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domingo, 1 de junho de 2025

Elon Musk responde a acusações de consumo de drogas durante as eleições nos EUA


Elon Musk, o empreendedor bilionário conhecido pelos seus empreendimentos como a Tesla e a SpaceX, concluiu recentemente o seu mandato como chefe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) durante a administração do presidente Donald Trump.

Embora o seu mandato tenha sido marcado por ambiciosas iniciativas de redução de custos, também gerou controvérsias significativas, especialmente em relação a alegações de consumo de drogas e comportamento errático. Este artigo analisa os aspetos multifacetados do envolvimento de Musk no governo, examinando as conquistas, as controvérsias e as implicações mais amplas das suas ações.

A Génese do DOGE e a Nomeação de Musk
Numa atitude pouco convencional, o Presidente Trump nomeou Elon Musk para liderar o recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), com o objectivo de optimizar as operações federais e reduzir as despesas desnecessárias. A reputação de Musk como inovador e disruptor no setor privado tornou-o uma escolha atraente para o cargo. Ao longo de 130 dias, Musk afirmou que o DOGE atingiu os 160 mil milhões de dólares em cortes de despesas, com projeções de mais de 200 mil milhões de dólares. No entanto, analistas independentes questionaram a precisão destes números, sugerindo que podem estar inflacionados.

A Polémica Despedida e a Aparição Pública
A 30 de maio de 2025, Musk apareceu ao lado do Presidente Trump no Salão Oval para anunciar a sua saída do DOGE. Notavelmente, Musk exibia um hematoma visível perto do olho, que atribuiu a uma brincadeira de mau gosto com o seu filho, X Æ A-12. Apesar da explicação despreocupada, a aparição gerou especulações generalizadas, especialmente à luz das recentes alegações sobre o consumo de drogas por parte de Musk.

Alegações de Consumo de Drogas: Uma Análise Mais Detalhada
Uma notícia do The New York Times afirmava que Musk estava a consumir substâncias como a cetamina — que alegadamente afetaram a sua bexiga —, bem como Adderall, ecstasy e cogumelos psicadélicos. Fontes afirmaram que Musk viajava com uma caixa de medicamentos diária contendo aproximadamente 20 comprimidos, incluindo os marcados como Adderall. Musk admitiu anteriormente o uso de cetamina por motivos de saúde mental, afirmando que tomava "uma pequena quantidade a cada duas semanas" para controlar o humor negativo.

Resposta de Musk e Percepção Pública
Durante a conferência de imprensa, Musk rejeitou as alegações sem mais explicações, criticando o The New York Times por sensacionalismo e traçando paralelos com as reportagens anteriores da publicação sobre o Russiagate. Enfatizou a sua constante presença pública, afirmando: "Sou fotografado constantemente", dando a entender que qualquer comportamento ilícito teria sido documentado. Apesar das suas refutações, as alegações levantaram preocupações sobre a sua conduta durante o seu mandato como conselheiro da administração Trump.

O Impacto nos Empreendimentos Comerciais de Musk
O alegado consumo de drogas por Musk não só atraiu escrutínio político, como também levantou questões sobre o seu impacto nos seus empreendimentos comerciais. Como CEO da Tesla e da SpaceX, empresas com contratos governamentais significativos, qualquer má conduta pode ter implicações graves. Embora Musk tenha afirmado submeter-se a testes regulares de drogas na SpaceX, os relatos sugerem que pode ter sido notificado com antecedência sobre estes testes, lançando dúvidas sobre a sua eficácia.

O Contexto Político Mais Amplo
A gestão de Musk no DOGE coincidiu com acontecimentos políticos significativos, incluindo o anúncio do Presidente Trump de duplicar as tarifas sobre o aço e o alumínio importados de 25% para 50%. Além disso, o governo criou um novo "Gabinete de Remigração" com o objectivo de repatriar os imigrantes indocumentados. Estas medidas, somadas à presença controversa de Musk, contribuíram para um cenário político complexo.

Reações Públicas e Políticas
As reações à saída de Musk foram mistas. O Presidente Trump elogiou as contribuições de Musk, considerando-o um inovador histórico e prometendo manter as reformas do DOGE. No entanto, democratas como o senador Cory Booker denunciaram a gestão de Musk como prejudicial e irresponsável. O evento misturou mensagens políticas com camaradagem pessoal, com Trump a presentear Musk com uma chave de ouro simbólica e a promover a redecoração do Salão Oval.

