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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Silke Bischoff - Under Your Skin

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O Erotismo Obscuro e a Finitude em "Under Your Skin"
A canção "Under Your Skin" pertence ao projeto musical alemão Silke Bischoff (criado em 1990 por Axel Kretschmann e Felix Flaucher). A faixa é um dos maiores clássicos da cena Darkwave, Wave Gótica e Electro-Goth dos anos 90, combinando batidas eletrónicas atmosféricas, sintetizadores soturnos, guitarras acústicas melancólicas e vocais sussurrados quase hipnóticos.

Em termos de significado da canção, a letra explora uma paixão obsessiva e avassaladora que consome a própria identidade do indivíduo. A metáfora de ter alguém "debaixo da pele" expressa uma devoção que ultrapassa os limites do corpo e da mente, onde o amor se funde com a dor e com uma necessidade visceral de conexão eterna. O videoclipe e a estética do grupo refletem essa mesma atmosfera melancólica e voyeurista, marcada por uma iluminação dramática e minimalista típica do movimento gótico da época. A própria origem do nome da banda remete a um acontecimento real e trágico - o sequestro de Gladbeck em 1988, na Alemanha, no qual a jovem Silke Bischoff perdeu a vida -, o que encharca toda a obra visual e concetual do projeto com temas sobre o trauma, a vulnerabilidade da vida e a perda da inocência.

As influências literárias e filosóficas do grupo ancoram-se fortemente no Romantismo Obscuro e Decadentismo do século XIX, evocando autores como Edgar Allan Poe, Lord Byron e Charles Baudelaire, nos quais o amor é retratado de forma trágica e indissociável da morte (Eros e Thanatos). Há também ressonâncias da filosofia existencialista, onde a obsessão romântica surge como uma tentativa desesperada de conferir sentido à existência perante a solidão e o absurdo do mundo. Além disso, a obra insere-se no contexto cultural da Neue Deutsche Todeskunst corrente que explorava a morbidez, a finitude e a fragilidade humana através da poesia e da música eletrónica soturna.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Nachtmahr - I believe in Blood

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Análise completa de "I Believe in Blood" do Nachtmahr: estilo, significado e filosofia
Lançada em 2010 no álbum Veni Vidi Vici, a música "I Believe in Blood", do projeto austríaco Nachtmahr - liderado por Thomas Rainer , representa um dos pontos mais altos do Electro-Industrial contemporâneo. No aspecto musical, a faixa se enquadra perfeitamente no estilo Aggrotech e Harsh EBM (Electronic Body Music), caracterizando-se por batidas dançantes e pesadas em quatro por quatro, sintetizadores abrasivos e vocais distorcidos que emulam ordens militares. A sonoridade é construída com um único propósito: dominar as pistas de dança da subcultura gótica e industrial através de um ritmo implacável, agressivo e carregado de uma atmosfera marcial.

O significado da canção orbita temas como devoção cega, dominação, fanatismo e o culto à dor. O termo "sangue", repetido de forma quase ritualística na letra, atua como uma metáfora polivalente. Por um lado, representa a força vital, a paixão e a carne; por outro, evoca a violência, o sacrifício e a aceitação do sofrimento como veículo de libertação ou submissão. Rainer explora o fascínio psicológico da humanidade pelo controle absoluto, usando a estética militar e a linguagem de doutrinação para instigar o ouvinte a questionar a linha tênue entre entrega apaixonada e cegueira ideológica.

