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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

ONU vota para criar convenção fiscal global “histórica”, apesar da UE e do Reino Unido se moverem para “matar” a proposta

UN Tax Convention 

A Assembleia Geral da ONU votou esmagadoramente a favor da organização desenvolver um quadro fiscal global, apesar das tentativas de última hora de descarrilar o plano por parte dos países ricos, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos e todo o bloco da União Europeia.

Naquilo que os defensores saudaram como uma “vitória histórica”, os países votaram 125 a 48 para adoptar uma resolução apresentada pela Nigéria no mês passado em nome dos Estados-membros africanos, apelando a uma convenção fiscal da ONU que poderia mudar drasticamente a forma como as regras fiscais globais são definidas.

Nove países se abstiveram na votação, realizada em Nova York em 22 de novembro.

O passo sem precedentes é o mais recente desenvolvimento num debate acalorado sobre se as Nações Unidas podem proporcionar uma melhor representação em questões fiscais internacionais para os países em desenvolvimento do que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e mais resiliente.— Representante da ONU, Tijjani Muhammad-Bande

Antes da votação, o representante permanente da Nigéria na ONU, Tijjani Muhammad-Bande, descreveu a resolução como um “farol de esperança”.

“À medida que navegamos num mundo marcado por desafios sem precedentes, incertezas económicas, [o fim] da pandemia da COVID-19 e da actual crise climática, o papel da cooperação internacional eficaz e inclusiva torna-se mais crucial do que nunca”, disse Muhammad-Bande. .

“Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e resiliente.”

Durante décadas, a OCDE – um grupo de 38 países maioritariamente de rendimento elevado que inclui o Reino Unido e os EUA – dominou a política fiscal internacional. Mas, nos últimos anos, cresceram as críticas sobre o poder descomunal exercido pelos países ricos nas suas tomadas de decisões a portas fechadas, inclusive nos níveis mais altos da ONU.

No início deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou num relatório que reforçar o papel da ONU na definição da política era “o caminho mais viável para tornar a cooperação fiscal internacional totalmente inclusiva e mais eficaz”. Essa linguagem foi refletida na resolução recém-adotada.

Desde que a resolução foi apresentada em Outubro, as negociações sobre o documento político agravaram as tensões entre os Estados-membros da ONU. Um negociador de um país em desenvolvimento acusou diplomatas da UE e do Reino Unido de ignorarem as recomendações de Guterres e de tentarem bloquear a resolução.

“Eles estão descartando aquele relatório e pretendem afastar todo o processo e simplesmente matá-lo. Eles não querem trazer questões fiscais aqui [para a ONU]”, disse a pessoa ao Financial Times anonimamente.

Numa alteração de última hora à resolução, o Reino Unido propôs remover qualquer menção a uma “convenção” e, em vez disso, apoiou outra opção mais fraca delineada no relatório de Guterres.

“Se quisermos proporcionar um sistema fiscal melhorado através da comunidade da ONU, deve haver a adesão mais ampla possível desde o início”, disse o representante do Reino Unido.

A alteração foi derrotada por quase dois a um, com 107 países a votarem pela rejeição do que os defensores da transparência descreveram como um esforço para “desfigurar” a resolução.

“Os paraísos fiscais e os lobistas empresariais tiveram demasiada influência na política fiscal global da OCDE durante demasiado tempo”, disse Alex Cobham, executivo-chefe do grupo de defesa Tax Justice Network, num comunicado após a votação.

“Hoje, começamos a retomar o poder sobre as regras fiscais globais que nos afetam a todos.”

No próximo ano, todos os Estados-membros da ONU serão convidados a participar no processo de negociação intergovernamental, independentemente do seu voto.

'Uma mudança verdadeiramente histórica'
O relatório do secretário-geral foi determinado por uma resolução separada adoptada no final do ano passado , que apelava à ONU para intensificar os seus esforços para combater a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos. No relatório, Guterres reconheceu os esforços da OCDE para envolver não-membros, mas disse que “muitos desses países consideram que existem barreiras significativas a um envolvimento significativo na definição da agenda e na tomada de decisões”.

Em resposta, Manal Corwin, diretor do Centro de Política e Administração Fiscal da OCDE, disse ao ICIJ que a organização estava orgulhosa do seu “histórico comprovado, permitindo mudanças significativas no cenário fiscal internacional que beneficiaram os países desenvolvidos e em desenvolvimento”.

A OCDE conta entre as suas conquistas o acordo fiscal global de 2021 entre mais de 130 países, que incluiu uma taxa mínima de imposto sobre as sociedades de 15% para empresas multinacionais. Na altura, foi saudado pelos negociadores como um passo histórico no sentido de reduzir a evasão fiscal das empresas, mas a sua implementação tem sido marcada por atrasos .

Em Setembro , um grupo de ministros das finanças da UE alertou que uma convenção fiscal da ONU correria o risco de duplicar os esforços liderados pela OCDE. Essa posição contradiz o apoio do Parlamento Europeu a uma convenção fiscal da ONU no seu relatório sobre “lições aprendidas com os Pandora Papers” em resposta à investigação do ICIJ sobre paraísos fiscais de 2021 .

Outras investigações do ICIJ, como a Paradise Papers e Lux Leaks , destacaram a escala impressionante da evasão fiscal corporativa por parte de algumas das maiores empresas do mundo. Os Paradise Papers expuseram manobras fiscais por parte de mais de 100 empresas, incluindo a Nike e a Apple, a última das quais transferiu lucros em todo o mundo para acumular 252 mil milhões de dólares no exterior.

No seu relatório sobre o Estado da Justiça Fiscal de 2023 , a Rede de Justiça Fiscal alertou que os países poderão perder quase 5 biliões de dólares em receitas fiscais durante a próxima década, à medida que as multinacionais e os indivíduos ricos continuarem a utilizar os paraísos fiscais para reduzir as suas contas fiscais. O relatório identificou quatro países entre as jurisdições que permitem a perda de dinheiro público: Reino Unido, Países Baixos, Luxemburgo e Suíça. Todos os quatro também são membros da OCDE.

Num comunicado, Tove Maria Ryding, coordenadora fiscal da Rede Europeia sobre Dívida e Desenvolvimento, disse que a adoção da nova resolução fiscal da ONU marcou “uma mudança verdadeiramente histórica” e criticou o “grupo minoritário de países principalmente da OCDE” que votou contra ela .

“Isto inclui os países da UE, que afirmam estar comprometidos com a cooperação fiscal internacional, mas provaram hoje exactamente o oposto ao votarem contra a resolução do Grupo África”, disse Ryding. “Ao fazerem isso, não estão apenas a minar um sistema fiscal global justo e eficaz, mas também a agir contra os interesses dos seus próprios cidadãos, que pagam um preço elevado quando indivíduos ricos e grandes empresas utilizam lacunas internacionais para se esquivar aos impostos.”

Próximo passo: Mais negociações
A nova resolução apela à criação de um comité intergovernamental ad hoc composto por não mais de 20 Estados-membros, eleitos tendo em mente o equilíbrio regional e de género, que terá a tarefa de estabelecer os termos de referência para “uma convenção-quadro das Nações Unidas sobre impostos internacionais. cooperação” até agosto de 2024.

