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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Parecer negativo: Proposta de definição de âmbito da Central Solar Fotovoltaica da Beira


O meu texto na Consulta Pública
"Discordo da implementação da Central Solar Fotovoltaica de Sophia e das Linhas de Muito Alta Tensão associadas, pois o impacto ambiental e paisagístico em concelhos como o Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova é demasiado elevado face aos benefícios apresentados.
Isto é um crime ambiental! As duas centrais preveem o abate de cerca de 2.000 árvores "protegidas". Mas serão muitos milhares mais! As que não são protegidas não as contam! Em qualquer terreno da Beira Baixa, além dos sobreiros e azinheiras (espécies protegidas) há oliveiras. Muitas delas centenárias. É previsível que sejam arrancadas milhares delas. Iremos ter terras estéreis, de onde antes provinha um azeite de excelente qualidade. Além disso nidificam aves nessa região aves de relevância ecológica (águia-de-bonelli, abutre preto, águia imperial ibérica, águia real) e localiza-se perto do Parque Natural do Tejo Internacional.
Não existe "energia verde" à conta do extermínio do verdadeiro verde da vida, do abate de milhares de árvores, da destruição de ecossistemas, provável extinção de aves sensíveis já referidas e alteração grave de uma ZPE ambientalmente rica e, repito, muito sensível."
E anexei o parecer da SPEA.



sábado, 9 de setembro de 2023

Plataforma Lobo ibérico alerta para retrocesso se diminuir proteção na UE



A diminuição da proteção ao lobo no âmbito da União Europeia (UE) seria um retrocesso para a conservação deste carnívoro e da natureza, defendeu nesta sexta-feira a plataforma Loboibérico.pt, criada para melhorar o conhecimento da sociedade sobre o lobo-ibérico.

A Comissão Europeia alertou esta semana para o “perigo real” do regresso de alcateias de lobos a zonas da UE de onde estavam ausentes e quer ver aplicadas medidas de prevenção de ataques ao gado. “A concentração de alcateias de lobos em algumas regiões europeias tornou-se um perigo real para o gado e, potencialmente, também para os seres humanos”, salientou a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen.

Em reação, a equipa da plataforma Loboibérico.pt afirmou, em comunicado remetido à agência Lusa, que a “coexistência com o lobo e outros grandes predadores nem sempre é fácil, mas é possível, existindo bastantes exemplos disso, não apenas em Portugal, mas um pouco por toda a Europa”. “Torna-se, por isso, importante informar e esclarecer, evitando propagar ideias erradas sobre o lobo e, sobretudo, continuar a promover medidas que permitam conciliar a presença deste carnívoro com as atividades humanas, em vez de colocar o foco na perseguição da espécie”, defendeu a organização.

A plataforma tem precisamente como missão “melhorar o conhecimento da sociedade sobre o lobo-ibérico”, sensibilizar “para a importância de proteger este predador ameaçado em Portugal” e promover o “envolvimento ativo de todos na sua conservação”. Na sua página oficial na internet defende que o “futuro do lobo depende de se conseguir atingir uma coexistência pacífica com o ser humano”.

A Loboibérico.pt escreve, no comunicado, que as declarações da presidente da Comissão Europeia “traduzem informação pouco fundamentada, possivelmente motivada por uma reação ao facto de, e como avançam alguns jornalistas, em setembro de 2022 o seu pónei de estimação ter sido morto por um lobo”.

“Certamente terá sido uma perda emotiva, mas para prevenir estas situações há que assegurar a proteção dos animais que tanto estimamos, particularmente em áreas com presença confirmada de lobo, em vez de avançar para a revisão do estatuto de proteção da espécie, contrariando a política defendida pela União Europeia no que diz respeito à conservação deste grande predador”, referiu. Acrescentou que o “lobo não representa um perigo para o ser humano nas paisagens humanizadas da Europa, não existindo casos confirmados de ataques a pessoas, nomeadamente em Portugal”.

Apesar de considerar que os ataques de lobo a animais domésticos (gado e cães) são uma realidade, a plataforma disse que “esse risco pode ser reduzido se o gado estiver devidamente protegido”, quer seja através de métodos tradicionais como o uso de cães de gado e vedações ou de métodos mais recentes e inovadores. “Mas para que isso seja uma realidade é necessário haver apoios técnicos e financeiros e, claro, vontade de todos, incluindo dos executivos nacionais e comunitários, para os implementar”, frisou.

Lembrou que, em Portugal, o lobo é uma espécie protegida por lei desde 1988 e classificada em perigo de extinção devido ao reduzido número de fêmeas reprodutoras por ano, sem sinais de expansão nas últimas três décadas, e a uma elevada incidência de mortalidade por causas humanas e crescentes perturbações nas suas áreas de reprodução e refúgio. “Assim, não há qualquer possibilidade de se realizarem controlos populacionais de lobo em Portugal”, sublinhou.

domingo, 21 de maio de 2023

Pedro Cabrita Reis- o artista trolha

A mediocridade da Arte Contemporânea


Da "Central Tejo".
Chamar isto de arte? Duas torres em alumínio, conexas e iluminadas, com...pasmem-se 10 metros de altura!! Visivelmente interfere negativamente com a "paisagem" da marginal do Tejo.

Análise
Toda a arte é divina. Talvez por isso o artista (o autor, o actor…) tenha um pé do lado de deus. E, quando esta metáfora é forma cabal dessa expressão, então temos artista. Porém, talvez se torne descabida qualquer tipo de elucidação a propósito desta palavra, pois ela é já explicação da explicação. Certo é que não se pode ser “quase” artista, autor, actor. Artista ou se é ou não se é. Só as obras poderão falar sobre a condição da sua arte.

Não obstante, o quadro pinta-se sozinho da mesma forma que o livro se escreve a si próprio. Ao artista apenas cabe estar ali. Ele é o veículo. Por tal razão não existe em si mesmo. Os materiais que ele usa são, apenas, a extensão do corpo (técnico), nunca da sua alma. O espírito – a arte – prevalece, exclusivamente, na conexão com o seu público. Ora acontece que a arte contemporânea não comunica. É de expressão livre, mas a sua observação não. Prova disso é que para ser compreendida tem de ser explicada.

Neste particular socorro-me de Aveline Lésper. “ A obsessão pedagógica, a necessidade de explicar cada obra, cada exposição gera a sobre-produção de textos que nada mais é do que uma encenação implícita de critérios, uma negação à experiência estética livre, uma sobre-intelectualização da obra para sobrevalorizá-la e impedir que a sua percepção seja exercida com naturalidade”. “ A arte contemporânea é endogâmica, elitista; com vocação segregacionista, é realizada para sua própria estrutura burocrática, favorecendo apenas às instituições e seus patrocinadores” [1].

Sei que os sentimentos brotam sem explicação, em total liberdade, etc… Porém sentir não é isento de conexão. Aqui ambas se tornam um só. Arte e comunicação.

Não há expressão artística sem comunicação fundada na sua dimensão mais elevada: a simplicidade. Comunicar é, e será sempre, isso mesmo: simplificar o mundo. Se complicar não comunica. Do mesmo modo, se a arte não comunica não é arte.

A necessidade de explicação de cada obra, a cada exposição, significa isso mesmo. A arte contemporânea torna-se iminentemente uma fraude ao exorcizar o público, expulsando-o do seu seio, transformando a arte em nada.

Conclusão 
Na arte contemporânea a expressão é livre mas a sua apreciação não. Assim, para ser compreendida tem de ser explicada. A despeito de reclamar maior atenção e conhecimentos por parte de quem a contempla do que de quem a produz, menoriza o espectador, exigindo-lhe que a ela se submeta, ou a abandone para sempre. Surge deste modo a primeira ditadura da mediocridade na arte.

