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domingo, 14 de junho de 2026

“Paradoxo da biodiversidade”: Investigação portuguesa avisa que, por vezes, mais pode ser menos


Um novo estudo liderado por Vasco Vieira, investigador do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente/ARNET (Universidade NOVA de Lisboa), ajuda a esclarecer um dos paradoxos clássicos da ecologia: porque é que comunidades muito diversas podem perder espécies à medida que crescem.

A investigação, publicada recentemente na revista ‘Communications Earth & Environment’, mostra que as comunidades vegetais naturais atingem um limite físico de compactação de biomassa a partir do qual já não conseguem acomodar mais indivíduos.

Dizem os autores deste trabalho que esse limite, conhecido há décadas para povoamentos monoespecíficos, é agora demonstrado também ao nível comunitário e envolvendo múltiplas espécies.

Quando mais passa a ser menos
O estudo agora publicado dá a conhecer a relação entre biodiversidade e biomassa, e indica que a mesma não é linear, aumentando até um máximo e diminuindo depois, o que aponta para um “paradoxo da biodiversidade”.

Explicam os investigadores que esta relação, definida para comunidades vegetais naturais, permitiu demonstrar o mecanismo que leva comunidades diversas a perder espécies quando atingem densidades elevadas.

Especificamente, o estudo revela a existência de self-thinning ao nível comunitário, um processo em que a competição por espaço elimina os indivíduos e espécies menos competitivas. Até agora, o self-thinning tinha sido demonstrado apenas para povoamentos monoespecíficos, mas esta investigação mostra, pela primeira vez, que o mesmo fenómeno ocorre também em comunidades naturais multiespecíficas.

Água, o fator invisível que dita as regras
Realizado na Charneca de Caparica, o estudo monitorizou um total de 17.089 plantas de 46 espécies, ao longo de 2021 e 2022.

Os investigadores descobriram que a disponibilidade de água é o principal mediador desta dinâmica. Em 2021, com mais chuva, as plantas cresceram mais e ocuparam o espaço com máxima eficiência, o que levou à diminuição da diversidade por exclusão competitiva dos indivíduos e espécies menos competitivas. Em contrapartida, a menor pluviosidade de 2022 travou o crescimento e reduziu a ocupação do espaço, o que se traduziu numa menor competição e consequente aumento da diversidade.

Os resultados confirmaram um padrão bem estabelecido na ecologia, o de que condições ambientais mais favoráveis e estáveis reforçam o domínio de algumas espécies, o que acaba por reduzir a diversidade global do ecossistema.

A este respeito, Vasco Vieira explica que “a um máximo de abundância de vida não corresponde um máximo de diversidade de vida”. Salienta o primeiro autor do estudo que “abundância e diversidade não são sinónimos, e podem mesmo ser antagónicas em caso de extrema abundância”.

Para o cientista do MARE, “a diversidade não pode ser tomada como um bioindicador universal da qualidade ambiental, contrariando a perceção dominante pela sociedade não-especializada, pois a um máximo de diversidade não correspondem máximos de abundância nem de qualidade e estabilidade ambientais”.

Teoria de Allan Savory posta em causa
Uma das conclusões mais surpreendentes do estudo contraria parte da teoria de “Gestão Holística” proposta por Allan Savory. Esse ecólogo, nascido no Zimbabué em 1935, defende que a desertificação de pastagens (particularmente em África) pode também resultar da acumulação de talos secos de plantas mortas por falta de pastoreio, que, ao ocuparem espaço, impediriam o nascimento de novas plantas.

A equipa do MARE testou este cenário ao analisar parcelas cobertas por uma camada espessa de relva morta e seca, com uma média de 354 gramas de matéria seca por metro quadrado.

Os resultados demonstraram o oposto do defendido por Savory. Isto é, que a acumulação de biomassa morta não impediu o desenvolvimento de uma comunidade vegetal diversa. Aliás, mostraram mesmo que essa camada serviu como protetora e promotora do crescimento de plantas mais suscetíveis à herbivoria e dissecação.

O Espaço como indicador ecológico e o combate a invasoras
O estudo aplicou uma métrica ecológica que mede quão perto cada comunidade vegetal está do seu limite máximo de biomassa, que os investigadores dizem ser uma forma objetiva de avaliar a eficiência com que as plantas ocupam o espaço disponível.

Ao calcularem esta eficiência separadamente para a comunidade autóctone e para a invasora Oxalis pes-caprae (também conhecida por nomes vulgares como erva-azeda, trevo-azedo ou erva-canária), comum no sul da Europa, a equipa identificou a principal vantagem competitiva dessa espécie invasora: a capacidade de surgir muito cedo no inverno e ocupar rapidamente o espaço antes das espécies nativas. Esta antecipação ajuda a explicar o seu sucesso em ecossistemas mediterrânicos.

Os autores deste estudo acreditam que as suas descobertas fornecem “ferramentas robustas para decisores políticos e engenheiros ambientais”. E consideram que, ao compreender como a biodiversidade e o espaço interagem em diferentes condições de stress hídrico, torna-se possível desenhar melhores estratégias de restauro ecológico e planos de controlo de espécies invasoras num cenário de alterações climáticas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O aquecimento dos oceanos causa uma redução anual de 20% no número de peixes

O aquecimento crónico e prolongado dos oceanos é o responsável pelo declínio anual de quase 20% na biomassa de peixes (o peso total dos peixes capturados vivos em redes de arrasto), segundo pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade Nacional da Colômbia.

A pesquisa, desenvolvida nas águas do Mediterrâneo, do Atlântico Norte e do Pacífico Nordeste, baseia-se na análise de 702.037 estimativas de mudanças na biomassa de 33.990 populações de peixes registadas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte.

Os dados coletados, segundo os pesquisadores, devem ser cruciais para aprimorar a gestão da pesca e a conservação dos ecossistemas marinhos, dos quais depende grande parte da segurança alimentar mundial; hoje, 25 de fevereiro, eles publicam os resultados do seu trabalho na revista Nature Ecology and Evolution.

Shahar Chaikin, pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais, explicou à EFE que calcularam essa perda de 'biomassa' analisando o peso total dos peixes vivos capturados em redes de arrasto de fundo durante o período abrangido pelos estudos científicos, que inclui espécies comerciais e não comerciais.

As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes, não afetam todos os peixes da mesma forma, pois há populações que "perdem" e outras que "ganham", e o estudo mostra que tudo depende da zona de conforto térmico, a faixa de temperatura ideal na qual cada espécie cresce e se desenvolve melhor.

No final das contas, ninguém ganha.
Shahar Chaikin afirmou que, tanto globalmente quanto em nível populacional (em locais específicos), a tendência geral é de diminuição dessa biomassa à medida que os oceanos aquecem, e declarou que o resultado final do trabalho é que "ninguém ganha a longo prazo".

Quando uma onda de calor leva os peixes em águas já quentes além de sua zona de conforto térmico, a sua biomassa pode cair até 43,4%, mas as populações em áreas mais frias muitas vezes prosperam temporariamente com o aumento das temperaturas, aumentando a sua biomassa em até 176%.

