O Presidente do governo espanhol tem estado debaixo de “fogo amigo” pela sua dupla tomada de posição. Primeiro: condenação da guerra ilegal dos EUA e Israel contra o Irão, iniciada com a particular vilania, confessada sem pudor por Trump, de usar negociações como uma cilada para encontrar o melhor momento para assassinar o líder do regime e o maior número possível de seus colaboradores. Segundo: Recusa de Madrid em autorizar o uso das bases espanholas para o transporte de material norte-americano para o teatro da guerra.
Pedro Sánchez resiste sozinho na União Europeia. Já tinha ficado isolado, em 25 de junho de 2025, quando a NATO decidiu aprovar a absurda proposta do presidente norte-americano de aumentar o orçamento militar de cada Estado-membro para 5% do PIB. No rebanho manso dos líderes dos 32 países da Aliança Atlântico, só Sánchez ergueu a voz para afirmar que esse esforço belicista iria causar danos irreparáveis nos investimentos públicos na saúde, educação e apoio social de todos os países que o aplicassem, prejudicando a qualidade de vida dos cidadãos. Será muito difícil que seja apenas Sánchez a pensar aquilo que é óbvio, mas a verdade é que foi ele o único que teve a coragem de dizer o que pensa sem temer represálias de Trump. Essa coragem revelou, claramente, a profunda cobardia em que assenta a obediência do “Ocidente alargado” por tudo o que Washington diga, faça, ou obrigue os “aliados” a dizer e a fazer.
Os fundamentos da posição de Sánchez, contra o apoio ao ataque ilegal de Washington e Telavive a Teerão, são explicitados pelo próprio da seguinte forma: “Não à violação do direito internacional. Não a aceitar que o mundo só pode resolver os seus problemas através de conflitos e bombas. E, finalmente, não a repetir os erros do passado. A posição do governo de Espanha é esta: Não à guerra”. Perante isso, numa reunião com o Chanceler alemão F. Merz, dia 3 de março na Casa Branca, Trump insultou Sánchez e ameaçou cortar relações comerciais com Espanha. Merz, talvez o vassalo mais obediente de Trump, deu razão ao magnata-presidente na crítica a Sánchez, e reiterou a concordância alemã com a operação militar de mudança de regime em Teerão, afirmando que “O Irão não deve ser protegido pela lei internacional”.
Em Portugal, Durão Barroso, entrevistado pela RTP, com um sorriso trocista de quem se sente herdeiro de Metternich ou de Kissinger, acusava Sánchez de ter cometido um “erro grave”, ofendendo o macho dominante do Ocidente. Com a sua experiência de ter hospedado nas Lajes, em vésperas de guerra, os chefes de governo que em março de 2003 iniciariam a destruição do Iraque, sob o pretexto de mentiras tão grosseiras como as usadas hoje por Trump para destruir o Irão, Durão Barroso sentenciou: “A Europa não pode ser o único vegetariano num mundo de carnívoros”. Quando os europeus começarem a pagar o imenso preço económico da guerra de Trump e Netanyahu, talvez uma dieta de batata e couves seja a única alternativa para muita gente.
Na verdade, o que está em causa é algo de bem mais terrível. O início desta guerra, mostrou para todos os líderes políticos do mundo, que a palavra dos EUA não vale nada. O Presidente da paz, que combatia o intervencionismo de Biden e aspirava ao Nobel, enganou os eleitores do seu país e o mundo inteiro. Em especial, Xi e Putin nunca mais darão crédito a quem mata os chefes de Estado dos países com quem está em negociações de paz. Se não formos capazes, como afirma Sánchez, de recusar o caminho da violência, assumindo a via da diplomacia e do respeito pelos outros, indivíduos ou Estados (como exige a Carta das Nações Unidas), acabaremos por mergulhar numa guerra generalizada, culminando na destruição da civilização humana sob o impacto das 12 000 armas nucleares à espera de entrar na história.
Os infelizes que sobreviverem entre os escombros da última das guerras, vegetarão num inferno, sem destino nem salvação. A escolha dos sobreviventes não será entre serem vegetarianos ou carnívoros, mas entre morrerem à míngua ou cederem ao horror do canibalismo… O Ocidente transformou-se num vácuo moral e num deserto de inteligência. Este Portugal de Montenegro e Rangel (herdeiros de Costa), limita-se a colocar um tapete vermelho a todos os caprichos de Washington. Fomos um império. Hoje somos uma estação de combustível no meio do Atlântico. Uma colónia periférica de um Ocidente que promete terminar num crepúsculo explosivo. Sánchez é o único líder que tem a coluna direita, com pés assentes no realismo da prudência, sem abdicar de princípios universais, onde todos se possam acolher. Infelizmente, nesta Europa, que perdeu o rumo e a alma, Sánchez parece ser a exceção que confirma a regra.
Celebrado anualmente em 21 de fevereiro, o Dia Mundial da Língua Materna é muito mais do que uma data no calendário; é um lembrete de que o idioma que aprendemos no colo dos nossos pais é a base da nossa identidade, cultura e forma de ver o mundo.
A data foi proclamada pela UNESCO em 1999 e oficializada pela ONU em 2002.
Sabia que? O idioma Ubykh (Turquia), extinto em 1992, tinha um dos sistemas sonoros mais complexos do mundo. Com a sua morte, sons que o ser humano era capaz de produzir perderam-se para sempre na prática quotidiana.
