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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Testemunho impactante de Richard Zimmler em defesa do SNS

Há duas semanas, passei por um grande susto de saúde. Agora que a situação se acalmou e me sinto bem, quero escrever sobre isso para agradecer a todas as pessoas que me ajudaram. Eis o que aconteceu: 
Tive uma consulta com um novo médico porque tenho um problema com o meu intestino há alguns meses.  Ele receitou-me alguns suplementos. Tomei o primeiro, o Movicol, nessa tarde, e tive uma reação alérgica grave – choque anafilático. Um minuto depois de tomar o medicamento, comecei a sentir comichão na boca, nas costas, na barriga e nos pés. Sabia que a situação poderia piorar, por isso liguei imediatamente para o consultório do médico. A sua esposa (também médica) disse-me para tomar um anti-histamínico. Não tínhamos nenhum em casa, por isso o Alex e eu fomos à farmácia local. Foi uma sorte imensa…Enquanto estávamos lá, a minha pressão arterial baixou drasticamente e fiquei muito fraco e tonto. As farmacêuticas tentaram medir a minha pressão arterial, mas estava demasiado baixa para conseguir uma leitura!  As farmacêuticas foram maravilhosas e ajudaram-me a tomar o anti-histamínico. Sentaram-me numa cadeira, levanvaram-me as pernas e deram-me sal para colocar debaixo da língua.  A tontura fez com que a minha visão ficasse turva e eu estava tão fraco que não conseguia levantar-me. As farmacêuticas ligaram para o 112 e a ambulância chegou cerca de quinze minutos depois. 
Os paramédicos foram extremamente gentis comigo, tal como as farmacêuticas. Nessa altura, a minha pressão arterial tinha voltado a subir para cerca de 9/5. Já me sentia menos fraco. Os paramédicos colocaram-me numa cadeira de rodas e levaram-me para as urgências do Hospital de S. António, onde tenho todos os meus médicos. Foi a minha estreia mundial numa ambulância! O Alexandre veio comigo. Na sala onde acabei por ficar (não sei bem onde era), os médicos administraram-me soro intravenoso, cortisona e um anti-histamínico. A minha pressão arterial subiu lentamente depois disso. Três horas depois, às 20h, a pressão estava em cerca de 11/7 e mandaram-me para casa (depois de comer uma maçã assada e uma sopa diluida!). A médica disse para tomar o anti-histamínico durante três dias e, depois, começar a tomar os outros suplementos recomendados. Mas falei com a minha terapeuta francesa e ela disse para esperar uma semana porque o meu corpo precisava de descansar. 
É óbvio que nunca mais vou tomar Movicol.
Agora estou bem. Felizmente, não estou a sentir quaisquer consequências do choque anafilático. Tenho uma consulta marcada para 6 de maio com um alergologista para identificar qual o ingrediente do Movicol que causou o choque.
Escrevo agora para expressar os meus agradecimentos aos enfermeiros, médicos e as minhas queridas farmacêuticas pelo sua ajuda maravilhosa e eficiente. Estou extremamente grato, tal como o Alexandre. No dia seguinte ao meu incidente, levei 7 exemplares dos meus livros à farmácia (do Mercado da Foz) e dediquei um a cada um das farmacêuticas que me ajudaram.
Um grande obrigado ao Laurentino e ao Rui, os paramédicos. E à Inês e ao Pedro, os médicos do serviço de urgências. E a todos no SNS.  
Um pequeno pedido: por favor, lutem para manter o elevado nível de cuidados do SNS. Como sou dos EUA, sei o que é viver sem um sistema nacional de saúde. Isso significa que as pessoas vivem com um nível constante de stress, preocupadas com o que lhes acontecerá se adoecerem e se perderão todas as suas poupanças caso precisem de hospitalização. Um exemplo: após o grave AVC da minha mãe, ela ficou em estado vegetativo e passou duas semanas num hospital em Nova Iorque. Praticamente não recebeu cuidados. A conta de duas semanas foi de 120 000 euros. Sim, leu bem: 120 000 euros por duas semanas numa cama. Isso é completamente normal nos EUA. Quer isso em Portugal? Espero que não! Felizmente, o seguro privado da minha mãe pagou 119 000 euros da conta, mas os seguros privados são extremamente caros nos EUA.  É uma situação terrível que espero que nunca venhamos a viver em Portugal. E podem ter a certeza de que lutarei para manter a elevada qualidade dos cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde.

terça-feira, 10 de março de 2026

What are the world’s deadliest animals, and can we protect ourselves against them?

O artigo explica que, embora tenhamos medo de tubarões ou lobos, os animais que mais matam humanos são os mosquitos (cerca de 700.000 a 1 milhão de mortes/ano por doenças) e as cobras. O gráfico do Our World in Data mostra que o risco real está muito mais ligado à exposição a doenças e parasitas do que a ataques diretos de grandes animais.

One and a half million people are killed by animals every year. Almost one million by other animals, and more than half a million from direct conflict among ourselves.

Almost all of these deaths from other animals are caused by just two types: mosquitoes and snakes.

In the chart above, we’ve brought together estimates of the number of people killed by different animals.

These numbers are estimates, and some come with significant uncertainty. That’s why we’ve published a detailed methodology explaining our sources and how they compare. Despite this uncertainty, we feel confident about the relative orders of magnitude across different animals.1

The biggest killers, by far, are mosquitoes. They have been one of our biggest threats for millennia, and still kill approximately 760,000 people every year.2 Over 80% of those deaths are the result of malaria, which is transmitted and spread by the Anopheles mosquito. Malaria still kills close to half a million children every year.

Another 100,000 people die every year from other mosquito-borne diseases, including dengue fever and yellow fever (spread by the mosquito species Aedes aegypti) and Japanese encephalitis.

Almost all deaths from other animals are caused by just two types: mosquitoes and snakes.

Snakes are one of the most common phobias, and you can see why. They are the second largest killers. The death toll from venomous snakes is surprisingly uncertain, as many of these deaths occur in rural areas where death records are often poor.3 But the figure is likely to be around 100,000 deaths per year. That means snakes kill more than all animals below them on the list combined.4

Most of those remaining deaths are caused by dogs, the animals that humans have grown to love as domesticated pets. The majority are due to rabies, rather than direct wounds.

Near the bottom of the list, we reach the animals that dominate our nightmares — sharks and wolves. They make for gripping headlines and blockbuster films. But in reality, shark and wolf attacks are very rare.

Of course, they don’t kill fewer people because they’re less dangerous. We’d rather be locked in a room with a mosquito than a lion. The real difference is exposure: it’s much easier to avoid large predators than it is to avoid disease-carrying insects and parasites.5

The good news is that most deaths from animals — especially the largest killers — are preventable. We have bednets and insecticide sprays to reduce exposure to mosquitoes, and medication to treat malaria if someone does become infected. New techniques, such as the Wolbachia method, have been developed to stop the spread of dengue fever. Antivenoms can often save someone from a potentially fatal snakebite.6

The problem is that not everyone has access to these preventive and treatment methods when they need them.7 If these small killers received the same global attention as large predators, more effort might go into stopping them. That is one reason why these comparisons are useful: as a reminder of what people are actually dying from, and where the most lives could be saved.There are other diseases — in particular, neglected tropical diseases — that could also be dramatically reduced with better access to treatment.