“Embora esse aumento repentino na biomassa em águas frias possa parecer uma boa notícia para a pesca, trata-se de um aumento temporário. Se os gestores aumentarem as quotas de pesca com base no aumento da biomassa causado por uma onda de calor, correm o risco de provocar o colapso dos stocks quando as temperaturas voltarem ao normal ou quando o efeito do aquecimento global a longo prazo se consolidar, porque esses aumentos são pontuais”, alertou Chaikin.

“Ao contrário das flutuações climáticas de curto prazo, que podem variar drasticamente, o aquecimento crónico exerce uma pressão negativa constante sobre as populações de peixes no Mar Mediterrâneo, no Oceano Atlântico Norte e no nordeste do Oceano Pacífico”, disse Juan David González Trujillo, pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia, num comunicado à imprensa divulgado na quarta-feira pelo MNCN.

Coordenação internacional para gerir recursos que não conhecem fronteiras.
A abordagem tradicional à gestão da pesca já não acompanha o ritmo das alterações climáticas e, para garantir o futuro dos recursos pesqueiros globais, os autores propõem uma estrutura de três níveis que combina resposta rápida, planeamento a longo prazo e cooperação internacional. Observaram que as espécies, na tentativa de se manterem dentro da sua zona de conforto térmico, inevitavelmente atravessam fronteiras internacionais, pelo que a conservação requer coordenação internacional e acordos conjuntos de gestão de recursos.

O pesquisador do MNCN-CSIC, Miguel Bastos Araújo, enfatizou a importância de equilibrar cuidadosamente os aumentos localizados com os declínios a longo prazo para evitar a sobre-exploração e afirmou que a única estratégia viável diante do aquecimento dos oceanos é priorizar a resiliência a longo prazo. "As medidas de gestão devem levar em conta o declínio esperado da biomassa num oceano cada vez mais quente."

A conclusão é que os recursos pesqueiros não podem ser regulamentados apenas considerando o aumento ou a diminuição ocasional da biomassa devido a uma onda de calor marinha, disse Chaikin à EFE, citando o exemplo do robalo do Mediterrâneo: quando confrontado com uma onda de calor marinha, é essencial reduzir a pressão da pesca, porque enfrenta perdas muito maiores do que as populações em costas mais frias da Galiza ou da Inglaterra.

Mas, embora as populações nessas "bordas frias" possam experimentar um aumento significativo durante uma onda de calor, esses ganhos são "transitórios" e desaparecem com o aquecimento oceânico a longo prazo , portanto, não representam uma oportunidade para a "captura sustentável".

Indigenous Communities Report Dramatic Loss Of Large Bird Species Over 80 Years


A recently published international study reports there are fewer and fewer large bodied bird species in Africa, Latin America and Asia. Led by a large team of researchers based at Institute of Environmental Science and Technology at the Universitat Autònoma de Barcelona (ICTA-UAB), the study finds that birds living in these regions are considerably smaller than those that predominated in 1940. The study documents the collective ecological memories of 10 Indigenous Peoples and local communities and reports a reduction of up to 72% in the mean body mass of the bird species present in these areas between 1940 and 2020.

“The project began in 2013, during my PhD fieldwork in the Bolivian Amazon,” ethnobiologist Álvaro Fernández-Llamazares told me in email. Dr Fernández-Llamazares works as a senior researcher at the ICTA-UAB. “Knowledge holders of the Tsimané people repeatedly told me that the large birds they had grown up with were rapidly disappearing.”

The Tsimané are indigenous people living in lowland Bolivia. They are primarily a subsistence agriculture culture, although hunting and fishing also contribute to many of the settlements’ food supplies.

“The Tsimané interact with birds on a daily basis through hunting, farming, rituals, and storytelling, which gives them long-term ecological memories that extend far beyond the timeframe of scientific monitoring,” Dr Fernández-Llamazares explained to me in email.

“As I later worked with Indigenous communities in other parts of the world, I realized that remarkably similar observations were being made elsewhere. That convergence made me realize that these place-based memories could reveal large-scale patterns of biodiversity change. This is what motivated me to carry out a global analysis to understand what Indigenous and local knowledge systems can tell us about long-term changes in bird populations.”
F I G U R E 1 : Locations of the ten study sites.doi:10.1017/s0030605325102615


The research is based on a global survey of 1,434 adult participants from 10 place-based communities across three continents (Figure 1). In total, Dr Fernández-Llamazares and collaborators surveyed 1,434 adults in ten communities in Bolivia, Chile, Mexico, Brazil, China, Ghana, Kenya, Madagascar, Mongolia, and Senegal. They compiled 6,914 unique bird reports (Figure 2) corresponding to 283 bird species, and compared the bird species most commonly reported during participants’ childhoods with those currently reported in their territories.
Distribution of bird reports over time in the 10 study sites (Fig. 1) and across all sites combined.

The reported differences in bird species were statistically significant in territories such as Tsimane (Bolivia), Timucuy (Mexico), Vavatenina (Madagascar) and Ordos Desert (China). At the same time, no significant differences were reported for Lonquimay (Chile) and Bulgan soum (Mongolia).

The Indigenous Peoples’ cultural memory strongly contrasts with most people’s memories of environmental conditions, which are continually deteriorating over time, a phenomenon known as the Shifting Baseline Syndrome (ref). Basically, in the absence of past information or experience with historical conditions, members of each new generation accept the situation in which they were raised as being “normal”. This psychological and sociological phenomenon is increasingly recognized as one of the fundamental obstacles to addressing a wide range of today’s global environmental issues.

Dr Fernández-Llamazares and collaborators’ analysis reveals the deeply worrying pattern where large bodied bird species are rapidly disappearing from local environments, only to be replaced by smaller bodied species. For example, this study found that the average mass of reported bird species exceeded 1,500 grams (3.3 pounds) in the 1940s, whereas the average mass in 2020 is reported to be closer to 535 grams (1.17 pounds). This coincides with a significant decline in body mass of 72% over eight decades.

The secretary bird (Sagittarius serpentarius) is a large endangered bird of prey that is endemic to open grasslands and savannah of the sub-Saharan region of Africa. Its body mass ranges from 2.3kg to 5kg (5–11 pounds) 

What happened to these large birds? They were likely driven locally extinct because large bird species are more vulnerable than small ones to hunting, habitat destruction and fragmentation, and to infrastructure development, according to Dr Fernández-Llamazares. Further, the loss of these birds threatens biodiversity and environmental health and is accompanied by the loss of key functional roles held by these birds in their ecosystems, particularly seed dispersal, pest control, and forest regeneration.

Dr Fernández-Llamazares and collaborators’ study serves to highlight critically important alterations to the intimate, lived experiences with nature of generations of people within their territories. It also points to the collective impoverishment of Indigenous Peoples’ cultural identity, memory and traditional practices around the world.

