Mostrar mensagens com a etiqueta HFC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta HFC. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Já estamos em ebulição global


A partir desta quinta-feira, 27 de julho, o aquecimento global chegou oficialmente ao fim e começou uma nova era: “A ebulição global”. As palavras fortes são de António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, numa conferência de imprensa em que revelou o que julho de 2023 pode muito bem tornar-se no mês mais quente de sempre na história registada.

“As alterações climáticas estão aqui. É assustador e isto é apenas o início”, disse Guterres. “Ainda é possível limitar o aumento da temperatura global para 1,5 graus e evitar o pior. Mas isto apenas funcionará com ações drásticas e imediatas.”

A informação dada pelo secretário-geral surge após cientistas terem confirmado também nesta quinta-feira que as últimas três semanas foram as mais quentes algumas vez registadas. Karsten Haustein, da Universidade de Leipzig, garante que o mundo está 1,5 graus mais quente este mês do que em qualquer outro julho antes da industrialização.

Em causa estão fatores como a poluição humana. “A humanidade está em risco. Para uma vasta parte da América do Norte, Ásia, África e Europa, está a ser um verão cruel. Para o resto do planeta, é um desastre. E para os cientistas, não há dúvidas: a culpa é das pessoas.”

Vários avisos já tinham sido dados pela comunidade científica ao longo dos últimos nos, por isso esta situação não é propriamente um choque. O que surpreende os especialistas é mesmo a forma acelerada como as temperaturas estão a mudar.

Guterres pediu ainda que os políticos não ficassem estáticos e que tomassem medidas rapidamente. “Este ar não é respirável, o calor não se aguenta, e o nível de inação é inaceitável. Líderes devem liderar. Chega de hesitação e desculpa. já não há tempo para isso”.

Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, também deixa um aviso: “A necessidade de reduzir o efeito estufa é mais urgente do que nunca. A ação climática não é um luxo, mas uma necessidade.”

Não esquecer que entre 65% e 80% do CO2 libertado no ar por acção do homem dissolve-se no oceano num período entre 20 a 200 anos. O restante é removido por processos mais lentos que levam centenas de milhares de anos, incluindo a meteorização química e formação de rochas. Isso significa que, uma vez na atmosfera, o dióxido de carbono pode continuar a afectar o clima por milhares de anos [artigo científico]

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Another global environmental conference is far more successful than UN Climate Conference

In Montreal, the 34th Meeting of Parties on the Montreal Protocol (MOP), dealing with ozone layer damage, just ended. This protocol is ratified by all countries in the world and is very successful. Shiming Yang, university lecturer and member of the Leiden University interdisciplinary programme Global Transformations and Government Challenges, explains why.

Hi Shiming, could you tell us a bit more about the MOP?
‘The Montreal Protocol on Substances that Deplete the Ozone Layer, adopted in 1987, aims to protect the stratospheric ozone layer from chemicals that deplete it. Widely recognized as the most successful multilateral environmental agreement and the only one with universal ratification, it has phased out 98% of ozone-depleting substances (ODS) compared to 1990 levels. In 2016, the Montreal Protocol adopted its latest amendment, the Kigali Amendment, which aimed to phase-down hydrofluorocarbons (HFCs), a potent greenhouse gas (GHG), by more than 80 percent over the next 30 years. This will avoid more than 80 billion metric tons of carbon dioxide equivalent emissions by 2050 – avoiding up to 0.5° Celsius warming by the end of the century – while continuing to protect the ozone layer.’

The adoption of the Kigali Amendment motivated the Montreal Protocol to expand its scope from an ozone treaty to a climate one. Countries and non-state stakeholders are now going beyond “just” protecting the ozone layer to maximize climate benefits achievable under the ozone regime. For example, the MOP-34 passed a decision to incorporate energy efficiency considerations in replenishing the Multilateral Fund, a decision to enhance energy efficiency while facing down HFCs. There were discussions to bring nitrous oxide, a fast-growing ODS but also potent GHG, under the regulation of the Montreal Protocol. Also, the MOP now discusses climate intervention, the “last resort against global warming”, through methods like stratospheric aerosol injection (SAI). SAI aims to cool down the Earth by injecting aerosols into the upper air to reflect solar radiation that otherwise would add heat to the Earth. It is a highly controversial method because of its ethical implications and scientific uncertainty, hence has received little discussion at the UNFCCC.’

Why is the Montreal Protocol so successful?
‘The Montreal Protocol is among the first multilateral environmental agreements that base policy actions on scientific findings. Its Scientific Assessment Panel (SAP) and Technology and Economic Assessment Panel (TEAP) gather experts on atmospheric science and the ODS sector, who produce scientific and technical knowledge in response to parties’ requests and whose reports serve as foundations for relevant negotiations. This institutional design was adopted by the subsequent UNFCCC, but with limited success because it concerns much more sectors, which made it harder to forge consensus and build trust across sectors. Equally important was the North-South cooperation reflected in the Montreal Protocol institutions. It embodies the Common-but-Differentiated Responsibility Principle with the 10-year grace-period for developing countries’ compliance and the Multilateral Fund, replenished every three years by industrialized countries. Commitments are being fulfilled, which enhanced trust among the participants.’

What is the big difference between Montreal Protocol and the UNFCCC COP going on in Egypt right now?
‘I think the biggest focus of this COP is on climate finance, especially on climate adaption and loss and damage, which are the primary concern for an ever-growing number of developing countries, but its urgency is not shared by all industrialized countries. The US$100 billion promised by 2020 failed to deliver, and without credible commitment from the global North, the trust between industrialized and developing countries are unlikely to re-build. Recovering from the pandemic, no country is in great shape to pay for climate actions beyond their borders.’

How do you think that the negotiations on climate change should be approached?
‘I think a sectoral approach would be more efficient than trying to reach an overall agreement on climate change. Sectoral regimes, such as the Montreal Protocol, International Civil Aviation Organization, and the Minamata Convention on Mercury, are in great positions to reduce GHG emission of the corresponding sectors through direct or indirect measures. These regimes are industry-specific and attended by long-time state representatives and sectoral stakeholders. This setting induces trust-building and efficient communication for complex technical issues.’

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O que é a hipótese de Gaia, que defende que a Terra 'está viva'



Ela foi considerada por mais de quatro décadas uma das teorias mais belas (e criticadas) da ecologia.

Na década de 1970, James Lovelock, um biólogo britânico, propôs uma hipótese que causou escândalo, admiração e suspeita em proporções iguais.

Ele disse que a Terra estava viva.

Lovelock, que trabalhava na época para a NASA (agência espacial dos EUA) e era considerado um cientista respeitável, não se embasava em crenças animistas.