O desaparecimento acelerado de idiomas no século XXI representa uma das maiores crises de património imaterial da humanidade. Segundo o relatório Ethnologue (2025/2026), aproximadamente 40% das 7.168 línguas catalogadas no mundo estão em risco de extinção, um fenómeno impulsionado pela globalização económica e pela hegemonia de idiomas transnacionais. O World Atlas of Languages da UNESCO (2025) reforça que esta perda não é meramente vocabular, mas sim a erosão de sistemas de conhecimento ecológico, histórico e espiritual únicos. No contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032), o foco global deslocou-se da simples documentação passiva para a revitalização ativa, onde o uso da língua materna na educação básica é apontado como o fator determinante para a sobrevivência de uma cultura.
A tecnologia tem desempenhado um papel ambivalente neste cenário. Se, por um lado, o mundo digital exclui línguas sem representação escrita ou técnica, por outro, surgem ferramentas inovadoras de salvaguarda. Projetos como o Woolaroo, do Google Arts & Culture, utilizam inteligência artificial para identificar objetos através da câmara e traduzi-los instantaneamente para idiomas ameaçados, como o Ibibio ou o Maia, criando uma ponte visual para as novas gerações. Outras plataformas, como o Indigenous Languages Digital Archive (ILDA) e a aplicação FirstVoices, permitem que comunidades isoladas criem os seus próprios dicionários de áudio e jogos educativos, garantindo que a fonética correta seja preservada mesmo quando o número de falantes nativos é reduzido.
A nível bibliográfico, os estudos de Crystal (2000) em Language Death continuam a ser a base teórica para compreender porque é que as línguas morrem, mas são os relatórios anuais da UNESCO (2024, 2025) que traçam o mapa atualizado da urgência. Estes documentos sublinham que a "morte" de uma língua ocorre habitualmente em três gerações: quando os avós a falam, os pais a entendem mas não a praticam, e os filhos a desconhecem por completo. Portanto, as ferramentas de gamificação e os arquivos digitais de livre acesso tornam-se, em 2026, as principais armas contra o silenciamento cultural, transformando dispositivos móveis em veículos de resistência linguística.
Referências e Relatórios Consultados:
Crystal, D. (2000). Language Death. Cambridge University Press.
Eberhard, D. M., Simons, G. F., & Robinson, A. J. (Eds.). (2026). Ethnologue: Languages of the World (29th ed.).
UNESCO (2025). World Atlas of Languages: Global Status Report on Linguistic Diversity.
United Nations (2022). Global Action Plan of the International Decade of Indigenous Languages (2022–2032).
Como estamos em Portugal, a análise do nosso território revela um contraste fascinante e preocupante entre a homogeneidade do português padrão e a resistência de pequenos enclaves linguísticos que lutam pela sobrevivência em 2026.
O Caso do Noroeste e Nordeste de Portugal
No interior de Portugal, a erosão linguística está diretamente ligada à desertificação humana. O Mirandês, a única língua regional oficialmente reconhecida (Lei n.º 7/99), entrou num período crítico. Segundo os relatórios mais recentes de monitorização da Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) e estudos da Universidade de Coimbra (2025), o número de falantes nativos fluentes desceu para menos de 5.000 pessoas. Embora o Mirandês seja ensinado nas escolas de Miranda do Douro, o desafio em 2026 é a "interrupção da transmissão geracional": os avós falam, mas os jovens, embora o entendam, optam pelo português no ambiente digital e social.
Mais a sul, na zona de Castelo Branco e Alentejo, temos casos de micro-línguas ou dialetos em estado terminal:
Minderico (Minde): Originalmente uma gíria de comerciantes (piação), evoluiu para uma língua complexa. Hoje, é classificada pela UNESCO como "criticamente em perigo", restando apenas algumas dezenas de falantes que dominam o léxico completo.
Barranquenho (Barrancos): Situado na fronteira, este idioma funde elementos do português e do espanhol (extremenho e andaluz). Em 2021, foi reconhecido como património cultural, mas a pressão dos meios de comunicação de massa em português padrão continua a diluir a sua pureza fonética.
O Contraste com a Amazónia (Brasil)
Se em Portugal o risco é a assimilação cultural, na Amazónia o risco é a extinção física e territorial. O Brasil abriga cerca de 180 línguas indígenas, mas o relatório "Línguas em Trânsito" (2025) indica que a maioria delas possui menos de 1.000 falantes.
Línguas Isoladas: Grupos como os Pirahã mantêm uma língua única, sem números ou cores abstratas, que desafia as teorias linguísticas de Noam Chomsky. Contudo, a pressão do garimpo ilegal e a desflorestação forçam o contacto, o que historicamente leva à rápida substituição da língua nativa pelo português por necessidade de sobrevivência.
Resistência Digital: Em 2026, assistimos a um fenómeno inverso: o uso de redes sociais (TikTok e Instagram) por jovens indígenas (como os das etnias Guajajara ou Puyanawa) para criar conteúdos nos seus idiomas originais. Esta "re-gramatização" digital está a despertar o interesse dos adolescentes pela língua dos avós, transformando o telemóvel numa ferramenta de orgulho identitário.
Bibliografia e Documentação Específica:
Ferreira, M. B. (2024). O Mirandês no Século XXI: Entre a Escola e a Rua. Coimbra: Almedina.
Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (2025). Inventário Nacional da Diversidade Linguística: Foco Amazónia.
Relatório ALCM (2026). Estado da Língua Mirandesa: Censo e Vitalidade.
UNESCO (2025). Interactive Atlas of the World's Languages in Danger (Edição Digital 2026).
Relatório ALCM (2026). Estado da Língua Mirandesa: Censo e Vitalidade.
Donald Trump afirmou que «Cuba não conseguirá sobreviver», ao assinar, em 29/01/2026, uma Ordem Executiva impondo novas sanções tarifárias aos países que fornecessem petróleo a Cuba.
Essa declaração apresenta um contraste evidente em relação à postura anteriormente adotada por Trump, que aparentou um certo humanismo perante a guerra Rússia-Ucrânia e destacou o desfecho do conflito Israel-Palestina, chegando mesmo a manifestar a este respeito, interesse na candidatura ao Prémio Nobel da Paz (aspiração posteriormente reconhecida através da distinção que a Corina Machado lhe atribuiu!).
Não deixa de ser positivo o propósito de pôr termo a essas duas agressões, numa aparente manifestação de respeito pela dignidade humana em toda a linha. Sabe-se, no entanto, que estes dois conflitos tiveram e continuam a ter subjacentemente todo um apoio logístico/militar dos EUA. Se, todavia, Trump enveredou recentemente pelo caminho de retração conciliatória é porque, no primeiro caso a Federação Russa tem demonstrado uma indesmentível superioridade, e, no segundo, o facto de as forças democráticas por esse mundo fora se terem manifestado contra a destruição e o genocídio levado a cabo pelo governo de Israel e suas Forças Militares. Subjacentemente, como aliás, tem sido realçado pelos falcões governativos americanos J. Vance e M. Rubio, lógico é que a América tire um certo lucro dos gastos efetuados, como as terras raras na Ucrânia e o os lucros de reconstrução e da Riviera em Gaza.
«Em pleno século XXI, resta, isso sim, afrontar esta nova ordem mundial engendrada pelo governo dos EUA, que mais não visa senão alcançar os seus propósitos num formato não compatível com a prática diplomática do diálogo e de negociação.»
Vem à laia referir que, é neste enquadramento que a União Europeia (UE) acabou por ser vítima da sua incúria política, de ambiguidade comportamental e seguidista à gesta americana. Da guerra da Ucrânia, longe de procurar alcançar vias de negociação política e diplomática, fomentou a intensificação da guerra, esgotando milhares de milhões de euros em empréstimos destinos à guerra. Por outro lado, alheou-se do conflito em Gaza, silenciando os valores de liberdade, do direito internacional e dos direitos humanos, nunca condenando as atrocidades praticadas contra o povo palestiniano.
Sucede porém que, numa altura em que se assiste mundialmente a campanhas e movimentos populares no sentido de paz e diálogo entre os homens e as Nações, surge o MAGA, de autoria do Trump, e que se tem revelado como um expediente chauvinista manhosamente engendrado através de expedientes para alcançar a riqueza à custa, ora de exploração económica de outros países, ora desrespeitando as normas do direito internacional e da soberania de Nações, ora, hostilizando a dignidade de organizações internacionais. Casos como o da exploração da Faixa de Gaza, das terras ricas da Ucrânia, o rapto do Presidente Nicolás Maduro, o aprisionamento de petroleiros estrangeiros, a pretensão à anexação da Gronelândia, a provocação ao Irão, a subalternização e desprezo dirigido à União Europeia, a saga das tarifas alfandegárias, o Conselho de Paz sobre Gaza a substituir a ONU e, mais recentemente, o desumano embargo de petróleo contra Cuba, são exemplos a ponderar.
Aqui se evidencia o maquiavelismo da gesta do Trump, já que parece não poupar esforços para atingir seus objetivos (fins justificam os meios), adotando práticas políticas marcadamente autoritárias e repletas de contradições. De facto, o mínimo de bom senso indica que não se pode defender a paz enquanto se criam focos de instabilidade política, ameaças de belicismo, desacreditando organismos como a ONU e tentativas de sufocar populações.
Em pleno século XXI, resta, isso sim, afrontar esta nova ordem mundial engendrada pelo governo dos EUA, que mais não visa senão alcançar os seus propósitos num formato não compatível com a prática diplomática do diálogo e de negociação. Anote-se a este propósito que, os países componentes do BRICS, titulares de economias florescentes e com estatura suficiente para rivalizar com América, têm estado à altura dos seus objetivos, quais sejam o do desanuviamento bélico, de desenvolvimento económico e de um relacionamento amigável entre as Nações. Tudo aconselharia por isso, que a UE e outros países da Europa, se autonomizassem da suserania americana, contribuindo decisivamente para a defesa de valores paz, de liberdade, de democracia, de bom entendimento entre as Nações que tanto prezam, mas cuja prática, até agora, fica muito a desejar.
A subsecretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, apelou, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao fim da guerra na Ucrânia, num momento em que os esforços diplomáticos permanecem bloqueados e o número de vítimas pode aproximar-se dos dois milhões.