“Bird declines are not abstract statistics: they are visible, remembered, and felt by people who live closest to nature,” Dr Fernández-Llamazares stated in email. “When ten Indigenous Peoples and local communities across three continents independently report that birds are getting smaller, it tells us the avian extinction crisis is deeper and more pervasive than we tend to acknowledge with scientific data.”

Source:
Álvaro Fernández-Llamazares et. al. (2026). Indigenous Peoples and local communities report a consistent decline in the body mass of birds across three continents, Oryx | doi:10.1017/s0030605325102615

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A UE tem um novo grande plano: substituir combustíveis fósseis por árvores. Nem todos gostam


Substituir o petróleo e o gás por biomassa produzida internamente irá reforçar a autonomia estratégica e reduzir emissões, defende Bruxelas. A UE “agarra-se à ilusão” de que é possível fazê-lo sem causar “danos sérios e imediatos” que isso acabará por infligir às pessoas e à natureza, sustentam alguns críticos.

A Comissão Europeia apresentou um novo plano para pôr fim ao domínio na economia dos combustíveis fósseis que aquecem o planeta — e substituí-los por árvores.

A chamada Estratégia para a Bioeconomia, divulgada na passada quinta-feira, pretende substituir os combustíveis fósseis usados atualmente em produtos como plásticos, materiais de construção, químicos e fibras por materiais orgânicos que voltam a crescer, como árvores e culturas agrícolas.

“A bioeconomia encerra oportunidades enormes para a nossa sociedade, economia e indústria, para os nossos agricultores, silvicultores e pequenas empresas, e para o nosso ecossistema”, afirmou na quinta-feira a responsável máxima da UE para o Ambiente, Jessika Roswall, citada pelo Politico.

No centro da estratégia está o carbono, o bloco de construção fundamental de uma vasta gama de produtos manufaturados, e não apenas da energia. Quase todo o plástico, por exemplo, é feito de carbono, e atualmente a maior parte desse carbono provém do petróleo e do gás natural.

Mas os combustíveis fósseis têm duas grandes desvantagens: poluem a atmosfera com CO₂ que aquece o planeta e são, em grande medida, importados de fora da UE, comprometendo a autonomia estratégica do bloco europeu.

A estratégia para a bioeconomia pretende responder a ambas as desvantagens, recorrendo a biomassa rica em carbono produzida localmente ou reciclada, em vez de combustíveis fósseis importados.

O propõe-se fazê-lo através da fixação de metas em legislação relevante, como as leis europeias sobre resíduos de embalagens, facilitando o acesso das startups da bioeconomia ao financiamento, harmonizando o quadro regulatório e incentivando novas fontes de biomassa.

A estratégia, com 23 páginas, é parca em promessas legislativas ou de financiamento, apoiando-se sobretudo em leis e fundos já existentes. Ainda assim, foi saudada pelos setores que poderão beneficiar de um mercado mais alargado para materiais de origem biológica.

“A indústria florestal acolhe favoravelmente a abordagem da Comissão em matéria de bioeconomia orientada para o crescimento”, afirmou a diretora-geral da Swedish Forest Industries Federation, Viveka Beckeman.

A responsável sublinhou ainda a necessidade de “reforçar o uso da biomassa como um recurso estratégico que beneficia não só a transição ecológica e os nossos objetivos climáticos comuns, mas também a segurança económica no seu conjunto”.

Quão renovável é, afinal?
Mas os ambientalistas receiam que Bruxelas esteja entusiasmada demais com a motosserra. As árvores não crescem de um dia para o outro, e a pressão sobre os ecossistemas naturais já é insustentavelmente elevada.

Relatórios científicos mostram que a quantidade de carbono armazenada nas florestas e solos da UE está a diminuir, que os habitats naturais do bloco se encontram em mau estado e que a biodiversidade se está a perder a um ritmo sem precedentes.

A proteção das florestas europeias também deixou de ser prioridade para muitos legisladores da UE. A emblemática lei europeia contra a desflorestação enfrenta atualmente um segundo adiamento, de um ano, após uma votação no Parlamento Europeu esta semana.

Em outubro, o Parlamento votou ainda a favor da revogação de uma lei destinada a monitorizar o estado de saúde das florestas europeias, para reduzir a burocracia.

Os ambientalistas avisam que o bloco pode pura e simplesmente não dispor de biomassa suficiente para responder ao aumento da procura.

“Em vez de definir uma estratégia que confronte a excessiva procura de recursos da Europa, a Comissão agarra-se à ilusão de que podemos simplesmente substituir o nosso atual consumo por matérias-primas de base biológica, ignorando os danos sérios e imediatos que isso acabará por infligir às pessoas e à natureza”, afirmou Eva Bille, responsável pela economia circular no European Environmental Bureau (EBB), em comunicado citado pelo Politico.

Madeira a mais para ser verdade
Os grupos ambientalistas querem que a Comissão dê prioridade à utilização dos recursos biológicos em produtos de longa duração, como a construção, em vez de usos de menor valor ou de curta duração, como embalagens descartáveis ou combustíveis.

Uma primeira versão preliminar da proposta, obtida pelo Politico, alimentou alguma esperança entre as organizações ambientais.

O texto destacava novas oportunidades para materiais sustentáveis de base biológica, mas avisava também que as “fontes de biomassa primária devem ser sustentáveis e a pressão sobre os ecossistemas deve ser consideravelmente reduzida” — para garantir que essas oportunidades se mantêm a longo prazo.

Dizia ainda que a Comissão trabalharia na “desincentivação da combustão ineficiente de biomassa”, substituindo-a por outros tipos de energias renováveis.

Essa formulação desagradou aos lóbis industriais.
Craig Winneker, diretor de comunicação da ePURE, o lóbi do etanol, queixou-se de que a linguagem do documento “prossegue uma tradição infeliz, em alguns setores da Comissão, de ignorar completamente a forma como os biocombustíveis sustentáveis são produzidos na Europa”, argumentando que essa energia “é, na verdade, um coproduto, a par dos alimentos, das rações e do CO₂ biogénico“.

Agora, essas referências ao compromisso de reduzir a pressão ambiental e de desincentivar a combustão ineficiente de biomassa desapareceram.

“A bioenergia continua a desempenhar um papel na segurança energética, particularmente quando utiliza resíduos, não aumenta a poluição da água e do ar e complementa outras energias renováveis”, lê-se na versão final do texto.

“Esta é uma omissão crucial, dado que a produção e o consumo insustentáveis da UE já ultrapassam em muito os limites ecológicos, colocando em risco pessoas, natureza e empresas”, criticou o EEB.

Delara Burkhardt, eurodeputada do grupo dos Socialistas e Democratas, considerou “positivo que a estratégia reconheça a necessidade de abastecer a biomassa de forma sustentável”, mas acrescentou que a proposta não aborda a questão da suficiência.

“Limitar-se a substituir materiais fósseis por materiais de base biológica, mantendo os atuais níveis de consumo, corre o risco de aumentar a pressão sobre os ecossistemas. Isso desloca os problemas em vez de os resolver. Precisamos de reduzir o uso global de recursos, não apenas de mudar a sua origem”, afirmou.