Do ponto de vista filosófico e literário, a composição bebe diretamente do vitalismo de Friedrich Nietzsche, especialmente no conceito de "escrever com o próprio sangue" presente em Assim Falou Zaratustra, onde a dor e a luta são encaradas como validações da própria existência e da vontade de poder. Também há uma clara influência da literatura libertina do Marquês de Sade, na qual o prazer e a dor física se entrelaçam com dinâmicas de poder e subjugação. Por fim, o uso de imagens totalitárias e jargões de propaganda evoca os universos distópicos da literatura do século XX, utilizando o choque estético para parodiar a submissão das massas a ideologias absolutistas.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Boy Harsher - Hard Beat

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Letra
[Verse 1]
Broken glass makes my heart full
I have never been consoled
Strangers pass and see my eyes glow
Take the wheel, I’ve lost control

[Pre-Chorus]
Trust me once
Let’s make it real

[Chorus]
Real, real
Let’s make it real
Trust me once
Let’s make it real
Real
Let’s make it real
Trust me once

[Verse 2]
There’s a crash, and I’m mistaken
I can’t speak, and my eyes won’t close
Never asked you to save me
I feel high when the lights are low

[Chorus]
Let’s make it real
Real, real
Let’s make it real
Trust me once
Let’s make it real
Real
Let’s make it real

[Bridge]
I have never been the right one
I have never been consoled

[Chorus]
Trust me once
Let’s make it real
Real
Let’s make it real

Entre a colisão e o transe: alienação e existencialismo em  Hard Beat
O grupo Boy Harsher é uma dupla de música eletrónica e darkwave de origem norte-americana, fundada em Northampton, Massachusetts, por Jae Matthews e Augustus Muller. A sua sonoridade distingue-se por uma abordagem inovadora ao género, fundindo elementos de darkwave, synthwave, EBM e música industrial através de batidas aceleradas e minimalistas que contrastam com o tom vocal hipnótico, sensual e angustiado de Matthews.

No videoclipe de "Hard Beat", a narrativa visual gravita em torno do trauma, da alienação e da vigilância, abrindo com imagens de uma figura feminina imobilizada por aparelhos ortopédicos e articulando um ambiente voyeurista gravado em ecrãs vintage. A estética noturna e as sequências rodadas na estrada materializam o desejo obsessivo de reencontrar sensações viscerais perante o isolamento físico e a desconexão emocional. Esta temática encontra forte eco nas influências literárias do projeto, remetendo diretamente ao romance Crash (1973), de J.G. Ballard, em que a tecnologia, a dor corporal e a destruição se entrelaçam com o erotismo e a busca pela identidade, alinhando-se igualmente a visões existencialistas sobre o absurdo e a dormência da vida moderna.

Em termos de significado conciso, a canção explora a anestesia emocional e a busca desesperada por uma ligação tangível através do extremo. Versos sobre vidro quebrado ou a perda de controlo ao volante traduzem a necessidade de ceder o domínio da própria existência para conseguir sentir algo genuíno. O refrão, focado na ideia de tornar a experiência real, funciona como uma súplica de autenticidade num mundo insensível, transformando a metáfora do colisão ou acidente não num momento de pânico, mas num choque entorpecente que traz libertação e euforia.

Sites

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Zeroy Cruciatum - Watch the World Burn

Letra
[Verse 1]
The clock is ticking, the time is running out
Another shadow in the corner of my eye, no doubt
The air is heavy, the sky is turning grey
I feel the fire coming, washed away

[Chorus]
And I will stand right here and watch the world burn
To the ground, to the ground, to the ground
And I will stand right here and watch the world burn
To the ground, to the ground, to the ground

[Verse 2]
The ashes falling, like snow upon my skin
A silent witness to the chaos deep within
The walls are crumbling, the empires turn to dust
In this destruction, there’s a peace we have to trust

[Chorus]

[Bridge]
Let it burn...
Let the flames take it all away
Let the fire pave a brand new way
Through the ashes, we will rise again
But first, we let it end...

[Chorus]

O apocalipse íntimo de Zeroy Cruciatum: arte, luto e Industrial-Wave
A música como refúgio e catarse ganha contornos de pura dramaticidade no projeto Zeroy Cruciatum, idealizado pelo músico e produtor holandês Joris Terlingen. Atualmente radicado em Essen, na Alemanha - região historicamente marcada pela imponência cinzenta e pelas ruínas industriais do Vale do Ruhr -, o artista canaliza as suas vivências numa sonoridade densa que ele próprio define como Industrial-Wave. Este estilo funde de forma primorosa o peso rítmico e as texturas sintéticas da Electronic Body Music (EBM) com a sensibilidade melancólica do Darkwave, a entrega visceral do Post-Punk e o misticismo do Rock Gótico.

