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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Primal Scream - Kowalski

Melhor som aqui
Letra
[Intro]
This radio station was named Kowalski
In honor of the last American hero
To whom speed means freedom of the soul
The question is not when he's gonna stop
But who is gonna stop him

[Verse 1]
Like Kowalski in Vanishing Point
Kowalski in Vanishing Point
Kowalski in Vanishing Point
Vanishing Point, Vanishing Point, Vanishing Point

[Verse 2]
Like a butterfly on a pin
Like a butterfly on a pin
Soul on ice, soul on ice
Soul on ice, soul on ice

[Interlude]
What happening?
What happening?
What you need? Speed
Lighten up before

[Instrumental Break]

[Interlude]
There goes the challenger being chased by the blue, blue meanies on wheels
The vicious traffic squad cars are after our lone driver
The last American hero
The, the electric centaur, the demigod
The super driver of the golden west
Two nasty Nazi cars are close behind the beautiful, lone driver
The police know that they're getting closer, closer
Closer to our soul hero in his soul mobile
Yeah, baby, they're about to strike
They're gonna get him, smash him
Rape the last beautiful, free soul on this planet

[Refrain]
Vanishing Point, Vanishing Point
Vanishing Point, Vanishing Point

[Interlude]

[Refrain]
Soul on ice, soul on ice
Soul on ice, soul on ice
Soul on ice, soul on ice, soul on ice

[Outro]
Hello, Kowalski?
Hello, Kowalski?
Hello, Kowalski?
Cut it off

Primal Scream e Vanishing Point: A História da Música Kowalski e do Filme de 1971
A faixa abre precisamente com essa amostra de áudio (sample) icónica do filme original de 1971. A voz pertence à personagem Super Soul, o DJ de rádio cego interpretado pelo ator Cleavon Little, que atua como guia espiritual e aliado de Kowalski ao longo de toda a perseguição policial no deserto. No monólogo inicial da canção, ouve-se a sua transmissão de rádio na qual ele diz: "Kowalski, order of the day is to go. And we gonna do it in style...", servindo de ponto de partida perfeito para o tom hipnótico e acelerado da música dos Primal Scream.

Sob o ponto de vista musical, o tema funde o rock psicodélico com ritmos pesados de dub, trip-hop e big beat, servindo de peça central a um álbum conceptual desenhado pelo vocalista Bobby Gillespie como uma espécie de banda sonora alternativa para o filme. No plano filosófico e literário, tanto a canção como a fita de 1971 partilham raízes no existencialismo e no niilismo da contracultura dos anos 70, bem como na literatura de estrada da Beat Generation, invocando o espírito de obras como Pela Estrada Fora de Jack Kerouac ao transformar a fuga em alta velocidade de Kowalski - um veterano da Guerra do Vietname desiludido com o sistema - num ato de rejeição e busca por liberdade absoluta.
Kowalski (song)

Filmes:
1. Vanishing Point (1971)
É um grande clássico do cinema action-existencialist da década de 1970 e um marco dos filmes de perseguição de carros
Vanishing Point e 1971, realizado por Richard C. Sarafian e protagonizado por Barry Newman no papel do icónico Kowalski, é considerado um marco do cinema de ação e da cultura de culto dos anos 70. A história segue um ex-piloto de corridas e veterano de guerra que faz uma aposta para transportar um Dodge Challenger R/T de 1970 branco de Denver até São Francisco num tempo quase impossível. Ao longo do trajeto, a sua viagem em alta velocidade transforma-se numa perseguição policial de grande escala e numa reflexão sobre a liberdade e a contracultura da época, contando ainda com a ajuda de um locutor de rádio cego chamado Super Soul.

