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terça-feira, 2 de junho de 2026

Microsoft unveils seven homegrown AI models in new bid for ‘long term self-sufficiency’


Microsoft has based much of its AI business on models from OpenAI, before expanding more recently to Anthropic. On Tuesday, the company showed how it plans to rely less on both.

At the Build developer conference, the Microsoft AI Superintelligence Team unveiled a family of seven models built from scratch. It’s part of an ongoing effort by the company to build credible in-house alternatives to models from partners and rivals with competing allegiances.

“This is all about long term self-sufficiency for Microsoft and our partners. It’s about models you can trust,” wrote Mustafa Suleyman, CEO of Microsoft AI, in a post announcing the models.

Microsoft is OpenAI’s largest backer, having invested a cumulative total of $13 billion in the ChatGPT maker over multiple funding rounds. The company last year announced an investment of up to $5 billion in Anthropic, and later integrated its technology into a Copilot Cowork AI assistant.

However, Anthropic is also backed by Microsoft rivals Google and Amazon, and OpenAI is increasingly cozy with Amazon — showing the need for Microsoft to control its own AI destiny.

The flagship of the seven newly announced MAI models is MAI-Thinking-1, a reasoning model that Microsoft says draws even with Anthropic’s Claude Sonnet 4.6 in blind human testing, and matches the more capable Claude Opus 4.6 on a widely used coding benchmark.

Suleyman stressed that MAI-Thinking-1 was trained from the ground up with no distillation from other companies’ models, looking to appeal to enterprises that care about clean data lineage.

It’s available in private preview on Microsoft Foundry, where the company also hosts the latest models from OpenAI and Anthropic, including the recently released Claude Opus 4.8.

Microsoft AI also released MAI-Code-1-Flash, a 5-billion-parameter coding model now rolling out in Visual Studio Code and GitHub Copilot, and MAI-Image-2.5, which Microsoft says ranks second on a leading image-editing leaderboard, ahead of Google’s Nano Banana Pro.

The full set of models spans image, voice, transcription, coding and reasoning.

Saber mais:

Inside Microsoft’s Project Solara: A new platform for devices that run AI agents instead of apps

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Europa: de que forma os professores utilizam a IA na sala de aula e que país a usa mais?

A inteligência artificial (IA) está a tornar-se parte da vida quotidiana. As ferramentas e oportunidades oferecidas pelas principais empresas de IA cresceram rapidamente nos últimos anos. A educação não é exceção. Autoridades, professores ou académicos revelam como os alunos utilizam ferramentas como o ChatGPT para fazer os trabalhos de casa, incluindo ensaios. Ao mesmo tempo, a IA também oferece um apoio valioso aos professores.

Até que ponto os professores estão a utilizar a IA na Europa? Quais são os países mais avançados? E em que áreas os professores mais recorrem à IA?

Segundo o Teaching and Learning International Survey (TALIS) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o uso de IA por professores variou significativamente na Europa em 2024.

Entre 32 países, a percentagem de professores do ensino básico que utilizam a IA varia entre 14% em França e 52% na Albânia em 2024. A média na União Europeia (UE-22) é de 32%, enquanto na OCDE (27 países) é de 36%.

No inquérito, o uso de IA inclui fazer previsões, sugerir decisões ou criar texto. Abrange a utilização da IA no ensino ou para facilitar a aprendizagem dos alunos nos 12 meses anteriores ao inquérito.

Não se verificam padrões regionais fortes, embora, em geral, os países da Europa Ocidental tendam a ter uma menor utilização da IA pelos professores em comparação com os Balcãs Ocidentais e a Europa Oriental.

Além da Albânia, a percentagem de professores que utilizaram IA pelo menos uma vez atingiu dois em cada cinco ou mais em oito países/economias. As suas percentagens foram Malta (46), Chéquia (46), Roménia (46), Polónia (45), Kosovo (43), Macedónia do Norte (42), Noruega (40) e a região flamenga da Bélgica (40).

Os países com menor utilização da IA nas escolas foram a Bulgária (22%), Hungria (23%), a região francófona da Bélgica (23%), Turquia (24%), Itália (25%), Finlândia (27%), Montenegro (28%) e Eslováquia (29%).

