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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Como o Presidente Trump está a influenciar as ações climáticas globais?


Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, tornando ainda mais urgente a necessidade de ações climáticas globais rápidas e coordenadas.

Em vez de apoiar uma eliminação rápida e justa dos combustíveis fósseis, o presidente dos EUA, Donald Trump, está a atacar de forma imprudente os esforços globais para combater as alterações climáticas de cinco formas:
  1. Retirando os EUA dos organismos climáticos globais;
  2. Promovendo uma campanha de desinformação contra a ciência climática;
  3. Recorrendo a medidas intimidadoras e coercivas para promover políticas pró-combustíveis fósseis;
  4. Enfraquecendo as proteções climáticas internas e cortando o financiamento da ciência climática;
  5. Restringindo o espaço cívico, o que prejudica o ativismo climático.
De que organismos climáticos globais os EUA se retiraram e qual o impacto?
A retirada dos EUA do histórico Acordo de Paris entrou em vigor a 27 de janeiro de 2026. Esta é a segunda vez que os EUA se retiram do acordo e vem na sequência da intenção declarada de se retirarem da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) e do Fundo Verde para o Clima (GCF). Trump também pediu a saída dos EUA de mais de 60 outras organizações internacionais, incluindo várias relacionadas com as alterações climáticas, a biodiversidade e as energias renováveis, apelidando-as de “desperdiçadoras, ineficazes ou prejudiciais”.

Esses anúncios provavelmente acelerarão o corte de financiamento dos EUA a instituições e programas multilaterais e bilaterais importantes relacionados com o clima. O financiamento dos EUA a essas agências da ONU e ao seu trabalho deve terminar em breve. A ONU já enfrentava uma crise financeira, agravada no último ano pela recusa dos EUA em pagar a sua contribuição para o orçamento regular.

Trump também se recusou a gastar a verba aprovada pelo Congresso norte-americano para assistência externa – incluindo para agências da ONU -; desmantelou a Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e outras agências americanas que fornecem apoio direto a comunidades prejudicadas pelas alterações climáticas e atacou programas que abordam as alterações climáticas.

O que é o Acordo de Paris e por que é importante?
A 12 de dezembro de 2015, os países adotaram o quadro mais ambicioso do mundo para combater as alterações climáticas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Paris (COP21). No âmbito do Acordo de Paris, os governos concordaram, pela primeira vez, em tentar limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais para evitar os efeitos mais catastróficos das alterações climáticas. O acordo exige que todos os Estados estabeleçam metas atualizadas regularmente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, tanto a longo como a curto prazo, e partilhem os seus planos para as alcançar.

Qual será o impacto para perdas e danos?
Os EUA também se retiraram do conselho do Fundo das Nações Unidas para Responder a Perdas e Danos (FRLD). Criado após difíceis negociações na COP27 em 2022, o Fundo dedica-se a ajudar nações e comunidades de baixos rendimentos e vulneráveis às mudanças climáticas a recuperarem de desastres “não naturais” relacionados com as alterações climáticas. A 19 de novembro de 2025, um total de cerca de 684 milhões de euros tinha sido prometido ao FRLD, incluindo 14,5 milhões dos EUA. No entanto, não está claro se agora essa promessa modesta será sequer honrada.

A reunião do conselho do FRLD em julho de 2026 deverá concentrar-se na finalização da operacionalização do fundo. Cabe a todos os países que podem, especialmente aqueles mais responsáveis pelas alterações climáticas, dar um passo à frente e garantir que o fundo tenha recursos adequados. Quanto menos os países contribuírem, especialmente os países historicamente com altas emissões, incluindo os EUA, mais custará, a longo prazo, aos países na linha de frente dos danos climáticos lidar com as perdas e prejuízos relacionados com as alterações climáticas.

Qual a posição de Trump sobre as alterações climáticas e como está a incentivar a desinformação sobre a ciência climática?
Trump apelidou as alterações climáticas de “fraude” quando discursou na Assembleia Geral da ONU em 2025. Também chamou as políticas de energia sustentável de “a maior farsa da história” no Fórum Económico Mundial em Davos, em 2026.

