Hoje, 3 de março celebra-se, anualmente, o Dia Mundial da Vida Selvagem.
Este ano com o tema Plantas aromáticas e medicinais - preservar a saúde, o património e os meios de subsistência.
A 3 de março de 2026, das 12:30 h às 14:30 (hora de Lisboa) assista aqui à celebração oficial da ONU, que contará com histórias e apresentações sobre o uso sustentável e a conservação de plantas aromáticas e medicinais, por especialistas dos Estados-Membros, representantes de alto nível de organizações internacionais, partes interessadas da indústria, líderes comunitários locais e membros de redes juvenis.
- Descubra mais acerca das plantas nativas da sua região.
- Ajude a conhecer onde elas existem inserindo as suas observações em plataformas de ciência-cidadã como a Biodiversity4all.
- Evite a colheita de plantas selvagens, a menos que tenha formação e autorização para tal.
- Se usar produtos à base de plantas, escolha os de origem sustentável.
- Se é pai/mãe ou professor(a) ensine os seus filhos(as) e alunos(as) a conhecer e proteger as plantas nativas.
- Maximize o seu impacto contribuindo para iniciativas de conservação.
- Tenha plantas aromáticas ou medicinais nativas em casa ou no seu jardim ou quintal.
Sabia que?
- Cerca de 25% dos medicamentos modernos são derivados de plantas.
- Estima-se que entre 50.000 a 70.000 espécies de plantas são usadas medicinalmente e cerca de 1.500 delas estão listadas nos Anexos da CITES - Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção - e mais de 800 no seu Anexo II.
- Algumas farmacopeias indígenas documentam milhares de remédios à base de plantas.
- No mundo, as plantas selvagens sustentam milhões de família rurais, através do comércio, da medicina e do artesanato.
- As práticas de cultivo e colheita de plantas aromáticas e medicinais garantem recursos vitais para muitas famílias, sendo que, no mundo, uma em cada cinco pessoas depende de plantas silvestres, algas e fungos para a sua alimentação e rendimento.
- A identidade cultural, as práticas espirituais e as tradições curativas são, frequentemente, indissociáveis da biodiversidade vegetal.
O objetivo deste dia é consciencializar os cidadãos para a proteção da fauna e flora, especialmente as espécies ameaçadas. Pretende-se, também, demonstrar os benefícios que a conservação das espécies tem para a vida no planeta e para a sobrevivência do ser humano.
Sobre o Dia Mundial da Vida Selvagem
Este dia foi criado na 16.ª Conferência das Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, em Março de 2013, por iniciativa da Tailândia. Mais tarde, a 20 de dezembro de 2013, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou este dia, através da Resolução 68/205
O tráfico de marfim atingiu níveis muito elevados, com grandes apreensões de várias toneladas partindo sobretudo de África para a Ásia. Em 2019, houve apreensões recorde de marfim representando dezenas de toneladas. Wildlife Justice Commission+1
👉 Impacto da pandemia (2020-2024):
A pandemia de COVID-19 disrompeu fortemente as cadeias de tráfico, levando a:
queda substancial no número de grandes apreensões de marfim;
menor volume total reportado de apreensões em comparação com o período pré-pandemia;
mercados ilegais aparentemente mais estáveis, porém em níveis mais baixos do que antes de 2020. Wildlife Justice Commission+1
📉 2. Estatísticas de apreensões recentes
✔ Entre 2023 e abril de 2025, cerca de 25 toneladas métricas de marfim foram confiscadas mundialmente, com a maior parte de grandes apreensões ainda sendo relatadas.
👉 No entanto, especialistas observam que:
pode haver menos detecções porque as redes criminosas estão melhorando as técnicas de ocultação e/ou mudando métodos operacionais;
Portanto, o volume de apreensões sozinho não fornece o quadro completo - mudanças nas técnicas de tráfico podem ocultar tendências reais.
🐘 3. Poaching e impacto sobre elefantes
📍 Estimativas anteriores (antes de 2018) mostraram que o tráfico de marfim estava ligado à morte de dezenas de milhares de elefantes por ano (ex.: até cerca de 40 000 elefantes mortos anualmente em alguns períodos históricos).
👉 Estas estimativas variam muito ao longo do tempo e dependem de dados de campo e modelagens, mas indicam o enorme impacto histórico do tráfico sobre populações de elefantes.
🌍 4. Factores que influenciam as tendências
📌 Redução da procura legal
Proibições e encerramentos de mercados domésticos (como na China e em outros países) reduziram a compra aberta de marfim, afetando a dinâmica global do tráfico.
📌 Online e mercados ocultos
Apesar das proibições, vendas ilegais online continuam ativas, com plataformas sociais facilitando oferta e procura em alguns mercados regionais.
📌 Ações de fiscalização e legislação
Leis mais duras e operações internacionais (como apreensões e cooperação policial) têm contribuído para reduzir algumas rotas de tráfico - embora redes criminosas ainda se adaptem.
Um décimo das espécies animais do Brasil está em risco de extinção em algum grau, segundo uma plataforma lançada na quarta-feira pelo Governo brasileiro que inclui dados sobre 14.785 espécies.
Avaliar populações de animais nos mais diversos biomas brasileiros e conhecer as possíveis ameaças: queimadas, desmatamentos, destruição de habitat, caças e matanças deliberadas. Nesta quarta-feira (2), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgou a evolução de estudos e a publicação de uma plataforma na internet que apresenta a situação de quase 15 mil espécies no país. Trata-se do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade, conhecido como Salve.
De acordo com a Plataforma de Avaliação do Risco de Extinção da Fauna (Salve), uma plataforma virtual lançada hoje na sede do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Brasília, 10,8% das espécies do país estão criticamente ameaçadas, em perigo, vulneráveis ou quase ameaçadas.
A plataforma descreve 364 espécies, 2,5% do total, como criticamente em perigo; outras 428 como em perigo (2,9%), 469 como vulneráveis (3,2%) e 320 como quase ameaçadas (2,2%).
Das espécies listadas, seis já estão extintas, uma está extinta na natureza (restam exemplares em cativeiro) e três estão extintas nas suas regiões de habitat.
De acordo com a plataforma, a grande maioria das espécies brasileiras (11.767 ou 79,6%) está numa situação "menos preocupante" em termos de ameaças de extinção, e para outras 1.207 (8,2%) não há dados suficientes para indicar o grau de ameaça que enfrentam.
Qualquer pessoa pode fazer pesquisa na plataforma, pelo nome popular ou científico do animal. Para o coordenador da Coordenação de Avaliação do Risco de Extinção das Espécies da Fauna (Cofau) e analista ambiental do ICMBio, Rodrigo Jorge, a iniciativa vai contribuir para a conservação das espécies ameaçadas.
“Precisamos avançar na realização de análises para estimar a tendência da biodiversidade no Brasil”, afirma. Ele explica que houve um aumento do número de espécies ameaçadas, mas o universo de espécies avaliadas também cresceu.
Políticas públicas
O pesquisador Rodrigo Jorge acredita que, a partir das avaliações feitas pelos cientistas, a perda e a degradação de habitat da fauna são algumas das principais ameaças. Segundo ele, há uma relação direta com o aumento do desmatamento nos últimos anos.
“Fica evidente a necessidade urgente de reverter essa tendência. Por isso, a postura da atual gestão de priorizar o combate ao desmatamento traz boas perspectivas para a conservação da biodiversidade”, opina.
