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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Bill Gates faz um alerta mundial: a IA deve ser "prioridade número um do mundo"


Bill Gates, o fundador da Microsoft que se aposentou da respetiva direção em 2020, admitiu estar apreensivo em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA), cujos riscos as big techs recusam admitir, enquanto acumulam fortunas “trilionárias”. A reflexão sobre os riscos da inteligência artificial deve ser “a prioridade número um do mundo”, afirma Gates, que se diz “em estado de choque” pelo que considera ser a pouca atenção que os responsáveis políticos estão, na sua leitura, a dar a este tema.

Depois das notícias sobre a controversa relação com Jeffrey Epstein - que originou uma auditoria no Comité da Casa Branca em junho - o nome de Gates voltou a figurar num título do The New York Times, que entrevistou o empresário para falar sobre a tecnologia em evolução rápida, para a qual contribuiu indiretamente. “Não gosto de dar más notícias às pessoas nem de dizer que a inovação pode ser negativa. Mas é aí que estamos.”

A conversa com o jornal norte-americano foi publicada na sequência de um ensaio que Gates publicou no respetivo website, intitulado “The turbulent AI era is here. The choices we make now are critical” [A era turbulenta da IA está aqui. As escolhas que fazemos agora serão decisivas], no qual admitiu estar apreensivo face a uma tecnologia capaz de “substituir e até exceder a cognição humana” e sugeriu soluções que incluem a aplicação de taxas e proibições.

“Em privado, as pessoas que compreendem o quão bom isto já é e as potencialidades que tem estão muito preocupadas”, disse, acrescentando que são poucos os executivos das tecnológicas capazes de admitir os perigos inerentes ao desenvolvimento descontrolado da IA. “Eles estão cheios de pressa e cultivam a esperança de que os aspetos positivos se sobreponham aos negativos”, acrescentou.

Sem mencionar o nome de empresas particulares, nomeadamente da Microsoft - que desenvolve a ferramenta de inteligência artificial Copilot — acusou os programadores de IA de produzirem uma tecnologia que pode ser responsável por despedimentos em massa. Se, no passado, os avanços tecnológicos aumentaram o número de empregos disponíveis, a era da IA é “absolutamente, completamente e totalmente diferente”, porque incide sobre todas as áreas, impedindo que os trabalhadores afetados transitem para indústrias alternativas.

Entre as propostas do empresário e filantropo - desde 2000 que gere uma ONG destinada a “reduzir a doença e a pobreza e a construir um mundo mais igualitário” - estão a introdução de uma taxa sobre o uso de IA, o impedimento de que alguns trabalhos sejam desempenhados por máquinas e o estabelecimento de acordos internacionais, com vista a monitorizar o desenvolvimento destas tecnologias.

Gates admitiu estar em “estado de choque” perante a falta de urgência que os líderes mundiais destinam a este assunto. “Por favor, pensem mais sobre isto, por favor deem-lhe mais atenção”, concluiu.

sábado, 4 de julho de 2026

A Filantropia enganadora e porque é importante taxar os bilionários

Durante anos venderam a ideia de que a luta de classes era uma invenção da esquerda. Conversa de comunistas. Teorias de ressabiados. Inveja de quem teve sucesso. Uma fantasia repetida sempre que alguém ousava falar de desigualdade ou da concentração da riqueza.
Depois aparece Warren Buffett. Sim, Warren Buffett. Esse conhecido marxista. Admirador de Che Guevara. Frequentador assíduo da Festa do Avante. Praticamente um bolchevique de Wall Street.
E diz isto:
De repente, a teoria da conspiração da esquerda passou a ser uma confissão de um dos homens mais ricos do planeta. Buffett não disse que a luta de classes existiu. Disse que existe. Não disse que a sua classe ganhou. Disse que está a ganhar. [New York Times, 2006]
Durante décadas, convenceram milhões de pessoas de que falar em luta de classes era coisa de comunistas, sindicalistas e ressabiados. Entretanto, a guerra continuou a ser travada. E, segundo um dos seus principais protagonistas, está a correr bastante bem para um dos lados.

"Regra Buffett" nunca chegou a ser implementada.
Apesar de ter tido uma enorme tração mediática e o apoio explícito do então presidente Barack Obama, a proposta falhou o seu caminho legislativo no Congresso dos Estados Unidos.

Em 2012, o projeto de lei (batizado formalmente como Paying a Fair Share Act) foi levado a votação no Senado norte-americano. Embora tenha conseguido uma maioria simples de votos a favor (51 contra 45), a proposta foi travada pela oposição do Partido Republicano através de uma manobra de bloqueio parlamentar (o chamado filibuster), que exigia uma maioria qualificada de 60 votos para que o debate e a votação final pudessem avançar.

Os opositores da medida argumentaram na altura que aumentar os impostos sobre os mais ricos equivalia a uma "guerra de classes" e que a introdução desta taxa iria prejudicar o investimento privado, travar a criação de emprego e desacelerar a economia.

Assim, o sistema fiscal norte-americano manteve-se estruturalmente idêntico no que toca à proteção dos rendimentos de capital. Até hoje, os ganhos derivados de investimentos financeiros e ações continuam a ser taxados a taxas significativamente mais baixas do que os salários do trabalho, permitindo que a assimetria denunciada por Warren Buffett continue a ser uma realidade.

O outro lado da Filantropia
A generosidade proclamada pelos super-ricos através de iniciativas como o The Giving Pledge costuma recolher aplausos unânimes, mas, quando se vira a moeda, a filantropia dos multimilionários revela uma face muito mais cinzenta e amplamente criticada por economistas e sociólogos. Longe de ser um ato puramente altruísta, a transferência de fortunas para fundações privadas funciona, em grande parte, como um mecanismo altamente eficaz de evasão ou otimização fiscal. Ao canalizarem o seu dinheiro para estas estruturas, os bilionários obtêm deduções de impostos massivas, o que significa que o Estado — e, por arrastamento, os cidadãos comuns — deixa de arrecadar receitas que poderiam ser aplicadas em serviços públicos essenciais, como o SNS, a escola pública ou as infraestruturas.

Além da questão financeira, há um profundo défice democrático neste modelo. Quando a riqueza é transferida para fundações geridas pelos próprios magnatas ou pelas suas famílias, o poder de decisão sobre o que é prioritário para a sociedade passa das mãos de governos eleitos para as mãos de elites privadas. São os multimilionários que passam a ditar, segundo as suas convicções pessoais ou interesses de mercado, se o dinheiro deve ir para a cura de uma doença específica, para a exploração espacial ou para reformas educativas que nem sempre são testadas ou validadas. Este fenómeno cria uma espécie de plutocracia disfarçada de caridade, onde o destino do bem-estar social fica sujeito aos caprichos de um punhado de indivíduos que não respondem perante nenhum eleitorado. Ler como os ricos se tornaram mesquinhos

Por fim, não se pode ignorar o tremendo ganho de reputação e a lavagem de imagem, muitas vezes apelidada de philanthro-washing. Muitas destas fortunas colossais foram erguidas com base em práticas laborais controversas, salários baixos, lóbis políticos para travar direitos sociais ou modelos de negócio que aceleraram a crise climática. Ao doarem uma percentagem vistosa do que acumularam, estes empresários conseguem desviar as atenções do escrutínio público e das críticas à forma como geraram a sua riqueza, transformando-se de predadores económicos em benfeitores da humanidade, enquanto mantêm intacto o sistema económico que perpetua as desigualdades que eles próprios dizem combater.