Roswall recusou comentar o rascunho anterior na conferência de imprensa de quinta-feira. “Acho que precisamos de aumentar os recursos de que dispomos, e é isso que esta estratégia procura fazer”, disse.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Contributo sobre o Manifesto por um Pacto Nacional pela Floresta e pelo Território

A SPECO e 23 outras ONGA enviaram para o governo um contributo sobre o manifesto que ainda continua aberto à subscrição individual e de grupo sobre a necessidade de se estabelecer um Pacto Nacional sobre a Floresta e o Território.



São 23 as Organizações Não Governamentais e/ou Associações de Ambiente que se juntaram à Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO) e assinaram este manifesto, que abaixo se junta, aberto à subscrição pública desde 25 de Agosto. Mais de 1500 cidadãos de diferentes quadrantes da sociedade, nomeadamente técnicos, professores, investigadores de laboratórios de Estado e de fundações, já o subscreveram.

Não podemos ficar parados. Cansámo-nos de esperar que as políticas estratégicas surtam efeito. Têm sido formadas comissões de estudo, disponibilizados financiamentos do PRR, do Fundo Ambiental, mas a acção continuada, a efectiva melhoria que se almeja para levar um pouco de dignidade e sustentabilidade ao Portugal interior tarda em concretizar.

Para além das povoações, também as Áreas Protegidas têm sido delapidadas e deixadas ao abandono. Depois de 1985 e 2017, 2025 foi já considerado o terceiro ano que afectou consideravelmente Áreas Protegidas, espaços que mereciam uma atenção redobrada pelo valor que representam, não só a nível nacional como europeu.

Precisamos de acção, já! Estamos dispostos a ajudar e a apoiar, a convocar a ciência, as empresas, os autarcas e as comunidades. Não podemos esperar por diagnósticos, novas comissões técnicas e independentes. As anteriores já diagnosticaram as causas e propuseram soluções, mas nada foi feito. Os erros perpetuam-se e o plano de ordenamento do território tarda em ser posto em prática.

É este apelo que as 22 ONGA transmitem ao Governo. Através deste Manifesto mostramo-nos disponíveis para apoiar um plano de acção que tenha efeitos directos no território. O ordenamento do território e a conservação da natureza nas suas Áreas Protegidas são as melhores ferramentas para o combate às alterações climáticas e para a sustentabilidade das populações do interior do país.

As organizações signatárias:



Leia o manifesto abaixo, e assine aqui.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Estudo reforça que a interferência humana no clima é mais antiga do que muitos imaginam

Com ferramentas modernas, cientistas teriam identificado no século XIX o impacto do CO₂ emitido pela queima de carvão e madeira na Revolução Industrial

Muito antes de a expressão “alteração climática” entrar no vocabulário da ciência, os primeiros sinais do impacto humano na atmosfera já estavam no ar. Um estudo publicado na revista PNAS indica que, se os cientistas da época tivessem acesso à tecnologia atual, teriam identificado indícios do aquecimento global já em 1885 - antes mesmo da invenção dos carros a gasolina.

A conclusão vem de uma simulação conduzida por investigadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, em parceria com instituições como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade de Washington. A equipa partiu de um cenário hipotético: e se, desde 1860, fosse possível monitorizar globalmente a atmosfera com a precisão de satélites e balões meteorológicos modernos?

Naquela época, a queima acelerada de carvão e madeira já lançava grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera - um subproduto da Revolução Industrial que iniciava os efeitos do aquecimento global.

A resposta veio por meio de um método de análise conhecido como fingerprint (impressão digital), que permite separar os efeitos naturais das alterações provocadas por humanos. Segundo os autores, esse padrão de interferência seria visível na forma de um arrefecimento na estratosfera - uma camada alta da atmosfera - causado pelo aumento do CO₂ e pela perda de ozono.

Por que razão a estratosfera arrefece e a Terra aquece?
Os gases do efeito de estufa atuam de maneira distinta nas camadas da atmosfera. Na parte mais baixa, a troposfera, eles retêm o calor irradiado pela superfície da Terra, provocando o aquecimento. Já na estratosfera, a camada seguinte, o acumulado desses mesmos gases intensifica a reflexão da radiação, fazendo com que parte do calor regresse ao planeta e que a própria estratosfera arrefeça.

Esse arrefecimento da estratosfera, segundo os autores, é um sinal inequívoco da ação humana e teria sido detetável com elevada confiança por volta de 1885. Mesmo com medições restritas ao hemisfério norte, os dados simulados indicam que o fenómeno seria percetível até 1894, apenas 34 anos após o início hipotético da monitorização climática global.

O que é que isto muda?
Na prática, o estudo reforça que a interferência humana no clima é mais antiga do que muitos imaginam. Embora a ciência só tenha começado a compreender o papel do CO₂ no aquecimento global a partir da década de 1970, os impactos da Revolução Industrial já estavam a ser registados na atmosfera um século antes.

Os investigadores alertam que os próximos 26 anos deverão trazer mudanças ainda mais intensas do que as observadas desde 1986, especialmente se não houver uma redução drástica no uso de combustíveis fósseis.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Combustíveis fósseis: Bruxelas diz que Portugal não cumpriu recomendações


Portugal não cumpriu as recomendações da Comissão Europeia para eliminar subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, ser mais ambicioso na eficiência energética e responder às necessidades de investimento na transição climática.

A Comissão Europeia concluiu que Portugal "não respondeu" a três recomendações, incluindo a de eliminar subsídios aos combustíveis fósseis.

"O plano reconhece a necessidade de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, em conformidade com os compromissos internacionais, mas não apresenta medidas específicas nem um cronograma claro para tal", assinala a instituição.

Além disso, apesar de o plano português incluir metas sobre a eficiência energética, o país "não aumentou o nível de ambição", critica Bruxelas.

Já quanto ao financiamento da transição energética e climática, o plano de Portugal "não apresenta dados sobre necessidades de investimento", nem "explica como as medidas irão mobilizar investimentos privados", não incluindo uma "divisão entre investimento público e privado".

A Comissão Europeia pede que Portugal garanta "uma implementação atempada e completa" de um novo plano energético.

"A UE está atualmente no caminho para reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em cerca de 54% até 2030, caso os Estados-membros implementem plenamente as medidas nacionais existentes e planeadas, bem como as políticas da UE", concluiu a Comissão Europeia.

A meta da UE é reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em pelo menos 55% face a 1990, alcançar pelo menos 42,5% de energias renováveis no consumo final bruto de energia e melhorar a eficiência energética em pelo menos 11,7%.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Contra o abate de sobreiros em Condeixa-a-Nova



Porque não instalam estes projetos em solos pobres, impróprios para cultivo ? Em solos secos e degradados, como antigos povoamentos de eucalipto, abandonados? Isso sim até contribuiria para redução de risco de incêndios no Verão ! Ou em áreas ocupadas por várias espécies de plantas exóticas invasoras, como mimosas e acácias, que são cada vez mais extensas em Portugal devido ao êxodo e abandono rural?

