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quinta-feira, 9 de julho de 2026

OpenAI, Meta e xAI lançam nova vaga de modelos de IA hoje

A OpenAI anunciou que vai lançar oficialmente o GPT-5.6, o seu novo modelo de Inteligência Artificial esta quinta-feira, dia 9 de julho. Este novo modelo conta com um total de três variantes: Sol, Terra e Luna.

Deste trio, o GPT-5.6 Sol é o mais poderoso, enquanto o Terra é mais modesto e, apesar de apresentar um desempenho semelhante ao GPT-5.5, foi criado para uso quotidiano. Já o Luna, é apontado como o modelo mais acessível (do ponto de vista de custos) da empresa.

É importante lembrar que, antes de serem lançados publicamente, estas três variantes do GPT-5.6 tiveram de ser entregues ao governo dos EUA para serem conduzidos testes preliminares. A ordem assinada por Trump no começo de junho exigia que as empresas de Inteligência Artificial dessem ao governo dos EUA acesso aos seus modelos mais poderosos por um período 30 dias antes destes serem lançados publicamente.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) questionou hoje a responsabilização dos agentes de inteligência artificial (IA) em casos como roubos, numa conferência com o economista chefe da OpenAI, que defendeu a criação de um quadro legal.

Na altura, a OpenAI afirmou que “este tipo de processo de acesso governamental não deve ser o padrão a longo-prazo”, decidindo não obstante obedecer para garantir um lançamento sem obstáculos do GPT-5.6.

Conta o Axios que, após terem sido conduzidos múltiplos testes com a ajuda de técnicos especializados da OpenAI, a divisão do Departamento do Comércio alocada a estas avaliações terá decidido dar “luz verde” ao lançamento público do do GPT-5.6 e que tem agora chegada marcada para 9 de julho.

EUA levanta restrições às IAs mais potentes da Anthropic
Washington levantou as restrições que tinham obrigado a Anthropic a bloquear o acesso aos dois modelos mais potentes, anunciou a empresa norte-americana líder no setor da inteligência artificial (IA), com o acesso a ter sido restabelecido no começo de julho.

"Recebemos a notificação de que o Departamento do Comércio levantou os controlos de exportação sobre o Claude Fable 5 e o Mythos 5, impostos em nome da segurança nacional, declarou na terça-feira a Anthropic, na rede social X.

"Começaremos a restabelecer o acesso", acrescentou.

A 12 de junho, o Governo norte-americano obrigou, abruptamente, a Anthropic a bloquear o acesso a estes dois modelos de ponta, considerando que tinham sido detetadas falhas nas medidas de segurança destinadas a impedir o uso indevido para fins de ciberataques.

Pequim, 08 jul 2026 (Lusa) - As autoridades chinesas alertaram hoje para alegados riscos de segurança na ferramenta de programação com inteligência artificial Claude Code, da norte-americana Anthropic, num novo episódio da disputa tecnológica entre a China e os Estados Unidos.

Esta retirada forçada, uma situação inédita por parte de um governo, suscitou uma onda de críticas a nível mundial, reacendendo os debates sobre a soberania digital dos países dependentes das tecnologias norte-americanas.

Após negociações acirradas em Washington, sobre as quais poucos detalhes foram divulgados, o acesso ao Mythos 5 foi desbloqueado na sexta-feira para um pequeno grupo de "ciberdefensores e operadores de infraestruturas", mas apenas norte-americanos.

Os parceiros estrangeiros, nomeadamente agências estatais de cibersegurança na Europa e na Ásia, continuavam sem acesso nesta fase. A Anthropic, com relações turbulentas com a Administração Trump, não esclareceu se o levantamento do controlo das exportações implicava a reintegração desses parceiros não norte-americanos.

A decisão permitiu o regresso online do Fable 5, uma versão destinada ao grande público do Mythos, com restrições em matéria de cibersegurança e riscos de ataques biológicos e químicos.

