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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Naturismo e Nudismo


Relação harmoniosa entre o homem e o ambiente
Ao contrário do que muitos podem pensar, naturismo/nudismo, são velhas técnicas conhecidas do ser humano, e estão presentes desde os primórdios do convívio em sociedade. Não é nada de novidade.
Chega a ser esquisito, para quem não está acostumado, como eu por exemplo. Não sou praticante, nem por isso discrimino. A princípio, podemos interpretar como vulgar. Mas não é nada de ruim, ilegal (até por isso que existe um Código de Ética ). Na verdade, é como o nome propõe, natural.
Nosso país é um grande exemplo. Desde o descobrimento, em 1500, se tem registos da prática de nudismo, no Brasil. Quando os portugueses chegaram, os indígenas foram perseguidos violentamente, o que resultou na quase extinção do verdadeiro índio – o que não usa roupas em seu corpo.
O homem, enquanto “ser natural”, faz amplamente a utilização destas duas técnicas, que têm ligação direta com o meio ambiente. São interdependentes.
A fim de promover o debate necessário, vejo me obrigado a ensinar adequadamente para você, o que as práticas de nudismo e o naturismo, significam e representam. É preciso respeitar e entender o naturismo e o nudismo, antes de sair julgando indecorosamente. Vamos as definições:

Naturismo
“Naturismo é um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática da nudez social, que tem por intenção encorajar o auto respeito, o respeito pelo próximo e o cuidado com o meio ambiente” (INF-FNI, 1974, Definição de Naturismo)
O naturismo (não confundir com naturalismo) é um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo, entre outras atitudes.
A palavra naturismo provêm do francês naturisme, que é a doutrina filosófica esclarecida na citação.

Nudismo
O nudismo é uma prática integrada no conceito mais vasto de naturismo que consiste na não utilização de vestuário para atividades recreativas em ambiente social. A nudez total é vista como uma forma de contacto com a natureza e sem conotações sexuais ou morais de modéstia. A prática do nudismo poderá ser efetuada em praias, lagos, piscinas ou outros espaços – usualmente ao ar livre – normalmente em áreas designadas para o efeito.

Um e Outro
Atualmente, naturismo e nudismo são usados como sinónimos.
Entretanto, há variações. O nudismo, é apenas o ato de estar sem roupa. A filosofia naturista, porém, vai muito além do simples ato de ficar nu. Ser naturista é comungar com a natureza e com as outras pessoas, respeitando-as. Ele representa uma filosofia de vida formada por uma maneira de viver em harmonia com a natureza, caracterizada pela prática da nudez em grupo, que tem como objetivo favorecer e fortalecer o respeito por si mesmo, pelos outros e o cuidado com o meio ambiente.
Todo naturista é, portanto, um nudista, mas nem todo nudista é naturista.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

How to be Successful in Naturism


Naturism is a wonderful way to live. Nudity is bliss. However, to the newbie nudie, it can be daunting to take the first steps. The following are some of my tips to make nude recreation and life more enjoyable.

1. One of the most difficult things for a new naturist is where to look. I’ve seen and been the new naturist that stares at the ground the whole time. My advice is to look at people’s faces. Make eye contact. People talk to each other while making eye contact. Having a conversation nude is the same as having a conversation clothed. It would be weird if you stared at someone’s groin while talking to them, the same is true clothed or nude. My advice is to treat being nude as being clothed in regards to how you look at people.

2. Understand that nudity is not an invitation for sexual activity or sexual harassment. I remember a time when I was at a nudist club where I observed a guy staring at a nude female who was sunning herself near the pool. His gaze was so intense that it was like a laser beam coming from his eyes. He later walked over to her and sat next to her, closely edging himself closer each time. But to the female’s credit she ignored him. I later reported the incident to the office, but he had already left. When the manager spoke to the female guest, she said that she didn’t report him because she was used to jerks like that. And that it was his hangup if he wanted to act that way. The woman didn’t allow him to destroy her day. I use this example to illustrate that just because someone is naked doesn’t mean it’s sexual and that people have a right to enjoy nudity without harassment.