Juntamente com a sua rede de dependências da coroa e territórios ultramarinos, o Reino Unido é o maior facilitador mundial de abusos fiscais transfronteiriços. Na verdade, a "teia de aranha" do Reino Unido, como é frequentemente conhecida, foi desenvolvida como um sistema global de extração económica durante a retirada do seu império colonial formal. Um novo documento entregue ao Comité para a Eliminação da Discriminação Racial expõe os impactos profundamente racializados desta injustiça, que prejudica os países maioritariamente não brancos do Sul Global, e o papel pernicioso que o Reino Unido está a desempenhar na tentativa de impedir os esforços de uma reforma significativa. O Reino Unido emergiu como um dos principais bloqueadores nas negociações sobre uma nova Convenção-Quadro sobre Cooperação Fiscal Internacional nas Nações Unidas, uma iniciativa apresentada pelo Grupo de África num esforço para resolver a pilhagem histórica e contínua das suas economias devido aos níveis maciços de abuso fiscal internacional. Fonte
O genocídio no Ruanda, ocorrido em 1994, foi uma das maiores tragédias humanitárias do século XX. em apenas 100 dias, estima-se que cerca de 800 mil a 1 milhão de pessoas foram brutalmente assassinadas. a esmagadora maioria das vítimas pertencia à minoria étnica tutsi, além de moderados da maioria hutu que se opunham à violência.
O contexto e as raízes do conflito
A divisão entre hutus (historicamente agricultores, a maioria da população) e tutsis (historicamente pastores, a elite minoritária) foi aprofundada durante o período colonial.
Colonização alemã e belga: o território começou por ser uma colónia alemã, mas passou para as mãos da Bélgica após a primeira guerra mundial. foram os belgas que transformaram a divisão social numa separação racial rígida, introduzindo bilhetes de identidade com indicação étnica na década de 1930 e favorecendo a minoria tutsi.
A inversão de poder (1959-1962): uma revolta hutu derrubou a monarquia tutsi e levou o país à independência. Milhares de tutsis fugiram para países vizinhos (como o Uganda) e formaram a frente patriótica ruandesa (RPF), um grupo rebelde armado.
O estopim (6 de abril de 1994): o avião do presidente ruandês, Juvénal Habyarimana (um hutu), foi abatido em Kigali. Extremistas hutus culparam imediatamente os rebeldes tutsis e iniciaram a matança organizada na manhã seguinte.
Como o genocídio aconteceu
Diferente de outros genocídios industrializados da história, o horror no Ruanda foi perpetrado de forma extremamente direta e descentralizada, mobilizando civis comuns.
Armas: a maior parte dos assassinatos foi cometida com catanas (facões), paus e enxadas.
Milícias interahamwe: o exército oficial foi apoiado por milícias civis extremistas chamadas interahamwe ("os que atacam juntos").
O papel da comunicação social: a estação de rádio estatal RTLM desempenhou um papel crucial, transmitindo discursos de ódio, identificando os tutsis como "baratas" e revelando esconderijos, nomes e matrículas de carros das pessoas a abater.
A inação internacional
Um dos aspetos mais marcantes e dolorosos do conflito foi a passividade do resto do mundo. a força de paz da ONU no terreno tinha ordens estritas para não intervir militarmente, servindo apenas como observadora.
Após a morte de 10 soldados belgas da ONU que protegiam a primeira-ministra ruandesa, a Bélgica retirou as suas tropas e o conselho de segurança da ONU reduziu o contingente militar no país para uma presença simbólica de menos de 300 homens, mesmo ciente do massacre em curso. Países como os EUA e a França evitaram ativamente classificar a situação como "genocídio" para não assumirem a obrigação legal de intervir.
O fim do conflito e consequências
O genocídio terminou em meados de julho de 1994, quando a frente patriótica ruandesa (RPF), liderada por Paul Kagame (que se tornou presidente do país), conseguiu avançar militarmente a partir do Uganda e capturar a capital, Kigali.
Êxodo em massa: temendo represálias do novo governo dominado por tutsis, cerca de 2 milhões de hutus fugiram para o vizinho Zaire (atual República Democrática do Congo), gerando uma crise humanitária monumental.
Justiça e reconciliação: o tribunal penal internacional para o Ruanda julgou os principais mentores do massacre. contudo, para lidar com a quantidade massiva de suspeitos locais, o governo recorreu aos tribunais comunitários tradicionais chamados gacaca, focados na confissão, no perdão e na reintegração comunitária.
Hoje, o Ruanda é um país amplamente pacificado, com uma economia de crescimento rápido e leis rigorosas que proíbem qualquer discurso baseado em divisões étnicas. o termo "hutu", "twa" ou "tutsi" foi abolido dos documentos oficiais; todos são agora, simplesmente, ruandeses.
Um livro essencial, publicado originalmente em 2005. Tem cerca de 550 páginas, por isso demora um pouco a lê-lo. Mas o fim da pobreza é possível. Para quem não conhece Jeffrey Sachs foi considerado pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Jeffrey D. Sachs foi director do Instituto da Terra (Earth Institute), é professor de Desenvolvimento Sustentável, de Políticas de Saúde e de Gestão na Universidade de Colúmbia, foi conselheiro especial do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan e director do Projecto Milénio da ONU, sendo internacionalmente reconhecido pelo seu trabalho como conselheiro económico de governos da América Latina, Europa de Leste, Ásia e África.
Sachs visitou mais de cem países e conviveu com todos os graus de pobreza, especialmente a miséria extrema das aldeias africanas assoladas pela fome, pela malária e pela SIDA.
