quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Ainda antes de a mina abrir, a injustiça já chegou ao Barroso, mostra estudo europeu
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
O Abraço do Sol e da Vida: Uma Ode ao Encontro e à Resistência
A vulnerabilidade das abelhas aos agrotóxicos e a sua incapacidade de os evitar não é uma mera suposição, mas um facto demonstrado pela comunidade científica internacional:
- Atração Neuroquímica e Falta de Deteção: A investigação realizada por Kessler et al. (2015) na Nature provou que as abelhas não conseguem detetar a presença de neonicotinóides e chegam a preferir néctar contaminado, uma vez que estes químicos estimulam os seus recetores cerebrais de forma análoga aos mecanismos de adição.
- Perda de Orientação e Navegação: Experiências conduzidas por Henry et al. (2012) na Science através de microchips RFID demonstraram que doses subletais afetam criticamente a memória espacial, impedindo os polinizadores de regressar à colmeia.
- Danos na Aprendizagem Olfativa: O estudo de Williamson & Wright (2013) no Journal of Experimental Biology evidenciou que a exposição a defensivos agrícolas compromete a retenção de memória e a capacidade de associar odores a fontes de alimento seguras.
- Procura Compulsiva de Alimento por Escassez: Trabalhos como o de Muth et al. (2019) na Frontiers in Ecology and Evolution mostram como a degradação dos habitats força as abelhas a consumir recursos contaminados, anulando qualquer barreira de repulsão natural.
sábado, 12 de setembro de 2026
O colapso dos sistemas naturais pode intensificar o aquecimento em 30 por cento, alerta novo estudo
terça-feira, 1 de setembro de 2026
A transição energética e a aceleração da IA: os custos ocultos da mineração na biodiversidade global
Um estudo recente publicado na revista Nature Communications no passado mês de maio - e hoje destacado pela plataforma Greensavers - revelou que a exploração de minerais fundamentais para a produção e desenvolvimento de tecnologias limpas pode estar a causar “impactos negativos significativos” na biodiversidade à escala global. A investigação, conduzida por uma equipa da Universidade de Tohoku sob a liderança de Keiichiro Kanemoto, mapeou cerca de 70 mil locais de mineração de 20 minerais essenciais. Ao cruzar este mapeamento com dados públicos de desflorestação e de risco de extinção de espécies entre 2001 e 2022, os investigadores contabilizaram a perda de 16.268 quilómetros quadrados de floresta - com maior incidência nas florestas húmidas da Amazónia, do sudeste asiático e da Bacia do Congo.
Contudo, o trabalho faz sobressair uma “mudança crítica” no padrão do extrativismo mundial: enquanto a mineração tradicional de ouro continua a figurar como o principal motor da desflorestação direta e visível, a extração dos minerais da transição energética obedece a uma dinâmica diferente. Elementos vitais como o lítio, o cobalto e o níquel exercem pressões mais subtis, mas com riscos desproporcionalmente elevados para a biodiversidade em ecossistemas ecologicamente sensíveis. A extração de lítio em salinas e zonas húmidas, por exemplo, provoca uma perda de coberto florestal praticamente impercetível, mas desregula drasticamente os recursos hídricos de ecossistemas frágeis e coloca em risco espécies endémicas vulneráveis. Como alertam os autores, o caminho para a descarbonização traz consigo custos ambientais ocultos que exigem um reequilíbrio urgente entre as metas climáticas e a proteção da biodiversidade.
Embora este artigo científico não aborde de forma explícita o fenómeno da inteligência artificial, o seu diagnóstico valida de forma direta a reflexão que venho a consolidar no BioTerra. A infraestrutura material que viabiliza o boom da IA - desde os data centers de alta densidade até às redes de supercomputação - é profundamente intensiva em recursos minerais. Na prática, o setor tecnológico concorre diretamente com a transição energética pelas mesmas cadeias de suprimento de lítio, níquel, cobre e terras raras, sobrecarregando ainda mais esses ecossistemas vulneráveis.
Esta confluência entre o avanço sociotécnico e a degradação ambiental tem sido um eixo central nas publicações recentes do blogue:
No ensaio
(19 de agosto de 2026), explorei precisamente como a expansão da IA funciona como um acelerador extrativista e metabólico, intensificando a corrida às matérias-primas críticas e aprofundando as assimetrias do neocolonialismo extrativo no Sul Global.O ecossocialismo do decrescimento na era da Inteligência Artificial: entre o colapso e a esperança emancipatória Na reflexão
(31 de agosto de 2026), critiquei as contradições do modelo de consumo global perante a perda silenciosa de biodiversidade, evidenciando a forma como os danos ambientais são systematically delocalizados para zonas cegas do sistema.A ilusão do consumo e o silêncio da extinção No artigo
(3 de agosto de 2026), abordei a forte dependência europeia em relação ao lítio e ao cobalto, sublinhando a inviabilidade da descarbonização sem uma efetiva circularidade e a redução do consumo de recursos primários.Europa: estamos preparados para o fim de vida de 1 milhão de baterias de veículos elétricos?
As conclusões agora trazidas a público confirmam o alerta: quer se fale de veículos elétricos, de painéis solares ou de redes neuronais de IA, o modelo de expansão contínua assenta sobre a mesma base extrativa frágil. Sem uma viragem em direção à soberania metabólica e à redução do uso de matérias-primas, a promessa de uma transição verde continuará a transferir o seu custo para o silêncio e a degradação dos ecossistemas planetários.
sábado, 29 de agosto de 2026
Espécies marinhas invasoras em Portugal aumentaram 75% em 10 anos
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Investigador quer reescrever a árvore evolutiva dos antepassados humanos
![]() |
| Hominídeo do género Paranthropus |
domingo, 23 de agosto de 2026
Renaturalização vs. Restauro Ecológico: Qual é afinal a diferença?
| Critério | Restauro Ecológico | Renaturalização (Rewilding) |
| Ponto de Referência | O passado (estado histórico original). | O futuro (processos naturais autónomos). |
| Papel do Humano | Gestor e gestor contínuo. | Facilitador inicial; depois retira-se. |
| Grau de Controlo | Elevado (procura-se um resultado pré-definido). | Reduzido (a evolução do ecossistema é aberta). |
| Ações Típicas | Plantação de espécies nativas, controlo de invasoras. | Remoção de barreiras nos rios, reintrodução de fauna chave. |
- Plano Europeu: O Regulamento (UE) 2024/1991 relativo ao Restauro da Natureza da União Europeia exige metas juridicamente vinculativas: restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas da UE até 2030.
- Plano Nacional em Portugal: Portugal desenvolveu o seu Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN), coordenado pelo ICNF . Este plano prevê metas concretas até 2050 para a recuperação de ecossistemas degradados, incluindo a plantação contínua de árvores autóctones, recuperação de galerias ripícolas e proteção de solos.
- Enquadramento Estratégico: A Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ENCNB 2030) enquadra o aumento da conectividade ecológica e a promoção de processos naturais autónomos.
- Iniciativas no Terreno: O grande motor do rewilding em Portugal são ONG e parcerias internacionais. O principal exemplo é a ONG Rewilding Portugal, responsável por gerir projetos no Grande Vale do Côa e Corredor Ecológico do Oeste, em coordenação com iniciativas europeias como o projeto LIFE WolFlux para a conservação do lobo-ibérico.

.jpg)




