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sábado, 22 de agosto de 2026

Hoje assinala-se o Dia Internacional de Homenagem às Vítimas de Atos de Violência Baseados em Religião ou Crença.

Marilyn Monroe "The Springtime of Life", near Mailbu, CA, 1946- foto de André de Dienes

Embora estas efemérides procurem proteger a liberdade de consciência, torna-se impossível ignorar o papel que a própria religião - ou a sua manipulação ideológica - desempenhou e continua a desempenhar na eclosão de conflitos e na perda de vidas humanas. Ao longo da história, dogmas religiosos têm sido instrumentalizados para alimentar um nacionalismo sectário, onde a fé deixa de ser uma busca espiritual individual e passa a funcionar como uma fronteira de exclusão política. Quando a identidade nacional se confunde com a ortodoxia religiosa, a divergência deixa de ser apenas uma diferença de opinião e passa a ser vista como uma ameaça à soberania, pavimentando o caminho para a perseguição, a guerra e a violência estatal.

Acompanho, com muita apreensão, a aceleração e crescimento  galopante dos evangélicos e da manipulação em massa de gente nova a aderir a discursos evangélicos e pentecostais, os chamados "soldados/soldadas de Cristo". O movimento "Mulheres Conservadoras em Portugal" é o clímax de uma orquestração, que já vem detrás.  A aproximação à direita brasileira ganha particular relevância pelo papel que as igrejas evangélicas desempenham no Brasil como importante base de apoio da direita e estão no Parlamento Brasileiro. Imitam o Novo Conservadorismo norte-americano, constituindo, portanto, uma real ameaça à democracia. 

Contudo, os números são impressionantes. A liberdade de religião e de crença permanece um dos direitos fundamentais mais transgredidos no mundo contemporâneo, afetando cerca de 4,9 mil milhões de pessoas - o equivalente a mais de 60% da população global - que vivem sob regimes com limitações severas ou perseguição ostensiva à prática espiritual, segundo o relatório da Fundação ACN (Aid to the Church in Need). A violência motivada pela fé não se restringe a uma região ou dogma específico, distribuindo-se de forma heterogénea e vitimando comunidades de diversas matrizes.

Entre as populações mais afetadas, estima-se que mais de 365 milhões de cristãos enfrentem níveis elevados de discriminação ou opressão, registando-se perto de 5.000 assassinatos anuais por razões diretamente ligadas à sua fé, concentrados maioritariamente na África subsariana, com a Nigéria a responder por mais de 80% destas vítimas mortais, de acordo com os dados monitorizados pelo WWL da Open Doors International. Paralelamente, minorias muçulmanas sofrem repressão sistémica em várias geografias, como ilustrado pela detenção de mais de 1 milhão de Uigures em campos de reeducação em Xinjiang, na China, documentada pelo Relatório de Avaliação do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (OHCHR), e pelo deslocamento forçado de cerca de 740.000 muçulmanos Rohingya forçados a fugir de Mianmar para o Bangladesh, segundo os registos do Portal de Dados Operacionais do ACNUR/UNHCR. O antissemitismo também tem apresentado surtos globais, com aumentos superiores a 300% em incidentes violentos e de intimidação registados em países ocidentais após a escalada de conflitos no Médio Oriente a partir do final de 2023, de acordo com as estatísticas da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA).

A gravidade do panorama estende-se ao enquadramento jurídico de vários Estados. Em cerca de 13 nações - localizadas maioritariamente no Médio Oriente, Norte de África e Sul da Ásia —, crimes como a apostasia e a blasfémia preveem formalmente a pena de morte, enquanto em mais de 80 países a renúncia à religião maioritária ou a crítica a dogmas resulta em penas de prisão efetiva, acusações criminais ou privação de direitos civis, como documenta a Humanists International no seu Freedom of Thought Report. Nestes cenários, a ausência de crença também é severamente punida, tornando ateus e agnósticos alvos frequentes de sanções estatais.

A esta realidade soma-se a expansão de novos movimentos de traço sectário que instrumentalizam o estatuto de liberdade religiosa para exercer coerção psicológica, exploração financeira ou violação de direitos individuais. O grande desafio da comunidade internacional e dos Estados de direito reside em equilibrar a salvaguarda da liberdade de consciência com a aplicação rigorosa da lei, garantindo que o pretexto da fé não sirva para legitimar abusos, nem que o poder estatal seja utilizado para silenciar a diversidade de crenças.

O Afeganistão sob o domínio do Taliban representa um dos exemplos mais radicais de como a instrumentalização da religião pode anular o Estado de direito e refundar a identidade de um país sob uma lógica de exclusão absoluta. Desde o regresso do grupo ao poder em agosto de 2021, a interpretação ultrafundamentalista da lei islâmica de matriz Deobandi foi erguida como a única fonte de soberania e legitimidade, transformando a fé num instrumento de controlo social totalitário.

Esta fusão entre dogma e governação resultou no apagamento prático da diversidade cultural e religiosa do país. Minorias históricas, como a comunidade Hazara (maioritariamente xiita, representando entre 10% a 15% da população afegã), enfrentam episódios recorrentes de violência, marginalização e deslocamento forçado sem qualquer garantia de proteção estatal, conforme documentado nos Relatórios sobre o Afeganistão da Amnistia Internacional. Ao mesmo tempo, o desvio da ortodoxia oficial, a conversão a outro credo ou o abandono da fé são classificados como apostasia — um crime punível com a pena de morte no enquadramento penal do regime, o que força qualquer dissidência espiritual ao anonimato absoluto sob risco de vida.

