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sábado, 3 de junho de 2023

Um texto reflexivo - A criança do séc. XXI

Aleksandra Babik

"Criança. A melhor idade entre todas. A mais divertida, sem dúvidas. Era tão fácil chegar no céu, quando brincávamos ao jogo da macaca, tínhamos os joelhos ralados, mas que doíam bem menos do que nosso coração. Vivíamos sem medos, só queríamos ser felizes. As brigas, eram constantes, mas todas por -hoje seriam- motivos tolos, que não passavam além de 5 minutos, até que tudo voltasse ao normal. Sabíamos que se o tempo não parasse, nós o parávamos. Tempos de risos e sorrisos, maiores até do que a própria boca. Anos em que voávamos sem tirar os pés do chão. Época de abraços fáceis, atitudes generosas, pessoas verdadeiras, pensamentos leves, mentes puras, de brincar até cansar, de rir até doer a barriga, de imaginar desenhos nas nuvens, e imaginar que essas, eram feitas de açúcar, como algodões-doces. Agora crescemos, e esse bom tempo, virou apenas lembranças. Deixamos nossas vidas de lado, esquecemos de que na vida, o importante é o que você pensa sobre si, e que se isso está nos conformes, não há ninguém que possa mudar. Saudades daquele tempo, onde não sorríamos apenas para as fotos ou para fingir estarmos bem. Quando éramos felizes e não sabíamos, tempo em que só queríamos crescer, crescer depressa, porque imaginávamos esse mundo de gente grande, bem mais divertido do que é realmente. Onde éramos livres e felizes por poder brincarmos um pouco mais antes de entrar em casa, onde tínhamos o mundo no nosso quintal, agora temos tudo em nossas mãos, mas estamos presos e não sabemos como nos libertarmos. Fomos perdendo a simplicidade, onde se encontra amor, paz, felicidade e se não encontrássemos, inventávamos. Nunca mais teremos aquela vida perfeita novamente, melhores dias, melhores sorrisos, melhores anos, melhor tempo. Aquelas lágrimas que rolavam em sua face, por não poder brincar, por não ganhar um novo brinquedo, por não poder comer mais um pouco de chocolate. Infâncias que não sabiam o que é passar o dia em uma máquina chamada computador, não sabiam que você pode se divertir jogando, sem ter que sair de casa ou convidar alguém. Mesmo sem saber de tudo isso, éramos felizes, as brincadeiras surgiam conforme sua imaginação, você conquistava novos amigos, quando saia na rua para jogar uma partida de bola, ou pular corda. As infâncias de hoje, não podem ser consideradas "infâncias", porque não se tornam os melhores momentos de sua vida. Que pena, só descobrimos que ser grande é quando somos pequenos, pois quando crescemos, tudo cresce junto e nos tornamos pequeninos nas dimensões que o mundo coloca." - Heloisa Burtet

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Geração QI inferior ao dos pais

Pela primeira vez na História, filhos têm quociente de inteligência menor. A culpa também é das telas.



A Fábrica de Cretinos Digitais. Este é o título do último livro do neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, em que apresenta, com dados concretos e de forma conclusiva, como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens.

"Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento", alerta o especialista em entrevista à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

As evidências são palpáveis: já há um tempo que testes de QI (Quociente de Inteligência) têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.

Desmurget acumula vasta publicação científica e já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Seu livro se tornou um best-seller gigantesco na França. Veja abaixo trechos da entrevista com ele.

BBC News Mundo: Os jovens de hoje são a primeira geração da história com um QI (Quociente de Inteligência) mais baixo do que a última?
Michel Desmurget: Sim. O QI é medido por um teste padrão. No entanto, não é um teste "estático", sendo frequentemente revisado. Meus pais não fizeram o mesmo teste que eu, por exemplo, mas um grupo de pessoas pode ser submetido a uma versão antiga do teste.


Neurocientista Michel Desmurget acredita que infância de hoje está exposta a uma "orgia digital"

E, ao fazer isso, os pesquisadores observaram em muitas partes do mundo que o QI aumentou de geração em geração. Isso foi chamado de 'efeito Flynn', em referência ao psicólogo americano que descreveu esse fenômeno. Mas recentemente, essa tendência começou a se reverter em vários países.

É verdade que o QI é fortemente afetado por fatores como o sistema de saúde, o sistema escolar, a nutrição, etc. Mas se considerarmos os países onde os fatores socioeconômicos têm sido bastante estáveis por décadas, o 'efeito Flynn' começa a diminuir.

Nesses países, os "nativos digitais" são os primeiros filhos a ter QI inferior ao dos pais. É uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França, etc.

BBC News Mundo: E o que está causando essa diminuição no QI?
Desmurget: Infelizmente, ainda não é possível determinar o papel específico de cada fator, incluindo por exemplo a poluição (especialmente a exposição precoce a pesticidas) ou a exposição a telas. O que sabemos com certeza é que, mesmo que o tempo de tela de uma criança não seja o único culpado, isso tem um efeito significativo em seu QI. Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem.

Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura (definida como um corpo de conhecimento que nos ajuda a organizar e compreender o mundo). Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.

BBC News Mundo: E por que o uso de dispositivos digitais causa tudo isso?
Desmurget: As causas também são claramente identificadas: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (lição de casa, música, arte, leitura, etc.); perturbação do sono, que é quantitativamente reduzido e qualitativamente degradado; superestimulação da atenção, levando a distúrbios de concentração, aprendizagem e impulsividade; subestimulação intelectual, que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial; e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.

BBC News Mundo: Que dano exatamente as telas causam ao sistema neurológico?
Desmurget: O cérebro não é um órgão "estável". Suas características 'finais' dependem da nossa experiência. O mundo em que vivemos, os desafios que enfrentamos, modificam tanto a estrutura quanto o seu funcionamento, e algumas regiões do cérebro se especializam, algumas redes são criadas e fortalecidas, outras se perdem, algumas se tornam mais densas e outras mais finas.


Nossos pais não passaram no mesmo teste de QI que nós, observa neurocientista

Observou-se que o tempo gasto em frente a uma tela para fins recreativos atrasa a maturação anatômica e funcional do cérebro em várias redes cognitivas relacionadas à linguagem e à atenção.
Deve-se ressaltar que nem todas as atividades alimentam a construção do cérebro com a mesma eficiência.

