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sábado, 4 de julho de 2026

Criminalidade. Revisão da população mostra país ainda mais seguro

A taxa de criminalidade foi revista em baixa nos últimos anos, na sequência das alterações do INE. O país vive um dos períodos com menor incidência da criminalidade em quase trinta anos. Este artigo integra a rubrica Visão Periférica.
4 Julho 2026, 11h00

Muita tinta já correu na sequência da disrupção estatística provocada pela revisão populacional do INE. Mas não ficará por aqui. Esperam-se outras repercussões nos próximos tempos, tendo em conta que estão a ser revisitados vários indicadores que dependem da população, como a riqueza anual por habitante ou dados relativos ao emprego e à saúde. Um deles - a taxa de criminalidade - já foi atualizado esta semana pelo INE, mas passou despercebido.

Os novos dados mostram que houve 32 crimes por cada mil habitantes em 2025, uma subida face a 2024 (31,2), mas abaixo de 2023 (33,2). Estes últimos dois valores (tal como os dos dois anos anteriores) são já reflexo da revisão do INE — antes, estavam em causa mais dois crimes por mil habitantes (33 e 35, respetivamente, segundo as contas do Jornal Económico).

Isto significa que a taxa de criminalidade do ano passado é a quinta mais baixa desde 1998. E a taxa de 2024 passa a ser a terceira. Nesta comparação, estão incluídos os anos de 2020 (28,7 crimes) e 2021 (28,4) - períodos em que houve confinamentos e, por arrasto, menos oportunidades para várias tipologias de crime. Dito de outro modo, se não contássemos com este período de excepção, o valor de 2024 teria sido o mais baixo em pelo menos 28 anos. E a taxa de 2025 seria a terceira mais baixa.

Convém notar que a incidência da criminalidade em Portugal, nos últimos anos, já se encontrava em níveis reduzidos quando comparada com outros períodos da história recente. Mesmo antes desta revisão, o pico de 2023 era inferior a qualquer taxa entre 1999 e 2013.

Os valores mais elevados foram registados entre 2008 e 2010 (na casa dos 40 crimes), período que coincide com a crise financeira global. Nos anos seguintes, durante a Troika, houve uma progressiva redução, com quatro descidas consecutivas a partir de 2011 (até atingir 33,8 em 2014), num contexto de queda da população (menos 163 mil pessoas em quatro anos). E depois estabilizou: em seis dos últimos oito anos (com exceção do período da pandemia), andou sempre entre 31 e 32 crimes por mil habitantes.


Claro que nem todos os crimes são iguais, mas a análise por categoria não altera as conclusões. Nos crimes contra a integridade física, a taxa de criminalidade está em 5 por 1.000 habitantes, o valor mais baixo desde pelo menos 2011. O mesmo se aplica aos furtos de veículo e em veículo motorizado (2,4) e aos furtos e roubos por esticão e na via pública (0,6) — neste caso, ao mesmo nível do período 2021-2023. Os crimes contra o património (16,2) só não são o valor mais reduzido porque na pandemia houve menos (de 2020 a 2022 oscilou entre 14 e 15 por mil habitantes).

As duas únicas categorias em que a taxa de criminalidade não está em níveis historicamente baixos dizem respeito ao comportamento na estrada: a condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l é de 2 por cada mil (tinha sido inferior entre 2017 e 2021 e em 2024) e a condução sem habilitação (1,3), que supera nove dos últimos 15 anos.

Os imigrantes
Comparando com os dados imediatamente anteriores à pandemia, houve um aumento de 9% na criminalidade registada entre 2019 e 2025: mais 30 mil, para um total de 365 mil crimes, segundo as contas do JE, com base no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), publicado no final de março. Só que, sabemos agora, este aumento ocorreu enquanto a população crescia 10,1%, cerca de um milhão de pessoas desde 2019, sobretudo imigrantes.

Numa altura em que os cidadãos estrangeiros representam 14% da população, a incidência da criminalidade é uma das mais baixas em quase três décadas, comparando bem com o pré-pandemia (32,3 crimes por mil habitantes em 2019) e com o registo de há uma década (os mesmos 32 crimes em 2016). Nesses anos, porém, os cidadãos estrangeiros representavam apenas entre 3% e 4% dos residentes. Ou seja, o peso dos imigrantes duplicou no país, mas os níveis de criminalidade mantiveram-se estáveis em relação à população, contrariando as narrativas populistas.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Patrick Watson - Drive



Letra
Drive, drive, drive, drive
You want to drive all night
Follow the yellow lines
Don't stop and look behind
And you don’t want to know where you're going
Just want to get lost sometimes
Get lost together

Drive, drive, drive, drive
And get lost together

Ah, ah, ah, ah

Want to get lost
You don't want to know where you’re going
Stepping through a hallway of trees
Getting lost to nowhere's good to me
Wild eyes in the high high beams
Staring back at me

Into endless night
Wild eyes staring back at me
Wild eyes staring back at me
Wild eyes staring back at me

A letra de "Drive" é minimalista, direta e altamente metafórica, girando em torno da urgência de escapar e do desejo de desapego, como se pode notar nos versos "You want to drive all night / Follow the yellow lines / Don't stop and look behind / And you don't want to know where you're going / Just want to get lost sometimes / Get lost together".

O significado central da canção pode ser destrinchado em quatro frentes principais. Em primeiro lugar, o carro surge como um refúgio, onde o ato de conduzir sem destino funciona como uma metáfora para a busca por paz mental; em momentos de sobrecarga emocional ou ansiedade, o foco nas linhas amarelas da estrada e a ordem de não olhar para trás representam o desejo de desligar o cérebro e viver apenas o presente imediato. Em segundo lugar, há a catarse do "perder-se", existindo uma beleza melancólica em admitir que não se sabe para onde se vai, o que valida o sentimento de que, às vezes, perder o rumo é exatamente o que precisamos para nos reencontrarmos. Adicionalmente, verifica-se uma profunda conexão no isolamento quando o eu lírico propõe perderem-se juntos ("get lost together"), transformando a solidão da estrada numa experiência partilhada que sugere uma cumplicidade íntima e o desejo de fugir das pressões do mundo real na companhia de alguém que partilha da mesma vulnerabilidade. Por fim, a faixa aborda o confronto com o desconhecido através de versos como "Wild eyes in the high high beams / Staring back at me" (Olhos selvagens nos faróis altos / Olhando de volta para mim), que introduzem uma pitada de mistério e perigo, representando o confronto com os nossos próprios medos ou com o "selvagem" que habita na escuridão ao sairmos da nossa zona de conforto.

Em resumo, "Drive" constitui uma obra sobre evasão, entrega ao fluxo da vida e a busca por um espaço de silêncio no meio do ruído do mundo moderno.

terça-feira, 16 de junho de 2026

I am the Shadow - The Days


Como a letra oficial nunca foi publicada, a interpretação exata do Pedro Code permanece um mistério, mas o significado de "The Days" pode ser decifrado através da sua sonoridade e do conceito geral do álbum Pitchblack, lançado em 2020. O título aponta diretamente para a passagem do tempo e para o peso da rotina, refletindo sobre a monotonia de dias cinzentos que se misturam e nos consomem lentamente. Lançada em pleno período de isolamento global, a canção evoca uma profunda sensação de solidão e o confronto com os nossos próprios pensamentos dentro de quatro paredes. No entanto, em vez de ser apenas pessimista, a música funciona como uma catarse tipicamente darkwave, transformando a melancolia e a ansiedade do quotidiano numa beleza poética e reconfortante, servindo como uma espécie de refúgio espiritual para quem enfrenta a escuridão dos dias.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Os principais CEO das empresas de IA pedem uma lei que proteja contra as armas biológicas

A urgência desta carta foi motivada pela revogação recente, por parte da administração Trump, de uma ordem executiva da era Biden que criava uma estrutura de triagem para a síntese de genes. Como o governo atual ainda não publicou uma política de substituição, este grupo de CEOs e cientistas uniu-se para pedir que o Congresso norte-americano crie uma lei federal definitiva.

A principal preocupação é que, embora criar um vírus funcional ainda exija perícia prática de laboratório, os novos modelos de IA conseguem apontar falhas em sistemas de segurança, sugerir mutações perigosas ou ensinar passo a passo como contornar os filtros das empresas que vendem DNA sintético.

