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quinta-feira, 9 de julho de 2026

OpenAI, Meta e xAI lançam nova vaga de modelos de IA hoje

A OpenAI anunciou que vai lançar oficialmente o GPT-5.6, o seu novo modelo de Inteligência Artificial esta quinta-feira, dia 9 de julho. Este novo modelo conta com um total de três variantes: Sol, Terra e Luna.

Deste trio, o GPT-5.6 Sol é o mais poderoso, enquanto o Terra é mais modesto e, apesar de apresentar um desempenho semelhante ao GPT-5.5, foi criado para uso quotidiano. Já o Luna, é apontado como o modelo mais acessível (do ponto de vista de custos) da empresa.

É importante lembrar que, antes de serem lançados publicamente, estas três variantes do GPT-5.6 tiveram de ser entregues ao governo dos EUA para serem conduzidos testes preliminares. A ordem assinada por Trump no começo de junho exigia que as empresas de Inteligência Artificial dessem ao governo dos EUA acesso aos seus modelos mais poderosos por um período 30 dias antes destes serem lançados publicamente.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) questionou hoje a responsabilização dos agentes de inteligência artificial (IA) em casos como roubos, numa conferência com o economista chefe da OpenAI, que defendeu a criação de um quadro legal.

Na altura, a OpenAI afirmou que “este tipo de processo de acesso governamental não deve ser o padrão a longo-prazo”, decidindo não obstante obedecer para garantir um lançamento sem obstáculos do GPT-5.6.

Conta o Axios que, após terem sido conduzidos múltiplos testes com a ajuda de técnicos especializados da OpenAI, a divisão do Departamento do Comércio alocada a estas avaliações terá decidido dar “luz verde” ao lançamento público do do GPT-5.6 e que tem agora chegada marcada para 9 de julho.

EUA levanta restrições às IAs mais potentes da Anthropic
Washington levantou as restrições que tinham obrigado a Anthropic a bloquear o acesso aos dois modelos mais potentes, anunciou a empresa norte-americana líder no setor da inteligência artificial (IA), com o acesso a ter sido restabelecido no começo de julho.

"Recebemos a notificação de que o Departamento do Comércio levantou os controlos de exportação sobre o Claude Fable 5 e o Mythos 5, impostos em nome da segurança nacional, declarou na terça-feira a Anthropic, na rede social X.

"Começaremos a restabelecer o acesso", acrescentou.

A 12 de junho, o Governo norte-americano obrigou, abruptamente, a Anthropic a bloquear o acesso a estes dois modelos de ponta, considerando que tinham sido detetadas falhas nas medidas de segurança destinadas a impedir o uso indevido para fins de ciberataques.

Pequim, 08 jul 2026 (Lusa) - As autoridades chinesas alertaram hoje para alegados riscos de segurança na ferramenta de programação com inteligência artificial Claude Code, da norte-americana Anthropic, num novo episódio da disputa tecnológica entre a China e os Estados Unidos.

Esta retirada forçada, uma situação inédita por parte de um governo, suscitou uma onda de críticas a nível mundial, reacendendo os debates sobre a soberania digital dos países dependentes das tecnologias norte-americanas.

Após negociações acirradas em Washington, sobre as quais poucos detalhes foram divulgados, o acesso ao Mythos 5 foi desbloqueado na sexta-feira para um pequeno grupo de "ciberdefensores e operadores de infraestruturas", mas apenas norte-americanos.

Os parceiros estrangeiros, nomeadamente agências estatais de cibersegurança na Europa e na Ásia, continuavam sem acesso nesta fase. A Anthropic, com relações turbulentas com a Administração Trump, não esclareceu se o levantamento do controlo das exportações implicava a reintegração desses parceiros não norte-americanos.

A decisão permitiu o regresso online do Fable 5, uma versão destinada ao grande público do Mythos, com restrições em matéria de cibersegurança e riscos de ataques biológicos e químicos.

Um novo rumor sugere que a Anthropic e a Samsung têm mantido contatos de forma a explorarem o desenvolvimento de chips personalizados dedicados a Inteligência Artificial. Também ajudará a combater a escassez de componentes na indústria tecnológica.

A OpenAI, rival norte-americana da Anthropic, lançou na sexta-feira o modelo mais potente da empresa até à data, o GPT-5.6, inicialmente com acesso limitado, aceitando, pela primeira vez, que o Governo norte-americano valide, cliente a cliente, os parceiros autorizados.

Durante muito tempo hostil a qualquer regulamentação da IA, acusada de ser um entrave à inovação face à China, a administração Trump iniciou uma reviravolta radical, tendo em conta as poderosas capacidades dos modelos de ponta.

As recentes decisões nesta área, tomadas num quadro jurídico ainda pouco claro e controverso, marcam uma retoma do controlo do Governo sobre esta tecnologia crucial.

Na terça-feira, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe, comparou as capacidades dos modelos de IA mais avançados a "armas nucleares digitais", numa rara intervenção pública em Washington.

A atualização da OpenAI surge numa altura em que outras empresas tecnológicas aceleram o lançamento de novos modelos e ferramentas de IA no mercado.

A empresa de IA de Elon Musk, SpaceXAI, também conhecida como xAI, prepara-se, segundo notícias, para lançar um novo modelo de IA em parceria com a Anysphere, a empresa responsável pela ferramenta de programação com IA Cursor, de acordo com o site The Information, que cita um memorando enviado ao pessoal.

O The Information noticiou que o modelo poderá ser lançado já esta quarta-feira e deverá processar informação rapidamente, tornando-se competitivo, em alguns aspectos, com o Opus 4.8 da Anthropic e o GPT-5.5 da OpenAI.

Entretanto, a Meta lançou esta semana o Muse Image, o seu primeiro modelo de geração de imagens desenvolvido pelos Meta Superintelligence Labs.

Tal como outros geradores de imagens, o Muse Image permite criar e editar imagens a partir de instruções textuais. A Meta afirma que o modelo pode "actuar como parceiro criativo" e ajudar os utilizadores a "transformar ideias em visuais de alta qualidade" para partilhar no feed, nas stories ou em conversas.

No entanto, o modelo tem sido criticado porque os utilizadores com contas públicas no Instagram podem ser mencionados nas instruções, permitindo que outros gerem imagens que usam as suas publicações públicas como material de referência, a menos que desactivem essa opção nas definições.

A política da Meta indica que "as pessoas podem conseguir criar conteúdos com o seu conteúdo do Instagram utilizando funcionalidades de IA da Meta" e que os utilizadores "não serão notificados sobre conteúdos criados com funcionalidades de IA da Meta".