Um novo rumor sugere que a Anthropic e a Samsung têm mantido contatos de forma a explorarem o desenvolvimento de chips personalizados dedicados a Inteligência Artificial. Também ajudará a combater a escassez de componentes na indústria tecnológica.

A OpenAI, rival norte-americana da Anthropic, lançou na sexta-feira o modelo mais potente da empresa até à data, o GPT-5.6, inicialmente com acesso limitado, aceitando, pela primeira vez, que o Governo norte-americano valide, cliente a cliente, os parceiros autorizados.

Durante muito tempo hostil a qualquer regulamentação da IA, acusada de ser um entrave à inovação face à China, a administração Trump iniciou uma reviravolta radical, tendo em conta as poderosas capacidades dos modelos de ponta.

As recentes decisões nesta área, tomadas num quadro jurídico ainda pouco claro e controverso, marcam uma retoma do controlo do Governo sobre esta tecnologia crucial.

Na terça-feira, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe, comparou as capacidades dos modelos de IA mais avançados a "armas nucleares digitais", numa rara intervenção pública em Washington.

A atualização da OpenAI surge numa altura em que outras empresas tecnológicas aceleram o lançamento de novos modelos e ferramentas de IA no mercado.

A empresa de IA de Elon Musk, SpaceXAI, também conhecida como xAI, prepara-se, segundo notícias, para lançar um novo modelo de IA em parceria com a Anysphere, a empresa responsável pela ferramenta de programação com IA Cursor, de acordo com o site The Information, que cita um memorando enviado ao pessoal.

O The Information noticiou que o modelo poderá ser lançado já esta quarta-feira e deverá processar informação rapidamente, tornando-se competitivo, em alguns aspectos, com o Opus 4.8 da Anthropic e o GPT-5.5 da OpenAI.

Entretanto, a Meta lançou esta semana o Muse Image, o seu primeiro modelo de geração de imagens desenvolvido pelos Meta Superintelligence Labs.

Tal como outros geradores de imagens, o Muse Image permite criar e editar imagens a partir de instruções textuais. A Meta afirma que o modelo pode "actuar como parceiro criativo" e ajudar os utilizadores a "transformar ideias em visuais de alta qualidade" para partilhar no feed, nas stories ou em conversas.

No entanto, o modelo tem sido criticado porque os utilizadores com contas públicas no Instagram podem ser mencionados nas instruções, permitindo que outros gerem imagens que usam as suas publicações públicas como material de referência, a menos que desactivem essa opção nas definições.

A política da Meta indica que "as pessoas podem conseguir criar conteúdos com o seu conteúdo do Instagram utilizando funcionalidades de IA da Meta" e que os utilizadores "não serão notificados sobre conteúdos criados com funcionalidades de IA da Meta".

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domingo, 9 de julho de 2023

A política monetária do BCE não é verde


Christine Lagarde culpou os salários pela inflação. A sua afirmação é sintomática de uma política monetária assente na combinação perniciosa de taxas de juro elevadas e de compressão salarial. Não se espera que o BCE resolva a crise climática, mas sem um banco central alinhado com o investimento público e privado no sistema energético, a transição dificilmente vai acontecer.

No final da semana passada, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) publicou a primeira versão da revisão do Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030 (PNEC 2030), o principal instrumento de política energética e climática para esta década. O documento, que terá de ser avaliado pela Comissão Europeia e posteriormente alterado em função dessas recomendações, fixa em 85% a meta de incorporação de energias renováveis na produção de eletricidade em 2030 (o objetivo inicial era de 80%).

O governo pretende duplicar a capacidade instalada de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis até ao final da década. O maior crescimento virá do solar fotovoltaico (centralizado e descentralizado): Portugal tem, atualmente, 2,6 GW em operação, o objetivo para 2030 é de 20,4 GW (14, 9 GW de produção centralizada e 5,5 GW de produção descentralizada) – esta meta duplica os valores previstos na versão prévia, aprovada em 2020. De acordo com o comunicado do governo, a estratégia de transição energética representa um investimento de 75 mil milhões de euros em projetos de produção de energia verde (eletricidade e gases renováveis, como o hidrogénio verde e o biometano).

