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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Crise de memória RAM? A China está a adorar!


Por Nuno Miguel Oliveira
Como já disse várias vezes, a crise de memória RAM não é inocente. As 3 grandes fabricantes sofreram com excesso de stock durante algum tempo (o que resultou em margens mais curtas), e como tal, decidiram cortar na produção. Também decidiram cancelar planos para o desenvolvimento de novas linhas de produção. Tudo isso resultou na “crise” que agora se vive.

Mas, essa estratégia pode muito bem vir a resultar em algo extremamente curioso. As 3 grandes fabricantes (Samsung, Micron e SK Hynix), estão agora a ver um quarto concorrente a crescer de forma… Avassaladora. Dentro em breve, vamos ver um Big 4 e não um Big 3.

Pois é! O mundo não vive só de crises.
CXMT cresce 716% num ano e a China avança sem travões para esmagar o cartel da memória!

Quem pensava que as sanções dos Estados Unidos e as restrições de tecnologia iam matar a indústria de semicondutores na China pode começar a comer o pequeno-almoço, visto que está prestes a começar um novo dia.

A gigante chinesa de memórias CXMT não só sobreviveu, como se transformou na fabricante de DRAM com o crescimento mais rápido do planeta no segundo trimestre de 2026. De facto, os dados da Counterpoint Research mostram um disparo de receitas verdadeiramente de loucos: uns inacreditáveis 716% de aumento em comparação com o ano passado. É a China a mostrar que não precisa de pedir licença ao Ocidente para fazer chips de topo.

Assim, enquanto a Samsung tenta segurar a liderança do mercado com 39% de quota e a SK Hynix e a Micron andam à pancada pelo segundo lugar, a CXMT corre por fora e já ameaça entrar no clube.

Até a Apple quer estes chips!
Não vamos ser anjinhos e dizer que a China anda a vender chips mais baratos. Toda a gente gosta de dinheiro, e os chineses não são diferentes. De facto, os chips de memória da CXMT ainda não estão ao nível das outras 3 grandes fabricantes.

Mas, não estão muito longe, e apesar de caros, têm uma grande vantagem… Há stock!

E talvez mais importante que isto, a fabricante anda a aproveitar a onda para investir muito (e bem) no futuro. Afinal, ao contrário da SMIC, que ainda luta para ultrapassar certas barreiras na produção de processadores, a CXMT já está a produzir memórias de última geração e a fazer progressos sérios nos chips LPDDR6.

O motor deste crescimento avassalador assentou numa procura interna brutal na China e numa expansão agressiva das suas fábricas, financiada após a entrada na bolsa no início do ano. Aliás, a empresa já está a construir uma nova megafábrica em Pequim para produzir ainda mais.

E a ironia da história atinge o auge aqui! Até a própria Apple está a tentar fechar contratos com a CXMT para garantir o fornecimento de chips de memória para os seus equipamentos. Numa altura em que a crise da memória para a Inteligência Artificial encareceu tudo e forçou os americanos a subirem os preços dos seus produtos, Tim Cook bate à porta de Pequim a pedir socorro para não ficar sem stock.

A questão já não é “se”, é “quando”
A memória RAM e o armazenamento de alta velocidade são a espinha dorsal de tudo o que mexe na tecnologia moderna, desde os aceleradores de IA até ao smartphone que trazemos no bolso. Durante anos, Samsung, SK Hynix e Micron geriram o mercado quase a seu bel-prazer, ditando preços e volumes de produção.

A chegada da CXMT com apoio estatal, capacidade fabril massiva e preços competitivos vai virar o jogo ao contrário.

Curioso não é?

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Terras de Barroso é notícia em França

A Serra do Barroso, no extremo norte de Portugal, é única na sua história, património, paisagens e biodiversidade. É um dos oito territórios europeus atualmente classificados como Património Mundial da Agricultura pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura [Fonte].

Infelizmente, o seu subsolo é considerado rico em lítio, um elemento essencial no fabrico de baterias para telefones e veículos elétricos. Vendo isto como uma oportunidade económica, o governo português deu luz verde ao seu desenvolvimento. Os habitantes locais lutam contra o projeto, mas sem grande esperança. Uma crónica de um desastre ecológico anunciado. 

A base e a elevação. 
Do topo de um forte que data da Segunda Idade do Ferro, a estátua de pedra de um poderoso guerreiro gaélico, descoberta na região, contempla milhares de anos e uma paisagem de cortar a respiração moldada pela pura paciência do tempo: a do Barroso, uma região de média montanha que se estende pelos concelhos de Boticas e Montalegre, no distrito de Vila Real (região histórica de Trás-os-Montes). Os caminhantes que se aventuram até aqui não estão imunes ao encontro com uma alcateia de lobos ibéricos, numerosos na região e uivantes durante a noite. Mais abaixo, é o gado Barrosã, com a sua pelagem fulva e os seus chifres longos e curvos, cuja herança genética está enraizada nas profundezas do tempo, que domina esta obra-prima.

Em Agosto último, ambientalistas de todo o mundo reuniram-se ali, precisamente na aldeia de Covas do Barroso, no quintal de uma antiga quinta convertida em ecomuseu (um grande número na região ). A sua luta local: a mina de lítio que ameaça desfigurar a área, mais precisamente a exploração de pegmatitos contendo lítio para a produção de concentrado de espodumena, um mineral utilizado no fabrico de lítio para baterias. Segundo um relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos, publicado em 2023, Portugal detém as maiores reservas de lítio da Europa e a oitava maior do mundo. O seu Primeiro-Ministro, António Costa, tem afirmado repetidamente que o país está sentado sobre um tesouro.

"A realidade é que ele não sabe mais do que eu e tu, porque estes são recursos deduzidos", interrompe Carlos Leal Gomes, professor da Universidade do Minho e especialista na matéria. "Quinto, sexto, oitavo lugar, para já não temos absolutamente nada. Só saberemos esta classificação quando começarmos a produzir." O grupo britânico Savannah Resources Plc [Fonte], que obteve a concessão para a operação, apresentava, no entanto, números muito precisos antes do Verão: uma produção de 25.000 toneladas, o equivalente à quantidade de material necessária para fabricar baterias para aproximadamente 500.000 veículos por ano. Mas, mais uma vez, Carlos Leal Gomes modera o entusiasmo que prevalece em Lisboa: "Nesta fase, estes são apenas números indicativos, sabendo que neste campo estão comprovadas muito poucas estimativas." Além disso, os minérios de Barroso não são dos melhores em termos de qualidade. Exigirão muito trabalho para serem exploráveis."

O projeto Barroso Lithium envolve perfurações até 1.700 metros de profundidade numa área de 593 hectares e a criação de uma cratera a céu aberto com 800 metros de diâmetro, a menos de 200 metros das povoações mais próximas! Este é o pior método de extração existente, equivalente ao do gás de xisto, com a sua série de danos colaterais. A extraordinária floresta de pinheiros, que conseguiu o milagre de se regenerar após grandes incêndios há alguns anos, será novamente sacrificada, mas deliberadamente desta vez. Tínhamos lido muito sobre o assunto antes de o virmos visitar in loco, mas quando descobrimos o local, foi o suficiente para nos fazer chorar.

No bar da aldeia, o apropriadamente chamado "O Nosso Café", podíamos sentir os clientes um pouco relutantes em conversar. Não sabemos muito, não acompanhamos de perto e somos sempre encaminhados para outra pessoa. "As pessoas não entendem por que, com o objetivo louvável de reduzir a poluição, vamos destruir florestas, "rios, todo um ambiente e, em última análise, as suas vidas", resume Nelson Gomes, presidente da associação Unidos pela Defesa de Covas do Barroso. "Já estamos a assistir ao colapso climático com os nossos próprios olhos e, para o contrariar, vamos agravá-lo aqui. É uma aberração."

