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terça-feira, 1 de março de 2022

Música do BioTerra: Peter Murphy - All Night Long

Uma prenda a mim próprio!

"Love Hysteria" é o segundo álbum solo de Peter Murphy, lançado neste dia (1 de março) em 1988. Para mim, o tema mais belo é o "All Night Long".


Letra
When the night is closing
Eyes are running wild
Then I hear you humming
All night long
The sign I see it
Tell me am I true
All I need from you is
All I see
This city's paved with cold
Playboys buying fun
Seems there is no hunter left
Without his hunting gun
Can you feel the light
The air is wild open
Oh you see the light it's coming through
It's there in the distance
Always offered to me
Always coming over a hill
Oh your see-saw smile
Lasts me all night long
Like a siren's curl
When the night is long
Now come hold my hand
No bad vibe hearts
Hold my hand you know
This journey could be long
Yeah the seasons come in
All the nights are woven
All the nights we'll see them through
Ah no hundred men now
Would dare cut into us
We'll go on and see it through
Belle,
Une rose qui a joue son role
Mon Miroir,
Mon clef d'or
Mon cheval
Et mon gant sont les cinq secrets de ma puissance
Je voulais livrer
Il vous suffira de mettre ce gant
A votre main droite
Il vous transportera ou vous desirez l'etre
When the night has come in
Your eyes are running wild
Then I hear you humming
All night long
Yeah the sign I see it
Yeah the times I see it
All I need to know from you
Is all I see
Can you feel the light
The air is wild, open
Oh you see the light,
It's coming through
It's there in the distance
Always offered to me
Always coming over a hill

Yeah the seasons come in
All the nights are woven
All the nights we'll see them through
Ahh no hundred men now
Would dare cut into us
We'll go on and see it through

domingo, 14 de novembro de 2021

Bauhaus - Kick in the Eye

Melhor som aqui
And he spoke of pastures green
I was never told why
Each journey lasts an age
And my throat feels dry
It must be the lesson
Hidden deep inside
It must be the lesson
So roll the tide

So I began the crossing
My throat burned dry
Searching for Satori
The kick in the eye
I am the end of reproduction
Given no direction
Every care is taken
In my rejection

Kick in the eye

Every care is taken
With my rejection
And my abduction
To my addiction
Every care is taken
With my protection
And my abduction
From my addiction

Kick in the eye

Bauhaus e "Kick in the Eye": origens, estética e significado
Os Bauhaus são uma banda de pós-punk e rock gótico originária de Northampton, na Inglaterra (Reino Unido). Formados em 1978, adoptaram inicialmente o nome Bauhaus 1919, uma referência directa à famosa escola de arte, design e arquitectura fundada por Walter Gropius na Alemanha nesse mesmo ano. A escolha do nome reflectiu a vontade do grupo de unir estética, minimalismo e experimentação visual e sonora, procurando criar uma obra total que transcendesse a música convencional, tal como a instituição alemã procurou unir as várias vertentes artísticas num único movimento.

A canção "Kick in the Eye", lançada em 1981 e integrada no álbum Mask, explora temas como o impacto social, o choque e o confronto com a realidade. O título - uma expressão em inglês que significa levar um "duro golpe" ou passar por uma "desilusão súbita" - serve de metáfora para aqueles momentos da vida em que somos surpreendidos de forma abrupta por uma verdade desconfortável ou uma reviravolta inesperada. Estilisticamente, a faixa enquadra-se no pós-punk e no nascimento do rock gótico, mas destaca-se por uma forte e inusitada fusão com ritmos funk e dub.

O começo envolvente do tema deve a sua magia à dinâmica rítmica singular criada pela banda. A música abre com uma linha de baixo proeminente e pulsante de David J, combinada com uma bateria seca e cheia de groove de Kevin Haskins e o som marcante de blocos de madeira (woodblock) ou claves a dar o tempo. Em vez de entrar logo com guitarras densas e sombrias, o tema estabelece um ritmo tribal, seco e hipnótico através desta percussão incisiva, criando um contraste fascinante entre a energia física da batida e a atmosfera soturna característica do grupo.

No que toca às influências artísticas, literárias e filosóficas, os Bauhaus alimentavam-se do Expressionismo Alemão, do Existencialismo e da literatura decadente e de terror dos séculos XIX e XX.

No Expressionismo Alemão, a influência nota-se na estética dos telediscos e da iluminação de palco. Inspirados em filmes como O Gabinete do Doutor Caligari (1920) e Nosferatu (1922), os Bauhaus usavam luzes rasantes de baixo para cima, sombras alongadas e maquilhagem pálida e angular. Peter Murphy adoptou a linguagem corporal dramática e espasmódica dos actores do cinema mudo expressionista (como Conrad Veidt), transformando o palco num cenário teatral sombrio.