Como aponta a entidade, a iniciativa tem o objetivo de facilitar a gestão do processo de avaliação do risco de extinção e tornar essas informações mais acessíveis para a geração de conhecimento e implementação de políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade.
Catalogação
Dentro das quase 15 mil espécies avaliadas, já estão publicadas e disponíveis as fichas completas de 5.513 espécies. Segundo o ICMBio, a expectativa é que - até o final deste ano - sejam concluídos os trabalhos para a publicação de nova atualização da lista de espécies ameaçadas da fauna brasileira e disponibilização das fichas das espécies.
“O Brasil é reconhecido mundialmente por abrigar a maior biodiversidade do planeta, e a partir da atualização e disponibilização desses dados será possível reforçar a implementação de ações que promovam a conservação da nossa fauna”, diz Rodrigo.
O ICMBio exemplifica que as informações disponíveis na plataforma podem ser utilizadas para processos de licenciamento ambiental. Acentua que “análises realizadas a partir dos registros de ocorrência de espécies disponibilizados no Salve permitirão verificar áreas de concentração de espécies ameaçadas”.
Segundo o instituto, o desenvolvimento da plataforma teve início em 2016. Esse processo de avaliação do risco de extinção das espécies da fauna brasileira foi conduzido pelos 13 centros nacionais de pesquisa e conservação (CNPC) do órgão.
Mais de 1,5 mil profissionais participam das avaliações. Os trabalhos seguiram o método de categorias e critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e os resultados são publicados somente após a validação das informações.
Há fotografias que nos marcam. Como é possível abater elefantes? O tráfico de marfim? Em circos?
Os elefantes africanos são os maiores mamíferos terrestres do mundo, com os machos, em média, atingindo até 3m de altura e pesando até 6 toneladas.
Após o declínio populacional ao longo de várias décadas devido à caça ilegal de marfim e perda de habitat, o elefante africano da floresta está agora listado como criticamente ameaçado. O elefante africano da savana também está listado como ameaçado de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN.
O número de elefantes africanos da floresta caiu mais de 86% num período de 31 anos, enquanto a população de elefantes africanos da savana diminuiu pelo menos 60% nos últimos 50 anos, de acordo com as avaliações. Ambas as espécies sofreram declínios acentuados desde 2008 devido a um aumento significativo da caça furtiva, que atingiu o pico em 2011, mas continua a ameaçar as populações. Atualmente, existem cerca de 415.000 elefantes africanos em estado selvagem.
Outras grandes ameaças para ambas as espécies de elefantes africanos incluem a conversão contínua dos seus habitats naturais para agricultura e outros usos da terra.
Estamos a fazer o tudo o que podemos para ajudar, desde a monitorização de rebanhos até o treino de guardas florestais comunitários e a proteção do habitat. Ao proteger os elefantes, também estamos a ajudar a apoiar as comunidades locais por meio de medidas para reduzir o conflito entre humanos e elefantes e iniciativas para apoiar os meios de subsistência locais. Precisamos da sua ajuda para protegê-los.
Poque é que os elefantes africanos são tão importantes
Os elefantes desempenham um papel essencial no seu ambiente. Eles são “arquitetos paisagistas” – por exemplo, enquanto se movem e se alimentam, eles criam clareiras em áreas arborizadas, o que permite que novas plantas cresçam e as florestas se regenerem naturalmente.
E depois há a dispersão de sementes. Quando os elefantes comem plantas e frutas com sementes, as sementes muitas vezes ressurgem sem serem digeridas. É assim que muitas plantas se espalham. E os elefantes podem comer sementes grandes que animais pequenos não podem.
Sem os elefantes, a estrutura natural e o funcionamento das suas paisagens seriam muito diferentes, o que teria impactos na restante vida selvagem e nas pessoas que partilham aquele espaço.
A população local depende dos recursos naturais encontrados nos habitats dos elefantes, por exemplo, para alimentação, combustível e rendimento. Como um dos “cinco grandes” da vida selvagem de África, os elefantes são populares entre os turistas, o que pode ser uma importante fonte de rendimento para as comunidades.
Ao ajudar a proteger os elefantes, também ajudamos a garantir que seu ambiente e seus recursos naturais estejam disponíveis para as próximas gerações.
Em "Vida em Extinção", uma equipa de artistas e ativistas expõe o mundo oculto da extinção com imagens inéditas que podem mudar a forma como vemos o planeta. Dois mundos impulsionam a extinção em todo o planeta - e podem provocar a perda de metade das espécies conhecidas. O primeiro é o comércio internacional de animais selvagens, que cria mercados clandestinos às custas de criaturas que sobrevivem neste planeta há milhões de anos. O segundo está à nossa volta, oculto bem diante de nós — um mundo que as empresas de gás e petróleo não querem que a população veja. Usando táticas secretas e tecnologia de ponta, a equipa de Vida em Extinção expõe esses dois mundos numa tentativa de inspirar a preservação da vida na Terra. Dos mesmos criadores do premiado "A Enseada" (2009), vencedor do Oscar de Melhor Documentário.
A premissa do documentário, que o Discovery Channel exibiu em 220 territórios em 24 horas, é simples. A quinta fase de extinção na Terra, há 65 milhões de anos, foi a que fez desaparecer os dinossauros. A causa? Um asteróide. Em 2015, os cientistas ouvidos no documentário argumentaram que estamos a viver a sexta era, o Antropoceno. "A Humanidade é o asteroide". E esta é a ultima oportunidade para salvarmos o planeta. "Os meus amigos paleontólogos dizem que, se olharmos para a história do Homem desde a revolução industrial até 2100, a II Guerra Mundial será apenas uma nota de rodapé em comparação com a nossa geração, que está a levar a cabo a maior perda de diversidade desde a extinção dos dinossauros".
Realizado como um thriller de espionagem, Racing Extinction mostra Louie Psihoyos e a sua equipa em verdadeiras missões de detetives. Munidos de câmaras e microfones ocultos, viajam até Hong Kong, disfarçados de turistas gastronómicos, à procura de estabelecimentos que vendam espécies em vias de extinção. E é ali, no topo de um edifício, que fazem uma descoberta chocante. Depois, na província de Cantão, na China, visitam um mercado ilegal, em pleno céu aberto, onde são vendidas inúmeras espécies raras, desde corais a mamíferos. Do fundo do mar, Racing Extinction passa para a criação industrial de gado. Três quartos do terreno agrícola do mundo todo é usado para alimentar animais para consumo. E há uma conclusão que, na entrevista, Psihoyos faz questão de enfatizar: "A criação de gado emite mais gases nocivos do que todo o setor dos transportes. Um vegetariano que conduza um Hummer usa menos energia do que uma pessoa que coma carne e ande de bicicleta".
Mas nem tudo são más notícias: o documentário foca os resistentes, os investidores nas energias renováveis, os esforços feitos em países em vias de desenvolvimento para transformar regiões dependentes da caça de espécies em perigo em zonas de turismo. Racing Extinction não é apenas um documentário. Pretende criar um movimento, primeiro nas redes sociais, e depois na prática, usando a hashtag #Startwith1thing (em português, "começa com uma coisa"). Embora admita que governos e organizações governamentais "não estão a fazer o suficiente", o realizador salienta o facto de, "pelo menos, se estar a falar sobre estes assuntos".