BBC News Mundo: O que isso quer dizer?
Desmurget: Atividades relacionadas à escola, trabalho intelectual, leitura, música, arte, esportes… todas têm um poder de estruturação e nutrição muito maior para o cérebro do que as telas.
Mas nada dura para sempre. O potencial para a plasticidade cerebral é extremo durante a infância e a adolescência. Depois, ele começa a desaparecer. Ele não vai embora, mas se torna muito menos eficiente.
O cérebro pode ser comparado a uma massa de modelar. No início, é húmida e fácil de esculpir. Mas, com o tempo, fica mais seca e muito mais difícil de modelar. O problema com as telas é que elas alteram o desenvolvimento do cérebro de nossos filhos e o empobrecem.

BBC News Mundo: Todas as telas são igualmente prejudiciais?
Desmurget: Ninguém diz que a "revolução digital" é ruim e deve ser interrompida. Eu próprio passo boa parte do meu dia de trabalho com ferramentas digitais. E quando minha filha entrou na escola primária, comecei a ensiná-la a usar alguns softwares de escritório e a pesquisar informações na internet.
Os alunos devem aprender habilidades e ferramentas básicas de informática? Claro. Da mesma forma, pode a tecnologia digital ser uma ferramenta relevante no arsenal pedagógico dos professores? Claro, se faz parte de um projeto educacional estruturado e se o uso de um determinado software promove efetivamente a transmissão do conhecimento.
Porém, quando uma tela é colocada nas mãos de uma criança ou adolescente, quase sempre prevalecem os usos recreativos mais empobrecedores. Isso inclui, em ordem de importância: televisão, que continua sendo a tela número um de todas as idades (filmes, séries, clipes, etc.); depois os videogames (principalmente de ação e violentos) e, finalmente, na adolescência, um frenesi de autoexposição inútil nas redes sociais.

BBC News Mundo: Quanto tempo as crianças e os jovens costumam passar em frente às telas?
Desmurget: Em média, quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes.


Uma criança de 2 anos passa quase três horas por dia em frente às telas, em média

Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral!
É simplesmente insano e irresponsável.

BBC News Mundo: Quanto tempo as crianças devem passar em frente a telas?
Desmurget: Envolver as crianças é importante. Elas precisam ser informados de que as telas danificam o cérebro, prejudicam o sono, interferem na aquisição da linguagem, enfraquecem o desempenho acadêmico, prejudicam a concentração, aumentam o risco de obesidade, etc.
Alguns estudos mostram que é mais fácil para crianças e adolescentes seguirem as regras sobre telas quando sua razão de ser é explicada e discutida com eles. A partir daí, a ideia geral é simples: em qualquer idade, o mínimo é o melhor.
Além dessa regra geral, diretrizes mais específicas podem ser fornecidas com base na idade da criança. Antes dos seis anos, o ideal é não ter telas (o que não significa que de vez em quando você não possa assistir a desenhos com seus filhos).
Quanto mais cedo forem expostos, maiores serão os impactos negativos e o risco de consumo excessivo subsequente.
A partir dos seis anos, se os conteúdos forem adaptados e o sono preservado, o tempo em frente à tela pode chegar até meia hora ou até uma hora por dia, sem uma influência negativa apreciável.
Outras regras relevantes: sem telas pela manhã antes de ir para a escola, nada à noite antes de ir para a cama ou quando estiver com outras pessoas. E, acima de tudo, sem telas no quarto.
Mas é difícil dizer aos nossos filhos que as telas são um problema quando nós, como pais, estamos constantemente conectados aos nossos smartphones ou consolas de jogos.

BBC News Mundo: Por que muitos pais desconhecem os perigos das telas?
Desmurget: Porque a informação dada aos pais é parcial e tendenciosa. A grande media está repleta de afirmações infundadas, propaganda enganosa e informações imprecisas. A discrepância entre o conteúdo da mídia e a realidade científica costuma ser perturbadora, se não enfurecedora. Não quero dizer que a mídia seja desonesta: separar o joio do trigo não é fácil, mesmo para jornalistas honestos e conscienciosos.
Mas não é surpreendente. A indústria digital gera biliões de dólares em lucros a cada ano. E, obviamente, crianças e adolescentes são um recurso muito lucrativo. E para empresas que valem biliões de dólares, é fácil encontrar cientistas complacentes e lobistas dedicados.


Empresas digitais contratam especialistas para explicar como os jogadores inteligentes são e como é bom jogar videogame

Recentemente, uma psicóloga, supostamente especialista em videogames, explicou em vários meios de comunicação que esses jogos têm efeitos positivos, que não devem ser demonizados, que não jogá-los pode ser até uma desvantagem para o futuro de uma criança, que os jogos mais violentos podem ter ações terapêuticas e ser capaz de aplacar a raiva dos jogadores, etc.
O problema é que nenhum dos jornalistas que entrevistaram essa "especialista" mencionou que ela trabalhava para a indústria de videogames. E este é apenas um exemplo entre muitos descritos em meu livro.
Isso não é algo novo: já aconteceu no passado com o tabaco, aquecimento global, pesticidas, açúcar, etc.
Mas acho que há espaço para esperança. Com o tempo, a realidade se torna cada vez mais difícil de negar.

BBC News Mundo: Há estudos que afirmam, por exemplo, que os videogames ajudam a obter melhores resultados acadêmicos…
Desmurget: Digo com franqueza: isso é um absurdo.
Essa ideia é uma verdadeira obra-prima de propaganda. Baseia-se principalmente em alguns estudos isolados com dados imprecisos, que são publicados em periódicos secundários, pois muitas vezes se contradizem.
Numa interessante pesquisa experimental, consoles de jogos foram dados a crianças que iam bem na escola. Depois de quatro meses, elas passaram mais tempo jogando e menos fazendo o dever de casa. Suas notas caíram cerca de 5% (o que é muito em apenas quatro meses!).
Noutro estudo, as crianças tiveram que aprender uma lista de palavras. Uma hora depois, algumas puderam jogar um jogo de corrida de carros. Duas horas depois, foram para a cama.
Na manhã seguinte, as crianças que não jogaram lembravam cerca de 80% da aula em comparação com 50% das que jogaram.
Os autores descobriram que brincar interferia no sono e na memorização.