Em Apoio ao Rastreio Obrigatório e Registo da Síntese de Ácidos Nucleicos
"Como investigadores em ciências da vida, criadores de IA e biotecnologia, e especialistas com uma vasta gama de visões sobre como abordar a política de IA, apelamos aos legisladores para que tornem obrigatória a triagem de encomendas de ácidos nucleicos sintéticos — e do equipamento necessário para os fabricar.

A capacidade de encomendar DNA sintético online acelerou o desenvolvimento de vacinas, impulsionou a investigação básica e permitiu que pequenas equipas acedessem a capacidades que antes estavam confinadas a grandes instituições. Desde a publicação de protocolos para reconstruir vírus a partir de filamentos de DNA, há mais de duas décadas, isto também tem sido reconhecido como um ponto crucial na cadeia de abastecimento biotecnológico onde um ator mal-intencionado pode causar danos desproporcionais. Reconhecendo esta vulnerabilidade, as empresas de síntese formaram o International Gene Synthesis Consortium em 2009 para desenvolver e implementar salvaguardas voluntárias contra a utilização indevida.

Embora o problema não seja novo, o ritmo de progresso na inteligência artificial é. Os sistemas de IA superam agora virologistas com nível de doutoramento em questões sobre procedimentos laboratoriais altamente técnicos nos seus próprios domínios de especialização. As evidências sobre o que isto significa para as ameaças atuais à biossegurança são genuinamente mistas, mas a tendência é difícil de contestar. Os sistemas de IA estão a melhorar rapidamente e, a par de benefícios incríveis para a ciência e a medicina, existe a possibilidade real de que as barreiras de conhecimento que historicamente impediram atores mal-intencionados de obter armas biológicas venham a erodir significativamente.

O apoio à triagem não depende de uma visão específica sobre a IA; o caso da biossegurança tem sido reconhecido por cientistas e governos há décadas. A triagem é também uma das medidas de biossegurança mais bem compreendidas e menos disruptivas disponíveis. Ela solicita aos fornecedores de DNA sintetizado e aos fabricantes de máquinas de síntese que verifiquem se os pedidos de síntese contêm sequências preocupantes e que validem a legitimidade do cliente antes de enviarem as encomendas. Os fornecedores devem também registar as encomendas de síntese e os dados de sequenciação para apoiar investigações legítimas de biossegurança, de modo a que qualquer ameaça que consiga escapar à triagem inicial possa ser rastreada até à sua origem - inclusive quando sequências individuais não levantariam preocupações de forma isolada. A própria consciência da rastreabilidade dissente o uso indevido.

(...) Dado o ritmo a que a tecnologia subjacente está a mudar, acreditamos que a necessidade é urgente. O Congresso deve agir nesta sessão, e aplaudimos os esforços legislativos atualmente em curso. Para garantir um padrão nacional consistente, em vez de uma manta de retalhos de leis estaduais conflituosas, os estados devem também considerar a implementação de requisitos baseados nas diretrizes federais e da indústria já existentes."

segunda-feira, 25 de maio de 2026

“Estamos a assustar as pessoas”, diz CEO da Nvidia sobre cortes ligados à IA

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou executivos de tecnologia que atribuem despedimentos em massa ao avanço da inteligência artificial (IA) e afirmou que o discurso tem sido usado de forma “preguiçosa” e “irresponsável”. Em entrevista ao canal Channel News Asia na segunda-feira, dia 25, o executivo disse que muitas empresas estarão a utilizar a IA como justificativa pública para cortes que, na prática, terão relação com o excesso de contratações, custos elevados e má gestão.

As declarações de Huang surgem num momento em que gigantes da tecnologia têm feito despedimentos enquanto ampliam investimentos bilionários em IA. Nos últimos anos, os executivos passaram a afirmar que as ferramentas automatizadas estariam a substituir parte da força de trabalho humana, alimentando o medo sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

Para Huang, porém, a linha temporal apresentada por algumas empresas não faz sentido. “A IA acabou de chegar, como é possível que já esteja a causar perda de empregos?”, afirmou o executivo. Segundo ele, algumas companhias passaram a relacionar os cortes de pessoal à tecnologia antes mesmo de esta se tornar amplamente útil em ambientes corporativos.

O CEO da Nvidia também criticou o uso do tema como estratégia de comunicação com investidores e o mercado. “Era apenas uma maneira de parecerem inteligentes, e eu detesto isso”, disse. “Acho que estamos a assustar as pessoas, e isso é irresponsável”.

A discussão ganhou força após casos recentes em empresas de tecnologia. No início deste ano, Jack Dorsey anunciou uma grande redução na equipa da Block e citou o avanço de “ferramentas de inteligência” como parte das transformações na companhia. Ex-funcionários, porém, afirmaram que os cortes estavam ligados principalmente ao excesso de contratações realizado durante a pandemia de covid-19.

Analistas do setor também apontam que o atual ciclo de investimentos em IA tem elevado fortemente os custos operacionais das empresas. O acesso a infraestruturas de computação em nuvem e chips especializados continua caro, o que pressiona os orçamentos e leva as companhias a reverem os planos de contratação. A própria Nvidia tornou-se uma das empresas mais valiosas do mundo justamente por fornecer os chips usados em sistemas de IA.

Apesar disso, Huang afirmou acreditar que a IA poderá gerar mais empregos a longo prazo. Segundo ele, empresas mais produtivas tendem a crescer mais rapidamente e, consequentemente, a aumentar as suas equipas. “Elas tornam-se maiores e mais lucrativas. E quando crescem e se tornam mais lucrativas, acabam por contratar mais pessoas”, disse o executivo.

O discurso de Huang acompanha uma mudança de tom entre os líderes do setor tecnológico. Na semana passada, Demis Hassabis também criticou as empresas que atribuem despedimentos à IA e classificou esse tipo de justificativa como “falta de imaginação” (a famosa “desculpa esfarrapada”).

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Contracto de Arrendamento da Alma: Actualização 2026

Feliz 2026

Cláusula 1ª (Da Sobrevivência): O presente contrato não garante que o Utilizador chegará a 2027. O serviço é fornecido "tal como está", com bugs graves no sistema de saúde e falhas críticas na conta bancária.

Cláusula 2ª (Das Desilusões Obrigatórias):
• §1º: O Utilizador aceita que 70% das suas novas "metas" serão abandonadas até ao dia 15 de janeiro. Os restantes 30% serão ignorados por pura falta de vontade de viver.
• §2º: Fica estabelecido que qualquer tentativa de "encontrar o amor da sua vida" resultará apenas em novos traumas, despesas em terapia e subscrições inúteis no Tinder.

Cláusula 3ª (Da Obsolescência Programada):
• O seu corpo continuará a degradar-se. Ao aceitar 2026, o Utilizador concorda em sentir dores nas costas por ter dormido "mal" e em ter ressacas de três dias após beber dois copos de vinho barato.

Cláusula 4ª (Do Apocalipse e Outros Eventos Sociais):
• A Administração de 2026 reserva-se o direito de introduzir novas pandemias, guerras mundiais ou invasões alienígenas apenas para testar se o Utilizador ainda consegue manter a fachada de "está tudo bem" no LinkedIn.

Cláusula 5ª (Política de Terminação):
• Não há botão de "Sair". O tempo passará de forma agonizante durante as reuniões de trabalho e de forma instantânea durante o tempo livre. Se não estiver satisfeito, a reclamação deve ser feita por escrito e enviada diretamente para o vácuo existencial.

[ ] Li e aceito que vou continuar a ser um figurante neste simulador de caos chamado vida, mas assino porque a alternativa é ainda mais aborrecida.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

The Hidden Crisis: How America’s Critical Minerals Blind Spot Became a National Security Time Bomb


America is burning through crises every single day — groceries up, gas up, rent up, wages flat. People are scrambling just to make the next bill. But underneath all of that, hidden in plain sight, is a threat nobody on cable news wants to touch because it isn’t sexy, it isn’t clicky, and it doesn’t fit neatly into a left-right shouting match.

But it should scare the hell out of every American. Right now, our entire modern life — our phones, our cars, our power grid, and yes, our military — depends on a handful of minerals most people have never heard of. Rare earths. Critical minerals. The stuff inside every missile, every jet engine, every smartphone, every EV battery, every wind turbine. If you can hold it, drive it, or fight a war with it, it needs these minerals.
And here’s the part no one is reporting: we don’t control our own supply.
Not even close.