A comunidade intermunicipal do Alto Tâmega, da qual Barroso faz parte, é o ponto de encontro do norte de Portugal. A água está em todo o lado, em abundância, tanto que se pode ouvi-la cantar continuamente o seu fado. O Posto de Turismo fez dela a sua imagem de marca: "O território da água e 
bem-estar." Mas a evisceração da montanha, claro, perturbará este belo e intemporal equilíbrio. "A extracção interferirá inevitavelmente com a irrigação das nossas terras, o que acabará por condenar a produção", lamenta Aida, outra voz de protesto. "No entanto, esta natureza é a nossa única riqueza, a nossa mãe nutritiva." Acima de tudo, são necessários entre 41.000 e 1,9 milhões de litros de água para produzir uma tonelada de lítio.

Então, José promete alguma alegria à cidade distante: "Para além da interrupção do sistema de rega e das projecções de poeiras, todo este lítio terá de ser lavado antes de ser enviado. E é a água daqui que recebem no Porto, em Braga ou em Guimarães." Os promotores do projeto diriam que se trata apenas de fantasias sem base científica, enquanto realizaram estudos muito sérios. Mas os habitantes mais antigos da região recordam que a exploração de volframite, um mineral que contém tungsténio, um metal muito útil para o fabrico de armas, durante a Segunda Guerra Mundial quase condenou a tribo Barrosa.

Portugal é já o maior produtor de lítio da Europa, com 900 toneladas por ano [Fonte]. Este número continua, no entanto, a ser muito modesto em comparação com as 55.000 toneladas da Austrália (46,3% da produção mundial) ou as 26.000 toneladas do Chile (23,9%). Mas as suas reservas estão estimadas — ainda condicionalmente — em 60.000 toneladas. Assim, decidiu-se minerar em seis locais do interior do país, onde tinham sido identificados jazigos. O que salvou Portugal até então? O custo de extracção, duas a três vezes superior na Europa do que no Chile, por exemplo. Mas os avanços tendem a diminuir este fosso e, à medida que se começou a sentir uma certa inquietação quanto a uma possível futura escassez global, a decisão foi rapidamente tomada.

A Savannah Resources já está em casa em Portugal (o seu site está agora disponível em inglês e em português), onde criou uma agência dedicada de relações com os media. De facto, o grupo britânico está a beneficiar de uma impressionante campanha de portas abertas na imprensa portuguesa, onde, através de artigos que fazem lembrar publieditoriais, todos os bons motivos para a próxima operação são reafirmados sobre as suas condições. Boas pessoas, estejam descansadas, o nosso projeto é sustentável e obedece às técnicas mais virtuosas.

Para garantir o seu sucesso, a empresa, claro, cumpriu uma série de requisitos: a promessa de indemnizações às comunidades afetadas, a construção de uma nova estrada para o transporte de lítio para limitar os incómodos aos residentes locais, a proibição de captação de água do Rio Covas, mecanismos de compensação, etc. A Savannah chega mesmo a gabar-se da potencial renaturalização do local após o esgotamento da mina (falamos de uma duração de exploração em dezassete anos).

Com a autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que deu a sua aprovação esta primavera, a Savannah Resources pretende iniciar as escavações até 2026.

"Mas fomos tão enganados desde o início, com argumentos falaciosos, que já não acreditámos neles", diz João, que regressa à sua aldeia natal todos os verões. "Na verdade, só fomos informados depois do lançamento do projeto." E, como sabem, é difícil protestar em Portugal. Recentemente, activistas tentaram erguer um bloqueio na estrada nacional que atravessa o norte do país de leste a oeste, mas em menos de uma hora foram removidos sem cerimónias pelas autoridades. Assim, o protesto limita-se modestamente a inscrições ou faixas com os dizeres: Não à mina, sim à vida  ou, mais simplesmente, "Não à Mina".

Porque a vida tem sentido na região do Barroso, onde os habitantes sempre respeitaram todos os seres vivos. Sentimo-lo em Sofia, cuja família possui uma quinta perto de Chaves, a cerca de vinte quilómetros. De longe, uma genuína admiração por eles: "A vida deles foi difícil durante muito tempo. Muito difícil. Estavam completamente isolados do resto do país. A eletricidade só chegou lá em 1966. Assim, foram organizados em comunidades para a gestão dos recursos." Tal isolamento que, no Concílio de Trento, em 1542, foi pedida uma isenção para permitir que os padres do Barroso se casassem! Tal não aconteceu, mas as aldeias mais remotas, como Vilarinho Seco, não mudaram nada no seu modo de vida, que alguns comparariam, sem dúvida, ao dos Amish.

Na década de 1980, o fotógrafo Gérard Fourel imortalizou esta "terra dos últimos homens", que fala por si. Quarenta anos depois, os seus habitantes ainda lá vivem com os seus animais e cozem pão no forno comunitário, que se assemelha a uma ágora. E os baldios, terras comunais geridas colectivamente, são ainda numerosos na zona. É esta obra-prima da humanidade que a UNESCO mencionou "a forma tradicional de trabalhar a terra, cuidar dos animais e a entreajuda entre os seus habitantes", que David Archer, ex-CEO da Savannah Resources, descreveu em 2021 no Diário de Noticias como uma região moribunda em processo de desertificação, apresentando a sua mina como "a" solução para inverter a tendência e revitalizá-la, prometendo "a procura imobiliária (sic) e a realocação de serviços públicos"[Desde 18 de setembro de 2023 que o português Emanuel Proença é o novo CEO da Savannah Resources Plc ]. Comparada com a carrinha de compras que abastece Covas de Barroso, a perspectiva roça o grotesco. Como sempre acontece com um projecto deste tipo, fala-se na criação de 600 postos de trabalho, mas isso dificilmente afectará a população local, uma vez que a dita mina "inteligente" será parcialmente gerida remotamente.

André, natural de Montalegre, Toulouse, que regressa todos os verões para fazer caminhadas com a filha, faz a triste observação de que "mesmo aqui, onde pensávamos estar em segurança, estamos presos à política do dinheiro". O neoliberalismo europeu tem as suas garras sobre Barroso, e agora será difícil para ele libertar-se. Com a autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que deu o seu aval na primavera, a Savannah Resources pretende iniciar a escavação até 2026. A estrada de trinta quilómetros para transportar o lítio até à autoestrada, no entanto, ainda não está concluída até lá. João vê nisso "talvez uma forma de atrasar o prazo, porque muitos municípios têm de ser atravessados ​​e um certo número de proprietários está recalcitrante". 

Mas mantém-se pessimista: "As pessoas não têm muitas ilusões: o projecto vai avançar porque já foi investido muito dinheiro." No início de setembro, a APA chegou mesmo a dar o seu aval a um segundo projeto, em nome da "importância estratégica do lítio para os objetivos de neutralidade carbónica e a transição energética", este em Montalegre: a construção de uma unidade de refinação do metal extraído pela empresa portuguesa Lusorecursos. Montalegre, "750 anos de história" e "uma ideia de natureza", como gosta de se apresentar. Parte do território do concelho estende-se até à Reserva da Biosfera da Peneda-Gerês.

As associações de defesa de Barroso, no entanto, sustentam que a luta ainda não terminou e prometem recorrer à justiça, se necessário. Desde o verão que António Costa tem aparecido em grandes outdoors de 15x10 cm, a três quartos de distância, a abraçar idosos que imaginamos vulneráveis. "Governar a pensar nas pessoas", diz o lema Quem sabe por que razão os apoiantes de Barroso não se sentem preocupados.

sábado, 7 de junho de 2025

O que é streaming? Entenda como funciona a tecnologia e conheça as principais plataformas


Streaming é a tecnologia de transmissão ou recepção contínua de dados via internet. A tecnologia permite que usuários acessem a diferentes tipos de conteúdos alocados nos servidores das plataformas de serviço.

Existem três tipos de streaming: de vídeo, de áudio ou de jogos. E a reprodução de conteúdos acontece sob pedido ou em tempo real (como no caso de live streaming).