Vale a pena conhecer o trabalho e activismo deJ. Ralph
Reduzir as emissões de carbono: o mundo enfrenta uma crise climática e uma das questões mais urgentes é a redução das emissões de carbono. Isso pode ser feito reduzindo o uso de combustíveis fósseis, promovendo energia renovável e implementando políticas que reduzam a produção de carbono.
Proteger a biodiversidade: Os ecossistemas da Terra são cruciais para a sobrevivência humana, mas estão ameaçados por atividades humanas, como desmatamento e poluição. Proteger a biodiversidade requer uma combinação de políticas nacionais e acordos internacionais que reforçam os esforços de conservação.
Reduzir o desperdício: A quantidade de lixo produzida pelas sociedades humanas é um problema ambiental significativo. A redução do desperdício pode ser feita por meio da reciclagem, reduzindo o uso de itens de uso único e incentivando práticas de produção sustentáveis.
Adote práticas alimentares sustentáveis: o sistema alimentar global tem um impacto significativo no meio ambiente, desde as emissões até o uso da terra e a poluição da água. Métodos de produção de alimentos mais sustentáveis, como agricultura regenerativa e pesca sustentável, são necessários para mitigar esse impacto.
Incentive a educação e a conscientização: aumentar a conscientização sobre o impacto das atividades humanas no meio ambiente e promover a educação sobre práticas sustentáveis pode incentivar as pessoas a adotar estilos de vida mais sustentáveis. Isso envolve campanhas e políticas nacionais e internacionais que promovem a consciência ambiental.
Em resumo, para salvar o mundo, é preciso haver esforços coletivos para enfrentar as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade, reduzir o desperdício, adotar práticas alimentares sustentáveis e incentivar a educação e a conscientização.
Foi há precisamente 50 anos que a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES) foi adotada. Em Washington, D.C., capital dos Estados Unidos da América, representantes de 80 países reconheceram que a vida selvagem é “uma parte insubstituível dos sistemas naturais da Terra que deve ser protegida” e que “os povos e os Estados são e devem ser os melhores protetores das suas próprias fauna e flora selvagens”.
Assim, no dia 3 de março de 1973, este tratado foi adotado e a 1 de julho de 1975 entrou em vigor. O objetivo? Assegurar que o comércio internacional de animais e plantas selvagens não representa uma ameaça para a sobrevivência dessas espécies.
Estima-se que todos os anos esse tipo de comércio gere milhares de milhões de dólares em todo o mundo, com centenas de milhões de animais e de plantas a atravessarem fronteiras, podendo passar, em muitos casos, por diversos países entre a origem e o destino.
A CITES, que conta hoje com 184 Estados-contratantes, pretende regular o comércio de espécies que se consideram estar ameaçadas de forma a evitar que a sua exploração possa exceder a sua capacidade de recuperação. Ou seja, com este instrumento legal pretende-se impedir que espécies de animais e de plantas desapareçam devido a práticas comerciais insustentáveis.
Portugal juntou-se à CITES em dezembro de 1980 e a convenção passou a vigorar no país em março do ano seguinte.
Conferência das Partes (COP19) da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES), que se realizou em novembro, no Panamá. Foto: CITES
Uma das características distintivas desta convenção são os seus Apêndices. No Apêndice I estão listadas todas as espécies ameaçadas de extinção cuja sobrevivência está a ser ou pode vir a ser afetada pela sua comercialização. Por isso, o comércio desses animais e plantas está sujeito a uma “regulação particularmente rigorosa”, como se pode ler o no texto da CITES, “para não ameaçar ainda mais a sua sobrevivência”. No entanto, geralmente o comércio destas espécies do Apêndice I é proibido.
O Apêndice II, por sua vez, é constituído, essencialmente, por espécies de fauna e de flora que, embora não o estejam nesse momento, possam vir a ser empurradas para o limiar da extinção se a sua comercialização não foi devidamente regulada. O comércio internacional dessas espécies só é possível mediante a emissão de uma licença por parte das autoridades nacionais com competências sobre a gestão e conservação da Natureza. No caso de Portugal, essa responsabilidade recai sobre o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Por fim, existe um Apêndice III, pouco falado, que inclui espécies cujo comércio é regulado por algum dos Estados-contratantes e que, para garantir que não desaparecem por via da extinção, requerem a cooperação de outros países para controlar a sua comercialização a nível internacional.
Atualmente, estima-se que, no seu conjunto, os três Apêndices englobem mais de 38 mil espécies de plantas e de animais, sendo que quase todas fazem parte do Apêndice I. Não importa o tamanho ou o grupo taxonómico ao qual pertença, se estiver ameaçada pelo comércio internacional essa espécie passará a fazer parte de um dos apêndices, e a grande maioria das espécies listadas são espécies de plantas.
Tal como acontece com outras convenções internacionais, no âmbito da CITES são convocadas Conferências das Partes (COP), também conhecidas com ‘conferências da vida selvagem’, durante as quais os vários Estados-contratantes são chamados a rever a implementação da convenção e a decidir sobre a inclusão ou retirada de espécies dos apêndices ou a mover espécies de um apêndice para o outro, consoante a avaliação do seu estado de ameaça face ao comércio internacional.
No passado mês de novembro, teve lugar mais um desses encontros, a COP19, dessa feita no Panamá, onde se reuniram delegações de mais de 160 países, bem como diversas organizações da sociedade civil. Do encontro resultou a adoção de propostas, apresentadas pelos Estados-parte, que, no seu total, incluíram mais de 500 novas espécies de plantas e de animais nos apêndices para regular o seu comércio internacional, algo que o Secretariado da CITES, o órgão máximo que gere a implementação da convenção entre as COP, considera ser um sinal claro do compromisso dos países para combater a crise da perda de biodiversidade.
Na COP19 de novembro passado foram incluídas nos Apêndices da CITES 54 novas espécies de tubarões e de raias (elasmobrânquios), incluindo 19 que estão hoje ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção. Foto: CITES
Sobre a COP19, é de destacar a adição aos Apêndices de 54 novas espécies de tubarões e raias, das quais 19 estão hoje ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção, o que a organização ambientalista WWF considerou ser uma decisão “histórica”. A inclusão dessas espécies de elasmobrânquios faz com que agora perto de 90% do comércio internacional desses animais só possa acontecer mediante a emissão de uma licença e se não colocar em risco a sustentabilidade e sobrevivência dessas populações.
50 anos depois: CITES “longe de ser um tratado perfeito” mas “um dos mais bem-sucedidos acordos ambientais multilaterais”
Numa altura em que se estima que mais de um milhão de espécies enfrentam o real risco de desaparecerem por completo, que mais de 35% dos stocks de peixe a nível global estão a ser sobre-explorados, e que se prevê que o aumento da população humana mundial colocará ainda maior pressão sobre os recursos naturais do nosso planeta, a proteção das espécies que estão sob a nuvem negra da extinção e das que, sem as medidas corretas, podem vir a sofrer o mesmo destino é de crucial importância.
Por isso, a CITES pode ser percebida como “um tratado que está entre o Comércio, o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável”, explicou-nos Ivonne Higuero, Secretária-geral da convenção, a partir de Washington, D.C., onde esta sexta-feira decorreram as celebrações do Dia Mundial da Vida Selvagem, uma efeméride criada pelas Nações Unidas que pretende chamar a atenção do mundo para a beleza da Natureza e de todas as formas de vida que dela fazem parte e para a urgência de as proteger.
