Mostrar mensagens com a etiqueta Azerbaijão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Azerbaijão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

FIFA cria (grande) prémio sobre a paz e o primeiro vencedor é Donald Trump



Presidente dos Estados Unidos recebe prémio que vai passar a ser atribuído a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz"

Não é um Prémio Nobel da Paz, mas é o mais perto disso. A FIFA atribuiu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prémio relacionado com a paz, que se chama FIFA Peace Prize (Prémio FIFA da Paz).

Após a divulgação de um vídeo em que exaltam a procura da paz por parte do presidente norte-americano, lembrando os acordos alcançados, nomeadamente na Faixa de Gaza, o organismo que gere o futebol mundial quis congratular oficialmente Donald Trump.

Trata-se de um prémio em ouro, com várias mãos a tocarem uma bola que as encima. Um prémio grande em tamanho e que é também acompanhado por uma medalha, além de um certificado em que constam as razões para a atribuição deste prémio.

De acordo com Gianni Infantino, que gere a FIFA e tem estreitado laços com Donald Trump, este é um prémio que passará a ser entregue a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz".

Donald Trump, que subiu rapidamente a palco para receber aquilo que confirmou ser uma das suas maiores honras, destacou os esforços feitos para acabar com vários conflitos. "Esta é realmente uma das maiores honras da minha vida. [Há] tantas guerras que conseguimos acabar, em alguns casos até antes de começarem, mesmo antes de começarem", apontou, referindo-se nomeadamente a um possível conflito entre Paquistão e Irão.

De recordar que o presidente norte-americano tinha dito mesmo antes da atribuição do Nobel da Paz, que acabou por ir parar à venezuelana Maria Corina Machado, que tinha conseguido acabar com sete guerras, o que é comprovadamente falso, como pode confirmar neste artigo da CNN Portugal.

"Salvámos milhões de vidas: no Congo, por exemplo, morreram 10 milhões de pessoas. Também com a Índia e o Paquistão, impedimos que as guerras acontecessem mesmo antes de começarem", reiterou, referindo-se à República Democrática do Congo.

"Gianni [Infantino] fez um trabalho incrível, estabeleceu um novo recorde de vendas de bilhetes. É uma bela homenagem a si e ao jogo de futebol, ou como lhe chamamos futebol. Os números ultrapassam tudo o que pensávamos ser possível", culminou.

domingo, 9 de novembro de 2025

Jornais do Reino Unido publicam mais anúncios de produtos poluentes do que cobertura sobre o clima



Segundo um novo estudo , os jornais nacionais britânicos dedicaram mais do que o triplo do espaço dedicado à publicidade de indústrias poluentes, como petróleo, companhias aéreas e veículos utilitários desportivos , do que à cobertura das negociações climáticas das Nações Unidas no ano passado .

O total de publicidade com altas emissões de carbono — incluindo publicidade de empresas de combustíveis fósseis, cruzeiros e bancos que financiam petróleo e gás — totalizou 5.086 polegadas de coluna em duas datas importantes durante a COP29, a conferência climática de 2024 em Baku, Azerbaijão, em comparação com 1.745 polegadas de coluna para as próprias negociações.

Com a próxima rodada de negociações, conhecida como COP30 , tendo início em Belém, no Brasil, os jornais provavelmente repetirão o padrão, alertou Andrew Simms, codiretor do think tank New Weather Institute, que conduziu a pesquisa .

“O que as pessoas no Reino Unido verão quando abrirem seus jornais? Algumas poucas matérias alertando-as sobre um desafio urgente que precisa ser enfrentado, mas isso provavelmente será ofuscado por pelo menos três vezes mais anúncios que normalizam a poluição”, disse Simms. “Precisamos de controles semelhantes aos da indústria do tabaco para anúncios que promovem produtos poluentes.”

A pesquisa analisou a cobertura em dez jornais nacionais britânicos, incluindo o Times, o Sun e o Daily Mail, em 11 de novembro, dia da abertura das negociações em Baku, e em 25 de novembro, na manhã seguinte ao término da conferência, quando a cobertura atingiu o pico. Os dez jornais dedicaram, em média, 2,1% de seu espaço editorial à conferência.