BBC News Mundo: Como o Sr. acha que os membros dessa geração digital serão quando se tornarem adultos?
Desmurget: Costumo ouvir que os nativos digitais sabem "de maneira diferente". A ideia é que embora apresentem déficits linguísticos, de atenção e de conhecimento, são muito bons em "outras coisas". A questão está na definição dessas "outras coisas".
Vários estudos indicam que, ao contrário das crenças comuns, eles não são muito bons com computadores. Um relatório da União Europeia explica que a baixa competência digital impede a adoção de tecnologias educacionais nas escolas.


Vários países estão começando a legislar contra o uso das telas

Outros estudos também indicam que eles não são muito eficientes no processamento e entendimento da vasta quantidade de informações disponíveis na internet.
Então, o que resta? Eles são obviamente bons para usar aplicativos digitais básicos, comprar produtos online, baixar músicas e filmes, etc.
Para mim, essas crianças se assemelham às descritas por Aldous Huxley em seu famoso romance distópico Admirável Mundo Novo: atordoadas por entretenimento bobo, privadas de linguagem, incapazes de refletir sobre o mundo, mas felizes com sua sina.

BBC News Mundo: Alguns países estão começando a legislar contra o uso de telas?
Desmurget: Sim, especialmente na Ásia. Taiwan, por exemplo, considera o uso excessivo de telas uma forma de abuso infantil e aprovou uma lei que estabelece multas pesadas para pais que expõem crianças menores de 24 meses a qualquer aplicativo digital e que não limita o tempo de tela de meninos e meninas entre 2 e 18 anos.
Na China, as autoridades tomaram medidas drásticas para regulamentar o consumo de videogames por menores: crianças e adolescentes não podem mais brincar à noite (entre 22h e 8h) ou ultrapassar 90 minutos de exposição diária durante a semana (180 minutos nos finais de semana e férias escolares).

BBC News Mundo: O Sr. acredita que é bom que existam leis que protegem as crianças das telas?
Desmurget: Não gosto de proibições e não quero que ninguém me diga como criar a minha filha. No entanto, é claro que as escolhas educacionais só podem ser exercidas livremente quando as informações fornecidas aos pais são honestas e abrangentes.
Acho que uma campanha de informação justa sobre o impacto das telas no desenvolvimento com diretrizes claras seria um bom começo: nada de telas para crianças de até seis anos de idade e não mais do que 30-60 minutos por dia.

BBC News Mundo: Se essa orgia digital, como você a define, não para, o que podemos esperar?
Desmurget: Um aumento das desigualdades sociais e uma divisão progressiva da nossa sociedade entre uma minoria de crianças preservadas desta "orgia digital" — os chamados alfas do livro de Huxley —, que possuirão, através da cultura e da linguagem, todas as ferramentas necessárias pensar e refletir sobre o mundo, e uma maioria de crianças com ferramentas cognitivas e culturais limitadas — os chamados gamas na mesma obra —, incapazes de compreender o mundo e agir como cidadãos cultos.
alOs alfas frequentarão escolas particulares caras com professores humanos "reais". Já os gamas irão para escolas públicas virtuais com suporte humano limitado, onde serão alimentados com uma pseudo-linguagem semelhante à "novilíngua" de (George) Orwell (em 1984) e aprenderão as habilidades básicas de técnicos de médio ou baixo nível (projeções económicas dizem que este tipo de emprego será super-representados na força de trabalho de amanhã).
Um mundo triste em que, como disse o sociólogo Neil Postman, eles vão se divertir até a morte. Um mundo no qual, através do acesso constante e debilitante ao entretenimento, eles aprenderão a amar sua servidão. Desculpe por não ser mais otimista.
Talvez (e espero que sim) eu esteja errado. Mas simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento.


Saber mais:

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Francesco Tonucci: a casa como lugar de brincadeira e aprendizado durante a pandemia


Para uma live com audiência de 70 mil pessoas, o pensador italiano Francesco Tonucci constrói um cavalo de papel. Corta uma tira em duas partes, e transforma suas bordas em patas, cabeça e cauda.

Era com esse objeto simples que ele e seus irmãos brincavam quando pequenos e seus pais pediam que fizessem silêncio durante a sesta: “Éramos quatro crianças, numa cozinha pouco maior que um corredor, e ainda assim, inventamos brincadeiras. As crianças sempre dão um jeito.”

Tonucci recorda a história quando a audiência da live organizada pela plataforma de educação Integratek pede palavras de conforto para crianças confinadas em todo mundo e dividem a incerteza de futuro causada pela pandemia de Covid-19 (novo coronavírus).

“Eu e meus irmãos, por necessidade, inventamos um jogo para jogar sem barulho. As crianças de hoje, não tenham dúvidas, saberão inventar soluções, novas brincadeiras, mesmo que de máscaras, mesmo não podendo ter contato. Quanto tudo isso acabar, as crianças nos ensinarão algo. Deixem-nas sair, que confiemos neles e aprendamos com seu brincar.”

Pensador, pedagogo e desenhista, o italiano Francesco Tonucci é uma das vozes mais ativas e influentes do mundo no que diz respeito à participação social da infância na discussão pública sobre o futuro das cidades.

Célebre por ter criado a iniciativa “Cidade das Crianças”, que aposta na transformação das cidades a partir do olhar das crianças que nela habitam, Tonucci defende que as políticas públicas urbanas têm como tarefa garantir o direito ao brincar de meninos e meninas.

A escola que não muda, mesmo durante a pandemia
Se a crença do quase octogenário pensador na capacidade, autonomia e inteligência das crianças permanece inabalável, também segue assim sua aguerrida perseguição à escola tradicional.

No começo da live de duas horas, Tonucci provocou os participantes a pensar na crise do Covid-19 como oportunidade para a escola finalmente se reinventar, sob os princípios de uma educação integral:

“O objetivo primordial da escola não deveria ser conseguir resultados previstos, completar o programa, fazer provas. O objetivo da escola – e da família – é ajudar as crianças a descobrir suas personalidades, aptidões, vocações e oferecer instrumentos adequados para desenvolvê-las até o máximo de suas possibilidades.”