O seu trabalho deve ter em conta “as necessidades, prioridades e capacidades de todos os países, em particular dos países em desenvolvimento”, de acordo com a resolução.

A resolução também insta a comissão a adoptar uma abordagem “holística” para definir os termos de referência, considerando “as interacções com outras áreas importantes da política económica, social e ambiental”, ao mesmo tempo que se concentra em prioridades específicas “tais como medidas contra crimes ilícitos relacionados com impostos”. fluxos financeiros.”

Numa conferência de imprensa após a votação, Ryding explicou que as negociações sobre a convenção fiscal só podem começar quando os termos de referência forem acordados, o que pode levar até um ano.

“[Se] os países da OCDE mostrarem a mesma atitude que mostraram hoje, levará uma eternidade para conseguir um acordo verdadeiramente global, e é por isso que queremos realmente sublinhar a importância de que todos esses países demonstrem um verdadeiro espírito de não apenas cooperação. , mas também urgência”, disse Ryding.

“Todos os países estão a perder grandes somas de dinheiro devido à evasão fiscal internacional, por isso não temos realmente tempo a perder.”

Saber mais:

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Dia Mundial do Denunciante



Em celebração do Dia Mundial do Denunciante honramos a coragem e a determinação das pessoas que, denunciando, assumem um papel crucial na luta pela justiça e contra as desigualdades sociais.

A Transparency International através dos seus mais de cem capítulos nacionais espalhados pelo globo continua a trabalhar para reforçar a proteção a denunciantes, promovendo as necessárias alterações legislativas e criando um ambiente social e cultural que garanta que todas as pessoas que denunciam irregularidades ou crimes beneficiam do amplo e generalizado apoio de todos os setores da sociedade civil.

Mas neste Dia Mundial do Denunciante 2023 importa também, e sobretudo, reconhecer os enormes desafios que se colocam a denunciantes e no domínio das proteções jurídicas e socioeconómicas que lhes são devidas: muito frequentemente, estas pessoas não se encontram protegidas contra atos de retaliação, nem são devidamente ressarcidas dos prejuízos decorrentes da sua bravura, por exemplo, a perda do emprego, dos seus rendimentos, e da sua saúde física e mental.

Em Portugal, a proteção de denunciantes foi inscrita na lei em dezembro de 2021, transpondo a Diretiva da União Europeia aprovada em 2019. Mas muitas pessoas ficaram de fora do Regime de Proteção (RGPDI) Além disso, continuam a detectar-se inúmeras falhas na implementação da lei e, mais de 6 meses após a entrada em vigor do Regime Geral de Proteção de Denunciantes de Infrações (RGPDI), este continua sem estar em vigor, designadamente no setor público.

“O processo de transposição da Diretiva da UE foi atabalhoado, pouco transparente e nada inclusivo. O Governo e a Assembleia da República ignoraram todas as recomendações e boas práticas e agora é o que se vê: uma implementação da lei com enormes falhas e sem fiscalização, traduzindo, na prática, proteção nula para quem denuncia ou venha a denunciar irregularidades ou crimes.” - Karina Carvalho, Diretora Executiva da TI Portugal

A Transparency International desenvolveu um guia de melhores práticas para organizações públicas e privadas implementarem sistemas eficazes de denúncia interna e cumprirem as suas obrigações legais. Este guia pode ser usado por instituições em todos os setores e países, incluindo Portugal, com o intuito de implementar e operar mecanismos de denúncia que efetivamente previnam, detectem e resolvam a corrupção e outras irregularidades.

“Temos todo o interesse em colaborar com entidades públicas e privadas para garantir que a proteção de denunciantes se efetiva no nosso país. Participámos no processo de negociação e elaboração da Diretiva Europeia e conhecemos bem os requisitos legais e procedimentais. Mas quem deve assumir o apoio à implementação do novo Regime é o MENAC, que continua sem capacidade instalada para desenvolver instruções técnicas, fiscalizar, ou punir infrações, e, especialmente grave, parece estar a delegar no mercado das consultoras, escritórios de advogados e plataformas whisteblowing a definição das regras de implementação e de proteção.” -Karina Carvalho, Diretora Executiva da TI Portugal

A 20 de dezembro de 2021 foi publicada a Lei n.º 93/2021, que estabeleceu o Regime Geral de Proteção de Denunciantes de Infrações (RGPDI), entrando em vigor a 20 de junho de 2022, transpondo para a legislação nacional a Diretiva Europeia 2019/1937 do Parlamento e Conselho Europeus, relativa à proteção das pessoas que denunciam violações do direito da União.

Na TI Portugal continuaremos a acompanhar as condições de proteção asseguradas em Portugal, quer avaliando os termos da transposição da diretiva e apresentando recomendações para que se corrijam as falhas identificadas, quer monitorando a sua eficácia prática.

Quem denuncia protege e é um dever proteger quem denuncia!

Conheça a :

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Petição - Vamos acabar com a evasão fiscal!



Exijamos um sistema tributário mais justo em que empresas e grandes fortunas paguem a sua parte justa.
Os governos e as instituições da União Europeia devem ter a capacidade de coletar e disponibilizar publicamente dados importantes sobre grandes empresas para garantir a transparência do sistema. A Diretiva de Combate ao Branqueamento de Capitais deve permitir à UE prevenir a evasão fiscal e alargar os registos públicos para abranger também os fundos fiduciários e outras estruturas semelhantes e mostrar a lista completa dos beneficiários efetivos das empresas. Esses documentos teriam que estar disponíveis para quem quiser vê-los e incluir todos os beneficiários efetivos, diminuindo o limite de registos obrigatórios.

Porque é importante
Num contexto em que as pessoas comuns se vêem com dificuldades e querem  enfrentar o aumento do custo de vida , da alimentação e o consumo de energia, os nossos governos limitam-se a repetir que não há dinheiro para resolver o problema ou financiar o transporte público, a rede de saúde ou as medidas para proteger o meio ambiente de que tanto precisamos. Ao mesmo tempo, porém, perdemos biliões de euros por ano porque as grandes fortunas e multinacionais não pagam sua parte justa [1]. Resumindo: as contas não batem.

Para ter um sistema justo, devemos saber quanto cada pessoa realmente ganha. Temos a legislação necessária para garantir que ninguém possa esconder sua riqueza [2], mas hoje existem muitas maneiras de fazê-lo que não estão incluídas nestes regulamentos.

Apenas alguns meses atrás, um grupo de jornalistas descobriu que um banco suíço estava a ajudar criminosos, ditaduras e outra parte de sua clientela a esconder grandes quantias de dinheiro das autoridades fiscais por meio de fundos [3].

Isso mostra mais uma vez que é muito fácil manipular o sistema e que precisamos de uma legislação mais forte.

Aqueles que nos governam em toda a Europa devem encontrar dinheiro para enfrentar a crise inflacionária que enfrentamos e estão procurando uma solução. Para nossa comunidade, a resposta é óbvia.

Em algumas semanas, eles poderão decidir se tornamos muito mais difícil para grandes fortunas e multinacionais esconderem seu dinheiro [4]. Sabemos que o resultado será muito apertado: algumas das pessoas que nos representam ainda não estão claras sobre sua decisão.