The United States — the world’s largest economy, the most advanced military on Earth — is effectively one bad week away from a national security emergency because we rely almost entirely on China for the minerals, the processing, and the manufacturing that keep this country running.

This isn’t a partisan story. This isn’t a culture-war distraction. This is about whether America can physically function in the next decade. And the frightening part? This crisis is being ignored, buried, underreported, and overshadowed by political theater while China tightens the noose.

This is the story the lobbyists don’t want talked about, the politicians don’t understand, and the corporations don’t want you to notice.

And we’re going to talk about it.

What “Critical Minerals” Actually Are And Why They Matter
“Critical minerals” sounds like an obscure geology term you’d hear on cable at 2 a.m. However, these minerals are in everything you touch and in every modern system we rely on.

They’re the quiet backbone of the entire 21st-century economy.
Think about your day.

You wake up and grab your phone?
Critical minerals.

Do you turn on a lamp?
Critical minerals.

Your car — gas or electric?
Critical minerals.

The power grid that keeps your house lit?
Critical minerals.

Medical equipment. Computers. Wind turbines. Solar panels. Fighter jets. Missile guidance systems. Radar. Satellites.

It’s all the same story: these minerals are the microscopic gears that keep modern life spinning. These aren’t “nice to have.” These are “without them, society literally stops functioning.” If the flow slows down even a little, entire sectors shut down — electronics, clean energy, defense, infrastructure, everything.That’s why the stakes are so high.

The Alarming Reality: China Controls the U.S. Supply Chain
If the pandemic taught us anything, it’s this: America’s supply chains are only strong until the day they break.

COVID-19 exposed every weakness we had, not on a battlefield, but on grocery shelves. Remember the empty aisles? The shipping delays? The scramble for basic medical gear?
That was a warning shot, because the same vulnerabilities exist with the minerals that power our entire economy — only worse.

China controls:
~70% of global mining for these minerals
~90% of processing and refining
~94% of the magnets used in U.S. jets, missiles, and defense systems

And here’s the kicker: Even the minerals we mine in America must still be shipped to China for processing. That means China controls the bottleneck at every stage.
One export restriction — the same kind they’ve already used on gallium and germanium — and the U.S. suddenly can’t:
  1. build jets
  2. manufacture missiles
  3. produce EV batteries
  4. expand the power grid
  5. build satellites
  6. or maintain modern technology
COVID was the preview. Critical minerals are the real crisis.

What’s Actually Happening Behind the Scenes
Washington is treating this like an emergency behind closed doors, even if they won’t admit it publicly.
Here’s what they don’t say out loud:

1. Quiet negotiations with China
Even as politicians rant about “getting tough,” the U.S. is negotiating in secret to keep Chinese minerals flowing, because they know if the tap shuts off, we’re done.

2. We don’t have a strategy — just duct tape
The Carnegie report is damning: the U.S. lacks a coherent plan. We have scattered programs, half-built incentives, and short-term patches.

3. The MP Materials panic deal
The Pentagon rushed into a megadeal that bypassed normal procurement rules. That only happens when officials are scared of shortages.

4. The U.S. is considering buying companies outright
The government is looking at taking direct ownership stakes in rare-earth companies. That only happens when the market has failed and national security is at stake.

Washington knows how dangerous this is. They just haven’t told the public.

Why This Is a National Security Crisis Waiting to Happen
Here’s the blunt truth: If China cut off minerals tomorrow, the U.S. military would be paralyzed.
Every advanced weapon system we rely on requires rare-earth magnets and alloys we don’t control.

If the mineral flow stops:
  1. jets stop
  2. missile production halts
  3. radar systems stall
  4. surveillance systems degrade
  5. precision weapons can’t be replenished
It’s not that production slows — it stops.

And it hits civilians too:
  1. EV production stops
  2. smartphones and laptops become scarce
  3. medical tech is disrupted
  4. power grid upgrades stall
This isn’t hypothetical. It’s the most predictable crisis in modern U.S. history, and the least reported.

How We Got Here: Political Failure, Corporate Greed, and Strategic Blindness
America walked into this crisis with eyes wide open. Both parties ignored warnings for decades. Corporations chased cheap labor overseas. We offshored manufacturing and shut down processing plants. We assumed China would “liberalize” and play fair.

We kept the fun part — designing iPhones — and outsourced the hard part, the dirty part, the essential part. Now we’re paying the price. This wasn’t an accident. It was a choice.

The Hidden Risk: No Plan for Processing or Manufacturing
Even if we mined more minerals here, we cannot process them. We don’t have the infrastructure. We don’t have the workforce. We don’t have the factories. A rare-earth processing plant takes 3–5 years to build, and 7–10 years to fully scale. Magnet factories take years more.
Experts say the U.S. is at least 8–10 years away from independence, even if we started today.
That means if China cut us off right now, we wouldn’t catch up until the mid-2030s. That’s the hole we’re in.

Domestic Obstacles No One Talks About
Even if America woke up tomorrow ready to act, we’d hit the wall of our own system.Permitting takes years. Lawsuits drag on. Local communities block projects. Environmental reviews stall progress. Companies avoid investing because the regulatory maze is unpredictable. Everyone wants clean energy, cheap tech, and national security, but nobody wants a mine or processing plant in their backyard. China builds industrial clusters in 18–36 months. America debates permit language for five years.We cannot rebuild a supply chain with a system designed not to build anything.

What Needs to Happen And Who’s Blocking It
Here’s what we need:
  1. a national strategy that integrates mining, processing, manufacturing, workforce, and environmental protection
  2. multiple U.S. processing plants
  3. at least two magnet factories
  4. permitting reform
  5. long-term corporate investment
  6. bipartisan political courage
  7. real media coverage
Here’s who’s blocking it:
  1. corporations addicted to cheap Chinese labor
  2. politicians terrified of local backlash
  3. regulators stuck in outdated systems
  4. media outlets that ignore anything without celebrity drama
We know what to do. We know who’s in the way. We just need the will.

America Is One Bad Week Away From a Crisis
America is one bad week away from a crisis we are not prepared for — one export ban, one geopolitical dispute, one supply chain disruption. China doesn’t need to attack us. They can just pause a shipment.This is the most important underreported national security issue in America today.The silence doesn’t make us safer. It makes us blind.

If you learned something here today — if this gave you clarity corporate media refuses to provide — then this is why independent journalism matters.

I’ll keep reporting the stories others ignore. Because the only way we fix this crisis is by understanding it, and the only way we understand it is by talking about it — openly, boldly, and without fear.

Sources:
  1. Allan, Bentley, and Jonas Goldman. “Securing America’s Critical Minerals Supply.” Carnegie Endowment for International Peace, October 8, 2025.
  2.  Serena Li and Ke Wang. "The Critical Minerals Conundrum: What You Should Know" WRI, October 8, 2025
  3. “China Deal Buys US Time to Build Critical Minerals Supply Chain.” Reuters, November 17, 2025.
  4. “Trump Expands Critical Minerals List to Copper, Metallurgical Coal, Uranium.” Reuters, November 7, 2025.
  5. “US House Report Accuses China of Minerals Market Interference.” Reuters, November 12, 2025.
  6. “Exclusive: A New Rare Earth Crisis Is Brewing as Yttrium Shortages Spread.” Reuters, November 14, 2025.
  7. “Minerals, Manufacturing, and Markets: Foreign Policy for U.S. Energy Technology and Minerals.” Carnegie Endowment for International Peace, February 26, 2025.
  8. “Unmined Potential? Opportunities for Development Finance to Support Sustainability and Inclusion in Transition-Mineral Supply Chains.” Global Development Policy Center, Boston University, March 4, 2025.
  9. “Critical Minerals and Great Power Competition.” SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute), October 2024.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Franco “Bifo” Berardi: “A espécie humana não sobreviverá a este século"


Conhecido por “Bifo” desde jovem, o italiano Franco Berardi é uma referência do pensamento de esquerda das últimas décadas. Em Maio de 1968 participou na revolta dos estudantes da Universidade de Bolonha. Faria parte do grupo extraparlamentar Potere Operaio, ao lado de figuras como “Toni” Negri. Nesses anos de agitação rebelde fundou a revista A/traverso e esteve na rádio pirata Alice. Nos seus livros, Berardi sai das baias do marxismo mais ortodoxo, chamando, por exemplo, ensinamentos e conceitos da psicanálise para a sua crítica às sociedades capitalistas pós-industriais.

