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domingo, 9 de agosto de 2026

A IA não é o maior problema de cibersegurança. São as pessoas

Os casos de Inteligência Artificial (IA) a escapar dos laboratórios, a infiltrar-se noutras empresas e a tentar enganar pessoas têm sido notícia nas últimas semanas. E, num desses casos, modelos de IA chegaram mesmo a trabalhar em conjunto para escapar dos seus ambientes de teste.

Significa isto que as máquinas estão a tomar conta de tudo? Não propriamente.
A IA não é a mente por detrás das ameaças cibernéticas mais disseminadas atualmente; são as pessoas que podem utilizar a IA de forma maliciosa - e para fins maliciosos. A IA deu aos agentes mal-intencionados um poder enorme, permitindo-lhes criar software malicioso, investigar alvos, elaborar esquemas convincentes e automatizar ataques a uma velocidade sem precedentes.

Um em cada quatro ataques que resultaram em violações de dados foi impulsionado por IA entre fevereiro de 2025 e março de 2026, segundo um relatório da IBM. E os norte-americanos perderam mais de 893 milhões de dólares (cerca de 775 milhões de euros) em burlas relacionadas com IA no ano passado, segundo o FBI.

Mas os especialistas dizem que os agentes de ameaça do mundo real - isto é, as pessoas - continuam a ser quem controla tais acontecimentos. Os agentes de IA apenas têm perpetuado métodos de ataque já existentes, como o phishing e as burlas com malware, em vez de criarem métodos totalmente novos.

“São os seres humanos que temos de vigiar”, alerta Oren Etzioni, professor emérito da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e antigo CEO do Allen Institute for Artificial Intelligence. “A IA é apenas a ferramenta.”

A IA a agir de forma descontrolada
Alguns incidentes recentes mostraram aquilo de que a IA é capaz no mundo real, e não apenas em teoria, alimentando receios de que a tecnologia esteja a avançar demasiado depressa.

Em julho, modelos de teste da OpenAI (criadora do ChatGPT) ultrapassaram as suas limitações e invadiram os sistemas de outras empresas durante uma avaliação interna.

Dias depois, a Anthropic (criadora do Claude AI) afirmou ter descoberto que os seus modelos de IA tinham conseguido entrar nos sistemas de três empresas durante os testes.

Num teste separado, o modelo mais avançado da Anthropic utilizou identidades falsas para tentar enganar pessoas reais, segundo revelaram recentemente investigadores do AI Security Institute do Reino Unido.

Um dos modelos de IA da Meta (‘dona’ do Facebook, Instagram e WhatsApp) também conseguiu entrar numa empresa externa, informou a gigante das redes sociais.

Estas intrusões também demonstram como a IA pode ser imprevisível ao interpretar instruções. Os modelos da OpenAI, por exemplo, estavam a tentar realizar um teste de cibersegurança quando saíram do seu ambiente de teste e invadiram outra empresa, apesar de não terem recebido instruções para o fazer.

Patrick Fussell, responsável global pela simulação de adversários na IBM, comparou a IA a um génio.

“Queremos pedir-lhe um desejo, mas temos de ser muito, muito específicos quanto aos detalhes desse desejo”, diz à CNN. “Caso contrário, as coisas podem acabar por correr mal”, continua, em tom de aviso.

Mas estes casos também ocorreram em circunstâncias muito específicas.

A OpenAI desativou restrições que teriam impedido o seu modelo de “realizar atividades cibernéticas de alto risco”. A Anthropic realizou os seus testes sem as salvaguardas de segurança padrão presentes nos modelos disponibilizados ao público em geral. O AI Security Institute também desativou determinadas ferramentas que poderiam ter “reduzido o âmbito” das capacidades dos modelos.

Por norma, os investigadores fazem isto para avaliar plenamente as capacidades de um modelo.

“Eu não poderia entrar no ChatGPT ou no Claude, ou em algo semelhante, e isso, acidentalmente, invadir o FBI. Isso não vai acontecer”, adianta Adam Meyers, responsável pelas operações de combate a adversários na empresa de cibersegurança CrowdStrike. “O que estamos a ver é que estes testes são realizados em condições específicas, nas quais se monitoriza para perceber: ‘Será que isto faz algo que não era suposto fazer?’”

Como os hackers estão a utilizar a IA
Segundo os especialistas, a IA não está a agir de forma autónoma para conceber novos ataques. Em vez disso, está a ajudar os cibercriminosos a implementar técnicas já existentes muito mais rapidamente, tornando-as mais eficientes e eficazes.

Isto pode incluir a utilização de IA para analisar o site de uma empresa e descobrir quem deve ser visado, ou a utilização de um agente de IA para conduzir as primeiras negociações com uma vítima de extorsão informática. Os agentes de IA conseguem imitar conversas humanas, tanto através de texto como até de vozes específicas. Hackers com poucos conhecimentos técnicos podem agora recorrer à IA para executar esquemas sofisticados.

“Estão a utilizar a IA para melhorar a metodologia dos ciberataques, essencialmente, em todas as diferentes fases, mas continua, de certa forma, a ser uma atividade conduzida por seres humanos”, afirma Jud Dressler, responsável pelo centro de operações de risco da seguradora especializada em cibersegurança Resilience.

Segundo Meyers, antigamente os agentes mal-intencionados criavam à pressa scripts básicos - pequenos programas com instruções destinadas a automatizar tarefas - para atingir os seus objetivos. Agora, porém, conseguem produzir trabalho de maior qualidade que parece ter demorado três vezes mais tempo a desenvolver.

Também utilizam IA para tarefas que acontecem nos bastidores, como gerar a infraestrutura necessária para criar sites maliciosos.

“Com a IA, podem automatizar essa construção e, por isso, o custo de reconstrução tornou-se muito baixo. E isso muda as regras do jogo”, afirmou Rob Lefferts, vice-presidente corporativo de proteção contra ameaças da Microsoft.

A maior ameaça
Para Etzioni, os incidentes recentes são um momento de “canário na mina de carvão” para a IA e a cibersegurança - uma expressão que significa um importante sinal de alerta. E não é o único a pensar assim: Geoffrey Hinton, cientista informático galardoado com o Prémio Nobel e conhecido popularmente como o ‘padrinho da IA’, alertou recentemente para a probabilidade de surgirem mais ataques realizados por IA de forma descontrolada.

Os relatos sobre IA a agir de forma descontrolada reforçam a importância de implementar boas práticas de cibersegurança, como corrigir vulnerabilidades, monitorizar os agentes de IA no local de trabalho e estar atento a burlas de engenharia social e phishing, dizem os especialistas.

Mas, por mais avançada que a IA esteja a tornar-se, continua a ser um programa orquestrado por um ser humano. E são esses seres humanos que constituem a maior preocupação, porque são eles que tomam as decisões - como realizar operações de espionagem ou enganar utilizadores para lhes retirar enormes quantias de dinheiro - afirma Meyers.

As gigantes tecnológicas estão numa corrida para tornar a IA tão inteligente quanto os seres humanos, um marco teórico conhecido como “inteligência artificial geral” (AGI). Os incidentes recentes, contudo, intensificaram os apelos a um abrandamento do desenvolvimento.

Mais de 1200 trabalhadores de grandes empresas de IA, incluindo Dario Amodei, CEO da Anthropic, assinaram recentemente uma carta aberta a apelar ao governo norte-americano para ajudar a definir o ritmo do desenvolvimento da IA. A Casa Branca reuniu-se recentemente com grandes empresas de IA para discutir um quadro que permitiria ao governo analisar determinados modelos de IA antes de estes serem disponibilizados.

Muito provavelmente, os investigadores de cibersegurança já consideraram as ameaças associadas à AGI, porque as pessoas que trabalham nesta área tendem a ser paranoicas, adianta Fussell, da IBM. Mas ainda estamos muito longe de uma realidade em que os agentes de IA sejam tão inteligentes quanto os seres humanos, continua.