Ainda temos a oportunidade de inclinar a balança a nosso favor antes da votação, para que eles lutem por um sistema tributário mais justo em que ninguém possa esconder sua riqueza: basta mostrar a eles que é uma questão que nos preocupa. Deixe-os saber que temos o seu apoio para que todos paguem a sua parte justa na Europa.

Assina e divulga. Obrigado

domingo, 3 de outubro de 2021

Pandora Papers: quem são os portugueses envolvidos?


Depois do LuxLeaks, Luanda Leaks e dos Panamá Papers, bastaram cinco anos para que o Consórcio Internacional de Jornalista de Investigação desvenda-se um novo escândalo à escala global em torno de negócios offshore. Desta feita, trata-se dos Pandora Papers, uma fuga de informação de 14 empresas especializadas em registar companhias offshore.

Entre os visados, há três nomes portugueses. O atual vice-presidente do PSD e antigo ministro, Nuno Morais Sarmento, o ex-deputado socialista Vitalino Canas e o antigo administrador do BES e ex-ministro do governo de Sócrates, Manuel Pinho.

O semanário Expresso refere que analisou as “listas de nomes de ministros e secretários de Estado; mulheres e maridos de governantes; deputados; políticos e ex-políticos com subvenções vitalícias; membros destacados de partidos políticos e todos os primeiros-ministros e presidentes que ocuparam cargos depois do 25 de Abril”.

Ainda assim os motivos que levam ao aparecimento destes nomes na lista são completamente distintos.

Nuno Morais Sarmento

Nuno Morais Sarmento é advogado e o atual vice-presidente do PSD, foi ainda antigo ministro da Presidência do Conselho de Ministros dos governos de Santana Lopes e Durão Barroso.

De acordo com o Expresso, Morais Sarmento é o único político português no ativo envolvido no Pandora Papers e terá sido beneficiário de uma companhia offshore, registada nas Ilhas Virgens Britânicas, para adquirir uma escola de mergulho e um hotel em Moçambique.

Ao jornal, o ex-ministro que o recurso à "offshore" foi necessário devido a limitações e impedimentos no país africano, quanto à detenção de sociedades e imóveis por parte de cidadãos estrangeiros. Morais Sarmento reitera que a sociedade não teve qualquer outro propósito.

Vitalino Canas

Vitalino Canas é também advogado e foi deputado do PS entre 2002 e 2019, tendo ainda sido secretário de Estado no governo de António Guterres e porta-voz do PS enquanto José Sócrates esteve à frente do Executivo.

O antigo político aprece nas listas de envolvidos por lhe ter sido passada uma procuração para atuar em nome de uma companhia offshore registada nas Ilhas Virgens Britânicas, pertencente a um cidadão russo. No entanto, segundo o Expresso, não há registo que o advogado tenha sido beneficiário.

À TVI, Vitalino Canas disse que não presta mais declarações e que esclareceu ao Expresso que a sua sociedade de advogados atuou dentro da "ética e que honorários foram declarados de acordo com a lei portuguesa".

Manuel Pinho

Manuel Pinho é economista e foi administrador do Banco Espírito Santo, tendo ocupado o cargo de ministro da Economia, entre 2005 e 2009, no governo de José Sócrates. Atualmente, é professor na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.


O capital de Manuel Pinho presente nas "offshores" terá sido utilizado para pagar um apartamento em Nova Iorque por mais de um milhão de dólares. Contudo, existem suspeitas que a estratégia tenha sido utilizada para fugir aos impostos. O ex-ministro garante que não tem qualquer rendimento por declarar ao Fisco.

A nova investigação do consórcio (ICIJ, na sigla em inglês), nomeada “Pandora Papers”, põe a descoberto os segredos financeiros daqueles 35 líderes mundiais (atuais e antigos) e de mais de 330 políticos e funcionários públicos, de 91 países e territórios, entre os quais Portugal.

Entre os nomes referidos na investigação, estão o rei Abdallah II da Jordânia, o primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, e o Presidente do Equador, Guillermo Lasso, revela a investigação, publicada em órgãos de informação como The Washington Post, BBC e The Guardian.

O ICIJ diz ter baseado a sua investigação numa “fuga sem precedentes”, envolvendo cerca de dois milhões de documentos, trabalhados por 600 jornalistas, a “maior parceria da história do jornalismo”

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Um Jornalista Tem de Ser Incómodo para o Poder, por Paulo Dentinho


Nasreddin Hodja, a quem se atribuem por todo o Médio Oriente inúmeras e bem-humoradas histórias, caminhava à beira de um rio quando alguém lhe gritou da outra margem: “Nasreddin, ajuda-me a atravessar para o outro lado!” Ele olhou e respondeu: “Mas tu já estás no outro lado!”

Para lá da facécia, um simples “ajuda-me a passar para o teu lado” teria evitado o mal-entendido, mas nesse caso a graça perdia o efeito. A anedota mostra como a perspetiva é importante. Tal como as palavras. Já os factos, esses não mudam e são inquestionáveis: cada um estava mesmo numa margem diferente.

Para o jornalista, a verdade dos factos e as palavras são centrais no exercício da profissão, e o que escolhemos contar e a forma como contamos acaba por dizer muito sobre o jornalismo que cada um faz. São opções não isentas de risco, e o risco é tanto maior porquanto as armadilhas são múltiplas: preconceitos próprios (alguns até inconscientes), narrativas decorrentes de agendas de comunicação, pressão dos poderes, tentativas de condicionamento por parte dos muitos agentes ao serviço de poderes, imposição de narrativas decorrentes daqueles que controlam a agenda internacional - exemplos não faltam.

O trabalho do jornalista nunca é cómodo porque a sua função é mesmo a de ser incómodo, o que faz com que não tenha muitos amigos. Nunca teve, aliás. No Dictionaire amoureux du Journalisme, Serge July, antigo diretor do Libération, enumera uma série de críticas dirigidas ao jornalista, algumas certamente com razão, outras seguramente injustas. Lá encontramos Voltaire, Rousseau, Thomas Jefferson, Balzac – a lista é grande entre aqueles que colocam em causa a legitimidade do jornalista.

A liberdade de imprensa incomoda. Deve incomodar. E incomoda tanto mais quanto mais for capaz de expor os excessos do poder. Seja ele qual for. E não nos enganemos: qualquer que ele seja tem sempre uma visão instrumental do jornalismo. Até mesmo nas nossas democracias ocidentais.

Sem a reportagem, sem jornalismo de investigação, resta o jornalismo de agenda, o mais conveniente na ótica dos poderes e das suas estratégias para influenciar o quotidiano. É através dele que organizam a liberdade da imprensa e, com isso, reduzem a liberdade de imprensa. Quanto mais jornalismo de agenda mais o jornalista se arrisca a deixar de ser visto como um contrapoder para passar a ser olhado como simples correia de transmissão desses poderes.

Com este ambiente, é fácil aos partidos extremistas, nacionalistas e antissistema denunciarem o trabalho dos jornalistas, com alguns até a exortar os seus militantes a não recorrer à imprensa, agora que conseguem falar diretamente aos seus eleitores através das redes sociais. Encerram-se numa informação militante, sem direito contrapontos e chegando mesmo a apresentar “factos alternativos”, como referiu um dia com total desfaçatez uma assessora de Donald Trump.