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Pete Hegseth quis orar por soldado mas acabou a citar monólogo de "Pulp Fiction"


Um dos momentos mais recentes protagonizado pelo secretário da Defesa dos Estados Unidos está a gerar polémica. Durante uma oração por um soldado norte-americano resgatado depois de a sua aeronave ter sido abatida pelo Irão, Pete Hegseth acabou por recitar um discurso muito semelhante a um monólogo do filme "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino, em vez de um versículo bíblico.

O mais recente discurso do secretário da Defesa dos Estados Unidos está a dar que falar pelas razões mais insólitas. Num momento em que fazia uma oração por um soldado norte-americano resgatado após a sua aeronave ter sido abatida pelo Irão, Pete Hegseth tentou recitar um versículo bíblico, mas acabou por proferir um dos monólogos mais icónicos da obra cinematográfica de Quentin Tarantino.

O momento que está a dar que falar na imprensa internacional aconteceu na quarta-feira, no Pentágono, perante militares e familiares. Antes de proferir o “falso” trecho bíblico, Pete Hegseth explicou que a oração era recitada pela missão de Busca e Salvamento em Combate “Sandy One”, no Irão: “Chamam-lhe CSAR 25:17, o que penso ser uma referência a Ezequiel 25:17”, afirmou.

“O caminho do aviador abatido está cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Bendito aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale da escuridão, pois é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o protetor dos que se perderam. E abaterei sobre ti grande vingança e ira furiosa aqueles que tentarem capturar e destruir o meu irmão, e saberás que o meu indicativo é Sandy 1 quando exercer a minha vingança sobre ti. Ámen", proferiu.

No entanto, Pete Hegseth acabou por denunciar-se, devido às evidentes semelhanças com o monólogo de “Jules Winnfield”, o assassino contratado interpretado por Samuel L. Jackson em “Pulp Fiction” (1994), proferido antes de executar as suas vítimas, apesar de ter adaptado o versículo ao contexto militar e à operação de resgate.

Na altura, Quentin Tarantino adaptou-o a partir de um filme japonês de artes marciais, intitulado "Karate Kiba" (1973), protagonizado por Sonny Chiba.

“O caminho do homem justo está cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Bendito aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, guia os mais fracos pelo vale da escuridão, pois é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o protetor dos que se perderam. E abaterei sobre ti grande vingança e ira furiosa aqueles que tentarem envenenar e destruir os meus irmãos. E saberás que o meu nome é o Senhor quando exercer a minha vingança sobre ti", cita.

Já o verdadeiro versículo de Ezequiel 25:17, que consiste numa declaração de vingança divina contra os filisteus (povo marítimo da Idade do Bronze), diz apenas: “E executarei grande vingança contra eles com severas repreensões; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu exercer a minha vingança sobre eles.”

Segundo os relatos, este foi o segundo culto consecutivo em que Hegseth usou versículos e mensagens violentas ao discutir a guerra no Irão: "Concedam a esta força-tarefa alvos claros e justos para a violência", orou no mês passado.

sábado, 7 de março de 2026

Shelleyan Orphan - Burst


Bonita interpretação no programa britânico The Tube

A primeira vez que "Universal Soldier" foi tocada em público foi no outono de 1963, no lendário café The Gaslight Cafe, em Greenwich Village, Nova York.

Embora a canção tenha se tornado um hino, a própria Buffy Sainte-Marie foi colocada numa "lista negra" por causa de suas posições políticas. Ela descobriu anos depois que suas cartas e músicas eram monitoradas pelo FBI e pela CIA durante as administrações Johnson e Nixon.

domingo, 1 de março de 2026

Europe: From the myth of denazification to suicidal Russophobia or The Triumph of the Kakistocracy


The European ruling class is in a terminal state. Elizabeth Kübler-Ross, the Swiss psychiatrist who dedicated herself to treating terminal patients, identified five stages of grief that we go through when we lose someone. The first stage of grief described by Kübler-Ross is denial. Faced with the loss of its prestige, influence, and economic power, and above all with the rise of China and the other BRICS countries, the European ruling class reacts exactly as predicted in this first stage of grief: with denial.

Very angry, confused and astonished by the profound transformations of the world, the European ruling class vehemently denies its own inevitable decline, its growing impotence and the definitive end of the colonial period, its glorious past.

This class, which in 2022 reacted euphorically to Russia’s special military operation in Ukraine, certain of a quick victory in which economic sanctions combined with NATO’s military might would lead to Russia’s defeat and the fall of Vladimir Putin, opening the door to the exploitation of Russia’s natural resources and its colonization by the West, now desperately denies that Ukraine and NATO’s entire arsenal have already been defeated, violently punishing those voices in Europe who dare to state the obvious, that this war is already lost. The mainstream European press, spokesperson for this dying class, without realizing its own ridiculousness, persists in spreading the most absurd lies about the Russian “threat,” about the “imminent collapse” of the Russian economy and its inevitable future, always future, defeat in Ukraine. Denying reality so emphatically does not change reality, it only makes the enormous and lamentable effort of denial even more pathetic. In its terminal state, the European ruling class has lost all shame and credibility, but it is still capable of causing a great deal of harm. To better combat it, then, it is important to remember a little of its history and denounce its most dangerous lies.

The European ruling class and the myth of denazification
The myth of denazification at the end of World War II is a fundamental pillar in the construction of the supposed “moral superiority” of the European ruling class, which is so important in legitimizing its control. This class presents itself as a proud defender of democracy and human rights, as a historical enemy of Nazism and all fascist movements.

The truth that this class tenaciously seeks to hide is that the reconstruction of European capitalism that allowed its own rise to power was carried out with the support and participation of Nazis and Nazi collaborators, especially in Germany.

At the end of World War II, Germany was divided into distinct occupation zones by the Allied armies—the US, the UK, France, and the USSR. However, as historian Mary Fulbrook wrote in her book A History of Germany 1918–2014, there was a huge difference in the treatment of Nazis and their collaborators between the Soviet occupation zone and the other zones:

“In the Soviet zone, given the primarily structural and socioeconomic interpretation of Nazism which prevailed, major efforts were devoted to the land reform which served to abolish the Junker class, the resources of certain Nazi industrialists were expropriated and there were reforms of industry and finance which had not merely reparations as their aim, The Soviets were concerned also to oust individual Nazis from important positions. They carried out purges not only in the political and administrative spheres, but also in the teaching profession and the judiciary.”

“Quite apart from their attempts to gain some sort of compensation for the enormous material and human losses imposed on them by German aggression, the Soviets implemented certain economic policies designed so to transform the socioeconomic structure of their zone that could never again, in the Soviet view, be the material basis for a Nazi capitalist militarism. They sought to eradicate the Junker class and the large capitalists in a stroke.”

