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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Quando uma morte pode ser evitada, ela deixa de ser um acidente e torna-se um fracasso coletivo


Por Julian Fernandez Quilez
Quando uma morte pode ser evitada, ela deixa de ser um acidente e torna-se um fracasso coletivo.
Há notícias que magoam especialmente, e esta, sem dúvida, é uma delas.
Como amante da natureza e fotógrafa que dedicou inúmeras horas a observar, documentar e admirar a fauna da nossa região, esta notícia me entristeceu profundamente. Meu coração se desolou ao saber que Urze, uma ibex feminina que representava a esperança de recuperação da espécie em nossa região, perdeu a vida junto com os seus dois filhotes em um barco de irrigação coberto de plástico na área de Isso.
Não posso evitar sentir uma imensa impotência. Não porque foi um evento imprevisível, mas precisamente porque foi uma tragédia que poderia ter sido evitada.
Urze chegou à área de Isso dois anos atrás equipada com um colar de rastreamento. Ela mal começou a sua nova vida quando perdeu o seu companheiro, Libre, um macho que morreu após ser atropelado na estrada perto do território onde ambos se haviam instalado. Apesar desse duro golpe, Urze avançou e conseguiu salvar a ninhada que estava no seu útero quando chegou à nossa região. Ela era um símbolo de esperança, prova de que o ibex estava lentamente voltando ao seu lugar, onde nunca deveria ter sido perdido.
A coisa mais triste é que essa tragédia foi totalmente evitável.
Barcos cobertos de plástico são verdadeiras armadilhas mortais. Suas superfícies lisas impedem qualquer possibilidade de escapar. Não são apenas lince, também mares, jardineiros, cervos, raposas, gatos, lagartos monitor, répteis, anfíbios e até mesmo pássaros de prédio que desempenham uma atividade de caça e que caem para beber ou tentam capturar alguma prática que está presa na água.
Não estamos a falar de um novo problema. Há anos, Castellana, a primeira lince feminina a chegar à área de Albatana, foi casada com um macho chamado Lucero. Ele também acabou se afogando em outro barco de plástico. Hoje, a história se repete.
Quantos outros animais têm de morrer antes de tomar medidas?
Não é suficiente lamentar quando uma desastre ocorre. É necessário prevenir. Existem soluções simples, econômicas e eficazes que já estão a ser usadas em muitos lugares e devem ser obrigatórias em todas as barcas de irrigação:
  1. Instale rampas de escape que permitam a qualquer animal que caia na água sair.
  2. Coloque redes ou redes de resgate nas laterais.
  3. Incorporar plataformas ou cordas flutuantes que servem como refúgio temporário até que o animal possa sair da barca.
  4. Instalar escadas e escapatórias flutuantes em cortiça 
  5. Adaptar todas as lagoas existentes e exigir que as novas se incorporem a esses sistemas desde a construção.
O custo dessas medidas é insignificante em comparação com a valorização de uma vida, e ainda mais quando estamos a falar sobre uma espécie cuja recuperação exigiu décadas de trabalho e um enorme investimento económico e humano.

Mas os barcos não são a única ameaça que continua a tirar vidas.
As estradas que cruzam ou fronteiram as áreas onde o lince vive continuam a ser um dos seus maiores inimigos. O companheiro do Urze morreu logo após se estabelecer na área. Dois anos depois, Urze e os seus filhotes morreram num barco. Duas tragédias diferentes com o mesmo comum denominador: ambas poderiam ter sido evitadas.
Portanto, além de adaptar barcos de plástico, é essencial agir nas estradas que cruzam os territórios desta espécie: 
  1. É necessário implementar reduções de velocidade nos pontos mais conflitivos
  2. Colocar sinalética animal
  3. Instalar radares, melhorar a identificação específica para a fauna 
  4. Construir cruzeiros de fauna com cercas que lhes permitam ir para onde for necessário. 
Não podemos continuar a esperar por cada nova morte para nos lembrar do que já sabemos.
A recuperação do lince da Ibéria exigiu décadas de esforço, milhares de horas de trabalho e milhões de euros em investimento público. Seria uma grande contradição voltar a eles para que possam continuar a morrer de ameaças que conhecemos perfeitamente e que têm uma solução. A conservação não termina quando um lince é libertado; começa no mesmo momento. Devemos garantir que possa viver e criar seus filhotes num ambiente seguro.
Também quero fazer uma reconhecimento muito especial aos Agentes Ambientais, cuja dedicação diária é essencial para o monitoramento, proteção e conservação do lince ibério. Graças ao seu trabalho, a recuperação desta espécie foi possível e continua a progredir. Mas nem mesmo o melhor trabalho de campo pode impedir mortes que dependem exclusivamente de nós colocarmos soluções onde sabemos que há um problema.

