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domingo, 8 de novembro de 2020

Dia Mundial do Urbanismo

A bandeira do Urbanismo, que representa o Sol (em amarelo), a vegetação (em verde) e o ar (em azul)

O Dia Mundial do Urbanismo, comemorado anualmente a 8 de novembro, é uma data de reflexão global sobre a importância do ordenamento do território e do planeamento urbano na construção de cidades mais sustentáveis, humanas e funcionais. A iniciativa foi criada em 1949 pelo professor Carlos María Della Paolera, da Universidade de Buenos Aires, com o intuito de mobilizar a atenção pública e profissional para o impacto das decisões urbanísticas na qualidade de vida das populações. Hoje em dia, esta efeméride é celebrada em mais de 30 países, espalhados por quatro continentes, envolvendo autarquias, universidades, ordens profissionais e organizações internacionais como a ISOCARP (International Society of City and Regional Planners).

Em Portugal, a data ganha especial relevância no debate sobre a coesão territorial, a transição energética e o acesso a habitação digna, sendo frequentemente assinalada por entidades como a Direção-Geral do Território e a Ordem dos Arquitectos através de conferências e seminários. O urbanismo contemporâneo enfrenta o desafio de redefinir as áreas urbanas à luz das alterações climáticas e das novas dinâmicas sociais, promovendo modelos como a "cidade dos 15 minutos", a expansão de infraestruturas verdes, a mobilidade suave e a redução das assimetrias socioterritoriais, alinhando-se com as diretrizes da ONU-Habitat para o desenvolvimento urbano sustentável.

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Há cinco anos, o Brasil perdia Oscar Niemeyer, o Gênio do Concreto

Há cinco anos, o Brasil entrava em luto pela morte do artista que revolucionou a arquitetura moderna mundial e deu ao país um patrimônio que entrou para a história. Oscar Niemeyer (1907-2012) é considerado, ainda hoje, o maior arquiteto brasileiro. Reconhecido internacionalmente, o Gênio do Concreto deixou como legado a cidade que continua impressionando moradores e visitantes: Brasília.

A capital federal, maior e mais famosa obra de Niemeyer, é chamada pelo professor aposentado de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Carlos Cabral de "obra indelével". Cabral, paulista, veio para a cidade por influência do trabalho de Niemeyer ; queria aprender com o ícone.

O preferido do próprio Niemeyer, segundo o também professor da UnB Frederico Holanda, era o Congresso Nacional. Holanda lembra a genialidade do mestre também no projeto do Palácio Itamaraty, que resgata influências clássicas, como nas colunas ao redor, parecidas com o Partenon, na Grécia, e ao mesmo tempo homenageia o antigo palácio, no Rio de Janeiro, com arcos plenos (meio círculos) nas janelas.

No entanto, Holanda acredita que a verdadeira revolução de Niemeyer aconteceu antes mesmo de Brasília: no início da década de 1940, o carioca projetou o conjunto arquitetónico da Pampulha, em Belo Horizonte, e depois considerou esse o seu verdadeiro começo. "Ele introduz uma dimensão poética que não era comum e se insurgiu contra a linha dominante, mais racional, canônica, de modulações rígidas, traçados reguladores e ortogonalidade", explica o professor da UnB. Enquanto Le Corbusier, mestre e "guru assumido" de Niemeyer (ler Carta de Atenas)  e Lucio Costa, era racionalista, Oscar era poesia, imaginação e fantasia, segundo Holanda.

sábado, 16 de abril de 2016

The Hidden Math in Art

Art and mathematics. For many, this would appear to be synonymous with chalk and cheese. One is the domain of emotional expression, passion and aesthetics. The other, a world of steely logic, precision and truth. And yet scratch the surface of these stereotypes and one discovers that the two worlds have much more in common than one might expect.

Any creative artist will tell you that the emotional resonance of a piece emerges out of the construction of the work and is rarely an ingredient fed in at the beginning of a composition. The composer Philip Glass admits that he never deliberately programs any emotional content in his work. He believes it’s generated spontaneously as a result of all the processes that he employs. “I find that the music almost always has some emotional quality in it; it seems independent of my intentions.” The structure and internal logic of a piece is what drives its composition.