Alguns jornais quase não mencionaram os grandes impactos climáticos da época, como as inundações em Valência, na Espanha, ou a tempestade Bert no Reino Unido.

Cruzeiros e pacotes turísticos dominaram a publicidade de viagens durante o mesmo período, representando 50% das promoções de viagens.

O Financial Times foi o único jornal que não publicou anúncios de viagens durante o período, representando 55,7% da cobertura da COP29 em todos os jornais. O Guardian, que não aceita anúncios de empresas de combustíveis fósseis desde 2020, publicou um anúncio de página inteira da Turkish Airlines em uma das datas principais da conferência, segundo o estudo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos países que proíbam a publicidade de combustíveis fósseis e instou os meios de comunicação e as empresas de tecnologia a pararem de veicular esses anúncios.

“Os jornalistas estão dizendo ao público que os cientistas climáticos estão alertando para a necessidade de pararmos de queimar combustíveis fósseis, mas aqueles que ainda compram jornais impressos são bombardeados com anúncios sugerindo que todos os outros estão aproveitando voos de longa distância e cruzeiros de luxo”, disse Brendan Montague, autor do estudo e editor da revista The Ecologist.

Os jornais The Times, The Sun, Daily Mail e The Guardian não responderam aos pedidos de comentários.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

COP29: Desastre total


Ativistas e ambientalistas criticam acordo financeiro frágil na COP29. Greta Thunberg: “A decisão da COP29 é um desastre completo. As pessoas no poder estão mais uma vez prestes a concordar com uma sentença de morte para as inúmeras pessoas cujas vidas foram e serão arruinadas pela crise climática. O texto está cheio de falsas soluções e promessas vazias”. Claudio Angelo, do Observatório do Clima: “O acordo de financiamento fechado em Baku distorce a UNFCCC e subverte qualquer conceito de justiça. Com a ajuda de uma presidência incompetente, os países desenvolvidos conseguiram mais uma vez abandonar suas obrigações e fazer os países em desenvolvimento literalmente pagarem a conta”. Tasneem Essop, da Climate Action Network, acusou os países desenvolvidos de má-fé nas negociações em torno do financiamento climático: “Esta deveria ser a COP das finanças, mas o Norte Global apareceu com um plano para trair o Sul Global. No final, assistimos à mesma história, com os países em desenvolvimento ficando com pouca opção a não ser aceitar um acordo ruim”. Tracy Carty, da Greenpeace International: “A nova meta é uma amarga decepção. US$ 300 biliões anuais até 2035 é muito pouco, muito tarde. Essa meta de financiamento não vem com nenhuma garantia de que não será entregue por meio de empréstimos ou financiamento privado, em vez do financiamento público baseado em subsídios os quais os países em desenvolvimento precisam desesperadamente”. Fonte.

Um delegado da Arábia Saudita foi acusado de fazer alterações diretas a um texto oficial de negociação da COP29, diz o Guardian: “As presidências das COP costumam distribuir os textos de negociação como documentos PDF não editáveis a todos os países em simultâneo, sendo depois discutidos. No sábado, a presidência do Azerbaijão fez circular um documento com atualizações ao texto de negociação sobre o programa de trabalho para uma transição justa (JTWP). Este programa tem por objetivo ajudar os países a avançar para um futuro mais limpo e mais resistente, reduzindo simultaneamente as desigualdades. O documento foi enviado com ‘alterações registadas’ em relação à versão anteriormente distribuída. Em dois casos, o documento mostrava que as alterações tinham sido feitas diretamente por Basel Alsubaity, que pertence ao Ministério da Energia saudita e é o líder do JTWP.Namíbia aproveita a cimeira sobre o clima COP29 para promover investimentos em petróleo e gás. Fonte.

sábado, 23 de novembro de 2024

COP do Clima na reta final em Baku ou como navegar à vista entre as ausências, o “greenwashing” e as taxas solidárias