Este artigo não pretende procurar culpados, mas sim despertar consciências. É um apelo às administrações, às comunidades de caçadores, aos proprietários de barcos e a todos os órgãos competentes para agir agora. Porque conservar uma espécie não é apenas sobre reprodução e liberação; é sobre eliminar as ameaças que continuam a acabar com a vida dela.

Não pedimos o impossível. Pedimos a força de vontade. Instalar uma rampa de escape num barco, colocar uma rede, um cortejo flutuante ou reduzir a velocidade em uma trilha perigosa é muito pouco. O que é inestimável é a vida de uma espécie que temos tanto esforço para recuperar.

Escrevo estas palavras com grande tristeza, mas também com a esperança de que servirão para mudar as coisas. Espero que a morte de Urze, dos seus dois filhotes, do Libre, do Lucero e de tantos outros não seja apenas mais uma história de notícias, mas o impulso definitivo para tomar medidas reais e eficazes.
Que esta seja a última vez que tenhamos que chorar pela morte de um lince por razões que estavam nas nossas mãos para evitar. O lince ibércio merece algo melhor. A nossa natureza também. Por favor, partilhem isto, isso tem de mudar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Para garantir circulação "mais segura e permanente" entre Campo do Gerês e Portela do Homem

Estrada da Mata de Albergaria vai ser pavimentada por 1 milhão de euros

Uma intervenção que só vai fazer aumentar a carga em Albergaria e consequentemente a poluição atmosférica e sonora, o abandono de lixo, a deposição de poeiras que recobrem a vegetação, o pisoteio descuidado de plantas e a perturbação constante da fauna — não é raro o atropelamento de animais como corços, martas ou raposas. E o problema é que estes danos não são temporários. Acumulam-se num ciclo contínuo de degradação que ameaça transformar uma área que deveria ser de proteção rigorosa num exemplo preocupante de desleixo ambiental. Senhor Presidente, ainda é tempo de reconsiderar a dita requalificação de Albergaria. Não transforme um património único, que deveria ser defendido com visão e coragem, num instrumento de conveniência política. A proteção da Mata exige responsabilidade. O que está em causa não é apenas o presente, mas sim a herança que deixaremos às gerações do futuro.

Será gasto um milhão de euros desviando um montante que deveria ser investido em projetos que inspirassem e orientassem a população a uma relação com a Mata que viabilizasse a sua manutenção, estudo e contemplação. 

Fonte: O Minho 

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Helsínquia cumpre um ano sem mortes na estrada: lições para Portugal



Helsínquia, capital da Finlândia, registou um feito histórico: entre julho de 2024 e julho de 2025 não houve mortes por atropelamento ou acidente rodoviário. A jornalista Adele Porters destacou, num artigo da revista Fast Company, o impacto das políticas de mobilidade urbana na prevenção de tragédias.

Este resultado deve-se sobretudo a um conjunto de medidas implementadas ao longo das últimas décadas. Entre elas destacam-se a exigência na formação de novos condutores, a adoção de métodos rigorosos de fiscalização e, sobretudo, a redução progressiva dos limites de velocidade dentro da cidade. Atualmente, cerca de 60% das vias de Helsínquia têm limite máximo de 30 km/h, um valor bastante inferior ao praticado em muitas capitais europeias.

Redução de velocidade: a chave para salvar vidas
A redução foi sendo feita de forma gradual: na década de 1970, a velocidade máxima era de 50 km/h na maioria das vias; já no início dos anos 2000, tinha baixado para 40 km/h. Esta mudança tem um impacto direto na sobrevivência das vítimas de acidentes. De acordo com o relatório Literature Review on Vehicle Travel Speeds and Pedestrian Injuries, do Departamento de Transportes dos Estados Unidos, uma pessoa atropelada por um veículo a 50 km/h tem oito vezes mais probabilidades de morrer do que alguém atingido por um automóvel a 30 km/h.