2. Vanishing Point (1997) - o remake
Em 1997, surgiu a versão para televisão, realizada por Charles Robert Carner e protagonizada por Viggo Mortensen. Embora conserve a premissa de velocidade e o mesmo modelo de Dodge Challenger branco, esta refilmagem alterou substancialmente as motivações do protagonista. Nesta versão, Jimmy Kowalski não corre por causa de uma aposta libertária, mas sim para chegar a tempo de acompanhar a sua mulher grávida, que sofreu complicações graves de saúde. A história ganha assim um tom mais dramático e pessoal, embora mantenha a essência do combate do indivíduo contra as autoridades ao longo das autoestradas americanas.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Relembrar a canção "Turn! Turn! Turn" de Pete Seeger com Judy Collins- "Um tempo para a paz, eu juro que não é tarde demais"


Letra

[refrão]
To everything, turn, turn, turn
There is a season, turn, turn, turn
And a time to every purpose under heaven

A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep

[refrão]

A time to build up, a time to break down
A time to dance, a time to mourn
A time to cast away stones
A time to gather stones together

[refrão]

A time of love, a time of hate
A time of war, a time of peace
A time you may embrace
A time to refrain from embracing

[refrão]

A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time for love, a time for hate
A time for peace, I swear it's not too late

Versão dos Byrd

A letra é quase inteiramente baseada numa tradução da Bíblia (a famosa versão King James em inglês). Pete Seeger pegou no texto do Livro de Eclesiastes (Capítulo 3, versículos 1 a 8), tradicionalmente atribuído ao Rei Salomão, reorganizou algumas linhas e adicionou o refrão "Um tempo para a paz, eu juro que não é tarde demais."

O significado original do texto bíblico "Turn! Turn! Turn" é uma reflexão filosófica sobre a natureza cíclica e inevitável da vida humana. Lembra-nos que tudo o que enfrentamos — seja a alegria ou a dor, o ganho ou a perda - faz parte de um ritmo natural e equilibrado do universo. Nada dura para sempre, e há um momento apropriado para cada experiência.

No entanto, quando Pete Seeger adaptou o texto em 1959, ele transformou uma reflexão antiga num hino pacifista e de protesto. O verdadeiro "ponto de viragem" da música está na única linha totalmente nova que Seeger acrescentou no final:

“A time for peace, I swear it's not too late” (Um tempo para a paz, eu juro que não é tarde demais).

Ao adicionar esta frase no contexto do final dos anos 50 e década de 1960 (marcada pela Guerra Fria, pela iminência de um conflito nuclear e, mais tarde, pela Guerra do Vietname), a música passou de uma constatação fatalista sobre os ciclos da vida para uma súplica urgente pela paz mundial. Ela avisa a humanidade de que, embora a guerra tenha tido o seu tempo na história, o tempo presente exige obrigatoriamente a paz, antes que seja tarde de mais.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Allen Ginsberg faria hoje 100 anos


"We're beautiful golden sunflowers inside, blessed by our own seed and golden hairy, naked accomplishment-bodies, growing into mad black formal sunflowers in the sunset, spied on by our own eyes, under the shadow of the mad locomotive riverbank sunset Frisco hilly tin can evening sit down vision. " - Allen Ginsberg

Allen Ginsberg (1926–1997) foi a voz mais estridente, célebre e provocadora da Geração Beat — o movimento literário dos anos 50 que funcionou como o rastilho para a contracultura hippie dos anos 60. Poeta, ativista budista e provocador profissional, ele passou a vida a implodir os valores conservadores da América do pós-guerra.

Allen Ginsberg, a força motriz da poesia contracultural. Fonte: Wikipedia
Uma Vida na Vanguarda
Nascido em Nova Jérsia numa família judia, Ginsberg cresceu marcado pela doença mental da mãe (uma comunista convicta) e pela poesia do pai. Na Universidade de Columbia, nos anos 40, conheceu Jack Kerouac e William S. Burroughs. Juntos, formaram o núcleo do que seria a Geração Beat: um grupo focado na espontaneidade, na rejeição do materialismo e na exploração da consciência.

Ginsberg tornou-se o "ministro das relações públicas" do grupo, unindo a literatura ao ativismo político e social até à sua morte em 1997.

