Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja Ortodoxa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja Ortodoxa. Mostrar todas as mensagens

sábado, 13 de junho de 2026

GENER8ION - Love and Tears, featuring Yannis Phillipakis

Letra
Out, out,
From the wall,
See it all fall.
And down, down around you,
All and out our way.

Out, out,
Seven feet tall,
Fool around then fall.
All, all around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven, seven,
Feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
From the wall,
See it all fall.
And down, down around you,
All and out our way.

Out, out,
Seven feet tall,
Fool around then fall.
All, all around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven, seven,
Feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out,
Into another face.

Out, out,
Seven, seven,
Feet tall,
Out, out,
All around you,
All the way out...

A canção "Love and Tears" é uma colaboração artística marcante que une o projeto multimédia francês GENER8ION, liderado pelo produtor Surkin em parceria com o realizador Romain Gavras, à voz do músico luso-grego ou britânico Yannis Philippakis, conhecido como o vocalista da banda Foals. Esta fusão cultural resulta num estilo musical que transita pelo pop eletrónico alternativo e pelo indie dance, combinando uma produção eletrónica densa, com sintetizadores cinemáticos de travo french touch, à interpretação vocal crua e melancólica típica do indie rock. Toda a envolvência sonora é descrita como hipnótica e nostálgica.
Todo o álbum "Love and Tears" trata-se de uma instalação artística visual ambientada num futuro distópico no ano de 2034.A obra aborda a fragmentação social, a saturação emocional e o impacto da inteligência artificial/tecnologia na identidade humana.
O significado da canção expande-se através do seu conceito visual, funcionando como a faixa-título de um projeto mais amplo ambientado num futuro distópico. A obra aborda a fragmentação social, a saturação emocional e o impacto da tecnologia na identidade humana. No aclamado videoclipe, protagonizado pela atriz Charlize Theron, a câmara foca-se obsessivamente nas suas expressões faciais enquanto um motor de renderização digital a replica, transitando de uma euforia radiante para um desespero profundo. A letra, interpretada por Philippakis, reflete sobre o desejo e o isolamento, retratando a forma como o amor e a dor se transformam em espetáculo num mundo cada vez mais sintético e alienante.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Sandrine Piau and Armand Amar : Vivaldi - "Nisi Dominus"




Cum dederit dilectis suis 
somnum; 
Ecce haereditas Domini, filii: 
Merces, fructus ventris. 

When he has given sleep
to those he loves,
Behold, children are an inheritance
of the Lord,
A reward, the fruit of the womb


Embora o "Nisi Dominus" (RV 608) de Antonio Vivaldi tenha passagens que soam profundamente melancólicas e introspectivas, ele não é uma música de luto (como um Requiem), mas sim um Salmo de louvor e confiança.

O Significado e o Texto
A obra é uma ambientação musical do Salmo 127 (ou 126 na Vulgata Latina). O tema central não é a morte, mas a dependência humana de Deus.

A Tradução do Título: "Nisi Dominus" significa "A menos que o Senhor...".

A Mensagem: O texto diz que, sem a bênção divina, o trabalho humano é inútil: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam".

Por que ela soa como luto?
A confusão é muito comum por causa de um movimento específico: o "Cum Dederit".

O "Cum Dederit": É o quarto movimento desta obra e um dos mais famosos de Vivaldi. Ele é lento (Largo), etéreo e possui uma linha vocal que parece flutuar sobre cordas em surdina.

O Tema do Sono: A letra deste movimento diz: "Pois ele dá o sono aos seus amados". Na música barroca, o "sono" era frequentemente uma metáfora para a morte ou para a paz espiritual absoluta.

Uso no Cinema: Essa faixa é constantemente usada em filmes para cenas de tragédia, introspecção ou luto (como no filme James Bond: Spectre ou Suburra), o que reforça essa associação emocional no nosso cérebro.

AspectoDescrição
GêneroMúsica Sacra (Vesperal)
VozEscrita originalmente para um Contralto (ou Contra-tenor)
SentimentoContemplação, serenidade e submissão divina

sábado, 10 de janeiro de 2026

Filme - O Triunfo dos Porcos (1954)


Escrita por George Orwell em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente, na luta contra o eixo nazifascista. Contudo, com o acirramento da Guerra Fria, o livro passa a ser amplamente usado pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo (Orwell  definia-se como um “socialista democrático”) e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. 

Resumo da obra e filme animado
O Triunfo dos Porcos é uma fábula política que utiliza uma quinta para criticar o totalitarismo e mostrar como o poder pode corromper. Na Quinta do Solar, os animais vivem sob o domínio do Sr. Jones, um fazendeiro cruel e negligente. Inspirados pelo discurso do velho porco Major, que sonha com uma sociedade igualitária sem humanos, os animais decidem rebelar-se contra o seu dono. Após a morte de Major, os porcos Napoleão e Bola-de-Neve lideram a revolta. Os animais expulsam o Sr. Jones e assumem o controlo da quinta, renomeando-a Quinta dos Animais, passando a trabalhar juntos sob o lema “todos os animais são iguais”.