Tal será fácil de compreender por força do mercado da arte, representado pela figura do mecenas que se torna artista, fomentando o artista fantasiado de artista. 

Sobre "instalações" como a Central Tejo
O gosto ou não gosto, em termos de manifestação artística, é coisa extremamente subjectiva ou pessoal. Por isso mesmo, em tempos de “instalações“, a torto e a direito, fica-nos muitas vezes a sensação de que o artista está a gozar com a nossa cara, como sói dizer-se. Depois, como a Arte passou a estar totalmente inserida no sacrossanto mercado, há muitos artistas que primam em cair em graça e estarão muito mais interessados nisso do que em ser engraçados. Como nem todos os mortais foram ungidos pela capacidade de serem entendidos em Arte por obra e graça de algum espírito mais ou menos santificado, perceber porque é que meia dúzia de caixotes empilhados, fora do contexto de algum armazém ou arrecadação, podem ser um estímulo emocional… não é coisa fácil. Pessoalmente, como um dos tais não ungidos, olho para aquilo… e vejo uns caixotes empilhados. E já Gedeão nos alertava para o fenómeno: vês moinhos, são moinhos.

[1] Aveline Lésper: El arte contemporáneo es una farsa

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Há falta de água em Portugal? Não! Nem agora nem no futuro…

A água está mal distribuída, no tempo e no espaço, o que se resolve com a “auto-estrada da água do interior”, um sistema de transferência de caudais (Douro-Tejo-Guadiana-Algarve), constituído por estações de bombagem e canais ao longo do interior do país, apoiado nalgumas barragens, com custos bastante acessíveis.

Muito se tem falado, nos últimos tempos, sobre a água que vem de Espanha, nos diversos rios que partilhamos. Surge a notícia de os agricultores espanhóis da região do Douro não quererem que a água lá armazenada, em barragens que eles ajudaram a pagar, seja agora derivada para cá, como já tinha surgido, há tempos, relativamente ao Tejo.

Não vale a pena criticar Espanha, falar do acordo de Albufeira que regulamenta os caudais mínimos dos rios internacionais (que os espanhóis até cumprem, ao contrário dos portugueses …). Espanha está, e estará sempre, a montante de Portugal, e sempre que a água escassear, o que irá acontecer cada vez com maior frequência, a situação será esta, cada um a defender os seus interesses.

A solução passa por Portugal deixar de se queixar e fazer o que Espanha já fez há muitos anos, instalar sistemas hidráulicos que permitam por um lado, armazenar água e, por outro, distribuí-la racionalmente, transferindo-a de onde ela está em excesso, a Norte, para onde falta, a Sul. Ou seja, deixar o papel de cigarra, que nada faz e se queixa quando não tem de comer, e assumir o papel de formiga, que acumula comida de Inverno (neste caso, água!) para a distribuir de Verão.

De facto, o país dispõe, em média, sem contar com as afluências de Espanha, de 40.000 milhões de m3/ano de águas superficiais e subterrâneas (32.000 + 8000), quando os seus consumos hídricos globais rondam os 4.500 milhões de m3/ano, 11% das disponibilidades (números do Plano Nacional da Água 2015, documento da APA, Agencia Portuguesa do Ambiente).

A longo prazo, e fruto das alterações climáticas, as disponibilidades hídricas nacionais poderão reduzir-se para 28.000 milhões de m3/ano, e os consumos subirem para 6.000 milhões de m3/ano, mesmo assim só 21% das disponibilidades (idem).

O que não existem são barragens de armazenamento suficientes, que guardem a água nos Invernos e nos anos húmidos, para a distribuir no Verão e nos anos secos, nem sistemas globais de transferência de caudais (Douro-Tejo-Guadiana-Algarve), do Norte, rico em água mas com baixos consumos, para o Sul, onde ela falta mas onde o potencial agrícola é grande!

E também infra-estruturas regionais de distribuição de água, nomeadamente na Terra Quente Transmontana, no Vale do Tejo e Oeste e na expansão do sistema do Alqueva a todo o Alentejo.

Como está, cerca de 90% da água nacional segue para o mar, o que é bom para as sardinhas, mas causa grandes problemas à agricultura, e não só. Se em vez de 90% forem 80%, as sardinhas não dão por nada, e o problema nacional da falta de água fica resolvido.

É tudo uma questão de planeamento e boa gestão, com custos relativamente reduzidos, inferiores a 1.000.000.000 euros (mil milhões de euros) para o Sistema de Transferência Douro-Tejo-Guadiana-Algarve, 1/5 do que se gastou no BES/GES ou na Caixa Geral de Depósitos, sendo que o problema da água em Portugal fica resolvido pelos próximos 100 anos.

Bem sabemos que soluções concretas para problemas concretos é coisa de engenheiros, uns “desmancha-prazeres”, e que isto é aborrecido para as entidades que se alimentam destes alarmismos permanentes, mas o país com certeza que agradece … e, se calhar, as sardinhas também!

Fonte: Público

domingo, 7 de maio de 2023

Rewilding – Renaturalização da Natureza, mas sem fundamentalismos!

Desde 2021 e até 2030 estamos na Década das Nações Unidas para o Restauro dos Ecossistemas; por causa disso, ou por isso, têm surgido por todo o mundo organizações e iniciativas que se reclamam do “rewilding”.

Mesmo em Portugal – onde a palavra “renaturalizar” existe há muito - surgem movimentos que adotam a designação de língua inglesa, rewilding, em lugar de usarem a nossa língua, vá-se lá saber porquê!

O termo foi usado inicialmente, em 1990, e consagrado pelos biólogos americanos Michael Soulé (1936-2020) e Reed Noss (1952) num artigo publicado em 1998 (1)

No geral, rewilding é definido como “... esforços de conservação destinados a restaurar e proteger processos naturais e áreas selvagens. Rewilding é uma forma de restauração ecológica com ênfase na recuperação do conjunto geograficamente específico de interações e funções ecológicas que teriam mantido a dinâmica do ecossistema antes das influências humanas. Isso pode exigir intervenção humana ativa para ser alcançado. As abordagens podem incluir a remoção de artefatos humanos, como represas ou pontes, conectando áreas selvagens e protegendo ou reintroduzindo predadores de ponta e espécies-chave.” (2)

O conceito de restauro ecológico é antigo, e o rewilding pouco lhe acrescenta. O busílis está no conceito de “espécie-chave”, termo cunhado em 1969 pelo zoólogo americano Robert Trent Paine (1933-2016); o que são? Resumindo, trata-se de espécies fundamentais para o funcionamento de um ecossistema e não, necessariamente, espécies emblemáticas ou vedetas, estas também designadas por “espécie-bandeira”, que são usadas para protagonizar uma causa ambiental.

Define-se espécie-chave como “uma espécie cujo impacto na sua comunidade ou ecossistema é desproporcionalmente grande relativamente à sua abundância relativa. O desaparecimento de uma espécie-chave do seu ecossistema pode ter consequências dramáticas neste último. Uma espécie-chave é aquela que desempenha um papel crítico na manutenção da estrutura de uma comunidade ecológica e cujo impacto é maior do que seria esperado com base na sua abundância relativa ou biomassa total. [...] Espécie-chave difere de espécie dominante, pois seus efeitos são maiores do que o previsto em relação a sua abundância.” (3)

Segundo Pedro Prata, líder da Equipa Rewilding Portugal, em declarações à imprensa em 03/03/2022, “... se uma paisagem está degradada, e faltam espécies-chave ou estão presentes espécies invasoras, poderá ser preciso intervir para remover essas espécies invasoras e promover o retorno da vida selvagem nativa. Tendo isso feito, devemos deixar que as coisas sigam o seu rumo natural, com o mínimo de intervenção humana.” (4)

O cerne da questão é “... promover o retorno da vida selvagem nativa.” Mas “nativa” com referência a que período da história? Idade Média, após a Revolução Industrial, atualidade? Ao tempo de um Portugal com 1 milhão de habitantes (Séc. XV a XVII), com 2 a 4 milhões de habitantes (Séc. XVIII a XIX), ou aos 10 milhões atuais?

