Mostrar mensagens com a etiqueta Deepfake. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Deepfake. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de julho de 2026

Agora o partido Chega desmistifica o pós-verdade - normaliza a mentira que foi espalhada




Portugal é muito "suave" com estes cheganos. A filha do Jaime Nogueira Pinto consegue ser mais extrema-direita que o seu pai. E não sei o futuro, mas nada me parece ser optimista, para quem defende a esquerda e pensadores como Fourier, Owen e Saint Simon. Vejamos o caso da Alemanha. A Alemanha destaca-se internacionalmente por ter um dos ecossistemas de maior escrutínio, regulação e resistência institucional contra a desinformação, embora enfrente uma pressão sem precedentes de campanhas massivas da extrema-direita e de agentes externos, como redes de desinformação russas.
Esta forte resistência alemã baseia-se em três pilares principais. O primeiro é o rigor legislativo, onde o país foi pioneiro global com a lei NetzDG, que obriga as redes sociais a remover discursos de ódio e notícias falsas criminosas em até 24 horas sob pena de multas multimilionárias, servindo de base para a atual Lei dos Serviços Digitais da União Europeia. O segundo pilar é a comunicação social pública forte e confiável, mantendo um sistema de radiodifusão altamente robusto, financiado pelos cidadãos e protegido de interferências governamentais, o que garante níveis de confiança consistentemente elevados na população. O terceiro pilar assenta numa sociedade civil ativa e em consórcios de verificação de factos, com coletivos independentes como o Correctiv a gerar impactos históricos ao expor esquemas e reuniões secretas da extrema-direita, mobilizando milhões de cidadãos em protestos de rua em defesa da democracia.
Apesar deste forte escrutínio, a extrema-direita tem conseguido contornar os filtros tradicionais através de estratégias digitais altamente sofisticadas. O partido Alternative für Deutschland e os seus influenciadores dominam redes visuais como o TikTok, superando largamente os partidos tradicionais no alcance orgânico junto do eleitorado mais jovem através de vídeos curtos que misturam sátira, pânico moral e desinformação. A esta estratégia soma-se o uso intensivo de inteligência artificial para a criação de deepfakes e a estreita ligação com campanhas de influência russas, como a rede Doppelgänger, focadas em polarizar debates sobre imigração e geopolítica. Assim, embora o escrutínio e a reação da sociedade alemã sejam rigorosos, a velocidade e a sofisticação tecnológica destas ofensivas continuam a testar os limites das defesas democráticas do país.

O video foi extraído do Programa Ás Avessas de 30 de Maio. Ver aqui o debate completo.

domingo, 17 de maio de 2026

Mensagem do Papa Leao XIV por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais

Queridos irmãos e irmãs!

O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto” (prósopon), que etimologicamente indica o que está diante do olhar, o lugar da presença e da relação. Por sua vez, o termo latino persona (de per-sonare) inclui o som: não um som qualquer, mas a voz inconfundível de alguém.

Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu. Uma Palavra que, ao longo dos séculos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra – esta comunicação que Deus faz de si mesmo – pudemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus.

Desde o momento da criação, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse São Gregório de Nissa, [1] imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade através do amor. Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.

A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preservação, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas.

O desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos.

Não renunciar ao próprio pensamento
Há muito tempo que existem múltiplas evidências de que os algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – rentável para as plataformas – recompensam as emoções rápidas e, ao contrário, penalizam as expressões humanas que requerem mais tempo, como o esforço para compreender e a reflexão. Ao encerrar grupos de pessoas em bolhas de fácil consenso e indignação, estes algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social.

Veio somar-se a isto uma confiança ingenuamente acrítica na inteligência artificial como “amiga” omnisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, “oráculo” de todos os conselhos. Tudo isto pode enfraquecer ulteriormente a nossa capacidade de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica.

Embora a IA possa dar apoio e assistência na gestão de tarefas comunicativas, ao abstermo-nos do esforço do próprio pensamento, contentando-nos com uma compilação estatística artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas.

Nos últimos anos, os sistemas de inteligência artificial estão a assumir cada vez mais o controlo da produção de textos, música e vídeos. Grande parte da indústria criativa humana corre o risco de ser destruída e substituída pela etiqueta “Powered by AI”, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anónimos, sem autoria nem amor. Ao mesmo tempo, as obras-primas do génio humano no âmbito da música, da arte e da literatura vão sendo reduzidas a um mero campo de treino para as máquinas.