Um novo relatório do Departamento de Energia dos EUA afirma que as projeções do aquecimento global futuro são exageradas. Isso faz parte de um esforço da campanha de desinformação do governo Trump para produzir uma narrativa falsa contrária à ciência climática global e ao consenso, e usar essa ciência sem fundamento como justificativa para revogar a regulamentação climática.

Os EUA também cancelaram um relatório histórico sobre as alterações climáticas – a sexta Avaliação Nacional do Clima – e retiraram inúmeras páginas sobre ciência climática de sites oficiais. A eliminação destes e de outros programas e instituições de ciência climática significa que há menos informações fiáveis disponíveis ao público e torna mais difícil aos cientistas de todo o mundo verificar informações enganosas sobre as alterações climáticas.

Como os EUA usaram táticas de intimidação para minar a cooperação global sobre o clima e o meio ambiente?
Mais de 430 milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos, a maior parte feita a partir de combustíveis fósseis. Esse plástico rapidamente se transforma em resíduos que entopem aterros sanitários ou acabam nos oceanos. No entanto, as negociações para um histórico Tratado Global sobre Plásticos não chegaram a um consenso no ano passado, pois os EUA, juntamente com outros países produtores de combustíveis fósseis, deixaram claro que se opunham a cortes na produção de plástico.

A administração Trump também conseguiu arquivar uma taxa global sobre as emissões de carbono do transporte marítimo, que estava quase finalizada, ameaçando diplomatas envolvidos nas negociações e usando ameaças sobre o aumento das tarifas de importação para pressionar as nações.

Noutros fóruns, a pressão do lobby dos EUA prejudicou muito a diretiva de due diligence de sustentabilidade corporativa (CSDDD) da União Europeia, que exige que as empresas resolvam questões de direitos humanos e ambientais nas suas cadeias de abastecimento. Os EUA também procuraram ativamente alianças com partidos políticos na Europa que são contra a ação climática.

A compra do chamado gás “natural” produzido nos EUA tem sido usada como moeda de troca nas negociações tarifárias. Por outro lado, os bancos americanos retiraram-se das alianças de ação climática.

Qual tem sido o impacto das políticas anticlimáticas de Trump a nível interno?
A administração Trump desmantelou os esforços domésticos de ação climática e envolveu-se numa reversão sem precedentes das regulamentações que protegem as pessoas nos EUA da poluição por combustíveis fósseis e das alterações climáticas.

Destruiu agências governamentais que prestam assistência de emergência às pessoas afetadas por eventos climáticos extremos, que se tornaram mais prováveis e intensos devido às alterações climáticas; cortou o financiamento de programas de diversidade e clima em agências governamentais e universidades dos EUA, o que originou demissões em massa, congelamento de subsídios e ataques; aumentou os subsídios financiados pelos contribuintes à indústria de combustíveis fósseis; e ameaçou — em alguns casos com sucesso — os estados dos EUA com planos para reduzir as emissões de carbono para acabar com essas políticas.

A abordagem “perfura, baby, perfura” de Trump aumentou a produção de petróleo e gás e acelerou a mineração em águas profundas.

Desde que Trump voltou ao cargo, o governo dos EUA reduziu a disponibilidade e a recolha de dados sobre poluição atmosférica, clima e uma série de outros dados ambientais e climáticos que são usados nos EUA e em todo o mundo. A administração Trump também ameaçou diretamente a liberdade académica e o direito de acesso à informação, incluindo sobre as alterações climáticas, como parte de um padrão consistente com práticas autoritárias crescentes.

Os EUA também aumentaram as suas atividades militares, particularmente na América Latina e no Médio Oriente, que têm uma pegada de carbono pesada, sem mencionar os danos ultrajantes causados aos direitos humanos. No caso da Venezuela, o presidente Trump citou a indústria de combustíveis fósseis como parte da sua decisão de tomar medidas ilegais para destituir Nicolás Maduro.

