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sábado, 4 de julho de 2026

Criminalidade. Revisão da população mostra país ainda mais seguro

A taxa de criminalidade foi revista em baixa nos últimos anos, na sequência das alterações do INE. O país vive um dos períodos com menor incidência da criminalidade em quase trinta anos. Este artigo integra a rubrica Visão Periférica.
4 Julho 2026, 11h00

Muita tinta já correu na sequência da disrupção estatística provocada pela revisão populacional do INE. Mas não ficará por aqui. Esperam-se outras repercussões nos próximos tempos, tendo em conta que estão a ser revisitados vários indicadores que dependem da população, como a riqueza anual por habitante ou dados relativos ao emprego e à saúde. Um deles - a taxa de criminalidade - já foi atualizado esta semana pelo INE, mas passou despercebido.

Os novos dados mostram que houve 32 crimes por cada mil habitantes em 2025, uma subida face a 2024 (31,2), mas abaixo de 2023 (33,2). Estes últimos dois valores (tal como os dos dois anos anteriores) são já reflexo da revisão do INE — antes, estavam em causa mais dois crimes por mil habitantes (33 e 35, respetivamente, segundo as contas do Jornal Económico).

Isto significa que a taxa de criminalidade do ano passado é a quinta mais baixa desde 1998. E a taxa de 2024 passa a ser a terceira. Nesta comparação, estão incluídos os anos de 2020 (28,7 crimes) e 2021 (28,4) - períodos em que houve confinamentos e, por arrasto, menos oportunidades para várias tipologias de crime. Dito de outro modo, se não contássemos com este período de excepção, o valor de 2024 teria sido o mais baixo em pelo menos 28 anos. E a taxa de 2025 seria a terceira mais baixa.

Convém notar que a incidência da criminalidade em Portugal, nos últimos anos, já se encontrava em níveis reduzidos quando comparada com outros períodos da história recente. Mesmo antes desta revisão, o pico de 2023 era inferior a qualquer taxa entre 1999 e 2013.

Os valores mais elevados foram registados entre 2008 e 2010 (na casa dos 40 crimes), período que coincide com a crise financeira global. Nos anos seguintes, durante a Troika, houve uma progressiva redução, com quatro descidas consecutivas a partir de 2011 (até atingir 33,8 em 2014), num contexto de queda da população (menos 163 mil pessoas em quatro anos). E depois estabilizou: em seis dos últimos oito anos (com exceção do período da pandemia), andou sempre entre 31 e 32 crimes por mil habitantes.


Claro que nem todos os crimes são iguais, mas a análise por categoria não altera as conclusões. Nos crimes contra a integridade física, a taxa de criminalidade está em 5 por 1.000 habitantes, o valor mais baixo desde pelo menos 2011. O mesmo se aplica aos furtos de veículo e em veículo motorizado (2,4) e aos furtos e roubos por esticão e na via pública (0,6) — neste caso, ao mesmo nível do período 2021-2023. Os crimes contra o património (16,2) só não são o valor mais reduzido porque na pandemia houve menos (de 2020 a 2022 oscilou entre 14 e 15 por mil habitantes).

As duas únicas categorias em que a taxa de criminalidade não está em níveis historicamente baixos dizem respeito ao comportamento na estrada: a condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l é de 2 por cada mil (tinha sido inferior entre 2017 e 2021 e em 2024) e a condução sem habilitação (1,3), que supera nove dos últimos 15 anos.

Os imigrantes
Comparando com os dados imediatamente anteriores à pandemia, houve um aumento de 9% na criminalidade registada entre 2019 e 2025: mais 30 mil, para um total de 365 mil crimes, segundo as contas do JE, com base no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), publicado no final de março. Só que, sabemos agora, este aumento ocorreu enquanto a população crescia 10,1%, cerca de um milhão de pessoas desde 2019, sobretudo imigrantes.

Numa altura em que os cidadãos estrangeiros representam 14% da população, a incidência da criminalidade é uma das mais baixas em quase três décadas, comparando bem com o pré-pandemia (32,3 crimes por mil habitantes em 2019) e com o registo de há uma década (os mesmos 32 crimes em 2016). Nesses anos, porém, os cidadãos estrangeiros representavam apenas entre 3% e 4% dos residentes. Ou seja, o peso dos imigrantes duplicou no país, mas os níveis de criminalidade mantiveram-se estáveis em relação à população, contrariando as narrativas populistas.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Noruega destaca-se como “o país europeu que mais portugueses expulsou” em 2025?


Não. Em 2023, o Polígrafo já tinha verificado um post onde era visível um artigo do “Público”, ilustrado com os retratos de oito indivíduos negros, que supostamente teriam sido expulsos da Noruega. A notícia, apesar de verdadeira, não tem qualquer relação com a imagem utilizada. Agora, repete-se a alegação, completamente desprovida de contexto.

O artigo foi publicado em 2022 e, consequentemente, diz respeito a 2021. Nesse ano, dos 370 portugueses deportados, 276 (74%) foram realmente expulsos de países europeus, sendo que, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2021, 95 desses foram obrigados a abandonar a Noruega, mais do que qualquer outro país. As autoridades norueguesas especificaram ainda que o número não só engloba expulsões, como também recusas de entrada e permanência.

A estatística, no entanto, volta a ser partilhada em 2026, referindo-se assim ao ano de 2025. Ora, o RASI de 2025 aponta para um total de 352 portugueses que receberam ordens de saída em todo o mundo, dos quais 219 foram afastados de países na Europa. Ao contrário do registado em anos anteriores, a Noruega não consta sequer dos países referidos neste contexto.

Tal como mencionado, as fotografias que acompanham o post não mostram portugueses afastados de qualquer país. Na realidade, são retratos de criminosos detidos em 2017 por tráfico de droga em Londres. De facto, alguns dos homens detidos têm nomes em língua portuguesa, como Bruno da Silva, Evanildo Gomes ou José Mário Sá. Porém, nenhuma das penas aplicadas consistiu na expulsão de qualquer um dos condenados, cujas penas variaram entre nove meses e quatro anos de prisão.

Em conclusão: os números indicados na publicação estão desatualizados e, no último ano (2025), a Noruega não foi o país europeu que mais portugueses deportou; as imagens não correspondem a indivíduos de nacionalidade portuguesa, nem a indivíduos deportados da Noruega. Duas falsidades numa mesma publicação.

terça-feira, 17 de março de 2026

Mohommad Paktyawal, cidadão norte-americano, serviu o País durante a guerra do Afeganistão, morreu 24 horas depois, nas mãos do ICE

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em veículos não identificados, cercaram Mohommad Nazeer Paktyawal em frente à sua casa, no Texas, quando ele se preparava para levar os filhos à escola. O homem de 41 anos, pai de seis filhos, que tinha servido ao lado do 3.º Batalhão das Forças Especiais do Exército dos EUA no Afeganistão, morreu sob custódia do ICE no dia seguinte.

After working with the U.S. military in Afghanistan, Mohommad Nazeer Paktyawal died in the country he spent years of his life helping.
The cruelty is endless.