O seu último livro, Disertate (2023), identifica na “onda” de depressão entre os jovens um sintoma de um mundo de trabalho em excesso e em crise climática. Perante o caos e a dor, a resposta desses jovens é a “deserção”, a desistência, como se a alegria só pudesse ser encontrada nas “ruínas”, defende “Bifo”.

Sim, Franco Berardi, hoje com 75 anos, perdeu a esperança. Quisemos falar com ele tendo a recente edição portuguesa de Futurabilidade — A Era da Impotência e o Horizonte de Possibilidade pela VS. como pretexto. Nesse livro, editado originalmente em 2017, o filósofo já fazia um diagnóstico sombrio da vida enformada pelo capitalismo, mas ainda acreditava que seria possível abrir uma rota de fuga. Como? “Criando uma consciência comum e uma plataforma técnica comum para os trabalhadores cognitivos do mundo.” Foram eles, os trabalhadores intelectuais (os artistas, os engenheiros, os cientistas), que montaram a engrenagem, cabia-lhes agora “reprogramar” a grande máquina do mundo para benefício colectivo.

Quase dez anos depois de escrever essas linhas, a esperança de Franco Berardi, que conversou com o Ípsilon por videochamada a partir da sua casa em Bolonha (uma entrevista terminada por email), esfumou-se.

Futurabilidade acaba com um apelo aos trabalhadores intelectuais. Havia alguma esperança nesse livro, mas já me avisou que a perdeu. Porquê?
Futurabilidade foi, de certa forma, o meu último livro a propor a possibilidade de uma alternativa. Foi antes da pandemia, antes da ilusão que a pandemia nos deu e antes do regresso do genocídio à história do mundo.

Sei que o que tenho a dizer não abre uma perspectiva, mas devo escolher entre mentir, afirmar algo em que não acredito, e dizer a verdade. E a verdade é, sintetizando, esta: a experiência humana acabou.

O que é a experiência humana?
É a ideia, crucial na modernidade, de que o mundo, a linguagem, a razão e a lei podem controlar a imediatez do instinto, da bestialidade. As vítimas têm de se tornar assassinas — esta é a lição que aprendi com a transformação de Israel numa entidade nazi. Esta é a lição que aprendo quando vejo Auschwitz nas praias do Mediterrâneo, na costa de Gaza e em centenas de campos de concentração em toda a bacia mediterrânica.

O que faz do horror de Gaza algo diferente de outros conflitos?
Há 50 anos, quando eu tinha 25 anos, testemunhei uma guerra suja que foi como um genocídio, no Vietname. Mas, naquele momento, tínhamos a percepção de que a guerra do Vietname era o início de um futuro possível. Quando os vietcongues conseguiram derrotar os agressores, tivemos a percepção de uma nova possibilidade... Estávamos errados. Os vietcongues não eram uma esperança para a humanidade. Mas nós, tal como milhões de pessoas, víamos ali uma possibilidade de futuro.

Agora, a verdadeira novidade é que a nova geração está consciente do facto de que o genocídio é a regra do mundo em que vivemos hoje. Quando olhamos para Gaza, estamos a olhar para o símbolo de um genocídio que está a acontecer em todo o lado, ao longo da fronteira entre o Norte e o Sul do mundo, de Myanmar [Birmânia] ao Sudão e ao mar Mediterrâneo, onde todos os dias migrantes são mortos pelos fascistas de Itália.

Em Futurabilidade defendia que havia outros futuros possíveis, inscritos na realidade actual, passíveis de serem desbloqueados. Não é perigoso abandonar a esperança, como está a fazer agora?
Futurabilidade tinha que ver com uma análise materialista do trabalho e da actividade social. Por isso, na última parte, escrevi que, apesar do triunfo de Donald Trump, apesar do “Brexit”, havia uma possibilidade. Uma possibilidade, não uma esperança: a possibilidade de solidariedade entre os trabalhadores cognitivos para criar um terreno comum de transformação.

Esta ideia está no movimento Occupy, de 2011, e está no movimento de 68, que foi o movimento dos trabalhadores intelectuais contra o imperialismo e o capitalismo.

A pandemia acelerou uma tendência que já estava inscrita na história da nova geração: solidão, distanciamento social, medo do corpo do outro. Esta é a transformação antropológica e psicológica que tornou a solidariedade impossível. Quando saímos da pandemia, descobrimos que a nossa solidão era definitiva. A solidão é a característica determinante da vida da geração digital.

Tenho trabalhado particularmente com jovens, estudantes, militantes, pessoas que falam comigo por razões psicanalíticas, e o que descubro é que, para eles, a solidão é o seu futuro. Não há nada que permita imaginar solidariedade no futuro. É por isso que digo que a experiência humana acabou.

Tem toda a razão quando diz que esta minha afirmação está a cancelar a possibilidade de esperança para o futuro. Mas eu respondo: a esperança agora é perigosa. O importante é estarmos conscientes do facto de que não temos possibilidade de ser humanos no futuro. Então, o que devemos fazer?
O meu último livro intitula-se Quit Everything [na versão inglesa, de 2024, de Disertate]. Desista de tudo. Abandone. Vá embora. Pare de procriar. Esta é a verdadeira política para o futuro.

No entanto, nos últimos anos, assistimos a alguns movimentos de reacção. Vimos, por exemplo, jovens a aderirem aos “sabbaths digitais”, um dia semanal com pouco ou nenhum uso de tecnologia digital. E objectos como a série Adolescência e o livro A Geração Ansiosa, de Jonathan Haidt, provocaram grandes debates. Há uma maior consciência dos efeitos da tecnologia nas vidas, incluindo dos mais jovens?
Sim, mas é tarde de mais. A questão é que nenhuma campanha cultural, nenhuma terapia psicológica pode mudar a programação básica da mente. A geração que aprendeu mais palavras com uma máquina do que com a mãe não pode ser “reeducada”, não pode ser “curada”. Não se pode ajudar um adolescente a sair da prisão digital porque é o único mundo que conhece, porque a sua mente foi formatada de acordo com esse tipo de estímulo, de acordo com esse paradigma. Não creio que haja um caminho de volta do inferno digital.

Argumenta que a tecnologia e os crescentes automatismos (da economia à política) que governam a vida contemporânea contribuem para aquilo a que chama “era da impotência”. Como podemos sair dela?
A impotência é a característica definidora da vida política mundial nas últimas décadas.

A derrota política da esquerda, dos trabalhadores, está essencialmente ligada à relação automática entre as finanças e a sociedade. Veja o que aconteceu na Grécia em 2015. Nesse livro [Futurabilidade], falo muito sobre a Grécia. 61% da população grega votou contra o memorando [de resgate] financeiro. Mas, no final, Alexis Tsipras foi obrigado a ceder porque era impossível, porque o automatismo financeiro destruiu totalmente a democracia. A democracia é uma farsa e uma coisa inexistente quando as finanças ditam as decisões políticas e económicas dos governos.

Hoje somos impotentes intelectualmente, sexualmente, politicamente. A nossa potência é a bomba atómica. A nossa potência é a concentração de tecnologia e armas.

O seu primeiro livro, publicado em 1970, intitula-se Contro il lavoro, ou seja, contra o trabalho. Acreditava então que a tecnologia seria um aliado do ser humano — permitiria, por exemplo, a libertação do trabalho. O que correu mal?
Muitas coisas correram mal. A primeira coisa errada — muito errada — é a chamada esquerda. Em vez da autonomia social, o foco dos revolucionários sempre foi o poder político. A tecnologia em si é apenas uma possibilidade, mas a esquerda interpretou completamente mal a função e o potencial da tecnologia. Desde o início do século XX, os comunistas reduziram a tecnologia a uma mera ferramenta.

Nos últimos 50 anos, os anos da transformação electrónica e depois digital, os sindicatos consideraram a tecnologia como um inimigo, em vez de pensar que era uma possibilidade.

Quando dissemos “recusa do trabalho” era uma forma de dizer: vamos aceitar a mudança tecnológica e, simultaneamente, vamos lutar pela redução do tempo de trabalho. Os sindicatos e a esquerda em geral disseram algo diferente: é preciso defender os empregos contra a tecnologia.