Na literatura, as referências eram explícitas e estruturais. Edgar Allan Poe influenciou o imaginário de decadência e a obsessão pela mortalidade e pelo isolamento, algo evidente em temas como "In the Flat Field". Oscar Wilde inspirou o lado dândi, a estética do romantismo sombrio e a busca da beleza no trágico; a banda homenageou-o directamente na canção "Of Lillies and Remains" e na própria postura visual refinada e maquilhada de Murphy e Daniel Ash. De Antonin Artaud e o "Teatro da Crueldade", os Bauhaus retiraram o conceito de usar o espectáculo não para entreter, mas para agredir os sentidos do público, recorrendo a luzes estroboscópicas violentas, vocalizações guturais e uma entrega física extrema que visava libertar emoções reprimidas.

Filosoficamente, o grupo aproximou-se do Existencialismo e do Absurdismo de Camus e Sartre ao abordar o vazio urbano, a alienação e a perda de sentido na sociedade moderna pós-industrial. A rejeição do materialismo traduzia-se na ausência de adereços supérfluos: em consonância com o princípio da própria escola de arquitectura Bauhaus - onde a forma segue a função -, o grupo despia a sua música de arranjos complexos, reduzindo a sonoridade ao essencial (baixo rítmico, guitarra crua e sem harmonias tradicionais, percussão seca e voz). Essa austeridade formal, combinada com o dramatismo visceral dos seus temas, criou a matriz estética que definiu a subcultura gótica.


Versão Searching for Satori (2)
O enigma de Satori no caos Pós-Punk
A inclusão do verso "Searching for Satori" introduz uma dimensão espiritual e orientalista na narrativa de "Kick in the Eye", criando um contraste intencional com o tom caótico e urbano do pós-punk. No Budismo Zen, Satori  representa a iluminação espiritual súbita, o despertar imediato ou um vislumbre instantâneo da verdadeira natureza da realidade. A sua presença no texto articula-se em três eixos fundamentais, a começar pela justa posição irónica entre o título da canção e a própria busca espiritual. Enquanto o Satori pressupõe uma revelação interior e edificante, o protagonista encontra ao longo do tema um duro golpe exterior - uma desilusão abrupta -, retratando a procura ingénua por significado num mundo absurdo e hostil onde a tentativa de elevação resulta num confronto doloroso com a realidade. Por outro lado, esta referência reflecte a forte influência da Geração Beat e da filosofia oriental na contracultura ocidental. A introdução do Zen no pós-punk deveu-se em grande parte a autores como Jack Kerouac - no seu livro Satori in Paris - e Allen Ginsberg, cujas obras inspiraram os Bauhaus a absorver a busca por estados alterados de consciência e pela evasão espiritual perante o cenário alienante da era pós-industrial. Finalmente, a frase traduz o próprio desespero existencial do final dos anos 70 e início dos anos 80, funcionando como a tentativa de encontrar transcendência, paz ou ordem interior numa Grã-Bretanha marcada pelo desencanto político e social. Repetida ao longo da faixa como um mantra frustrado, a expressão simboliza essa busca interminável por algo superior que continua sistematicamente a escapar ao indivíduo.

Bauhaus (banda)
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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Aniversário- 55 anos. Escolhi Peter Murphy

Peter Murphy é um Génio! Um Filósofo raro no Rock!
I am my own name
I am my own
I am my own name, my own name
My own name
My own name
I am
No thin pixie
White and drawn
No shaded shadow
No monk head shorn
No jaded shock star
Or blackened thorn
No heathen cynic
No lover scorned
A seeking searcher
A shifting shape
A spirit lifter
Where the sea doth break
I fought the misers pawn to king
Where death drew sick
I call out the ring
Move and shimmer
In the magical dust
Swing the lanterns of the Sacred
I am my own name
I am my own
I am my own name
My own name
My own name
My own name
I am
I fought the misers
Pawn to king
Where death drew out
Call out The Ring
Move shimmer in the magical dust
Swing the lanterns at the sacred Musk
No pixie, nor white and drawn
No shaded shadow
No monk head shorn
No jaded shock star
No blackened thorn
No...
Seeking searcher
Shifting shape
I am my own
I am my own name

How is the new baby
This is a pitiful country around
How is the new baby
This is a pitiful country around here
I am my own
I am my own name
I am my own
How is the new baby
This is a pitiful country around
How is the new baby
This is a pitiful country around here
I am my own name

sábado, 27 de agosto de 2016

Música do BioTerra: Peter Murphy- Your Face (Live) - This track is just gorgeous

"Sempre se deve antes escolher paz do que guerra, principalmente quando na guerra é tão certa a ruína" - Padre António Vieira

Síria‬ ‪‎Turquia‬ ‪Curdistão‬ ‪‎Iraque‬ ‪Irão‬ ‪Jordânia‬ ‪Afeganistão‬ ‪Iémen‬ ‪‎Arábia Saudita‬ ‪‎Israel‬ ‪Palestina‬ ‪‎Egipto‬ ‪Etiópia‬ ‪‎Nigéria‬ ‪Mali‬ ‪Sudão‬ ‪Saara Ocidental‬ ‪Tunísia‬  Líbia Marrocos Paquistão...