In many regions, deaths from mosquitoes have decreased dramatically. Malaria was once prevalent in countries that are now free of it. If we could achieve this in all parts of the world, the number of deaths caused by other animals would be almost six times smaller.8

If we were to also eliminate deaths from snakes through the use of antivenoms and better diagnostics, the death toll would be again reduced by almost two-thirds.9


Methodology

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A epidemia invisível dos ultraprocessados


Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas prometem conveniência, sabor imediato e preços acessíveis. Mas por detrás dessa sedução industrial esconde-se uma ameaça que a ciência tem vindo a estudar e não permite ignorar. Um estudo internacional publicado na The Lancet, assinado por 43 especialistas de vários países, revela que os alimentos ultraprocessados não são apenas "menos saudáveis” são agentes ativos de doença, com impacto mensurável em praticamente todos os órgãos humanos.

Os números impressionam. Em países como EUA, Reino Unido e Austrália, metade das calorias ingeridas diariamente provém de ultraprocessados. Snacks embalados, refrigerantes, refeições prontas e cereais artificiais tornaram-se rotina, substituindo alimentos frescos e minimamente processados. O estudo identificou mais de 30 associações distintas entre o consumo destes produtos e doenças crónicas: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce.

Mas o alerta vai mais longe. Não se trata apenas de calorias vazias ou excesso de açúcar. Os investigadores descrevem um efeito sistémico: fígado, rins, coração e cérebro mostram sinais de impacto direto. A combinação de aditivos, emulsionantes e processos industriais altera a forma como o corpo metaboliza os alimentos, criando uma espécie de “nova biologia alimentar” que fragiliza o organismo.

Esperar por "provas perfeitas" é repetir erro histórico
A comparação com o tabaco é inevitável. Tal como aconteceu no século XX, as empresas recorrem a marketing agressivo, lobbying político e estratégias de influência para atrasar regulamentações. A The Lancet avisa: esperar por “provas perfeitas” seria repetir o erro histórico de deixar que um produto nocivo se enraizasse ainda mais nas dietas globais.

O estudo não se limita à ciência. Aponta também para a política e para a desigualdade social. Os ultraprocessados são mais consumidos em comunidades vulneráveis, onde o preço e a conveniência pesam mais do que a qualidade nutricional. A crise é, portanto, dupla: sanitária e social.

​​De acordo com os inquéritos nacionais analisados pelos investigadores da série publicada na The Lancet, a presença destes produtos na dieta das famílias aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Em Espanha, por exemplo, a proporção de energia proveniente de ultraprocessados nas compras alimentares quase triplicou, passando de cerca de 11% para 32%. Na China, o salto foi igualmente significativo, de 4% para 10% em apenas 30 anos. A tendência repete-se na América Latina: no México e no Brasil, a contribuição energética dos ultraprocessados duplicou em 40 anos, evoluindo de 10% para 23%.

A análise mostra ainda que a proporção destes produtos na ingestão energética total varia de acordo com fatores económicos e culturais. Nos países do Sul da Europa com maior rendimento, como Portugal, Itália, Chipre e Grécia, e em algumas economias asiáticas, como Taiwan e Coreia do Sul, os ultraprocessados representam menos de um quarto da dieta. Já em nações como Austrália e Canadá, essa percentagem ultrapassa os 40%, enquanto no Reino Unido e nos EUA chega a superar metade da energia diária consumida.

Desafio não é só individual
Os especialistas pedem medidas urgentes: legislação forte, rotulagem clara com alertas visíveis, promoção ativa de dietas frescas e acessíveis e políticas públicas que enfrentam desigualdades. Para além da transparência informativa, defendem também regras mais apertadas no campo do marketing, sobretudo no que toca à publicidade dirigida a crianças e à difusão em plataformas digitais. Entre as medidas propostas está ainda a exclusão de alimentos ultraprocessados de instituições públicas, como escolas e hospitais, e a definição de limites tanto para a sua comercialização como para o espaço que ocupam nas prateleiras dos supermercados.

O desafio é global e não pode ser resolvido apenas com escolhas individuais. No fundo, o que este estudo revela é uma verdade desconfortável: os ultraprocessados são um motor silencioso da crise de saúde contemporânea. A sua omnipresença nas mesas e prateleiras representa uma ameaça comparável às epidemias de tabaco e álcool do século passado. A diferença é que, desta vez, a ciência chega cedo e clara. Falta saber se a política terá coragem de colocar a saúde antes do lucro.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Contracto de Arrendamento da Alma: Actualização 2026

Feliz 2026

Cláusula 1ª (Da Sobrevivência): O presente contrato não garante que o Utilizador chegará a 2027. O serviço é fornecido "tal como está", com bugs graves no sistema de saúde e falhas críticas na conta bancária.

Cláusula 2ª (Das Desilusões Obrigatórias):
• §1º: O Utilizador aceita que 70% das suas novas "metas" serão abandonadas até ao dia 15 de janeiro. Os restantes 30% serão ignorados por pura falta de vontade de viver.
• §2º: Fica estabelecido que qualquer tentativa de "encontrar o amor da sua vida" resultará apenas em novos traumas, despesas em terapia e subscrições inúteis no Tinder.

Cláusula 3ª (Da Obsolescência Programada):
• O seu corpo continuará a degradar-se. Ao aceitar 2026, o Utilizador concorda em sentir dores nas costas por ter dormido "mal" e em ter ressacas de três dias após beber dois copos de vinho barato.

Cláusula 4ª (Do Apocalipse e Outros Eventos Sociais):
• A Administração de 2026 reserva-se o direito de introduzir novas pandemias, guerras mundiais ou invasões alienígenas apenas para testar se o Utilizador ainda consegue manter a fachada de "está tudo bem" no LinkedIn.

Cláusula 5ª (Política de Terminação):
• Não há botão de "Sair". O tempo passará de forma agonizante durante as reuniões de trabalho e de forma instantânea durante o tempo livre. Se não estiver satisfeito, a reclamação deve ser feita por escrito e enviada diretamente para o vácuo existencial.

[ ] Li e aceito que vou continuar a ser um figurante neste simulador de caos chamado vida, mas assino porque a alternativa é ainda mais aborrecida.

domingo, 30 de novembro de 2025

Creches e contacto com a Natureza - só vantagens


Uma creche na Finlândia revitalizou o seu pátio com elementos naturais e as crianças ficaram mais saudáveis: agora todo país está a replicar o mesmo. As crianças podem evitar doenças e alergias ao longo da vida se tiverem permissão para brincar na natureza. Dezenas de estudos comparativos já haviam constatado que crianças que vivem em áreas rurais e têm contato com a natureza apresentam menor probabilidade de contrair doenças resultantes de distúrbios do sistema imunológico e menor risco de desenvolver doença celíaca, alergias, atopia e até diabetes. O contato repetido com elementos naturais cinco vezes por semana diversifica a microbiota intestinal, oferecendo proteção contra doenças transmitidas pelo sistema imunológico. Cada indivíduo humano é, na verdade, um ambiente em si: um hospedeiro de trilhões de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e fungos. Estes, coletivamente, superam as nossas próprias células numa proporção de 4 para 1 e estão emergindo como uma das forças mais influentes, senão a mais importante, na saúde e no funcionamento humanos.

Artigos cientifícos 

Saber mais:

sábado, 29 de novembro de 2025

Velas perfumadas emitem tantas toxinas causadoras de cancro quanto fumaça de diesel e cigarros


As pessoas usam velas perfumadas há anos tentando mascarar odores desagradáveis ​​em suas casas. Eles são essenciais quando se tenta relaxar e descontrair após um longo dia de trabalho.

Embora possam parecer seguras, velas perfumadas regulares são na verdade uma importante fonte de poluição do ar em ambientes fechados. A baixa qualidade do ar interno pode contribuir para condições agudas como cancro e asma. (1)

De acordo com Anne Steinemann, especialista em poluentes ambientais, certas velas podem emitir vários tipos de produtos químicos potencialmente perigosos, como benzeno e tolueno ( 2 ). Eles podem perturbar o sistema nervoso, causar danos ao cérebro e pulmões, além de causar problemas no desenvolvimento.