É que a densidade populacional humana e, logo, as atividades a ela ligadas (agricultura, pastorícia, urbanização, redes de comunicações, indústria, etc.) condicionam de sobremaneira o território, logo a flora e a fauna, não sendo possível existirem no séc. XXI todas as espécies dos séculos anteriores, com particular destaque para as espécies de grandes dimensões e conflitualidade territorial com o Homem. O que não quer dizer que algumas espécies entretanto extintas não possam reaparecer (cf. Esquilo, Águia-imperial, etc.).

Uma das vantagens que tem sido apontada para a (re)introdução de grandes herbívoros é a sua capacidade de controlar a vegetação e, assim, diminuir o risco de incêndios rurais e florestais.

A herbivoria é conhecida e estudada há muito, e consiste na utilização na alimentação de animais de plantas vivas, ou partes de plantas, fazendo, assim, a produção primária subir na cadeia alimentar.

Os insetos são o grupo animal que mais contribui para a herbivoria que, em animais terrestres de quatro membros, se começou a desenvolveu no período carbonífero (há 307 - 299 milhões de anos) (5)

Mas a herbivoria também pode ter efeitos negativos sobre a natureza, nomeadamente sobre alguns grupos de plantas; os Javalis, por exemplo, praticam herbivoria (embora sejam omnívoros) e tem um predileção especial por bolbos de orquídeas, ranúnculos, narcisos e outras espécies selvagens, muitas delas um situação muito crítica do ponto de vista de conservação.

Também é preocupante em ambientes insulares, como se verificou na ilhas Desertas, levando ao abate, em 2019, das cabras descendentes das ali introduzidas, pensa-se que no séc. XV. (6).

Assim, há que ser muito cuidadoso na utilização destes conceitos, sob pena de resultados negativos.

Recentemente (13/03/2023) o jornal Público trazia um peça com o título “Castores – Descoberto o rasto perto de Portugal. Será que vão voltar?” e dentro do artigo uma peça intitulada “Análise do valor económico - O trabalho dos castores pode poupar “milhões de euros” onde se dá ênfase ao papel destes mamíferos na modelação de rios remetendo para um artigo de Daniel Veríssimo e Catarina Roseta-Palma, dois economistas e professores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, publicado na revista Nature-Based Solutions, 3 (2023), intitulado, “Rewilding with the beaver in the iberian peninsula - Economic potential for river restoration”.

Perante o entusiasmo pela presença, perto de nós, desta espécie extinta em Portugal pelo séc. XV e na Península Ibérica no séc. XVII, até nos esquecemos que a sua presença atual em Espanha se deve a uma introdução clandestina feita em 2003, na Bacia do Ebro, e que na altura foi muito contestada por entidades oficiais e ambientalistas.

E esquecemos de ponderar se ainda há condições biogeográficas para a presença desta espécie em Portugal, sem entrar em conflito com a população humana e as suas atividades.

Também o Urso-pardo, cuja presença de um indivíduo "espanhol" divagante no Norte de Portugal foi confirmada em 2019, despertou os mesmos desejos de regresso, esquecendo, mais uma vez, que não temos áreas despovoadas suficientemente amplas (como têm a Galiza ou as Astúrias) para que este carnívoro (embora de dieta omnívora) possa viver sem conflitualidade. Trata-se, além do mais, de um animal muito perigoso, dada a sua atração por locais humanizados. Em Itália, por exemplo, já este ano houve vários casos de ataques mortais de ursos-prdos a pessoas, e nos Estados Unidos são correntes.

O mesmo se passa com algumas ideias, a meu ver absurdas, de reintrodução do Bisonte-europeu; no relatório “Current status of the European bison (Bison bonasus) and future prospects in Pan-Europe - A Large Herbivore Network project” da autoria de Yannick Exalto, publicado pelo Large Herbivore Network (LHNet) em 2011 a possibilidade de introdução do Bisonte em Portugal nem sequer é colocada.

Claro que, como amante da biodiversidade, gostaria de ver Ursos, Auroques, Bisontes e Castores nas paisagens lusas; mas diz-me o bom senso que isso se poderia virar contra a conservação da natureza, a exemplo do que se passa com o pacífico Lobo-ibérico cuja presença tem sido relativamente tolerada à custa do pagamento, pelo Estado, das reses que abate.

O lobo é uma espécie-chave dos nossos ecossistemas, como poderia ser o bisonte ou o castor, mas estes noutras latitudes mais setentrionais.

Por cá há inúmeras outras espécies de animais e plantas bem mais carecidas de medidas de conservação. Não usemos as espécies-chave como espécies-bandeira, se queremos conservar a biodiversidade no seu conjunto, embora as espécies-bandeira rendam mais nas campanhas de angariação de apoios.

Poucos contribuiriam para uma recolha de fundos destinada à conservação do pardal-dos-telhados, mas facilmente se recolherão apoios para reintroduzir o urso-pardo, que daria belas fotografias em anúncios comerciais.

Restaurar (rewilding) a natureza, claro que sim, mas sem fundamentalismos e com respeito pelo Homem!

3 de Maio de 2023

Nuno Gomes Oliveira

Fontes

(1) Soulé, Michael; Noss, Reed (Fall 1998), "Rewilding and Biodiversity: Complementary Goals for Continental Conservation", Wild Earth, 8: 19–28)

(2) Rewilding (conservation biology)

(3) Espécie-chave

(4) Não sabe o que é o Rewilding? Este artigo é para si

(5) Sahney, S., Benton, M.J. & Falcon-Lang, H.J. (2010). "Rainforest collapse triggered Pennsylvanian tetrapod diversification in Euramerica". Geology. 38 (12)

(6) Recuperação dos Habitats Terrestres das Ilhas Desertas e Selvagens

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Documentário - A batalha existencial de Portugal contra o avanço do mar


A erosão está se tornando um problema crescente na costa atlântica de Portugal. Cada inverno traz tempestades mais fortes, e a elevação do nível do mar põe em perigo casas, comércios e calçadões das praias. A cada ano, as autoridades do país têm que reassentar moradores e realizar obras milionárias, como o de alargamento de faixas de areias das praias, para mitigar os efeitos da erosão

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Yuval Noah Harari - Reflexões sobre a crise sanitária, covid-19 e pandemia


Yuval Noah Harari é dos historiadores contemporâneos mais conceituados e mais lidos. Nascido em Israel, é lá professor, na Universidade Hebraica de Jerusalém. No entanto, e para além do seu currículo académico, a sua reputação começou a desenhar-se desde os inícios da década de 2010, quando escreveu “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” (2011). A esse, seguiu-se “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã” (2015) e “21 Lições para o Século XXI” (2018). É um estudo acessível a qualquer leitor, abordando temas de capital importância, como a felicidade, a inteligência, a consciência, o livre arbítrio, atravessando desde a fase de surgimento do homo sapiens (homem sábio) – que classifica como a revolução cognitiva – até à atualidade e ao futuro. O desenvolvimento da linguagem, das sociedades e da ciência encaminham o ser humano para um progresso desenfreado. Contudo, são várias as perguntas e os desafios deixados em aberto pelo historiador na sua bibliografia, especialmente com a ascensão da tecnologia, que, pelo menos, equaciona o cenário de ultrapassar o próprio homo sapiens.