Ele também foi controverso entre seus colegas cientistas ambientais e ativistas porque defendia a energia nuclear.

E embora tenha a chamado de hipótese de Gaia, referindo-se à deusa primordial da mitologia grega, ele embasava suas ideias em paradigmas científicos.

Com sua pesquisa, vislumbrou um sistema que refletia o equilíbrio (e a relação) entre os seres vivos e o resto do planeta.

A hipótese, que estudos posteriores transformaram em teoria, se tornou popular nas universidades do mundo todo e foi central para o entendimento sobre o impacto humano no clima.

E embora tenha sido questionada à exaustão, também consagrou seu principal teórico. Ele morreu em 26 de julho, no mesmo dia em que completou 103 anos.

Lovelock morreu aos 103 anos de idade

Considerado um dos biólogos mais importantes do século 20 no Reino Unido, Lovelock realizou também uma contribuição especial por seu descobrimento de que era possível medir a concentração atmosférica de clorofluorcarbonos, os compostos que eram usados para esfriar geladeiras e o ar-condicionado.

Isso levou ao descobrimento do buraco na camada de ozônio e à proibição dos clorofluorocarbonos em 1987.

Ele também criou um dispositivo ainda usado para medir a propagação de compostos tóxicos criados por humanos na natureza, o que cimentou suas teorias sobre a ação humana sobre o planeta.

No entanto, o que o deixou mais conhecido internacionalmente foi sua hipótese que começou a ver a vida na Terra como um sistema em que cada ser vivo tinha um papel: Gaia.

Da astronomia à ecologia

Lovelock baseou sua hipótese inicial em sua observação científica da atmosfera da Terra e de Marte.

Naquela época, nos anos 1960, ele trabalhava na equipe de exploração espacial da Nasa no Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, Califórnia.

Como especialista na composição química dos planetas, Lovelock se perguntou por que nossa atmosfera era tão estável.

Ele considerou que, diferentemente de Marte, algo deveria estar regulando o calor, o oxigênio, o nitrogênio e outros componentes essenciais.

"A vida na superfície é o que deve estar fazendo a regulação", escreveu com a microbióloga americana Lynn Margulis, que foi coautora em seu estudo sobre Gaia.


Lovelock e Margulis avaliaram que os organismos e seu entorno inorgânico na Terra estavam estreitamente integrados para formar um sistema complexo, único e autorregulado.

Isso era, por sua vez, o que mantinha as condições para o desenvolvimento da vida.

"O clima e a composição química do meio ambiente da superfície da Terra estão e têm estado regulados num estado estável para a biota (o conjunto dos organismos vivos)", dizia a pesquisa.

Lovelock trabalhou em sua hipótese inicial por anos e logo recuperou modelos e dados de outras ciências para tentar criar uma teoria.

Foi assim que desenvolveu o modelo chamado "Daisyworld" (sobre como crescem as margaridas num mundo imaginário), que serviu para ilustrar como pode funcionar Gaia.

Segundo a teoria, num planeta imaginário, similar em muitos aspectos à Terra, só crescem margaridas, com abundância de nutrientes e água.

Mas as margaridas brancas e negras competem por espaço.

Ainda que ambos os tipos de margaridas cresçam melhor à mesma temperatura, as margaridas negras absorvem mais calor que as brancas. Quando o sol brilha mais intensamente, aquecendo o planeta, as margaridas brancas se estendem, e o planeta esfria novamente.


Enquanto isso, quando diminui a luminosidade do sol, as margaridas se esticam, aquecendo o planeta.

Dessa maneira, as interações competitivas entre as margaridas proporcionam um mecanismo homeostático para o planeta em seu conjunto.

Em seu livro O futuro do clima mundial, Kendal McGuffie  e Ann Henderson-Sellers explicam que esse modelo ofereceu um "marco matemárico" inicial para compreender a autorregulação da vida na Terra e que tornou Gaia "a teoria ecológica mais ambiciosa baseada na auto-organização".

A fama da teoria fez com que, menos de uma década após ter sido exposta, cientistas do mundo todo tenham se reunido na Universidade de Massachusetts na Primeira Conferência sobre a Hipótese Gaia, cujo tema era: "A Terra é um organismo vivo?"

A hipótese, no entanto, não recebeu uma chancela universal no universo científico.

Muitos pesquisadores a questionaram, fazendo com que Lovelock fosse desenvolvendo novos experimentos e modificações na teoria ao longo dos anos.

Os principais críticos afirmam que a noção de que há um equilíbrio entre os organismos vai contra os princípios da seleção natural. Dizem ainda que a teoria tem um componente teleológico (concebe um fim ou uma meta: a continuação da vida).

Muitos cientistas consideram ainda que ela tem pouco embasamento ou está em desacordo com as evidências disponíveis, a tal ponto que o pesquisador Tyler Volk a classificou de "pensamento otimista".

Mas além dos argumentos favoráveis ou contrários à teoria, uma de suas inovações foi o lugar que ela deu aos humanos dentro desse sistema e como nos apresenta como uma das principais ameaças para o equilíbrio natural da Terra.

"Estamos jogando um jogo muito perigoso. Estamos interferindo diretamente nos principais mecanismos de regulação de Gaia", disse Lovelock à BBC em 2020.

"Minha razão principal para não me aposentar é que, como a maioria de vocês, estou profundamente preocupado com a probabilidade de uma mudança climática enormemente danosa e a necessidade de fazer algo a respeito agora", acrescentou.

Fonte: BBC (BR)

Ler mais: 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Biofilia - o que é?

Biophilic Cities

A biofilia é o amor (philia) à vida (bio).

Este termo foi popularizado por Edward Osborne Wilson, num livro com o mesmo nome publicado pela Harvard University Press 1984. No seu livro, Wilson descreve a biofilia como uma tendência natural a voltarmos nossa atenção às coisas vivas.

Erich Fromm usa o conceito de biofilia como sendo o inverso de necrofilia, enquanto que outros autores opõem biofobia a biofilia.

Entende-se como Filia um sentido de satisfação, necessidade, e não de "amor", como o necrófilo só sente satisfação sexual quando tem relações com defuntos; portanto a biofilia, seria a necessidade ou satisfação pela vida, que também compreende a "natureza" já que Biologia é o estudo da vida e não da natureza, lógico que a vida só é possível pela natureza, mas quando fala-se em amor pela natureza, parece exterioridade como não fazendo parte da constituição psíquica do homem. A biofilia de acordo com Suzuki 2005, no seu documentário Suzuki Speaks da Avanti Pictures - Canadá- diz que para sermos plenamente humanos temos que nos ligar a outras espécies, pois dependemos delas.