“Ouvi de várias pessoas que têm asma que elas nem podem entrar em uma loja se a loja vender velas perfumadas, mesmo que não estejam sendo queimadas”, disse Steinemann. “Elas emitem tanta fragrância que podem desencadear ataques de asma e até enxaquecas”.

Então, se você está se perguntando, ‘as velas perfumadas são tóxicas?’ você pode marcar essa pergunta com um grande sim.

Por que as velas perfumadas são perigosas?
Você pensaria que o único perigo de queimar uma vela perfumada seria o risco de um incêndio. Embora seja uma razão válida, os perigos mais imediatos incluem:

• Inalação de fumaça de vela
• Inalação de fumos de fragrâncias por derretimento de cera de vela
• Inalação de vapores que compõem a maior parte da vela à medida que ela derrete

Um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Copenhague, realizado com ratos, descobriu que a exposição a partículas da queima de velas causa danos maiores do que a mesma dose de fumaça de escapamento de diesel. A inalação da fumaça da vela levou a efeitos na saúde, como inflamação e toxicidade pulmonar, arteriosclerose e efeitos do envelhecimento nos cromossomas nos pulmões e no baço.

Queimar velas em casa leva a um aumento da poluição do ar interior, com velas perfumadas representando um risco ainda maior. Na Dinamarca (onde queimar uma vela é tão comum quanto comer uma refeição), a pesquisa mostrou que 60% das partículas ultrafinas são provenientes da queima de velas.

Embora a fumaça das velas seja prejudicial aos pulmões, é exacerbada ainda mais quando as fragrâncias são adicionadas. A composição estrutural das velas (feitas de parafina ou de outro tipo de cera) também determinará seus níveis de toxicidade.

Um estudo realizado pelo Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Hanyang examinou se a quantidade de toxinas variava com a fragrância, com base em seis aromas diferentes. Velas perfumadas, acesas ou não, contêm compostos orgânicos voláteis (COV), que podem ser incrivelmente tóxicos quando inalados.

Eles descobriram que, quando uma vela era acesa, o formaldeído estava na maior concentração dentre os COV emitidos. Como sabemos, o formaldeído é listado como um composto perigoso e os seus vapores são considerados altamente tóxicos ( 4 ).

Os aromas que emitiram as maiores concentrações de formaldeído foram os seguintes (ppb = partes por bilião):

• Morango: 2098 ppb
• Algodão limpo: 1022 ppb
• Sem formatação: 925 ppb

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmam que “os efeitos agudos e crónicos do formaldeído na saúde variam de acordo com o indivíduo. O limiar típico para o desenvolvimento de sintomas agudos devido ao formaldeído inalado é de 800 ppb; no entanto, indivíduos sensíveis relataram sintomas em níveis de formaldeído em torno de 100 ppb ( 5 ). ”

Outro estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Sul ( 6 ) testou velas de parafina à base de petróleo e velas à base de vegetais que não eram perfumadas, não pigmentadas e livres de corantes.

As velas à base de vegetais não produziram poluentes nocivos, no entanto, as velas de parafina “lançaram substâncias químicas indesejadas no ar… para uma pessoa que acende uma vela todos os dias durante anos ou apenas as usa com frequência, inalação desses poluentes perigosos que flutuam no ar. O ar pode contribuir para o desenvolvimento de riscos à saúde, como cancro, alergias comuns e até asma ”, disse o professor Ruhollah Massoudi.

Além disso, um estudo divulgado pela EPA em 2001 descobriu que velas com mais fragrância produzem mais fuligem. A agência sugere a escolha de velas sem perfume para reduzir esses restos de detritos.

Advertências sobre formaldeído
O CDC possui avisos e recomendações para a exposição ao formaldeído em casa. Recomenda-se aos proprietários de imóveis que parem a exposição, principalmente quando houver indivíduos com asma, idosos ou crianças pequenas presentes na casa.

A exposição a curto prazo ao formaldeído libertado pelas velas resulta nos seguintes sintomas:
– Olhos lacrimejantes e ardentes
– Queimação na garganta e nariz
– Náusea e / ou vômito
– Sibilos e / ou tosse
– Queima de pele e / ou irritação

A exposição prolongada a produtos químicos encontrados nas velas também pode causar câncer nas passagens nasais e, pior ainda, leucemia. A inalação consistente de produtos químicos encontrados nas velas também pode levar ao comprometimento cognitivo e a certos tipos de demência.

Todas as velas são tóxicas?
Felizmente, nem todas as velas são tóxicas. De facto, existem muitas ótimas alternativas que não envolvem o uso de produtos petrolíferos nocivos.

O maior problema com as velas é a cera tóxica e a fragrância usada em sua formulação.

Velas perfumadas feitas de parafina – um subproduto do petróleo – libertam fuligem cancerígena quando queimadas. A fuligem também pode causar problemas respiratórios e agravar as condições daqueles que já têm problemas de asma, pulmão ou coração.

Velas mais antigas também costumavam ser construídas com pavios feitos de chumbo.

Se você ainda está preocupado, no entanto, existe uma maneira fácil de testar se o pavio contém chumbo. Basta esfregar o pavio de uma vela não queimada em papel branco. Se o pavio deixa uma marca cinza como lápis, há chumbo nele. Se não houver cinza, está tudo bem.

Infelizmente, muitas velas comuns são feitas de parafina porque são mais baratas que outros tipos de cera. A parafina também cria uma fragrância com cheiro mais forte que as ceras naturais.

Mas se você realmente quer uma vela que dure muito e cheira incrível, use cera de abelha!
Embora você precise pesquisar um pouco mais e pagar um pouco mais por uma vela de cera de abelha natural, os benefícios valem a pena!

domingo, 2 de novembro de 2025

Petição pela Demissão da Ministra da Saúde e pela Defesa de um SNS Público e Funcional

Assinar e divulgar a Petição aqui

Para: Assembleia da República, Primeiro-Ministro e Presidente da República

Nós, cidadãos abaixo-assinados, manifestamos a nossa profunda indignação e exigimos a demissão imediata da Ministra da Saúde, em consequência das falhas graves e reiteradas no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que têm colocado em risco vidas humanas — incluindo bebés, crianças e grávidas.

Situação atual
O SNS encontra-se entupido, envelhecido e incapaz de responder às necessidades básicas da população.
Casos recentes expõem a gravidade:
  1. Bebés a nascerem em ambulâncias, estradas e até na rua, por falta de resposta hospitalar atempada.
  2. Grávidas enviadas de hospital em hospital sem atendimento adequado, resultando em mortes evitáveis.
  3. Crianças encaminhadas para hospitais sem pediatria e grávidas para hospitais sem urgência obstétrica.
  4. Doentes obrigados a ligar previamente para a Linha SNS 24 para serem atendidos em hospitais públicos.
Isto é ilegal: nenhum hospital pode recusar atendimento de urgência, com ou sem contacto prévio com o SNS 24. O direito à saúde e ao socorro médico é constitucional e universal — e está acima de qualquer linha telefónica ou norma administrativa.

Também é ilegal negar o direito ao acompanhante:
  1. em partos,
  2. em internamentos,
  3. em pediatria,
  4. e em urgências, onde muitas vezes os cidadãos são impedidos de ter alguém ao seu lado em momentos de grande fragilidade.
A gestão hospitalar não está acima da lei e deve respeitar estes direitos fundamentais.

