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sábado, 11 de julho de 2026

Por detrás da sua imagem amiga do ambiente, a IKEA - o maior consumidor de madeira do mundo - esconde práticas bastante pouco escrupulosas


O documentário "IKEA, o Caçador de Árvores" (originalmente IKEA, le seigneur des forêts ou How IKEA Plunders the Planet, 2024 ), realizado por Xavier Deleu e Marianne Kerfriden com base numa investigação jornalística de Alexander Abdelilah e Robert Schmidt, expõe o contraste dramático entre a imagem pública ecológica do gigante sueco do mobiliário e o impacto ambiental real da sua cadeia global de abastecimento de madeira. Consumindo cerca de 20 milhões de metros cúbicos de madeira por ano - o equivalente ao abate de uma árvore a cada um ou dois segundos -, a multinacional transformou-se num predador florestal global, cuja procura implacável por matéria-prima barata impulsiona crimes ambientais e a destruição de ecossistemas preciosos em múltiplos continentes.

A investigação percorre vários países, revelando que a exploração intensiva começa na própria Suécia. Ali, ativistas locais e representantes do povo indígena Sámi denunciam a prática sistemática de cortes rasos (abates totais de parcelas florestais) nas últimas florestas boreais antigas. Estas áreas ricas em biodiversidade são sistematicamente substituídas por monoculturas industriais de árvores alinhadas que funcionam como autênticos "desertos verdes", destruindo os líquenes de que as renas locais dependem para sobreviver e alterando permanentemente a paisagem escandinava.

O cenário agrava-se na Roménia e na Ucrânia, onde o documentário acompanha o rasto da madeira que alimenta as fábricas de fornecedores da IKEA. Na cordilheira dos Cárpatos romenos, lar de algumas das últimas florestas virgens da Europa, ativistas de organizações não-governamentais como a Agent Green expõem o abate ilegal e abusivo dentro de parques nacionais e áreas teoricamente protegidas pela rede Natura 2000. Cientistas e investigadores demonstram como o sistema de rastreabilidade é contornado através do branqueamento de madeira, misturando troncos extraídos ilegalmente com lotes autorizados. O impacto estende-se à Ucrânia, onde investigações anteriores já tinham sinalizado a entrada de madeira extraída de forma irregular nas cadeias de produção de produtos icónicos da marca.

A nível global, a reportagem viaja até à Rússia (região da Sibéria), expondo ligações a fornecedores locais envolvidos no desflorestamento de florestas protegidas de Taiga antes das restrições geopolíticas, e até à Nova Zelândia. Neste último país, o documentário foca-se nas consequências catastróficas das plantações intensivas de pinheiros exóticos que substituíram a vegetação nativa. Quando ocorrem tempestades violentas, os resíduos de madeira deixados pelas empresas de exploração florestal nas encostas deslizam em massa, gerando violentas enxurradas de detritos que destroem rios, praias e infraestruturas, afetando diretamente as comunidades locais e as terras ancestrais do povo Māori, que lamentam a perda da harmonia ecológica original. Representantes do povo Māori declararam na ONU que tal prática corporativa representa uma nova forma de colonização, retirando poder às comunidades nativas em favor do lucro estrangeiro e degradando a ligação sagrada que mantêm com a terra (Papatūānuku).

Um dos pontos centrais da crítica do documentário foca-se no papel do FSC (Forest Stewardship Council). Criado originalmente na década de 1990 com o apoio de organizações de prestígio como a WWF e a Friends of the Earth para garantir uma gestão florestal sustentável, o selo verde é apontado pelos realizadores e por antigos fundadores como tendo sido instrumentalizado. O FSC acabou por se transformar num escudo de greenwashing (lavagem verde) para as grandes corporações. Ao certificar áreas onde se praticam cortes rasos ou onde a madeira provém de origens controversas, o sistema falha em proteger as florestas que restam no planeta, permitindo que o consumidor compre mobiliário de massa sob uma falsa premissa de sustentabilidade.

Em janeiro de 2024, o documentário IKEA Loves Wood (IKEA elsker træ) já denunciava más práticas na Roménia.

Dinheiro a circular por paraísos fiscais e fundações suspeitas, graças à IKEA
Este artigo do portal de jornalismo independente Basta! esmiuça um relatório da organização Attac Alemanha sobre o intrincado labirinto financeiro que a IKEA utiliza para praticar a otimização fiscal em larga escala e minimizar as suas obrigações tributárias. A investigação desconstrói a imagem pública puramente filantrópica da empresa, demonstrando como as receitas geradas nas lojas físicas são canalizadas por uma complexa rede de holdings e fundações que se estende por várias jurisdições. 

No cerne desta estrutura está uma rede de fundações ostensivamente sem fins lucrativos, desenhada para fragmentar a propriedade legal e blindar o capital contra a tributação. Na Holanda, a fundação Stichting Ingka fica no topo da pirâmide como proprietária do Ingka Group, que opera a maioria das lojas globais. Pelo facto de o fisco holandês a reconhecer como uma entidade de caridade, os seus vastos rendimentos de investimentos e ativos líquidos desfrutam de massivas isenções fiscais. Além disso, a legislação holandesa protege este arranjo ao não exigir que a fundação publique relatórios financeiros anuais. 