Rapidamente surgem disputas entre Napoleão e Bola-de-Neve. Napoleão utiliza estratégias violentas e manipulação para expulsar Bola-de-Neve, concentra o poder em si, controla a informação e cria uma polícia secreta de cães para intimidar os outros animais. Com o tempo, Napoleão e os porcos começam a viver luxuosamente, enquanto os restantes animais enfrentam dificuldades e veem os princípios da revolução serem alterados. A máxima “Todos os animais são iguais” transforma-se em “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”.

No final, os porcos tornam-se indistinguíveis dos humanos e os animais percebem que a liberdade conquistada foi perdida, com a quinta a voltar a ser dominada por uma elite poderosa e corrupta. O livro transmite uma crítica à corrupção do poder e à manipulação política, mostrando como revoluções podem ser traídas por aqueles que deveriam defendê-las, sendo também uma metáfora da Revolução Russa e do surgimento do totalitarismo soviético.

Personagens

Porcos
Major – Um velho porco doméstico premiado em uma exposição que dá a inspiração que alimenta a rebelião no livro. É uma alegórica combinação Karl Marx, um dos criadores do comunismo, e Lenin, líder comunista da Revolução Russa e da recém-criada União Soviética, onde elabora os princípios da revolução. Seu crânio sendo colocado em exposição pública reverenciado lembra Lenin, cujo corpo embalsamado foi colocado em exposição.

Napoleão – Grande porco da raça Berkshire. De poucas palavras, mas com reputação de possuir um braço forte. É comumente associado como alegoria de Joseph Stalin.

Bola de Neve – Rival de Napoleão e líder após a queda de Jones. É comumente associado como alegoria de Leon Trótski.

Garganta – Porta-voz de Napoleão. É comumente associado como alegoria de Viatcheslav Molotov ou ao Pravda

Equinos
Sansão – O mais devotado dos animais. Trabalhador incansável, segue duas máximas na vida: "Trabalharei cada vez mais" e "Napoleão tem sempre razão", geralmente sendo uma alegoria ao proletariado.

Benjamim – O mais céptico dos animais. Não acredita na revolução e mantém-se alheio às disputas políticas. Há interpretações que o colocam como a representação do autor, na quinta.

Outros Animais
Ovelhas – Limitadas intelectualmente, as ovelhas não sabem ler e não conseguem memorizar todas as regras da granja, resumindo-se a balir incessantemente "Quatro pernas bom, duas pernas mau!". Em diversas passagens, debates são impossibilitados pela barulheira do rebanho.

Cães – Tirados da mãe logo cedo e criados por Napoleão, tornam-se sua guarda pessoal. São eles os responsáveis por ajudar Napoleão no golpe contra Bola-de-Neve e também em mantém os outros animais sob controle, através da violência e do medo, representando a KGB

Moisés – Corvo domesticado de Jones, foge depois da revolução para reaparecer algum tempo depois, sempre incentivando os animais a acreditarem que uma vida melhor os espera no céu, com várias promessas que incluem montanha de amar e feno à vontade. Apesar de não trabalhar, sua presença é tolerada pelos porcos, sendo a representação da Igreja

Humanos
Sr Jones – Dono da Quinta do Solar. Alcoólatra e cruel com os animais, que sofrem pelo chicote e pela fome, sendo uma representação do czar Nicolau II

Sr Frederick – Dono da Quinta Pinchfield, uma pequena fazenda vizinha a A Quinta dos Animais. Entra brevemente em aliança com Napoleão, para depois atacar a Granja. É comumente associado como alegoria de Adolf Hitler, e o acordo e o ataque a Pacto Molotov-Ribbentrop e Operação Barbarossa, respectivamente.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Boxing Day ou dia de Santo Estevão


Hoje é feriado no Reino Unido, e em vários países europeus. Em terras de Sua Majestade celebra-se o Boxing Day, que coincide com o o dia de Santo Estevão. Na Idade Média, e mesmo nos séculos seguintes, era um dia dedicado à caridade. As famílias abastadas dispensavam os trabalhadores e criados, e ofereciam-lhes comida e dinheiro, como recompensa por terem servido os patrões na Consoada e no dia de Natal. As igrejas abriam as caixas das esmolas, e distribuíam pelos pobres, e as famílias mais carenciadas da comunidade recebiam ofertas dos mais ricos. Pensa-se que este costume já existia no início da Cristandade, no final do Império Romano. No Reino Unido, quando o dia 26 calha a um Sábado ou Domingo, o feriado é transferido para o primeiro dia útil seguinte. O dia de Santo Estevão é celebrado em várias regiões ou países europeus, ou que fizeram parte do Império Britânico (África do Sul, Austrália, Canadá, Chipre, etc).

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Benedict Sheehan: Vespers ("The Song of Simeon")


O que é Vespers (Benedict Sheehan)
Vespers é uma obra coral composta por Benedict Sheehan, lançada em 2021, escrita para solistas + coro SATB (a cappella).