Outro fator determinante para a segurança rodoviária na Finlândia é a formação dos condutores. O processo inclui aulas teóricas e práticas, semelhantes às existentes em Portugal, mas com algumas diferenças de aplicação. Após a obtenção da carta, os condutores finlandeses entram num período probatório de dois anos, durante o qual não podem cometer mais de duas infrações graves. Caso contrário, perdem a licença e são obrigados a repetir os exames.

O regime probatório em Portugal: semelhanças mas resultados diferentes
Em Portugal, também existe um regime probatório, mas com duração de três anos. Durante esse tempo, os condutores estão sujeitos a regras mais restritivas: a taxa de álcool permitida é zero (0,0 g/l), o limite de velocidade nas autoestradas e vias reservadas é de 90 km/h (em vez dos habituais 120 km/h), e a acumulação de duas infrações graves ou de uma muito grave implica a revogação da carta, sendo necessário repetir todo o processo de obtenção do título de condução.

Apesar das semelhanças legislativas, os resultados práticos são bastante distintos. Em Portugal, as estatísticas continuam a revelar números preocupantes. Segundo o relatório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), entre 1 de janeiro e 15 de dezembro de 2024 registaram-se 453 mortes em acidentes rodoviários a nível nacional. Lisboa e Porto foram os distritos mais afetados, com 54 vítimas mortais cada um. Só no distrito de Lisboa, em 2024, ocorreram quatro mortes por atropelamento, número superior ao registado nos anos anteriores (duas mortes em 2022 e duas em 2023).

Resumo dos dados relativos a Lisboa em 2024: 54 mortes em acidentes rodoviários entre 1 de janeiro e 15 de dezembro; 4 mortes por atropelamento durante o ano (em separado das anteriores).

O segredo para o trânsito mais seguro em Helsínquia
O segredo das medidas para um trânsito seguro em Helsínquia está, em grande parte, no planeamento urbano. As vias públicas estreitas — com uma largura média de apenas 3,3 metros — e a plantação de árvores junto aos passeios criam uma sensação de espaço mais limitado, incentivando os condutores a reduzir a velocidade.

Os engenheiros de tráfego da cidade analisam regularmente acidentes com vítimas mortais para compreender se a conceção das vias pode ter contribuído para os mesmos. Sempre que um cruzamento é considerado perigoso para condutores, peões ou ciclistas, as autoridades intervêm, ajustando o espaço para aumentar a segurança.

Alternativas ao carro e transporte público eficiente
Com passeios largos e várias ciclovias, muitos habitantes de Helsínquia conseguem deslocar-se diariamente para o trabalho sem recorrer ao automóvel. Ao contrário de outras grandes cidades que desmantelaram as frotas de elétricos e reduziram investimentos em ferrovias em favor das estradas, a capital finlandesa manteve e reforçou a sua rede de transporte público, tornando-a amplamente utilizada.

A fiscalização é rigorosa e inclui uma rede de câmaras que multam automaticamente os veículos que excedam os limites de velocidade. Quem circula mais de 20 km/h acima do permitido enfrenta uma multa proporcional ao rendimento. Em 2023, um milionário foi multado em 121 mil euros por esta razão, tornando-se num dos casos mais comentados do país.

A comparação entre Helsínquia e Lisboa mostra como a combinação de políticas públicas consistentes, fiscalização eficaz e limites de velocidade adequados pode ter um impacto direto na preservação de vidas humanas. Enquanto a capital finlandesa celebra um ano sem vítimas mortais no trânsito, Portugal enfrenta ainda o desafio de reduzir significativamente as suas estatísticas rodoviárias.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Mais de 1500 animais atropelados nas estradas portuguesas em 2023. Taxa de mortalidade é superior nos gatos


No ano de 2023 foram registados no continente 1.539 atropelamentos de animais nas estradas geridas pela Infraestruturas de Portugal (IP), menos 28,3% do que em 2022, de acordo com o relatório mais recente do organismo.

A recolha dos dados sobre a mortalidade da fauna nas estradas portuguesas é feita desde 2010 pelas Unidades Móveis de Intervenção e Apoio (UMIA) distritais da IP.

Relativamente ao relatório de 2023, o mais recente da empresa, a informação é relativa a cerca de 13.830 quilómetros de vias que estão sob gestão direta da IP, na sua maioria estradas nacionais (EN) ou regionais (ER).