Regarding the occupation by Western powers, Mary Fulbrook states:
“It is notable that, in contrast to the Soviet zone, there were no radical transformations in economic structure in the Western zones of occupation.”

“Denazification lurched along in curious ways in the Western zones. It was not quite clear whether the aim was to punish or to rehabilitate former Nazis; and whether the intention was to cleanse the political, administrative and economic spheres of their presence, or to cleanse former Nazis of the taint of Nazism in order to reinstate them in their former areas of expertise. In contrast to the Soviet zone, which effected a major restructuring of society, along with a replacement of the old elites by new personnel, as well as permitting individual rehabilitation, the Western zones tended towards rehabilitation rather than transformation.”

Also, according to Mary Fulbrook:

“Nevertheless, it can be argued that in more subtle, less immediately obvious ways, there was in fact a major socioeconomic reorientation taking place in the Western zones of Germany. In the immediate postwar period, many people thought the way was open for a socialist transformation of Germany. The Allies’ decision to suppress indigenous anti-fascist groups and support moderate and conservative political parties was paralleled in the sphere of economic policy. Indigenous demand, for example, for the socialization of mines, were peremptorily dealt with by the Americans. Socialization measures proposed by the Land governments of Hesse and North-Rhine-Westphalia were suppressed by the Americans and – under American pressure – the British respectively. Subtle pressures were exerted by the Americans to split communist and socialist trade unions, to isolate the former and moderate the latter.”

Finally:

“Former Nazis, both the committed and the conformists, were able to fit easily into Adenauer’s Germany. Although in the immediate postwar period about 53,000 civil servants had been dismissed for membership in the NSDAP, only 1,000 were excluded permanently from any future employment. Under the 1951 Reinstatement Act many were reemployed in the civil service and obtained full pension credits for their service in the Third Reich. By the early 1950s between 40 and 80 per cent of officials were former NSDAP members. Similarly, only a very few members of the judiciary were permanently disqualified. Former Nazis were even able to gain prominent positions in public life. Adenauer was quite prepared to include former Nazis in his cabinet, such as former SS-member Oberlaender as Minister for Refugees. Perhaps the most controversial of Adenauer’s appointments was that of Hans Globke, the author of the official commentary of the Nuremberg Race Laws of 1935, as Adenauer’s chief aide in his Chancellery. “

Regarding the courts responsible for prosecuting Nazis, Mary Fulbrook comments:

“The tribunals soon came to be likened to laundries. One entered wearing a brown shirt and left with a clean starched white shirt instead. Denazification had finally become, not the cleansing of German economy, administration and society of Nazis, but rather the cleansing and rehabilitation of individuals.”

David de Jong, a Dutch journalist who has investigated some particular cases of Nazi industrialists and bankers in Germany, published in 2022 the book Nazi Billionaires – The Dark History of Germany’s Wealthiest Dynasties, where he informs:

“By 1970, Friedrich Flick, August von Finck, Herbert Quandt and Rudolf-August Oetker made up West Germany’s top four wealthiest businessmen in descending order of fortune. All four were former members of the Nazi Party; one of them had been a volunteer Waffen-SS officer; they had all become billionaires.”

In his book, David de Jong devotes special attention to the use of forced labor of prisoners of war in factories in Germany and occupied countries. Mentioning Friedrich Flick, for example, the author writes:

“By 1943, those performing forced labor at Flick’s coal mines increasingly consisted of women and children deemed fit for work in the open-pit mines. Many were Russian teenagers from thirteen to fifteen. By the time Flick’s sixty-first birthday came around, his conglomerate had 120,000 to 140,000 workers. About half of them were forced or enslaved.”

And also:

“IG Farben, Siemens, Daimler-Benz, BMW, Krupp, and various companies controlled by Günther Quandt and Friedrich Flick were some of the largest private-industry users of forced and salve labor.”

“Slave labor collaborations between SS-run concentration camps and German companies included Auschwitz with I.G. Farben, Dachau with BMW, Sachsenhausen with Daimler-Benz, Ravensbrück with Siemens, and Neuengamme with Günther’s AFA, Porsche’s Volkswagen, and Dr. Oetker.”

Ferdinand Porsche, the famous designer and owner of the car factory that bears his name and also of Volkswagen, was a dedicated collaborator with the Nazi regime and a producer of weapons for the German army. Porsche used slave labor not only in Germany, but also at the Volkswagen factory in occupied France. According to de Jong, Porsche was acquitted by a court in Dijon, France, in 1948. And, according to de Jong, “not even mentioned in the trial” was the use of “thousands of French civilians and soldiers as forced laborers and slaves in the Volkswagen complex.”

In 1951, at the height of the Adenauer era, the Stille Hilfe (Silent Help) Association was founded in Germany. The German organization Zukunft braucht Erinnerung (The Future Needs Memory) (1) states on its website that Stille Hilfe is “an organization that was primarily dedicated to supporting Nazi murderers, but which, unfortunately, only became known to the public very late and in a rudimentary form. What was frightening about this aid organization, apart from its incomprehensible intentions, was the fact that certain people were involved in it or supported it. At least until 2011, the organization was still very active.”

Its founder, Princess Helene Elisabeth von Isenburg, devoted herself mainly to providing legal assistance to Nazi war criminals sentenced to death who were imprisoned in Landsberg Prison, under Allied control. She became known as the “Mother of the Landsbergers.” This association also provided financial assistance to Nazi criminals and their families.

It is also important to mention the Blue Division, a group formed by Spanish Francoist volunteers who joined the Nazi army in the fight against the Soviet Union. In 2015, several members of the Die Linke party in Germany questioned the German government (2) about the payment of around €100,000 per year in pensions that were still being made to these former Nazi combatants and their families by the German government, which the Die Linke party considered scandalous. (3)

The fact that an association with the objectives of Stille Hilfe could have been created in Germany in 1953 and that pensions to former Nazi combatants from a foreign country were still being paid in 2015 by the German government are two more striking pieces of evidence against the myth of denazification. Similar events occurred throughout Western Europe, where Nazis and their collaborators played an important role not only in the reconstruction of European capitalism but also in the repression of popular movements demanding revolutionary changes in social organization, such as the socialization of mines mentioned by historian Mary Fulbrook. It was this popular pressure that led to the creation of the welfare state in countries such as Germany, France, and England. It is important to remember that capitalism as an economic system emerged from the war completely discredited and had to be reimposed throughout Europe by the United States with the collaboration of the former European elites who had supported fascism in Italy and Nazism in Germany. With the end of World War II, the fascists, Nazis, and their collaborators had another function of the utmost importance: the fight against the USSR.