No entanto, a questão que realmente nos interessa não é o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que nós podemos e poderíamos fazer, crescendo em humanidade e conhecimento, com uma inteligente utilização de ferramentas tão poderosas ao nosso serviço. Desde sempre, o ser humano tem sido tentado a apropriar-se do fruto do conhecimento sem o esforço do envolvimento, da pesquisa e da responsabilidade pessoal. Contudo, renunciar ao processo criativo e entregar às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.

Ser ou fingir: simulação de relações e da realidade
À medida que navegamos pelos nossos fluxos de informação (feeds), torna-se cada vez mais difícil compreender se estamos a interagir com outros seres humanos ou com “bots” ou influenciadores virtuais. As intervenções não transparentes destes agentes automatizados influenciam os debates públicos e as escolhas das pessoas. Especialmente os chatbots, baseados em grandes modelos linguísticos (LLM), estão a revelar-se surpreendentemente eficazes na persuasão oculta, através de uma contínua otimização da interação personalizada. A estrutura dialógica e adaptativa, mimética, destes modelos linguísticos é capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma relação. Esta antropomorfização, que pode até ser divertida, é ao mesmo tempo enganadora, especialmente para as pessoas mais vulneráveis. Porque os chatbots tornados excessivamente “afetuosos”, além de estarem sempre presentes e disponíveis, podem tornar-se arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desta forma, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas.

A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino dos indivíduos, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades. Isso acontece quando substituímos as relações com os outros pelas relações com a IA treinada para catalogar os nossos pensamentos e, portanto, construir à nossa volta um mundo de espelhos, onde tudo é feito “à nossa imagem e semelhança”. Desta forma, deixamo-nos roubar a possibilidade de encontrar o outro, que é sempre diferente de nós e com o qual podemos e devemos aprender a confrontar-nos. Sem aceitar a alteridade, não pode haver nem relação nem amizade.

Outro grande desafio que estes sistemas emergentes colocam é o da distorção (bias, em inglês), que leva a adquirir e transmitir uma perceção alterada da realidade. Os modelos de IA estão moldados pela visão do mundo de quem os constrói e podem, por sua vez, impor modos de pensar, replicando estereótipos e preconceitos presentes nos dados a que acedem. A falta de transparência na construção dos algoritmos, a par da inadequada representação social dos dados tendem a manter-nos presos em redes que manipulam os nossos pensamentos, perpetuando e aprofundando as desigualdades e injustiças sociais existentes.

O risco é grande! O poder da simulação é tal que a IA pode também iludir-nos com a construção de “realidades” paralelas, apropriando-se dos nossos rostos e das nossas vozes. Estamos imersos numa multidimensionalidade, onde se torna cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção.

A isto acrescenta-se o problema da falta de precisão. Os sistemas que apresentam como conhecimento uma probabilidade estatística, na realidade, oferecem-nos, quando muito, aproximações da verdade, que por vezes são verdadeiras “alucinações”. A falta de verificação das fontes, com a crise do jornalismo no terreno, que implica um trabalho contínuo de recolha e verificação de informações nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais fértil para a desinformação, provocando uma crescente sensação de desconfiança, desorientação e insegurança.

Uma possível aliança
Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve, está apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente apresentados como os criadores da “pessoa do ano de 2025”, ou seja, os arquitetos da inteligência artificial. Isto suscita uma preocupação importante em relação ao controlo oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial capazes de orientar subtilmente os comportamentos e até mesmo de reescrever a história da humanidade – incluindo a história da Igreja –, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso.

O desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la, estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas.

Esta aliança é possível, mas tem de se basear em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Em primeiro lugar, a responsabilidade. Ela pode ser definida, consoante as funções, como honestidade, transparência, coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado. Porém, em geral, ninguém pode fugir à sua responsabilidade diante do futuro que estamos a construir.

Para quem está no comando das plataformas on-line, isso significa garantir que as próprias estratégias empresariais não sejam norteadas pelo exclusivo critério da maximização do lucro, mas por uma visão clarividente que tenha em conta o bem comum, da mesma forma que cada um deles se preocupa com o bem-estar dos seus filhos.