Unindo a narração de histórias emocionantes (passadas principalmente na Bolívia, Polónia, Rússia, Índia, China e África) com análise rigorosa, Sachs explica como, nos últimos duzentos anos, a riqueza se tornou desigual no planeta e expõe os motivos que impedem as nações mais pobres de melhorar sua sorte. Ele também ensina a fazer um diagnóstico detalhado dos desafios económicos a serem enfrentados por um país e a descobrir as possíveis saídas, propondo soluções a curto prazo. Ao mesmo tempo, dirige duras críticas aos países ricos - em especial os Estados Unidos - e aos organismos financeiros internacionais.
Oito milhões de pessoas morrem todos os anos porque são demasiadamente pobres para sobreviver. "O Fim da Pobreza" traça um plano alternativo da forma como as podemos salvar.
Nesta obra, Sachs explica como a pobreza tem sido combatida e como, por meio de passos exequíveis, é possível fazer progressos reais junto daquela enorme fatia da Humanidade que continua a viver na miséria. De referir, como exemplo, a forma de estabelecer parcerias com os mais ricos, o pouco que isso custa e o modo como toda a gente pode ajudar.
O Dia Internacional da Batata vai passar a ser comemorado anualmente no dia 30 de Maio, por decisão da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão da Assembleia Geral da ONU resultou de uma proposta do Peru, com base na celebração do Ano Internacional da Batata em 2008 e na «necessidade de destacar o papel relevante da batata em enfrentar assuntos globais prevalentes, tais como a insegurança alimentar, a pobreza e as ameaças ambientais», explica a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A FAO considera esta iniciativa como «uma oportunidade de aumentar o reconhecimento de uma cultura que é consumida regularmente por milhares de milhões de pessoas e de importância global para a segurança alimentar e a nutrição». A Porbatata – Associação da Batata de Portugal já manifestou o seu entusiasmo com esta decisão da ONU, afirmando que «esta iniciativa global reconhece a batata como um pilar fundamental na alimentação e segurança alimentar, enfatizando o seu papel vital no combate à fome e na promoção de um desenvolvimento sustentável».
"Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma 'persona non grata' em Israel até que ele peça desculpas e se se retrate", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, nas redes sociais.
A expressão “persona non grata” é um instrumento jurídico utilizado em relações internacionais para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo.
Katz ainda afirmou que "a comparação do presidente brasileiro Lula entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas, que exterminaram 6 milhões de judeus, é um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto".
Em viagem a Etiópia no último final de semana, Lula definiu os ataques de Israel em Gaza como “genocídio” e “chacina”. Ele ainda cobrou uma postura diferente do Conselho de Segurança da ONU.
"O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus", disse Lula.
Além disso, o ministro das Relações Exteriores de Israel convocou o embaixador do Brasil para uma reunião para debater a declaração de Lula.
Procurar justiça para todos os iraquianos afetados pelas atrocidades cometidas pelos membros do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, conhecido como Daesh, é o trabalho de Christian Ritscher.
Nesta quarta-feira, ele falou aos membros do Conselho de Segurança sobre o último relatório divulgado pela equipa que chefia, criada há cinco anos a pedido do Iraque.
Investigações
Segundo Christian Ritscher, a Equipa de Investigação da ONU para a Responsabilização por Crimes Cometidos pelo Daesh (UNITAD) continua a trabalhar para promover a responsabilização por crimes internacionais e apoiar o julgamento dos autores desses delitos em todo o mundo.
Ele também explicou a ação da equipa com as comunidades afetadas por crimes e sobreviventes dos ataques, bem como anciãos tribais e clérigos.
Ritscher também abordou o progresso das investigações para avaliar uma série de questões, incluindo o desenvolvimento e uso de armas químicas pelo Daesh, crimes contra crianças e muçulmanos sunitas, bem como ataques a cristãos além de investigações contínuas sobre atentados a yazidis e xiitas.
Crimes internacionais
O representante da ONU afirma que a cooperação com as autoridades iraquianas foi essencial para o trabalho, acrescentando que três pilares devem ser implementados para garantir que o sucesso seja alcançado: "tribunais competentes, provas aceitáveis e quadro jurídico adequado".
Para alcançar este objetivo, a Equipa de Investigação está empenhada em apoiar o processo liderado pelo Iraque “para estabelecer um quadro legal que permita que os crimes do Daesh sejam autuados como crimes internacionais perante os tribunais nacionais”.
Ritscher adiciona que a medida deve enquadrar a brutalidade dos ataques como crimes internacionais e não apenas como organização terrorista.
Longo trabalho
O chefe da investigação destacou que a cooperação com a Justiça iraquiana inclui o reforço da capacidade dos magistrados do país, trabalho contínuo e conjunto na construção de casos, além de um projeto de digitalização.
Até o momento, 8 milhões de páginas de documentos relacionados com o Estado Islâmico em posse das autoridades iraquianas e das autoridades da região do Curdistão foram digitalizados.
Ritscher elogiou o sucesso alcançado até agora, mas também alertou que o trabalho está longe de terminar: "O que queremos ver são julgamentos justos perante tribunais especializados no Iraque, com a participação ativa de vítimas e sobreviventes".
Ele acrescentou que a equipa está atualmente a trabalhar para fornecer apoio para investigações e julgamentos a 17 jurisdições de diferentes países.