3. If you’re going to a nude beach or resort, do your homework. Research the place before going there. For nude beaches, some nude beaches have shaky legal status. You don’t want to get arrested or ticketed for being nude. For resorts and clubs it’s important to call ahead before visiting. Each club or resort has different rules. Some clubs require a background check before visiting, while others do not admit single males, and some clubs require you to be a member of a national naturist/nudist organization like AANR or TNS. Bottom line call ahead, ask questions, and follow the rules.

4. Be friendly but not too friendly. Be sociable. But be wary to respect people’s space. Learn to read body language. A person lying on a lawn chair with their eyes closed may not appreciate you striking up a conversation. Also not talking to people and propping yourself under a tree, in a isolated part of the club, also looks weird. Strike a balance between being a wallflower and a gadfly.

5. Leave the iPad, laptop, or camera at home. Technology has brought the camera everywhere. I can tell you horror stories of people using their cellphone and suddenly being accused of taking people’s picture, and then being falsely thrown out of a club. I’d leave all electronics in your car or in your bag. And if you have to use your phone, point the camera away from people. After people get to know you, they’ll relax, but newbies are always under suspicion.

6. Always have a towel. I don’t know of a naturist club that would admit you if you didn’t have one. In fact have multiple towels. One for sitting on, a large one to lay on, and a towel to dry yourself after swimming.

7. Be prepared. Sunscreen? Water? ID? Money? Is there a snack bar? Do they take credit cards? Sunglasses? I once went to a nudist club with no shoes, in the height of summer, my feet were burned by the end of the day.

8. Erections. I have never had a problem with this. In fact you’re going to experience the opposite to put it mildly. You’re going to be too nervous to have an erection. But if you do have an erection, don’t draw attention to it. If you’re laying down, roll over on your stomach etc. After awhile, and more experience, this will not be a concern.

Naturism is a premier experience, something to be relished.
Fonte: aanaturist

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Despertar da Natureza: Breve Ensaio sobre o Naturismo em Portugal


A história do naturismo em Portugal é um reflexo das tensões sociais, políticas e culturais que moldaram o país ao longo do século XX e XXI. Mais do que a simples prática da nudez social, o naturismo português evoluiu de um movimento higienista e filosófico para uma expressão de liberdade individual e de consciência ecológica.

As Origens e o Higienismo (Início do Século XX)
O naturismo em Portugal não nasceu nas praias, mas sim nos consultórios e círculos intelectuais. No início do século XX, influenciado pelo movimento alemão Lebensreform (Reforma da Vida), o naturismo surgiu associado ao higienismo. Figuras como o Dr. Amílcar de Sousa foram fundamentais. Para estes pioneiros, a exposição ao sol (helioterapia) e ao ar livre era vista como a cura para os males da industrialização e da vida urbana insalubre. Em 1912, a fundação da Sociedade Naturista Portuguesa marcou o início institucional do movimento, focando-se na alimentação vegetariana e na saúde física.

A Longa Noite do Estado Novo
Com a ascensão do Estado Novo, o naturismo enfrentou o seu período mais difícil. A ideologia conservadora do regime de Salazar, fortemente assente na moral cristã e no pudor público, via a nudez como uma afronta aos bons costumes. Durante décadas, qualquer prática de nudismo era clandestina, limitada a praias desertas e de difícil acesso, sob o risco constante de intervenção policial e estigma social. O naturismo foi remetido para a invisibilidade, sobrevivendo apenas como um ato de resistência silenciosa de pequenos grupos.

A Revolução e a Legalização (1974 - 1994)
O 25 de Abril de 1974 trouxe a "Primavera" também para o corpo. A queda da ditadura permitiu que os portugueses explorassem novas liberdades. Na década de 80, o movimento reorganizou-se com a fundação da Federação Portuguesa de Naturismo (FPN) em 1977.

O grande marco jurídico ocorreu em 1994, com a aprovação da Lei n.º 92/94, que regulamentou a prática do naturismo em Portugal. Esta legislação permitiu a criação de praias oficiais e estabelecimentos de hospedagem naturista, transformando Portugal num dos destinos europeus mais progressistas nesta área. A Praia do Meco (Alfarim) e a Praia da Adiça tornaram-se símbolos desta conquista.