Isso é o oposto do que está acontecendo agora na maioria das escolas, com a migração de deveres e aula para o ambiente virtual. Além da perda de oportunidade de aprendizados sobre a pandemia, o pensador assinala que há os que ficaram de fora e a desigualdade será maior:

“Como é possível que crianças fiquem em casa utilizando livros escolares e fazendo tarefas? Em muitas famílias há somente uma mesa na casa. Imagine que nesta mesa a mãe trabalha, o pai cozinha, dois filhos com um só computador. Imagine então nas casas sem conexão! Se são escolas comprometidas com a educação, elas vão pensar nisso!”.

O macarrão, a planta, o jornal: a casa como espaço de aprendizado
Para educadores e pais, Tonucci propõe uma série de atividades que olhem para casa e seus espaços. Guiadas pelos princípios da brincadeira como um direito irrevogável das crianças, a autonomia e o protagonismo, as propostas entrelaçam crianças, educadores e pais, muitas vezes cindidos por tarefas escolares sem sentido.

“São atividades que permitem às crianças experimentar a satisfação em fazer coisas por si mesmas. Isso tem um efeito muito direto na autoestima e na construção de sentido e existência. Estas atividades, ao invés de tarefas escolares, produzem simpáticas experiências de colaboração entre pais e filhos, e entre pais e professores. Promovem experiências de igualdade de gênero e idade. São, por fim, atividades adequadas a cada unidade familiar, porque em cada uma das famílias se lava, se cozinha, se tira foto com o celular. Então ninguém se sente excluído ou inadequado.”

– Cozinhar: Para preparar comida se deve dosar, medir, ferver, misturar, todas operações cheias de sentido científico e potencialmente escolares. Imaginemos que o educador diga aos alunos que cada um fará uma massa, com um molho escolhido pela criança, que pode ser uma receita familiar ou procurada na internet. Os pais ajudarão, dando indicações e conselhos. Depois se come junto. Por último, a receita é escrita e trocada entre companheiros. Depois outros processos podem ser feitos, como preparar uma comida que nunca se fez. E assim, se faz um livro de receitas da classe.

– Caixa de histórias: As crianças devem pedir aos pais que passem fotos de seus anos anteriores, para reconstruir feitos, lugares e pessoas. Se possível, construir um powerpoint com fotos e explicações. Quando as crianças voltarem para a escola, poderão fazer um livro da classe. Haverá referências distintas, famílias múltiplas, pessoas que desapareceram, e imagens das quais rir junto. Será uma velha história, mas uma história de verdade.

– Diário: Os educadores pedem aos seus alunos que criem um diário. Que deve ser secreto, pois as crianças têm direito a uma vida privada. Especialmente em um período como esse, seria importância ter algo com o qual comunicar emoções, sentimentos, desejos e frustrações. Onde escrever poesias. O tempo que estamos vivendo é especial, raro e duro. E esperamos que não se perca de todo. Esta é uma experiência de verdadeira literatura, ainda mais quando a escola se abstém de validá-la [ao não ler o diário]. É um presente.

– Geometria: Os educadores podem pedir aos alunos para desenhar a planta de sua casa. Os desenhos podem ser fotografados e enviados para a classe, com cada criança descrevendo o seu. Também essa experiência pode ser um pedido para desenhar as cidades, e em cada um desses pedidos é possível aprofundamentos distintos. Para os mais pequenos será necessária ajuda dos pais para fotografar, mas nunca nem eles ou educadores devem ensinar a fazer um mapa ou planta. Vão conhecer o mundo pelas crianças. Esta proposta pode sugerir algumas elaborações geométricas, mas não com problemas abstratos, e sim na realidade onde estão vivendo.

– A leitura sem propósito: Os educadores podem pedir às crianças que leiam um livro. Mas não um livro para todos, porque não há um livro igual para todas as crianças. E sim um livro que cada um buscará em sua casa. Sobre essa tarefa, o compromisso é não pedir tarefas. Nem resumos, nem críticas. Elas podem falar com os amigos do que se passa no livro, se gostaram, ou não. Mas deve ser possível lê-lo em liberdade, se preferível, num lugar privado. Depois deste primeiro livro, outro e outro, durante e depois do coronavírus.

– A leitura em família: Uma leitura em voz alta, como um teatro. Se decide um horário – proponho meia hora – um espaço específico, um livro interessante e não necessariamente para crianças, e um adulto que o leia em voz alta, todos os dias, até terminá-lo. Se isso é bem feito, se criará uma relação intelectual com o livro e uma verdadeira aprendizagem de leitura, e senão a capacidade de decifrar signos, então o gosto, o prazer de ler.

– Jornal: A história contemporânea leva o jornal as nossas casas pela internet e TV. Mas, um dia por semana, o adulto pode comprar um jornal. Juntos com as crianças eles verão as manchetes, vão escolher a notícia mais interessante para a criança, ler juntos. Depois, se possível, conectar-se com a escola e com o educador ler as notícias de outras crianças juntas, podendo fazer um jornal que faça sentido para a classe.

– Correspondência: No meu tempo, crianças da montanha trocavam cartas com crianças do mar, neste método de comunicação sem tecnologia. Este é um bom momento para retomar isso. As crianças podem trocar cartas, fitas de áudio e vídeo. Essa é uma proposta educativa que dá sentido real para a comunicação, porque hoje as crianças têm muitos meios mas pouco costume de escrever.

– Natureza: Cada aluno pode cuidar de uma planta presente na casa ou pedir que os pais comprem no mercado. Ela será um objeto de observação, desenho, fotografia, e a criança acompanhará seu desenvolvimento, características e mudanças. As crianças podem trocar essa experiência com companheiras de escola e esta será então uma lição de ciências naturais. É possível também observar pequenos animais, como insetos ou minhocas.

– Arte: Indico a arte como última mas não como menor atividade, pelo contrário, como algo que deveria ocupar muito tempo e energias das crianças. A arte relaxa e dá satisfação. É importante que os educadores convidem as crianças a aproveitar o tempo para criar diversas expressões artísticas, utilizando as técnicas mais distintas. Para além do lápis e caneta, sugerir a farinha, as folhas da natureza, botões, fios para modelar animais e personagens, pintar pedras. As possibilidades são infinitas.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Why Your Brain Needs More Downtime (Scientific American, October)

Freelance writer and meditation teacher Michael Taft has experienced his own version of cerebral congestion. “In a normal working day in modern America, there’s a sense of so much coming at you at once, so much to process that you just can’t deal with it all,” Taft says. In 2011, while finalizing plans to move from Los Angeles to San Francisco, he decided to take an especially long recess from work and the usual frenzy of life. After selling his home and packing all his belongings in storage, he traveled to the small rural community of Barre, Mass., about 100 kilometers west of Boston, where every year people congregate for a three-month-long “meditation marathon.”