The many faces of Russophobia
Russophobia in both Europe and the US have a long history, dating back to the Russian Revolution of 1917. The Cold War period accentuated Russophobia, which became firmly established even in popular culture, where Soviets were always portrayed as caricatured villains in a wide variety of films and books. Paradoxically, it was after the dissolution of the USSR in 1991 that Russophobia took on new dimensions. The years of Boris Yeltsin’s presidency in Russia from 1991 to 1999 were a period of great euphoria in the West regarding its former adversary. The USSR had been defeated, and Russia’s immense natural resources were now available for privatization. According to IMF estimates, capital flight from Russia in the 1990s amounted to about $150 billion. The country was plunged into chaos and economic depression, and in the eyes of the West, Russia was very close to becoming a new Western colony. Upon succeeding Yeltsin in 1999, Vladimir Putin managed to reverse this process of political and economic decline, preventing the neo colonization of Russia, which the West has never forgiven. This is the origin of the demonization of Vladimir Putin, an important ingredient fueling current Russophobia. With the special military mission in Ukraine, Putin has once again thwarted the interests of the West. Through a proxy war in Ukraine, Western powers, with their economic blockades and NATO’s military might, hoped to destroy the Russian economy, overthrow Putin’s government, and put someone like Yeltsin in power in Russia.

Invasão do Irão


Esta guerra desencadeada contra o Irão não é um desvio táctico nem uma reacção nervosa a uma ameaça iminente, é a manifestação crua de um projecto de poder que perdeu qualquer pudor moral e que actua com a convicção de que a força substitui o direito. O governo de Israel não age como um actor sitiado que responde no limite da sobrevivência, age como uma potência militar convencida de que pode redesenhar o mapa humano da região à custa de quem estiver no seu caminho. O governo dos Estados Unidos, por sua vez, não é um aliado constrangido, é o garante estrutural dessa audácia, o fiador armado de uma política que já mostrou, na Palestina, até onde está disposto a ir.
Em Gaza não houve uma tragédia inevitável, houve um método. Não houve apenas o confronto com o Hamas, houve uma devastação sistemática de um território densamente povoado onde se sabia, com precisão estatística, que morreriam milhares de mulheres e crianças que nada tinham a ver com decisões militares. Quando hospitais são bombardeados, quando bairros inteiros são apagados do mapa, quando a fome e a ausência de cuidados médicos se tornam instrumentos de pressão, não se está perante um erro operacional, está-se perante uma escolha, e essa escolha foi repetida até se tornar uma rotina.
Genocídio é a palavra exacta. Não como um grito emocional, mas como uma descrição política de um processo que destrói deliberadamente as condições de existência de um povo enquanto tal. A morte massiva de civis deixou de ser uma consequência indesejada para se tornar uma variável integrada no cálculo estratégico. 
A indignação internacional é gerida como um ruído de fundo, tolerável enquanto não comprometer as alianças nem os contratos militares.
A ofensiva contra o Irão amplia esta lógica. 
A ameaça futura é convertida numa licença para a destruição presente. Invoca-se o perigo nuclear para justificar ataques, que se sabe de antemão, não ficarão confinados a instalações militares. 
A mensagem é clara e brutal. Quem desafia a arquitectura de poder imposta por Israel e garantida pelos Estados Unidos torna-se um alvo legítimo, e as populações civis tornam-se simplesmente danos previsíveis.
Os Estados Unidos desempenham aqui o papel de motor geopolítico. Financiam, armam, vetam resoluções, moldam narrativas e apresentam como defesa da ordem internacional aquilo que é, na prática, a sua corrosão selectiva. A sua superioridade militar e diplomática funciona como um escudo de impunidade. Israel executa no terreno com a confiança de quem sabe que não será travado por sanções sérias nem por um isolamento efectivo.
Esta convergência transforma ambos numa força motriz de instabilidade que ameaça não apenas uma região, mas o próprio princípio de que a vida civil deve estar protegida em qualquer conflito. Quando dois Estados com tal poder normalizam a destruição de populações inteiras em nome da segurança, enviam ao mundo um sinal devastador: a lei é opcional para quem tem força suficiente para a ignorar.
Não se trata de uma retórica exaltada, trata-se de constatar que esta aliança tem agido como um catalisador de guerras sucessivas, ampliando conflitos e reduzindo o espaço para soluções políticas. Ao escolher reiteradamente a via militar, ao aceitar como custo assumido a morte de inocentes, ao expandir o teatro de operações para além da Palestina até ao Irão, assumem-se como agentes centrais de uma lógica que corrói a própria ideia de uma humanidade partilhada.
A História acabará por registar esta fase não como uma defesa heróica de valores, mas como um período em que duas potências decidiram que a sua segurança e a sua indisfarçável ganância justificava tudo. 
E quando tudo é justificável, nada fica de pé. 
Nem cidades, nem direitos, nem a confiança mínima que sustenta a coexistência entre povos.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A petromoralidade de Trump



Em 1953, a Inglaterra e os Estados Unidos da América coordenam esforços para depor o governo democrático do Irão. Até há pouco tempo, a CIA e o MI6 negaram ter promovido um plano para derrubar o primeiro-ministro eleito, Mohammed Mossadegh, até que, em 2013, um relatório publicado pela CIA admitiu a manipulação da imprensa, as operações de propaganda e o financiamento de protestos contra o governo, reconhecendo a autoria do golpe.

A monarquia apoiada pelo Ocidente converteu-se numa ditadura brutal. A recente nacionalização do petróleo, motivo não assumido para o golpe de Estado, foi revertida a favor de empresas britânicas, norte-americanas, holandesas e francesas. Durante 38 anos, os iranianos sofreram as brutas consequências da intervenção imperialista. O profundo ressentimento popular aberto por essas décadas de repressão e exploração pavimentaram o caminho para a Revolução de 1979 e a instauração de um regime teocrático e violento, contra o qual o povo iraniano agora resiste corajosamente nas ruas.

Independentemente das coordenadas ideológicas de cada um, não acredito que exista um historiador ou analista intelectualmente honesto que não estabeleça um nexo de causalidade entre a intervenção externa motivada pelo controlo de petróleo e a ascensão do regime repressivo liderado por Ali Kahmenei. Da mesma forma, ninguém nega as verdadeiras motivações que levaram à destruição do Iraque, deixando um rasto de guerra e morte, milhões de refugiados e a ascensão do DAESH.

Tanto esforço dedicado à mentira, encobrimento e malabarismos morais para afinal acabarmos aqui. Séculos de doutrina da “guerra justa” arduamente pensada por filósofos, historiadores, teólogos, militares, glosadores e intelectuais, tudo arrasado numa frase digna do absolutismo mais raso, não de um príncipe, mas de um canalha: “os limites da guerra são os limites da minha moral”, ou seja, nenhuns.