Em 2023 foram registados 1.539 atropelamentos no continente, o que representa uma diminuição em cerca de 28,3% do valor registado em 2022 (2.147) e 37,7% mas baixo do que o valor médio dos anos 2015 a 2022 (2.471,9).

Em declarações à agência Lusa, a bióloga Graça Garcia, coordenadora do relatório, explicou que “é natural existirem flutuações nestes números, decorrente de variáveis como o clima, disponibilidade alimentar, as doenças epidemiológicas, assim como as alterações nos níveis de tráfego”.

Contudo, a responsável ressalvou que “a IP tem levado a cabo nos últimos anos um conjunto de medidas que têm contribuído para diminuir o número de atropelamentos”.

“A continuidade do Programa de Monitorização da Mortalidade de Fauna permite avaliar a eficácia das medidas implementadas, tendo já sido possível perceber uma redução da mortalidade das espécies-alvo na maioria dos troços intervencionados, demonstrando que os objetivos do programa estão a ser cumpridos”, sublinhou.

De acordo com o relatório, os animais domésticos foi um dos grupos que registou mais mortalidade, com 488 ocorrências, constituindo 32% dos registos totais de 2023.

Dentro deste grupo, os registos de maior mortalidade nas estradas foram de gatos, uma vez que “têm mais facilidade em trepar as vedações existentes nas autoestradas”.

No que respeita a animais silvestres, a maior incidência verificou-se nos mamíferos carnívoros (70,6%), maioritariamente raposas, seguindo-se as aves (23,5%), como as garças-boleiras e as aves noturnas de rapina.

Em menor número foram os répteis (3,3%) e os anfíbios (2,4%), o que poderá estar relacionado com “a sua baixa detetabilidade e elevada taxa de degradação”.

No que respeita a animais de grande porte, as ocorrências aumentaram relativamente ao ano anterior, tendo sido registadas as mortes de quatro corços, nove veados e 63 javalis.

As estradas identificados como mais problemáticos pela IP foram o Itinerário Complementar 1 (IC1), o IC33 (Santiago do Cacém – Grândola), Estrada Nacional 4 (EN4, Montijo – Elvas), EN114 (Peniche – Évora), EN18 (Guarda — Ervidel), EN380 (Évora), IC8 (Pombal – Vila Velha de Ródão), EN260 (Beja — Vila Verde de Ficalho) e IC27 (Castro Marim -Alcoutim).

A melhoria das vedações existentes e a construção em estradas onde não existem, assim como a edificação de passadiços e a realização de obras de beneficiação são algumas das medidas que a IP tem levado a cabo no sentido de reduzir o número de animais que são atropelados.

“De referir, ainda, que foi recentemente implementada uma solução de alerta aos condutores, em tempo real, da presença de linces ibéricos junto à estrada, através da aplicação móvel ‘Waze’, para reforçar a sua atenção e reduzir o risco de atropelamento”, explicou a coordenadora do relatório.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Em Nome das Crianças do Pijp (Amsterdam, 1972)


Em 1972, um dos bairros mais problemáticos de Amsterdão teve uma revolução social. As pessoas estavam indignadas com o número elevado de atropelamentos. Reviraram carros. 
Agora é um bairro feliz, com árvores e o uso preferencial da bicicleta.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Petição: Cidades seguras para todas as pessoas

O que nos define como sociedade evoluída é o modo como tratamos os mais vulneráveis: as crianças, as pessoas mais velhas e as que têm mobilidade reduzida. O espaço público é o espelho das nossas escolhas: se os mais vulneráveis entre nós podem mover-se com liberdade, independência e segurança, todos teremos os mesmos direitos. Mas as nossas cidades têm sido desenhadas para dar prioridade ao automóvel, com vias que convidam ao excesso de velocidade, que não é fiscalizado, criando graves situações de insegurança para todos. Portugal tem dos piores indicadores de segurança rodoviária dentro das localidades da União Europeia [1]. Temos que mudar esta situação.

Em 2019, morreram em Portugal, por atropelamento, 134 pessoas a pé e 26 em bicicleta, a maioria dentro de localidades [2]. Um peão atropelado a 50 km/h só tem cerca de 20% de probabilidade de sobreviver, enquanto a 30 km/h tem cerca de 90% de probabilidade de sobreviver [3].