Toda a história aqui e aqui
História detalhada aqui



sábado, 7 de março de 2026

Mafalda Livermore: a ironia faz-se sózinha


O caso de Mafalda Livermore é o exemplo acabado de como a realidade, por vezes, se encarrega de expor as maiores contradições sem precisar de floreados. A ironia faz-se sozinha porque o choque entre a retórica e a prática é absoluto: uma criminologista, ligada a um partido que se apresenta como o único capaz de limpar a corrupção e combater o "sistema" de privilégios, acaba exonerada por um caso de nepotismo direto e pela exploração de condições de habitabilidade indignas. Rever Prova dos Factos

A situação torna-se particularmente gritante quando observamos que o lucro vinha precisamente da população imigrante, o grupo que o partido mais utiliza como alvo do seu discurso de insegurança e desordem. Quando uma estrutura política que reclama a exclusividade da moralidade e da "lei e ordem" se vê enredada em esquemas de favorecimento familiar e na precarização de seres humanos, a narrativa de "pureza" colapsa. Não é necessário um debate ideológico profundo para perceber a incoerência; basta olhar para os factos, que se revelam tão opostos às promessas eleitorais que a própria situação se torna uma sátira da mensagem política que o partido tenta vender.

O Chega é um verdadeiro poço de bandidos de toda a ordem. Quase não há dia nenhum em que não se descubra que mais um bandido chegano foi caçado numa das milhentas falcatruas possíveis de serem feitas neste mundo de pseudo empresários nascidos nas redes sociais.
As escandaleiras envolvendo cheganos são tantas e de tal ordem que já ninguém se admira quando um qualquer noticiário abre com a noticia de um chegano metido em vigarices ou enfiado num qualquer processo judicial. Escolheram-nos a dedo o que não admira numa seita montada sobre milhentas assinaturas falsificadas pelas quais ninguém foi responsável nem responsabilizado. Até hoje ninguém percebe como um gangue de bandidos pode concorrer a eleições com órgãos diretivos ilegais, com contas não aprovadas pelo tribunal Constitucional e com estatutos reprovados pelo mesmo Tribunal. O Chega utiliza estas derrotas no Tribunal Constitucional para alimentar a sua própria narrativa: presentam-se como vítimas de uma perseguição das elites ou dos juízes "do sistema" e quanto mais o TC chumba os seus estatutos, mais o partido diz aos seus eleitores que "eles" (os poderes instituídos) estão a tentar calar a voz do povo.
Mas se toda esta vigarice causa estranheza a muita gente mais estranheza causa que 25% dos eleitores nacionais estejam de tal forma alienados e hipnotizados com este bando de gangsters que lhes entregam o seu voto.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Era só o que faltava que eu não pudesse reflectir em voz alta - Amanhã votarei em António José Seguro!

Ainda tem dúvidas? 
Autarca do Chega de 49 anos aterrorizou um vizinho com tiros (!!). Além de lhe ter matado uma ovelha, o fulano causou danos avaliados em 20 mil euros à vítima, também resultantes de disparos de arma de fogo.
Amanhã voto ANTÓNIO SEGURO, faça chuva, faça Sol.

Amanhã irei votar contra o ódio, contra o fascismo, contra o racismo, contra a xenofobia, contra a homofobia, contra a misoginia, contra as touradas, contra a bufaria, contra a militarização das fronteiras, contra a criação de uma polícia migratória estatal e contra criminosos de colarinho branco. 

Não é só Portugal que está em causa. André Ventura partilha e difunde os pilares fundamentais do movimento Internacional Nacionalista, a saber: 

A. Nacionalismo Identitário: A defesa da "identidade cristã" e dos valores tradicionais contra o multiculturalismo. 

B. Populismo de Exclusão: A dicotomia entre o "povo de bem" e as "elites corruptas", estendendo-se frequentemente a ataques contra minorias (especialmente a comunidade cigana e imigrantes). 

C. Segurança e Autoritarismo: Defesa de penas mais pesadas (prisão perpétua, castração química) e um apoio incondicional às forças policiais. (vejam o ICE, nos EUA)

2. As Alianças Internacionais 
André Ventura tem sido muito eficaz a inserir-se na "Internacional Nacionalista". Ele não é apenas um admirador, é um parceiro ativo de figuras chave: 

Santiago Abascal (VOX) Espanha - O aliado mais próximo, com frequentes visitas mútuas e uma agenda comum para a Península Ibérica. 

Matteo Salvini (Lega) Itália - é parceiro no grupo parlamentar europeu Identidade e Democracia (ID). 

Marine Le Pen (RN) França - uma das principais referências e apoiante pública de Ventura em campanhas eleitorais. 

Viktor Orbán (Hungria)- Ventura aponta frequentemente a Hungria como modelo de defesa das fronteiras e da família. 

Donald Trump / Jair Bolsonaro- Ventura adoptou o estilo de comunicação direta e brutalista nas redes sociais e a retórica de "limpeza do sistema" destes líderes.

André Ventura pratica e abusa de deepfake, bots e mentiras.

Só tenho pena de não ter sido discutido o tema ecologia e ambiente.

Provavelmente este “ português de bem ”vai apresentar como defesa, que a ovelha o insultou ou era do Bangladesh (ironia)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O problema com Stephen Miller é que ele não sente vergonha. O arquiteto da política de imigração de Trump cometeu um erro em Minneapolis



Depois da morte do enfermeiro norte-americano Alex Pretti às mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA, as atenções começam a virar-se para Stephen Miller, o principal conselheiro de Donald Trump, responsável por redesenhar a política de imigração do país.

Nas redes sociais, Miller não demorou a classificar a vítima como um “aspirante a assassino”, que tentou matar agentes federais”, apenas algumas horas depois do confronto fatal entre as forças do ICE e o homem de 37 anos. Mas nem Donald Trump parece concordar com a afirmação, tendo assegurado esta terça-feira que “não” acredita que Pretti fosse um assassino.

No mesmo dia, em declarações à CNN, Stephen Miller admitiu que os agentes “podem não ter seguido” o protocolo adequado antes do tiroteio que tirou a vida a Pretti - uma posição insólita vinda de alguém conhecido por reforçar as suas convicções, de acordo com o The Guardian.

Antes de ser contrariado pelo próprio presidente, já se levantavam dúvidas sobre a ausência do conselheiro na reunião de duas horas que Donald Trump realizou com a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, esta segunda-feira, de onde saiu um novo anúncio: foi destacado para Minneapolis o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, para “recalibrar as táticas” e melhorar a cooperação com as autoridades estatais e locais.

Além de Homan ser conhecido por criticar a abordagem de Stephen Miller, Donald Trump manteve ainda telefonemas cordiais com o governador do Minnesota, Tim Walz, e com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey.

“O problema com Stephen Miller é que o mal é resiliente. Ele não sente vergonha, não acha que isto seja algo mau. Está convencido de que outras pessoas o envergonharam, mas não acredita que ele esteja a conduzir um ataque às liberdades constitucionais dos americanos”, afirmou Rick Wilson, co-fundador do Lincoln Project (um grupo anti-Trump), citado pelo mesmo jornal.

Em maio do ano passado, o conselheiro de Trump encomendou ao serviço de imigração três mil detenções diárias, um aumento de quase dez vezes relativamente ao ano anterior. Segundo, Larry Jacobs, diretor do Centro para o Estudo da Política e Governação da Universidade do Minnesota, o abuso de poder de Miller foi um dos principais fatores a desacreditar a política de deportação de Donald Trump.

“O facto de ele ter sido afastado da reunião na Casa Branca é uma mensagem forte para Washington de que o presidente não aprova este processo e de que tem de haver uma mudança”, reforça o responsável, afastando, ainda assim, a possibilidade de Miller vir a ser despedido. “Não espero que Stephen Miller seja despedido, porque Donald Trump apoia a política, só não apoia a forma como foi executada”, sublinhou Larry Jacobs.

