Mostrar mensagens com a etiqueta Desastres Ambientais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desastres Ambientais. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Secas e cheias estão a atrair pouca atenção mediática global, sugere estudo. E isso pode ser um risco


As secas e as cheias são fenómenos que estão a tornar-se cada vez mais frequentes, intensos e duradouros por causa das alterações climáticas. Contudo, ao contrário dos incêndios que fazem manchetes internacionais, não parecem ser capazes de captar a atenção do media dos países onde não aconteceram.

Dois investigadores, afiliados às universidades de Bonn, Warwick e Imperial College London, apontam que três fatores fazem com que seja maior a probabilidade de a imprensa de um país noticiar um desastre natural noutro: imagens impressionantes, um alto número de vítimas mortais e laços pessoais fortes.

Num artigo publicado na revista ‘Nature Human Behaviour’, Thiemo Fetzer e Prashant Garg dizem que as secas e as cheias não recebem a atenção mediática internacional de incêndios florestais, terramotos, deslizamentos de terras ou erupções vulcânicas.

O trabalho consistiu na análise de dados do Europe Media Monitor, uma base de dados da Comissão Europeia que produz registos diários de notícias publicadas em cerca de 20 mil órgãos de comunicação de 190 países de todo o mundo.

“Perguntámo-nos quais são as catástrofes naturais que suscitam cobertura mediática transfronteiriça”, recorda Fetzer. Por isso, os investigadores focaram-se em todos os desastres cobertos pela imprensa mundial desde 2016, num total de mais de 2.600.

Além nas imagens dramáticas e da quantidade de mortes, a equipa descobriu o que descreve como o fator das “ligações sociais com o país afetado”, como um dos principais fatores que torna mais ou menos provável a cobertura mediática de desastres naturais num país pela imprensa de outro.

“Surpreendentemente, não tem nada a ver proximidade geográfica ou semelhanças linguísticas”, explica, mas sobretudo com “fortes laços pessoais”.

Os investigadores dizem que a proximidade genética entre duas populações contribui para esses laços, apontando que quanto maior for o material genético partilhado, em média, pelas pessoas de dois países diferentes, maior será a probabilidade de a imprensa num dos países cobrir desastres naturais no outro.

“Acreditamos que, em vez de ser a causa real deste resultado, a semelhança genética serve como um indício de laços pessoas estreitos que se desenvolveram, por exemplo, por razões históricas”, refere Fetzer.

Além disso, a dupla de cientistas revela ainda que o número de amizades no Facebook que existem entre os dois países, relativamente ao total das suas respetivas populações, também é fator de influência.

“Laços pessoas asseguram mais interesse e também mais empatia”, salienta o coautor do estudo.

Por todos esses fatores, há consequências do aquecimento global que têm mais dificuldade em chegar às manchetes internacionais. A secas, apontam os investigadores, são geralmente apenas cobertas pela imprensa no país atingido, e algo semelhante acontece com as cheias.

O risco oculto: 
  1. Uma ameaça subestimada. As pessoas continuam a subestimar a verdadeira velocidade e o perigo das alterações climáticas, porque os riscos hídricos mais comuns permanecem fora do campo de visão. 
  2. Resposta tardia: a falta de sensibilização impede as comunidades e os governos de tomarem medidas atempadas para proteger os abastecimentos de alimentos e água. 
  3. Cooperação enfraquecida: sem uma atenção global constante, é menos provável que os países financiem ou apoiem planos de adaptação às alterações climáticas a longo prazo.
“Isso faz com que seja mais fácil ignorar as consequências do aquecimento global, pelo menos até que batam à nossa porta”, conclui Fetzer.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Dia Mundial da Fotografia - o poder de uma imagem para proteger o planeta

A fotografia de conservação serve como a ponte visual essencial entre a ciência e a empatia pública, transformando dados ecológicos abstratos em narrativas capazes de mobilizar populações e influenciar decisões políticas. Ao documentar o estado dos ecossistemas, esta disciplina cumpre papéis fundamentais: fornece provas visuais indispensáveis para a investigação científica, como a monitorização de populações e da perda de habitat, aproxima realidades ambientais distantes do quotidiano das pessoas e atua como um catalisador direto para a criação de áreas protegidas e alteração de legislação ambiental.

Muitos dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, mas na conservação da natureza, uma fotografia pode significar a sobrevivência de uma espécie. Neste Dia Mundial da Fotografia, celebramos mais do que a técnica e a estética - celebramos a lente como uma ferramenta crucial de preservação ambiental. É através do olhar atento e paciente de fotógrafos de natureza que conseguimos testemunhar a beleza frágil de ecossistemas ameaçados, apoiar biólogos no mapeamento da fauna e da flora, e dar voz a causas que exigem a nossa atenção urgente. A fotografia de natureza não existe apenas para registar o mundo, mas sim para nos lembrar do nosso dever de o proteger, pois é impossível cuidar daquilo que não conhecemos


Embora a tecnologia tenha evoluído drasticamente, a fotografia digital luta hoje para manter a sua essência de registo real face à ascensão das imagens geradas por Inteligência Artificial.

Ler mais:

terça-feira, 21 de abril de 2026

Mais um miradouro, neste caso, em frente à Cascata de Fisgas do Ermelo


A cascata das Fisgas de Ermelo, conhecida como uma das maiores de Portugal e da Europa, tem agora um novo miradouro. A inauguração oficial aconteceu na manhã deste domingo, 19 de abril, em Mondim de Basto, no distrito de Vila Real. O momento contou com a presença do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado.

A queda de água tem um impressionante desnível de 400 metros e já contava com um miradouro natural. No entanto, a Câmara Municipal realizou recentemente uma construção para melhorar as condições de acesso, deixando-as mais seguras para os visitantes e atletas que percorrem a região.

Foram criados um acesso pedonal e um passadiço para permitir que os visitantes consigam aceder ao miradouro sem qualquer problema. A construção, segundo o autarca, já devia ter sido inaugurada, mas sofreu atrasos devido à falência da empresa responsável.

“Tivemos a infelicidade de a empresa que estava responsável pela construção da plataforma ter entrado em falência. Portanto, todo o procedimento para que a autarquia pudesse assegurar a concretização da obra foi moroso”, apontou, aqui citado pelo “Público”.

As obras também chegaram a ser criticadas por alguns residentes, que acreditam que a nova construção afeta a paisagem natural. No entanto, a autarquia acredita que vai atrair mais turistas para a região.

𝐏𝐞́𝐬𝐬𝐢𝐦𝐚 𝐧𝐨𝐭𝐢́𝐜𝐢𝐚!  Mais um postal para a "Disneylândia" da natureza - a tendência das autarquias para artificializar paisagens selvagens através da construção de passadiços e plataformas de metal e vidro. Este fenómeno transforma o contacto com o mundo natural numa experiência de consumo visual rápido, focada na partilha em redes sociais, em vez de promover uma ligação autêntica e educativa com o ecossistema. 

Paralelamente, o impacto na biodiversidade e na geologia é preocupante, uma vez que estas estruturas permanentes podem fragmentar habitats — afetando aves de rapina que nidificam nas escarpas — e descaracterizar a geologia local, sendo a perfuração de rochas milenares para fixar estacas vista como um atentado ao património.