Trump não precisou de uma tese hipócrita e mentirosa para justificar a operação militar especial e a ocupação (do poder) na Venezuela, não precisou de autorização do Congresso nem de fingir respeito pelo direito internacional. Bastou-lhe a legitimidade conferida pelas poderosas petrolíferas norte-americanas e o seu vazio ético e moral.

É tudo assustador, mas será suficiente para demolir um edifício normativo internacional fundado no século XVII e edificado depois de duas guerras mundiais, cem milhões de mortos e mais do que um genocídio? Não, isto não é trabalho para um homem só.

O resto, o bocado que falta, está a ser-lhe servido na bandeja da quieta complacência europeia e da terna cumplicidade dos que exclamam “as pessoas falam do petróleo como se isso fosse uma razão menos digna para uma intervenção”.

Não celebro o fim da hipocrisia, acho que havia nela uma réstia de ilusão sobre um mundo em que os pequenos conseguem proteger-se contra os desvarios dos grandes. Está na moda teorizar sobre o interesse nacional, reduzindo-o à legitimidade de pilhar os vencidos. Até admito que nos EUA essa tese seja “natural”, o que me espanta é a síndrome de Estocolmo em países periféricos e mínimos mas com 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km².

Em nenhuma circunstância Portugal teria a possibilidade de garantir militarmente a sua soberania no Atlântico, o que inclui os Açores. Será assim tão difícil compreender que é do interesse de Portugal e da maioria dos estados (que não são superpotências) alinhar pela defesa do direito internacional e do respeito pela soberania?

Enquanto escrevo, tropas alemãs, norueguesas, suecas e dinamarquesas são simbolicamente desembarcadas para “defender” a Gronelândia dos apetites vorazes do sr. Trump. Mas há em Portugal quem ache que o nosso destino é escolher um dos líderes imperiais autoritários para ser o “nosso líder autoritário”. Sonham com o império e aceitam patrioticamente converter-se em pequeno jardineiro do seu quintal… que patético “interesse nacional”.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Budhi - Pax Americana


No dia 24 de Janeiro deste ano, passará 22 anos que os Budhi lançaram o seu disco Promo CD, editado e distribuído pela Editora Cobra, propriedade do Miguel Pedro e do António Rafael, elementos da famosa banda de rock alternativo bracarense Mão Morta.
Já em 2004 era preocupação o abuso de poder e interferência militar ou económica dos EUA na soberania de países no mundo.

Pax Americana

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

O encontro desejado de Cristiano Ronaldo com Trump e as Arábias


Jamal Khashoggi era colunista do Washington Post quando foi assassinado dentro do consulado saudita em Istambul, a mando do governo saudita. O mundo inteiro condenou o crime em 2018, com exceção de Trump. Não se tratava de um mero "things happen". Tratou-se de um assassinato cruel sancionado pelo Estado, motivado pelo exercício da liberdade de expressão. 
Agora Trump 2025 insiste na tecla "Aconteceram coisas, mas o Príncipe não sabia de nada, e podemos ficar por aí", disse aos jornalistas, no Salão Oval. 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐢𝐮!! Em novembro desse ano, um relatório da CIA, divulgado na imprensa americana, concluiu Mohammad bin Salman de ter ordenado a morte de Khashoggi, o que causou furor internacional e tensões diplomáticas.
Donald Trump acrescentou ainda que Jamal Khashoggi era "uma pessoa extremamente controversa" (???). 
Mohammed ben Salman disse, por sua vez, que a morte do jornalista foi dolorosa e que a Arábia Saudita fará tudo o que está ao seu alcance "para que não volte a acontecer".
As declarações surgem após o anúncio de um investimento saudita de quase um bilião de dólares nos Estados Unidos, durante a primeira visita do príncipe aos EUA desde 2018.
O The New York Times já tinha avançado que o craque da Seleção portuguesa e do Al Nassr ia regressar aos Estados Unidos, avançando com a marcação de um jogo amigável entre Estados Unidos e Portugal, para março de 2026.
Essa será a primeira vez que Cristiano Ronaldo vai jogar em solo norte-americano desde 2014, altura em que defrontou o Manchester United com a camisola do Real Madrid, a 2 de agosto daquele ano.
Pela Seleção jogou nesse mesmo verão a Nova Jérsia, a 10 de junho, contra a República da Irlanda.
Portanto Cristiano Ronaldo está assim de regresso aos Estados Unidos, país onde não joga há mais de 11 anos, e onde tem uma polémica com Kathryn Mayorga, professora que acusou o jogador de violação em 2017, numa entrevista dada ao jornal alemão Der Spiegel, e num caso que remonta a 2009, quando o jogador esteve de férias em Las Vegas.
Desde então que a presença de Cristiano Ronaldo em solo norte-americano tem sido uma questão polémica, não havendo quaisquer registos públicos do jogador naquele país - o último data de 2016. A ausência foi particularmente notada depois de jogos da Juventus terem sido reagendados para outros locais quando o jogador representava o clube italiano.
No dia em que internamente Donald Trump é pressionado para libertar os ficheiros de Epstein, o jantar de  Cristiano Ronaldo com Donald Trump e  Mohammed ben Salman é uma espécie de sportswahing atendendo que os três são figuras internacionais com escândalos e Ronaldo funcionará como um troféu para a melhoria da imagem de países com problemas de direitos humanos, como a Arábia Saudita e EUA.

domingo, 26 de outubro de 2025

Salazar era essa ficção moral e impoluta que nos tentam agora vender? Não, Salazar era corrupto.

Principais evidências de corrupção sob Salazar

  1. Rede de pedidos de favores (“cunhas”)

    • No livro Salazar Confidencial (de Marco Alves), analisaram milhares de cartas enviadas a Salazar por amigos, familiares, ministros, padres, etc., pedindo favores: emprego, promoções, casas, intervenção em processos judiciais, e mais. 

    • Essas cartas mostram como a máquina do Estado era usada para beneficiar pessoas próximas, burlando regulamentos formais. 

  2. Escândalos sexuais e de abuso

    • O “Caso Ballet Rose” nos anos 1960 envolveu figuras importantes do regime em abusos de menores. 

    • Segundo a enciclopédia Visão, esses escândalos existiam, mas eram abafados, porque não havia imprensa livre e a polícia política era poderosa. Visão

  3. Uso institucional para manter poder

  4. Debate parlamentar sobre “corrupção”

    • Um artigo na Italian Political Science Review analisa como nas Assembleias Nacionais do Estado Novo (1935–74) se falava de “corrupção”, mas muitas vezes de forma discursiva/política, para criticar pessoas, em vez de haver investigações reais independentes. 