Por que razão varia tanto a utilização de IA?
Um porta-voz da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) referiu que os governos adotaram posições políticas diferentes em relação à IA na educação, o que pode influenciar a consciencialização dos professores e o uso da IA na Europa.

"Alguns países foram mais proativos na implementação de estratégias nacionais de IA, que incluem o setor da educação, enquanto outros adotaram uma postura de cautela quanto à IA e ao uso de IA generativa nas salas de aula, estabelecendo regras mais rígidas dependendo da idade dos alunos", disse o porta-voz à Euronews Next.

Ruochen Li, gestor sénior de projetos na OCDE, observou que "as infraestruturas, as restrições tecnológicas, como as firewalls, as atitudes sociais em relação à utilização da tecnologia nas escolas e as políticas que podem incentivar ou desencorajar os professores a utilizar a IA" podem explicar as disparidades entre os países.

"Observamos uma relação forte, ao nível dos países, entre a quantidade de formação oferecida sobre o uso de IA e a sua utilização", disse à Euronews Next.

Ben Hertz e Antoine Bilgin, responsáveis pedagógicos e de investigação na European Schoolnet, salientaram que as grandes diferenças no uso de IA refletem o enquadramento político e a cultura educativa de cada país, com alguns a adotarem uma postura nacional de maior cautela.

"O acesso a apoio prático, como formação e infraestrutura, é também um acelerador crítico. Os dados do TALIS confirmam que, em sistemas com maior utilização de IA, os professores têm maior probabilidade de ter recebido formação profissional sobre o tema", explicaram Hertz e Bilgin à Euronews Next.

Por exemplo, França começou este ano a disponibilizar formação nacional em IA nas escolas públicas, o que ocorreu após a recolha dos dados do TALIS.

"Cautela, regras pouco claras e infraestrutura limitada são fatores que provavelmente explicam uma adoção mais lenta, sobretudo numa área nova e controversa como a IA", acrescentaram.

Motivos possíveis para estas diferenças incluem a existência e qualidade da formação, a carga de trabalho, a escassez de professores, a motivação pessoal e a curiosidade, segundo Martina Di Ridolfo, coordenadora de políticas no Comité Sindical Europeu de Educação (ETUCE).

Para que usam os professores a IA?
Entre os professores que usaram a IA, em média na União Europeia (UE-22), quase dois terços (65%) afirmam que a utilizam para aprender e resumir um tópico de forma eficiente, e 64% recorrem à IA para dar forma a planos de aula ou atividades. Estas duas percentagens mais altas indicam que a IA é usada sobretudo na preparação dos próprios professores.

Outros fins e respetivas percentagens:
  1. Ajudar alunos a praticar novas competências em cenários reais (49%)
  2. Apoiar alunos com necessidades educativas especiais (40%)
  3. Ajustar automaticamente a dificuldade dos materiais segundo as necessidades de aprendizagem dos alunos (39%)
  4. Gerar texto para feedback aos alunos ou comunicações com pais/encarregados de educação (31%)
  5. Analisar dados sobre participação ou desempenho dos alunos (29%)
  6. Avaliar ou classificar trabalhos dos alunos (26%)
Os resultados sugerem que os usos diretos em sala de aula ou voltados para os alunos são menos comuns. Os professores recorrem sobretudo à IA para a sua própria preparação, enquanto para as tarefas de avaliação são menos usadas. Hertz e Bilgin sugerem que muitos professores provavelmente utilizarão a IA sobretudo "nos bastidores", agora e num futuro próximo.

Ruochen, da OCDE, referiu que a IA pode apoiar os professores no trabalho administrativo, libertando tempo e energia para outras tarefas mais relacionadas com o ensino direto.

Que futuro para a IA nas escolas?
Os especialistas concordam que o uso de IA na educação está a crescer de forma constante e continuará a expandir-se. Alertam também que a utilização responsável, diretrizes claras e a consciência das possíveis desvantagens devem fazer parte desse progresso.

Hertz e Bilgin, da European Schoolnet, notaram que, com o tempo, os sistemas de IA poderão interagir mais diretamente com os alunos, por exemplo, propondo atividades personalizadas ou fornecendo feedback em tempo real.