Em 2017, os Ministros de Transportes da União Europeia assinaram a Declaração de Valeta, que inclui o objetivo de reduzir a zero o número de mortes nas estradas europeias. Como consequência a Comissão Europeia e o próprio Estado Português adotaram a "Visão Zero": todas as mortes na estrada são eticamente inaceitáveis. A promoção da segurança rodoviária só é eficaz quando assenta num pressuposto básico da ”Visão Zero": errar é humano. Temos, por isso, de garantir que os erros que inevitavelmente serão cometidos, não sejam erros mortais. O primeiro passo é reduzir a velocidade.

Em 2020, Portugal assinou a Declaração de Estocolmo. Nela se estabeleceu claramente que os Estados signatários deverão priorizar a gestão da velocidade como uma intervenção chave de segurança rodoviária, em particular para “fortalecer a aplicação da lei, para prevenir o excesso de velocidade e determinar uma velocidade máxima de 30 km/h conforme apropriado nas áreas onde utilizadores vulneráveis e veículos se misturam … ”. A Declaração de Estocolmo ressalta ainda que os esforços para reduzir a velocidade têm um impacto benéfico na qualidade do ar e nas alterações climáticas - não haverá mobilidade sustentável sem segurança, nem segurança sem mobilidade sustentável.

Em maio de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) patrocinou a 6ª Semana Global de Segurança no Trânsito da ONU, a destacar os benefícios de ruas de baixa velocidade em áreas urbanas e apelando aos países a limitar as velocidades a 30 km/h nas ruas partilhadas entre peões, utilizadores/as de bicicleta e o tráfego motorizado. A OMS, baseada em inúmeros estudos epidemiológicos, é muito clara: o risco de morte e ferimentos reduz consideravelmente quando as velocidades praticadas são abaixo dos 30 km/h.

O Parlamento Europeu, em outubro de 2021, aprovou - com 90% de votos a favor - a recomendação da adoção de uma velocidade máxima de 30 km/h "em zonas residenciais e com um elevado número de peões e utilizadores de bicicleta", argumentando que o excesso de velocidade é um fator determinante em cerca de 30% dos sinistros rodoviários mortais.

Também queremos zero mortes nas ruas e estradas de Portugal. Vimos, assim, apelar à Assembleia da República e ao Governo que Portugal cumpra a Declaração de Estocolmo, as recomendações da OMS e do Parlamento Europeu e altere o limite máximo de velocidade de 50 km/h para 30 km/h em áreas urbanas, onde o tráfego motorizado interage com peões e utilizadores/as de bicicleta (definido no Código da Estrada como “dentro das localidades” com a excepção de “vias reservadas a automóveis e motociclos”).

[1] Organização Mundial de Saúde
[2] Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária
[3] European Conference of Ministers of Transport

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Dia Mundial da Bicicleta: 14 razões para começar a pedalar já hoje (o planeta e a sua saúde agradecem)


Se este ainda não é um meio de transporte ou de passeio que costume utilizar, talvez consigamos encorajá-lo com esta lista de benefícios, para si e para o planeta.

1. Constrói músculos
O elemento de resistência do ciclismo ajuda a construir a força muscular. O ciclismo trabalha todos os principais grupos musculares e ajuda a melhorar a estabilidade.

2. Fácil para as articulações
Andar de bicicleta é um exercício de baixo impacto, o que significa que é mais fácil para as articulações do que outras atividades aeróbicas de alto impacto, como correr.

3. Ajuda a apoiar empresas locais
Quando anda de bicicleta, é mais provável que mantenha as suas viagens mais curtas e as compras mais perto de casa, o que é ótimo para os negócios locais.

4. Exercício aeróbico
Andar de bicicleta com energia é uma forma de exercício aeróbico. Aumenta a frequência cardíaca, faz com que o sangue circule pelo corpo, reduz a pressão arterial, regula o açúcar no sangue e, assim, reduz o risco de doenças cardiovasculares.

5. Reduz as emissões e o tráfego
Ir de bicicleta para o trabalho em vez de conduzir pode reduzir as emissões da sua casa em pelo menos 6%, além de que reduz o tráfego rodoviário. Em horas de trânsito intenso, uma bicicleta pode ser um meio de transporte mais rápido do que o automóvel.

6. Melhora o equilíbrio, postura e coordenação
Andar de bicicleta requer coordenação e equilíbrio. Subir e descer ladeiras, contornar curvas, regular a velocidade e assim por diante, desenvolve a força central e, por sua vez, melhora a postura, o equilíbrio e a coordenação.