“É como perguntar a alguém: ‘Como seria viver noutro planeta?’”, exemplifica, continuando: “Conseguimos imaginar, de certa forma, mas está tão para além da nossa capacidade que é realmente difícil fazer um plano.”

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Diretora do Google DeepMind diz que risco de extinção por IA 'não é zero'


A possibilidade de a inteligência artificial (IA) representar um risco existencial para a humanidade continua a preocupar parte dos principais nomes do setor. A diretora de operações de IA da Google DeepMind, Lila Ibrahim, afirmou que a hipótese de a tecnologia provocar a extinção da humanidade "não é zero", embora tenha ressaltado que qualquer estimativa além disso seria apenas um palpite. Ao mesmo tempo, a executiva contestou previsões otimistas de empresários como Elon Musk sobre o futuro da IA.

Em entrevista à revista Fortune, Ibrahim lembrou que assinou, em 2023, a declaração do Center for AI Safety que defendia que o risco de extinção causado pela IA deveria ser tratado com a mesma prioridade de ameaças como guerras nucleares e pandemias.

Três anos depois, ela afirmou que mantém a mesma posição. "Não é zero", disse sobre a possibilidade de um cenário extremo. "Qualquer coisa além disso é apenas um palpite meu, é a engenheira em mim." Segundo a executiva, "seria irresponsável da nossa parte não falar sobre o risco existencial”.

Debate sobre riscos e oportunidades
Ibrahim afirmou que o avanço acelerado da IA exige que empresas e governos discutam não apenas as oportunidades, mas também os possíveis impactos negativos da tecnologia. Para ela, uma das lições deixadas pela pandemia foi que ameaças de grande escala nem sempre são previsíveis.

A executiva também afirmou que a indústria de tecnologia falhou, no passado, ao não debater suficientemente os riscos associados à expansão da internet e das redes sociais. "As duas coisas que me tiram o sono são: estamos a fazer tudo o que podemos para mitigar os riscos? E estamos a fazer tudo o que podemos para maximizar as oportunidades? Na minha opinião, essas duas coisas andam de mãos dadas", afirmou.

As declarações de Ibrahim somam-se às de outros investigadores e executivos que já manifestaram preocupação com os impactos da IA. Geoffrey Hinton, conhecido como um dos "padrinhos da inteligência artificial", estimou anteriormente entre 10% e 20% a hipótese de a humanidade ser extinta nas próximas décadas em consequência da tecnologia.

Já Dario Amodei, diretor da Anthropic e também signatário do manifesto de 2023, afirmou que existe 25% de probabilidade de o futuro ser "muito, muito mau". Antes mesmo da popularização da IA generativa, o físico Stephen Hawking também alertou para os riscos que sistemas avançados poderiam representar.

Na entrevista, Ibrahim também discordou das previsões feitas por Elon Musk sobre uma sociedade em que o trabalho deixaria de existir devido à abundância produzida por robôs e sistemas de IA. O empresário afirmou recentemente que, até 2036, o dinheiro perderia relevância porque produtos e serviços seriam extremamente baratos e os governos distribuiriam um rendimento básico universal elevado. Jeff Bezos, fundador da Amazon, também já projetou que milhões de pessoas viverão no espaço nas próximas décadas.

Para a diretora da Google DeepMind, porém, o ritmo de evolução da IA torna impossível prever com precisão como será o futuro. "Não acho que possamos realmente prever como será o futuro", afirmou à Fortune.

Em vez de apostar em cenários distantes, Ibrahim defendeu que o foco esteja no uso da tecnologia para resolver problemas concretos, como eventos climáticos extremos, resíduos industriais e o desenvolvimento de soluções para doenças. "Prefiro que concentremos a nossa atenção em como usar a tecnologia como ferramenta para maximizar o potencial humano", disse.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

A Guerra da IA e o Mito da Missão: Por que os engenheiros escolhem o dinheiro às custas da ideologia

Anthropic CEO Dario Amodei weighed in on where the AI race is headed in a new essay [2024]

A recente polémica gerada por fugas de informação sobre Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, veio desmantelar a ideia romantizada da "missão ética" no mundo da Inteligência Artificial. Quando se soube do descontentamento do executivo com novos funcionários motivados por salários astronómicos - e não pela causa da segurança tecnológica -, a internet não perdoou. A notícia foi avançada pela AXIOS AI's talent wars have a loyalty problem. Uma fonte familiarizada com o assunto disse ao Axios que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, expressou preocupação com a chegada de novos talentos à empresa motivados pelo salário em vez da missão . Como noticiado pelas reações irónicas ao caso de Dario Amodei, choveram piadas nas redes sociais. Afinal, ver um líder multimilionário parecer chocado com o facto de as pessoas trabalharem a troco de dinheiro gerou tiradas inevitáveis como "Última hora: CEO descobre que os trabalhadores pagam as contas em dólares e não com a missão da empresa". Analistas do setor, como o engenheiro Gergely Orosz, foram diretos à ferida: a Anthropic é das empresas que mais inflaciona os salários para desviar talentos da Google ou da Meta. Se o objetivo era testar a devoção ideológica dos candidatos, bastava pagar abaixo da média do mercado e ver quem sobrava.

No fundo, esta tensão salarial é apenas o sintoma visível de algo muito maior. No relatório oficial da tecnológica sobre a sua posição relativamente aos modelos de pesos abertos (open-weights), o próprio Dario Amodei deixa claro que a corrida à IA se tornou uma questão de soberania e segurança nacional contra potências como a China. É esta pressão geopolítica que força as grandes empresas a disputar os melhores cérebros do mundo a qualquer custo, criando um fosso gigante entre os discursos públicos dos executivos e os bastidores do mercado.

Esta batalha pelo futuro da tecnologia dividiu as figuras de topo do setor em duas filosofias opostas:

De um lado, os líderes norte-americanos dividem-se entre o controlo e a abertura.
  1. Dario Amodei (CEO da Anthropic) defende modelos fechados para travar a espionagem e o contrabando de chips;
  2. Sam Altman (CEO da OpenAI) continua a puxar pela escala gigante e proprietária, pagando pacotes milionários para reter a equipa;
  3. Mark Zuckerberg (CEO da Meta) aposta as fichas todas no código aberto com o Llama para travar o monopólio dos concorrentes; e
  4. Jensen Huang (CEO da Nvidia) incentiva o ecossistema aberto, garantindo que a procura por semicondutores continua em alta.
Do outro lado, a resposta da China tem sido fulminante.
  1. Liang Wenfeng (Fundador da DeepSeek) chocou Silicon Valley ao provar que é possível criar modelos de topo com uma fração do orçamento americano;
  2. Yang Zhilin (CEO da Moonshot AI) destaca-se na corrida aos modelos capazes de processar volumes massivos de texto;
  3. Zhang Peng (CEO da Zhipu AI) lidera a aposta na autonomia tecnológica chinesa;
  4. Eddie Wu (CEO do Alibaba Group) massificou a distribuição da família aberta Qwen;
  5. Liang Rubo (CEO da ByteDance) acelerou a integração da IA nas aplicações de consumo;
  6. Robin Li (CEO do Baidu) mantém a aposta no ecossistema proprietário ERNIE; e
  7. Pony Ma (CEO da Tencent) canalizou o modelo Hunyuan para a máquina do WeChat.
As piadas que dominaram a internet revelam uma verdade desconfortável para os executivos de Silicon Valley: a Inteligência Artificial já não é um debate filosófico sobre salvar o mundo. Tornou-se o centro de uma guerra económica implacável onde o altruísmo serve para o discurso de imprensa, mas é a riqueza geracional que decide quem ganha a corrida aos melhores engenheiros. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

China morde os calcanhares dos EUA na corrida à IA. "A questão é quanto tempo é que esta liderança se vai manter"

A estratégia está longe de ser de agora. Começou há duas décadas e está a dar cada vez mais frutos. Só no último mês, multiplicaram-se as notícias de que a China ocupa o lugar cimeiro numa série de setores de Investigação & Desenvolvimento, da produção de chips avançados ao registo de patentes, da exploração espacial à matemática.