Também na semana passada, Christine Lagarde, aquando da sua participação no Fórum do Banco Central Europeu (BCE) que decorreu em Sintra, atribuiu à recuperação dos salários reais (não do seu, evidentemente) a responsabilidade pela eventual persistência da inflação acima dos valores considerados adequados pelo BCE. Mais do que declarações polémicas que “incendiaram” as redes sociais, as afirmações erróneas de Christine Lagarde são sintomáticas de uma política monetária, assente na combinação perniciosa de taxas de juro elevadas e de compressão salarial, que poderá condenar a transição energética ao fracasso.

Não se espera, obviamente, que o BCE resolva a crise climática, mas sem um Banco Central alinhado com o avultado investimento público e privado no sistema energético, a transição dificilmente ocorrerá. Ao elevar os custos de investimento, através das suas medidas, esta instituição influencia, necessariamente, as opções de política climática e energética. Com efeito, as energias renováveis exigem investimentos iniciais substanciais e são sensíveis à deterioração das condições de financiamento e ao aumento das taxas de juro.

Como exemplificam Philipp Heimberger e Lea Steininger, enquanto uma central termoelétrica alimentada a gás natural pode utilizar as suas receitas presentes para pagar novos combustíveis, um projeto de energias renováveis de grande escala, como um parque eólico offshore, ou até mesmo uma central de hidrogénio verde ou uma mega central fotovoltaica, utiliza as receitas presentes para pagar o serviço da dívida contraída para despesas de capital. Deste modo, quanto mais elevado for o custo do capital, menos atrativo é o investimento neste tipo de projetos.

Por conseguinte, taxas de juro elevadas poderão impedir investimentos urgentes para atenuar a crise climática e realizar a transição energética. Além disso, a concomitante compressão salarial impede qualquer tipo de justiça social ao longo deste processo, esvaziando o slogan da Comissão Europeia de “não deixar ninguém para trás”. Não esqueçamos: fim do mundo, fim do mês, a mesma luta.

As políticas climáticas e energéticas deverão ser conduzidas à escala nacional, por representantes políticos democraticamente eleitos. Os investimentos têm de ser impulsionados pelo Estado através de instrumentos de planeamento robustos e investimento público em energias renováveis, na modernização da rede elétrica, na eletrificação da ferrovia e dos transportes públicos rodoviários, ou ainda na reabilitação e renovação energética do edificado. Isto exige um Banco Central subordinado às prioridades orçamentais democráticas, não impondo restrições financeiras.

O agora ex-editor de energia do insuspeito Financial Times é perentório: “o capitalismo não conseguirá concretizar a transição energética com a rapidez necessária”. Terão de ser os governos a liderar este novo “Plano Marshall”, acrescenta, o que implicará incorrer em “défices orçamentais significativos”.

Com a sua política, o BCE e as restantes instituições europeias são parte do problema social e ecológico. A análise e a solução têm mesmo de ser sistémicas. Nenhum tema, incluindo a moeda, pode ficar de fora da solução ecossocialista.

domingo, 3 de maio de 2020

Economia global: neoliberalismo contaminado, por Michel Husson

A atividade económica estagnou parcialmente e este súbito travão está a regressar, como um bumerangue, para ter impacto nas finanças. Esta implosão das finanças irá, por sua vez, agravar a recessão. Por Michel Husson.


A novidade da situação atual reside na mecânica infernal que foi posta em marcha. Em 2008, foi a esfera financeira que acendeu o rastilho, passando-o para a esfera produtiva. Hoje, é o contrário: a atividade económica estagnou parcialmente e este súbito travão está a regressar, como um bumerangue, para ter impacto nas finanças. Esta implosão das finanças irá, por sua vez, agravar a recessão.