Apesar de os democratas terem avançado com uma iniciativa para destituir Kristi Noem, os especialistas não têm dúvidas de que o verdadeiro culpado da tragédia de Minneapolis é Miller, que ocupa ainda o cargo de vice-chefe de gabinete da Casa Branca.

Larry Jacobs destaca Stephen Miller como o verdadeiro “arquiteto” que “tem pressionado o ICE para endurecer e apresentar mais números, trazer pessoas e só depois ver se são as pessoas certas”.

“A imprudência, a brutalidade, a falta de processo legal. Tudo isso tem raízes em Stephen Miller”, frisou o especialista.

Depois do erro de Minneapolis, o principal conselheiro de Donald Trump “terá um papel público muito menor no futuro previsível”, afirmou Henry Olsen, investigador no Ethics and Public Policy Center, em Washington.

“É claro que Trump pessoalmente não gosta, do ponto de vista das relações-públicas, do que tem estado a acontecer, e é sensível a isso, sempre foi. Ele sabe, tanto pelo seu instinto como pelo que os dados lhe dizem, que Miller e Noem não se favoreceram com a forma como abordaram imediatamente a morte” de Pretti.

Mesmo assim, corrobora a opinião dos investigadores que não acreditam numa demissão de Miller: “Ele está com Trump há bastante tempo e o presidente não tem problemas em livrar-se de subordinados que não rendem, mas suspeita-se que Miller, em muitos aspetos, está a render e, por isso, Trump não o vai atirar borda fora precipitadamente.”

“Stephen Miller é demasiado dominante no esquema mental de Trump sobre o que a base MAGA quer, para ser verdadeiramente afastado do seu círculo. Não acho que exista um mundo em que Miller não mantenha a sua autoridade e o seu poder junto de Trump”, corrobora Rick Wilson.

Henry Olsen sublinha que é do interesse de Donald Trump manter Miller por perto, já que o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, rende onde interessa ao presidente: na televisão. É um defensor combativo de Trump, que caracteriza os democratas como uma “organização extremista doméstica” e a América como líder de um mundo “governado pela força, governado pela violência, governado pelo poder”.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PJ desmantela grupo neonazi "Grupo 1143" responsável por crimes de ódio e detém 37 suspeitos


A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou hoje uma associação criminosa que praticava crimes de ódio, tendo detido 37 suspeitos com “vastos antecedentes criminais” e “ligações a grupos de ódio internacionais”.

Em comunicado, a PJ adianta que, no âmbito da operação “Irmandade”, foram constituídos “mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias”.

Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”.

São suspeitos de terem fundado a organização criminosa, com uma estrutura hierárquica e distribuição de funções, “com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial”.

A organização é “responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas”.

Na operação, conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, participaram cerca de 300 elementos da PJ.

Segundo a CNN Portugal, o líder do grupo é Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia, e as vítimas eram imigrantes de países islâmicos.

Fonte próxima do processo disse entretanto à Lusa que a cela de Mário Machado foi alvo de buscas hoje de manhã.

Os detidos têm marcado o primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação, na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa.

Há dois elementos "não civis" entre os 37 detidos do Grupo 1143 durante a Operação Irmandade, esta terça-feira. A PJ não quis explicitar se se tratam de elementos das forças e serviços de segurança, na conferência de imprensa realizada poucas horas após as buscas. Mas o Expresso apurou que um destes dois elementos é um militar e o outro polícia.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Anti-Imigrantes e Conservadores, pensem nisto - a vida de Lupe Vélez

Lupe Vélez, atravessou as Duas Grandes Guerras Mundiais. Uma Mulher muito à frente do seu tempo! Lupe Vélez, cujo nome verdadeiro era María Guadalupe Vélez de Villalobos, foi uma atriz Mexicana que fez carreira nos EUA, nascida a 18 de julho de 1908 em San Luis Potosí, México, e falecida em Beverly Hills, Califórnia, a 13 de dezembro de 1944. É conhecida pela sua prestação no filme "O Marido da Mulher Indiana" (1931), de Cecil B. DeMille.
A imagem que Lupe projetava na tela grande nada mais era do que um reflexo da sua própria personalidade. Vélez manipulava conscientemente a sua imagem. Com sua proclamação: "Eu não sou selvagem. Eu sou apenas Lupe", Vélez cultivou uma reputação pública como uma mulher explosiva e irreverente em Hollywood, e se identificava com papéis cinematográficos de mulheres da "classe média baixa" e personagens exóticas. Jornalistas de Hollywood a apelidaram de Whoopee Lupe , A Pantera Mexicana e La Chinampina . Chegaram ao ponto de proclamá-la a Garota Mexicana do Momento, em resposta ao sucesso da "flapper girl" da moda, Clara Bow , a chamada Garota do Momento . Vélez revelou: "A que atribuo meu sucesso? Acho, simplesmente, que sou diferente. Não sou bonita, mas tenho olhos lindos e sei exatamente o que fazer com eles. Mesmo que o público pense que sou uma garota muito selvagem, na verdade não sou." Sou apenas eu, Lupe Vélez, a simples e natural Lupe. Se estou feliz, danço, canto e ajo como uma criança. E se algo me irrita, grito e choro. Alguém chamou isso de "personalidade". Personalidade nada mais é do que ser você mesmo perto de outras pessoas. Se eu tentasse parecer e agir como Norma Talmadge , a grande atriz dramática, ou como Corinne Griffith , a aristocrata do cinema, ou como Mary Pickford , a doce e gentil Mary, eu não seria nada mais do que uma imitação. É por isso que eu só quero ser eu mesma, Lupe Vélez". Infelizmente teve um fim trágico. Naquela época, ser mãe solteira era socialmente inaceitável e teria acabado com sua carreira; ela descartou a alternativa de um aborto. Desesperada, cansada do amor não correspondido e deprimida pelo escândalo iminente, ela viu apenas uma saída: decidiu cometer suicídio.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Governo dos EUA faz ameaça anti-imigração em português



“Se você vier aos Estados Unidos para roubar os americanos, o presidente Trump vai te jogar na cadeia e te mandar de volta para o lugar de onde você veio.” A mensagem, escrita em português do Brasil, foi colocada esta semana na conta oficial do Departamento de Estado dos EUA no X (antigo Twitter).

A acompanhar a publicação, uma fotografia de Donald Trump a preto e branco com uma legenda em letras garrafais: “Envia-os de volta.”

O Departamento de Estado dos EUA, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Portugal, tem contas nas redes sociais em várias línguas - e aproveitou-as para passar, também na língua portuguesa, a mensagem anti-imigração de Donald Trump.

Ao longo do último ano, o Presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a ação contra a imigração ilegal nos Estados Unidos, promovendo rusgas em massa por todo o país para capturar imigrantes ilegais, deportações e perseguições judiciais — e mergulhando no medo várias comunidades imigrantes, incluindo a comunidade portuguesa de Nova Jérsia.

Na quarta-feira (14), o canal de televisão Fox News Digital comunicou que seria congelada a emissão de autorização para permanência nos Estados Unidos. Pouco depois, por meio de publicação em seu perfil no X, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou a informação. O Departamento de Estado justificou a medida por meio de postagem na mesma rede social.

“O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos imigrantes recebem benefícios sociais do povo norte-americano em taxas inaceitáveis, o congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza dos [cidadãos] norte-americanos”, disse o órgão.