O desenvolvimento científico e tecnológico tem sido de tal forma que, numa sondagem do Pew Research publicada no mês passado, um número recorde de norte-americanos considerou que o líder global em Inteligência Artificial (IA) é a China e não os EUA, com mais de um terço dos inquiridos a considerar isso mesmo, contra apenas 12% que consideram que são os Estados Unidos quem vai à frente nessa corrida. Esta perceção, contudo, não corresponde à realidade, ressalta Bernardo Forbes Costa, professor da Nova School of Business and Economics especializado em ciência de dados e IA.

“Temos de ser claros: ao dia de hoje, a dominância no que toca à Inteligência Artificial reside nos Estados Unidos, o líder mundial são os EUA, em particular os laboratórios da Anthropic e da OpenAI, isso é claro para toda a gente”, garante o especialista. “A questão é quanto tempo é que isto vai durar e se realmente essa liderança se vai manter ao longo do tempo ou se vai haver dispersão", contrapõe. "Acho que há dinâmicas nesse sentido e há, sem dúvida, uma corrida a acontecer.”

A corrida está a ser tão frenética e a liderança dos EUA está tão ameaçada que, no espaço de uma semana, o The Guardian dedicou dois longos artigos ao assunto, referindo num primeiro momento a “dor de cabeça para Silicon Valley” enquanto a China “reduz a vantagem em relação aos EUA na corrida à IA” e, dias depois, como o debate sobre o futuro da IA está a “dividir Silicon Valley à medida que a China ganha terreno”.

Trump mostra decreto a lançar a Iniciativa IA, integrada num plano de ação de 5 mil milhões de dólares focado na desregulação do setor e no investimento em infraestruturas; ao mesmo tempo, está em curso um debate interno na administração norte-americana sobre os riscos associados a essa desregulação. 

“Se nós pensarmos no que gera valor para um país, temos três fatores – tecnologia, trabalho e capital - e quando falamos de IA, estamos a falar da primeira componente enquanto multiplicadora das outras duas”, explica Forbes Costa. “Quem tem maior acesso ao mesmo nível de capital e trabalho, e acesso a uma maior capacidade de tecnologia, tem um multiplicador maior e as suas economias irão crescer. É, sem dúvida, uma vantagem competitiva gigantesca - e o que a China fez foi dizer ‘OK, vamos competir, vamos tentar destronar os EUA e os laboratórios que estão na fronteira’, apostando no custo e na eficiência, fornecendo alternativas muito baratas ou praticamente gratuitas, modelos baratos e eficazes, para criar pressão competitiva nestes laboratórios e, por conseguinte, na economia americana, enquanto nos EUA a estratégia foi ‘vamos tentar ter o melhor modelo pelo preço mais caro’.”

Com ecos de estratégias passadas, em que a China conseguiu, em pouco tempo, tornar-se competitiva produzindo o mesmo que o Ocidente mas com custos mais baixos, a rota rumo à dominância em Inteligência Artificial está a começar a dar frutos. E os EUA estão preocupados. Há poucos dias, o Axios noticiou em exclusivo “a batalha secreta da administração Trump para combater a IA chinesa”, com base em “sinais” vindos do governo federal de que “poderá banir os modelos chineses de IA de ponta – uma medida de grande impacto que poderá consolidar o domínio da OpenAI e da Anthropic”.

Também esta intenção não é uma novidade, tendo em conta os esforços da administração Trump ao longo de 2025 para limitar ou proibir o acesso de laboratórios de IA chineses ao mercado norte-americano. De acordo com fontes ao Axios, no ano passado o Departamento do Comércio considerou incluir esses laboratórios na sua “Lista de Entidades”, uma medida que, na prática, bloquearia o acesso dos EUA aos mesmos sem uma licença, e a Agência de Segurança Nacional (NSA) e o gabinete do Diretor Nacional de Cibernética da Casa Branca também ponderaram emitir um alerta sobre as ameaças que estes laboratórios chineses representam, na prática desencorajando as empresas norte-americanas de utilizarem tecnologias norte-americanas.

Nada disso chegou a acontecer até dezembro, mas meio ano depois os esforços ganharam novo fôlego perante o lançamento do modelo Kimi 3 pela chinesa Moonshot IA há duas semanas. O modelo gerou uma tal procura que, em poucos dias, a empresa teve de suspender novos registos, fazendo deflagrar novas preocupações entre alguns funcionários do governo Trump e um choque destes com outros mais pró-competitividade.

“Autoridades governamentais ansiosas por evitar que as regulamentações sufoquem a inovação puseram a fim a todos estes esforços [mas] vozes importantes como a do ex-conselheiro da Casa Branca Siriam Krishnan abandonaram entretanto os seus cargos, e os defensores de uma postura mais conservadora em relação à segurança nacional tornaram-se mais incisivos”, escreve o portal de notícias. “Com esta mudança de pessoal – juntamente com a ascensão de empresas tecnológicas chinesas mais poderosas e novos receios em relação à cibersegurança – o movimento de proibição está novamente a ganhar força.”

Fonte aberta: benefícios vs. riscos
Estes esforços serviram de pano de fundo à carta aberta que uma série de tecnológicas norte-americanas, com a Microsoft à cabeça, publicaram no final de julho a defender a necessidade de ter uma IA de código aberto. Apenas a Anthropic não subscreveu a missiva. E mesmo dentro dos laboratórios há quem não concorde com a posição . caso de Dean W. Ball, diretor de futuros estratégicos na OpenAI, que recorreu à X para argumentar que abraçar a chamada IA de open-weights só iria beneficiar a China e conduzir ao “comunismo pleno da IA”.

“É interessante ver empresas, nomeadamente americanas, a apoiar esta posição”, refere Bernardo Forbes Costa. “Esta discussão sobre open-weight não é nova nem exclusiva da IA, sendo a premissa a de que, se a ciência, por exemplo, for aberta, e estiver disponível para todos, isso promove o desenvolvimento científico e gera valor para a sociedade como um todo”, adianta, dando como exemplo as vacinas contra a Covid-19, que envolveu um “esforço aberto a nível mundial para colaborar e partilhar patentes”, tornando mais rápido o acesso à inoculação.

Enquanto especialista em IA e ciência de dados, Forbes Costa ressalta que esta aposta “não iria beneficiar só a China, mas também as empresas privadas, como a NVIDIA, a IBM, a Microsoft, em primeiro lugar porque vendem infraestrutura, ou seja, o modelo existe e é acessível, mas é preciso computação – havendo mais necessidade de modelos de IA, há mais necessidade de infraestrutura e de computação, o que faz com que estas empresas ganhem com isso”.

O laboratório norte-americano da Anthropic, que lidera a corrida da IA juntamente com a OpenAI, foi a única que não subscreveu a carta aberta divulgada em julho, na qual as tecnológicas pedem que se evite a "sobrerregulação" do setor e se aposte em modelos de fonte aberta. 

Mas isso, assume o especialista, acarreta os seus riscos, o que, em parte, explica a posição da equipa de Trump. “Se tivermos uma administração que é agressiva, se calhar mais nacionalista, que é mais protecionista daquilo que são os interesse americanos, e sendo este um fator determinante para o mercado económico global, vai ser uma prioridade e vamos ter uma abordagem mais protecionista destes fatores tecnológicos, pelo que não me surpreende que seja essa a postura.”

«Ainda assim, Forbes Costa contrapõe que existem formas de proteger os interesses fomentando a IA open-weight, porque “não temos necessariamente de disponibilizar tudo, nem de pôr de lado a vantagem competitiva das empresas americanas, podemos simplesmente ter quase como se fossem vários níveis de abertura com suficiente capacidade mas cientes dos riscos que pode ter para a sociedade”, argumenta. “É tal qual como termos uma fórmula química altamente aberta, com certeza haverá malfeitores que irão usar essa fórmula para criar armas químicas, neste caso cometer crimes com os modelos em particular. E portanto o que é preciso é regular.”