Saidakova and Marinov. (Credit: Sueddeutsche Zeitung Photo/Alamy Stock Photo)
Nadja Saidakova and Vladislav Marinov dance to music by Philip Glass at the Ballet Gala of the Berlin State Ballet in 2011. (Credit: Sueddeutsche Zeitung Photo/Alamy Stock Photo)

I have spent many years as a mathematician working alongside artists and what has struck me is how similar our practices are. I have so often found artists drawn to structures that are the same ones I am interested in from a mathematical perspective. We may have different languages to navigate these structures but we both seem excited by the same patterns and frameworks. Often, we are both responding to structures that are already embedded in the natural world. As humans we have developed multiple languages to help us navigate our environment.Perhaps more surprising is the role that emotions and passion play in the mathematics that we humans create. Mathematics is far from being just a list of all the true statements we can discover about number. Mathematicians are storytellers. Our characters are numbers and geometries. Our narratives are the proofs we create about these characters. Not every story that it’s possible to tell is worth telling.

A different beat
“Music is the pleasure the human mind experiences from counting without being aware that it is counting.” – Leibniz

Music is probably the artistic discipline that traditionally has resonated most closely with the world of mathematics. As the German philosopher Gottfried Wilhelm Leibniz once declared: “Music is the pleasure the human mind experiences from counting without being aware that it is counting.” But this connection goes much deeper than that. The very notes that we respond to as harmonic have a mathematical underpinning, as Pythagoras famously discovered. And mathematical structures also inform the architecture of composition.
The Sheikh Zayed Bridge in Abu Dhabi by Zaha Hadid. (Credit: Urbanmyth/Alamy Stock Photo)


The Sheikh Zayed Bridge in Abu Dhabi by Zaha Hadid. (Credit: Urbanmyth/Alamy Stock Photo)


For me, one of the most exciting revelations has been that even the art of the written word has mathematics hidden inside it. Poets, playwrights and novelists have all played around with exciting forms and patterns and frameworks that have mathematical shapes to them.

In my radio series The Secret Mathematicians, I have explored the artistic practices of a whole range of composers, writers, architects and artists. Through their work I look at the range of mathematical ideas they have been drawn to, sometimes consciously but often quite unconsciously.

Philip Glass is fascinated by the power of number to create rhythms that draw the listener into his meditative world, rhythms that nature beats to. The Argentinian writer Jorge Luis Borges strove to find an explanation for the shape our finite universe by writing The Library of Babel; and Zaha Hadid’s parametricism movement is helping to seed our urban environment with forms that are both mathematical and natural at heart.

In my programme on visual art, I investigate how Renaissance artists helped mathematicians of the period rediscover shapes first found by the ancient Greek mathematician Archimedes – their descriptions had been lost over time, but they were uncovered through developments in drawing.

I find a hyper-dimensional solid in one of Salvador Dalí’s most famous works, Crucifixion (Corpus Hypercubus), and discover how Jackson Pollock was unconsciously tapping into geometric structures called fractals – shapes that mathematicians only discovered in the 20th Century. The US artist was a secret mathematician by virtue of his lack of balance and penchant for alcohol, using what mathematicians call a ‘chaotic pendulum’ when staggering around to create his drip paintings.

Anish Kapoor originally wanted to be an engineer but gave up after finding the maths too challenging. Yet his works reveal an extraordinary sensitivity to mathematical structures, shapes that are universal and not bound by cultural reference. His 2009 tower of spherical balls, called The Tall Tree and the Eye, created reflections that are fractal in nature, while his hyperbolic mirrors distort our environment to create a strange new perspective on the world. Kapoor’s curved mirrors provide a lens to see the universe as it really is: curved, bent, where light is warped on its way through space and our intuition is turned inside out.