O percurso de Harari

Yuval Noah Harari nasceu a 24 de fevereiro de 1976, em Kiryat Ata, em Haifa, Israel. Cresceu numa família laica, judaica, mas não-praticante, com origens libanesas e da própria Europa do Leste. A sua especialização académica foi feita na Universidade Hebraica de Jerusalém, entre 1993 e 1998, em História Medieval e História Militar, completando o seu doutoramento em 2002, em Oxford, e fazendo estudos pós-doutorais até 2005. Harari casou-se no Canadá, entretanto, com o seu agente pessoal, Itzik Yahav, que conheceu no ano em que fez o doutoramento. O casal vive num moshav, que não é mais do que uma pequena cooperativa agrícola organizada em pequenos terrenos individuais. A sua fama bibliográfica levou-o já a Davos, na Suíça, onde discursou por duas ocasiões no Fórum Económico Mundial, para lá de outros galardões e de recordes de vendas.

Em Oxford, tornou-se um profundo adepto da meditação Vipassana, um ramo do Budismo que sentiu as influências do Ocidente, após sua divulgação. É dele que partem as origem do agora conhecido mindfulness. O conceito de vipassana refere-se a uma visão especial, introspetiva, que parte das práticas meditativas assentes na tranquilidade da mente (samatha), na libertação e no desapego da própria mente em relação ao mundo que a rodeia. Esta vipassana deve esclarecer as três amarras da existência, que não são mais do que ilusórias: a impermanência (anicca), a insatisfação (dukkha) e o não-ser, a não-essência (anatta). Só isso permite que se possa despertar para um caminho mais livre e para a primeira das quatro etapas da iluminação: do sotapanna, que se liberta da visão identitária, dos ritos e rituais e das dúvidas, chega-se à sakadagamin (atenuação do desejo sexual e da má vontade), seguindo-se um reforço desta com a anagami e concluindo com a arahant (o estado máximo de iluminação, no qual se alcança o estado pleno meditativo e uma elevação espiritual).

Harari vem fazendo, desde o ano de 2000, duas horas diárias de meditação – a qual considera um bom método de investigação -, para além de fazer um retiro anual, ausente da vida social, resguardado no silêncio sem redes sociais ou literatura. De igual modo, assume-se como vegan e não tem nenhum smartphone. Voltando para aquilo que é o seu trabalho, a sua bibliografia é numerosa e muito técnica, em especial os diferentes artigos e livros que redigiu antes no ano de 2010. São obras que estudam temas associados à História Militar da Idade Média e da Idade Moderna, procurando fazer um percurso cronológico sobre a evolução dos métodos e das ferramentas da guerra, um fenómeno persistente durante o último século. Porém, e desde esse ano de 2010, a sua visão passou a ser bem mais ampla, procurando um estudo mais generalizado sobre a evolução da humanidade até ao presente.

O foco, assim, direcionou-se para o homo sapiens, na tentativa de entender a sua condição presente e futura. A direção da história e a relação do próprio homo sapiens com os restantes seres vivos, numa perspetiva biológica, foram tónicas que direcionaram o seu estudo daí em diante. A preocupação com o progresso tecnológico e com os avanços da inteligência artificial levantaram alertas para Harari, atenções que se direcionam para esse futuro político, social, económico, um desafio que considera preponderante para o futuro da humanidade. O desafio já se coloca atualmente, nesta economia de dados, em que os governos e as corporações conhecem cada vez melhor o indivíduo, e, quanto mais o conhecerem, maior possibilidade para manipulá-lo e ao seu livre-arbítrio começa a existir. Esse livre-arbítrio já é problematizado pelo historiador, já que cada decisão feita depende de condições sociais e biológicas, para lá das pessoais: são do foro genético, bioquímico, familiar, cultural, anatómico. Em suma, todos eles não são escolha de quem as vivencia. É crítico, de igual modo, da indústria alimentar, especialmente da de origem animal, que lhe suscita questões éticas. Embora reconhecedor do progresso até à atualidade, procura não fechar os olhos ao rumo do futuro, necessário para que se possa melhorar aquilo que continua mal.

Os livros que revelaram Harari ao mundo



Em 2011, chega às bancas israelitas o livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, inicialmente editado somente em hebraico. Foi baseado em vinte aulas que deu a uma turma de História Mundial, inspirado na obra do biólogo norte-americano Jared Diamond, de seu título “Armas, Germes e Aço – Os Destinos das Sociedades Humanas”. Aqui, a grande tese deste Prémio Pulitzer orbita sobre a ideia da superioridade das civilizações europeias e asiáticas ser originada no peso da geografia em relação às sociedades e às culturas, o que as valorizava. Três anos depois, foi editado em inglês e, daí, traduzido para mais de quarenta idiomas diferentes. É um livro aprofundado sobre a história humana, percorrendo o tempo que dista da Pré-História até às transformações tecnológicas da atualidade. Não se trata de um livro que se propõe a revelar descobertas feitas no seu percurso investigativo, mas sim a fazer uma viagem pela evolução do ser humano. Desde as primeiras espécies arcaicas humanas da Idade da Pedra, vai-se à boleia das ciências naturais, nomeadamente da biologia e da antropologia evolucionárias e da psicologia, procurando perceber como é que a atividade humana viu limitada a sua conduta e a sua atividade, para além de perceber como evoluíram esses limites.

A biologia recebe o grande protagonismo desta narrativa histórica, assim como o próprio papel da ciência nos quatro grandes momentos em que estrutura a história do homo sapiens: a Revolução Cognitiva, por volta de 70 mil anos a.C., em que desenvolveu a imaginação; a Revolução Agrícola, por volta de 10 mil anos a.C.; a unificação da humanidade, em várias fases da Antiguidade Clássica, numa altura em que as organizações políticas se tornaram orientadas para um grande império global; e, por fim, a Revolução Científica, já no século XVI, com o surgimento da ciência objetiva. Para Harari, o domínio da espécie humana do mundo só se tornou realidade por ser o único flexível o suficiente para cooperar em grandes grupos.

A sua capacidade única de acreditar em coisas produto da sua imaginação, em conceitos que, embora, no presente reais, começaram de forma abstrata e imaginária (leia-se o dinheiro, as nações, os direitos humanos e a própria crença religiosa), permitiu que as primeiras formas de sociedade se fossem formando. Porém, isso levantou a emergência da discriminação a vários níveis, desde racial, sexual ou política, fechando o espaço a uma sociedade idílica, totalmente igualitária e equitativa. Todos os grandes sistemas de cooperação humana, desde as religiões e as estruturas políticas, económicas, comerciais e legais, têm a sua origem, assim, na capacidade cognitiva do homo sapiens para a ficção. O dinheiro foi criando um papel de um autêntico sistema de confiança mútua entre indivíduos e grupos de indivíduos, com um peso significativo com as pseudo-religiões que se foram formando a partir deste: os grandes sistemas económicos, para além dos políticos.

Sobre a Revolução Agrícola, o israelita menciona que, apesar de ter contribuído para a reprodução de novas espécies biológicas, desde animais a outras fontes de alimentação, e para o aumento significativo da população, conduziu a um deteriorar das condições de vida dos seres humanos, tornando a sua alimentação bem mais unidimensional. Quanto à unificação da humanidade, Harari percebe que o homo sapiens se tornou cada vez mais disposto a uma interdependência política e económica, assente em impérios que têm repercussões na atualidade, quando se olha para uma espécie de império global que é a globalização. Na sua base, indica o dinheiro, as religiões universais e esses primeiros impérios como os grandes condutores deste processo global.

No que toca à Revolução Científica, considera que se tratou de um momento que permitiu a crescente convergência das culturas humanas, sustentado no instinto inovador do pensamento europeu. Aqui, porém, as grandes elites sociais tornaram-se conscientes da sua ignorância, conduzindo a uma necessidade de abrir portas a um imperialismo desenfreado, destinado a fazer valer a sua supremacia moral e cultural. Todavia, e apesar de todas estas condicionantes, o historiador acredita que a felicidade não está mais presente na atualidade que nesse período. Em muito contribui o peso da tecnologia moderna, que considera comportar riscos para o futuro da espécie humana, tendo em conta o seu sentido direcionado para a engenharia genética e para as formas de vida não-orgânicas, para além da própria ideia de mortalidade. Os seres humanos são, agora, capazes de criar outras espécies: são, assim, os novos deuses.