A forma mais democrática é exigir regulação e taxação dos bilionários. 
A exigência de uma maior taxação sobre os bilionários tem deixado de ser um debate puramente académico para se tornar uma pressão política concreta, movida pela necessidade de corrigir o que muitos consideram ser uma falha estrutural do capitalismo moderno. A estratégia para viabilizar esta mudança assenta, primordialmente, na cooperação internacional, dado que os super-ricos operam numa economia globalizada que lhes permite deslocar o património para jurisdições com tributação mais favorável. Projetos como a proposta de um imposto global sobre a riqueza, que visa estabelecer uma taxa mínima anual sobre as maiores fortunas, são fundamentais para evitar a concorrência fiscal entre Estados e impedir a existência de paraísos fiscais que servem de refúgio ao capital.
A nível nacional, a luta pela justiça fiscal passa por reformas legislativas que alterem a forma como a riqueza é tributada, centrando-se na taxação de mais-valias não realizadas - o património latente que cresce sem ser tributado enquanto não é vendido - e no encerramento de lacunas que permitem aos multimilionários viver através de empréstimos garantidos pelas suas próprias ações, escapando assim ao imposto sobre o rendimento das pessoas singulares. Paralelamente, o reforço dos impostos sobre heranças é defendido como uma medida essencial para prevenir a cristalização de dinastias financeiras que exercem um poder desproporcional sobre a democracia. 
Esta causa tem vindo a ganhar força através da pressão cívica, com movimentos de cidadãos e até de investidores consciencializados a sublinharem que a filantropia voluntária é um paliativo insuficiente perante a necessidade urgente de um sistema redistributivo robusto, transparente e democrático, que reponha o equilíbrio entre a acumulação de capital privado e o financiamento dos bens e serviços públicos que sustentam a coesão social.

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quarta-feira, 11 de março de 2026

MacKenzie Scott gave away more than $7 billion last year—but her secretive style got her snubbed from a top donors list


Thanks to multiple historic donations last year and an eye-popping volume of philanthropic gifts, MacKenzie Scott has etched her way to becoming one of the world’s most generous philanthropists.

But the Chronicle of Philanthropy doesn’t see it that way.

Although Scott donated more than $7 billion to more than 120 organizations last year through her philanthropic organization, Yield Giving, the Chronicle didn’t recognize her on its list of the top 50 donors this year.

Scott’s donations in 2025 alone eclipsed that of her ex-husband Jeff Bezos’ lifetime giving, but the billionaire philanthropist’s playbook got in the way of her being recognized on the list. Scott is notoriously secretive and under-the-radar with her donations, never seeking press coverage for her gifts and rarely offering insights into the donations she’s made. 

“MacKenzie Scott is among the notable absences on the Philanthropy 50 list,” according to the Chronicle. “While it is possible she made gifts to her donor-advised funds that would have earned her a spot on the Philanthropy 50, she and her representatives declined to provide such information to the Chronicle.”

It’s essentially impossible to contact Yield Giving (Fortune has tried and failed innumerable times to receive more information about donations she’s made in the past). So, confirming donations for a list like the Chronicle compiles wasn’t possible. Still, Scott has appeared on other generous donor lists, including Forbes, which recognized her for the speed at which she gives and the amount of her net worth she’s donated (at least 40%).

Since 2020, Scott has donated $26 billion, while Forbes currently estimates that Bezos and his wife, Lauren Sánchez Bezos, have given about $4.7 billion to charity over their lifetimes. That’s just about one-fifth of what Scott has donated since her 2019 divorce from Bezos, when she received about 4% of Amazon stock, amounting to roughly $36 billion to $38 billion at the time. Scott’s net worth (currently $38.9 billion) continues to be buoyed by the ever-increasing upward trajectory of Amazon shares, though.

“Scott awarded grants totaling about $7 billion to at least 120 charities last year through her Yield Giving fund, but she continues to decline to provide details about how much money she is funneling into the grant maker,” the Chronicle continued.

Scott has donated 40% of her net worth, while Bezos has donated less than 2% of his.

Still, critics find the Chronicle’s exclusion bizarre.
“I find it odd that MacKenzie Scott isn’t on this list,” Hans Peter Schmitz, the Bob and Carol Mattocks distinguished professor in nonprofit leadership at North Carolina State University, told The Conversation. “She says she gave $7.1 billion in 2025. If she had met the Chronicle of Philanthropy’s criteria, that would have landed her in first place by far.”

Schmitz recognizes, though, the Chronicle’s methodology knocked Scott from the list since she’s “never provided sufficient information about her generosity since becoming a major donor on her own, following her 2019 divorce from Amazon founder Jeff Bezos.”

“And that leaves her off the list year after year,” Schmitz said.

How MacKenzie Scott makes donations
Scott can be considered one of the most generous philanthropists in the world, but she’s also the most mysterious—so much so, some donors have even thought donation emails were spam. That has to do with the fact that Yield Giving typically contacts organizations to offer a donation rather than the other way around. Still, her process for sussing out organizations is extensive, sources have told Fortune.

The hallmark of Scott’s giving style is making unrestricted gifts, meaning organizations can use the donations however they choose. That comes after a thorough due diligence process, though, Anne Marie Dougherty, CEO of the Bob Woodruff Foundation, told Fortune. Scott donated $15 million to the veteran-focused nonprofit organization in 2022 and made a subsequent $20 million donation in fall 2025. The $15 million gift was the largest in history at the organization, which was founded in 2006—the same year military reporter Bob Woodruff was severely injured by a roadside bomb in Iraq.

The due diligence process for Scott included sharing information such as the organization’s strategic plan, audited financials, business plans, organization chart, and grant-making process, Dougherty said. But after the donation was made, Yield Giving was very hands-off, she added.

“Unlike traditional funding processes that often involve lengthy applications, specific restrictions, and reporting requirements, her style empowers organizations like ours to determine how best to direct funds quickly and innovatively to address pressing issues,” Noni Ramos, CEO of Housing Trust Silicon Valley, told Fortune in late 2024, when her organization received a $30 million gift from Scott.

The fact that Scott doesn’t make a big to-do about her donations and largely allows organizations to use gifts however they see fit goes back to her overall philanthropic philosophy: She’s just one cog of a generosity wheel, and works to inspire others as others have inspired her.

“[The] dollar total [I’ve donated] will likely be reported in the news, but any dollar amount is a vanishingly tiny fraction of the personal expressions of care being shared into communities this year,” Scott wrote in a December 2025 essay. “It is these ripple effects that make imagining the power of any of our own acts of kindness impossible.”

Indeed, every time she’s made a donation, she’s thought about the generosity from others she’s experienced in her life, including free dental work from a local dentist in college when she was using denture glue to get by—and her college roommate who loaned her $1,000 so she wouldn’t have to drop out during her sophomore year at Princeton University.

“The potential of peaceful, non-transactional contribution has long been underestimated, often on the basis that it is not financially self-sustaining, or that some of its benefits are hard to track,” Scott wrote. “But what if these imagined liabilities are actually assets?”At the Fortune Workplace Innovation Summit, Fortune 500 leaders will convene to explore the defining questions shaping the workforce of the future—delivering bold ideas, powerful connections, and actionable insights for building resilient organizations for the decade ahead.


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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A ética foi vendida. Cristiano Ronaldo é o rosto. O verdadeiro jogo dos milhões que envolveu EUA, Arábia Saudita e até Musk fez-se nos bastidores.


A Arábia Saudita deu esta semana um passo decisivo para se afirmar como um dos polos mundiais da Inteligência Artificial. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman fechou em Washington, DC um acordo que junta a xAI, empresa de Elon Musk, à recém-criada Humain - o braço estatal saudita dedicado à IA - para construir no país um novo megacentro de dados com capacidade até 500 megawatts. De acordo com o ministro do Investimento do país, Khalid Al-Falih, o valor do acordo é de 557 mil milhões de dólares.

A parceria foi anunciada num pacote mais vasto de entendimentos militares e tecnológicos entre Riade e Washington, DC, num momento em que os EUA flexibilizam o acesso saudita a semicondutores avançados - chips essenciais para treinar modelos de IA e que se tornaram instrumentos de diplomacia tecnológica.

Elon Musk tem procurado novos aliados para acelerar o crescimento da xAI e aproximar-se do ritmo de gigantes como a OpenAI, Anthropic e Google. Já a Arábia Saudita está a canalizar parte do seu fundo soberano de riqueza, avaliado em cerca de um bilião de dólares, para diversificar a economia além do petróleo e transformar o reino num fornecedor global de capacidades de computação.