Paralelamente, a narrativa religiosa serve de justificação para uma segregação de género sem paralelo no mundo contemporâneo, frequentemente descrita por organismos internacionais como um sistema de apartheid. Mais de 1,4 milhões de raparigas afegãs foram deliberadamente privadas do acesso ao ensino secundário e universitário por decretos do regime, segundo o Relatório sobre a Situação da Educação no Afeganistão da UNESCO, enquanto mais de 80 diretivas executivas restringem o trabalho feminino, a frequência de espaços públicos e o direito das mulheres de circularem sem um tutor masculino (mahram), como detalhado nos Destaques da Situação das Mulheres da ONU Mulheres.

O cenário afegão ilustra como o extremismo religioso transcende a dimensão espiritual para dar lugar a um pseudo-nacionalismo dogmático. A pertença à nação deixa de assentar na cidadania ou no direito de nascimento e passa a depender da submissão a um código ideológico estrito, no qual a divergência não é apenas encarada como uma heresia, mas como uma ameaça à própria sobrevivência do Estado.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Os muçulmanos eram historicamente menos tolerantes do que os cristãos?

A resposta curta é: não. E também não é verdade o contrário.

A História raramente cabe em slogans.

Se olharmos para o território que hoje é Portugal, entre os séculos VIII e XIII, encontramos uma realidade bem mais complexa. Durante o domínio islâmico, cristãos e judeus podiam manter a sua religião mediante o pagamento de impostos específicos e com algumas limitações legais. Não tinham igualdade de direitos, mas também não eram automaticamente expulsos ou obrigados à conversão. Houve discriminação, sim; mas também houve séculos de convivência, comércio e intercâmbio cultural.

Depois da Reconquista cristã, a situação inverteu-se. Os muçulmanos que permaneceram em território português (os mudéjares) continuaram inicialmente a existir em comunidades próprias, mas a sua liberdade foi sendo progressivamente restringida. Muitas mesquitas foram transformadas em igrejas, surgiram mourarias segregadas e, com o passar dos séculos, aumentaram as pressões para a conversão. No final do século XV e início do XVI, Portugal deixou praticamente de admitir a existência pública do Islão e do Judaísmo.

Ou seja: houve períodos de maior tolerância e períodos de maior intolerância dos dois lados.

Também é importante lembrar que o conceito moderno de liberdade religiosa simplesmente não existia. Tanto reinos cristãos como Estados muçulmanos entendiam a religião como parte da ordem política. A tolerância, quando existia, era normalmente pragmática e limitada, não baseada na igualdade entre cidadãos.

A História de Portugal mostra precisamente isso: nem um paraíso de convivência, nem uma guerra permanente de civilizações. Houve guerras, massacres, discriminações, mas também séculos de coexistência, acordos e influência mútua.

Outro exemplo que mostra como a História é mais complexa do que slogans é a Palestina.

Antes da criação de Israel, em 1948, a Palestina sob o Mandato Britânico tinha comunidades muçulmanas, cristãs e judaicas. Havia tensões e episódios de violência entre elas, mas também coexistência em muitas cidades. A liberdade religiosa existia, embora condicionada pelo contexto político e pelos conflitos crescentes entre comunidades.

Depois de 1948, e sobretudo após 1967, a situação tornou-se muito mais complexa. A ocupação israelita da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental trouxe restrições de circulação que afetam o acesso de muçulmanos e cristãos aos seus locais sagrados em determinados períodos. Ao mesmo tempo, Israel garante liberdade de culto dentro das suas fronteiras reconhecidas, embora organizações internacionais tenham documentado restrições relacionadas com segurança, discriminação e acesso aos locais santos.

Quem procura provar que "uma religião foi sempre mais tolerante do que a outra" está normalmente a usar o passado para alimentar debates do presente (e não a fazer História).

Fontes:

sexta-feira, 6 de março de 2026

Europol alerta para aumento do risco de terrorismo na UE


A Europol avisou esta sexta-feira, 6 de março, que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.

Numa resposta por escrito enviada à Lusa, uma porta-voz da Europol indica que a guerra no Médio Oriente “tem repercussões imediatas no crime grave e organizado e no terrorismo na União Europeia (UE)”.

“O nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é considerado elevado. Tal pode manifestar-se através da radicalização interna por parte de indivíduos isolados ou de pequenas células auto-organizadas”, refere a porta-voz da Agência da UE para a Cooperação Policial.

A Europol adverte que “a rápida disseminação ‘online’ de conteúdos polarizadores pode acelerar os processos de radicalização a curto prazo” entre membros de diásporas que residem atualmente em solo europeu.

“Os grupos aliados (‘proxies’) do Irão também podem envolver-se em atividades desestabilizadoras na UE”, afirma a Europol, referindo-se designadamente ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”, composto por grupos como o Hezbollah, Hamas ou os Huthis, ou a “redes criminosas que atuam sob a direção das instituições de segurança iranianas”.

“As suas operações podem incluir ataques terroristas, campanhas de intimidação e financiamento do terrorismo, bem como ciberataques, desinformação ou esquemas de fraude ‘online’”, afirma a agência.

Além da ameaça de terrorismo, a Europol refere também que “o risco de ciberataques direcionados a infraestruturas e empresas ocidentais também pode aumentar caso o conflito se mantenha”.

“Redes criminosas e terroristas vão aproveitar o contexto de informação mais intenso para desenvolver fraudes e desinformação com recurso à inteligência artificial. Os alvos mais prováveis na UE incluem localizações ligadas ao conflito, como instalações diplomáticas, alvos vulneráveis ou infraestruturas públicas ou críticas”, indica.

A agência refere, contudo, que até ao momento “não há impacto direto num aumento do tráfico de imigrantes”.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, foi questionado sobre como é que a UE tenciona responder a um eventual aumento das ameaças terroristas no continente, tendo respondido que a primeira prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos seus cidadãos.

“Estamos a fazer várias coisas, como garantir controlos fronteiriços robustos, que foram reforçados recentemente com o nosso sistema de informação Schengen, uma base de dados comum da UE na qual os Estados-membros podem criar alertar para casos relacionados com terrorismo”, referiu.