Aos criadores e desenvolvedores de modelos de IA, é exigida transparência e responsabilidade social em relação aos princípios de criação de projetos e aos sistemas de moderação que estão na base dos seus algoritmos e dos modelos desenvolvidos, de modo a permitir um consentimento esclarecido aos utilizadores.

Igual responsabilidade é pedida aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm a função de zelar pelo respeito da dignidade humana. Uma adequada regulamentação pode proteger as pessoas duma ligação afetiva com os chatbots e conter a disseminação de conteúdos falsos, manipuladores ou deturpados, preservando a integridade da informação face à sua simulação enganosa.

Por sua vez, as empresas dos mass media e da comunicação não podem permitir que algoritmos orientados para vencer a qualquer custo a batalha por alguns segundos de atenção a mais prevaleçam sobre a fidelidade aos seus valores profissionais, voltados para a busca da verdade. A confiança do público conquista-se com a precisão e a transparência, não com a corrida por uma participação qualquer. Os conteúdos gerados ou manipulados pela IA devem ser sinalizados e claramente distinguidos dos conteúdos criados por pessoas. A autoria e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e outros criadores de conteúdo devem ser protegidas. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e num elevado padrão de qualidade.

Todos somos chamados a cooperar. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável.

O objetivo da educação é este: aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável.

Precisamente por isso, cada vez mais, é urgente introduzir também, em todos os níveis dos sistemas educativos, a literacia para os meios de comunicação social, a informação e a IA, que algumas instituições civis já estão a promover. Como católicos, podemos e devemos dar o nosso contributo, para que as pessoas – especialmente os jovens – adquiram a capacidade de pensamento crítico e cresçam na liberdade do espírito. Esta literacia deveria ainda ser integrada em iniciativas mais amplas de educação permanente, alcançando igualmente os idosos e os membros marginalizados da sociedade, que muitas vezes se sentem excluídos e impotentes perante as rápidas mudanças tecnológicas.

A literacia para os meios de comunicação, a informação e a IA ajudará todos a não se adaptarem à tendência de antropomorfização destes sistemas, mas a tratá-los como ferramentas, a recorrer sempre a uma validação externa das fontes – que podem ser imprecisas ou erradas – fornecidas pelos sistemas de IA, a proteger a própria privacidade e os próprios dados, conhecendo os parâmetros de segurança e as opções de reclamação. É importante educar e educar-se para utilizar a IA de forma intencional e, neste contexto, proteger a própria imagem (fotos e áudio), o próprio rosto e a própria voz, para evitar que sejam utilizados na criação de conteúdos e comportamentos prejudiciais, como fraudes digitais, ciberbullying, deepfake, que violam a privacidade e a intimidade das pessoas sem o seu consentimento. Assim como a revolução industrial exigiu uma alfabetização mínima para permitir que as pessoas reagissem às novidades, também a revolução digital exige uma literacia digital (com uma formação humanística e cultural) para compreender como os algoritmos moldam a nossa perceção da realidade, como funcionam os preconceitos da IA, quais são os mecanismos que determinam o aparecimento de determinados conteúdos nos nossos fluxos de informação (feeds), quais são e como podem mudar os pressupostos e modelos económicos da economia da IA.

É necessário que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa. É necessário preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a inovação tecnológica.

Ao propor estas reflexões, agradeço a todos aqueles que estão a trabalhar para os objetivos aqui apresentados e, de coração, abençoo quantos trabalham para o bem comum através dos meios de comunicação.

Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2026.

LEÃO XIV PP.


[1] «Ter sido criado à imagem de Deus significa que foi impresso no homem, desde o momento da sua criação, um carácter régio [...]. Deus é amor e fonte de amor: o divino Criador também colocou esta característica no nosso rosto, para que, através do amor – reflexo do amor divino –, o ser humano reconheça e manifeste a dignidade da sua natureza e a semelhança com o seu Criador» (cf. São Gregório de Nissa, A criação do homem: PG 44, 137).

Estudo mostra que notícias falsas estão no DNA da extrema‑direita

Cimeira da extrema-direita europeia em Madrid (2025)

O estudo “Quando os partidos mentem? Desinformação e populismo da direita radical em 26 países”, publicado na revista científica The International Journal of Press/Politics, revela que extrema-direita é significativamente muito mais propensa a disseminar notícias falsas nas redes sociais do que qualquer outro campo político.