"Mas os professores devem manter-se como o principal interlocutor entre o aluno e a tecnologia, para preservar a sua autonomia, supervisão ética e função de cuidado", disseram.

A UNESCO sublinha o papel central dos professores à medida que o uso de IA na educação se expande.

"As ferramentas de IA devem complementar, não substituir, os professores, e o seu uso deve alinhar-se com padrões éticos e objetivos educativos, preservando a autonomia e privacidade de professores e alunos", afirmou a porta-voz da UNESCO.

Antecipando um crescimento do uso da IA entre professores e alunos, sobretudo com ferramentas generativas, Di Ridolfo salientou outra preocupação: "Face à grave escassez de professores que enfrentamos na Europa, vemos riscos concretos de desqualificação e perda de competências na profissão", disse à Euronews Next.

Chamou ainda a atenção para uma limitação do inquérito da OCDE: os dados nada dizem sobre a frequência desse uso. Não indicam se os professores recorreram à IA regularmente ou se apenas a testaram algumas vezes.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Inteligência Artificial Geral (AGI): Previsões, riscos, desafios

Descobre o que é a Inteligência Artificial Geral (AGI), como se diferencia da IA atual e os grandes desafios técnicos, económicos e éticos que ainda precisam de ser superados para que se torne realidade.

Se já estás a explorar a inteligência artificial (IA), provavelmente já te deparaste com o termo AGI (Inteligência Artificial Geral) em discussões sobre o futuro da tecnologia. Talvez já tenhas visto previsões ousadas sobre máquinas que ultrapassam a inteligência humana ou debates sobre se a AGI está prestes a acontecer ou se ainda é um sonho distante.

A AGI pode automatizar quase todas as tarefas cognitivas, revolucionando setores como a saúde, a investigação e a robótica. Isto parece promissor — mas ainda é apenas teoria, e há muitos desafios técnicos, económicos e éticos pela frente.

Neste artigo, vais aprender o que é a AGI, como se diferencia da IA atual e os desafios que vamos enfrentar no caminho para que se torne uma realidade.

O que é a Inteligência Artificial Geral?
Em geral, a AGI é um sistema de IA avançado que consegue realizar qualquer tarefa intelectual que um humano consiga. Ao contrário dos modelos atuais de IA, que são considerados IA estreita ou aplicada (feita para tarefas específicas, como o reconhecimento de imagens ou o processamento de linguagem), a AGI teria uma capacidade de raciocínio, aprendizagem e adaptabilidade semelhante à dos humanos em vários campos. Isto significa que um sistema AGI seria capaz de:
  • Compreender e raciocinar como um humano em diferentes tarefas.
  • Aprender com a experiência, em vez de necessitar de volumes massivos de dados e de reajustes constantes.
  • Resolver problemas complexos e de vários domínios sem precisar de programação específica para isso.
A AGI tem várias definições, dependendo da perspetiva e do contexto. Embora todas coincidam em que deve ter habilidades cognitivas parecidas com as dos humanos, elas diferem naquilo em que focam a sua atenção. Aqui estão quatro dimensões importantes:

1. AGI funcional: baseada em capacidades
A definição funcional da AGI foca-se na capacidade de realizar qualquer tarefa intelectual em diferentes áreas. Não precisa de imitar os processos de pensamento humano, mas deve ser capaz de generalizar conhecimentos, adaptar-se a novos problemas e resolver tarefas sem a necessidade de um treino longo e exaustivo.

O foco é um sistema de IA que consiga alternar entre disciplinas — como diagnosticar condições médicas, programar e compor música — sem precisar de modelos separados para cada tarefa.

2. AGI cognitiva: inteligência parecida com a humana
Já a AGI cognitiva deve ser capaz de replicar o raciocínio humano, incluindo o senso comum, o pensamento abstrato e a compreensão contextual. Este tipo de AGI não só faria as tarefas, mas também entenderia o contexto, tal como um humano, utilizando a lógica, a criatividade e até a inteligência emocional.

Uma IA construída com base nesta definição seria capaz de manter conversas fluidas e com significado, entender piadas e resolver problemas da mesma forma que o cérebro humano faz naturalmente.