Aqui entra na equação a União Europeia que, sendo “uma região francamente muito pobre em termos de progresso tecnológico no que toca à IA”, não só teria a ganhar com tecnologia de fonte aberta, como já tem regulação implementada para acautelar potenciais riscos. Este domingo entrou em funcionamento uma unidade da Comissão Europeia criada há dois anos para reforçar ainda mais a regulação do setor, com um arsenal de poderes regulatórios destinados a supervisionar as ações de gigantes da IA, como as norte-americanas OpenAI e Anthropic, mas também das suas concorrentes chinesas, como a Moonshot e a Deepseek.

As frentes de batalha da administração Trump
A partir de agora, se os reguladores da UE não aprovarem determinadas ações das tecnológicas, terão o poder de aplicar multas e até mesmo bani-las do mercado comum, no âmbito do chamado AI Act, que Forbes Costa considera como “um conjunto de regulamentações muito exigente e sem cooperação total com o que se pratica nos EUA” – mas que tem levado a crescentes pressões da administração Trump sobre a UE para desregulamentar o setor.

“É preciso dar o devido valor à UE por ser organizada, por ter tido esta iniciativa de garantir que, sim, o processo existe, mas há gestão do seu impacto na sociedade, isso é excecional e realmente mostra que os valores europeus são fortes e benéficos para todos”, ressalta o especialista português. “Mas há aqui esta outra questão da competitividade que é preciso ter em conta, porque a cautela tem um custo – se realmente vivemos num mercado global em que todos temos acesso a uma ferramenta que existe, e que no caso foi feita nos EUA, o facto de irmos devagar ou com mais cautela prejudica-nos”.

Da mesma forma, também tem havido pressões vindas do outro lado do Atlântico para negociar com os EUA em detrimento da China, apesar de os chineses fornecerem alternativas igualmente boas mas mais baratas numa série de setores, como o dos carros elétricos – só em Portugal há seis marcas chinesas a circular, como ressalta Forbes Costa.

Há um ano, quando o governo português e a chinesa CALB anunciaram um enorme investimento em Sines para construir uma fábrica de baterias de lítio, Daniel S. Hamilton, do Diálogo Transatlântico sobre Comércio, Tecnologia e Segurança, já tinha ressaltado à CNN Portugal que “cada lado [EUA e UE] aborda a China a partir de uma posição estratégica diferente, com instrumentos e prioridades diferentes”. E isso também se aplica à IA.

Fontes dizem à Reuters que EUA e China vão discutir Inteligência Artificial antes da cimeira entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para 24 de setembro na Casa Branca; os detalhes desse encontro técnico ainda não são conhecidos.

Há duas semanas, cinco fontes com conhecimento das políticas da administração disseram à Reuters que os EUA e a China vão realizar conversações sobre IA em setembro, antes de uma antecipada cimeira entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca marcada para o dia 24 do mesmo mês. “À medida que as superpotências procuram formas de mitigar os riscos representados pelos modelos de fronteira – cada vez mais poderosos – desenvolvidos por ambos os lados”, refere a agência, “Pequim e Washington estão a avaliar como regular modelos avançados de IA que poderiam fortalecer as capacidades militares, viabilizar ataques cibernéticos a infraestruturas críticas e perturbar os mercados de trabalho”.

Quatro das cinco fontes dizem que este encontro vai ser liderado por Scott Bessent, o secretário norte-americano do Tesouro, com outras três a referirem que nada está ainda decidido - nem as identidades dos restantes participantes de ambos os lados, nem a agenda ou o local onde as conversas terão lugar. Questionado sobre o que Trump pretende debater com Xi na cimeira de finais de setembro após um encontro com o seu homólogo chinês na semana passada, o secretário de Estado de Trump escusou-se a adiantar informações, dizendo apenas que o objetivo é definir potenciais áreas de cooperação.

“O trabalho que precisamos de fazer agora, em setembro, é identificar quais são essas áreas, para que possamos lançar as bases para uma visita muito positiva, falámos muito sobre isso”, disse Marco Rubio aos jornalistas à saída da reunião com Wang Yi. “Há áreas de grandes divergências. Ambos os lados reconhecerão isso. Teremos de trabalhar nestas questões, e penso que essas diferenças existirão num futuro próximo. Obviamente defenderemos sempre os nossos interesse nacionais, e antecipo que eles façam o mesmo, da forma que os definem, mas penso que existem algumas áreas de potencial cooperação.”

Os media estatais chineses e os comentadores têm pintado a cimeira Trump-Xi de setembro como fruto dos receios dos EUA de que a China venha a ganhar vantagem na corrida global da IA. E com Pequim a morder-lhe os calcanhares, Washington está empenhado em fazer de tudo para manter a pole position na corrida mais importante e frenética desta era. A questão é que nada garante que vá continuar ao leme.

“Havendo esta iniciativa de openweight, de disseminação da tecnologia, mais depressa esta vantagem competitiva dos laboratórios norte-americanos se pode espremer e ficar cada vez mais reduzida, porque havendo mais modelos abertos e esse conhecimento gratuito acessível a todos, mais depressa a China pode convergir”, ressalta Bernardo Forbes Costa. “É por isso que a carta aberta, subscrita por algumas empresas, como a OpenAI, quase que de forma silenciosa, é tão interessante - e as medidas que a administração Trump está a ponderar surgem quase como uma contramedida face à disponibilização destes modelos de fonte aberta”.

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sábado, 1 de agosto de 2026

Abrandar ritmo e CEO de IA? Líder da OpenAI mudou opiniões

Numa recente participação num podcast, Sam Altman, o cofundador e CEO da OpenAI, mostra que - em menos de um ano - mudou de opinião em relação a dois assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento de Inteligência Artificial.

CEO da OpenAI, Sam Altman, marcou presença no mais recente episódio podcast Invest Like the Best e afirmou que estava na altura de abrandar o desenvolvimento de Inteligência Artificial. As declarações contrastam com aquela que tem sido a posição defendida até aqui pelo líder da empresa responsável pelo ChatGPT.

“Talvez tenhamos de abrandar o ritmo de desenvolvimento de Inteligência Artificial para termos tempo suficiente, enquanto sociedade, para nos adaptarmos a alguns destes novos níveis de capacidade”, afirmou Altman, notando que ainda não sabe ao certo como este abrandamento poderia ser atingido.

A posição é um pouco diferente daquela que Altman defendeu há poucos meses, nomeadamente durante a sua participação na conferência US Infrastructure Summit da BlackRock, que teve lugar em março deste ano.

Nesta conferência, Altman falou sobre o facto de a Inteligência Artificial não ser uma tecnologia muito popular nos EUA, afirmando que está a ser culpada por praticamente todos os problemas - incluindo os despedimentos que têm sido feitos nos últimos meses em empresas tecnológicas.

No entanto, o CEO da OpenAI considerou que era importante seguir em frente no que diz respeito ao desenvolvimento de Inteligência Artificial, apontando que um abrandamento do ritmo poderia significar que os EUA ficariam para trás no que diz respeito à inovação.

“Se não avançarmos tão rapidamente como outros países na adoção [e Inteligência Artificial], penso que perderemos a vantagem que temos por sermos a potência económica que somos”, notou Altman na conferência. “E isso depende da rapidez com que as empresas a adotam. Depende da rapidez com que os nossos cientistas a adotam, da rapidez com que o nosso governo a adota”.

O CEO da OpenAI declarou ainda que “esta é uma oportunidade única em muitas gerações para realmente melhorar a economia” e de “reescrever algumas das regras da sociedade que não estão a funcionar à luz desta nova e incrível fonte de riqueza”.

