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sábado, 10 de janeiro de 2026

Filme - O Triunfo dos Porcos (1954)


Escrita por George Orwell em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente, na luta contra o eixo nazifascista. Contudo, com o acirramento da Guerra Fria, o livro passa a ser amplamente usado pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo (Orwell  definia-se como um “socialista democrático”) e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. 

Resumo da obra e filme animado
O Triunfo dos Porcos é uma fábula política que utiliza uma quinta para criticar o totalitarismo e mostrar como o poder pode corromper. Na Quinta do Solar, os animais vivem sob o domínio do Sr. Jones, um fazendeiro cruel e negligente. Inspirados pelo discurso do velho porco Major, que sonha com uma sociedade igualitária sem humanos, os animais decidem rebelar-se contra o seu dono. Após a morte de Major, os porcos Napoleão e Bola-de-Neve lideram a revolta. Os animais expulsam o Sr. Jones e assumem o controlo da quinta, renomeando-a Quinta dos Animais, passando a trabalhar juntos sob o lema “todos os animais são iguais”.

Rapidamente surgem disputas entre Napoleão e Bola-de-Neve. Napoleão utiliza estratégias violentas e manipulação para expulsar Bola-de-Neve, concentra o poder em si, controla a informação e cria uma polícia secreta de cães para intimidar os outros animais. Com o tempo, Napoleão e os porcos começam a viver luxuosamente, enquanto os restantes animais enfrentam dificuldades e veem os princípios da revolução serem alterados. A máxima “Todos os animais são iguais” transforma-se em “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”.

No final, os porcos tornam-se indistinguíveis dos humanos e os animais percebem que a liberdade conquistada foi perdida, com a quinta a voltar a ser dominada por uma elite poderosa e corrupta. O livro transmite uma crítica à corrupção do poder e à manipulação política, mostrando como revoluções podem ser traídas por aqueles que deveriam defendê-las, sendo também uma metáfora da Revolução Russa e do surgimento do totalitarismo soviético.

Personagens

Porcos
Major – Um velho porco doméstico premiado em uma exposição que dá a inspiração que alimenta a rebelião no livro. É uma alegórica combinação Karl Marx, um dos criadores do comunismo, e Lenin, líder comunista da Revolução Russa e da recém-criada União Soviética, onde elabora os princípios da revolução. Seu crânio sendo colocado em exposição pública reverenciado lembra Lenin, cujo corpo embalsamado foi colocado em exposição.

Napoleão – Grande porco da raça Berkshire. De poucas palavras, mas com reputação de possuir um braço forte. É comumente associado como alegoria de Joseph Stalin.

Bola de Neve – Rival de Napoleão e líder após a queda de Jones. É comumente associado como alegoria de Leon Trótski.

Garganta – Porta-voz de Napoleão. É comumente associado como alegoria de Viatcheslav Molotov ou ao Pravda

Equinos
Sansão – O mais devotado dos animais. Trabalhador incansável, segue duas máximas na vida: "Trabalharei cada vez mais" e "Napoleão tem sempre razão", geralmente sendo uma alegoria ao proletariado.

Benjamim – O mais céptico dos animais. Não acredita na revolução e mantém-se alheio às disputas políticas. Há interpretações que o colocam como a representação do autor, na quinta.

Outros Animais
Ovelhas – Limitadas intelectualmente, as ovelhas não sabem ler e não conseguem memorizar todas as regras da granja, resumindo-se a balir incessantemente "Quatro pernas bom, duas pernas mau!". Em diversas passagens, debates são impossibilitados pela barulheira do rebanho.

Cães – Tirados da mãe logo cedo e criados por Napoleão, tornam-se sua guarda pessoal. São eles os responsáveis por ajudar Napoleão no golpe contra Bola-de-Neve e também em mantém os outros animais sob controle, através da violência e do medo, representando a KGB

Moisés – Corvo domesticado de Jones, foge depois da revolução para reaparecer algum tempo depois, sempre incentivando os animais a acreditarem que uma vida melhor os espera no céu, com várias promessas que incluem montanha de amar e feno à vontade. Apesar de não trabalhar, sua presença é tolerada pelos porcos, sendo a representação da Igreja