O Futuro da DOGE e o Papel de Musk
Apesar da sua demissão, Musk manifestou um apoio contínuo à DOGE, descrevendo-a como um "estilo de vida" e prometendo uma influência contínua. Enfatizou a disciplina fiscal e considerou a colonização de Marte apenas um pouco mais difícil do que reformar as finanças públicas. Musk anunciou planos para continuar a aconselhar Trump e o Serviço DOGE dos EUA, mesmo depois de deixar formalmente o governo, para se concentrar mais nas suas empresas.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Quais são as opções de enterros sustentáveis?


Os enterros sustentáveis foram criados com o objetivo de criar uma alternativa mais eco-friendly para os enterros convencionais. Existem diversos métodos que prometem serviços funerários menos agressivos ao meio ambiente, mas que nem sempre são considerados enterros, uma vez que não há um enterro de fato. Entretanto, ainda são chamados de enterros sustentáveis pelo que representam — serviços funerários com o propósito de dar uma finalidade ao corpo de um ente querido. 

Enterros tradicionais exercem muito do meio ambiente, juntando diversos tipos de problemas ambientais em um só. Seja pelo espaço das áreas para construção de cemitérios, o concreto utilizado em túmulos ou químicos usados no embalsamento dos corpos, as práticas utilizadas nos serviços funerários podem ser muito agressivas. 

Um relatório publicado em 2008 pela Adelaide’s Centennial Park indica que o enterro comum gera por volta de 39 kg de CO2. A maioria das emissões vem da manutenção dos túmulos e do cemitério. 

O concreto usado nos túmulos é considerado um dos materiais mais destrutivos do planeta. Já os químicos utilizados no embalsamento dos corpos também podem ser absorvidos pelo solo e causar danos ao local, impulsionando a poluição do solo e a possível contaminação de lençóis freáticos em áreas circundantes.

Além disso, caixões e lápides ocupam espaço e levam até 20 anos para se decompor — é possível que os donos de cemitérios fiquem sem lugar para enterrar novos corpos. Reformas para a reorganização de túmulos podem ser constantes. Isso, infelizmente, pode resultar na abundância de áreas desmatadas e em um impacto ambiental maior ainda.

Concreto
Concreto: o que é, tipos e impactos ambientais
Desse modo, cada vez mais novos métodos são desenvolvidos para diminuir o impacto ambiental dos enterros. Conheça alguns tipos de enterros sustentáveis e outros serviços funerários. 

Cremação
Embora não seja inteiramente sustentável, a cremação é uma opção mais viável que o enterro tradicional. É estimado que apenas um processo de cremação seja responsável pela produção de mais de 100 kg de dióxido de carbono, que comparado aos 39 kg derivados do enterro convencional parece ser grande. Entretanto, ao avaliar os efeitos em longo prazo, é possível dizer que a cremação é mais sustentável, uma vez que o enterro convencional possui 10% mais impactos negativos no meio ambiente.

Outro ponto positivo da cremação é a sua disponibilidade. Além do enterro convencional, a cremação é uma opção popular para serviços funerários e altamente disponível no Brasil. 

Ressomação
Ressomação é o processo de reduzir um corpo usando a hidrólise alcalina. Ela geralmente envolve água e algum tipo de alcalino e promete ser a forma funerária mais sustentável que existe. 

Em vez de ser desperdiçada, a água da ressomação possui nutrientes que podem virar fertilizantes. Acredita-se que tudo nesse processo pode ser reciclado e que a técnica emite seis vezes menos carbono que outras cerimônias e sete vezes menos energia que o enterro. 

Embora seja uma alternativa para a população sustentável, a ressomação ainda não é feita no Brasil. 

Compostagem humana
A compostagem humana é um método que surgiu em 2019 nos Estados Unidos e promete transformar cadáveres em solo. É um método eco-friendly e não conta com o embalsamento dos corpos para que a decomposição ocorra naturalmente. O corpo é reduzido com materiais orgânicos, como palha ou lascas de madeira, por algumas semanas até que consiga virar solo.  