Timothy Beatley, enfatiza a conexão emocional do homem com a natureza e desenvolve a ética de conservação através de um complexo de regras de aprendizagem – somos mais generosos na presença da natureza.

Jana Krčmářová faz uma revisão do livro de Edward Wilson. Pode ler aqui



sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Six areas where action must focus to rescue this planet


For some time, the Earth’s natural resources have been depleted faster than they can be replaced. The Intergovernmental Panel on Climate Change has set a 2030 deadline to reduce heat-trapping emissions by half to avoid climate change that is both irreversible and destructive.

With colleagues, we coauthored a climate emergency warning paper in 2019. It has now been co-signed by 14,594 scientists from 158 countries. We also produced an extension in 2020 and a grim update in 2021. Our warnings are supported by thousands of research studies, many referenced in the Intergovernmental Panel on Climate Change papers.

In our new paper, we move beyond warnings and call for concrete actions. These must happen in six areas, at six levels – from household to community, city, state, nation and global – and on three timescales.

In the next three decades, the world must dramatically decrease greenhouse gases in the atmosphere to return to a more stable climate. To do this, we identify priority actions for energy, pollutants, nature, food, population and economy.

This takes place on three timescales – by 2026, 2030, and 2050. By 2050, carbon dioxide emissions must not exceed removals. After that, we must lower atmospheric concentrations by taking enough carbon out of the atmosphere.

Our paper, summarised here, is intended to guide society, decision makers, planners, managers and financial investors with a framework for action. Yet humanity’s biggest challenges are not technical, but social, economic, political and behavioural.

Energy: less, cleaner, more with less
It is essential to reduce demand for energy by increasing energy productivity. That means getting more energy services – heating, cooling, lighting, transport, electricity and mechanical work – out of less primary energy. Fossil fuels are the largest sources of heat-trapping carbon dioxide and methane, and must be replaced. Our paper recommends the following:
  1. Follow much more ambitious road-maps for energy transformation to halve carbon dioxide emissions by 2030.
  2. Create economic incentives to provide energy services with less primary energy.
  3. Replace primary energy from coal, oil, natural gas and wood with solar, wind, geothermal, tidal and hydro energy, wherever ecologically appropriate.
  4. Account for all emissions and black carbon (soot) from burning bioenergy.
  5. Levy high carbon prices on air travel, inefficient vehicles, appliances, buildings and carbon intensive goods.
Pollutants: reduce and remove
Methane, nitrous oxide, hydrofluorocarbons, black carbon and other atmospheric pollutants add directly to global heating. Our warming world is melting permafrost, releasing heat-trapping methane. Policies must:
  1. Rapidly reduce methane emissions from agriculture, industry, and oil and gas production.
  2. Develop effective atmospheric methane removal practices.
  3. Require large methane producers to pay for atmospheric removal.
  4. Reduce methane, nitrogen oxides, carbon monoxide and non-methane hydrocarbons that produce heat-trapping pollutants.
  5. Reduce emissions of hydrofluorocarbons from refrigerants, solvents and other sources.
  6. Reduce nitrous oxide emissions from fertilisers, fossil fuel combustion and industrial processes.
  7. Natural climate solutions
Biodiverse natural ecosystems, including forests, wetlands, grasslands, peatlands and oceans, are essential for our planet to function. This includes carbon management. They remove and store 56% of annual carbon emissions, preventing additional warming.

Society needs to:
  • Protect carbon dense ecosystems to cover 30% of the Earth’s surface by 2030 and remove all emitted carbon dioxide by 2050.
  • Halt destruction of these essential systems.
  • Restore degraded ecosystems.
  • Greatly reduce land conversions by 2026 and halt them by 2030.
Food system reform
Agricultural production is failing to sustain Earth’s nearly 8 billion people without unacceptable damage to climate, land and water. The global food system generates more than 25% of greenhouse gas emissions and consumes 70% of freshwater. Expanding inefficient agriculture causes deforestation and nutrient runoff. It creates coastal low oxygen dead zones. To avoid widespread famines this century, leaders and farmers must:
  1. Shift production to foods that use land and water more efficiently.
  2. Use farming methods that regenerate the environment and store carbon in soils.
  3. Support farmers in these transitions, especially small farmers.
Population stability
Population growth undermines efforts to protect nature and people. Leaders and civil society should:
  • Embed population actions in economic, social and political agendas.
  • Invest more in family well-being through health, education and economic policies.
  • Support poorer families to advance economically and educationally.
  • Protect everyone’s right to life purposes other than parenting.
  • Increase aid for family planning.
Economic reform
Economies must operate within planetary boundaries. Leaders need to:
  1. Correct market failures through appropriate taxes, subsidies and regulations.
  2. Create economic frameworks for profitable activities that protect and restore nature.
  3. Introduce reforms to sustain farm and forest lands, oceans, rivers and wetlands.
  4. Introduce land rights and urban planning models that encourage efficient land use.
  5. Develop economic policies that halt loss of wild lands.
  6. Introduce policies to reduce climate altering emissions and restore socially efficient local production.
We must accelerate these transformations, while maintaining social, economic and political stability. Effective and timely actions are still possible on many, but not all fronts. Avoiding each tenth of a degree increase in global temperature improves the lives of billions of people, thousands of species and ecosystems.

Humanity can choose cooperation, wisdom, innovation, and ethics – or not. People can learn from past mistakes and create better societies. Leaders’ main challenge in the next decade may be to hold the rudder steady as society transforms on an almost impossible timescale. Our actions, or inaction, will determine whether we meet the challenges of the coming decades, and persist as civilised societies.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

A ação judicial climática do século



Caros amigos e amigas,
Estas seis crianças viram o futuro e ficaram aterrorizadas.

Incêndios devastadores em seus países reduziram florestas a nada, matando cerca de 120 pessoas.

À medida que as ondas de calor ficavam fora de controlo, Cláudia, Catarina, Martim, Sofia, André e Mariana observaram a realidade permanente do caos climático mais próximo de casa do que nunca.

Mas eles recusam-se a ter os seus destinos traçados -- e estão a fazer algo extraordinário!

Juntos, estão a levar 33 grandes governos a um dos mais poderosos tribunais do mundo. Se ganharem, todos esses países poderão ser legalmente obrigados a reduzir as suas emissões de carbono.

Este julgamento pode mudar o mundo. Mas estas crianças precisam da nossa ajuda urgentemente.