Os Factos Mais Polémicos e Contraculturais
O que tornou Ginsberg uma figura magnética (e profundamente odiada pelo establishment) foi a sua recusa absoluta em esconder quem era ou o que pensava.

1. O Julgamento por Obscenidade de "Uivo" (Howl)
Em 1955, Ginsberg leu em público o seu poema mais famoso, "Uivo" (Howl), em São Francisco. O poema abre com o lendário verso: "Eu vi os melhores cérebros da minha geração destruídos pela loucura...".

A polémica: quando o poema foi publicado pelo editor (e também poeta) Lawrence Ferlinghetti, as autoridades apreenderam o livro. O teor explicitamente homossexual e as referências a drogas levaram a um julgamento histórico por obscenidade em 1957.

O desfecho: o juiz declarou que a obra tinha "valor social redentor", transformando o livro num manifesto contracultural e dando a Ginsberg uma plataforma nacional.

2. Homossexualidade Aberta e a NAMBLA
Numa época em que a homossexualidade era considerada crime e doença mental nos EUA, Ginsberg vivia abertamente com o seu parceiro de uma vida, Peter Orlovsky. Ele usava a sua poesia para celebrar o sexo gay e desafiar a hipocrisia puritana.

A maior mancha no seu legado: anos mais tarde, o seu compromisso radical com a liberdade de expressão levou-o a defender e a afiliar-se à NAMBLA (North American Man/Boy Love Association), uma organização que defendia a legalização de relações sexuais entre homens e menores. Embora Ginsberg argumentasse que defendia apenas o direito à livre expressão e ao debate, esta posição continua a ser o ponto mais sombrio e indefensável da sua biografia.

3. O "Evangelista" do LSD e das Drogas Psadélicas
Ginsberg não consumia drogas apenas por recreação; ele via-as como ferramentas de expansão espiritual e política.
Participou nas primeiras experiências científicas com psilocibina em Harvard com Timothy Leary.
Defendeu publicamente o uso do LSD para "libertar a mente humana do controlo do Estado".

Foi deportado de Cuba em 1965 por chamar "atraente" a Che Guevara e criticar a perseguição do regime castrista aos homossexuais. No mesmo ano, foi expulso da Checoslováquia comunista após ser eleito "Rei de Maio" (Královna Máje) pelos estudantes de Praga, por ser considerado uma ameaça corruptora para a juventude.

4. Ativismo Político e o Conceito de Flower Power
Ginsberg esteve na linha da frente dos protestos contra a Guerra do Vietname. Durante os violentos protestos na Convenção Nacional Democrata de 1968, em Chicago, ele passou horas a entoar o mantra budista "Om" para tentar acalmar a tensão entre os manifestantes e a polícia militarizada.

Ele foi o criador do termo Flower Power (Poder das Flores), uma estratégia que desenhou em 1965 sugerindo que os manifestantes anti-guerra distribuíssem flores aos polícias e jornalistas para transformar os protestos políticos em espetáculos de paz e teatro visual.

O Vigilante do FBI: J. Edgar Hoover, o eterno diretor do FBI, considerava Ginsberg uma das maiores ameaças à segurança nacional dos EUA. O FBI manteve um ficheiro detalhado sobre o poeta com centenas de páginas, vigiando de perto os seus passos e as suas ligações à esquerda radical.

Ginsberg conseguiu a proeza rara de começar a carreira no submundo literário, ser perseguido pela polícia e terminar a vida como um membro consagrado da Academia Americana de Artes e Letras, sem nunca ter pedido desculpa por chocar o mundo.

sábado, 7 de março de 2026

Shelleyan Orphan - Burst


Bonita interpretação no programa britânico The Tube

A primeira vez que "Universal Soldier" foi tocada em público foi no outono de 1963, no lendário café The Gaslight Cafe, em Greenwich Village, Nova York.

Embora a canção tenha se tornado um hino, a própria Buffy Sainte-Marie foi colocada numa "lista negra" por causa de suas posições políticas. Ela descobriu anos depois que suas cartas e músicas eram monitoradas pelo FBI e pela CIA durante as administrações Johnson e Nixon.