Esta convergência de interesses resultou no acordo com a Humain, empresa lançada em maio pelo príncipe herdeiro e que ambiciona fornecer 6% da capacidade global de computação para IA nos próximos anos. A estratégia saudita passa por aproveitar a vasta disponibilidade energética, extensas áreas de terreno e ligações a cabos de fibra ótica internacionais para oferecer capacidade de processamento a preços competitivos. 

A parceria com Musk, que inclui também a expansão do uso dos modelos da Grok, o chatbot da xAI, reforça a tendência: cada grande empresa norte-americana de IA está a aproximar-se de um aliado estratégico na Península Arábica: a OpenAI fechou este ano um acordo com a MGX e a G42, dos Emirados Árabes Unidos, para a construção de um centro de dados perto de Abu Dhabi e a Anthropic recebeu investimento do fundo soberano do Catar. Já a Nvidia, a Amazon, a Microsoft e a Qualcomm têm vindo igualmente a reforçar presença na Arábia Saudita.

O acordo com a xAI esteve meses em negociação, travado pelas dúvidas em Washington, DC sobre o destino final dos chips que Riade pretende adquirir. Em maio, a administração Trump anunciou o envio de milhares de unidades da Nvidia para o país, mas o processo ficou pendente devido às preocupações sobre as ligações sauditas à China. 

Com o desbloqueio do dossiê, o projeto avançou e Musk celebrou publicamente a parceria: "O futuro da inteligência será construído com computação massiva e eficiente, combinada com modelos de IA avançados. As capacidades de Humain permitem-nos acelerar esse futuro na Arábia Saudita". 

Tareq Amin, diretor-executivo da Humain, disse tratar-se de uma operação que cria "uma escala que poucos podem igualar".

Arábia Saudita quer garantir soberania na computação 
Na mesma semana, outro desenvolvimento reforçou as ambições digitais do reino. O fundo público de investimento saudita (PIF), a Saudi Information Technology (SITE) e a Microsoft assinaram um memorando de entendimento para explorar a implementação de serviços de "cloud soberana" no país - infraestruturas que permitem alojar dados sensíveis sob controlo nacional, cumprindo requisitos estritos de segurança e residência de dados. 

A Microsoft, que já proporciona soluções semelhantes a governos e setores altamente regulados noutros países, irá trabalhar com o PIF e a SITE para avaliar de que forma o modelo pode ser aplicado à realidade saudita. O objetivo passa por reforçar a infraestrutura digital e apoiar o crescimento do setor das tecnologias de informação no reino. 

O memorando, ainda não vinculativo, prevê igualmente cooperação em investigação, desenvolvimento, inovação e transferência de conhecimento.

As críticas recorrentes ao histórico saudita em matéria de direitos humanos não parece ser um fator dissuasor para as empresas tecnológicas. Na véspera do anúncio, líderes de algumas das maiores empresas dos EUA participaram num jantar em Washington, DC em honra de Mohammed bin Salman, onde Elon Musk também marcou presença - assim como Cristiano Ronaldo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Presidente do Fórum Económico Mundial alerta: bolha de IA pode ameaçar empregos


O presidente do Fórum Económico Mundial, Børge Brende, fez um alerta nesta quarta-feira (05): o mundo deve ficar atento a três possíveis bolhas nos mercados financeiros, incluindo a bolha de IA. A fala aconteceu durante visita do executivo a São Paulo.

Brende também alertou que, apesar de aumentar a produtividade, a tecnologia pode ameaçar empregos de escritório.

Bolha de IA preocupa
Conforme reportado pelo Olhar Digital, ações de empresas de tecnologia tiveram uma queda expressiva nas bolsas ao redor do mundo. Altos investimentos em IA e a supervalorização de big techs deixaram investidores com um pé atrás.

Diante desse cenário, Brende alertou que o mundo deve ficar atento a três possíveis bolhas de mercado: a de inteligência artificial, a de criptomoedas e a de dívidas.

Ele também afirmou que governos não estavam endividados como estão agora desde 1945. As expectativas com a IA e os altos investimentos ignoraram preocupações com taxas de juros, inflações e turbulências, o que também balançou o mercado esta semana.

Durante encontro com jornalistas, o presidente do Fórum Económico Mundial ainda afirmou que a tecnologia traz possibilidades de ganhos de produtividade, mas alertou que “trabalhadores de escritórios podem ser mais facilmente substituídos por essa IA”.

Segundo a agência de notícias Reuters, ele citou cortes recentes em empresas como Amazon e Nestlé.

Brende ainda destacou que as mudanças tecnológicas levam ao aumento da produtividade. E que a produtividade “é a única maneira de aumentar a prosperidade ao longo do tempo”.

Assim, você poderá pagar salários melhores às pessoas e terá mais prosperidade na sociedade. Børge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial, à agência Reuters

A reviravolta veio depois que as big techs divulgaram resultados positivos e com expectativa de mais investimentos em IA, mas especialistas voltaram a alertar sobre a “bolha de IA”.
Segundo o The Guardian, sete big techs tiveram queda na bolsa no mesmo dia: Nvidia, Amazon, Apple, Microsoft, Tesla, Alphabet (proprietária do Google) e Meta.

Chefes de bancos e analistas destacaram uma possível correção no mercado de ações e a “bolha de IA”, num cenário que os grandes investimentos no setor ainda não deram o retorno esperado.

Confira os detalhes aqui

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Amazon lança Centro de Excelência Water-AI Nexus


Numa era em que a tecnologia avança a passos largos e os desafios ambientais se intensificam, surge uma aliança sem precedentes, que promete redefinir a gestão dos recursos hídricos globais. A Water Environment Federation (WEF), a Amazon.com, Inc., o The Water Center at the University of Pennsylvania (WCP) e a The Leading Utilities of the World (Leading Utilities) anunciaram hoje a criação do Centro de Excelência Water-AI Nexus. Esta colaboração pretende assegurar infraestruturas de Inteligência Artificial (IA) sustentáveis no uso da água e alavancar o poder da IA na procura de soluções para a crise hídrica global.

O Water-AI Nexus
O anúncio do Centro de Excelência decorreu na Climate Week NYC, o maior evento climático anual nos Estados Unidos, o que sublinha a urgência e relevância da iniciativa. O Water-AI Nexus dedicar-se-á principalmente a duas missões:

  • Água para a IA – para garantir que a infraestrutura de IA utiliza a água da forma mais eficiente possível, com a otimização do consumo dentro das Regiões AWS e Zonas de Disponibilidade que albergam as cargas de trabalho de IA.
  • IA para a Água – aproveitar as vastas capacidades da Inteligência Artificial (e Machine Learning), em plataformas como o Amazon SageMaker e outras, de análise de dados, para resolver desafios urgentes de escassez e gestão hídrica. O que inclui análises preditivas de procura, deteção de anomalias em redes e otimização de processos de tratamento.

Ralph Erik Exton, diretor executivo da WEF, sublinha a importância desta união: “As empresas de água em todo o mundo, enquanto servem comunidades que dependem de serviços de água fiáveis e acessíveis, enfrentam desafios sem precedentes devido às alterações climáticas e a infraestruturas envelhecidas. O Water-AI Nexus vem acelerar a inovação e conectar profissionais da água com especialistas em IA para que desenvolvam soluções que beneficiem ambos os setores, e as comunidades. Esta plataforma colaborativa promove o desenvolvimento de soluções nativas na cloud e a otimização da gestão da água com recurso a dados.”

Boas Práticas Para o Uso Sustentável da Água
Uma das principais iniciativas do Centro de Excelência Water-AI Nexus é a criação de diretrizes e padrões para o uso responsável da água no setor de IA. O objetivo é promover as melhores práticas na indústria e estabelecer critérios de conformidade para a eficiência hídrica em centros de dados.