Foi sob esta atmosfera carregada que nasceu " Watch the World Burn"  uma obra profundamente pessoal concebida como uma válvula de escape para processar a dor e o luto devastador após a perda trágica do seu melhor amigo de infância, Zeroy, cujo nome Joris decidiu homenagear e imortalizar ao adotá-lo como parte do seu próprio pseudónimo artístico.

Longe de ser apenas um clamor de destruição gratuita, a canção carrega um significado existencial profundo: a metáfora de "assistir ao mundo queimar" ilustra a total impotência do indivíduo diante do colapso da sua própria realidade, ao mesmo tempo que enxerga no fogo um elemento de purificação e renascimento necessário para reconstruir a própria identidade a partir das cinzas.

Esta narrativa é poeticamente enriquecida por correntes intelectuais marcantes. Na filosofia, há um diálogo claro com o existencialismo e com o niilismo ativo de Friedrich Nietzsche, onde o vazio da perda é transformado em força criativa. Na literatura e na estética visual, a obra bebe do Romantismo Sombrio e do Expressionismo Alemão, projetando a dor interna em cenários desolados e apocalípticos.

Para dar vida a este universo visual no videoclipe oficial, o realizador PILATUS comandou uma produção minuciosa. Esta uniu as filmagens de estúdio capturadas por Adrian on the Brink  às imagens adicionais de Ira Belsky, Finn Moeller e da produtora Anthem Films. O resultado é um manifesto audiovisual onde o luto deixa de ser apenas silêncio e se transforma em poesia industrial impetuosa.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

The Young Gods, live at Hellfest Open Air 2026

Setlist 
0:00 Appear Disappear
4:07 Systemized
7:47 Hey Amour
12:30 Blackwater
19:42 All My Skin Standing
29:58 Kissing the Sun
34:14 Gasoline Man
38:59 Blue Me Away
43:00 Mes yeux de tous
49:04 Shine That Drone

Um dos grandes nomes do rock eletrónico, o trio suíço The Young Gods está entre as atrações mais prestigiadas do Hellfest deste ano. Acturam no dia 20 de junho no palco Valley.

Formado em Genebra em 1985, o projeto The Young Gods foi lançado por Franz Treichler, Cesare Pizzi e Frank Bagnoud. O mentor do grupo, Treichler, mantém-se como o único membro permanente até aos dias de hoje, após mais de quarenta anos de carreira. Bernard Trontin juntou-se a eles, substituindo Bagnoud, em 1997.

Pioneiros no seu género, os The Young Gods influenciaram muitos artistas que ultrapassaram em muito o seu próprio nível de fama, tornando-os uma referência essencial do underground. David Bowie, Nine Inch Nails, Ministry: todos veneram a prolífica banda suíça que, ao lado de outro monumento da música industrial (a banda alemã Einstürzende Neubauten), representa um dos pilares fundamentais do rock experimental e atmosférico.

Para esta edição de 2026 do Hellfest, tomam conta do palco Valley para um dos concertos mais memoráveis ​​do festival. Uma experiência imperdível trazida até si pela ARTE Concert.

Filmado a 20 de junho de 2026 no Hellfest Open Air Festival, Clisson.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

:Wumpscut: - Schrekk & Grauss

O :Wumpscut: é um projeto musical de nacionalidade alemã, criado em maio de 1991 na Baviera pelo DJ Rudy Ratzinger, consolidando-se como um dos nomes mais influentes da música eletrónica industrial, do dark electro e do aggrotech. A faixa "Schrekk & Grauss", lançada em 2011 como música-tema do álbum homónimo, traz no seu título uma grafia estilizada das palavras alemãs Schreck e Graus, que significam literalmente "Susto e Horror" ou "Terror e Pavor". Musicalmente, a obra mergulha numa estética de terror caricato, misturando sintetizadores sombrios, batidas eletrónicas pesadas e vocais distorcidos com melodias que remetem a circos macabros ou bandas sonoras de filmes de terror antigos. Fiel ao estilo do projeto, a canção utiliza o grotesco e o choque para explorar a psicologia humana e a sua estranha obsessão pelo medo e pela violência. Ao criar esta atmosfera de pavor dançável, Rudy Ratzinger coloca o ouvinte diante do desconforto, usando o horror como uma metáfora para a decadência moral, o sofrimento e as facetas mais sombrias da própria humanidade.