3. AGI com autoaprendizagem: melhoria autónoma
A AGI de autoaprendizagem é um sistema que se melhora a si próprio sem precisar de ajuda externa. Em vez de depender de conjuntos de dados predefinidos, este sistema experimentaria, descobriria novos conhecimentos e refinaria os seus próprios algoritmos para se tornar mais eficiente ao longo do tempo. Este tipo de AGI poderia realizar investigação científica de forma independente, criar novas teorias ou até mesmo alterar a sua própria estrutura para melhorar as suas capacidades.

4. AGI filosófica: autoconsciência
Por fim, a definição filosófica de AGI vai além da inteligência pura e foca-se numa IA que possui autoconsciência, emoções e, talvez, até consciência própria. Esta perspetiva sugere que a verdadeira AGI deve ser capaz de refletir sobre a sua existência, formar objetivos pessoais e ter pensamentos ou sentimentos subjetivos.

Se isto acontecer, esta IA poderá acabar por criar o seu próprio sentido de moralidade, demonstrar curiosidade ou até mesmo questionar-se sobre problemas existenciais, tal como nós fazemos.

O Espectro da AGI: AGI vs. IA Estreita
O espectro da AGI ajuda a categorizar a IA com base nas suas capacidades, adaptabilidade e autonomia. Geralmente, inclui as seguintes etapas:
  • ANI (Artificial Narrow Intelligence): Inteligência Artificial Estreita (ou Aplicada)
  • AGI (Artificial General Intelligence): Inteligência Artificial Geral
  • ASI (Artificial Superintelligence): Superinteligência Artificial
IA Estreita (ANI)
A IA estreita foi desenhada para executar tarefas específicas com muita eficiência, mas não consegue generalizar além dos dados com os quais aprendeu. Estes sistemas são excelentes numa área — como o processamento de linguagem, reconhecimento de imagem ou dobramento de proteínas —, mas não conseguem adaptar-se a tarefas totalmente novas sem um novo treino.

Esta fase inclui os modelos atuais de IA (como o GPT-4o ou o DeepSeek-R1), software para carros autónomos e algoritmos de recomendação. São ferramentas poderosas, mas limitadas a funções predefinidas.

A fase de transição em que os sistemas de IA se tornam mais multifuncionais e adaptáveis é frequentemente chamada de IA Ampla ou pré-AGI. Um sistema deste tipo seria capaz de lidar com diferentes tipos de tarefas sem precisar de um reajuste completo, mas ainda carece de autonomia e raciocínio real, já que segue estruturas de aprendizagem predefinidas em vez de resolver problemas por conta própria.

AGI
A AGI é uma IA hipotética que consegue pensar, aprender e raciocinar como um ser humano em qualquer tarefa intelectual. Ao contrário da IA estreita, seria capaz de generalizar o conhecimento, evoluir de forma independente e perseguir os seus próprios objetivos de forma autónoma, revolucionando indústrias e desafiando limites éticos e filosóficos.

Superinteligência Artificial (ASI)
Por fim, a Superinteligência Artificial (ASI) é um nível de IA que é muito mais inteligente do que a humanidade em todas as habilidades cognitivas e de resolução de problemas. Este é o tipo de IA que conhecemos dos filmes de ficção científica que, ao contrário da AGI, melhoraria a um ritmo exponencial, inovaria muito além da compreensão humana e poderia transformar setores e sociedades inteiras. Embora seja apenas uma visão de futuro, os riscos que acarreta já merecem ser discutidos.

Onde estamos agora
Atualmente, ainda nos encontramos firmemente na fase da IA estreita. Com os avanços recentes em modelos de raciocínio (como o OpenAI o3) e ecossistemas de agentes autónomos (como o Manus AI), estamos a transitar da IA estreita para a IA ampla. Mesmo assim, a AGI continua a ser um objetivo por alcançar, que exige avanços técnicos profundos em autoaprendizagem, generalização e raciocínio.

Dificuldades e Obstáculos para Alcançar a AGI
Atualmente, existem vários desafios económicos, técnicos e éticos que precisam de ser superados.

1. Desafios económicos
Não falta interesse em fazer a IA avançar. Os grandes players globais estão numa competição feroz para liderar a tecnologia, dominar o mercado e ganhar influência geopolítica. Em particular, a China e os Estados Unidos estão numa corrida que muitos comparam à corrida espacial entre os EUA e a União Soviética nos anos 60.