Humanos
Sr Jones – Dono da Quinta do Solar. Alcoólatra e cruel com os animais, que sofrem pelo chicote e pela fome, sendo uma representação do czar Nicolau II

Sr Frederick – Dono da Quinta Pinchfield, uma pequena fazenda vizinha a A Quinta dos Animais. Entra brevemente em aliança com Napoleão, para depois atacar a Granja. É comumente associado como alegoria de Adolf Hitler, e o acordo e o ataque a Pacto Molotov-Ribbentrop e Operação Barbarossa, respectivamente.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

"Raças Autóctones Portuguesas” – Conservar a biodiversidade



Portugal possui uma enorme riqueza de Recursos Genéticos Animais, traduzida em 52 raças autóctones de espécies pecuárias e 11 raças de canídeos, oficialmente reconhecidas, estando a maioria destas em risco de extinção. As referidas raças fazem parte do património histórico e cultural do país, contribuem para a fixação de populações em zonas rurais desfavorecidas, para a preservação de sistemas de produção sustentáveis, sendo muitas vezes fatores identitários de comunidades locais.

A biodiversidade genética que estas raças encerram, a sua resiliência e adaptação a condições de exploração difíceis, são de uma enorme mais valia nacional para enfrentar os desafios emergentes, entre eles, a mitigação das alterações climáticas e desertificação humana de parte do interior rural de Portugal.

Importa, pois, promover a preservação e a divulgação das raças autóctones, bem como o desenvolvimento de programas de conservação que permitam a salvaguarda deste rico, mas ameaçado, património genético. Nesse sentido, foi inaugurado em 2010 no Polo de Inovação da Fonte Boa do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), localizado no Vale de Santarém, o Banco Português de Germoplasma Animal (BPGA), o qual tem como objetivos a conversação ex-situ das raças autóctones portuguesas, pela manutenção de sémen, embriões, células somáticas e ADN das referidas raças nacionais.

Apesar da sua inegável riqueza e importância para Portugal, grande parte do público, em geral, não conhece as raças autóctones nacionais, as tradições culturais e gastronómicas inerentes ao mundo rural em que são criadas e as ameaças que enfrentam, não obstante os esforços e programas científicos e técnicos levados a cabo por Instituições Nacionais e Privadas no sentido da sua conservação e melhoramento genético.

Numa ótica de transdisciplinaridade entre Ciência, Biodiversidade e Sociologia, entendeu-se que o recurso a formas lúdicas e artísticas seria uma forma eficaz para dar visibilidade, capacitar e consciencializar os cidadãos acerca dum património que é de todos. Assim, o Polo de Inovação de Santarém do INIAV pretende levar a cabo um Concurso Fotográfico, aberto a nível nacional, numa parceria com a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Sociedade Portuguesa de Recursos Genéticos Animais (SPREGA), a Associação Portuguesa e Engenharia Zootécnica (APEZ), o Clube Português de Canicultura (CPC), a Ruralbit (empresa que presta assessoria a Associações de Raças Autóctones e respetivos Livros Genealógicos) e o Instituto Português de Fotografia (IPG).

O Concurso Fotográfico, será publicitado nunca antes de quatro meses antes do término, que será em data a concertar, e terá como tema ‘RAÇAS AUTÓCTONES PORTUGUESAS – Conservar a biodiversidade’.

Serão abertas as seguintes modalidades:
Asininos (2 raças)
Bovinos (16 raças)
Canídeos (11 raças)
Caprinos (6 raças)
Equinos (4 raças)
Galináceos (4 raças) e perus (1 raça)
Ovinos (16 raças)
Suínos (3 raças)

Fique atento ao site do INIAV para saber mais.

domingo, 25 de dezembro de 2005

A Terapia com Animais ou Zooterapia


A pet is an island of sanity in what appears to be an insane world. Friendship retains its traditional values and securities in one's relationship with one's pet. Whether a dog, cat, bird, fish, turtle, or what have you, one can rely upon the fact that one's pet will always remain a faithful, intimate, non-competitive friend -- regardless of the good or ill fortune life brings us."
Dr. Boris Levinson, child psychologist
                                     
Estudos recentes têm mostrado que o uso de animais tais como, cães, gatos, pássaros, cavalos, burros, golfinhos, etc., representa um contributo importante para o bem-estar social e psicológico das pessoas. 