Marcus du Sautoy is the Simonyi Professor for the Public Understanding of Science and a Professor of  Mathematics at the University of Oxford. He is author of The Number Mysteries (HarperPerennial)

quarta-feira, 16 de março de 2016

Biomimética e desafios filosóficos e de ética ambiental


1. Introdução: o que é a biomimética?
A biomimética (ou biomimicry) é o campo que estuda modelos, sistemas e elementos da natureza com o objetivo de emular os seus princípios para resolver problemas humanos complexos, em ciência, engenharia, medicina ou arquitetura . O termo “biomimetics” foi cunhado por Otto Schmitt por volta de 1957, num contexto de eletrónica inspirada nos nervos, e entrou no dicionário Webster em 1974, descrevendo o estudo de materiais e mecanismos biológicos para síntese de análogos artificiais (discutido em Bhushan, 2009). Em termos etimológicos, deriva de biosbios (vida) e mimesismimesis (imitação), sublinhando a ideia de aprender com a experiência evolutiva acumulada pela biosfera ao longo de cerca de 3,8 mil milhões de anos . Esta perspetiva implica uma mudança epistemológica: em vez de dominar a natureza, procura‑se tratá‑la como modelo e “mentora”, avaliando também o desempenho ecológico das soluções (abordado na literatura de biomimicry)

2. Principais pensadores e consolidação do campo
Embora haja antecedentes em Leonardo da Vinci ou no desenvolvimento da aviação inspirada em aves, a biomimética moderna consolida‑se na segunda metade do século XX, com a formalização científica do termo e a emergência de comunidades interdisciplinares. Otto Schmitt, físico e biólogo, é frequentemente referido como o primeiro a usar “biomimetics” ao desenhar dispositivos eletrónicos que imitavam a condução nervosa. Posteriormente, o campo ganha visibilidade com trabalhos de engenharia e materiais que sistematizam “lições da natureza”, como o artigo de revisão “Biomimetics: lessons from nature - an overview”, que descreve a transição de simples analogias para estratégias de design baseadas em estruturas da escala nano à macro.​

A figura pública mais influente na vulgarização contemporânea é Janine Benyus, bióloga e escritora, que populariza o termo “biomimicry” com o livro Biomimicry: Innovation Inspired by Nature(1997), contextualizado no perfil do Biomimicry Institute. Benyus propõe três papéis para a natureza - Modelo, Medida e Mentora - defendendo que as soluções inspiradas em sistemas naturais podem ser simultaneamente de alto desempenho e sustentáveis, ao emular princípios como uso eficiente de energia, ausência de resíduos e cooperação ecológica. Mais recentemente, autores como Hwang e colaboradores discutem a biomimética como vetor estratégico para o futuro da ciência, engenharia e medicina, no artigo “Biomimetics: forecasting the future of science, engineering, and medicine”

3. Exemplos clássicos de biomimética
Alguns exemplos tornaram‑se canónicos na literatura, ilustrando como observações biológicas se traduzem em artefactos tecnológicos.
  1. Fatos de natação de baixo arrasto inspirados na microestrutura da pele do tubarão, que reduzem a resistência hidrodinâmica ao replicar saliências microscópicas (dentículos), descritos no artigo em 
  2. O velcro, desenvolvido a partir da observação de sementes de bardana cujos ganchos microscópicos aderiam ao pelo de animais, originando um sistema de fixação reversível e robusto.
  3. Perfis de asas de aviões e planadores inspirados em aves, onde a forma e distribuição de penas sugerem soluções aerodinâmicas para maior sustentação e controlo
  4. Estruturas arquitetónicas e de engenharia civil inspiradas em conchas ou esqueletos, como a espiral do búzio Turbo cuja geometria oferece resistência e estabilidade a cargas complexas.
Na área da robótica e da locomoção, o estudo de insetos, peixes e minhocas levou ao desenvolvimento de robots com múltiplas articulações e corpos flexíveis, capazes de navegar em ambientes complexos e confinados. Por exemplo, robots endoscópicos “soft” inspirados em minhocas utilizam materiais flexíveis e segmentados que permitem avançar dentro de lúmens corporais com menor dano tecidular, sendo aplicados em cirurgia minimamente invasiva 
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4. Avanços recentes: materiais, nanoescala e medicina
Nas últimas duas décadas, a biomimética expandiu‑se particularmente em ciência de materiais e engenharia biomédica, com enfoque em superfícies funcionais, hidrogéis e interfaces hierárquicas. Revisões recentes apontam para o desenvolvimento de materiais biomiméticos capazes de emular microambientes celulares e funções tecidulares, incluindo hidrogéis, compósitos à base de colagénio, superfícies modificadas e aplicações em bioprinting 3D para engenharia de tecidos, como discutido em “Recent Advances in the Development of Biomimetic Materials”. Este artigo de 2023 sublinha que estes sistemas tentam reproduzir propriedades mecânicas, bioquímicas e topográficas da matriz extracelular, mas enfrentam ainda desafios na replicação da complexidade real de comunicação e motilidade celular.