IA a liderar empresas? Sam Altman volta a contradizer-se
No mesmo episódio deste podcast, Altman voltou a mostrar que mudou de mudança de posição em outro assunto relacionado com Inteligência Artificial. O patrão da OpenAI afirmou em novembro que queria que a empresa fosse a primeira a ser liderada por uma Inteligência Artificial.

Mais ainda, conta o site The Next Web que Altman chegou a afirmar que seria uma vergonha se a OpenAI não fosse a primeira empresa a ter uma Inteligência Artificial como CEO.

“Seria uma vergonha para mim se a OpenAI não fosse a primeira grande empresa a ser liderada por um CEO de Inteligência Artificial”, afirmou Altman em conversa no podcast Conversations with Tyler, em novembro de 2025.

Agora, no podcast Invest Like the Best, Altman reconheceu que, afinal, ninguém quer ser liderado por uma Inteligência Artificial.

“Penso que, no meu caso, por exemplo, o mundo quer saber quem será responsável pelas decisões da empresa, quem será responsabilizado no caso de as decisões serem más e ninguém quer uma IA como CEO”, notou o líder da OpenAI.

Ler mais:
Dois modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI que escaparam autonomamente do ambiente controlado em que eram testados para atacar o site Hugging Face também se infiltraram noutras plataformas, revelou a empresa.

O cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, foi um dos mais recentes convidados do podcast “Relentless” e admitiu que ficou viciado no TikTok. O que começou com apenas 10 minutos de utilização antes de dormir, acabou por se transformar em várias horas de utilização contínua.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Superinteligência Artificial chega em breve e deve ser acessível a todos, afirma Mark Zuckerberg



O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, colocou a busca pela superinteligência artificial como o grande objetivo atual da empresa. Num artigo escrito para o The Wall Street Journal e publicado nesta terça-feira (28), o executivo reforçou a aposta e explicou ainda como a humanidade deve lidar com esta tecnologia.

Também conhecido pela sigla ASI (Artificial Superintelligence) em inglês, este é o sistema previsto para ser capaz de superar por uma grande margem a inteligência e a capacidade cognitiva de qualquer ser humano - isto em todas as áreas possíveis, incluindo raciocínio, criatividade e resolução de problemas.

O texto reflete as apostas corporativas da empresa dona do Instagram, WhatsApp e Facebook, além de líder em óculos inteligentes. Desde o ano passado, a empresa separou a divisão de inteligência artificial (IA) em diferentes frentes e estabeleceu o laboratório Meta Superintelligence Labs (MSL) como prioridade.

A seguir, destacamos os principais tópicos do artigo de Zuckerberg. O texto traz uma perspetiva otimista, mas que também aponta quais são os possíveis riscos deste futuro.

1. Ela está mesmo a chegar (e será incrível)
Logo no início do texto, o CEO refere que somos privilegiados como sociedade por "viver num momento incrível da história". Segundo ele, a dita superinteligência chegará dentro de alguns anos, embora não tenha sido indicado um prazo mais específico.

"As pessoas poderão utilizar uma superinteligência que supera a capacidade humana para criar e descobrir coisas novas e extraordinárias, construir novos negócios, expressar ideias, aprender novos conceitos e melhorar as suas vidas, saúde, relacionamentos e carreiras", diz Zuckerberg.

2. A superinteligência deve ser acessível
O principal tópico do texto envolve a distribuição da tecnologia. Para o CEO, de nada serve ter tantos recursos criados se eles não puderem ser utilizados pelo maior número possível de pessoas.

"Alguns argumentam que a própria superinteligência, ou um pequeno grupo de especialistas que a controla, deveria decidir o que é melhor para a humanidade. Eu discordo. Ela tem o potencial de iniciar uma nova era de capacitação pessoal, na qual os indivíduos têm maior liberdade para perseguir os seus interesses e alcançar o seu pleno potencial", explica.

Como exemplo, ele comentou como seria injusto se apenas uma pessoa no mundo tivesse um advogado "superinteligente", enquanto o cenário em que todos tivessem esse recurso resultaria numa justiça feita de forma muito mais eficiente.

3. Ele não entende as críticas contra a IA
Zuckerberg também se disse surpreendido ao notar que o discurso de muitas pessoas envolvidas com IA é "carregado de pessimismo apocalíptico". Ele discorda de quem acha que a IA vai eliminar a maioria dos empregos e que grande parte da relevância da humanidade seria prejudicada nesse cenário.

Zuckerberg refere também que isso pode criar um precedente delicado em termos de regulação. "A ideia de que a IA é tão perigosa ao ponto de o único caminho seguro ser uma concentração extrema de poder parece, ela própria, perigosa", escreve.

4. Existem riscos de segurança
Do ponto de vista da proteção contra riscos e utilizações mal-intencionadas, o executivo defende que não há uma fórmula única sobre como lidar com a superinteligência em todos os casos.

Em áreas como a cibersegurança, ele acredita que o software de código aberto "demonstrou que conceder a todos acesso total a sistemas poderosos é a melhor forma de garantir a segurança ao longo do tempo" - um passo que a Meta seguiu ao lançar os sistemas Llama mais abertos e ao associar-se à recente aliança no setor de IA.

Contudo, ele também acredita na necessidade de intervenção do Estado em determinados momentos. "No que diz respeito a outros riscos, incluindo os de natureza biológica, será benéfico haver uma maior coordenação entre governos e outras instituições quanto à implementação responsável de modelos de alta capacidade", explica.

5. Os trabalhos vão mudar (e aumentar)
Por fim, Zuckerberg acredita que a superinteligência deve ser usada para ajudar a inventar, e não para automatizar tarefas. Ele afirma que a humanidade sempre progrediu mais quando existiu "poder nas mãos das pessoas para que elas possam perseguir as suas próprias aspirações".

"À medida que todos obtêm ferramentas mais poderosas, cada pessoa tornará mais capaz de moldar o futuro, e não menos", defende o executivo. Exemplos citados por ele vão desde a descoberta de medicamentos até formas de melhorar um negócio.

"Será significativamente mais fácil começar negócios sem angariar grandes quantias de capital. Eu espero que a economia se torne mais empreendedora, com um número maior de pessoas a trabalhar em pequenas empresas em vez de grandes companhias", prevê.

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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Alguns gigantes da Inteligência Artificial estão a comprar lotes de milhares de livros antigos simplesmente para os copiar - e eliminar de seguida


A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros reporta um aumento de 3,2 milhões de livros nas vendas do primeiro trimestre de 2026. No segundo trimestre, as vendas voltaram a cair, mas ainda assim venderam-se mais de três milhões de livros.

Sim, as pessoas ainda leem. Mesmo retirando as leituras obrigatórias, como manuais escolares e afins, as pessoas ainda dão valor ao ato físico de ler e folhear um livro, mas há quem esteja a comprar milhares de livros simplesmente para os eliminar. Alguns gigantes da IA que estão a comprar lotes de milhares de livros antigos simplesmente para os copiarem e eliminar de seguida [Fonte 1] [Fonte 2] [Fonte 3]. O caso é tão grave que Elon Musk já se apressou a dizer no X que deu ordens para a sua empresa não destruir livros raros nos processos de digitalização.
Se por um lado o mercado de livros usados encontrou compradores massivos que "atiram a tudo o que mexe", transformando um negócio moribundo num negócio extremamente lucrativo, também é verdade que estas empresas não estão meramente a comprar livros para guardar em estantes bonitinhas de uma livraria qualquer. Estas empresas estão a comprar livros para lhes passarem uma guilhotina nas lombadas, colocar em digitalizadores rápidos, copiar página a página e no final tratar o papel como nos recomendam que tratemos: enviar para reciclagem.

Morte ou perpetuidade?
Se é um fato que os livros digitalizados podem garantir mais perpetuidade do que livros numa arrecadação a apodrecer com humidade ou a serem devorados por ratos, também é verdade que podemos nunca mais ter acesso às histórias completas desses livros se a velocidade com que são destruídos for muito maior do que a velocidade com que os ratos os roem.