O Parque Natural do Alvão, com as suas escarpas rochosas e vales profundos (como as Fisgas de Ermelo), é um habitat crucial para várias aves de rapina rupícolas. Espécies notáveis que nidificam nas escarpas incluem o Grifo (Gyps fulvus), o Bufo-real (Bubo bubo), a Águia-real (Aquila chrysaetos) e o Falcão-peregrino (Falco peregrinus).

A área também é frequentada por outras rapinas, como o Bútio-vespeiro e a Águia-cobreira, que, embora prefiram árvores, podem caçar nas áreas rochosas. 

A ZEC Marão-Alvão é uma zona fundamental para a conservação destas espécies em Portugal, beneficiando da orografia acidentada.[Consultar ICNF

Além disso, o lobo-ibérico marca presença no Parque Natural do Alvão, sendo um dos habitantes mais emblemáticos e importantes desta área protegida. Esta espécie, cientificamente designada como Canis lupus signatus, encontra no Alvão e nas serras vizinhas, como o Marão, um habitat fundamental para a sua sobrevivência a sul do rio Minho. Apesar de estar classificado como "Em Perigo" em Portugal, o lobo mantém alcateias na região. Porém no último Censo 2019-2021 [consultar ICNF] este núcleo populacional sofreu uma redução do número de alcateias detectadas, da ordem dos 50 %, não tendo sido detectada a presença de 7 das 13 das alcateias registadas no anterior censo. 

Esta facilitação do acesso acaba por gerar problemas graves de capacidade de carga e massificação, atraindo milhares de pessoas para zonas antes preservadas pelo seu isolamento, o que resulta em acumulação de lixo, pressão sobre os recursos hídricos e perturbação do sossego da vida selvagem. Estes projetos raramente incluem planos de gestão a longo prazo para mitigar o impacto humano. O investimento deveria priorizar a vigilância e a conservação, através da contratação de mais vigilantes da natureza, em vez de se concentrar exclusivamente em infraestruturas turísticas.  
 
Muitas destas obras ignoram o que acontece "antes" e "depois" do miradouro:
1. Estacionamentos - para levar pessoas ao novo miradouro, é preciso alargar estradas e criar parques de estacionamento, o que impermeabiliza o solo.
2. Espécies Invasoras: o movimento constante de carros e pessoas facilita o transporte de sementes de espécies invasoras nas solas dos sapatos e nos pneus, que acabam por colonizar o Parque Natural e expulsar a flora nativa.

Portugal tem um histórico de construir passadiços e miradouros magníficos que, cinco anos depois, estão degradados, tornando-se perigosos e visualmente ainda mais chocantes na paisagem.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Vítimas silenciosas da guerra: como o conflito do Irão está a envenenar a vida selvagem e o mar


Florestas queimadas, fauna em fuga, mares contaminados: o impacto ecológico do conflito pode durar décadas — muito para além do fim da guerra.
A guerra no Irão continua em fúria — e não é apenas uma guerra entre estados. É também uma guerra contra a natureza.
Enquanto o mundo debate geopolítica, sanções e equilíbrios de poder, as verdadeiras vítimas silenciosas -florestas, zonas húmidas, fauna selvagem e ecossistemas marinhos - estão a ser destruídas, contaminadas e abandonadas.
Os recentes ataques a centrais de dessalinização no Médio Oriente realçam a vulnerabilidade das infraestruturas hídricas nas guerras modernas.
Isto não é simplesmente “dano colateral”. É sabotagem ecológica com efeitos que poderão durar décadas.
Investigadores e organizações independentes têm vindo a alertar para os riscos ambientais associados ao conflito. O Conflict and Environment Observatory tem documentado incidentes ambientais relacionados com operações militares e infraestruturas energéticas na região, demonstrando como a guerra pode gerar impactos ecológicos prolongados 

Florestas queimadas, habitats destruídos
Nas províncias de Lorestan e Kermanshah, ataques militares desencadearam incêndios que devastaram áreas florestais e zonas naturais. Animais fugiram ou morreram queimados enquanto as chamas se propagavam pelos habitats.
As explosões e os incêndios não destroem apenas árvores. Fragmentam ecossistemas inteiros.
Quando os habitats desaparecem, espécies que dependem deles — desde pequenos insetos até mamíferos e aves migratórias - ficam sem abrigo, sem alimento e sem rotas de migração seguras.
Segundo análises do Gulf International Forum, os danos ambientais provocados pelo conflito podem agravar problemas ecológicos já existentes no país, como desertificação, escassez de água e perda de biodiversidade .

Guerra tóxica, legado tóxico
Cada bombardeamento deixa para trás muito mais do que crateras.
A destruição de instalações militares, depósitos de combustível e infraestruturas industriais pode libertar uma mistura perigosa de poluentes: combustíveis, metais pesados, compostos tóxicos e partículas finas.
Incêndios em instalações petrolíferas libertam grandes quantidades de carbono negro e partículas tóxicas que permanecem na atmosfera e acabam por regressar ao solo através da precipitação, contaminando solos e águas subterrâneas.
Essas substâncias podem permanecer no ambiente durante décadas. O resultado é uma contaminação lenta da cadeia alimentar — um processo invisível, mas devastador para a fauna e para as comunidades humanas.
Organizações de investigação ambiental, como a Environmental Protection Knowledge Network, têm alertado para a necessidade urgente de monitorizar os impactos ecológicos do conflito 


O Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz: um ecossistema sob risco
O conflito não se limita ao território iraniano.
No Golfo Pérsico, ataques a portos, navios e infraestruturas petrolíferas aumentam o risco de derrames de petróleo e contaminação marinha. Navios danificados e instalações energéticas atingidas podem libertar grandes quantidades de combustível no mar.
O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, é também uma área crítica para a biodiversidade regional. Mangais, recifes de coral e praias de nidificação podem ser rapidamente afetados por petróleo e produtos químicos.
Projetos internacionais de investigação e proteção ambiental, como o Eco Servants Project, sublinham que conflitos armados podem provocar danos ecológicos irreversíveis e dificultar a recuperação dos ecossistemas 


Quem será responsabilizado?
A comunidade internacional discute cessar-fogos, sanções e diplomacia.
Mas quase ninguém discute as florestas que arderam, os rios que foram contaminados ou as espécies empurradas para a extinção.
E, no entanto, as consequências ambientais da guerra podem durar muito mais tempo do que o próprio conflito.
A restauração de ecossistemas destruídos pode levar décadas — quando é possível restaurá-los.
Enquanto isso, a destruição continua.
Os animais, as florestas e os mares não esperam por tratados de paz.
Eles estão a desaparecer agora.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Adiado o Doutoramento Honoris Causa de Rosa Mota


A cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa da Universidade do Porto a Rosa Mota, que estava agendada para dia 19 de fevereiro, foi adiada para “data a anunciar oportunamente” por decisão da homenageada, na sequência do “difícil e doloroso contexto que o nosso País atravessa na sequência das recentes tempestades”.

“Vivemos um momento que exige a mobilização plena de todas as instituições públicas e privadas, bem como dos seus representantes, num esforço de todos no auxílio às populações afetadas. (…) Não me sentiria bem, que uma iniciativa que me envolve, por muito honrosa e simbólica que seja, pudesse de alguma forma desfocar ou desviar atenções daquilo que é hoje verdadeiramente urgente”, lê-se no comunicado assinado pela atleta.

Na mesma nota, Rota Mota agradece “profundamente à Universidade do Porto, e em particular à Faculdade de Desporto, a compreensão, a sensibilidade e a solidariedade demonstradas, bem como a enorme honra que me foi concedida”.