Na 29.ª Cimeira do Clima, quase a terminar no Azerbaijão com um sabor amargo, o financiamento da ação climática voltou a ser “o tema” em debate. Existem sectores da economia que são largamente sub-tributados, mas que poluem enormemente o planeta, daí que a task force “Global Solidarity Levies: For People and the Planet” tenha esta semana divulgado o seu segundo relatório, no qual propõe taxas solidárias a cobrar aos maiores vilões ambientais, entre os quais se encontram os produtores de combustíveis fósseis, a aviação, o transporte marítimo internacional, as criptomoedas ou a indústria dos plásticos. Sem esquecer, com o pontapé dado há dias pelo Brasil no G20, e já antes no âmbito do Quadro Inclusivo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os super-ricos ou, para usar o eufemismo da Declaração do Rio de Janeiro, os “indivíduos com um património líquido ultra-elevado”.

E porque a justiça climática anda de mãos dadas com a justiça fiscal, aquele grupo de trabalho, presidido pela ex-diplomata francesa Laurence Tubiana, uma das arquitectas do Acordo de Paris, já anunciou, em parceria com o Banco Mundial, a OCDE, académicos reputados e peritos das Nações Unidas, as contas feitas se os maiores poluidores forem tributados: 216,2 mil milhões USD/ ano (taxa sobre a extração de combustíveis fósseis, com base na tributação de 5 dólares por tonelada de CO2); 200-250 mil milhões USD/ ano (taxa de 2% sobre o património líquido dos bilionários); 173,4 mil milhões USD/ ano (imposto de 50% sobre os lucros excepcionais das 14 maiores empresas de combustíveis fósseis por capitalização bolsista, entre julho de 2021 e julho de 2023); 133 a 274 mil milhões USD/ ano (imposto sobre as transacções financeiras, com base numa taxa nominal de 0,3 ou 0,5%); 127 mil milhões USD/ ano (taxa de transporte marítimo, calculando entre 150-300 USD por tonelada de CO2); 121 mil milhões USD/ ano (taxa de passageiro frequente: 9 dólares/ passageiro em cada segundo voo do ano e 177 dólares no vigésimo voo no mesmo ano); 104 mil milhões USD/ ano (valor da taxa de carbono aplicada em 2023); 25 a 25 mil milhões USD/ ano (taxa sobre a produção de polímeros primários, cobrando entre 60 a 90 dólares por tonelada); 18 mil milhões de USD/ ano (taxa sobre o consumo de querosene nos voos internacionais, a 0,33 dólares/ litro); e, por último, 5 mil milhões de dólares/ ano (taxa sobre a mineração das bitcoin, com base na cobrança de 0,045 dólares por kWh de energia consumida).

Esta solução permitiria obter o bilião de dólares anuais necessários para reverter a crise climática bem como o encolher de ombros dos países mais ricos e com maiores responsabilidades históricas nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Até ao momento, a generosidade Norte-Sul resume-se a 700 milhões de dólares, isto é “aproximadamente ao salário anual dos dez jogadores de futebol mais bem pagos do mundo", como disse António Guterres, frisando a necessidade de “passar de biliões a triliões”.

Conforme afirmou recentemente Nadia Calviño, presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), “um dólar investido em adaptação e resiliência poupa cinco a sete dólares em reparações e indemnizações por danos.” Numa Conferência marcada pela ausência de muitos chefes de Estado e de Governo e pelo abandono da delegação argentina, o porta-voz da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), particularmente ameaçados pelo aquecimento global, pôs o dedo na ferida ao dizer que se sentem “abandonados”.

No estertor da era dos combustíveis fósseis, o monstro continua a estrebuchar e a perspetiva de ter nos EUA uma Administração liderada por Donald Trump torna mais real atingirmos um aumento médio da temperatura de 3,1°C até 2100, na senda do alerta dado há um mês pela agência das Nações Unidas para o ambiente (UNEP) ao lançar o relatório Emissions Gap Report 2024. A dura realidade é que, nove anos após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, as emissões GEE aumentaram 8%. Também o desempenho climático de Portugal piorou, tendo o país descido duas posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (CCPI) apresentado na COP29.