Enquanto isso, o conceito da marca em si é controlado por outro braço através da Fundação Interogo, localizada no paraíso fiscal de Liechtenstein. Uma investigação da televisão sueca revelou que esta única entidade permitiu ao fundador da empresa, Ingvar Kamprad, evitar o pagamento de algo entre 2,3 e 3,2 mil milhões de euros em impostos ao longo de um período de vinte anos. 

Um terceiro grande tentáculo corporativo, o Ikano Group, está sediado em Luxemburgo e pertence aos três filhos de Kamprad. Esse braço supervisiona a gestão financeira, serviços bancários, imobiliários e de seguros, utilizando subsidiárias adicionais ocultas em paraísos fiscais como a Suíça e a ilha de Curaçao, nas Antilhas Holandesas. 

Ao movimentar continuamente dinheiro entre a Holanda, Luxemburgo, Liechtenstein e Curaçao, a multinacional sueca paga taxas efetivas de imposto muito abaixo das médias corporativas europeias padrão. A empresa de retalho controladora historicamente enfrentou uma taxa efetiva de imposto sobre o rendimento de apenas 17,8%, enquanto o Inter IKEA Group, detentor da marca, pagou no máximo 11,6%. 

O sigilo que envolve estes arranjos é uma escolha deliberada. Quando a comissão de informação da Assembleia Nacional Francesa intimou grandes multinacionais a depor sobre otimização fiscal corporativa, a IKEA recusou-se categoricamente a participar, oferecendo a desculpa de que, infelizmente, carecia de conhecimento técnico num campo tão complexo, uma justificativa que os parlamentares rotularam como altamente improvável e perturbadora para uma organização do seu porte. 
O artigo, em última análise, destaca uma contradição gritante entre as mensagens corporativas e as práticas financeiras, observando que, embora a IKEA Foundation proclame publicamente uma dedicação ao bem-estar das crianças, a corporação como um todo minimiza agressivamente as próprias receitas fiscais necessárias para financiar os sistemas públicos de educação e saúde nas comunidades onde opera.

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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Qual é a diferença entre Holanda ou Países Baixos: descobre o nome correto, a bandeira, história e a origem do laranja



Muitas vezes utilizados como sinónimos, os termos Países Baixos e Holanda não representam a mesma realidade geográfica e política. A resposta direta para a diferença é simples: Países Baixos é o nome oficial do país na sua totalidade, enquanto a Holanda é apenas uma região histórica e geográfica composta por duas províncias dentro do território nacional. Consequentemente, em relação à bandeira, ela é exatamente a mesma para todo o país, uma vez que não existe uma bandeira oficial própria para a Holanda enquanto entidade soberana separada.

Para compreender a origem desta confusão, é necessário olhar para a geografia e a história do país. Os Países Baixos constituem uma monarquia constitucional democrática formada por 12 províncias no continente europeu, para além de algumas ilhas situadas no Caribe. O termo Holanda refere-se exclusivamente a duas dessas doze províncias: a Holanda do Norte (Noord-Holland), onde se situa a capital oficial, Amesterdão, e a Holanda do Sul (Zuid-Holland), onde se encontram a cidade de Haia (sede do governo e da família real) e Roterdão (o maior porto comercial da Europa).

A razão pela qual o mundo inteiro se habituou a chamar "Holanda" a todo o país remonta ao século XVII, período conhecido como a "Idade de Ouro" neerlandesa. Nessa altura, estas duas províncias costeiras dominavam o comércio marítimo, a economia e a cultura da região. Como a maioria dos marinheiros e mercadores que navegavam pelo globo vinha dessa zona específica, o nome Holanda acabou por se transformar num sinónimo popular de toda a nação. No entanto, numa tentativa de modernizar e uniformizar a sua imagem internacional, o governo dos Países Baixos lançou em 2020 uma estratégia para deixar de usar a marca "Holanda" em campanhas oficiais de turismo e diplomacia, promovendo exclusivamente o nome Países Baixos.

Relativamente à bandeira dos Países Baixos, trata-se da bandeira tricolor em uso contínuo mais antiga do mundo. A sua estrutura é composta por três faixas horizontais de dimensões idênticas: vermelhão brilhante no topo, branco no meio e azul-cobalto na base. Um detalhe curioso é a frequência com que esta bandeira é confundida com a do Luxemburgo, ainda que a bandeira luxemburguesa se distinga por utilizar um tom de azul-celeste consideravelmente mais claro, além de proporções físicas diferentes.

Por fim, surge frequentemente a dúvida sobre a origem do laranja, uma cor omnipresente em eventos desportivos da seleção nacional e em celebrações populares como o Koningsdag (Dia do Rei). Embora o laranja não conste na bandeira atual, esta é a cor oficial da família real neerlandesa, a Casa de Orange-Nassau. No século XVI, durante a revolta contra o domínio espanhol, a primeira versão da bandeira revolucionária - conhecida como a "Bandeira do Príncipe" - exibia efetivamente uma faixa superior laranja. Com o decorrer dos séculos, essa cor acabou por ser substituída pelo vermelho, em grande parte por razões práticas, já que a tinta vermelha desbotava menos ao sol e oferecia melhor visibilidade no mar. Apesar da alteração na bandeira, o laranja permaneceu até hoje como o grande símbolo cultural e de identidade do povo neerlandês.