Taft had been on similar retreats before, but never one this long. For 92 days he lived at Insight Meditation Society’s Forest Refuge facility, never speaking a word to anyone else. He spent most of his time meditating, practicing yoga and walking through fields and along trails in surrounding farmland and woods, where he encountered rafters of turkeys leaping from branches, and once spotted an otter gamboling in a swamp. Gradually, his mind seemed to sort through a backlog of unprocessed data and to empty itself of accumulated concerns. “When you go on a long retreat like that there’s a kind of base level of mental tension and busyness that totally evaporates,” Taft says. “I call that my ‘mind being not full.’ Currently, the speed of life doesn’t allow enough interstitial time for things to just kind of settle down.”

Many people in the U.S. and other industrialized countries would wholeheartedly agree with Taft’s sentiments, even if they are not as committed to meditation. A 2010 LexisNexis survey of 1,700 white collar workers in the U.S., China, South Africa, the U.K. and Australia revealed that on average employees spend more than half their workdays receiving and managing information rather than using it to do their jobs; half of the surveyed workers also confessed that they were reaching a breaking point after which they would not be able to accommodate the deluge of data. In contrast to the European Union, which mandates 20 days of paid vacation, the U.S. has no federal laws guaranteeing paid time off, sick leave or even breaks for national holidays. In the Netherlands 26 days of vacation in a given year is typical. In America, Canada, Japan and Hong Kong workers average 10 days off each year. Yet a survey by Harris Interactive found that, at the end of 2012, Americans had an average of nine unused vacation days. And in several surveys Americans have admited that they obsessively check and respond to e-mails from their colleagues or feel obliged to get some work done in between kayaking around the coast of Kauai and learning to pronounce humuhumunukunukuapua'a.

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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Bicicleta de 4 homens por Art Rothschild

Quatro homens de bicicleta alimentada por cinco cadeias e com travões em todas as suas rodas. A  tetrabike foi construída por Art Rothschild (posição superior) que quebrou três costelas, enquanto aprender a montá-la. (LIFE magazine  em 27 de Dezenbro de 1948)



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Dia da Segurança na Internet (semana da SeguraNet)



Para melhor orientarmos os nossos alunos quanto ao uso que fazem da Internet, devemos ter em conta os riscos inerentes à sua utilização. Quer os nossos alunos estejam agora a dar os primeiros passos na Internet, quer estejam já muito habituados a utilizá-la, nós, enquanto professores, podemos ajudá-los a avançar com mais segurança no mundo “virtual”.
Neste espaço poderá consultar informação sobre a utilização segura da Internet.
Debater estes temas é promover a literacia digital! Participe com os seus alunos nas Actividades Seguranet!
Especialmente para os Professores aqui fica um manual de literacia digital.
Consulte o espaço de apoio que disponibiliza conteúdos e recursos sobre a Segurança na Internet.
Para os Pais
Para os Alunos

O Centro de Recursos do SeguraNet é vasto e muito diversificado (apresentações, vídeos, jogos educativos, documentos, manuais, etc)

domingo, 22 de janeiro de 2012

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O espelho mágico do Facebook


O facebook no mundo- foto tirada em 2010. Créditos: Paul Butler

O Facebook reflete a nossa época, egoísta e publicitária, preocupada com o marketing pessoal. Ele promove a experiência de estar em constante representação face a nossos amigos. E quanto mais a projeção eletrônica reflete a nossa personalidade, ou o nosso desejo, mais nos deixamos embriagar pelo seu reflexo

por Philippe Rivière, Le Diplomatique Brasil, 1.12.10

Há alguns dias, o Facebook me pediu para trocar de nome. Não porque eu tivesse escolhido um apelido obsceno, que fizesse apologia ao ódio, ou que usurpasse o “nick” do todo poderoso Mark Zuckerberg (chefe, fundador e principal acionista do Facebook), ou até mesmo porque estivesse usando um nome vagamente parecido com o de uma marca registrada. Tudo que fiz foi inventar um sobrenome composto de belos caracteres em Braille. Os engenheiros do site californiano decidiram, de repente, que isso não era mais tipograficamente correto.

Na inscrição, o site havia pedido meu sobrenome verdadeiro; em seguida, tinha confirmado a minha existência por meio de um código secreto enviado ao meu telefone. Eles tinham também insistido para que eu lhes desse a senha do meu endereço de e-mail para recuperar meu catálogo de endereços e, assim, facilitar a identificação dos meus contatos – meus “amigos” na terminologia do site.

Policiado permanentemente por algoritmos, seguindo regras de utilização que ninguém lê, a página azul do Facebook oferece um casulo aconchegante a seus membros, que podem se conectar a ele para conversar sem se verem invadidos por mensagens de desconhecidos e por parasitas que lhes prometem a Lua. As inserções de publicidade são relativamente discretas, e é possível, por um tempo interminável, ficar vendo as fotos de amigos, se divertir ou se indignar com as mesmas informações compartilhadas por eles, jogar os mesmos jogos, seguir o que há de novo em suas vidas, tanto os acontecimentos mais triviais quanto os mais felizes.

As interações são sempre positivas: é possível, ao clicar sobre um ícone qualquer, “curtir” alguma coisa, mas não detestar; um aviso aparece quando a gente ganha um amigo, mas não quando ele nos deixa. Vários controles protegem o usuário: assim, o viajante que se conecta de um lugar inabitual, se vê submetido a um interrogatório (lúdico) à base de fotos, a fim de provar sua identidade.