Os cientistas holandeses dedicaram-se ao estudo das publicações feitas entre 2017 e 2022 na rede social X por todos os parlamentares de 26 países. Nestes se incluem 17 membros da União Europeia, mas não Portugal, para além de países como os EUA, o Reino Unido e a Austrália. Um total de 8.198 deputados ou equivalentes e 32 milhões de publicações. As ligações a páginas partilhadas pelos deputados, cerca de 18 milhões, foram depois comparadas com as páginas utilizadas por serviços de “fact-checking”, a verificação de factos, e de monitorização de notícias falsas, analisando a fiabilidade das fontes. Os dados mostram que a extrema-direita é “o determinante mais forte para a propensão a espalhar desinformação”, sendo que deputados dos outros campos políticos, da direita até à esquerda mais radical “não estão ligados” a esta prática.

A conclusão, portanto, é que “a desinformação política deve ser entendida como parte integrante da atual onda de populismo radical de direita e da sua oposição à instituição democrática liberal”.

Afastada fica a teoria de que a desinformação era parte de uma prática política “anti-elitista” identificada como “populismo” já que partidos e parlamentares de esquerda que tinham sido como tal identificados não se dedicam à disseminação de mentiras.

Outra das ideias que se podem retirar da investigação é a “relação simbiótica” entre extrema-direita e uma constelação de meios de comunicação social ditos “alternativos” que têm servido precisamente para fortalecer este tipo de mensagens ideológicas baseadas na exclusão e na hostilidade para com as instituições democráticas.

Um dos co-autores do estudo, Petter Törnberg, da Universidade de Amesterdão, sintetiza que “os populistas da direita radical estão a utilizar a desinformação como ferramenta para desestabilizar as democracias e ganhar vantagem política”. Ele defende que é “urgente que decisores políticos, investigadores e público compreendam e lidam com as dinâmicas interligadas da desinformação e do populismo de direita radical”.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Novo relatório revela que escravidão moderna no Reino Unido atingiu níveis recorde

A escravatura no Reino Unido atingiu níveis recorde e a expectativa é que se agrave na próxima década, alertou a comissária independente do governo para o combate à escravatura.

Esse número aumentou mais de 50% nos últimos cinco anos e está a acontecer com pessoas cada vez mais jovens

De acordo com o número de denúncias encaminhadas para o mecanismo nacional de encaminhamento, que avalia as potenciais vítimas de escravatura e lhes oferece apoio, os números quase duplicaram nos últimos cinco anos, passando de 12.691 denúncias em 2021 para 23.411 em 2025, o número mais elevado alguma vez registado.

No seu relatório, publicado na terça-feira, Eleanor Lyons afirmou que este aumento não se deve apenas à melhor detecção da escravatura, mas também ao agravamento das condições no Reino Unido e em todo o mundo.

“A pobreza, a instabilidade global, os conflitos, a deslocação global de pessoas e a rutura das rotas migratórias seguras estão a criar um fluxo crescente de vulnerabilidades que os traficantes exploram rapidamente”, lê-se no relatório, Antecipando a Exploração: Uma Análise Baseada em Projeções Futuras. O relatório reuniu pesquisas compiladas por mais de 50 especialistas de diferentes áreas, incluindo segurança pública, governo, sociedade civil e organizações sem fins lucrativos, e é a primeira análise abrangente e prospetiva sobre como a escravatura moderna e o tráfico humano provavelmente evoluirão no Reino Unido na próxima década.

Lyons afirmou que, a menos que o Reino Unido tome medidas, a situação poderá agravar-se ainda mais com a utilização da inteligência artificial para ampliar e profissionalizar a exploração; o aumento do uso de trabalho digital em esquemas fraudulentos – como atrair pessoas para fraudes de investimento e romance; e a integração de criptomoedas em modelos de tráfico.

O relatório também expressou preocupação com o crescimento contínuo das plataformas da economia gig, o trabalho coercivo em áreas como a agricultura, a construção civil e a mineração, e o aumento da escravatura reprodutiva, como a recolha forçada de óvulos e a gestação de substituição.