O risco para a democracia desta informação de trincheiras é enorme. Mesmo uma democracia sólida como a norte-americana corre riscos, o que ficou espelhado no assalto ao Capitólio pelos partidários do antigo presidente dos Estados Unidos da América, em janeiro deste ano, após meses a serem bombardeados nas redes sociais por uma falsa alegação de que as eleições presidenciais lhes tinham sido roubadas.

Tal como outrora, ser jornalista continua a ser um risco. Atualmente, basta um dirigente político mandar os seus trolls denegrirem alguém para que uma multidão transforme um profissional da imprensa num alvo a abater no pelourinho das redes sociais. Para vários governantes o tweet tornou-se até num instrumento de comunicação extraordinário: Narendra Modi, Erdogan ou Donald Trump. Ou Orbán. Ou Sissi. É o mundo a preto e branco, a velha lógica binária do “estão connosco ou estão contra nós.” É claro que há certos regimes que vão sempre um pouco mais longe, colocando jornalistas na prisão, impedindo outros de trabalhar. É assim todos os anos em várias latitudes e longitudes.

O poder crescente das redes sociais tem retirado à imprensa o monopólio do discurso mediático e, por via disso, tem-na privado de recursos financeiros. Sem financiamento, sem poderem ir ao terreno, sem poderem prosseguir grandes investigações, o papel dos jornalistas na sociedade torna-se cada vez mais difícil. E quando para sobreviver os órgãos de comunicação social são obrigados a inserir-se em grandes grupos económicos e com gente ligado ao mundo dos negócios, as suspeitas em torno da isenção, independência, seriedade dos jornalistas tendem a aumentar. Viu-se como um jornal prestigiado como o New York Times foi posto em causa pelos partidários do antigo chefe de Estado norte-americano por causa da animosidade deste último relativamente ao dono do jornal, mas também, é claro, pela sua linha editorial pouco alinhada com as decisões da Casa Branca.

Na verdade, nas redes sociais cada um escolhe a sua informação, seleciona aqueles e aquelas por quem pretende ser informado, os assuntos sobre os quais quer ser informado. E o que é mais: as redes oferecem a possibilidade a cada um e a cada uma de serem um ator da informação e não apenas simples consumidores (o que é quase uma ironia, afinal acabam todos a dar ao algoritmo o poder de escolher por eles o que é suposto lhes interessar, sem que esse mecanismo procure contrapontos, o que lhes reforça apenas as certezas).

Mas nas redes, na web e na darknet, é possível encontrar quase tudo. Até, por vezes, segredos de Estado. Ou discursos de ódio. Ou manuais de terrorismo. Ou inúmeras teorias da conspiração. Estamos cada vez mais inundados de informação. Nas redes tudo prolifera, verdadeiro ou falso, muitas vezes falso com a aparência de verdadeiro. E se pensarmos no deepfake, que usa vídeo e áudio e pode colocar alguém a dizer o que nunca disse com uma quase absoluta verosimilhança, arriscamos a confrontar-nos com manipulações muito perigosas para as sociedades.

Em Amusing ourselves to death, publicado em 1985, bem antes das redes sociais se terem imposto no nosso quotidiano, Neil Postman comparou duas das mais conhecidas distopias, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell. As conclusões têm algo de visionário, pois os sinais de ambas estão crescentemente visíveis neste nosso tempo, um nas autocracias, de que a China é hoje o melhor exemplo, o outro nas nossas democracias ocidentais.

Orwell temia aqueles que nos negariam a informação, Huxley receava que nos dessem tanta que seríamos reduzidos à passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade nos fosse ocultada, Huxley que a verdade ficasse afogada num mar de irrelevância. Orwell temia que nos tornássemos uma cultura cativa, Huxley que nos tornássemos uma cultura de trivialidades.

Recentemente, uma sondagem em França indicava que uma grande maioria de franceses, mais de oitenta por cento, admitia que as redes transmitem informações falsas, mas cerca de cinquenta por cento dos inquiridos garantia que será nelas que se irá informar para decidir em quem votar.

As redes já foram e são um instrumento da guerra híbrida, usadas na invasão da Crimeia e na desestabilização da Ucrânia; serviram e servem para desestabilizar democracias, influenciar desfechos eleitorais, como foram, por exemplo, os casos do Brexit ou das eleições norte-americanas de 2016.

Esta realidade e a necessidade de evitar a disseminação de informações falsas levou alguns governos a legislar e impor canhestramente novas formas de censura. O mesmo estão a fazer alguns responsáveis das redes em nome de um suposto politicamente correto, mas que na prática são métodos que não envergonhariam certas ditaduras. Estamos num momento delicado e que deveria suscitar muito mais reflexão antes de se adotarem certos dispositivos que abrem portas à restrição das liberdades.

A realidade é que só existe jornalismo em liberdade, esse que traz a verdade dos factos sem receios, que interroga, levanta dúvidas, inquieta e traz perspetivas diferentes. O compromisso com a verdade e a procura da verdade fazem toda a diferença e são a marca distintiva do que é ou deveria ser o jornalismo. Se os poderes não deixarem que os jornalistas vivam em liberdade, com a responsabilidade e o claro sentido ético dela decorrente, então não precisam de órgãos de comunicação social, apenas de panfletários.

Os órgãos de comunicação social precisam de financiamento e de financiadores, seja via investimento público ou privado, mas pessoas que entendam o jornalismo como uma atividade livre, mesmo que ela os incomode.

Pierre Bergé, que foi um dos acionistas a título individual do Le Monde, chegou a criticar abertamente o jornal do qual era também proprietário num outro órgão de comunicação social, mas não se livrou de uma resposta à altura por parte da Redação por “tentar intervir na linha editorial do jornal”. O caso Le Monde é, aliás, um exemplo interessante em torno do difícil equilíbrio entre investidores e independência.

A precisar de capital em 2010, o jornal abriu-se a investidores privados. Na altura, como me referiu um elemento da Redação numa reportagem para a RTP, o então presidente da república, Nicolas Sarkozy, pressionou os jornalistas do Le Monde a escolherem quem ele pretendia, deixando a ameaça de correrem o risco de não obterem apoios do Estado para a reconversão do parque gráfico.

Na realidade, o que a nossa reportagem mostrava era a galáxia de relações que o então presidente tinha com os detentores dos mais relevantes órgãos de comunicação social franceses. A Redação do Le Monde foi imune à pressão e acabou por escolher quem muito bem quis, a saber: Pierre Bergé, Xavier Niel e Matthieu Pigasse, mas com a independência editorial solidamente ancorada num compromisso com um polo formado por jornalistas, pessoal, leitores e fundadores do jornal.

E quando, há poucos anos, um outro investidor, Daniel Kretinsky, quis comprar uma parte das ações de um desses investidores, o jornal fez um perfil muito duro sobre os interesses nem sempre recomendáveis desse homem de negócios. Também Xavier Niel não foi poupado quando o jornal o expôs, no início deste ano, entre vários outros rostos no caso Open Lux, onde o Luxemburgo aparece uma vez mais como um ator chave na evasão fiscal na Europa.