O departamento também afirmou que a interrupção do serviço afetava países “cujos imigrantes frequentemente se tornam um encargo público” para o país. “Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo norte-americano não seja mais explorada”, escreveu. O órgão finalizou a publicação dizendo que “o governo Trump sempre colocará os Estados Unidos em primeiro lugar”.

Trump imigrante, mãe de Trump imigrante, mulher de Trump imigrante. Trump pedófilo. Aliado e alimentando com biliões de dólares ditadores de extrema-direita na América Latina  [aqui]  . Roubou e invadiu Venezuela e ameaça o mesmo noutros Países do Norte Gobal.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Seriously, what is a human being?


Friends,
It seems appropriate right now to try to clarify one of the most basic questions America is (or should be) struggling with: What does it mean to be a human being?
The confusion is mounting.

Three illustrations:

1. Corporations
Corporations are not human beings. That should be self-evident.

But in 2010, the Supreme Court ruled (in its Citizens United case) that corporations are the equivalent of “people” under the First Amendment to the Constitution, with rights to free speech.

This ruling has made it nearly impossible for the government to restrict the flow of money from giant corporations into politics. As a result, the political voices — and First Amendment rights — of most real human beings in America are being effectively drowned out.

But in coming years, states will have an opportunity to circumvent Citizens United by redefining what a “corporation” is in the first place. Absent state charters that empower them to become “corporations,” business organizations are nothing more than collections of contracts — between investors and managers, managers and employees, and consumers and sellers.

In the 1819 Supreme Court case Trustees of Dartmouth College v. Woodward, Chief Justice John Marshall established that:
“A corporation is an artificial being, invisible, intangible [that] possesses only those properties which the charter of its creation confers upon it …. The objects for which a corporation is created are universally such as the government wishes to promote.”

Montana is now readying a proposition for its 2026 ballot that would empower organizations that sought to be corporations there to do many things — except to fund elections. (I’ve written more on this, here.)

2. Artificial Intelligence
AI is not human, although it’s becoming increasingly difficult for many real people to tell the difference between “artificial general intelligence” and a real person.

As a result, some real people have lost touch with reality — becoming emotionally attached to AI chat boxes, or fooled into believing that AI “deepfake” videos are real, or attributing higher credibility to AI than is justified — sometimes with tragic results.

In his typically ass-backward pro-billionaire way, Trump has issued an executive order aimed at stopping states from regulating AI. But some governors — most interestingly, Florida’s Ron DeSantis — have decided to establish guardrails nonetheless.

DeSantis is calling on Florida’s lawmakers to require tech companies to notify consumers when they are interacting with AI, not to use AI for therapy or mental health counseling, and to give parents more controls over how their children use AI. DeSantis also wants to restrict the growth of AI data centers by eliminating state subsidies to tech companies for such centers and preventing such facilities from drying up local water resources.

In a recent speech, DeSantis said:
“We as individual human beings are the ones that were endowed by God with certain inalienable rights. That’s what our country was founded upon — they did not endow machines or these computers for this.”

I never thought I’d be agreeing with Ron DeSantis, but on this one he’s right.

Corporations are legal fictions. Human AI is a technological fiction. Neither has human rights. Both should be regulated for the benefit of human beings.

3. Non-Americans and suspected enemies
The third illustration of our current confusion over what is a human being is endemic in Trump’s policies toward immigrants and many inhabitants of other nations, now especially in and around Venezuela.

Yesterday, a federal agent shot and killed a 37-year-old woman during an immigration raid in Minneapolis. Despite what Trump and Kristi Noem say, a video at the scene makes clear that the shooting was not in self-defense. Minnesota Gov. Tim Walz said: “We have been warning for weeks that the Trump administration’s dangerous, sensationalized operations are a threat to our public safety,” adding that it cost a person her life.

ICE agents are arresting and detaining people on mere suspicion that they are not in the United States legally — sometimes deporting them to foreign nations where they’re brutalized — without any independent findings of fact (a minimum of “due process”).

Meanwhile, Trump and Stephen Miller, his assistant for bigotry and nativism, are busy dehumanizing immigrants. For example, Trump describes Somalian-Americans as “garbage.”

Last weekend, the U.S. killed an estimated 75 people in its attack on Venezuela, as it abducted Venezuelan president Nicolás Maduro and his wife. The U.S. has been bombing and killing sailors on small vessels in the Caribbean and off the coast of Venezuela on the suspicion they’re smuggling drugs into the United States — on the vague pretext that they’re “enemy combatants,” although Congress has not declared war.

Trump’s justification for all such killings has shifted from preventing drug smuggling to “regaining control” over oil reserves that Venezuela nationalized 50 years ago.

In all these cases, the Trump regime is violating fundamental universal human rights considered essential to human dignity.

Corporations and AI are not human beings, but people who come to the United States seeking asylum indubitably are human. So too are undocumented people who arrived in the United States when they were small children and have been here ever since. As are our neighbors and friends who, although undocumented, are valued members of our communities.

As are the Venezuelans who have been murdered by the Trump regime. So, what does it mean to be a human being?

It means the right to be protected from the big-money depredations of giant corporations, and from the emotional lure of AI disguised as a human.

And it means to be treated respectfully — as a member of the human race possessing inherent, inalienable rights.

These are moral imperatives. But America is doing exactly the reverse.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Mão de obra imigrante é nove anos mais jovem do que a portuguesa – estudo


Os imigrantes que trabalham em Portugal são, em média, nove anos mais novos que a força de trabalho portuguesa, segundo uma análise estatística hoje divulgada.

De acordo com uma pesquisa da plataforma Prepara Portugal, com base nos dados cruzados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), “em 2023, a idade mediana dos trabalhadores estrangeiros era de 33 anos, enquanto a dos trabalhadores portugueses atingia os 42 anos”, um sinal de que os imigrantes contribuem para o “rejuvenescimento do mercado de trabalho nacional”.

Por outro lado, o estudo indica que mais de 85% da população estrangeira residente em Portugal encontra-se em idade ativa, muito acima da população portuguesa.

“Entre os nacionais, o grupo com 65 anos ou mais representa mais de 24% da população, enquanto entre os imigrantes esse valor não ultrapassa 8,5%”, refere Higor Cerqueira, diretor pedagógico do Prepara Portugal, uma plataforma destinada a estudantes internacionais e imigrantes que procuram inserção profissional no mercado português.

Segundo o estudo, cuja versão final será apresentada em janeiro, os imigrantes “estão fortemente inseridos em setores estratégicos como construção civil, turismo, restauração, agricultura, serviços administrativos e tecnologia da informação, áreas que enfrentam escassez estrutural de mão de obra nacional”.

De acordo com Pedro Stob, formador do curso de Análise de Dados e Tecnologia da Informação Aplicada à Gestão, do Centro de Formação Prepara Portugal, o objetivo final foi formar “alunos a trabalhar com dados reais, interpretar fenómenos sociais complexos e comunicar conclusões com impacto para a sociedade”.

“O estudo aponta ainda para uma integração progressiva dos imigrantes no mercado laboral, refletida na melhoria das taxas de emprego e no aumento gradual das remunerações médias ao longo do período analisado, apesar da persistência de desafios como diferenças salariais, reconhecimento de qualificações e estabilidade contratual em alguns setores”, referem os autores.

A máquina da atenção: análise da cobertura do Chega e do seu líder


Há uma pergunta que não podemos evitar sempre que começa uma campanha eleitoral: quem define, de facto, os temas que ocupam o espaço público: os partidos ou as redacções dos Meios de Comunicação Social? Nas Autárquicas de 2025, a resposta ganhou contornos mensuráveis. Um levantamento exploratório do MDP: Movimento pela Democracia Participativa em que participei, baseado em pesquisas diárias realizadas no Google nos principais órgãos de comunicação portugueses entre 22 de setembro e 11 de outubro, mostra como a presença do Chega e, em particular, de André Ventura, foi não apenas dominante, mas também organizada em “ondas” temáticas com alto potencial de amplificação.