Dados que confirmam,
  1. Listas de espera: primeira consulta cresceu 46% face a 2022; cirurgias aumentaram 13%.
  2. Apenas 60% dos atendimentos nas urgências respeitam o tempo definido pela triagem.
  3. Taxa de ocupação hospitalar em 91%, a mais elevada da última década.
  4. Portugal tem apenas 3,5 camas hospitalares por 1000 habitantes, muito abaixo da média europeia.
  5. Centros de saúde degradados, sem condições físicas nem humanas: horários reduzidos, falta de médicos, enfermeiros e auxiliares.

Direitos fundamentais violados
1. Constituição da República Portuguesa
O artigo 64.º garante a todos os cidadãos o direito à proteção da saúde e o acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde. O Estado tem o dever de assegurar esse direito.
2. Lei n.º 15/2014 (Direitos e Deveres do Utente)
Artigo 3.º: nenhum utente pode ser privado de cuidados de saúde por motivos económicos, sociais ou administrativos.
Artigo 12.º: todos os utentes têm direito a acompanhante, em internamento e em urgência, incluindo grávidas, crianças, pessoas dependentes ou com deficiência
3. Portaria n.º 142/2017, de 14 de abril
Regulamenta e reforça o direito a acompanhante nos serviços de urgência e internamento do SNS. Os hospitais são obrigados a criar condições para que este direito seja respeitado. A gestão hospitalar não está acima da lei.
4. Portaria n.º 23/2025/1, de 29 de janeiro
Estabelece que, mesmo que o utente chegue ao hospital sem contacto prévio com a Linha SNS 24, deve ser:
Facultado o acesso à Linha para encaminhamento;
E, caso não seja possível, deve ser inscrito no serviço de urgência e sujeito a triagem hospitalar.
A portaria sublinha que “não pode resultar falta de resposta em saúde ajustada à condição clínica do utente”, incluindo no acompanhamento dos seus familiares.

Isto significa que nenhum hospital pode recusar atendimento por falta de chamada prévia à Linha SNS 24, sendo essa prática ilegal e contrária à Constituição, à Lei e à Portaria

Direitos humanos em risco
  1. O direito ao atendimento médico imediato não pode ser condicionado a chamadas telefónicas ou autorizações burocráticas.
  2. O direito a um acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências é legalmente reconhecido e não pode ser negado arbitrariamente.
  3. A ausência de condições nos centros de saúde prejudica utentes e funcionários, criando sobrecarga, stress, burnout e desumanização.
  4. As falhas do SNS têm efeitos psicológicos devastadores: famílias traumatizadas, profissionais culpabilizados, utentes sem confiança no sistema.
Responsabilidade política
Quando o Estado falha em proteger a vida e a dignidade dos cidadãos, deve haver responsabilização política imediata.
Não é aceitável continuar a normalizar tragédias evitáveis. A demissão da Ministra da Saúde é uma exigência ética, política e social.

O que exigimos
1. Demissão imediata da Ministra da Saúde.
2. Garantia de atendimento hospitalar imediato a qualquer cidadão, sem exigência de contacto prévio com o SNS 24.
3. Cumprimento integral do direito a acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências.
4. Reforma urgente da Linha SNS 24 e SNS Grávida, que não pode substituir o acesso direto ao hospital.
5. Plano emergencial de reforço de recursos humanos e infraestruturas, com contratação imediata de médicos, enfermeiros, auxiliares e investimento nos centros de saúde.
6. Investimento público sério no SNS, com aumento de camas hospitalares, modernização de instalações e condições de trabalho dignas.
7. Protocolos nacionais de transporte de grávidas e recém-nascidos, para evitar tragédias evitáveis.
8. Auditoria independente ao SNS, com relatórios públicos e responsabilização administrativa e política pelas falhas graves

A saúde é um direito constitucional, não um privilégio. Não podemos assistir passivamente a um colapso que ceifa vidas e destrói a confiança no SNS.

Assinamos esta petição por justiça, dignidade e responsabilização política. Porque nenhum bebé deve nascer numa estrada, nenhuma grávida deve ser abandonada, nenhum cidadão deve ser recusado ou deixado sozinho num hospital.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Precisamos de banir PFAS agora mesmo



PFAS, estão por todo o lado. Já deve ter ouvido falar de PFAS em frigideiras antiaderentes e impermeáveis, mas sabia que estes produtos químicos eternos se encontram em inúmeros outros produtos? Até mesmo em embalagens de alimentos, medicamentos e pesticidas. 

Muitos PFAS são tóxicos; outros interferem com o seu sistema hormonal. No entanto, a indústria química recusa-se a eliminar os PFAS, pois lucra com a sua produção, pondo em risco a saúde de milhões de europeus.

A ciência é clara: os PFAS podem causar danos no fígado, distúrbios da tiroide, obesidade, problemas de fertilidade, doenças cardiovasculares e cancro. O Conselho Nórdico de Ministros estimou que o custo dos PFAS para a saúde pública é de uns impressionantes 52 a 84 mil milhões de euros por ano na Europa.

Como os PFAS quase não se degradam naturalmente e são utilizados há décadas, estão agora em todo o lado. Estudos mostram que muitos de nós estão expostos aos PFAS através de alimentos e água potável, criando riscos para a saúde humana.

Isto precisa acabar. Não podemos permitir que a indústria química continue a envenenar o nosso ar, a nossa água potável, o nosso solo e, em última análise, os nossos corpos, para sempre. A nova Comissão Europeia deve agir já:
  1. Proibindo o uso de PFAS na Europa em todos os produtos o mais rapidamente possível.
  2. Obrigar as empresas químicas a pagar os custos de limpeza da poluição por PFAS.
  3. Estabelecendo normas muito mais rigorosas para o PFAS em águas superficiais e potável.
É importante que as nossas vozes sejam ouvidas. A indústria química quer continuar a operar como sempre. E é um adversário formidável: o setor químico é um dos que mais investe em lobistas na Europa. Mas juntos podemos vencê-los.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

A Educação Sexual não é uma matéria ideológica. É saúde pública.


Esta não é uma decisão de um Ministério da Educação que governa de acordo com a evidência técnica e científica.

É uma lamentável cedência populista a quem não se importa de aumentar as gravidezes indesejadas e a vulnerabilidade das crianças e jovens. É um triste retrocesso que responsabiliza esta equipa do Ministério da Educação, Ciência e Inovação pelas consequências que a ignorância, o obscurantismo e o negacionismo têm na vida de tantas e tantas crianças e jovens. A educação sexual é uma vacina contra o abuso sexual, contra as IST, contra as gravidezes indesejadas, contra a vergonha de ser diferente e contra a subjugação física e emocional. Privar as crianças do acesso ao ensino destas matérias é anti-ciência e é profundamente desumano.

Lecionei esta disciplina desde que ela foi fundada. Grande desconhecimento do que fazem os professores! Quantas formações fizemos nesta e noutras áreas!

Estaremos a voltar ao tempo da "moralidade" salazarenta! O que não é visto nem ouvido, não existe! Voltaremos aquele tempo, no qual eu tive tanto que lutar para alterar, em que se a ideia feita que ao lecionarmos Educação Sexual nas escolas estávamos a promover o ato sexual em menores?! As estatísticas comprovam o contrário, mais conhecimento e informação correta (não a dos Tik toks e pornografia, sim as nossas crianças veem pornografia e contextos de sexualidade violenta e abusadora) atrasa o mesmo! Cerca de 500 jogos sexualmente violentos e misóginos foram banidos de plataformas.
 
