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domingo, 2 de agosto de 2026

Cientistas descobrem DNA misterioso: dois antepassados desconhecidos no genoma humano

A calote craniana encontrada no vale de Salkhit, no leste da Mongólia, pertenceu a uma mulher que viveu há cerca de 34.000 anos. Institut für Archäologie, Mongolische Akademie der Wissenschaften

Investigadores da conceituada University of California, em Berkeley, fizeram uma descoberta impressionante: identificaram segmentos de ADN no genoma dos humanos atuais, que provêm de antepassados até agora desconhecidos. Os cientistas falam de “antepassados fantasma”, porque destas populações humanas extintas nada se sabe por enquanto.

Hoje, o Homo sapiens é a única espécie humana ainda existente. No passado distante, porém, partilhava o planeta com numerosas outras linhagens de hominídeos.

Estudos anteriores já tinham mostrado que os humanos modernos se cruzaram com neandertais e com os chamados humanos de Denisova, gerando descendentes comuns. Muitos indivíduos conservam ainda hoje, no seu genoma, vestígios genéticos desses encontros. Agora, um novo estudo sugere que terão existido pelo menos mais dois grupos humanos desconhecidos, que também transmitiram ADN aos nossos antepassados.

Um destes antepassados até agora desconhecidos cruzou-se há mais de 50.000 anos, em África, com os antepassados dos humanos modernos, antes da última grande vaga migratória de Homo sapiens para a Europa e a Ásia. Os genes herdados nessa altura representam hoje cerca de 1% do genoma de todas as pessoas – aproximadamente a mesma proporção da componente neandertal do ADN.

Segundo os cálculos dos investigadores, esta enigmática linhagem humana terá divergido da linha evolutiva que conduziu ao humano moderno há cerca de 800.000 anos – aproximadamente na mesma altura em que também neandertais e humanos de Denisova se separaram entre si.

“Estudos anteriores já tinham sugerido a existência de uma chamada descendência fantasma – ou seja, vestígios genéticos de linhagens humanas desconhecidas e extintas no genoma dos humanos modernos”, explica a doutoranda de Berkeley Yulin Zhang, uma das primeiras autoras do estudo. “Até agora, porém, não se sabia se essa descendência desconhecida ocorria apenas em africanos, nem quando terá acontecido essa mistura. Conseguimos agora identificar e cartografar os segmentos de ADN correspondentes no genoma de humanos modernos e demonstrar que esta descendência fantasma está presente em todas as populações atuais – não apenas em africanos.”

Linha temporal: 1,8 milhões de anos
Ainda mais enigmático é o segundo antepassado, que os investigadores descrevem como “super-arcaico”. A sua linhagem humana ter-se-á separado das restantes há cerca de 1,8 milhões de anos. Há mais de 200.000 anos, terá provavelmente cruzado, na Eurásia, com os humanos de Denisova – e foi por essa via indireta que fragmentos desse ADN ancestral acabaram por entrar no genoma do humano moderno.

“O registo deste antepassado super-arcaico é particularmente intrigante, porque revela contribuições genéticas de uma linhagem humana que viveu há mais de um milhão de anos – apesar de, até agora, não existir qualquer ADN desta população decifrado”, afirmou Arjun Biddanda, pós-doutorando na Johns Hopkins University e um dos primeiros autores do estudo.

“Graças ao ADN antigo de neandertais e de humanos de Denisova, bem como a novos métodos genealógicos, estamos a perceber cada vez melhor que, ao longo da evolução, as populações humanas se misturaram repetidamente”, afirmou Priya Moorjani, professora de Biologia Molecular e Celular na University of California, em Berkeley. “A evolução humana assemelha-se, por isso, menos a uma árvore genealógica ramificada e mais a uma rede complexa, em que diferentes populações ficaram ligadas entre si através de sucessivas migrações e misturas.”

Diferença entre ADN neandertal e de Denisova
Atualmente, a maioria das pessoas fora de África possui cerca de 1% a 2% de ADN neandertal no seu genoma. Em média, entre 1% e 2% do genoma de europeus e asiáticos atuais provém de neandertais. Esse é o resultado de cruzamentos entre neandertais e primeiros humanos modernos há cerca de 50.000 a 60.000 anos, pouco depois de Homo sapiens ter saído de África.

Os segmentos de ADN herdados continuam a influenciar os humanos atuais. Algumas variantes estão associadas à resposta imunitária, às características da pele e do cabelo ou à adaptação a condições ambientais. Outras aumentam o risco de determinadas doenças ou influenciam a reação a infeções.

Grupos populacionais na Ásia e na Oceânia têm, além do ADN neandertal, componentes genéticas dos humanos de Denisova. Restos de humanos de Denisova com ADN sequenciado foram sobretudo identificados na região da Eurásia:

Há cerca de seis anos, o estudo do genoma do mais antigo fóssil humano até agora descoberto na Mongólia permitiu novos avanços no conhecimento da história antiga da nossa espécie. Investigadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, e da Academia de Ciências da Mongólia mostraram que, nos restos com cerca de 34.000 anos de uma mulher, cerca de 25% do ADN tinha origem em antepassados da Eurásia ocidental. Além disso, a equipa encontrou no genoma dessa mulher – tal como no de um humano com cerca de 40.000 anos da China – traços de ADN de Denisova, a forma humana extinta que viveu na Ásia antes de ali chegarem os humanos modernos.

É igualmente significativo que neandertais e humanos de Denisova também se tenham cruzado entre si. Sabe-se, a partir de um fóssil da gruta de Denisova, na cordilheira de Altai, no sul da Sibéria, perto das fronteiras com o Cazaquistão, a Mongólia e a China, que se tratava de uma mulher com mãe neandertal e pai de Denisova – uma prova direta de que ambas as formas humanas tiveram descendência comum.

Quem eram exatamente este “antepassado fantasma” e o “antepassado super-arcaico” continua por esclarecer. Os momentos de divergência calculados ajustam-se, contudo, a formas humanas já conhecidas: os antepassados fantasma poderão ter pertencido a grupos de Homo do Médio Pleistocénico que viveram em África há cerca de 800.000 anos. O antepassado super-arcaico poderá ter sido idêntico, ou estreitamente aparentado, a Homo erectus, espécie que colonizou a Eurásia há cerca de 1,8 milhões de anos.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Toda a verdade sobre a Rússia, NATO, União Europeia, EUA e Ucrânia e, por fim, a China


1. A Ucrânia tem mesmo forças nazis? 
A Ucrânia não é um Estado nazi e Volodymyr Zelensky não lidera forças nazis. A narrativa de que o país está dominado por neonazis é uma das principais ferramentas de propaganda e desinformação utilizadas pelo governo russo para justificar a invasão perante a sua própria população e o mundo. Na verdade, o próprio presidente Zelensky é judeu e perdeu familiares no Holocausto, tendo sido eleito democraticamente em 2019 com mais de 73% dos votos, o que torna a acusação de liderar um regime nazi uma contradição óbvia. Além disso, embora existam grupos de extrema-direita na Ucrânia — assim como na Rússia e na maioria dos países europeus —, o seu peso político real é residual, visto que nas últimas eleições legislativas a coligação de partidos de extrema-direita obteve apenas cerca de 2% dos votos, não conseguindo sequer representação no Parlamento ucraniano.
O mito alimentado por Moscovo baseia-se sobretudo nas origens do Batalhão Azov. Em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e fomentou a guerra no Donbass, o exército ucraniano estava desestruturado e surgiram milícias voluntárias para defender o território. O grupo Azov original foi de facto fundado por indivíduos com ligações a fações radicais de ultradireita e claques de futebol, utilizando símbolos visuais controversos. No entanto, ainda no final de 2014, o governo ucraniano integrou oficialmente o grupo na Guarda Nacional, iniciando um processo profundo de reestruturação. Ao longo dos anos, os líderes políticos radicais foram afastados, a unidade foi despolitizada e transformada numa força militar regular de defesa. Inclusive, o governo dos Estados Unidos levantou as restrições ao fornecimento de armas à brigada após confirmar que esta se tinha tornado uma unidade militar profissional padrão. Para a Rússia, o rótulo de "nazi" carrega um peso histórico e emocional gigantesco herdado da Segunda Guerra Mundial, sendo utilizado de forma estratégica para desumanizar o adversário e criar um falso pretexto moral para a agressão militar.