Ivonne Higuero, Secretária-geral da CITES, falou com a Green Savers, por videochamada, enquanto estava em Washington DC, nos Estados Unidos da América, para as celebrações do Dia Mundial da Vida Selvagem.
Meio século após a adoção da CITES, e reconhecendo que “está longe de ser um tratado perfeito”, Higuero, que é bióloga de formação, acredita que esse é “um dos mais bem-sucedidos acordos ambientais multilaterais” e assinala que “sem esta convenção estaríamos numa situação bem pior”, referindo-se à perda de diversidade de espécies que hoje configura, a par da poluição e das alterações climáticas, uma das maiores crises planetárias dos nossos tempos.
A responsável recorda que, através desta convenção, foi possível ajudar os Estados-contratantes a melhorarem e a reforçarem as suas legislações nacionais sobre o comércio internacional de espécies ameaçadas de animais e de plantas e até fazer com que país que não tinham essa legislação passassem a tê-la.
O trabalho dos Estados-parte da CITES, segundo Higuero, permitiu já melhorar o estado de conservação de várias espécies, levando à sua passagem do Apêndice I, o nível mais alto de proteção ao abrigo da convenção, para o Apêndice II. No entanto, disse-nos que não têm feito essa transição tantas espécies quanto as que gostaria, “pois isso realmente demostra o sucesso da convenção, mas é encorajador ver algumas a passarem do Apêndice I para o Apêndice II”. E, em alguns casos, embora mais restritos, tem sido mesmo possível retirar completamente as espécies das listas devido aos aumentos populacionais que permitem afastar o perigo de extinção devido ao comércio.
Tráfico de espécies é uma “ameaça tremenda” à biodiversidade
A SG da CITES salientou também que este tratado tem sido uma importante ferramenta no combate ao tráfico ilegal de espécies ameaçadas, promovendo uma maior transparência e rastreabilidade do comércio desses animais e plantas, desde o local em que foram colhidos até ao destino final. A esse respeito, destacou o trabalho que tem sido feito, especialmente ao nível do Consórcio Internacional de Combate aos Crimes contra a Vida Selvagem (ICCWC), com a Interpol, com o Banco Mundial, com o Gabinete das Nações Unidas para as Drogas e o Crime (UNODC) e com a Organização Mundial das Alfândegas.
“Por todo o mundo, são feitas cada vez mais apreensões de vida selvagem comercializada ilegalmente”, contou-nos, especialmente nas zonas portuárias, que são muitas vezes as portas de entrada para produtos derivados da vida selvagem que violam as regras da CITES.
Resultado da operação ‘Thunder 2022’, no âmbito do Consórcio Internacional de Combate aos Crimes contra a Vida Selvagem (ICCWC). Foram apreendidos quase 800 kg de marfim de elefantes, 25 chifres de rinoceronte, 119 grandes felídeos cinco toneladas de plantas de espécies ameaçadas, 750 aves, 9 pangolins, 34 primatas, quase dois mil répteis e mais de mil tartarugas, entre muitos outros. Fonte: Interpol
Apesar dos esforços, Higuero considera que “temos de fazer muito mais para combater essas organizações criminosas internacionais que estão envolvidas no tráfico de espécies ameaçadas”, mas observou que, de facto, tem sido possível verificar uma melhoria na capacidade para frustrar essas atividades ilegais.
O tráfico de espécies selvagens ameaçadas “é definitivamente uma ameaça tremenda”. Ao contrário do comércio legal, em que é possível perceber se uma espécie está a ser sobre-explorada e aplicar medidas para resolver o problema, a avaliação dos impactos do comércio ilegal nas espécies é muito mais difícil.
“Temos grandes apreensões de escamas de pangolins. Quantos animais estão a ser mortos? Não conseguimos saber ao certo”, contou-nos Higuero, reconhecendo que se trata de uma ameaça “muito difícil de combater”. Como tal, defende que a formação das autoridades fiscalizadoras do comércio e a implementação de ferramentas tecnológicas, como a Inteligência Artificial, são muito importantes nessa luta.
“Claro que o ideal é deixar de haver apreensões. Não porque não houvesse capacidade para fazê-las, mas porque esses crimes já não aconteceriam”, confessou-nos a responsável, argumentando que os crimes contra a vida selvagem “devem ser tratados como qualquer outro crime grave, com penalizações, com multas e com penas de prisão significativas”, que, segundo Higuero, devem ser aumentadas e não ser meros castigos simbólicos.
A caça-furtiva, especialmente de elefantes e de rinocerontes, e o comércio de certos produtos derivados de espécies em risco, como bexigas-natatórias de vaquitas, o cetáceo mais ameaçado em todo o mundo, têm diminuído nos últimos anos, de acordo com a responsável, mas “temos de nos manter atentos”. E o tráfico ilegal de madeiras e de enguias, por exemplo, continua a ser “muito preocupante”, alertou Higuero, acrescentando que “ouvimos falar muito do tráfico de marfim de elefantes, mas menos de pau-rosa”, um material que ainda é alvo de “uma grande procura”.
A vaquita (Phocoena sinus) é o cetáceo mais ameaçado do mundo. Foto: NOAA Fisheries
Assim, “não há como negar que ainda há procura por estes produtos”, pelo que “temos de continuar a luta contra os crimes contra a vida selvagem”.
Na proteção da biodiversidade, não podemos esquecer as comunidades locais e os povos indígenas
A Secretária-geral da CITES lembrou também que é preciso não esquecer os impactos que a restrição do comércio de espécies selvagens tem sobre as comunidades locais e povos indígenas, pois para muitos deles grande parte do seu rendimento, ou mesmo a sua totalidade, depende desse comércio.
“Trabalhamos com eles para que possam perceber melhor a responsabilidade que têm em manter esses habitats onde esses animais e plantas selvagens existem, procuramos assegurar que são recompensados pelo trabalho que fazem em prol da sua conservação e que as suas vozes são ouvidas”, relatou Ivonne Higuero, sustentado que existem já estudos que comprovam que as terras geridas por povos indígenas e comunidades locais, que tenham direitos sobre elas, prosperam muito mais do que outras que não o são.
Investimento e redução da procura são a chave para combater o comércio ilegal e preservar a vida selvagem
Quanto ao futuro, Ivonne Higuero mostra-se confiante de que a CITES continuará a sua missão de combate às atividades criminosas e ilegais que contribuam para a perda de biodiversidade. Destacou como melhorias vindouras a crescente digitalização das licenças de comércio, para combater os riscos de fraude e corrupção, o papel dos jovens na redução da procura por produtos do comércio irregular de vida selvagem e na consequente redução da oferta, e a consolidação do papel da convenção enquanto mais uma ferramenta para ajudar a evitar novas pandemias, embora, claro, admita que “nunca será zero”.
E o financiamento é, obviamente, algo que não só é fundamental para combater o comércio ilegal de espécies ameaçadas, mas também para revitalizar a Natureza, reparar os danos que por nós lhe foram e continuam a ser infligidos e ajudar as plantas e os outros animais a recuperarem de séculos de exploração desmedida.