O comissário europeu indicou ainda que o novo sistema de entrada e saída da UE, que está a ser gradualmente implementado desde outubro, prevendo-se que esteja totalmente operacional em abril, também está a dar resultados.

“Já nos permitiu deter 500 pessoas consideradas como uma ameaça à União Europeia. Por isso, acho que estamos no caminho certo, mas, claro, manter-se vigilante é sempre importante”, referiu. [Fonte]

domingo, 5 de outubro de 2025

Fanatismo: o que acontece no cérebro?


A ciência mostra que o fanatismo — seja religioso, político ou ideológico — não é apenas uma questão de opinião. Ele afeta o funcionamento do cérebro, moldando a forma como pensamos, sentimos e reagimos.
Emoção acima da razão
Pesquisas em neurociência indicam que o fanatismo ativa intensamente o sistema límbico, especialmente a amígdala cerebral (hipófise - ligada ao medo e à raiva) e o núcleo accumbens, no estriado ventral (centro do sistema de recompensa).
Nesses momentos, há forte liberação de dopamina, que sinaliza prazer e reforça a motivação. Isso gera uma sensação de pertencimento e recompensa ao defender a crença, semelhante ao que ocorre em vícios.

Prejuízo no pensamento crítico
Ao mesmo tempo, há redução da atividade no córtex pré-frontal dorsolateral, área responsável por análise racional e flexibilidade cognitiva. O resultado é a dificuldade de revisar ideias ou aceitar informações que contradizem a crença.

Viés de confirmação
O cérebro passa a selecionar apenas informações que confirmam aquilo em que já se acredita. Críticas ou fatos contrários são percebidos como ameaças, acionando reações defensivas e emocionais.

Efeito semelhante a vício
Assim como nas dependências químicas, o fanatismo reforça circuitos de dopamina ligados à recompensa. Cada vez que a crença é reafirmada, o núcleo accumbens regista esse reforço como uma vitória, consolidando ainda mais a convicção.
Esse ciclo cria uma dependência emocional difícil de quebrar.
Inteligência preservada… mas seletiva
É importante destacar que o fanatismo não elimina a capacidade cognitiva geral.

Um fanático pode ser um ótimo profissional, resolver problemas complexos e aprender coisas novas normalmente.
Porém, quando o tema toca o objeto de devoção, o pré-frontal (nosso racional) “se cala” e o sistema emocional domina.
Isso cria uma “zona cega cognitiva”: fora dela, a razão funciona; dentro dela, a emoção prevalece.
Impacto na sociedade
O fanatismo não diminui a inteligência global, mas estreita o campo da razão quando o tema envolve a crença central. Isso pode levar a intolerância, polarização e resistência ao diálogo.

É possível mudar?
O fanatismo não é uma doença, mas um padrão de funcionamento do cérebro e das relações sociais.

A boa notícia é que, graças à neuroplasticidade, ele pode ser reduzido ou até revertido.
Educação crítica, diálogo empático, diversidade de experiências e práticas que equilibram emoção e razão (como mindfulness e terapia cognitiva) ajudam a reativar o pré-frontal e diminuir o domínio das emoções extremas.

Referências científicas
Kaplan, J. T., Gimbel, S. I., & Harris, S. (2016). Neural correlates of maintaining one’s political beliefs in the face of counterevidence. Scientific Reports, 6, 39589.
Asp, E. W., Ramchandran, K., & Tranel, D. (2012). Authoritarianism, religious fundamentalism, and the human prefrontal cortex. Neuropsychology, 26(4), 414–421.
Zmigrod, L., Rentfrow, P. J., & Robbins, T. W. (2018). The partisan brain: An Identity-Based Model of Political Belief. Trends in Cognitive Sciences, 22(2), 152–163.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Sobre o ataque à facada por uma mulher alemã

Syrian Citizen Muhammad Al Muhammad

Na semana passada, uma mulher alemã com problemas psiquiátricos graves desatou à facada na estação de caminho de ferro de Hamburgo, ferindo dezoito pessoas. A boa notícia: já nenhum dos feridos se encontra em risco de vida.

Muhammad Al Muhammad também estava nesse cais. Quando viu todas as pessoas a correr numa direcção, o refugiado sírio, de 19 anos, decidiu correr na direcção oposta, para travar a mulher. Quando chegou, viu que outro homem já estava a oferecer-lhe resistência. Era um tchetcheno.

Juntos, conseguiram dominar a mulher.

Já não é a primeira vez que acontece algo deste género. Há alguns anos, refugiados sírios deram-se conta de que havia entre eles um a preparar um ataque na Alemanha. Foram a casa dele, dominaram-no, e entregaram-no à polícia, bem atado e tudo.

O que mais me impressiona no caso de Muhammad Al Muhammad é ele ter fugido da Síria com 16 anos para salvar a vida, e escolheu pô-la em perigo para salvar os outros.

Mas claro que nada disto tem algum valor para pessoas que decidiram adoptar o ódio e o preconceito como estratégia de afirmação e valorização pessoal. E os partidos oportunistas escolhem dizer-lhes o que elas querem ouvir. Por muito mentira que seja.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Death In Rome feat. Deutscher W - Kebab Träume (DAF - Cover)


[Verse 1]
Kebab-Träume in der Mauerstadt
Türk-Kültür hinter Stacheldraht
Neu-Izmir ist in der DDR
Atatürk, der neue Herr

[Verse 2]
Miliyet für die Sowjet-Union
In jeder Imbißstube, ein Spion
Im ZK, Agent aus Türkei
Deutschland, Deutschland, alles ist vorbei!

[Verse 1]
Kebab-Träume in der Mauerstadt
Türk-Kültür hinter Stacheldraht
Neu-Izmir ist in der DDR
Atatürk, der neue Herr

[Verse 2]
Miliyet für die Sowjet-Union
In jeder Imbißstube, ein Spion
Im ZK, Agent aus Türkei
Deutschland, Deutschland, alles ist vorbei!