A tecnologia de streaming serve para acessar a conteúdos da internet de maneira simplificada, sem a necessidade de downloads locais nos dispositivos.

A seguir, entenda o que é streaming, veja como a tecnologia funciona, e confira as principais plataformas do mercado.

O que é streaming?
Streaming é uma tecnologia de transmissão ou recepção contínua de dados via internet, de um servidor para o usuário. Essa tecnologia permite que dispositivos (como smartphones, PCs, smart TVs, entre outros) possam acessar vídeos, músicas, jogos e outros tipos de conteúdo em tempo real ou sob demanda.

Qual é o significado de streaming?
O termo “streaming” é derivado da expressão em inglês “stream”, que significa “fluxo contínuo”. No âmbito tecnológico, a palavra se refere à transmissão contínua de dados via internet, a exemplo de conteúdos em vídeos, áudios e games.

Para que serve o streaming?
O streaming tem a função de transmitir ou receber dados de forma contínua pela internet. Do ponto de vista do usuário (receptor), o streaming é a tecnologia necessária para assistir a filmes ou jogar online, sem a necessidade de baixar os conteúdos no dispositivo.

Já do ponto de vista dos prestadores de serviços ou criadores de conteúdos, o streaming consiste no meio necessário para que os dados armazenados nos servidores sejam disponibilizados aos usuários, seja no modelo sob demanda ou em tempo real.

Como funciona o streaming
O funcionamento do streaming se baseia na tecnologia de cloud computing, em que as empresas armazenam seus conteúdos (em áudio, vídeo, entre outros formatos) na nuvem para disponibilização sob demanda. Em casos de live streaming, os sinais do streamer são enviados para os servidores, e então são distribuídos em tempo real.

Os usuários então conectam seus dispositivos à internet e acessam as plataformas de streaming, seja via software de aplicação (apps) ou plataforma web. Alguns serviços podem ser utilizados de forma gratuita e sem a necessidade de login, mas a maioria das plataformas exige uma conta e assinatura paga para uso.

Se a conta tiver as permissões necessárias, a plataforma vai receber os dados dos servidores para reproduzir os conteúdos. E vale destacar que a qualidade dos serviços de streaming pode variar, de acordo com a velocidade da internet, configuração de dados móveis, taxa de bits, e limitações das próprias plataformas.

Consigo usar streaming sem internet?
Não. A tecnologia de streaming necessita que dispositivos estejam conectados à internet para receber os dados dos servidores e acessar aos conteúdos. Logo, os processos de transmissão e recepção de informações só ocorrem em ambiente online.

Alguns serviços de streaming permitem uso offline, desde que os conteúdos sejam baixados previamente. Mas nesses casos, não há transmissão de dados em tempo real, e ocorre apenas a reprodução de dados armazenados localmente.

Preciso pagar para usar streaming?
Não necessariamente. YouTube e Spotify são exemplos de serviços de streaming gratuitos, que podem ser utilizados (com limitações) sem uma assinatura. Contudo, a maioria das plataformas de streaming costumam exigir assinaturas pagas para acessos ilimitados aos conteúdos e experiência completa dos serviços.

Quais são os tipos de streaming?
A tecnologia de streaming pode envolver diferentes finalidades, mas inclui três tipos de transmissão de dados:
  • Streaming de vídeo: serviços que disponibilizam acesso a filmes, séries, documentários e vídeos sob demanda ou em formato live streaming (transmissão em tempo real);
  • Streaming de áudio: tipo de streaming que oferece acesso a músicas e audiolivros (sob demanda) ou conteúdos em tempo real (como podcasts, rádios, entre outros);
  • Streaming de jogos: serviço de jogos via streaming, que fazem com que consoles, PCs, TVs e smartphones rodem jogos diretamente da nuvem.

Quais são as principais plataformas de streaming?
Há diversos serviços de streaming voltados para vídeo, áudio ou jogos, dos quais a maioria exige uma assinatura paga. As principais plataformas de streaming abrangem:
  • Netflix: plataforma paga focada em filmes, séries e documentários, além de oferecer jogos em dispositivos móveis;
  • Amazon Prime Video: serviço mediante assinatura da Amazon, que oferece um amplo catálogo de filmes, séries originais, canais adicionais e eventos em tempo real;
  • Disney+: streaming pago da Disney, com foco em filmes, séries e documentários do conglomerado;
  • HBO Max: serviço pago da Warner Bros. Discovery, que disponibiliza filmes, séries originais e documentários;
  • Apple TV+: plataforma de streaming da Apple mediante assinatura, focada em filmes e séries originais, e com disponibilidade de eventos ao vivo;
  • Globoplay: serviço da Rede Globo com planos pagos e conteúdos gratuitos, que inclui um catálogo de filmes, séries, programas de TV, e transmissões ao vivo do conglomerado;
  • Mubi: plataforma paga da Mubi com enfoque em clássicos do cinema e em filmes aclamados pela crítica;
  • YouTube: serviço do Google de uso gratuito ou pago, que inclui vídeos de entretenimento, videoclipes, músicas, podcasts, live streaming, aluguer de filmes, entre outros conteúdos audiovisuais;
  • Spotify: plataforma de streaming de áudio com planos gratuitos ou pagos, que reúne ampla biblioteca de músicas, audiolivros, podcasts e rádios;
  • Deezer: plataforma de áudio com catálogo recheado de músicas e podcasts, e que pode ser usada gratuitamente ou por meio de assinatura;
  • Tidal: serviço pago da Block focado em músicas, mas que também inclui videoclipes e conteúdos exclusivos de artistas;
  • Amazon Music: serviço de streaming de áudio mediante assinatura da Amazon, que inclui músicas, podcasts e outros áudios em seu catálogo;
  • Apple Music: plataforma de streaming de áudio da Apple mediante assinatura, que contém músicas, rádios, entrevistas e conteúdos exclusivos;
  • Xbox Cloud Gaming (xCloud): serviço pago de jogos em nuvem da Microsoft, com amplo catálogo de games e títulos rotativos;
  • GeForce Now: serviço de streaming de jogos da Nvidia, que inclui planos gratuitos ou pagos, e que permite rodar jogos já adquiridos diretamente na nuvem;
  • Amazon Luna: plataforma de jogos via nuvem mediante assinatura da Amazon, que inclui games do catálogo e títulos por assinatura;
  • Twitch: serviço focado em transmissão de conteúdo em tempo real, que pode ser usado gratuitamente ou com uma assinatura paga;
  • Kick: plataforma focada em live streaming, com opções de uso gratuitas ou pagas.
Quais são os principais benefícios do streaming?
A tecnologia de streaming inclui diversos benefícios de uso, principalmente em questões de praticidade e recursos de reprodução de conteúdos. As principais vantagens do streaming incluem:
  • Bibliotecas amplas de conteúdo: o universo de streaming reúne uma grande quantidade de conteúdos disponíveis para os usuários;
  • Economia de armazenamento local: o streaming é baseado em conteúdos armazenados em servidores, de modo com que usuários não precisem baixar os conteúdos nos dispositivos;
  • Autonomia de uso: o streaming permite que usuários utilizem as plataformas via app ou plataforma web, bastando uma conexão com internet;
  • Recurso de pausar e voltar: é possível pausar ou voltar a reprodução, seja em conteúdos sob demanda ou em live streaming;
  • Disponibilidade em múltiplos aparelhos: usuários podem acessar plataformas de streaming de diversos dispositivos, como smartphone, computador, videogames, tablets, entre outros aparelhos;
  • Recomendações com base em preferências: plataformas de streaming costumam recomendar conteúdos com base nas preferências e visualizações dos usuários.
Quais são as principais limitações do streaming?
O streaming apresenta limitações de uso especialmente ligadas à conexão com internet e planos para uso. Dentre as desvantagens da tecnologia, estão:
  • Dependência de internet: o uso de serviços de streaming é dependente de conexão com internet, e do bom funcionamento dos servidores das empresas de streaming;
  • Alto consumo de dados: a transmissão contínua de dados consome grande quantidade de dados de internet, aumentando consideravelmente o uso dos dados móveis;
  • Conteúdos muito diluídos: devido a questões de direitos de licenciamento, conteúdos costumam ser disponibilizados em múltiplas plataformas, o que pode exigir assinaturas em vários serviços;
  • Exigência de assinaturas: a maioria dos serviços de streaming exige planos pagos para uso ou para uma experiência completa.
Qual é a diferença entre streaming e live streaming?
Streaming é uma tecnologia de consumo responsável pela transmissão contínua de dados via internet. Quando conectados à internet, dispositivos eletrônicos podem usar o streaming para acessar plataformas de vídeo, áudio ou jogos, seja no formato sob pedido (como Netflix) ou em tempo real (a exemplo da Twitch).