Lyons instou os ministros a aumentar o financiamento das unidades policiais especializadas para que possam combater a exploração, processar mais empresas que exploram ou escravizam trabalhadores e lançar uma campanha nacional para ajudar o público a reconhecer e denunciar a exploração. Pediu ainda ao governo que melhore o atendimento às vítimas.

O relatório alertou que, sem medidas urgentes, as redes criminosas tornar-se-ão mais astutas, menos visíveis e mais difíceis de desmantelar. “A escravatura e as formas mais terríveis de exploração estão a tornar-se mais disseminadas neste país e a evoluir mais rapidamente do que conseguimos reagir”, disse Lyons.

“À medida que a exploração se torna mais complexa e oculta, impulsionada pela tecnologia e pela instabilidade global, irá espalhar-se ainda mais e tornar-se mais difícil de travar, a menos que ajamos agora”.

Um relatório de avaliação separado, também publicado na terça-feira pelo influente grupo de peritos em tráfico de seres humanos do Conselho da Europa, o GRETA, destacou um aumento acentuado do número de potenciais vítimas de tráfico.

Embora os especialistas tenham elogiado uma série de medidas tomadas pelas autoridades do Reino Unido nos últimos anos para combater o tráfico de seres humanos, como a de não responsabilizar as vítimas por actos criminosos que foram forçadas a cometer pelos seus traficantes, instaram o Reino Unido a adoptar uma série de outras medidas para alinhar plenamente as leis, políticas e práticas de combate ao tráfico de pessoas do país com a Convenção sobre a Acção contra o Tráfico de Seres Humanos.

O relatório destacou a necessidade de mais recursos, maior priorização e melhor coordenação entre as forças policiais e outras agências, bem como o reforço das investigações financeiras.

Acrescentou ainda que são necessárias mais salvaguardas para prevenir o tráfico de pessoas para exploração laboral, bem como o tráfico de pessoas de grupos vulneráveis ​​– incluindo crianças, migrantes, requerentes de asilo e pessoas sem-abrigo.

Um porta-voz do Ministério do Interior afirmou: “A escravatura moderna é um flagelo global que abusa e explora pessoas para obter lucro. Estamos empenhados em rever o sistema de combate à escravatura moderna para reduzir as oportunidades de abuso do sistema, garantindo, ao mesmo tempo, que temos as proteções adequadas para quem delas necessita.

Estamos a trabalhar com sobreviventes corajosos para fundamentar o desenvolvimento de políticas e melhorar o processo de identificação de vítimas. Também tomámos medidas imediatas para reduzir o atraso nos processos, garantindo que as vítimas obtêm decisões rápidas e o apoio necessário para reconstruir as suas vidas.”

Se você suspeita de algum caso de tráfico humano, é vital denunciar.
Portugal: Ligue 808 257 257 (Linha de Apoio à Vítima), contacte a PJ/PSP local ou ainda a AIMA 

sábado, 9 de maio de 2026

Anúncios de emprego falsos: qual é a probabilidade de ser enganado na Europa?


Quase um em cada três recrutadores é vítima de roubo de identidade, de acordo com uma nova investigação, com a Geração Z a ser vítima de anúncios falsos de oportunidades de emprego que "parecem demasiado escassas para deixar passar", apesar de serem claros sinais de alerta.

Os anúncios de emprego falsos tornaram-se um problema grave na Europa, com novos casos registados regularmente em todo o continente.

Nos últimos anos, a Europol e os governos nacionais têm vindo a exortar os candidatos a emprego a serem mais cautelosos, num contexto de aumento acentuado das tentativas de fraude, sobretudo em plataformas online.

À medida que a IA e os deepfakes tornam as ameaças ainda mais difíceis de detetar, o LinkedIn tem estado a investigar a questão e descobriu que quase um em cada três responsáveis por recrutamento no Reino Unido e na Alemanha foi vítima de roubo de identidade com o objetivo de enganar potenciais candidatos.

A investigação foi realizada com um total de 4.000 pessoas e partilhada com o Europe in Motion.

Como é que os falsos empregadores conduzem as suas burlas?
A principal tática utilizada pelos burlões consiste em pedir às vítimas que paguem despesas adiantadas, especialmente por empregos no estrangeiro que não existem.