O Naturismo Contemporâneo e a Ecologia
Hoje, o naturismo em Portugal transcende a questão da nudez. Está intrinsecamente ligado à preservação ambiental e ao turismo sustentável. Portugal possui atualmente diversas praias oficiais (como a Ilha de Tavira ou a Bela Vista) e dezenas de praias de uso costumeiro. O perfil do naturista moderno é o de alguém que procura a desconexão tecnológica e o respeito absoluto pela biodiversidade, integrando o corpo no ecossistema sem as barreiras artificiais do vestuário.

Referências Bibliográficas

Correia, Gonçalves - Comuna da Luz e a Comuna Clarão

Federação Portuguesa de Naturismo (FPN). Arquivos históricos e documentação sobre a Lei 92/94.

Ferreira, V. M. (2002). O Corpo no Espaço Público: Sociologia da Nudez. Lisboa: Edições Colibri.

Neto, Margarida. (2010). História do Naturismo em Portugal: Da Filosofia à Prática. Revista de História das Ideias.

Sousa, Amílcar de (1912). O Naturismo. Porto: Edição do Autor. (Obra fundacional do movimento em Portugal).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dormir Nu É Ecológico


O livro "Dormir Nu É Ecológico" da canadiana Vanessa Farquharson e editado pela Presença este mês de Julho em Portugal, mostra a saga da jornalista que um dia se lembrou de levar a sério a missão de se tornar ecológica num ano.

Resolveu então criar um blogue (Green as a Thistle) e alimentá-lo dia a dia com as suas aventuras e desventuras ambientalistas, num total de 366 medidas a implementar ao longo de um ano que acabou bissexto (desde 1 de Março de 2007 a 29 de Fevereiro de 2008).

Vanessa aplica desde as acções aparentemente mais insignificantes, como deixar de usar cotonetes ou usar apenas uma chávena e um copo por dia, até chegar a vender o seu automóvel, passando por uma panóplia de privações, como desligar o frigorífico e deixar de usar o secador de cabelo, e alterando radicalmente o tipo de alimentação para alimentos exclusivamente naturais, biológicos e frescos, de preferência locais, comendo carne apenas uma vez por semana, bem como passando a usar todo o tipo de produtos de higiene e de limpeza o mais natural e nas menores quantidades possíveis.

Ao fim e ao cabo, a escritora jornalista demonstra que é de facto possível melhorar o nosso comportamento ambiental, com a consciência de que, se há medidas que não são exequíveis ou nem sequer valem a pena, muitas outra há que facilmente se integram no nosso quotidiano, bastando para tal uma pequena dose de imaginação e de boa vontade.

Um livro muito divertido e bem-humorado, fácil de ler, e onde não faltam ideias (embora algumas muito radicais, outras um pouco loucas) para pormos em prática um modo de vida mais sustentável.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Comuna da Luz (em Odemira) e a Comuna Clarão (em Sintra) foram as primeiras comunidades portuguesas anarquistas-naturistas fundadas por A. Gonçalves Correia


Imagem de uma comunidade anarquista-naturista-vegetariana em França numa sessão de Esperanto

A Comuna da Luz ( situada na herdade das Fornalhas Velhas, em Vale de Santiago, concelho de Odemira, hoje com a designação de Monte da Comuna, mas que já pouco resta das antigas instalações) é considerada a primeira comunidade anarquista a ser criada em Portugal, tendo perdurado ao longo de dois anos (1917 e 1918).

O principal promotor foi o anarquista António Gonçalves Correia, inspirado pelas ideias de Tolstoi e do pedagogo libertário Francisco Ferrer.

Pelo que se sabe, a comunidade contava com cerca de quinze companheiros que se dedicavam à agricultura e ao fabrico de calçado, praticando o vegetarianismo e o naturismo (nudismo). Fazia parte do grupo uma professora, o que na época era allgo de extraordinário, e a sua presença é justificada pela orientação racionalista que o mentor e principal promotor da Comunidade atribuía à aplicação dos métodos pedagógicos racionalistas do grande intelectual e pedagogo espanhol Francisco Ferrer

Durante a sua curta duração, a comunidade anarquista foi alvo de preconceitos burgueses e da repressão policial, os quais acusaram constantemente que a mesma comuna tenha desencadeado e organizado o surto grevista dos trabalhadores rurais que varreu o Alentejo.