Buffy Sainte-Marie: Universal Soldier


Canção e letra Buffy Sainte-Marie, no início dos anos 60. Buffy é uma excelente activista, com um passado atribulado. Porém foi declarada "Falsa Indígena"  

He's five feet two and he's six feet four
He fights with missiles and with spears
He's all of 31 and he's only 17
He's been a soldier for a thousand years

He's a Catholic, a Hindu, an atheist, a Jain,
a Buddhist and a Baptist and a Jew
and he knows he shouldn't kill 
and he knows he always will
kill you for me my friend and me for you

And he's fighting for Canada, 
he's fighting for France,
he's fighting for the USA,
and he's fighting for the Russians 
and he's fighting for Japan, 
and he thinks we'll put an end to war this way

And he's fighting for Democracy
and fighting for the Reds
He says it's for the peace of all
He's the one who must decide 
who's to live and who's to die
and he never sees the writing on the walls

But without him how would Hitler have 
condemned him at Dachau
Without him Caesar would have stood alone
He's the one who gives his body 
as a weapon to a war
and without him all this killing can't go on

He's the universal soldier and he 
really is to blame
His orders come from far away no more
They come from him, and you, and me
and brothers can't you see
this is not the way we put an end to war

"Universal Soldier" é uma canção escrita e gravada pela cantora e compositora canadiana Buffy Sainte-Marie. A canção foi originalmente lançada no álbum de estreia de Sainte-Marie, It's My Way!, em 1964. "Universal Soldier" não foi um sucesso popular imediato na altura do seu lançamento, mas chamou a atenção da comunidade da música folk contemporânea. Tornou-se um sucesso um ano depois, quando Donovan a regravou, assim como Glen Campbell. Sainte-Marie disse sobre a canção: "Escrevi 'Universal Soldier' ​​na cave do café The Purple Onion em Toronto, no início dos anos sessenta. É sobre a responsabilidade individual pela guerra e como o velho pensamento feudal nos mata a todos."
Em 1965, a canção chamou a atenção do aspirante a cantor folk Donovan, que a gravou usando um arranjo semelhante ao da gravação original de Buffy Sainte-Marie. Na versão de Donovan, Dachau tornou-se Liebau (Lubawka, Polónia), um centro de treino para a Juventude Hitleriana. A gravação de Donovan foi lançada num EP intitulado The Universal Soldier no Reino Unido (15 de agosto de 1965). O EP deu continuidade à sequência de lançamentos de Donovan com posições elevadas nas tabelas do Reino Unido, alcançando o 5º lugar. As faixas do EP são "Universal Soldier"; "The Ballad of a Crystal Man" com "Do You Hear Me Now?" (Bert Jansch); "The War Drags On" (Mick Softley).
A falta de interesse pelo formato EP nos Estados Unidos levou a Hickory Records a lançar a canção como single em setembro de 1965. A versão de Donovan de "Universal Soldier" teve como lado B outra faixa do EP britânico: "Do You Hear Me Now?" de Bert Jansch. O lançamento de "Universal Soldier" por Donovan nos EUA também se tornou um sucesso, alcançando uma posição superior nas tabelas do que o seu single anterior, "Colours", e chegando finalmente ao 53º lugar da tabela da Billboard. Este sucesso levou a Hickory Records a incluir a canção no lançamento nos Estados Unidos do segundo álbum de Donovan, Fairytale, substituindo uma versão de "Oh Deed I Do", de Bert Jansch. A Cash Box descreveu-a como "uma canção plangente, com um toque country, de ritmo moderado e que assume uma forte posição contra a guerra".
Saint-Marie ficou feliz por o sucesso de Donovan com esta música ter feito com que mais pessoas a ouvissem.

sábado, 11 de outubro de 2025

Sigue Sigue Sputnik - Love Missile F1 11


Letra
US bombs crusin' overhead
There goes my love rocket red
Shoot it up
Shoot it up