Baseia-se na tradição da oração vespertina da Igreja Ortodoxa, mas com textos em inglês, algo relativamente raro em composições desse estilo.

A obra combina elementos de vários estilos de canto ortodoxo (russo, bizantino, common chant) com técnicas composicionais modernas: variedade rítmica, harmonias ricas e alternância entre uníssono e polifonia.

Embora inspirada na liturgia, é frequentemente descrita como uma peça que emociona mesmo quem não tem ligação religiosa ou ortodoxa.

“The Song of Simeon” (O Cântico de Simeão)
“The Song of Simeon” é o 10.º andamento do álbum Vespers.

O texto corresponde ao tradicional Nunc dimittis — o “Cântico de Simeão” do Evangelho de Lucas, usado historicamente em orações da noite.

Na versão de Sheehan, este movimento é estruturado como um concerto vocal para basso profundo (baixo extremamente grave) — considerado o primeiro desse tipo em inglês dentro de um contexto estilístico ortodoxo.

O solista da gravação é Glenn Miller, um conhecido basso profundo americano.

O movimento é amplamente elogiado pela profundidade vocal do solo, pelas harmonias envolventes do coro e pela atmosfera espiritual intensa.

Por que se destaca
Une tradição ortodoxa antiga com linguagem coral contemporânea em inglês — algo que torna a obra acessível a públicos mais amplos.

A escrita coral é tecnicamente sofisticada e emocionalmente expressiva.

A produção da gravação (áudio de alta resolução, espacialidade sonora) realça a imersão e a profundidade da obra.

É vista tanto como um tributo fiel à tradição quanto como uma renovação criativa, abrindo novos caminhos para a música litúrgica em contexto de concerto.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Paz efémera: um histórico dos cessar-fogos Rússia-Ucrânia



Desde a anexação ilegal da península ucraniana da Crimeia, em 2014, tem havido várias tentativas de dar um fim definitivo à guerra na Ucrânia, envolvendo tanto os apoiadores europeus do país quanto os Estados Unidos – sem qualquer sucesso.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs uma nova rodada de negociações de cessar-fogo em Istambul nesta quinta-feira (15/05). O anúncio coincidiu com um novo ataque com drones a Kiev, dando fim à "trégua" de três dias declarada unilateralmente por Moscou.

Os líderes europeus recusaram a proposta de conversações diretas, enquanto ambas as partes do conflito não declarassem cessar-fogo incondicional. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, iniciamente apoiou essa proposta, mas decidiu participar das conversas em Istambul após o presidente dos EUA, Donald Trump, insistir que ele deveria fazer isso. Não está claro ainda se Putin irá ou se enviará um representante.

Nos últimos meses, os EUA vêm promovendo prolongadas negociações separadas com a Ucrânia e com a Rússia. Antes de ser eleito, Trump prometera dar fim ao conflito já em seu primeiro dia de presidência. Além de a promessa não ter se cumprido, as repetidas intervenções de Washington denotam um favorecimento dos interesses de Putin.

Apesar do insucesso em alcançar um cessar-fogo duradouro, desde o início da invasão russa da Ucrânia em larga escala em 2022 houve diversos acordos de curto prazo. Kiev e Moscou têm-se acusado mutuamente de violar tanto esses pactos quanto os cessar-fogos declarados unilateralmente.

Desde 1994, a Rússia já rompeu diversos pactos visando assegurar a existência da Ucrânia após a queda da União Soviética (URSS).

Memorando de Budapeste e Tratado de Amizade Russo-Ucraniano
O Memorando de Budapeste foi um acordo entre a Ucrânia e a Rússia, coassinado pelos EUA e o Reino Unido em 5 de dezembro de 1994. A condição fora Kiev concordar em entregar as armas nucleares que a Rússia herdara da URSS. Em troca, Moscou, Washington e Londres se comprometiam a "respeitar a independência e soberania e as fronteiras existentes" e "abster-se de ameaçar ou empregar força contra a integridade territorial e a independência política da Ucrânia".

Além disso, em 1997, o Tratado de Amizade, Cooperação e Parceria comprometia ambas as partes ao "respeito e confiança mútuos" e "respeitar a respectiva integridade territorial".

Ambos os pactos visavam prevenir um conflito entre as duas nações do Leste Europeu. Ao invadir e anexar a Crimeia, no Mar Negro, em fevereiro de 2014, e prosseguir invadindo e atacando território ucraniano, os russos violaram repetidamente seus compromissos sob o Memorando e o Tratado.

Acordos de Minsk
Dois acordos assinados em Bielorussia – país aliado da Rússia – e apoiado por potências europeias, que receberam o nome de sua capital, não bastaram para garantir a paz russo-ucraniana. Firmado em 5 de setembro de 2014, o Protocolo de Minsk (também denominado "Minsk I") continha 12 tópicos relativos à desescalada do recente conflito no leste da Ucrânia, mas fracassou dentro de alguns dias.

Em 12 de fevereiro de 2015 seguiu-se "Minsk II", em que as duas nações em conflito, as forças separatistas pró-russas das regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk, e a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) acordaram sobre 13 pontos. Seguiu-se um cessar-fogo imediato, porém poucas horas antes de a trégua entrar em vigor, russos e ucranianos já se acusavam mutuamente de violações.