Higuero afiançou que “é realmente preciso perceber que investir na biodiversidade, investir na Natureza, é algo que vale a pena fazer, porque ganhamos muito com isso”, não apenas, e não de somenos importância, para garantir a diversidade de vida que torna o nosso planeta único, mas também porque isso é investir no nosso próprio bem-estar e na garantia de podemos continuar a beneficiar dos serviços, muitas vezes indispensáveis (como a polinização, os ciclos de água, a captação de carbono), que os ecossistemas nos proporcionam, e dos quais nós quase nunca nos apercebemos ou tomamo-los por garantidos.
E porque a conservação das espécies “tem custos”, o dinheiro não pode vir apenas da esfera pública. Para a Secretária-geral da CITES, deve também fluir do setor privado, não só de empresas, mas também de pessoas com grandes fortunas, que podem ser fundamentais para assegurar que conseguimos estancar a perda de biodiversidade e que podemos recuperar a Natureza antes que seja demasiado tarde.
“É fundamental passar a mensagem de que não há qualquer necessidade para comprar produtos ilegais, que é preciso continuar a pressionar os governos para que façam o que é correto e para penalizarem os criminosos e assegurarem que esses cumprem penas de prisão efetivas, para que não seja um crime fácil de cometer”, sublinhou Ivonne Higuero, acautelando, ainda assim, que é preciso também encontrar alternativas ao comércio ilegal de espécies ameaçadas, porque para muitos essa via é a única fonte de subsistência e é uma realidade que não pode ser ignorada, pois essas pessoas “também precisam de por comida na mesa, de educar os seus filhos e de ter acesso à saúde”.
A preservação de populações de elefantes florestais em perigo crítico é crucial não só para os próprios animais, mas também para proteger as capacidades de sugar carbono dos ambientes em que vivem, revela um novo estudo.
A floresta tropical da África Central e Ocidental, que é a segunda maior da Terra, poderia perder 6 a 9% da sua capacidade de captura de carbono atmosférico se as comunidades de elefantes fossem dizimadas – acelerando ainda mais o aquecimento do planeta.
Os elefantes florestais desempenham um papel crucial no ciclo do carbono, ‘desbastando’ o dossel da floresta tropical comendo árvores mais altas de crescimento rápido que capturam menos carbono. Isto cria mais espaço e luz solar para as árvores de crescimento mais lento por baixo das quais capturam mais carbono do ambiente.
“Se perdermos elefantes florestais, estaremos a prestar um mau serviço global à mitigação das alterações climáticas”, diz o biólogo Stephen Blake da Universidade de Saint Louis, no Missouri.
“A importância dos elefantes florestais para a mitigação das alterações climáticas deve ser levada a sério pelos decisores políticos para gerar o apoio necessário para a conservação dos elefantes. O papel dos elefantes florestais no nosso ambiente global é demasiado importante para ser ignorado”.
Utilizando dados de estudos anteriores e novas informações recolhidas no terreno, a equipa analisou cerca de 200.000 registos de padrões de alimentação de elefantes florestais em África, abrangendo mais de 800 espécies de plantas individuais.
A preferência que os elefantes têm pelas árvores de menor densidade de carbono parece dever-se ao valor nutricional que obtêm deles em vez de terem disponibilidade: são mais palatáveis para os animais e mais fáceis de digerir.
No entanto, em termos de frutos, os elefantes preferem árvores com maior densidade de carbono, que têm frutos maiores e mais doces. Isto significa que os elefantes também ajudam a distribuir sementes para estas árvores com maior densidade de carbono em redor da floresta. Algumas espécies arbóreas não conseguem sequer sobreviver sem a ajuda destes animais.
“Os elefantes comem muitas folhas de muitas árvores, e fazem muitos danos quando comem”, diz Blake.
“Eles tiram as folhas das árvores, arrancam um ramo inteiro ou desenraízam um rebento quando comem, e os nossos dados mostram que a maior parte destes danos ocorre em árvores de baixa densidade de carbono”, explicou.
Pensa-se que existem agora menos de 500.000 elefantes africanos em estado selvagem, contra os 3-5 milhões durante o século passado. A caça ao marfim é responsável por esta drástica redução, com 80% das manadas perdidas em algumas áreas. A perda de habitat e os conflitos entre humanos e elefantes estão a reduzir ainda mais o número de populações.
Este novo estudo enfatiza a importância de proteger estes elefantes africanos, os maiores animais que caminham na Terra. Eles são uma das 9 espécies de mega herbívoros – comedores de plantas terrestres com uma massa corporal superior a 1.000 quilos ou 2.200 libras.
Existem agora muito menos mega herbívoros do que antigamente, e as florestas tropicais estão a sofrer em resultado disso, dizem os investigadores. Estão agora planeados estudos futuros, olhando para outras regiões e outras espécies, para ver como outros grandes herbívoros, tais como o elefante asiático e primatas, poderiam afetar a saúde das florestas tropicais.
“Os elefantes são os jardineiros da floresta”, diz Blake.
“Eles plantam a floresta com árvores de alta densidade de carbono e livram-se das ervas daninhas que são as árvores de baixa densidade de carbono”. Eles fazem um trabalho tremendo mantendo a diversidade da floresta”.
A proposta que Portugal desenvolveu nos últimos anos para a identificação de Áreas Marinhas Ecologicamente ou Biologicamente Significativas mereceu esta semana aprovação formal na COP15, que está a decorrer em Montreal, no Canadá.
Estas áreas tipicamente identificadas pelo acrónimo por EBSAS (Ecologically or Biologically Significant Marine Areas), foram avaliadas no âmbito dos Critérios dos Açores – universalmente adotados pelas Nações Unidas para a designação deste tipo de áreas, com reconhecimento de valores naturais em meio marinho – e incidem sobre território marinho localizado no Atlântico Nordeste.
Este é um processo que envolve sete áreas distintas sob jurisdição nacional num total de dezassete áreas no Atlântico Nordeste, e que entra agora numa nova fase com a aprovação formal na COP15: as propostas subscritas por Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, Dinamarca e Islândia reúnem a partir deste passo as condições necessárias à sua consideração como áreas prioritárias de conservação sob as quais se desenvolverão esforços dedicados ao seu estudo e caracterização.
Este é um passo determinante para o cumprimento do compromisso assumido por Portugal no sentido de aumentar a área marinha de jurisdição dedicada a objetivos de conservação, e representa o cumprir de um objetivo conjunto assumido pelo País nas dimensões de trabalho científico regional, levado a cabo pelas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira e pelos organismos nacionais.
O Plenário da COP 15 reunido em Montreal, no Canadá, vai ainda adotar na próxima segunda-feira a decisão referente à Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade Marinha e Costeira, que integra uma posição clara relativa à mineração em mar profundo, subscrita por todos os países da União Europeia e que mereceu também o apoio de Portugal.
A redação final da decisão (que pode ser consultada aqui) impõe a necessidade de aumentar o conhecimento científico quer em termos de biodiversidade, quer em termos de impactes da atividade nesta, assim como desenvolver regulamentação que garanta inequivocamente a proteção dos valores naturais como condição prévia ao desenvolvimento das atividades de mineração em mar profundo.
Hoje celebramos o Dia Internacional da Vida Selvagem e convidamo-lo a conhecer um dos mamíferos que habita na floresta portuguesa: os Veados.