[Verse 1]
Kebab-Träume in der Mauerstadt
Türk-Kültür hinter Stacheldraht
Neu-Izmir ist in der DDR
Atatürk, der neue Herr

[Verse 2]
Miliyet für die Sowjet-Union
In jeder Imbißstube, ein Spion
Im ZK, Agent aus Türkei
Deutschland, Deutschland, alles ist vorbei!

Wir sind die Türken von morgen!

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Calor extremo. Centenas de mortos em peregrinação a Meca


Segundo as atualizações mais recentes da AFP, o número de mortos subiu para 577, mais do dobro do ano passado. Destes, pelo menos 323 eram cidadãos egípcios e, de acordo com as autoridades locais, morreram devido a doenças relacionadas à exposição ao calor.

"Todos morreram de doenças relacionadas com o calor", com exceção de um peregrino que morreu depois de ter sido ferido numa debandada da multidão, disse um diplomata árabe à agência, acrescentando que o número total provém da morgue de um hospital no bairro de Al-Muaisem, em Meca.

Pelo menos 60 jordanos também morreram, mais do que o número oficial de 41 mortos anunciado anteriormente por Amã. Entre as vítimas estarão também cidadãos da Turquia, Indonésia, Irão e Senegal.

As novas mortes registadas elevam o total relatado até agora por vários países para 577, segundo a AFP. Já os diplomatas árabes disseram que o total no necrotério de Al-Muaisem, um dos maiores de Meca, era de 550.

Desconhece-se se as mortes aconteceram depois do início oficial do Hajj, na última sexta-feira, ou se já tinham sido registados falecimentos antes, entre os peregrinos que chegaram com antecedência ao local. Este ano, o Hajj atraiu cerca de 1,8 milhões de peregrinos à Arábia Saudita, sendo a maioria estrangeiros.

Mortes mais que duplicam
Debandadas, incêndios e outros acidentes têm causado centenas de mortes durante a peregrinação anual, nos últimos 30 anos. O número total de mortos durante esta peregrinação muçulmana compara com pelo menos 240 no ano passado, embora a maioria dos países não tenha especificado o número exato de casos relacionados com as elevadas temperaturas.
A peregrinação anual, uma das maiores reuniões religiosas do mundo, realizou-se novamente este ano em pleno verão numa das regiões mais quentes do mundo, com temperaturas que atingiram 51,8 graus Celsius em Meca, a cidade mais sagrada do Islão.

Para a peregrinação deste ano, autoridades locais adotaram medidas para ajudar os peregrinos a suportar o calor no país desértico, incluindo a instalação de nebulizadores na área externa e guardas que iam borrifando água nos fiéis.

O Hajj é um dos cinco pilares do Islão e determina que um muçulmano faça uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida, caso tenha condições de fazê-lo. A peregrinação começa com o ritual do "tawaf", que consiste em dar voltas na Kaaba, a estrutura cúbica preta na direção da qual todos os muçulmanos do mundo rezam, localizada no coração da Grande Mesquita.

Depois, os fiéis seguem para Mina, um vale cercado por montanhas rochosas a vários quilómetros de Meca, onde passam a noite em tendas climatizadas. Esta prática é uma fonte de prestígio e legitimidade para a Arábia Saudita, cujo rei leva o título de "Guardião das duas mesquitas sagradas" de Meca e Medina.

Mais de 2.700 casos de exaustão por calor foram registados no domingo, disse o Ministério da Saúde, no final da peregrinação. Já esta quarta-feira, as temperaturas atingiram os 51,8 graus Celsius em Meca.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Pelo menos 19 mortos na peregrinação a Meca devido ao calor extremo


Pelo menos 19 muçulmanos morreram e cerca de 2.700 ficaram doentes devido a insolações causadas pelo calor extremo durante a peregrinação do Hajj em Meca, na Arábia Saudita.

Entre as vítimas mortais estão 14 jordanos e cinco iranianos. Outros 17 cidadãos da Jordânia estão desaparecidos, informa o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país em comunicado.

Mais de 1,8 milhões de muçulmanos estavam a completar a sua peregrinação de cinco dias quando as temperaturas chegaram aos 48 graus Celsius, de acordo com o Centro Nacional Saudita de Meteorologia.

Os peregrinos aproveitaram as primeiras horas da manhã de segunda-feira para realizar o segundo dia do apedrejamento simbólico do demónio, um dos rituais integrados nas celebrações religiosas.
O apedrejamento dos pilares que representam o demónio tem lugar em Mina, uma planície desértica nos arredores da cidade de Meca. Para esta terça-feira está prevista uma terceira lapidação.

A peregrinação Hajj, um dos maiores encontros religiosos do mundo, é um dos cinco pilares do Islão. Todos os muçulmanos devem fazer o Hajj de cinco dias pelo menos uma vez na vida, se tiverem condições físicas e financeiras para tal.

Durante o Hajj do ano passado, pelo menos 240 pessoas - muitas das quais oriundas da Indonésia - morreram, de acordo com os números anunciados por vários países, que também não especificaram as causas das mortes.