2. As eleições na Rússia não são consideradas democráticas, livres ou justas por analistas internacionais, pelas Nações Unidas, pela União Europeia e por organizações independentes de direitos humanos. 
O sistema político russo é classificado como um regime autoritário ou uma autocracia eleitoral, o que significa que o país mantém a aparência de uma democracia — com urnas, boletins de voto e campanhas —, mas todo o processo é rigidamente controlado pelo Kremlin para garantir a permanência de Vladimir Putin no poder. O principal pilar desta falta de democraticidade é a eliminação sistemática da oposição real, onde qualquer candidato que represente uma ameaça séria é impedido de concorrer, seja através do exílio, de desqualificações burocráticas por parte da Comissão Eleitoral Central ou da prisão sob acusações politizadas, como aconteceu emblematicamente com Alexei Navalny. Para simular uma pluralidade, o regime permite apenas a participação da chamada "oposição sistémica", composta por partidos minoritários que fingem competir, mas que na prática apoiam as diretrizes do governo e nunca criticam diretamente o presidente ou a guerra.
Além da ausência de adversários reais, o processo é profundamente distorcido pelo controlo total dos meios de comunicação social, uma vez que todas as grandes cadeias de televisão, jornais e rádios são estatais ou pertencem a aliados de Putin, enquanto a internet e a imprensa independente enfrentam uma censura feroz. Organizações independentes de monitorização eleitoral denunciam consistentemente fraudes massivas nas contagens de votos, incluindo o enchimento de urnas, a manipulação de sistemas de voto eletrónico que não permitem auditoria e a forte coação sobre funcionários públicos e trabalhadores de empresas estatais, que são obrigados a votar sob ameaça de demissão. Adicionalmente, as eleições russas carecem de observadores internacionais credíveis e incluem votações forçadas em territórios ucranianos ocupados militarmente, o que viola o direito internacional. Em suma, o objetivo destas eleições não é dar uma escolha ao povo, mas sim fazer uma demonstração de força, utilizando maiorias esmagadoras fabricadas para legitimar as políticas do regime perante o mundo e desanimar qualquer oposição interna.

3. E a historieta do Tio Sam e de Putin é também falsa. 
A "historieta do Tio Sam e de Putin" refere-se à narrativa de que a guerra na Ucrânia é apenas um conflito provocado exclusivamente pelo "Tio Sam" (os Estados Unidos) para encurralar o Putin, ou à ideia romântica de que a Rússia é uma vítima inocente que foi obrigada a atacar para se defender do expansionismo ocidental, sim, essa também é uma versão altamente distorcida e falsa da realidade.
Essa narrativa - muito repetida pela propaganda russa e por setores que adotam uma postura anti-EUA automática - ignora deliberadamente a história, a soberania da Ucrânia e as próprias ambições imperialistas de Vladimir Putin. A análise factual desmitifica essa história em bloco:
  • A Ucrânia é um país independente e soberano desde 1991. A decisão de se aproximar da União Europeia ou da NATO não foi uma "invasão disfarçada" dos Estados Unidos, mas sim uma escolha democrática do próprio povo ucraniano. 
  •  Histórica e economicamente, os ucranianos assistiram ao crescimento e à prosperidade de vizinhos ex-comunistas que se juntaram ao Ocidente (como a Polónia e os países bálticos), enquanto as nações que ficaram sob a órbita da Rússia (como a Bielorrússia) estagnaram em ditaduras. 
  • A aproximação ao Ocidente foi uma tentativa da Ucrânia de garantir a sua própria segurança e modernização, e não uma conspiração americana.
Além disso, a própria NATO nunca forçou a entrada de nenhum país. São os países da Europa de Leste que pedem desesperadamente para aderir à aliança porque têm, compreensivelmente, medo do histórico de agressão da Rússia. O argumento de Putin de que se sentiu "ameaçado" cai por terra quando olhamos para os factos: a NATO é uma aliança defensiva e nenhum país ocidental tinha planos ou intenções de invadir o território russo, que possui o maior arsenal nuclear do planeta e, portanto, uma capacidade de dissuasão total.
O erro central dessa "historieta" é retirar totalmente a culpa a Vladimir Putin e o direito de escolha à Ucrânia, tratando o conflito como se os ucranianos fossem meros peões sem vontade própria num tabuleiro de xadrez entre Washington e Moscovo. A verdade é que a invasão foi um ato de agressão deliberado, planeado pelo Kremlin com o objetivo de anexar territórios, travar a democratização de um país vizinho e restaurar a antiga esfera de influência da era soviética.

4. A afirmação de que o Donbas e a região histórica da Novorossiya -  que engloba cidades como Odessa, Mykolaiv, Dnipro e Kharkiv - nunca foram da Ucrânia é historicamente falsa, tratando-se de um mito construído pelo nacionalismo russo para tentar legitimar as suas pretensões territoriais atuais. 
Muito antes de o Império Russo ou da Imperatriz Catarina, a Grande, terem conquistado estas terras no final do século XVIII, o território do sul e do leste da Ucrânia não era um vazio demográfico; a área era conhecida como os "Campos Selvagens" e estava sob o controlo e a profunda influência dos Cossacos Ucranianos, que ali estabeleceram povoações agrícolas, feitorias e rotas comerciais. O próprio termo Novorossiya ("Nova Rússia") foi apenas uma designação administrativa e colonial criada pelo Império Russo em 1764, funcionando exatamente da mesma forma que o Império Britânico criou a "Nova Inglaterra" na América do Norte. Além disso, os censos do próprio Império Russo (como o de 1897) comprovam que a esmagadora maioria dos camponeses que colonizaram e cultivaram o interior dessa região eram ucranianos, fixando-se os russos sobretudo como funcionários públicos e operários nas grandes cidades nascentes.
A propaganda russa costuma alegar que as grandes cidades da região foram fundadas do zero por russos, mas a verdade é que muitas foram erguidas sobre antigos colonatos ucranianos, tártaros ou fortalezas otomanas já existentes, como é o caso de Odessa, construída no local do antigo porto tártaro de Hadjibey. Com o colapso do Império Russo em 1917, o nome Novorossiya desapareceu dos mapas oficiais e os próprios habitantes escolheram o seu destino ao integrarem o Donbas, Kharkiv, Odessa e Mykolaiv na recém-declarada República Popular da Ucrânia, precisamente porque a maioria da população partilhava essa identidade. Mais tarde, quando os bolcheviques desenharam as fronteiras da União Soviética, incluíram estas regiões na Ucrânia Soviética pelo mesmo motivo demográfico. O teste definitivo de pertença ocorreu em dezembro de 1991, aquando do referendo para a independência da Ucrânia: mesmo nas zonas com maior presença da língua russa, a população votou massivamente a favor de fazer parte da Ucrânia independente, com aprovações que atingiram os 83,9% em Donetsk, 83,8% em Luhansk, 86,3% em Kharkiv e 85,3% em Odessa. Ignorar esta autodeterminação com base num rótulo colonial do século XVIII seria o equivalente a dizer que o Brasil pertence hoje a Portugal ou que os Estados Unidos são território britânico.

Por isso, sim. Portugal proibiu a equipa russa de trampolim de usar bandeira e hino na Taça do Mundo de Ginástica. É apenas um gesto simbólico, mas neste caso e pelo que atrás já referi, Portugal agiu bem.