Caixão de cogumelo
Bob Hendrikx, um inventor holandês criou um novo tipo de caixão a partir de cogumelos. Inspirado pela falta de alternativas sustentáveis de serviços pós-morte, Hendrikx investiu na criação de um caixão feito de micélio.

O caixão de Hendrikx leva apenas seis semanas para se decompor. Uma de suas preocupações diante dos serviços funerais comuns é de como eles transformam um processo natural em um industrial. De acordo com ele, sem os químicos usados no embalsamento, o corpo vira composto naturalmente, então por que não usar os cogumelos? Esses organismos são, muitas vezes, chamados de “os maiores recicladores”, então conseguem auxiliar na decomposição da matéria orgânica. 

Adicionalmente, o cogumelo é capaz de neutralizar substâncias tóxicas e fornecer nutrição para as plantas que crescem ao seu redor.

Bola de recife
Enterro em bolas de recife é um método desenvolvido pela empresa Eternal Reefs em conjunto com a Reef Ball Foundation e Reef Innovations. A técnica consiste na mistura de concreto com cinzas humanas para a formação de bolas perfuradas que são instaladas em ecossistemas marinhos para a restauração de corais. O método promete a reconstrução de ambientes aquáticos degradados, a partir da criação de novos recifes que podem abrigar diversas espécies marinhas. 

Por outro lado, esse processo contribui um pouco para as emissões de carbono. As bolas de corais são feitas a partir de uma mistura de cinzas resultantes da cremação e cimento — que é responsável por 4-8% de todas as emissões de CO2 do mundo. 

Enterro no céu
O enterro no céu é um método usado, principalmente, no Tibete e foi criado por budistas. Entre as opções de enterro sustentável, essa talvez seja a mais brutal entre elas. 

Esse tipo de serviço envolve o transporte do corpo para os cemitérios onde os abutres locais vêm se alimentar. O processo permite que os restos mortais sejam reaproveitados de volta à cadeia alimentar e, em algumas culturas, é conhecido por impulsionar o karma bom. 

Quintas de corpos
As quintas de corpos foram criadas com base nos trabalhos do antropólogo William Bass. Durante a década de 70, o especialista queria estudar como os corpos se decompõem naturalmente. 

Ele fez isso usando cadáveres, que foram colocados numa “quinta” numa ampla variedade de cenários de decomposição.

Atualmente, o serviço é oferecido no Rancho Freeman na Texas State University, onde estudantes, cientistas e aspirantes a detetives usam cadáveres para estudar ciência criminal, micróbios e tanatologia, o estudo da morte.

Enterro verde 
Entre as alternativas, o enterro verde é o que mais pode ser considerado um enterro sustentável, uma vez que é feito abaixo da terra. Em vez de ser um método a parte, ele é similar ao enterro convencional, mas com algumas práticas menos agressivas que podem efetivamente diminuir os impactos ambientais do serviço funerário. 

A maioria dos enterros feitos antes do século XIX eram feitos desse modo e permanecem sendo feitos por algumas religiões, como o judaísmo e o islamismo.

Algumas práticas do enterro verde incluem: 
  1. Não embalsamar o corpo;
  2. Cova rasa; 
  3. Caixões biodegradáveis, como o de papelão e caixões de madeira; 
  4. Enterro sem túmulos de concreto. 
  5. O embalsamento, por exemplo, não é necessário e é considerado como um procedimento cosmético para a conservação do corpo. Entretanto, alguns cemitérios podem não aceitar esse método de enterro, o que pode ser um obstáculo.
Conclusão 
Muitos dos enterros sustentáveis ainda são métodos recentes, sem muitas práticas disponíveis no Brasil. O enterro verde, por exemplo, é um dos métodos mais fáceis, mas depende dos cemitérios. Para se certificar de que serviço pode ser realizado, pesquise as opções de cemitérios da sua região e pergunte sobre a disponibilidade da prática. 

Até então, a cremação é um dos métodos mais viáveis de serviço funerário.

