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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Morreu Thomas Lovejoy, o “padrinho da biodiversidade”



Biólogo dedicou a sua carreira a alertar-nos para a necessidade de conservação das florestas tropicais, sobretudo da Amazónia brasileira.

O biológo conservacionista Thomas Lovejoy morreu este sábado (25 de Dezembro) aos 80 anos. Muitas vezes chamado “padrinho da biodiversidade”, o biólogo norte-americano dedicou a sua carreira à conservação do planeta e era considerado um dos grandes especialistas da biodiversidade da Amazónia.

Thomas Lovejoy tinha um doutoramento em biologia da Universidade de Yale (Estados Unidos) e passou mais de 50 anos a trabalhar na […]
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domingo, 26 de dezembro de 2021

Thomas Lovejoy, grande estudioso da Amazónia, morre nos EUA



O biólogo americano Thomas Lovejoy, conhecido como o "padrinho da biodiversidade" por ter cunhado o termo na década de 1980 e um dos principais especialistas em floresta amazônica, morreu neste sábado (25/12), aos 80 anos de idade, em Washington.

Lovejoy decidiu estudar biologia após fazer um estágio num zoológico no estado de Nova York quando ainda estava na escola. Ele começou a estudar a floresta amazónica no Brasil em 1965 e obteve seu doutorado pela universidade Yale em 1971.

Grande estudioso da interação entre mudanças climáticas e biodiversidade, ele ganhou em 2012 o prémio Blue Planet, considerado o Prémio Nobel do Meio Ambiente.

Lovejoy foi conselheiro ambiental dos ex-presidentes americanos Ronald Reagan, Bill Clinton e George W. Bush e ex-conselheiro-chefe do Banco Mundial para biodiversidade, e era um membro honorário da National Geographic, que financiou as suas primeiras pesquisas sobre pássaros da floresta amazónica.

Ele também foi diretor da organização ambientalista WWF, dos Estados Unidos, de 1973 a 1987, tendo sido responsável pela orientação científica a respeito das florestas tropicais do hemisfério ocidental.

"Tom deixa um profundo legado no campo da biologia e na National Geographic. (...) As pesquisas pioneiras de Tom sobre a Amazónia, sua advocacia apaixonada e muitas outras de suas conquistas nos ajudaram a melhor entender, apreciar e a cuidar da grande diversidade da vida em nosso planeta", disse Jill Tiefenthaler, diretor executivo da National Geographic, em um comunicado.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), também lamentou a morte de Lovejoy no Twitter, e afirmou que ele era "um dos maiores cientistas e estudiosos da Amazôóia", que "deixa um legado incomparável de conhecimento sobre a Amazónia para esta e futuras gerações".

Vínculo com o Brasil
Lovejoy esteve inúmeras vezes no Brasil para estudar a floresta amazónica, e ajudou a fundar o Centro de Biodiversidade da Amazónia e o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, no final da década de 1970.

Ele foi o primeiro ambientalista condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem do Rio Branco, em 1988, e também recebeu a Ordem do Mérito Científico, em 1998.

Em entrevista à DW Brasil em agosto de 2019, Lovey demonstrou preocupação com o futuro da floresta em relação ao avanço do desmatamento e afirmou que o presidente Jair Bolsonaro ignorava o meio ambiente a a ciência.

Alguns meses antes, ele havia assinado um editorial na revista científica Science Advances, ao lado do climatologista brasileiro Carlos Nobre, no qual alertava que o desmatamento na Amazónia estava caminhando para o que chamam de ponto de inflexão, a partir do qual os padrões biológicos e climáticos são afetados de modo irreparável.

Na entrevista, ele afirmou ainda ter esperança que o Brasil pudesse no futuro retomar o posto de líder global no meio ambiente e que as ameaças à biodiversidade fossem enfrentadas "por meio do bom diálogo entre nações".

terça-feira, 27 de abril de 2021

Entrevista a Thomas Lovejoy


Considerado um dos principais líderes do movimento ambientalista e o “pai da biodiversidade”, termo que ele cunhou originalmente como “diversidade biológica”, Lovejoy atuou em conselhos de ciência e meio ambiente durante os governos Reagan, Bush e Clinton e também foi o principal consultor de biodiversidade do Banco Mundial e especialista em meio ambiente para a América Latina e o Caribe. É bacharel em ciências e doutor em biologia pela Universidade de Yale e atua como professor universitário no Departamento de Ciência e Política Ambiental da George Mason University, além de fazer parte do conselho deliberativo da Conservação Internacional e ser membro sénior da Fundação das Nações Unidas.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Proteger 30% do planeta pode reforçar economia global em mais de 450 mil milhões

Fonte: aqui

Quase um terço dos oceanos e áreas terrestres do mundo poderiam estar sob protecção ambiental sem que isso prejudicasse a economia global, produzindo, pelo contrário, benefícios económicos se fossem aplicadas as políticas corretas, de acordo com uma avaliação citada pelo ‘The Guardian’.