P.S. A "grande" China, por exemplo, bane qualquer cantor/artista que exiba a bandeira de Taiwan, do Tibete, Hong Kong ou do povo Uigur. 
𝐎 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨 𝐝𝐚 𝐑𝐞𝐩𝐮́𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚 𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐚 𝐂𝐡𝐢𝐧𝐚 𝐚𝐝𝐨𝐭𝐚 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝐭𝐨𝐥𝐞𝐫𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐳𝐞𝐫𝐨 𝐞𝐦 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐧𝐢𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐩𝐫𝐞𝐭𝐚𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦 𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐢𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐚𝐥, 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢 𝐬𝐢́𝐦𝐛𝐨𝐥𝐨𝐬 𝐥𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐚 𝐓𝐚𝐢𝐰𝐚𝐧, 𝐚𝐨 𝐓𝐢𝐛𝐞𝐭𝐞, 𝐇𝐨𝐧𝐠 𝐊𝐨𝐧𝐠 𝐞 𝐚̀ 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐗𝐢𝐧𝐣𝐢𝐚𝐧𝐠, 𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐯𝐨 𝐔𝐢𝐠𝐮𝐫. 
Na massiva e altamente regulada indústria do entretenimento chinesa, a exibição de bandeiras ou o apoio a estas causas resulta num banimento praticamente imediato e severo. Este processo de cancelamento cultural e económico envolve a rescisão instantânea de contratos publicitários, o cancelamento de digressões e a remoção completa do catálogo musical e audiovisual do artista das principais plataformas de streaming do país, como o Weibo e o NetEase. Em casos de produções televisivas ou cinematográficas já gravadas, o governo exige frequentemente que as cenas do artista sejam cortadas ou que o seu rosto seja desfocado digitalmente.
Ao longo dos anos, diversos nomes da cultura pop internacional e regional sofreram estas sanções. A cantora Lady Gaga e a banda Maroon 5, por exemplo, viram as suas músicas banidas e concertos cancelados após demonstrarem apoio ou se encontrarem com o Dalai Lama, líder espiritual tibetano. No cenário do K-pop, a cantora taiwanesa Chou Tzu-yu, integrante do grupo Twice, causou uma enorme polémica na China continental em 2015 após segurar a bandeira de Taiwan num programa de televisão sul-coreano, o que a pressionou a gravar um pedido de desculpas público afirmando que "só existe uma China". Para as autoridades de Pequim, o acesso ao gigantesco mercado de consumo chinês é tratado como um privilégio condicionado ao respeito absoluto pelas diretrizes políticas e pela integridade territorial defendida pelo Partido Comunista Chinês.
A situação aplica-se igualmente a Hong Kong, que se tornou outra das grandes linhas vermelhas para o governo chinês, especialmente após os protestos pró-democracia de 2014 e 2019. Qualquer artista, seja local ou internacional, que expresse a mínima simpatia ou apoio aos manifestantes enfrenta exatamente o mesmo mecanismo de retaliação e censura. Figuras de destaque do entretenimento da própria cidade, como a cantora de Cantopop Denise Ho e o conceituado ator Anthony Wong, viram as suas carreiras na China continental completamente destruídas por demonstrarem apoio ao movimento democrático, resultando na remoção das suas obras de todas as plataformas digitais, contratos rescindidos e um boicote total por parte da indústria, acabando mesmo por sofrer perseguição judicial no próprio território de Hong Kong ao abrigo da nova Lei de Segurança Nacional. No panorama internacional, partilhar uma simples mensagem de solidariedade para com Hong Kong nas redes sociais é o suficiente para desencadear o cancelamento de digressões e a fúria dos consumidores nacionalistas. Tudo isto reforça a mensagem inabalável de Pequim: para operar ou lucrar no mercado chinês, o alinhamento com a narrativa oficial sobre a soberania e a estabilidade de todos os seus territórios, incluindo as suas Regiões Administrativas Especiais, tem de ser absoluto

sexta-feira, 27 de março de 2026

Nick Cave and Warren Ellis - We Are Not Alone


Melhor som aqui
Apresentação do álbum aqui
Letra
This world has ears and rocks have eyes
Nature loves to hide
The world is a bush full of fiery eyes

Nature loves to hide
I've travelled a lot, I was observed
I was observed and unaware

I've travelled a lot unaware I was observed, I was observed
We are not alone (Good news for life) 20X

Uma Meditação sobre a Natureza: "We Are Not Alone"
No seu trabalho colaborativo para o documentário A Pantera das Neves (The Velvet Queen), Nick Cave e Warren Ellis exploram a linha ténue que separa a humanidade do divino. A canção "We Are Not Alone" serve como o pulsar emocional desta jornada, afastando-se da obsessão moderna pelo "eu" em direção a uma ligação profunda e comunitária com o meio ambiente.

A música sugere que a "presença" não se resume apenas a outras pessoas; trata-se dos espíritos da paisagem, dos animais que nos observam das sombras e dos ecos ancestrais que habitam os lugares silenciosos do mundo. É uma chamada de atenção, assustadoramente bela, para pararmos, ouvirmos e reconhecermos o nosso lugar dentro da tapeçaria viva do planeta.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Josefin Öhrn and The Liberation - Anything So Bright


Com som HD
O nome ‘The Liberation’ foi retirado do Livro Tibetano da Morte. O título é ‘Liberation Upon Hearing In The Between’ – é uma perspetiva da música psicadélica como porta de entrada para uma libertação parcial de um estado materialista fixado no ego e no mundo visível.

I've seen a lot of lit up places
I've seen a lot of burning faces
But I've never seen anything so bright
No I've never seen such a light

I've been to the deepest
Of spaces
I've touched the wildest rose
But I've never seen
Anything so bright
No I've never seen such a light
No I've never seen such a light

You make me feel what it's like inside a moon beam
You make me feel what it's like
Inside a ray of dawn
Like a golden storm
Blowing down hidden doors
I've never seen anything so bright

I sailed under the stars
And their oceans
I lived inside of
The magnetic fields

But I've never seen anything so bright
No I've never seen such a light
No I've never seen anything so bright
No I've never seen such a light
No I've never seen anything so bright

domingo, 4 de janeiro de 2026

Este é o sistema hidroelétrico mais potente do mundo. Projeto secreto de Pequim pode dar início a conflito entre duas potências nucleares


Megabarragem está a ser edificada no curso inferior do rio Yarlung Tsangpo, no Tibete. Este projeto no remoto rio dos Himalaias exigirá o realojamento de aldeias onde vivem grupos indígenas que dependem da agricultura para a sua subsistência. Na Índia, já a imprensa apelida a construção megalómana chinesa como a "bomba de água"

A centenas de quilómetros da populosa linha costeira da China, uma curva acentuada num remoto rio dos Himalaias está prestes a tornar-se a peça central de um dos mais ambiciosos - e controversos - projetos de infraestruturas do país até à data.

Ali, espera-se que um sistema hidroelétrico de 168 mil milhões de dólares (cerca de 143 milhões de euros) produza mais eletricidade do que qualquer outro no mundo - um grande benefício para a China, à medida que se aproxima de um futuro em que os veículos elétricos dominam as suas estradas e os modelos de IA, ávidos de energia, correm para superar os rivais internacionais.

O líder chinês, Xi Jinping, apelou a que o projeto “avançasse de forma enérgica, sistemática e eficaz” durante uma rara visita no início do ano ao Tibete, uma região onde Pequim continua a apertar o cerco em nome do crescimento económico e da estabilidade.

Segundo os especialistas, o sistema hidroelétrico, construído no curso inferior do rio Yarlung Tsangpo, no Tibete, será um feito de engenharia sem igual. Aproveitando uma queda de 2 mil metros de altitude, através da abertura de túneis numa montanha, permitirá à China aproveitar um rio importante numa região conhecida como a torre de água da Ásia e numa altura em que os governos estão a concentrar-se mais na segurança da água.

O projeto poderá contribuir para os esforços globais no sentido de abrandar as alterações climáticas e ajudar a China - atualmente o maior emissor de carbono do mundo - a abandonar a energia produzida a partir do carvão. Mas a sua construção poderá também perturbar um ecossistema raro e imaculado e as casas ancestrais dos habitantes indígenas.

Dezenas de milhões de pessoas também dependem do rio a jusante, na Índia e no Bangladesh, onde os especialistas dizem que o potencial impacto no ecossistema, incluindo na pesca e na agricultura, continua a ser pouco estudado.

As manchetes na Índia já apelidaram o projeto de uma potencial “bomba de água” - e a sua proximidade da fronteira disputada entre a China e a Índia coloca-o em risco de se tornar um ponto de inflamação numa disputa territorial há muito acesa entre as duas potências com armas nucleares.

Apesar destes riscos, o projeto continua envolto em secretismo, aprofundando as questões sobre um plano que mostra as imensas capacidades técnicas da China e a sua vontade de obter energia limpa, mas também a sua falta de transparência, mesmo quando se trata de um empreendimento com consequências potencialmente de grande alcance.

Pistas sobre a conceção do projeto - tanto referenciadas em relatórios oficiais ou científicos como em informações de fonte aberta compiladas pela CNN - sugerem um sistema complexo que poderá incluir barragens e reservatórios ao longo do rio Yarlung Tsangpo, bem como uma série de estações hidroelétricas subterrâneas ligadas por túneis, aproveitando a energia à medida que uma parte desviada do rio faz um declínio acentuado da elevação.

“Este é o sistema de barragens mais sofisticado e inovador que o planeta já viu”, disse Brian Eyler, diretor do Programa de Energia, Água e Sustentabilidade do Centro Stimson, em Washington. “É também o mais arriscado e potencialmente o mais perigoso”.

A China discorda. Num comunicado enviado à CNN, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que o projeto “passou por décadas de investigação aprofundada” e “implementou medidas rigorosas de segurança de engenharia e proteção ecológica para garantir que não afetará negativamente as áreas a jusante”.