Peter Murphy in a Live performance of Your Face at the 2009 self knowledge and global responsibility symposium. Recorded at The Beshara School Chisholme House.
With
  • the Vastearth Orchestra and guitarist John Andrews.
  • Backing Vocal : Kirsten Morrison
  • Strings arranged by Chris Brierley of VEO. Violins: Chris Brierley. Cello: Doris Earthling
Rroads, ruins , revolutions , rain Video shot in Turkey on the Beshara School Turkey trip in December 2009. Directed and edited by Aaron Cass.

Chagal Peace Window in the United Nations building, New York

Water Lily freedom
Where does the spirit lay?
Freedom, lying in shadows of light and clay

I trace your feet like transparent thrones
I dream of your clinging, I am not alone
I glide with you, draw you with kole
You paint the river, I am not alone

That lover in the crash
That scent lingers now
Your face
Your face

segunda-feira, 8 de julho de 2013

«Há poucas coisas tão ensurdecedoras como o silêncio». (Mario Benedetti)


We are never alone! 
por Peter Murphy 

I trace your feet
Like transparent thrones
I dream of your clinging
I am not alone
I glide with you
Draw you with kole
Your paint the river
I am not alone
That lover
in the crash
That scent
lingers now
Your face

terça-feira, 21 de junho de 2011

Peter Murphy - I Spit Roses

Melhor som aqui
Letra
The captain is sea
In the moonlight the same
The ship all himself
Rose Spitter, the name
A high mutiny
Submerged down and under
Shake-shack left you in shock
Shed poison with a lover's lock
All hands wound and fraught
Blow the dark that we thought

Oo-oh (I spit roses)
Oo-oh (I spit)

Shake-shack, ring the bell
Pretty, petty, they shall swell
Swell kid-like, kid-like squeak
Was it a trick or was it treat?

Oo-oh (I spit roses)
Oo-oh (I spit)

The captain is sea
In the moonlight the same
Reflex us and him
He blurts karma, no sin
The tall one astute
The ginger all things
To all men he's kind
A split heart from mind
I spit roses and thank
Oh, the boat we thought sank
You might also like

(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
Roses
I spit roses
I spit roses (Wall to wall, pillar to post)
(I'm back at the task, the task, that I love most)
Roses (Wall to wall, pillar to post)
(I'm back at the task, the task, that I love most)
Roses (I'm back at the task, the task that I love most)
Roses

O Canto do Cisne dos Bauhaus: Sublimação, Misticismo e Conflito em "I Spit Roses"
A canção "I Spit Roses", lançada no álbum Ninth de 2011, transporta uma carga simbólica profunda que deriva diretamente da história turbulenta do próprio Peter Murphy com a sua lendária banda, os Bauhaus. O significado do tema centra-se na reconciliação impossível, na frustração artística e na beleza poética que pode surgir do conflito interpessoal. A expressão que dá título à música nasceu durante a digressão de reencontro da banda em 2006; após um desentendimento intenso com o baixista David J no camarim, Murphy atirou-lhe com um vaso de rosas. Mais tarde, esse ato visceral transfigurou-se numa metáfora sobre a incapacidade de comunicar sem dor: "cuspir rosas" representa a tentativa de oferecer algo belo ou poético, mas que sai de forma agressiva, espinhosa e ferina, transformando o afeto em ressentimento.

O videoclipe traduz visualmente esta jornada emocional através de uma estética de teatro de sombras e colagens surrealistas, remetendo diretamente para o expressionismo alemão e o cinema mudo do início do século XX. Murphy surge como um capitão solitário a navegar por mares tempestuosos, uma imagem clássica da psique humana em sobressalto. As criaturas que emergem durante a viagem, como o polvo gigante e a coruja silenciosa, simbolizam os monstros do subconsciente, a traição e a vigilância constante dos velhos fantasmas do passado. As ilusões óticas e a transformação de paisagens sombrias em explosões caleidoscópicas de flores refletem o contraste central da canção: a transição constante entre a escuridão melancólica do luto artístico e a explosão de paixão e criação.

As influências filosóficas e literárias de Peter Murphy nesta fase da sua carreira são vastas e profundamente marcadas pelo Romanticismo europeu e pelo misticismo oriental. Há uma clara herança dos poetas românticos ingleses, como William Blake e Lord Byron, visível na forma como celebra a dor, a beleza decadente e o transcendentalismo através da natureza e dos elementos marítimos. Por outro lado, o simbolismo de "I Spit Roses" dialoga fortemente com o Existencialismo de Friedrich Nietzsche, nomeadamente na ideia de sublimar o sofrimento e o caos interpessoal para criar arte com significado. Adicionalmente, a conversão de Murphy ao Islamismo e o seu contacto prolongado com o Sufismo introduziram na sua escrita uma busca constante pelo sagrado e pela purificação através do amor e da dor, transformando uma simples zanga de camarim num ritual poético de transcendência e libertação espiritual.