Escalada em 2022 e cessar-fogos rompidos
Desde a invasão em larga escala pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, diversos cessar-fogos de prazo curto foram instaurados e rompidos:
  • 6 de março de 2022: Breve cessar-fogo humanitário é cancelado em meio a notícias de bombardeio da cidade de Mariupol, no Mar de Azov.
  • 8 de março de 2022: Tentativas repetidas de formar corredores de evacuação humanitária redundam em acusações de que a Rússia estaria impedindo a passagem dos civis.
  • 7 de janeiro de 2023: Rússia decreta cessar-fogo unilateral para celebração do Natal ortodoxo. Poucas horas mais tarde, líderes ucranianos relatam a retomada dos bombardeios inimigos. Por sua vez, a imprensa estatal russa acusa a Ucrânia de ataques com drones contra posições militares.
  • 18 de março de 2025: Negociações entre EUA e Rússia na Arábia Saudita, em seguida a telefonema entre Trump e Putin, resultam em acordo de cessar-fogo de 30 dias para "energia e infraestrutura". Zelenski concorda com um cessar-fogo parcial alinhado com essas conversas.
  • 25 de março de 2025: No contexto de negociações lideradas pelos EUA, Ucrânia e Rússia concordam em suspender ofensivas no Mar Negro, uma rota de navegação vital.
  • 27 de março de 2025: Kiev e Moscou acusam-se mutuamente de violar, com ataques à infraestrutura, a trégua temporária de 18 de março.
  • 19 de abril de 2025: Supostamente por razões humanitárias, Putin declara "trégua de Páscoa" das 18h00 (12h00 em Brasília) de 19 de abril à meia-noite de 21 de abril. Ucrânia expressa cepticismo, o presidente Zelenski afirma que ataques com drones continuam. Mais tarde, ele alega que Rússia cometera milhares de violações ao longo do front.
  • 10 de maio de 2025: Rússia declara cessar-fogo unilateral em comemoração aos 80 anos da derrota da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial. Contudo, a Ucrânia acusa o país de violar sua própria trégua 734 vezes.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Cioran: entre o pessimismo e o fanatismo na política

A atmosfera de idolatria mostra um sintoma que revela nos sujeitos um desejo insaciável de dominação, transfigurado na política através da tirania, dos abusos de poder e do autoritarismo, características de grupos autoritários e radicais extremistas.

Em Portugal pouco ainda se fala sobre o filósofo romeno, Emil Cioran, nascido em 1911, em Rasinari, comuna romena localizada no distrito de Sibiu. O escritor e filósofo foi radicado posteriormente na França, onde ganhou fama nos círculos intelectuais, além de ser conhecido como “rei do pessimismo”, chamado assim por um jornal britânico da época. O seu pai, Emilian Cioran, era um padre ortodoxo romeno, enquanto a mãe, Elvira Cioran, era de Veneţia de Jos. Da linhagem materna pertencia a uma pequena família de nobres na Transilvânia, pois o seu avô materno era tabelião e ganhou o título de barão pelas autoridades imperiais.

Nos tempos de juventude apoiou o nazismo, após ter sido condecorado com uma bolsa de estudos em Berlim, assim como nutriu simpatia pelo fascismo italiano. Não muito tempo depois renega tal admiração da sua juventude, criticando os movimentos de ultradireita e os fascistas, além de tecer, durante toda a sua vida um mea culpa por seu envolvimento, denominando-os como “seitas doentias”, e referia a essa parte triste de sua vida como “doença da juventude”. Por esse motivo, supomos, a política nunca foi objeto direto de seus escritos, porém mesmo tratando de inúmeros temas, não deixou de alertar sobre as problemáticas que englobam os sujeitos como um todo.

Agregando o pessimismo de Schopenhauer, com o ceticismo de Montaigne e o niilismo de Nietzsche, não teve medo da represália académica ao discorrer sobre os temas da morte, da obsessão, da alienação e do fanatismo.

O assunto da alienação, recorrente em diferentes pensadores e perspectivas como Karl Marx, Jean-Paul Sartre e Albert Camus, retratam um ambiente de tortura e tormento, segundo Cioran, incitado pelas narrativas religiosas do pecado original e da obsessão pelo absoluto, como também pelo pragmatismo político observado no autoritarismo presente em diversos cantos da Europa. O filósofo viveu de perto o surgimento e a consolidação dos totalitarismos e as catástrofes causadas pelas crenças ideológicas do século passado, evidentemente, herdou a experiência sombria de tais eventos. Com efeito, sua filosofia é profundamente marcada por uma escrita trágico-poética, o que traduz bem seu pessimismo e desencantamento quase mórbidos, de quem assistiu aos horrores nefastos provocados pelos mais belos devaneios.