“Desde a preparação inicial e o início oficial do projeto, a parte chinesa sempre manteve a transparência em relação às informações pertinentes e manteve linhas abertas de comunicação com os países a jusante”, disse o ministério, acrescentando que “à medida que o projeto avança” Pequim “partilhará as informações necessárias com a comunidade internacional” e “reforçará a comunicação e a cooperação com os países a jusante”.

O projeto, explicou, “visa acelerar o desenvolvimento de energia limpa, melhorar os meios de subsistência locais e abordar ativamente as alterações climáticas”.

Mas Pequim pode também ter outras prioridades em mente. A ambiciosa iniciativa em matéria de infraestruturas surge numa altura em que Xi se esforça por reforçar a segurança nacional, não só assegurando o fornecimento de energia à China, mas também reforçando o controlo ao longo das fronteiras disputadas e das regiões onde vivem as minorias étnicas.

“Se ligarmos os pontos do desenvolvimento das infraestruturas chinesas nos Himalaias, especialmente nas áreas onde a China faz fronteira com a Índia ao longo do Tibete, elas estão estrategicamente colocadas”, aponta Rishi Gupta, diretor adjunto do Asia Society Policy Institute em Nova Deli.

“O projeto alinha-se com o objetivo mais amplo da China de aproveitar os seus recursos naturais para consolidar o controlo sobre regiões críticas como o Tibete e as suas fronteiras.”

Informações de fonte aberta dão pistas sobre o que poderá ser o projeto de barragem maciça da China
A CNN e especialistas do Centro de Estudos Stimson criaram esta simulação de um possível projeto utilizando informações de fonte aberta e avaliações técnicas. Prevê-se que o projeto inclua cinco estações hidroelétricas em cascata e um sistema de túneis que desvie uma parte do rio, permitindo-lhe perder cerca de 2.000 metros de elevação ao longo de 50 quilómetros e gerar energia através desta rápida queda de elevação.

Jogo de poder nos Himalaias
Conhecido como o maior rio do mundo, o Yarlung Tsangpo serpenteia a partir de um glaciar nos Himalaias, atravessando o planalto que abrigou o budismo tibetano, em direção ao extremo sul do país.

Um dos troços do rio, junto à fronteira de facto do Tibete com um estado indiano cujas terras a China reivindica, há muito que chama a atenção pelo seu potencial de produção de energia.

Aí, a via fluvial faz uma dramática curva em ferradura ao contornar uma massa de montanhas no que é conhecido como a Grande Curva - uma trajetória que faz com que o rio perca cerca de 2 mil metros de altitude em aproximadamente 50 quilómetros.

Estima-se que essa descida tenha potencial para gerar cerca de 300 mil milhões de quilowatts-hora de eletricidade por ano - aproximadamente o triplo da produção da barragem chinesa das Três Gargantas, atualmente a mais potente do mundo.

O desenvolvimento hidroelétrico no curso inferior do Yarlung Tsangpo “não é apenas uma iniciativa hidroelétrica”, é também um projeto de segurança nacional, que engloba a segurança dos recursos hídricos, a segurança territorial e muito mais, afirmou Yan Zhiyong, então presidente da Power Construction Corporation of China (PowerChina), num discurso proferido em 2020, de acordo com a publicação da imprensa estatal chinesa.

Há décadas que se fala de um projeto deste tipo ao longo do curso inferior do rio, mas nunca foi tentado - há muito que é visto como um desafio notório numa zona remota e traiçoeira, difícil mesmo para um país que lidera a construção de megabarragens a nível mundial.

Agora, imagens de satélite, documentos empresariais disponíveis ao público e publicações nas redes sociais da zona analisadas pela CNN mostram que estão em curso obras de construção e alargamento de estradas, construção de pontes, construção de instalações de armazenamento de explosivos, expansão do serviço de telemóvel e realojamento de aldeões - tudo esforços aparentes para abrir caminho à construção, que começou oficialmente em julho.

Os documentos oficiais referem-se frequentemente ao projeto utilizando as iniciais romanas “YX” para designar uma abreviatura do curso inferior do Yarlung Tsangpo, mas fornecem poucas informações sobre a sua conceção. Os meios de comunicação social estatais afirmam que o projeto emprega principalmente um método de “endireitar e desviar o rio” através de túneis e inclui cinco estações hidroelétricas em cascata.

A análise da CNN de informações de fonte aberta, incluindo trabalhos de investigação académica, concursos oficiais, patentes de projetos de centrais elétricas registadas por uma subsidiária da PowerChina, um documento de planeamento urbano local, bem como imagens de satélite e publicações nas redes sociais da zona, permitiram esclarecer melhor a forma como este projeto de grande envergadura pode estar a tomar forma.

Uma simulação baseada nesta informação e produzida em conjunto com especialistas do Programa de Energia, Água e Sustentabilidade do Centro Stimson, que forneceram análises técnicas e geográficas, sugere que o projeto poderá ser um sistema extenso de centrais hidroelétricas, túneis e reservatórios, que no seu conjunto poderão estender-se por cerca de 150 quilómetros em linha reta desde a primeira até à última central elétrica.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”

A China criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de abandonarem a UNESCO, considerando-a indigna de “um país grande e responsável”, e pediu um compromisso com o multilateralismo e os princípios da Carta das Nações Unidas. 

“Os Estados Unidos têm acumulado, há muito tempo, pagamentos em atraso das suas contribuições como membro da UNESCO”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, lamentando o novo anúncio de retirada feito por Washington esta semana.

“A China sempre apoiou firmemente o trabalho da UNESCO”, sublinhou Guo, destacando a missão da organização em “promover a cooperação internacional em educação, ciência e cultura, fortalecer o entendimento entre civilizações e salvaguardar a paz mundial”.

Wu Yan é o membro chinês do Conselho Executivo da UNESCO (2021-2025). É Vice-Ministro da Educação da China.

No contexto das comemorações do 80.º aniversário da fundação das Nações Unidas, o diplomata apelou a todos os países para que “reafirmem o seu compromisso com o multilateralismo” e apoiem um sistema internacional com a ONU no centro, “baseado no direito internacional e nos princípios da Carta das Nações Unidas”.

A República Popular da China é membro da UNESCO desde 1971, ano da sua entrada na ONU, e ocupa atualmente um assento no Conselho Executivo da agência (2021–2025).

Nos últimos anos, a China tornou-se um dos principais contribuintes financeiros da UNESCO e acolhe vários centros ligados à organização, nas áreas da educação, património e ciência.

Mas já veio críticas dos EUA. Washington serviu de proteção contra os esforços da China para utilizar a UNESCO para influenciar a educação, as designações históricas e até a inteligência artificial.

A China tem sido acusada de perseguir vários grupos étnicos, religiosos e políticos. Um dos casos mais notórios e internacionalmente denunciados é o da perseguição aos uígures, um povo de maioria muçulmana que habita a região de Xinjiang, no noroeste da China.

Perseguição aos Uígures:
  1. Religião e Cultura: Os uígures são de origem túrquica e seguem predominantemente o Islão. A China tem restringido práticas religiosas, culturais e linguísticas desse povo.
  2. Campos de "reeducação": Estima-se que mais de um milhão de uígures foram detidos em campos que o governo chinês chama de "centros de reeducação", mas que têm sido denunciados por abusos, tortura e doutrinação política.
  3. Vigilância em massa: Há uso extensivo de tecnologia para controlar a população uígur, incluindo reconhecimento facial, controle de dados e presença policial constante.
  4. Trabalho forçado e esterilizações forçadas: Existem denúncias de uso de trabalho forçado e práticas de controle de natalidade que podem configurar crimes contra a humanidade.
Além dos uígures, a China também é acusada de repressão a outros grupos:

Outros grupos perseguidos:
  1. Tibetanos: Sofrem repressão cultural e religiosa desde a ocupação do Tibete pela China em 1950. O budismo tibetano é alvo de controle estatal.
  2. Cristãos: Igrejas não registradas são frequentemente alvo de demolições, prisões de fiéis e censura.
  3. Praticantes do Falun Gong: Um grupo espiritual que é fortemente perseguido desde 1999, com relatos de prisões arbitrárias e até extração forçada de órgãos.
  4. Ativistas e dissidentes: Defensores dos direitos humanos, jornalistas e advogados são frequentemente presos ou silenciados.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Documentário: O Leopardo das Neves



No coração das terras altas do Tibete, o fotógrafo Vincent Munier guia o escritor Sylvain Tesson na sua busca pelo leopardo-das-neves. Apresenta-lhe a delicada arte de perseguir, ler rastos e a paciência necessária para vislumbrar os animais. Percorrendo os picos habitados por presenças invisíveis, os dois homens tecem um diálogo sobre o nosso lugar entre os seres vivos e celebram a beleza do mundo.