Em 2023, foram registadas mais de 10 mil doenças relacionadas com o calor, 10% das quais por insolação, disse um funcionário saudita à AFP esta semana.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Música do BioTerra: Death In Rome - Destroy She Said (Circ - Cover)

"Alexander Nevsky" Film by Sergei Eisenstein, 1938 - The Battle of Lake Peipus

Like towers falling down
Like a bomb blast in your town
Like a hostage tied in chains
I could not forget your name

[Refrão]
Destroy, she said
My love again
The end will come quickly
Don't try again
To make amends
You'll just end up sinking
If you explode in aftermath
Don't think you've been dreaming
Destroy, she said
My love again
When it's not worth keeping

Like a helicopter crash
Like a ghetto that's been smashed
Like bodies on a battlefield
I can't live with how you feel

[Refrão]

Not along and not apart
You finished what you could not start
In the corners of the day
You catch my eye and then looked away
What a generous remark you made
When you blew it all away

[Refrão] [2X]

Saber mais:


Original by Circ 

"So actually I wrote these lyrics in 2000 or so, before the WTC attack. I was however at that time living on the corner of Church & Reade street in TriBeCa, actually with a view of the World Trade Center. So the "like towers falling down" thing was either a premonition or an unlikely coincidence."- Alexander Perls

Tudo sobre Bin Laden

terça-feira, 9 de abril de 2024

Música do BioTerra: Anohni - Drone Bomb Me

[Chorus 1]
Drone bomb me
Blow me from the mountains, and into the sea
Blow me from the side of the mountain
Blow my head off, explode my crystal guts
Lay my purple on the grass

[Verse 1]
I have a glint in my eye, I think I wanna die
I wanna die
I wanna be the apple of your eye

[Chorus 1]

[Verse 2]
Let me be the first
I'm not so innocent
Let me be the one
The one that you choose from above
After all, I'm partly to blame

[Chorus 2]
So, drone bomb me, I'm partly to blame
Blow me from the mountains, and into the sea
I'm partly to blame
Blow me from the mountains, and into the sea
I wanna die
I’m not so innocent
I'm partly to blame
Blow my head off
Explode my crystal guts

[Verse 3]
My blood, my blood, my blood
Choose me, choose me, choose me tonight
Choose me
Let me be the one
The one that you choose tonight
Choose me tonight, tonight

Acerca do Tema: Drone Bomb Me

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Protesto convocado por membros de movimentos de extrema-direita, em Lisboa - segue-se uma reflexão sobre o Chega, incitamento ao ódio (que é crime) e quem foi Salazar e o seu regime

O presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior pede aos residentes que não saiam de casa durante a manifestação. 
Um grupo de extrema-direita, que convocou um protesto contra muçulmanos no Martim Moniz para o próximo fim de semana, garante que vai sair à rua, apesar de não ter autorização da Câmara de Lisboa. Os imigrantes no Martim Moniz estão preocupados e prometem fechar as portas do comércio no dia da marcha. Saiba mais aqui


1º Ponto - O Tribunal Constitucional deve ilegalizar o Chega
O Tribunal Constitucional está a tentar (e bem) tudo por tudo para ilegalizar o Chega. Demora o seu tempo e entretanto o monstro cresceu com 16% de eleitorado, 3ª força política fascista e racista em menos de 4 anos.

2º Ponto - Um pouco de História do Salazar, pai do partido ilegal Chega
Salazar criou organizações repressivas para anular ou silenciar as oposições, retirando direitos e liberdades aos indivíduos que deviam obedecer ao chefe. Criou o Secretariado de Propaganda Nacional para difundir os ideais do Estado Novo, como o autoritarismo e/ou o totalitarismo, e mecanismos de controlo da população, que enquadravam as crianças e jovens, as mulheres e os homens.

O Estado Novo assentava em organizações repressivas e mecanismos de controlo da população criadas por Salazar, à semelhança do fascismo italiano, para garantir o culto da personalidade ou culto do chefe e a negação dos direitos e liberdades individuais.

Logo em 1933 foi criada a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE- futura PIDE) para controlar os opositores políticos ao regime, contando com uma vasta rede de informadores civis.

O preso político era detido, sem culpa formada e sem mandato, e sujeito a tortura física e psicológica, podendo a PVDE decidir alargar o tempo de prisão, que devia cumprir nas prisões políticas do Aljube, Caxias e Peniche.

A guerra civil espanhola (1936-39) fez endurecer o regime na defesa da ordem e disciplina, aumentando a repressão contra quem se opusesse ao Estado Novo. Em 1936 Salazar, com o intuito de perseguir sobretudo os comunistas e anarquistas, criou a Legião Portuguesa (milícia civil armada) e abriu o campo de concentração do Tarrafal.

Estabeleceu ainda a Censura prévia, conhecida como «lápis azul», sobre toda a produção intelectual, a rádio, a imprensa e o cinema, impedindo a divulgação de ideias contrárias ao regime e subordinando a cultura aos interesses do Estado.

O Estado Novo desenvolveu mecanismos de controlo da população, com o objetivo de difundir os valores do regime e influenciar a opinião pública.

Em 1933, foi criado o Secretariado de Propaganda Nacional, dirigido por António Ferro, que promoveu a «Política de Espírito» procurando conciliar vanguarda e tradição. A face mais visível da ação do Secretariado de Propaganda eram os cartazes com mensagens de glorificação da infalibilidade do chefe e de exaltação das realizações do Estado Novo (denegrindo a 1ª República).

Para valorizar a cultura popular e a grandeza do império António Ferro promoveu concursos, festivais de folclore e exposições, destacando-se a Exposição do Mundo Português (1940). Organizou ainda desfiles e comícios, onde Salazar discursava, embora preferisse fazê-lo através da rádio, porque ao contrário de Mussolini, Salazar evitava banhos de multidão.

A reforma do ensino, de 1936, contribuiu para a redução da taxa de analfabetismo (ainda que lenta), mas orientava-se sobretudo para a transmissão dos valores do regime incutindo a crianças e jovens o espírito de obediência ao chefe e de defesa da Nação. Desde cedo aprendiam a valorizá-la acima das outras, numa lógica de nacionalismo exacerbado, que aliado ao patriotismo e ao imperialismo, fomentava a ideia de superioridade da Nação, da raça e da religião católica.

Privilegiavam-se certos períodos da História, como a Reconquista e os Descobrimentos e enalteciam-se os heróis, como o Infante D. Henrique ou Nuno Álvares Pereira. Para garantir que não havia desvios ao ensino pretendido pelo regime adotou-se um manual escolar único (o mesmo conteúdo para todos) e controlavam-se os professores, que assinavam uma declaração em como não professavam ideologias contra o Estado Novo.