Neste momento, enfrentam um ENORME exército de advogados governamentais, e após meses de angariação de fundos, simplesmente não têm o suficiente para conseguir a vitória de que o nosso planeta precisa. Mas, se todos nós contribuirmos com apenas uma pequena quantia, poderíamos ajudar a aumentar a equipa de advogados e realizar uma investigação inovadora para ajudar a provar o caso.

Este julgamento não é apenas sobre emissões de carbono -- é sobre o mundo que os nossos filhos e netos irão herdar.

Vamos devolver a esperança à sala de audiências e lutar juntos por um futuro mais seguro  contribuam com o que puderem agora:
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos é muito seletivo quanto aos casos que irá julgar -- e, no entanto, os juízes estão a acelerar este processo. Isto é extremamente importante. Porque as alterações climáticas são uma grave ameaça aos nossos direitos humanos fundamentais -- e a crise nunca foi tão urgente.

2020 foi oficialmente registado como o ano mais quente: um ano de incêndios, inundações e glaciares a desaparecerem diante dos nossos olhos. O mundo está a estremecer e este grande templo da vida está à beira do abismo. Temos de agir já.

Ao longo dos anos temos vindo a apelar a uma verdadeira ação climática. Esta é a nossa oportunidade de a forçar -- por isso vamos ajudar estas crianças a vencer! Se bastasse a nossa participação, poderíamos:

  • Expandir e reforçar maciçamente a equipa jurídica para assistir os advogados no julgamento;
  • Financiar uma investigação inovadora para mostrar como os governos estão a prejudicar o futuro das nossas crianças;
  • Recrutar assistentes jurídicos e investigadores para analisar o desmoronamento de documentos que os advogados governamentais apresentarão em dias, e;
  • Fortalecer nossa luta contra a crise climática, com nossas melhores estratégias e ações de campanha e de mídia.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Protocolo de Montreal (ODS)




O Protocolo de Montreal é um acordo global que visa proteger a camada de ozono estratosférico através da eliminação progressiva dos químicos que a empobrecem. Esta eliminação progressiva abrange tanto a produção como o consumo de substâncias que enfraquecem a camada de ozono (ODS - ozone depleting substances).

Tendo em conta que as ODS são igualmente gases com efeito de estufa com elevado potencial de aquecimento, esta eliminação progressiva é também crítica para a atenuação das alterações climáticas. Além disso, não obstante o facto de os hidrofluorocarbonetos (HFC) não empobrecerem a camada de ozono, o protocolo visa reduzir progressivamente a sua produção e consumo para evitar que as ODS sejam substituídas pelos HFC, que contribuem significativamente para as alterações climáticas.

O Protocolo de Montreal foi acordado em 1987, entrou em vigor em 1989 e foi alterado diversas vezes. Na sua alteração mais recente, a emenda de Quigali apela à redução progressiva dos HFC.

As emissões de HFC estão abrangidas pelo Acordo de Paris, aprovado pela Decisão (UE) 2016/1841. Assim, o Protocolo de Montreal ajuda a cumprir o objetivo de manter o aumento da temperatura global bastante abaixo dos 2 ºC acima dos níveis pré-industriais e a prosseguir esforços para limitar ainda mais o aumento da temperatura a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais.

Saber mais:

HFC: substituto do CFC, gás também traz impactos


O HFC é um gás de efeito estufa, que tem contribuído para a intensificação do aquecimento global, trazendo problemas graves ao planeta

Os hidrofluorcarbonetos (HFCs) são gases do efeito estufa fluorados artificiais que rapidamente se acumulam na atmosfera. Eles começaram a ser usados como substitutos dos CFCs para aparelhos de ar condicionado, refrigeração, retardadores de chamas, aerossóis e solventes. Apesar de representarem uma pequena fração dos atuais gases estufa, o impacto é particularmente forte no aquecimento atmosférico e, se não forem controlados, esses poluentes climáticos de vida curta poderão ser responsáveis por quase 20% da poluição climática até 2050.

O efeito estufa é um processo que faz com que o planeta se mantenha aquecido e, dessa forma, possibilita a existência de vida e não apenas de geleiras na Terra. Mas o grande perigo está na aceleração desse processo, provocado pela atividade humana. Atividades como o desmatamento de florestas e a emissão de gases de efeito estufa têm sido determinantes no desequilíbrio do balanço de energia do sistema atmosférico da Terra, gerando maior retenção de energia e o aquecimento global. O HFC faz parte do grupo de gases estufa libertados pela ação antrópica que aceleram o aumento na temperatura, embora seja usado para amenizar o impacto do CFC sobre a camada de ozono.

Quando se trata de mudanças climáticas, o dióxido de carbono é o grande vilão da história. Mas a emissão de outros gases, como é o caso do clorofluorcaboneto (CFC), também é responsável por tal aceleramento, uma vez que contribui para a destruição da camada de ozônio. Por conta disso, em 16 de setembro de 1987, foi assinado o Protocolo de Montreal – onde ficou acordado o banimento gradativo do CFC e sua substituição por outros gases que não agredissem a camada de ozônio.

A partir desse novo cenário, o mercado teve de se adaptar à nova realidade e buscar alternativas. Passou-se a usar os clorofluorcarbonetos (HCFCs), que, assim como o CFC, são usados para refrigeração (freezers de supermercado, geladeiras, frigoríficos, etc.) e são bem menos nocivos à camada de ozônio, porém ainda causam danos. Posteriormente, os HCFCs foram substituídos pelos hidrofluorcarbonetos, os HFCs, que são livres de cloro e por isso não prejudicam a camada de ozonio.

Porém, o que parecia ser uma solução acabou, com o tempo, mostrando limitações. Os gases HFC interagem com os outros gases de efeito estufa, contribuindo para o desequilíbrio do aquecimento global.

Hidrofluorcarbonetos (HFC)

O lançamento dos hidrofluorcarbonetos na atmosfera ao longo da segunda metade do século XX foi um dos motivos do aumento desproporcional da temperatura da Terra (como atesta o vídeo ao fim da matéria). O potencial individual e coletivo dos HFCs para contribuir com mudanças climáticas na superfície terrestre pode ser conferido pela sua eficiência radioativa, força radioativa e/ou Potencial de Aquecimento Global (GWP, na sigla em inglês) – que é muito maior que o do dióxido de carbono.

Pesquisadores alertam que o aumento do uso do gás HFC pode complicar o problema em relação ao aquecimento global, gerando uma variedade de impactos potencialmente graves, como o derretimento de geleiras, elevação do nível dos mares e oceanos, prejuízo à agricultura, desertificação de áreas naturais, aumento de desastres naturais como furacões, tufões e ciclones, entre outros diversos entraves.