Quantos alunos e alunas me passaram pelas mãos que se não fossem os conhecimentos adquiridos nas aulas, de Cidadania e de Ciências Naturais e Biologias, nunca teriam acesso a informação correta sobre, nomeadamente: respeito, autoestima e não violência no namoro, sistema reprodutor, métodos contracetivos, gravidez e desenvolvimento fetal, afectos, tolerância LGBTQIA, prevenção de IST, etc.
Enfim, tudo em prol de um populismo patético e com o sacrifício da educação dos nossos jovens! 

P.S. Aos pais que criticam a Educação Sexual Formal, pensem que muitos casos de abuso sexual de crianças e jovens são feitos dentro da família. A Educação Sexual como estava no anterior Governo era correcta, pois ensinava crianças e adolescentes a detectar os primeiros indícios de violação sexual.

Em 2024, o Instituto Nacional de Estatística (INE) reportou 1.041 participações policiais por abuso sexual de crianças, adolescentes ou menores dependentes, representando 32,2 % do total de crimes contra menores (3.237 participações) e mais de 9.085 menores receberam apoio direto da APAV entre 2022 e 2024, com média de idades entre 11 e 17 anos, sendo 60 % meninas e 38,3 % sendo filhos dos agressores.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Sobre o Diquato


O diquato, substância ativa utilizada para substituir o glifosato no Roundup e noutros herbicidas, pode matar as bactérias intestinais e danificar os órgãos de várias formas, segundo uma nova investigação. É comercializado em Portugal pela Sapec. CUIDADO!

terça-feira, 8 de julho de 2025

Mais graves e mais duradouras: alergias vão piorar por causa das alterações climáticas


De acordo com a imunoalergologista, as alterações climáticas “promovem ainda mais a poluição exterior, períodos mais longos de exposição aos pólenes e maior suscetibilidade a infeções, aumentando a expressão, duração e gravidade da doença alérgica”.

A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) alertou esta segunda-feira para o aumento da incidência e da gravidade das alergias nos próximos anos devido a períodos de polinização mais longos, provocados pelas alterações climáticas.

“As recentes alterações climáticas do nosso planeta, sobretudo o aquecimento global, provocam inícios e picos de floração cada vez mais precoces e períodos de polinização mais longos com aumento dos totais anuais de pólenes”, afirma a presidente da SPAIC, citada em comunicado, no âmbito do Dia Mundial da Alergia que se assinala hoje 08 de julho.

Ana Môrete explica que “a tendência nos próximos anos é a de aumento da incidência e da gravidade das alergias”, face aos fatores ambientais e ao estilo de vida.

“Isto traduz-se numa temporada de alergias mais longa e mais difícil com a presença importante de pólenes no outono”, destaca a responsável, sublinhando que eventos climáticos, como tempestades de areia, “libertam partículas finas que levam a um risco acrescido de patologia alérgica e respiratória”.


Ana Môrete indica também que o maior consumo de alimentos processados “pode estar a contribuir para o aumento das alergias alimentares”.

Estimando que mais de três milhões de portugueses convivam com algum tipo de manifestação de doença alérgica, a presidente da SPAIC salienta que “algumas alergias podem mesmo ser fatais, sobretudo quando causam anafilaxia”.

“A anafilaxia é, muitas vezes, subdiagnosticada e subvalorizada, sendo muito importante reconhecer os sinais precoces, educar doentes, cuidadores e profissionais de saúde sobre como agir rapidamente e reforçar a utilização de adrenalina autoinjectável que pode salvar vidas e reduzir o estigma e o medo, capacitando os doentes a viver com segurança”, realça.

Esta é a reação alérgica “mais temida por ser súbita e potencialmente fatal, podendo afetar simultaneamente a pele, vias respiratórias, sistema cardiovascular e gastrointestinal”, segundo a presidente da SPAIC, que acrescenta ser “uma ameaça evitável”.

A anafilaxia pode ser desencadeada por alimentos - como leite, ovo, amendoins, frutos secos, marisco e peixe -, medicamentos - especialmente anti-inflamatórios e antibióticos betalactâmicos – ou por picadas de himenópteros.

Dados de estudos epidemiológicos estimam que, entre as alergias mais comuns, estão a rinite, que tem uma prevalência global em 30% da população, asma alérgica em 10%, alergias alimentares e medicamentosas em até 5%, e anafilaxia e alergia aos venenos de himenópteros (abelhas e vespas) entre 1% e 2%.

domingo, 6 de julho de 2025

“Na alimentação, há uma tempestade perfeita a formar-se. Chama-se sindemia”, sublinha nutricionista


A alimentação é mais do que o ato de ingerirmos nutrientes essenciais à vida. Estar à mesa é, também, convivialidade e prazer. Mais, “a forma como comemos tem impacto nas questões da sustentabilidade”. Com esta frase, a nutricionista e docente Cláudia Viegas dá o mote para uma questão premente nos nossos dias: As escolhas alimentares das famílias e a sustentabilidade do planeta e do ser humano.

“Há muito que a revista The Lancet, apontou os três fenómenos cruciais com um impacto brutal sobre o futuro do planeta e das pessoas”. De acordo com a docente, um trio que se prende com a “malnutrição, sob duas formas, a desnutrição e a obesidade, a que se acrescem as alterações climáticas”.

“A malnutrição é, neste momento, a maior causa de perda de saúde em todo o mundo, seja por via da falta de alimentos, seja por via do consumo excessivo de alimentos de baixo valor nutricional”, sustenta a nutricionista.

Para Cláudia Viegas, “as alterações climáticas vão levar à produção de alimentos com menor conteúdo nutricional, diminuição da produção de alimentos o que vai encarecer o preço dos produtos”. Um caminho que “reforçará, quer a insegurança alimentar, quer a desnutrição, assim como o desvio para o consumo de alimentos processados, de elevada densidade energética”. Deste último caso podemos concluir, de acordo com a nutricionista, que “vai sair reforçado o fenómeno da obesidade”.

“Na alimentação, há uma tempestade perfeita a formar-se. Chama-se sindemia, uma sinergia de epidemias, pois os três fenómenos que elenquei ocorrem em simultâneo no tempo e no espaço”, adianta Cláudia Viegas

É uma arma para o nosso planeta todo o processo industrial por detrás da produção
“É uma arma para o nosso planeta todo o processo industrial que está por detrás da produção. A agricultura representa 15 a 23% da emissão de gases com efeito de estufa. Contudo, nesta, 12 a 19% prende-se com a produção animal”, refere a docente.

“A nossa alimentação assenta, hoje, no consumo exagerado de carne. Muito além daquilo que é admissível, com 180 a 200 gramas por refeição. Um requisito por parte do público que entende que uma grande dose de carne é uma refeição bem servida. Por exemplo, o que preocupa as famílias é que à refeição a criança coma a carne até ao fim. Não temos a mesma perceção em relação aos hortícolas”.

No que respeita à restauração Cláudia Viegas deixa uma sugestão: “As ementas ao invés de destacarem a carne ou o peixe, os refira como acompanhamentos. Aliás, chamemos-lhes isso mesmo, acompanhamentos, porque não são o componente principal, o mais importante”.

A obesidade, um grande problema
No que respeita à obesidade, “um grande problema mundial”, as recomendações da Organização Mundial da Saúde “chegam-nos desde há mais de 30 anos. Todos os países aderem. Mas, na realidade, não há mudanças que sejam consideráveis e significativas”, sustenta Cláudia, para quem “há vários motivos para que isso aconteça e, algo com um peso muito forte, a oposição por parte daqueles que são os interesses comerciais e económicos”.

Somos um público pouco exigente ou pouco consciente do impacto que a alimentação tem nas nossas vidas.
“Todos nos lembramos da polémica em torno da lei que procurava regular o conteúdo do sal dos alimentos e que acabou chumbada pela pressão dos grupos económicos. São muito poucas, mas muito poderosas as empresas que gerem grande parte daquilo que temos disponível no mercado”.