Não faz qualquer sentido destruir áreas importantes do ponto de vista da biodiversidade, áreas que abrigam espécies de plantas e animais autóctones, cada vez mais ameaçadas, e de todos os benefícios que proporcionam às populações!

As Árvores VIVAS sustentam Vidas e RETIRAM CARBONO DA ATMOSFERA.
ESTAMOS NA PRIMAVERA, ÉPOCA DE REPRODUÇÃO DAS AVES E OUTRAS ESPÉCIES dependentes das árvores para alimento e abrigo, para ninhos! Onde está o ICNF, Instituto de de Conservação da Natureza e Florestas? Onde está a APA, Agência Portuguesa do Ambiente a defender a SAÚDE AMBIENTAL E SAÚDE HUMANA?

Nem os nossos avós, camponeses analfabetos, fariam semelhante coisa. Eles tinham SABEDORIA E AMOR À TERRA. JAMAIS FARIAM UM CORTE RASO DE TODO O SEU PATRIMÓNIO ARBÓREO!

Saberão os proprietários que hoje há medidas que podem permitir um rendimento do Estado por manterem as suas arvores VIVAS pelos benefícios prestados à comunidade ?
Já agora, qual o destino que estas empresas pretendem dar à madeira retirada dos terrenos despidos de vegetação?

Será que vai ser usada para mobiliário e outros bens de longa duração, que sequestram o carbono capturado em vida pelas árvores?

Ou será essa madeira encaminhada para queimar na forma de pellets na queima residencial urbana para aquecimento das casas no inverno, ou em caldeiras e centrais que queimam a madeira e libertam dióxido e monóxido de carbono entre dezenas de outros poluentes, como os compostos orgânicos voláteis, o carbono negro, a matéria particulada fina e ultrafina?

Não estaremos A AUMENTAR A EMISSÃO DE GASES COM EFEITO DE ESTUFA NA EUROPA E EM PORTUGAL com este tipo de transição? A. AGRAVAR O PROBLEMA DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AQUECIMENTO GLOBAL?

Parece-me que estamos a fazer o oposto do que deve ser feito e a criar um sério risco de saúde pública, seja pelo impacte directo da destruição local do arvoredo, seja pela fomentação da queima de biomassa lenhosa noutros locais do país. O fumo da queima de madeira é altamente poluente, aumenta o risco de doenças respiratórias e cardíacas, diabetes, hipertensão , cancro e até demência, a longo prazo.
Substituir as melhores "máquinas" de captura de carbono que são os SERES VIVOS que fazem FOTOSSÍNTESE, como as árvores, arbustos e ervas, e a biomassa do solo por painéis solares com duração limitada levará à contaminação dos solos por plásticos, metais e possivelmente herbicida - isto em áreas saudáveis, ricas em espécies nativas de flora e fauna.
Isto faz algum sentido ?
É esta a forma correcta de gerar energia ?
É esta a energia VERDE" e "LIMPA"? que nos estão a vender ?
Queimam árvores para electricidade na indústria e nas centrais de biomassa isoladas. Queimam toneladas por ano na queima residencial urbana que arruína a qualidade do ar nas aldeias urbanizadas, nas vilas e cidades, por todo o país.
Queremos a Transição MAS ASSIM É UMA ABERRAÇÃO. Uma insanidade. Assim NÃO.

sábado, 29 de março de 2025

Reportagem: "O paradoxo da energia verde"


Será que todas as fontes de produção de eletricidade assumida como renovável podem ser associadas a descarbonização e redução da poluição?

A queima de biomassa florestal para produzir electricidade cresceu devido ao facto de esta fonte ter sido tolerada como neutra em carbono pelas Nações Unidas.

Este enquadramento político permite às nações queimar biomassa florestal em vez de carvão e não contabilizar as emissões para as ajudar a cumprir as metas de carbono do Acordo Climático de Paris.

A ciência atual identifica a queima de biomassa florestal como mais prejudicial do que a queima de carvão, e que uma das melhores formas de travar as alterações climáticas e sequestrar carbono é permitir que as florestas continuem a crescer. As designações de neutralidade carbónica da União Europeia para a biomassa florestal estão erradas, afirmam os cientistas que defendem uma mudança na política global.

Documentário produzido pela Acréscimo, com o apoio da Biofuelwatch.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Organizações não governamentais dos EUA, Canadá, Letónia, Estónia e Portugal apelam ao novo governo do Reino Unido para parar de subsidiar Drax para queimar árvores das florestas dos seus países


41 organizações de países que exportam pellets de madeira para o Reino Unido escreveram hoje ao Secretário de Estado Ed Miliband, instando-o a não ceder ao lóbi de Drax por novos subsídios assim que o apoio existente termine em 2027 . [1] A central termoeléctrica a biomassa de Drax, em Yorkshire, queima mais madeira do que qualquer outra central no mundo, toda ela (quase 6 milhões de toneladas de pellets de madeira em 2023) importada. O Reino Unido paga mais subsídios para a queima de madeira, principalmente nas centrais termoeléctricas, do que qualquer outro país da Europa, e Drax é de longe o maior beneficiário destes subsídios. O governo anterior propôs vários anos de novos subsídios, os chamados “transitórios”, para Drax e possivelmente para a central termoeléctrica de Lynemouth, que, de acordo com a sua avaliação de impacto, poderiam ascender a 2,5 mil milhões de libras por ano .

A maioria dos pellets de madeira queimados em Drax vêm do sudeste dos EUA e do Canadá.
Adam Colette, da Dogwood Alliance, [2] com sede na Carolina do Norte, afirma: "As nossas florestas e comunidades há muito que sofrem com as práticas destrutivas da indústria da biomassa. A devastação é liderada pela Drax e financiada pelo governo britânico. A nossa esperança é que uma nova administração veja os impactos que advêm de soluções falsas que prejudicam as pessoas e o ambiente no sul dos EUA e deixam de subsidiar as empresas que destroem o planeta."

Len Vanderstar, Diretor da Bulkley Valley Stewardship Coalition na Colúmbia Britânica [3], acrescenta: “Dado que o mundo se aproximou e até ultrapassou os pontos de viragem no que diz respeito ao aquecimento global, a solução para as alterações climáticas não é uma maior desverdização do planeta.

Drax queima também quantidades substanciais de pellets de madeira provenientes da Letónia, Estónia e Portugal.
Liina Steinberg, membro do Conselho da Save Estonia's Forests [4], afirma: “A pressão sobre as florestas da Estónia continua a aumentar rapidamente. A procura da indústria da biomassa florestal, incluindo a exportação para o Reino Unido, soma-se à crescente procura de pasta de papel, papel e produtos bioquímicos. Para fornecer toda esta madeira, novas propostas legislativas - fortemente apoiadas pela indústria - prevêem as primeiras plantações de árvores em grande escala na Estónia, bem como o enfraquecimento das protecções de áreas naturais supostamente protegidas.»