Pessimismo político e fanatismo
O pessimismo no que diz respeito à política, parte da compreensão de que as ideias, por si, deveriam estimular uma posição de tolerância entre as pessoas, de harmonia e bem-estar. Entretanto, movido pela animosidade e paixão, o ser humano projeta a si mesmo, transformando a ideia em crença, revelando um fundo bestial de entusiasmo através do proselitismo, da intransigência ideológica e da intolerância. Na prática, esse movimento é traduzido numa busca contínua pela hegemonia política, religiosa e ideológica, por parte do intolerante, descartando qualquer manifestação oposta ou contrária, não admitindo ideias que sejam contrárias às suas crenças subjetivas. Os radicais, em sua maioria, assumem uma postura excludente e fundamentalista, ligados ou não à religiosidade, mas estimuladas por grupos elitistas e burgueses da sociedade, que enxergam no caos da desordem a oportunidade de pôr em prática seus desejos de dominação.

A construção do fanatismo depende de enredos e alegorias apocalípticas que só teriam resolução a partir do surgimento de um mito ou herói. Ou seja, para se construir um “salvador da pátria” é necessário que se crie o caos, a instabilidade, o terror e o medo. Dentro desse contexto criado pela classe dominante surge o “messias”, que na verdade é o fanático por excelência ou aquele que dissemina o fanatismo por intermédio do controle e do autoritarismo. Através disso, não é difícil observar e apontar a semelhança dos movimentos autoritários e fascistas que de ontem e de hoje, além de criarem um cenário de extrema vulnerabilidade se colocam como a única alternativa cabível e válida.

Emil Cioran, em seus Syllogismes de l’amerture (em português, Silogismos da Amargura), afirma que “quando a ralé adota um mito, conte com um massacre ou, pior ainda, com uma nova religião”. Essa atmosfera de idolatria mostra um sintoma que revela nos sujeitos um desejo insaciável de dominação, transfigurado na política através da tirania, dos abusos de poder e do autoritarismo, características de grupos autoritários e radicais extremistas. A grande vitória da burguesia, segundo o autor, provém do fracasso do outro, um espetáculo de uma grande ideia desfigurada. O pessimismo inerente ao pensamento do autor não é um pedido de discipulado, ou um clamor por seguidores e arautos, mas um alerta para as sociedades não caírem nas amarras do obscurantismo e da tirania. Se por um lado, para muitos a utopia de um mundo harmonioso e feliz é posto como referência e ideal, pelo outro, Cioran, observa as tendências de estagnação prefiguradas pelas mesmas utopias, que caem em um idealismo abstrato e se acomodam, não contestam e nem buscam transformar a realidade.

Intolerância e fanatismo
Emil Cioran foi suscitado como teórico que fundamenta a discussão sobre o fanatismo, relacionando o modus operandi dos regimes autoritários com o desvio da racionalidade, que seria superado através da prática cética – ação que evitaria os apegos emotivos e irracionais sobre ideologias destrutivas. A postura racional, segundo o autor, não suscita o apelo por uma falsa alternativa política, mas reforça a necessidade de tolerância entre os indivíduos para que o fanatismo político e religioso não ganhe força na sociedade.

Na prática política contemporânea notamos o discurso de segmentos reacionários da nossa sociedade, dirigidos em especial às minorias e opositores, carregado de intransigência e proselitismo. Esses grupos ultrarradicais edificam as suas crenças no terreno dogmático, similar à religiosidade fanática, se fecham em círculos ou panelas com pessoas similar e com as mesmas tendências de pensamento, para que sejam validados seus preconceitos e visões deturpadas sobre o mundo.

A intolerância que vemos no mundo atual, pode ser definida como a ação que o fanatismo estimula e pratica em todas as suas declinações, tendo como alvo quem não se enquadra em seus devaneios e alucinações autoritárias. Por isso, segundo o autor franco-romeno, qualquer sujeito que abraça o proselitismo e desenvolve um fanatismo ideológico naturalmente se transforma num intolerante – e também num idólatra.

Um dos conselhos retirados das suas obras atravessa gerações: sempre que um fanatismo declina, outro surge em seu lugar. Observamos atentamente que o retorno de tendências fascistas nos principais postos governamentais, em grandes países no mundo, é a prova da existência do perigo constante que vivemos. Por conta disso, a humanidade pode caminhar para sua própria destruição, tornando-se mercadoria de si mesma, ou seja, vendendo a sua liberdade e os seus direitos, através da simpatia e do apoio por grupos extremistas. Numa leitura contemporânea, notamos o capitalismo, como um “fanatismo económico” ou “personificação material e valorativo do fanatismo”, onde todos são expostos a todo instante, sofrendo as consequências da disparidade social e da desigualdade. Entretanto, não esqueçamos que os ideais que flertam com o fascismo já encabeçam diversos países ao redor do mundo, através de seus chefes de Estado, possuindo em comum a servidão irrestrita ao neoliberalismo e ao imperialismo. O neoliberalismo, dessa forma, é a evolução do fanatismo e da subserviência dos intolerantes, personificada num modelo econômico excludente, desigual e injusto.