Prémios e receptividade aqui

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Música do BioTerra: Jean-Louis Murat - J'ai Fréquenté La Beauté


Jean-Louis Murat logo se lançou a solo e teve o seu primeiro sucesso em 1987 com o lançamento de "Si je devais manquer de toi ". Seguiram-se "L'Ange déchu " e "Te garder près de moi ", retiradas do álbum"Cheyenne Autumn", lançado em 1989.

Mas foi sobretudo a canção "Regrets ", um dueto com Mylène Farmer, que o tornou verdadeiramente famoso em 1991.

Muitas pessoas descobriram então a poesia das letras de Jean-Louis Murat e a sua extrema sensibilidade, que nunca o abandonou.

Se o artista é prolífico para a sua própria discografia, também o é para os outros. Jean-Louis Murat escreveu para outros artistas, como Françoise Hardy e Isabelle Boulay, e para os Indochine, no êxito "Un singe en hiver " e no single "Karma girls ".

A música marcou sem dúvida a carreira do artista, mas o cinema também. Os seus olhos azuis profundos foram vistos no grande ecrã em várias ocasiões, como na longa-metragem de Jacques Doillon "La Vengeance d'une femme ", em 1990, e no filme "Mademoiselle Personne", lançado seis anos mais tarde.

Conhecido também pelas suas opiniões francas, Jean-Louis Murat faleceu a 25 de Maio de 2023, aos 71 anos, na véspera do lançamento de um álbum Best of que recorda os seus 40 anos de carreira.

domingo, 15 de dezembro de 2024

Tire as mãos da terra do Tibete


Os projectos de desenvolvimento em grande escala da China no Tibete, incluindo barragens, auto-estradas e operações mineiras, ameaçam o ambiente, o património cultural da região e a vida do povo tibetano. Estes projectos servem os interesses estratégicos da China no controlo dos recursos e nas reivindicações territoriais, mas têm efeitos devastadores no ecossistema do Tibete, nos locais culturais antigos e nos direitos dos seus habitantes.

Entretanto, o Ocidente estabeleceu uma parceria com a China para benefício económico mútuo, ignorando ao mesmo tempo a ocupação do Tibete, a exploração dos seus recursos naturais e os danos ambientais irreversíveis infligidos à região. Os interesses ocidentais e chineses na transição para a Energia Verde continuam a violar os direitos dos Tibetanos às suas terras e recursos sem o seu consentimento, resultando na detenção, prisão e tortura de manifestantes tibetanos.

Assina e divulga a petição

domingo, 2 de junho de 2024

Descobertos fósseis que podem ter sido dos maiores animais do mundo


Entre 1976 e 1990 foram descobertos restos fósseis que pertencem a três novos ictiossauros na Formação Kössen, nos Alpes Suíços. Os paleontólogos encontraram um dente que acreditam ser o maior de que há registo, com uma largura duas vezes maior do que qualquer réptil aquático conhecido. Além disso, encontraram também a maior vértebra de tronco da Europa, que pertencia a um ictossauro, e que compete com o maior fóssil de réptil marinho descoberto até hoje – um da espécie Shastasaurus sikkanniensis, com 21 metros de comprimento. O grupo acredita, por isso, que estes fósseis desenterrados na Suíça podem pertencer aos maiores animais que já viveram no Planeta.

“Talvez existam mais restos das gigantes criaturas marinhas escondidas debaixo das geleiras”, sugere Martin Sander, principal autor do estudo. “Haviam apenas três grupos de animais que tinham massas superiores a 10-20 toneladas métricas: dinossauros de pescoço longo (saurópodes); baleias; e os ictiossauros gigantes do Triássico”, explica.

Os ictiossauros surgiram na Terra há cerca de 250 milhões de anos atrás, e atingiram a sua maior diversidade no Triássico Médio, tendo ainda algumas persistido durante o período Cretáceo. O seu corpo era idêntico ao das baleias, e o focinho muito parecido ao dos golfinhos.

Os espéciemes gigantes foram encontrados principalmente na América do Norte, mas também nos Himalaias e na Nova Caledónia. Contudo, esta descoberta confirma a expansão dos mesmos, que era ainda desconhecida.

“Em Nevada, vemos o início dos verdadeiros gigantes, e nos Alpes, o fim. Apenas os golfinhos de médio a grande porte – e com formas semelhantes às orcas sobreviveram no Jurássico”, afirma Martin Sander.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Quais são as opções de enterros sustentáveis?


Os enterros sustentáveis foram criados com o objetivo de criar uma alternativa mais eco-friendly para os enterros convencionais. Existem diversos métodos que prometem serviços funerários menos agressivos ao meio ambiente, mas que nem sempre são considerados enterros, uma vez que não há um enterro de fato. Entretanto, ainda são chamados de enterros sustentáveis pelo que representam — serviços funerários com o propósito de dar uma finalidade ao corpo de um ente querido. 

Enterros tradicionais exercem muito do meio ambiente, juntando diversos tipos de problemas ambientais em um só. Seja pelo espaço das áreas para construção de cemitérios, o concreto utilizado em túmulos ou químicos usados no embalsamento dos corpos, as práticas utilizadas nos serviços funerários podem ser muito agressivas. 

Um relatório publicado em 2008 pela Adelaide’s Centennial Park indica que o enterro comum gera por volta de 39 kg de CO2. A maioria das emissões vem da manutenção dos túmulos e do cemitério. 

O concreto usado nos túmulos é considerado um dos materiais mais destrutivos do planeta. Já os químicos utilizados no embalsamento dos corpos também podem ser absorvidos pelo solo e causar danos ao local, impulsionando a poluição do solo e a possível contaminação de lençóis freáticos em áreas circundantes.

Além disso, caixões e lápides ocupam espaço e levam até 20 anos para se decompor — é possível que os donos de cemitérios fiquem sem lugar para enterrar novos corpos. Reformas para a reorganização de túmulos podem ser constantes. Isso, infelizmente, pode resultar na abundância de áreas desmatadas e em um impacto ambiental maior ainda.

Concreto
Concreto: o que é, tipos e impactos ambientais
Desse modo, cada vez mais novos métodos são desenvolvidos para diminuir o impacto ambiental dos enterros. Conheça alguns tipos de enterros sustentáveis e outros serviços funerários. 

Cremação
Embora não seja inteiramente sustentável, a cremação é uma opção mais viável que o enterro tradicional. É estimado que apenas um processo de cremação seja responsável pela produção de mais de 100 kg de dióxido de carbono, que comparado aos 39 kg derivados do enterro convencional parece ser grande. Entretanto, ao avaliar os efeitos em longo prazo, é possível dizer que a cremação é mais sustentável, uma vez que o enterro convencional possui 10% mais impactos negativos no meio ambiente.

Outro ponto positivo da cremação é a sua disponibilidade. Além do enterro convencional, a cremação é uma opção popular para serviços funerários e altamente disponível no Brasil. 

Ressomação
Ressomação é o processo de reduzir um corpo usando a hidrólise alcalina. Ela geralmente envolve água e algum tipo de alcalino e promete ser a forma funerária mais sustentável que existe. 

Em vez de ser desperdiçada, a água da ressomação possui nutrientes que podem virar fertilizantes. Acredita-se que tudo nesse processo pode ser reciclado e que a técnica emite seis vezes menos carbono que outras cerimônias e sete vezes menos energia que o enterro. 

Embora seja uma alternativa para a população sustentável, a ressomação ainda não é feita no Brasil. 

Compostagem humana
A compostagem humana é um método que surgiu em 2019 nos Estados Unidos e promete transformar cadáveres em solo. É um método eco-friendly e não conta com o embalsamento dos corpos para que a decomposição ocorra naturalmente. O corpo é reduzido com materiais orgânicos, como palha ou lascas de madeira, por algumas semanas até que consiga virar solo.  

Caixão de cogumelo
Bob Hendrikx, um inventor holandês criou um novo tipo de caixão a partir de cogumelos. Inspirado pela falta de alternativas sustentáveis de serviços pós-morte, Hendrikx investiu na criação de um caixão feito de micélio.