Desde pequenos, meninos e meninas, mesmo que não frequentassem a escola, eram enquadrados na Mocidade Portuguesa, também criada em 1936, para a prática de exercício físico, numa lógica militarista de educação para a guerra, fomentando-se os valores de disciplina e respeito às hierarquias.

Salazar preocupou-se também em controlar os tempos livres dos trabalhadores e das suas famílias, sobretudo os dos meios urbanos, tendo criado, em 1935, a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT) para a promoção de atividades culturais, desportivas e recreativas.

Foi também criada, em 1936, uma organização de enquadramento das mulheres – a Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN) – para difundir o papel da mulher como mãe, zelosa da família e das tarefas domésticas e esposa obediente ao marido (chefe na família).

3º Ponto - Incitamento ao ódio (que é crime) 
O crime de incitamento ao ódio e à violência encontra-se previsto no n.º 2 do artigo 240.º do Código Penal e é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos. [Diário da República]

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Documentário: "Longe de Cabul"


Há um país no mundo que proibiu uma prática inerente ao ser humano: a música. Há um país no mundo que baniu as raparigas das escolas.
O Afeganistão mergulhou no silêncio quando os talibã chegaram ao poder no Verão de 2021. "A música é a minha vida, é tudo para mim. Quando penso em viver sem música sinto que não posso respirar " declara Sevinch Majidi. Há mais de 2 anos que a estudante Sevinch não vê a família que ficou no Afeganistão. Ela estudava no ANIM - Instituto Nacional de Música do Afeganistão em Cabul. Agora vive no norte de Portugal, frequenta o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian em Braga tal como muitos outros estudantes afegãos que tiveram de fugir de Cabul. "Tranquei o meu violino numa sala em Cabul para o deixar a salvo, mas não sei o que lhe aconteceu", confessa Al Sina Hotak.
Vivem em Braga com o pensamento a voar sempre para as famílias em Cabul que enfrentam uma severa crise económica e todas as outras restrições sociais e profissionais do regime talibã. Vivem em ansiedade permanente pelo que poderá estar a acontecer com as irmãs ou os irmãos, com as mães ou os pais.
Enfrentaram as diferenças de língua, comida, hábitos sociais, religião, cultura. Mantêm o sonho de amplificar a voz da música afegã. Foram a Genebra, tocaram no Palácio das Nações Unidas quando se evocavam os Direitos Humanos. Formam uma jovem orquestra no exílio à espera de conseguirem voltar a romper o silêncio no Afeganistão.
"Longe de Cabul" é um documentário da autoria de Cândida Pinto e Daniel Mota, com imagem de David Araújo e Daniel Mota, edição de Maria Azevedo e realização de Daniel Mota.

"Violaram valores". Talibãs detiveram mulheres por "mau hijab" em Cabul

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

O que se sabe sobre explosões de bombas no Irão que mataram 95 pessoas


Pelo menos 95 pessoas morreram após a explosão de duas bombas perto do túmulo do general iraniano Qasem Soleimani nesta quarta-feira (03/01) — quando a morte dele por um ataque de drones conduzido pelos Estados Unidos completou quatro anos.

Inicialmente, o número relatado oficialmente de mortes foi de 103. Posteriormente, no entanto, o ministro da Saúde do Irão retificou a informação, dizendo que alguns dos nomes haviam sido contados mais de uma vez.

As explosões atingiram uma procissão perto da mesquita Saheb al-Zaman, na cidade de Kerman, no sul do país. Soleimani nasceu na região.

Segundo dados citados pela emissora estatal Irib e atribuídos ao departamento local de serviços de emergência, outras 141 ficaram feridas nas explosões. Alguns dos feridos estão em estado crítico.

O vice-governador de Kerman afirmou que se trata de um "ataque terrorista".

Não está claro quem está por trás das explosões e não houve reivindicações imediatas de autoria por nenhum grupo.

Entretanto, nos últimos anos, separatistas árabes, o Estado Islâmico (EI) e outros grupos jihadistas sunitas reivindicaram a autoria de ataques mortais contra forças de segurança e santuários xiitas no Irão.

Depois do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, Soleimani era visto como a figura mais poderosa do Irão. Ele foi morto pelas forças americanas no vizinho Iraque, em 2020.

Homenagem ao quarto ano da morte de Soleimani em Teerão

Imagens transmitidas pela TV estatal mostraram que centenas de pessoas estavam reunidas na periferia leste de Kerman quando ocorreram as duas explosões.

A media iraniana informou que a primeira explosão ocorreu às 14h50 no horário local (8h20 em Brasília), a cerca de 700 m do cemitério do Jardim dos Mártires, ao redor da mesquita Saheb al-Zaman.

A segunda teria ocorrido cerca de 15 minutos depois, a cerca de 1 km do cemitério.

'Vimos pessoas caindo'
A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária do Irão, citou fontes que afirmaram que "dois sacos contendo bombas" foram aparentemente detonados "por controle remoto".

"Estávamos caminhando em direção ao cemitério quando de repente um carro parou atrás de nós e uma lata de lixo contendo uma bomba explodiu", afirmou uma testemunha citada pela agência Isna

"Só ouvimos o som da explosão e vimos pessoas caindo."
O Crescente Vermelho, organização de socorro, disse que entre os mortos está pelo menos um paramédico que foi enviado ao local da primeira explosão e foi atingido pela segunda.

Imagens parecem mostrar que o túmulo de Soleimani não foi danificado.

Como comandante do braço de operações externas da Guarda Revolucionária, a Força Quds, ele arquitetou a política iraniana em toda a região.

Ele foi responsável pelas missões clandestinas da Força Quds e pelo fornecimento de verbas, orientação, armas, inteligência e apoio logístico a governos aliados e grupos armados, incluindo o Hamas e o Hezbollah.

