sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Finlândia fez um acordo de milhões com a Google para a construção de centros de dados. Agora, está a ver as suas florestas a desaparecerem
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Floresta da Liga: ação ecológica real ou greenwashing da Betclic e FPB?
O projeto "Floresta da Liga", lançado pela Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) em parceria com a Betclic, move-se num terreno profundamente ambíguo. Por um lado, há um esforço genuíno de intervenção num espaço degradado na Serra da Arrábida; por outro, é impossível não notar como a iniciativa se presta a dinâmicas evidentes de greenwashing, sportswashing e social washing. Ao transformar um antigo olival abandonado numa agrofloresta associada aos clubes das Ligas Betclic, e ao enquadrar a ação no programa Sports for Climate Action (associado à UNESCO e às Nações Unidas), junta-se a causa ambiental à promoção da modalidade. No entanto, quando se olha com mais atenção para os detalhes técnicos e operacionais, surgem várias questões que merecem um reparo sério.
Em primeiro lugar, no que toca ao ecossistema local, um restauro ecológico estrito com flora autóctone da Arrábida seria mais do que suficiente, incomparavelmente mais resiliente a longo prazo e com muito menor exigência de recursos externos, como água e infraestruturas. Contudo, uma reflorestação pura com espécies locais - como carvalhos, sobreiros e medronheiros - demora muitos anos a ganhar corpo e oferece pouca diversidade de cores vivas a curto prazo. A opção pelo modelo agroflorestal parece responder mais à necessidade de produzir um impacto visual imediato para conteúdos de comunicação e redes sociais do que propriamente à máxima eficiência ecológica de longo prazo.
Em segundo lugar, surge a questão da manutenção intensiva. Ao contrário da vegetação autóctone da Arrábida, que depois de bem estabelecida sobrevive apenas com a precipitação natural da região, os componentes hortícolas e agrícolas de uma agrofloresta exigem regas frequentes, poda contínua e uma gestão constante de recursos, justificando a instalação de sistemas de rega e vedações. O grande risco reside na sustentabilidade do compromisso: se o financiamento ou a manutenção do projeto falharem daqui a 3 ou 4 anos, a componente "agro" dificilmente resistirá, acabando por morrer ou ser sufocada pela vegetação selvagem.
Em terceiro lugar, é inevitável analisar o papel do patrocinador. A Betclic opera no setor das apostas desportivas online, uma indústria sob constante escrutínio ético e social pelos problemas associados ao vício do jogo e à saúde mental. Associar diretamente a marca a projetos ecológicos, à preservação do território e à chancela da UNESCO ajuda a humanizar a empresa, a construir goodwill junto do público e a "limpar" a sua imagem corporativa.
Embora à primeira vista possa passar a falsa impressão de ser uma empresa de baixo impacto ambiental por ser 100% digital, a pegada ecológica de uma multinacional de iGaming é considerável. Para manter uma plataforma de apostas ao vivo operacional, é necessário processar milhões de transações por segundo e transmitir streams de vídeo em alta definição, o que exige o funcionamento ininterrupto de data centers e servidores em cloud de elevado rendimento. Esta operação traduz-se num consumo elétrico massiço e na necessidade de sistemas de refrigeração exigentes em recursos, aos quais se soma a pegada de carbono digital gerada pelo tráfego de milhões de utilizadores em simultâneo. Além disso, existe um efeito multiplicador: ao investir milhões de euros na promoção de competições desportivas, a Betclic incentiva e sustenta todo um ecossistema que movimenta milhares de pessoas, viagens semanais e consumos energéticos em pavilhões e estádios.
Quando se analisa a matemática financeira e o retorno de investimento (ROI) de marketing desta iniciativa, a disparidade torna-se gritante. Custear a instalação e a manutenção de uma agrofloresta de apenas 2.500 m² — o equivalente a pouco mais de um terço de um campo de futebol - representa uma fração insignificante da verba global de publicidade e patrocínio da Betclic. Este investimento na Arrábida equivale a uma percentagem mínima do orçamento alocado habitualmente a uma única campanha de televisão ou ao próprio contrato de naming rights da liga. Em contrapartida, por um custo financeiro modesto, a marca obtém reportagens em órgãos de comunicação social, conteúdos valiosos para as redes sociais, menções em comunicados da FPB e uma associação direta a conceitos de elevado valor reputacional, como "biodiversidade", "futuro" e "ação climática".
É verdade que se pode reconhecer algum mérito técnico pontual na execução: o envolvimento da Biovilla traz conhecimento de terreno para a regeneração do solo, e a previsão de fases de monitorização a 2, 3 e 5 anos contrasta com ações pontuais de plantação que depois são abandonadas. Contudo, estes detalhes não alteram o diagnóstico global da iniciativa.