As desculpas são variadas e vão desde verificações de antecedentes a taxas de pedido de visto e custos de formação e de integração, bem como de equipamento como telefones e computadores portáteis.

Cerca de 43% dos candidatos a emprego da Geração Z no Reino Unido afirmaram que quase foram vítimas de burlas de emprego em geral, enquanto 31% afirmaram que foram efetivamente burlados.

Os números são ligeiramente inferiores, mas ainda assim significativos, na Alemanha, com cerca de um em cada três candidatos da Geração Z a afirmar que esteve perto de ser vítima de uma burla.

Quem são as vítimas mais frágeis?
As preocupações com a falta de emprego aumentam ainda mais o risco.

Apesar de os jovens candidatos terem frequentemente fortes competências digitais, muitos ainda ignoram os sinais de alerta devido ao medo de perder oportunidades e ao elevado custo de vida, o que faz com que a Geração Z tenha 3,7 vezes mais probabilidades de ser burlada do que a Geração X, de acordo com a investigação do LinkedIn.

Este facto é também consistente com outros relatórios que indicam que os jovens são o grupo "favorito" para serem vítimas de burla.

"Em toda a Europa, estamos a assistir a um ambiente de contratação mais difícil, com uma diminuição das contratações em muitos mercados europeus. Este facto pode deixar os candidatos a emprego mais vulneráveis", disse ao Europe in Motion Oscar Rodriguez, vice-presidente de "Product Trust" no LinkedIn.

"A urgência pode levar os candidatos a emprego a não verem alguns dos sinais de alerta mais comuns, e é por isso que estamos a investir em ferramentas e proteções que ajudam os membros a tomar decisões mais informadas sobre a credibilidade, e a acrescentar passos para encorajar os membros a fazer uma pausa e a refletir durante a procura de emprego".

Atualmente, mais de 100 milhões de profissionais e mais de 700.000 responsáveis de recrutamento verificaram os seus perfis no LinkedIn.

Que sinais de aviso deve procurar?
Para além de quaisquer pagamentos adiantados ou da falta de contexto suficiente ao longo da comunicação, os candidatos devem estar atentos a pessoas que solicitem informações sensíveis no início do processo de seleção e que o apressem excessivamente a tomar uma decisão.

Acima de tudo, é crucial navegar no site da empresa para verificar a sua legitimidade, bem como a existência da vaga e do responsável em questão, antes de passar à fase de candidatura.

Na sua investigação, o LinkedIn constatou que quase metade dos recrutadores no Reino Unido e na Alemanha foram contactados proativamente por candidatos a emprego para verificar se uma função era genuína.

A grande maioria dos responsáveis (67%) admite, no entanto, que a criação de confiança se tornou mais difícil.

É por isso que "muitos também estão a ser mais transparentes sobre o emprego, a empresa e o processo desde o início", diz Rodriguez, porque sabem que os candidatos estão a analisar o alcance com mais cuidado.

Onde é que as pessoas estão mais em risco e qual é o impacto financeiro?
Outro estudo, efetuado pela empresa de tecnologia financeira Revolut, analisou a escala das burlas de emprego relativamente a todos os casos de fraude comunicados à empresa em vários países europeus.

Embora a taxa não seja tão elevada como a de outros tipos de fraude, como as relacionadas com compras ou investimentos, as candidaturas falsas continuam a representar uma parte significativa.

A Roménia está em primeiro lugar, com quase um quinto de todas as fraudes, seguida da Espanha (12%) e do Reino Unido (8%), enquanto a maioria dos países ronda os 4% ou 5%.

No entanto, o impacto financeiro relativo a todas as fraudes é muito maior do que o simples número de casos poderia sugerir, 10% em média nos países inquiridos.

Nos casos mais graves, a fraude no emprego representa 20% de todas as perdas financeiras relacionadas com a burla em Portugal, 19% no Reino Unido, 18% em Itália e 16% na Alemanha e na Roménia.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Da censura editorial à algorítmica: o legado de "A Manipulação do Público"


A obra "A Manipulação do Público" estabeleceu que a comunicação de massa não serve apenas para informar, mas para moldar o pensamento de acordo com os interesses das elites. Na era das redes sociais, os cinco filtros de Chomsky e Herman não desapareceram; tornaram-se mais rápidos, granulares e, acima de tudo, personalizados.