Nesse sentido, foi hoje lançado o guia de boas práticas “Princípios para o Uso Sustentável da Água por Data Centers”, um roteiro essencial para operadores de data centers minimizarem os seus impactos hídricos, mas continuarem a maximizar o avanço tecnológico.

Este guia estabelece quatro princípios essenciais:
  1. Design e localização inteligentes – considerando dados e impacto ambiental),
  2. Otimização operacional – com monitorização em tempo real e automação),
  3. Uso de fontes de água sustentáveis – integrando-se com tecnologias como AWS IoT) e
  4. Reposição de água nas comunidades – alinhado com as metas de responsabilidade social).
  5. A partilha de conhecimento é fundamental pelo WATER-AI NEXUS, e garantem estudos de caso e resultados divulgados em eventos como o AWS re:Invent, e outros fóruns, assim como a colaboração intersetorial – ligação entre empresas de água, desenvolvedores de IA, investigadores e o governo – vai ser incentivada para promover a inovação.
O consumo de água é uma grande preocupação entre os principais desenvolvedores de data centers. De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), um centro de dados típico de 100 MW nos EUA consome cerca de dois milhões de litros de água por dia. À escala global, a AIE estima que o sector dos centros de dados consuma actualmente mais de 560 mil milhões de litros de água por ano, podendo este número aumentar para 1,2 biliões de litros anualmente até 2030.

A Amazon adotou várias medidas para tornar o seu uso de água mais sustentável. Em junho, a empresa anunciou que estava a expandir o número de locais que utilizam águas residuais tratadas para arrefecimento de data centers de 20 para 120.

Inovação hídrica da Amazon na Península Ibérica
Na Península Ibérica, o compromisso da Amazon com a inovação na gestão hídrica e energética já é visível. Em março deste ano foram anunciados três novos projetos hídricos na região de Aragão, sede da Região AWS Europa. Com um investimento total de 17,2 milhões de euros, estas iniciativas visam proteger 700.000 residentes de Saragoça contra inundações, modernizar infraestruturas críticas e otimizar o uso da água na agricultura através da Inteligência Artificial (IA).

Os projetos incluem:
  1. Sistemas de alerta precoce baseado na cloud e IA para prevenção de inundações,
  2. Programas de apoio agricultores locais na implementação de IA para maximizar a produtividade e reduzir a pegada hídrica.
  3. Melhorias nas infraestruturas de abastecimento de água em Huesca.
  4. Outro exemplo claro de inovação e tecnologia aplicada na gestão da água é o da SPHERAG. Esta empresa espanhola utiliza soluções de IA, machine learning e IoT da AWS para melhorar a eficiência hídrica no setor agrícola, demonstrando como a tecnologia pode transformar a gestão deste precioso recurso e contribuir para o compromisso global da Amazon de devolver mais água às comunidades e ao ambiente do que utiliza nas suas operações até 2030.
As organizações dos setores da água e da tecnologia são convidadas a participar neste esforço colaborativo em Water-AI Nexus

A Google, a Microsoft e a Meta também adotaram iniciativas para apoiar o uso mais sustentável da água e comprometeram-se a atingir a positividade hídrica até 2030.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

As três profissões que sobreviverão à IA, segundo Bill Gates

A visão de Bill Gates para o futuro da IA: o bilionário alerta que a inteligência artificial irá substituir muitos empregos, mas identifica três profissões que continuarão a ser essenciais, pelo menos por enquanto.

A ascensão da inteligência artificial já não é uma possibilidade distante. Está a redefinir indústrias de forma mais rápida do que alguma vez se imaginou. Embora a IA prometa eficiência e inovação, também desperta preocupações sobre a deslocação generalizada de postos de trabalho.

O bilionário da tecnologia Bill Gates alertou que a IA irá automatizar muitas funções, deixando inúmeros trabalhadores em risco. No entanto, nem todas as profissões irão sucumbir ao domínio da IA. Numa entrevista a Jimmy Fallon no programa The Tonight Show da NBC, Gates identificou três áreas fundamentais que, pelo menos por agora, permanecem fora do alcance da IA.

Programadores: os arquitetos da IA
Ironicamente, as pessoas responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas de IA estão entre aquelas cujos empregos permanecem seguros. Embora a IA consiga gerar código, carece da precisão, da adaptabilidade e das capacidades de resolução de problemas necessárias para o desenvolvimento de software complexo. Gates acredita que os programadores humanos continuarão a desempenhar um papel crítico no refinamento, na depuração (debugging) e no avanço da própria IA. Por outras palavras, a IA pode ajudar na programação, mas continua a precisar de profissionais qualificados para guiar a sua evolução.

Especialistas em energia
O setor energético é complexo demais para que a IA o gira de forma independente. Desde o petróleo e a energia nuclear até às soluções de energia renovável, os especialistas do setor têm de navegar por desafios regulamentares, desenvolver estratégias sustentáveis e responder a exigências globais imprevisíveis. Embora a IA possa aumentar a eficiência e fornecer dados analíticos, Gates afirmou que a tomada de decisões humana continua a ser insubstituível — especialmente na gestão de crises e no planeamento energético a longo prazo. Por enquanto, os profissionais da energia continuam a ser indispensáveis.

Assistência a biólogos
Na investigação médica e na descoberta científica, os biólogos dependem da intuição, da criatividade e do pensamento crítico — competências que a IA ainda não domina. Embora a IA consiga processar vastos conjuntos de dados e ajudar no diagnóstico de doenças, não consegue formular hipóteses inovadoras nem dar os saltos intuitivos que impulsionam os avanços científicos. Gates previu que os biólogos continuarão a ser essenciais para expandir as fronteiras da medicina e compreender as complexidades da vida, funcionando a IA como uma ferramenta poderosa e não como um substituto.


O futuro do trabalho: Adaptar ou ser substituído
Embora estas profissões pareçam seguras por agora, Gates reconheceu que o impacto da IA no mercado de trabalho continuará a evoluir de formas que ainda não conseguimos prever. Tal como as revoluções tecnológicas do passado redefiniram indústrias, a IA irá redefinir as competências que mantêm o seu valor.

Aqueles que trabalham em programação, energia e biologia poderão usufruir de alguma segurança no emprego, mas para todos os outros a mensagem é clara: “Adaptem-se, inovem e preparem-se para um futuro onde a IA não é apenas uma ferramenta, mas sim um concorrente”.

terça-feira, 25 de junho de 2024

Microsoft charged with EU antitrust violations for bundling Teams



EU regulators have charged Microsoft with illegally bundling its Teams chat app with its Office 365 and Microsoft 365 subscriptions. It’s the first time Microsoft has been charged with antitrust violations in the EU for 15 years, following two big cases related to Windows Media Player and Internet Explorer bundling.

“The European Commission has informed Microsoft of its preliminary view that Microsoft has breached EU antitrust rules by tying its communication and collaboration product Teams to its popular productivity applications included in its suites for businesses Office 365 and Microsoft 365,” says the European Commission in a statement today.

Microsoft has now been handed a statement of objections, a list of the EU’s concerns over its Teams bundling. The software giant unbundled Teams from Office in Europe last year in an attempt to address regulator concerns, and then spun off Teams from Office 365 as its own separate app globally. The unbundling hasn’t been enough to prevent charges, though.

“We are concerned that Microsoft may be giving its own communication product Teams an undue advantage over competitors, by tying it to its popular productivity suites for businesses,” says Margrethe Vestager, the head of competition policy in Europe. “If confirmed, Microsoft’s conduct would be illegal under our competition rules. Microsoft now has the opportunity to reply to our concerns.”

Microsoft says it is working with the EU to find solutions. “Having unbundled Teams and taken initial interoperability steps, we appreciate the additional clarity provided today and will work to find solutions to address the Commission’s remaining concerns,” says Microsoft president Brad Smith in a statement to the Financial Times.

EU lawmakers first opened a Microsoft antitrust investigation into Teams bundling last year, following an anti-competitive complaint filed by Slack in July 2020. Slack’s original complaint alleged that Microsoft had “illegally tied” its Microsoft Teams product to Office and is “force installing it for millions, blocking its removal, and hiding the true cost to enterprise customers.”