Viesturs Ķerus da Sociedade Ornitológica da Letónia [5] afirma: “Na Letónia, estamos a assistir a declínios nas populações de espécies florestais que deveríamos proteger, habitats florestais de importância internacional estão a ser destruídos e perdemos o sumidouro de carbono florestal. Embora existam vários factores envolvidos, a procura subsidiada de biomassa para queima por parte do Reino Unido e de outros países é, sem dúvida, um factor importante por detrás desta degradação das nossas florestas.”

Paulo Pimenta de Castro da Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal [6] acrescenta: “Em Portugal, a produção de pellets para energia, maioritariamente para exportação, bem como a queima direta de biomassa têm provocado uma perda significativa de cobertura arbórea, afetando espécies autóctones, nomeadamente pinheiros e carvalhos . Esta perda está associada à expansão das plantações de eucalipto e à invasão de acácias, que têm um impacto crescente nos incêndios florestais.”

Os grupos que assinaram a carta apelam ao governo para que utilize o dinheiro poupado ao não conceder novos subsídios a Drax e à Lynemouth Power para apoiar energias renováveis ​​limpas e genuinamente de baixo carbono, como a energia eólica e solar.

[1] The letter can be viewed here

[2] Dogwood Alliance is a non-profit organization which promotes environmental justice and climate action by mobilizing diverse voices to protect Southern forests and communities from industrial logging: dogwoodalliance.org/

[3] Bulkley Valley Stewardship Coalition is a volunteer-run organization that works to protect the natural environment in Bulkley Valley, which is located in the northwest Central Interior of British Columbia, Canada,

[4] Latvian Ornithological Society is the Latvian member group of BirdLife International: lob.lv/

[5] Save Estonia’s Forests is a grassroots movement that seeks to improve the protection of forests in Estonia: savetheforest.ee/en/

[6] Acréscimo is a non-profit organization that seeks to improve the conservation and management of forests in Portugal: https://www.facebook.com/acrescimo/

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Documentário: Freedom Fuels (2006)


Freedom Fuels from waywardeus on Vimeo.

Este documentário aborda de forma profunda os recursos renováveis baseados em fuel , como o biodiesel, etanol, agro-combustível, biomassa e óleo vegetal.
Personalidades convidadas: Daryl Hannah e Willie Nelson

Produzido e realizado por Martin O'Brie.2006 Tempo: 49 Minutos

Vencedor do Environmental Preservation Award, 2006 Artivist Film Festival. Este filme também obedece a Carbon Free Designation (ou seja foram eliminadas todas as emissões de carbono para a a realização deste filme.)

segunda-feira, 25 de março de 2024

Investigação: Do Pinhal à Central


A Biofuelwatch e a ZERO acabam de lançar uma investigação em vídeo sobre o fornecimento de madeira pela fábrica de pellets Pinewells, no centro de Portugal, cujo maior cliente é a Drax.

A Pinewells, que pertence ao Grupo Português Visabeira, utiliza grandes quantidades de madeira em troncos de pinheiro maduro. O vídeo apresenta provas de que a Pinewells obteve parte da madeira de cortes rasos na reserva natural montanhosa da Serra da Lousã e no sítio Natura 2000.

O vídeo também analisa os impactos mais amplos da utilização em larga escala de madeira de pinho para pellets de madeira nas florestas de pinheiros e nas indústrias de produtos de madeira em Portugal. Segundo dados da associação da indústria da madeira de pinheiro Centro PINUS, Portugal perdeu 27% da sua área florestal de pinheiro e 35% em termos de produtividade dos pinhais em 15 anos. 20% de toda a madeira de pinho vai para pellets de madeira, sendo o segundo maior consumidor de pinho do país.

Exportamos o nosso "petróleo" verde, (árvores autóctones) aquele que ainda assegura o equilíbrio de diversas espécies de fauna e flora.
Derivado da sua componente eficientíssima do ponto de vista resinoso e convertido em kW/h.
Para a indústria das celuloses estas acções só poderiam ser positivas, pois aqueles milhares de hectares vão dar espaço ao eucalipto, e porquê? Porque o argumento vai ser este: "Não podemos estar muito tempo sem árvores nestes espaços carecas, onde a erosão e outros riscos de catástrofes naturais é pior que o eucalipto!"
O desfecho será óbvio!

domingo, 7 de janeiro de 2024

Ambientalistas denunciam corte de centenas de azinheiras em Alvaiázere, Câmara averigua


A associação ambientalista Milvoz denunciou o corte de várias centenas de azinheiras em área classificada como Rede Natura 2000 no concelho de Alvaiázere (Leiria), estando a Câmara a averiguar se foi cometida alguma ilegalidade.

“Estamos a falar de várias centenas, desde azinheiras de porte arbustivo a azinheiras já de porte consideravelmente arbóreo”, afirmou hoje à agência Lusa o vice-presidente da Milvoz – Associação de Proteção e Conservação da Natureza, Manuel Malva.

Segundo Manuel Malva, trata-se, “certamente, de várias centenas, até porque a intervenção decorre ao longo de alguns quilómetros, na estrada que liga Pelmá a Loureira”.

“Vemos esta intervenção com bastante estupefação, porque ainda que saibamos que está a ser implementado um plano de execução de faixas de gestão de combustível, esta zona é particular, dado que estamos a falar de um território classificado ao abrigo de diretivas europeias, nomeadamente que acolhe um habitat protegido, que é o azinhal, protegido por legislação nacional e internacional”, alertou o biólogo.

O dirigente salientou que a associação esperava, “pelo menos, que houvesse um cuidado reforçado ao intervir nestas áreas”, mas o que ocorreu “é uma intervenção completamente descuidada, muito pouco criteriosa e é um autêntico desrespeito” da proteção da azinheira.

De acordo com Manuel Malva, além das azinheiras cortadas, há outras “mutiladas de uma forma muito pouco profissional ou sequer cumprindo critérios técnicos básicos, num território que devia fazer desta espécie” a sua bandeira.

“Muito provavelmente esta intervenção está legal, só que, apesar de estar legal, é uma má prática que está a ser levada a cabo de norte a sul do país e que está a ser feita sem nenhum tipo de critério, não está a ter em conta os valores naturais”, declarou, considerando que, no caso da situação de Alvaiázere, se está perante “mais uma implementação cega desta lei das faixas de gestão de combustível”.

A Milvoz fez uma exposição da situação ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

À agência Lusa, o presidente da Câmara de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro, adiantou que o município fez um “contrato para as faixas de gestão de combustível”, mas, na sequência das imagens divulgadas pela associação ambientalista, “foi dada a indicação aos serviços para analisarem a situação e verem se, efetivamente, existe ou foi cometido por parte da empresa algum tipo de ilegalidade”.

“A informação preliminar que me deram é que em princípio parecia ser o desbaste vertical e de espécies arbustivas, agora eu dei indicações para ser analisado”, adiantou.