7. Diminui a gordura corporal
Pedalar num ritmo constante queima cerca de 300 calorias por hora, o que ajuda a diminuir a gordura corporal. Acompanhado de uma dieta saudável o ciclismo regular ajudará na perda de peso. Obviamente, quanto mais intenso for o exercício, mais calorias serão queimadas.

8. Combate a poluição sonora
Não só andar de bicicleta ajuda a combater a poluição sonora, que afeta animais selvagens, mas também resulta em menos atropelamentos.

9. Prevenção de doenças
Foi demonstrado que a falta de atividade física aumenta o risco de doenças crónicas e mortalidade. O ciclismo regular é uma maneira saudável de reduzir o risco de desenvolver doenças graves, como doenças cardíacas, derrames, diabetes, artrite e certos tipos de cancro.

10. Alivia o stress e é bom para a saúde mental
Andar de bicicleta é bom para a saúde física, mas também é ótimo para a saúde mental. Desencadeia a libertação de hormónios para a sensação de bem-estar do corpo, endorfinas, que nos fazem sentir bem. Não é apenas o exercício físico que promove o bem-estar mental. Pesquisas mostram que também estar ao ar livre pode levantar o ânimo e nos ajudar a nos sentirmos mentalmente energizados.

11. Mantém a terra livre para a natureza
20 bicicletas podem caber no espaço de um carro, portanto, se mais pessoas as pedalassem, precisaríamos limpar menos terreno para estacionamentos.

12. Fácil de encaixar na rotina diária
Não há preparação, nem ida para um ginásio, nem montagem de equipamento – subir na bicicleta e pedalar a qualquer hora do dia pode ser tão simples quanto isso. E tem pouco ou nenhum custo (além da compra inicial e talvez um equipamento para consertar furos…) Quer opte por usar o ciclismo como meio de transporte, recreativo ou treino, é uma forma de exercício acessível para a maioria das pessoas.

13. Divertido, social e competitivo
Andar de bicicleta pode ser uma atividade individual, mas também pode ampliar o seu círculo social ao aproximar as pessoas. Praticar atividades físicas com outras pessoas é um grande motivador e também pode estimular um pouco de competição saudável.

14. Um desporto para todas as habilidades
Qualquer que seja a sua idade ou condição, a maioria das pessoas pode colher os benefícios do ciclismo para a saúde. Por exemplo, o ciclo manual permite que as pessoas a recuperar de certas lesões ou problemas de saúde, como derrames, façam exercícios. As bicicletas estão disponíveis para quase todos os tipos de deficiência. Muitas vezes, podem atuar como um auxiliar de mobilidade e um meio de transporte para pessoas que têm dificuldade para andar ou não conseguem caminhar.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Desenhar cidades ao contrário. Passeios, ciclovias e só depois os carros


Uma cidade inteligente não precisa de expulsar os carros – apenas limitar a atividade destes ao estritamente necessário. “Como desenhar um ecossistema urbano seguro para peões, ciclistas e utentes de micromobilidade”? Começando a desenhar as urbes pelos passeios.

Hoje falamos em cidades inteligentes porque durante demasiado tempo andamos a desenhar cidades estúpidas. Para corrigir erros, é necessário desenhar as cidades ao contrário: dos passeios para as ciclovias e só depois para as faixas rodoviárias, para os carros, que não têm de ser banidos dos centros urbanos, apenas limitados à sua função utilitária. Eis uma conclusão forte do painel “Como desenhar um ecossistema urbano seguro para peões, ciclistas e utentes de micromobilidade”, na Portugal Mobi Summit.

“Acabámos de aprovar ‘Velocidade 10’ em toda a zona de plataforma única, onde o tráfego pedonal é maioritário. Não se trata de uma cidade sem carros, mas de uma cidade com carros necessários para que a cidade funcione”, disse Miguel Anxo Fernández Lores, alcaide de Pontevedra, cidade da Galiza que “há 10 anos que não tem nenhum morto por atropelamento automóvel no centro da cidade”.

Pontevedra foi muito elogiada neste debate, por ter devolvido o espaço público aos cidadãos e restringido o acesso aos carros.

E como? “Tenho que dizer que tudo responde a um projeto, que foi elaborado na oposição, onde se aprende muitas coisas. Foram 12 anos na oposição e depois construímos uma cidade pensada para as pessoas. Em 1999, era um armazém de carros, engarrafada, cheia de ruídos”, explicou o presidente da câmara da cidade galega.