O então presidente dos EUA, Donald Trump, que ordenou o assassinato em 2020, descreveu Soleimani como "o terrorista número um em qualquer lugar do mundo".

Reacções
A União Europeia declarou o ataque um "ato de terror", condenando-o. "Este ato de terror causou um número chocante de mortes e feridos civis. Os nossos pensamentos agora estão com as vítimas e as suas famílias. Os autores devem ser responsabilizados", lê-se num comunicado citado pela agência Al Jazeera.

Aliás, a mesma agência cita também o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que ofereceu as suas condolências às famílias das vítimas, "mártires da mesma causa, da mesma batalha que estava a ser travada pelo comandante Qassem Soleimani". A ele juntou-se o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo da Revolução Islâmica, que prometeu "uma resposta dura", em comunicado.

À lista de entidades que condenaram o ataque juntou-se, também, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, esperando que "Deus tenha misericórdia sobre aqueles que perderam as suas vidas nos ataques", numa mensagem no X (antigo Twitter), e o presidente russo, Vladimir Putin, que disse que "o homicídio de pessoas pacíficas que visitavam o cemitério é chocante pela sua crueldade e cinismo", citado pela Al Jazeera.

sábado, 3 de junho de 2023

EUA e Reino Unido são «obstáculos à paz» no Iémen


«Washington e Londres estão a perturbar activamente as negociações políticas iemenitas-sauditas», escreve o diário Al-Akhbar na sua edição de ontem.

De acordo com o periódico libanês, EUA e Reino Unido estão a tentar «obstruir todos os esforços que podiam conduzir à paz e colocam entre as suas primeiras considerações o interesse de Israel».

Este «interesse israelita» é a razão pela qual a Arábia Saudita tem estado a «adiar» os acordos que fez com Saná, que incluem o levantamento de todos os bloqueios e o pagamento dos salários aos funcionários, revela o jornal.

Isto, em conjunto com o envolvimento norte-americano e britânico, visa manter o Iémen num «estado sem guerra, mas sem paz».

«Os líderes políticos no Iémen sabem desde o início que… Riade é incapaz de cumprir os termos do acordo e… acabar com as repercussões da guerra devido aos interesses regionais divergentes», disseram as fontes que o periódico cita, acrescentando que, «por mais que concordem em minar a independência e soberania do Iémen», os membros da coligação «estão em conflito uns com os outros».

Neste sentido, explica que os interesses sauditas divergem hoje bastante dos dos Emirados Árabes Unidos, das potências ocidentais e de Israel.

De acordo com Al-Akhbar, a Arábia Saudita – que liderou a brutal guerra de agressão contra o vizinho do Sul desde Março de 2015 – está interessada em acabar a guerra e em sair do «pântano iemenita».

Já os Emirados Árabes Unidos pretendem manter a ocupação dos portos e campos petrolíferos do Iémen, bem como a ocupação das vias fluviais e, em particular, das ilhas, nomeadamente o arquipélago de Socotra, onde os emiradenses têm vindo a trabalhar com Israel para as transformar em centros conjuntos militares e de inteligência.

Isto está em linha com os interesses norte-americano e israelita em aumentar a sua influência no Mar Vermelho, sendo que Israel, segundo o periódico, está particularmente interessado no Estreito de Bab al-Mandab, que considera uma «artéria vital» para o comércio com o Oriente e um elemento central para fazer alastrar a sua influência no Corno de África.

Além disso, refere a publicação, os serviços de segurança israelitas manifestam preocupação com a capacidade do movimento Ansarullah para atingir Israel com mísseis.

Em várias ocasiões, o Conselho Supremo Político do Iémen acusou os EUA e o Reino Unido de fomentarem a guerra de agressão contra o país.

Esta semana, os dirigentes Hutis, que acusaram Washington de «ter obstruído a paz em diferentes períodos», afirmaram que os norte-americanos «estão a minar os esforços da mediação de Omã para pôr fim à agressão».

Segundo refere a cadeia iemenita al-Masirah, nos últimos tempos, as visitas de enviados norte-americanos a zonas ocupadas do Iémen e a Riade intensificaram-se, com o intuito de «abortar» a aproximação entre Riade e Saná.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Luísa Sobral - Serei Sempre uma Mulher

“Sempre pensei que só houvesse um sentido no caminho para a igualdade de género e racial, em frente. Para mim seria impensável as mulheres poderem perder o direito a votar ou voltarem os transportes públicos divididos por zona de negros e zona de brancos. O mundo onde eu julguei habitar não era ainda igualitário mas caminhava nesse sentido, mesmo que por vezes com passos curtos e vagarosos e com ritmos diferentes em diferentes partes do mundo.

Foi então que assistimos a um retrocesso assustador nos direitos da mulher no Afeganistão. Perderam o direito à educação, perderam a liberdade de escolher cobrir ou não a cabeça e deixaram de poder andar sozinhas na rua. Caiu de novo o véu da invisibilidade sobre as mulheres afegãs.

Foi a pensar nessas mulheres que escrevi esta canção, sem saber que uns meses mais tarde morreria Mahsa Amini, uma mulher iraniana a quem foi retirada a vida por usar o hijab de forma inadequada. Nesse dia a minha canção tornou-se sobre ela também e sobre todos aqueles que quiseram vingar a sua morte com protestos, muitos deles perdendo a vida ao fazê-lo.

Esta é a minha forma de protesto, pela Mahsa, pelas mulheres iranianas e afegãs, e por todas as mulheres que nas suas vidas e profissões se sentem inferiorizadas. Porque ainda acredito que o caminho seja para a frente, mesmo que às vezes se dê dois passos atrás.“

domingo, 25 de setembro de 2022

A morte de Mahsa Amini gera uma onda de protestos no Irão


O nome dela é Mahsa Amini. Tinha 22 anos e foi espancada pela polícia iraniana, por uso “indevido” do véu islâmico. Morreu no hospital, em decorrência da surra, na sexta-feira, 16 de setembro.