  5. Violência política e uso da PIDE

    • O regime dispôs de um aparelho repressivo (PIDE) que ajudava a silenciar oposição e potenciais denúncias.

    • Isso implica que a corrupção “visível” poderia ter sido limitada por medo ou pela repressão, mas isso não significa que não existisse favorecimento interno.


Interpretação

  • A corrupção sob Salazar não é tão simples como em regimes democráticos com investigação pública livre: muitos abusos não foram denunciados ou foram escondidos.

  • Parte da “corrupção” era institucional: o regime dependia de redes de influência e favores para manter poder, em vez de simplesmente roubo público.

  • Também há uma narrativa idealizada (em parte mítica) de que “no tempo de Salazar não havia corrupção”; mas a historiografia recente mostra que isso é uma simplificação.


📚 Livros e estudos recomendados

  1. Salazar Confidencial: A História Secreta da Rede de Cunhas e Favores do Estado Novo — Marco Alves

    • Este livro é uma investigação jornalística / histórica baseada em milhares de cartas enviadas a Salazar: pedidos de emprego, favores, influências políticas, promoções, casas, “cunhas”. 

    • Mostra como funcionava uma “máquina de favorecimentos” no Estado Novo, revelando uma face de clientelismo que vai para além do discurso público de austeridade moral ou integridade de Salazar. 

    • Índice do livro mostra capítulos específicos dedicados a como Salazar usava o Estado para benefícios privados (“como Salazar usava os meios do Estado na sua vida privada”).

    • Durante quatro décadas, António de Oliveira Salazar recebeu milhares de cartas de amigos, familiares, ministros, padres e figuras ilustres da elite do Estado Novo. Mendigavam ao presidente do Conselho favores, ajudas e cunhas para obterem um cargo, uma promoção, uma casa em Lisboa ou uma palavra de Salazar para intervir em todo o tipo de problemas, incluindo em processos judiciais e em casos de crime, violência e adultério envolvendo figuras notáveis da sociedade.

      É a primeira vez que toda a correspondência particular enviada a Oliveira Salazar é tratada para um livro, numa investigação exaustiva sobre 2446 processos individuais, de onde se analisaram 70243 páginas de cartas, relatórios, currículos e fotografias.

      Os documentos mostram os surpreendentes bastidores do Estado Novo, expondo a intimidade de um regime sustentado em cunhas e favorecimentos pessoais

  2. Salazar e os Fascismos: Ensaio breve de história comparada — Fernando Rosas

    • Rosas, historiador de renome, analisa o Estado Novo no contexto dos fascismos europeus, o que ajuda a entender a natureza autoritária do regime. ihc+1

    • Embora não seja um livro “sobre corrupção” per se, examina a estrutura de poder, ideologia e instituições do regime, contribuindo para a compreensão de como o poder era mantido, distribuído e reproduzido. 

    • Discute também os mecanismos políticos internos e a elite política que sustentava o regime, o que pode estar ligado a práticas de clientelismo institucional.

  3. O Estado Novo de Salazar. Uma Terceira Via Autoritária na Era do Fascismo — António Costa Pinto (coordenação)

    • Esta obra coletiva reúne vários historiadores e analisa o Estado Novo como um regime autoritário que se coloca entre a democracia liberal e o fascismo clássico.

    • O livro aborda temas de estrutura de poder, recrutamento da elite governamental e institucionalização do regime. Esses aspetos são relevantes para entender como funcionavam os privilégios e os favores políticos.

    • Também contribui para a reflexão de que, embora o regime não fosse “corrupção aberta” no sentido tradicional, existiam mecanismos de poder muito hierarquizados, clientelistas e centralizados.

  4. O Império do Professor: Salazar e a Elite Ministerial do Estado Novo (1933–1945) — António Costa Pinto (artigo)

    • Este é um artigo académico (publicado na revista Análise Social) que analisa como a elite ministerial era composta, como se recrutava e como funcionavam as nomeações políticas. 

    • Ajuda a ver a “corrupção” ou clientelismo no nível das nomeações de poder: como Salazar distribuía cargos, a sua relação com os ministros e a forma como o regime se mantinha por redes de lealdade pessoal.

  5. Public Finances of a European Dictatorship: Portugal under the Estado Novo Regime — Ricardo Ferraz

    • Este livro analisa as finanças públicas durante o Estado Novo (1933–1974) com rigor econométrico. 

    • Interessa para a corrupção porque examina receitas, despesas, endividamento e uso do orçamento estatal. Revela de que forma o regime geria recursos públicos e quais eram os seus desafios fiscais — isto pode ser interpretado como uma forma de “corrupção institucional” (no sentido de uso político das finanças).

    • Também coloca o caso português em contexto comparado, o que é útil para entender se os desequilíbrios financeiros eram mais devidos a prática clientelista ou a dificuldades estruturais.

  6. Vítimas de Salazar: Estado Novo e Violência Política — Irene Pimentel, João Madeira, Luís Farinha

    • Este livro aborda a repressão política, violência e a forma como o regime silenciava a oposição. 

    • Embora o foco principal seja a violência política e não diretamente a “corrupção”, entender o papel da PIDE (polícia política) e a repressão é importante para perceber porque muitas práticas de favorecimento ou abusos de poder não foram contestados ou investigados: o medo era uma via de controle.

  1. Salazar e os milionários, Pedro Jorge Correia;
  2. Salazar Confidencial, Marco Alves;
  3. Os Donos de Portugal - Jorge Costa, Francisco Louçã, Fernando Rosas, Luís Fazenda, Cecília Honório.
  4. Jubileu, 1953

quarta-feira, 25 de junho de 2025

The Pentagon Is Using a Fabricated Chinese Threat to Build Genetically Engineered Soldiers


On April 8, a bipartisan commission chartered by Congress warned that China is rapidly advancing a terrifying new military threat: genetically engineered “super soldiers.”

The report by the National Security Commission on Emerging Biotechnology (NSCEB) urges the U.S. to respond with a sweeping effort to militarize biotechnology. It offers little concrete evidence that such Chinese programs even exist.

In the name of national security, Washington is now pushing for deregulation, massive government investment, and human experimentation. Experts say this effort echoes Cold War-era paranoia and threatens to erode ethical boundaries in science and warfare.

A Congressional Research Service fact sheet on the report claims its contents “describe how biotechnology could potentially revolutionize agricultural production in the U.S., transform U.S. health care, and change the future of computing power.” While that may sound promising, the report’s focus is overwhelmingly on using biotechnology for military purposes, including the creation of “genetically enhanced soldiers.” The report also states that “biotechnology’s impact on surveillance could be … transformative.”