Os pessimistas costumam ser bons profetas. Emil Cioran previa um pequeno declínio dos ideais políticos, de modo geral, através da epidemia do fanatismo que já se vivia naqueles anos, o retorno das ideais autoritárias é a prova de que o fanatismo e a intolerância não são vencidos somente com a ajuda do tempo. É preciso muito mais que notas de repúdio e camisas antifascistas.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Música do BioTerra: Death In Rome - Destroy She Said (Circ - Cover)

"Alexander Nevsky" Film by Sergei Eisenstein, 1938 - The Battle of Lake Peipus

Like towers falling down
Like a bomb blast in your town
Like a hostage tied in chains
I could not forget your name

[Refrão]
Destroy, she said
My love again
The end will come quickly
Don't try again
To make amends
You'll just end up sinking
If you explode in aftermath
Don't think you've been dreaming
Destroy, she said
My love again
When it's not worth keeping

Like a helicopter crash
Like a ghetto that's been smashed
Like bodies on a battlefield
I can't live with how you feel

[Refrão]

Not along and not apart
You finished what you could not start
In the corners of the day
You catch my eye and then looked away
What a generous remark you made
When you blew it all away

[Refrão] [2X]

Saber mais:


Original by Circ 

"So actually I wrote these lyrics in 2000 or so, before the WTC attack. I was however at that time living on the corner of Church & Reade street in TriBeCa, actually with a view of the World Trade Center. So the "like towers falling down" thing was either a premonition or an unlikely coincidence."- Alexander Perls

Tudo sobre Bin Laden

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Robert Pereira Hind


Robert Pereira Hind é um artista visual e fotógrafo britânico, nascido em 1965 na cidade de Bolton, Inglaterra. Com uma sólida formação acadêmica, obteve seu bacharelado e mestrado em Fotografia pelo prestigiado London College of Communication nos anos 90. Após uma carreira de mais de duas décadas consolidada no setor comercial e editorial — onde trabalhou como fotógrafo de cena para grandes produções de cinema e televisão — ele redirecionou seu foco criativo para as belas-artes, estabelecendo seu estúdio em Edimburgo, na Escócia.

Sua obra é definida por uma fusão técnica e estética entre a fotografia contemporânea e métodos ancestrais de douração. O tema central de seu trabalho é a elevação de elementos da natureza, especialmente árvores e espécimes botânicos, ao status de ícones sagrados. Inspirado pela iconografia bizantina, pelo barroco italiano e por figuras religiosas douradas do Oriente, Hind isola silhuetas naturais de seu contexto original e as sobrepõe a fundos de folha de ouro de 24 quilates ou folhas de metal tratadas.

Este processo resulta em peças que transcendem a fotografia convencional, tornando-se objetos tridimensionais que interagem dinamicamente com a luz do ambiente. Um ponto fundamental de sua filosofia artística é a aceitação da imperfeição e da passagem do tempo; ao finalizar as suas obras com vernizes orgânicos como o shellac, ele permite que o metal oxide e mude de tonalidade ao longo das décadas. Assim, a obra de Robert Pereira Hind não é estática, mas um organismo visual que envelhece e ganha pátina, celebrando a beleza da natureza sob uma perspectiva atemporal e quase mística.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Dia de S.Valentim. Dias dos Namorados. Dia do Amor


São Valentim
São Valentim é um santo reconhecido pela Igreja Católica e pelas Igrejas Orientais que dá nome ao Dia dos Namorados em muitos países, onde o celebram como Dia de São Valentim. O nome refere-se a pelo menos três santos martirizados na Roma antiga.

A história que se conta atualmente é que o imperador Cláudio II, durante seu governo, proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, que não tivessem família, ou esposa, iam alistar-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. O seu nome era Valentim e as suas cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens atiravam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que escreveram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim, depois da condenação de morte, foi decapitado em 14 de fevereiro de 270.

Contudo, consultando o Martirilógio Romano vê-se que existiram dois Valentim, um bispo, que curou um jovem com um problema de nascença, e outro Valentim que era sim cristão convicto e se apaixonou por Artérias, filha de um nobre romano e não de um carcereiro.

Desde 1969 a sua data não é mais celebrada oficialmente pela Igreja Católica em função da precariedade de comprovações históricas.

Dia dos Namorados
O dia 14 de fevereiro é considerado em muitos países como o Dia dos Namorados. Porém, no Brasil, João Doria, publicitário brasileiro, pretendendo alavancar as vendas do comércio no mês de junho, criou um dia dos namorados à brasileira, no dia 12 de junho, véspera de Santo António, conhecido santo casamenteiro na cultura portuguesa.

Há momentos musicais que sinto obrigação de partilhar. "Vou Me Encontrar Com Meu Querido". Vivaldi e  Philippe Jaroussky levam-me às lágrimas. O público assiste com enorme respeito perante todo este soberbo pedaço de música.


Agora estrelando com Jakub Orlinski!

Esta interpretação é pungente e muito bela!