Blaster bomb bomb bomb ahead
Multi Millions still unfed
A mondo teeno givin' head
Shoot it up
Shoot it up

Hold Me shake me, I'm all shook up
Psycho Maniac, interbred, shoot it up
Now shoot it up

Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up

Teenage crime now fashion's dead
Shoot it up
There goes my love rocket red
Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up
Shoot it up

Logo nos primeiros versos — “US bombs crusin’ overhead / Lá vai meu foguete vermelho do amor” —, a música coloca lado a lado a destruição e o desejo, a guerra e o prazer, criando um contraste deliberadamente cínico. A referência aos “bombardeiros americanos” é uma crítica direta ao imperialismo militar dos Estados Unidos, que, à época, realizava operações e intervenções em várias partes do mundo, como Líbia, Nicarágua e Afeganistão.

A canção também retrata de forma incisiva a sociedade midiatizada e espetacularizada. Produzida por Giorgio Moroder — ícone da música eletcrónica e de filmes de ficção científica —, Love Missile F1-11 incorpora samples de filmes, sons de explosão e efeitos de videojogos, antecipando a cultura digital e o remix como nova linguagem artística. Melhor som aqui

Essa colagem sonora e imagética reforça a crítica à indústria cultural, no sentido proposto por Adorno e Horkheimer: a guerra e a violência transformam-se em mercadorias. Tudo se converte em entretenimento — inclusive o medo da destruição nuclear.

A música não denuncia de forma direta; ao contrário, imita o discurso da propaganda militar e publicitária para expor seu absurdo. O refrão repetitivo “Shoot it up” soa como um jargão tanto da guerra quanto do consumo: atire, compre, consuma, destrua.

Lançada em 1986, Love Missile F1-11 surgiu no auge do rearmamento nuclear e da retórica anticomunista de Ronald Reagan e Margaret Thatcher. O título faz referência direta ao F-111, um bombardeiro estratégico americano utilizado na Guerra do Vietname e em ataques aéreos subsequentes — símbolo máximo do poder tecnológico dos Estados Unidos.

Ao misturar esse ícone da guerra com uma “mensagem de amor”, a banda ridiculariza o discurso belicista e a estética militarizada. O que deveria ser um símbolo de dominação transforma-se em paródia pop — um espelho distorcido da própria cultura que o produziu.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Encontros improváveis: João Soares e John Harrigan

“Happiness held is the seed; Happiness shared is the flower.”– John Harrigan

Biografia 
1. Carreira militar e diplomática
Serviu como soldado na Alemanha durante a Guerra Fria e, posteriormente, como oficial do Serviço Externo dos EUA, com atuação na América Latina 

2. Académico e professor
Foi professor de Ciência Política na Hamline University (St. Paul, Minnesota), onde também lecionou cursos sobre política e ficção. Fez parte do corpo docente por muitos anos antes de se aposentar 

3. Formação académica
Graduou-se em Ciência Política pela Loyola University Chicago, com pós-graduação pela University of Chicago e Ph.D. pela Georgetown University 

4. Vida atual
Mora perto do rio St. Croix, no estado de Minnesota, onde escreve romances de ficção histórica. É casado com Sandy

Fontes
  1. Perfil no Facebook 
  2. Author Magazine
  3. O livro mais conhecido e citado: The Patron Saint of Desperate Situations

terça-feira, 5 de abril de 2022

Memórias: Allen Ginsberg



No dia 5 de abril de 1997, morreu Allen Ginsberg. Foi um escritor, filósofo e ativista norte-americano. Fez parte do núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural, nos anos 1950 e 1960.

Allen Ginsberg nasceu a 3 de junho de 1926, em New Jersey (EUA). O pai era professor, poeta e socialista. A mãe era comunista radical. Em criança, viveu episódios paranóicos da mãe e descobriu que gostava de meninos.

Na Escola Secundária, Ginsberg encantou-se com a obra de Walt Whitman. Depois de findar o secundário, inscreveu-se na Universidade de Columbia (Nova Iorque) graças a uma bolsa da associação Young Men’s Hebrew.