A expectativa é a de que, só nos Estados Unidos, o uso do HFC dobre até 2020 e triplique em 2030. Caso não haja mudanças na emissão desse gás, este será responsável por 20% das emissões globais de efeito estufa até a metade do século XXI. Isso significaria que a meta de limitar o aumento da temperatura na Terra 2°C acima dos índices do começo do século XX (como os cientistas recomendam) seria impossível de ser atingida.

Os gases HFC também podem influir na temperatura da estratosfera, atmosfera e troposfera, e são responsáveis por um aumento na temperatura da tropopausa tropical (camada intermediária entre estratosfera e a troposfera) de 0.4 Kelvin (K).

Se, por um lado, o buraco na camada de ozônio está diminuindo desde o Protocolo de Montreal, a temperatura do planeta tem aumentado descontroladamente nas últimas décadas por conta (entre outros fatores) da emissão dos chamados hidrocarbonetos halogenados (entre eles o CFC e o HFC).

Então, para erradicar este problema, foi fechado um acordo com quase 200 países em outubro de 2016, em Quigali, capital de Ruanda, que visa a eliminação progressiva dos hidrofluorocarbonos (HFC).

O calendário adotado prevê que um primeiro grupo de países, os chamados desenvolvidos, reduza sua produção e seu consumo de HFC em 10% antes do final de 2019 em relação aos níveis de 2011-2013, e 85% antes de 2036.

Um segundo grupo de países em vias de desenvolvimento, entre eles a China – o maior produtor mundial de HFC -, a África do Sul e o Brasil se comprometeram a iniciar sua transição em 2024. Deverão alcançar uma redução de 10% em relação aos níveis de 2020-2022 para 2029 e de 80% para 2045.

Um terceiro grupo de países em desenvolvimento, incluindo Índia, Paquistão, Irã e Iraque terá redução de 10% em relação ao período 2024-2026 em 2032 e de 85% em 2047.

Como os hidrofluorcarbonetos formam parte dos chamados poluentes climáticos de vida curta e permanecem na atmosfera por entre cinco e dez anos, especialistas acreditam que sua erradicação terá efeitos imediatos na redução do aquecimento global. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o acordo fechado em Quigali evitará um aumento global da temperatura até o final do século XXI de até 0,5°C.

Alternativas

Fica claro então que o gás HFC e outros gases que contribuem para o aquecimento global são motivo de preocupação, devendo-se equilibrar as necessidades humanas com a segurança ambiental.

Segundo Paula Tejón Carbajal, da ONG Greenpeace, o Acordo de Quigali só terá êxito se a comunidade internacional optar por soluções de mudança que preservem o meio ambiente.

Um dos resultados desse acordo foi uma confirmação de certos países participantes de financiarem um compromisso para essa transição. Além disso, diversas empresas europeias substituíram o uso de HFC por hidrocarbonetos de baixo potencial estufa, em especial o ciclopentano e o isobutano.

Video

domingo, 7 de março de 2021

Alterações climáticas têm consequências inevitáveis que a Europa quer antecipar

O objetivo é reduzir ao máximo as alterações climáticas, mas, entretanto, também é necessário arranjar forma de dar resposta às suas consequências inevitáveis. É isso que se está a tentar fazer na União Europeia.


Desde vagas de calor mortais e secas devastadoras a florestas dizimadas e à erosão do litoral devido à subida do nível do mar, as alterações climáticas têm já atualmente consequências gravíssimas na Europa, bem como no resto do mundo.

Embora a União Europeia esteja a tentar atenuar estas mudanças, está igualmente a apostar em fazer face às suas consequências inevitáveis. Neste sentido, adotou recentemente uma nova estratégia para a adaptação às alterações climáticas.

O conjunto de novas propostas centra-se mais na elaboração de soluções do que na compreensão do problema, com a intenção de passar do planeamento à execução concreta

Com a sua ação em matéria de adaptação às alterações climáticas, a UE pretende associar todos os setores da sociedade e todos os níveis de governação, no objetivo comum de trabalhar para construir uma sociedade resiliente às alterações climáticas.

Isso passa por melhorar os conhecimentos sobre os impactos das alterações climáticas e as soluções de adaptação; reforçar a planificação da adaptação às alterações climáticas e aumentar as avaliações dos riscos climáticos; acelerar as medidas de adaptação; bem como contribuir para reforçar a resiliência face às alterações climáticas a nível mundial.

As medidas de adaptação às alterações climáticas devem basear-se em dados sólidos e utilizar instrumentos de avaliação dos riscos que estejam disponíveis para todos — desde as famílias que compram, constroem e renovam casas até às empresas situadas nas regiões costeiras ou aos agricultores que planeiam as suas culturas.

Para o efeito, a estratégia propõe medidas que fazem avançar as fronteiras do conhecimento em matéria de adaptação às alterações climáticas para que seja possível recolher mais dados, e de melhor qualidade, sobre os riscos e perdas relacionados com o clima, tornando-os acessíveis a todos.

A Climate-ADAPT, a plataforma europeia de conhecimentos em matéria de adaptação às alterações climáticas, assume neste capítulo um papel de destaque e por isso será reforçada e ampliada.

De acordo com o definido, a plataforma também será dotada de um observatório específico para melhorar a identificação, a análise e a prevenção dos impactos das alterações climáticas sobre a saúde.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

O Antropoceno e a longa batalha pelo amanhã


O nome Holoceno (O Todo Recente) para designar a época pós-glaciar dos últimos dez a doze mil anos parece ter sido proposto pela primeira vez por Sir Charles Lyell em 1833 e adotado pelo Congresso Internacional Geológico em Bolonha em 1885. Durante o Holoceno, as atividades humanas tornaram-se gradualmente uma força geológica e morfológica significativa, o que foi rapidamente reconhecido por vários cientistas. Assim, ainda em 1864, G.P. Marsh publicou um livro intitulado Man and Nature (que corresponderia, em português, a O Homem e a Natureza), recentemente reeditado como The Earth as Modified by Human Action (que corresponderia a A Terra Modificada pela Ação Humana). Em 1873, Stoppani avaliou as atividades da humanidade como “uma nova força telúrica cujo poder e universalidade podem ser comparados às maiores forças da terra”. Stoppani já falava de uma era antropozoica. Hoje em dia, a humanidade já habitou ou visitou quase todos os lugares do planeta; já pisou até a Lua.