“The Statement of Objections issued today by the European Commission is a win for customer choice and an affirmation that Microsoft’s practices with Teams have harmed competition,” Sabastian Niles, president and chief legal officer of Salesforce, Slack’s parent company, says in a statement. “We appreciate the Commission’s thorough investigation of Slack’s complaint and urge the Commission to move towards a swift, binding, and effective remedy that restores free and fair choice and promotes competition, interoperability, and innovation in the digital ecosystem.”

If Microsoft is found guilty of antitrust violations, the firm could face a fine of up to 10 percent of the company’s annual worldwide turnover. The European Commission could also impose remedies to force Microsoft to change its software products, much like it has in the past.

In 2004 the European Commission ordered Microsoft to offer a version of Windows without Media Player bundled, which resulted in a Windows XP N version available only in EU markets. In 2009 Microsoft was also forced to implement a browser ballot box in its Windows operating system to ensure users were presented with a choice of web browsers, after years of Microsoft bunding Internet Explorer with Windows. Microsoft was then fined $730 million in 2013 for failing to include the browser ballot in Windows 7 SP1.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Documentário: África, engenharia genética e Fundação Gates


Lobistas, filantropos e empresários defendem o uso da engenharia genética em África. Eles garantem que é a solução no combate à fome e à malária, duas das maiores pragas do continente.

Entre os seus apoiantes está Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo e criador da mais influente fundação de caridade da história. O documentário mostra como a "Fundação Bill & Melinda Gates" se tornou uma das mais importantes financiadoras de experiências de engenharia genética em África. Com discrição e imunes a vozes críticas, os pesquisadores trabalham na modificação genética de plantas de mandioca ou mosquitos para solucionar o problema da malária O papel da União Europeia é ambíguo: a comunidade internacional era cética em relação à engenharia genética devido aos riscos potenciais para a saúde e o meio ambiente, mas agora realiza experiências com a Fundação Gates que seriam proibidos na Europa.

A aplicação da engenharia genética em África é uma questão de poder, mas também de dinheiro. E é por isso que a Fundação Gates é criticada: ao financiar a engenharia genética na África, ela está a praticar o jogo do grande agronegócio ocidental.

Este documentário abre as portas para o mundo feliz do filantrocapitalismo, em que caridade e especulação não são mais conceitos opostos, a engenharia genética se disfarça de mitigação da fome e o investimento público está a serviço de interesses privados.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Há quem diga que podemos livrar-nos da crise climática através da "engenharia solar". Não acredite nisso.


As we arrive at Earth Day, there is renewed hope in the battle to avert catastrophic climate change. Under newly elected president Joe Biden, the US has reasserted global leadership in this defining challenge of our time, bringing world leaders together in Washington this week to galvanize the global effort to ramp down carbon emissions in the decade ahead.

So there is promise. But there is also great peril looming in the foreground.

Just as the world, at long last, is getting its act together, an ominous sun-dimming cloud has appeared on the horizon, threatening to derail these nascent efforts. That cloud comes in the form of technologies whose proponents call – somewhat deceptively – “solar geoengineering”.

So-called “solar geoengineering” doesn’t actually modify the sun itself. Instead, it reduces incoming sunlight by other means, such as putting chemicals in the atmosphere that reflect sunlight to space. It addresses a symptom of global heating, rather than the root cause, which is human-caused increase in the atmosphere’s burden of carbon dioxide.

While it is certainly true that reducing sunlight can cause cooling (we know that from massive but episodic volcanic eruptions such as Pinatubo in 1991), it acts on a very different part of the climate system than carbon dioxide. And efforts to offset carbon dioxide-caused warming with sunlight reduction would yield a very different climate, perhaps one unlike any seen before in Earth’s history, with massive shifts in atmospheric circulation and rainfall patterns and possible worsening of droughts.

What could possibly go wrong? Elizabeth Kolbert’s book Under a White Sky documents case after case where supposedly benign environmental interventions have had unintended consequences requiring layer after layer of escalating further technological interventions to avert disaster. When the impacts are local, as in Australia’s struggle to deal with consequences of deliberate introduction of the cane toad, the spread of catastrophe can be contained (so far, at least). But what happens when the unintended consequences afflict the entire planet?

Then there is the mismatch of time scales. The heating effect of carbon dioxide persists for 10,000 years or more, absent unproven technologies for scrubbing carbon dioxide out of the atmosphere. In contrast, the sun-dimming particles in question drop out in a year or less, meaning that if you come to rely on geoengineering for survival, you need to keep it up essentially forever. Think of it as climate methadone.

And if we are ever forced to stop, we are hit with dangerous withdrawal symptoms – a catastrophic “termination shock” wherein a century of pent-up global heating emerges within a decade. Some proponents insist we can always stop if we don’t like the result. Well yes, we can stop. Just like if you’re being kept alive by a ventilator with no hope of a cure, you can turn it off – and suffer the consequences.

Geoengineering evangelists at Harvard have pushed for expanded consideration of such technology; as panic over the climate crisis has grown, so too has support for perilous geoengineering schemes spread well beyond Cambridge, Massachusetts. And the lines between basic theoretical research (which is worthwhile – climate model experiments, for example, have revealed the potential perils) on the one hand, and field testing and implementation on the other, have increasingly been blurred.

Solar geoengineering has been cited in the Democratic Climate Action Plan. MIT’s Maria Zuber, incoming co-chair of Biden’s president’s council of advisers on science and technology (PCAST) is on record as favoring an expanded federal geoengineering research program. And now the other shoe has dropped – the US National Research Council has recently released a report going well beyond the very cautious, tentative recommendations for continued research in the 2015 NRC report one of us (Pierrehumbert) co-authored.
There is promise. But there is also great peril looming in the foreground

The new report pushes for a massive $200m five-year funding program. The growing support is based on a fundamental misconception, captured in the NRC report’s justification statement: that we likely won’t achieve the necessary decarbonization of our economy in time to avoid massive climate damages, so this technology might be needed.

Such “Plan B” framing is the worst possible justification for developing solar geoengineering technology. It is laden in moral hazard – providing, as it does, an excuse for fossil fuel interests and their advocates to continue with business as usual. Why reduce carbon pollution if there is a cheap workaround? In The New Climate War, one of us (Mann) argues that geoengineering advocacy is indeed one of the key delay tactics used by polluters.

If the world fails to achieve net zero carbon dioxide emissions, then each year’s emissions will add to the stock of atmospheric carbon dioxide, requiring ever-escalating ratcheting up any techno-fix and ever-escalating increase in the damage wrought by termination shock. And meanwhile, other dangerous effects of accumulating carbon pollution, such as ocean acidification, continue to worsen over time.

If the world decarbonizes eventually but only after pumping out so much carbon dioxide that it renders the world lethally hot, then deploying sun-dimming as a survival tactic puts the world in a precarious state, one in which current and future generations would live in perpetual fear of sudden death by termination shock. The sad fact of the matter is that there is no viable plan B for the climate crisis; rapid decarbonization is our only safe path forward.

Advocates in the scientific community, for the most part, are only recommending research, not deployment, right now. But research won’t solve any of the big unknowns. And it won’t make any of the really big known problems – millennial commitment and termination shock – go away. Research that goes beyond basic climate modeling experiments, for example that involving field tests and trial runs, will likely only serve to boost development of engineering technologies that make deployment more likely. The Harvard group, in fact, has provided a whole roadmap to deployment including working on designs of aircraft to deliberately pollute the stratosphere. That can hardly be dismissed as merely “research”.

Advocates are generally clear in stating that sunlight reduction is no substitute for decarbonization, but they are naive in their professed belief that developing the technologies can be done without risk to the push for real solutions to the climate crisis.

