush administration was still trying to find a stable and productive relationship with Russia. Accordingly, Gates chose to respond to Putin with humor, trying to lighten the mood in the room and avoid a public confrontation. He quipped that both he and Putin had both come out of their respective Cold War intelligence organizations, adding that “one Cold War” was quite enough.

The optimism of that era may seem like pure naivete today, and there surely was some of that. But in fact, the feeling that Russia could be integrated was rooted in years of work with Russia after 1991, which most policy leaders in the United States and Europe believed had been productive. And it was surely worth the effort.

Still, after Bush left office, an optimism prevailed that was no longer justifiable. President Barack Obama kicked off his presidency with a unilateral “reset” of Russia policy, as if the U.S. and the West were to blame for Russia’s transgressions. President Donald Trump pointedly refused to criticize Putin, even as his administration toughened some policies against Russia. President Joe Biden sought a “stable and predictable” relationship with Russia, and held an early summit with Putin, only to be met with further Russian threats against Ukraine and the European security order.

Meanwhile, Putin became even more skilled at shaping a favorable public narrative. Though he lost the staunchly pro-transatlantic audience in the room in Munich, his target audience was somewhere else: European publics who could be made sympathetic to his grievances while blaming their own governments and the United States for allegedly threatening Russia. It was a playbook the Soviet Union had used in countering Pershing missile deployments in Germany in the 1980s.

Putin and his propaganda machine are using that same tactic now: emphasizing grievance to support historical revisionism and provide cover for reassertion of Kremlin control over territories it regards as rightfully its own. And now, even more than in 2007, some in Europe and the US accept the Kremlin line that NATO enlargement, an instrument designed to advance a united Europe, is the true source of Russia’s threats against Ukraine today -- rather than Putin’s desire to rebuild a greater Russia, authoritarian at home and aggressive abroad.

There will be no Russian delegation as this year’s Munich conference kicks off. The attendees face the possibility that Putin could launch a major war of aggression even as they stand in that same hall – a logical culmination of his rhetoric at Munich 2007.

Addressing this problem will require more focus, resolve and resources from the United States and NATO than we have been willing to commit in the last 15 years. Diplomacy, such as the arms control and other practical measures offered by the Biden Administration and NATO, can ameliorate some of the tensions but not the underlying problem.

The United States and Europe need to draw long-term conclusions and forge a stronger approach. We must be more diplomatically engaged and militarily supportive of those countries in Europe’s east who are most vulnerable to Russian aggression. We must reduce financial and energy dependency on Russia and thus reduce points of Kremlin leverage. We must better defend against Kremlin aggression using the cyber and disinformation tools at our disposal. We must try to end the flows of corrupt Russian money through our systems; Putin and his circle should not profit from our system while trying to undermine it. We must regard Putin’s Russia as an authoritarian adversary while simultaneously reaching out to Russian society.

Above all, we must understand what Putin has been openly telling us. This requires recognizing that the playbook created in the 1990s, fitting and well-intentioned as it was at the time, needs to be replaced with a new approach that treats Putin’s Russia as a threat to peace and an adversary. And we must sustain such a new approach for as long as Putin remains in power.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Documentário - If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front (2011)


If a Tree Falls
O caso de Daniel McGowan e a subsequente desarticulação da Earth Liberation Front (ELF) através da "Operation Backfire" do FBI alteraram profundamente o panorama do ativismo ambiental nos Estados Unidos, inaugurando um período que a comunidade ativista apelidou de "Green Scare" (O Susto Verde). Até ao início dos anos 2000, o movimento de ação direta operava sob a premissa de que a destruição de maquinaria ou o incêndio de edifícios vazios constituíam sabotagem económica legítima, e não terrorismo, desde que a integridade física de seres humanos fosse rigorosamente salvaguardada. Contudo, a resposta judicial ao caso de McGowan demonstrou que o Estado norte-americano, fortemente influenciado pelo clima político pós-11 de Setembro, deixara de tolerar essa distinção. Ao aplicar agravantes por terrorismo a crimes exclusivamente materiais, as autoridades elevaram o custo da militância clandestina a um nível insustentável, o que neutralizou quase por completo as táticas de sabotagem em larga escala devido ao medo generalizado de penas de prisão perpétua.

Em 2006, McGowan declarou-se culpado de conspiração e incêndio posto em duas instalações no Oregon (uma empresa madeireira e uma exploração agrícola de árvores híbridas).