As relações humanas, neste mundo apressado em que vivemos, negligenciam muitas vezes o toque, o contacto físico, o olhar nos olhos, etc. No entanto, estes comportamentos são de extrema importância para garantir o nosso bem-estar emocional. O toque, por exemplo, dizem os estudiosos destas questões, aumenta a nossa auto-estima, e desenvolve no ser humano, sentimentos de proximidade, segurança e confiança pelo seu congénere e o meio envolvente. 

A utilização de animais como parte de um programa terapêutico foi primeiro registado no século IX, em Gheel, na Bélgica, onde pessoas com necessidades especiais foram pela primeira vez autorizadas a cuidar de animais domésticos. Nos anos 60, graças ao psicólogo infantil americano, Boris Levinson, assiste-se ao ressurgimento da terapia baseada em animais.
Fonte: AEPGA

Crianças provenientes de famílias em risco e adultos com problemas sociais e de adaptação. 

O que é um animal de terapia.

Trata-se de um animal que pelas suas características comportamentais e/ou morfológicas, aliado a um treino específico permite a recuperação de traumas ou auxilia na aprendizagem. Actua geralmente com a supervisão do dono ou treinador preparado para a sua função.

Nem todos os animais podem ser animais de terapia.

Um animal de terapia deve ser calmo e inspirar confiança em quem o irá manejar, deverá sustentar o olhar das pessoas, gostar de que lhe façam festas, o abracem e toquem, mantendo-se calmo perante movimentos bruscos e barulho alto. Um animal que rosne, fuja, demonstre impaciência ou seja nervoso não servirá para trabalhar. Se não interage, não poderá auxiliar ninguém.

Exemplos de animais de terapia.

1-Cavalos e Burros

A Hipoterapia e asinoterapia são muito importantes no acompanhamento de crianças com paralisia cerebral, autismo, hiperactividade e síndrome de Down, tanto em termos físicos, como em termos de ligação emocional. Não só o montar o animal ou interagir com o mesmo, como, consoante o caso, tratá-lo , em termos de o alimentar e escovar, é benéfico para a coordenação motora e para o amor próprio. São exemplos já seguidos no nosso país com excelentes resultados. Em países como os Estados Unidos e Inglaterra a terapia com golfinhos é igualmente utilizada com muito sucesso como coadjuvante da hidroterapia.

2-Cães e Gatos

Os cães são muito usados em terapia, inclusivamente raças injustamente vistas como más, como o rottweiler, que pela sua autoconfiança e autodomínio é um excelente animal de apoio e usado pelas equipas de terapeutas.

Desde os casos referidos anteriormente, passando pelas enfermarias de hospitais até aos lares de idosos, as suas visitas permitem um aumento da auto-estima e do bem estar. Crianças com problemas tornam-se mais abertas e comunicativas .

Colocando um parêntesis, o estabelecimento prisional de Monsanto possui inclusive um canil onde as pessoas podem deixar os seus animais de férias, sendo o seu tratamento da responsabilidade dos reclusos como parte do programa de recuperação, na interacção com os outros presos e com os guardas prisionais.

O simples facto de acariciar um cão ou gato é calmante e parte da recuperação passa pelo bem estar psicológico. Um cão ou um gato numa enfermaria pediátrica humaniza o ambiente ainda mais que a simpatia das enfermeiras.

Um cão, um gato ou uma ave, são por vezes o único suporte dos idosos sem família e a sua razão última de viver, diminuindo a sua carga de ansiedade e evitando depressões.

Nas escolas, existir um animal ao cargo de uma turma (sempre, note-se sob a supervisão de um professor) aumenta a auto-estima e o sentimento de pertença ao grupo das crianças, bem como de responsabilização perante a sociedade.

Podemos assim ver que embora os animais não sejam já os parceiros principais ao lado do homem em termos de protegê-lo dos animais selvagens, guardando rebanhos, ou servindo de meio de transporte, continuam assim mesmo, a ser essenciais, ajudando-nos a viver melhor e a superar as situações que advêm do nosso dia a dia ou do cada vez mais complexo modo de vida urbano.