Tudo isso não acontece sem arbitrariedades. Páginas sensíveis – como aquela do grupo de apoio ao soldado Bradley Manning, acusado de ter transmitido informações secretas sobre a guerra do Iraque ao site Wikileaks – são por vezes suspensas, e restabelecidas alguns dias depois sem mais explicações. Para eliminar os spams, os membros do Facebook são incentivados a denunciar com um clique as mensagens ofensivas, e o site então suspende a conta dos usuários suspeitos. Uma brecha no sistema, à qual ativistas de todo tipo acabam apelando, organizando por esse método a desconexão de seus adversários políticos. O Facebook proíbe seus membros de publicar links para sites perigosos (que tentariam, por exemplo, instalar vírus ou roubar dados bancários); mas esse Big Brother bondoso, às vezes, cede à tentação da censura e bloqueia links para sites de compartilhamento de arquivos ou de manifestações artísticas e políticas.

Essa sábia mistura de vida privada e voyeurismo, esse regime açucarado de transgressões moderadas e liberdade vigiada constituiu a receita vencedora de Zuckerberg. Graças a ela, o comandante da rede social conseguiu o grande feito de reunir 500 milhões de inscritos, dos quais 50% se conectam ao site todos os dias, num total de 700 bilhões de minutos a cada mês. E 200 milhões de pessoas consultam a página por telefone celular. Começando do nada – ou quase, já que a prestigiosa Universidade Harvard não foi irrelevante no seu início fulgurante, em fevereiro de 2004 –, o Facebook é agora, com apenas 1.700 funcionários, o maior site do planeta.

Ao permitir que cada um cuide da sua marca pessoal, o Facebook é o espelho mágico da nossa época, egoísta e publicitária. A experiência Facebook é para cada um o sentimento de estar em constante representação face a 130 pessoas (número médio de amigos de um membro da rede social) aplaudindo cada gesto e cada boa palavra. Quanto mais a projeção eletrônica de nosso ser reflete a verdade de nossa personalidade – ou de nosso desejo –, mais nos deixamos embriagar pelo seu reflexo.

Esse sentimento conduz cada um a alimentar sua página, às vezes, de maneira compulsiva, publicando seus gostos, endereço, local em tempo real por meio de diversas técnicas de geolocalização, ou a crônica de seus conflitos amorosos. A empreitada deixa estupefatos todos os organismos de defesa da vida privada, de todo modo superados, frente à sua própria aceitação por meio do crescimento exponencial das tecnologias.

Excessivamente positivo

Mas o Facebook não pretende parar por aí: começando em um site restrito, ele busca agora se estender ao conjunto da internet. Introduzido em abril de 2010, o botão “curti” é uma funcionalidade de aparência trivial que cada webmaster pode integrar em seu próprio site para facilitar o “buzz”; graças a esse engenhoso sistema, já instalado em um milhão de sites, o Facebook afirma poder monitorar por nome as visitas feitas nas telas de 150 milhões de pessoas todos os meses, refinando, assim, a construção de seus perfis. Para melhor servir (e identificar) o internauta, o Facebook também acaba de lançar uma caixa de correio eletrônico que agrupa e-mail, SMS e conversas virtuais instantâneas – apontando para uma concorrência frontal com o Google, o outro ponto de controle gigante da internet.

O Facebook garante que apenas os nossos amigos têm acesso a essa massa de textos e imagens que flui continuamente nessas bases de dados. Denunciado, em novembro de 2010, por uma investigação do Wall Street Journal que revelou que alguns dos maiores operadores dos jogos no Facebook escondiam dados de identificação pessoal dos jogadores e de seus amigos, o grupo decretou “tolerância zero” às empresas intermediárias de bases de dados e afirmou que o Facebook “nunca vendeu nem venderá informações de usuários”. (Não se fala, claro, da “Patriot Act” [Lei Patriótica], que permite às autoridades americanas ter acesso a informações pessoais hospedadas nos Estados Unidos.)

Em 1993, um memorável desenho de Peter Steiner, publicado no The New York Times, explicava que “na internet, ninguém sabe que você é um cão”. Em 2010, o anonimato está prestes a ser abolido. “Com 14 fotos suas, nós temos capacidade de identificá-lo. Você acha que não há 14 fotos suas na internet? Tem as fotos do Facebook”, lembra o presidente do Google, Eric Schmidt, na Conferência Technomy, em 4 de agosto de 2010. Um estado dos fatos não somente irrevogável, mas, a seus olhos, necessário: “Em um mundo de ameaças assimétricas, o verdadeiro anonimato é perigoso. (...) É preciso um sistema confiável de verificação de identidade – e o melhor exemplo, hoje, de tal serviço é o Facebook. (...) Os governos vão acabar exigindo isso”.

Se ainda sobra a possibilidade de trapacear, isso será, no futuro, cada vez mais difícil. Os arquitetos mais poderosos do mundo online e os dirigentes políticos são destinados a “civilizar” uma internet livre e sempre vista como zona de não direitos. Se eles conseguirem domesticá-la, dar sua identidade real será o preço a pagar para participar dela com plenos direitos. A tela servia até aqui como uma imagem para designar um sistema descentralizado de rede de informações interconectadas. Ninguém imaginava que uma aranha se debatendo acabaria se instalando em seu centro e observava, assim, o comportamento de todos os internautas.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

As Cinco Provecacções


Cinco PROVECACÇÕES a partir de palavras difíceis de ler por dentro e trazidas por associações livres [texto original]
 
PROVECACÇÕES é uma palavra nascida na preparação do Congresso do Associativismo e da Democracia Participativa. Resulta da combinação de três palavras que exprimem os passos do próprio movimento pelo Congresso: Provocação+ Eco+ Acções.

1ª Provecacção Eles; 2ª Duas globalizações falsas gémeas; 3ª Entre redes sociais, reais e virtuais; 4ª Comunicação/Solidariedade/Produção e 5ª As Associações Livres
 
A cada um de nós compete provocar/desafiar os outros com as suas ideias e propostas, pretendendo-se que estas tenham eco nas reflexões que venham a ser feitas e partilhadas, sendo desejável que a provocação e o eco tenham como resultado palpável acções assumidas por nós próprios em torno da realização do Congresso e para além dele.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Educação Ambiental através do humor e jogos




A acreditar nos dois vídeos da Fun Theory, promovida pela VW, o humor e o jogo parece cativar e mobilizar mais pessoas para limpar parques, reduzir lixo e a reconhecer a sua importância. O público aderiu e os vídeos são surpreendentes. Veja-os.




sábado, 5 de dezembro de 2009

Sobre Farmville e as formigas parasol (Acromyrmex spp)

Formiga folha-cortador, Acromyrmex octospinosus, carregando folhas

Sou mesmo da geração fora dos gameboys e nintendos. Custa-me ver tantos aderentes ao jogo virtual Farmville e no mundo real quantos quintais urbanos abandonados, quanto desordenamento do território, onde há interfaces de solo agrícola sem ninguém o cultivar. Olhem para as formigas tropicais, por exemplo! Há espécies que são autênticas agricultoras: fazem compostagem, cultivam cogumelos e têm animais domésticos. Pesquisem as formigas parasol ou também chamadas formigas cortadoras de folha.
Amanhã volto ao assunto. 