Greenwashing files
Ao mesmo tempo que as ONG e o ativismo indígena têm mostrado crescente dificuldade em fazer ouvir a sua voz nas COP, os lobistas voltam a integrar as delegações nacionais em grande número. Após analisar as listas de participantes, a plataforma Kick Big Polluters Out revelou que “mais de 200 lobistas da agricultura industrial, representando as maiores empresas agro-alimentares do mundo”, além de 1770 lobistas das companhias fósseis, tiveram acesso às negociações oficiais da COP29.

A verdade é que as empresas de combustíveis fósseis não querem deixar no solo o petróleo, o gás e o carvão que nos matam. Pelo contrário, querem extrair mais e mais, enquanto der lucro, e os Governos continuam a dar uma mãozinha ao negócio, financiando com dinheiro dos contribuintes uma atividade que devia caminhar a passos largos para a extinção. Mas não, caminha apenas para nos extinguir a todos!

As companhias sabem há décadas dos perigos de queimar combustíveis fósseis. Por isso, tal como aconteceu com as tabaqueiras no passado, que esconderam os malefícios para a saúde e enfatizaram o glamour de fumar, fizeram tudo o que puderam para que o assunto se mantivesse fora do radar, financiando campanhas massivas de desinformação, comprando cientistas e governos. Agora que já não conseguem mentir mais, avançaram com técnicas mais sofisticadas, o chamado marketing verde ou greenwashing. A ONG ClientEarth, sediada em Londres, desmontou magistralmente esta nova forma de enganar os incautos nos seus greenwashing files.

As campanhas da Aramco, Chevron, Drax, Equinor, ExxonMobil, INEOS, RWE, Shell e Total mostram que cumprir as metas do Acordo de Paris, ou seja, manter o aumento da temperatura da Terra em 1,5°C, face aos níveis pré-industriais, não é uma preocupação para estas empresas. A sua principal preocupação é parecerem preocupadas. E continuarem a faturar.

“Os estudos mostram que existem planos para produzir 120% mais combustíveis fósseis até 2030 do que o necessário para nos mantermos abaixo deste limiar. Não podemos simplesmente queimar todo o stock mundial de carvão, petróleo e gás e esperar evitar uma catástrofe climática”, refere a ClientEarth.

A Aramco é detida pelo Governo da Arábia Saudita e considerada a empresa de petróleo e gás que mais emite no mundo inteiro. É responsável, desde 1965, por mais de 4% de todas as emissões globais. Detém reservas fósseis, até pelo menos 2077, que ultrapassam as reservas combinadas da Exxon, Chevron, Shell, BP e Total. Em 2020, anunciou que iria aumentar a sua produção de 12 para 13 milhões de barris de petróleo por dia. Em 2023, na sequência do aumento dos preços da gasolina após a pandemia, a companhia anunciou lucros recordes de 161 biliões de dólares (154,5 biliões de euros), valores superiores aos resultados publicados pela ExxonMobil e pela Shell (55,7 e 39,9 biliões de dólares de lucro - €53,5 biliões e €38,3 biliões - respetivamente). A Aramco recusa revelar as suas emissões GEE. Também não divulga os montantes que investe em inovação e em tecnologias de baixo carbono.

A Coligação para os impostos solidários, que nasceu da iniciativa conjunta dos Barbados, França e Quénia, reúne hoje infelizmente apenas 17 Estados! Seria bom que Portugal, além da conversão da dívida em apoio às iniciativas de mitigação e adaptação dos países de expressão portuguesa, seguisse o exemplo francês e integrasse esta frente, contribuindo com a sua quota-parte para o esforço global de ajuda aos países mais vulneráveis. O Governo de Montenegro prometeu dar para esse fim 11 milhões de euros anuais até ao final da década. Uma quantia manifestamente insuficiente. Tal como o ambíguo X inscrito como valor na proposta inicial de texto final apresentado pela presidência azeri. Fonte

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

COP 29 -126 jatos privados aterraram em Baku entre 8 e 17 de novembro, um aumento de 290% em comparação o mesmo período de 2023