1. O Algoritmo como gestor de atenção
No modelo original de "A Manipulação do Público", a curadoria do que era "noticiável" residia nas mãos de editores humanos, cujas decisões eram balizadas por linhas editoriais e interesses corporativos claros. Hoje, esse papel de porteiro da realidade foi delegado ao código. O filtro algorítmico não opera com base em critérios de verdade ou interesse público, mas sim na metrificação da atenção.

Como o modelo de negócio das grandes plataformas depende do tempo de permanência do utilizador, o algoritmo privilegia conteúdos que geram conflito e indignação. Estas emoções, por serem neuroquimicamente mais viciantes, garantem que o utilizador se mantenha ligado à plataforma por mais tempo. O efeito secundário desta lógica é a criação de "bolhas" informativas: o sistema entrega a cada indivíduo uma versão da realidade que confirma os seus preconceitos, eliminando o contraditório e tornando o diálogo impossível.

O resultado é uma fragmentação social sem precedentes. A visão sistémica do poder -  necessária para compreender como as instituições funcionam e como podem ser questionadas - é substituída por narrativas polarizadas e personalizadas. Ao vivermos em realidades paralelas, perdemos a capacidade de alcançar um consenso social alargado sobre factos básicos, o que imobiliza qualquer tentativa de resistência coletiva. A "manipulação" moderna não consiste em dizer ao público o que pensar, mas em garantir que os diferentes segmentos do público nunca consigam pensar juntos.

2. A Publicidade de Precisão (Microtargeting): a engenharia das vulnerabilidades
A dependência da publicidade, que Chomsky e Herman identificaram como um filtro vital para a sobrevivência dos meios de comunicação tradicionais, atingiu um novo e inquietante patamar com o advento do Big Data. No modelo do século XX, a publicidade era uma "bomba de fragmentação": uma mensagem única lançada para uma massa uniforme, na esperança de capturar a atenção de uma percentagem do público. Hoje, a manipulação é cirúrgica e individualizada.

Através da recolha massiva de dados — que inclui desde o histórico de compras até padrões de sono e localização — o sistema já não comunica com um "público", mas com perfis psicológicos granulares. O consentimento é agora fabricado através de campanhas invisíveis de microtargeting. Isto significa que duas pessoas sentadas no mesmo sofá podem receber narrativas políticas ou corporativas opostas sobre o mesmo tema, cada uma desenhada para explorar as suas vulnerabilidades, medos ou desejos específicos.

Esta evolução altera a natureza da propaganda. Se antes a manipulação era visível e passível de ser debatida no espaço público, agora ela ocorre na esfera privada do ecrã individual. O perigo reside no facto de estas perceções serem moldadas de forma subliminar; o alvo raramente percebe que a informação que está a consumir foi otimizada para contornar as suas defesas racionais. Ao transformar o cidadão num conjunto de pontos de dados, o filtro da publicidade moderna consegue fabricar um consentimento que não nasce da argumentação, mas da estimulação psicológica pré-consciente, tornando a resistência intelectual muito mais difícil de exercer.

3. O Novo "Flak": o disciplinamento digital e o silenciamento invisível
No modelo original de "A Manipulação do Público", o Flak manifestava-se como uma resposta barulhenta e institucional: processos judiciais, cartas de protesto ou editoriais de ataque agressivo. Na era digital, este filtro tornou-se descentralizado e muito mais sofisticado. Hoje, o Flak opera em duas frentes complementares: o ataque público coordenado e o silenciamento algorítmico invisível.

A primeira frente é a da retaliação instantânea. O filtro da pressão deixou de ser exclusivo das elites para se tornar uma ferramenta de massa através do "cancelamento", de campanhas de difamação e do uso de exércitos de bots. Jornalistas ou figuras públicas que ousem desafiar as narrativas hegemónicas enfrentam uma avalanche de ataques que funciona como uma ferramenta de disciplina social, gerando um clima de autocensura digital permanente.

Contudo, é no mundo dos algoritmos que o Flak assume a sua forma mais insidiosa através do Shadowbanning. Esta ferramenta permite que o sistema discipline vozes dissidentes sem necessidade de as banir formalmente. O utilizador continua a publicar, mas o seu alcance é artificialmente reduzido ou limitado apenas aos seus seguidores mais próximos. É a forma definitiva de censura na era da abundância: não se apaga a mensagem, mas garante-se que ela se perde na imensidão do ruído.