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ainda o legado de Darwin: Biojogos e evolução do Homem


Baseado na publicação do genoma completo do chimpanzé, num artigo histórico na Nature, onde afirma que os humanos e chimpanzés partilham 96 por cento do mesmo material genético, este vídeo procura visualizar a similaridade e alguma distância da sequência do DNA mitocondrial entre nós e os chimpanzés.

Biojogo
Building Bodies - Seja um paleoantropólogo, aprenda a montar o esqueleto humano e de um chimpanzé e conheça as principais diferenças anatómicas entre estas duas espécies.

Fontes de informação e sítios a visitar: Biologia Interativa e Becoming Human

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Jogo Reciclavidro (Reciclavidrio)

No rescaldo das festividades do Fim de Ano e com muitas garrafas de vidro inutilizadas, pode e deve servir de mote para falar, quem tem crianças em férias, sobre a importância da reciclagem do vidro e reutilização. Proponho um jogo para todas as idades.
Reciclavidro é um jogo sobre a reciclagem de vidro com um visual muito atraente, fazendo uma abordagem simultaneamente educativa e divertida. Tem uma secção de jogos (quatro diferentes). Além dos produtos típicos de jogos Memória (Memory) traz uma opção virtual de músicas com garrafas. [Tradução de João Soares. Fonte: Manos a la Tierra]

sábado, 8 de novembro de 2008

Musica do BioTerra: Paulo Bragança- Remar, Remar (versão em fado dos Xutos & Pontapés)



Depois de ouvir esta excelente interpretação, lembrei-me do sítio que vou muitas vezes com o meu filho visitar e chama-se GramáTICª. Conhecem? Contem imensos materiais didácticos, textos, documentos e fóruns temáticos para consulta, para esclarecimento de dúvidas de carácter científico e pedagógico sobre o conhecimento explícito da língua.

Verba docent, exempla trahunt
As palavras ensinam, os exemplos arrastam
(aforismo latino)

É nestes projectos que deposito a minha esperança e atitude que tenho mantido: de uma cidadania proactiva e interventiva e densa no nosso País. Ela existe e temos gente para melhorar Portugal, que labutam por um colectivo com mais justiça, mais e melhores vasos comunicantes na lusofonia (redes sociais, internet, poesia, ciência, arte, literatura, contos, oralidade) e mais Paz.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Dia Internacional da Resistência Não Violenta

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Frase de Bertold Brecht.
Dia Mundial da Resistência Não Violenta celebra-se a 2 de Outubro. Dia da Resistência Não Violenta pretende mostrar que se pode lutar pelo que se acredita sem recorrer à violência.

De acordo com os defensores da resistência não violenta, a luta deve ser baseada no diálogo e em manifestações pacíficas. Nunca em circunstância alguma recorrer à violência.

A Resistência Não Violenta (ou Ação Não Violenta) é a prática de exercer uma força para atingir uma meta sociopolítica através de um protesto simbólico, de não cooperação económica ou política, de desobediência civil e outros métodos, sem o uso da violência.
A Resistência Passiva é uma variedade de resistência não violenta, e é um termo usado, às vezes, de forma imprecisa como um sinónimo da mesma. Isto implica a resistência por inércia ou de conformidade não enérgica, em oposição à resistência por atividade de antagonismo. Satyagraha é uma refinada variedade de resistência não violenta desenvolvida por Mohandas Gandhi. Trata-se de uma iniciativa voltada para a educação para a paz, solidariedade e respeito pelos Direitos Humanos.
Como celebrar o Dia da Resistência Não Violenta
Este é uma oportunidade para dialogar com os seus alunos acerca da violência, o que é, como se desenvolve, os diversos tipos de violência, quais as formas e mecanismos que a podem parar, etc. Dê especial ênfase ao bullying, algo que lhes pode ser mais familiar e compreensível.
Proporcione debates, faça dinâmicas de grupo sobre este tema, promova jogos de cooperação e de trabalho em equipa.
Entretanto, trabalhar pela cultura da Não Violência nas escolas é um objetivo fundamental da ONU visando que as crianças e adolescentes possam aprender a valorizar princípios como o respeito, a tolerância, o diálogo e a solidariedade, porque a cultura da Paz faz-se nas pequenas ações do dia a dia.
Outro objetivo é fazer desta causa e ideal uma referência nas sociedades através de pequenas ações individuais mais pacíficas, lembrando que ser pacífico não é ser passivo, é agir de forma coerente e firme, norteados pelos ideais de rejeição de qualquer forma de violência.
Como outras estratégias de mudança social, ações de não violência podem surgir de diversos modos e graus. Elas podem incluir, por exemplo, uma variedade de formas como a guerra de informações, protesto artístico, lóbi, resistência à impostos, boicotes ou sanções, combate legal/diplomático, sabotagem de materiais e equipamentos,etc.
Alguns especialistas em não violência referem que muitos movimentos adotaram métodos de ação não violenta pragmáticos como uma maneira eficaz conseguir objetivos sociais ou políticos, distinguindo os métodos da ação não violenta daqueles de características morais da não violência ou dos outros de não dano.
Frases de Mahatma Gandhi sobre a Paz
  1. "Verdade, pureza, autocontrole, firmeza, coragem, humildade, unificação, paz e renúncia. Essas são as qualidades herdadas de uma pessoa que resiste." 
  2. "O mais perfeito acto do homem é a Paz. E por ser tão completo, tão pleno, em si mesmo, é o mais difícil."
  3. "As pequenas boas coisas parecem não ser nada, mas elas trazem a paz. Assim são as flores do campo que acreditamos não terem perfume, mas que, juntas, perfumam..."
Em 30 de Janeiro, na data do falecimento de Mahatma Gandhi, celebra-se o Dia Escolar Não-Violência e da Paz, um dia criado em 1964 pelo poeta e educador espanhol Llorenç Vidal.