Estes jatos privados são utilizados principalmente por empresas petrolíferas, bilionários e governos pouco interessados em reduzir a sua pegada ecológica. Muitos destes voos são efetuados em aviões alugados ou em leasing, o que permite a certos VIPs dissimular a sua identidade e esconder a extensão das suas viagens.
Ler mais: Reporterre

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

COP será presidida novamente por homem com carreira no petróleo

Mukhtar Babayev
Um homem com carreira no setor do petróleo vai voltar a presidir à conferência do clima da ONU, já que o Azerbaijão nomeou o seu ministro da Ecologia e dos Recursos Naturais como presidente da COP29 de novembro.

“Sua Excelência Mukhtar Babayev foi nomeado presidente designado da 29.ª sessão da conferência das partes” da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, segundo informação do ministério enviada hoje à agência France Presse sobre a nomeação do ex-funcionário da petrolífera Socar.

Os Emirados Árabes Unidos tinham escolhido para presidente o sultão Al Jaber, dirigente da empresa nacional Adnoc, para presidir a conferência da ONU do clima, que terminou em dezembro em Dubai com um apelo histórico inédito para uma “transição” afastada dos combustíveis fósseis.

A presidência da COP28 já felicitou Babayev, que representou o Azerbaijão nas negociações do Dubai, através de uma mensagem na rede social X: “Vamos trabalhar com as presidências da COP29 e COP30 (no Brasil), bem como com a ONU para o Clima, para concretizar o sucesso histórico e transformador da COP28 e manter a meta de 1,5°C ”.

O novo presidente da COP tem no seu currículo, entre 1994 a 2003, funções no departamento de relações económicas externas da Socar, a empresa nacional de petróleo e gás, antes de passar para a área de marketing e operações económicas.

Entre 2007 e 2010, foi vice-presidente responsável pela ecologia da empresa de petróleo e gás e é ministro da Ecologia e Recursos Naturais desde 2019.

Historicamente, os presidentes da COP foram ministros ou diplomatas, com exceção do ano passado com Sultan Al Jaber, que é presidente da Adnoc, um dos maiores produtores de gás e petróleo do Golfo, e representou o seu país em várias COP’s e afirmou-se como líder da empresa de energia renovável Masdar.

O governo azeri nomeou o vice-ministro dos Negócios Exteriores, Yalchin Rafiyev, como negociador-chefe da COP29.

O anfitrião anual da COP é escolhido por consenso pelos países da região designada. Em 2023, os países asiáticos designaram os Emirados Árabes Unidos, e este ano, após meses de bloqueios, foi definido o Azerbaijão pelos países da Europa de Leste, que incluem a Rússia.

Este ano será Baku a receber a COP e poderá fazer recordar a edição anterior, já que foi uma das capitais mundiais do petróleo no início do século XX, como apontou à AFP Francis Perrin, especialista em energia do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, “com os interesses russos, da Shell e dos irmãos Nobel da época”.

O país desenvolveu grandes depósitos de petróleo e gás no Mar Cáspio desde a década de 1990, acrescentou.

Atualmente, o gás tornou-se mais importante do que o petróleo para este membro da OPEP+, exportado principalmente para a Europa.

“O país continua hoje muito dependente dos hidrocarbonetos, que representam pouco menos de 50% do seu PIB, pouco mais de 50% das suas receitas orçamentais e pouco mais de 90% das suas receitas de exportação”, analisou Perrin.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Zaha Hadid: o nome mais procurado de arquitetura no Google