Mas não nos enganemos, a imprensa nem sempre tem razão, erra e é injusta. O compromisso com a procura da verdade, com a independência, a isenção e o rigor não impede o jornalista de errar. A guerra no Iraque e a mentira então propalada de armas de destruição maciça pelo regime de Saddam Hussein são um exemplo por demais gritante.

Mas sem imprensa verdadeiramente livre mais se empobrece o ambiente de liberdade e o debate democrático, e quanto maior for a tentação de governos no mundo ocidental em domesticar o jornalismo de serviço público, esses governos que “confundem as suas vitórias eleitorais com a essência da democracia”, para citar a comissária europeia Vera Jourova, maiores serão os riscos. É um caminho que nos levará apenas a ver uma margem do rio. Nasreddin nem sequer poderia escutar quem lhe gritasse do outro lado, porque o outro lado deixaria até de se conseguir fazer ouvir.

sábado, 14 de agosto de 2021

Relatório detalha como Amazon transfere receitas para offshore


, a Amazon está a ser confrontada com pedidos de um inquérito público sobre os seus acordos fiscais após um relatório ter revelado que a gigante da tecnologia declarou até 8,2 mil milhões de libras das suas vendas no Reino Unido em Luxemburgo.



O jornal escreve que uma análise abrangente das contas e declarações públicas da Amazon revelou que, nas suas contas nos Estados Unidos, a multinacional declarou 13,7 mil milhões de libras de vendas no Reino Unido em 2019. No entanto, nos registos referentes às empresas sediadas no Reino Unido, a Amazon declarou apenas 5,5 mil milhões em vendas.

A gigante do comércio eletrónico repudia o relatório, avançando que a discrepância se deve ao facto de a maioria de suas vendas para compradores do Reino Unido terem sido feitas por filiais do Reino Unido de uma de suas empresas no Luxemburgo, e que os números foram relatados à HMRC - administração fiscal e aduaneira do Reino Unido. A Amazon recusou-se a declarar quanto pagou sobre essas vendas no Reino Unido.


O relatório, encomendado pela central sindical UNITE, concluiu que a Amazon relatou 57 mil milhões de euros de receita no Luxemburgo em 2019. Se este valor estivesse relacionado com as vendas realizadas no Luxemburgo, isso implicaria que a multinacional teria vendido uma média de 92.000 euros em bens e serviços para cada residente do pequeno Grão-Ducado.

Lembrando que a Amazon não é obrigada a divulgar publicamente onde as vendas foram realmente realizadas, os ativistas assinalam que isso permite que esta multinacional e outros gigantes da tecnologia ganhem uma vantagem sobre os concorrentes e consolidem o seu domínio. Esse domínio cresceu rapidamente durante a pandemia, à medida que as pessoas se tornaram cada vez mais dependentes da tecnologia.

Os investigadores, liderados pelo revisor oficial de contas Vivek Kotecha, analisaram as contas de 19 empresas registadas da Amazon no Reino Unido, dos seus armazéns e operações de logística a empresas menores, como o Internet Movie Database (IMDb). A partir das informações que a Amazon divulga publicamente, tentaram calcular a dimensão da evasão fiscal. Os investigadores estimaram que a empresa pagou no máximo 84 mil milhões de libras em impostos sobre os seus lucros, cerca de 46 mil milhões de libras a menos do que seria esperado.


Embora as vendas sejam legalmente registadas no Reino Unido através de filiais locais das empresas do Luxemburgo, elas são, em última análise, atribuídas às empresas-mãe da Amazon sediadas no Luxemburgo, onde a empresa paga impostos sobre os seus lucros europeus. O The Independent refere que os impostos indiretos incluem o IVA, que as empresas cobram em nome do governo, e os impostos sobre os funcionários que, segundo vários estudos, são, em última instância, “pagos” pelos funcionários na forma de salários mais baixos.

O relatório avança com uma descrição detalhada de como a Amazon é capaz de transferir receitas sem problemas de onde faz negócios para onde escolhe pagar impostos.

Quando um comprador compra um produto no site da Amazon no Reino Unido, ele é cobrado pela filial do Reino Unido de uma empresa registada no Luxemburgo, a Amazon EU Sarl. A empresa tinha apenas 4.302 trabalhadores em 2019, mas registou receitas anuais de 32,2 mil milhões de euros, o que representa uma média de 7,5 milhões para cada trabalhador.

A par de registar vendas no Luxemburgo, as contas da Amazon indicam que esta utiliza outro método para fugir aos impostos no Reino Unido.

Uma subsidiária sediada em Luxemburgo, a Amazon Services Europe Sarl, fornece serviços para os filiais da empresa. Outras empresas da Amazon no Reino Unido e em outros lugares pagam à entidade do Luxemburgo por esses serviços, transferindo a receita para o país de baixa tributação. As contas de 2019 da Amazon Services Europe Sarl mostram que a mesma gerou 12 mil milhões de euros em receita e tinha apenas 193 trabalhadores - representando mais de 62 milhões de euros por trabalhador.

John Christensen, diretor e presidente do conselho da Tax Justice Network, afirmou que “o sistema de tributação das empresas multinacionais está a permitir o crescimento de novos monopólios, o que prejudica a qualidade dos mercados em todo o mundo”.

Nicholas Shaxson, cofundador do Balanced Economy Project, que faz campanha por justiça económica, frisou que monopólios e paraísos fiscais “andam juntos” porque “envolvem uma mentalidade de comportamento anti-social”.

“Os monopólios geram lucros enormes e os paraísos fiscais escondem evidências e reduzem as despesas com impostos sobre esses lucros. As manobras ardilosas da Amazon no Luxemburgo são um exemplo clássico de como os nossos mercados e sistemas fiscais foram corrompidos”, apontou.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Os transportes públicos devem ser grátis? Vantagens e desvantagens

Depois de várias cidades, de Talin a Kansas City, tornarem o transporte público grátis, é a vez de um país, o Luxemburgo. Quais as vantagens e desvantagens desta política? É o preço um fator fundamental para que se dê a mudança do paradigma automóvel para o do transporte público?



Este sábado é o primeiro dia do resto da vida do Luxemburgo - pelo menos enquanto a nova política de transportes públicos gratuitos se mantiver, naquela que é uma estreia a nível mundial, a do primeiro país a pô-la em prática.

O objetivo expresso pelo governo é atrair mais passageiros e diminuir a utilização do carro, que de acordo com um inquérito de 2018 corresponde a 47% das deslocações para o trabalho e 71% das de tempos livres. Já os autocarros seriam usados apenas em 32% das deslocações de trabalho, percentagem que desce para 19% no caso do comboio.

Especialmente em causa nesta nova política estarão os congestionamentos de tráfego na cidade do Luxemburgo, capital do país, que como Lisboa tem pouco mais de 100 mil habitantes mas recebe diariamente 400 mil pessoas para ali trabalhar. Em 2016, um estudo estimava em 33 horas o tempo que os condutores ali passaram em engarrafamentos naquele ano.