Este Dia foi proclamado através da Resolução 61/271 adotada na Assembleia Geral da ONU a 15 de junho de 2007.
Documentos
Resolução 61/271 sobre o Dia Internacional da Não Violência adotada na Assembleia Geral da ONU [en]

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Trafficopoli - um jogo educativo italiano


Trafficopoli é um divertido jogo de tabuleiro e educativo adequado para todas as crianças e adultos.
Joga 3 a 8 jogadores, que podem optar por um indivíduo ou equipas. É composto de 157 cartões: 61 são uma forma hexagonal e visor colorido que representa a cidade, 96 são cartas que representam 4 tipos de meios de comunicação (bicicletas, motocicletas, carros e transportes públicos) e seus acessórios.
Os meios de comunicação social e os acessórios são todos amigos do ambiente, com descrições sobre estes cartões muito engraçadas, bem como eco-educativas.
A duração do jogo é de cerca de uma hora.
As instruções são explicadas, num VIDEO, directamente pelo autor, Sergio Tonon.
Graças ao livro de 32 páginas será possível transpor o jogo para a realidade.
Oxalá em Portugal surja esta ideia. Quem quiser pode encomendar directamente jogo + livro através da excelente e- revista AAM Terra Nuova





segunda-feira, 7 de julho de 2008

PowerUp 3D - O jogo da energia


Jogo pedagógico sobre energias alternativas e conservação de energia.Constantemente actualizado e muito interactivo. Descarregue e veja instruções em Power Up Game Org




quarta-feira, 18 de junho de 2008

Abaixo o futebol competitivo


Partilho o mesmo pensamento e visão do meu amigo Viriato. Abaixo o Euro 2008 e a paranóia do futebol competitivo é um manifesto e também é um acto de cidadania por um Portugal mais ecossolidário. Certamente também há portugueses fartos....por mais lavagem verde que recentemente as fábricas de futebol façam...
E quanto a um esforço por mostrar penalizações dos futebolistas e clubes entre pares....ainda estamos muito longe da justiça social....
Por Portugal?
Só penalizam a função pública, penalizam os juízes, penalizam os ambientalistas, penalizam os polícias....ah...mas quando toca a penalizar a máquina do futebol...atenção...mil cuidados....
Por Portugal?
oh sobreiros e carvalhos de Portugal, oh lobos do Gerês, oh gravuras do Foz Côa, oh litoral de Portugal...porque não sois respeitados, amados e compreendidos???
Pela Europa?
Pelo Mundo?
Pelo Desporto e ao ar livre? Desporto para todos e com todos?
Pela Paz?????
O desporto ( mais a sua indústria) ensina-nos a ser competitivos!
A educação dos jogos cooperativos habitua-nos, ao invés, a ser solidários e fraternos.
Por Viriato, Pimenta Negra, 15 de Junho de 2008

A ideologia desportiva pretende vender-nos, à socapa, e à custa de uma falsa ideia de neutralidade da actividade desportiva, os valores caros às sociedades capitalistas: uma concorrência feroz entre as equipas e os jogadores, o elitismo dos melhores, o nacionalismo, o culto da perfomance, a passividade do espectador-cidadão e as perversões alienantes da sociedade do espectáculo, etc.

Acresce a isso, nos últimos anos, a subtil montagem e manipulação das emoções das pessoas, a que já nos vamos habituando a assistir periodicamente, quando aquelas são convidadas ( e autorizadas, bem entendido) a berrar, buzinar, e a cometerem os desvarios do costume, enfim, a emocionar-se por motivos, que são, no geral, muito bem programados, e que, de imediato, são vendidos às massas com objectivos inconfessáveis, mas onde o lucro está sempre presente, regra geral, associado alarvemente a operações de manipulação, com a vantagem suplementar de, ao contrário dos carnavais de outros tempos, não existirem em tais excessos as habituais críticas ao poder estabelecido.

Com os espectáculos desportivos como o que nos entram pelos olhos (e cérebros) dentro, o que se pretende é então alimentar a ilusão de um mundo em que cada equipa (de cada nação, ou de cada cidade) tem as mesmas oportunidades de ganhar (de vitória) como as demais, quando se sabe perfeitamente que assim não é, até porque as melhores equipas se constroem com investimentos milionários, só possíveis a quem for titular do real poder do capital.

Uma operação mental deste calibre permite alimentar junto dos mais desprevenidos a ideia ilusória de que, por exemplo, as nações colonizadas podem vencer as equipas das super-potências colonizadoras, ou de que - o que vai dar ao mesmo - os pobres só podem subir na escala social se tiverem talento suficiente para alcançarem o nível social dos ricos, por mais estúpidos e broncos que estes sejam.

A nossa bolsa de valores é o oposto a tudo isso. Queremos um mundo em que não haja necessidade de derrotar, e muito menos, de esmagar, quem quer que seja, para nos sentirmos bem. Queremos um mundo onde o gosto de jogar derive do prazer da partilha e do «estar em comum» e jamais da vitória ( e esmagamento ou massacre) sobre o outro.

Também rejeitamos a identificação às bandeiras de um qualquer Estado nacional, do mesmo modo que julgamos desprezíveis as manifestações ruidosas de rua dos adeptos fanatizados em glória aos vencedores.

Os campeonatos do mundo e da Europa do futebol, junto aos Jogos Olímpicos, são bem exemplos ilustrativos de todos esses valores que sub-repticiamente nos querem impingir, com a falsa ideia da neutralidade do desporto, devidamente embrulhada numa não menos falsa ética aplicada à competição feroz entre os jogadores-adversários em contenda.

A ideologia desportiva é, com efeito, tanto mais forte e insidiosa quanto mais invisível e discreta ela se mostrar…

Sejamos solidários uns com os outros.

Não alinhemos com a ideologia dominante da concorrência e da competição social (mesmo, dentro do desporto) das sociedades capitalistas.

Não à manipulação e à lavagem cerebral que nos transformam em agentes (…, isto é, em agenciados pelo poder) inconscientes da competição concorrencial do mercado

Por uma educação cooperativa e solidária entre todos os seres vivos.