Até agora, a inteligência artificial não levou a uma redução dos horários de trabalho. Em 1928, o economista britânico John Maynard Keynes escreveu um pequeno ensaio, "Possibilidades económicas para os nossos netos", no qual imaginava como seria o mundo dentro de um século. Escreveu Keynes que, em 2028, os padrões de vida teriam melhorado de tal forma que seria possível trabalhar apenas três horas por dia. Está à vista: a automação não nos deu esse mundo.
Aconteceu o contrário: hoje em dia, as pessoas trabalham mais por menos dinheiro. Mantenho a ideia de que a automação poderia ser uma oportunidade para reduzir o trabalho. Ela foi transformada numa ferramenta para aumentar os lucros, aumentar o poder militar e expandir o consumo inútil.

O problema não é a automação, mas a incapacidade antropológica e cultural de redefinir os objectivos sociais, as aspirações sociais. Deveriam ser trabalhar menos e reduzir o consumismo. Mas a frugalidade nunca foi considerada pelo movimento operário.

Fala muito em depressão, aplicando o conceito clínico a toda a sociedade capitalista.
Os psiquiatras dizem que os jovens estão deprimidos. Isso é verdade do ponto de vista da sintomatologia psiquiátrica, mas acho que há algo mais a entender: os jovens estão a ver a verdade.

James Hillman, um importante psicólogo, dizia que a depressão é o ponto mais próximo da verdade, a verdade da morte e da fragilidade humana. Assim, a depressão não deve ser entendida apenas do ponto de vista patológico. É claro que reconheço que existe um enorme problema terapêutico, mas há outro nível de compreensão da depressão. A depressão é uma forma de conhecimento, de compreensão. Os jovens olham para o presente, olham para o futuro e compreendem que não há futuro humano. Não há amor, não há sexo, não há prazer, não há respeito, não há ar respirável. Então, como podem não estar deprimidos? Eu não chamo a isso depressão, chamo deserção. Deserção é a compreensão de que não há saída e de que a única coisa que podemos fazer é viver em solidariedade diante da extinção da espécie humana.

Mas algo de positivo pode surgir dessa deserção?
Espero que haja uma cultura de alegria entre os desertores. Somos obrigados a desertar. Somos obrigados a abandonar a palavra guerra, a palavra bestialidade. Esta geração tem o direito de pensar na sua vida de forma alegre. O meu presente é feliz porque sei que não devo nada à humanidade. A humanidade acabou, mas eu ainda estou vivo.

A eleição de Barack Obama, em 2008, deu-lhe ânimo. E o sucesso de Zohran Mamdani, que venceu as primárias democratas de Nova Iorque, e a popularidade de alguém como Bernie Sanders, num país onde era quase tabu falar em socialismo?
Acho que todas as tentativas de criar espaços de humanidade devem ser saudadas como algo positivo. Adoro Zoran Mamdani, mas sei que ele não tem possibilidade de sucesso.

Durante os últimos dez ou 15 anos, muitas vezes esperámos algo novo da esquerda — na Grécia, em 2015, com [Jeremy] Corbyn [ex-líder do Partido Trabalhista britânico], com Sanders. Bem, esse entusiasmo é bom, partilho desse entusiasmo, mas não sou idiota, sei que estamos derrotados para sempre! A palavra “esquerda” não significa nada. Essa é a questão.

Partilho a alegria de estarmos juntos contra o fascismo. Mas sei que devo ir além dessa alegria temporária e criar as condições para sair da agonia da espécie humana. Como filósofo, a minha tarefa não é encontrar uma estratégia, é compreender. E o que compreendo é isto: a espécie humana não sobreviverá a este século. Temos de criar as condições para a alegria e a solidariedade durante a agonia.

sábado, 10 de maio de 2025

É português uma das pessoas que mais irrita Trump - chama-se Alberto M. Carvalho



1. Chama-se Alberto Carvalho o português que mais admiro entre todos os portugueses que considero admiráveis.
Quase ninguém o conhece aqui, mas o seu nome tem dividido as águas nos Estados Unidos – de um lado, tornou-se bandeira dos que consideram Trump um símbolo do mal; do outro, tornou-se um alvo para os que juram estar com Trump até à morte.

2. Em Portugal, poucos são os que o conhecem.
Só alguns amigos da sua juventude ainda se lembram de que morava numa casa miserável sem casa de banho, luz e água potável. No Bairro Alto dos marinheiros e fadistas, da gatunagem e dos jornalistas, das prostitutas e escritores, Alberto e os seus cinco irmãos faziam o que podiam para ajudar o pai e a mãe que costurava sem parar.
Foi o único a pedir ao pai para prosseguir os estudos, não queria desistir, tinha sonhos.
E assim foi: terminou o liceu em 1982 e tornou-se o orgulho da família.

3. Tinha 17 anos, mas o liceu não lhe bastava.
Juntara dinheiro em segredo e poucas semanas após o último exame já estava na América.
Ao desembarcar em Nova Iorque, com um visto para três meses e o deslumbre da Estátua da Liberdade, atacou o seu primeiro problema. Precisava de arranjar trabalho, fazer o que fosse preciso pois nem sequer tinha dinheiro para jantar nesse primeiro dia.
Quatro horas depois de ter chegado já estava a lavar pratos. Esteve na cozinha de um restaurante de vão de escada, mas arranjou um emprego infindavelmente melhor: acartar sacas de cimento e tijolos em obras.
Entretanto o visto caducou e Alberto ainda era menor.
Passou a dormir na rua, a dormir literalmente debaixo da ponte.
Foi sem-abrigo durante dois meses. E um dia, coisas de um destino que não se cansa de nos surpreender, um professor deu-lhe uma moeda e ficou um bocadinho à conversa.

4. Alberto maravilhou-o com os seus sonhos.
O professor americano ajudou-o a legalizar-se e o miúdo português voltou a estudar. Ao fim de um ano já recebia bolsas de mérito e licenciou-se com brilhantismo em Biologia. Tornou-se professor de Física num liceu em Miami.
A sua capacidade de fazer coisas encantou toda a gente e rapidamente o convidaram para vice-diretor da escola.
Imaginou projetos, escreveu livros sobre educação e somou diplomas e honrarias – durante mais de dez anos revolucionou o ensino na Florida e enquanto superintendente, com a tutela de 400 mil alunos, tornou-se icónico.
Durante a pandemia, muito influenciado pela família Obama, aceitou o convite para liderar todas as escolas de LA, o segundo maior distrito escolar americano, com a tutela de 660 mil alunos e de largas centenas de escolas.

5. Alberto Carvalho é o português que mais admiro.
Tem 60 anos e está nas bocas da América. Já há entre os fanáticos quem o ameace de deportação.
E sabes porquê?
Porque a polícia quis entrar pelas suas escolas para prender e deportar miúdos para El Salvador.
Alberto pôs-se à frente e moveu mundos e fundos para que tal não acontecesse. Na escola ou em casa.
A escola não podia ser um lugar de medo, a escola era um lugar de esperança, futuro e proteção. Por isso, se quisessem entrar e levar as suas crianças teriam de o levar a ele.
Alberto é uma lição de coragem.
Nascido num bairro de fadistas, ladrões, poetas, má fama e jornais, é um dos mais brilhantes soldados do Bem.
E é português a língua que fala dentro de si.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Margaret Mead - O fémur curado


Anos atrás, uma estudante perguntou à antropóloga Margaret Mead o que ela considerava ser o primeiro sinal de civilização numa cultura. O aluno esperava que Mead falasse sobre anzóis, potes de barro ou pedras de amolar.
Mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga foi um fémur que foi quebrado e depois curado. Mead explicou que no reino animal, se você quebrar a perna, você morre. Você não pode fugir do perigo, ir ao rio para beber ou caçar para comer. Você é carne para feras rondantes. Nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada por tempo suficiente para que o osso cicatrize.
Um fémur partido que cicatrizou é evidência de que alguém reservou um tempo para ficar com aquele que caiu, tratou o ferimento, carregou a pessoa para um local seguro e cuidou dela durante a recuperação. Ajudar alguém em dificuldades é onde a civilização começa, disse Mead."
Damos o nosso melhor quando servimos aos outros. Seja civilizado.