No entanto, o poder de processamento necessário para alcançar um raciocínio semelhante ao humano é colossal. A expansão dos centros de dados (data centers) e a complexidade crescente dos modelos vão disparar a procura por energia. Atualmente, os centros de dados que alojam modelos de IA já representam cerca de 1% a 1,5% do consumo global de energia — um número que aumentará drasticamente. Os custos de computação e a escalabilidade continuam a ser barreiras sérias, e a solução poderá passar por melhorar a eficiência e desenvolver fontes de energia alternativas.

2. Desafios técnicos
Do lado técnico, os obstáculos incluem a codificação do conhecimento implícito, a intuição e a retenção de memória a longo prazo.

Conhecimento Implícito: O senso comum, as relações de causa e efeito ou as normas sociais são coisas que os humanos assumem sem precisar de verbalizar. Nós interpretamos o mundo com base na experiência e em informação incompleta. Os sistemas de IA têm enorme dificuldade em codificar e recuperar este tipo de conhecimento que não está explicitamente escrito num texto.

Intuição: A intuição humana é difícil de formalizar. Depende do reconhecimento de padrões subconscientes e do raciocínio abstrato. Embora o deep learning (aprendizagem profunda) consiga aproximar-se de julgamentos intuitivos em tarefas específicas, falta-lhe o processo de aprendizagem autorreflexivo que nos permite refinar a intuição com o tempo.

Esquecimento Catastrófico: Ao contrário de nós, que acumulamos experiências e construímos conhecimento ao longo da vida, os modelos de IA têm dificuldade em reter e atualizar o que aprenderam sem precisarem de ser treinados de novo. Os sistemas atuais sofrem frequentemente de "esquecimento catastrófico", onde a introdução de novas informações pode apagar ou corromper o conhecimento adquirido anteriormente.

3. Desafios éticos
Garantir que a AGI esteja alinhada com os valores e objetivos humanos (o chamado problema do alinhamento) é um dos desafios mais urgentes. Os valores humanos são complexos, contraditórios e variam drasticamente entre diferentes culturas, sociedades e contextos, tornando quase impossível traduzi-los em regras matemáticas rígidas para uma máquina.

Riscos da AGI
O aparecimento de uma inteligência desta escala traz consigo riscos sociais profundos:
  1. Desemprego em massa: A capacidade da AGI de automatizar praticamente qualquer tarefa cognitiva pode destabilizar os mercados de trabalho globais a uma velocidade sem precedentes, exigindo uma reestruturação económica total.
  2. Preconceitos e enviesamento (Bias): Se uma AGI for treinada com dados históricos humanos que contêm preconceitos, ela pode perpetuar e amplificar discriminações sistémicas a uma escala global e com uma aparente "autoridade lógica".
  3. Riscos existenciais: Se um sistema se tornar autónomo, com capacidade de autoaprendizagem e mais inteligente do que os humanos, perder o controlo sobre as suas ações ou objetivos pode representar uma ameaça real para a própria sobrevivência da humanidade.
Conclusão
A Inteligência Artificial Geral já não pertence apenas ao domínio da ficção científica, mas o caminho para a alcançar está repleto de barreiras complexas. A transição da IA estreita para a AGI exigirá não só uma revolução na arquitetura de computadores e na eficiência energética, mas também um consenso global sem precedentes sobre ética, segurança e governação tecnológica.

terça-feira, 21 de junho de 2022

Karen Barad - Imaginações Materiais


Karen Barad é uma das mais influentes referências do pensamento contemporâneo. Com formação em física, tem trabalhado na área dos Estudos Feministas, Filosofia e História da Consciência, na Universidade de Califórnia, Santa Cruz. O seu livro, Meeting the universe halfway: Quantum Physics and the Entanglement of Matter and Meaning, é um ambicioso tomo com vastas implicações para vários campos das ciências naturais, ciências sociais e humanidades. Um reflexo direto dos seus estudos, que se centram nas áreas da filosofia continental, da filosofia da física, em particular dos impactos da física quântica no pensamento e nos estudos culturais e feministas. Nesta conferência, que partirá de uma nova compreensão da materialidade, estará também em conversa Romain Emma-Rose Bigé, investigadora, curadora, escritora que improvisa com danças contemporâneas experimentais e filosofias queer e transfeministas.