Já live streaming é um tipo específico de streaming, em que a transmissão contínua de dados via conexão com a internet ocorre em tempo real. Em outras palavras, trata-se da transmissão ou recepção de dados de eventos ocorrendo naquele exato momento, como um jogo de futebol ou lives de criadores de conteúdo.

Em suma: nem todo formato de streaming é uma live streaming, mas toda live streaming se caracteriza como streaming.

sábado, 15 de junho de 2024

Nota



O meu blogue foi atacado por publicidade. Instalem no vosso PC um malware ou então cliquem 3 vezes e já podem comentar, visualizá-lo com toda a segurança e comentar. Grato por vossa atenção.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Formigas gostam dos níveis de cafeína das bebidas energéticas e isso pode ajudar a controlar espécies invasoras



As formigas que recebem uma recompensa açucarada com cafeína tornam-se mais eficientes nas suas deslocações ao local da recompensa do que as formigas que apenas recebem açúcar.

Os investigadores relatam, na revista iScience, que as formigas com cafeína se deslocam em direção à recompensa por um caminho mais direto, mas não aumentam a sua velocidade, o que sugere que a cafeína melhorou a sua capacidade de aprendizagem.

O estudo foi realizado com formigas argentinas (Linepithema humile), uma espécie globalmente invasora, e os investigadores afirmam que a incorporação de cafeína em iscos para formigas poderia ajudar nos esforços de controlo das mesmas, melhorando a absorção do isco.

“A ideia deste projeto era encontrar uma forma cognitiva de fazer com que as formigas consumissem mais dos iscos venenosos que colocamos no campo”, diz o primeiro autor e investigador de doutoramento Henrique Galante, biólogo computacional da Universidade de Regensburg.

“Descobrimos que doses intermédias de cafeína potenciam a aprendizagem – quando lhes damos um pouco de cafeína, isso leva-as a ter caminhos mais rectos e a conseguir alcançar a recompensa mais rapidamente”, acrescenta.

As formigas argentinas são uma das espécies invasoras mais prejudiciais do ponto de vista ecológico e mais dispendiosas a nível mundial. Os esforços de controlo, que se centram na utilização de iscos venenosos, têm-se revelado ineficazes, provavelmente devido à baixa absorção e abandono dos iscos.

Os investigadores quiseram testar se a utilização de cafeína, que demonstrou melhorar a aprendizagem das abelhas e dos abelhões, poderia reforçar a capacidade das formigas para aprenderem a localização do isco e guiarem os seus companheiros de ninho até lá.

“Estamos a tentar fazer com que elas consigam encontrar melhor estes iscos, porque quanto mais depressa forem e voltarem a eles, quanto mais trilhos de feromonas colocarem, mais formigas virão e, portanto, mais depressa espalharão o veneno na colónia antes de se aperceberem que é veneno”, diz Galante.

“O teste da cafeína”
No laboratório, os investigadores testaram se diferentes concentrações de cafeína teriam impacto na capacidade das formigas para localizar e deslocar uma recompensa açucarada. Estas desceram por uma ponte levadiça de Lego até uma plataforma de teste – uma folha de papel A4 sobre uma superfície acrílica – na qual os investigadores colocaram uma gota de solução de sacarose com 0, 25 ppm, 250 ppm ou 2000 ppm de cafeína.

“A dose mais baixa que utilizámos é a que se encontra nas plantas naturais, a dose intermédia é semelhante à que se encontra em algumas bebidas energéticas e a dose mais elevada foi definida como a DL50 das abelhas – em que metade destas morrem – pelo que é provável que seja bastante tóxica para elas”, diz Galante.

Os investigadores utilizaram um sistema de rastreio automatizado para monitorizar a velocidade a que as formigas se deslocavam de e para a recompensa e a orientação do seu percurso.

No total, foram testadas 142 formigas, e cada formiga foi testada quatro vezes. Os investigadores também removeram e substituíram o pedaço de papel para que as formigas não pudessem seguir o seu próprio rasto de feromonas até ao local da recompensa.

Sem cafeína, as formigas não aprenderam a deslocar-se mais rapidamente para o local de recompensa nas viagens de procura de alimento subsequentes, o que sugere que não tinham conseguido memorizar a sua localização.

No entanto, as formigas cuja recompensa açucarada continha doses baixas ou intermédias de cafeína tornaram-se mais eficientes na localização da recompensa. O tempo de procura de alimento diminuiu 28% por visita para as formigas que receberam 25 ppm de cafeína e 38% por visita para as formigas que receberam 250 ppm de cafeína, o que significa que, se uma formiga demorou 300 s na sua primeira visita, no ensaio final, deveria demorar 113 s com a dose baixa de cafeína e 54 s com a dose intermédia. Este efeito não foi observado na dose mais elevada de cafeína.

Os investigadores demonstraram que a cafeína reduziu o tempo de procura de alimentos das formigas, tornando-as mais eficientes e não mais rápidas. Não houve efeito da cafeína no ritmo das formigas em qualquer dosagem, mas as que receberam doses baixas a intermédias de cafeína percorreram caminhos menos tortuosos.

“O que vemos é que elas não estão a andar mais depressa, estão apenas mais concentradas no sítio para onde vão”, diz Galante. “Isto sugere que sabem para onde querem ir e, portanto, aprenderam a localização da recompensa”, adianta.

A cafeína não teve qualquer impacto na capacidade de regresso das formigas (a eficiência com que viajaram de volta ao ninho), embora os seus caminhos para casa se tenham tornado menos sinuosos a cada viagem, independentemente da cafeína.

Os investigadores estão optimistas quanto ao facto de a cafeína poder ajudar nos esforços de controlo das formigas argentinas, mas é necessária mais investigação. Estão atualmente a testar iscos com cafeína num ambiente de campo mais naturalista em Espanha e planeiam também investigar se existe alguma interação entre a cafeína e o veneno do isco.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Filme de culto - Decoder (1984)



Decoder é um filme dramático de vigilância burocrática, proto-cyberpunk e bizarro da Alemanha Ocidental, apresentando FM Einheit da banda industrial alemã Einstürzende Neubauten como um jovem fanático por barulho com ambições de hacker empregado numa lanchonete. Ele descobre que substituir o Muzak (música de fundo tocada em lojas e elevadores) imposto pelo governo por ruído industrial alterará o comportamento das pessoas. Inspirado por um encontro com um sumo sacerdote pirata barulhento (interpretado por Genesis P-Orridge dos pioneiros industriais Throbbing Gristle), ele se rebela contra o governo por usar a música como arma de controle mental corporativo e sedação ambiental levando ao consumismo e à massificação. Ele então toca sua mixagem parcialmente composta pelo balido distorcido de um sapo gritando, apenas para se transformar no terrorista barulhento mais procurado do país por incitar tumultos.

Decoder é inspirado na Revolução Eletrónica (1970) de William S. Burroughs, que aparece no filme, tem uma forte mensagem anticonsumista, citações sobre Lady Di (Diana), metáforas bíblicas usando sapos como símbolos para a vagina.