Estes processos de digitalização não são propriamente projetos de preservação e restauro. Quando estas empresas copiam os livros, não estão a criar um novo livro digital, nem nada parecido. O que estão a fazer é a aumentar o conhecimento dos seus modelos de IA que mais tarde nos apresentarão interpretações ou respostas com base no que aprenderam nesses livros, o que não quer dizer que nos entreguem alguma vez esse livro na sua forma integral.

E mesmo que existam cópias integrais, nada garante que esse arquivo digital sobreviva. Guardar milhões de páginas digitalizadas em alta resolução custa dinheiro. Armazenamento, manutenção, curadoria, gente a organizar e a catalogar. é dispendioso. Se não houver curadoria suficiente que preserve esse arquivo ainda que digital, é bem provável que estas empresas, por puras razões económicas optem por não o fazer. Um ficheiro que já cumpriu a sua função de treino não gera retorno nenhum só por ali estar guardado. O que sobra, nesse cenário, não é o livro nem a sua cópia mas aquilo que o "robot" reteve do treino e da sua própria interpretação do texto. Isso, sim, é uma perda irreversível. Passamos de ter o original para ter, na melhor das hipóteses, um eco eventualmente distorcido dele.

Podemos estar a cometer uma atrocidade cultural ao nível do que aconteceu na Dinastia Qin, na Inquisição Espanhola ou na Alemanha Nazi, eliminando livros em troca de um pret-a-porter que a Inteligência Artificial nos poderá vir, ou não, a dar.

Antecipando as críticas, claro que os propósitos são, de facto, diferentes. Nesses tempos antigos os livros eram destruídos para impedir que o conhecimento chegasse a alguém, destruindo a narrativa desejada. Já uma empresa de IA digitaliza-os para absorver o máximo de conhecimento possível mas as o resultado prático, pode, no final, pode ser semelhante. Em ambos os casos o original desaparece e fica apenas a narrativa que quem ficou com o livro decidiu ou conseguiu reter e transmitir. Um ditador entrega-nos a história reescrita à medida da sua ideologia, uma IA entrega-nos a história reescrita à medida do que o seu treino conseguiu interpretar. Muda a intenção, não muda o efeito: o leitor perde o acesso à obra completa e fica dependente da versão de quem a destruiu.

O livro físico é uma prova física. Um papel é sempre um papel que só se apaga, destruindo. Quando perdermos a referência do papel perderemos a referência do que é incorruptível e do que não é. Quando não tivermos esses livros antigos, não teremos como saber se o que nos estão a dar é o livro, ou se é uma interpretação do livro, ou, ainda pior, se do livro só tem a referência sendo o conteúdo outra coisa qualquer.

Quem será, afinal, o guardião das obras originais quando os livros forem partidos às peças e não soubermos onde está e o que é o todo?

Lembra-se do reCAPTCHA?
Muito provavelmente não sabe mas andámos anos a treinar os algoritmos de IA a interpretar texto sem que sequer nos déssemos conta.

Provavelmente já lhe apareceu, nos testes de segurança de algumas páginas de internet, um texto para "provar que é humano". É o CAPTCHA.

O texto mostra-lhe umas letras quase sempre distorcidas e desalinhadas que pede-lhe que re-escreva o texto. Sempre pensou que fosse o computador a pregar-lhe uma partida, mas não é nada disso. O que o computador está a fazer á a solicitar ajuda humana estatística para identificar textos de documentos antigos ou esbatidos que foram digitalizados. A ratoeira é fácil. Uma palavra ou parte da palavra, é um texto real que o computador conhece. A outra metade é uma foto de um texto antigo digitalizado que o algoritmo não entende e quer perceber o que será. Ao fim de vários milhares de interações, o algoritmo percebe o que os humanos assumem do que leram e fica a digitalização completa.
Imagem do cartaz do filme "Fahrenheit 451", realizado por François Truffaut em 1966. O filme é inspirado no romance homónimo de Ray Bradbury, publicado em 1953. Num futuro distópico, um regime proíbe todos os livros, sendo cada exemplar encontrado queimado. Fahrenheit 451 (equivalente a 233 graus Celsius) é a temperatura a que o papel arde.

Ou seja, de um lado da palavra, o algoritmo valida, com o outro lado, aprende. Sente-se fintado?

Ajudámos o algoritmo, neste caso da Google, a converter milhões de livros e de manuscritos em versões digitais precisas através da nossa interpretação e conhecimento. Mais uma vez ninguém nos explicou antes e mais uma vez a nossa sede de informação foi maior do que o nosso sentido de proteção.

Os grandes fazem-se valer disso.

A IA está a secar
Destruir livros deveria ser um atentado ao património. Destruir livros antigos deveria ser um atentado à humanidade.

Todos sabemos que por questões de eficiência os modelos de aprendizagem da IA não guardam na íntegra toda a informação que vão apreendendo. Ou seja: um modelo de IA não guarda um livro inteiro palavra a palavra. Os modelos guardam a ideia, o conceito e, inevitavelmente, a interpretação deles. Se estas empresas não guardarem os livros na íntegra, o modelo treina-se e vai passando o treino - e não a versão original - de geração em geração do seu algoritmo, fazendo com que se perca a história na íntegra.

As grandes empresas de IA não estão a brincar com os treinos de modelos. Passaram anos a obter informação gratuita na internet. Apanharam jornais, livrarias, bibliotecas, empresas, influencers, redes sociais, enfim, todos nós distraídos, e deixaram os seus modelos a "varrer" literalmente a internet e a caçarem toda a informação que lhes era possível e que ainda por cima era gratuita. Essa foi a base dos modelos que conhecemos mas, e agora?

Depois da implementação da IA dos últimos anos, muitas dessas fontes começaram a ser bloqueadas a robots de IA. Muitos sites instalaram medidas de segurança e já não permitem que sejam abertos por algoritmos. Com isto, os modelos de IA cujo treino assentou em capturar a informação que os humanos já tinham criado e publicado, começam a não ter acesso à última parte da criação atualizada assim como não têm acesso à parte mais antiga da criação humana. Muito provavelmente alguns "robots" não conseguirão ler este mesmo artigo no site da CNN Portugal.

A parte antiga do conhecimento - os livros - estão a querer colmatar com a compra e digitalização de dos mesmos, a moderna ainda se vai ter de resolver mas, quando estivermos bem dependentes da IA, iremos sem pestanejar aceitar qualquer carta de "termos e condições" que lhes permita entrar no nosso computador e ver e até levar tudo o que lá tivermos. É o preço que nos impõem pela inclusão.

Singularidade tecnológica
É precisamente neste apagar da prova física que aceleramos o caminho para a singularidade. No final do dia pode haver uma luta real pelo conhecimento. Ou seja, se a IA absorver todo o conhecimento humano poderá vir a ser a guardiã da sabedoria, o que significa que não precisará dos humanos para aprender porque aprenderá sozinha com base no que já sabe e que é, no limite, tudo o que os humanos já sabem até hoje. Se por outro lado a IA não tiver acesso ao que de novo os humanos criam, tenderá a desligar-se dos humanos ou, em alternativa, a encontrar formas de "roubar" o que não consegue obter deles.

O fundador da OpenAI (Chat GPT) disse esta semana que chegámos perto do ponto da singularidade tecnológica. Ou seja, as máquinas ganham uma "mente" muito mais capaz do que a de qualquer ser humano ou, diga-se, que as máquinas ultrapassam a nossa inteligência.

A nossa sorte ou o nosso azar é mesmo o facto de mesmo estes gurus poderem estar errados. A inteligência não é algo que se possa medir sem contexto nem se garante com todo o conhecimento "scaneado". A inteligência mede-se com base no propósito, na medida em que inteligência é, no fundo, a capacidade de alcançar um propósito. Uma aranha pode ser mais inteligente do que um ser humano se for mais eficaz na forma como concilia os seus dados para alcançar o seu propósito. Quando dizemos que somos o ser mais inteligente à face da terra, não deixa de ser um erro ou mesmo uma audácia.