Com efeito à greve geral de Novembro de 1918 não foi estranho os ideais libertários que os membros da Comuna da Luz espalharam entre as populações locais de Vale de Santiago. Em 1918, a mesma foi extinta , quando se espalharam rumores de que a comunidade estava associada à morte de Sidónio Pais. Após o seu desmantelamento, António Gonçalves Correia foi preso.

De qualquer forma , António Gonçalves Correia não se dá por vencido. Após a sua saída da prisão, em meados de 1926, funda a Comuna Clarão localizada em Albarraque ( na freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra)

Ambas as comunidades anarquistas tentaram aproximar-se do ideal libertário de Tolstoi - uma das maiores fontes de inspiração do anarquismo português protagonizado por António Gonçalves Correia.

A Comuna Clarão tinha como objectivo declarado pôr em prática um ideal de vida alternativo, dedicando-se à floricultura, à horticultura, e assumindo-se também, depois de 1926, como foco de resistência à ditadura, servindo mesmo de esconderijo a muitos perseguidos.

Também aqui as coisas nem sempre correram bem para Gonçalves Correia que entrou em desacordo com alguns companheiros, porventura menos honestos e menos coerentes com os ideais proclamados de fraternidade e tolerância, acabando por se extinguir.



Comunidade anarquista-naturista francesa - um exemplo dos célebres Milieux Libres

Quem foi António Gonçalves Correia
António Gonçalves Correia (1886 – 1967), natural da aldeia de S. Marcos da Ataboeira (Castro Verde), foi caixeiro viajante, vegetariano e tolstoiano, e é hoje ainda uma figura humana que perdura na memória de muitos alentejanos, na história da sua luta social, na imagem do “revolucionário” que percorria o Baixo Alentejo na difusão do ideal anarquista.

Nas palavras de Raul Brandão, que o descreve no seu livro «Os Operários», este homem «extraordinário, de grandes barbas tolstoianas e o cabelo caído pelas costas à nazareno» percorria o Alentejo, com a sua maleta de caixeiro-viajante cheia de sonhos. Gonçalves Correia era visto ainda como o homem que comprava pássaros para depois os soltar, no meio de vivas à liberdade.

Figura justamente celebrada, pelas edições do empolgante CD “No Paraíso Real” (ao qual Gonçalves Correia dava a capa e motivo de alguns dos testemunhos orais acerca da “revolta e utopia no sul de Portugal”) e sobretudo pela pequena biografia da autoria de Alberto Franco “A Revolução é a Minha Namorada. Memória de António Gonçalves Correia, anarquista alentejano” (da qual se remetem as citações que se seguem) a qual procura “fazer justiça ao movimento anarquista português de princípios do século, cuja memória foi meticulosamente apagada por 48 anos de ditadura, mas também por algumas forças de esquerda, ansiosas por monopolizar o combate ao Estado Novo”.

Homem culto, autodidacta, poeta social (que usa por vezes o pseudónimo de Pedro Monséni), adepto de Tolstoi, utiliza também a escrita como veículo de propaganda dos seus ideais. Colabora em vários jornais, como A Batalha, A Aurora, O Rebelde. Em 1916, por exemplo, funda o semanário A Questão Social, na vila de Cuba. Aí, publica uma série de artigos onde faz a apologia das suas ideias inovadoras – a defesa da liberdade e da emancipação da mulher, do naturismo, do respeito pelos animais, da ecologia, do amor livre e liberto das peias do casamento, da nãoviolência; a condenação do militarismo e do flagelo da guerra, e até da caça e do consumo do álcool.

Um ano depois, em 1917, publica um longo opúsculo, intitulado Estreia de um crente, que constitui, como diz justamente Alberto Franco, «um pequeno manual do pensamento libertário, temperado com o lirismo humanista do seu autor» (pág.35). Os capítulos da obra correspondem, aliás, a cartas dirigidas «a um anarquista», «a um tio rico», «a um republicano», «a um caçador», «a uma mulher», «a um advogado», «a um condenado», servindo cada uma delas como pretexto para o desenvolvimento dessas ideias. É precisamente na sua carta a um advoga- do que Gonçalves Correia escreve: «A revolução é a minha namorada».