Com efeito, a curva de menções a “André Ventura” seguiu o padrão clássico dos ciclos mediáticos eleitorais: um pré-arranque relativamente discreto (André Ventura esteve três dias em parte incerta), uma explosão mediática no início oficial da campanha, um pico pronunciado e, por fim, uma retracção que permanece, ainda assim, acima do ponto de partida. Os números são eloquentes: de 1 700 referências no início da série para 9 080 na recta final, com um pico absoluto de 14 900 a 9 de outubro. Não é só volume; é o “timing”. O auge ocorre precisamente quando a disputa de mensagens é mais valiosa, ou seja, na fase em que os indecisos ainda escutam e os alinhados reforçam convicções.

Esta dinâmica não acontece no vazio: É construída. Entre 30 de setembro e 9 de outubro, a visibilidade de Ventura cresce de forma quase contínua, sinal de uma estratégia de “campanha de choque”: gerar acontecimentos (declarações, polémicas, episódios viralizáveis) capazes de puxar a cobertura para si, antes de a agenda estabilizar ou saturar.

Não basta contar menções: é preciso saber ao que remetem. O estudo isolou cinco enquadramentos discursivos recorrentes no discurso do Chega: justiça, corrupção, segurança, imigração e “comunidades ciganas” e seguiu a tração mediática de cada uma destas “frames”:

  1. A Justiça destacou-se como o eixo mais persistente e volumoso, liderando durante todo o período e batendo o recorde absoluto no dia 10 de outubro. Não é um acaso: “justiça” funciona como ponto de convergência para indignação, moralidade e punição: uma gramática que oferece ao Chega o papel autoatribuído de “voz do povo contra o sistema”.
  2. A Segurança mostrou-se o tema mais estável. Sem fogos-de-artifício, mas sempre alto. Se “justiça” dá a moral, “segurança” dá a ordem e sustenta a narrativa dia após dia.
  3. Imigração e “ciganos” operaram como boosters episódicos. Picos abruptos e quedas rápidas: sinais de ativação deliberada de polémicas com forte valor-notícia. Servem para reconfigurar a conversa nos momentos-chave, mas não se mantém como eixo estrutural da campanha.
  4. No agregado, o retrato é claro: o Chega agarrou a agenda com um tema estruturante (“justiça”), alimentou-a com um tema perene (“segurança”) e potenciou a sua visibilidade com detonadores de curto prazo (“imigração” e “ciganos”).

Comparando com PS e PSD, o Chega liderou o volume total de menções ao longo da série. O PS acompanhou a tendência na segunda metade da campanha, crescendo com intensidade na aproximação ao fecho. O PSD teve um pico precoce e perdeu tração logo depois. Três estilos distintos de presença mediática: exposição contínua e controversa (Chega), mobilização institucional concentrada (PS) e arranque forte com menor capacidade de retenção (PSD).

A consequência é um efeito de sobrerrepresentação temática: quando uma força política consegue impor, com regularidade, os seus temas preferidos, o risco não é apenas assimétrico, é cumulativo. A atenção puxa atenção; a polémica puxa cliques; e os cliques, por sua vez, reforçam o alinhamento editorial com aquilo que “rende”.

Este não é um apelo para “calar” ou silenciar ninguém ou nenhum partido (por muito extremista e radical que seja o Chega). É, sobretudo, um convite à existência de filtros editoriais mais conscientes: diversificar as fontes e os temas; distinguir o facto novo da provocação repetida; exigir contexto antes do título; medir o impacto de cobertura em narrativas que estigmatizam grupos sociais; e, sobretudo, não confundir barulho com relevância pública.

Do lado dos cidadãos, o antídoto chama-se literacia mediática: reconhecer quando um tema reaparece como trigger emocional; perguntar o que ficou de fora enquanto seguimos a polémica da semana; exigir contraditório e escrutínio simétrico para todas as forças políticas.

O estudo do MDP é exploratório, limitado na quantidade de media analisados e na duração dos dias medidos. O estudo assenta em contagens manuais de resultados do motores de busca da Google, restringidas a domínios jornalísticos de referência e recolhidas diariamente, sempre no mesmo intervalo horário. Como qualquer contabilização automatizada, pode incorporar duplicações, variações editoriais e ruído algorítmico. Por isso, o mais prudente é encarar estes números como indicadores de tendência, não como um estudo exaustivo e muito profundo.

Se quisermos um debate mais informado e plural, precisamos de monitorização periódica e transparente da agenda mediática. O MDP propõe-se fazê-la em ciclos regulares, incluindo as presidenciais que se avizinham. Não para limitar a pluralidade mas para iluminar as assimetrias que, invisíveis, decidem o que vemos, quando vemos e com que emoção vemos.

Democracia participativa também é isto: olhar para o espelho dos media, medir o reflexo e perguntar, sem receio, quem está a segurar a câmara ou o teclado que escreve as notícias.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Figura nacional do ano 2025 - Os imigrantes


Raquel Moleiro, Expresso, 26/12/2025
Como é tradição no Expresso, a redação escolheu as figuras nacionais e internacionais do ano. 
O imigrante nunca deixou de marcar a atualidade. Escolhido como urgência política, serviu de moeda de troca ao Governo para ganhar o apoio do Chega e atrair o seu eleitorado. São 1,5 milhões, a viver entre o discurso anti-imigração e o suporte da economia e da natalidade. 
O ano quase no fim e em dois dias o mar matou mais pescadores do que em todo o 2025. Primeiro naufragou o “Vila de Caminha”, a 14 de dezembro. O barco de pesca costeira avariou quando regressava da faina e um golpe de mar virou-o entre a barra de Caminha e a ilha de Ínsua. Levava cinco homens, três morreram. Dois dias depois, foi o “Carlos Cunha”, 21 metros dedicados à pesca do espadarte, a ir ao fundo a 370 quilómetros ao largo de Aveiro. Dos sete pescadores, apenas dois sobreviveram. Entre as duas embarcações só havia um português. Os oito que morreram eram todos imigrantes. Dos 14 pescadores que faleceram este ano, dez eram estrangeiros, da Indonésia. Mais do que números de uma tragédia repetida, estas são cifras que revelam a dependência do sector pesqueiro da mão de obra imigrante. 

São 75% de todos os tripulantes. Fazem parte de uma espinha dorsal estrangeira, mais ou menos invisível, que suporta em cada vez maior percentagem vários sectores da economia nacional: agricultura, construção, turismo, hotelaria, restauração, limpezas, apoio social.

Em 2025 reforçou-se.Dos 1.543.697 imigrantes residentes em Portugal — números da AIMA, ainda em revisão pelo INE —, 71% estão inscritos na Segurança Social, e representam 24% da população ativa do país. Em 2025, até 17 de outubro, tinham contribuído com €3,1 mil milhões, cinco vezes mais do que o valor recebido em subsídios e prestações sociais.

Diz a OCDE que é graças ao imigrante que a força de trabalho em Portugal continua a crescer. Diz o INE que um terço dos bebés que nascem no país tem mãe estrangeira, número que mais do que duplicou na última década, alimentando o aumento da natalidade há dois anos consecutivos. E que é também a imigração que tem garantido o crescimento da população ao manter o saldo migratório positivo. Mas este é um retrato pouco propagado da população estrangeira em Portugal. É positivo e só a custo entra no discurso político ou norteia as decisões do Governo e, em consequência, molda as perceções populares. 