O caixão de Hendrikx leva apenas seis semanas para se decompor. Uma de suas preocupações diante dos serviços funerais comuns é de como eles transformam um processo natural em um industrial. De acordo com ele, sem os químicos usados no embalsamento, o corpo vira composto naturalmente, então por que não usar os cogumelos? Esses organismos são, muitas vezes, chamados de “os maiores recicladores”, então conseguem auxiliar na decomposição da matéria orgânica. 

Adicionalmente, o cogumelo é capaz de neutralizar substâncias tóxicas e fornecer nutrição para as plantas que crescem ao seu redor.

Bola de recife
Enterro em bolas de recife é um método desenvolvido pela empresa Eternal Reefs em conjunto com a Reef Ball Foundation e Reef Innovations. A técnica consiste na mistura de concreto com cinzas humanas para a formação de bolas perfuradas que são instaladas em ecossistemas marinhos para a restauração de corais. O método promete a reconstrução de ambientes aquáticos degradados, a partir da criação de novos recifes que podem abrigar diversas espécies marinhas. 

Por outro lado, esse processo contribui um pouco para as emissões de carbono. As bolas de corais são feitas a partir de uma mistura de cinzas resultantes da cremação e cimento — que é responsável por 4-8% de todas as emissões de CO2 do mundo. 

Enterro no céu
O enterro no céu é um método usado, principalmente, no Tibete e foi criado por budistas. Entre as opções de enterro sustentável, essa talvez seja a mais brutal entre elas. 

Esse tipo de serviço envolve o transporte do corpo para os cemitérios onde os abutres locais vêm se alimentar. O processo permite que os restos mortais sejam reaproveitados de volta à cadeia alimentar e, em algumas culturas, é conhecido por impulsionar o karma bom. 

Quintas de corpos
As quintas de corpos foram criadas com base nos trabalhos do antropólogo William Bass. Durante a década de 70, o especialista queria estudar como os corpos se decompõem naturalmente. 

Ele fez isso usando cadáveres, que foram colocados numa “quinta” numa ampla variedade de cenários de decomposição.

Atualmente, o serviço é oferecido no Rancho Freeman na Texas State University, onde estudantes, cientistas e aspirantes a detetives usam cadáveres para estudar ciência criminal, micróbios e tanatologia, o estudo da morte.

Enterro verde 
Entre as alternativas, o enterro verde é o que mais pode ser considerado um enterro sustentável, uma vez que é feito abaixo da terra. Em vez de ser um método a parte, ele é similar ao enterro convencional, mas com algumas práticas menos agressivas que podem efetivamente diminuir os impactos ambientais do serviço funerário. 

A maioria dos enterros feitos antes do século XIX eram feitos desse modo e permanecem sendo feitos por algumas religiões, como o judaísmo e o islamismo.

Algumas práticas do enterro verde incluem: 
  1. Não embalsamar o corpo;
  2. Cova rasa; 
  3. Caixões biodegradáveis, como o de papelão e caixões de madeira; 
  4. Enterro sem túmulos de concreto. 
  5. O embalsamento, por exemplo, não é necessário e é considerado como um procedimento cosmético para a conservação do corpo. Entretanto, alguns cemitérios podem não aceitar esse método de enterro, o que pode ser um obstáculo.
Conclusão 
Muitos dos enterros sustentáveis ainda são métodos recentes, sem muitas práticas disponíveis no Brasil. O enterro verde, por exemplo, é um dos métodos mais fáceis, mas depende dos cemitérios. Para se certificar de que serviço pode ser realizado, pesquise as opções de cemitérios da sua região e pergunte sobre a disponibilidade da prática. 

Até então, a cremação é um dos métodos mais viáveis de serviço funerário.

Fontes: CNN, Funerals.org, The New York Times, Eirene Blog, The Guardian (1 e 2), Green Matters e National Geographic (1 e 2), Guia Funerária

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Mensagem Secretário-geral sobre os Glaciares da Região do Monte Evereste


Alerta climático!
No Nepal, o secretário-geral das Nações Unidas envia uma mensagem para o mundo:
“Os telhados do mundo estão a desabar."

O Nepal perdeu cerca de um terço do seu gelo em pouco mais de 30 anos e os glaciares estão a derreter a um ritmo recorde.
O facto de os glaciares do Nepal terem derretido 65 % mais depressa na última década do que na anterior "significa que podemos estar perante uma tragédia: o desaparecimento total dos glaciares.”

Por isso, António Guterres apela ainda: "Os glaciares estão a recuar, mas nós não podemos. Temos de acabar com a era dos combustíveis fósseis. Temos de agir agora para proteger as pessoas que estão na linha da frente. E para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC, para evitar o pior do caos climático. O mundo não pode esperar.”

terça-feira, 6 de junho de 2023

Pico do Evereste - uma montanha de lixo


Antes do descalabro, em 1991, o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha (SPCC) foi fundado para ajudar a manter limpa a região de Khumbu, em parte por meio do gerenciamento de locais de coleta de lixo controlados. Tudo estava mais ou menos controlado. Com a chegada de nômadas digitais, turistas de toas a espécie, só pensavam nas selfies no pico do Everest, ignorando o lixo que produziam. 
A primeira grande denúncia chego em  2015, onde se mostravam que as pilhas de lixo têm aumentado exponencialmente nesta região.
Na língua tibetana, o Monte Evereste é chamado de “Chomolungma” (“Qomolangma” em chinês), que significa “deusa mãe do mundo”. Para o povo sherpa, a montanha é um lugar sagrado, merecedor de dignidade e respeito.

Hoje, o Evereste está tão superlotado e cheio de lixo que é chamado de “o depósito de lixo mais alto do mundo”.

Mais de 600 pessoas tentam escalar o Monte Evereste a cada temporada de escalada durante as poucas semanas do ano, quando as condições climáticas são perfeitas. Além disso, para cada alpinista há pelo menos um trabalhador local que cozinha, transporta equipamentos e orienta a expedição. A montanha ficou tão superlotada que muitas vezes os alpinistas precisam ficar na fila por horas em condições de frio congelante para chegar ao topo, onde o ar é tão rarefeito que é necessária uma máscara de oxigênio para respirar. Eles caminham em fila indiana a passos de tartaruga sobre o Degrau Hillary, o último obstáculo antes do cume. Quando os alpinistas finalmente chegam ao cume, mal há espaço para ficar de pé por causa da superlotação.

Cada um desses alpinistas passa semanas na montanha, ajustando-se à altitude numa série de acampamentos antes de avançar para o cume. Nesse período, cada pessoa gera, em média, cerca de oito quilos de lixo, e a maior parte desse lixo fica na montanha. As encostas estão repletas de cilindros de oxigénio vazios descartados, barracas abandonadas, recipientes de comida e até fezes humanas. No Acampamento Base, há banheiros em tendas com grandes barris de coleta que podem ser carregados e esvaziados. Mas é aí que terminam as instalações sanitárias. No restante da expedição, os alpinistas precisam se aliviar na montanha.

Ninguém sabe exatamente quanto lixo há na montanha, mas é em toneladas. O lixo está vazando das geleiras e os acampamentos estão transbordando com pilhas de dejetos humanos. A mudança climática está fazendo com que a neve e o gelo derretam, expondo ainda mais lixo que foi coberto por décadas. Todo esse lixo está destruindo o ambiente natural e representa um sério risco à saúde de todos que vivem na bacia hidrográfica do Evereste.

A bacia hidrográfica do Parque Nacional de Sagarmatha é uma importante fonte de água para milhares de pessoas que vivem em comunidades ao redor do Monte Evereste. A bacia hidrográfica inclui a terra que direciona as chuvas e o degelo das montanhas para os córregos e rios. Não há gestão de resíduos ou instalações sanitárias na área, então o lixo e o esgoto são despejados em grandes poços fora das aldeias locais, onde são levados para os cursos d'água durante a estação das monções. A bacia hidrográfica local foi contaminada, o que pode ser incrivelmente perigoso para a saúde da população local. Sabe-se que a água contaminada com matéria fecal causa a propagação de doenças mortais transmitidas pela água, como cólera e hepatite A.

O que sobe tem que descer
Tanto os governos quanto as organizações não-governamentais (ONGs) tentaram – e estão tentando – limpar a lixeira no Monte Everest. Em 2019, o governo nepalês lançou uma campanha para limpar 10.000 quilos  de lixo da montanha. Eles também iniciaram uma iniciativa de depósito, que está em andamento desde 2014. Quem visita o Monte Evereste tem que pagar um depósito de $ 4.000, e o dinheiro é devolvido se a pessoa retornar com oito quilos de lixo - a quantia média que um único pessoa produz durante a subida.