O comunicado termina referindo que “a cerimónia será realizada em data a anunciar oportunamente, quando o País reunir condições para, com serenidade, podermos celebrar tão importante momento”.

Recorde-se que a atribuição do Doutoramento Honoris Causa à primeira campeã olímpica portuguesa estava prevista para as 11h00 da próxima quinta-feira, dia 19 de fevereiro. A decorrer na Faculdade de Desporto da U.Porto (FADEUP), a cerimónia contaria com a participação do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, na qualidade de padrinho de Rosa Mota.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Organização para Segurança na Europa pede maior cooperação diante de clima extremo


A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) alertou hoje que as tempestades que afetam Portugal e Espanha demonstram que os riscos aumentados pelas alterações climáticas impõem mais colaboração entre legisladores.

“O impacto das sucessivas tempestades na Península Ibérica é um forte lembrete de que as alterações climáticas estão a remodelar os riscos que todos enfrentamos, sublinhando a necessidade de agir com urgência e cooperação para reforçar a nossa resiliência e adaptarmo-nos às realidades de um mundo em aquecimento”, declarou a representante especial da Assembleia Parlamentar da organização, Ainur Argynbekova, num comunicado.

Segundo a representante da OSCE, “os parlamentares têm um papel crucial na tradução dos compromissos climáticos com leis concretas e em quadros de cooperação”.

“Uma forte liderança legislativa é essencial para proteger vidas, meios de subsistência e a estabilidade das comunidades em toda a região da OSCE”, avaliou.

Ainur Argynbekova declarou que “a Assembleia Parlamentar da OSCE reafirma o seu compromisso de integrar as considerações climáticas e de segurança em todas as áreas do seu trabalho e de promover ações cooperativas e inclusivas que construam resiliência e prosperidade partilhada”.

Segundo a responsável, “os recentes debates internacionais, incluindo a COP30 – a conferência da ONU para as Alterações Climáticas, realizada em novembro, em Belém, no Brasil – têm enfatizado que a resposta aos riscos climáticos exige não só a redução das emissões, mas também a aceleração da adaptação”.

“Os eventos climáticos extremos não são incidentes isolados. Refletem uma tendência global mais ampla, identificada pelo Relatório de Riscos Globais 2026 do Fórum Económico Mundial como a principal ameaça a longo prazo para as sociedades atuais”, disse.

De acordo com Ainur Argynbekova, as alterações climáticas aumenta os riscos de segurança, económicos e sociais.

“A ciência confirma que as alterações climáticas aumentam a frequência e a intensidade das tempestades, inundações, ondas de calor e outros fenómenos climáticos extremos, com consequências de longo alcance para os sistemas energéticos, segurança alimentar e hídrica, serviços de emergência e equidade social”, lembrou.

“A Assembleia Parlamentar da OSCE expressa as suas mais profundas condolências a todos os afetados e solidariza-se com as comunidades que enfrentam estes acontecimentos devastadores”, disse ainda a responsável da OSCE.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

As sucessivas tempestades também atingiram a Espanha, provocando enormes danos materiais e milhares de atingidos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

‘Profound impacts’: record ocean heat is intensifying climate disasters, data shows

Enquanto Trump insiste nos seus planos para extrair e queimar as colossais reservas de petróleo da Venezuela, o calor continua a aumentar.
Espere mais um ano de emissões crescentes — e de eventos climáticos extremos ainda mais devastadores e letais.

The world’s oceans absorbed colossal amounts of heat in 2025, setting yet another new record and fuelling more extreme weather, scientists have reported.

More than 90% of the heat trapped by humanity’s carbon pollution is taken up by the oceans. This makes ocean heat one of the starkest indicators of the relentless march of the climate crisis, which will only end when emissions fall to zero. Almost every year since the start of the millennium has set a new ocean heat record.

This extra heat makes the hurricanes and typhoons hitting coastal communities more intense, causes heavier downpours of rain and greater flooding, and results in longer marine heatwaves, which decimate life in the seas. The rising heat is also a major driver of sea level rise via the thermal expansion of seawater, threatening billions of people.

Reliable ocean temperature measurements stretch back to the mid-20th century, but it is likely the oceans are at their hottest for at least 1,000 years and heating faster than at any time in the past 2,000 years.

The atmosphere is a smaller store of heat and more affected by natural climate variations such as the El Niño-La Niña cycle. The average surface air temperature in 2025 is expected to approximately tie with 2023 as the second-hottest year since records began in 1850, with 2024 being the hottest. Last year the planet moved into the cooler La Niña phase of the Pacific Ocean cycle.

“Each year the planet is warming – setting a new record has become a broken record,” said Prof John Abraham at the University of St Thomas in Minnesota, US, and part of the team that produced the new data.

“Global warming is ocean warming,” he said. “If you want to know how much the Earth has warmed or how fast we will warm into the future, the answer is in the oceans.”

The analysis, published in the journal Advances in Atmospheric Sciences, used temperature data collected by a range of instruments across the oceans and collated by three independent teams. They used this data to determine the heat content of the top 2,000 metres of the oceans, where most of the heat is absorbed.

The amount of heat taken up by the ocean is colossal, equivalent to more than 200 times the total amount of electricity used by humans across the world. “Ocean warming continues to exert profound impacts on the Earth system,” the scientists concluded.

Ocean warming is not uniform, with some areas warming faster than others. In 2025, the hottest areas included the tropical and South Atlantic and North Pacific oceans, and the Southern Ocean. In the latter, which surrounds Antarctica, scientists are deeply concerned about a collapse in winter sea ice in recent years.

The North Atlantic and the Mediterranean Sea are also getting warmer, as well as saltier, more acidic and less oxygenated owing to the climate crisis. This is causing “a deep-reaching ocean state change in, making the ocean ecosystems and the life they support more fragile”, the researchers said.

“As long as the Earth’s heat continues to increase, ocean heat content will continue to rise and records will continue to fall,” said Abraham. “The biggest climate uncertainty is what humans decide to do. Together, we can reduce emissions and help safeguard a future climate where humans can thrive.”

sábado, 3 de janeiro de 2026

Pretendem vender a Beira e outros territórios nacionais para serem a pilha eléctrica da Europa do norte



O primeiro flyer oficial já está pronto e pode ser impresso!

O que você pode fazer?

Compartilhe este post em todas as suas redes sociais, envie para seus amigos e use todos os meios digitais que tiver à disposição.

Leve a mensagem para o mundo real. Imprima flyers e cartazes – alguns poucos exemplares por conta própria, se puder. Ou peça apoio à sua administração local. Ninguém deve se comprometer financeiramente demais – mas se cada um fizer um pequeno esforço, podemos criar uma grande campanha.

Distribua os flyers nas ruas. Pergunte aos seus comércios e cafés favoritos se você pode deixar flyers ou colocar cartazes. Use o espaço público dentro dos limites legais. Cole um cartaz no interior do vidro do carro (onde não atrapalhe a visão). Incentive seus amigos a fazer o mesmo.

IMPORTANTE: Antes de imprimir, sempre verifique se o QR code funciona. Já circula um flyer onde isso não ocorre. Portanto, use apenas esta versão por enquanto. Nas próximas semanas, vamos lançar novos designs.

Claro, todos estão convidados a criar seu próprio design! A única solicitação: inclua o QR code correto. 
Sejamos criativos!