O filme também é notável por não estrelar atores reais: Bill Rice (artista de vanguarda do East Village) é Jaeger, um homem de empresa obcecado por peep-shows encarregado de estrelar monitores de vigilância nevados o dia todo, é designado para pôr fim ao F.M. operação. Christian F. interpreta a namorada de FM, uma funcionária punk de um peepshow que prefere a companhia de seus sapos de estimação aos humanos.

Decoder (Descodificador) de Muscha é um clássico cult e uma obra-prima criminosamente subestimada da estranheza alemã, antes da Internet e da guerra cibernética, filmada em 16 mm, salpicada de tons brilhantes de rosa, azul e verde com trabalho de câmera da vienense / nova-iorquina Hannah Heer. 

Deve ser considerado obrigatório para quem ama os clássicos cyberpunks de Shinya Tsukamoto, Electric Dragon 80.000 V de Sogo Ishii e filmes como They Live, Vortex (1982) e Liquid Sky.

O filme é retalhado e golpeado pela cultura industrial/eletrónica dos anos 80 com uma trilha sonora intensa de nomes como Einsturzende Neubauten, Soft Cell, The The e Psychic Tv.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Dois Cérebros Emocionais


"Nas décadas de 70 e 80, a sociedade exagerou um pouco na reação a estes estudos sobre o cérebro dividido, surgindo uma panóplia de iniciativas que enfatizavam o «lado esquerdo do cérebro» e o «lado direito do cérebro». Várias escolas alinharam na ideia e criaram programas curriculares que ajudavam a estimular ora um, ora outro, ora ambos os hemisférios cerebrais. O estereótipo da pessoa que usa mais um dos lados do cérebro disseminou-se, com aquelas que tinham o lado esquerdo mais preponderante a mostrarem-se mais organizadas, pontuais e atentas aos pormenores, ao passo que as que tinham o lado direito mais preponderante a saírem-se bem nas áreas da criatividade, da inovação e do desporto. Infelizmente, em reação a essa moda do lado esquerdo/lado direito, a estratégia que muitos pais adotaram para ajudarem os seus filhos a ganharem uma vantagem competitiva foi expô-los a iniciativas que se ajustavam aos seus talentos naturais. Isto fazia sentido, claro, pois queriam que os seus filhos fossem recompensados por aquilo em que revelavam um bom desempenho. Mas se o seu objetivo era gerar crianças mais completas e multifacetadas, então teria sido preferível inscrevê-las em atividades em que não eram boas. Por exemplo, poderiam ter encorajado os jovens com as faculdades científicas e matemáticas mais desenvolvidas a participar em iniciativas ao ar livre, em que pudessem explorar e recolher dados científicos numa floresta. E poderiam ter incitado os jovens com mais propensão para o desporto e para as artes a criarem um qualquer projeto científico ligado aos seus interesses. No entanto, como os pais fizeram o que fizeram, ao longo dos últimos 40 anos as nossas tendências naturais penderam para os dois extremos. Têm surgido alguns textos e cursos especificamente pensados para ajudar a desenvolver o nosso lado menos preponderante, incluindo o livro Drawing on the Right Side of the Brain, um clássico que ainda é muito usado hoje em dia. Além disso, facilmente reconhecemos como os publicitários aperfeiçoaram as suas estratégias de marketing para apelar às preferências do nosso hemisfério esquerdo ou direito. Até os sistemas informáticos que usamos seguem esta lógica: os produtos Apple são vistos como sendo para criativos que usam mais o lado direito, ao passo que tudo o que seja Windows é para pessoas analíticas que usam mais o lado esquerdo .Lembram-se dos telemóveis Blackberry? Davam com o meu hemisfério direito em doido.

Como Funcionam os Dois Hemisférios
Além destes esforços da ciência popular, concebidos para tirar partido das diferenças estereotipadas entre os nossos dois hemisférios, há uma pilha de conhecimentos científicos com base em evidências que nos oferece uma noção bastante clara das diferenças anatómicas e funcionais das duas metades do cérebro. Quem estiver interessado tanto no panorama geral como nos pormenores do que se descobriu acerca destas diferenças ao longo do último século, o livro The Master and His Emissary, da autoria do psiquiatra inglês Dr. lain McGilchrist, é uma leitura fascinante e atualizada. Caso esteja interessado no modo como um psiquiatra de Harvard trabalha com as personagens dos hemisférios esquerdo e direito numa tentativa de ajudar os seus pacientes a/superarem questões relacionadas com doenças mentais, o livro Of Two Minds, escrito pelo Dr. Fredric Schiffer, é muitíssimo esclarecedor. Aborda inclusivamente o facto de as personagens dos dois hemisférios serem tão diferentes que cada uma delas pode manifestar dores e queixas individuais, que o outro não verifica nem exibe. Adicionalmente, se procura uma ferramenta alternativa sobre como gerir questões relacionadas com doenças mentais, o modelo dos Sistemas da Família Interior [Podia ter sido mais corretamente traduzido como Terapia Familiar dos Sistemas Internos, do inglês Internal Family Systems], desenvolvido pelo Dr. Richard Schwartz, é uma estratégia interessante que reconhece e trabalha com as diferentes partes da personalidade de uma pessoa, para que possam colaborar e encontrar uma solução saudável. Cada um destes livros e instrumentos são fascinantes caso queira descobrir mais sobre o cérebro. Os nossos dois hemisférios contribuem constantemente para o todo de um dado momento da nossa experiência, pelo que não estou a sugerir que o lado esquerdo e o lado direito do cérebro funcionam em separado. A tecnologia moderna mostra claramente que, a todo o instante, ambos os hemisférios contribuem para a entrada de informação, para a experiência e para as reações do sistema nervoso. Porém, como disse atrás, as células cerebrais dominam e inibem as suas contrapartes regularmente, pelo que o cérebro não está todo ativo ou todo inativo em nenhuma circunstância, à exceção da morte. Ao pensarmos no funcionamento do cérebro, é natural que nos interroguemos: «Como é possível que um grupo de células cerebrais se coordene para criar uma personalidade sequer?» Não sou a primeira pessoa a fazer esta pergunta, nem sou a primeira a sofrer uma lesão cerebral a manifestar uma alteração na personalidade e, depois, a recuperar as células traumatizadas, regenerar os antigos circuitos, readquirir as antigas aptidões e os velhos traços de personalidade. No entanto, talvez seja a primeira neuroanatomista a fazer esta viagem às profundezas do funcionamento neuronal e psicológico do próprio cérebro e, depois, chegar a estas conclusões únicas acerca das Quatro Facetas. As células cerebrais são criaturas ínfimas e muito belas que se apresentam com diferentes formas e tamanhos, e a sua configuração dita a sua capacidade de realizar as suas funções específicas. Por exemplo, os neurónios sensoriais localizados no córtex auditivo primário de cada um dos nossos hemisférios têm um formato só seu, que lhes permite processar a informação sonora. Outros neurónios cuja função é interligar diferentes regiões no cérebro têm o formato adequado a essa ação, tal como as células relativas ao sistema motor. É importante referir que os nossos neurónios e o modo como eles se coordenam uns com os outros são, essencialmente, comuns a todas as pessoas. Em termos estruturais, os sulcos e os altos e baixos do córtex cerebral externo de todos os seres humanos são praticamente idênticos. Tanto assim que danos causados a uma área específica no seu cérebro destruiria as mesmas funções que destruiria no meu, caso sofrêssemos a mesma lesão. Usando o córtex motor como exemplo, se nós os dois danificássemos esse grupo de células especifico, seria quase certo que ambos ficaríamos com as mesmas zonas do corpo paralisadas. Por detrás das diferenças funcionais entre os nossos dois hemisférios estão neurónios que processam informação de forma própria. Para dar um exemplo: os neurónios do hemisfério esquerdo funcionam de modo linear - pegam numa ideia, comparam essa ideia à ideia seguinte, e depois comparam o resultado dessas ideias."
Jill Bolte Taylor PhD, in O Cérebro a 100% [Whole Brain Living: The Anatomy of Choice and the Four Characters That Drive Our Life] (Páginas 38-41)

segunda-feira, 31 de julho de 2023

O desafio do cobalto - O lado negro da transição energética



Para garantir que a condução continue a ser possível apesar da crise climática, a indústria automóvel aposta nos carros eléctricos. Mas muitas das suas baterias usam uma matéria-prima extremamente problemática: o cobalto.