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Música do BioTerra: Covenant -The Beauty And The Grace


Ten thousand times, ten thousand ways
To catch the beauty and the grace
A thousand times, a thousand ways
A million times whispering your name
Your name, your name, your name

For only once light comes again
For only once light comes through again
Again, again, again, again, again, again, again

Ten thousand times I grieve for you
Ten thousand times you make me lose
For only once light comes again
For only once light comes through again
Again, again, again

A thousand times I say
A thousand times I pray
For one last chance to say goodbye
A thousand times I say
A thousand times I pray
For one last chance to say goodbye

sábado, 14 de outubro de 2023

Há 441 anos (1582) neste dia aconteceu… rigorosamente nada!


Nesse ano, os dias entre 5 e 14 de Outubro simplesmente não existiram, por força da adoção do calendário gregoriano.

O novo calendário foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de Fevereiro de 1582, por meio da bula “Inter Gravissimas”, substituindo o calendário juliano (estabelecido pelo imperador romano Júlio César em 46 a.C.).

O objetivo da mudança foi fazer regressar o equinócio da Primavera ao dia 21 de Março e corrigir o erro de 10 dias que já existia nessa época.

Oficialmente, o primeiro dia do novo calendário foi 15 de Outubro de 1582. Foram omitidos 10 dias do calendário juliano. A bula definia que o dia imediato à quinta-feira, 4 de Outubro, fosse sexta-feira, 15 de Outubro.

Aprovado pelo Papa Gregório XIII e adotado pelos turcos no estado católico, o calendário gregoriano foi imediatamente adotado na Espanha, Itália, Portugal e Polónia. Em França, Henrique III decreta o ajuste dos dias em dezembro desse mesmo ano de 1582. Já na Grã-Bretanha e nos países protestantes o mesmo só veio a ser adaptado já durante o século XVIII. Segundo o astrónomo Johannes Kepler: «preferiam estar em desacordo com o Sol a estar de acordo com o Papa». 

Nos países de tradição ortodoxa,  o calendário gregoriano só seria adaptado no inicio do século XX. Na Rússia, só após a “Revolução Outubro” de 1917, é que o mesmo foi adaptado.

Com a adaptação do calendário gregoriano, corrigia-se a mediação do ano solar, o ano gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, ou seja mais 27 segundos do que um ano “trópico” ou “Solar”. O ano civil baseia-se no ano trópico, que tem uma duração de 165 dias, 5 horas e 48 minutos. Como o ano “trópico” não tem uma quantidade exata de dias, torna-se necessário introduzir correções periódicas e regulares no ano civil, para que este se mantenha sincronizado com as estações.

Os egípcios, aparentemente, faziam uso de um ano de 12 meses de 30 dias, posteriormente acrescentavam mais cinco dias no final do ano, perfazendo um total de 365 dias por ano.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Musica do BioTerra: Laibach - Rossiya


United forever in vast, endless space
Created in struggle by unhappy race
We're sunrise of freedom
We're frozen in ice
United forever in great Russia's embrace.

From the Arctic Circle
To the southern seas
Deserted forests
Never-ending steps
The unbreakable union
Of fraternal states
United forever in Great Russia's embrace

Славься, Отечество
наше свободное,
Славься, страна моя!
Мы гордимся тобой!

The rise - the prisoners of starvation
The rise - the damned of the Earth
Let's get them together
Let's break us free
The world is changing
At it's core

Long live great Russia's motherland
Built by the people and their mighty hands
Long live young nation
United and free
Shining in glory
For all men to see

Славься, Отечество
наше свободное,
Славься, страна моя!
Мы гордимся тобой! 

Video e concerto censurado na Rússia 
Our Russian agent was now again trying to organize two Laibach shows in Moscow and St. Petersburg in February 2015, but he was advised from the ‘higher authority’, not to do these concerts, due to a 'strong political risk of a disturbing reaction from local "orthodox christianity” activists’. Laibach is apparently not the only foreign group on the ‘Black List’. We sincerely hope that these new dark times in Russia (and elsewhere in the world) will soon end and we can come to perform for you again, without the witch-hunt hysteria and black lists.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Peregrinação Exemplar



Frequentemente mencionado como um dos melhores filmes de todos os tempos, Peregrinação Exemplar (no original, Au Hasard Balthazar) é uma obra do realizador francês Robert Bresson, em que a vida de um burro serve de espelho à condição humana, refletindo os seus defeitos e virtudes.
Lançado em 1966, o filme acompanha a vida de Marie, uma criança que vive uma infância feliz numa pequena aldeia com o seu burro Balthazar, de que ela cuida desde o nascimento. No entanto, após várias vicissitudes, os dois acabam por ser sujeitos a diversos tipos de abuso e sofrimento. Nesta obra, de forte carga simbólica o olhar e a presença do animal refletem a angústia das personagens, surgindo quase como uma figura de matriz religiosa, numa metáfora que alia pureza, santidade e salvação.
Levemente inspirado por “O Idiota”, de Fiódor Dostoiévsky, e em cuja história Bresson quis explanar os sete pecados capitais.  Podemos, por exercício, procurar os tais pecados: orgulho (na incapacidade do pai de Marie em prestar contas ao seu senhorio, o que o conduz à desgraça financeira), preguiça (na inacção de Jacques, incapaz de lutar por aquela que ama), inveja (no comportamento ciumento da mulher do padeiro que não quer ver Gérard aproximar-se de Marie), ira (nos acessos múltiplos de violência, e crimes de Gérard), gula (no alcoolismo de Arnold), luxúria (no comportamento de fuga de Marie), avareza (no exemplo do moleiro).
Através dos seus sucessivos donos, é a Humanidade que Bresson encena.