The report argues that biology could revolutionize warfare just as airpower did in the 20th century, promising new advantages in stealth, logistics, and real-time physiological monitoring of soldiers. It calls for “a fundamental rethinking” of how the U.S. uses biotech in combat.

Biotechnology also promises new advantages in stealth and mobility. Dynamic biological camouflage, for instance, could shield warfighters from thermal detection, while wearable biosensors could adjust mission parameters based on real-time physiological data. Taken together, these advances demand a fundamental rethinking of how biology supports sustained, agile military operations, revolutionizing what it means to defend the U.S., including building for, nourishing, and healing forces in the field.”

The report argues that “winning” the global biotech race will “require de-risking the domestic production of defense-related biotechnology products” and changing “military specifications” to enable biotechnology companies to sell their products to the Pentagon more easily. Repeated references are also made to the need to “reduce or remove regulatory hurdles for familiar products.” Although the report never defines “familiar products,” the term may refer to controversial and experimental technologies such as CRISPR gene editing and mRNA therapeutics.

NSCEB also calls for large-scale “biological databases” to be treated as a “strategic resource.” It urges Congress to direct the Pentagon to build commercial facilities across the country to biomanufacture products deemed “critical for DOD needs.” The U.S. government “will need to shoulder some of the risk of early-stage financing for biotechnology and encourage private investment,” such as “[streamlining] regulatory processes to alleviate unnecessary burdens and accelerate the commercialization.”

The report’s tone is urgent, and lawmakers appear eager to act. One day after the report’s publication, NSCEB Chair Todd Young and Commissioners Alex Padilla, Stephanie Bice and Ro Khanna jointly introduced the National Biotechnology Initiative Act in both the House and Senate to “set in motion a whole-of-government approach to advancing biotechnology for U.S. national security, economic productivity, and competitiveness.”

Commissioners are urging “swift action” on militarizing biotech, “to protect U.S. national security.” In an accompanying press release, Vice Chair Michelle Rozo implored lawmakers to take action on the NSCEB report, stating, “Technology is not inherently good or bad, but who uses it matters.”

Independent researcher Jeff Kaye agrees with her statement. The U.S., which recently conducted extensive airstrikes in Yemen and continues to support Israel’s military campaign in Gaza, is, according to Kaye, a dangerous actor.

Independent journalist Peter Byrne tells MintPress News that the report reflects “the rationally untethered paranoid politics driving the ongoing weaponization and monetization of AI” in the U.S.

Byrne says that NSCEB’s speculative and scientifically questionable report “focuses on using so-called artificial intelligence to enhance the biologically violent capacities of government-backed and corporate-supported military forces—so-called “warfighters” who are increasingly being cyberized and treated, alongside targeted civilian masses, as expendable biologically augmented actors within what the report describes as an ‘Internet of Military Things.’

A Biotech Arms Race Built on Fear
The NSCEB’s composition raises additional concerns. The presence of both Democrats and Republicans on the Commission allows it to present itself as a bipartisan body. However, this obscures the fact that most commissioners aren’t neutral experts, but have deep ties to the Pentagon and U.S. intelligence community.

For example, Michelle Rozo serves as vice president of technology at In-Q-Tel, the CIA’s venture capital firm. The firm has invested heavily in biotechnology, almost since its inception.

According to her official NSCEB biography, Commissioner Dawn Meyerriecks “led the iconic CIA Directorate of Science and Technology…defining and delivering global capabilities beyond state-of-the-art.”

She also served on the NSA’s corporate board for over a decade. In that role, she helped the agency transition to the cloud and “[revamped] their approach to encryption.”

It is unclear if she crossed paths in that role with fellow board member Eric Schmidt, founder of Google, whose early development was supported by funding from intelligence agencies, including the CIA and NSA.

Google was a primary beneficiary of the post-9/11 U.S. national security state. A September 2021 report found that 77% of all government contracts awarded to the firm were related to the War on Terror.

This included developing the Maven program, which used AI to improve drone targeting, and counter-terrorism tools that disproportionately targeted Muslims on social media. Income from this program was key to supporting Google’s rise to global dominance.

Another notable member of the Commission is Dov Zakheim. A Pentagon journeyman who, during the Reagan administration, strived to ensure Israel was equipped with U.S.-made weapons and fighter jets at bargain rates, he was also a key member of the Project for the New American Century. In September 2000, the neoconservative think tank published “Rebuilding America’s Defenses.” The report promoted “the belief that America should seek to preserve and extend its position of global leadership by maintaining the preeminence of U.S. military forces.”

The document controversially suggested that ethnic bioweapons could “transform biological warfare from the realm of terror to a politically useful tool.” Zakheim was among its authors, along with fellow PNAC members Jeb Bush, Dick Cheney, Richard Perle, Donald Rumsfeld and Paul Wolfowitz. They later served as key advisers to President George W. Bush during the War on Terror.

“The marriage of biotechnology and U.S. national defense – war – policy harkens back to the U.S. crash program to create a usable germ warfare arsenal during the Korean War,” Jeff Kaye tells MintPress News. “Now the U.S. government wants to whip up a false fear about ‘genetically enhanced PLA super-soldiers’ in order to fund their own unprecedented attempt to create such soldiers themselves.” In the end, Kaye says, such programs primarily benefit military and technology contractors and raise serious ethical and strategic concerns.

The Myth of China’s Super Soldiers
In December 2020, then-U.S. Director of National Intelligence John Ratcliffe directly accused the Chinese government of “[conducting] human testing on members of the People’s Liberation Army in the hope of developing soldiers with biologically enhanced capabilities.” Despite providing no evidence, and the question of whether this is even scientifically possible being an obvious and open one, his comments triggered widespread media coverage, often uncritical, that persists to this day. Multiple outlets have published speculative accounts of Chinese advancements in gene-edited or technologically enhanced “super soldiers.”

Perhaps unsurprisingly, the NSCEB report repeatedly justifies the urgent need for U.S. investment in biotechnology with claims that Beijing is close to outpacing Washington in every aspect of the field. “China’s recent success across core biotechnology capabilities, including AI-driven drug discovery platforms and biomanufacturing, signals that they may soon eclipse us,” the report ominously cautions, “and if that happens, the U.S. may permanently lose its competitive edge. But the biggest threat, naturally, lies in the military sphere.

Nonetheless, the Commission appears uncertain on whether China has already made concrete moves in the direction of biotech weaponization, intends to, or is merely exploring the concept. For example, one passage states “our adversaries could [emphasis added] engineer ‘super soldiers’ with genetically enhanced physical capabilities.” Another speculates, “paired with new technologies like implanted brain-computer interfaces that tap directly into a soldier’s brain chemistry…‘super soldiers’ could [emphasis added] attack our military – before our leaders can even act.”