Anointed, o poema visual e sonoro de Kathy Kijiner que vais ouvir de seguida, é uma escolha de Karen para abrir algumas das suas conferências.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Literacia científica


O conceito de literacia científica ou literacia em ciência envolve conhecimento de conteúdo, compreensão de práticas científicas e compreensão da ciência como um processo social. A literacia científica ou literacia em ciência pode ser definida mais formalmente como "o conhecimento científico de um indivíduo e o uso desse conhecimento para identificar questões, adquirir novos conhecimentos, explicar fenómenos científicos e tirar conclusões baseadas em evidências sobre questões relacionadas com a ciência, a compreensão das características da ciência como uma forma de conhecimento e investigação humana, a consciência de como a ciência e a tecnologia moldam os nossos ambientes materiais, intelectuais e culturais e a vontade de se envolver em questões relacionadas com a ciência e com as ideias da ciência, como um cidadão reflexivo" [Fonte: quadro conceptual de referência da Organization for Economic Cooperation and Development (OECD)/Programme for International Student Assessment (PISA) 2009].

A literacia científica é importante porque a ciência e a tecnologia penetram cada vez mais em todos os aspectos da vida quotidiana e, portanto, a baixa literacia científica cria grandes problemas de cidadania.

Além de preparar os alunos para vocações de base científica e tecnológica, a educação tem como um dos seus grandes objetivos aumentar a literacia científica cívica dos cidadãos. Ter um "stock" de capital humano bem versado em ciência e tecnologia auxilia na tomada de decisões informadas, na compreensão de diversas situações de risco-recompensa, bem como no desenvolvimento de atividades de Research and Development (investigação e desenvolvimento). 

Mesmo a qualidade das decisões políticas de saúde, nutrição e meio ambiente, tanto ao nível local como global, é altamente dependente do nível de interesse, informação e atitudes em relação à ciência e tecnologia.  

E-livros

Breve História dos MOOCs



Os MOOCs (Massive Open Online Courses) surgiram em 2008, no Canadá, quando George Siemens e Stephen Downes criaram cursos online abertos baseados no conectivismo, uma teoria de aprendizagem centrada nas redes, na colaboração e na construção coletiva do conhecimento. Estes primeiros cursos ficaram conhecidos como cMOOCs, caracterizando-se por uma forte interação entre participantes, uso de ambientes digitais diversos e aprendizagem distribuída. A partir de 2012, ano frequentemente designado como “o ano dos MOOCs”, deu-se uma expansão global deste modelo, impulsionada por grandes universidades como o MIT, Harvard e Stanford, que lançaram plataformas como a Coursera, a edX e a Udacity. Nesta fase consolidaram-se os xMOOCs, mais estruturados, com conteúdos sequenciais, vídeos expositivos e avaliações automatizadas, aproximando-se do modelo tradicional de ensino. Mais recentemente, os MOOCs têm evoluído com a sua integração em universidades e escolas, um uso crescente na formação profissional, o aparecimento de certificações pagas e microcredenciais, bem como o desenvolvimento de modelos híbridos que combinam ensino online e presencial.

MOOC

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Noam Chomsky - The Political Economy of the Mass Media


O livro a que se refere — cujo título exato é Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (1988), escrito por Noam Chomsky e Edward S. Herman — é uma das críticas mais influentes à forma como a grande imprensa opera nas democracias ocidentais, especialmente nos Estados Unidos.

A tese central que Chomsky defende é a de que os meios de comunicação de massa não funcionam como um contra-poder independente, mas sim como um sistema de propaganda que molda a opinião pública para defender os interesses económicos e políticos das elites.