terça-feira, 9 de maio de 2023

Performance emocionante de 'Pie Jesu' de Malakai Bayoh no Britain’s Got Talent 2023


Presuma capacidade e ainda assim permita-se ser surpreendido! Esta incrível apresentação de 'Pie Jesu' é um exemplo perfeito disso. Veja esta performance emocionante de Malakai Bayoh, uma criança de 13 anos que arrebatou o público e os jurados do show de talentos Britain’s Got Talent 2023, no último 17 de abril.
Sua performance é cheia de vida com uma voz angelical e um talento celestial. Esta apresentação é um ótimo exemplo de como as suposições podem nos impedir de ver a verdadeira competência das pessoas. Não é apenas sobre autismo. É sobre idade, sobre cor, sobre classe social, sobre a diversidade e a infinita beleza da diversidade humana.
Pressuponha competência e deixe-se surpreender por esta performance divina.

Pie Jesu, pie Jesu, pie Jesu, pie Jesu (2x)
Qui tollis peccata mundi
Dona eis requiem, dona eis requiem

Agnus Dei, Agnus Dei, Agnus Dei, Agnus Dei
Qui tollis peccata mundi
Dona eis requiem, dona eis requiem

Dona eis requiem (2x)
Sempiternam

Requiem
Sempiternam

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Música do BioTerra: Benedict Sheehan- “Liturgy of St. John Chrysostom” (Mvt. 9: The Cherubic Hymn)


Tudo perfeito! Coro, acústica da Igreja (St. Stephen’s Pro-Cathedral - Wilkes-Barre, Pennsylvania) e maestro / compositor. De destacar que se encontra, entre os membros do coro, o famoso octavista Glen Miller.
A Divina Liturgia de São João Crisóstomo é a mais celebrada Divina Liturgia no rito bizantino. Recebeu o seu nome em homenagem a anáfora do mesmo nome que é a sua parte central e é atribuída a S. João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla do século V.

Sites

terça-feira, 1 de novembro de 2022

É machão? Saiba que já foi uma menina quando ainda era um embrião

Sim! No início todos os embriões são do sexo feminino e só 'ganham' as famosas características masculinas após o cromossoma 'Y' ser ativado. Entre as 'recordações' daquele período no corpo do homem estão os mamilos.

Todo homem já foi do 'sexo feminino' quando ainda era um embrião. Pode parecer ‘loucura’ ou teoria feminista, mas a genética explica a curiosa situação. Ao ser fecundado, o óvulo, que já possui 23 cromossomas, recebe outros 23 que vem com o espermatozoide criando um embrião com 46 cromossomas, dispostos em 23 pares.

O facto curioso ocorre logo nas primeiras semanas de gestação, quando o cromossomo 'Y', responsável pelas características masculinas, ainda não está ativo. Por mais que o sexo da criança seja definido no momento da concepção, no caso dos homens ele só começa a 'atuar' sobre a formação do embrião após a quinta semana de gestação (em alguns casos somente após a sexta semana!). Até então, quem rege o desenvolvimento durante aquele período é o cromossoma 'X', que é o responsável pelas características femininas.

Com isso, ele desenvolve a futura criança como se fosse uma menina e somente após o cromossoma 'Y', se for o caso, entrar em ação que o bebé começará a ganhar as características de um menino. O gene responsável por esta brusca mudança chama-se SRY e é ele que freia o desenvolvimento dos atributos femininos e paralelamente estimula os masculinos. No caso de o embrião ser do sexo feminino, ele permanecerá sob influência do cromossomo 'X'.

Ao longo deste curto período de cinco ou seis semanas, o embrião 'masculino' já ganha algumas características femininas que ficarão para sempre no corpo do homem. O mais famoso de todos os atributos são os mamilos que, em casos extremos, são capazes até de produzirem leite após estímulos. Esta curiosa situação só ocorre porque a glândula, que se desenvolveu antes do gene SRY entrar em ação, possui as células responsáveis pela produção do líquido. Inclusive, na última década, um sueco fez um experiência não-científica estimulando os seus mamilos com uma máquina de extração de leite humano e conseguiu obter o produto em pequena quantidade. Outra situação onde também é comum ocorrer a lactação masculina é quando o homem possui um tumor da hipófise, que acaba gerando uma hormona que induz a produção do leite.

Já outras características femininas acabam sendo 'transformadas' com a ação do gene SRY, entre elas os grandes lábios vaginais que se convertem no escroto. No caso do símbolo máximo da masculinidade, os testículos eram inicialmente o ovário do embrião. Somente após as transformações que ele ganha a tradicional aparência, além da capacidade de produzir espermatozoides.