Mostremos solidariedade e senso de comunidade. Demonstremos força e determinação.
Vamos fazer Lisboa vibrar em 31 de janeiro!

Juntos somos fortes!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Tribunal suíço vai julgar caso histórico contra gigante do cimento Holcim



A Swiss court is set to hear a climate case against cement giant Holcim after admitting a complaint filed by four residents of the low-lying Indonesian island of Pari.

The residents say rising sea levels are swallowing their home and accuse Holcim of failing to cut carbon emissions.

The Cantonal Court of Zug admitted the complaint in full, marking the first time climate litigation against a corporation will proceed in Switzerland, according to Swiss Church Aid (HEKS/EPER), one of the NGOs assisting the islanders.

The case is part of a global effort to hold major companies accountable for climate damage that threatens millions, especially in poorer countries.

Climate change could submerge Pari by 2050
The case was brought in 2023 by four residents of Pari Island, Ibu Asmania, Pak Arif, Pak Edi, and Pak Bobby, to the court in Zug, where Holcim is headquartered. Rising waters linked to climate change could submerge most of the island by 2050. Pari sits just 1.5 meters (5 feet) above sea level.

The plaintiffs, supported by international NGOs including Swiss Church Aid (HEKS/EPER), the European Center for Constitutional and Human Rights, and The Indonesian Forum for Living Environment (WALHI), say Holcim is one of the world's largest emitters of greenhouse gases. They are demanding rapid cuts in CO2 emissions — 43% by 2030 and 69% by 2040 — as well as compensation for damage and funding for flood protection.

Ibu Asmania said he and the other plaintiffs were "very pleased" by the court's decision.

"This decision gives us the strength to continue our fight," he said. "This is good news for us and our families."

Cement giant plans to appeal
Holcim, which has not operated cement plants in Indonesia since 2019, plans to appeal the court's decision to allow the case to move ahead. The company has repeatedly stressed it is committed to reaching net zero by 2050 but argues lawmakers should decide how those goals are met.

"Holcim remains convinced that the courtroom is not the appropriate forum to address the global challenge of climate change," the company said.

Cement production accounts for about 9% of global carbon dioxide (CO2) emissions, according to the Global Cement and Concrete Association.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Marques Mendes, candidato presidencial teve avença mensal de 5.000 euros de grande construtora civil


A LS2MM, a empresa familiar de Luís Marques Mendes, candidato à Presidência da República, foi dissolvida em 20 de Novembro passado, com encerramento da sociedade, de acordo com registos oficiais consultados pelo PÁGINA UM. A dissolução ocorreu poucos meses depois de uma alteração ao contrato de sociedade, que sugeriria uma passagem de testemunho, e não propriamente o fim imediato da estrutura empresarial.

Isto porque a empresa criada pelo antigo líder do PSD em 2014, com a sua mulher Rosa Sofia, teve uma alteração societária em 27 de Dezembro do ano passado, quando, através de um aumento de capital, entraram na sociedade os três filhos do casal — Ana Sofia, João Pedro e João Miguel. Deste modo, Luís Marques Mendes passou a deter uma quota de 35%, tal como a sua mulher, perfazendo 70% do capital social nas mãos do casal. Cada um dos três filhos ficou com uma quota correspondente a 10% do capital social.

Com cerca de uma década de existência, a actividade da LS2MM sempre foi discreta — não tem sequer um site —, mas para uma empresa que contava apenas com um trabalhador (eventualmente o próprio Luís Marques Mendes), em funções de consultadoria, permitiu ainda assim constituir um significativo pé-de-meia. O PÁGINA UM consultou as demonstrações financeiras da empresa a partir de 2020, contabilizando prestações de serviços no valor total de 600.500 euros.

Em 2025, último ano de actividade antes da dissolução, a facturação registou apenas 28 mil euros, evidenciando uma quebra abrupta da actividade, coincidente com a candidatura de Marques Mendes à Presidência da República. Ainda assim, em 2024, a prestação de serviços rendeu 157.500 euros. Nos restantes anos, as receitas foram de 106 mil euros em 2023, de 121 mil euros em 2022, de 96.500 euros em 2021 e de 91.500 euros em 2020. A estes valores acresciam os ganhos, bastante superiores, que terá auferido enquanto consultor da Abreu Advogados. Só em 2023, nesta sociedade de advogados, que integra vários ex-governantes, Marques Mendes auferiu 440 mil euros.

Durante a sua existência, a LS2MM nunca registou avultados lucros, por apresentar despesas significativas — o que é compatível com uma microempresa familiar que serve também para enquadrar despesas do quotidiano —, mas, ainda assim, com a dissolução, a família Marques Mendes irá distribuir entre os sócios um total de 289.997,56 euros. Aplicando-se, em princípio, uma taxa autónoma de 28%, e não considerando regimes especiais, tal implicará o pagamento de um imposto próximo dos 80 mil euros, ficando o valor líquido a distribuir pelos sócios em cerca de 210 mil euros.

Luís Marques Mendes, com 35%, receberá cerca de 73.500 euros, tanto quanto a sua mulher, enquanto cada um dos filhos amealhará cerca de 21 mil euros, apesar de terem entrado como sócios há menos de um ano.

Continua sem se conhecer publicamente quem foram os clientes de Luís Marques Mendes ao longo de uma década, numa empresa que começou com um capital social de apenas 200 euros e com um objecto social particularmente amplo, abrangendo a “consultoria e assessoria geral, designadamente nas áreas da comunicação social, da informação, da publicidade, administrativa, industrial, económica, de formação e de gestão, incluindo, nomeadamente, a recolha e tratamento de informação, a preparação, organização e realização de palestras, cursos, seminários, congressos, discursos, comentários, artigos de revista e de jornal, simpósios e outros, o planeamento e desenvolvimento estratégico e de negócio”.

Apesar de Luís Marques Mendes não ter respondido às questões e pedidos de esclarecimento do PÁGINA UM, a empresa terá sido usada para o recebimento das suas participações na SIC, bem como para outros serviços de consultadoria. No âmbito desta investigação, o PÁGINA UM teve acesso à cópia de dois contratos celebrados entre a LS2MM e a Alberto Couto Alves, S.A., empresa de construção civil com sede em Vila Nova de Famalicão.

Nesses contratos foi estabelecida uma avença mensal de 5.000 euros, não respeitante a serviços jurídicos — actividade que a LS2MM não poderia, de resto, exercer sob esta forma societária. Não foi possível apurar quando terminou esta relação comercial, mas, segundo apurou o PÁGINA UM, foi a empresa de construção que não quis a continuidade da parceria por estar insatisfeita com os resultados.

A Alberto Couto Alves, S.A. é uma empresa com forte presença na contratação pública. De acordo com dados oficiais do Portal Base, surge como adjudicatária em 247 contratos públicos, maioritariamente em consórcio com outras empresas, num valor global acumulado de cerca de 742 milhões de euros em contratos com entidades do Estado.

Entre as maiores adjudicações destaca-se a empreitada da Linha Circular do Metro do Porto, incluindo o troço Casa da Música–Praça da Liberdade, adjudicada em 2021 a um consórcio com a Ferrovial Construcciones, com um preço contratual de 189 milhões de euros. No mesmo ano, o mesmo consórcio venceu a empreitada da Linha Amarela do Metro do Porto, entre Santo Ovídio e Vila d’Este, incluindo o parque de material e oficinas.