O primeiro-ministro manifestou hoje apoio à intenção do Presidente eleito do Brasil organizar na Amazónia, em 2025, a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30) e afirmou ter esperança na conclusão do acordo Mercosul - União Europeia.
Estas posições foram transmitidas por António Costa em São Bento, durante uma conferência de imprensa com o Presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
“A Amazónia é uma causa global. Como disse o Presidente Lula, não é uma responsabilidade exclusiva do Brasil. É uma grande reserva da humanidade e por isso deve ser uma responsabilidade coletiva”, declarou o líder do executivo português.
A seguir, o primeiro-ministro salientou que, “se o Brasil pretende organizar a COP30 na Amazónia, seguramente com o apoio de Portugal contará, porque é muito importante que isso aconteça”.
António Costa aproveitou também para vincar a ideia de que, na sequência da vitória de Lula da Silva nas presidenciais brasileiras, o Brasil voltará a protagonizar uma posição em defesa do multilateralismo no plano diplomático.
“Temos de estar juntos no espaço da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), no espaço das Nações Unidas e nas grandes causas globais. E temos de estar juntos no esforço que é preciso fazer para aproximar a União Europeia e a América do Sul, o Mercosul em particular”, afirmou.
Neste ponto referente às relações entre a União Europeia e o Mercosul, o primeiro-ministro situou a sua esperança no segundo semestre de 2023, quando a Espanha assumir a presidência do Conselho da União Europeia.
“É uma grande responsabilidade que Portugal e o Brasil têm como países irmãos, como os pontos mais próximos dos dois lados do atlântico”, disse, numa nova alusão aos sucessivos obstáculos que têm sido levantados à conclusão de um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Ao nível bilateral, António Costa reiterou a tese de que a eleição de Lula da Silva como Presidente do Brasil “e mesmo um virar de página”.
“Há muito tempo que não tínhamos esta proximidade, este carinho entre os responsáveis políticos de Portugal e do Brasil. Não tínhamos bilateralmente, na CPLP e no mundo”, acrescentou.
Há seis anos que Portugal e o Brasil não realizam a sua cimeira bilateral.
A 12.ª Cimeira Luso-Brasileira, a última, realizou-se em Brasília em novembro de 2016, com a participação do então Presidente do Brasil, Michel Temer, e do primeiro-ministro português, António Costa.
Esteve prevista a 13.ª Cimeira Luso-Brasileira para 02 de fevereiro de 2018, em Lisboa, mas foi adiada por acordo entre os dois países.
Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro aproveitou também para reiterar a posição diplomática portuguesa a favor da entrada do Brasil para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“Lula da Silva disse muito bem que hoje a ONU não pode ser a de 1948 e, por isso, Portugal tem defendido a reforma do Conselho de Segurança. E temos dito que um dos países membros do Conselho de Segurança é o Brasil, mas para isso é preciso que o Brasil não esteja fora do mundo e ainda bem que regressa ao mundo, porque assim pode estar por direito próprio no lugar que merece”, completou o líder do executivo português.
Lula da Silva convidou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, para estarem presentes na sua posse como chefe de Estado do Brasil, em 01 de janeiro, em Brasília.
Interrogado se vai estar presente, António Costa deu uma resposta prudente.
“Combinarei obviamente com o Presidente da República como é que Portugal estará representado na posse de Lula da Silva. Estaremos seguramente representados todos – os portugueses – qualquer que seja a forma de representação. Falarei primeiro com o Presidente da República”, acentuou.
Tal como há 30-40 anos atrás a União Soviética utilizava os seus fantoches nos países ocidentais com a "better red than dead" que terminou com a vitória dos democratas e derrota humilhante dos comunistas soviéticos, também actualmente o genocida Putin tenta intoxicar a opinião pública ocidental com as mensagens dos lacaios do genocida Putin numa altura em que todos os dias centenas de soldados russos são mortos em campo de batalha e terras ucranianas são libertadas do jugo déspota do genocida Putin, tentando com as suas mentiras manter-se ao comando do Estado terrorista russo. A guerra terminará um dia sim mas só quando o heróico povo ucraniano recuperar todo o território pertencente à Ucrânia e o genocida Putin e seus lacaios Peskov, Labrov, Lukashenko e outros forem presentes a Tribunal Penal Internacional e condenados.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou, esta terça-feira, que a Rússia está disposta a negociar o conflito na Ucrânia com o Papa Francisco e os Estados Unidos.
A posição de Moscovo surge após o presidente francês, Emmanuel Macron, ter apelado a uma negociação entre os seus homólogos russo, Vladimir Putin, e norte-americano, Joe Biden, o patriarca da Igreja Ortodoxa e o Papa Francisco.
"Estamos prontos a discutir tudo [a situação na Ucrânia] com os americanos, com os franceses e com o pontífice", disse Peskov aos jornalistas, citado pela agência de notícias russas TASS.
O responsável russo acrescentou que, se as negociações forem "na direção dos esforços para encontrar possíveis soluções, podem ser vistas de uma forma positiva". "Repito: a Rússia está aberta a todos os contactos. Mas temos de partir da premissa de que a Ucrânia proibiu a continuação das negociações", frisou.