O colapso da pirâmide financeira
Existe, no entanto, uma ligação com a crise anterior. Todas as políticas implementadas desde 2008 tiveram, de facto, como objetivo retomar a atividade normal e, em particular, preservar de todas as formas possíveis o valor dos títulos financeiros, como direitos de utilização sobre o valor criado. Se, pelo contrário, o financiamento tivesse sido “confinado” às únicas funções úteis que pode desempenhar, o mecanismo infernal poderia ter sido mais bem controlado.
Mas, fundamentalmente, o esgotamento dos ganhos de produtividade condenou o capitalismo a um funcionamento patológico que consiste em captar um máximo de valor, compensando a secagem desta fonte essencial do seu dinamismo com o aumento das desigualdades. Por outras palavras, o coronavírus não contamina um organismo saudável, mas sim um organismo que já sofre de doenças crónicas. A epidemia serve assim de revelação: as formas como a crise anterior foi “superada” não conseguiram realmente remediar as debilidades estruturais da economia mundial.

A explosão da bolha era previsível, mesmo sem o coronavírus
Desde a crise de 2008, foi feito quase tudo para garantir que nada mudasse. As recompras de ações aumentaram, as distribuições de dividendos explodiram, a titularização (securitização) foi retomada, a dívida privada aumentou consideravelmente, etc. A crise levou também a um aumento do número de empresas que foram forçadas a vender as suas ações. O Banco de Pagamentos Internacionais (BPI), por exemplo, tinha emitido numerosas advertências. A explosão da bolha era, portanto, previsível, mesmo sem o coronavírus. Isto é demonstrado pelos avisos do último Relatório Global de Estabilidade Financeira do FMI (outubro de 2019). Este relatório centrou-se nos riscos colocados pelas baixas taxas de juro, e dois dos seus principais autores, Tobias Adrian e Fabio Natalucci, resumiram as principais mensagens num blogue. Destacam o sobre-endividamento das empresas: “a dívida das empresas cujos lucros não podem cobrir os encargos com juros poderia aumentar para (…) quase 40% da dívida total das empresas nos países estudados, incluindo os EUA, a China e os países europeus”.

O massacre do aparelho produtivo
As conclusões dos economistas do FMI podem ser complementadas por um estudo (link is external)
muito aprofundado dos Estados Unidos. Os autores consideram que as pequenas e médias empresas são as mais endividadas, pelo que devem ser as mais atingidas pela crise do coronavírus. Um tema amplamente debatido aqui é o crescente fosso entre as empresas “superestrelas”, que captam o valor criado, e as empresas “zombies”, que sobrevivem graças às baixas taxas de juro. Mas os autores deste estudo salientam também que as empresas da “metade inferior” aumentaram a sua capacidade de produção nas últimas décadas, enquanto os 10% superiores ficaram para trás. Temem o “desastre iminente” que pode vir se se deixar afundarem as pequenas empresas, pois representam, apesar da sua fragilidade, uma das “principais fontes de criação de emprego e de inovação”.

O outro efeito das baixas taxas de juro que o FMI aponta é a assunção de riscos excessivos: “O ambiente de taxas de juro muito baixas levou os investidores institucionais, tais como companhias de seguros, fundos de pensões e gestores de ativos, a procurarem títulos mais arriscados e menos líquidos para cumprirem os seus objetivos de rendimento. Por exemplo, os fundos de pensões aumentaram a sua exposição a outras categorias de ativos, como as participações privadas e os bens imobiliários.

Mesmo antes da epidemia, o prognóstico dos peritos do FMI já era preocupante
A política monetária acomodatícia [N.T.: com taxas de juros próximas de zero, para incentivar a atividade] não repercutiu na economia real; pelo contrário, permitiu que as finanças retomassem a sua exuberante trajetória. Mas também conduziu a uma situação sem precedentes de taxas de juro baixas ou mesmo negativas e esgotou as munições dos bancos centrais. Mesmo antes da epidemia, o prognóstico dos peritos do FMI já era preocupante: “as semelhanças nas carteiras dos fundos de investimento poderiam amplificar uma liquidação dos ativos nos mercados; os investimentos ilíquidos dos fundos de pensões poderiam limitar o seu papel tradicional de estabilizadores do mercado”. Mas é exatamente isso que está a acontecer, e é provável que a explosão seja ainda mais brutal com o vírus.

