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sábado, 29 de agosto de 2026

Espécies marinhas invasoras em Portugal aumentaram 75% em 10 anos

O número de espécies marinhas invasoras nas águas portuguesas aumentou 75% em 10 anos, com mais 98 registos, de acordo com um estudo científico a que hoje a agência Lusa teve acesso.

Este estudo foi uma atualização de um levantamento com 10 anos das “espécies não indígenas ou espécies introduzidas nas águas costeiras portuguesas, portanto estuários nas costeiras, lagoas costeiras, e incluiu tanto o continente como as ilhas”, explicou à Lusa Paula Chainho, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Mare), uma das organizações que tutelou o projeto.

“Verificámos que há 10 anos tínhamos reportado 133 espécies não indígenas e atualmente reportámos 231”, que corresponde a “uma taxa muito elevada de novas introduções”, disse.

Isto “é ainda mais preocupante” porque os investigadores que realizaram o estudo há 10 anos admitiam que o elevado número então registado correspondia a espécies que não haviam sido estudadas, mas tudo indica que estes novos 100 registos correspondem a um “aumento bastante acentuado” porque, desde então, têm sido feitas várias análises.

“Das 231 espécies confirmadas, 159 ocorrem em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira”, pode ler-se na apresentação do trabalho de 31 investigadores de 11 universidades portuguesas entre várias organizações, e liderado pelo Mare e pela Rede de Investigação Aquática (Arnet), que foi publicado na revista Marine Pollution Bulletin e aponta vários problemas na costa portuguesa.

Segundo Paula Chainho, a “navegação é a principal causa de introdução de novos exemplares”, seja através da “incrustação nos cascos das embarcações” de espécies ou pela lavagem dos tanques de água de lastro.

As embarcações de transporte têm tanques de água no interior para ficarem equilibradas quando carregam mercadoria e descarregam conforme necessitem para garantir a estabilidade da estrutura.

“Quando uma embarcação descarrega uma determinada carga, tem que compensar essa saída de peso com um peso adicional e, portanto, neste caso, as águas que são introduzidas nos tanques de lastro”, que são descarregadas noutro ponto do globo quando carregam novas mercadorias.

“Nestas águas que são captadas num local e descarregadas noutro viajam muitos organismos vivos”, explicou a investigadora, que aponta também riscos na aquacultura.

Em causa, nestes casos, está a introdução de novas espécies de produção, mas também organismos que “chegam à boleia” destes exemplares.

Por isso, o “foco deve estar principalmente na prevenção porque quando uma espécie aquática entra num determinado local, nós só vamos detetá-la quando ela já está perfeitamente instalada”, defendeu a investigadora.

Nesse capítulo, existe uma “convenção internacional das águas de lastro que obriga ao tratamento lastro antes de serem descarregadas” mas “em Portugal não temos relatórios oficiais que possamos consultar sobre como é que isto tem vindo a ser implementado”.

Já em relação à aquacultura, “também há regulamentação e, portanto, para ser introduzida uma nova espécie não indígena para a aquacultura é preciso um requerimento específico”, mas também “não há nenhum tipo de verificação em Portugal em relação a como é que isto está a ser cumprido ou não”, disse.

Noutros casos, há espécies como a ameijoa japonesa, uma espécie invasora nas águas nacionais há muitos anos, e em que a única forma de controlar a sua população é através da gestão da pesca, reconheceu.

O trabalho propõe também uma lista de vigilância inédita com 22 espécies detetadas através de ADN ambiental, um sistema de deteção precoce capaz de identificar espécies invasoras antes de serem observadas a olho nu.

Nas águas de Portugal continental, 39% das espécies não indígenas são originárias do Pacífico Norte, seguidas de 24% com origem noutras zonas do Atlântico Norte, uma tendência que é invertida nos Açores e Madeira, com o Pacífico Norte a ter predominância.

De todos os portos, Sines “surge no estudo como um ponto estratégico de entrada, dada a sua localização no cruzamento de rotas marítimas que ligam a Ásia, o Mediterrâneo, os Estados Unidos e África”, refere, justificando a investigação específica desta zona.