Naquela cidade, tornou-se amigo dalguns jovens (Lucien Carr, Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady) interessados em drogas, literatura e sexo. Ginsberg e os seus companheiros foram expulsos da Universidade.

Ginsberg acreditava que aquele grupo se dirigia para uma nova visão poética. Experimentou anfetaminas e marijuana. Frequentou bares gays. E começou uma relação amorosa com Neal Cassady.

Em 1954, Ginsberg mudou-se para São Francisco, cidade onde a Beat Generation estava a ganhar força graças à atividade dos poetas, Kenneth Rexroth e Lawrence Ferlinghetti, fundadores da editora e livraria "City Lights".

Ginsberg tinha escrito muita poesia, mas quase nada tinha publicado. Em 1956, a City Lights Books publicou, "Howl and Other Poems" ("Uivo e Outros Poemas"). Considerado “obsceno”, foi apreendido pelos serviços alfandegários e pela polícia, sendo alvo dum longo processo judicial.

Os argumentos de vários poetas, críticos e professores universitários (Kenneth Rexroth, Walter V. T. Clark e Mark Schorer) convenceram o juiz. Terminado o processo, tornou-se o livro de poesia mais vendido nos EUA.

Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs foram o núcleo duro da Beat Generation: movimento que rejeitava os valores tradicionais e contribuiu para uma revolução cultural nos anos 50 e 60.

Ginsberg viajou pelo mundo. Descobriu o budismo. Apaixonou-se por Peter Orlovsky: seu companheiro para o resto da vida. Nos anos 1960, ajudou Timothy Leary a divulgar o LSD. Em 1968, foi um ativista importante contra a Guerra do Vietname.

Ativista durante toda a vida, Ginsberg falava abertamente sobre drogas, homossexualidade e liberdade. 

Manteve uma publicação regular ao longo da vida. Os seus livros constituíam um apelo à paz e à defesa dos mais desfavorecidos.

Ginsberg manteve a sua agenda social ativa até 5 de abril de 1997: dia em que morreu, na sequência de cancro do fígado. Tinha 70 anos. Antes de morrer, ligou aos amigos e familiares dizendo o seu último poema.

Datado de 30 de março, “Things I’ll Not Do" (Nostalgias) era uma lista de coisas que gostaria de fazer: visitar a Bulgária; beber chá de menta em Marrocos; olhar para a Esfinge, enquanto o sol se pusesse no deserto.

Allen Ginsberg and Peter Orlovsky in San Francisco, 1955


terça-feira, 13 de abril de 2021

John Lennon e Yoko Ono - Cama Pela Paz


John Lennon e Yoko Ono, dos Beatles, passaram sete dias da lua-de-mel na cama do Hotel Hilton de Amesterdão, a dar entrevistas à imprensa. O quarto estava decorado com desenhos sobre a paz. Do lado de fora do hotel, as pessoas aglomeravam-se em redor do Rolls-Royce de Lennon e Ono.

Durante sete dias, os recém-casados Yoko Ono e John Lennon passaram a lua de mel na cama da suíte presidencial do Hotel Hilton em Amsterdã, na Holanda. O peculiar foi que, todos os dias, recebiam jornalistas e fotógrafos do mundo inteiro para divulgarem seu bed-in for peace, uma campanha pela paz, contra a Guerra do Vietname.

A forma de protesto contra a violência chegou a ser repetida em outras cidades. Esse foi mais um passo de Lennon em busca de independência em relação aos Beatles, banda da qual fizera parte. O processo de dissolução do grupo havia começado em 1966, quando cada um dos músicos começou a desenvolver projectos individuais e Lennon conheceu a vanguardista japonesa Yoko Ono em Londres.

A tentativa de Ono de participar das gravações da banda nos estúdios Twickenham, em 1969, foi rejeitada pelos parceiros George Harrison, Ringo Starr e principalmente por Paul McCartney. Lennon distanciou-se mais ainda do grupo e casou-se em 20 de março em Gibraltar, onde o casal teve a ideia de chamar a atenção para uma campanha pela paz.