“Gosto de meter o dedo no olho. As grandes superfícies. Não posso dizer que sou a favor das pessoas quando não coloco entraves ou a favoreço instalação de grandes superfícies”, disparou Miguel Anxo Fernández Lores, que revelou que na base do pensamento estratégico nunca esteve “resolver o problema dos carros, mas recuperar o espaço público para as pessoas”. “É uma coisa diferente”, acrescentou.

Rui Rei, Director of Business Development da CEiiA, concorda: “É preciso que as cidades sejam apropriadas pelas pessoas. Cidades que eram selvas humanas e possam agora ser espaços para conviver, partilhar”.

Para isso é preciso um bom planeamento e usar as tecnologias, não ser escravo delas. “Andámos a construir cidades estúpidas durante muito tempo e agora temos de falar em idades inteligentes. Mas a tecnologia só é importante para gerar informação que permita tomar informações corretas, como no controlo de tráfego”, acrescentou Rui Rei.

E juntou ainda que é preciso convencer as pessoas dos benefícios de “reduzir o acesso aos carros ou até o interditar”. “Para irmos além da mobilidade e ir à sustentabilidade, como incentivar cidadãos? Premiá-los pela não emissão poluente, que pode ser medida precisamente através de ferramentas geradas pela tecnologia”, defendeu o Director of Business Development da CEiiA.

“Uma cidade inteligente é a que copia as boas ideias das outras”, assumiu o Miguel Gaspar, vice-presidente da Câmara de Lisboa com os pelouros da Economia, Inovação, Mobilidade e Segurança. “Lisboa já copiou orgulhosamente de muitos sítios, e espero que muitos possam também copiar de Lisboa”, concretizou.

“Em Lisboa, quando nasci, havia 170 carros por mil habitantes. Há pouco, esse rácio já era de 550 carros por mil habitantes. Uma cidade apetecível é a que protege os mais vulneráveis, como os peões, crianças e mais idosos”, defendeu o autarca.

“O nosso compromisso é o de entregar uma cidade melhor aos nossos filhos e netos em 2030. O meu problema de mobilidade resolve-se na área metropolitana e só depois em Lisboa. E estamos a aumentar em 40% a rede de autocarros na área metropolitana. O transporte público, no curto e médio prazo, pelo menos, é estruturante”, sublinhou Miguel Gaspar.

Quanto às bicicletas: “A maior parte das pessoas faz menos de 5 quilómetros a pé, podem fazer esses percursos de bicicleta. Se queremos que todas o façam? Não, achamos é que há um capital de transferência [dos transportes mais poluentes]. Mas o que queremos é dar essa decisão aos cidadãos. Se vão de bicicleta, transportes públicos ou outros meios menos poluentes”, assumiu o vice-presidente da Câmara de Lisboa.

Ou seja, no fundo trata-se de uma estratégia de prioridades: primeiro as pessoas, depois as máquinas. E antes de tudo, um planeta mais saudável, que gerará cidadãos mais saudáveis.

“Tendo em conta o paradigma que dá prioridade aos modos ativos, é fundamental pensar na forma como se desenham as cidades. Quando falamos do espaço público, estamos a falar necessariamente de desenhar o espaço público. Às vezes, os argumentos que os arquitectos usam não são convincentes, mas a Covid deu-nos isso, a valorização do espaço público”, explicou David Vale, professor assistente da Escola de Arquitectura da Universidade de Lisboa.

Em termos urbanísticos, portanto, “implica um desenho das cidades ao contrário”. “Normalmente, o desenho da rua começava nas faixas de rodagem dos carros e o que sobrava eram os passeios. O que é preciso é o contrário. Primeiro, desenhar o passeio, depois os corredores de bicicletas e só depois o espaço para carros”, defendeu o professor.

E concluiu: “Temo de trabalhar com o que existe, dando prioridade ao peão. Começando por desenhar o passeio, o espaço das bicicletas e depois o dos carros. Não vamos acabar com os carros, os carros necessários continuarão a circular nas cidades. Mas se queremos uma cidade mais multimodal, em modos articulados, temos de pensar as cidades para que uma pessoa agarre numa bicicleta, entre no comboio e depois vá a pé”.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Estradas, uma ameaça à vida selvagem

Foto e notícia aqui


Todos os dias, biólogos da Universidade de Évora percorrem as estradas da região à procura de animais mortos na estrada. O projeto LifeLinesquer saber qual o impacto das rodovias na mortalidade dos animais selvagens e o que pode ser feito para a evitar.