Superfícies inspiradas em fenómenos naturais — como a lotus (autolimpeza) ou a pele de tubarão (antifouling) — influenciam o design de revestimentos antibacterianos, têxteis funcionais e dispositivos médicos mais resistentes à colonização microbiana. Na fronteira com a nanotecnologia, a integração de biomimicry permite criar sistemas de energia, sensores, dispositivos fotónicos e têxteis com melhor eficiência e menor impacto ambiental, tirando partido de estruturas periódicas e gradientes presentes em asas de borboletas, olhos de insetos ou cascas de diatomáceas.Em biomedicina, revisões recentes descrevem scaffolds vasculares “biomiméticos” baseados em misturas de gelatina, gellan e elastina, com propriedades elásticas, hidrofílicas e citocompatíveis semelhantes a vasos naturais, viabilizando aplicações em substituição ou regeneração vascular, como se lê em “Advances in Biomimetics: Combination of Various Effects at Different Length Scales for Innovative Developments in Biological and Bioinspired Systems”

Paralelamente, a convergência entre biomimética, impressão 3D e inteligência artificial é apontada como fator‑chave para acelerar o design “bottom‑up” de sistemas artificiais com comportamento semelhante ao de tecidos vivos (discutido na secção sobre perspetivas futuras em ). Contudo, os autores enfatizam que a escalabilidade, reprodutibilidade e compatibilidade a longo prazo destes materiais continuam a ser obstáculos significativos, colocando em evidência a distância entre protótipos de laboratório e aplicação clínica ampla.

5. Desafios filosóficos e éticos
Para além da dimensão técnica, a biomimética levanta questões filosóficas e éticas sobre a relação humana com a natureza e sobre o uso de organismos como “catálogos de soluções”. Benyus e o Biomimicry Institute defendem que a disciplina deve incorporar explicitamente critérios de sustentabilidade, procurando não só eficiência, mas alinhamento com ciclos ecológicos e limites planetários. Isto implica avaliar se os materiais, processos e sistemas inspirados pela natureza, de facto, reduzem o consumo de recursos, a toxicidade e a produção de resíduos, em vez de apenas explorarem formas e mecanismos biológicos de modo instrumental.​

Autores como Hwang et al. sublinham ainda o risco de “hiper‑otimismo” tecnológico, lembrando que muitas soluções biomiméticas permanecem em fase experimental e que a imitação parcial de mecanismos naturais pode ter efeitos imprevistos em contextos reais. Há, também, o desafio epistemológico de compreender verdadeiramente os princípios subjacentes aos sistemas vivos — muitas vezes não lineares, emergentes e contextodependentes —, o que exige abordagens interdisciplinares que cruzem biologia, física, engenharia, design e ciências sociais. Neste sentido, a biomimética pode ser vista tanto como estratégia de inovação tecnológica como convite a repensar a própria cultura técnica, aproximando formas de produção humana da lógica de ecossistemas maduros.

Referências bibliográficas
  1. Benyus, J. M. (1997). Biomimicry: Innovation Inspired by NatureBiomimicry: Innovation Inspired by Nature. New York: William Morrow.​
  2. Hwang, J. et al. (2015). “Biomimetics: forecasting the future of science, engineering, and medicine”. Nanotechnology, 26(12): 122001.​
  3. Bhushan, B. (2009). “Biomimetics: lessons from nature – an overview”. Philosophical Transactions of the Royal Society APhilosophical Transactions of the Royal Society A, 367(1893): 1445–1486.
  4. Ciulla, M. M. et al. (2023). “Recent Advances in the Development of Biomimetic Materials”. International Journal of Molecular SciencesInternational Journal of Molecular Sciences, 24(20): 15238.​
  5. Himel, M. H. et al. (2023). “Biomimicry in nanotechnology: a comprehensive review”. Nanoscale Advances.​
  6. Rosellini, E. et al. (2023). “Advances in Biomimetics: Combination of Various Effects at Different Length Scales for Innovative Developments in Biological and Bioinspired Systems”. International Journal of Molecular Sciences, 24(14): 11552.
Verbete geral “Biomimetics”
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Síntese enciclopédica “Biomimetics | Research Starters – Chemistry”