Em 2024, este mesmo consórcio foi adjudicatário da construção das infra-estruturas primárias e regularização de caudais do Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, incluindo a Barragem Hidroeléctrica do Pisão, num contrato de 65 milhões de euros. Em 2020, o mesmo consórcio tinha já vencido a empreitada do troço da Estrada Nacional 326, no valor de 30 milhões de euros.

Constam ainda adjudicações relevantes como a concepção e construção da Linha de Metro Bus Rápido Boavista–Império, para o Metro do Porto, no valor de cerca de 25 milhões de euros, em consórcio com a Alves Ribeiro, e o restauro e modernização do Mercado do Bolhão, adjudicado em 2017 por 22,4 milhões de euros, em consórcio com a Lúcio da Silva Azevedo & Filhos.

Entre as adjudicações vencidas individualmente pela Alberto Couto Alves, destaca-se a construção da nova travessia do Rio Lima, no concelho de Viana do Castelo, adjudicada em 2024 por cerca de 19,5 milhões de euros, e, já em 2025, a remodelação do Museu Nacional de Arqueologia, adjudicada pela Associação Turismo de Lisboa, no valor de 15,4 milhões de euros.

O PÁGINA UM colocou igualmente questões à administração da Alberto Couto Alves, mas não obteve, até ao momento, qualquer resposta.

A dissolução da LS2MM ocorre num momento em que Luís Marques Mendes se apresenta como candidato à Presidência da República, depois de uma longa carreira política e mediática, e levanta questões sobre a actividade desenvolvida pela sua empresa familiar, a sua estrutura societária nos meses que antecederam o encerramento e as relações contratuais mantidas com empresas fortemente dependentes da contratação pública.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Solos superficiais guardam 45% mais carbono do que o estimado


A camada superior dos solos armazena 45% mais carbono do que se estimava, conclui um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que apela à proteção jurídica do solo, à semelhança da atmosfera e dos oceanos.

As camadas mais finas do topo do solo são uma solução climática mais eficaz do que se pensava mas continuam excluídas das políticas climáticas globais, alerta o relatório da Comissão Mundial de Direito Ambiental da IUCN (WCEL), da Aroura e do movimento Save Soil, divulgado no Dia Mundial do Solo, que hoje se celebra.

Os dados das organizações indicam que os solos armazenam 2.822 gigatoneladas de carbono no metro superior e que isso significa que os solos superficiais retêm 45% mais carbono do que as estimativas anteriores.

O relatório denuncia uma persistente marginalização dos solos, da terra e dos sistemas agrícolas no financiamento climático e nas políticas climáticas, lembrando que 40% da terra do planeta está degradada, valor que vai subir para 90% até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“Restaurar a saúde do solo pode ser uma solução imensa para a mitigação climática e uma ferramenta de sequestro de carbono, mas até que estabeleçamos caminhos claros e acessíveis para investimentos em grande escala, os solos permanecerão estruturalmente excluídos das soluções climáticas”, afirmou Praveena Sridhar do Movimento Save Soil, citada em comunicado.

A organização defende que, para manter o limite de 1,5 °C, o sistema climático deve reconhecer a restauração do solo e da terra como um dos pilares centrais da estabilidade climática global.

Cerca de 27% das emissões necessárias para manter o aquecimento abaixo de 2°C podem ser sequestradas em solos saudáveis, segundo o estudo, no entanto 70% dos países não incluíram a restauração do solo como solução de mitigação das alterações climáticas nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (CNDs), da cimeira do clima COP30.

One EU project seeks to address this. ⁠A Soil Deal for Europe has an estimated investment of around 1 billion euros (US$1.15 billion) up to 2028, which involves establishing 100 Living Labs, research, innovation, and developing the monitoring framework, includes mapping. ⁠While other EU funding, like the Common Agricultural Policy (CAP), also contributes to soil management, the 1 billion euros is the most direct figure associated with the Soil Mission that underpins the new EU-wide soil health monitoring framework. Its ⁠goal is to develop a robust, harmonized EU-wide soil monitoring framework, which will contribute to assessing and achieving healthy soils by 2030 in line with the EU Green Deal’s long-term vision of healthy soils by 2050.

Unlike the UN Convention on the Law of the Sea (UNCLOS) for oceans and the Paris Agreement for the climate, soil lacks a global legal protection framework. However, the EU, the Pan-African Parliament and the International Union for Conservation of Nature (IUCN) last month took steps mandating the development of a Global Legal Instrument for Soil Security.

At a COP30 High-Level Ministerial Event on Wednesday, Brazil’s Minister of Agriculture and Livestock Carlos Fávaro launched the Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation as a legacy effort to restore degraded farmland and promote sustainable agriculture.

The report introduces the Soil Security Framework, a practical model for protecting and restoring the world’s soils across five dimensions: capacity, condition, connectivity (how people value soil), capital, and codification (legal protection). This approach reframes soil from an agricultural variable to a strategic resource underpinning food, water security, climate resilience and economic stability.

Soil health is fundamental not only as a carbon sink, but also for climate adaptation. “Living soils are fundamental to agriculture,” said Sridhar. “They support you when you go through climate shocks. Healthy, living soils can absorb flood waters, and in drought they hold water like sponges. The crops are not successful because of the inputs you put on top like chemicals and pesticides – the security lies below the surface.”

domingo, 30 de novembro de 2025

A silent catastrophe: 600 dead while the world looks away


Did you know that more than 4 million people have been affected by catastrophic floods in Southeast Asia this week and more than 600 have already died?

While much of the Western world went about its normal routines, a climate-charged humanitarian disaster was unfolding across Indonesia, Thailand and Malaysia. According to a recent report from Reuters, over 4 million people have now been directly impacted. Entire communities vanished under water. Families were swept away in the night. Roads crumbled. Landslides buried homes with people still inside. Survivors clung to rooftops as rivers exploded out of their banks and swallowed everything in their path. More than 600 lives lost in a few days and yet Western media attention remains fleeting.

“Research published in 2025 found that global media coverage of natural disasters is heavily skewed toward events in countries with close social or genetic ties to the reporting country meaning that catastrophes in many climate-vulnerable regions are largely ignored.”

A week of unimaginable human suffering
In the hardest-hit areas of Indonesia, the death toll climbed to at least 303. Rescue agencies report many missing, entire villages unreachable because roads and communications infrastructure washed away. In southern Thailand, flooding and landslides pushed fatalities into the high hundreds; in some provinces morgues became overwhelmed. Across the region, tens of thousands have been displaced, homes destroyed beyond repair, farmland submerged or swept away, and local economies devastated. Villages remain cut off inside debris-filled flood zones even as relief efforts struggle to reach them.
Behind every statistic there is a human reality:
⚠️ Children wading through waist-deep muddy water after schools collapsed.
⚠️ Parents carrying their children on their backs through flooded roads, uncertain if home still stands.
⚠️ Families living on damp floors or makeshift shelters, hungry, cold, and terrified as rain continues to fall.
⚠️ Farmers staring at drowned fields, their harvests ruined, livelihoods destroyed, futures uncertain.