A intervenção abrange uns escassos 2.500 m², uma dimensão irrisória quando confrontada com a pegada ecológica real do basquetebol profissional - entre viagens de equipas, consumo energético em pavilhões, produção de merchandising e deslocação de adeptos - e com a pegada tecnológica e promocional da própria Betclic. Trata-se, no fundo, de uma manobra em que as fragilidades do modelo técnico e os riscos de abandono a médio prazo são ignorados em prol do impacto estético imediato. A "Floresta da Liga" funciona sobretudo como uma conveniente fachada ecológica e um exercício de propaganda corporativa, onde a urgência da crise climática e o ecossistema da Arrábida são instrumentalizados para produzir um retorno de imagem gigantesco a um custo irrisório para as marcas envolvidas.
domingo, 9 de agosto de 2026
Filantrocapitalismo e Greenwashing: o que revela a parceria de Leonardo DiCaprio e Jeff Bezos
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Despejo dos hortelões no Porto - "Misericórdia" só de nome
De um lado da balança, a autarquia e os proprietários dos terrenos, como a Santa Casa da Misericórdia do Porto (dona do espaço junto ao Hospital Conde Ferreira), justificam a desocupação com a necessidade de avançar com planos de reestruturação interna. No caso da Misericórdia, o argumento oficial não é a venda dos terrenos para a especulação imobiliária, mas sim a modernização e requalificação do complexo hospitalar, além da reorientação da horta para fins puramente terapêuticos e sociais da própria instituição. Sob o ponto de vista da gestão de ativos, trata-se de rentabilizar e ordenar o património para garantir a sustentabilidade das suas próprias obras de assistência.
Do outro lado da balança, o custo deste ganho institucional é inteiramente social e ambiental. O encerramento do projeto destrói uma das maiores redes de hortas comunitárias da Europa, retira o sustento e o passatempo de mais de duas centenas de famílias e elimina focos essenciais de biodiversidade e coesão social no meio do asfalto da cidade. É precisamente aqui que o trade-off se torna mais evidente para Pedro Duarte: ao focar-se na gestão rigorosa de ativos, na reavaliação de cedências antigas e na aplicação estrita da lei sobre a ocupação dos terrenos, o executivo municipal prioriza a eficiência e o ordenamento do património público. Contudo, assume o pesado custo reputacional e político de ser criticado pela oposição por falta de sensibilidade social e pela ausência de alternativas viáveis de realojamento para os produtores locais.
Mesmo que o objetivo declarado não seja o lucro imediato através de imobiliário, a decisão mexe com feridas abertas na cidade. O receio da oposição e dos hortelãos de que a libertação destes espaços centrais acabe por abrir portas à pressão imobiliária a longo prazo é o que alimenta o conflito. A atuação do executivo neste caso não se resume a um acerto ou erro absoluto, mas sim à escolha consciente de um dos lados da balança; é uma escolha ideológica e de gestão. Optou-se pelo ordenamento e requalificação dos equipamentos, aceitando como "dano colateral" o desalojamento de uma comunidade que ali tinha criado raízes.
domingo, 5 de julho de 2026
Europe to redefine oil as “sustainable”
“TotalEnergies' position on the SFDR is well known and has been publicly expressed by the Company in its response to the European Commission's consultation dated 6 April 2026. It is available on the European Commission's website.”
“The Commission remains fully committed to engaging constructively with the co-legislators to achieve a balanced and timely agreement on the proposal.”
segunda-feira, 25 de maio de 2026
O sistema Volta - puro Enshittification
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Live Nation, dona da Meo Arena Condenada: O Escândalo de Monopólio e o Crime Ambiental que a Indústria da Música Tenta Esconder
Recentemente, o MIT (Climate Machine) publicou aquela que é considerada a primeira avaliação abrangente das emissões da música ao vivo nos EUA e no Reino Unido, com o apoio da própria Live Nation e de bandas como os Coldplay.
O que diz: o estudo revela que as emissões não vêm apenas do palco, mas de decisões logísticas.
Dados: as viagens dos fãs representam entre 62% (EUA) e 77% (Reino Unido) das emissões totais de um evento.
2. O Peso do "Scope 3" (Emissões Indiretas)
A Live Nation foca-se muito no "Scope 1 e 2" (emissões diretas dos seus recintos), mas especialistas em sustentabilidade apontam que o verdadeiro impacto está no Scope 3:
Logística Global: a promoção de mega-digressões mundiais exige o transporte de centenas de toneladas de aço, luzes e ecrãs em aviões de carga e dezenas de camiões.
Resíduos Sólidos: estudos citados pela Greenly indicam que a indústria de eventos gera cerca de 1.2 mil milhões de toneladas de CO₂ anualmente. Festivais de grande escala (como os geridos pela Live Nation) produzem, em média, 100 toneladas de resíduos por dia.
3. O Impacto da Tecnologia (NFTs e Streaming)
Embora menos visível, a Live Nation explorou o mercado de bilhetes NFT e colecionáveis digitais. Estudos da Digiconomist mostram que a infraestrutura de blockchain para estes ativos (dependendo da rede utilizada) pode ter um consumo energético equivalente ao de pequenas cidades, algo que colide com as metas ambientais da empresa.
Estudo MIT Climate Machine:
Relatório sobre Emissões da Música ao Vivo (Análise do impacto real).
Carbonmark:
Análise da pegada de carbono da indústria de eventos.
The Guardian: Frequentemente publicam investigações sobre o lixo deixado em festivais geridos por grandes promotoras [como este sobre progressos ecológicos destes eventos na Austrália]
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Gigantes globais da carne são forçados a reduzir as alegações enganosas sobre o clima
sexta-feira, 27 de março de 2026
Criado site gratuito que ajuda PME a cumprirem diretiva europeia contra “greenwashing”
segunda-feira, 16 de março de 2026
Eastgate Center: uma história de bioinspiração não muito verdadeira
- Termite-inspired metamaterials for flow-active building envelopes.
- Beyond biomimicry: What termites can tell us about realizing the living building.
- The termite mound: A not-quite-true popular bioinspiration story.
- How is the Eastgate Building NOT like a Termite Mound?