Fonte da GNR acrescentou à Lusa que foi rececionada no dia 29 de dezembro de 2023 a denúncia, que está a ser analisada pelo Núcleo de Proteção Ambiental do Destacamento Territorial de Pombal.

História:

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

domingo, 26 de novembro de 2023

Coração Verde. Green Heart


“Este mundo curioso que nós habitamos é mais maravilhoso do que conveniente, mais bonito do que útil, mais para ser admirado e apreciado do que usado.”
Henry Thoreau (1817-1862)

“O bem-estar e o florescimento da vida humana e da não-humana sobre a terra têm valor em si próprios (valor intrínseco, valor inerente). Esses valores são independentes da utilidade do mundo não-humano para os propósitos humanos.”
Arne Næss e George Sessions (1984)

“Em suma, o papel da ecologia profunda na sociedade contemporânea é libertador, transformador e questionador. Há uma utopia na ecologia profunda, uma utopia baseada não na contínua e intensificada conquista ou domínio da natureza não-humana pelo homem, mas baseada na busca pela auto-realização.” 
Bill Devall (1980 - artigo científico no Journal of Natural Resources)

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Chuva e vento permitem vários dias de consumo renovável. Vai ser cada vez mais frequente


Durante dois dias, no final da semana passada, o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado por fontes renováveis, sobretudo energia eólica e hídrica, devido às "condições favoráveis de vento e chuva". O anúncio da REN - Redes Energéticas Nacionais entusiasmou o Governo e a maioria dos agentes ligados ao ambiente.

Num comunicado divulgado no sábado, dia 28, a REN dava conta de que o consumo de eletricidade estava a ser assegurado por fontes renováveis desde as 22.30 de sexta-feira. E prolongou-se até domingo. Desde essa hora até às 00.00 de sábado foram gerados 97,6 Gigawatts-hora (GWh) de energia eólica, 6,6GWh de energia solar e 68,3GWh de energia hídrica, que "asseguraram o consumo de 137,1GWh", adiantava a REN, anunciando que "os excedentes de produção têm sido exportados através da interligação com Espanha".

Segundo a empresa, desde as 09.00 horas do dia 24 de outubro, o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado por energias renováveis, apesar de "recorrer à importação de eletricidade de Espanha em alguns períodos".

De acordo com o comunicado, "a passagem à exportação plena decorreu na sexta-feira, dia 27 outubro, pelas 17.00 horas, em que Portugal passou a exportador de eletricidade em 100% do tempo".

Citada pela Agência Lusa, a REN sublinhava que, por questões de equilíbrio entre a geração e o consumo, entraram, no mesmo dia, em operação dois grupos em duas centrais térmicas de ciclo combinado a gás natural entre as 16.00 e as 22.30, "findas as quais o consumo de eletricidade em Portugal passou a ser abastecido com produção 100% renovável, e ainda com saldo exportador para Espanha".

Pedro Nunes, coordenador do grupo de Energia, Clima e Mobilidade da associação ambientalista Zero, acredita que os dois dias verificados nesta semana fazem parte de "uma boa notícia que antecipa já, de alguma maneira, aquela que será a realidade do sistema elétrico português em 2030". Isto quer dizer que, nessa altura, o país deverá ter "100 por cento de eletricidade renovável e que, para já, conseguimos ter o sistema a funcionar sem ir abaixo". Por ora, "isto só é possível em situações excecionais, mas a tendência será tornar-se a norma", afirma o dirigente daquela associação.

Não é a primeira vez que a situação de pleno consumo renovável se verifica, embora só aconteça "quando temos um quadro excecional de vento e chuva abundante. Neste caso, até foi mais o vento: tivemos mais energia eólica do que hídrica a ser produzida", sustenta Pedro Nunes.

A verdade é que, apesar de dias nublados, até a energia solar acabou por ter algum peso. E isso, em 2030, será uma constante. "Teremos uma grande bossa (é assim que ela aparece nos gráficos durante o dia, porque começa a produzir de manhã, tem ali um apogeu a meio do dia e depois, à noite, volta a deixar de ser produzida) de energia solar".

No grupo de Energia, Clima e Mobilidade da Zero, não há dúvidas de que "esta situação tenderá a repetir-se cada vez com mais frequência, até ser a norma".

O facto é que temos cada vez maior incorporação de energia renovável no sistema elétrico. De acordo com a revisão do PNEC (Plano Nacional de Energia e Clima), "temos 47GW previstos de energia renovável - o que é muita potência instalada - em 2030. E portanto isto será muito mais a norma do que a exceção".

Uma viagem ao futuro
O regozijo tomou conta também da Associação de Energias Renováveis (APREN), ao cabo de mais dois dias em que fizeram o pleno. "Estamos a desenhar todo um sistema elétrico para ter incorporação de renovável cada vez maior e que permita chegar ao maior número possível de consumidores", afirma ao DN Pedro Amaral Jorge, presidente da direção.

"As renováveis vão suprir uma dimensão adicional que é a segurança energética. Quando nós temos dias em que o conjunto da eletricidade em Portugal é 100% suprido em fontes renováveis, isso é uma viagem ao futuro", sublinha Pedro Amaral Jorge. Também ele antevê que, nos próximos anos, teremos "esse comportamento na maior parte dos dias do ano e não apenas quando as condições concomitantes de eólica e hídrica o permitem".

"Este é o desenho do mercado de eletricidade. Obviamente que ficamos muito contentes que tenhamos já dias em que isso acontece e que todo o sistema elétrico - os produtores de eletricidade, as redes, os consumidores - conseguem gerir toda esta incorporação de renovável sem haver falhas", conclui o presidente da APREN, que espera ver, em 2030, "cerca de 85 a 90% renovável o consumo de energia no país".

Mas o que à partida parece uma boa notícia reveste-se de outras preocupações para a Iris - Associação Nacional de Ambiente. O presidente, Paulo Pimenta de Castro, aponta, por exemplo, "a questão da biomassa, porque vai ter impacto na redução do arvoredo e consequentemente na biodiversidade".

Além disso, o ambientalista lembra que tanto os fotovoltaicos como os parques eólicos "são muitas vezes projetados para áreas de reserva ecológica ou da Rede Natura 2000, como está atualmente a acontecer em Sines".

"Nós somos favoráveis a fontes de energia renovável, mas não à conta da destruição dos ecossistemas". "O que se passa em Portugal é que vamos cumprir metas, mas com custos ambientais elevados", considera Pimenta de Castro, para quem "não há, da parte do Governo, critérios definidos, apesar das metas de 2030".

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sábado, 14 de outubro de 2023

Governo lança concurso para 6 centrais de biomassa


O Governo de António Costa aprovou um decreto-lei para a alteração do regime especial e extraordinário relativo à instalação e exploração de novas centrais de valorização de biomassa nos territórios mais vulneráveis ao risco de incêndios rurais, cuja delimitação foi aprovada pela Portaria n.º 301/2020, de 24 de dezembro. O diploma aprovado permite o lançamento de um concurso destinado à atribuição dos títulos de reserva de capacidade para a injeção na rede elétrica de serviço público, no total de 60 MW e com o limite de 10 MW por cada central.
O mapa dos territórios elegíveis pode ser consultado aqui. Fonte.