Enquanto muitas bandas do género se focam apenas num som puramente agressivo, acelerado e linear, feito exclusivamente para as pistas de dança góticas, o :Wumpscut: sempre teve uma forte componente conceptual e cinematográfica. Rudy Ratzinger constrói camadas melódicas muito melancólicas, quase teatrais, e mantém uma crueza "lo-fi" e analógica que se perdeu no aggrotech moderno, mais limpo e digital. É essa capacidade de unir a violência sonora a uma atmosfera genuinamente doentia e artística que torna o projeto tão único e cativante.

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terça-feira, 28 de abril de 2026

GENER8ION - STORM starring Yung Lean


[Verse 1]
I got, got, got
I-I-I
You got a death wish
Got a death wish
Someone said:
"Hey, you got a death wish"
It’s on my hit list
I’m on the blacklist
On the Forbes list
Put it on my lip
I take another one

[Pre-Chorus]
And you won’t die for some if you don’t stand for none

[Chorus]
So just go ahead and run
Run, run, run, run, run
Just go ahead and run
Run, run, run, just go a-
If you won’t die for some (If you won’t die for some)
If you don’t stand for none (If you don’t stand for none)

[Verse 2]
Got a death wish
It’s on my hit list
I’m on the blacklist
On the Forbes list

[Chorus]
So just go ahead and run
Run, run, run, run, run
Just go ahead and run
Run, run, run, run, run
If you won’t die for some (If you won’t die for some)
If you don’t stand for none (If you don’t stand for none)

[Outro]
Hey, hey (Hey, hey) 5X
You got a death wish

O significado da canção "STORM" reside na exploração do caos interior, da alienação e da busca por libertação num mundo que parece estar permanentemente à beira de um colapso. O título funciona como uma metáfora dupla, referindo-se tanto à turbulência emocional da juventude como a uma mudança social inevitável e, por vezes, violenta. Através da entrega vocal melancólica de Yung Lean, a letra evoca um sentimento de niilismo e sobrevivência, sugerindo a necessidade de resiliência individual dentro de um sistema opressor, onde o indivíduo se torna tão frio e implacável quanto o ambiente hostil que o rodeia para conseguir navegar a incerteza.

Musicalmente, a produção de GENER8ION utiliza sonoridades industriais e batidas metálicas que simulam uma maquinaria rígida, criando uma tensão constante entre a ordem institucional e o caos emocional. A canção sugere que este caos não deve ser evitado, mas sim abraçado como um catalisador para a transformação. O significado culmina numa ideia de catarse e transmutação, especialmente visível na transição para a segunda parte da composição, onde a música se torna mais melódica e coral. Este momento simboliza que, após a libertação da energia agressiva, pode surgir uma nova forma de união transcendente.

Em última análise, "STORM" aborda o vazio existencial de uma geração que, apesar da hiperconectividade, luta contra o ruído constante da pressão social e da informação. A obra representa, portanto, um momento de rutura: o som do colapso de velhas estruturas e o nascimento de algo novo e desgovernado através da força da juventude. É um comentário sobre a necessidade de encontrar uma voz própria e de transformar a dor em movimento coletivo antes que o sistema consuma a individualidade.

