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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

PISA. Alunos portugueses pioram desempenho académico e recuam ao início do século

Nem precisávamos deste estudo. E cada vez estou mais convicto que vivemos mesmo uma época de citizenhashing, merdificação e slacktivism. Mas aí estão os dados.  

Portugal registou o pior resultado de sempre em Leitura no último relatório PISA, recuando a níveis inferiores aos do ano 2000. Segundo os dados oficiais que pode consultar diretamente no PISA 2025 Results Volume I da OCDE, os alunos portugueses obtiveram uma média de 462 pontos, o que representa uma quebra drástica de 30 pontos face ao pico alcançado em 2015 - o equivalente a perder quase ano e meio de aprendizagem.

Esta derrapagem na literacia e na interpretação de texto é um problema global, mas que em Portugal ganhou contornos mais graves devido a fatores internos específicos. 

Além do impacto prolongado dos confinamentos da pandemia e da distração digital constante dos telemóveis, a comunidade educativa aponta o dedo às constantes alterações nas políticas curriculares e ao recente desmantelamento da estrutura independente do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares. 

Ao diluir estes projetos essenciais em megaestruturas burocráticas, o país perdeu foco e autonomia no combate ao desinteresse dos jovens pelos livros.

O cenário atual é um alerta vermelho que exige muito mais do que lamentações; exige devolver às escolas os meios e a estabilidade necessários para pôr os miúdos a ler outra vez.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Inquérito põe leitura por lazer atrás do uso das redes sociais em Portugal


Um inquérito apresentado hoje pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) revela que menos de dois terços dos participantes dizem ler por lazer como ocupação dos tempos livres, muito atrás do uso das redes sociais.
Em comunicado divulgado hoje pela APEL, dia em que abre a quarta edição do evento Book 2.0 em Lisboa, é indicado que a lista das atividades para ocupação de tempos livres é encabeçada pelo convívio com amigos (91%), seguindo-se as redes sociais (85%), com o cinema e audiovisual por ‘streaming’ em terceiro lugar (75%) e o desporto a seguir (66%). A leitura por lazer é a atividade seguinte, com 62% de respostas dos inquiridos.
De acordo com o mesmo texto, entre os que não leem “a falta de interesse é o principal obstáculo (43%), seguida pela falta de tempo (38%) e pela preferência por outras atividades (33%)”.
No comunicado, a APEL realça que “os resultados reforçam a necessidade de Portugal assumir a leitura e a literacia como prioridades nacionais”, lembrando que “o livro é uma ferramenta essencial de cidadania, pensamento crítico, desenvolvimento humano, acesso ao conhecimento e participação democrática”.
De acordo com os resultados do inquérito – feito pela GfK através de entrevistas a 1.000 pessoas com mais de 15 anos -, 78% dos inquiridos dizem ter lido pelo menos um livro em 2025, no que é o valor mais alto dos últimos três anos, mas 62% responderam ter comprado pelo menos um livro no ano passado, abaixo do número de 2023 (65%).
Segundo o inquérito, também a média de livros por comprador continua a cair, de 7,5 em 2023, para 7 em 2024, e agora 6,9 em 2025, algo que também acontece nos livros para oferta.
“Os resultados sugerem que o crescimento do setor observado a partir da evolução do painel de retalho não se traduziu numa intensificação generalizada do consumo de livros pelas famílias portuguesas”, pode ler-se no comunicado.
Em 2025, a venda de livros em Portugal cresceu 6,9% em relação ao ano anterior, o que se traduziu num total de quase 15 milhões de livros vendidos, um aumento muito impulsionado pelos livros de colorir e infantis, segundo dados divulgados pela APEL em janeiro.
No entanto, no segundo trimestre deste ano, a venda de livros caiu quase 2%, comparativamente ao mesmo período de 2025, registando a primeira quebra desde a pandemia, apesar de ter coincidido com a realização da Feira do Livro de Lisboa.
Os dados do inquérito hoje divulgado pela associação do setor indicam ainda que perto de um em cada cinco portugueses leem sem compra, “o que aponta para a crescente importância de vias de acesso como o empréstimo, as bibliotecas, a oferta, o digital e outras formas de circulação de livros que exigem que o setor compreenda melhor de que modo a expansão da leitura pode também contribuir para a sustentabilidade da cadeia de valor do livro”.
Ainda assim, a APEL assinala que, entre os que se dizem leitores digitais, mais de dois terços recorre a conteúdos gratuitos, que podem ir desde as plataformas de armazenamento em ‘cloud’ a redes como Whatsapp e Telegram.
“Estes canais podem incluir utilizações legítimas – como empréstimos autorizados, obras em acesso aberto ou partilha pessoal de ficheiros –, mas são também compatíveis com a partilha ilegal e não autorizada de conteúdos. A compreensão deste fenómeno é essencial para proteger autores, editores, livreiros e todos os profissionais que integram a cadeia do livro, bem como para perceber até que ponto a expansão da leitura digital ocorre por via de oferta legal ou da circulação de conteúdos fora dos canais comerciais”, acrescentou a associação.
O encontro Book 2.0 – O Futuro da Leitura começa hoje, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e até quarta-feira vai juntar figuras nacionais e internacionais para debater o papel do livro e da leitura.