O arquiteto mais procurado do mundo é uma mulher árabe: Zaha Hadid. A arquiteta iraquiana naturalizada britânica apareceu em primeiro lugar nas pesquisas do Google de 84 países, 61% dos 130 países monitorados pela Money (GB). O levantamento feito pela consultoria britânica traz uma oportunidade para falar sobre o trabalho da primeira mulher a receber o Prémio Pritzer, o “Nobel da Arquitetura”. 
A arquitetura não é mais um mundo só de homens. Essa ideia de que mulheres não podem pensar em três dimensões é ridícula”, disse Zaha em um discurso ao aceitar um prêmio de liderança feminina em 2013. A frase ganhou fama por si só ao mostrar que, mesmo no século 21, a construção ainda é um meio dominado pelos homens. Tanto que Zaha só venceu o Pritzer, a maior honraria da arquitetura internacional, em 2004. Até então, nenhuma mulher havia sido premiada.  Na época, a artista tinha 56 anos. Em 2012, ela foi nomeada dama pelos seus serviços em arquitetura. E, em 2016, um mês antes de sua morte, ela se tornou a primeira mulher a receber a medalha de ouro do Royal Institute of British Architects. 

Zaha Hadid: rainha das linhas curvas
Entre os seus trabalhos mais reconhecidos estão o Centro Aquático de Londres, para as Olimpíadas de 2012; a casa de Ópera de Guanzhou, na China; e o Centro Heydar Aliyev, em Baku, no Azerbaijão. Suas obras são marcadas por um estilo contemporâneo e pós-moderno, com muitas linhas curvas e formas surpreendentes.  Sua regra principal era: “não pode ter ângulos de 90 graus. No início, tudo era diagonal”. 

A escolha por formas pouco convencionais deu a ela o apelido de “rainha da curva”. Formada em matemática no Líbano, Zaha entrou no mundo da arquitetura quando tinha 22 anos e foi estudar na prestigiada Architectural Association School of Architecture. A arquiteta inovou na forma de criar suas obras: no lugar do desenho técnico, ela pintava quadros e papéis de seus projetos. Mesmo depois dos computadores, com seus softwares de criação técnica, ela permaneceu com este hábito.

Fortemente inspirada pela arte “geométrica” dos suprematistas russos, como Malevich, e pelas vanguardas soviéticas dos anos 1920, Zaha buscou no abstrato e no design uma visão de fora para suas construções. Apesar de não seguir uma única categoria, suas obras são vistas como parte do desconstrutivismo, movimento que reinterpretou o modernismo nos anos 1980 e 1990. Alguns, no entanto, a descrevem como neo-futurista.


“Não fazemos prédios bonitos. As pessoas pensam que o prédio mais apropriado é um retângulo, porque normalmente é a melhor maneira de usar o espaço. Mas isso quer dizer que a paisagem é um desperdício do espaço? O mundo não é um retângulo. Você não vai a um parque e diz: ‘Meu Deus, não temos cantos retos aqui”, disse Zaha em entrevista ao The Guardian, em 2012.  

Ela insistia que todos os seus prédios são inteiramente práticos, construídos em torno de diferentes padrões organizacionais. “É como dizer que todo mundo tem que escrever exatamente da mesma maneira. E simplesmente não é o caso.”

Arquitetura com função 
“Eu não acho que a arquitetura é apenas para criar abrigos, não é apenas sobre criar espaços. A arquitetura deveria ser capaz de te animar, de te acalmar, de te fazer pensar”,  afirmou Zaha para a revista Newsweek, em 2011. 

A carreira de Zaha foi marcada por desenhos e obras de prédios públicos, voltados para grandes grupos de pessoas, como bibliotecas, teatros e museus.

Durante a  sua trajetória, o seu nome também esteve envolto em polémica, por trabalhar para países como a China. Em entrevista ao The Guardian, dada em 2013, ela falou sobre o caso: “Independentemente do regime, é importante construir uma instalação cívica para a população. Se alguém me pedir para fazer uma biblioteca, eu não diria que não quero fazer isso por conta de onde está. É importante se envolver com esses países porque os conecta ao resto do mundo. Se eu disser que não vou construir em certos lugares, há muitos outros lugares que eu também não iria. Eu não estaria fazendo nada em nenhum lugar. Eu simplesmente não construiria”.

Mesmo assim, Zaha viu limites para o que faria ou não: “ mas se alguém me pedir para construir uma prisão, eu não faria. Não construiria uma prisão, independentemente de onde esteja, mesmo que fosse muito luxuosa”. A arquitetura, no final das contas, tem um propósito no mundo. 