A colaboração entre o projeto francês GENER8ION, liderado pelo produtor Surkin, e o artista sueco Yung Lean, resultou numa obra audiovisual de impacto imediato que utiliza a música para explorar as tensões da juventude contemporânea. O tema "STORM" apresenta-se como um híbrido entre o eletrónico industrial e o Cloud Rap melancólico, mas é na sua representação visual, dirigida por Romain Gavras, que reside a maior carga interpretativa. As filmagens tiveram lugar na Bélgica, no Collège Cardinal Mercier, em Braine-l'Alleud, cuja arquitetura neo-gótica e imponente confere ao vídeo uma atmosfera de autoridade e tradição, evocando o imaginário dos colégios internos britânicos para criar um cenário de isolamento e claustrofobia.

A escolha do Collège Cardinal Mercier, na Bélgica, como cenário para as filmagens foi uma decisão estratégica que fundamenta toda a narrativa visual da obra. A arquitetura neo-gótica e o ambiente académico do colégio transmitem uma sensação imediata de tradição, autoridade e claustrofobia, servindo como o palco perfeito para representar uma instituição que molda, e muitas vezes limita, o comportamento dos jovens. Este cenário oferece um contraste estético poderoso, onde a beleza clássica e organizada do espaço serve de contraponto à energia caótica, brutal e moderna da música de GENER8ION e à performance de Yung Lean. Este choque propositado entre o "velho mundo", representado pelas paredes de tijolo e corredores históricos, e o "novo mundo", marcado pelo rap e pela agressividade juvenil, é uma das marcas registadas da direção de Romain Gavras. Além disso, ao filmar na Bélgica enquanto evoca um estilo visual internacional, o vídeo adquire uma qualidade universal, deixando de ser apenas um retrato de um problema britânico ou francês para se tornar uma observação abrangente sobre a condição da juventude europeia contemporânea.

Relativamente ao debate sobre a masculinidade, o projeto não parece ter como objetivo glorificar comportamentos tóxicos, mas sim expô-los como uma performance social inevitável em ambientes de repressão institucional. Ao retratar rituais de iniciação agressivos no interior deste colégio histórico, o realizador utiliza uma estética cinematográfica de luxo para evidenciar o vazio e a brutalidade dessas interações. A presença de Yung Lean, que encarna o papel de líder, reforça este sentimento; a sua postura não é a de um herói triunfante, mas a de alguém preso a um papel que exige uma dureza constante perante os seus pares.

O ponto de viragem para a denúncia surge através da coreografia de Damien Jalet, onde a violência física bruta se transfigura em expressão artística coletiva nos pátios e corredores do Collège Cardinal Mercier. Esta transição sugere que a energia canalizada para a masculinidade tóxica é, na verdade, uma forma distorcida de necessidade de pertença e movimento. Ao transformar o confronto em dança, "STORM" retira a máscara da agressividade e revela a vulnerabilidade escondida sob os códigos de conduta masculinos. Assim, a obra funciona como um espelho crítico, utilizando a beleza monumental do cenário belga para prender o espetador a uma reflexão desconfortável sobre como as instituições e os grupos moldam a identidade dos jovens.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Depeche Mode - Behind The Wheel [Force Sonic RmX]



A canção original "Behind The Wheel" foi lançada a 28 de dezembro de 1987. Foi o terceiro single do icónico álbum Music for the Masses, que consolidou os Depeche Mode como gigantes da música eletrónica mundial.

O projeto TBBM [TheBlueBallMusic] é uma iniciativa de origem portuguesa que se destaca no panorama digital como um dos canais de curadoria musical mais respeitados no nicho da música eletrónica retro e alternativa. Focado essencialmente na preservação e reinvenção de sonoridades que marcaram as décadas de 80 e 90, o projeto funciona como uma montra para remixes exclusivos, versões estendidas e edições raras de géneros como o Synthpop, New Wave, Darkwave e EBM.

O canal apresenta versões raras, estendidas ou remisturadas (RmX, Edit) de clássicos de bandas como Depeche Mode, Tears For Fears, The Cure, entre outros ícones dos anos 80 e 90. 

Trabalha frequentemente com produtores e DJs (como TSF, Dominatrix RmX ou FDieu), muitos dos quais também têm ligações à cena eletrónica nacional e europeia.