“As invasões marinhas são um fenómeno dinâmico e transfronteiriço, e compreendê-las exige uma ciência capaz de trabalhar à mesma escala. Este estudo permitiu-nos ir muito além de uma simples atualização do número de espécies, revelando padrões de introdução, lacunas no conhecimento genético e prioridades para a monitorização futura”, refere Romeu Ribeiro, investigador do Mare e primeiro autor do estudo, num comunicado.

A equipa desenvolveu uma “lista de vigilância pioneira com 22 espécies detetadas exclusivamente por métodos moleculares, como o ADN ambiental”, mesmo “sem confirmação física da existência.

Este mecanismo constitui “um sistema de alerta precoce, capaz de sinalizar potenciais invasores antes de serem visualmente identificados no terreno”.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O aquecimento dos oceanos causa uma redução anual de 20% no número de peixes

O aquecimento crónico e prolongado dos oceanos é o responsável pelo declínio anual de quase 20% na biomassa de peixes (o peso total dos peixes capturados vivos em redes de arrasto), segundo pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade Nacional da Colômbia.

A pesquisa, desenvolvida nas águas do Mediterrâneo, do Atlântico Norte e do Pacífico Nordeste, baseia-se na análise de 702.037 estimativas de mudanças na biomassa de 33.990 populações de peixes registadas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte.

Os dados coletados, segundo os pesquisadores, devem ser cruciais para aprimorar a gestão da pesca e a conservação dos ecossistemas marinhos, dos quais depende grande parte da segurança alimentar mundial; hoje, 25 de fevereiro, eles publicam os resultados do seu trabalho na revista Nature Ecology and Evolution.

Shahar Chaikin, pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais, explicou à EFE que calcularam essa perda de 'biomassa' analisando o peso total dos peixes vivos capturados em redes de arrasto de fundo durante o período abrangido pelos estudos científicos, que inclui espécies comerciais e não comerciais.

As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes, não afetam todos os peixes da mesma forma, pois há populações que "perdem" e outras que "ganham", e o estudo mostra que tudo depende da zona de conforto térmico, a faixa de temperatura ideal na qual cada espécie cresce e se desenvolve melhor.

No final das contas, ninguém ganha.
Shahar Chaikin afirmou que, tanto globalmente quanto em nível populacional (em locais específicos), a tendência geral é de diminuição dessa biomassa à medida que os oceanos aquecem, e declarou que o resultado final do trabalho é que "ninguém ganha a longo prazo".

Quando uma onda de calor leva os peixes em águas já quentes além de sua zona de conforto térmico, a sua biomassa pode cair até 43,4%, mas as populações em áreas mais frias muitas vezes prosperam temporariamente com o aumento das temperaturas, aumentando a sua biomassa em até 176%.

“Embora esse aumento repentino na biomassa em águas frias possa parecer uma boa notícia para a pesca, trata-se de um aumento temporário. Se os gestores aumentarem as quotas de pesca com base no aumento da biomassa causado por uma onda de calor, correm o risco de provocar o colapso dos stocks quando as temperaturas voltarem ao normal ou quando o efeito do aquecimento global a longo prazo se consolidar, porque esses aumentos são pontuais”, alertou Chaikin.

“Ao contrário das flutuações climáticas de curto prazo, que podem variar drasticamente, o aquecimento crónico exerce uma pressão negativa constante sobre as populações de peixes no Mar Mediterrâneo, no Oceano Atlântico Norte e no nordeste do Oceano Pacífico”, disse Juan David González Trujillo, pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia, num comunicado à imprensa divulgado na quarta-feira pelo MNCN.

Coordenação internacional para gerir recursos que não conhecem fronteiras.
A abordagem tradicional à gestão da pesca já não acompanha o ritmo das alterações climáticas e, para garantir o futuro dos recursos pesqueiros globais, os autores propõem uma estrutura de três níveis que combina resposta rápida, planeamento a longo prazo e cooperação internacional. Observaram que as espécies, na tentativa de se manterem dentro da sua zona de conforto térmico, inevitavelmente atravessam fronteiras internacionais, pelo que a conservação requer coordenação internacional e acordos conjuntos de gestão de recursos.