Não são apenas as autoridades locais tentando fazer a diferença. Durante anos, o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha (SPCC) trabalhou incansavelmente para manter a região limpa. O SPCC é uma ONG sem fins lucrativos administrada por sherpas locais. Eles gerenciam o lixo na área ao redor do Monte Everest, garantem que as pessoas tenham permissão legal para escalar e educam os visitantes sobre como cuidar do meio ambiente.

O Projeto de Biogás do Monte Evereste também está a trabalhar para encontrar uma solução sustentável de longo prazo para o problema de saneamento da área. Eles têm planos de construir um sistema movido a energia solar que transformaria dejetos humanos em combustível para as comunidades locais. De acordo com o site do projeto, isso impediria que as fezes humanas fossem despejadas nas aldeias locais, o que reduziria o risco de contaminação da água e criaria mais empregos locais.

Desde que Edmund Hillary e Tenzing Norgay chegaram ao cume em 1953, mais de 4.000 pessoas seguiram seus passos, e outras centenas tentam a escalada a cada temporada. Algumas pessoas argumentaram que o governo nepalês deveria ter regras mais rígidas sobre quantas pessoas podem tentar escalar o Monte Everest a cada ano, mas o Nepal depende da renda que os alpinistas trazem para a área. No Nepal, uma em cada quatro pessoas vive abaixo da linha da pobreza, e as licenças de escalada geram milhões de dólares em receita para a economia local. Os visitantes do parque também geram empregos e salário para a população local que oferece hospedagem ou trabalha como carregadores e guias.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

O sherpa recordista de subidas do Evereste: “Não há futuro no Nepal”


Um alpinista malaio sobreviveu por pouco depois que um guia sherpa nepalês o puxou do cume do Monte Everest num resgate “muito raro” em alta altitude, disse uma autoridade do governo na quarta-feira. Gelje Sherpa, 30, estava guiando um cliente chinês até o cume do Everest, a 8.849 metros , em 18 de fevereiro, quando viu o alpinista malaio agarrado a uma corda e tremendo de frio extremo na área chamada de “zona da morte”, onde as temperaturas pode cair para menos 30ºC ou menos. Gelje puxou o alpinista 600 metros  para baixo da área de Balcony até o colo sul, durante um período de cerca de seis horas, onde Nima Tahi Sherpa, outro guia, se juntou ao resgate. “Nós envolvemos o alpinista  numa esteira de dormir, arrastamos na neve ou o carregamos nas costas até o acampamento III”, disse Gelje. 
Um helicóptero usando uma longa linha o ergueu do acampamento III de 7.162 metros de altura até ao acampamento base. “É quase impossível resgatar alpinistas nesta altitude”, disse Bigyan Koirala, funcionário do Departamento de Turismo, à Reuters. “É uma operação muito rara.” Gelje disse que convenceu seu cliente chinês a desistir de sua tentativa de cume e descer a montanha, dizendo que era importante para ele resgatar o alpinista. “Salvar uma vida é mais importante do que rezar no mosteiro”, disse Gelje, um budista devoto. Tashi Lakhpa Sherpa, da empresa Seven Summit Treks, que forneceu logística para o alpinista malaio, se recusou a identificá-lo, citando a privacidade de seu cliente. 
O alpinista foi colocado num voo para a Malásia na semana passada. O Nepal emitiu um recorde de 478 licenças para o Evereste durante a temporada de escalada de março a maio deste ano. Pelo menos 12 alpinistas morreram - o maior número em oito anos, e outros cinco ainda estão desaparecidos nas encostas do Evereste. examinava os altos e baixos da vida sentado em uma poltrona na pequena e organizada sala de estar de seu apartamento alugado, enquanto sua esposa servia chá. 
“Não há futuro no Nepal”, disse o pai de dois filhos de 53 anos à Reuters no fim de semana. “Por que ficar aqui?” ele perguntou, falando no seu nepalês nativo e um pouco de inglês quebrado. “Precisamos de um futuro para nós mesmos… para os nossos filhos.” 
Usando um boné de beisebol com a legenda “Everest Man” e seu rosto escurecido pelo vento e pelas queimaduras da neve, Kami Rita está claramente orgulhoso das suas conquistas. Mas ele também é grato porque o dinheiro que ganhou como guia em expedições nas montanhas o ajudou a se mudar para a capital do Nepal para que seus filhos pudessem ter a educação que ele nunca recebeu. 
O filho, de 24 anos, estuda turismo e a filha, de 22, faz curso de Tecnologia da Informação. “Isso não teria sido possível se eu tivesse continuado em Thame e não tivesse começado a escalar”, disse Kami Rita, que deixou a escola em seu vilarejo nas montanhas quando tinha cerca de 12 anos. 
Prémios e certificados do Guinness World Record enchem a vitrina atrás dele, e pósteres de Kami Rita no Monte Everest adornam as paredes, mas ele falou em emigrar para os Estados Unidos para encontrar novas oportunidades para sua família. Kami Rita nasceu na mesma aldeia do Himalaia que Tenzing Norgay, o sherpa que junto com o neozelandês Sir Edmund Hillary fez o primeiro cume do Monte Evereste há 70 anos. 
A vila de Thame fica em Solukhumbu, um distrito que se tornou a Meca dos montanhistas desde a primeira escalada bem-sucedida em 29 de maio de 1953. Localizada na fronteira com o Tibete da China, a maior glória de Solukhumbu é o Monte Evereste, o pico mais alto do mundo com 8.849 metros, mas também abriga Lhotse (8.516 metros), Malaku (8.481 metros), Cho Oyu (8.201 metros), Gyachung Kang (7.952 metros) e Nuptse (7.855 metros) - todos nomes que qualquer alpinista de ponta gostaria de ter seu currículo. 
Os sherpas, um grupo étnico que vive na região do Everest, sempre foram a espinha dorsal das expedições nas montanhas. Eles consertam cordas, escadas, carregam cargas e também cozinham, ganhando algo entre $ 2.500 e $ 16.500 ou mais, dependendo da experiência, durante uma única expedição. 
Mas os jovens sherpas, segundo Kami Rita, estão se afastando dessa vida. “A nova geração de sherpas não gosta de escalar. Eles querem ir para o exterior em busca de uma carreira melhor”, disse. “Em 10 a 15 anos haverá menos sherpas para guiar os alpinistas. O número deles já é baixo agora.” Muitos guias sherpas renomeados deixaram o Nepal em busca de melhores oportunidades no Ocidente, principalmente nos Estados Unidos. De fato, o famoso Tenzing Norgay também emigrou, mas apenas até a vizinha Índia, onde trabalhou para uma escola de escalada. O alpinismo e o trekking atraem milhares de estrangeiros ao Nepal todos os anos, contribuindo com mais de 4% para a economia de US$ 40 biliões. O país ganhou US$ 5,8 milhões em taxas de permissão - US$ 5 milhões apenas do Monte Everest - durante a temporada de escalada de março a maio deste ano. Funcionários de empresas de turismo estimam que mais de 500.000 pessoas estão empregadas no turismo, mas muitas permanecem economicamente vulneráveis ​​nesta nação empobrecida de 30 milhões de pessoas. “O governo faz pouco pelo bem-estar dos sherpas”, disse Kami Rita, instando as autoridades a lançar esquemas de bem-estar como um fundo de previdência, benefícios de aposentadoria e facilidades de educação para seus filhos. As expedições que contratam sherpas devem fazer um seguro de vida para eles, mas o pagamento é de apenas 1,5 milhão de rúpias nepalesas (cerca de US$ 11.300). Três sherpas morreram no mês passado ao cruzar a traiçoeira cascata de gelo Khumbu no Everest. “Isso deve ser aumentado para 5 milhões de rúpias (cerca de US$ 38.000)”, disse Kami Rita, esfregando suavemente um hematoma em sua bochecha. ($ 1 = 131,83 rúpias nepalesas). Quão relevante é este anúncio para você? 1.000 pessoas estão empregadas no turismo, mas muitas permanecem economicamente vulneráveis ​​nesta nação empobrecida de 30 milhões de pessoas. “O governo faz pouco pelo bem-estar dos sherpas”, disse Kami Rita, instando as autoridades a lançar esquemas de bem-estar como um fundo de previdência, benefícios de aposentadoria e facilidades de educação para seus filhos. As expedições que contratam sherpas devem fazer um seguro de vida para eles, mas o pagamento é de apenas 1,5 milhão de rúpias nepalesas (cerca de US$ 11.300). 

sábado, 22 de outubro de 2022

China a caminho de um país comunista com um ditador: Xi Jiping


“A característica mais notória do presidente cessante da China, Hu Jintao, é a sua monotonia. Nos seus 10 anos no poder apenas fez uma piada em público: sobre tinta para o cabelo.” Kerry Brown, professor de política chinesa na Universidade de Sydney, analisou assim num texto escrito em 2012 a saída de Hu Jintao do poder.