Ao longo dos anos, o canal consolidou-se como uma referência mundial para os fãs de Depeche Mode, apresentando frequentemente trabalhos de produtores e DJs nacionais e internacionais que dão uma nova roupagem a clássicos imortais. 

Com uma estética visual cuidada e uma seleção rigorosa da qualidade de áudio, o TBBM não é apenas um repositório de vídeos, mas sim uma comunidade vibrante que celebra a nostalgia eletrónica a partir de Portugal para o resto do mundo.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Miranda Sex Garden - Peep Show


Videoclipe original com melhor som aqui

Letra
Show me a memory
And that's where I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos memory is all I'll be

[Refrão]
But I can live
In your mind's eye
Live, in your heart
I'll love you in your dreams
But please don't try to hold me in your arms

Show me a fantasy
And that's who I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos fantasy is all I'll be

[Refrão] 2X

O álbum Fairytales of Slavery, lançado em 1994, representa o momento de maior rutura e maturidade artística do Miranda Sex Garden, consolidando a transição da banda de um trio vocal de música antiga para um coletivo de rock gótico experimental e darkwave. Neste disco, a sofisticação das harmonias clássicas funde-se com uma sonoridade industrial densa, marcada por guitarras distorcidas, ritmos tribais e uma atmosfera assumidamente claustrofóbica e sensual. É uma obra que abandona a pureza acústica do passado em favor de um estilo de vanguarda, frequentemente comparado à sonoridade de artistas como Dead Can Dance ou à agressividade artística do movimento pós-punk. 

O Fairytales of Slavery é amplamente considerado o disco mais negro, pesado e experimental da banda. Foi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten), o que explica a guinada drástica para o Rock Industrial e para uma sonoridade muito mais metálica e abrasiva oi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten)

A canção que dá título ao álbum funciona como uma metáfora central sobre o voyerismo e a exposição. Através de uma sonoridade que oscila entre o sussurro sedutor e a tensão caótica, a letra explora o desconforto de ser observado e o jogo de poder inerente ao ato de olhar. O termo "Peep Show" sugere um ambiente de cabaré decadente e sombrio, onde a feminilidade não é apresentada de forma passiva ou delicada, mas sim como uma força crua e, por vezes, perturbadora. Ao subverterem a imagem de "anjos" que as acompanhava desde o início da carreira, as integrantes utilizam esta faixa para explorar os desejos, os medos e a complexidade da psique humana, criando uma ponte entre a beleza técnica do conservatório e a rebeldia do submundo industrial de Londres.

O nome Miranda Sex Garden nasceu de uma vontade deliberada das fundadoras - Kelly McCusker, Jocelyn West e Katharine Blake - em unir o erudito ao profano, criando um contraste que definisse a identidade da banda. A primeira parte do nome, Miranda, é uma referência direta à heroína da peça A Tempestade, de William Shakespeare, simbolizando a pureza, a juventude e a herança clássica que as integrantes traziam da sua formação académica em música antiga.

Por outro lado, a adição de Sex Garden serviu como um contraponto irónico e provocador. Sendo jovens estudantes de conservatório que interpretavam madrigais do século XVI, o grupo queria distanciar-se da imagem austera e conservadora associada aos coros tradicionais. Ao introduzirem esta expressão mais carnal e terrena, as artistas estabeleceram uma dualidade entre o "celestial" das suas harmonias vocais e a atitude rebelde da cena underground londrina dos anos 90.

Esta escolha acabou por se revelar uma excelente estratégia de identidade artística, permitindo à banda transitar com naturalidade entre a solenidade da música renascentista e a estética sombria do rock gótico e industrial, sublinhando que a sua arte não estava presa ao passado, mas sim viva e em constante mutação.

Miranda Sex Garden (wikipedia)

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Natchmahr - Der Schlaf


O nome "Nachtmahr" é uma palavra em alemão antigo para Pesadelo (literalmente, o "demónio da noite" que senta no peito das pessoas enquanto elas dormem).