Calor, seca, inundações. A crise climática chegou à Europa. Para garantir que a condução continue sendo possível enquanto a pegada de CO2 é reduzida, a indústria automóvel recorreu a uma solução: a mudança rápida e abrangente para carros elétricos. A Comissão da UE decidiu pela mesma solução. Agora, não apenas a Tesla, mas a Volkswagen, Volvo, Peugeot e Renault estão investindo dezenas de biliões de euros em eletromobilidade. E a eletromobilidade requer baterias.

Mas muitas dessas baterias contêm uma matéria-prima extremamente problemática: o cobalto. Extraído na forma de minério, 65 a 70% da produção global de cobalto está localizada na República Democrática do Congo.

Este filme mostra o lado negro da mineração de cobalto. O trabalho infantil é apenas um dos muitos problemas. Todo o setor está cheio de corrupção. O solo está contaminado e a saúde e a vida das pessoas estão em risco. O domínio de mercado da China está levando a Europa a uma perigosa dependência. Diante dos gigantescos problemas colocados pela cobiçada matéria-prima, a UE busca outras formas de colocar as mãos no cobalto. O filme faz uma pergunta incómoda: as minas na Europa devem ser reabertas?

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Susumu Yokota


Do Labirinto da Saudade, estivemos no Japão. O nosso Império era vasto. Fôramos uma civilização de enorme respeito.  Deixamos nos Japoneses algumas palavras. Mas isso é História. O Japão retribui com músicos fantásticos, como o malogrado Susumu Yokota, que tem álbuns excelentes.
“Sakura”, ”The Boy and the Tree”, ”Symbol”, ”Laputa”, "Greenpeace" and ”Grinning Cat” estão entre os meus álbuns favoritos de todos os tempos. São peças de reflexão lindas, profundas, emocionais, relaxantes e espirituais que também me remetem a uma época diferente da minha vida. Voltei novamente a ouvi-los. 
Arigato, Susumu! You may be gone but YOU live on through YOUR timeless creations.

“A música de Yokota sempre foi completamente individual, sempre esotérica, mas nunca intencionalmente indulgente. Seu toque era o de um mestre artesão, criando intrincadas joias musicais que brilhavam como nenhuma outra. Não há dúvida de que, se ele pudesse fazer shows ao vivo, a sua reputação ultrapassaria em muito muitos de seus contemporâneos. Ele fará muita falta para aqueles que valorizam a qualidade e a originalidade na música.” [Fact Mag]

Ouvir mais:
Todos  os seus álbuns

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Biografia 

Discografia

Pitchfork Reviews

sábado, 1 de julho de 2023

Inteligência animal: abelhas possuem capacidade de tomar boas decisões rapidamente


Num estudo, elas souberam escolher as flores mais recompensadoras em néctar com eficiência comparável à de humanos e primatas.

Em sua jornada para colher o néctar das flores para fazer mel, as abelhas estão sempre correndo riscos. Escolher as flores erradas e sem recompensa para elas podem fazê-las perder um tempo precioso em sua curta vida (que muitas vezes não dura mais que 45 dias) e ainda expô-las a perigosos predadores.

Levando isso em conta, pesquisadores do Reino Unido e da Austrália decidiram estudar como as abelhas tomam a decisão sobre qual flor escolher para buscar néctar, e qual a sua probabilidade de sucesso. O resultado, contam em artigo no The Conversation, foi surpreendentemente positivo.

“Desafiamos as abelhas com um campo de flores artificiais feito de discos coloridos de cartolina, cada um oferecendo uma gotinha de calda de açúcar. ‘Flores’ de cores diferentes variavam em sua probabilidade de oferecer açúcar e também diferiam em quão bem as abelhas podiam julgar se a flor falsa oferecia ou não uma recompensa”, relatam.

As abelhas foram identificadas com marcas de tinta inofensivas, e filmadas durante o seu trajeto. Ao mesmo tempo, visão computacional e machine learning foram usados na observação dos insetos, para que depois um modelo computadorizado pudesse reproduzir a trajetória delas e ajudar a entender o seu comportamento.

“Descobrimos que as abelhas aprenderam muito rapidamente a identificar as flores mais recompensadoras. Elas avaliaram rapidamente se deveriam aceitar ou rejeitar uma flor, mas surpreendentemente suas escolhas corretas foram em média mais rápidas (0,6 segundo) do que as suas escolhas incorretas (1,2 segundo). Isso é o oposto do que esperávamos”, contam os pesquisadores.

Isso porque é consolidado na ciência comportamental que uma decisão correta leva mais tempo do que uma decisão incorreta. Afinal, determinar qual decisão tomar geralmente depende de quanta evidência temos. Ter mais evidências significa que podemos tomar uma decisão mais precisa – mas coletar evidências leva tempo.

Consequentemente, decisões recompensadoras costumam levar mais tempo para serem tomadas – as exceções conhecidas no mundo animal são seres humanos e primatas. E, agora, as abelhas.

Para entender como isso acontece, a equipa usou o modelo computacional criado a partir da observação das abelhas. Eles construíram redes neurais artificiais capazes de processar informações sensoriais, aprender e tomar decisões, compararam o desempenho desses sistemas artificiais com as abelhas reais e, a partir disso, puderam identificar o que um sistema precisava ter para conseguir essa rapidez nas decisões corretas.

“A resposta está em dar respostas de ‘aceitar’ e ‘rejeitar’ diferentes limiares de evidência com limite de tempo. Ou seja: as abelhas só aceitam uma flor se, à primeira vista, tiverem certeza de que ela é recompensadora. Se elas tiverem qualquer incerteza, rejeitam a flor”, afirmam.

Trata-se de uma estratégia avessa ao risco que significa que as abelhas podem ter perdido algumas flores recompensadoras, mas concentraram os seus esforços com sucesso apenas nas flores com a melhor chance e evidência de lhes dar a recompensa.

Segundo a equipa, o estudo foi útil não somente para compreender o comportamento desses animais, importantíssimos para a polinização na natureza, mas também para se pensar em como construir sistemas artificiais com eficientes sistemas de tomadas de decisão.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Petição - Viver o recreio escolar sem ecrãs de smartphones

ASSINAR Petição

Para: Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhor Primeiro Ministro, Senhor Ministro da Educação, Direções das Escolas

Petição pública a favor da revisão do atual estatuto do aluno quanto ao uso de telemóveis smartphones nas escolas, a partir do 2º ciclo, em prol da socialização das crianças nos recreios. Para que socializem, conversem cara-a-cara e brinquem. Para que os casos de cyberbulling e contacto com conteúdos impróprios para a sua idade, diminuam.

Numa altura em que vários países e algumas escolas em Portugal, já avançaram com a tomada de decisão de proibir a utilização de telemóveis nas escolas, quer em espaços letivos, como em espaços não letivos, os cidadãos abaixo assinados, apelam ao debate, com a finalidade de se rever o atual estatuto do aluno, onde nos parece faltar sensibilidade e coerência sobre o tema.
Na transição do 4º ano do 1º ciclo, para o 5º ano, do 2º ciclo (9 /10 anos), as crianças ainda precisam de brincar, querem correr e jogar à bola no recreio. Ao brincar, junta-se a questão da integração. Esta é uma fase em que a maioria das crianças irá para uma escola nova, vai ter muitos professores e todo um mundo novo para descobrir.