A zona euro “dispersa como um quebra-cabeças”?
O dogma dos 3% foi abandonado, pelo menos temporariamente, mas a Europa continua mal preparada. É uma excelente ideia para aliviar as restrições orçamentais, mas não resolve todos os problemas. Uma delas é o diferencial entre as taxas de juro da dívida pública. No início, Christine Lagarde cometeu um grande erro quando disse que “o BCE não está aqui para apertar o spread”, depois retirou a “bazuca” que acalmava um pouco as preocupações dos mercados financeiros.
Mas chegará um momento em que será necessário considerar a possibilidade de passar a uma velocidade superior, nomeadamente a mutualização (“eurobonds” ou “coronabonds”) ou mesmo a monetização. Esta é a conclusão a que Patrick Artus chega: “Embora todos os países da zona euro sejam afetados (pelo aumento das taxas de juro de longo prazo em resposta ao acentuado aumento dos défices públicos), o agrupamento de défices públicos adicionais reduz os encargos dos países periféricos (onde o aumento das taxas de juro é mais forte), mas não resolve o problema global dos défices públicos excessivos. A única solução é então a monetização destes défices públicos adicionais pelo BCE, o que constitui uma abertura significativa do Alívio Quantitativo da Dívida Pública”. Existe, porém, um grande risco, tal como na crise anterior, de a Europa só reagir tarde ao acontecimento, ou no momento errado, devido aos seus desacordos internos e à propensão para gerir a crise a nível nacional.

Os países emergentes no olho da tempestade?
É provável que o vírus se propague a países emergentes ou em desenvolvimento, que até agora têm estado relativamente incólumes. Não só estão mal equipados do ponto de vista da saúde, como já estão particularmente afetados pelas repercussões da crise. Em grande medida dependentes das vendas de matérias-primas que estão paradas, já estão a ver os seus recursos diminuírem. Este é particularmente o caso dos países produtores de petróleo. E também aqui encontramos o legado do fim da crise anterior. A dívida externa dos países emergentes representa, em média, “160% das exportações, contra 100% em 2008″. No caso de condições financeiras consideravelmente mais restritivas e de custos de empréstimo mais elevados, teriam mais dificuldade em pagar o serviço da dívida”, advertiu o FMI no seu relatório de outubro de 2019, já citado.

Para além disso, a fuga de capitais assumiu proporções consideráveis: 83 mil milhões de dólares desde o início da crise. Esta súbita paragem terá graves consequências, sublinhadas por um grupo internacional de economistas. Os países emergentes e em desenvolvimento, escrevem eles, “enfrentam agora uma paragem súbita à medida que as condições de liquidez global se tornam mais restritivas e os investidores fogem do risco, levando a uma desvalorização cambial dramática”. Isto exige um ajuste macroeconómico rigoroso precisamente numa altura em que todos os instrumentos disponíveis deveriam ser usados para combater a crise: a política monetária está a ficar mais restritiva numa tentativa de manter o acesso ao dólar, enquanto a política orçamental é limitada pelo receio de perder o acesso aos mercados globais. É pouco provável que as reservas de divisas constituam um amortecedor suficiente em todos os países”.

As instituições internacionais estão a planear medidas de apoio, mas David Malpass, Presidente do Banco Mundial (que Trump apadrinhou), insiste na condicionalidade em termos que fazem lembrar as palavras da Troika da UE à Grécia: “Os países terão de implementar reformas estruturais que possam encurtar o tempo necessário para a recuperação e criar confiança na sua força. Para os países onde a regulamentação excessiva, os subsídios, as licenças, a proteção ou a judicialização do comércio constituem obstáculos, trabalharemos com eles para impulsionar os mercados e selecionar projetos que garantam um crescimento mais rápido durante o período de recuperação”.
Pelo contrário, The Economist tem razão em advertir: “Se o Covid-19 for autorizado a devastar os países emergentes, em breve voltará a alastrar pelos países ricos. Mesmo na sua dimensão económica, se a produção de matérias-primas e bens intermédios sofrer uma paragem súbita simétrica à dos fluxos de capital.