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Biomorfismo e biomimetismo

A fronteira entre o biomorfismo e o biomimetismo marca a forma como a humanidade se inspira na natureza, dividindo-se entre a sensibilidade da forma e a precisão da função. O biomorfismo, com raízes profundas na história da arte e no design do século vinte, foca-se na linguagem visual do mundo natural. A palavra e o conceito ganharam destaque teórico em 1936 através de Alfred H. Barr Jr., o primeiro diretor do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, que utilizou o termo para classificar obras cujas formas abstratas e fluidas evocavam processos biológicos, células e organismos vivos. Artistas como Jean Arp e Joan Miró encarnaram esta visão ao criarem esculturas e pinturas que pareciam germinar organicamente. Mais tarde, esta estética expandiu-se para a arquitetura e o design de interiores pelas mãos de figuras como Alvar Aalto e Isamu Noguchi, que recorreram a linhas ondulantes e contornos orgânicos com o objetivo de humanizar os espaços e os objetos do quotidiano.[Ilustromania]

Por outro lado, o biomimetismo afasta-se da mera aparência visual para se concentrar no desempenho e nas soluções de engenharia aperfeiçoadas pela evolução ao longo de milhões de anos. O termo foi introduzido nos anos cinquenta pelo biofísico e inventor americano Otto Schmitt, que estudou os sistemas nervosos dos animais para conceber circuitos elétricos avançados. A aplicação prática desta filosofia ganhou visibilidade global com a invenção do Velcro em 1941 pelo engenheiro suíço Georges de Mestral, após este ter analisado ao microscópio a forma como as sementes de bardana se fixavam ao pelo do seu cão. Contudo, o grande impulso concetual e a consolidação teórica da disciplina surgiram em 1997 com a bióloga Janine Benyus. No seu trabalho de referência, Benyus definiu a natureza como mentora e modelo para a inovação humana, promovendo o biomimetismo como uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento sustentável e para a criação de tecnologias com baixo impacto ambiental.[Biomimetismo]

No cruzamento entre estas duas correntes surge a figura visionária de Antoni Gaudí, que antecipou ambos os conceitos muito antes da sua formalização académica. Na transição do século dezanove para o século vinte, o arquiteto catalão adotou uma abordagem biomórfica ao moldar edifícios como a Casa Batlló e a Sagrada Família com varandas que lembram ossos, tetos em forma de concha e colunas que imitam árvores. Ao mesmo tempo, Gaudí atuou como um verdadeiro pioneiro do biomimetismo ao estudar a mecânica das estruturas vegetais e a geometria natural para desenhar arcos catenários e sistemas de suporte de extraordinária eficiência estrutural, demonstrando que a estética orgânica e a funcionalidade biológica podem coexistir em perfeita harmonia.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Retrofit de antigo museu holandês imita estrutura geológica

Naturalis, ou Centro Nacional de Biodiversidade, é um projeto de remodelação e ampliação desenvolvido pelo atelier Neutelings Riedijk Architects em colaboração com a estilista holandesa Iris van Herpen.

Fundado em 1820 na cidade de Leiden pelo Rei Guilherme I da Holanda, o Naturalis é um instituto focado no estudo da biodiversidade. Ao longo da última década, cresceu exponencialmente, o que revelou a necessidade urgente de uma sede maior e mais moderna. Com mais de 400.000 visitantes anuais e um acervo em constante crescimento que supera os 42 milhões de objetos, a instituição precisava de se expandir.

A nova sede representa um conjunto sustentável que combina edifícios novos e estruturas preexistentes. Além de novas áreas expositivas e espaços dedicados à conservação do acervo, o novo complexo acolhe laboratórios de última geração onde trabalham diariamente mais de duzentos investigadores. Estes profissionais procuram respostas para os grandes desafios atuais, tais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o abastecimento alimentar e a qualidade da água. Esta intervenção desenvolvida pela Neutelings Riedijk Architects oferece uma oportunidade renovada para aproximar a instituição de um público cada vez mais consciente e empenhado na proteção do planeta.