Como a repressão de Trump ao espaço cívico prejudicou o ativismo climático?
O governo dos EUA reprimiu protestos e dissidências, incluindo a limitação da capacidade dos ativistas climáticos de exercerem os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica através de intimidação, demonização e ameaças de mudanças nas leis.

O Departamento de Energia terá adicionado “alterações climáticas”, “verde” e “descarbonização” à sua crescente “lista de palavras a evitar”.[Guardian]

Os ativistas climáticos têm sido descritos como “ecoterroristas”, entre outros ataques públicos por parte das autoridades. Isso encorajou as empresas de combustíveis fósseis e outros intervenientes anti ação climática e levou a uma crescente ameaça de litígios judiciais contra ativistas climáticos.

A administração Trump também demonizou populações marginalizadas, usando retórica racial de formas que corroem o apoio público a serviços públicos essenciais — incluindo aqueles críticos para ajudar os americanos a prepararem-se e resistirem aos impactos das alterações climáticas.

O que deve ser feito?
As alterações climáticas transcendem fronteiras e afetam todas as pessoas, em todos os locais. Muitas vezes, são os menos responsáveis que são mais afetados. A cooperação global é essencial para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de forma equitativa, apoiar uma transição justa para os trabalhadores afetados, proteger as comunidades vulneráveis e financiar a recuperação de perdas e danos. Uma abordagem fragmentada aprofundará os danos climáticos, como o aumento do nível do mar, a escassez de alimentos, incêndios florestais, tempestades e inundações extremas e a falta de acesso a água potável.

As pessoas e os governos em todo o mundo devem resistir a todos os esforços coercivos da administração Trump. Ceder terreno agora coloca em risco o nosso futuro coletivo. A humanidade deve vencer.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Pouring Literal Gasoline on the Flames of Hate


It’s a mug’s game to try and figure out the lowest point of the Trump presidency, because he’s certain to go lower still, often in a matter of hours.

Still, yesterday for me can’t pass without comment, because it so perfectly reflects the hideousness of our moment. The picture above shows a circle of white people gathered around the president, listening to him rant about Somali-Americans. The day before he had called them “garbage,” and he was taking up the theme again, with vigor. Somalis had “destroyed Minnesota” and “destroyed our country.” The “Somalians should be out of here,” he said. I have tried to go back and at least as far as Woodrow Wilson and I don’t think any president has said any thing as clearly racist while in office, and I was not alone. Alvin Tillery, at Northwestern, told Reuters yesterday that Trump is “absolutely unique” among modern presidents in his racism—Richard Nixon and Ronald Reagan made “thinly veiled” racial attacks but Trump has no interest in veils, nor do his supporters. His press secretary Karoline Leavitt called his remarks “amazing” and an “epic moment;” J.D. Vance, when the president was ranting about garbage the day before, banged the cabinet table to show his raucous appreciation. Let me say plainly—this is piggish behavior. One of my my most beloved colleagues is a Somali-American from Minnesota; she has more love, compassion and character in her little finger than our president has in his bloated sack of a body. He is simply a bad man, who—feeling a little cornered—heads for the hate that feeds his soul.

But what about those people gathered around him in the Oval Office? Therein lies a tale.

As it turns out, they were automobile executives, joining Trump for a happy moment where he told them that gasoline would be the fuel of the future. As he explained in his usual thoughtful manner

The greatest scam in American history, the Green New Scam, is a quest to end the gasoline powered car. This is what they wanted to do even though we have more gasoline than any other country by far.

It should surprise no one that these auto executives stood there simpering while the president launched into his racist diatribe. Black workers have, of course, been central to Detroit’s success. They faced discrimination from the start—among other things they were often sent to work in the fume-filled paint rooms of the big plants—but still they persevered. Detroit was eventually home to the country’s biggest branch of the NAACP; Dr. King previewed his I Have a Dream speech in a wild June day in Detroit in 1963, with Rev. C.L. Franklin, best known now as Aretha’s dad, presiding over much of the action. In the wake of George Floyd’s murder, the chairman and CEO of Ford issued a statement saying “we cannot turn a blind eye” to racism, but that’s just what current Ford CEO Jim Farley, and all the other executives in that room, did yesterday.