Sublinhe-se que as últimas negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia ocorreram em março, sob mediação da Turquia, mas acabaram sem qualquer acordo, com Kyiv e Moscovo a responsabilizarem-se mutuamente pelo fracasso negocial
O conflito entre a Ucrânia e a Rússia começou com o objetivo, segundo Vladimir Putin, de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia. A operação foi condenada pela generalidade da comunidade internacional.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A ONU confirmou que cerca de seis mil civis morreram e quase dez mil ficaram feridos na guerra, sublinhando que os números reais serão muito superiores e só poderão ser conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.
Exportação de armas à Rússia desde países da UE de 2015 a 2020
Francia
Italy
Austria
Bulgaria
República Checa
Eslovaquia
Finlandia
España
Croacia
Alemania
"Nossos destinos estão unidos. A Ucrânia é parte da família europeia. A agressão de Vladimir Putin é uma agressão contra todos os princípios que prezamos", proclamou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , na semana passada na cúpula de Versalhes, em uma tentativa de para mostrar que a União Europeia está a reagir em conjunto após a invasão russa da Ucrânia.
No entanto, há pouco mais de um ano, Vladimir Putin e seu exército ainda eram bons clientes para a indústria de armas europeia . Um terço dos estados membros da UE exportou armas para a Federação Russa, de acordo com dados do Grupo de Trabalho do Conselho sobre Exportação de Armas Convencionais ( COARM ). A informação foi analisada pelo Investigate Europe , um consórcio jornalístico internacional com o qual a infoLibre colabora .
Estes dados, extraídos de todos os registos oficiais de exportação de armas da UE-27, mostram que, entre 2015 e 2021, pelo menos 10 Estados-Membros da UE exportaram armas no valor total de 346 milhões de euros para a Rússia . Alemanha, Áustria, Bulgária, República Checa, Croácia, Finlândia, França, Eslováquia, Itália e Espanha venderam, em graus variados, "equipamento militar" para a Rússia. O conceito " material militar " é amplo e pode incluir mísseis, bombas, torpedos, canhões e foguetes, veículos terrestres e navios.
A exportação de armas à Rússia desde a UE desceu a partir de 2014, mas continuou nos anos seguintes
Importe en euros
Este comércio ocorre apesar de um embargo da União Europeia que proíbe a venda de armas para a Rússia desde 2014 : "É proibida a venda, fornecimento, transferência ou exportação direta ou indireta para a Rússia de armas e materiais relacionados. de todos os tipos, incluindo armas e munições, veículos e equipamentos militares, equipamentos paramilitares e suas peças sobressalentes, por nacionais dos Estados-Membros ou dos seus territórios ou utilizando navios ou aeronaves que arvoram a sua bandeira, sejam ou não provenientes dos seus territórios". Essa foi a decisão que veio após a anexação da Crimeia pela Rússia e a proclamação das repúblicas separatistas de Donbas. No entanto, na UE o comércio de armas continuou, como mostram os dados oficiais.
Muitos dos países da UE que exportaram armas para a Rússia usaram uma brecha nos regulamentos da UE para continuar o comércio. O Grupo de Trabalho de Exportação de Armas Convencionais do Conselho respondeu às perguntas do Investigate Europe explicando que "o embargo de armas da UE isenta os contratos celebrados antes de 1 de agosto de 2014 ou os contratos acessórios necessários para a execução de tais contratos". esta isenção. Os Estados-Membros são responsáveis por garantir o cumprimento do embargo de armas e da Posição Comum da UE." Por isso, conclui o COARM, "os Estados membros não estão armando a Rússia ".
Mas a conclusão não é tão simples. Siemon Wezeman , membro sénior do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo ( SIPRI ), faz uma distinção entre comércio económico regular e exportação de armas. "As armas fazem parte da nossa política externa , não da política econômica. As razões políticas são o principal."
Segundo dados do COARM, a partir de 2014, os estados membros concederam mais de mil licenças – autorizações gerais para o comércio de armas – enquanto apenas cem foram rejeitadas.
França, à frente das exportações
Conforme revelou o Disclose , a França vendeu à Rússia equipamento militar no valor de 152 milhões de euros . Número confirmado pela análise do Investigate Europe, que coloca a França bem à frente dos seus vizinhos, sendo responsável por 44% das armas europeias exportadas para a Rússia.
Nossa investigação descobriu que desde 2015 a França deu sua autorização para exportar equipamentos militares pertencentes à categoria "bombas, foguetes, torpedos, mísseis, cargas explosivas", armas que são diretamente letais , mas também "equipamentos de imagem, aeronaves com seus componentes e isqueiros -veículos aéreos.
De acordo com o Disclose, as exportações francesas também incluem “câmaras de imagem térmica para mais de 1.000 tanques russos , bem como detectores infravermelhos e sistemas de navegação para caças e helicópteros de combate”. O Kremlin os comprou das multinacionais Safran e Thales , cujo principal acionista é o Estado francês . Essas equipes estão agora a bordo de veículos terrestres, caças e helicópteros operando na frente ucraniana.
O número de licenças concedidas pela França disparou em 2015 , imediatamente após o embargo. Em 2014, as autoridades francesas continuaram a autorizar o envio à Rússia de "agentes químicos" , "agentes biológicos", "agentes antimotim", "materiais radioativos, equipamentos, componentes e materiais relacionados".