In his own recent book, Bill Gates insists that renewable energy is inadequate to decarbonize our economy at present. Peer-reviewed research suggests he’s wrong about that. But in being so dour about renewables he ends up advocating for the far riskier strategy of geoengineering – a strategy that will shift needed resources away from safe clean-energy solutions.

It is said that desperate times call for desperate measures. But there is still a safe path forward to addressing the climate crisis – as long as we avoid unwise detours and dead ends.

Ray Pierrehumbert, FRS, is the Halley professor of physics at the University of Oxford. He was an author of the 2015 NRC report on climate intervention

Michael E Mann is distinguished professor of atmospheric science at Pennsylvania State University. He is author of The New Climate War: The Fight to Take Back Our Planet

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Do microchip de Bill Gates à alteração de ADN: as mentiras sobre as vacinas da covid-19 e os factos

São muitas as teorias da conspiração e notícias falsas que têm como objectivo colocar em causa a segurança e eficácia de uma potencial vacina para a covid-19. Com ajuda de um especialista, desconstruímos com factos as campanhas de desinformação que percorrem as redes sociais.


Quando foi noticiada, esta segunda-feira, a informação de que a vacina desenvolvida pela Moderna, empresa de biotecnologia norte-americana, mostrou uma eficácia de 95% nos testes, milhares de pessoas saudaram o resultado encorajador nas redes sociais como um passo em direcção a uma normalidade perdida. Contudo, uma pequena franja das redes sociais concentrou-se nas ligações da Moderna a Bill Gates, criador da Microsoft e um dos homens mais ricos do mundo, questionando a veracidade da informação transmitida pela empresa de biotecnologia.

Uma das teorias da conspiração mais usada por páginas de desinformação diz que a pandemia da covid-19 foi construída em laboratórios e é apenas um plano para que Bill Gates possa plantar um chip que servirá para monitorizar a população humana. Como será este pequeno aparelho introduzido no corpo humano? Através da vacina que irá combater o novo coronavírus, alegam os negacionistas, sem qualquer prova que sustente esta acusação.

“De modo geral, as fake news não alteraram a sua matriz. A grande alteração com a covid-19 foi o impacto imediato destas notícias falsas na saúde pública. Temos aqui um grande risco”, alerta Francisco Conrado, docente e investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho. Também David Marçal, bioquímico e divulgador de ciência, considera que esta desinformação poderá consubstanciar perigos sérios, mostrando algum alento pelo facto de os movimentos antivacinação não serem tão expressivos em Portugal como em outros países.


Mas há qualquer fundamento para esta – ou qualquer outra – teoria que circula nas redes sociais sobre vacinas? Com a ajuda de David Marçal, o PÚBLICO desconstrói a desinformação que poderá encontrar nas redes sociais.

O microchip de Bill Gates

Facebook e Youtube decidiram proibir recentemente a publicação de vídeos com desinformação sobre vacinas. Algumas destas teorias apontavam o empresário como a mente na origem de um plano que pretende manipular a população mundial. À BBC, a fundação Gates rejeitou as acusações.

“É um absurdo tão grande que até é difícil de comentar. Não há qualquer prova de que isso seja possível, é uma teoria delirante. Mas se olharmos para a questão do ponto de vista tecnológico, nem sequer faz sentido. Como diria Carl Sagan, para alegações extraordinárias são precisas provas extraordinárias e estas não existem. É sempre possível criar uma história se juntarmos vários factos sem ligação. Mas se a ideia fosse injectar um microdispositivo não seria necessário inventar uma doença, como muitos acreditam que foi o caso, para depois inventar uma vacina. É uma teoria da conspiração”, resume o bioquímico David Marçal.
Vacinas saltam fases de teste?

Em vários países, gigantes da farmacêutica tentam chegar a uma solução eficaz contra a covid-19. As recompensas económicas e reputacionais são enormes e, por esse motivo, há quem difunda a ideia de que estas empresas estão a recorrer a “atalhos” para acelerar a produção da vacina. Mas há provas de que isto acontece?

David Marçal faz questão de vincar o escrutínio por que passam os investigadores na fase de produção da vacina, considerando que seria impossível uma vacina chegar ao mercado sem mostrar resultados de ensaios clínicos. A agilização da parte logística é uma realidade, admite, mas garante que em nada afecta a eficácia e segurança da vacina.


“A indústria farmacêutica é uma das mais altamente reguladas no planeta. Para a vacina estar no mercado, as farmacêuticas têm de apresentar os resultados dos ensaios clínicos em todas as fases. Claro que há uma intenção de aceleração, mas é feita de duas formas: a primeira com uma grande alocação de recursos para a investigação, algo que acontece. Por outro lado, existe a realização de fases em simultâneo. Ou seja, a vacina começa a ser produzida antes de estar aprovada, com a esperança de que seja aprovada. O que é legítimo, visto estar a apressar-se a logística mas não a ciência. A fase que é muito difícil de acelerar é a do ensaio clínico. Só ao fim de algum tempo saberemos se o grupo que tomou a vacina está mais protegido do que o da vacina placebo”, argumenta.

Alteração de ADN?

Também ganhou eco nas redes sociais a ideia de que o material genético presente numa vacina experimental para a covid-19 irá modificar o ADN da pessoa que o recebe. Esta alegação foi partilhada no Twitter por Emerald Robinson, correspondente na Casa Branca do Newsmax, site tendencialmente favorável a Donald Trump. A publicação recebeu milhares de “gostos” e foi também partilhada por milhares de pessoas.

“Essa teoria de edição genética está ainda numa fase embrionária e não se afirma plausível. A ciência é um empreendimento colectivo, não é aquela ideia de um homem de barbas fechado numa cave que algumas pessoas têm. Houve um caso de um cientista chinês que modificou o material genético de dois bebés, mas é algo eticamente reprovável e esse homem foi inclusive sentenciado a pena de prisão”, explica David Marçal, concluindo que também estas acusações não têm qualquer fundamento científico.
Vacina da gripe e covid-19

A ligação entre a vacina da gripe e o novo coronavírus SARS-CoV-2 foi uma das primeiras campanhas de desinformação a desenvolver-se após a chegada da pandemia à Europa e Estados Unidos. Em Abril, a equipa de fact-checking da agência Reuters dedicou um artigo a essa alegação, que se espalhava pelas redes sociais e apontava a vacina da gripe como uma das responsáveis pela propagação da covid-19, pelo facto de alegadamente possuir material genético do vírus que causa a doença covid-19. 

“A vacina da gripe é composta por antigénios do vírus da gripe. Volto a recordar que esta vacina é um medicamento, altamente regulado, e qualquer irregularidade seria prontamente detectada. Será que nenhum desses negacionistas conhece alguém que tenha tomado a vacina da gripe e não tenha sido infectado pela covid-19? Tendo em conta que estamos a falar de grupos mais frágeis [que recebem a vacina da gripe], é absurdo que as pessoas tenham essa ideia”, finaliza o bioquímico.

sábado, 21 de setembro de 2019

Vaclav Smil: ‘Growth must end. Our economist friends don’t seem to realise that’


Vaclav Smil is a distinguished professor emeritus in the faculty of environment at the University of Manitoba in Winnipeg, Canada. Over more than 40 years, his books on the environment, population, food and energy have steadily grown in influence. He is now seen as one of the world’s foremost thinkers on development history and a master of statistical analysis. Bill Gates says he waits for new Smil books the way some people wait for the next Star Wars movie. The latest is Growth: From Microorganisms to Megacities.

You are the nerd’s nerd. There is perhaps no other academic who paints pictures with numbers like you. You dug up the astonishing statistic that China has poured more cement every three years since 2003 than the US managed in the entire 20th century. You calculated that in 2000, the dry mass of all the humans in the world was 125m metric tonnes compared with just 10m tonnes for all wild vertebrates. And now you explore patterns of growth, from the healthy development of forests and brains to the unhealthy increase in obesity and carbon dioxide in the atmosphere. Before we get into those deeper issues, can I ask if you see yourself as a nerd?
Not at all. I’m just an old-fashioned scientist describing the world and the lay of the land as it is. That’s all there is to it. It’s not good enough just to say life is better or the trains are faster. You have to bring in the numbers. This book is an exercise in buttressing what I have to say with numbers so people see these are the facts and they are difficult to dispute.