Para a docente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, “somos um público pouco exigente ou pouco consciente do impacto que a alimentação tem nas nossas vidas. Adultos e crianças têm cada vez menos literacia sobre aquilo que comemos, estando a perder-se a ligação entre o que nos aparece no prato e a origem do alimento”.

Neste âmbito, a nutricionista não poupa a indústria alimentar: “Passa-nos a ideia de que uma fruta e a congénere sob a forma bebível, em pacote, são a mesma coisa. Não o são, nem do ponto de vista nutricional, nem do ponto de vista do impacto sobre o planeta, ou mesmo naquilo que se entende sobre o que é um alimento”.

domingo, 29 de junho de 2025

Lucros que não se decompõem: a tragédia persistente do plástico


No meio da crise ambiental que se agrava a cada ano, cresce uma ameaça silenciosa e persistente, alimentada por interesses económicos que não se decompõem: a poluição plástica. Por trás do brilho da conveniência, escondem-se os lobbies dos combustíveis fósseis, que seguem ditando os rumos da produção global. Grandes potências petrolíferas e corporações multinacionais têm agido como forças contrárias à vida, bloqueando tratados, sabotando regulações e retardando o que já deveria ser urgente: o enfrentamento coordenado de um desastre ecológico anunciado. Nesta paisagem distorcida, a sustentabilidade do planeta é moeda de troca, sacrificada sem hesitação em nome de lucros que se acumulam — e permanecem, como o plástico, por tempo indefinido.

1- Crescimento global da produção e consumo de plásticos
Desde 1950, a humanidade produziu mais de oito mil milhões de toneladas de plástico, grande parte dos quais permanece até hoje nos ecossistemas, já que os plásticos podem levar centenas de anos para se decompor (Capomaccio, 2025). O crescimento exponencial da produção global de plásticos nas últimas décadas resultou numa crise ambiental sem precedentes. Atualmente, cerca de 460 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente, e projeções alarmantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) indicam que esse volume poderá triplicar até 2060 caso não sejam implementadas políticas globais rigorosas (Cardial, 2024; Capomaccio, 2025).

Um estudo de 2024 revelou que menos de 60 multinacionais são responsáveis por mais da metade da poluição plástica global, com apenas seis empresas gerando um quarto desse total. A Coca-Cola sozinha respondeu por 11% dos resíduos plásticos rastreados, seguida pela PepsiCo, com 5%, enquanto a Danone e a Nestlé foram responsáveis por 3% cada. As empresas de tabaco Altria e Philip Morris International contribuíram com 2% dos resíduos plásticos identificados. Para realizar o estudo, voluntários recolheram mais de 1,87 milhão de resíduos plásticos em 84 países ao longo de cinco anos, constatando que a maioria era proveniente de embalagens descartáveis de alimentos, bebidas e tabaco. Apenas metade desses resíduos possuía identificação de marca, e 56 multinacionais foram responsáveis por essa parcela. Embora algumas empresas tenham adotado medidas voluntárias para reduzir sua pegada ambiental, a produção global de plástico dobrou desde 2000, enquanto a taxa de reciclagem permanece em apenas 9%. O estudo confirma uma correlação direta entre o aumento da produção de plástico e a intensificação da poluição ambiental (Cowger et al, 2024).

Este cenário alarmante é impulsionado principalmente pela indústria petroquímica, que vê na produção de polímeros uma alternativa económica diante da redução do consumo de combustíveis fósseis, resultado do avanço das energias renováveis e veículos elétricos (Planelles, 2024). Países como Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos têm apostado agressivamente na produção petroquímica, contrariando esforços internacionais por um tratado global que limite a fabricação de polímeros (Mena, 2024; Rodrigues, 2024).

A indústria petrolífera, diante da redução da procura por combustíveis fósseis, passou a direcionar os seus investimentos à produção de plásticos, garantindo lucros significativos e sustentando sua relevância económica global. Países como Arábia Saudita e Rússia lideram a oposição a tratados internacionais que buscam limitar a produção global de polímeros, insistindo que a reciclagem e a gestão de resíduos seriam estratégias suficientes para resolver a crise plástica (Planelles, 2024; Mena, 2024; Rodrigues, 2024). Essa perspetiva, contudo, ignora as evidências que mostram os limites práticos e económicos da reciclagem em larga escala.

Uma importante iniciativa no combate à poluição dos plásticos está no estabelecimento de um Tratado Global sobre Plásticos. Esse tratado começou a surgir a partir de uma resolução aprovada em 2022 por 175 membros da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com o objetivo de eliminar a poluição plástica até 2040 por meio de um instrumento internacional juridicamente vinculativo.

Para a sua formulação, foi estabelecido o Comité de Negociação Intergovernamental (INC), que iniciou os seus trabalhos no segundo semestre de 2022, visando concluir as negociações até o final de 2024. Entretanto, devido à falta de consenso, o prazo foi estendido. A primeira parte da quinta sessão do INC (INC-5.1) ocorreu em novembro e dezembro de 2024, em Busan, Coreia do Sul, e a segunda parte (INC-5.2) está programada para agosto de 2025, em Genebra, Suíça. Nessa fase, serão debatidos temas como design e gerenciamento de resíduos, produtos químicos preocupantes, fornecimento e produção de plástico, além de mecanismos financeiros (UNEP, 2025).

A ratificação do tratado representará um marco na luta contra a poluição plástica, incentivando mudanças nos padrões de consumo, inovação tecnológica e maior engajamento de setores público e privado na busca por sustentabilidade.

As dificuldades na criação de um Tratado Global sobre Poluição Plástica revelam não apenas a resistência dos países produtores de petróleo, mas também o papel de grandes corporações. A Coca-Cola, por exemplo, que foi apontada como a maior poluidora plástica do mundo por seis anos consecutivos pela organização Break Free from Plastic, tem revisto silenciosamente os seus compromissos ambientais. Durante as negociações de 2024 na Coreia do Sul, a empresa removeu do seu site a meta de garantir que 25% de suas bebidas fossem vendidas em embalagens reutilizáveis até 2030. Auditorias realizadas em 40 países confirmam que as garrafas plásticas da empresa estão entre os resíduos mais encontrados em praias e parques, demonstrando o seu impacto na crise da poluição plástica. Além disso, no seu comunicado oficial de dezembro de 2024, a Coca-Cola reduziu as suas metas de conteúdo reciclado nas embalagens, passando de 50% até 2030 para 35-40% até 2035, e adiou as suas metas de recolha de embalagens para depois de 2035. A ausência de um compromisso renovado com embalagens reutilizáveis foi interpretada por ambientalistas como um retrocesso significativo, considerando que a Coca-Cola é uma das maiores poluidoras por plásticos globalmente, o que amplifica a gravidade da questão e a urgência por regulamentações mais rigorosas e comprometimento corporativo genuíno. (Gama, 2024).

2- Impactos da poluição plástica no meio ambiente
O impacto ambiental dos plásticos é visível em todo o planeta, com oceanos a transformarem-se em grandes depósitos desse resíduo. Cerca de 20 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos, afetando profundamente a biodiversidade marinha (Cardial, 2024). Ecossistemas protegidos como o Parque Marinho de Abrolhos, no Brasil, já apresentam altos níveis de contaminação por microplásticos, evidenciando que mesmo áreas supostamente protegidas não estão imunes (Teixeira, 2025).