A medida já foi tomada em algumas cidades - da capital da Estónia, Talin, a Kansas City, a capital do estado americano do Missouri - mas nunca num país. Se bem que, como frisa José Manuel Viegas, ex secretário-geral do Fórum Internacional dos Transportes da OCDE e professor catedrático do Instituto Superior Técnico, "é um país do tamanho de uma cidade."

De facto, o Luxemburgo tem cerca de 600 mil habitantes e 2586 quilómetros quadrados. E, não despiciendo, um dos mais altos PIB per capita do mundo e um ordenado mínimo de mais de 2000 euros. O valor pago pelos bilhetes já só correspondia a 8% do valor gasto com as operações de transporte público, correspondendo a 41 milhões dos 500 milhões anuais. Agora, será o Estado a suportar os 100%.

José Manuel Viegas tem dúvidas de que a gratuidade, que terá como únicas exceções as viagens em primeira classe em comboio e algumas carreiras de autocarro noturnas, resulte no abandono do transporte individual - sobretudo tendo em conta que o preço já era muito barato. "Tendo em conta que a percentagem dos gastos coberta era já muito baixa, até pode ser que se ganhe dinheiro com a inexistência de bilhetes e de controlos. Mas as pessoas acima de um determinado nível de rendimento, e o nível de rendimento no país é bastante alto, não mudam para o transporte público por ser barato ou grátis mas apenas se apresentar vantagens. Se queremos tirar as pessoas dos automóveis temos que lhes oferecer bons transportes públicos, eficientes, rápidos, com boa cobertura."

100 cidades com transportes grátis
Haverá hoje no mundo, no entanto, cerca de 100 cidades que oferecem transportes públicos grátis, 23 das quais em França. A maior é Dunquerque, com 257 mil habitantes e um sistema de autocarros grátis cuja utilização aumentou 60% nos dias de trabalho e 100% nos fins de semana. 48% dizem que deixam os carros em caso e 5% venderam o seu.

Wojcieh Keblowshi, um especialista em transportes da Universidade Livre de Bruxelas, comentando as medidas anunciadas para a cidade de Paris - que a partir de setembro de 2019 tem viagens grátis no metro e autocarro para menores de 11 (incluindo estrangeiros) e para deficientes com menos de 20 anos, assim como um desconto de 50% para estudantes -, chama a atenção para o facto de que "a utilização pelos grupos vulneráveis, como os desempregados, os idosos e os jovens que não são classe media aumenta muito quando o preço é zero. A cidade fica muito mais acessível para eles. Podem procurar emprego e frequentar atividades culturais, etc. Essa vantagem é especialmente notória no contexto francês."

Mas a tendência não é exclusivamente europeia: além de Kansas City (488 mil habitantes), que anunciou em 2019 um sistema de autocarros grátis, Olympia, capital do estado de Washington, com cerca de 51 mil habitantes, vai fazer o mesmo, e Lawrence, no Massachusetts, com 80 mil, começou em setembro um programa piloto de autocarros grátis. Este último caso, tal como o de Dunquerque, parece ter resultado num aumento de frequência: a cidade diz ter mais 24% de passageiros.

"Se o objetivo é maximizar o uso, eliminar o custo para o utilizador é uma estratégia bastante ineficaz. E como é também cara, talvez não deva ser a primeira em que se deve pensar."

Até uma das grandes cidades dos EUA, Boston, capital do Massachusetts, com 685 mil habitantes, está a ponderar entrar na onda. O valor dos bilhetes pagos pelos utilizadores ultrapassa 100 milhões de dólares, o que está a ser encarado como um obstáculo, mas há quem argumente que o sistema de pagamento e bilhética custa 36 milhões e o resto seria facilmente pago pelo aumento da taxa de combustível da cidade em 2%. Uma ideia defendida pelo jornal Boston Globe num editorial do primeiro dia do ano cujo título clama: "Em Boston, vamos tornar os autocarros grátis."

Há no entanto quem torça o nariz. Por exemplo a Associação de Utilizadores de Transportes Públicos do estado australiano de Victoria, que num artigo com o título "Mito: Tornar os Transportes Públicos Grátis Encoraja a Sua Utilização e o Apoio Político", chama a atenção para o facto de os economistas considerarem que existe para os transportes públicos uma baixa elasticidade da procura com base no preço.

O que isso quer dizer é que, prossegue o artigo, se tudo permanece igual, uma descida de 10% no preço do transporte não causa um aumento de 10% na utilização. Assim, conclui, "se o objetivo é maximizar o uso, eliminar o custo para o utilizador é uma estratégia bastante ineficaz. E como é também cara, talvez não deva ser a primeira em que se deve pensar."

Melhor transporte público poupa vidas e aumenta resiliência económica
Em contrapartida, propõe a associação, que tal aplicar os mil milhões (de dólares australianos, ou seja, 590 milhões de euros) que custaria abolir as tarifas na cidade de Melbourne, capital do estado de Victoria, com quase cinco milhões de habitantes, em mais e melhor transporte público? Isso sim, conclui, iria aumentar o número de utilizadores, e porque mais passageiros significa maior entrada de dinheiro, permitiria melhorar ainda mais a oferta.

Certo é que os sistemas de transportes públicos que se pagam com o preço de bilhetes e passes se contam pelos dedos de uma mão. São, como frisa José Manuel Viegas, casos excecionais, correspondendo, como o metro de Tóquio, a zonas densamente populadas onde não existe realmente alternativa no trânsito automóvel. Por definição, o transporte público é deficitário.

O que não significa, pelo contrário, que fazendo as contas incluindo as chamadas "externalidades positivas" não acabe por ser muito compensador em termos económicos.

Estudos económicos recentes, de 2015 e 2017, citados num muito aprofundado relatório de outubro de 2019 da organização independente canadiana Victoria Transport Policy Institute sobre Custos e Benefícios dos Transportes Públicos, indicam que cada dólar (ou euro) investido em transportes públicos resulta em mais de um dólar em benefícios económicos. Isso é mais verdade, diz o relatório, nas grandes áreas urbanas, mas também sucede nas rurais. 

Entre os vários benefícios dos transportes públicos está a diminuição da sinistralidade e das mortes. De acordo com o relatório, nas 32 cidades americanas com mais de meio milhão de habitantes a correlação negativa entre a utilização de transportes públicos e as taxas de mortalidade rodoviária é muito forte. Em quase todas as cidades grandes com menos de 30 viagens por ano, per capita, em transportes públicos há mais de seis mortes em acidentes rodoviários por 100 mil residentes, e em quase todas as que apresentam mais de 50 viagens por ano per capita em transportes públicos o número de mortes é menor.

Num estudo de 2014 (Stimpson et al), a análise de dados de 100 cidades americanas relativos a mais de 29 anos, e tendo em conta variados fatores geográficos e económicos, levou a concluir que cada aumento de 10% na fatia de utilização de transportes públicos no total das viagens está associada uma redução de 1.5% nas mortes devidas a acidentes rodoviários. E um estudo de 2012 (Lalive, Luechinger and Schmutzler) sobre utilização de transporte ferroviário apurou que aumentar a frequência do serviço em 10% reduzia o uso de carros e motos em quase 3%, e os acidentes na estrada em 4.6%.