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Florestas antigas ucranianas destruídas para o mercado da UE


As empresas europeias são cúmplices na destruição de florestas antigas nos Cárpatos ucranianos, cuja madeira é vendida em toda a União Europeia. Esta é a descoberta chocante de uma pesquisa e viagem de campo do Greenpeace na Europa Central e Oriental à floresta antiga ucraniana.
A Greenpeace CEE está actualmente a liderar uma Expedição de 40 dias, para lançar luz sobre a destruição maciça que afecta as florestas dos Cárpatos em cinco países: Roménia, Ucrânia, Hungria, Eslováquia e Polónia.
A Greenpeace apela à União Europeia para que implemente medidas eficazes para proteger este património natural europeu. Se os governos e as instituições europeias levarem a sério a travagem da desflorestação internacional e a melhoria da protecção e restauração das florestas, devem começar por implementar os seus próprios compromissos e obrigações em matéria de protecção da natureza.

Yehor Hrynyk, um biólogo ucraniano, membro da expedição, disse : "Os Cárpatos ucranianos abrigam grandes áreas de florestas antigas que são um hotspot essencial de biodiversidade. Infelizmente, a indústria florestal da Europa Ocidental os vê apenas como uma fonte de lucro. As consequências da exploração madeireira irresponsável nesta região são devastadoras, num país que já sofre uma guerra injustificada e onde é mais difícil do que nunca aplicar os princípios da conservação da natureza. As áreas protegidas não estão a ser estabelecidas em florestas com elevados níveis de conservação. valores para que a procura do mercado europeu por madeira e produtos de madeira seja atendida.”

O mais recente Relatório do Greenpeace CEE, publicado em novembro de 2022, revelou até que ponto as florestas dos Cárpatos foram impactadas pela exploração madeireira industrial. De forma alarmante, menos de 3% dos ecossistemas críticos estão estritamente protegidos, estando a maioria exposta à exploração madeireira e exploração generalizada.

Segundo estatísticas oficiais [1], a União Europeia é o principal importador de madeira e produtos florestais ucranianos. A Greenpeace CEE, juntamente com activistas ucranianos, visitou vários locais de exploração madeireira localizados em áreas florestais antigas durante o ano passado, onde os impactos da exploração madeireira industrial são claramente visíveis.
Uma das empresas que utiliza madeira proveniente de florestas antigas dos Cárpatos ucranianos é a empresa suíça Coroa suíça. Esta empresa é especializada na produção de painéis de partículas para o mercado ucraniano e para exportação. No seu website, a Swiss Krono afirma que a madeira que compra é sustentável, apesar de a madeira proveniente de locais de exploração madeireira em áreas florestais antigas ter sido anteriormente fornecida à Swiss Krono.
Durante a expedição aos Cárpatos, a equipe do Greenpeace de ativistas ucranianos, poloneses e romenos visitou o local de extração de madeira que fornece madeira para a coroa suíça e um dos locais de processamento da coroa suíça em Broshniv-Osada. O Greenpeace CEE apela à empresa para que deixe de utilizar madeira proveniente de florestas imaculadas dos Cárpatos.

Robert Cyglicki, Diretor do Programa do Greenpeace CEE, disse : "Os governos e autoridades europeus devem garantir que todas as florestas dos Cárpatos de alto valor de conservação, incluindo aquelas localizadas na Ucrânia, sejam estritamente protegidas. Se as tendências atuais continuarem, as florestas desprotegidas, essenciais para a restauração e ecossistemas vitais para espécies ameaçadas, serão erradicadas. Para enfrentar as crises climáticas e naturais, a UE deve proteger os sítios naturais excepcionais que permanecem em solo europeu de qualquer tipo de extracção. Ao mesmo tempo, as empresas devem retirar as mãos destes locais únicos e antigos. florestas."

Fonte: aqui
Imagens fotográficas e de vídeo da investigação podem ser baixadas através de nossa Biblioteca de Mídia internacional 
Para informações adicionais e entrevistas, também podemos conectar-nos aos nossos parceiros ucranianos

Notas aos editores:
[1] De acordo com estatísticas oficiais, em 2021 a Ucrânia exportou 4.645.549 toneladas de madeira e produtos de madeira com um valor total de 2.005.803 USD (grupos de mercadorias 44-46). Apesar da guerra, em 2022 as exportações de madeira e produtos representaram 94% do valor do ano passado (1.885.422 dólares), o que representou 4,3% do total das exportações da Ucrânia em termos monetários.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Poluição do ar relacionada com o aumento da resistência aos antibióticos

Poluição do ar em Nova Deli, na Índia: a poluição atmosférica é uma das principais ameaças à saúde pública em todo o mundo


Por si só, a poluição atmosférica já é um problema sanitário global. Um novo estudo mostra outra dimensão do problema: estará a aumentar a resistência aos antibióticos. Esta causa 1,3 milhões de mortes por ano em todo o mundo.

Um grupo de cientistas chegou a esta conclusão depois de analisar dados de mais de 100 países, correspondentes a quase duas décadas.

Intitulado “Association between particulate matter (PM)2·5 air pollution and clinical antibiotic resistance: a global analysis”, o estudo apresenta-se como “a primeira estimativa global da resistência aos antibióticos e do fardo das mortes prematuras atribuíveis à resistência aos antibióticos resultante da poluição com (PM)2·5”. Estas partículas, criadas a partir da circulação automóvel, da produção industrial e da queima de carvão ou madeira por exemplo, poderão conter bactérias resistentes aos antibióticos que assim transitarão entre ambientes e serão inaladas diretamente pelos seres humanos. O estudo, contudo, não analisa os mecanismos concretos sobre como isto acontece.

A investigação foi publicada neste mês de agosto na revista Lancet e foi dirigida por cientistas da Universidade de Zhejiang, em Hangzhou, e da Universidade de Cambridge. De acordo com os cientistas, a sua análise “apresenta forte provas que os crescentes níveis de poluição atmosférica estão associados com os crescentes riscos de resistência aos antibióticos”, sendo a primeira a “mostrar como a poluição do ar afeta a resistência aos antibióticos ao nível global”.

Assim, para além de efeitos nocivos da poluição já conhecidos ao nível das doenças do coração, dos pulmões, entre outras, soma-se mais um. O autor principal da investigação, Hong Chen, não hesita em dizer que “a resistência aos antibióticos e a poluição atmosférica estão, cada uma por si, entre as maiores ameaças à saúde global”. Só que “até agora não tínhamos um quadro claro das possíveis ligações entre as duas”. As suas descobertas indicam que um aumento de 10% na poluição atmosférica está ligado a um aumento de 1,1% na resistência a antibióticos e que a associação se tem fortalecido com o passar do tempo.