Um estudo recente revelou que a ingestão de plásticos está a causar danos cerebrais em filhotes de cagarra-negra (Puffinus griséus), semelhantes às doenças de Alzheimer e Parkinson em humanos. Os investigadores da Universidade da Tasmânia analisaram dezenas de filhotes dessa ave migratória e identificaram neurodegeneração, deterioração do estômago e ruptura celular causadas pelos resíduos plásticos ingeridos. Os filhotes, alimentados involuntariamente com plástico pelos pais, acumularam grandes quantidades desse material no estômago, comprometendo órgãos vitais como fígado, rins e cérebro. Exames de sangue indicaram padrões de proteínas similares aos encontrados em pacientes com Alzheimer. Estudos anteriores mostram que um único filhote pode carregar até 400 pedaços de plástico, representando 10% do seu peso corporal. Embora algumas aves vomitem parte do plástico antes de migrar, a ingestão excessiva compromete a sua sobrevivência, tornando a sua jornada quase impossível. O estudo reforça o impacto devastador da poluição plástica na vida selvagem marinha (de Jersey et al, 2025).

Os achados desse estudo são alarmantes e evidenciam o impacto profundo e irreversível da poluição plástica na vida selvagem marinha. A neurodegeneração observada em filhotes de Puffinus griséus reforça a gravidade da contaminação por plásticos, que compromete funções vitais e inviabiliza sua sobrevivência. A presença de biomarcadores similares aos de doenças neurodegenerativas humanas indica que os efeitos do plástico vão além do dano físico, alcançando processos biológicos fundamentais.

Além dos oceanos, micro e nanoplásticos, resultantes da fragmentação dos plásticos maiores, tornaram-se uma ameaça omnipresente, infiltrando-se em alimentos, água potável, ar e até mesmo no corpo humano. Estudos recentes revelam a presença dessas partículas em órgãos como cérebro, fígado e pulmões, indicando uma ameaça potencialmente grave à saúde humana, cujas consequências ainda estão sendo compreendidas. Revelaram ainda maior risco de doenças cardiovasculares, inflamações e danos celulares devido à presença dessas partículas em tecidos humanos.

A poluição por microplásticos também ameaça a segurança alimentar global ao reduzir a fotossíntese de plantas terrestres em cerca de 12% e algas marinhas em 7%. Essa contaminação pode causar perdas de 4% a 14% na produção de trigo, arroz e milho e reduzir a pesca em até 24 milhões de toneladas anuais. Como resultado, até 400 milhões de pessoas podem enfrentar insegurança alimentar nas próximas décadas. O estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou mais de 3.000 observações e revelou que os microplásticos prejudicam a absorção de luz pelas plantas, danificam solos e carregam toxinas. Além da crise alimentar, a redução da fotossíntese impacta a captura de carbono, dificultando a mitigação das mudanças climáticas. Os pesquisadores alertam que as perdas agrícolas causadas pelos microplásticos são comparáveis às da crise climática e destacam a urgência de reduzir essa poluição para proteger o suprimento global de alimentos (Zhu et al, 2025).

A presença de micro e nanoplásticos também está a ser detetada na água potável, inclusive na engarrafada. Investigadores da Universidade de Columbia analisaram três marcas populares de água engarrafada nos Estados Unidos e descobriram que um litro de água pode conter, em média, 240.000 fragmentos de plástico detectáveis, sendo 90% deles nanoplásticos (Garcia, 2025).

Um outro estudo, Garcia (2025) revela a gravidade adicional da contaminação por micro e nanoplásticos na água engarrafada. Um estudo da Universidade de Barcelona mostrou que a Espanha é o terceiro país europeu em consumo desse tipo de água, com até 107 litros anuais por habitante. Analisando amostras por microscopia Raman estimulada, foi descoberto que a água engarrafada contém entre 110.000 e 370.000 fragmentos plásticos por litro, número que excede até cem vezes estimativas anteriores. Cerca de 90% dessas partículas são nanoplásticos, majoritariamente PET, provenientes da quebra das próprias garrafas, especialmente sob calor ou compressão. Outros polímeros detectados incluem poliamidas, poliestireno, cloreto de polivinila e polimetilmetacrilato.

Além disso, estudo realizado pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e Instituto de Saúde Global de Barcelona analisou 280 amostras de água de diferentes marcas e constatou presença similar de microplásticos e aditivos químicos, como estabilizantes e plastificantes. Esses aditivos, principalmente plastificantes, representam riscos significativos à saúde humana, comparáveis às taxas detectadas na água da torneira, porém com predominância distinta dos tipos de polímeros encontrados. Os investigadores estimam que, ao beber dois litros de água por dia, uma pessoa ingere 262 microgramas de partículas plásticas por ano. Esses contaminantes representam um risco significativo para a saúde humana, uma vez que estudos indicam que microplásticos estão associados a inflamações, doenças cardiovasculares e danos celulares (Garcia, 2025).

3- Limitações e desafios da reciclagem
Embora a reciclagem seja frequentemente apresentada como solução, a realidade global revela um cenário menos otimista. Apenas cerca de 9% do plástico produzido no mundo é efetivamente reciclado. Países como o Brasil possuem índices ainda mais baixos, reciclando pouco mais de 1% (Capomaccio, 2025). Dificuldades técnicas e económicas limitam significativamente a reciclagem, especialmente no caso de plásticos complexos, como embalagens coloridas, produtos compostos por múltiplos polímeros e embalagens de cosméticos, que acabam frequentemente em aterros sanitários ou na natureza (Gama, 2024).

Além disso, iniciativas corporativas destinadas a resolver o problema da reciclagem têm demonstrado ser mais marketing do que soluções efetivas. A Aliança para Acabar com o Lixo Plástico (AEPW), formada por gigantes petroquímicas, prometeu retirar milhões de toneladas de plástico do meio ambiente, mas acabou colhendo menos de 0,1% da quantidade produzida, caracterizando um evidente caso de “greenwashing” (Leri, 2024).

É essencial olhar criticamente para essas iniciativas corporativas, já que muitas vezes elas representam uma estratégia para melhorar a imagem pública sem mudar substancialmente práticas produtivas nocivas. A sociedade deve exigir maior transparência e responsabilidade real das empresas envolvidas.

4- Entraves internacionais e interesses económicos
As negociações para um tratado global juridicamente vinculante têm enfrentado forte resistência da indústria petroquímica e de países dependentes da produção de petróleo. Em Busan, Coreia do Sul, representantes de mais de 170 países fracassaram em alcançar consenso devido à resistência de países produtores de petróleo, que argumentaram contra restrições obrigatórias na produção de polímeros. Esses países insistem que as medidas deveriam ser voluntárias e focar apenas na gestão de resíduos e reciclagem, não na redução da produção de plásticos (Cardial, 2024; Mena, 2024; Rodrigues, 2024).

Questões relacionadas ao financiamento também são fontes de conflito, pois países em desenvolvimento reivindicam apoio financeiro justo dos países desenvolvidos para a implementação de medidas sustentáveis. O Brasil, por exemplo, questiona o papel do Global Environment Fund (GEF) na gestão dos recursos devido à falta de influência dos países mais pobres na governança dessas instituições (Cardial, 2024).

A indústria petroquímica tem desempenhado papel decisivo ao bloquear avanços regulatórios e promover estratégias de manipulação da opinião pública. Um exemplo emblemático é a campanha coordenada pela Associação Nacional de Recursos de Contêineres de PET (NAPCOR), que contratou influenciadores digitais para promover mensagens favoráveis ao plástico, omitindo informações sobre as baixas taxas reais de reciclagem (Tabuchi, 2024).