Elsewhere, though, the Commission firmly declares it has “every reason to believe that the CCP [sic] will weaponize biotechnology,” including the creation of “biotechnology-powered troops,” citing a highly questionable October 2024 State Department report drawn up by arch anti-China hawks as proof. The report speculates that traditional technologies like drone warfare could pale in comparison to “genetically enhanced PLA super-soldiers with fused human and artificial intelligence.”

While super soldiers may sound like science fiction today, in reality the CCP [sic] has long called for ‘population improvement’, and has backed research into topics like the genetic basis of intelligence.”

The conclusion is highly debatable and lacks substantiating evidence.

In March 2003 a then-senior member of the National Committee of the Chinese People’s Political Consultative Conference (CPPCC), a purely advisory body without any legislative power, called for “better protection of the health of baby girls,” and “the need of start [sic] a project to cure deformed baby girls or girls born with slight defects.” Then, the Commission points to a 2022 report from Berlin’s Max Planck Society for the Advancement of Science.

The report notes that while China is a pioneer in the emerging field of Germline Genome Editing, its experiments have exclusively focused on eradicating genetic diseases and hereditary disabilities. These experiments involve changes to DNA in egg, sperm or embryo cells—a still-controversial area of research.

Moreover, the report stresses that other countries – including Britain and the U.S. – have undertaken comparable experiments, and Beijing adheres to a rigorous regulatory framework in all its GGE testing.

The Society notes that in November 2018, a Chinese scientist and two collaborators independently created genetically edited babies without government approval or oversight. As a result, they were jailed for “illegal medical practices” and violating national regulations on biomedical research and medical ethics. The report contains no indication that this research is intended for military use, begging the question of how the Commission concluded from its findings that “super soldiers” are an intended result of China’s GGE experiments.

Human Enhancement and Military Obedience
Although the NSCEB report includes a recommendation for ethical oversight, a leading recommendation in the NSCEB report is for the Pentagon “to consult with stakeholders to define principles for ethical use of biotechnology for the U.S. military.” However, the accompanying text runs to just over 250 words and offers no explanation or definition of ethics in this context, let alone examples or concrete proposals for countering them. It simply states the investment must reflect the U.S. military’s “commitment to American values,” without defining what those values are or how they should be measured in practice.

Nonetheless, the Pentagon is encouraged to consider “Biotechnologies for warfighter performance optimization.” These include performance-enhancing technologies, policies for informed consent, and discussion of potentially heritable genetic treatments.

This raises only a fraction of the broader ethical questions surrounding the militarization of biotechnology.

As Peter Byrne tells MintPress, “the professional China-demonizing ‘authorities’ are calling for diverting the USA’s increasingly diminishing funds for projects aimed at benefiting society at large, for weaponizing disease and genetics with the sole goal of killing millions of people for profit by the very few. There is no ‘ethical’ stance to take in undertaking a fundamentally murderous and technologically stupid project, which is bound to backfire, except to recoil from it as a hot iron.”

The report does urge the Pentagon to ensure soldiers give informed consent to any genetic enhancements. The “reversibility” of ‘enhancements’ to which they are subjected suggests that the NSCEB’s program will – at least publicly – adhere to basic medical standards. Yet, a deeply disturbing May 2021 Britain’s Ministry of Defence report on “human augmentation” raises grave concerns about “consent” in military contexts:

Consent in the military is necessarily different to consent in wider society due to the unique relationship between subordinates and their superiors. It could be difficult for military personnel to give sufficiently voluntary and informed consent due to a tendency to follow orders over individual interest. Would a Service person who refused to be augmented be guilty of disobeying a lawful command?”

The report stressed that “establishing advantage” in human augmentation was urgent. It claimed the role of people in war was “being challenged in three key areas: data, complexity and speed.” Human augmentation, it added, was “the missing part of this puzzle.”

It went on to advocate wearable technologies, psychedelic drugs, gene editing, exoskeletons, sensory augmentation devices, and invasive implants such as “brain interfaces” be considered for administration to soldiers by the British military post-haste. “Adversaries” supposedly outpacing London in the field was a core justification.

That the British M.O.D. published almost identical findings to NSCEB four years ago amply demonstrates how Western governments and military thinkers have been obsessed with weaponizing the human body and mind for some time. Their public pronouncements and formally published, open-source plans offer far more concrete, chilling indications of developments in this field than have ever emerged from China. For example, NATO’s ‘Innovation Hub’ during 2020/21 published a number of bizarre papers and convened several conferences on the subject of “cognitive warfare.”

The Hub’s purpose was to explore “militarisation of brain science” and answers to the burning question of how to overcome perceived biological limits to human performance.

Most of the associated paper trail has suspiciously been removed from the web. However, documents it published outlined numerous ways in which the “human domain” could be added to established spheres of conflict, such as “air, land, sea, space and cyber.”

It resolved for NATO to aim for “cognitive warfare” dominance globally by 2040.

In a surreal twist, the Hub consulted several “futurists” to sketch fictional scenarios, whereby this objective could be achieved. One paper outlined a fictional scenario in which, by 2039, autopsies conducted on Chinese soldiers killed in skirmishes with U.S. and Australian troops over a Silk Road initiative in Zambia would find the corpses were “supra-human,” or genetically augmented beyond typical human capacity, the product of gene-editing in a lab that would give them enhanced muscle capacity, night vision, and “resistance to sleep deprivation, thirst, extreme heat and humidity.”

The incident, the author forecast, would trigger a “cognitive war” under NATO’s Article 5. It was not long after this highly speculative and implausible fiction was published that Ratcliffe made his claims about China developing “super soldiers,” suggesting that Ratcliffe’s remarks may have drawn inspiration from speculative NATO material.

If NSCEB’s report is fully adopted, many of the Innovation Hub’s most alarming proposals could edge closer to reality.

Aaron Good, founder of American Exception, argues the implications of the report are dire and reflect deeper dysfunction in U.S. governance.

This enterprise is so sinister and horrifying, it is not something that should be considered in an advanced civilization. But since we live under a lawless and exploitative oligarchic regime whose only real imperatives are to perpetuate itself and to aggrandize the wealth and power of its oligarch owners, this is what we get.”

“We must hope some constellation of internationalist powers can transcend the regime of the West,” Good says, concluding that the U.S.-led global order is unlikely to yield power without resistance.

As during the Cold War—when exaggerated claims of Soviet nuclear superiority and Chinese brainwashing triggered decades of arms races and human experimentation—U.S. policymakers are again invoking the specter of enemy-state superpowers to justify ethically murky and potentially illegal programs. Echoes of past atrocities like MKULTRA are unmistakable, raising the question of whether some biotech enhancement experiments may already be underway in secret.