"Todos falam de paz, mas ninguém faz nada por ela. A gente pode deixar crescer os cabelos ou renunciar a uma semana de férias pela paz. O importante é que ela só pode ser atingida com métodos pacíficos. Combater um sistema com as armas é errado. Eles são milhares e ganhariam sempre. Se quiserem te apagar, te matam. Mas, contra o humor pacífico, eles não têm estratégia", foi a mensagem de Lennon.

Barrados nos EUA
De volta a Londres, o casal resolveu repetir o bed-in nos Estados Unidos. Eles pretendiam viajar a Nova York no famoso transatlântico de luxo Queen Elizabeth 2º, ao lado de Ringo Starr, Peter Sellers e outros atores do filme Magic Christian. As malas já estavam a bordo quando receberam a notícia de que os Estados Unidos se negavam a conceder o visto de entrada. Alegaram que Lennon era "indesejado" por causa de um delito envolvendo drogas.

Resolveram então ir para Montreal, no Canadá, onde promoveram sua campanha pela paz durante dez dias num quarto do Hotel Rainha Elizabeth. Na ocasião – era junho de 1969 – gravaram a música Give Peace a Chance (Dê uma Chance à Paz).

Essa campanha de Lennon durou quase dez meses, entre março e dezembro de 1969. Apoiado por Yoko Ono, ele encontrou várias maneiras para chamar a atenção nesse período.

Uma delas foi devolver a medalha de honra Membro da Ordem do Império Britânico ao Palácio de Buckingham, em protesto à ingerência inglesa na Guerra de Biafra e ao apoio aos Estados Unidos na Guerra do Vietname.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Creedence Clearwater Revival - Fortunate Son


Fortunate Son
Creedence Clearwater Revival

Some folks are born
Made to wave the flag
They're red, white and blue
And when the band plays
Hail To The Chief
They point the cannon at you, Lord

It ain't me, it ain't me
I ain't no senator's son
It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no

Some folks are born
Silver spoon in hand
Lord, don't they help themselves
But when the taxman
Come to the door
Lord, the house look like a rummage sale

It ain't me, it ain't me
I ain't no millionaire's son
It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no

Some folks inherit
Star spangled eyes
They send you down to war, Lord

And when you ask them
How much should we give?
They only answer
More, more, more

It ain't me, it ain't me
I ain't no military son
It iain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no

It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no
It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate son, no

Crítica social e protesto em “Fortunate Son” do Creedence
Em “Fortunate Son”, o Creedence Clearwater Revival, liderado por John Fogerty, faz uma crítica direta à desigualdade social e à hipocrisia das elites durante a Guerra do Vietname. A música contrapõe o patriotismo exibido pelos privilegiados à dura realidade dos jovens comuns enviados para o conflito. O verso “Some folks are born made to wave the flag” (Algumas pessoas já nascem para balançar a bandeira) ironiza aqueles que, por nascimento, são vistos como símbolos do orgulho nacional, mas raramente enfrentam as consequências dos conflitos que apoiam. Fogerty se inspirou no casamento entre membros das famílias Nixon e Eisenhower, destacando como a elite política se exime dos sacrifícios impostos à população menos favorecida.

A repetição de “It ain't me, I ain't no senator's son” (Não sou eu, não sou filho de senador) e “I ain't no fortunate one” (Não sou um dos sortudos) reforça que o narrador não faz parte desse grupo privilegiado, representando a maioria dos jovens americanos obrigados a lutar. A letra denuncia a hipocrisia das elites, que se beneficiam do sistema (“silver spoon in hand” – colher de prata na mão), mas evitam responsabilidades como pagar impostos ou servir ao exército. O trecho “when you ask them how much should we give? They only answer more, more, more” (quando você pergunta quanto devemos dar, eles só respondem mais, mais, mais) evidencia como os poderosos exigem sacrifícios dos outros, mas nunca de si mesmos. Assim, “Fortunate Son” se tornou um hino de protesto contra a manipulação das massas e a injustiça social.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Steve Earle - Copperhead Road