Se a aranha não tem o propósito de criar um sistema monetário, ou um sistema de saúde ou o que for, a sua inteligência pode extravasar de forma brutal o seu propósito, mas ser infinitamente diminuta para conseguir alcançar o nosso.

O mesmo se aplica à Inteligência Artificial: se o propósito da mesma não é igual ao nosso propósito, como poderemos sequer comparar ambas as inteligências e ainda por cima dizer qual é a maior? E fará sentido criarmos algo mais inteligente do que nós próprios e ainda por cima perdermos a referência integral das obras que fizeram de nós o que somos.

Mais ainda, se na cadeia de predadores a inteligência é sinónimo de topo- não pela dieta e pela biologia, mas pelas ferramentas e pela tecnologia - então acabámos, com todos os nossos livros e escritas, por construir o nosso único predador?

terça-feira, 28 de julho de 2026

Agentes hackers de OpenAI e Anthropic rebelam-se em novos testes


Testes de cibersegurança realizados por um laboratório de inteligência artificial (IA) no Reino Unido resultaram em novos incidentes com agentes de elevadas capacidades. Os incidentes foram registados envolvendo sistemas da OpenAI e da Anthropic.

Quem descobriu os novos hacks foi o AI Security Institute (AISI), uma agência governamental que teve autorização para realizar experiências com modelos de linguagem avançados. Durante uma bateria de testes, tanto o Mythos 5 como o GPT-5.6-Sol comportaram-se de forma inadequada para atingir o objetivo proposto.

Os casos são diferentes, em alvo e formato, dos já registados anteriormente envolvendo as duas companhias: o acesso não autorizado ao repositório Hugging Face e a série de invasões promovida pelas IA da proprietária do Claude.

«Agradecemos a parceria do AISI ao longo deste processo, incluindo o trabalho de identificar, investigar e partilhar detalhes sobre a atividade. Esperamos dar continuidade à nossa colaboração», afirma a OpenAI numa publicação.

Anthropic, por enquanto, emitiu apenas uma breve declaração a agradecer ao AISI «pela liderança no incidente, que confirma a necessidade de uma conversa de maior dimensão sobre como avaliar com segurança agentes de IA cada vez mais capazes».

Como foram os novos ataques
Segundo o relatório de incidente do AISI, os incidentes foram detetados a 28 de julho deste ano. A equipa que controlava as avaliações notou «transferências invulgares de dados» nos servidores e investigou a origem dessas atividades.
  • Ao todo, foram 19 ações maliciosas causadas pelos agentes de IA controlados pelos dois modelos: duas delas pelo GPT-5.6-Sol e as restantes pelo Mythos 5;
  • Todas as IA receberam o mesmo teste: uma tarefa de «capturar a bandeira» (capture the flag), ou seja, resolver um desafio de cibersegurança como se de um especialista no assunto se tratasse e apresentar uma prova de que a ação tinha sido concluída;
  • O caso mais grave envolveu a Anthropic: um dos agentes tentou adicionar código malicioso a um projeto em código aberto (open-source) no GitHub. Para o fazer, criou identidades falsas e utilizou-as para tentar convencer o proprietário da conta a aprovar as modificações - ação que foi recusada antes de ter qualquer impacto;
  • Noutras ações detetadas, um agente chegou a publicar no GitHub a oferecer colaboração para trabalhar com outros agentes que realizavam o mesmo teste, deixando inclusive instruções sobre como fazer progressos.
Ao contrário dos testes anteriores, os agentes tinham acesso convencional à internet e sabiam disso, mas o prompt não sugeria como a rede poderia ou deveria ser utilizada na avaliação. Qualquer filtro de cibersegurança foi também desativado para utilizar a capacidade máxima da IA.

Entidades pedem limites
GitHub e outras organizações envolvidas foram contactadas para remover código que eventualmente tenha ficado pendente. Nenhum dano real foi provocado durante as avaliações, mas o AISI reforça que as descobertas são graves e exigem «atenção imediata».

«Esta é a primeira vez que vemos riscos relacionados com a autonomia e o engano manifestarem-se de forma tão clara, sem um comando específico e no mundo real», refere a organização. Já o CEO da Hugging Face pediu a responsabilização de programadores e empresas de IA que criem bots que realizem atividades maliciosas na rede, mesmo que se «rebelem» durante os testes.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Matemático diz ter usado modelo de IA para refutar problema matemático com 87 anos


Um matemático da Universidade de Harvard afirma ter utilizado um sistema de inteligência artificial da Anthropic para encontrar um contraexemplo à Conjetura Jacobiana, um dos mais antigos problemas em aberto da geometria algébrica. Se o resultado for confirmado pela comunidade científica, poderá pôr fim a um desafio matemático que resistia desde 1939.

O matemático Levent Alpöge anunciou, na noite de domingo, na rede social X, que utilizou o Fable 5, um modelo de IA da Anthropic, para refutar a Conjetura Jacobiana.

Conjetura Jacobiana, o que é?
A Conjetura Jacobiana foi proposta por Ott-Heinrich Keller, em 1939, e afirma que, se uma função polinomial tem um determinante jacobiano que é uma constante diferente de zero (ou seja, o volume e a orientação em torno de cada ponto são perfeitamente preservados), então essa função possui uma função inversa que também é polinomial.

A Conjetura Jacobiana é um dos problemas em aberto mais conhecidos da geometria algébrica e desafia matemáticos há 87 anos. O problema foi incluído nos "Problemas de Smale", uma lista de problemas matemáticos por resolver apresentada pelo matemático Stephen Smale em 1998.

Fable 5 e a alegada refutação da conjetura
Apesar de este problema ter uma história de mais de oito décadas, para o sistema de inteligência artificial avançada Fable 5 não terá sido um obstáculo. Levent Alpöge afirmou, na rede social X, que a Conjetura Jacobiana é, na verdade, falsa, apresentando como prova um pequeno contraexemplo gerado pelo sistema de IA, com apenas 216 caracteres, segundo a New Scientist. O matemático não revelou como o modelo produziu esse contraexemplo.

O Fable 5 é o modelo mais recente de IA da Anthropic. A empresa disponibilizou anteriormente uma versão de demonstração, designada Claude Mythos Preview, mas afirma que as capacidades de cibersegurança do modelo são demasiado avançadas para permitir o seu lançamento para utilização pública.

Descoberta do Fable 5 é um avanço na IA ou na Matemática?
Em declarações ao Mashable, o professor e matemático Andrew Blumberg afirmou: “Isto não alterou as minhas expectativas sobre o que a IA pode ou não fazer.”

Acrescentou: “É exatamente o tipo de coisa que eu esperaria que a IA fosse capaz de fazer. Se existisse um contraexemplo conciso e fácil de formular que as pessoas ainda não tivessem encontrado porque é complicado explorar todas as possibilidades, a IA acabaria por encontrá-lo.”

O professor de Matemática e Ciência da Computação da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, participa no projeto First Proof, uma iniciativa que procura testar as capacidades dos modelos de linguagem de grande escala na resolução de problemas matemáticos de investigação.

"Queremos aprender alguma coisa com a resposta", afirmou.

Apresentar um contraexemplo à Conjetura Jacobiana continua a ser uma conquista significativa para a inteligência artificial na matemática, observa Blumberg. No entanto, considera que existe uma grande diferença entre demonstrar um grande problema matemático e apresentar apenas um contraexemplo que o refute.

“Suponhamos que Moisés descia da montanha com as tábuas e nelas estava escrito: 'O cancro tem cura.' Ficaria satisfeito apenas com isso? Não basta ter a resposta. Queremos perceber porquê. E a razão pela qual Smale considerava este problema importante é que acreditava que, ao resolvê-lo, compreenderíamos melhor a forma como a natureza está estruturada.”