Em 2007, ele foi condenado a 7 anos (84 meses) de prisão numa prisão federal.O juiz aplicou uma "reclassificação por terrorismo" (terrorism enhancement), o que significou que, embora a pena tenha sido de 7 anos, ele a cumpriu em unidades de gestão de comunicação ultra-restritas (CMUs), destinadas a reclusos de alta segurança.

Ele foi libertado para uma casa de transição em 2012 e concluiu a sua liberdade condicional mais tarde.

Além de paralisar as ações na floresta, a estratégia de acusação do governo gerou uma crise de desconfiança sem precedentes no seio do movimento. Como a ELF se organizava em células autónomas e anónimas, a sobrevivência do grupo dependia da solidariedade mútua; no entanto, a pressão de enfrentar décadas na prisão levou vários ativistas históricos a cooperarem com o FBI e a testemunharem contra os seus próprios companheiros. Esta onda de delações destruiu o tecido de confiança da comunidade e fragmentou o movimento. Paralelamente, o lóbi corporativo e o governo aproveitaram o estigma do "ecoterrorismo" para aprovar legislação penal mais severa, como o Animal Enterprise Terrorism Act, o que acabou por gerar um efeito dissuasor mesmo no ativismo pacífico e legal, uma vez que a fronteira entre o protesto legítimo e a ameaça à segurança nacional se tornou perigosamente ambígua.

Como consequência direta deste sufoco legal e policial, o ativismo ambiental norte-americano foi obrigado a reinventar-se e a abandonar o modelo de guerrilha clandestina. Nas décadas seguintes, o foco mudou drasticamente para a desobediência civil em massa e assumida publicamente - como se viu anos mais tarde nos grandes protestos de Standing Rock contra os oleodutos -, onde os ativistas procuravam deliberadamente a detenção em frente às câmaras para expor a sua causa à opinião pública. O movimento profissionalizou-se, canalizando os seus esforços para batalhas jurídicas nos tribunais, campanhas de pressão financeira e desinvestimento em combustíveis fósseis, além de migrar parcialmente para o ciberativismo. O desfecho do caso de Daniel McGowan simbolizou, assim, o fim de uma era de romantismo ingénuo na ação direta, provando que o sistema judicial estava preparado para aplicar todo o arsenal antiterrorista aos seus cidadãos sempre que a propriedade privada fosse ameaçada, independentemente da nobreza das suas intenções ecológicas.

Uma excelente análise do processo pela Democracy Now (parte 1 e parte 2)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Documentário: "America Freedom to Fascism" - America da terra da liberdade para o fascismo económico


Este documentário alerta-nos para os excessos cometidos por um mercado dito liberal e "empreendedor" mas que não visiona futuros e sem futuro. Mais, avisa-nos que uma política extrema de recolha de impostos e/ou criação de impostos nada mais é que controlar e criar "obediência" social, sem dó nem piedade. Por exemplo no Reino-Unido haveriam cerca de 35.000 milionários em 1999, dez anos depois já haviam cerca de 480.000. São estas instruções de austeridade, apelo à saída das "zonas de conforto" e mistificação da sustentabilidade a par de políticas que desprotegem a natalidade nos países ditos desenvolvidos, nos encaminham globalmente para uma espécie de suicídio não declarado e à morte programada de idosos sem gulags nem campos de concentração. A rebelião e alguma sabedoria científica tem que derrubar este sistema antes que seja demasiado tarde.

Pensamento Político de Aaron Russo
1. Libertarismo
Defendia liberdade individual, direitos civis e um governo limitado.
Era crítico do poder excessivo do Estado, especialmente do governo federal dos EUA.
Acreditava no livre mercado e na autonomia pessoal.

2. Anti-globalismo
Denunciava instituições como o Federal Reserve, o sistema bancário central, e a influência de organizações globais (como o FMI, ONU, etc.).
Encarava essas entidades como mecanismos de controle e perda de soberania nacional.

3. Crítica ao sistema fiscal dos EUA
Afirmava que não existe base legal para o imposto de renda federal nos EUA.

4. Teorias da conspiração sobre elites e controle social
Segundo ele, uma elite financeira (incluindo os Rockefellers) tenta estabelecer um sistema de vigilância total e controle populacional — o que hoje muitos associam à ideia de um "governo mundial".

Em entrevistas (como com Alex Jones), Russo disse que Nick Rockefeller teria lhe revelado planos de um futuro sistema de rastreamento com chips RFID, controle digital de moeda, e supressão de liberdades civis.

Envolvimento político
Candidatou-se a governador de Nevada em 1998 como independente.
Posteriormente associou-se ao Partido Libertário dos EUA e tentou ser nomeado como seu candidato presidencial em 2004.
Após perder a indicação, apoiou Michael Badnarik, o libertário nomeado.