A grande eficácia desta mutação reside na sua invisibilidade. Enquanto o banimento direto gera revolta e cria "mártires" da liberdade de expressão, o shadowbanning neutraliza a influência do indivíduo de forma silenciosa. Ao não receber o retorno habitual, o produtor de conteúdos é levado a acreditar que o seu discurso perdeu interesse ou relevância, minando a sua vontade de persistir. Assim, o sistema não só pune a dissidência, como a torna irrelevante sem nunca ter de assumir o papel de censor.

4. A barreira do custo e as fontes
A observação de que a média depende de fontes oficiais por serem "baratas" ganhou um contorno irónico na Internet. Atualmente, a informação de qualidade está frequentemente protegida por paywalls (muros de pagamento), enquanto a desinformação e a propaganda estatal ou corporativa são gratuitas e de fácil acesso. Isto cria uma desigualdade informacional profunda: quem não pode pagar pelo jornalismo independente acaba por ser o alvo mais fácil para a manipulação através de conteúdos gratuitos de baixa qualidade.

Filtro de "A Manipulação do Público"Adaptação para a Era Digital
PropriedadeConcentração de poder nas Big Techs (Google, Meta, etc.).
PublicidadeEconomia da atenção e exploração de dados individuais.
FontesInfluenciadores, grupos de fachada e Astroturfing.
FlakLinchamento virtual, censura algorítmica e ataques de bots.
IdeologiaPolarização extrema e o "Nós contra Eles" das guerras culturais.
A grande ironia contemporânea reside no facto de termos a ilusão de uma escolha infinita quando, na verdade, os filtros digitais tornaram o comportamento humano mais previsível e manejável do que nunca. O "consentimento" de hoje não é imposto; é extraído através do nosso próprio envolvimento digital.

Esta evolução do modelo de "A Manipulação do Público" revela que a arquitetura do controlo social sofreu uma mutação: passámos de um sistema de exclusão para um de saturação. No paradigma de 1988, o poder exercia-se pela escassez; como o espaço nas colunas dos jornais e o tempo de antena televisivo eram recursos finitos, os filtros operavam decidindo o que era silenciado. No entanto, na era digital, o controlo é exercido pela abundância. O algoritmo raramente se dá ao trabalho de esconder a informação dissidente; em vez disso, soterra-a sob uma avalanche de entretenimento efémero, notícias irrelevantes e ruído constante. O consentimento já não nasce do silêncio imposto, mas de uma distração perpétua que impede a reflexão profunda.

Paralelamente, a dependência de fontes oficiais, que Chomsky identificou como um filtro vital, deu lugar ao fenómeno do Astroturfing. Esta é a versão digital da manipulação de base: criam-se movimentos que aparentam ser espontâneos e populares (grassroots), mas que são, na realidade, orquestrados e financiados por grandes corporações ou interesses políticos. Através de exércitos de perfis falsos e influenciadores contratados, gera-se a ilusão de um consenso esmagador. O efeito psicológico no indivíduo é devastador: ao sentir-se isolado na sua opinião, o cidadão tende a ceder à pressão da "maioria" artificial, um fenómeno conhecido como a espiral do silêncio, agora potenciado por algoritmos.

A mudança mais radical, contudo, reside na transição de um sistema reativo para um sistema preditivo baseado na psicometria. Se a propaganda tradicional tentava convencer o público após o facto, o modelo atual antecipa-se. Através da análise minuciosa de cada like, do tempo de visualização e até da velocidade com que percorremos o ecrã (scroll), as plataformas constroem perfis psicológicos que nos conhecem melhor do que nós próprios. Este filtro invisível consegue prever quais as narrativas que nos farão mudar de opinião ou que gatilhos emocionais despertarão a nossa indignação. Assim, o consentimento é "fabricado" de forma preventiva, moldando a nossa perceção antes mesmo de termos consciência de que estamos a formar uma ideia sobre o assunto. No fim, a liberdade de escolha torna-se uma miragem dentro de um sistema que já calculou todas as nossas reações possíveis.