This is not a disaster. It is collective trauma. This is not “just monsoon season” — this is climate disruption in real time The scale, intensity, and unpredictability of the flooding are not random. Scientists have long warned that a warming world brings heavier rainfall, more volatile storm systems, and increased risk of extreme floods. Warmer air can hold more moisture; warmer seas feed storms; the result is more frequent and more intense rainfall events. Many experts say that what Southeast Asia is enduring now; unusual, catastrophic floods across multiple countries at once is precisely the kind of climate-driven extreme weather that belongs to the future. Today it is the present. This horrific upheaval should not be dismissed as “just bad luck.” It must be seen as a warning, evidence of a planet growing increasingly unstable under human-induced climate change.

Why the world’s silence is so dangerous
When more than 4 million people are affected and 600+ die in a few days — and yet global attention remains shallow — something fundamental is broken. If tragedies in the Global South are treated as distant background noise. If the suffering of millions remains largely invisible to the world’s richest and most powerful countries.If disasters fueled by climate disruption are not met with sustained global solidarity — then we are not just failing in empathy. We are failing in foresight.

Selective attention kills urgency
And without urgency, we will never mount the global response such a crisis demands. And while Asia drowned, something else happened in London This same week, the UK hosted the first-ever National Emergency Briefing at Westminster Central Hall — gathering more than a thousand politicians, business leaders, media figures, faith and community voices, all briefed by a panel of top scientists, health-, food- and security-experts.

The message delivered behind closed doors was unambiguous: the climate and nature crisis is already a national security threat. The same forces tearing apart lives in Southeast Asia — extreme rainfall, destabilized weather patterns, overwhelmed infrastructure — can strike any country.

What climate-driven disasters trigger there, they can trigger here. The flooding in Asia is not a distant regional catastrophe. It is a front-line preview of what could happen anywhere including countries in the Global North. This is not a regional crisis. This is a national emergency everywhere. The floods decimating lives across Southeast Asia are not “somebody else’s problem.” They are a warning — raw, unfiltered, urgent. If we cannot look at the suffering of 4 million people today.If we cannot grant their lives the dignity of our attention.

Then how will we protect our own tomorrow?
Because geography will not protect us from climate collapse. Borders will not stop rising waters. Storms will not ask permission. The question is not if it will happen here — But when. If we stay asleep, the water will open our eyes but that will be too late. One powerful way to wake up the people in charge is to do what a group of courageous scientists and civil-society leaders just did in the UK: host a National Emergency Briefing and put political leaders directly in front of the facts. Bringing politicians into the same room as independent experts without spin, without filters, without delay, is one of the most effective tools we have to cut through denial and inertia. We Don’t Have Time is proud to be the official media partner for this groundbreaking initiative. On this page, you can rewatch the full briefing, hear from the scientists themselves, and learn how the model works:




sábado, 15 de novembro de 2025

Mushrooms That Could Help Save Our Planet: How Mycelium Fights Plastic



Plastic is one of the biggest threats to our planet. We use it daily—plastic bags, bottles, packaging—without thinking twice about the damage it does. The truth is, plastic takes years, sometimes centuries, to break down in nature, causing irreversible harm to ecosystems and wildlife. But what if I told you there’s something that could help us fight back? Mushrooms.

Yes, you read that right. Mushrooms—small, humble, and often overlooked—could play a crucial role in cleaning up our planet's plastic mess.

How can mushrooms break down plastic?
The magic happens with mycelium, the underground network of thread-like structures that make up the body of fungi. Normally, mycelium breaks down organic matter in the soil, but recent discoveries have shown that certain types of mushrooms can also break down plastic. One amazing example is *Pestalotiopsis microspora*, a species of fungus found in tropical forests that can break down polyurethane—a plastic that’s notoriously difficult to decompose. Scientists around the world are now buzzing about the potential of fungi to help solve the plastic crisis.

Why mushrooms could be the solution we need.
Plastic is incredibly stubborn. It decomposes slowly in nature, if at all, leaving us with mountains of plastic waste that end up in oceans, rivers, and landfills. But mushrooms could change that. By breaking down the chemical bonds in plastic, they turn it into safe, natural compounds. This isn’t just some far-off dream—it's already happening. If we learn to harness the power of mushrooms for recycling plastic, we could drastically reduce pollution.

Mushrooms in action: How does it work?
Some countries are already exploring mushroom-powered solutions. Researchers in Japan and South Korea are developing mushroom-based technologies to recycle plastic waste, while labs are working on creating biodegradable packaging to replace plastic. Imagine a world where plastic packaging or bags disappear after use—no waste, no pollution. That’s the future we could have with mushrooms on our side.

Why does this matter?
Plastic pollution isn’t just an environmental issue—it affects all of us. We encounter plastic every day, and unfortunately, it takes centuries for plastic to degrade. But mushrooms could be the game-changer. They can break down plastic and restore balance to our ecosystems. By utilizing mushrooms, we can reduce waste and create sustainable alternatives that won’t harm the planet.

What can we do?
Mushrooms could be the unsung heroes in the fight against plastic, but for this to work, we need to keep researching and developing these innovative solutions. It’s time to support science that focuses on eco-friendly technologies, and we can all play a part. We can support projects that use mushrooms to clean up plastic, and we can reduce our plastic consumption in the meantime.

Let’s not wait for someone else to take action. Together, we can make a difference. Mushrooms have the potential to change the future—and together, we can create a world where plastic no longer harms the planet.

Mycelium isn’t just organic material—it’s a chance at a better, cleaner future for all of us. 

Saber mais:
O potencial inexplorado do cogumelo comedor de plástico da Amazónia
Micorremediação: 8 maneiras pelas quais os cogumelos destroem a poluição

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Central Solar Sophia - O negócio do filho de Marques Mendes


O projecto Sophia, localizado no concelho do Fundão, prevê a ocupação de 428 hectares de Reserva Ecológica Nacional, abrangendo zonas de leitos e margens de cursos de água, áreas de risco de erosão e territórios classificados pela sua sensibilidade ambiental. O empreendimento implicará o abate de cerca de 1.500 sobreiros e afectará habitats de mais de 140 espécies de aves, incluindo a Águia-imperial-ibérica, o Abutre-preto e a Cegonha-preta — todas espécies protegidas em áreas de Reservas Naturais.

O Projecto Sophia é promovido pela empresa Coloursflow Unipessoal, Lda, cujo capital social é 1 euro, foi constituída em 27 de Maio de 2021, e é gerida por Miguel Ricardo Fernandes Lobo. O único sócio desta sociedade é a Lightsource Renewable Energy, Lda, detida por João Pedro Pinto Salazar Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes.

Trata-se de um investimento de grande escala (600 milhões de euros), inserido num conjunto mais vasto de empreendimentos fotovoltaicos actualmente em desenvolvimento em diversas regiões do País. A localização, no interior da Beira Baixa, tem suscitado críticas de associações ambientais e das populações locais, que alertam para o impacto irreversível sobre os solos, os recursos hídricos e os ecossistemas.

Em paralelo, o nome de João Marques Mendes, advogado, surge referido nas escutas da Operação Influencer, investigação conduzida pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Segundo o Ministério Público, o advogado, ligado à Start Campus, participou na elaboração de uma portaria do então ministro João Galamba, destinada a viabilizar o grande centro de dados de Sines — considerado o maior investimento estrangeiro em Portugal desde a Autoeuropa. As escutas telefónicas transcritas pelo DCIAP documentam contactos entre o advogado e administradores da Start Campus, considerados relevantes para o esclarecimento do processo. A investigação assinala coordenação entre agentes públicos e privados com vista à criação de condições favoráveis à aprovação do projecto.