Em 2025, a imigração foi o assunto que tudo dominou, mas encarada como um problema a resolver. O imigrante viu na restrição aos seus direitos de entrada, permanência, legalização, reagrupamento e obtenção de nacionalidade uma prioridade política do executivo de Luís Montenegro. Conseguiu, aliás, o feito notável de ultrapassar em importância a crise da habitação, que mantém os jovens em casa dos pais para todo o sempre, amassa famílias em quartos e repõe barracas. 

Ou o caos do SNS, que só conseguiu romper a hegemonia dos holofotes migrantes quando o número de bebés a nascer em ambulâncias começou a atingir proporções alarmantes. A Educação lá teve o seu curto período de estrelato com a falta crónica de professores — no final do 1º período, havia 13.446 horários por preencher. Mas a cada nova lei criada, votada, vetada, mudada, aprovada, o estrangeiro voltou sempre à ribalta.

Durante este ano, o Governo — pela mão do ministro Leitão Amaro — quis alterar todos os diplomas da imigração, numa transposição legal do fim da ‘política de portas escancaradas’. No Parlamento, o imigrante serviu de moeda de troca ao voto favorável do Chega, com leis a incluir artigos de uma Direita mais inclinada, só travados pelo Tribunal Constitucional (TC).Além de permitir a criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), a nova Lei de Estrangeiros, em vigor desde outubro, veio dificultar o processo de reagrupamento familiar, obrigando um imigrante a esperar dois anos após receber a autorização de residência para iniciar o pedido.

O TC, que chumbou a primeira versão do diploma, forçou a inclusão de um prazo menor para cônjuges e filhos menores. Esta nova lei acabou também com o visto de procura de trabalho, mantendo-se como exceção o uso por profissionais altamente qualificados, e extinguiu o privilégio de legalização com isenção de visto para cidadãos CPLP.

A entrada de trabalhadores estrangeiros passa a fazer-se quase exclusivamente através de visto laboral, dependente da celeridade (demorada) dos consulados ou da ‘via verde’ criada pelo Governo para a contratação de mão de obra por grandes empresas. As confederações esperavam receber por aí 100 mil trabalhadores por ano, mas desde abril só passaram 1305. Por agora, a “porta escancarada” tem aberta uma nesga.
A Lei da Nacionalidade foi o segundo diploma temático aprovado. Igualmente polémica, seguiu o caminho da primeira e foi chumbada a semana passada pelos juízes do Palácio Ratton, vetada por Marcelo Rebelo de Sousa e devolvida ao Parlamento. Em traços gerais, aumenta de cinco para dez anos — sete para países lusófonos — o tempo de residência legal no país para um imigrante iniciar um pedido, o que coloca Portugal entre os mais restritivos da UE. A inclusão de uma pena acessória de perda de nacionalidade não passou no TC. Já em dezembro, o Conselho de Ministros aprovou as linhas gerais do último diploma da tríade migratória, a Lei do Retorno, que regula o afastamento dos ‘ilegais’ de Portugal e mexe igualmente na Lei do Asilo. Encontra-se em consulta pública. Entre as medidas está o aumento do tempo de detenção no Centro de Instalação Temporária dos atuais 60 dias para um ano e meio, e o fim das Notificações para Abandono Voluntário, que acelera a expulsão lá fora, o medo 

Fora da bolha política do Parlamento, no mundo real do imigrante, a vida piorou. O diagnóstico é comum às várias comunidades: entre os 485 mil brasileiros que são 31% dos estrangeiros; os indianos que não chegam aos 100 mil, quase os mesmos que os angolanos; os 79 mil ucranianos; ou entre os cabo-verdianos que se ficam pelos 66 mil. É esse o top cinco das principais nacionalidades em Portugal.Se se ligasse apenas às perceções e cartazes políticos, o Bangladesh estaria em primeiro lugar com os seus 55 mil nacionais, só mais 7 mil que os britânicos. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Charis Kubrin recebe o prestigiado prémio Estocolmo por investigação que "desmistifica" crimes cometidos por imigrantes


A presença de imigrantes numa determinada zona diminui a criminalidade, o que contraria as perceções da opinião pública, alertou esta quinta-feira a investigadora norte-americana e recém-vencedora do maior prémio mundial de criminologia Charis Kubrin.

Em entrevista à Lusa, a criminóloga explicou que "todos os relatórios mostram que a criminalidade é sempre inferior entre os imigrantes em relação aos nativos", pelo que, "numa análise contínua de dados", o que a "imigração em massa para uma zona causa é a diminuição do crime".

O prémio Estocolmo 2026 foi atribuído à investigadora da universidade californiana de Irvine por uma meta-análise de dados que juntou todos os estudos feitos e dados recolhidos sobre a relação entre imigração e criminalidade, com conclusões claras que contradizem as perceções e os discursos mais populistas.

A sua análise foi feita apenas nos Estados Unidos, mas Charis Kubrin acredita que os dados podem ser extrapolados para o caso europeu, salientando que a desigualdade ou a exclusão social contribui mais para a criminalidade do que a nacionalidade dos autores dos crimes.

"O meu trabalho examina o modo como a criminalidade e imigração estão relacionados e tenho estudado este tópico ao longo dos últimos 25 anos", mas a relação entre os dois temas "é estudada há quase um século, desde os anos 1930".

"O primeiro relatório é de 1931 e aqui vai um 'spoiler': já então se concluiu que não há relação entre mais imigrantes e mais crimes", recordou a investigadora.

Nos últimos 20 anos, verificou-se um "aumento sem precedentes na investigação deste tema e as conclusões são sempre as mesmas", conforme a meta-análise feita que agora lhe deu o prémio Estocolmo, anunciado em novembro.

"Revimos todos os estudos feitos sobre a relação entre criminalidade e imigração e de todos os tipos de crime. Com algumas exceções pontuais, a imigração e a criminalidade não seguem lago a lado", explicou.

Contudo, "há uma enorme diferença entre aquilo que as pessoas acreditam ou julgam perceber e os dados", e é necessário que a ciência seja ouvida pelos políticos, mas também pela sociedade.

"EUA têm um grande histórico de culpar os imigrantes"
"As pessoas sentem que estes são tempos sem precedentes", mas os "EUA têm um grande histórico de culpar os imigrantes pelos problemas da sociedade, particularmente crime" e essa visão permanente acaba por "alimentar uma retórica que pressiona os políticos a acusarem os estrangeiros de esgotarem os recursos da sociedade".

Os EUA sempre tiveram problemas relacionados com o "nativismos, xenofobia e racismo" e, hoje, a questão racial é "mais evidente, porque a "maioria dos imigrantes tem a cor mais escura".

Por isso, o discurso anti-imigrante está mais relacionado com racismo ou xenofobia do que com uma efetiva preocupação com os problemas sociais.

"Isto não tem nada de novo porque há sempre esse sentimento latente" contra o estrangeiro, que se quer "culpar pelos problemas da América", como a "desigualdade ou criminalidade".

"É muito fácil acusar os imigrantes e criar a narrativa de que estes são os responsáveis dos problemas e capitalizar os suportes políticos para esse argumento", uma estratégia em que os media são cúmplices.