Já em 2015, e após uma fama que não foi consensual (a comunidade científica foi muito crítica da obra, tendo em conta a pouca substância histórica e metodológica associada a este trabalha), chega “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã”. Aqui, o objetivo de Harari é olhar para a frente, para o futuro, explorando algumas premissas que havia deixado por escrito no seu livro anterior. Para o historiador, a humanidade, no futuro, tentará alcançar a felicidade a imortalidade, beneficiando dos seus poderes quase divinos. Os sistemas políticos e sociais são, cada vez mais, sistemas de processamento de dados, originando um conceito a que chamou de “dataísmo”. Este dataísmo declara o Universo como composto por uma série de fluxos de dados e o valor de cada fenómeno ou de cada entidade é definido pela sua contribuição para o processamento desses dados. A espécie humana é, assim, cada vez mais, toda ela, um sistema de processamento de dados, sendo cada um um chip. O objetivo de um dataísmo é o de maximizar o fluxo de dados numa conexão cada vez maior com meios tecnológicos e audiovisuais.



Harari prevê que a conclusão lógica de todo este processo desenfreado será um em que os seres humanos darão algoritmos às instâncias de poder para tomarem as decisões mais importantes da sua vida por eles, desde a nível profissional, como até pessoal e íntimo. O suicídio do programador e “hacktivista” Aaron Swartz é visto como a primeira martirização deste processo. Ele que foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do RSS (um fluxo de informação na web que permite aos utilizadores aceder a atualizações de um conjunto de websites de forma sintetizada e estandardizada) e da Creative Commons (uma organização sem fins lucrativos vocacionada para um maior acesso livre a uma série de trabalhos criativos e a poder partilhá-los, para além de usá-los para diferentes fins). Era, assim, alguém que procurava a liberalização da informação para o público, usando as suas capacidades informáticas com um sentido sempre social e científico.

Assim, o enfoque desta obra direciona-se para o sentido da experiência humana individual com as novas competências adquiridas durante a sua existência, no decurso da evolução da espécie. Harari faz o estado da arte da humanidade e, com ela, procura prever o futuro. O livro em si estrutura-se, então, em três partes: a conquista do mundo por parte do homo sapiens, em que estuda a relação entre os seres humanos e os animais e os fundamentos da dominação humana em relação ao animal. A segunda refere-se à atribuição de significado(s) ao mundo por parte do homo sapiens, desde a revolução da linguagem, datada de há 70 mil anos atrás, em que os humanos se tornaram, cada vez mais, parte de uma realidade intersubjetiva; ligada pelas regiões, pelos países e suas fronteiras, pelo dinheiro e pela religião. Isto abriu portas a que se pudesse constituir uma cooperação em larga escala, maleável o suficiente para envolver diferentes seres humanos. A crença nas construções intersubjetivas que só existem na mente humana são reforçadas por uma fé que é coletiva, atribuindo valores e significados às suas ações e aos seus pensamentos, conquistando, com isso, várias proezas.

Para Harari, o humanismo é uma forma de religião que, ao invés de louvar um Deus, louva a humanidade. A prioridade de todo o mundo passa a ser a espécie humana e a satisfação dos seus desejos como seres dominantes. Neste plano, os valores éticos e morais partem de dentro para fora, do individual para o geral, ao invés do oposto, e a sede pela imortalidade e pelo poder é cada vez mais crescente na visada obtenção da felicidade. Por fim, assiste-se à perda de controlo do homo sapiens, perante o desenvolvimento tecnológico que coloca em risco a capacidade dos seres humanos de atribuir significados à sua vida. É aqui que Harari sugere a possibilidade de existir a substituição da espécie humana pelo homo deus, munido da vida eterna e de capacidades divinas que lhe permitam ser uma espécie de super-homem. Sugere, de igual modo, os seres humanos na forma de algoritmos, que deixam, gradualmente, de ser a espécie dominante.


O último dos três grandes livros que projetaram Harari para o conhecimento geral foi “21 Lições para o Século 21”, publicado em 2018. Trata-se de uma coleção de vários ensaios soltos, uns publicados em revistas científicas, outros publicados em revistas para o público geral e outros inéditos. Para o presente e para o futuro, procura enumerar e apresentar aquelas que são as grandes problemáticas da atualidade: na tecnologia, a desilusão, o trabalho, a liberdade, a igualdade; na política, a comunidade, a civilização, o nacionalismo, a religião e a imigração; no desespero e na esperança, o terrorismo, a guerra, a humildade, Deus e o secularismo; na verdade, a ignorância, a justiça, a pós-verdade e a ficção científica; na resiliência, a educação, o sentido e a meditação. Cada lição é um ensaio científico, organizado nessas cinco partes, e ambiciona ver até onde se chegou e até onde se tenciona ou se prevê ir.

As ambiguidades de cada tema leva as suas vantagens e desvantagens, que culminam na sua grande questão, a que interroga sobre como viver numa fase em que as histórias antigas, aquelas que condicionavam as vivências dos seres humanos, se transformaram. Das luzes da religião, o núcleo do mundo passou para outras esferas centrais, como as leis e o dinheiro, na forma de mitos coletivos. São os responsáveis pela edificação dessas sociedades complexas e burocráticas de grandes proporções, que extrapolam das limitações biológicas humanas. Perante a queda da religião e da própria noção de Estado-nação neste planeta cada vez mais globalizado, a pergunta continua sem resposta.

O desafio tecnológico assume proporções amplas com a crise do liberalismo económico, sem antever o surgimento de algo melhor, que se consiga ajustar aos desafios científicos, nomeadamente dos limites (ou falta deles) do desenvolvimento da inteligência artificial e da biotecnologia. O desafio político é desferido com centralidade nos nacionalismos, que são incapazes de fazer frente à toada do desenvolvimento tecnológico a que se assiste. O rumo que se perspetiva é o de uma abertura de vias mais numerosas e mais desafogadas, que permitam fomentar a cooperação global. Perante estes desafios, existem ainda mais discórdias que consensos sobre como respondê-los, embora apele à serenidade e à moderação nas crenças e nas perspetivas futuras, sustentando-se no laicismo.

O valor de verdade daquilo que é a informação veiculada é algo que também problematiza a realidade, tendo em conta o denso volume de desinformação criada. Para tal, Harari propõe uma resposta assente na abdicação de valores que possam enviesar aquilo que motiva cada um a procurar informar-se e fazê-lo a partir de fontes fiáveis e credíveis. É importante de forma a que se possa distinguir a ficção da realidade, sendo o único caminho capaz de elucidar o rumo de vida uma plena e de uma sociedade capaz de enfrentar as adversidades existenciais que se levantam. Para tal, volta a socorrer-se da meditação como uma proposta plausível para poder tornar a visão sobre a realidade mais plena e esclarecida, para poder distinguir aquilo que é produto da mente em relação àquilo que, efetivamente, é real.

Yuval Noah Harari é um dos historiadores mais conhecidos da atualidade, principalmente desde 2011 para cá. Os seus três livros debruçados sobre a espécie humana marcaram o seu percurso, até então quase anónimo para lá da comunidade académica de Israel. No entanto, as suas principais obras não foram acolhidos de forma totalmente positiva por parte desta, assim como da comunidade académica dispersa um pouco por toda a parte. O seu discurso leve, por vezes superficial, foi criticado, assim como a carência de grande suporte científico e até de ser um tanto ou quanto especulativo. Porém, também parte da crítica foi positiva, apoiando a forma lúcida e credível como detetou as grandes problemáticas presentes e futuras, ao denunciar as potencialidades nefastas da tecnologia. Porém, e aos olhos do presente, Harari é um destacado comunicador da história, fazendo das suas visões retrospetivas um importante berço introspetivo para o horizonte do futuro, que questiona o papel que todos nós, sem exceção, assumimos e assumiremos.