Tema Posição de Aaron Russo
Governo Extremamente limitado
Impostos Contra o imposto de renda federal
Federal Reserve Contra; via como um cartel bancário
Liberdades civis Defensor radical
Sistema monetário Crítico do dólar fiduciário e da inflação
Globalismo / ONU Acreditava ser ameaça à soberania
Vigilância e RFID Denunciava como ferramentas de controle

Página Oficial de Memória do legado de Aaron Russo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Valete - Serviço Público

Verso 1 - Valete

Esta é logo pos vossos top rappers
Com essa musica que fede
Amam hip-hop mas põem-lhe os cornos com pop-rap
É so bling bling os sons que vocês sentem
De rappers que se vendem nem valem 50 cêntimos
C'o valete não há paralelo

Desliga o mic, eu rimo com uma foice e um martelo
A verdade doí eu trago assim incolor
Mas vocês vêm TV só para atenuar a dor
Do cavaquismo, ao guterrismo, até ao socratismo
Mudam o ismos mas a gente continua no mesmo

Vocês ultrajam gays e é de serem machos que se gabam
Mas de quatro em quatro anos votam naqueles que vos enrabam
Legitimam o sistema vilão que nos consome

Quem é o Sócrates para amassar o pão c'a gente come
É só retórica e enrolamento

Que se foda Valete e Sam, os storytellers 'tão no parlamento
Mentores da escola que desinteressa a muitos intelectos
A mesma escola que forma doutores analfabetos
Põem-vos num trabalho para serem explorados com agrado
Vocês são todos escravos e ainda por cima assinam contratos

Sample - Hugo Chavez

"A nosotros nos toca compañeros y compañeras ser el partero de nueva vitoria"
Refrão - Valete

Traz o teu povo vem combater
Aponta a arma não temos nada a perder
Já faltou mais p'a podermos abater
O opressor

Verso 2 - Valete
Capitalismo é a religião das massas nos nossos dias
Deixem Jesus em paz, o dinheiro é o vosso Messias
Igrejas são templos de estupidificação
Eu interpreto a vossa bíblia com um isqueiro na mão
Deus é omnipotente, omnipresente
Então vai à casa branca porque Deus está lá dentro
E é seguido por governantes que tens aplaudido

Governantes que deviam ter Lewinsky no apelido
E discursam de boca suja acelerados como Senna
É que o Bush não ejacula esperma, ejacula gasolina

Diz p'a saírem do Iraque e virem ter com o Keidje Lima
Que eu tenho armas de destruição maciça no meu bloco de rimas
Há 10% a engordar com 90% do guito
Põem 90% do people a fazer dietas, o que é que é isso?
É o terrorismo da globalização financeira

Que fode o 3º mundo de G-8 maneiras
E já não há forma de abrandarem (Não)
Eles destroem a Amazónia porque basta petróleo p'a respirarem
Este é o nosso mundo nu e cru
Se Adão soubesse no que isto ia dar só teria fodido a Eva no cu, nigga

Scratch - Hugo Chavez

"No hay imperialismo que haya sobrevivido cuando los pueblos nos decidimos a ser libres"
Refrão - Valete

Traz o teu povo vem combater
Aponta a arma não temos nada a perder
Já faltou mais p'a podermos abater
O opressor

Outro - Selma & Valete
Traz outros manos contigo e vem pró batalhão
Precisamos de mais tropas p'á revolução
Não quero fama nem glória
Só uma t-shirt de Che Guevara

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Michael Moore: Sicko


Tudo aqui, no sítio do Michael Moore

Sicko mostra que cerca de 50 milhões de norte-americanos não possuem plano de saúde. Enquanto isso, aqueles que o possuem, são normalmente vítimas de fraude das companhias ou falta de cobertura. O sistema de saúde dos Estados Unidos está classificado no trigésimo sétimo lugar, no ranking de 191 países da Organização Mundial da Saúde, por possuir alguns índices, como mortalidade infantil e expectativa de vida, igual a países menos desenvolvidos.[7] Neste documentário entrevistas foram feitas com vários cidadãos que pensavam possuir cobertura de seus planos, mas não puderam ter acesso ao tratamento. Antigos funcionários de companhias de planos de saúde descrevem as iniciativas para o corte de custos, dando bônus aos funcionários e médicos que encontrassem formas de aumentar o lucro das empresas, negando tratamentos e procedimentos em seus clientes.[3][8]

No Canadá, um cidadão descreve o caso de Tommy Douglas, considerado o maior canadense de 2004, por suas contribuições ao sistema único de saúde do país. Michael Moore também entrevista pacientes em salas de espera de pronto-socorros e ambulatórios de um hospital público do Canadá. Enquanto isso, os defensores do sistema de saúde dos Estados Unidos se opõem ao sistema universal de atendimento, fincados no contexto dos anos 50 e sua perseguição por comunistas, alegando que um sistema universal levaria à perda de direitos e ao socialismo. Em contrapartida, Michael Moore mostra outros serviços públicos do país como os correios, polícia, bombeiros, ensino e bibliotecas que não levaram o país ao comunismo.