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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Boy Harsher - Burn It Down

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[Verse 1]
Take my heart
And pull me down
Take my heart
And burn it down

[Pre-Chorus]
Take my heart
And burn it down

[Chorus]
Here we are
The dam has broken
You try to run
But I’m in motion
When it’s done
It drags us both in
‘Cause I was young
And I was broken

[Pre-Chorus]
Help me find the right way
Help me be a nice guy

[Chorus]
Here we are
The dam has broken
You try to run
But I’m in motion
When it’s done
It drags us both in
‘Cause I was young
And I was broken

Numa entrevista para a PopHorror, Jae Matthews (vocalista) e Gus Muller (produtor) contam que foram chamados para fazer uma música para o filme Halloween Ends

A canção “Burn It Down”, do duo Boy Harsher, é uma poderosa metáfora sobre libertação e renascimento. Criada para o filme Halloween Ends (2022), a música reflete a tensão entre desejo e destruição, explorando o momento em que é preciso queimar o passado para poder recomeçar.

Com o seu som hipnótico e sombrio, “Burn It Down” fala menos de ruína e mais de metamorfose: a ideia de que, ao destruir o que já não serve - memórias, relações, versões antigas de nós próprios - abrimos espaço para algo novo emergir.

Assim, Boy Harsher transforma a escuridão em acto de purificação, onde o fogo deixa de ser apenas destrutivo e passa a ser um símbolo de libertação interior.

domingo, 22 de maio de 2022

Sleetgrout - Dance Like Joke


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[Verse 1]
I’m a king of the broken hearts
I’m a king of the empty souls
I’m a king of the dirty games
I’m a king of the losing roles

[Pre-Chorus]
Step by step, I'm losing my mind
Step by step, I'm leaving behind
All the things I used to love
All the things I’m dreaming of

[Chorus]
Dance like joke!
Until you die
Dance like joke!
Don't ask me why
Dance like joke!
In the middle of the night
Dance like joke!
Everything’s alright

[Verse 2]
You’re a queen of the plastic dreams
You’re a queen of the fake desires
You’re a queen of the silent screams
You’re a queen of the hidden fires

[Pre-Chorus]
Step by step, you're losing your way
Step by step, there's nothing to say
All the things you used to feel
Now you know they aren't real

[Chorus]

A letra fala sobre ser um "rei de corações partidos" e "perder a mente", mas o refrão ironiza dizendo que "está tudo bem" (Everything’s alright), reforçando o tom sarcástico do título "Dance Like Joke" (Dance como uma piada).

O que significa "Sleetgrout"?
Sleet: significa água-neve (aquela mistura de chuva com gelo, típica de um inverno rigoroso).

Grout: significa argamassa ou betume (o material que se usa para preencher as juntas dos azulejos ou pedras).

Portanto, Sleetgrout seria algo como "Betume de Água-Neve".

O conceito: para os fãs portugueses deste género, o nome evoca uma imagem de algo frio, denso e urbano. É uma metáfora perfeita para o som deles: uma massa sonora pesada que preenche todo o espaço, vinda de uma zona fria do globo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Documentário: Desolation Center

Desolation Center foi uma organização independente de música e artes performativas que realizou eventos em Los Angeles e arredores, na Califórnia, no início dos anos 80. Foi organizada por Stuart Swezey e incluía músicos punk locais e nacionais. Depois de apresentar uma série de eventos artísticos em locais do centro de Los Angeles, o grupo realizou três concertos lendários, intitulados Mojave Exodus, no Deserto de Mojave em 1983. Os artistas que aí se apresentaram incluíram Sonic Youth, Minutemen, Meat Puppets, Redd Kross, Einstürzende Neubauten, Survival Research Laboratories, Savage Republic, Swans, Boyd Rice e Psi Com.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Música do BioTerra: Coil- The Dreamer Is Still Asleep


O vídeo utiliza filmagens do filme "Nostalghia" (1983), dirigido pelo cineasta russo Andrei Tarkovsky