Durante os tempos medievais, eram muito comuns em Portugal, mas no final do século XIX tornaram-se raros devido à caça excessiva, assim como à perda e degradação dos seus habitats. Contudo, a partir da década de 70, a implementação de programas de reintrodução natural começou a inverter a situação e ajudaram a que este mamífero – o de maior porte a viver em Portugal, se tornasse de novo uma presença abundante e frequente.
Hoje, há populações de veados em praticamente todo o território continental, numa ampla variedade de habitats.
Descubra mais sobre a vida selvagem na floresta portuguesaaqui
Os trabalhos de Charles Darwin sobre biologia evolutiva, com a aplicação do principio da selecção natural: “sobrevivência do mais apto” inspiraram uma série de ideologias e actividades humanas que vão desde o fascínio fascista pela eugenia e pureza de raça, ao desenvolvimento de organismos geneticamente modificados na agricultura e à economia “Laissez-faire”.
A mentalidade da sobrevivência do mais apto continua muito viva na geopolítica de hoje. A centralização de poder foi racionalizada, como um meio natural de segurança, que, por sua vez, exige competição por recursos e ideologias opostas.
Actualmente, as ilhas Galápagos, um ecossistema com elevada biodiversidade, onde Darwin efectuou a sua pesquisa, sofrem com a sobrepesca das frotas pesqueiras chinesas que saqueiam as áreas marinhas ao seu redor, numa flagrante demonstração de poder. Com esta actuação, a China contribui para a destruição do oceano, que abriga espécies criticamente importantes, como os tubarões-martelo, alterando toda uma cadeia alimentar onde a humanidade se inclui.
Este exemplo não é apenas um evento isolado. Na verdade, a destruição da biodiversidade passou a ser a norma. Os humanos causaram o desaparecimento de 83% dos mamíferos selvagens, e 50% das plantas, nas últimas quatro décadas. Acresce que, ainda mais impressionante, o último relatório da Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES) anunciou que teve início a sexta extinção em massa do planeta. Como mostra a revisão de Dasgupta, esta extinção está directamente relacionada com a aceleração da globalização económica actual.
De salientar que uma extinção em massa não se limitaria aos reinos vegetal e animal. Como humanos é fundamental que entendamos a nossa pertença e interdependência à natureza, se quisermos salvar a humanidade da fome, do colapso civilizacional e da extinção.
Porquê que a biodiversidade é importante?
Biodiversidade é vida.
A maioria das pessoas demonstra um grande desconhecimento acerca da biodiversidade que os rodeia: que uma complexa ligação de plantas e insectos acarreta a polinização das plantas, que por sua vez produz alimentos. Espécies chave – animais que têm um papel central em determinados ecossistemas, como os castores que projectam paisagens, regulam fluxos de água e contribuem para a filtração da mesma. O fitoplâncton e a vegetação marinha e terrestre usam o dióxido de carbono para a produção de oxigénio. Certas espécies de animais e plantas que participam na despoluição de solos, enquanto outras o descompactam, permitindo o estabelecimento de vida. Os mangais que protegem os litorais de inundações e tempestades devastadoras, ao mesmo tempo que alimentam a vida marinha.
Individualmente, as espécies desempenham funções cruciais no solo, subsolo, nas profundezas oceânicas e em diversas paisagens terrestres. Juntas, cada espécie complementa outras, colaborando de forma interdependente para o benefício comum dentro dos ecossistemas e entre ecossistemas. Em suma, a biodiversidade é a base da resiliência ecossistémica, que é essencial para combater as mudanças climáticas.
A biodiversidade é essencialmente uma arte e ciência da natureza. É informação em movimento e inteligência dos modelos, cores, formas, texturas, cheiros e aprendizagem. É a própria evolução, e nós fazemos parte dela. As culturas humanas costumam emanar de bio-regiões, resultando em diferentes hábitos alimentares, arquitecturas e negócios económicos. O termo francês “terroir” integra este conceito na perfeição: a cultura que exerce a sua força sobre os ecossistemas, criando uma economia e pessoas resilientes.
A Visão Global da Biodiversidade
Contudo, dois fenómenos interligados estão a enfraquecer as culturas humanas e a biodiversidade natural. Primeiro, a globalização económica que favorece as economias de escala em relação à produção tradicional. Para tal, contribuem os fortes benefícios macroeconómicos, que produzem efeitos colaterais: padronização, uma vez que, os humanos precisam de forma crescente de solo para as suas monoculturas, e urbanização, dependente da forma como a economia desenvolve os sectores industriais e de serviços. Como resultado temos a invasão exponencial humana dos habitats naturais.
O segundo fenómeno é a uniformização das técnicas agrícolas de cultivo. Estas aumentaram significativamente após a Segunda Guerra Mundial e com a Revolução Verde (na qual os países em desenvolvimento começaram a usar pesticidas e culturas de elevado rendimento), assim como, o uso de poluentes e combustíveis fósseis. Como consequência, este comportamento acarretou um ataque aos solos e à água das quais a biodiversidade depende. Com o tempo, esta uniformização enfraqueceu a saúde dos ecossistemas em todo o mundo, degradando a sua capacidade de armazenar carbono, água e vida. Para os humanos, isto significa que a água está poluída e que as cadeias alimentares estão contaminadas. Como resultado, os alimentos são menos nutritivos, porque os solos perderam nutrientes que a biodiversidade produz.
Além destes fenómenos decorrentes do crescimento económico e das estratégias de desenvolvimento, a biodiversidade passou a ser um objecto directo de consumo. Como as espécies-chave, exemplo dos tigres, leões e elefantes, que são cada vez mais raras, também é mais lucrativo caçar. Em 2014, a Interpol alertou que o tráfico de animais selvagens se tornou a quarta actividade mais lucrativa em todo mundo – correspondendo a cerca de 15 mil milhões de euros anuais em receitas. Este sector ilegal combina altos níveis de violência com corrupção, resultando em abusos sistémicos dos direitos humanos de defensores ambientais e comunidade indígenas. Em 2017, cerca de quatro defensores ambientais foram mortos por semana. Com eles, o conhecimento precioso para redesenhar de forma sustentável os habitats humanos foi perdido.
Todas estas questões estão intrinsecamente ligadas a níveis crescentes de desigualdade económica. Na verdade, a desigualdade realmente prevê a perda de biodiversidade. Este é um aviso severo: a padronização económica não apenas despojou os ecossistemas da sua vitalidade, como também despojou as comunidades humanas da sua capacidade de administrar a natureza e contribuir para a sua complexidade. Para ilustrar, os acordos de livre comércio entre a Europa e os países latino-americanos promovem produções em grande escala que invadem os ecossistemas locais e os meios de subsistência tradicionais. Isso reduz os preços das culturas tradicionais e empurra os agricultores para a pobreza, ao mesmo tempo que estimula a dependência económica de aportes agroquímicos. Na verdade, não há nada de gratuito ou libertador neste tipo de actuação.
O resultado? Desintegração social e ecológica. Quanto mais a política falha em reconhecer os fundamentos aberrantes sobre os quais se sustenta, mais rápido irá gerar conflito a várias escalas.
Qual o papel da União Europeia neste contexto?
Para que a UE tenha sucesso na luta concomitante contra as alterações climáticas e o colapso da biodiversidade, deve abordar os fatores fundamentais da desintegração ecológica. O Acordo Verde da UE é um passo significativo na direção certa. Ainda está em fase de desenvolvimento estratégico, para o qual o setor de política externa deve contribuir de forma proactiva e construtiva. Algumas áreas já precisam de mais atenção e maior priorização.