A coisas voltarão aos eixos?
Será difícil para o sistema económico regressar ao seu funcionamento pré-crise. As cadeias de valor globais serão desorganizadas, as empresas terão ido à falência, a forma como as despesas públicas são geridas, especialmente no setor da saúde, será desqualificada. Isto pode ser visto como uma oportunidade para uma reorientação fundamental do sistema.

Mas não há nada de espontâneo nisso: com a suspensão de secções inteiras do código do trabalho, é evidente que alguns já estão a preparar-se para o próximo passo. Depois virá a conversa sobre a necessária “consolidação financeira”, cuja implementação correrá o risco de gerar uma resposta regressiva, como em 2010. Acima de tudo, o regresso à ortodoxia terá o efeito de adiar qualquer projeto de Green New Deal: como podemos imaginar que, depois de terem derramado milhares de milhões de euros, as instituições europeias vão querer libertar as somas consideráveis necessárias para combater as alterações climáticas?

Numa nota em que se interroga sobre “que tipo de capitalismo gostaríamos”, Patrick Artus traça um quadro bastante preciso do “capitalismo inaceitável” (que é o nosso): distorce a partilha de rendimentos em detrimento dos trabalhadores, não respeita os compromissos climáticos, não envolve os trabalhadores nas decisões estratégicas da empresa, aumenta o endividamento das empresas, deslocaliza maciçamente para países de baixos salários, obtém uma redução contínua da carga fiscal sobre as empresas, o que obriga a uma “redução da generosidade da proteção social”. Artus prevê então duas formas possíveis de avançar para um capitalismo “aceitável”: ou o estabelecimento de um “capitalismo de estado hiper-regulado”, ou uma “evolução espontânea do capitalismo que aceite um menor retorno do capital para o acionista”. No entanto, só há uma coisa em que devemos estar convencidos: não devemos contar com uma evolução espontânea do capitalismo.

Artigo de Michel Husson, publicado em A l’encontre (link is external)
, traduzido para português por Insurgência

quarta-feira, 25 de março de 2020

Opinião Daniel Oliveira -O tsunami que se aproxima

Não sei a melhor forma de combater este vírus. Acredito no que dizem os especialistas, sabendo que, passo o pleonasmo, os especialistas dizem o que sabem sobre o que sabem. No caso dos epidemiologistas, sobre como se trava uma epidemia. Não ponderam, porque não é esse o seu papel, o custo e o benefício das medidas que propõem para além da sua especialidade. Geralmente, um epidemiologista não sabe se a medida de contenção que propõe causa tal dano social ou económico que prejudicará mais a saúde pública do que está a prevenir. E é por isso que quem deve explicar a melhor forma de conter um vírus deve ser um epidemiologista, quem deve explicar a melhor forma de conter a crise económica que aí vem deve ser um economista e a pessoa capaz de ponderar cada medida é o político, com a ajuda destes e de outros técnicos. Porque é ele que tem o retrato geral.

Quando sairmos de casa é bom que tenhamos empregos para onde voltar. São eles que nos dão de comer e saúde. É por isso que todas as medidas tomadas devem ser proporcionais. Sobretudo quando agimos perante o desconhecido. A crise que aí vem terá dimensões ciclópicas.

A falta de retrato geral não nos pode fazer correr o risco de passar do oito para o oitenta, como é habitual neste tempo de histeria em rede. Da despreocupação para a paralisia. Quando se fala de preservar, na medida do possível, o dia seguinte à epidemia, a resposta é irada, como se tivesse falado o mais imbecil dos irresponsáveis. Um criminoso, mesmo. O dia seguinte vê-se depois, respondem. 