O pesquisador do MNCN-CSIC, Miguel Bastos Araújo, enfatizou a importância de equilibrar cuidadosamente os aumentos localizados com os declínios a longo prazo para evitar a sobre-exploração e afirmou que a única estratégia viável diante do aquecimento dos oceanos é priorizar a resiliência a longo prazo. "As medidas de gestão devem levar em conta o declínio esperado da biomassa num oceano cada vez mais quente."

A conclusão é que os recursos pesqueiros não podem ser regulamentados apenas considerando o aumento ou a diminuição ocasional da biomassa devido a uma onda de calor marinha, disse Chaikin à EFE, citando o exemplo do robalo do Mediterrâneo: quando confrontado com uma onda de calor marinha, é essencial reduzir a pressão da pesca, porque enfrenta perdas muito maiores do que as populações em costas mais frias da Galiza ou da Inglaterra.

Mas, embora as populações nessas "bordas frias" possam experimentar um aumento significativo durante uma onda de calor, esses ganhos são "transitórios" e desaparecem com o aquecimento oceânico a longo prazo , portanto, não representam uma oportunidade para a "captura sustentável".

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Trophic convergence of marine vertebrate communities worldwide


Marine vertebrate communities globally exhibit trophic convergence, meaning communities in different locations with similar environmental conditions develop similar feeding structures and functional roles. This functional similarity, driven primarily by temperature, productivity, and depth, results in the emergence of six distinct types of trophic communities worldwide. This convergence challenges traditional biogeographic models based on geographic isolation and supports the idea that shared environmental pressures shape marine ecosystems, even with different species.[artigo aqui]

Key findings

Six global trophic community types: Studies have identified six consistent types of marine trophic communities (TC1-TC6) that appear across the globe.

Environmental drivers: The specific type of trophic community that emerges in a region is largely determined by environmental factors, especially:
  • Temperature: As temperatures get colder towards the poles, overall trophic complexity tends to decrease.
  • Productivity: The availability of energy at the base of the food web is a fundamental driver of community structure.
  • Depth: Shallower coastal areas tend to support more complex and specialized trophic communities.
Functional similarity over evolutionary history: The findings show that geographically distant communities with different evolutionary origins can converge into the same functional type when they share similar environmental conditions. This indicates a strong role for convergent evolution in shaping global marine biodiversity patterns.

Implications for conservation: The existence of these global trophic analogs provides a new benchmark for conservation and management efforts, helping scientists to better understand and predict the impacts of environmental change on marine biodiversity.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A Estafeta da Existência: O Legado Multigeracional da vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui)


O conceito de migração animal evoca frequentemente a imagem de um indivíduo que parte de um ponto A para um ponto B. No entanto, a borboleta-dos-cardos (Vanessa cardui) subverte esta noção, apresentando um modelo de sobrevivência onde o destino não pertence ao indivíduo, mas à linhagem. Este sistema de migração multigeracional é um dos exemplos mais sofisticados de resiliência biológica na natureza.

Presente na América do Norte, Europa, África e Ásia, esta é uma borboleta grande, com uma envergadura de asas que pode chegar aos sete centímetros. O nome científico, Vanessa cardui, inspira-se nos cardos em que as lagartas gostam de se alimentar (embora também se alimentem de outras plantas).

Há uma década, os cientistas sabiam que a bela-dama desaparece da Europa no outono e acreditava-se que migraria para o norte de África. “Eu não acreditava nisso, pois estas regiões são muito frias no inverno e sabemos que esta borboleta não sobrevive ao frio. Como não entra em diapausa, precisa de continuar a mexer-se”, recorda Talavera. Além do mais, no Magrebe havia poucos registos da espécie para esta altura do ano.

E se a resposta estivesse na travessia do Saara, o maior deserto de areia do mundo? “Havia uma pequena hipótese, mas ninguém acreditava que a grande maioria destas borboletas pudesse atravessar o deserto”, reconhece. “Foi uma grande aposta.”

A Continuidade através da Brevidade
A característica mais marcante da V. cardui é a sua capacidade de completar um circuito migratório que ultrapassa os 12.000 km, uma distância impossível de cobrir durante o seu ciclo de vida de apenas poucas semanas. O segredo reside na fragmentação do percurso: o que observamos como um movimento migratório único é, na verdade, uma sucessão de até seis gerações que funcionam como uma estafeta biológica.