Fonte: Forbes

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Miguel Guimarães e Ana Paula Martins geriram em conta pessoal fundo solidário de 1,4 milhões pejado de irregularidades. Não se sabe onde pára auditoria prometida


Miguel Guimarães (ex-bastonário da Ordem dos Médicos) e Ana Paula Martins (ex-bastonária da Ordem dos Farmacêuticos) serão, no próximo hemiciclo, colegas de bancada do PSD, mas já são ‘velhos conhecidos’, a tal ponto que geriram uma conta bancária pessoal conjunta (com Eurico Castro Alves) para gerir 1,4 milhões de euros de uma angariação de fundos em 2020 durante a pandemia, com financiamento quase em exclusivo de farmacêuticas. A gestão do dinheiro em conta pessoal – e não titulada pelas duas ordens profissionais – foi uma das muitas irregularidades e mesmo ilegalidades detectadas no decurso de uma investigação do PÁGINA UM no final de 2022. A existência de facturas falsas de quase 980 mil euros na Ordem dos Médicos foi apenas um dos problemas mais graves então encontrados. Miguel Guimarães garantiu então que estava a ser concluída uma auditoria às contas pela consultora BDO, mas mais de um ano depois, não se vislumbram conclusões. Perante a recusa da Ordem dos Médicos, uma sentença do Tribunal Administrativo exige agora que o actual bastonário, Carlos Cortes, revele o contrato da auditoria com a BDO (para confirmar se existe) e provas cabais que expliquem o alegado atraso. Há meses que o PÁGINA UM insiste em saber se a Procuradoria-Geral da República está a investigar a gestão muito particular da campanha ‘Todos por Quem Cuida’, mas nunca obteve resposta.

A gestão de um fundo de 1,4 milhões de euros de uma campanha para apoiar entidades na luta contra a pandemia da covid-19, promovida pela Ordem dos Médicos e Ordem dos Farmacêuticos a partir de 2020, estava pejada de irregularidades e mesmo ilegalidades, incluindo facturas falsas e fugas ao fisco, mas em 11 de Dezembro de 2022, em reacção às notícias do PÁGINA UM, o então bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, garantia ao Correio da Manhã que o “fundo é à prova de bala e que foi tudo contabilizado” e que “está a ser concluída uma auditoria, pedida pelas duas ordens e pela Apifarma”.

Catorze meses depois, sem ser conhecida publicamente qualquer auditoria – a Ordem dos Médicos garante agora nunca ter sido concluída –, o Tribunal Administrativo de Lisboa obrigou anteontem, por sentença (que incluiu também os pareceres do Colégio de Pediatria sobre vacinação de menores contra a covid-19), que a Ordem dos Médicos, agora liderada por Carlos Cortes, disponibilize ao PÁGINA UM “a cópia do contrato celebrado entre a Ordem dos Médicos e a BDO & Associados, SROC, Lda., ou os documentos que comprove a adjudicação da auditoria às atividades e contas da ação solidária ‘Todos por Quem Cuida’, e ainda as comunicações que existam e estejam na posse da Entidade Requerida de ‘onde seja possível compreender os motivos para a eventual não conclusão da auditoria’ expurgados os dados pessoais deles constantes”. A Ordem dos Médicos tem 10 dias para cumprir a sentença.

Na verdade, existem sérias dúvidas sobre a existência de qualquer auditoria às contas daquele fundo gerido pessoalmente por Miguel Guimarães e Ana Paula Martins (antiga bastonária da Ordem dos Farmacêuticos), ambos agora na iminência de se tornarem deputados na Assembleia da República pelo PSD. A alegada realização da auditoria serviu, numa primeira fase em 2022, para tentar convencer o Tribunal Administrativo de Lisboa, a não disponibilizar o acesso às contas e operações logísticas da campanha “Todos por Quem Cuida” então solicitada pelo PÁGINA UM. Não teve as duas ordens sucesso. Depois, com a publicação das investigações do PÁGINA UM sobre as ilegalidades e irregularidades na gestão do fundo, o anúncio da realização de uma auditoria serviu para dar uma aura de credibilidade e seriedade.

Contudo, a existir um contrato entre a Ordem dos Médicos e a BDO & Associados, este deveria obrigatoriamente constar no Portal Base. E não está. Aliás, até à data nunca houve qualquer relação contratual entre estas duas entidades. Também entre a Ordem dos Farmacêuticos e a BDO não existem, até à data, quaisquer contratos registados na plataforma de contratação pública, como é obrigatório por lei.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Portugueses vão investigar alterações climáticas na Antártica a bordo de veleiro


Uma expedição científica portuguesa vai levar, em fevereiro, 11 investigadores de três universidades portuguesas, uma espanhola e outra chilena, até à Península Antártica para estudar os efeitos das alterações climáticas nas zonas costeiras da região.

Pela primeira vez, na fronteira entre o mar e a terra, durante 15 dias, uma expedição científica portuguesa vai estar a bordo de um veleiro de 24 metros, capaz de fazer chegar os investigadores até às baías da Península Antártica de mais difícil acesso.

Durante duas semanas, o El Doblón, veleiro turístico alugado para a missão, será o novo laboratório de uma equipa de investigadores das universidades de Lisboa, Algarve e Coimbra e das universidades Autónoma de Madrid, responsáveis por dez projetos que vão desde as ciências naturais até às ciências sociais. Pretende desvendar como as alterações climáticas estão a influenciar as temperaturas e os solos das zonas costeiras daquela península no hemisfério Sul.

O “COASTANTAR 2024” é a primeira expedição portuguesa de veleiro pelas baías escondias na “pontinha da vírgula” da Antártica, zonas onde os cientistas encontrarão áreas livres de gelo e rochosas. “Assistimos agora a um novo retorno do aquecimento nesta região. A temperatura tinha subido muito desde que há registo, entre 1950 e até ao ano 2000. Depois estabilizou, desceu um pouco, e começámos a ter verões com mais neve porque houve uma mudança da posição das cinturas de vento. Mas, a partir de 2015, voltámos à tendência rápida de aquecimento, pelo que será interessante observar os seus impactos”, sublinhou, em declarações ao JN, Gonçalo Vieira, coordenador da expedição e investigador do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT) da Universidade de Lisboa, à margem da apresentação da missão, esta sexta-feira, em Lisboa.

A primeira expedição do geógrafo físico foi em 2000, mas esta será a primeira vez que irá trabalhar a bordo de um veleiro. “Neste momento, estou curioso para ver de que maneira é que a fusão do solo gelado e, essencialmente, os episódios extremos de temperatura e precipitação, que estão a ser mais frequentes, estão a ter impactos ao nível da erosão. Mas também vamos trabalhar nos fluxos de contaminantes e olhar para as encostas, tentar começar a monitorizar essas áreas, ligando com imagens satélite para ver que impactos é que está a ter na paisagem”, explicou Gonçalo Vieira.

Os investigadores, cada um responsável por um projeto diferente, irá desenvolver as suas observações e recolher amostras de contaminantes na água, neve, gelo e solo, de microrganismos na atmosfera e em espécies marinhas, fitoplâncton e microplásticos pelas zonas costeiras. A missão decorrerá durante um mês, mas o sucesso de cada dia de trabalho no terreno irá depender das condições meteorológicas e do mar. Nesta altura do ano, a equipa de cientistas irá apanhar o verão na Antártica, com tempo frio a 1ºC e a água do mar com temperaturas a rondar os zero graus, apontou o coordenador durante a apresentação.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O Programa do Chega para as Legislativas de 2019 e que foi removido do seu site


Em Novembro de 2019 fui ler o programa do Chega, o vídeo onde analisei o mesmo alcançou rapidamente em várias plataformas 1 milhão de visualizações e o programa do Chega foi retirado da página do Partido. Mas guardei-o, aqui está em pdf, fim do SNS, da escola pública, das carreiras (incluindo na polícia), e até vejam a venda de escolas aos professores. Aqui em link o programa (retirado pelo partido online em 2019) e o vídeo onde o analiso.