"Os media desempenham um grande papel nesse discurso e ampliam os preconceitos e propagam falsas narrativas, porque se um imigrante cometer um crime nos EUA isso será espalhado em todo o lado", mas tal já "não acontece se for um nativo".

Por isso, é "necessário que a ciência entre no discurso público e ajude a definir políticas públicas", considerou a investigadora de Irvine, que diz tentar fazer a sua parte nesse processo.

"O que eu tento é tentar envolver-me com políticos e autores de políticas públicas", procurando "parcerias com instituições e organizações que se preocupam com os factos enquanto desenham políticas para os imigrantes", explicou.

"É uma gota no oceano, mas é o que sinto que posso fazer neste contexto", acrescentou ainda.
Além de Charis Kubrin, o prémio Estocolmo foi atribuído a Mark Lipsey, pela sua investigação sobre o papel da reabilitação nos reclusos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

18 dezembro - Dia Internacional dos Migrantes



Assinala-se hoje, dia 18 de Dezembro, o Dia Internacional dos Migrantes.

Fomos um país de emigrantes. Não podemos fingir que não sabemos o que isto significa. Nas últimas semanas Portugal indignou-se. E bem. Uma rede foi desmantelada por explorar imigrantes. Pessoas. Seres humanos. Gente que veio à procura do que tantos portugueses também procuraram durante décadas: uma vida melhor. 
Convém não termos memória curta.

Fomos um país de emigrantes. Milhões de portugueses sentiram frio em França, medo na Alemanha, solidão no Luxemburgo, saudades em Angola, no Brasil, na Suíça. Fugiam da pobreza, do regime do Estado Novo, da falta de futuro.
Não era escolha. Era sobrevivência.

Hoje o mapa mudou. Mas a dor não.

Os imigrantes que chegam a Portugal também sentem frio em Lamego, Paços de Ferreira, Anadia, Beja ou Alenquer. Também sentem medo. Também têm saudades da mãe. Também trazem a vida inteira numa mala e a esperança num contrato que muitas vezes não existe.

Ser migrante, com I ou com E, é um acto de coragem. E explorar essa coragem é uma vergonha colectiva. Este não é um tema de direita ou de esquerda.
Não é um debate de teclado fácil nem de likes rápidos.
É um teste à nossa humanidade, à nossa memória e aos nossos valores.

Se fomos emigrantes, não podemos aceitar ser exploradores.
Se exigimos dignidade lá fora, temos de garantir dignidade cá dentro.

Porque nenhum país é verdadeiramente desenvolvido enquanto fecha os olhos à desumanização dos mais frágeis.

E isto não é política. É consciência.

Os trabalhadores estrangeiros representam um importante contributo para a Segurança Social em Portugal.
Em 2023, as contribuições sociais dos imigrantes representaram mais de 2,6 mil milhões de euros.
No ano passado, em 2024, esse contributo foi de 3,6 mil milhões de euros, um valor recorde (os brasileiros representam 36,7% desse total, seguindo-se os indianos com 6,6%, os nepaleses com 4,3%, os cabo-verdianos com 3,9% e os angolanos com 3,5%).
A quantia que os imigrantes colocam nos cofres da Segurança Social é cinco vezes superior ao que lhes é pago em prestações sociais. Fonte

A mobilidade humana acompanha a história da humanidade como um caminho de superação, adaptação e procura de novas oportunidades. Num contexto global marcado pela interligação entre países e culturas, a migração continua a desempenhar um papel determinante na transformação social, económica e cultural das sociedades.

Ainda assim, muitas pessoas migrantes vivem em contextos de vulnerabilidade, enfrentando discriminação, exclusão e obstáculos no acesso a direitos fundamentais como a saúde, a habitação, a educação, a justiça e a participação cívica.

Este ano, sob o tema “A minha grande história: culturas e desenvolvimento”, somos convidados a reconhecer cada experiência migratória como parte essencial do desenvolvimento coletivo. Valorizar estas histórias é também um apelo à promoção de políticas mais equitativas, ao reforço da cooperação e à criação de respostas especializadas que assegurem proteção, dignidade e igualdade de oportunidades para todas as pessoas.

Em 2005, compreendendo que as pessoas migrantes vítimas de crime apresentam necessidades específicas que exigem um apoio especializado, a APAV criou a Unidade de Apoio à Vítima Migrante e de Discriminação (UAVMD) em Lisboa.

A partir de 2024, este serviço passou a designar-se APAV SAFE — Apoio a Vítimas Estrangeiras, de Crimes de Ódio, de Tráfico e Exploração de Pessoas, sendo concebido para responder às necessidades específicas de pessoas de nacionalidade não portuguesa, incluindo imigrantes, refugiados, requerentes de asilo, turistas ou pessoas temporariamente no país, que tenham sido vítimas de crime ou violência, independentemente da sua situação legal ou administrativa.

É ainda uma resposta especializada na intervenção com vítimas de tráfico de seres humanos, diferentes formas de exploração, crimes de ódio e discriminação, bem como práticas tradicionais nefastas, como a mutilação genital feminina, o casamento forçado ou crimes de honra.

Sediada nos Serviços de Apoio à Vítima de Lisboa, a APAV SAFE consolidou-se como unidade central de referência, assegurando apoio direto às vítimas e suporte técnico aos restantes serviços da Associação.

Ao longo de 20 anos, o trabalho desenvolvido tem contribuído para uma intervenção mais ajustada, informada e digna, reforçando o acesso das vítimas aos seus direitos e a proteção de pessoas em situação de especial vulnerabilidade.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Portugal engana-se. Diverge, empobrece e finge crescer



Nenhum país se renova enquanto continuar a expulsar os competentes, os íntegros e a promover quem vive das conveniências e das redes de interesse, escreve o economista Óscar Afonso.

⚡ECO Fast
Portugal tem registado uma frágil convergência em relação à média da União Europeia, mas enfrenta uma divergência estrutural que se agrava.
Os dados da Comissão Europeia revelam que, entre 1999 e 2024, Portugal perdeu 5,2 pontos percentuais no nível de vida relativo, contrastando com o progresso de várias economias de leste.
Sem reformas estruturais profundas, o país continuará a descer no ranking europeu, com previsões de empobrecimento relativo e emigração de talentos qualificados.

Portugal tem registado, nos últimos anos, alguma convergência de nível de vida em relação à média da União Europeia (UE) nos dados oficiais da Comissão Europeia (CE). Contudo, esse progresso revela-se muito frágil — porque assenta em fatores conjunturais que mascaram fragilidades estruturais: Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), turismo e a vaga de imigração descontrolada, além da imagem de destino seguro para turismo e investimento face à guerra na Ucrânia — e insuficiente para compensar a trajetória de divergência desde o início do milénio (entre 1999 e 2024), o foco da análise desta crónica. A divergência é ainda maior quando se corrigem os dados para refletir números mais atualizados da população residente, refletindo a vaga de imigração recente.

O contraste torna-se particularmente evidente quando comparado com o percurso das economias de leste, que protagonizaram um notável processo de aproximação ao nível de vida europeu, ultrapassando vários países que, em 1999, se situavam claramente à sua frente, incluindo Portugal. Acresce que estes países entraram bastante mais tarde na UE, tendo por isso recebido muito menos fundos — que, ao contrário de Portugal, souberam transformar em produtividade, rendimento e progresso para a generalidade da população.