Em 1926, o grande geólogo russo V. I. Vernadsky reconheceu o crescente poder da humanidade como parte da biosfera no excerto em que fala da “… direção na qual os processos de evolução devem seguir, a saber, rumo a uma consciência e a um pensamento expandidos, assumindo as formas cada vez mais influência no seu meio envolvente”. Vernadsky, juntamente com o jesuíta francês P. Teilhard de Chardin e E. Le Roy, em 1924, cunhou o termo “noosfera” – o mundo do pensamento – para marcar o papel crescente desempenhado pela capacidade mental e pelos talentos tecnológicos do homem na formação do seu próprio futuro e ambiente.

A expansão da humanidade, tanto em número como em exploração per capita dos recursos da Terra, tem sido impressionante. Alguns exemplos: durante os últimos três séculos, a população humana cresceu dez vezes, para 6 mil milhões de pessoas, acompanhada por um aumento da população de gado para 1,4 mil milhões (o que significa uma vaca por família de tamanho médio). A urbanização também cresceu dez vezes no último século. Em poucas gerações, a humanidade está a esgotar os combustíveis fósseis que foram gerados ao longo de centenas de milhões de anos.

A libertação de CO₂ na atmosfera devido à queima de carvão e petróleo – cerca de 160 Tg/ano globalmente –  é pelo menos duas vezes maior do que a soma de todas as emissões naturais, que ocorrem principalmente como dimetilsulfureto marinho dos oceanos. Segundo Vitousek e colaboradores, 30% a 50% da superfície terrestre já foi transformada pela ação humana; é fixado mais azoto sinteticamente e aplicado como fertilizante na agricultura do que o fixado naturalmente em todos os ecossistemas terrestres; o escape de NO originado por combustíveis fósseis e pela combustão de biomassa para a atmosfera também é maior do que a emissão natural, causando a formação do ozono fotoquímico (“smog”) em extensas regiões do mundo; mais de metade da água potável acessível é utilizada pela humanidade; a atividade humana aumentou a taxa de extinção de espécies entre mil e dez mil vezes nas florestas tropicais, e vários gases com efeito de estufa importantes em termos climáticos aumentaram substancialmente na atmosfera: o CO₂ aumentou mais de 30% e o CH₄ mais de 100%.

Além disso, a humanidade liberta várias substâncias tóxicas no ambiente, para além dos gases de clorofluorocarboneto (CFC), que não são tóxicos, mas que geraram o buraco na camada de ozono na Antártida e que teriam destruído grande parte da camada se não tivéssemos criado medidas regulamentares internacionais para acabar com a sua produção. As zonas húmidas costeiras também são afetadas pelos humanos, o que já resultou na perda de 50% dos mangais do mundo. Finalmente, a predação humana mecanizada (a indústria da pesca) remove mais de 25% da produção primária dos oceanos nas regiões de afloramento (upwelling) e 35% das regiões temperadas de plataformas continentais. Os efeitos antropogénicos também são bem ilustrados pela história das comunidades bióticas que deixam vestígios em sedimentos de lagos. Os efeitos documentados incluem a modificação do ciclo geoquímico em grandes sistemas de água potável e ocorrem em sistemas distantes de fontes primárias.

Considerando estes e vários outros crescentes impactos das atividades humanas na Terra e na atmosfera, que acontecem em todas as escalas possíveis – incluindo a global –, parece-nos mais do que apropriado enfatizar o papel central da humanidade na geologia e na ecologia, propondo o uso do termo Antropoceno para a época geológica atual. Os impactos das atividades humanas vão continuar por longos períodos. Segundo um estudo de Berger e Loutre, devido às emissões de CO₂ antropogénicas, o clima pode afastar-se significativamente do seu comportamento natural ao longo dos próximos 50 000 anos.

Para designar uma data mais específica para o início do Antropoceno, embora pareça um pouco arbitrário, propomos a parte final do século XVIII, apesar de alertarmos que podem ser feitas sugestões alternativas (algumas pessoas podem até querer incluir todo o Holoceno). No entanto, escolhemos esta data porque, durante os dois últimos séculos, os efeitos globais das atividades humanas se tornaram claramente notórios. Este é o período em que, segundo dados obtidos a partir de amostras de gelo glaciar, se iniciou o crescimento, na atmosfera, das concentrações de vários gases com efeito de estufa, em particular CO₂ e CH₄. Esta data também coincide com a invenção do motor a vapor por James Watt, em 1784. Por essa altura, os meios bióticos na maioria dos lagos começaram a mostrar grandes mudanças.

A menos que ocorram grandes catástrofes como uma enorme erupção vulcânica, uma epidemia inesperada, uma guerra nuclear em larga escala, um impacto de asteroide, uma nova idade do gelo ou o contínuo saque dos recursos da Terra por tecnologias ainda primitivas (os últimos quatro perigos podem, contudo, ser prevenidos numa noosfera em funcionamento), a humanidade continuará a ser uma importante força geológica por muitos milénios, talvez por milhões de anos. Uma das principais tarefas futuras dos homens será desenvolver uma estratégia mundialmente aceite que conduza à sustentabilidade dos ecossistemas contra stresses induzidos por humanos, e isso exigirá uma investigação intensiva e a aplicação inteligente do conhecimento até aqui adquirido na noosfera, mais conhecida como sociedade do conhecimento ou da informação. Uma tarefa empolgante, mas também difícil e assustadora, coloca-se perante a comunidade mundial de investigação e engenharia, para que lidere a humanidade em direção a uma gestão ambiental que seja global e sustentável.

Colaboração na campanha sobre o Aquecimento Global - Twinkl


Dia Internacional do Urso Polar 2021: saiba mais sobre estes animais e por que eles são tão afetados pelas mudanças climáticas
Para comemorar o Dia Internacional do Urso Polar, decidimos trazer alguns fatos e números sobre esses animais fascinantes e sobre como as mudanças climáticas estão afetando seu modo de vida. Também conversamos com pessoas envolvidas em ações pró-meio ambiente para falar da importância da sustentabilidade e saber como você pode dar o primeiro passo na diminuição do seu impacto ambiental.

O que é o Dia Internacional do Urso Polar e por que ele é importante?
O aquecimento do Ártico e o efeito devastador que isso tem sobre o gelo marinho são uma grande ameaça para os ursos polares. Com o objetivo de aumentar a conscientização sobre os problemas que os ursos estão enfrentando, o Dia Internacional do Urso Polar é comemorado em 27 de fevereiro de cada ano, uma data que coincide com a época do ano em que as mães ursas protegem seus ​​filhotes recém-nascidos em uma toca construída na neve. Algumas semanas após esta data, os filhotes (que normalmente são gêmeos, aumentando a chance de sobrevivência até a idade adulta) sairão de sua toca com a mãe.