Raquel Varela, 6 de Dezembro de 2019
Quando tornei público no Último Apaga a Luz o programa do Chega este foi partilhado e visto por mais de 400 mil pessoas, previ de imediato que o iam tirar do site, o que aconteceu já esta semana. Fiz download antes, aqui em link têm as barbaridades onde se propõe acabar com o Estado Social, acabar com as escolas e os hospitais onde estão os filhos dos polícias e GNRs, acabar com as carreiras e os salários. Mas Ventura surpreendeu-me. É que eu já tinha visto políticos dar o dito pelo não dito, mas destas forma é inédito, trata-se do grau zero da ética e da moralidade política. Ventura fez algo inédito na história da vida portuguesa, com uma linguagem que jamais tinha sido usada pelo pior dos políticos – o Chega anunciou esta semana “uma clarificação em sentido inverso”, ou seja, ser eleito com um programa e mudá-lo totalmente um mês depois. Um pequeno Estaline que em vez de fotografias apaga as ideias com que foi eleito, ideias que fazem de Passos Coelho e do PSD, que o pariu, um menino doce. Os portugueses têm suportado políticos ignóbeis em anos de Governação, o PS governa o declínio, sem oposição infelizmente. Mas nunca vimos nada tão baixo como este troca tintas do Ventura, este senhor que hoje vive de ser deputado, do orçamento público, e ao sabor do vento muda o programa no sentido “totalmente inverso”. É bom que quem votou nele e o aplaudiu na manifestação corrija rapidamente o erro (podemos errar, mas não persistir nos erros), e deixe de pensar como se tivesse 5 anos – “dizer umas verdades” não faz de ninguém uma pessoa séria.
Em Link o Programa do Chega – uma demonstração nunca vista do mais baixo que uma sociedade pode descer.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Extração de hidrocarbonetos soma e segue


A produção média de petróleo nos EUA será de 13,2 milhões de barris por dia este ano, aumentando para 13,4 milhões de b/d em 2025, de acordo com uma previsão energética divulgada pela Administração de Informação de Energia. Os números superam os 12,9 milhões de b/d estimados em 2023 – em si um recorde, superando os níveis alcançados antes da pandemia de Covid-19. Também a Rússia parece estar a caminho de um segundo ano de perfuração recorde de petróleo e até mesmo a Galp está a perfurar petróleo no mar da Namíbia. Fontes: Financial Times, Bloomberg e OEDigital.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Long Lines Building - O mistério escondido num arranha-céu sem janelas de Nova York


Arquitectura brutalista
Projetado em 1974, pelo arquiteto John Carl Warneke, o Long Lines Building (Prédio de longas linhas, em tradução livre) fica bem no centro de Manhattan. A sua construção, contudo, não é nada usual e parece um pouco deslocada no mar de edifícios da região. Construído a partir de lajes de betão e painéis de granito, tem uma aparência cinza e funcional.

Fachadas sem aberturas não só impedem a entrada de elementos externos no edifício, mas também ajudam a manter uma temperatura constante, segundo o NYV Urbanism.

No total, o prédio conta com 170 metros de altura, divididos por 29 andares - sendo que o famoso Empire State Building mede 381 m. Só que, no caso do Long Lines, além da visível falta de janelas, cada um dos andares também conta com um pé direito altíssimo.

Ainda mais impressionante, de acordo com o site Atlas Obscura, a construção foi projetada para suportar uma quantidade absurda de peso por metro quadrado. Tudo isso com o objetivo de servir como uma grande central de telecomunicações.

Comunicação é a chave
Acontece que, desde sua criação, até hoje, o prédio na 33 Thomas Street pertence à AT&T, uma gigante da comunicação nos Estados Unidos. Quase tão resistente quanto uma fortaleza, então, o prédio servia como base para os computadores da empresa.

Os equipamentos antigos, contudo, não eram tão fáceis de transportar e de manter como os dos dias atuais. Por isso, os andares deveriam ser mais altos, devido ao tamanho das caixas de metal, e o prédio deveria ser mais resistente, pensando no peso.

Naquela época, a sede da AT&T também guardava equipamentos telefônicos de longa distância. Atualmente, além dos aparelhos, o prédio ainda serve como central de armazenamento de uma parte de dados importantes detidos pela empresa.

Planta suspeita
Projetado para guardar uma grande quantidade de informações bastante valiosas, o edifício tem uma segurança quase impenetrável. Isso sem contar as paredes resistentes, que podem resistir a uma explosão nuclear, permitindo que os sistemas continuem em pleno funcionamento por duas semanas, mesmo sem contato com uma rede fixa.

O problema é que, segundo o The Intercept, as potentes estruturas do Long Lines estão sendo usadas para um segundo propósito, que não o comercial da AT&T. Em matéria publicada em novembro de 2016, o veículo afirmou que o edifício também serve como um centro de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional).

De acordo com a denúncia, o arranha-céu teria o codinome de ‘Titanpointe’ e, entre as suas paredes sem janelas, guardaria escutas telefónicas e equipamentos utilizados para coletar dados governamentais. Por isso, inclusive, poucos teriam acesso ao seu interior.

O edifício também conta, segundo a reportagem, com três subsolos, abastecidos com comida o suficiente para que 1,5 mil pessoas se alimentem por duas semanas em caso de catástrofe. 
Segundo o The Sun é uma das construções mais seguras dos Estados Unidos, capaz, inclusive de resistir a uma explosão nuclear!

domingo, 26 de novembro de 2023

O impacto da Black Friday não acaba hoje: 50% das compras são devolvidas



Você recebeu dezenas, talvez centenas, de mensagens com ofertas apelativas com prazo de validade para hoje ou amanhã através de suas redes sociais ou e-mail nos últimos dias? A Black Friday – que não é mais um dia, mas uma semana inteira – é uma das épocas do ano em que há mais consumo. Assim, segundo a OCU, oito em cada dez utilizadores da organização comprarão durante a Black Friday , gastando em média 237€.

E sua marca é conhecida. Assim, os descontos populares incentivam o hiperconsumismo e a superprodução, e a procura aumenta entre 30% e 40% nestes dias de ofertas generalizadas. “ O principal problema é a superprodução . Estamos produzindo acima das possibilidades de consumo, destruindo também o planeta, contaminando ecossistemas e águas e gerando emissões , mas ninguém está colocando limites para as empresas produzirem”, afirma Celia Ojeda , chefe da área de biodiversidade do Greenpeace.

Mas durante estas datas não só compramos mais, como também devolvemos mais produtos. Assim, de acordo com o estudo ‘Sustentabilidade no comércio eletrónico atual. O impacto da nossa decisão de compra' , publicado pela EAE Business School, as devoluções durante o período da Black Friday chegam a 50% dos produtos adquiridos, enquanto o número médio de devoluções do comércio online ao longo do ano é de 25%.%, 30% para roupas. Uma prática que tem aumentado nos últimos anos devido à generalização das devoluções gratuitas. Porém, no caso das lojas físicas, as devoluções caem para 6%.

May López , autora do relatório e diretora de Desenvolvimento de Negócios para Mobilidade Sustentável, aponta as táticas de neuromarketing utilizadas no comércio online como uma das principais razões para este aumento nos retornos. “Essas práticas estão fazendo com que as pessoas comprem compulsivamente produtos que não precisam e é justamente por isso que começam a devolver cada vez mais produtos”, afirma. As práticas de neuromarketing incluem o uso de dados para adaptar a publicidade aos nossos padrões de consumo e mostrar-nos esses anúncios “quando estamos mais vulneráveis”, explica López.

Porque embora a Black Friday também tenha ido para as ruas e muitas lojas físicas ofereçam descontos, é uma data em que imperam as compras online , cujo impacto é muito maior . “Mandar 60 camisetas numa caixa não é a mesma coisa que enviar 60 camisetas em 60 caixas individuais com os seus 60 envelopes e embalagens para aquele endereço particular onde a pessoa pode não estar em casa, onde você tem que ir uma e duas vezes entregar e onde também queremos de um dia para outro”, diz López.

Esta tendência reforçou-se especialmente desde o confinamento, quando até os mais reticentes começaram a comprar online. “Como estávamos todos em casa, quem não tinha comprado nada online começou a fazê-lo. E não só cada vez mais pessoas começam a comprar, como também começamos a comprar cada vez mais tipos de produtos”, afirma May López, que também coordena o Comitê Técnico sobre o Impacto do Comércio Eletrônico do Congresso Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Um dos principais impactos dos pedidos online é o aumento da movimentação de veículos de entrega , o que não só aumenta as emissões, mas também colapsa cidades . Assim, as empresas de entrega têm taxas de falha entre 10% e 15% na primeira tentativa de entrega em domicílio particular, diz o relatório da EAE. Somente endereços errados geram até 70% de falhas nas entregas.