Sites:

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Stiglitz: uma tentativa de golpe até no FMI?

Até mea culpa do FMI durante a pandemia pode ser liquidado. Elites financeiras voltam-se contra a diretora da entidade, que ousou questionar discurso de austeridade. Banco Mundial conduz investigação para derrubá-la



Por Joseph Stiglitz, no Project Syndicate, com tradução na Carta Maior

Existem atualmente iniciativas visando substituir, ou pelo menos enfraquecer, Kristalina Georgieva, diretora geral do Fundo Monetário Internacional desde 2019. Trata-se da mesma Georgieva cuja magnífica resposta à pandemia proporcionou rapidamente fundos para que países não naufragassem e para que fosse enfrentada a crise de saúde. Ela defendeu com sucesso a emissão de US$ 650 bilhões em “dinheiro” do FMI (direitos especiais de saque, ou DES) essenciais para que países de média e baixa renda se recuperassem. Além disso, ela posicionou o FMI para assumir uma liderança global na resposta à crise existencial da mudança climática.

Por todas essas iniciativas, Georgieva deveria receber aplausos. Então, qual é o problema? E quem está por trás dos esforços para desacreditá-la e removê-la?

O problema é uma investigação que o Banco Mundial contratou com o escritório de advocacia WilmerHale referente a um relatório anual do banco, Doing Business, que classifica os países de acordo com a facilidade em se abrir e operar firmas comerciais. A investigação alegou – ou, para ser mais preciso, sugeriu – que houve impropriedade envolvendo China, Arábia Saudita e Azerbaijão nos relatórios de 2018 e 2020.

Georgieva tem sido atacada em relação ao relatório de 2018, que coloca a China em 78º lugar, a mesma posição do ano anterior. Mas existe a insinuação de que ela devia ser mais baixa e teria sido mantida como parte de um acordo para garantir um aumento de capital que o Banco buscava. Georgieva era a executiva-chefe do Banco Mundial na época.

Um resultado positivo do imbróglio pode ser o fim do relatório. Há 25 anos, quando eu era economista-chefe do Banco Mundial e o Doing Business era publicado por uma divisão em separado, a Corporação Internacional de Finanças, eu achava que ele era um péssimo produto. Países recebiam bom posicionamento por aplicarem baixos impostos sobre empresas e fracas regulações trabalhistas. Os números eram sempre apertados, com pequenas mudanças nos dados tendo grandes efeitos na posição. Países ficavam invariavelmente irritados quando viam que decisões arbitrárias faziam com que eles desabassem na classificação.

Tendo lido o resultado da investigação do WilmerHale, tendo conversado diretamente com pessoas envolvidas e tendo conhecimento de todo o processo, a investigação para mim parece ser um ataque orquestrado. Em todo o episódio, Georgieva agiu de forma totalmente profissional, fazendo exatamente o que eu teria feito (e em ocasiões fiz como economista-chefe): exigir daqueles que trabalhavam comigo que tivessem certeza de que os números estavam corretos, ou tão precisos quando possível dada a inerente limitação de dados.

Shanta Devarajan, chefe da divisão supervisionando o Doing Business que respondia diretamente a Georgieva em 2018, garante que nunca foi pressionado a mudar dados ou resultados. O pessoal do Banco fez exatamente o que Georgieva orientou que fizessem e checaram mais de uma vez os números, promovendo mudanças minúsculas que resultaram em uma leve revisão para cima.

A investigação da WilmerHale é de várias formas curiosa. Ela deixa a impressão de que houve um quid pro quo: o Banco tentava um aumento de capital e ofereceu uma melhoria na classificação para ajudar a consegui-lo. Só que a China era a maior entusiasta no aumento de capital; foram os Estados Unidos de Donald Trump que criavam empecilho. Se o objetivo era garantir o aumento de capital, a melhor maneira de fazê-lo seria rebaixando a posição da China.