Fatos sobre os ursos polares
Os ursos polares são encontrados em cinco países do Ártico: Canadá, Gronelândia, Noruega, Rússia e os EUA, no Alasca. No entanto, eles são classificados internacionalmente como vulneráveis ​​na escala de risco de extinção e seus números estão em declínio em pelo menos quatro das 19 subpopulações em que são divididos.

Como o maior carnívoro terrestre do mundo, esses enormes animais dependem da comida de alto teor calórico que obtêm da caça de focas barbadas e aneladas. Os ursos polares podem caminhar longas distâncias em busca de focas, mas como isso requer uma grande quantidade de energia, eles normalmente praticam a caça de emboscada. Sua técnica mais bem-sucedida envolve localizar o orifício de respiração de uma foca no gelo (eles conseguem cheirar suas presas a até um quilômetro de distância) e esperar que a foca venha à superfície. No entanto, não é uma caça rápida, pois as focas aneladas podem permanecer submersas por até 45 minutos e às vezes sopram bolhas pelo orifício de respiração para ver se há algum urso polar por perto - por isso, esse estilo de caça de emboscada pode envolver várias horas de espera e observação.

Esses animais são a única espécie de urso considerada um mamífero marinho. Apesar de passarem a maior parte do tempo fora da água, eles são totalmente adaptados para a natação e podem nadar por várias horas (ou até mesmo dias). Eles usam suas patas dianteiras como remos para tomar impulso, e mantêm as patas traseiras planas para que funcionem como um leme. Nadar longas distâncias consome muita energia, e pode ser difícil repô-la se o gelo não for adequado para a caça. Além disso, os ursos polares dependem do mar (e do gelo dele) não só para sua alimentação, mas também para viajar, acasalar, descansar e abrigar seus filhotes.


10 curiosidades sobre os ursos polares
  1. São a única espécie de urso considerada um mamífero marinho
  2. Sua pele é preta e seus pelos são transparentes - eles parecem brancos porque os fios refletem a luz visível
  3. Eles chegam a nadar a aproximadamente 10 quilômetros por hora - é uma velocidade parecida com a do nadador Michael Phelps, três vezes mais rápido do que um humano não-atleta
  4. Menos de 2% das suas caças são bem-sucedidas
  5. Existem cerca de 26.000 ursos polares na natureza, e eles são divididos em 19 subpopulações
  6. Dessas 19 subpopulações, 4 estão em declínio, 5 estão estáveis e 2 estão aumentando. Ainda não há dados suficientes sobre as 8 restantes
  7. Ursos polares machos têm o dobro do peso das fêmeas e podem pesar 600 quilos - ou o equivalente a 8 humanos adultos
  8. Somado a seu peso, o fato de chegarem a ter até 3 metros de comprimento os torna os maiores carnívoros terrestres do mundo
  9. Eles podem sentir o cheiro de focas a até um quilômetro de distância e sob uma camada de um metro de neve compactada
  10. A maior ameaça à sua sobrevivência é a mudança climática, seguida pela extração de óleo e gás e por conflitos diretos com seres humanos

 
Com a palavra...

Todo mundo concorda que esses animais são muito fofos, certo? Então, que tal começar a a contribuir para um planeta mais sustentável? Conversamos com quem entende do assunto e pedimos dicas para fazermos a nossa parte. Veja o que eles disseram:

Suzana Camargo
Jornalista que aborda mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Editora do portal Conexão Planeta, assina com Mônica Nunes o blog Inspiração para a Ação

Suzana Camargo
O que podemos fazer para diminuir nosso impacto ambiental?
Precisamos diminuir nossa pegada de carbono e para isso, é necessário rever a maneira como agimos e consumimos. Como sociedade, precisamos estar mais atentos a pequenas ações do dia a dia, como a redução a ingestão de carnes, dar preferência ao uso de transporte público ou modais menos poluentes (a bicicleta, por exemplo), diminuir o consumo de água e energia e ainda, implementar a prática da reciclagem e mesmo da compostagem, como norma. Já no caso de empresas e grandes corporações, elas têm obrigação de cumprirem seu papel social e ambiental e mostrarem suas ações de maneira completamente transparente. Não dá mais para aceitar que companhias vendam seus produtos comprados em áreas de desmatamento ilegal. É uma prática vergonhosa e deve ser denunciada.

Como podemos reagir diante de opiniões negacionistas sobre as mudanças climáticas?
Com evidências científicas, informações de fontes confiáveis e a verdade. E sempre com uma linguagem que possa ser compreendida por todos os setores da sociedade. A ignorância precisa ser combatida com clareza e jamais, com ataques.

Tasso Azevedo
Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG) e do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), é engenheiro florestal e colunista de O Globo e de Revista Época Negócios. Assina o Blog do Tasso Azevedo.

Tasso Azevedo


Que atitudes podem ser tomadas coletivamente para evitar o aquecimento global?
Zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa no planeta até meados do século. Isso inclui minimizar e eventualmente eliminar o uso de combustíveis fósseis, acabar com o desmatamento, eletrificar a economia com fontes renováveis de energia e reflorestar o planeta.

O que podemos fazer enquanto indivíduos para diminuir nosso impacto ambiental?
Andar mais, usar produtos e serviço que conhece a origem, evitar toda forma de desperdício, cuidar de todas as formas de vida, manter contato com a natureza e deixar sempre os ambientes por anda passa melhores do que encontrou.

João Soares
Biólogo, Mestre em Ecologia e pesquisador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto. Formador de opinião, mantém o blog BioTerra



O que é sustentabilidade e por que ela é tão importante?
Para mim respeitar os 17 objetivos do Milénio, descritos pela ONU. No entanto, sustentabilidade será sempre tudo o que possamos fazer para garantir o mesmo património da Natureza que recebemos e legá-lo às gerações vindouras.

O que podemos fazer para diminuir nosso impacto ambiental?
Muita coisa. Especialmente o plástico. Substituir no nosso quotidiano tudo o que seja de plástico em materiais naturais e biodegradáveis. Outra preocupação é apoiar os produtores biológicos. Um mundo sem pesticidas nem OGM. Finalmente as nossas casas: aumentar a eficiência energética.

Liga para a Protecção da Natureza
Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA) com sede em Lisboa. Atua em projetos de Conservação da Natureza e do Ambiente, Investigação, Formação, Educação e Sensibilização Ambiental. Acesse o site



O que significa cidadania ambiental e como podemos aplicá-la?
Cidadania Ambiental é traduzida como o envolvimento e consciencialização dos cidadãos nas diversas questões ambientais, podendo esta ser efetuada de forma mais ativa ou passiva. As ações associadas à cidadania ambiental são todas aquelas que visam um maior conhecimento, participação e responsabilização da sociedade na proteção da natureza e do ambiente em geral, garantindo a sustentabilidade do planeta.