No final de 1988, Hu Jintao, então membro relativamente desconhecido do Partido Comunista, foi nomeado secretário do partido para o Tibete, região de tendência fortemente separatista. Nessa época eram rotineiras as manifestações populares naquele território contra o autoritarismo do governo central e da maioria Han. Com pulso firme, Hu comandou a região com sucesso - do ponto de vista do partido, - durante quatro anos, o que atraiu a atenção das elites de Pequim.

Hu Jintao esteve também ligado a um dos episódios mais negros da história do budismo tibetano: a morte do 11.º Panchen Lama, Choekyi Gyaltsen. Embora as circunstâncias em torno da morte da segunda figura mais importante do budismo tibetano, apenas atrás do Dalai Lama, não sejam claras, vários ativistas e dissidentes suspeitam que a sua morte tenha sido orquestrada por, entre outras figuras, o próprio Hu.

O seu mandato enquanto presidente foi, como referido anteriormente, marcado por um certo secretismo em torno do homem. Como considera o especialista em diplomacia e docente universitário Tiago André Lopes, Hu Jintao foi responsável por uma certa democratização do partido, procurando consensos com os restantes membros da elite partidária em vez de impor as suas decisões. A sua maneira de liderar contrasta em quase tudo com a de Xi Jinping, que, em 2018, conseguiu com sucesso eliminar o limite de dois mandatos imposto pela Constituição do país, abrindo o caminho para um inédito terceiro mandato.

A sua presidência coincidiu também com a ascensão social e económica de milhões de chineses. De acordo com dados do Banco Mundial, o PIB per capita da China subiu de 1.148 dólares em 2002, no início da sua presidência, para 6.300 dólares dez anos depois. Foi também com Hu Jintao que se deu o boom do desenvolvimento das linhas ferroviárias de alta velocidade, política com impactos significativos no desenvolvimento económico do país. Atualmente, a China tem a maior rede do mundo, com cerca de 40 mil quilómetros no final de 2021.

Ao nível da política externa, o governo de Hu Jintao procurou expandir a influência chinesa nos países em desenvolvimento, designadamente em África, através do empréstimo de milhares de milhões de dólares e financiamento de obras fundamentais. As relações com Taiwan também atingiram um ponto alto, culminando com a visita de várias delegações do Kuomintang, partido adversário do PCC na Guerra Civil, à China continental em 2005, facto inédito no pós-Segunda Guerra Mundial.

O legado de Hu Jintao corre agora o risco de desaparecer. A Belt and Road Initiative, lançada por Xi em 2013, esmaga todo e qualquer projeto do seu antecessor e a procura pelo consenso intrapartidário deu lugar à autoridade centrada num só homem.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Filosofia e religião: o que é arte mandala?

A arte mandala é conceituada em práticas espirituais dos Hindus, Budistas, Taoístas, Cristãos, no Japão medieval (Shintō) e entre os Nativos Norte-Americanos. O seu desenho é constituído por formas geométricas, símbolos e cores que se combinam. Além disso a arte mandala tem objetivos sagrados e outros significados que promovem a junção de amor, cura e natureza.


Significado da Mandala
A palavra mandala significa círculo em sânscrito e é considerada como um símbolo de cura e espiritualidade. Para os hinduístas e budistas, a mandala ajuda na concentração da prática meditativa e é comum encontrá-la nos templos dessas religiões.

As mandalas tibetanas são feitas em areia e requerem um longo tempo de preparação. Não há um padrão de decoração para o interior das mandalas e por isso, há mandalas que trazem a figura de Buda, enquanto outras mostram apenas figuras geométricas.

No Cristianismo, encontramos mandalas nos vitrais góticos.
 
Uma antiga lenda indígena conta que uma mãe não conseguia que seu filho dormisse à noite.

Por isso, procurou ajuda da curandeira da tribo que a recomendou fazer um círculo com um labirinto dentro e o pendurasse. A mãe o fez e a criança pôde dormir tranquila, pois os sonhos maus ficaram presos no emaranhado de linhas.

Portanto os nativos norte-americanos acreditam que a mandala tenha o poder de proteger e afastar os maus sonhos e espíritos malignos. Por isso, também recebe o nome de filtro dos sonhos.

O que a filosofia diz sobre o termo mandala?
Na filosofia, esse termo é caracterizado como um diagrama que é composto de formas geométricas concentradas (não é uma arte livre, o conformismo, o padrão é comum nesse tipo de arte).

Nas práticas psicofísicas do hinduísmo e do budismo como, ioga e tantrismo, esse termo é utilizado como uma representação, um ponto focal para meditação e concentração do ser humano.

Justamente por isso que a arte mandala se propõe a designar um fluxo de pensamento. Oferecendo um estímulo baseando-se em conteúdo sagrado e espiritual; uma prática de meditação com cores, símbolos e significados.

Cada figura e cor representa aspectos inconscientes da pessoa. Alguns de seus significados são os seguintes:
  • Vermelho: paixão, sensualidade, força, poder e agressividade. Primeiro chakra.
  • Laranja: prazer, glória, vaidade, progresso e energia. Segundo chakra.
  • Amarelo: alegria, vontade e novidade. Terceiro chakra.
  • Verde: esperança, autocontrole e natureza. Quarto chakra.
  • Azul: tranquilidade, seriedade, respeito e comunicação. Quinto chakra.
  • Violeta: meditação, criatividade e oscilação. Sexto chakra.
  • Branco: paz, harmonia, bondade, delicadeza e timidez. Sétimo chakra.
  • Preto: profundidade, mistério, autoridade, dignidade, segurança, tristeza e luto.
  • Círculo: dinamismo e conexão com o cosmos.
  • Cruz: inconsciente e consciente, união do céu e da terra.
  • Triângulo: transformação e vitalidade.
  • Quadrado: estabilidade e equilíbrio.
  • Labirinto: busca do próprio centro.
Alguns símbolos comuns na mandala incluem:
  • Roda com oito raios - A natureza circular de uma roda funciona como uma representação artística de um universo perfeito. Os oito raios representam o Caminho Óctuplo do Budismo, um resumo das práticas que levam à libertação e renascimento.
  • Sino- Os sinos representam uma abertura e esvaziamento da mente para permitir a entrada de sabedoria e clareza.
  • Triângulo- Quando voltados para cima, os triângulos representam ação e energia, e quando voltados para baixo, representam a criatividade e a busca do conhecimento.
  • Flor de lótus- um símbolo sagrado no budismo, a simetria de uma lótus representa o equilíbrio. Assim como uma lótus sobe debaixo d’água para a luz, o mesmo acontece com um humano que busca o despertar espiritual e a iluminação.
  • Sol - Uma base popular para os padrões de mandala modernos, o sol tende a representar o universo, muitas vezes carregando significados relacionados à vida e à energia.
  • Resumindo, em termos mais religiosos ou extensões da psicologia, a mandala representa simbolicamente a luta pela unidade total do eu, o ponto central das emoções e o controle delas.
Afinal, qual é o objetivo da arte mandala?
A arte mandala tem como objetivo se designar a uma intenção sagrada. A nossa mente é intuitiva e nem sempre estão em sintonia com a situação real em que estamos vivendo.

Benefícios terapêuticos das mandalas
As mandalas foram reconhecidas pela psicologia como uma ferramenta terapêutica. O psicólogo suíço Carl Jung disse que são como representações da nossa mente. Ele achava que eles tornavam mais fácil para nós nos concentrarmos, transformarmos e internalizarmos as coisas inconscientes em nós. Ele também disse que projetamos o que pensamos e sentimos em mandalas.

Existem também vários ramos diferentes da psicologia que falaram sobre seus benefícios. A psicologia transpessoal vê as mandalas como uma espécie de exercício de conexão profunda. A psicologia cognitiva e comportamental a vê como uma ferramenta para melhorar coisas como memória, atenção, percepção e coordenação visomotora.

Existem algumas outras configurações em que as pessoas também usam mandalas. Por exemplo, as pessoas os usam em terapia ocupacional porque a estimulação cognitiva ajuda as pessoas a realizar as suas atividades diárias. As pessoas também os usam em ambientes educacionais para ajudar os alunos com concentração, atenção e disciplina.