Fontes: CNN, Funerals.org, The New York Times, Eirene Blog, The Guardian (1 e 2), Green Matters e National Geographic (1 e 2), Guia Funerária

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Associações da serra da Estrela dedicam este mês à floresta autóctone


Várias associações e movimentos cívicos da serra da Estrela realizam este mês um conjunto de ações de preservação e recuperação da floresta autóctone alertando para a importância dos diversos ecossistemas.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o Movimento Estrela Viva, com sede em Seia, no distrito da Guarda, precisa que pouco mais de um ano depois do incêndio que devastou 25% da área do Parque Natural da Serra da Estrela, várias associações e movimentos cívicos “juntam-se este mês para celebrar a floresta autóctone” e desenvolver ações que “alertam para a importância da preservação desses ecossistemas diversos e resilientes”.

Os promotores das várias iniciativas querem fazer de novembro “um mês repleto de momentos de aprendizagem e de ação concreta no território para preservar florestas que dão vida à flora, fauna e às comunidades que com elas convivem”.
Para além das atividades de reflorestação, as associações realizam ações que podem contribuir para a recuperação e preservação de ecossistemas florestais.

O objetivo é “demonstrar a diversidade, realçar o papel das comunidades locais na preservação desses ecossistemas e convidar, a quem vem de fora da Serra da Estrela, para se juntar a estas comunidades de guardiões e guardiãs do território”.

Estão envolvidas nestas ações a ASE (Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela), o CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens)/Associação ALDEIA, o MEV (Movimento Estrela Viva), a Cooperativa Integral Geradora, a Associação Guardiões da Serra da Estrela e a Associação Veredas da Estrela.

O combate às plantas exóticas invasoras serve de mote a uma ação do Movimento Estrela Viva já este sábado na Portela do Arão, no concelho de Seia.

A planta em destaque é a háquea-picante (Hakea sericea) que “após vários incêndios, começou a modificar os habitats naturais daquela zona, ameaçando a sobrevivência de espécies autóctones”.

No mesmo dia a Associação Veredas da Estrela desafia voluntários a apoiar o início dos trabalhos de recuperação pós-incêndio no Soito do Futuro, um bosque de castanheiros afetado por dois incêndios que foi recentemente adquirido pela associação.

O objetivo é transformar a área num soito que alie a conservação a uma utilização sustentável por parte da comunidade, criando um espaço de partilha, convívio e aprendizagem.

O CERVAS/Associação ALDEIA faz o convite para uma visita à exposição Cogumelos Incríveis que se encontra patente na Casa da Torre em Gouveia durante este mês e lança o desafio para uma saída de campo e um workshop a realizar no dia 19 de novembro sobre o mesmo tema.

Os Guardiões da Serra da Estrela dão continuidade ao programa Renascer de Dentro para Fora com ações de estabilização de solos e plantações de variedades autóctones nas zonas afetadas pelos incêndios e Associação Cultural Amigos Serra da Estrela realiza ações de reflorestação em Lapas das Cachopas, na Covilhã.

O calendário de ações este mês termina no dia 25 com uma ação de reflorestação com espécies autóctones na aldeia de Prados, concelho de Celorico da Beira, organizada pela A Geradora Cooperativa Integral.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O potencial inexplorado do cogumelo comedor de plástico da Amazónia


Muito antes de haver árvores, a Terra foi invadida por cogumelos gigantes. Os fungos apareceram pela primeira vez há mais de um bilhão de anos como dedos de fungos de três metros de altura que dominavam a paisagem, enquanto as plantas existem há meros 700 milhões de anos, estreando como arbustos desalinhados. Cerca de um bilião de anos depois, o humilde cogumelo é um campeão improvável na guerra contra o lixo plástico, graças à descoberta de um cogumelo comedor de plástico.

O maravilhoso cogumelo comedor de plástico

Nos 100 anos desde que foi inventado, o plástico deixou de ser um material maravilhoso para economizar tempo e se tornou um flagelo moderno, entupindo nossos aterros sanitários, matando a vida marinha e girando em torno de nossos oceanos em enormes giros de lixo do tamanho de países. Quando os alunos da Universidade de Yale encontraram Pestalotiopsis, nas florestas tropicais do Equador em 2011 , eles descobriram o primeiro fungo que não só tem um apetite voraz por plástico, mas também pode prosperar em ambientes com falta de oxigênio, como aterros sanitários. Eles têm um gosto bom também. A designer austríaca Katharina Unger se uniu a cientistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, para desenvolver o Fungi Mutarium , que usa vagens de gelatina de ágar que nutrem o fungo com açúcares e amido até que o plástico tratado com UV seja colocado no meio. Leva alguns meses para o fungo digerir completamente o plástico, deixando uma xícara inchada, semelhante a um cogumelo, com sabor doce e cheiro de alcaçuz . Os cientistas prevêem que as famílias possuam uma versão em menor escala para reciclar seus resíduos plásticos e centros comunitários de reciclagem com sistemas maiores.