Letra
Hush; may I ask you all for silence?
The dreamer is still asleep
May the goddess keep us from single vision
And Newton's sleep

The dreamer is still asleep
The dreamer is still asleep
He's inventing landscapes in their magnetic field
Working out a means of escape
We'll cut across the crop circles

The seer says "no
Not much time left for these escape attempts
Look at it this way
In ten years' time
Who'll care? Who'll even remember?"
One dies like that, deep within it
Almost inside it
It's there for a reason

I'll give you my old address
And take that little book
To tear and cut the paper

The beginning is also the end
Time defines it, time defines it
It will end
Like close friendship
Nothing could be further
We forget
The space between people and things
Is empty
We forget
And don't notice the loss

Crossing into venerable degeneration
Such radiant pollution
The god with the silver hands surveys this vast contamination
The dreamer is still dreaming
The dreamer is still dreaming

In the heart of your heart
Your "I" remains
Is that hurt you? Is that blister you call loveless?
Your whole life is a cold slow shock
Your whole life is a cold slow shock

Take all your time
Track the shabby shadow down
Through hissy mists of history

The dreamer is still dreaming
The dreamer is still dreaming

Hush; may I ask you all for silence?
Will he wake in time to catch the sunset?
Hush; may I ask you all for silent?
May I ask you all for silent?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Encontros improváveis- Charles Bukovsky e Coil- Panic



quatro e meia da manhã
(Tradução: Jorge Wanderley)

os barulhos do mundo
com passarinhos vermelhos,
são quatro e meia da
manhã,
são sempre

quatro e meia da manhã,
e eu escuto
meus amigos:
os lixeiros
e os ladrões
e gatos sonhando com
minhocas,

e minhocas sonhando
os ossos
do meu amor,
e eu não posso dormir
e logo vai amanhecer,

os trabalhadores vão se levantar
e eles vão procurar por mim
no estaleiro
e dirão:
“ele tá bêbado de novo,
mas eu estarei adormecido,
finalmente, no meio das garrafas e
da luz do sol,

toda a escuridão acabada,
os braços abertos como
uma cruz,
os passarinhos vermelhos
voando,
voando,
rosas se abrindo no fumo
e
como algo esfaqueado e
cicatrizando,
como 40 páginas de um romance ruim,
um sorriso bem na
minha cara de idiota.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Música Do BioTerra: Ramnestein - Amerika HQ HD 4K


We're all living in Amerika.
Amerika ist wunderbar.

We're all living in Amerika,
Amerika, Amerika.

We're all living in Amerika.
Amerika ist wunderbar.

We're all living in Amerika,
Amerika, Amerika.

Wenn getanzt wird, will ich führen,
Auch wenn ihr euch alleine dreht.

Lasst euch ein wenig kontrollieren.
Ich zeige euch, wie es richtig geht.

Wir bilden einen lieben Reigen,
Die Freiheit spielt auf allen Geigen.

Musik kommt aus dem Weißen Haus
Und vor Paris steht Micky Maus.

We're all living in Amerika.
Amerika ist wunderbar.
We're all living in Amerika,
Amerika, Amerika.

Ich kenne Schritte, die sehr nützen,
Und werde euch vor Fehltritt schützen.
Und wer nicht tanzen will am Schluss,
Weiß noch nicht, dass er tanzen muss.

Wir bilden einen lieben Reigen,
Ich werde euch die Richtung zeigen.
Nach Afrika kommt Santa Claus
Und vor Paris steht Micky Maus.

We're all living in Amerika.
Amerika ist wunderbar.
We're all living in Amerika,
Amerika, Amerika.
We're all living in Amerika.
Coca-Cola, Wonderbra.
We're all living in Amerika,
Amerika, Amerika.

This is not a love song.
This is not a love song.
I don't sing my mother tongue.
No, this is not a love song.
We're all living in Amerika.
Amerika ist wunderbar.

We're all living in Amerika,
Amerika, Amerika.
We're all living in Amerika.
Coca-Cola, sometimes war.
We're all living in Amerika,
Amerika, Amerika.