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terça-feira, 10 de maio de 2022

Does wood bioenergy help or harm the climate?


On the 2015 Paris climate accord, 197 countries agreed to limit warming to “well below 2 degrees Celsius,” and to strive for 1.5 degrees Celsius. To have even a roughly 50 percent chance of achieving this goal, net global greenhouse gas emissions must be cut by nearly half from 2010 levels this decade and reach zero by mid-century (UNFCCC 2021). Consequently, at least 140 countries, accounting for about 90 percent of global greenhouse gas emissions, have pledged to reach net zero emissions around the middle of this century (Climate Action Tracker 2021). But few have specified how they will do so. A growing number, including the European Union, the United Kingdom, and the United States, have declared wood bioenergy to be carbon neutral, allowing them to exclude the carbon dioxide generated from wood bioenergy combustion in their greenhouse gas accounting. Many subsidize wood bioenergy to help meet their renewable energy targets (Norton et al. 2019). The appeal is intuitive: burning fossil fuels adds carbon that has been sequestered underground for millions of years to the atmosphere, while forests might regrow, eventually removing carbon dioxide from the atmosphere.

But can burning trees—including not just the trunk, but also the bark, branches, needles or leaves, roots, stumps, mill waste, sawdust, and all the other vegetative materials known as “biomass” that make up a forest—help cut carbon emissions in time to prevent climate catastrophe?

The bioenergy industry and many governments argue that wood bioenergy is carbon neutral. The “Claims and Facts” tables throughout the text below list some of the common claims the industry makes, together with the science showing these claims to be incorrect. For example, the UN Food and Agriculture Organization claims that “While burning fossil fuels releases CO2 that has been locked up for millions of years, burning biomass simply returns to the atmosphere the carbon dioxide that was absorbed as the plants grew” (Matthews and Robertson 2001). But the fact that the carbon in wood was previously removed from the atmosphere as the trees grew is irrelevant: A molecule of carbon dioxide added to the atmosphere today has the same impact on radiative forcing—its contribution to global warming—whether it comes from fossil fuels millions of years old or biomass grown last year. When burned, the carbon in those trees immediately increases atmospheric carbon dioxide above what it would have been had they not been burned.


To illustrate, consider a forest that was harvested for lumber, pulpwood, or energy 50 years ago, and has been regrowing since then. (Few forests in the United States and Europe are mature, “old growth”—most are “working forests” and go through cycles of harvest, regrowth, and reharvest [see US Forest Service 2014]). What happens if that forest is now cut and burned for energy? When the wood is burned, the carbon it contains is emitted as carbon dioxide into the atmosphere. If the forest regrows, after another 50 years it will have removed about the same amount of carbon dioxide it emitted when it was cut and burned for energy. Until then, there’s more carbon dioxide in the atmosphere than if it had not been burned, accelerating climate change.

But the situation is worse: If the forest had not been cut, it would have continued to grow, removing additional carbon from the atmosphere. Compared to allowing the forest to grow, cutting it for bioenergy would increase carbon dioxide emissions and worsen global warming for at least half a century—time we do not have to reach net-zero emissions and avoid the worst harms from climate change.

But what if the wood used to generate electricity reduces the use of fossil fuels? Wouldn’t total carbon dioxide emissions then fall? That depends on how much carbon dioxide is emitted from wood relative to the fuel being displaced. To determine whether wood bioenergy can slow climate change, we therefore need to know answers to a series of questions:

How much carbon dioxide does burning wood for energy add to the atmosphere?

Burning wood to generate electricity emits more carbon dioxide per kilowatt-hour generated than fossil fuels—even coal, the most carbon-intensive fossil fuel. Although wood and coal contain about the same amount of carbon per unit of primary energy—the raw energy in the fuel—(EPA 2018), wood burns less efficiently, in part because it contains more water than coal. The higher the water content, the larger the fraction of the energy of combustion goes into vaporizing that water and up the flue instead of producing the heat needed to make the steam that powers the turbines and generators (Dzurenda and Banski 2017, FAO 2015).

Carbon dioxide emissions from the wood supply chain also exceed those from coal. Wood must be harvested, transported to a mill, dried, processed into chips or pellets, and transported to a power plant (Figure 1). These activities emit carbon dioxide from fossil fuel-powered vehicles and machinery, plus emissions from burning wood or fossil fuels to reduce the water content of chips and pellets from approximately 50 percent for raw wood to about 10 percent for dried pellets. About 27 percent of the harvested biomass is lost in the wood pellet supply chain, of which the largest share—18 percent—arises from burning some of the biomass to generate heat to dry pellets (Röder et al. 2015). In contrast, coal processing adds only about 11 percent to emissions (Sterman et al. 2018a).

The situation is worse if wood displaces other fossil fuels: Wood releases about 25 percent more carbon dioxide per joule of primary energy than fuel oil, and about 75 percent more carbon dioxide than fossil (so-called “natural”) gas (EPA 2018). Wood bioenergy therefore emits more carbon dioxide per kilowatt-hour of power generated than all fossil fuels, including coal (PFPI 2011), incurring a “carbon debt”—an immediate increase in carbon dioxide in the atmosphere, worsening climate change every year, unless and until that carbon debt is repaid later by forest regrowth.

Figure 1. Life cycle emissions from wood bioenergy. Every stage of the supply chain adds CO2 to the atmosphere, from cutting the trees through transport, processing the wood into chips or pellets, transporting them to a power plant, and combustion. CO2 is removed only later, and only if, the harvested land regrows. Photo credits, left to right: Power Plant, courtesy of Paul Glazzard, Creative Commons Attribution-ShareAlike 2.0 license. Transport: Handymax bulk carrier, courtesy of Nsandel/Wikimedia/Public Domain. Pellet mill, Truck Transport, and Forest images all courtesy of Dogwood Alliance, used with permission.

Will the forests harvested for bioenergy regrow? If so, how long will it take?

The wood bioenergy industry claims to practice sustainable forestry and be carbon neutral (e.g., Drax 2021, Enviva 2021). The most important claim is that wood bioenergy is carbon neutral because the harvested forests will regrow, removing the carbon they add to the atmosphere when burned (Table 1). However, regrowth is uncertain, and regrowth takes time.

Regrowth is uncertain: Land harvested for bioenergy might be converted to pasture, cropland, or development, preventing regrowth. The carbon dioxide emitted when the trees are burned is then never taken back up by forest regrowth on that land. Even if the harvested land is allowed to regrow, the trees may be harvested again, legally or illegally. The carbon dioxide released in each rotation returns to the atmosphere, where it worsens climate change.

Even if the recovering forest is somehow protected against all future harvest, the trees face risks from wildfire, insects, disease, extreme weather, and drought, all increasing as the climate warms (Brecka et al. 2018; Xu et al. 2019, Boulton, Lenton and Boers 2022). These factors slow or prevent carbon dioxide removal from the atmosphere by forests and may even convert forests from carbon sinks to carbon sources (Gatti et al. 2021). These growing risks to regrowth would limit the future removal of the carbon dioxide emitted by burning wood, permanently worsening climate change.

Regrowth takes time: Even if land conversion, repeated harvests, fire, drought, disease, and other adverse events never arise, regrowth takes time. The time required for regrowth to remove the carbon dioxide emitted when wood is burned for energy is known as the “carbon debt payback time.”


Are the forests harvested for bioenergy growing and removing carbon dioxide now?