É nesta fase de mudança que se reforçam e criam novos laços de amizade, tão importantes na criação de relações de confiança entre pares. Deve ser prioridade estimular e fomentar a interação verdadeira, cara-a-cara, para que as crianças possam demonstrar as suas emoções através de expressões faciais e não através de um ecrã.
Consideramos que permitir a utilização de telemóveis nos recreios está a alterar os padrões de socialização das crianças e a sua integração de forma saudável.

Que solução propomos:
Que as escolas estejam equipadas com caixas, cacifos ou armário próprio onde, à primeira hora, os telemóveis sejam guardados e que no final da última hora, os alunos os recolham. Desta forma, os alunos continuam a poder contactar ou ser contactados pelos pais quando chegam à escola e passam a poder fazer atividades de recreio, mas sem utilizar o telemóvel.

Algumas considerações sobre este tema, que constam no atual estatuto do aluno:
r) “Não utilizar quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente, telemóveis, equipamentos, programas ou aplicações informáticas, nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas ou reuniões de órgãos ou estruturas da escola em que participe, exceto quando a utilização de qualquer dos meios acima referidos esteja diretamente relacionada com as atividades a desenvolver e seja expressamente autorizada pelo professor ou pelo responsável pela direção ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso”;
s) “Não captar sons ou imagens, designadamente, de atividades letivas e não letivas, sem autorização prévia dos professores, dos responsáveis pela direção da escola ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso, bem como, quando for o caso, de qualquer membro da comunidade escolar ou educativa cuja imagem possa, ainda que involuntariamente, ficar registada”;

t) “Não difundir, na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor da escola”;

Sobre a alínea r) consideramos que há uma falha ao excluir os locais onde não existem atividades não letivas, nomeadamente o recreio;
Por tudo o que já foi exposto, o recreio é o espaço onde as crianças devem socializar. Ao existir a possibilidade de utilização deste tipo de equipamentos no espaço não letivo, nomeadamente no recreio, a socialização saudável diminui drasticamente.

Sobre a alínea s) nesta alínea, já é abordado o local de atividades não letivas, onde achamos que se inclui o recreio, para se falar da captação de som e imagens. O texto diz: (…) não captar sons ou imagens de atividades não letivas
sem a autorização do professor (…). A pergunta que fazemos é: Mas quem vai pedir ao professor se pode fotografar ou filmar um colega no recreio?

Sobre a alínea t), seria mais fácil a total proibição de utilização do telemóvel no recreio. Até porque, considerando a falta de recursos humanos nas escolas, o mais provável é não haver possibilidade de monitorizar estes acontecimentos, pelo que consideramos esta alínea ineficaz.

Reflexões acerca da utilização do telemóvel no recinto escolar

Aos pais:
• Vamos potenciar o brincar ou o jogar online no recreio?
• Preferimos que falem presencialmente ou através de whatsapp, quando muitas vezes estão no mesmo espaço a conversar?
• O controlo parental serve para a nossa criança, na nossa casa, mas não para os telemóveis dos amigos, na escola, por isso, a verdade é que todos acabam por ver tudo, tendo acesso a conteúdos impróprios para a sua idade;
• Existem alternativas aos smartphones para podermos entrar em contacto com as crianças. Os telemóveis smartphones, no espaço escolar, dá-lhes um mundo enorme de possibilidades que acabam por ser viciantes e lhes retiram tempo para outras atividades de socialização.

Aos senhores governantes:
• Que debatam este tema em prol da saúde física e mental das crianças, para que os recreios sejam recreios e que as crianças não se isolem individualmente ou em pares à volta de um telemóvel;
• Que atualizem o estatuto do aluno, no que ao uso do telemóvel no recreio diz respeito;
• Que revejam se faz sentido que o estatuto permita aos professores pedirem telemóvel, sem ser feita uma distinção de ciclos escolares, para elaborar testes e pesquisas, quando há crianças que podem não ter este equipamento;
• Que disponibilizem equipamento mobiliário necessário para armazenar os telemóveis, caso as escolas assim o solicitem;
• Que sensibilizem as direções das escolas a usar os computadores portáteis que o Estado forneceu para os alunos efetuarem as suas pesquisas e não o telemóvel.

Às direções das escolas:
• Pensar em criar o seu próprio regulamento, quanto ao uso do telemóvel na sua escola, tal como fez a escola pública EB3 de Lourosa, no concelho de Santa Maria da Feira e tantas outras privadas;
• Pensar em ter um local próprio para a colocação dos telemóveis à primeira hora e onde os alunos possam recolher o telemóvel no final da última aula;
• Pensar em não incentivar o uso do telemóvel nas salas de aula (a pedido dos professores), quando há crianças que não têm, evidenciando uma diferença entre elas. Esta também é uma forma de exclusão;
• Pensar que os computadores fornecidos pelo Estado podem e devem ter utilidade na escola e não estar apenas em casa;
• Pensar se queremos crianças com vontade de terminar a brincadeira do recreio anterior, ou o nível do jogo online que deixaram a meio;
• Pensar que, mais dia menos dia, já ninguém sabe escrever em papel.

Opinião, Entrevista  e Livro

Escola de Santa Maria da Feira

sábado, 3 de junho de 2023

Um texto reflexivo - A criança do séc. XXI

Aleksandra Babik

"Criança. A melhor idade entre todas. A mais divertida, sem dúvidas. Era tão fácil chegar no céu, quando brincávamos ao jogo da macaca, tínhamos os joelhos ralados, mas que doíam bem menos do que nosso coração. Vivíamos sem medos, só queríamos ser felizes. As brigas, eram constantes, mas todas por -hoje seriam- motivos tolos, que não passavam além de 5 minutos, até que tudo voltasse ao normal. Sabíamos que se o tempo não parasse, nós o parávamos. Tempos de risos e sorrisos, maiores até do que a própria boca. Anos em que voávamos sem tirar os pés do chão. Época de abraços fáceis, atitudes generosas, pessoas verdadeiras, pensamentos leves, mentes puras, de brincar até cansar, de rir até doer a barriga, de imaginar desenhos nas nuvens, e imaginar que essas, eram feitas de açúcar, como algodões-doces. Agora crescemos, e esse bom tempo, virou apenas lembranças. Deixamos nossas vidas de lado, esquecemos de que na vida, o importante é o que você pensa sobre si, e que se isso está nos conformes, não há ninguém que possa mudar. Saudades daquele tempo, onde não sorríamos apenas para as fotos ou para fingir estarmos bem. Quando éramos felizes e não sabíamos, tempo em que só queríamos crescer, crescer depressa, porque imaginávamos esse mundo de gente grande, bem mais divertido do que é realmente. Onde éramos livres e felizes por poder brincarmos um pouco mais antes de entrar em casa, onde tínhamos o mundo no nosso quintal, agora temos tudo em nossas mãos, mas estamos presos e não sabemos como nos libertarmos. Fomos perdendo a simplicidade, onde se encontra amor, paz, felicidade e se não encontrássemos, inventávamos. Nunca mais teremos aquela vida perfeita novamente, melhores dias, melhores sorrisos, melhores anos, melhor tempo. Aquelas lágrimas que rolavam em sua face, por não poder brincar, por não ganhar um novo brinquedo, por não poder comer mais um pouco de chocolate. Infâncias que não sabiam o que é passar o dia em uma máquina chamada computador, não sabiam que você pode se divertir jogando, sem ter que sair de casa ou convidar alguém. Mesmo sem saber de tudo isso, éramos felizes, as brincadeiras surgiam conforme sua imaginação, você conquistava novos amigos, quando saia na rua para jogar uma partida de bola, ou pular corda. As infâncias de hoje, não podem ser consideradas "infâncias", porque não se tornam os melhores momentos de sua vida. Que pena, só descobrimos que ser grande é quando somos pequenos, pois quando crescemos, tudo cresce junto e nos tornamos pequeninos nas dimensões que o mundo coloca." - Heloisa Burtet

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Dia da Internet ou Dia Mundial da Sociedade da Informação


Pouco resta da primeira rede estática projetada para transportar alguns bytes ou enviar pequenas mensagens entre dois terminais: a internet é hoje uma realidade indissociável do dia a dia, ao ponto de haver quem lhe aponte a capacidade da omnipresença.