Enquanto no leste europeu os apoios comunitários foram canalizados para modernizar economias inteiras, por cá serviram demasiadas vezes — para usar uma expressão suave — para alimentar interesses instalados, reproduzir privilégios e fortalecer uma elite facilitadora. E o mais triste é que nada disto é novo: Está, infelizmente, nos nossos “genes institucionais”. É um padrão antigo e persistentemente português, amplamente documentado por Antero de Quental, Eça, Garrett, Ramalho Ortigão, Fernando Pessoa, Saramago, Sophia ou Vergílio Ferreira — todos eles descrevendo, ao longo de séculos, a mesma teia de favoritismos, patrimonialismo e captura do Estado por minorias privilegiadas.

Uns investiram para criar futuro, nós desperdiçámos para preservar um sistema. Em suma, enquanto as economias de leste aproveitaram os fundos para convergir, Portugal continua a avançar aos solavancos, preso a um modelo que favorece a esperteza oportunista em detrimento do mérito, do trabalho sério e da inteligência criadora.

Somos um país onde demasiadas portas se abrem não pelo que se sabe ou pelo que se faz, mas por quem se conhece — um padrão que os nossos maiores escritores denunciaram, com uma precisão quase profética, muito antes de existir UE. E assim, geração após geração, mantemo-nos reféns dos mesmos bloqueios estruturais, enquanto outros que começaram muito atrás já vão muito à frente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Pouring Literal Gasoline on the Flames of Hate


It’s a mug’s game to try and figure out the lowest point of the Trump presidency, because he’s certain to go lower still, often in a matter of hours.

Still, yesterday for me can’t pass without comment, because it so perfectly reflects the hideousness of our moment. The picture above shows a circle of white people gathered around the president, listening to him rant about Somali-Americans. The day before he had called them “garbage,” and he was taking up the theme again, with vigor. Somalis had “destroyed Minnesota” and “destroyed our country.” The “Somalians should be out of here,” he said. I have tried to go back and at least as far as Woodrow Wilson and I don’t think any president has said any thing as clearly racist while in office, and I was not alone. Alvin Tillery, at Northwestern, told Reuters yesterday that Trump is “absolutely unique” among modern presidents in his racism—Richard Nixon and Ronald Reagan made “thinly veiled” racial attacks but Trump has no interest in veils, nor do his supporters. His press secretary Karoline Leavitt called his remarks “amazing” and an “epic moment;” J.D. Vance, when the president was ranting about garbage the day before, banged the cabinet table to show his raucous appreciation. Let me say plainly—this is piggish behavior. One of my my most beloved colleagues is a Somali-American from Minnesota; she has more love, compassion and character in her little finger than our president has in his bloated sack of a body. He is simply a bad man, who—feeling a little cornered—heads for the hate that feeds his soul.

But what about those people gathered around him in the Oval Office? Therein lies a tale.

As it turns out, they were automobile executives, joining Trump for a happy moment where he told them that gasoline would be the fuel of the future. As he explained in his usual thoughtful manner

The greatest scam in American history, the Green New Scam, is a quest to end the gasoline powered car. This is what they wanted to do even though we have more gasoline than any other country by far.

It should surprise no one that these auto executives stood there simpering while the president launched into his racist diatribe. Black workers have, of course, been central to Detroit’s success. They faced discrimination from the start—among other things they were often sent to work in the fume-filled paint rooms of the big plants—but still they persevered. Detroit was eventually home to the country’s biggest branch of the NAACP; Dr. King previewed his I Have a Dream speech in a wild June day in Detroit in 1963, with Rev. C.L. Franklin, best known now as Aretha’s dad, presiding over much of the action. In the wake of George Floyd’s murder, the chairman and CEO of Ford issued a statement saying “we cannot turn a blind eye” to racism, but that’s just what current Ford CEO Jim Farley, and all the other executives in that room, did yesterday.

But perhaps it might surprise some that they were standing there applauding as Trump rolled back fuel economy standards, from 50 miles to the gallon by 2035 under the old rules to about 35 miles a gallon. Those higher mileage standards were the tool the Biden administration was using to help nudge Detroit towards electric vehicles; without them, it will almost certainly backslide towards irrelevance. That’s because they will slow down their process of innovation; as the Times put it, the new policy

“frees automakers to sell more pickups and sport utility vehicles, which are usually much more profitable than smaller cars. It will be difficult for carmakers to resist pressure to sell these gas guzzlers.”

Here’s Lenny LaRocca, who leads the automotive practice at consulting firm KPMG:
“I would anticipate that more focus would be on the larger S.U.V.s and pickup trucks.”

So—more gas for consumers to buy (the cost of owning an EV is far lower than the cost of owning an internal combustion car), more carbon and particulates in the air, more people being run over by absurdly sized vehicles.

And much less chance that Detroit will ever be a leading force in the auto industry again. That was already seeming unlikely: China’s carmakers grow more dominant by the quarter. But the IRA support for EVs was the last real possibility, an infusion of funds to help underwrite the retooling for the world to come. But instead of fighting for that, these executives have truckled to the president, and sold the future of their companies for a few more years of turning out Escalades.

At some level these guys know what they should be doing. Jim Farley , the Ford guy who was making jokes with the president yesterday? In the fall of 2024 he said he’d been driving a Xiaomi Speed Ultra 7 for six months, and that it was “fantastic.” “I don’t want to give it up,” he added. Fourteen months ago he told the Journal that the Chinese automakers were an “existential threat” because their cars were so good. “Executing to a Chinese standard is going to be the most important priority,” Farley said.

But now that won’t happen, because these guys were more cowed by a racist president than by their Chinese competition. By the time another president with more sense makes it to the White House, the Chinese “juggernaut” (Farley’s word) will have had three more years to build up its lead; Detroit will be choking on its dust.

Hey, but at least we can tell ourselves that we’re cool in a retro kind of way. Let’s bring in another man in that picture, Sean Duffy, Trump’s Transportation Secretary, the guy right behind Trump who looks like he’s dressing for his part in Mad Men. (Gotta love the razor thin pocket square). Last month was admonishing airline passengers who dressed too comfortably; the result was the #pajamaresistance movement. Yesterday he was celebrating the new extra-pollution rules with this notion:

“This rule will actually allow you to bring back the 1970s station wagon. Maybe a little wood paneling on the side.”

Duffy’s eager to return to the 70s; Bobby Kennedy wants us back in the pre-vaccine 1940s; Trump wants to talk like a 19th century slave-trader.

The rest of us, who would like to participate in the future with the balance of planet earth, have a lot of work to do in the year ahead. Let us look on the abased truckling of the auto executives and resolve to not stay silent ourselves; we’ve got eleven months to win the midterms and break the political back of this retrograde ugliness. If you’re looking for some ways to join in, check out the work we’re doing at Third Act.

In other energy and climate news:

+ New reporting from Europe on “how a secretive alliance of eleven large multinational enterprises has worked to tear down the EU’s flagship human rights and climate law, the Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD).” As David Ollivier de Leth reports

The companies, most of which are headquartered in the US and operate in the fossil fuel sector, aimed to “divide and conquer in the Council”, sideline “stubborn” European Commission departments, and push the European People’s Party (EPP) in the European Parliament “to side with the right-wing parties as much as possible”.

Chevron and ExxonMobil were in charge of mobilising pressure against the CSDDD from non-EU countries. The Roundtable companies endeavoured to get the CSDDD high on the agenda of the US-EU trade negotiations and also worked on mobilising other countries against the CSDDD, in order to disguise the US influence.

Roundtable companies paid the TEHA Group – a think tank – to write a research report and organise an event on EU competitiveness, which echoed the Roundtable’s position and cast doubt on the European Commission’s assessment of the economic impact of the CSDDD.