Growth is a huge book – almost 200,000 words that synthesise many of your other studies, ranging across the world and exploring far into the past and future. Do you see this as your magnum opus?
I have deliberately set out to write the megabook on growth. In a way, it’s unwieldy and unreasonable. People can take any number of books out of it – economists can read about the growth of GDP and population; biologists can read about the growth of organisms and human bodies. But I wanted to put it all together under one roof so people could see how these things are inevitably connected and how it all shares one crystal clarity: that growth must come to an end. Our economist friends don’t seem to realise that.

I first came across your work while I was writing a book about the Chinese environment. Time and again, you had the data that I was looking for – and it often revealed how dubious many of the official statistics were. You have been described as a “slayer of bullshit”. Is that your goal?
I was brought up in Czechoslovakia during the era of the Soviet bloc. Having spent 26 years of my life in the evil empire, I do not tolerate nonsense. I grew up surrounded by commie propaganda – the bright tomorrow, the great future of mankind – so I’m as critical as they come. It’s not my opinion. These are the facts. I don’t write opinion pieces. I write things that are totally underlined by facts.

You debunk overly rosy projections by techno-optimists, who say we can solve all our problems with smarter computers, and economists, who promise endless capitalist growth. In many countries, the downside of material growth now seems greater than the upside, which leads to what you call “anthropogenic insults to ecosystems”. Is that a fair summary?
Yes, I think so. Without a biosphere in a good shape, there is no life on the planet. It’s very simple. That’s all you need to know. The economists will tell you we can decouple growth from material consumption, but that is total nonsense. The options are quite clear from the historical evidence. If you don’t manage decline, then you succumb to it and you are gone. The best hope is that you find some way to manage it. We are in a better position to do that now than we were 50 or 100 years ago, because our knowledge is much vaster. If we sit down, we can come up with something. It won’t be painless, but we can come up with ways to minimise that pain.

So we need to change our expectations of GDP growth?
Yes, the simple fact is that however you define happiness, we know – and we have known this for ages – that the amount of GDP is not going to improve your satisfaction with life, equanimity and sense of wellbeing. Look at Japan. They are pretty rich but they are among the unhappiest people on the planet. Then who is always in the top 10 of the happiest people? It is the Philippines, which is much poorer and smitten by typhoons, yet many times more happy than their neighbours in Japan. Once you reach a certain point, the benefits of GDP growth start to level off in terms of mortality, nutrition and education.

Is that point the golden mean? Is that what we should be aiming for rather than pushing until growth becomes malign, cancerous, obese and environmentally destructive?
Exactly. That would be nice. We could halve our energy and material consumption and this would put us back around the level of the 1960s. We could cut down without losing anything important. Life wasn’t horrible in 1960s or 70s Europe. People from Copenhagen would no longer be able to fly to Singapore for a three-day visit, but so what? Not much is going to happen to their lives. People don’t realise how much slack in the system we have.

You cite Kenneth Boulding’s distinction between the “cowboy economy” and the “spaceman economy”. The former is wide-open spaces and seemingly endless opportunities for resource consumption. The latter is a recognition that planet Earth is more like a closed spaceship on which we need to carefully manage our resources. The challenge is to shift from one way of thinking to another. But human history is thousands of years of cowboys and only a few decades of spacemen. Aren’t we hardwired?
There is a deep tradition both in the eastern and western traditions of frugality, living within your means and a contemplative life. It has always been like this. Now there is this louder voice calling for more consumption and a bigger bathroom and an SUV, but it’s increasingly apparent that cannot go on. It will be something like smoking, which was everywhere 50 years ago. But now that people realise the clear link to lung cancer, this is restricted. The same will happen when people realise where material growth is taking us. It is a matter of time I think.

How do we move in that direction before the risks become unmanageable?
To answer this, it’s important not to talk in global terms. There will be many approaches which have to be tailored and targeted to each different audience. There is this pernicious idea by this [Thomas] Friedman guy that the world is flat and everything is now the same, so what works in one place can work for everyone. But that’s totally wrong. For example, Denmark has nothing in common with Nigeria. What you do in each place will be different. What we need in Nigeria is more food, more growth. In Philippines we need a little more of it. And in Canada and Sweden, we need less of it. We have to look at it from different points of view. In some places we have to foster what economists call de-growth. In other places, we have to foster growth.

Your one-man statistical analysis is like the entire output of the World Bank. Did this research make you feel we are closer to the end of growth than you previously realised?
People ask me if I am an optimist or a pessimist and I say neither. I am not trying to be deliberately agnostic: this is the best conclusion I can come up with. In China, I told people how bad the environment was and the picture totally shocked people. They said: “When will it collapse?” And I’d answer: “It’s collapsing every day, but it’s also being fixed every day.” They used more coal and got more air pollution, but they also took billions from the World Bank and finally have modern water treatment in big cities. Now they are using modern farming, so they use less water for irrigation. This is how it is. This is what kind of species we are: we are stupid, we are negligent, we are tardy. But on the other hand, we are adaptable, we are smart and even as things are falling apart, we are trying to stitch them together. But the most difficult thing is to calculate the net effect. Are we up or down? For all the analysis, we don’t know this.

Your book notes that the entire library of Rome, 2,000 years ago, contained about 3 gigabytes of information, but now the global internet has more than a trillion times more. You are clearly sceptical this has been a net positive or that it has improved our ability to deal with our problems.
The growth of information is not just a flood or an explosion. Those adjectives are inadequate. We are buried under information. It’s not doing anyone any good. There are satellites above us producing huge amounts of information, but there are not enough people to analyse it. Yes, computers can help and shrink the amount, but someone still has to make decisions. There is too much to grasp.

Did you experience any statgasms (statistical orgasms) is the course of the research?
I am a biologist by training, so I was delighted to read new studies about the world’s biggest trees – the redwoods and eucalyptus. They never stop growing. And for elephants, they have indeterminate patterns of growth and never really stop until they die. We humans stop when we are 18 or 19. But the biggest species on the planet keep on growing until they die.

And on human population?
What is most remarkable is how rapid the decline has been. For more than a 100 years, the growth rate accelerated. The 1930s faster than the 20s, the 40s faster than the 30s and so on. By the 1960s, the world population was growing so fast that a famous paper in Science said that by 2024, it would be growing at an infinite rate – like a population singularity moment, which is, of course, absurd. Since then, the rate has declined every year. Population continues to grow in absolute terms, but in percentage terms it has been declining since the mid-60s.

Overall, I would say the tone of the book is pessimistic, but you also mention the possibility of a more optimistic scenario in which the global population does not expand beyond 9 billion – as is currently predicted – and in which the energy transition is faster than expected. Even if material demands peak before 2050, that still leaves us several decades of rising pressure. Given the already apparent strains on the climate, the soil, biodiversity and social stability, how do we get over this dangerous bulge?
That is the difficult part. In the western world and Japan, we are almost there. China still has a way to go because it is at the level of Spain in the 1960s in terms of energy. The real bulge is coming in Africa, where 1 billion more people will be born. Just to bring the current African population to a decent level of living, like Vietnam and Thailand, is tough. To do that with an extra billion will be extraordinarily hard. You can bring it all down to one figure – it is gigajoules of consumption of energy per person per year, but the unit is not important. Just consider the comparison. The US is about 300. Japan is about 170. The EU is about 150. China is now close to 100. India is 20. Nigeria is 5. Ethiopia is 2. To grow from Nigeria to China is a 20-fold increase just on per capita terms. Such is the scale of the bulge. So you can cut consumption in Copenhagen or Sussex, but not in Nigeria.