Um átrio amplo e generoso dá as boas-vindas aos visitantes, organizando e ligando as várias valências do instituto: escritórios administrativos, áreas de armazenamento, o museu e os novos laboratórios de investigação. Formalmente, a estrutura deste átrio revela-se através de um invólucro de betão com aberturas em padrões geométricos. Estes elementos permitem que todo o espaço de convívio seja banhado por uma luz natural difusa e abundante, realçando a sua monumentalidade.

A partir do átrio de entrada, no piso térreo, funcionários e visitantes encontram as principais funções públicas do edifício, como o restaurante, a loja de recordações e os espaços expositivos, onde os transeuntes podem observar a equipa a trabalhar na preparação de carcaças de baleias encalhadas. Uma grande escadaria guia os visitantes até às salas de exposição principais, onde se encontra «Trix», o esqueleto de um Tiranossauro Rex com 66 milhões de anos.

Exteriormente, as galerias apresentam-se como uma sobreposição de volumes revestidos por blocos de pedra natural em tons de terracota, simulando a estrutura geológica do solo. Faixas de travertino intercaladas realçam a sensação de estratificação de texturas. Para completar a composição destes volumes, foram adicionadas camadas de betão branco em alto-relevo desenhadas por Iris van Herpen. Convidada pelos arquitetos da Neutelings Riedijk e inspirada pelas formas naturais do acervo do museu, a estilista criou 263 variações de relevos em betão que parecem ter sido impressos em seda.

O designer holandês Tord Boontje foi o responsável pela criação dos quase 100 painéis que animam os espaços interiores do museu, construindo uma narrativa visual que cruza fotografia e desenho à mão para revelar as maravilhas da natureza. No total, o projeto do Centro Nacional de Biodiversidade abrange uma área de aproximadamente 38.000 m², representando uma ampliação de cerca de 20.000 m².

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Robert Smithson- Earth Work, Earth Art, Land Art


SPIRAL JETTY
Rozel Point, Great Salt Lake, Utah April 1970 mud, precipitated salt crystals, rocks, water coil 1500' long and 15' wide
Collection: DIA Center for the Arts ,New York
Robert Smithson (New Jersey, 1938 - New York, 1973) é um dos nomes mais relevantes da história da arte da segunda metade do século XX. Os seus projectos saíram para fora dos museus e das galerias de arte, propondo um outro modo de relacionar a arte com o espaço físico no contexto da chamada earth art.

Trabalhos relacionados
Desenhos:Spirals n.d. circa 1970
Filme: Spiral Jetty, 1970

Imensos recursos disponíveis na Página Oficial

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Poema da Semana: Tenho um orgulho profundo no vento, por João Soares

Strandbeesten (animais da praia) de Theo Jansen

O artista holandês Theo Jansen cuja fantasia e beleza das suas criaturas animadas pelo vento, inspiraram-me a escrever este poema que vos canto, escrito esta semana, no dia 6 de Novembro de 2006.
Biografia: Theo Jansen

Tenho um orgulho profundo no vento
O vento traz
Os ramos de sal do mar
Que nos acolhe e nos envolve em ar
Em barcos de atmosfera
Em frutos de chuva, por vezes

Ah o vento
Essa máquina de ar, terra, fogo e água
O vento traz
As lições das dunas
E da fome
Ou avisa as tormentas e tornados
O vento leva o meu sopro
Que toca em beijo num colibri
Que beija outra criança
Que adormece na rocha
Ou o meu beijo cristalizado na areia
Ou perto das estrelas

O vento leva as manhãs dos lençóis
De uma cidade a acordar

O vento leva
E é testemunha do último suspiro do leão e do homem

Rogo-te ó vento
Faz chegar a mais portos
A mais campos e a mais cidades
Traz de países distantes
A boa nova
Avisando o fim da violência, da guerra
E a entrada do Amor e da Paz

Vento,
Meu companheiro,
Meu suave
E valente
Vento

João Soares, 6/11/06

Se o vento é importante para as árvores, flores, insectos e aves...então o vento pode e deve ser um meio de comunicação privilegiado e acima de qualquer tecnologia, definido mudanças entre os humanos. Pois sejamos nós esses ventos......de AMOR e CUIDADOS entre todos nós e pela Terra que nos abriga, um planeta original.
Bjork - All is Full of Love