Essa morte gerou protestos e mais repressão policial. Há relatos de mulheres impedidas de entrar em edifícios estatais ou em bancos por não cumprirem o código de vestuário islâmico.

Mulheres iranianas são obrigadas a cobrir os cabelos e a usar roupas largas para esconder o corpo. No Brasil, são consideradas culpadas de violação se usam saias curtas ou decotes fartos. Em África são obrigadas a usar colares mutilantes como forma de controlar sua castidade. Em mais de 40 países da África e da Ásia têm o clitóris mutilado para que não sintam prazer. Na Índia são mortas ao nascer porque nasceram mulheres.

13 de setembro. Mahsa Amini visitava Teerão, Irão, com a família quando foi presa pelo uso "inapropriado" do véu islãmico, hijab, tendo assim incumprido as regras e desrespeitado o código de vestuário da República do Irão. Neste país, as mulheres são obrigadas a tapar o cabelo e pescoço com o hijab quando estão em público. Entre muitas outras proibições, está também o uso de saias e calças justas ou roupa com cores vivas. A jovem foi levada para o Centro de Detenção de Vozara - onde acabou por desmaiar - para aprender o código de vestuário, afirma a CNN. Foi transportada para o hospital e acabou por morrer, passados três dias em coma. A BBC aponta para a existência de registos de que os agentes atingiram Amini com um bastão e forçaram a sua cabeça contra um veículo oficial, repetidamente e de forma brusca. Já a polícia do Teerão afirma que "não houve nenhum contacto físico" entre os oficiais e Mahsa Amini.

Este acontecimento lançou uma onda de manifestações pelo país fora, em cidades como Teerão, Rasht, Ispahan e no sul do Irão. Muitas mulheres não estão a usar os seus hijabs em público e a queimá-los, enquanto gritam "Morte ao ditador!", referindo-se ao líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei.

Mulheres a protestar contra o uso do 'hijab'
Mulheres a protestar contra o uso do 'hijab'Foto: Getty Images
Os protestos estendem-se até às redes sociais, onde existem cada vez mais vídeos de mulheres iranianas a cortar o próprio cabelo, como aqui mostramos

No último dia 20, as autoridades afirmaram que os seus carros foram queimados pelos protestantes e que os agentes de autoridade foram atingidos com pedras. De forma a retaliar, a polícia usou gás lacrimogéneo para afastar multidões. A BBC avança que já foram mortas 9 pessoas que se encontravam nas manifestações, por estarem a quebrar as regras do hijab.
Polícia retalia contra os manifestantes em Teerão
Polícia retalia contra os manifestantes em TeerãoFoto: Getty Images
As Nações Unidas já condenaram este ataque e as autoridades pelas suas atitudes violentas para com os manifestantes.

O grupo não governamental Iran Human Rights, com sede em Oslo, afirmou que pelo menos 31 civis tinham sido mortos em seis noites de violência.

O Tesouro dos EUA também impôs sanções a Mohammad Rostami Cheshmeh Gachi, o chefe da polícia de moralidade, Haj Ahmad Mirzaei, o chefe da divisão de Teerão da polícia de moralidade, e cinco outros altos funcionários de segurança envolvidos nas repressões dos manifestantes.

O jornal afirmou que Rostami tinha anunciado no início deste ano que as mulheres seriam punidas por se recusarem a usar um hijab.

"O governo iraniano precisa de acabar com a sua perseguição sistémica às mulheres e permitir o protesto pacífico", disse o Secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, "os Estados Unidos continuarão a manifestar o nosso apoio aos direitos humanos no Irão e a pedir contas àqueles que os violam".

As sanções do Tesouro visam congelar quaisquer bens que os designados possam ter sob jurisdição dos EUA e proibir qualquer indivíduo ou empresa americana - incluindo bancos internacionais com operações nos EUA - de fazer negócios com eles, limitando efetivamente o seu acesso a redes financeiras globais.

domingo, 5 de junho de 2022

Música do BioTerra: The Psychedelic Furs - Until She Comes


Until she comes again
I can hear the things she said
I feel no thoughts to move my head

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
The sun goes out and night comes in
The time goes round and day grows dim

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
With all my savings and my sins
There's no good reason to begin

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
With all her dreams tied in her hand
There is no way to understand

Until she comes again
Until she comes again
The sun goes out and night comes in
The time goes round and day grows dim
Until she comes again


Gosto tanto deste tema. Fico abalado com a violência doméstica e feminicídio em Portugal. Ainda são números muito preocupantes (ok, também conheço agressão da esposa sobre o marido, mas é muito mais raro). O séc. XXI. é o da Mulher, como previa George Steiner. A Europa está muito melhor neste aspecto. Há muitas mulheres na Política. Mas no resto do mundo, em particular, o mundo muçulmano e hinduísta, a emancipação da mulher ainda é "crime". 
Tudo parece mais negro e desesperante, até que Ela aparece.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Religião - Esperando pelo Salvador


“- Os indianos esperam por Kalki há 3.700 anos.
- Os budistas esperam por Maitreya há 2.600 anos.
- Os judeus esperam pelo Messias há 2.500 anos.
- Os cristãos esperam por Jesus há 2.000 anos.
- Sunnah espera pelo Profeta Issa 1.400 anos.
- Os muçulmanos esperam por um messias da linhagem de Maomé há 1.300 anos.
- Os xiitas esperam por Mahdi há 1.080 anos.
- Os drusos estão esperando por Hamza ibn Ali há 1.000 anos.

A maioria das religiões abraça a ideia de um “salvador” e afirma que o mundo permanecerá cheio de maldade até que este salvador venha e o preencha com bondade e justiça.

Talvez o nosso problema neste planeta seja que as pessoas esperam que alguém venha resolver os seus problemas, em vez de resolverem elas mesmas! ” - Riccardo Dablah