O sistema radicular dos cogumelos, micélio, é intrincado e pode se estender por quilômetros. A maior coisa viva na Terra é a rede micelial de um fungo de cogumelo de mel em Oregon, nos EUA, que cobre 8,8 quilômetros quadrados apenas alguns centímetros abaixo do solo da floresta e tem cerca de 2.400 anos de idade. Todo outono, o ' Humonous fungus ' aparece centenas de cachos de belos cogumelos amarelo-mel do chão da floresta. Mais de 90% das plantas estão entrelaçadas com redes miceliais que estão intimamente entrelaçadas em todo o seu ciclo de vida. Os fungos simbióticos podem até ligar as plantas em uma rede intrincada conhecida como “teia da madeira”, que compartilha água e nutrientes. As plantas, por sua vez, "alimentam" os fungos com carboidratos.

Usando cogumelo como uma alternativa de plástico

No grande sucesso de 1967 The Graduate , o graduado da faculdade de Dustin Hoffman, Benjamin, de 21 anos, é encurralado em sua festa de formatura por um amigo bem-intencionado de seus pais, que oferece conselhos sobre uma futura carreira com apenas uma palavra: plásticos. Ironicamente, hoje em dia, essa palavra poderia muito bem ser cogumelos. Em março de 2021, a estilista britânica Stella McCartney estreou um top corpete preto de 'couro' e calças feitas com micélio . Mas McCartney não é o único estilista que faz roupas com fibra de cogumelo. Grandes marcas como Adidas, Lululemon e Hermés anunciaram que lançarão linhas de roupas feitas de micélio, uma alternativa de couro mais saborosa do que a infame 'pele' derivada do plástico.

Cogumelos também estão sendo cultivados como materiais de construção alternativos em Seattle. A dupla Eben Bayer e Gavin McIntyre está transformando o material de cogumelos em um produto popular multiuso. Depois de se formar em engenharia mecânica e design de produtos em 2007, a dupla criou um novo processo para ligar partículas usando cogumelos. Naquele ano, eles fundaram uma empresa chamada Evocative Design, e logo depois os jovens de 26 anos lançaram chinelos que são 100% biodegradáveis. Eles seguiram com o Greensulate, uma placa orgânica resistente ao fogo feita de água, farinha, esporos de cogumelo ostra e um mineral chamado Perlita. A Bayer e a McIntyre dizem que o produto será tão bom quanto a maioria das marcas de isolamento porque é tão resistente ao fogo quanto o isolamento de fibra de vidro comercial. A empresa chama seu processo de crescimento de 'biologia programável'. Em uma semana a 10 dias, são cultivados quilômetros de fibra de cogumelo fina e superaderente que pode ser moldada em praticamente qualquer formato. “Os produtos literalmente crescem sozinhos. No escuro. Com pouco ou nenhum contato humano”, diz McIntyre. A Evocative Design até deu uma nova virada nos substitutos da carne, cultivando placas de micélio, que podem ser cortadas em bacon.

Os potenciais inexplorados dos cogumelos
Cogumelos podem até mesmo substituir herbicidas desagradáveis. O botânico irlandês Brian Murphy descobriu em 2015 que o cultivo de fungos pouco conhecidos chamados endófitos dentro das plantas ajuda a defendê-los contra doenças, mas não danifica as plantas. Em vez de comprar sementes revestidas com um inseticida contendo neonicotinóides, que dizima as colónias de abelhas, os agricultores comprariam sementes contendo esporos de endófitos, que entrariam na plantação e aumentariam a tolerância à seca, insetos e patógenos, uma técnica chamada 'bio- priming '. A descoberta é uma benção para os agricultores que lutam contra patógenos resistentes a herbicidas. Os endófitos também ajudam as plantas a crescer em condições inóspitas, onde poucos organismos podem sobreviver. Os endófitos foram testados nas areias betuminosas de Athabasca, na Antártica e a 21.000 pés no Monte Everest.