[Verse 1]
Well, my name's John Lee Pettimore
Same as my daddy and his daddy before
You hardly ever saw Grandaddy down here
He only come to town about twice a year
He'd buy a hundred pounds of yeast and some copper line
Everybody knew that he made moonshine
Now, the revenue man wanted Grandaddy bad
Headed up the holler with everything he had
Before my time, but I've been told
He never come back from Copperhead Road

[Verse 2]
Now, Daddy ran the whiskey in a big-block Dodge
Bought it at an auction at the Mason's Lodge
"Johnson County Sheriff" painted on the side
He just shot a coat of primer, then he looked inside
Well, him and my uncle tore that engine down
I still remember that rumblin' sound
And then the Sheriff came around in the middle of the night
Heard Mama cryin', knew somethin' wasn't right
He was headed down to Knoxville with the weekly load
You could smell the whiskey burnin' down Copperhead Road

[Bridge]
Hey
Hey, hey

[Verse 3]
I volunteered for the Army on my birthday
They draft the white trash first 'round here, anyway
I done two tours of duty in Vietnam
I came home with a brand-new plan
I take the seed from Colombia and Mexico
I just plant it up a holler down Copperhead Road
And now the DEA's got a chopper in the air
I wake up screamin' like I'm back over there
I learned a thing or two from Charlie, don't you know?
You better stay away from Copperhead Road

[Outro]
Whoa
Copperhead Road
Copperhead Road
Ha, Copperhead Road

Significado
"Copperhead Road" (1988), uma das composições mais célebres de Steve Earle, cruza a sonoridade do country-rock com uma narrativa linear que expõe as fraturas sociais e económicas da América rural profunda. A letra acompanha três gerações da família Pettimore na região dos Apalaches, no Tennessee, ilustrando a transição do negócio ilegal da destilação de uísque (moonshine) praticado pelo avô e pelo pai, para a plantação de marijuana conduzida pelo neto, John Lee Pettimore III, após o seu regresso da Guerra do Vietname. O protagonista utiliza o próprio treino militar de guerrilha que o governo lhe forneceu na selva asiática para defender o seu território e a sua colheita contra as autoridades federais.

Do ponto de vista da análise ideológica, este caso e a postura política que a canção reflete são comummente designados como populismo de esquerda com fortes traços de libertarismo de esquerda (ou left-libertarianism). Embora Steve Earle seja um reconhecido ativista do espetro socialista e progressista norte-americano, a canção adota a perspetiva da cultura redneck e hillbilly, historicamente marcada por uma profunda desconfiança em relação ao Estado centralizador.

Politicamente, o cenário enquadra-se nas seguintes correntes e conceitos:
  1. Antiestatismo popular: a música retrata o governo federal não como uma força de proteção, mas como um agente opressor e hipócrita (seja através do "fisco" que persegue os pequenos produtores de álcool, seja através da agência de combate às drogas, a DEA, que surge com helicópteros no final da narrativa).
  2. Crítica ao imperialismo e ao abandono social: Existe uma denúncia explícita do cinismo do complexo militar-industrial. O Estado recruta jovens das classes desfavorecidas para combater numa guerra imperialista (Vietname) e, ao devolvê-los à pátria traumatizados e sem perspetivas económicas, empurra-os de volta para a marginalidade.
  3. Soberania individual e de subsistência: o caso ilustra o choque entre as leis federais de propriedade e de fiscalidade e o direito consuetudinário das comunidades isoladas de gerirem os seus próprios recursos e subsistência à margem do controlo governamental.
Em resumo, a canção funciona como um manifesto político-musical que utiliza uma base cultural tradicionalmente associada à direita conservadora americana para tecer uma crítica anticapitalista, antibelicista e anti-autoritária, tipificando o conceito de resistência popular periférica contra a hegemonia do Estado.