Para explicar como isso acontece sem que haja censura estatal direta, eles criaram o "Modelo de Propaganda", que se baseia em 5 filtros pelos quais a informação tem de passar antes de chegar ao público:

Os 5 Filtros da Informação
  1. Propriedade e Dimensão: a maioria dos grandes meios de comunicação pertence a gigantescas corporações cujo objetivo principal é o lucro. Os seus interesses estão desalinhados com o jornalismo puramente independente.
  2. Financiamento por Publicidade: o verdadeiro cliente do jornal não é o leitor, é o anunciante. As notícias são o "isco" para vender a atenção do público às empresas que pagam a publicidade. Conteúdos que ameacem o ambiente de negócios tendem a ser marginalizados.
  3. Fontes de Informação Oficiais: para reduzir custos, os jornalistas dependem de fontes "fiáveis" e baratas: comunicados do governo, conferências de imprensa da polícia, Pentágono ou grandes empresas. Isto permite que o poder defina a narrativa.
  4. "Flak" (Fogo Cruzado/Disciplinação): se um jornalista ou canal sai da linha institucional, sofre pressões imediatas — processos judiciais, boicotes de anunciantes ou campanhas de difamação para o desacreditar.
  5. O Inimigo Comum (Ideologia Antagonista): Originalmente, Chomsky identificou o Anticomunismo como o grande filtro de controlo. Mais recentemente, este filtro foi adaptado para a "Guerra ao Terror", o "Medo ao Imigrante" ou a polarização extrema, criando um mecanismo de "nós contra eles" que mobiliza a opinião pública através do medo.
A essência da crítica: nas ditaduras, o controlo da população faz-se pela força (o bastão). Nas democracias, onde o Estado não pode usar a força bruta para calar os cidadãos, o controlo faz-se através da gestão do pensamento. O consentimento da população para políticas que muitas vezes a prejudicam é "manufaturado" (fabricado) pelos media.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Antero de Quental- Causa da decadência dos povos peninsulares


Discurso completo aqui
Dessa educação, que a nós mesmos demos durante três séculos, provêm todos os nossos males presentes. As raízes do passado rebentam por todos os lados no nosso solo: rebentam sob forma de sentimentos, de hábitos, de preconceitos. Gememos sob o peso dos erros históricos. A nossa fatalidade a nossa história,
Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos. Não sejamos, à luz do século XIX, espectros a que dá uma vida emprestada o espírito do século XVI. A esse espírito moral oponhamos francamente o espírito moderno. Oponhamos ao catolicismo, não a indiferença ou uma fria negação, mas a ardente afirmação da alma nova, a consciência livre, a contemplação directa do divino pelo humano (isto é, a fusão do divino e do humano), a filosofia, a ciência, e a crença no progresso, na renovação incessante da Humanidade pelos recursos inesgotáveis do seu pensamento, sempre inspirado. Oponhamos à monarquia centralizada, uniforme e impotente, a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal, dando-lhe um carácter radicalmente democrático, porque só ela é a base e o instrumento natural de todas as reformas práticas, populares, niveladoras. Finalmente, à inércia industrial oponhamos a iniciativa do trabalho livre, a indústria do povo, pelo povo, e para o povo, não dirigida e protegida pelo Estado, mas espontânea, não entregue à anarquia cega da concorrência, mas organizada duma maneira solidária e equitativa, operando assim gradualmente a transição para o novo mundo industrial do socialismo, a quem pertence o futuro. Esta é a tendência do século: esta deve também ser a nossa. Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito. O seu nome é Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, torná-la impossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mãos das armas. Em si, é um verbo de paz, porque é o verbo humano por excelência.
Meus senhores: há 1.800 anos apresentava o mundo romano um singular espectáculo. Uma sociedade gasta, que se aluía, mas que, no seu aluir-se, se debatia, lutava, perseguia, para conservar os seus privilégios, os seus preconceitos, os seus vícios, a sua podridão: ao lado dela, no meio dela, uma sociedade nova, embrionária, só rica de ideias, aspirações e justos sentimentos, sofrendo, padecendo, mas crescendo por entre os padecimentos. A ideia desse mundo novo impõe-se gradualmente ao mundo velho, converte-o, transforma-o: chega um dia em que o elimina, e a Humanidade conta mais uma grande civilização.
Chamou-se a isto o Cristianismo.
Pois bem, meus senhores: o Cristianismo foi a Revolução do mundo antigo: a Revolução não é mais do que o Cristianismo do mundo moderno.

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A suspensão das conferências do Casino

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