O que podemos fazer individualmente para diminuir nosso impacto ambiental?
Cada cidadão poderá contribuir para um planeta mais sustentável, garantindo que as suas escolhas e gestos diários são feitos de forma informada e responsável. Desde que acordamos até ao final do dia, são vários os desafios que nos levam a ser mais ou menos sustentáveis, partindo pelo consumo de água e energia usado em nossas casas, ao vestuários que usamos, à alimentação que temos, à forma como nos deslocamos e o que fazemos aos nossos resíduos. Cabe a cada um estar atento e informado sobre as opções que nos são colocadas à nossa disposição e ter o poder de optar pela mais sustentável e adequada à sua realidade.

Cláudio Angelo
Coordenador de Comunicação do Observatório do Clima, coalizão de organizações da sociedade civil brasileira para discutir mudanças climáticas. Acesse o site



Qual é o papel do Brasil na luta contra as mudanças climáticas?
O Brasil é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, dono da maior floresta tropical do mundo e com 25% da população vivendo no litoral. Somos ao mesmo tempo um vilão das mudanças climáticas e uma de suas grandes vítimas. Nosso papel deveria ser (e já foi no começo do século) o de líder nos países tropicais em redução de emissões por desmatamento e de líder em recuperação florestal para sequestrar carbono e no uso de energias limpas. Há espaço e vantagens econômicas para tudo isso. A gente não faz porque não quer.

O que podemos fazer, enquanto indivíduos, para diminuir nosso impacto ambiental?
Sinceramente, hoje em dia a ação mais eficiente que qualquer pessoa maior de 16 anos pode adotar é votar em políticos comprometidos com o combate à mudança do clima, para todas as esferas de governo. Grande parte dos problemas que vimos nos últimos dois anos no Brasil ocorrem porque temos governo federal e vários governos estaduais negacionistas das mudanças climáticas. Este é um tema central para a vida de todos, mas que não aparece nas plataformas eleitorais de quase ninguém.

António Nogueira Leite

Presidente da Sociedade Ponto Verde, entidade privada e sem fins lucrativos que promove a recolha selectiva, a retoma e a reciclagem de embalagens em Portugal. Acesse o site e o blog Recicla


Que atitudes podemos tomar para evitar o aquecimento global?
Nunca esquecer três ideias fundamentais: reduzir, reutilizar e reciclar. Só assim é que todos podem dar o seu contributo para o desenvolvimento de um planeta sustentável. A sustentabilidade é uma responsabilidade de todos e enfrentar o aquecimento global será um dos grandes desafios das próximas décadas. Todas as atividades humanas provocam a emissão de gases de efeito de estufa na atmosfera, que causam o aquecimento global e severas alterações no clima em todo o mundo. E os atuais padrões de produção e consumo têm piorado este fenómeno. Os governos dos vários países têm um papel fundamental na gestão deste problema, mas todas as pessoas, enquanto consumidores, podem fazer a sua parte evitando o consumo exagerado, o desperdício e a utilização excessiva de combustíveis fósseis, entre várias pequenas ações que podem fazer a diferença no dia-a-dia.

Qual é o papel da reciclagem na diminuição de nosso impacto ambiental?
A reciclagem evita que as embalagens sejam encaminhadas para aterros, reduzindo-se, assim, a necessidade de criar este tipo de espaços, que produzem uma grande quantidade de gases com efeito de estufa. Por outro lado, muitas vezes, os resíduos não são colocados nos locais corretos e pode resultar em diversos problemas para o ambiente, como contaminação da água, do solo e do ar.

Um dos problemas é o consumo de energia e materiais que são usados para fazer as embalagens e os produtos e que depois são colocados no lixo comum. A reciclagem, enquanto processo responsável por transformar resíduos em novos recursos e matérias primas, permite que exista a reinserção destes materiais na cadeia de consumo, reduzindo a quantidade que é descartada no ambiente.

É por isso que a SPV, junto com as empresas e os vários setores de atividade, procuram reduzir o impacto ambiental das embalagens. E isto pode ser feito desde tornar as embalagens mais fáceis de reciclar, à integração de material reaproveitado em novas embalagens até novas soluções de embalagens que permitem melhorar o ambiente.

Dalce Ricas
Superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), entidade de atuação eco política que luta contra tráfico de animais silvestres, desmatamento e incêndios. Acesse o site



Como o aquecimento global afeta não só as calotas polares, mas todo o planeta e a vida na Terra?
O aquecimento global, alicerçado e agravado a cada ano, mudou o ritmo dos processos da natureza afetando o ciclo da água, reprodução da fauna silvestre, microclimas, sobrevivência e crescimento de florestas e outros ecossistemas.

A espécie humana está num processo de suicídio pelo esgotamento dos recursos naturais e pela degradação ambiental. Provavelmente não será extinta. Os mais pobres, obviamente, continuarão morrendo por fome, doenças ou por guerras de disputa do que restar de recursos naturais. A tecnologia provavelmente ajudará os mais ricos, pelo menos por um tempo. Mas o futuro é sombrio. Digno de uma espécie capaz de descobertas maravilhosas, mas que não consegue imaginar o futuro.

O que podemos fazer para diminuir nosso impacto ambiental?
Diminuir a população do planeta, mudar hábitos e comportamentos, o que é quase impossível, pois além das amarras econômicas, geográficas, políticas e culturais a que estão sujeitas bilhões de pessoas, elas não querem mudar. Acostumaram-se à ilusão de que o desastre ambiental não as afetará ou simplesmente não acreditam ou não conseguem estabelecer relação de causa/efeito. Morrerão sem entender que fizeram parte de um suicídio coletivo. A única esperança é compromisso e ação dos poderosos. Mas eles também, em boa parte, se julgam imunes à degradação do planeta. E continuarão alheios, desperdiçando recursos naturais, até serem encurralados.

Susana Lucas
Criadora do blog SEIbySusana, que se transformou e hoje é uma plataforma online de informações envolvendo sustentabilidade, saúde, engenharia e inovação



Além disso, para marcar o Dia Internacional do Urso Polar, disponibilizamos gratuitamente alguns de nossos recursos feitos por professores - eles podem ser usados ​​na sala de aula e em casa. Que tal ensinar educação ambiental para os pequenos?





Recurso gratuito - urso polar para colorir





Recurso gratuito - cenários de Dia Internacional do Urso Polar para colorir

quarta-feira, 13 de junho de 2018