O empresário original dos cogumelos, Paul Stamets, é um especialista improvável. Começou sua carreira na floresta como madeireiro, não como cientista. Em seu livro inovador Mycelium Running , Stamets escreve liricamente sobre sua paixão, descrevendo o micélio como “a rede neurológica da natureza”, uma “membrana senciente” que tem “em mente a saúde a longo prazo do ambiente hospedeiro”. Em 1980, fundou uma empresa chamada Fungi Perfecti que vende produtos de cogumelos e desenvolve aplicações de cogumelos para remediação ambiental. Em 1997, Stamets teve um palpite de que os cogumelos poderiam absorver o óleo, então ele se uniu a pesquisadores do estado de Washington para conduzir experimentos usando cogumelos para decompor o solo contaminado com diesel. Eles descobriram que, após dois meses, os cogumelos haviam removido 97% de uma substância química pesada que outros métodos falharam consistentemente em quebrar. Após o acidente de Chernobyl em 1986, os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir algumas espécies de fungos que prosperam em partículas radioativas. “É prejudicial para os tecidos vegetais e animais, mas esses fungos de alguma forma o capturam [urânio] como as plantas capturam a luz do sol e a usam para alimentar seu metabolismo”, escreveu Jim Wells em Sound Consumer. Quando o derramamento de óleo da Deepwater Horizon cobriu o Golfo do México,micobooms 'feitos de cânhamo, uma fibra natural resistente à podridão em ambientes marinhos. As barreiras foram preenchidas com palha e micélio para absorver e digerir o óleo na superfície do oceano.

Cogumelo comedor de plástico e o dilema de desenvolvimento do Equador

De volta ao Equador, o cogumelo comedor de plástico define o dilema do desenvolvimento daquele país. Presos entre a Scylla da destruição da floresta tropical para a riqueza do petróleo e os Charybdis de gerações intermináveis ​​de pobreza esmagadora para preservar a floresta tropical de graça, os líderes do Equador só foram capazes de olhar impotentes para as ricas corporações ocidentais, especialmente farmacêuticas, fazendo bilhões com produtos derivados da Amazónia. Em 2007, o então presidente Rafael Correa tentou monetizar a preservação da Amazônia com um plano único e ambicioso para persuadir os países ricos a pagar ao Equador por uma moratória na exploração de petróleo no remoto Parque Nacional Yasuní, que foi declarado reserva mundial da biosfera pela ONU em 1989. Correa buscou US$ 3,6 bilhões em contribuições, metade dos estimados US$ 7,2 bilhões em reservas comprovadas do parque. Mas ele suspendeu a moratória em 2013, depois que o Equador levantou apenas US$ 13 milhões.

A atração da riqueza do petróleo no Equador dividiu duas irmãs que eram inseparáveis ​​quando crianças na remota comunidade de Sana Isla no rio Napo, no Equador. Três gerações atrás, a tribo Kishwa de Sana Isla ainda usava zarabatanas e só recentemente fez contato com o mundo exterior. A pequena comunidade está em um dos lugares mais biodiversos da Terra. Os cientistas dizem que um único hectare nesta parte da Amazônia, na interseção dos Andes, Equador e bacia amazônica, contém uma variedade de vida maior do que em toda a América do Norte, incluindo o cogumelo comedor de plástico Pestalotiopsis microspor. Mas por baixo de toda essa vida está perto de um bilião de barris de petróleo. Quando a maior empresa petrolífera do Equador, Petroamazonas, fez uma oferta em 2011 para iniciar pesquisas sísmicas em sua terra natal,os petrodólares são vitais para o futuro da comunidade . A empresa finalmente recuou diante de uma forte oposição.