A biodiversidade, a economia circular e as estratégias do campo à mesa devem ser apoiadas pela reforma de antigos mecanismos como a Política Agrícola Comum (PAC), que em seu estado actual mina a credibilidade do Acordo Verde quer na Europa, quer nos restantes países fora da Europa. A PAC na Europa é o principal motor da perda de biodiversidade e um dos principais contribuintes para as emissões de dióxido de carbono. O próximo quadro financeiro plurianual deve fornecer incentivos robustos para mudanças sistémicas em direção a abordagens agroecológicas e restauração de ecossistemas.
Acresce que, a PAC incentiva a concorrência desleal com parceiros em todo o mundo, incluindo países da África Ocidental. Em Burkina Faso, a PAC pode diminuir a contribuição dos meios de subsistência tradicionais para a economia nacional e criar pobreza desnecessária, pois os produtos europeus subsidiados inundam os mercados e automaticamente excluem os produtores de leite, por exemplo. Na melhor das hipóteses, a UE é uma celebração da diversidade em todas as suas formas. Portanto, deve também celebrar as paisagens produtivas da biodiversidade como um marco político em seus investimentos internos e externos.
Num mundo onde a competição geopolítica leva países e povos a saquear a natureza, é essencial que a UE construa a sua reputação como parceiro de política externa, que apoia novos contratos socio-ecológicos a nível mundial. Devemos mapear e reconhecer as interdependências ecológicas que regulam o nosso planeta, e então governar de acordo com elas. Devemos alinhar políticas, investimentos e projetos com a gestão social e económica da natureza. A UE deve investigar como conceber a sua política externa de forma a preservar, regenerar e institucionalizar a saúde dos ecossistemas locais ao longo dos seus compromissos diplomáticos. Assumir este compromisso também implica habilitar ou incentivar os sistemas sociais e políticos a assumirem uma função de administração do seu ambiente natural, por exemplo, fortalecendo os direitos humanos e ambientais em conjunto.
A UE também deve contribuir urgentemente para tornar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) das Nações Unidas mais coesos em questões ambientais. Um estudo recente demonstra que as metas ambientais dos ODS não preservam a biodiversidade. Em vez disso, distorcem os dados em direção a indicadores socioeconômicos que promovem o progresso em detrimento da natureza. O financiamento de desenvolvimento da Europa deve resolver esse problema.
Finalmente, dentro do Acordo Verde, a UE deve ser extremamente cuidadosa para não comparar o clima com as metas ambientais. É cada vez mais claro que a tecnologia digital europeia e as ambições verdes dependem das atividades de mineração que terão efeitos negativos nos principais ecossistemas que regulam o clima. A menos que a UE invista em maior pesquisa e desenvolvimento de novas baterias, a demanda industrial e popular por extração mineral levará rapidamente a UE a ultrapassar as fronteiras planetárias - limites naturais essenciais cuja extensão levaria a danos dramáticos e irremediáveis a uma escala global.
A crise ambiental tem sido menosprezada e descredibilizada há tanto tempo e de tantas formas diferentes, que o subconsciente coletivo parece dizer «Não é possível. Se fosse mesmo assim tão grave “eles” faziam alguma coisa». O “eles” todo-poderoso antecipava e salvava-nos.
Como nos salvou de todas as outras crises que vieram antes desta, certo?
A nossa classe política já provou, vezes e vezes sem conta, sobretudo nos últimos anos, que é estrategicamente incapaz de gerir ou antecipar o que quer que seja, mas nós continuamos a fechar os olhos, a empurrar a responsabilidade, a “deixar andar”. Afinal, não pode ser assim tão mau… e se for, os efeitos também só se vão sentir daqui a várias gerações, certo? Errado. Provado e avisado, inúmeras de vezes, pela comunidade científica (o “eles” que importa).
Claro que não apetece nada pensar nisto e muito menos assumir qualquer tipo de responsabilidade, porque não, não basta votar nos paliativos que temos no Parlamento (completamente alienados da realidade), nem basta fazer reciclagem em casa ou parar de comer carne. As medidas que são necessárias tomar neste momento são muito mais dramáticas e estruturais e afetam a própria organização da nossa sociedade. Precisamos reavaliar a sociedade de consumo em que vivemos, de constante produção e crescimento. O resultado já não é teórico. Está à vista. Isto não é segredo nenhum, nem conversa de hippies e extremistas ambientais. Consta, entre outros, do Relatório Especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas.
Neste momento, e se quisermos limitar o aumento do aquecimento global a 1,5°C até 2030, vamos ter que implementar medidas extremas, coisa que até agora nos temos recusado a fazer. Se não o fizermos, e ultrapassarmos esse limite, as consequências serão devastadoras: colapso do ecossistema, acidificação dos oceanos, desertificação, inundação das cidades costeiras, emigração em massa… enfim, receita para o caos. E isto sem considerar sequer que os recursos que usamos e abusamos atualmente, são finitos e que estão a desaparecer a um ritmo alarmante. Desde o peixe, aos combustíveis fósseis, passando pela extinção em massa da biodiversidade terrestre. Continuar assim não é sustentável, mas mais do que isso, não é sequer possível por muito mais tempo e ou aceitamos esse facto e vamo-nos preparando para uma mudança progressiva e faseada ou essa mudança vai acontecer na mesma, quer se queira, quer não – e desengane-se quem acha que temos muitos anos pela frente. O Planeta está-se nas tintas se é “prático” ou se o “custo é demasiado elevado” – vai acontecer e pronto.
Mas então, se temos a informação e se sabemos que medidas são precisas tomar, porque é que não o fazemos? Porque quem tem o poder de decisão é exatamente quem mais beneficia do atual status quo e tem todos os incentivos e mais alguns para negar que a situação seja assim tão urgente. Só vão agir se não lhes for dada outra escolha, através de um movimento em massa de protesto, como temos visto surgir um pouco por toda a Europa e que levou, inclusivamente o Parlamento Britânico a declarar recentemente estado de emergência ambiental.
Em Portugal, este movimento tem surgido em força nas gerações mais novas – naturalmente mais disruptivas e menos acomodadas, mas também mais facilmente descredibilizadas. É altura de juntarmos mais vozes, falar mais alto e exigir um futuro seguro e digno para os nossos filhos – porque é isso que está em jogo.
Human society is in jeopardy from the accelerating decline of the Earth’s natural life-support systems, the world’s leading scientists have warned, as they announced the results of the most thorough planetary health check ever undertaken.
The biomass of wild mammals has fallen by 82%, natural ecosystems have lost about half their area and a million species are at risk of extinction – all largely as a result of human actions, said the study, compiled over three years by more than 450 scientists and diplomats.
Bleached coral reef on the Great Barrier Reef in Australia. Photograph: Nette Willis/AFP/Getty Images
Two in five amphibian species are at risk of extinction, as are one-third of reef-forming corals, and close to one-third of other marine species. The picture for insects – which are crucial to plant pollination – is less clear, but conservative estimates suggest at least one in 10 are threatened with extinction and, in some regions, populations have crashed. In economic terms, the losses are jaw-dropping. Pollinator loss has put up to $577bn (£440bn) of crop output at risk, while land degradation has reduced the productivity of 23% of global land.