Os ecossistemas de todo o mundo estão a entrar em colapso, ou quase à beira da ruptura, com um milhão de espécies em vias de extinção. Contudo, se pelo menos 30% das terras e oceanos do planeta estivessem sujeitos a esforços de conservação, essa extinção em massa poderia ser evitada e os habitats vitais restabelecidos, estimam os cientistas.

O relatório, da organização de cariz social ‘Campaign for Nature’, concluiu que seriam necessários cerca de 140 mil milhões de dólares por ano até 2030 para colocar 30% da terra e do mar sob protecção ambiental.

Sobre estes resultados, Anthony Waldron, principal autor do estudo, afirmou que «mostram que a protecção ambiental gera uma maior receita na economia actual, juntando-a à agricultura e à silvicultura, para além de ajudar a evitar alterações climáticas, crises hídricas, perda de biodiversidade e doenças».

«Reforçar a protecção da natureza é uma política sólida para os governos que lidam com múltiplos interesses. Não é possível estabelecer um preço para a natureza, mas os números económicos apontam para a necessidade da sua protecção», acrescentou Waldron, citado pelo ‘The Guardian’.

Para cumprir a meta proposta, seria necessário duplicar a protecção ambiental, que é aproximadamente de 15% em todo o mundo, e mais do que quadruplicar as áreas marinhas protegidas, que correspondem a apenas 7% dos oceanos, actualmente.

Todos os anos são gastos cerca de 24 mil milhões de dólares a nível global, na protecção da natureza, segundo o relatório. Com a terra e os oceanos sob forte pressão comercial por parte da agricultura, pesca e indústrias extractivas, a protecção da natureza tem sido vista como um custo económico acrescido.

Contudo, esta nova avaliação vem assim inverter a análise convencional, ao mostrar que a conservação da natureza é de facto um benefício líquido para a economia global e não um obstáculo.

Atingir a meta de 30% de protecção, impulsionaria um aumento da produção económica entre 64 mil milhões de dólares e 454 mil milhões de dólares por ano, segundo o relatório, dependendo das áreas que estariam sujeitas a esforços de conservação.

«Existe um grande retorno financeiro se protegermos 30% da natureza terrestre e marinha», referiu Thomas Lovejoy, professor de ciências ambientais da Universidade George Mason, nos EUA, citado pelo ‘The Guardian’.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

‘Artists for Amazonia’: artistas e cientistas se unem em campanha para arrecadar fundos e ajudar a proteger os povos indígenas no combate ao coronavírus


Os atores Jane Fonda, Wagner Moura, Morgan Freeman e Barbra Streisand, a expert em gorilas Jane Goodall, o climatologista Carlos Nobre e o cientista Thomas Lovejoy, os músicos Sting, Carlos Santana, Peter Gabriel e Maria Gadu, são alguns dos nomes à frente da iniciativa Artists United for Amazonia: Protecting the Protectors.

Em parceria com o Amazon Emergency Fund (Fundo de Emergência da Amazônia), eles estão arrecadando dinheiro para apoiar os povos indígenas da floresta amazônica durante a pandemia de COVID-19 e contra as ameaças de invasores, que os expõem ainda mais à doença e arrasam seus territórios.

O valor arrecadado será 100% repassado para comunidades e organizações indígenas e florestais que enfrentam a COVID-19 na Amazônia para ajudar seuss povos garantir prevenção e cuidados contra coronavírus, além de prover alimentos e suprimentos médicos e incrementar a comunicação, entre outros serviços. Mas tem mais.

No próximo dia 28 de maioa partir das 20h (horário de Brasília), alguns deles se unirão a cientistas e líderes indígenas em encontro online com transmissão ao vivo para fortalecer esse movimento e ouvir reflexões e denúncias a cerca da realidade da Amazônia e de seus povos, como também trocar ideias para que todos compreendam porque é tão vital a união de indígenas e não-indígenas em ações como esta.