A gigante petrolífera americana Texaco chegou ao Equador em 1964. Quando partiu, quase 30 anos depois de ser comprada pela Chevron, extraiu 1,5 biliões de barris de petróleo do Equador, mas deixou para trás o que ficou conhecido como 'Amazónia Chernobyl', um poço de 1.700 - zona de desastre ambiental de milha quadrada, onde admitiu despejar 72 bilhões de litros de água tóxica que invariavelmente acabavam no abastecimento de água e abrir 1.000 poços de lixo sem revestimento no chão da selva. Incrivelmente, a Chevron perdeu o processo inevitável e reuniu uma equipe de 2.000 advogados para apelar ferozmente da multa de $ 9,5 bilhões, prometendo “… lutar até o inferno congelar, e então vamos lutar no gelo”.

Enquanto o combate legal se alastrava, as taxas de câncer disparavam e milhares de hectares de solo intocado foram envenenados, ameaçando os quase 4.000 tipos de plantas documentados em torno de Sana Isla, incluindo o maravilhoso cogumelo comedor de plástico do Equador.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Nabeiro inaugura primeira quinta que transforma borras de café em cogumelos


As borras de café podem acabar no lixo... ou dar origem a um novo produto orgânico: cogumelos, prontos a cozinhar.

Foi ontem inaugurada a primeira quinta urbana de Lisboa, a Nam Urban Farm, um projeto Delta Cafés e Start Up Nam de recolha controlada e certificada da borra de café e sua utilização para a produção sustentável de cogumelos ostra.

A Delta Cafés e a Start Up Nãm pretendem duplicar o número de clientes em Lisboa até ao final do ano, aumentando a capacidade de produção de cogumelos na Nãm Urban Farm produzidos a partir da borra do café.

Actualmente com uma capacidade de produção mensal de uma tonelada de cogumelos (equivalente a 3 toneladas de borra de café), a Nãm Urban Farm passará, a partir de Julho, a ter uma capacidade instalada que lhe permitirá produzir mensalmente 4 toneladas de cogumelos (correspondente a 12 toneladas de borra de café) com o objectivo de dar resposta ao aumento exponencial da procura de cogumelos Nãm que já são comercializados para cerca de 100 restaurantes na cidade de Lisboa e, também, ao consumidor final que os pode adquirir directamente na Nãm.

De portas abertas em Marvila, Lisboa, há cerca de seis meses, a Nãm Urban Farm é um dos projectos que integram a estratégia de sustentabilidade e boas práticas ambientais da Delta Cafés. Neste espaço, aberto a qualquer visitante, é dada uma nova vida à borra do café para a produção sustentável e consciente de cogumelos que, posteriormente são vendidos à restauração, completando um círculo perfeito.

Neste local em Marvila, onde existe ainda uma horta biológica, nasce também um novo espaço de lazer, um social club, dirigido a todos aqueles que querem desfrutar de um ambiente descontraído, de uma refeição leve e onde podem degustar os cogumelos ou, simplesmente, saborear um café Delta.

Em plena cidade de Lisboa cresce um negócio inspirado num ciclo perfeito da natureza sem produzir qualquer desperdício. É esta a premissa da Nãm Urban Farm: utilizar um recurso em fim de vida para dar origem a um alimento novo.

O anúncio do aumento da capacidade de produção de cogumelos foi feito à margem da inauguração oficial da primeira quinta urbana em Lisboa – a Nãm Urban Farm – e contou com a presença do Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina e do fundador da Delta Cafés, Rui Nabeiro.

Para Rui Miguel Nabeiro, Administrador do Grupo Nabeiro - Delta Cafés “A Nãm é um projecto vencedor e que está a criar valor à comunidade, conciliando a economia com a ecologia, que é o maior desafio do nosso tempo. É a prova de que é possível reduzir o impacto ambiental e maximizar o impacto social positivo, assente numa produção eco-eficiente e no desenvolvimento de projectos sustentáveis.”

Para Natan Jacquemin, “A boa receptividade da Nãm revela que os cidadãos estão cada vez mais conscientes de que é imperativo construir um futuro mais sustentável e a nossa intenção é crescer no território nacional, através da implementação de quintas urbanas locais.”

A par da comercialização de cogumelos, a Nãm Urban Farm organiza visitas ao espaço como forma de partilhar a paixão pela economia circular, pela agricultura urbana, por um café de excelência e boa comida local. O social club funciona de 4ª a sábado das 14h00 às 19h00, na R. Amorim 11, em Lisboa.