The US bioenergy industry uses the fact that many US forests are growing today to claim that wood bioenergy is carbon neutral. For example, Enviva, the largest US pellet producer, with multiple mills in the Southeast United States, falsely argues that “…continued forest carbon gain across the landscape… means that products from the Southeast U.S., including wood bioenergy, are not adding carbon emissions to the atmosphere. As a result, when wood pellets from this region are used to generate energy, we can set stack emissions to zero.” (Enviva, nd; see Table 1).

It is true that forests in the Southeast US are acting as carbon sinks today as the result of intensive management and recovery from prior harvests. But these and other forest carbon sinks are already accounted for in the national greenhouse gas emissions inventories required under the United Nations Framework Convention on Climate Change, which sets the rules for greenhouse gas accounting under international agreements (e.g., UNFCCC 2014). Therefore, what counts is what happens to emissions on the margin—that is, the incremental impact of harvesting forests for bioenergy compared to allowing those forests to continue to grow and serve as carbon sinks. Typical rotation periods for working forests are far shorter than the time required for them to reach maturity and maximum carbon storage (Moomaw, Masino, and Faison 2019, Sohngen and Brown 2011, US Forest Service 2014). The younger the forest and faster it is growing when harvested for bioenergy, the more future carbon sequestration is lost.

A dynamic lifecycle assessment of wood bioenergy

To determine the impact of wood bioenergy on carbon dioxide emissions we developed a model for dynamic lifecycle assessment of wood bioenergy (Sterman et al. 2018a; Sterman et al. 2018b). The model includes carbon dioxide emissions from bioenergy, carbon dioxide uptake by regrowth, and carbon dioxide emissions avoided if wood displaces fossil fuels. Supply chain emissions for both wood and fossil fuels are included. Model parameters were estimated from data on forest regrowth in a wide range of forests in the southern and eastern USA, regions increasingly supplying wood for pellets, much of which is exported to Europe and the United Kingdom.

 
Figure 2. Impact of harvesting wood for bioenergy in 2025 from a 50-year-old oak-hickory forest in the south central USA. Top: Change in carbon on the harvested land (tons C per hectare). Brown: carbon in soils and dead organic matter; Green: carbon in living biomass. Dotted line: the total carbon stock (living biomass and soils) if the forest were not harvested in 2025. The forest would have continued to grow and remove carbon from the atmosphere but for being cut for bioenergy. The difference between the dotted no-harvest line and the top of the green band is the carbon emitted into the atmosphere by the harvest. Bottom: Change in atmospheric CO2 resulting from the harvest and combustion of the wood. Solid line: wood displaces a zero-carbon energy source. Dotted line: wood displaces coal. Scale: the initial rise in atmospheric CO2 when wood displaces zero-carbon energy is normalized to 100%. The initial rise in atmospheric CO2 when wood displaces coal is about 50% less due to the emissions avoided by the reduction in coal use.

Figure 2 (above) shows the impact of wood harvested for bioenergy from an oak-hickory forest, “perhaps the most extensive deciduous forest type of eastern North America” (Dick 2016). The simulation parameters are estimated for oak-hickory forests in the south central United States, among the forests used to supply wood pellets for bioenergy, including exports to the United Kingdom (Buchholz & Gunn 2015; Sterman et al. 2018a 2018b report results for other forests in the southern and eastern US). Most forests in the United States have been cut multiple times. We assume the last prior harvest was 50 years ago. To assess the dynamic impact of wood bioenergy use, Figure 2 traces the impact of a single harvest in 2025, showing the stocks of carbon in the biomass and soil and the resulting change in the concentration of carbon dioxide in the atmosphere. We consider two scenarios:The harvested wood is used to generate electric power that replaces an equivalent amount of energy generated from coal, the most carbon-intensive fossil fuel.
The harvested wood is used to generate electric power that replaces an equivalent amount of energy produced by zero-carbon sources (e.g., wind and solar).

The top panel of Figure 2 shows the stock of carbon on the land harvested for bioenergy (metric tons of carbon per hectare), including the carbon in the living biomass and in soils and dead organic matter. The harvest and combustion of wood for energy immediately reduces the stock of carbon in living biomass on the land and increases atmospheric carbon dioxide. The stock of carbon in dead biomass and soil also begins to drop: the wood harvest reduces the flux of carbon from living biomass to soils, while heterotrophic respiration by bacteria, fungi, and other organisms continues to release the carbon in dead biomass and soils into the atmosphere. After the harvest, the forest begins to recover. Soil carbon continues to drop for some time, however, until the flux of carbon transferred to the soils from living biomass exceeds the flux of carbon emitted to the atmosphere from the soil by heterotrophic respiration.

The simulation assumes the land is harvested 50 years after the last rotation. The forest at that time is still recovering. The dotted line in the top panel of Figure 2 shows that the total stock of carbon on that land would have continued to grow through 2200 (and beyond), but for the harvest for bioenergy. The difference between the no-harvest and harvest cases is the quantity of carbon lost to the atmosphere due to the bioenergy harvest. The bioenergy harvest not only adds the carbon extracted and burned to the atmosphere, but prevents the additional growth that would have occurred had the forest not been harvested.

The bottom panel of Figure 2 shows the change in the concentration of carbon dioxide in the atmosphere for the two scenarios above. The figure shows the evolution of atmospheric carbon dioxide relative to the no-harvest case, scaled relative to the magnitude of the initial change in carbon dioxide when the wood displaces zero-carbon energy such as wind and solar (the absolute change in atmospheric carbon dioxide depends on the amount of wood harvested and burned). Cutting and burning trees for bioenergy immediately increases the concentration of carbon dioxide in the atmosphere. The jump in atmospheric carbon dioxide when wood displaces coal is approximately half as much as when the wood displaces zero-carbon energy. The impact of displacing other fossil fuels such as fuel oil or fossil (“natural”) gas lies between the coal and zero-carbon scenarios because these fuels emit less carbon dioxide per kilowatt-hour than coal, but of course more than wind or solar.

Note that, in both cases atmospheric carbon dioxide continues to increase through approximately 2040, 15 years after the assumed harvest in 2025. Although the harvested land begins to regrow immediately, seedlings and saplings have much smaller leaf area for photosynthesis and accumulate carbon slower than older trees. Consequently, the carbon sequestered by regrowth is initially less than the carbon the forest would have stored had it not been harvested.


After approximately the year 2040, the excess carbon dioxide in the atmosphere from the harvest and combustion of the wood begins to fall as regrowth outpaces the growth in carbon in the no-harvest case. However, atmospheric carbon dioxide remains above the level it would have had but for the harvest well beyond the year 2100. Even when wood displaces coal, the excess carbon dioxide is not taken back up by forest regrowth until after the year 2140: The carbon debt payback time in this scenario is approximately 115 years. When the wood displaces zero-carbon energy, atmospheric carbon dioxide remains above its initial level well past the year 2200.

The simulation shows the impact of clearing a stand of forest and using the wood for bioenergy. The bioenergy industry claims that they practice what they call “sustainable” forestry—avoiding clearcutting, taking only residues from lumber and pulpwood harvests, or thinning forests by taking only small or diseased trees. Environmental groups, however, have documented the harvest of large trees and clear-cutting by the industry (Norton et al. 2019; Stashwick et al. 2019; Stashwick et al. 2017). To address this issue, we also simulated the impact of thinning, in which only 25 percent of the living biomass is removed from the harvested forest (Sterman et al. 2018a 2018b). Across all the forests examined, thinning reduces the carbon debt payback times somewhat. For example, in the scenario shown in Figure 2, thinning reduces the carbon debt payback year from 2140 to 2115—still too late.