The knock-on impacts on humankind, including freshwater shortages and climate instability, are already “ominous” and will worsen without drastic remedial action, the authors said.
“The health of the ecosystems on which we and other species depend is deteriorating more rapidly than ever. We are eroding the very foundations of economies, livelihoods, food security, health and quality of life worldwide,” said Robert Watson, the chair of the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (Ibpes). “We have lost time. We must act now.”
The warning was unusually stark for a UN report that has to be agreed by consensus across all nations. Hundreds of scientists have compiled 15,000 academic studies and reports from indigenous communities living on the frontline of change. They build on the millennium ecosystem assessment of 2005, but go much further by looking not just at an inventory of species, but the web of interactions between biodiversity, climate and human wellbeing.
Over the past week, representatives from the world’s governments have fine-tuned the summary for policymakers, which includes remedial scenarios, such as “transformative change” across all areas of government, revised trade rules, massive investments in forests and other green infrastructure, and changes in individual behaviour such as lower consumption of meat and material goods.
Following school strikes, Extinction Rebellion protests, the UK parliament’s declaration of a climate emergency and Green New Deal debates in the US and Spain, the authors hope the 1,800-page assessment of biodiversity will push the nature crisis into the global spotlight in the same way climate breakdown has surged up the political agenda since the 1.5C report last year by the UN Intergovernmental Panel on Climate Change.
David Obura, one of the main authors on the report and a global authority on corals, said: “We tried to document how far in trouble we are to focus people’s minds, but also to say it is not too late if we put a huge amount into transformational behavioural change. This is fundamental to humanity. We are not just talking about nice species out there; this is our life-support system.”
The report shows a planet in which the human footprint is so large it leaves little space for anything else. Three-quarters of all land has been turned into farm fields, covered by concrete, swallowed up by dam reservoirs or otherwise significantly altered. Two-thirds of the marine environment has also been changed by fish farms, shipping routes, subsea mines and other projects. Three-quarters of rivers and lakes are used for crop or livestock cultivation. As a result, more than 500,000 species have insufficient habitats for long-term survival. Many are on course to disappear within decades.
Eduardo Brondizio, an Ibpes co-chair from Indiana University Bloomington, said: “We have been displacing our impact around the planet from frontier to frontier. But we are running out of frontiers … If we see business as usual going forward then we’ll see a very fast decline in the ability of nature to provide what we need and to buffer climate change.”
Agriculture and fishing are the primary causes of the deterioration. Food production has increased dramatically since the 1970s, which has helped feed a growing global population and generated jobs and economic growth. But this has come at a high cost. The meat industry has a particularly heavy impact. Grazing areas for cattle account for about 25% of the world’s ice-free land and more than 18% of global greenhouse gas emissions. Crop production uses 12% of land and creates less than 7% of emissions.
The study paints a picture of a suffocating human-caused sameness spreading across the planet, as a small range of cash crops and high-value livestock are replacing forests and other nature-rich ecosystems. As well as eroding the soil, which causes a loss of fertility, these monocultures are more vulnerable to disease, drought and other impacts of climate breakdown.
In terms of habitats, the deepest loss is of wetlands, which have drained by 83% since 1700, with a knock-on impact on water quality and birdlife. Forests are diminishing, particularly in the tropics. In the first 13 years of this century, the area of intact forest fell by 7%, bigger than France and the UK combined. Although the overall rate of deforestation has slowed, this is partly an accounting trick, as monoculture plantations replace biodiverse jungle and woodland.
Oceans are no longer a sanctuary. Only 3% of marine areas are free from human pressure. Industrial fishing takes place in more than half the world’s oceans, leaving one-third of fish populations overexploited.
A scalloped hammerhead shark, listed as endangered, dead on a drum line off Magnetic Island,Australia.
Climate change, pollution and invasive species have had a relatively low impact, but these factors are accelerating. Emissions continue to rise. Last week, the amount of carbon dioxide in the atmosphere passed the 415 parts per million mark for the first time. Even if global heating can be kept within the Paris agreement target of 1.5C to 2C, the ranges of most species will shrink profoundly, the paper warns.
Population growth is noted as a factor, along with inequality. Individuals in the developed world have four times as much of an economic footprint as those in the poorest countries, and the gap is growing.
Our species now extracts 60bn tons of resources each year, almost double the amount in 1980, though the world population has grown by only 66% in that time. The report notes how the discharges are overwhelming the Earth’s capacity to absorb them. More than 80% of wastewater is pumped into streams, lakes and oceans without treatment, along with 300m-400m tons of heavy metals, toxic slurry and other industrial discharges. Plastic waste has risen tenfold since 1980, affecting 86% of marine turtles, 44% of seabirds and 43% of marine mammals. Fertiliser run-off has created 400 “dead zones”, affecting an area the size of the UK.
Andy Purvis, a professor at the Natural History Museum in London and one of the main authors of the report, said he was encouraged nations had agreed on the need for bitter medicine.
An olive ridley turtle snarled up in plastic waste near Contadora Island in Panama.“This is the most thorough, most detailed and most extensive planetary health check. The take-home message is that we should have gone to the doctor sooner. We are in a bad way. The society we would like our children and grandchildren to live in is in real jeopardy. I cannot overstate it,” he said. “If we leave it to later generations to clear up the mess, I don’t think they will forgive us.”
The next 18 months will be crucial. For the first time, the issue of biodiversity loss is on the G8 agenda. The UK has commissioned Partha Dasgupta, a professor at Cambridge University, to write a study on the economic case for nature, which is expected to serve a similar function as the Stern review on the economics of climate change. Next year, China will host a landmark UN conference to draw up new global goals for biodiversity.
Cristiana Pașca Palmer, the head of the UN’s chief biodiversity organisation, said she was both concerned and hopeful. “The report today paints quite a worrying picture. The danger is that we put the planet in a position where it is hard to recover,” she said. “But there are a lot of positive things happening. Until now, we haven’t had the political will to act. But public pressure is high. People are worried and want action.”
The report acknowledges current conservation strategies, such as the creation of protected areas, are well-intended but inadequate. Future forecasts indicate negative trends will continue in all scenarios except those that embrace radical change across society, politics, economics and technology.
A rhinoceros walks through a wildfire in a field at Pobitora wildlife sanctuary in Assam state, India.
It says values and goals need to change across governments so local, national and international policymakers are aligned to tackle the underlying causes of planetary deterioration. This includes a shift in incentives, investments in green infrastructure, accounting for nature deterioration in international trade, addressing population growth and unequal levels of consumption, greater cooperation across sectors, new environmental laws and stronger enforcement.
Greater support for indigenous communities and other forest dwellers and smallholders is also essential. Many of the last holdouts for nature are in areas managed by such groups, but even here, the pressures are beginning to take a toll, as wildlife declines along with knowledge of how to manage it.
Josef Settele, an Ipbes co-chair and entomologist at the Helmholtz Centre for Environmental Research in Germany, said: “The situation is tricky and difficult but I would never give up. The report shows there is a way out. I believe we can still bend the curve.
“People shouldn’t panic, but they should begin drastic change. Business as usual with small adjustments won’t be enough.”
This article was amended on 12 June 2019 because Eduardo Brondizio is from Indiana University Bloomington, not Indiana State University as an earlier version said. This has been corrected.