A investigação também não explica porque não incluiu todo o depoimento de uma pessoa – Devarajan – com conhecimento de primeira mão sobre o que disse Georgieva. “Passei horas contando meu lado da história para os advogados do Banco Mundial, que incluíram apenas metade do que falei para eles”, afirmou Devarajan. Na verdade, a investigação foi no geral levada com base em insinuações.

O verdadeiro escândalo é o resultado da investigação da WilmerHale, incluindo como David Malpass, o presidente do Banco Mundial, escapou incólume. A investigação destaca outro episódio – uma tentativa de elevar a classificação da Arábia Saudita no relatório Doing Business de 2020 – mas conclui que a liderança do Banco nada teve a ver com o que ocorreu. Malpass foi à Arábia Saudita alardeando suas reformas com base no Doing Business apenas um ano depois que agentes de segurança sauditas mataram e desmembraram o jornalista Jamal Khashoggi.

Ao que parece, quem paga a orquestra escolhe a música. Felizmente, jornalismo investigativo descobriu comportamentos muito piores, como a descarada tentativa de Malpass de mudar a metodologia do Doing Business a fim de rebaixar a classificação da China.

Se a investigação da WilmerHale é entendida como um trabalho encomendado, qual seria o motivo? Existem aqueles, não é surpresa, que estão insatisfeitos com os rumos que o FMI tomou sob a liderança de Georgieva. Alguns pensam que o Fundo deveria manter seu foco e não se preocupar com mudança climática. Outros estão desgostosos com a reviravolta progressista, com menos ênfase em austeridade, mais em pobreza e desenvolvimento, e maior consciência sobre os limites do mercado.

Muitos players do mercado financeiro reclamam que o FMI não estaria agindo com firmeza como coletor de crédito – uma parte central da minha crítica ao fundo em meu livro Globalization and Its Discontents. Na reestruturação da dívida Argentina que começou em 2020, o FMI mostrou claramente os limites até onde um país pode pagar, ou seja, quando débito é sustentável. Já que muitos credores privados querem que o país pague mais do que é sustentável, aquele simples ato mudou o escopo de barganha.

E existem também antigas rivalidades institucionais entre o FMI e o Banco Mundial, sublinhadas agora pelo debate sobre quem deveria administrar um proposto novo fundo para “reciclar” a recém-emissão de DES de economias avançadas para países pobres.

Poderia ser acrescida uma mistura do viés isolacionista da política estadunidense – incorporado por Malpass, indicado por Trump – combinado com um desejo de criar mais um problema para o presidente Joe Biden, que já enfrenta muitos outros desafios. E então existem os usuais conflitos de personalidade.

Mas intriga política e rivalidades burocráticas são as últimas coisas que o mundo precisa no momento em que a pandemia e suas consequências econômicas deixaram muitos países enfrentando crise da dívida. Hoje, mais do que nunca, o mundo precisa da mão firme de Georgieva no FMI.

Joseph E. Stiglitz, Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia, é ex-economista-chefe do Banco Mundial (1997-2000), presidente do Conselho de Assessores Econômicos do Presidente dos EUA, e co-presidente da Comissão de Preço de Carbono. Membro da Comissão Independente para a Reforma do Imposto Internacional Corporativo, ele foi destacado autor do relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas de 1995


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Documentário sobre a Arménia: Arménie, terre de résilience


Documentaire sur l’identité arménienne. Entre 1915 et 1923, un million et demi d'Arméniens furent massacrés par l'armée turque. Depuis, ce peuple lutte pour la reconnaissance officielle de ce qui fut le premier génocide du XXe siècle. Ce film retrace le voyage initiatique de six Canadiens d'origine arménienne sur la terre de leurs ancêtres, et leurs rencontres avec des survivants du génocide. Des témoignages émouvants de ces vigoureux centenaires et ceux, cocasses et touchants, des voyageurs du Nouveau Monde, composent un film digne et poignant sur le besoin de faire la paix avec le passé pour mieux se tourner vers l'avenir.

Ligações úteis

Genocidio Armenio.org

 Havesov.net


 In Homage to out 1.500.000 Martyrs

 LearnArmenian.com

 Viva Armenia

 Consejo Nacional Armenio