A atribuição de tal caraterística a roçar o divino tem razão de ser já que, das compras à educação, das relações afetivas ao ativismo, ao teletrabalho, entretenimento e até à saúde, a rede das redes está em todo o lado.

“A internet é cada vez mais indissociável da nossa vida e das nossas relações, quer humanas quer profissionais”, notou Tiago Silva Lopes, em conversa com o SAPO TEK, a propósito do Dia da Internet. Para o Diretor de Serviços e Produtos MEO, a internet é cada vez mais omnipresente, uma tendência que vai marcar cada vez mais a forma como irá evoluir.

Fazendo um retrato geral, a população em todo o mundo ultrapassou, recentemente, a marca de 8 mil milhões de pessoas em que 64,4%, ou 5,16 mil milhões, usam a internet. Impressionante (ou já nem por isso) é o tempo, em média, que cada utilizador passa por dia na internet, que de acordo com o Digital 2023 Global Overview Report, ultrapassa as seis horas e meia. Portugal contribui para subir os números, com uma média diária de sete horas e 37 minutos, em 13º num ranking liderado pela África do Sul, onde os internautas passam mais de nove horas online. O telemóvel é o dispositivo de eleição.

As horas que passamos online, no entanto, não são diretamente comparáveis com o passado, porque “em 1990 e pouco, no começo”, as pessoas tinham de ligar-se através do computador e estar “quase exclusivamente dedicadas áquilo que estavam a fazer naquele momento”, lembra Tiago Silva Lopes. “Ficamos sempre chocados quando pensamos: ‘Sete horas por dia? Não passo sete horas por dia na internet!’, mas passamos porque temos sempre o telemóvel ao lado ou porque no trabalho passamos muito do nosso tempo a trocar emails, em vídeo calls ou a pesquisar informação”.

Entre a diversidade de coisas que fazemos “na” internet a mais recorrente é realmente procurar informação (57,8%), seguida de comunicar com a família e amigos (53,7%) e ficar a par das notícias e atualidade (50,9%).

Ver vídeos e filmes online também é um hábito cada vez maior (49,7%), e isso também se nota com vários estudos recentes que apontam os serviços de streaming como responsáveis por grande parte do consumo do tráfego atual e futuro da internet.

Em março desde ano, a Statista colocava o Netflix na liderança, com 14,9% do tráfego, seguido de perto pelo YouTube, com 11,4%. Entre os serviços e plataformas que mais trafego internet consumem estavam também representadas redes sociais, em primeiro o TikTok e em segundo o Facebook.

“De uma forma mais purista, o objetivo da internet era ligar as pessoas e as coisas umas às outras e é o que continua a acontecer e que tem evoluído de forma extraordinária”, considera Tiago Silva Lopes. O gestor destaca que há cada vez mais pessoas no mundo com acesso a um equipamento conectado, e não às tecnologias do passado, “da ligação analógica a 64kbps ou da ligação 3G”, mas através de fibra ótica ou 5G.

Para o Diretor de Serviços e Produtos MEO, houve dois marcos tecnológicos importantes na evolução do acesso à internet: o 4G do lado do acesso móvel e as redes de banda larga no fixo. Praticamente todos os grandes players de internet atuais, nos conteúdos, no ecommerce, surgiram quando estas tecnologias começaram a ser disponibilizadas no mercado

Mas estamos destinados a estar sempre ligados?

Com computadores, telemóveis, tablets e smartwatches - além de todos os equipamentos que a Internet das Coisas vai ligar -, com o sem número de aplicações disponíveis, em várias áreas, estamos destinados ao “always on”? Muito provavelmente.

O gestor acredita que há algumas tendências que vão mudar, de forma substancial, a forma como interagimos com a tecnologia, nomeadamente o tema do interface voz, que vai ser cada vez mais o interface por defeito, em vez do teclado físico no computador ou do teclado digital no telemóvel. De resto, também a parte da tecnologia imersiva, “a realidade aumentada, a realidade virtual”, vai contribuir para que o mundo real e o mundo digital se fundam cada vez mais.

Temos uma internet muito diferente daquela que começámos a utilizar, “não na sua missão, na lógica da descentralização do acesso à informação para todos”, diz Tiago Silva Lopes, mas na forma como interagimos com ela “que é cada vez menos uma coisa modular, um apêndice ao qual recorremos de vez em quando, através de um computador ou de outro interface especifico para tal, e é cada vez mais uma utilização seamless, cada vez mais integrada e fazendo parte da nossa vida”.

No entanto, falta alguma literacia digital para sabermos lidar com a enorme quantidade de estímulos que temos hoje, considera o gestor, defendendo que esta devia ser uma área de maior aposta e investimento em Portugal.

Lembrando que que a internet foi criada “para nos ajudar a sermos cada vez melhores enquanto sociedade e a tirarmos cada vez mais partido da informação que existe”, considera que isso só acontece com conhecimento para lidar com as questões da privacidade e da cibersegurança ou com as fake news.

“A internet trouxe-nos a democratização do acesso à informação e idealmente ao conhecimento, mas ainda não conseguimos passar da informação ao conhecimento”, acrescenta. “É um pouco como saber ler e escrever e hoje não sabemos ler nem escrever na era digital como deveríamos e não nos dão a formação adequada para”.

E porque devemos ver sempre as coisas pela positiva, diz Tiago Silva Lopes, é um facto que a internet veio para ficar e que tem perigos, “mas quanto mais conhecimento tivermos, quanto mais soubermos usar as ferramentas que temos à nossa disposição, melhor estaremos” para responder a esses desafios. “Temos matéria prima cada vez mais extraordinária. Saibamos nós moldá-la e utilizá-la da melhor maneira”.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Apple vai usar apenas cobalto reciclado nas suas baterias até 2025


O mundo está a mudar aos poucos em vários setores. Um dos quais onde as empresas a nível mundial têm tido cada vez mais atenção respeita à sustentabilidade ambiental. A Apple quer destacar-se neste campo e anunciou mais uma medida: irá usar apenas cobalto reciclado nas suas baterias até ao ano de 2025.

Em comunicado, a Apple disse nesta quinta-feira (13) que apenas vai usar cobalto reciclado nas suas baterias até 2025. A empresa da maçã adiantou que esta mudança faz parte dos seus esforços para tornar todos os seus produtos neutros em carbono até ao final desta década.

O cobalto é um mineral fundamental para as baterias de lítio e é usado numa grande parte de dispositivos como smartphones, tablets e carros elétricos. Mas, há alguns anos, várias empresas tecnológicas foram acusadas de serem cúmplices na morte de muitas crianças na República Democrática do Congo, por estas terem sido obrigadas a minerar cobalto.


Portanto, os detalhes revelados pela empresa de Cupertino indicam que os ímanes que se encontram nos equipamentos da Apple vão começar a usar elementos químicos Terra-rara reciclados, enquanto que as placas de circuito impresso projetadas internamente vão usar solda de estanho reciclado e revestimento de ouro.

A Apple é uma das muitas empresas do setor tecnológico que tem como objetivo tornar-se neutra em carbono em toda a sua rede de fornecimento de componentes e ao longo do ciclo de vida de cada produto até 2030.

Segundo a empresa, um quarto de todo o cobalto que é usado nos produtos da Apple vem de material que foi reciclado em 2022, o que representa um aumento de 13% comparativamente ao ano anterior de 2021. As informações revelam ainda que a marca utiliza mais de dois terços de todo o alumínio, quase três quartos de todas as terras-raras e mais de 95% de todo o tungsténio nos seus produtos a partir de material reciclado.