Mecanismos de Orientação e Genética
A questão que intriga a ciência é como uma borboleta, nascida no norte da Europa, "sabe" que deve voar para o Sul no outono, sem nunca ter feito o percurso ou tido contacto com as gerações anteriores. Estudos indicam que estas borboletas utilizam uma bússola solar compensada pelo tempo, integrada com a perceção do campo magnético terrestre. Esta informação não é aprendida; é uma herança genética codificada.

Resiliência Ecológica
Ao contrário de outras espécies especialistas, a borboleta-dos-cardos é uma generalista oportunista. A sua capacidade de se alimentar de uma vasta gama de plantas (especialmente cardos e malvas) permite-lhe atravessar desertos e cadeias montanhosas, adaptando-se a diferentes ecossistemas à medida que a sua linhagem avança pelo globo.

Para saber mais:

quarta-feira, 30 de julho de 2025

“Quantidades tremendas” de nanoplásticos flutuam no Atlântico Norte



Uma investigação liderada pela Universidade de Utrecht (Países Baixos) estima que 27 milhões de toneladas de partículas de plástico com menos de um micrómetro estejam a flutuar no Atlântico Norte.

“Esta estimativa mostra que há mais plástico na forma de nanopartículas a flutuar nesta parte do oceano do que há maiores micro- ou macroplásticos a flutuar no Atlântico ou mesmo em todos os oceanos do mundo”, diz, em comunicado, Helge Niemann, geoquímico e um dos principais autores do artigo publicado este mês na revista ‘Nature’.

Para chegarem a esse número, os investigadores recolheram amostras de água marinha em novembro de 2020, ao longo de uma viagem desde os Açores até à plataforma continental europeia. Sophie ten Hietbrink, primeira autora do estudo, passou quatro semanas a fazer essa amostragem, filtrando tudo o que tivesse mais do que um micrómetro.

“Ao secar e aquecer o material restante, conseguimos medir as moléculas características de diferentes tipos de plástico no laboratório de Utrecht, usando espetrometria de massa”, explica.

A equipa diz que está a primeira vez que se consegue fazer uma “estimativa real” da quantidade de nanoplásticos num oceano. “Há algumas publicações que mostram que há nanoplásticos na água oceânica, mas até agora não se conseguiu fazer qualquer estimativa sobre a quantidade”, refere Helge Niemann.

Essa estimativa foi possível através da extrapolação dos resultados das amostras obtidas em cada local. Os cientistas acreditam que uma grande porção de todo o plástico até agora produzido no mundo está a flutuar pelos oceanos como partículas minúsculas.

A presença de nanoplásticos no mar pode resultar da degradação de pedaços de plásticos maiores pela força das ondas e pela ação da radiação solar, podem lá chegar através de rios contaminados com esses materiais e até podem ser transportados pelo ar, como partículas em suspensão que caem com a chuva.

Os investigadores vão continuar o trabalho, especialmente para perceber os tipos de plástico de que são feitas essas nanopartículas. “Por exemplo, não encontrámos polietileno ou polipropileno entre os nanoplásticos”, revela Niemann, acrescentando que pretendem também perceber se outros oceanos são afetados pelo mesmo problema.

“Os nanoplásticos podem penetrar profundamente nos nossos corpos, e agora que sabemos que são ubíquos nos oceanos, é de esperar que estejam a penetrar em todo o ecossistema”, aponta.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Dados da OMM e Copernicus. Mortes associadas ao calor aumentam 30% na Europa


O serviço de observação da Terra da União Europeia, Copernicus, e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) apresentaram uma análise sobre o “stress térmico extremo” que assola a Europa.

O relatório conjunto sobre o estado do clima afirma que a taxa de mortalidade devido ao clima quente aumentou 30 por cento na Europa em duas décadas. 2023 foi o ano de todos os máximos em termos de calor. Onze dos 12 meses registaram temperaturas acima da média no ar e à superfície do mar. Setembro foi mesmo o mês mais quente desde que há registos. Os poluentes que retêm o calor e obstruem a atmosfera contribuíram para elevar as temperaturas na Europa, em 2023, para níveis nunca antes registados. O estudo apurou também que os europeus, ao sofrerem com este calor sem precedentes durante o dia, acumulam stress e as noites tornam-se desconfortáveis.