Lamento, mas não pensar no dia seguinte, mesmo no meio de uma crise, é que é típico dos irresponsáveis. Porque quando sairmos de casa é bom que tenhamos empregos para onde voltar. São eles que nos dão de comer e saúde. É por isso que todas as medidas tomadas devem ser proporcionais. Sobretudo quando agimos perante o desconhecido.

Como ninguém está para a ir virado – um pânico de cada vez –, não se prestou a atenção normal a expressões tão coloridas como “tsunami económico” e “economia de guerra”, usadas pelas principais figuras deste governo. A crise que aí vem, é bom prepararmo-nos, terá dimensões ciclópicas. E se tomarmos decisões apenas movidos pelo pânico coletivo — e não pela ponderação de vários fatores —, ela será uma autêntica tragédia humanitária à escala nacional, europeia e global. Que não deixará de ter efeitos políticos que, também eles, farão as suas vítimas.

O Governo apresentou um pacote económico a que poucos portugueses ligaram. Estava tudo entretido com o estado de emergência, julgando que as estradas iam ser barricadas no dia seguinte. 

Ou que o vizinho do lado que teima em por o nariz fora da janela ia ser finalmente caçado pelas autoridades. Mas há uma urgência que pode vir a ser, nas suas consequências para a nossa sobrevivência e saúde, tão importante como o combate à Covid-19: garantir que a nossa capacidade produtiva não se evapora de um dia para o outro. Recordo que o nosso SNS depende de recursos financeiros e que eles dependem da economia. E um SNS dizimado causará mortes que nunca ninguém contabilizará.

O objetivo das medidas apresentadas é dar liquidez às empresas. Não é um pacote de estímulo económico. É, apesar da disponibilidade financeira de 9.200 milhões de euros, um pequeno kit de primeiros socorros para que a pancada não se sinta toda já. Uma tentativa desesperada do Governo para que as empresas cheguem ao fim desta epidemia com capacidade de, pelo menos, voltarem a funcionar. Não cura, nem sequer previne. Apenas dá um bocadinho de oxigénio. Que não é eterno se a espiral de ansiedade e medo tomar conta de tudo.

Depois das primeiras medidas para dar um sinal às empresas e aos trabalhadores de que o Governo iria fazer alguma coisa, Pedro Siza Vieira e Mário Centeno avançaram com estas, um pouco mais ambiciosas para as empresas, prometendo para mais tarde medidas para os cidadãos. Medidas que não poderão ignorar o apoio a quem vai deixar de conseguir pagar a prestação ou a renda de casa. Por agora, e muito resumido, é isto: prorrogações de prazos de pagamentos ao fisco e à segurança social, uma moratória que suspende o pagamento de juros e de capital a empresas que não o consigam pagar, uma linha de crédito de 3 mil milhões de euros para as empresas.

Os apoios a empresas devem, apesar da urgência, ter alguns critérios sociais. O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, não gostou das regras da linha de crédito e, qual incendiário, lançou a sugestão de despedimentos imediatos. E a CCP não se dirige a pequenos lojistas aflitos. Parece-me evidente que os apoios públicos devem ser dirigidos apenas a quem esteja realmente a segurar o emprego. Seria extraordinário que o estado de emergência obrigasse a trabalhar, proibisse a greve, mas deixasse aos patrões toda a liberdade para despedir.
Não falta muito para o Governo ficar sem munições. Respostas mais robustas têm de vir da Não Europeia. Se se comportar como em 2008, manda gastar agora e depois deixa os mais frágeis de calças na mão. A estreia de Christine Lagarde nesta crise fez antever o pior. Não ofereceu um “tudo o que for preciso” de Mario Draghi aos mercados. Num momento de enorme incerteza e receio, disse que não competia ao BCE reduzir os spreads das taxas de juro da dívida pública, com imediatos reflexos nas bolsas. Esta quinta-feira, deu um sinal diferente: o BCE anunciou a compra de ativos do sector público e privado no valor de 750 mil milhões de euros. Os resultados foram imediatos, com os juros da dívida dos países periféricos a cair. Veremos se é consequente. Se não for, o que aí vem enterrará de vez a União.