Alguns produtos devolvidos são destruídos
As devoluções, cuja logística é ainda mais ineficiente, aumentam esta tendência, lembra Celia Ojeda. “Com as devoluções, a eficiência da organização logística diminui. Muitas vezes o problema não são tanto as emissões, porque muitas empresas agora possuem veículos sustentáveis, como o congestionamento dentro da cidade e a ocupação de veículos em um local que poderia ser para pessoas”, afirma Ojeda.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

ONU vota para criar convenção fiscal global “histórica”, apesar da UE e do Reino Unido se moverem para “matar” a proposta

UN Tax Convention 

A Assembleia Geral da ONU votou esmagadoramente a favor da organização desenvolver um quadro fiscal global, apesar das tentativas de última hora de descarrilar o plano por parte dos países ricos, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos e todo o bloco da União Europeia.

Naquilo que os defensores saudaram como uma “vitória histórica”, os países votaram 125 a 48 para adoptar uma resolução apresentada pela Nigéria no mês passado em nome dos Estados-membros africanos, apelando a uma convenção fiscal da ONU que poderia mudar drasticamente a forma como as regras fiscais globais são definidas.

Nove países se abstiveram na votação, realizada em Nova York em 22 de novembro.

O passo sem precedentes é o mais recente desenvolvimento num debate acalorado sobre se as Nações Unidas podem proporcionar uma melhor representação em questões fiscais internacionais para os países em desenvolvimento do que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e mais resiliente.— Representante da ONU, Tijjani Muhammad-Bande

Antes da votação, o representante permanente da Nigéria na ONU, Tijjani Muhammad-Bande, descreveu a resolução como um “farol de esperança”.

“À medida que navegamos num mundo marcado por desafios sem precedentes, incertezas económicas, [o fim] da pandemia da COVID-19 e da actual crise climática, o papel da cooperação internacional eficaz e inclusiva torna-se mais crucial do que nunca”, disse Muhammad-Bande. .

“Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e resiliente.”

Durante décadas, a OCDE – um grupo de 38 países maioritariamente de rendimento elevado que inclui o Reino Unido e os EUA – dominou a política fiscal internacional. Mas, nos últimos anos, cresceram as críticas sobre o poder descomunal exercido pelos países ricos nas suas tomadas de decisões a portas fechadas, inclusive nos níveis mais altos da ONU.

No início deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou num relatório que reforçar o papel da ONU na definição da política era “o caminho mais viável para tornar a cooperação fiscal internacional totalmente inclusiva e mais eficaz”. Essa linguagem foi refletida na resolução recém-adotada.

Desde que a resolução foi apresentada em Outubro, as negociações sobre o documento político agravaram as tensões entre os Estados-membros da ONU. Um negociador de um país em desenvolvimento acusou diplomatas da UE e do Reino Unido de ignorarem as recomendações de Guterres e de tentarem bloquear a resolução.

“Eles estão descartando aquele relatório e pretendem afastar todo o processo e simplesmente matá-lo. Eles não querem trazer questões fiscais aqui [para a ONU]”, disse a pessoa ao Financial Times anonimamente.

Numa alteração de última hora à resolução, o Reino Unido propôs remover qualquer menção a uma “convenção” e, em vez disso, apoiou outra opção mais fraca delineada no relatório de Guterres.

“Se quisermos proporcionar um sistema fiscal melhorado através da comunidade da ONU, deve haver a adesão mais ampla possível desde o início”, disse o representante do Reino Unido.

A alteração foi derrotada por quase dois a um, com 107 países a votarem pela rejeição do que os defensores da transparência descreveram como um esforço para “desfigurar” a resolução.

“Os paraísos fiscais e os lobistas empresariais tiveram demasiada influência na política fiscal global da OCDE durante demasiado tempo”, disse Alex Cobham, executivo-chefe do grupo de defesa Tax Justice Network, num comunicado após a votação.

“Hoje, começamos a retomar o poder sobre as regras fiscais globais que nos afetam a todos.”

No próximo ano, todos os Estados-membros da ONU serão convidados a participar no processo de negociação intergovernamental, independentemente do seu voto.

'Uma mudança verdadeiramente histórica'
O relatório do secretário-geral foi determinado por uma resolução separada adoptada no final do ano passado , que apelava à ONU para intensificar os seus esforços para combater a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos. No relatório, Guterres reconheceu os esforços da OCDE para envolver não-membros, mas disse que “muitos desses países consideram que existem barreiras significativas a um envolvimento significativo na definição da agenda e na tomada de decisões”.

Em resposta, Manal Corwin, diretor do Centro de Política e Administração Fiscal da OCDE, disse ao ICIJ que a organização estava orgulhosa do seu “histórico comprovado, permitindo mudanças significativas no cenário fiscal internacional que beneficiaram os países desenvolvidos e em desenvolvimento”.

A OCDE conta entre as suas conquistas o acordo fiscal global de 2021 entre mais de 130 países, que incluiu uma taxa mínima de imposto sobre as sociedades de 15% para empresas multinacionais. Na altura, foi saudado pelos negociadores como um passo histórico no sentido de reduzir a evasão fiscal das empresas, mas a sua implementação tem sido marcada por atrasos .

Em Setembro , um grupo de ministros das finanças da UE alertou que uma convenção fiscal da ONU correria o risco de duplicar os esforços liderados pela OCDE. Essa posição contradiz o apoio do Parlamento Europeu a uma convenção fiscal da ONU no seu relatório sobre “lições aprendidas com os Pandora Papers” em resposta à investigação do ICIJ sobre paraísos fiscais de 2021 .

Outras investigações do ICIJ, como a Paradise Papers e Lux Leaks , destacaram a escala impressionante da evasão fiscal corporativa por parte de algumas das maiores empresas do mundo. Os Paradise Papers expuseram manobras fiscais por parte de mais de 100 empresas, incluindo a Nike e a Apple, a última das quais transferiu lucros em todo o mundo para acumular 252 mil milhões de dólares no exterior.

No seu relatório sobre o Estado da Justiça Fiscal de 2023 , a Rede de Justiça Fiscal alertou que os países poderão perder quase 5 biliões de dólares em receitas fiscais durante a próxima década, à medida que as multinacionais e os indivíduos ricos continuarem a utilizar os paraísos fiscais para reduzir as suas contas fiscais. O relatório identificou quatro países entre as jurisdições que permitem a perda de dinheiro público: Reino Unido, Países Baixos, Luxemburgo e Suíça. Todos os quatro também são membros da OCDE.

Num comunicado, Tove Maria Ryding, coordenadora fiscal da Rede Europeia sobre Dívida e Desenvolvimento, disse que a adoção da nova resolução fiscal da ONU marcou “uma mudança verdadeiramente histórica” e criticou o “grupo minoritário de países principalmente da OCDE” que votou contra ela .

“Isto inclui os países da UE, que afirmam estar comprometidos com a cooperação fiscal internacional, mas provaram hoje exactamente o oposto ao votarem contra a resolução do Grupo África”, disse Ryding. “Ao fazerem isso, não estão apenas a minar um sistema fiscal global justo e eficaz, mas também a agir contra os interesses dos seus próprios cidadãos, que pagam um preço elevado quando indivíduos ricos e grandes empresas utilizam lacunas internacionais para se esquivar aos impostos.”

Próximo passo: Mais negociações
A nova resolução apela à criação de um comité intergovernamental ad hoc composto por não mais de 20 Estados-membros, eleitos tendo em mente o equilíbrio regional e de género, que terá a tarefa de estabelecer os termos de referência para “uma convenção-quadro das Nações Unidas sobre impostos internacionais. cooperação” até agosto de 2024.

O seu trabalho deve ter em conta “as necessidades, prioridades e capacidades de todos os países, em particular dos países em desenvolvimento”, de acordo com a resolução.

A resolução também insta a comissão a adoptar uma abordagem “holística” para definir os termos de referência, considerando “as interacções com outras áreas importantes da política económica, social e ambiental”, ao mesmo tempo que se concentra em prioridades específicas “tais como medidas contra crimes ilícitos relacionados com impostos”. fluxos financeiros.”

Numa conferência de imprensa após a votação, Ryding explicou que as negociações sobre a convenção fiscal só podem começar quando os termos de referência forem acordados, o que pode levar até um ano.

“[Se] os países da OCDE mostrarem a mesma atitude que mostraram hoje, levará uma eternidade para conseguir um acordo verdadeiramente global, e é por isso que queremos realmente sublinhar a importância de que todos esses países demonstrem um verdadeiro espírito de não apenas cooperação. , mas também urgência”, disse Ryding.

“Todos os países estão a perder grandes somas de dinheiro devido à evasão fiscal internacional, por isso não temos realmente tempo a perder.”

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