The simulations favor wood bioenergy. We assume that the land remains forested, that the forest grows back without any subsequent harvest, and that it suffers no losses from wildfire, disease, insects, extreme weather or other threats to regrowth. We do not consider additional carbon loss from soils due to the disturbance caused by the harvest. We do not consider non-climate harms from wood harvest and bioenergy production, including habitat fragmentation, loss of biodiversity, and the health effects of exposure to particulates and other pollutants from wood processing and power plants.

To track the impact of wood bioenergy, the simulation shows the impact of harvesting and burning wood for energy in a single year. But the bioenergy industry is growing rapidly, stimulated by the false declaration that wood is carbon neutral and resulting subsidies in many nations. The International Energy Agency reports primary energy from biomass for electricity generation grew at an average rate of more than 6 percent per year between 1990 and 2018 (IEA 2020). The IEA’s “Net-Zero by 2050” scenario projects modern bioenergy—which includes wood—will grow by more than a factor of four by 2050 (IEA 2021b).

What happens to atmospheric carbon dioxide in the realistic case of growing wood bioenergy use? Each year the carbon dioxide emissions from cutting and burning wood would exceed the removal of carbon dioxide by regrowth, continually increasing the concentration of carbon dioxide in the atmosphere, just as filling your bathtub faster than it drains will continually raise the level of water in the tub (until it overflows and damages your home).

The situation is analogous to a government that runs a continually growing fiscal deficit. The outstanding debt rises every year even if the government fully repays every bond it issues at maturity. In the same way, the growing use of wood bioenergy adds more carbon dioxide to the atmosphere every year, increasing the outstanding carbon debt, even if the forests are managed sustainably and all harvested lands eventually recover enough to fully repay the carbon debt incurred when the wood was extracted and burned.



Eventual carbon neutrality is not climate neutrality
Even under the best case where wood displaces coal, regrowth does not remove the excess carbon dioxide emitted by wood for many decades or more, and far longer if the harvested forests are growing today—as most are—and far more if wood displaces other fossil fuels. At that future time, wood bioenergy can be said to have achieved carbon neutrality. Until then, wood bioenergy increases the level of carbon dioxide in the atmosphere above what it would have been, accelerating global warming.

But is the climate impact of that additional warming reversed if regrowth finally removes the excess carbon dioxide? Is eventual carbon neutrality the same as climate neutrality?

The answer is “No.”
Even temporarily elevated levels of atmospheric carbon dioxide cause irreversible climate damage (IPCC 2022; Solomon et al. 2009). The excess carbon dioxide from wood bioenergy begins warming the climate immediately upon entering the atmosphere. The harms caused by that additional warming are not undone even if the carbon debt from wood energy is eventually repaid: The Greenland and Antarctic ice sheets melt faster, sea level rises higher, wildfires become more likely, permafrost thaws faster, and storms intensify more than if the wood had not been burned. Eventual full forest recovery will not replace lost ice, lower sea level, undo climate disasters, put carbon back into permafrost, or bring back homes lost to floods or wildfires. The excess warming from wood bioenergy increases the chances of going beyond various climate tipping points that could lead to runaway climate change: emissions “pathways that overshoot 1.5°C run a greater risk of passing through ‘tipping points’, thresholds beyond which certain impacts can no longer be avoided even if temperatures are brought back down later on” (IPCC 2018, p. 283). Carbon neutrality is not climate neutrality.

Why does it matter? We have already raised global average surface temperatures about 1.1 degrees Celsius (2 degrees Fahrenheit) above preindustrial levels, and most of humanity already suffers from its effects (Callaghan et al. 2021, IPCC 2022). The consequences of warming beyond 2 degrees Celsius are expected to be devastating. Sea levels could rise by well over a meter by the end of this century, exposing millions of people to coastal flooding (Kulp & Strauss 2019). More than half the world’s people would be exposed to deadly heat waves (Mora et al. 2017). The yields of crops including wheat, maize, rice, and soy would fall even as the United Nations projects that world population will grow by billions (Zhao et al. 2017, United Nations 2019). Droughts, wildfires, and intense storms will become more frequent and extreme (IPCC 2018). Warming could push the Earth beyond various tipping points that could lead to irreversible harm (IPCC 2018). These impacts would intensify hunger, economic disruption, mass migration, civil conflict, and war (Burke et al. 2015; Hsiang & Burke 2014; Koubi 2019; Levy 2019). Scientists and nearly all nations on Earth therefore agree that global greenhouse gas emissions must fall as deeply and quickly as possible, reaching net zero by approximately midcentury.

Wood bioenergy moves the world in the wrong direction.

Policy implications
What can be done? First, policies that treat wood bioenergy as carbon neutral must end. These policies allow power plants and nations to ignore the carbon dioxide they emit by burning wood on the false assumption that those emissions are quickly offset by forest growth somewhere else, creating a “critical climate accounting error” (Searchinger, et al. 2009). The carbon dioxide emitted from wood should be counted the same way emissions from other fuels are: fully, at the point of combustion.

Second, subsidies for wood bioenergy must end. Subsidizing wood bioenergy means taxpayers are paying pellet and power producers to make climate change worse.

Third, the fact that wood bioenergy is worse than coal in no way justifies the continued use of coal or any fossil fuel. To avoid the worst harms from climate change we must not only keep the vast majority of remaining fossilized carbon in the ground, we must also keep the vast majority of the carbon in our forests on the land.

The good news is that existing technologies such as energy efficiency, and the use of renewables such as solar, wind, and geothermal energy, can meet people’s needs for comfort, light, mobility, communication, and other purposes. The costs of these technologies are falling rapidly, and in many places are already lower than fossil fuels (IEA 2021a). Innovations in clean energy, energy storage, smart grids, and other technologies are expanding our ability to meet everyone’s energy needs affordably. Unlike wood bioenergy, these technologies allow forests to continue growing and sequestering atmospheric carbon dioxide. Investments in energy efficiency and clean energy also generate multiple co-benefits including increased community resilience, jobs, and improved health and economic well-being, especially for low-income individuals and households (Belesova et al. 2020; Burke et al. 2018; IEA 2021a; IPCC 2018; Pollin et al. 2014; Shindell et al. 2018). In contrast, particulate emissions and other pollutants from wood bioenergy damage human health (Allergy & Asthma Network et al. 2016).

To keep global warming under 2 degrees Celsius, net greenhouse gas emissions must fall to net zero by approximately mid-century, less than 30 years from now. Wood bioenergy increases greenhouse gas emissions and makes climate change worse during these critical years and beyond, even if the wood displaces coal. More effective ways to cut greenhouse gas emissions and meet human needs are available and affordable now. Ending subsidies and policies that promote wood bioenergy will reduce emissions and allow forests to continue to grow, preserving their vital role as carbon sinks that moderate climate change.

Disclosure Statement

No potential conflict of interest was reported by the authors.

Funding

Authors John Sterman and Lori Siegel received no specific grant from any funding agency in the public, commercial, or not-for-profit sectors for this work. Author William Moomaw was supported by a grant from the Rockefeller Brothers Foundation. Author Juliette N. Rooney-Varga was supported by the National Science Foundation under grant ICER-1701062.


References

Allergy & Asthma Network, American Academy of Pediatrics, American Lung Association, American Public Health Association, Asthma and Allergy Foundation of America, National Association of County & City Health Officials, et al. 2016. Letter to policymakers [Press release]. https://www.naccho.org/uploads/downloadable-resources/Policy-and-Advocacy/Health-organizational-letter-health-impacts-of-biomass.pdf.

Belesova, K., Heymann, D. L., & Haines, A. 2020. “Integrating climate action for health into Covid-19 recovery plans.” BMJ, 370, m3169. https://doi.org/10.1136/bmj.m3169.

Booth, M. 2018. “Not carbon neutral: Assessing the net emissions impact of residues burned for bioenergy.” Environmental Research Letters, 13(3), 035001. http://stacks.iop.org/1748-9326/13/i=3/a=035001.

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