But perhaps it might surprise some that they were standing there applauding as Trump rolled back fuel economy standards, from 50 miles to the gallon by 2035 under the old rules to about 35 miles a gallon. Those higher mileage standards were the tool the Biden administration was using to help nudge Detroit towards electric vehicles; without them, it will almost certainly backslide towards irrelevance. That’s because they will slow down their process of innovation; as the Times put it, the new policy

“frees automakers to sell more pickups and sport utility vehicles, which are usually much more profitable than smaller cars. It will be difficult for carmakers to resist pressure to sell these gas guzzlers.”

Here’s Lenny LaRocca, who leads the automotive practice at consulting firm KPMG:
“I would anticipate that more focus would be on the larger S.U.V.s and pickup trucks.”

So—more gas for consumers to buy (the cost of owning an EV is far lower than the cost of owning an internal combustion car), more carbon and particulates in the air, more people being run over by absurdly sized vehicles.

And much less chance that Detroit will ever be a leading force in the auto industry again. That was already seeming unlikely: China’s carmakers grow more dominant by the quarter. But the IRA support for EVs was the last real possibility, an infusion of funds to help underwrite the retooling for the world to come. But instead of fighting for that, these executives have truckled to the president, and sold the future of their companies for a few more years of turning out Escalades.

At some level these guys know what they should be doing. Jim Farley , the Ford guy who was making jokes with the president yesterday? In the fall of 2024 he said he’d been driving a Xiaomi Speed Ultra 7 for six months, and that it was “fantastic.” “I don’t want to give it up,” he added. Fourteen months ago he told the Journal that the Chinese automakers were an “existential threat” because their cars were so good. “Executing to a Chinese standard is going to be the most important priority,” Farley said.

But now that won’t happen, because these guys were more cowed by a racist president than by their Chinese competition. By the time another president with more sense makes it to the White House, the Chinese “juggernaut” (Farley’s word) will have had three more years to build up its lead; Detroit will be choking on its dust.

Hey, but at least we can tell ourselves that we’re cool in a retro kind of way. Let’s bring in another man in that picture, Sean Duffy, Trump’s Transportation Secretary, the guy right behind Trump who looks like he’s dressing for his part in Mad Men. (Gotta love the razor thin pocket square). Last month was admonishing airline passengers who dressed too comfortably; the result was the #pajamaresistance movement. Yesterday he was celebrating the new extra-pollution rules with this notion:

“This rule will actually allow you to bring back the 1970s station wagon. Maybe a little wood paneling on the side.”

Duffy’s eager to return to the 70s; Bobby Kennedy wants us back in the pre-vaccine 1940s; Trump wants to talk like a 19th century slave-trader.

The rest of us, who would like to participate in the future with the balance of planet earth, have a lot of work to do in the year ahead. Let us look on the abased truckling of the auto executives and resolve to not stay silent ourselves; we’ve got eleven months to win the midterms and break the political back of this retrograde ugliness. If you’re looking for some ways to join in, check out the work we’re doing at Third Act.

In other energy and climate news:

+ New reporting from Europe on “how a secretive alliance of eleven large multinational enterprises has worked to tear down the EU’s flagship human rights and climate law, the Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD).” As David Ollivier de Leth reports

The companies, most of which are headquartered in the US and operate in the fossil fuel sector, aimed to “divide and conquer in the Council”, sideline “stubborn” European Commission departments, and push the European People’s Party (EPP) in the European Parliament “to side with the right-wing parties as much as possible”.

Chevron and ExxonMobil were in charge of mobilising pressure against the CSDDD from non-EU countries. The Roundtable companies endeavoured to get the CSDDD high on the agenda of the US-EU trade negotiations and also worked on mobilising other countries against the CSDDD, in order to disguise the US influence.