Por outras palavras, acrescenta Blumberg, “este contraexemplo não nos diz, essencialmente, nada. Mostra apenas que existem muitos polinómios e que é difícil para as pessoas verificá-los todos, mas não para as máquinas.”

A Conjetura Jacobiana não é o único problema matemático que a IA abordou nos últimos meses. A OpenAI anunciou, em maio, que um modelo interno tinha refutado a conjetura da distância unitária de Erdős, uma conjetura central da geometria discreta.

Nesse caso, porém, o resultado foi mais produtivo, considera Blumberg, porque a OpenAI não se limitou a apresentar um contraexemplo, mas uma refutação acompanhada de argumentos matemáticos que permitiram aos especialistas desenvolver novos trabalhos.

"A refutação já deu origem a coisas interessantes, porque os especialistas na área analisaram o que se passava na demonstração e depois utilizaram essas ideias para fazer outras coisas", afirmou.

O caso da Conjetura Jacobiana é diferente, embora Blumberg reconheça que não se considera especialista suficiente para avaliar "se existe algo de especial na estrutura deste contraexemplo com que possamos aprender". Ainda assim, conclui que, "por si só, não é particularmente interessante".

Levent Alpöge integra atualmente a Society of Fellows da Universidade de Harvard, um programa de pós-doutoramento destinado a investigadores promissores, que oferece três anos de liberdade académica sem avaliações formais. O seu perfil no LinkedIn indica também uma afiliação à Anthropic.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

OpenAI, Meta e xAI lançam nova vaga de modelos de IA hoje

A OpenAI anunciou que vai lançar oficialmente o GPT-5.6, o seu novo modelo de Inteligência Artificial esta quinta-feira, dia 9 de julho. Este novo modelo conta com um total de três variantes: Sol, Terra e Luna.

Deste trio, o GPT-5.6 Sol é o mais poderoso, enquanto o Terra é mais modesto e, apesar de apresentar um desempenho semelhante ao GPT-5.5, foi criado para uso quotidiano. Já o Luna, é apontado como o modelo mais acessível (do ponto de vista de custos) da empresa.

É importante lembrar que, antes de serem lançados publicamente, estas três variantes do GPT-5.6 tiveram de ser entregues ao governo dos EUA para serem conduzidos testes preliminares. A ordem assinada por Trump no começo de junho exigia que as empresas de Inteligência Artificial dessem ao governo dos EUA acesso aos seus modelos mais poderosos por um período 30 dias antes destes serem lançados publicamente.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) questionou hoje a responsabilização dos agentes de inteligência artificial (IA) em casos como roubos, numa conferência com o economista chefe da OpenAI, que defendeu a criação de um quadro legal.

Na altura, a OpenAI afirmou que “este tipo de processo de acesso governamental não deve ser o padrão a longo-prazo”, decidindo não obstante obedecer para garantir um lançamento sem obstáculos do GPT-5.6.

Conta o Axios que, após terem sido conduzidos múltiplos testes com a ajuda de técnicos especializados da OpenAI, a divisão do Departamento do Comércio alocada a estas avaliações terá decidido dar “luz verde” ao lançamento público do do GPT-5.6 e que tem agora chegada marcada para 9 de julho.

EUA levanta restrições às IAs mais potentes da Anthropic
Washington levantou as restrições que tinham obrigado a Anthropic a bloquear o acesso aos dois modelos mais potentes, anunciou a empresa norte-americana líder no setor da inteligência artificial (IA), com o acesso a ter sido restabelecido no começo de julho.

"Recebemos a notificação de que o Departamento do Comércio levantou os controlos de exportação sobre o Claude Fable 5 e o Mythos 5, impostos em nome da segurança nacional, declarou na terça-feira a Anthropic, na rede social X.

"Começaremos a restabelecer o acesso", acrescentou.

A 12 de junho, o Governo norte-americano obrigou, abruptamente, a Anthropic a bloquear o acesso a estes dois modelos de ponta, considerando que tinham sido detetadas falhas nas medidas de segurança destinadas a impedir o uso indevido para fins de ciberataques.

Pequim, 08 jul 2026 (Lusa) - As autoridades chinesas alertaram hoje para alegados riscos de segurança na ferramenta de programação com inteligência artificial Claude Code, da norte-americana Anthropic, num novo episódio da disputa tecnológica entre a China e os Estados Unidos.

Esta retirada forçada, uma situação inédita por parte de um governo, suscitou uma onda de críticas a nível mundial, reacendendo os debates sobre a soberania digital dos países dependentes das tecnologias norte-americanas.

Após negociações acirradas em Washington, sobre as quais poucos detalhes foram divulgados, o acesso ao Mythos 5 foi desbloqueado na sexta-feira para um pequeno grupo de "ciberdefensores e operadores de infraestruturas", mas apenas norte-americanos.

Os parceiros estrangeiros, nomeadamente agências estatais de cibersegurança na Europa e na Ásia, continuavam sem acesso nesta fase. A Anthropic, com relações turbulentas com a Administração Trump, não esclareceu se o levantamento do controlo das exportações implicava a reintegração desses parceiros não norte-americanos.

A decisão permitiu o regresso online do Fable 5, uma versão destinada ao grande público do Mythos, com restrições em matéria de cibersegurança e riscos de ataques biológicos e químicos.

Um novo rumor sugere que a Anthropic e a Samsung têm mantido contatos de forma a explorarem o desenvolvimento de chips personalizados dedicados a Inteligência Artificial. Também ajudará a combater a escassez de componentes na indústria tecnológica.

A OpenAI, rival norte-americana da Anthropic, lançou na sexta-feira o modelo mais potente da empresa até à data, o GPT-5.6, inicialmente com acesso limitado, aceitando, pela primeira vez, que o Governo norte-americano valide, cliente a cliente, os parceiros autorizados.

Durante muito tempo hostil a qualquer regulamentação da IA, acusada de ser um entrave à inovação face à China, a administração Trump iniciou uma reviravolta radical, tendo em conta as poderosas capacidades dos modelos de ponta.

As recentes decisões nesta área, tomadas num quadro jurídico ainda pouco claro e controverso, marcam uma retoma do controlo do Governo sobre esta tecnologia crucial.

Na terça-feira, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe, comparou as capacidades dos modelos de IA mais avançados a "armas nucleares digitais", numa rara intervenção pública em Washington.

A atualização da OpenAI surge numa altura em que outras empresas tecnológicas aceleram o lançamento de novos modelos e ferramentas de IA no mercado.

A empresa de IA de Elon Musk, SpaceXAI, também conhecida como xAI, prepara-se, segundo notícias, para lançar um novo modelo de IA em parceria com a Anysphere, a empresa responsável pela ferramenta de programação com IA Cursor, de acordo com o site The Information, que cita um memorando enviado ao pessoal.

O The Information noticiou que o modelo poderá ser lançado já esta quarta-feira e deverá processar informação rapidamente, tornando-se competitivo, em alguns aspectos, com o Opus 4.8 da Anthropic e o GPT-5.5 da OpenAI.

Entretanto, a Meta lançou esta semana o Muse Image, o seu primeiro modelo de geração de imagens desenvolvido pelos Meta Superintelligence Labs.

Tal como outros geradores de imagens, o Muse Image permite criar e editar imagens a partir de instruções textuais. A Meta afirma que o modelo pode "actuar como parceiro criativo" e ajudar os utilizadores a "transformar ideias em visuais de alta qualidade" para partilhar no feed, nas stories ou em conversas.

No entanto, o modelo tem sido criticado porque os utilizadores com contas públicas no Instagram podem ser mencionados nas instruções, permitindo que outros gerem imagens que usam as suas publicações públicas como material de referência, a menos que desactivem essa opção nas definições.

A política da Meta indica que "as pessoas podem conseguir criar conteúdos com o seu conteúdo do Instagram utilizando funcionalidades de IA da Meta" e que os utilizadores "não serão notificados sobre conteúdos criados com funcionalidades de IA da Meta".

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