As origens do Health Maintenance Organization Act, de 1973, remonta à uma conversa gravada entre o presidente Richard Nixon e John Ehrlichman, em 17 de setembro de 1971. John Ehrlichman argumenta que "quando menos cuidado de saúde você der a eles, mais dinheiro eles vão lhe gerar", elogiado por Nixon como "nada mal". Isso levou à expansão do atual serviço de saúde mantido por seguradoras e empresas de planos de saúde. O lobby da indústria farmacêutica também foi grande junto ao congresso para a manutenção desse sistema. Hillary Clinton é mostrada no documentário como uma defensora do plano de saúde de Bill Clinton, na época em que ele era presidente, mas seus esforços foram fortemente criticados pelos republicanos, no Capitólio e pela mídia da ala direitista, de que o plano era um primeiro passo para o socialismo.

No Reino Unido existe o Serviço Nacional de Saúde, um sistema financiado pelo governo, onde Michael Moore entrevista pacientes e questiona sobre as despesas dos hospitais com as pessoas, apenas para lhe dizerem que não há nenhuma cobrança feita aos pacientes. Em uma típica farmácia pública, os farmacêuticos dão remédios de graça para todas as pessoas da Irlanda do Norte, Escócia e Gales, menores de 16 anos, estudantes de período integral de 16 a 17 anos, desempregados, pessoas com deficiência e idosos com mais de 60 anos na Inglaterra, tudo com subsídio do governo. Além disso, os hospitais possuem um caixa que reembolsa pacientes de baixa renda pelo transporte até o hospital. As entrevistas incluem um usuário do sistema de saúde, uma norte-americana que reside em Londres e o político britânico Tony Benn.

Na França, Moore visita um hospital e entrevista o chefe de ginecologia e obstetrícia, além de um grupo de norte-americanos residentes em Paris. Ele passa um dia com o "SOS Médecins", um serviço médico 24 horas, que vai de casa em casa fazendo atendimentos médicos. Ele descobre que o governo francês provê muitos serviços sociais e direitos junto ao sistema universal de saúde, como cuidados diários a 1 dólar por hora, educação gratuita nas universidades e um mínimo de cinco semanas pagas de férias, além de suporte neonatal, cuidados com a casa e até férias pagas para as novas mães.

De volta aos Estados Unidos, Moore entrevista voluntários que trabalharam no marco zero dos ataques de 11 de setembro de 2001 e como eles tiveram fundos para tratamento de saúde negados pelo governo, desenvolvendo diversas doenças para as quais não tinham como tratar como problemas respiratórios, bruxismo e transtorno de estresse pós-traumático. Incapazes de arcar com os custos em seu país, Michael Moore leva os voluntários até Miami e de lá pegam barcos rumo à Base Naval da Baía de Guantánamo, na tentativa de conseguir atendimento para heróis norte-americanos. Com um megafone, Moore pede que eles recebam tratamento igual ao que os prisioneiros estão recebendo, mas sirenes o expulsam da baía. O grupo segue para a capital de Cuba, Havana, onde são prontamente internados no Hospital Hermanos Ameijeiras, sem nenhum custo, para exames e tratamento, dando apenas nomes e datas de nascimento. Antes de partir, eles ainda foram homenageados pelo corpo de bombeiros de Havana.

Finalmente, Moore se dirige ao público, enfatizando que as pessoas deveriam cuidar umas das outras, não importa as diferenças entre elas, demonstrando seu comprometimento pessoal com o tema. Assim, ele decide ajudar Jim Kenefick, um de seus principais opositores, que precisavam de 12 mil dólares para custear o tratamento médico da esposa. Ele faz uma doação anônima para Jim, para que ele não dependa do sistema de saúde do país. O documentário termina com Moore em frente ao Capitólio, com um cesto de roupas sujas, ironizando que o governo poderia lavar suas roupas enquanto ele aguardava por dias melhores para os doentes que não tinham condições de pagar por um plano de saúde.

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