Também num outro opúsculo, A Felicidade de todos os Seres na Sociedade Futura (1ª ed., 1923), Gonçalves Correia defende a colectivização da propriedade, a modernização da agricultura, manifestando a sua crença no pro- gresso e no contributo fundamental da máquina para a libertação do Homem.

A vida de Gonçalves Correia cruza-se pois com a história da primeira metade do século XX, política, económica e social. Cruza-se e funde-se com o emancipar das ideias anarquista, com as lutas anarco-sindicalistas das minas de Aljustrel, São Domingos ou Lousal, com as lutas dos camponeses do Alto ao Baixo Alentejo e com os vários grupos e jornais anarquistas de Portalegre e Évora, a Odemira ou Cercal do Alentejo, etc. Sobre os princípios de vida de Gonçalves Correia, a sua biografia chama a atenção para que quem hoje olhe para os “tópicos da cultura libertária de há 100 anos, não deixará de se surpreender com a actualidade de muitas das propostas. Com efeito, grande número dos princípios que enformam a nossa modernidade – a liberdade, a emancipação da mulher, a defesa do amor livre, a ecologia, o respeito pelos animais, o naturismo, certos estilos alternativos de vida – mergulham as suas raízes na velha moral anarquista”.

Certos do reconhecimento da autêntica sementeira e germinal de valores e princípios anarquistas na actual “modernidade”, pese o seu persistente escamoteamento, não chegamos porém a concluir, como Alberto Franco, que “um século depois, estão socialmente consagrados muitos dos postulados do pensamento libertário, fruto de um debate intelectual estimulante e, sob muitos aspectos, antecipador”. Os postulados anti-autoritários do pensamento libertário travam mais do que nunca uma luta pela sua vitória, e nesta luta a memória histórica do anarquismo agita-se hoje ainda, no debate, na prática, e nos novos desafios que colocados à velha moral anarquista não a condenam à velhice, antes a estimulam incorrigivelmente a prosseguir na “Felicidade de todos os seres na Sociedade Futura”, como já apelava o nosso anarquista de S. Marcos da Atabueira.

Gonçalves Correia perfilhava as ideias do anarquismo tolstoniano: pacifista, na condenação de todas as formas de violência; pela transformação do indivíduo através da bondade e da fraternidade. Um tom essencialmente moral, que contudo comunga no movimento libertário com correntes mais centradas na acção directa (seja ela violenta ou não) dos mesmos objectivos emancipadores do homem ao Estado e à autoridade.

A noção de socialismo de Gonçalves Correia ( segundo o opúsculo de 1917 “Estreia de um Crente”, a sua primeira obra, a que se seguirá em 1923 “A Felicidade de todos os Seres na Sociedade Futura”) é formulado nos seguintes termos:

“… bom, será definirmos o que é o socialismo, pois temos duas espécies: temos o socialismo parlamentar, nocivo, intervencionista (…) e temos o socialismo libertário, consciente, da acção directa, que só por si faz tremer os cómodos barões que desfrutam os benefícios do património comum. Esse sim. É o socialismo do futuro, sem deputados, sem eleições, sem o deprimente «carneiro com batatas», que corrompe consciências, que aniquila caracteres”.

Note-se o intento alter-globalizador “sentido que a humanidade só será feliz no dia em que der as mãos, alheia à fraternidade oficial, uma mentira repugnante, [pelo que Gonçalves Correia] declara-se anti-patriótico”, reivindicando a “abolição das fronteiras, separadoras de povos, de raças”.

Bibliografia:

FRANCO, Alberto (2000): "A revolução é a minha namorada - Memórias de António Gonçalves Correia, anarquista alentejano", ed. Câmara Municipal de Castro Verde; Destaque ainda para "No Paraíso Real: tradição, revolta e utopia no Sul de Portugal" (CD), ed. O Canto do Som, 2000.

“Naturismo e comunismo: uma aliança sagrada” foi o título da comunicação apresentada por Gonçalves Correia no 1.º Congresso Vegetariano Naturista da Península, realizado em Lisboa em Junho de 1919.

ROCHA, Francisco Canais, e LABAREDAS, Maria Rosalina (1982): "Os trabalhadores rurais do Alentejo e o sidonismo: ocupação de terras no Vale de Santiago", Lisboa, Edições Um de Outubro: pp. 168-69

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