Roundtable companies paid the TEHA Group – a think tank – to write a research report and organise an event on EU competitiveness, which echoed the Roundtable’s position and cast doubt on the European Commission’s assessment of the economic impact of the CSDDD.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

CSDDD Datahub reveals law covers fewer than 3,400 EU-based corporate groups


Like the European Commission, SOMO has identified approximately 7,000 companies that currently meet the threshold criteria of the EU Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD). However, many of these companies are part of a corporate group containing several subsidiaries or holding companies that operate under the same umbrella. Data analysis by SOMO – based on companies’ most recent reported revenues and employee figures – shows that in practice, the CSDDD will cover only 4,280 corporate groups, of which just under 3,400 are based in the EU. For example, within these 7,000 companies, there are several corporate groups, of which over ten subsidiary companies meet the threshold criteria individually (e.g. several car manufacturers and supermarkets).

This means that the actual number of corporations that will have to implement the CSDDD is substantially lower than the European Commission’s simple count of companies would suggest. While standardised statistics on the number of corporate groups in the EU do not appear to be available, previous SOMO research showed that the CSDDD would only cover less than 0.1 per cent of all companies in the EU.

SOMO’s analysis shows that the actual coverage of the CSDDD is, in practice, even smaller. It also shows that claims about the CSDDD having an enormous impact on the EU economy simply do not match the reality of the extremely small number of companies that will be within the scope of the law. In February 2025, the European Commission is set to publish an omnibus legislative proposal to amend three key pillars of the European Green Deal: the CSDDD, the Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), and the Taxonomy Regulation. It is crucial that the Commission refrain from reinforcing false narratives about the supposed burdensome impact of the CSDDD on the EU economy as a disguise for deregulatory policies that boost corporate profits at the expense of people and the planet

Ample preparation time for companies
The CSDDD will enter into force in three phases. 31 per cent of the corporate groups SOMO has identified will have to comply with the CSDDD in 2027, followed by 18 per cent in 2028. Over 50 per cent of the corporate groups will only meet the threshold criteria in 2029, leaving them with no less than 4.5 years to prepare for compliance with the law.

CSDDD coverage: key sectors
The companies covered by the CSDDD mainly operate in the manufacturing (24.6%), services (19.1%), and wholesale and retail (16.2%) sectors. Notably, one out of every five companies that will have to comply with the CSDDD is a provider of financial services, though the holding companies of many corporate groups are included in this category. The CSDDD largely exempts financial institutions such as banks and insurers from the obligation to conduct due diligence on adverse impacts associated with their investments and financial services, which makes the total number of corporate groups directly affected by the CSDDD’s obligations even smaller in practice.

Breaking down barriers: access to information and corporate accountability
In countries that already have corporate accountability legislation in place, not knowing which companies fall within the scope of the law has been a crippling obstacle for civil society and workers to effectively hold companies to account for their impacts on human rights, the environment, and the climate. The purpose of SOMO’s CSDDD Datahub is to break down this barrier and make it possible to identify whether companies, suppliers, or buyers can be held accountable under the CSDDD.

About SOMO’s CSDDD Datahub
SOMO has compiled the Datahub based on data from Moody’s Orbis, supplemented with data from the LSEG Workspace and Company.info databases, national business registries, and the annual accounts and websites of companies. The Orbis database was also used by the European Commission and Wageningen University & Research to map companies covered by the CSDDD. While SOMO has aimed to ensure the Datahub is as complete and accurate as possible, these data sources have their limitations. In particular with regard to non-EU companies, the list is incomplete. SOMO is planning to update the CSDDD Datahub on a regular basis.

SOMO also provides pro bono research to activists, communities, trade unions, journalists, and others on corporate structures and supply chains through The Counter.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Obrigações de sustentabilidade com desafios para empresas e consumidores


Promover o comportamento sustentável e socialmente responsável nas operações das empresas - e ao longo das suas cadeias de valor - para garantir que estas identificam e resolvem possíveis condicionantes nos direitos humanos e impactos ambientais provocados pelas suas ações, dentro e fora da Europa. Este é o objetivo da Diretiva CSDDD (ou CS3D) – Corporate Sustainability Due Diligence, que entrou em vigor a 25 de julho último para regular o dever de diligência das empresas no que respeita à sustentabilidade.