Essas ações expõe uma questão ética e política fundamental, evidenciando como interesses económicos específicos podem dificultar a implementação de políticas ambientais globais. Essa situação reflete o conflito entre desenvolvimento económico e a urgência de medidas sustentáveis. O caso específico dos Estados Unidos, sob a administração Trump, também ilustra como políticas ambientais podem retroceder rapidamente. Trump revogou restrições anteriores ao uso de plásticos descartáveis e incentivou o uso de produtos altamente poluentes como canudos plásticos, ignorando evidências científicas e preocupações globais sobre poluição (Holland & Hunnicutt, 2025; Debusmann, 2025).

Esses retrocessos políticos reforçam a ideia de que, sem uma abordagem global coordenada e coerente, avanços nacionais isolados podem facilmente ser revertidos. A cooperação internacional é indispensável, e políticas isolacionistas representam um risco à sustentabilidade global.

5- Conclusão
Diante da catástrofe ambiental e social representada pela poluição plástica, é imperativo rejeitar a falsa narrativa sustentada pelos interesses económicos da indústria petroquímica, que insiste em soluções paliativas enquanto amplia continuamente sua produção. A resistência de países dependentes dos combustíveis fósseis às regulamentações internacionais expõe claramente o conflito entre lucro e preservação ambiental, exigindo uma resposta vigorosa e urgente da comunidade global. Para evitar o agravamento dessa crise, é fundamental a implementação imediata de acordos internacionais juridicamente vinculantes, capazes de obrigar os produtores a assumir plena responsabilidade sobre o ciclo de vida dos plásticos. Além disso, é necessário intensificar investimentos na economia circular, promover a substituição do plástico por alternativas sustentáveis e garantir uma educação ambiental maciça que conscencialize a sociedade sobre a gravidade do problema.

Referências

Capomaccio, S. (2025, fev 26) Poluição plástica é a segunda maior ameaça ambiental ao planeta. Jornal da USP. 


Cowger, W., Willis, K. A., Bullock, S., Conlon, K., Emmanuel, J., Erdle, L. M., … & Wang, M. (2024). Global producer responsibility for plastic pollution. Science Advances, 10(17), eadj8275. 

Debusmann Jr, B. (2025, feb 10) Trump signs order shifting US back toward plastic straws. BBC. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/c2k574ydyyqo

de Jersey, A. M., Lavers, J. L., Bond, A. L., Wilson, R., Zosky, G. R., & Rivers-Auty, J. (2025, mar 12). Seabirds in crisis: Plastic ingestion induces proteomic signatures of multiorgan failure and neurodegeneration. Science Advances, 11(11), eads0834. 


Garcia, J. (2025, Feb 20) Unos investigadores analizaron 280 muestras de agua embotellada. Solo una de las marcas estaba libre de microplásticos. España Xataka. Disponível em: https://www.xataka.com/ecologia-y-naturaleza/unos-investigadores-analizaron-280-muestras-de-agua-embotellada-solo-una-de-las-marcas-estaba-libre-de-microplasticos

Holland , S. & Hunnicutt, T (2025, feb 11) Trump signs executive order on plastic drinking straws. Reuters. Disponível em: https://www.reuters.com/world/us/trump-signs-executive-order-plastic-drinking-straws-2025-02-10/

Leri, M. (2024, nov 21) Empresas produzem 1.000 vezes mais plástico do que conseguem limpar, revela Greenpeace. Um só planeta. Disponível em: https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2024/11/21/empresas-produzem-1000-vezes-mais-plastico-do-que-conseguem-limpar-revela-greenpeace.ghtml

Mena, F. (2024 Dez 3) Sem acordo, tratado global contra a poluição plástica é adiado para 2025. Folha de São Paulo, p A40.

OCEANA-WWF (2024) Oportunidades na transição para um Brasil sem plásticos descartáveis. Resumo Executivo. https://wwfbrnew.awsassets.panda.org/downloads/res-exec_estudo_socioeconomico_final_1.pdf

Planelles, M.(2024, dic 05) De la gasolina al plástico: la estrategia de negocio de las petroleras que bloquea tratados medioambientales. El País. Disponível em: https://elpais.com/clima-y-medio-ambiente/2024-12-05/de-la-gasolina-al-plastico-la-estrategia-de-negocio-de-las-petroleras-que-bloquea-tratados-medioambientales.html?utm_source=chatgpt.com

Rodrigues, M. (2024 dez 3) Catadores cobram mais proteção em meio a negociações frustradas. Folha de São Paulo, p. A40


Tabuchi, H. (2024, nov 27)Inside the Plastic Industry’s Battle to Win Over Hearts and Minds. The New York Times. Disponível em: https://www.nytimes.com/2024/11/27/climate/plastic-industry-internal-documents.html

Teixeira, A.(2025, jan 19) Expedição baiana encontra microplásticos em áreas de preservação ambiental no Parque Marinho de Abrolhos. G1Globo. Disponível em: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2025/01/19/expedicao-baiana-encontra-microplasticos-em-areas-de-preservacao-ambiental-no-parque-marinho-de-abrolhos.ghtml

UNEP (2025) Intergovernmental Negotiating Committee on Plastic Pollution. https://www.unep.org/inc-plastic-pollution

Vasques, L. (2025, mar 10) Estudo sobre contaminação do camarão do litoral de SP tem resultado assustador. Fórum. Disponível em: https://revistaforum.com.br/sp/santos-regiao/2025/3/10/estudo-sobre-contaminao-do-camaro-do-litoral-de-sp-tem-resultado-assustador-175429.html

Zhu, R., Zhang, Z., Zhang, N., Zhong, H., Zhou, F., Zhang, X., … & Xing, B. (2025). A global estimate of multiecosystem photosynthesis losses under microplastic pollution. Proceedings of the National Academy of Sciences, 122(11), e2423957122. https://doi.org/10.1073/pnas.2423957122

Zorzetto, R. (2025, fev 13) Equipe da USP encontra microplásticos no cérebro humano. Revista Pesquisa Fapesp. edição 347. https://revistapesquisa.fapesp.br/equipe-da-usp-identifica-microplasticos-no-cerebro-humano

sábado, 21 de junho de 2025

Histórias que nos inspiram - a descoberta da insulina


Em 1922, um dos maiores milagres da medicina aconteceu em silêncio, dentro de um quarto de hospital infantil em Toronto.

Dezenas de crianças diabéticas jaziam em coma.
Seus corpos, exaustos.
Ao lado delas, pais paralisados pela dor, apenas esperavam o inevitável.
Naquela época, a diabetes era uma sentença.
Sem cura. Sem esperança.
A única defesa era uma cruel dieta de fome, que adiava a morte… mas roubava a infância.

Então, uma equipe de cientistas entrou naquele cenário de desespero.
Em suas mãos, carregavam um frasco com um extrato purificado, um novo nome: insulina.

Eles foram de leito em leito, injetando aquele remédio ainda experimental.
E então, o improvável aconteceu:
Antes mesmo de terminarem, uma das crianças se mexeu.
Depois outra.
Olhos antes fechados, agora se abriam.
Corpos à beira do esquecimento voltavam à vida.

O quarto, que momentos antes era um túmulo de esperança, se transformou num milagre em movimento.

Por trás desta revolução estavam Frederick Banting e Charles Best, guiados por John Macleod, e com a contribuição decisiva de James Collip, que refinou o extrato.

Mas talvez o gesto mais grandioso tenha vindo depois:
Eles venderam a patente da insulina à Universidade de Toronto por apenas um dólar simbólico.
Porque acreditavam que ninguém, absolutamente ninguém, deveria ter o direito de possuir a salvação de uma vida.

Em 1923, Banting e Macleod receberam o Prêmio Nobel.
Mas a verdadeira recompensa estava além de qualquer troféu:
Ela estava em cada vida salva, em cada futuro devolvido, em cada criança que respiraria mais um dia,
livre da sombra do esquecimento.