O projecto solar Sophia enquadra-se num contexto de expansão acelerada da produção fotovoltaica, em que a dimensão e a localização dos empreendimentos levantam questões ambientais e sociais de grande alcance. Os estudos técnicos apontam para aumento da temperatura local entre 3 e 5 graus, perda de biodiversidade, alterações na drenagem natural e degradação dos solos, com repercussões directas sobre a agricultura, as comunidades rurais e o equilíbrio ecológico da região. Prevê-se também o isolamento de pequenas povoações e a transformação definitiva da paisagem, com impactos duradouros no território e na qualidade de vida das populações locais.

O processo encontra-se sujeito a avaliação ambiental e a pareceres técnicos que determinarão a sua viabilidade final. A discussão pública em torno do projecto reflecte uma preocupação crescente com a forma como os grandes investimentos energéticos estão a ser conduzidos em Portugal e com a necessidade de assegurar que a política de transição ambiental decorre de forma transparente, equilibrada e compatível com a preservação do património natural.

O projecto Sophia, localizado no concelho do Fundão, prevê a ocupação de 428 hectares de Reserva Ecológica Nacional, abrangendo zonas de leitos e margens de cursos de água, áreas de risco de erosão e territórios classificados pela sua sensibilidade ambiental. O empreendimento implicará o abate de cerca de 1.500 sobreiros e afectará habitats de mais de 140 espécies de aves, incluindo a Águia-imperial-ibérica, o Abutre-preto e a Cegonha-preta — todas espécies protegidas em áreas de Reservas Naturais.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Novo relatório "A COP dos Lobbies" alerta que muitas corporações usam a COP30 para promover interesses privados sob a fachada de sustentabilidade

Pode descarregar aqui

Para além da denúncia do Intercept, outro relatório "A COP dos Lobbies" alerta que muitas corporações usam a COP30 para promover interesses privados sob a fachada de sustentabilidade.

A investigação de 94 páginas analisou oito grandes companhias — Bayer, BTG Pactual, Cosan, Itaú, Marfrig/MBRF, Norsk Hydro, Suzano e Vale — e concluiu que essas empresas têm usado a COP30 como vitrine para reforçar as suas marcas sob o discurso da “transição verde”, apesar de acumularem extensos passivos ambientais. O documento aponta que a conferência vem sendo moldada para favorecer projetos de descarbonização e créditos de carbono, que transformam a preservação ambiental em oportunidade de mercado.

Segundo o relatório, as empresas vêm financiando pavilhões e eventos paralelos em Belém, como a AgriZone, patrocinada pela Bayer, e a Estação do Desenvolvimento, ligada à Cosan, muitas vezes em parceria com ministérios e governos locais. A prática levanta suspeitas sobre conflitos de interesse, uma vez que os mesmos órgãos públicos responsáveis por fiscalizar essas companhias participam dos espaços financiados por elas.

Um exemplo citado é o fato de que o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deverá despachar da AgriZone, espaço custeado pela Bayer, durante a conferência. Para os pesquisadores, essa aproximação entre poder público e corporações enfraquece a independência das negociações e legitima a agenda empresarial dentro da COP.

Greenwashing
Além da presença física nos espaços da COP30, o relatório aponta uma estratégia coordenada de greenwashing estrutural. As corporações investem pesado em comunicação e patrocínios à mídia para se apresentarem como líderes da sustentabilidade.
Cinco das oito empresas analisadas financiaram a cobertura jornalística da COP30 em grandes veículos de comunicação, como Globo, Folha, Estadão, CNN e Liberal. Há ainda o registro de treinamentos e viagens para jornalistas custeados por Itaú e Norsk Hydro, com o objetivo de influenciar a percepção pública sobre seus projetos “verdes”.

As contradições
O relatório dedica capítulos específicos para ilustrar as contradições das empresas que se apresentam como protagonistas da agenda climática.
A Bayer, por exemplo, é acusada de violações de direitos em comunidades da América do Sul e de pulverizar agrotóxicos sobre aldeias do povo Ava Guarani, em Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, lidera iniciativas de “agricultura tropical” e promove uma nova “Revolução Verde” na COP30.
Já a Vale é lembrada pelos desastres de Mariana e Brumadinho. Segundo o estudo, enquanto a mineradora investe R$ 430 milhões em negócios de impacto socioambiental, enfrenta ações judiciais relativas a degradação ambiental, contaminação de poços e danos à saúde pública, cujo valor é 65 vezes maior que o investimento.

Os bancos Itaú e BTG Pactual, embora se apresentem como financiadores da restauração florestal, ocultam o histórico de apoio a desmatadores e setores de alto impacto ambiental. No caso do BTG, o relatório destaca a comercialização de créditos de carbono baseados em plantações comerciais de eucalipto e pinus.

A influência empresarial também se manifesta na criação de coalizões e grupos de lobby que buscam legitimar a presença corporativa nas negociações climáticas. Entre elas estão a Sustainable Business COP30 (SBCOP), a Climate Action Solutions & Engagement (C.A.S.E.) e a Brazil Restoration and Bioeconomy (BRB) Finance Coalition, todas patrocinadas por bancos e mineradoras.

Essas articulações, segundo o relatório, consolidam a financeirização da natureza e deslocam o debate climático para um eixo econômico, em detrimento de pautas de justiça ambiental e dos direitos de povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, que historicamente protegem os ecossistemas e agora lutam por espaço dentro da conferência.

COP30 favorece protagonismo de corporações
O relatório “A COP dos Lobbies” alerta que, sem mecanismos robustos de transparência e regulação do lobby empresarial, as conferências do clima correm o risco de se tornarem plataformas de legitimação do greenwashing corporativo.

Para os pesquisadores, o protagonismo das corporações na COP30 ameaça o caráter público e científico das negociações, transformando a conferência em um evento voltado mais à reputação empresarial do que à busca por soluções reais para a crise climática.

O estudo sinaliza que os verdadeiros defensores da natureza, as comunidades tradicionais, cientistas e movimentos sociais, estão sendo empurrados para os espaços secundários, enquanto os principais poluidores conduzem o debate global sobre o clima.

A COP30 é patrocinada por empresas com notórias responsabilidades em violações e desastres ambientais



Primeira cúpula do clima na Amazônia, a COP30 deveria ser um espaço de discussão de soluções e metas para enfrentar a crise climática. Mas ela pode virar palanque de quem quer lucrar mais enquanto destrói o planeta. Nossa cobertura mostra os interesses corportativos e políticos por trás do discurso de sustentabilidade promovido durante a COP30.

Envolvida nos rompimentos das barragens de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, duas das principais tragédias socioambientais do Brasil na última década, a Vale é a principal patrocinadora da cobertura da imprensa tradicional brasileira sobre a COP30.

Um levantamento do Intercept Brasil mostra que a mineradora está patrocinando a cobertura de oito veículos de comunicação diferentes. Entre eles, estão alguns dos jornais de maior circulação no Brasil, como a Folha de S.Paulo, O Globo e Valor Econômico, o jornal do Pará O Liberal, bem como a rádio CBN, a revista Veja, e os portais de notícias Neofeed e Brazil Journal.

Mas a Vale não é a única empresa envolvida em desastres e crimes ambientais na última década que está financiando a cobertura jornalística brasileira da maior conferência sobre clima do mundo.