“O custo da ação climática pode parecer elevado”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, “mas o custo da inação é muito mais elevado”.

Calor e chuva intensos
Durante o ano passado, as temperaturas na Europa estiveram acima da média durante 11 meses de 2023. O mês de setembro foi considerado o mais quente desde que há registo, de acordo com o estudo. Neste ciclo de altas temperaturas, o clima quente e seco facilitou a propagação de grandes incêndios, que por sua vez saturaram a atmosfera das cidades com a grande quantidade de fumo espalhado no ar. Portugal, Espanha e Itália são os países europeus identificados como os mais fragilizados pela seca. A Grécia está apontada como tendo sofrido o maior incêndio florestal registado na UE, com 96 mil hectares de área ardida. Mas não é só o calor a provocar desastres. As chuvas intensas também causaram inundações mortais por toda a Europa. Em 2023, o território europeu teve um aumento de sete por cento de precipitação, relativamente à média dos últimos 30 anos.

O relatório conclui que um terço da rede fluvial ultrapassou o limiar “alto” de cheias. Um sexto atingiu níveis “severos”. "A temperatura média da superfície do mar em toda a Europa foi a mais alta já registada, e os Alpes viram perda excepcional de gelo", reporta o estudo.

“Em 2023, a Europa testemunhou o maior incêndio florestal alguma vez registado, um dos anos mais chuvosos, fortes ondas de calor marinhas e inundações devastadoras generalizadas”, sublinhou Carlo Buontempo, diretor do serviço de alterações climáticas Copernicus, citado no jornal britânico The Guardian. Os glaciares dos Alpes perderam dez por cento do volume nos últimos dois anos.“As temperaturas continuam a aumentar, tornando os nossos dados cada vez mais vitais na preparação para os impactos das alterações climáticas”, acrescentou. O relatório não forneceu dados sobre o número de mortes causadas pelo calor em 2023, mas estima que houve mais 70 mil óbitos extra em 2022.

Friederike Otto, cientista climática do Imperial College London, não esteve envolvida no relatório mas admite que o “número de mortes relacionadas com o calor em 2023 provavelmente terá sido maior”.“Para muitas destas mortes, o calor adicional causado pelas emissões de combustíveis fósseis teria sido a diferença entre a vida e a morte”, adverte Otto. Ana Raquel Nunes, professora assistente de saúde e ambiente na Universidade de Warwick, externa ao estudo acentua que é “imperativo tomar medidas urgentes para proteger a saúde e incluí-la na política climática”.“Qualquer coisa menos do que isso significaria negar às gerações futuras a proteção e a previsão que merecem”, remata.

terça-feira, 23 de abril de 2024

Poema - Árvore naufraga

Mindelo

"Árvore naufraga quer ir ter com o mar,
Raízes cansadas de terra e chão,
Anseia pelo sal, pelo vasto, o sem par,
Navegar em ondas de pura emoção.

Os seus galhos, outrora altivos, agora clamam,
Por dançar com as brisas do oceano,
Sussurrar segredos que as marés inflamam,
E encontrar-se no horizonte, sem engano.

Despe-se das folhas, da rigidez terrestre,
Abraça a fluidez do azul infinito,
No balanço das águas, encontra o seu mestre,
Numa dança eterna, num ritmo bendito."

João Soares, 20.04.2024

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Unesco Lançou Primeiro Relatório Sobre o Estado Atual do Oceano


Durante a Conferência das Nações Unidas para o Oceano 2022, que decorreu de 27 de junho a 1 de julho, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lançou um novo relatório intitulado “State of the Ocean Report” (StOR), partilhando a visão do estado atual do oceano e, mobilizando a sociedade global para agir – e monitorar o progresso – em direção às metas globais.