A condução do encontro será feita pela atriz Oona Chaplin, de Game of Thrones (na foto de destaque), que apresentará líderes indígenas – como Sonia Guajajara e Nina Gualinga -, cientistas e representantes de ONGs, com o apoio de Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Sigourney Weaver, Shailene Woodley, Gigi Hadid e Lil Nas X, entre outros.

A transmissão ao vivo será feita pela página do encontro no Facebook e pelo site Artists for Amazônia. Neste caso, é preciso fazer inscrição, confirmando sua presença (RSVP).

Até lá, faça sua doação e compartilhe este movimento em suas redes sociais.

Foto: Reprodução do site

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Desmatamento na Amazônia está prestes a atingir limite irreversível

Com mudanças climáticas e uso indiscriminado do fogo, se o nível de desflorestamento atingir entre 20% e 25% o ciclo hidrológico do bioma pode ser severamente degradado, alertam cientistas (foto: Inpe)

O desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes às de cerrado, mas degradadas, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado nesta quarta-feira (21/02/18) na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.

Os primeiros modelos elaborados para responder a essa questão mostraram que esse ponto de inflexão seria atingido se o desmatamento da floresta amazônica atingisse 40%. Nesse cenário, as regiões Central, Sul e Leste da Amazônia passariam a registrar menos chuvas e ter estação seca mais longa. Além disso, a vegetação das regiões Sul e Leste poderiam se tornar semelhantes à de savanas.

Nas últimas décadas, outros fatores além do desmatamento começaram a impactar o ciclo hidrológico amazônico, como as mudanças climáticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante períodos secos – com o objetivo de eliminar árvores derrubadas e limpar áreas para transformá-las em lavouras ou pastagens.

A combinação desses três fatores indica que o novo ponto de inflexão a partir do qual ecossistemas na Amazônia oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcançar entre 20% e 25% da floresta original, ressaltam os pesquisadores.

O cálculo é derivado de um estudo realizado por Nobre e outros pesquisadores do Inpe, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade de Brasília (UnB), publicado em 2016 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Apesar de não sabermos o ponto de inflexão exato, estimamos que a Amazônia está muito próxima de atingir esse limite irreversível. A Amazônia já tem 20% de área desmatada, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados, ainda que 15% dessa área [150 mil km2] esteja em recuperação”, ressaltou Nobre.

Margem de segurança

Segundo os pesquisadores, as megassecas registradas na Amazônia em 2005, 2010 e entre 2015 e 2016, podem ser os primeiros indícios de que esse ponto de inflexão está próximo de ser atingido.

Esses eventos, juntamente com as inundações severas na região em 2009, 2012 e 2014, sugerem que todo o sistema amazônico está oscilando. “A ação humana potencializa essas perturbações que temos observado no ciclo hidrológico da Amazônia”, disse Nobre.

“Se não tivesse atividade humana na Amazônia, uma megasseca causaria a perda de um determinado número de árvores, que voltariam a crescer em um ano que chove muito e, dessa forma, a floresta atingiria o equilíbrio. Mas quando se tem uma megasseca combinada com o uso generalizado do fogo, a capacidade de regeneração da floresta diminui”, explicou o pesquisador.

A fim de evitar que a Amazônia atinja um limite irreversível, os pesquisadores sugerem a necessidade de não apenar controlar o desmatamento da região, mas também construir uma margem de segurança ao reduzir a área desmatada para menos de 20%.

Para isso, na avaliação de Nobre, será preciso zerar o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir o compromisso assumido no Acordo Climático de Paris, em 2015, de reflorestar 12 milhões de hectares de áreas desmatadas no país, das quais 50 mil km2 são da Amazônia.

“Se for zerado o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir seu compromisso de reflorestamento, em 2030 as áreas totalmente desmatadas na Amazônia estariam em torno de 16% a 17%”, calculou Nobre.

“Dessa forma, estaríamos no limite, mas ainda seguro, para que o desmatamento, por si só, não faça com que o bioma atinja um ponto irreversível”, disse

O editorial Amazon tipping point (doi: 10.1126/sciadv.aat2340), assinado por Thomas Lovejoy e Carlos Nobre, pode ser lido na revista Science Advances 

O artigo Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm (doi: 10.1073/pnas.1605516113), de Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Laura Borma, Juan Carlos Castilla-Rubio, José Silva e Manoel Cardoso, pode ser lido na revista PNAS