As notícias sobre a COP30, evento que começa oficialmente nesta segunda-feira, 10, em Belém e almeja traçar compromissos e metas globais para lidar com a crise climática, também estão sendo bancadas por outras corporações apontadas como grandes contribuintes do colapso do planeta.

A segunda empresa que mais está patrocinando a cobertura da mídia tradicional sobre a conferência, segundo o levantamento, é a gigante da indústria da carne JBS, financiando sete veículos: CBN, Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, Valor Econômico, Veja e Neofeed.

Maior produtora de proteína animal do mundo, a JBS é também a empresa do setor de carne que mais emite gases do efeito estufa no planeta, segundo um relatório recente da ONG Profundo que avaliou o impacto climático da indústria de carne e laticínios.

Completam a lista das empresas que mais patrocinam as coberturas da COP neste ano no Brasil duas gigantes com histórico de violações ambientais. A primeira é a Hydro, multinacional norueguesa do setor de alumínio, condenada pela Justiça Federal no ano passado a pagar R$ 100 milhões por um desastre ambiental em Barcarena, no Pará.

A segunda é a Suzano, gigante do setor de papel e celulose, envolvida em denúncias de uso de agrotóxicos e violações de direitos contra comunidades quilombolas em diferentes regiões do país.

Ambas patrocinam quatro veículos cada. A Hydro está apoiando a cobertura de CNN, Estadão, Exame e do jornal O Liberal, do grupo Liberal de comunicação, do Pará, estado-sede da COP30. Já a Suzano patrocina CBN, O Globo, Valor Econômico e Capital Reset.

Na lista das empresas patrocinadoras do jornalismo tradicional durante a COP ainda estão empresas como a Ambipar, que patrocina a cobertura da Exame, Folha de S.Paulo e Estadão, enquanto lidera projeto de carbono que pretende usar terras públicas e está impedindo pescadores de trabalhar na Ilha do Caju, no Maranhão, em aliança com um empresário sueco. Procurada, a Ambipar afirmou que não irá se posicionar.

Outra patrocinadora é a Philip Morris Brasil, gigante do setor de tabaco que já teve entre seus fornecedores, segundo a Repórter Brasil, uma fazenda investigada por manter um cemitério de animais silvestres em canais de irrigação. Procurada pela reportagem, a Philip Morris Brasil afirmou que “seus contratos com empresas de mídia não envolvem qualquer influência em conteúdo jornalístico” e que “todos os conteúdos institucionais produzidos pela empresa são devidamente sinalizados em todas as publicações”.

No total, segundo o levantamento do Intercept, 59 entidades diferentes, entre empresas privadas, multinacionais, governos, farmacêuticas, bancos, supermercados e ONGs, patrocinam a cobertura da imprensa na COP30.

Para fazer o levantamento, o Intercept considerou dados de TVs, rádios, veículos impressos e online com maior alcance, segundo o Reuters Digital News Report 2025, relatório produzido anualmente pelo Instituto da Reuters na Universidade de Oxford, na Inglaterra, que analisa as tendências de consumo de mídia.

Também foi feita uma pesquisa manual, por meio de buscadores online, utilizando termos combinados como “patrocínio”, “cobertura”, “apoio” e “COP30”, entre os meses de setembro e outubro, além de uma pesquisa nas redes sociais dos veículos.

O levantamento ainda apontou que pelo menos 13 veículos de comunicação brasileiros tiveram patrocínios de empresas privadas, ao longo deste ano, com foco na conferência do clima. Além do patrocínio direto à cobertura, também foi disponibilizada verba corporativa para a realização de séries de debates e formações para jornalistas.
Os interesses por trás do patrocínio

O patrocínio dessas empresas à cobertura da COP30 não significa necessariamente uma influência na linha editorial das reportagens publicadas. No entanto, segundo Melissa Aronczyk, professora da escola de comunicação da Rutgers University, uma das principais pesquisadoras do mundo sobre influência das empresas poluidoras na mídia e autora do livro “Natureza Estratégica”, a atitude das empresas deve no mínimo acender o alerta sobre interesses corporativos ao se vincular a uma agenda de sustentabilidade.

“Não existe patrocínio neutro. Nenhuma organização e certamente nenhuma empresa privada dará dinheiro, apoio ou seu nome a outra organização ou evento, a menos que veja um benefício para si mesma”, afirma Aronczyk.

Para a professora, por meio do patrocínio da cobertura noticiosa, as empresas querem promover uma associação positiva na mente das pessoas entre a marca delas e a COP30, e isso tem preceito histórico. Foi também no Brasil, durante a Rio 92, conferência considerada a mãe das COPs, que observou-se pela primeira vez na história o patrocínio corporativo tomando conta das cúpulas do clima da ONU. 

“Em 1992, líderes de empresas, agências de relações públicas, publicitários e lobistas vieram ao Rio para garantir que a voz das empresas fosse representada. E isso só piorou a cada ano, desde então. Temos mais de 30 anos de cooptação da Cúpula das Nações Unidas sobre o Clima”, diz Aronczyk.

O que mineradoras e empresas do agro tentam fazer agora na COP do Brasil, com tentativas de usar os veículos de comunicação para limpar a própria imagem, está no DNA da expansão de setores como os da mineração, carvão, produtos químicos e petróleo e gás.

“Os primeiros clientes das empresas de relações públicas eram empresas poluidoras que tinham o desejo de promover uma imagem positiva, mesmo enquanto continuavam poluindo”, analisa Aronczyk.

Nas décadas de 1970 a 1980, com a ascensão do discurso sobre mudanças climáticas, as empresas de combustíveis fósseis passaram a trabalhar em estreita relação com agências de relações públicas. Mas, enquanto naquela época o foco delas era negar as mudanças do clima, hoje o objetivo dessas empresas ao usar a mídia é outro: atrasar a busca e o encontro de soluções.

“São formas sutis de obstrução climática, que envolvem manipular jornalistas ou manipular os veículos de comunicação, com o uso de mídias sociais e influenciadores também, para divulgar mensagens e outros tipos de campanhas que atrasam as ações contra as mudanças climáticas, questionando a necessidade de políticas e regulamentações climáticas”, afirma a professora.

Coordenadora geral de pesquisa do Netlab, o Laboratório de Internet e Redes Sociais da UFRJ, a pesquisadora Deborah Salles também pondera que não é possível fazer uma correlação direta entre o patrocínio das empresas e a linha editorial das coberturas, mas alega que o financiamento levanta suspeitas sobre a capacidade de o jornalismo brasileiro cobrir temas complexos e sensíveis, inclusive para os seus patrocinadores.

“A ideia de jornalismo patrocinado é, em si, algo problemático”, pontua. Para Salles, a busca pelo patrocínio nas coberturas midiáticas da COP30 tem a função, ainda, de frear o senso crítico com relação à mineração, à exploração de petróleo e gás, mas também de garantir que os interesses dessas empresas não estejam em risco em um momento tão sensível como é o de negociações por metas e financiamento climático.

“Ao influenciar a opinião pública e tomadores de decisão e garantir que a cobertura vai continuar sendo pouco incisiva, a gente continua com essa possibilidade de passar projetos de lei da devastação e derivados. Em alguma medida, a comunicação corporativa tem como objetivo garantir mais espaço para essas empresas, e mais espaço é menos estresse para as suas atividades”, analisa Salles.

Relatório "A COP dos Lobbies" denuncia avanço do lobby corporativo na COP30 em Belém.