domingo, 16 de setembro de 2012

Foto do asteroide gigante Vestia


Um enorme asteroide passará perto da Terra na próxima terça-feira, numa aproximação rara que não representa risco de impacto para o planeta, afirmaram esta semana cientistas dos Estados Unidos, que esperam ansiosos a oportunidade de observá-lo.
"Não é potencialmente perigoso, é apenas uma boa oportunidade para estudar um asteroide", garantiu o astrónomo da Fundação Nacional de Ciências (NSF, na sigla em inglês), Thomas Statler.
O asteroide circular, chamado 2005 YU55, tem 400 metros de largura e ficará mais perto da Terra do que a Lua, a 325.000 km de distância, informou a agência espacial americana.
Segundo previsões, o horário em que o asteroide estará mais próximo da Terra será às 21h28 de terça-feira, hora de Brasília. [fonte: Nem Ki Lask]

Que tal aproveitar a oportunidade de enviar para VESTIA (depois de congelamento das contas), Christine Lagarde (1), Mario Monti (2), Bush, Tony Blair, Barroso (3), Jorge Coelho (4), Dias Loureiro, Sócrates, Vitor Constâncio, Merkel, António Mexia, Vitor Bento, António Borges, David Cameron, Windsor, Armando Vara, Carlos Moedas, Bourbon, Citigroup, Barclays, Goldman Sachs, Monsanto, Gates Foundation e todos os corruptos que tiranizam os estados e nações do planeta?

1.A Grécia reagiu com indignação às palavras da diretora geral do FMI que, em declarações a um diário britânico, acusou uma parte dos gregos de apenas quererem fugir aos impostos. Na entrevista ao jornal The Guardian, Christine Lagarde admitiu também ter mais simpatia pelas crianças da África subsaariana do que pela população de Atenas a braços com a austeridade. Em resposta, o dirigente dos socialistas gregos acusou a responsável do FMI de "insultar os gregos" enquanto que em França, uma porta-voz do governo de François Hollande considerou as palavras de Lagarde “simplistas e estereotipadas”.

2.Monti is a leading member of the exclusive Bilderberg Group.He has also been an international advisor to Goldman Sachs and The Coca-Cola Company. He has also been a member of the "Senior European Advisory Council" of Moody's and he is one of the members of the "Business and Economics Advisors Group" of the Atlantic Council

3. Iniciado maoísta, Durão Barroso participou na reunião de Bilderberg de 1994, quando era ministro dos Negócios Estrangeiros do XII Governo Constitucional. Um ano depois estava a candidatar-se à liderança do partido. Perdeu para Fernando Nogueira, mas a sorte acabou por o bafejar, porque Nogueira foi derrotado nas legislativas por António Guterres (num ciclo político muito desfavorável ao PSD). Durão, entretando agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo a 8 de Junho de 1996, ficou como reserva e tornou-se líder social-democrata em 1999, quando Marcelo Rebelo de Sousa saiu. Apesar de ter perdido as legislativas de 1999 para António Guterres, não se deu por vencido, ficando célebre a sua frase «tenho a certeza que serei primeiro-ministro, só não sei é quando». O seu vaticínio acabou por confirmar-se, tornando-se primeiro-ministro do XV Governo Constitucional em 2002, um governo de coligação PSD-CDS. Em 2003, voltou a estar presente no clube de Bilderberg, na qualidade de primeiro-ministro. Em meados de 2004 era designado presidente da Comissão Europeia. Voltou a participar na reunião deste ano de 2005 de Bilderberg, que teve lugar na Alemanha, na qualidade de presidente da Comissão. Participou também da última reunião do grupo na Grécia de 14 a 16 de Maio de 2009.

4. Iniciado na União Democrática Popular, foi extremamente dedicado ao partido socialista. Actualmente recebe do estado uma subvenção vitalícia mensal 2.400 euros. É membro da Maçonaria e CEO da Mota-Engil.