Is ageing Japan a model? It strikes me as incredible that the country has been able to weather a long decline of property prices, stock market values, population vitality and influence without sliding into chaos. Are there lessons there for others who face involuntary retreat?
Japan can only be a partial model, because until recently it was such a frugal and disciplined society that people there can tolerate what others would not accept. But we have slack. We are so fat in terms of material consumption. There is room to cut back. But there is no easy answer. If there were, we would have already done it.

Can businessmen accept an end to growth? Have you mentioned this to Bill Gates?
I don’t need to tell him. He knows a lot about the environment. Put aside the billions of dollars and he is just a guy who likes to understand the world. He reads dozens of books every year. Like me.

Growth: From Microorganisms to Megacities by Vaclav Smil is published by MIT Press (£30). To order a copy go to guardianbookshop.com. Free UK p&p on all online orders over £15


A History (MIT Press, 2017)
“Smil is one of my favourite authors and this is his masterpiece. He lays out how our need for energy has shaped human history – from the era of donkey-powered mills to today’s quest for renewable energy.”

Making the Modern World: Materials & Dematerialization(Wiley, 2013)
“If anyone tries to tell you we’re using fewer materials, send him this book. With his usual scepticism and his love of data, Smil shows how our ability to make things with less material – say, soda cans that need less aluminium – makes them cheaper, which actually encourages more production. We’re using more stuff than ever.”

Harvesting the Biosphere(MIT Press, 2013)
“Here [Smil] gives as clear and as numeric a picture as is possible of how humans have altered the biosphere… it tells a critical story if you care about the impact we’re having on the planet.”

domingo, 18 de novembro de 2018

Yuval Noah Harari, o filósofo futurista que sem usar telemóvel se tornou o guru involuntário de Silicon Valley




Yuval Noah Harari não usa telemóvel e passa grande parte dos seus dias longe do incessante fluxo de informação que, através da internet, transborda a vida de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.

Apesar disso, este filósofo e professor de história da Universidade Hebraica de Jerusalém tornou-se uma espécie de guru admirado pelas elites de Silicon Valley.

Tudo começou com o seu livro "Sapiens: História Breve da Humanidade", um ambicioso texto sobre a história da humanidade que se transformou num bestseller internacional após ser publicado em inglês em 2014.

Até ao momento, venderam-se mais de oito milhões de cópias da obra, que já foi traduzida para cerca de 50 idiomas.

A este sucesso seguiu-se "Homo Deus: História Breve do Amanhã", um livro sobre o futuro da humanidade do qual se venderam mais de quatro milhões de exemplares.

Mais recentemente, publicou "21 Lições para o Século XXI", onde analisa o mundo atual e faz advertências sobre os grandes desafios do momento, como as alterações climáticas, a revolução das tecnologias disruptivas ou as armas de destruição maciça.

As obras de Harari foram elogiadas e recomendadas por Bill Gates e Mark Zuckerberg, fundadores da Microsoft e do Facebook, respetivamente.

E durante uma digressão recente pela Califórnia para promover o seu último livro, este intelectual de 42 anos foi convidado a reunir-se com os membros da X, a divisão de investigação da Alphabet (a empresa-mãe da Google), e assistiu a um jantar organizado em sua honra por Reed Hastings, o diretor executivo da Netflix.

No entanto, mais do que satisfeito, Harari sente-se desconfortável e um pouco perplexo com a boa receção que a sua obra tem tido entre os líderes das grandes empresas tecnológicas.

Porquê?

Enfraquecendo a democracia
A sua inquietude surge do facto de os seus livros serem críticos de Silicon Valley, por considerar que as suas tecnologias estão a enfraquecer a democracia.

Preocupa-o que, ao influenciarem milhares de milhões de pessoas no mundo através dos seus programas e aplicações, as empresas tecnológicas estejam a acabar com a ideia de cidadãos que dispõem de livre-arbítrio.

Numa palestra com lotação esgotada num auditório em São Francisco, noticiada pelo The New York Times, Harari afirmou que, ao ritmo a que as coisas vão, os partidos políticos podem perder a sua razão de ser.

Assegurou que a ordem liberal se tem baseado em ficções como a de que "o cliente tem sempre razão" ou no conselho "segue o teu coração" — ideias que, segundo ele, podem deixar de ser operacionais num mundo no qual, através da inteligência artificial, os "corações" podem ser manipulados de forma massiva.

"Se os seres humanos são animais que podem ser hackeados e se as tuas preferências e opiniões não refletem o teu livre-arbítrio, que sentido tem a política?", perguntou também Harari num artigo que publicou no jornal britânico The Guardian.

No seu livro "Homo Deus", este intelectual também se refere ao surgimento da "religião dos dados", um culto futuro em torno do poder dos algoritmos num mundo onde imperam a inteligência artificial e o big data.

Mas, aparentemente, imaginar esse mundo não resulta desconfortável para alguns dos líderes das grandes empresas de Silicon Valley.

Segundo contaram Harari e o seu editor ao New York Times, durante a reunião na Alphabet os funcionários mais jovens da companhia expressaram preocupação com a possibilidade de o seu trabalho estar a favorecer a constituição de uma sociedade menos livre, enquanto os cargos de chefia  - no geral - consideravam que o seu impacto social era positivo.

Desnecessários
Mais além das implicações políticas, o filósofo israelita está inquieto com a possibilidade de a atual revolução tecnológica — com a sua robotização massiva — terminar por beneficiar apenas alguns e derivar, de facto, na criação de uma classe social "inútil".

Assim, assinalou que a maior parte da população mundial é totalmente dispensável na tarefa de criação do futuro com que sonham em locais como Silicon Valley.

"Cada vez mais tens a sensação de que todas estas elites nem sequer precisam de ti, e é muito pior ser irrelevante do que ser explorado", disse à assistência da sua recente palestra em São Francisco.

"Vocês são completamente dispensáveis", acrescentou.

Numa entrevista ao jornal Jakarta Post, no entanto, esclareceu que o que o preocupa não é tanto o facto de os robôs deixarem os humanos sem trabalho, mas sim as consequências disso, pois as pessoas ficariam na pobreza e careceriam de poder económico e político.

"Se encontrássemos a forma de igualar os benefícios derivados do trabalho dos robôs para que toda a gente saísse beneficiada, e não apenas uma pequena elite, então poderia ser uma coisa muito boa para a humanidade", apontou.

O que faz falta
Mais além das suas ideias intelectualmente provocadoras, parte do apelo que a figura de Harari exerce sobre as elites tecnológicas prende-se com o seu estilo de vida.

Este professor, que se doutorou na Universidade de Oxford em 2002, dedica duas horas por dia à meditação — uma prática muito difundida na meca da tecnologia - e passa dois meses por ano em absoluto silêncio.

"O Yuval é a personalidade anti-Silicon Valley. Não usa telemóvel e passa muito tempo em contemplação, desligado da rede. Vemo-lo como a pessoa que desejaríamos ser", escreveu sobre ele Reed Hastings, diretor executivo da Netflix.

Harari é vegetariano e vive com o marido num moshav, um tipo de comunidade rural israelita que funciona como uma cooperativa.

Considera que a sua homossexualidade favoreceu o seu trabalho, ao permitir-lhe observar com maior distanciamento a cultura dominante na sua própria sociedade.

E tomar essa distância permite-lhe procurar respostas para as perguntas que considera necessário responder neste momento.

"Qual é a relação entre história e biologia?" ou "quais são as questões éticas que os avanços científicos e tecnológicos do século XXI geram?" são algumas das matérias a que dedica os seus esforços de investigação atualmente.

Contudo, apesar de todas as advertências que faz sobre a influência que os desenvolvimentos tecnológicos estão a ter na sociedade, Harari não acredita na possibilidade nem na necessidade de travar estes avanços.

"As pessoas não se deveriam focar na questão de como parar o progresso da tecnologia, porque isso é impossível", disse numa entrevista ao jornal britânico The Guardian.

"Em vez disso, a pergunta deveria ser qual é o tipo de uso que se pode dar a essa nova tecnologia. E aqui ainda temos bastante poder para influenciar a direção que ela está a tomar", assegurou.