A ter uma aplicação eficaz, a diretiva terá várias vantagens para cidadãos e consumidores:
  1. melhor proteção dos direitos humanos, incluindo os direitos laborais;
  2. promoção de um ambiente mais saudável no presente e para as gerações futuras, minimizando os impactos ambientais e as alterações climáticas;
  3. aumento da confiança nas atividades empresariais;
  4. mais transparência, permitindo escolhas informadas e evitando falsas alegações verdes;
  5. melhor acesso à justiça e a plataformas para denunciar comportamentos que não cumprem com as práticas sustentáveis de direitos humanos.
Estas vantagens poderão chegar mais diretamente aos cidadãos e consumidores através de produtos e serviços otimizados ao nível social, da qualidade e da sustentabilidade, considerando toda a cadeia de valor. Também podem ter efeito positivo ao potenciar práticas corporativas harmonizadas e um mercado mais justo, transparente e regulado.

A regulação do mercado é essencial para controlar possíveis repercussões no custo de produção e, consequentemente, no valor de compra dos produtos e serviços. Ou seja, deve haver clarificação e harmonização legal, e devem incentivar-se os investimentos que as empresas têm de fazer para garantir todas estas condições. O objetivo final é que os produtos e serviços comprovadamente sustentáveis sejam acessíveis a toda a população, tanto ao nível económico como em quantidade disponível e distribuição.

Principais obrigações das Empresas
Com esta diretiva, as grandes empresas com volume de negócios obtidos na União Europeia, independentemente de estarem ou não sediadas na Europa, têm um dever de diligência corporativa. Ou seja, devem identificar potenciais e atuais direitos humanos em causa e impactos ambientais negativos nas suas operações, nas das suas filiais e nas operações dos seus parceiros de negócio.

Além disso, a diretiva define também uma obrigação para as grandes empresas adotarem e colocarem em prática, através dos seus melhores esforços. Trata-se de um plano de transição para a mitigação das alterações climáticas, alinhado com os objetivos do Acordo de Paris para a neutralidade carbónica em 2050 (e limite do aquecimento global em 1,5 °C), assim como metas intermédias tendo em conta a Lei Europeia do Clima.

Cada Estado-Membro deve instituir uma autoridade de supervisão dedicada a garantir o cumprimento das obrigações previstas na diretiva. Esta autoridade fica responsável por investigar e aplicar as devidas sanções às empresas que não cumprirem o dever de diligência. O volume de negócios das empresas é tido em conta para a imposição de sanções financeiras, que pode chegar a um máximo de 5% do volume de negócios líquido da empresa em questão.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Na Nova Zelândia, bancos terão de publicar impacto dos investimentos no clima


A Nova Zelândia obrigará os bancos a divulgarem o impacto de seus investimentos na mudança climática, tornando-se o primeiro país do mundo a redigir uma lei que obriga o setor financeiro a ser transparente em temas ambientais - informaram as autoridades do arquipélago.

Segundo o ministro do Comércio, David Clark, com essa lei, bancos, seguradoras e firmas de investimento serão obrigados a informar as consequências de seus investimentos para a mudança climática.

"Ser o primeiro país do mundo a introduzir uma lei como essa significa que temos a oportunidade de mostrar uma liderança real e abrir caminho para que outros países tornem obrigatória a publicação de informações relacionadas ao clima", afirmou o ministro.

Clark destacou que o texto obrigará as instituições financeiras a levarem em consideração o real impacto de seus investimentos no clima e permitirá que a população os avalie.

O projeto de lei foi apresentado na segunda-feira (12/4) e, se aprovado, os informes sobre questões climáticas serão obrigatórios a partir de 2023.

O ministro da Mudança Climática, James Shaw, disse que esses relatórios anuais mostrarão que os investimentos com alta emissão de carbono serão menos atraentes, à medida em que as medidas de redução de emissões forem se tornando obrigatórias.

"Esta lei colocará os riscos climáticos no centro das decisões financeiras e comerciais", afirmou.