Outro dos benefícios é naturalmente o da redução da emissão de gases poluentes que contribuem para as alterações climáticas. Estudos de 2008 e 2010 relativos ao Canadá apontam para que, diminuindo a utilização de automóvel, os engarrafamentos e melhorando os padrões de uso do solo, os transportes públicos reduzem em cerca de 37 milhões de toneladas as emissões anuais de CO2.

Mas talvez uma das descobertas mais interessantes seja a de três estudos diferentes (Gilderbloom, Riggs e Meares em 2015, Lee e Li em 2017 e Welch, Gehrke and Farber em 2018) que, segundo o relatório citado, indicam que os lares nas zonas bem servidas por transportes públicos têm mais baixas taxas de incumprimento nas hipotecas, indicando maior resiliência financeira. O que parece fundamentar a ideia de que, ao melhorar as opções de mobilidade para os que partem de desvantagens físicas, económicas e sociais, transportes públicos de qualidade tendem a melhorar as oportunidades económicas (acesso a educação, emprego, bens de consumo e serviços essenciais) e portanto a dita resiliência.

domingo, 10 de abril de 2016

Panama Papers: É preciso acabar com os paraísos fiscais, começando pelos da UE



Por Elisa Ferreira- Público de 10/4/2016

As revelações dos Panama Papers voltam a lembrar-nos que só com o fim dos paraísos fiscais é que será possível acabar com os mecanismos e canais de fraude, evasão fiscal e lavagem de dinheiro que lhes estão associados. Também nos lembram, de novo, o enorme serviço prestado pelo jornalismo de investigação e pelos lançadores de alerta (whistleblowers), que assumem riscos consideráveis com as suas denúncias de interesse público. Depois dos LuxLeaks, SwissLeaks ou OffshoreLeaks, os Panama Papers serão apenas mais um episódio num processo que se antecipa longo e com muitas mais revelações, dada a informação disponível. 
Seria importante que a democracia europeia clarificasse de uma vez por todas o tratamento que é devido a estes actores cívicos. As revelações sucessivas de fraude, evasão fiscal e lavagem de dinheiro em larga escala despertaram um importante reconhecimento público do papel destes lançadores de alerta em prol da cidadania e da transparência. 
Não podemos por isso esquecer que ainda este mês, Antoine Deltour, ex-auditor na PwC e responsável por muitas das revelações dos LuxLeaks, vai ser julgado sob acusação de roubo e violação da legislação luxemburguesa de protecção do segredo profissional e comercial, arriscando pena de prisão e multa.
Ao contrário dos Estados Unidos, onde os whistleblowers têm um estatuto claro de proteção e apoio judicial, e mesmo uma compensação monetária calculada em função do volume financeiro da fraude denunciada, nos países da União Europeia (UE) encontramos de tudo: penas de prisão, exclusão do mercado de trabalho e ruína financeira de alguns (provavelmente os mais sinceros), em contraponto com outros, que enriqueceram com a venda da informação. 
A clarificação do estatuto jurídico e do interesse público destas denúncias tem de ser urgentemente estabilizada. Os mecanismos agora revelados nos Panama Papers são largamente conhecidos, e não constituem por isso uma surpresa. O que nos pode surpreender é a escala astronómica deste negócio a par da identidade das personalidades públicas e com responsabilidades que estão envolvidas. Mas estas revelações, que se referem apenas a uma única empresa de um pequeno país, não são mais do que a ponta de um enorme iceberg. Quantos mais Panama Papers haverá? É inegável que, no seguimento da crise financeira, tem havido alguns progressos no combate à fraude e evasão fiscal. 
Os países do G20 (as economias mais desenvolvidas e as principais emergentes) encarregaram a OCDE de definir os princípios de transparência, incluindo para os paraísos fiscais, a aplicar à escala global. Este trabalho é importante e meritório, mesmo se as directrizes da OCDE, além de frouxas, são apenas recomendações não vinculativas. O argumento de que este problema requer uma resposta global tem indiscutivelmente alguma valia. 
Mas, nesse contexto, deverá a UE liderar, ou esperar ser liderada? Na verdade, a UE, tanto pelo seu grau de integração, como pelos valores que defende, não pode remeter-se a uma espera passiva de um hipotético consenso mundial. Para ser credível perante os seus próprios cidadãos, a União tem de consensualizar e implementar internamente os princípios pelos quais se rege. Cabe-lhe seguidamente assumir o papel - provavelmente com os Estados Unidos (e saúde-se a propósito as recentes declarações de Obama a respeito dos Panama Papers) - absolutamente fundamental de contribuir para a construção de uma "nova ordem mundial" em matéria de fiscalidade. A dificuldade na construção desta agenda europeia é evidente: em 2011-2012 os Socialistas no Parlamento Europeu (PE) desenvolveram uma campanha pedindo o "fim dos paraísos fiscais”. A maioria parlamentar de direita resistiu, com o eterno argumento de que se o combate aos circuitos de fraude e evasão fiscal não for assumido à escala global, as empresas europeias ficarão em desvantagem face às concorrentes. Não é estranho a esta atitude o facto de alguns paraísos fiscais estarem exatamente dentro da própria União. Mesmo assim, e graças à pressão da opinião pública, resultante em particular dos LuxLeaks, tem havido avanços.
O relatório de que fui co-autora na comissão especial do PE - TAXE - para investigar os acordos fiscais preferenciais (tax rulings) oferecidos por membros da UE às multinacionais para lhes permitir transferir rendimento tributável para países com menores taxas de imposto, e que foi aprovado por esmagadora maioria do PE, elenca com grande precisão as medidas que são necessárias ao nível europeu. Uma delas é, precisamente, tornar ilegais os paraísos fiscais - o que inclui antes de mais aqueles que existem no interior da UE - e aplicar sanções a quem os utiliza. A Comissão Europeia (CE), sob a liderança do comissário socialista francês Pierre Moscovici, tem-se mostrado bem mais voluntarista do que era habitual, apresentando propostas legislativas ambiciosas para introduzir maior transparência na fiscalidade das empresas e reduzir as possibilidades de recurso a paraísos fiscais: tributação de lucros onde a actividade económica é realizada, obrigação de reporte - público - das informações que permitam perceber em que países cada empresa realiza lucros e paga impostos, e harmonização da base tributável do imposto sobre os lucros para acabar com a actual concorrência fiscal agressiva entre países que partilham um mercado interno e uma moeda única. Estas e outras iniciativas esbarram no entanto contra fortes resistências no Conselho de Ministros da UE (onde os Governos estão representados). E como as decisões europeias em matéria de fiscalidade sobre as empresas estão sujeitas à regra da unanimidade, basta a objecção de um país para bloquear a decisão, o que é frequente da parte dos Estados que têm regimes especiais a defender. O que se espera, agora, na sequência das revelações dos Panama Papers? 
No essencial, que a pressão pública dos cidadãos e da imprensa sobre os respetivos Governos seja suficientemente forte para os convencer a aceitar um salto qualitativo na forma como abordam as questões fiscais. É preciso que os Governos não caiam na tentação de bloquear a legislação essencial em nome de uma interpretação egoísta do respetivo "interesse nacional" e, mais importante ainda, que não cedam à pressão indireta (ou direta) dos poderosos atores que beneficiam da actual opacidade. 
É preciso também que a CE continue o seu voluntarismo no combate à fraude e evasão fiscal, e que proceda, em paralelo, a uma análise detalhada da eficácia da legislação já existente na UE e da forma como está a ser aplicada pelos Estados membros e que avance com propostas para colmatar eventuais lacunas. Esperemos que as revelações dos Panama Papers sejam o catalisador de um sobressalto de consciência por parte dos Estados membros que os leve a aceitar um salto qualitativo da UE em matéria fiscal. Para isso, é preciso que a Comissão e o Parlamento consigam limitar os interesses nacionalistas no Conselho para que a UE possa desempenhar o papel na cena mundial a que está obrigada pela sua história e pelo esforço que está neste momento a ser pedido aos cidadãos e às PMEs, os principais geradores das receitas fiscais dos Estados.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Um ano depois do caso LuxLeaks nada mudou