A Investigate Europe enviou uma série de perguntas ao Ministério da Defesa francês na sexta-feira, 4 de março, que levou 11 dias para responder que a França está comprometida em "aplicar muito estritamente" o embargo de 2014. Os mísseis, foguetes, torpedos e bombas vendidos à Rússia nos últimos cinco anos são "em uma palavra, um fluxo residual , resultante de contratos anteriores (...) e que foi progressivamente extinto", assegura o Governo francês.
Alemanha: € 122 milhões para armas e navios
Segundo informações recolhidas pelo Investigate Europe, a Alemanha exportou para a Rússia equipamento militar no valor de 121,8 milhões de euros . Isso representa 35% de todo o comércio de armas da UE com a Rússia. Estes são principalmente quebra-gelos, mas também incluem rifles e veículos de "proteção especial" que foram enviados para a Rússia. O Governo alemão não respondeu às questões colocadas a este respeito.
As exportações alemãs são rotuladas de "uso duplo" , de modo que mesmo os políticos alemães críticos das exportações de armas e ONGs anti-guerra contatadas pelo Investigate Europe não as consideram uma violação legal do embargo .
Hannah Neuman , membro do Partido Verde Alemão no Parlamento Europeu e membro do subcomitê de Segurança e Defesa, está chateada com a situação. "Cada país exporta como quer, precisamos de uma política comum de exportação de armas, baseada na lei e na transparência, com a participação do Parlamento Europeu. Estou cansado de acordos à porta fechada para benefício apenas da indústria de armas e para o prejuízo da política externa conjunta da UE e da paz", denuncia.
Itália: Veículos Terrestres na Frente Ucraniana
Em terceiro lugar na lista de exportadores, dados do COARM mostram a Itália, que vendeu equipamentos militares no valor de 22,5 milhões de euros para a Rússia entre 2015 e 2020. De acordo com nossa pesquisa, o primeiro grande contrato foi assinado em 2015, quando o governo de Matteo Renzi autorizou a empresa italiana Iveco a vender veículos terrestres no valor de 25 milhões de euros para a Rússia. O Investigate Europe teve acesso à "autorização final" entregue pelo Ministério das Relações Exteriores (o ministro na época era Paolo Gentiloni , agora comissário europeu). No final, 22,5 milhões de euros em equipamentos foram enviados para a Rússia. Mas os veículos de guerra – o modelo Lince, fabricado pela Iveco– foram claramente vistas pelo jornalista do canal de televisão La 7 na linha de frente ucraniana no início de março. Esses veículos foram montados em uma das três fábricas que a Iveco tem na Rússia, mas montados a partir de peças italianas.
Giorgio Beretta , analista do Observatório Permanente de Armas Leves (OPAL) sustenta que "na exportação de armas é principalmente uma decisão política , o governo italiano poderia ter recusado, depois basta ir a tribunal com a empresa de armas e um juiz teria tomado em conta a situação política e a necessidade de respeitar um acordo europeu".
Após 2015, o fluxo de armas e munições exportadas para a Rússia da Itália diminuiu, para aumentar novamente em 2021. De acordo com dados de comércio exterior do escritório de estatística italiano, Istat, entre janeiro e novembro de 2021 a Itália entregou à Rússia "armas e munições" 21,9 milhões de euros, incluindo “armas comuns” como fuzis, pistolas, munições e acessórios.
Como é possível que, seis anos após a entrada em vigor do embargo, o governo italiano continue a conceder licenças para tantas armas? Essas armas – fuzis semiautomáticos e munições – foram vendidas ao mercado civil russo , que inclui segurança privada, forças paramilitares e forças especiais do Estado.
Outros estados membros também venderam equipamentos militares para a Rússia neste período, alguns deles tendo um fluxo constante de exportações, embora em escala muito menor do que os três principais países fornecedores. A República Checa exportou "aeronaves, veículos mais leves que o ar, veículos aéreos não tripulados, motores de aeronaves e equipamentos de aeronaves" todos os anos entre 2015 e 2019.
A Áustria também continuou a exportar equipamentos militares para a Rússia todos os anos "armas de cano liso com calibre inferior a 20 milímetros, outras armas e armas automáticas com calibre de 12,7 milímetros" e "munições e dispositivos de fusão".
A Bulgária teve dois acordos, em 2016 e 2018, sobre a exportação de "navios de guerra, equipamentos navais especiais (de superfície ou submarinos), acessórios, componentes e outras embarcações de superfície" e "tecnologia" para o "desenvolvimento", "produção" ou " uso" de itens controlados na Lista Militar Comum da UE , por um valor de 16,5 milhões de euros. Finlândia , Espanha , Eslováquia e Croácia em cada caso fizeram uma exportação para a Rússia, em quantidade muito menor, nos anos anteriores. Especificamente, a Espanha vendeu material que se enquadra na categoria de "armas de cano liso com calibre inferior a 20 milímetros, outras armas e armas automáticas com calibre igual ou inferior a 12,7 milímetros, acessórios e componentes". A operação foi realizada em 2017 e o valor foi de 10.800 euros .
Mas a Europa não é a única que tem que lidar com as contradições de suas exportações. De acordo com dados do SIPRI sobre o comércio de armas, há um fato ainda mais estranho: não foi apenas a UE que vendeu armas para a Rússia após a anexação da Crimeia, mas a Rússia também permaneceu como o segundo maior mercado de exportação de armas da Ucrânia.