Esta edição piloto foi proposta e desenvolvida para demonstrar a viabilidade de manter o mundo atualizado sobre o estado atual do oceano. Pretende ser um complemento a outras avaliações, como a “World Ocean Assessment” e os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES).

Com base em exemplos iniciais de iniciativas conjuntas ou lideradas pelo COI, o StOR está estruturado em torno dos 10 desafios iniciais da Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável 2021–2030.

“O Relatório ajudará a monitorizar com eficiência o progresso da Década dos Oceanos da ONU e, com tempo, pode-se tornar uma publicação mundial ansiosamente esperada, que contribuirá significativamente para mobilizar a sociedade global a agir em direção ao oceano que precisamos para o futuro que queremos”, declara Vladimir Ryabinin, Secretário Executivo da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI-UNESCO), entidade que redigiu o relatório e que é o principal órgão das Nações Unidas para a promoção e coordenação internacional das ciências marinhas para melhoria da gestão do oceano, costas e recursos.

O StOR torna-se assim o primeiro relatório do género a compilar o conhecimento mais atual sobre o estado do oceano – da poluição à biodiversidade – de forma sucinta, trazendo todas as informações principais que os formuladores de políticas e os gestores do oceano precisam para tomar decisões informadas sobre a proteção e planeamento sustentável.

A edição piloto do StOR recebeu contribuições de mais de 100 especialistas, entre autores e revisores, em todas as principais áreas das ciências marinhas, como a acidificação dos oceanos, a poluição marinha, alertas precoces de tsunami, planeamento espacial marinho, gestão de dados ou infraestruturas de habilitação.

As próximas edições do Relatório vão também considerar contribuições de outras agências das Nações Unidas, seguindo o modelo do relatório do Estado do Clima regularmente publicado pela Organização Mundial de Meteorologia, sendo que os futuros lançamentos estão devem sempre coincidir com o Dia Mundial dos Oceanos das Nações Unidas, celebrado anualmente a 8 de junho.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Lixo: Mega Operação de Limpeza a Costa Portuguesa

O projecto Panthalassa é a maior ação de descontaminação da costa portuguesa realizada até hoje pela associação Brigada do Mar.

                                  


Arrancou esta sexta-feira, 7 de janeiro, uma mega operação de limpeza da costa portuguesa que vai durar 18 meses e que contará com 15 ações ao longo de 350 quilómetros do litoral.

Esta grande operação de descontaminação da orla costeira de Portugal continental será realizada entre janeiro de 2022 e junho de 2023. A iniciativa chama-se Panthalassa e vai incidir, por etapas, em 350 quilómetros de areais (dos 943 quilómetros de toda a costa), entre Viana do Castelo e Monte Gordo.

A recolha de lixo e resíduos de dimensão superior a uma garrafa de plástico de litro e meio - é feita por equipas de voluntários da Brigada do Mar. Simão Acciaioli, responsável pelo projecto e pela Associação Brigada do Mar, explica que a estimativa é recolher 80 toneladas de resíduos, "que representam muitos metros quadrados que destroem a vegetação, ecossistemas e constituem um perigo para todos."

A operação Panthalassa vai ainda recolher dados referentes a animais mortos (golfinhos, tartarugas, aves) e estas informações serão partilhadas com instituições e organizações que trabalham na área ambiental e da sustentabilidade, como por exemplo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Sociedade Portuguesa para o Estudo de Aves (SPEA) e Rede de Arrojamentos.

Os resíduos recolhidos vão ser encaminhados para os circuitos de tratamento, reciclagem, reutilização, aproveitamento de materiais para a indústria, como também para a criação de instalações artísticas e exposições.

Devido à pandemia, nos primeiros meses desta operação de limpeza não será possível integrar voluntários para além dos que já fazem parte destas ações. A Brigada do Mar dedica-se à limpeza de lixo das praias há 13 anos e conta já com um núcleo duro de voluntários que fazem habitualmente parte destas ações. Ainda assim, Simão Acciaioli revela como é que cada um de nós pode fazer parte deste Panthalassa.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Reynisfjara Beach in Iceland


O oceano azul, a praia negra, o enxofre líquido e os campos verdes encontram-se na praia de Reynisfjara, na Islândia.
Foto: Sebastian Müller