Várias personalidades políticas europeias e economistas pediram aos Estados-membros da União Europeia “mais transparência e cooperação” contra a evasão fiscal, lamentando que um ano depois do caso LuxLeaks nada tenha mudado. O desabafo foi publicado esta terça-feira num artigo no jornal francês Libération.

Os signatários, entre eles o antigo presidente da Comissão Europeia Romano Prodi e o economista francês Thomas Piketty, pedem aos Estados-membros que apoiem a proposta do “relatório país por país, actualmente em discussão no quadro da directiva sobre os direitos dos accionistas”.

A proposta visa obrigar as empresas cotadas a “publicar informações sobre as suas actividades e os seus impostos”.

Em Novembro de 2014, “um grupo de jornalistas internacionais revelou que mais de 300 multinacionais assinaram, entre 2002 e 2010, acordos secretos com o Luxemburgo, a fim de reduzir drasticamente a quantidade dos seus impostos”, lembra o texto também assinado pelo relator do Parlamento Europeu da directiva sobre os direitos dos accionistas, Sergio Cofferati, pelos deputados socialistas franceses Pervenche Berès e Emmanuel Maurel ou o economista Jean-Paul Fitoussi. “Um ano após o LuxLeaks nada mudou”, lamentam.

“A União Europeia deve garantir que as multinacionais paguem os seus impostos onde elas fazem os seus lucros. Exigimos reformas ambiciosas para reduzir a evasão fiscal, preencher as lacunas na legislação, punir os paraísos fiscais e combater a corrupção e a lavagem de dinheiro. Temos de melhorar a transparência e cooperação transfronteiriça”, escrevem os signatários, defendendo que o “relatório país por país representaria um grande passo em frente na luta contra a evasão e a fraude fiscais”.

sexta-feira, 29 de março de 2013

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Números do Financial Secrecy Index - as empresas de notação são apenas um dos prismas


2009 Results 
Download: PDF | Excel

Secrecy Jurisdiction Opacity Score Global Scale Weight Opacity Component Value Financial Secrecy Index Value Financial Secrecy Index Rank
USA (Delaware) 92 0.17767 84.6 1503.80 1
Luxembourg 87 0.14890 75.7 1127.02 2
Switzerland 100 0.05134 100.0 513.40 3
Cayman Islands 92 0.04767 84.6 403.48 4
United Kingdom (City of London) 42 0.19716 17.6 347.79 5
Ireland  62 0.03739 38.4 143.73 6
Bermuda 92 0.01445 84.6 122.30 7
Singapore 79 0.01752 62.4 109.34 8
Belgium 73 0.01475 53.3 78.60 9
Hong Kong 62 0.01986 38.4 76.34 10
Jersey 87 0.01007 75.7 76.22 11
Austria 91 0.00511 82.8 42.32 12
Guernsey 79 0.00580 62.4 36.20 13
Bahrain 92 0.00278 84.6 23.53 14
Netherlands 58 0.00689 33.6 23.18 15
British Virgin Islands 92 0.00177 84.6 14.98 16
Portugal (Madeira) 92 0.00146 84.6 12.36 17
Cyprus 75 0.00206 56.3 11.59 18
Panama 92 0.00128 84.6 10.83 19
Israel 90 0.00128 81.0 10.37 20
Malta 83 0.00126 68.9 8.68 21
Hungary 75 0.00136 56.3 7.65 22
Malaysia (Labuan) 100 0.00072 100.0 7.20 23
Isle of Man 83 0.00084 68.9 5.79 24
Philippines 83 0.00074 68.9 5.10 25
Latvia 75 0.00073 56.3 4.11 26
Lebanon 91 0.00032 82.8 2.65 27
Barbados 100 0.00026 100.0 2.60 28
Macao 87 0.00025 75.7 1.89 29
Uruguay 87 0.00024 75.7 1.82 30
United Arab Emirates (Dubai) 92 0.00018 84.6 1.52 31
Mauritius 96 0.00013 92.2 1.20 32
Bahamas 100 0.00011 100.0 1.10 33
Costa Rica 92 0.00006 84.6 0.51 34
Vanuatu 100 0.00005 100.0 0.50 35
Aruba 83 0.00004 68.9 0.28 36
Belize 100 0.00002 100.0 0.20 37
Netherlands Antilles 75 0.00002 56.3 0.11 38
Brunei* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Dominica* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Samoa* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Seychelles* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
St Lucia* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
St Vincent & Grenadines* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Turks & Caicos Islands* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Antigua & Barbuda* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Cook Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Gibraltar* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Grenada* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Marshall Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Nauru* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
St Kitts & Nevis* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
US Virgin Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Liberia* 90 0.00001 81.0 0.08 54
Liechtenstein* 87 0.00001 75.7 0.08 joint 55
Anguilla* 87 0.00001 75.7 0.08 joint 55
Andorra* 83 0.00001 68.9 0.07 57
Maldives* 80 0.00001 64.0 0.06 58
Montserrat* 79 0.00001 62.4 0.06 59
Monaco* 67 0.00001 44.9 0.04 60
*   Jurisdictions marked with an asterix are ranked according to their opacity score.
O segredo bancário no mundo- escandaloso!

::>Total de empresas registadas numa moradia em Luxemburgo (paraíso fiscal): 19 mil
::>(quase ao lado de Haiti) Total de empresas registadas nas Bristish Virgin Islands: 813.516
 ::>50% do comércio mundial passa pelos paraísos fiscais (dados da ATTAC)
::>1 bilião de dólares ao ano, é o valor de perda de receita fiscal dos países da OCDE
por causa dos paraísos fiscais
::> 11.5 biliões de dólares é o montante transferido para off-shores pelos homens mais ricos do mundo

Saiba mais em
Financial Secrecy Index  que denuncia não apenas os paraísos fiscais mas também as "jurisdições de segredo", um conceito alargado para incluir não apenas os países com forte sigilo bancário, como a Suíça, mas também aqueles que como o Reino Unido, EUA, Irlanda (sim! em 6º)  e em  e Portugal, na Madeira (17º- vergonha!!!) apresentam buracos legislativos que permitem a evasão fiscal e a opacidade dos seus sujeitos activos (adaptado de Visão, 7 Julho 2011).