Luís Sousa sintoniza o rádio da carrinha branca para ter companhia. Ao mesmo tempo despontam os primeiros raios de Sol sobre Évora. Às 07h00 de uma sexta-feira de Outubro, o biólogo de 30 anos prepara-se para mais um dia de trabalho no projecto LifeLines. O café da bomba de combustível, junto à rotunda do Raimundo, foi essencial.

Hoje vai fazer três trajectos à procura de animais selvagens que morreram atropelados. “Seria bom não encontrar nenhum”, desabafa.

A carrinha começa por percorrer a estrada que liga Évora a Estremoz, sempre pela berma, com os quatro piscas ligados e sem passar dos 20 km/h de velocidade.

A primeira vítima surge ao quilómetro 9. É uma pequena ave, já em estado avançado de decomposição. Luís Sousa sai do carro, observa o cadáver no chão e insere no tablet informação sobre o animal e o local onde se encontra. A tecnologia permite que aquelas notas se juntem à Base de Dados Nacional de Atropelamentos de Fauna onde, 365 dias por ano, um dos computadores da Unidade de Biologia da Conservação (UBC) da Universidade de Évora regista este tipo de informações.

O projeto LifeLines começou em Agosto de 2015 e terminará em Julho de 2020. O grande objectivo é “atenuar problemas para a preservação da biodiversidade que se colocam hoje em dia sobre estradas e que têm aumentado no último século”, explica António Mira, coordenador do projecto e professor na Universidade de Évora. O projeto avalia, experimenta e promove medidas para diminuir os efeitos negativos de infraestruturas lineares, como estradas, em várias espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis, desde ginetas, corujas a cobras, ratinhos e pequenas aves. Outro dos objectivos é desenvolver uma infraestrutura verde para ajudar a conservar a biodiversidade da região.

Mas para isso é essencial o trabalho de campo de Luís Sousa. O biólogo está a fazer agora a estrada que liga Estremoz a Montemor-o-Novo.

Ao fim de 21,4 quilómetros avista o segundo animal morto. Trata-se de um rato-de-Cabrera. O cadáver do pequeno roedor é levado para junto da carrinha onde, com um pequeno bisturi, o biólogo retira duas pequenas amostras e coloca-as em dois tubos com uma solução de preservação, para mais tarde serem analisadas em laboratório. O corpo do animal é devolvido à natureza e Luís Sousa volta à carrinha, onde volta a inserir os dados no tablet.

“Sou um apaixonado pela natureza”, conta este biólogo. “Tive a sorte de ter crescido num ambiente rural, o que me proporcionou um contacto próximo com o campo e os animais.”

Luís Sousa sempre soube que queria ser biólogo. Após concluído o mestrado, surgiu a oportunidade de integrar o projeto LifeLines. “Apesar de ter que me confrontar com os animais mortos nas estradas, o que me motiva é o desenvolvimento e aplicação de medidas que ajudem na preservação das espécies.”

Apenas um quilómetro depois, Luís Sousa encontra uma pequena ave, outra vítima mortal. Ao aproximar-se, percebe que é uma fêmea de toutinegra-de-cabeça-preta. O pequeno corpo da ave está em perfeito estado e, à semelhança do anterior, é devolvido à natureza.


Estradas, barreiras físicas para muitos animais

O problema do atropelamento de animais selvagens foi debatido no início do ano na Assembleia da República, levando à aprovação de três projectos de Resolução com medidas para o solucionar, apresentados pelo BE, PEV e PAN. Estima-se que todos os anos morram em Portugal cerca de 120 animais em cada quilómetro de estrada, desde o lobo-ibérico à coruja-das-torres, segundo o deputado André Silva, do PAN.

As estradas são barreiras físicas para muitos animais e têm um impacto no isolamento populacional e genético de espécies. Além disso, fragmentam zonas importantes para a alimentação e reprodução de muitos animais selvagens.

Talvez tenha sido isso o que aconteceu a este chapim-azul juvenil que Luís Sousa encontra morto ao quilómetro 22,9.

O relógio marca agora 10h00. Estão percorridos 35 quilómetros e Luís Sousa faz uma pausa num café na berma da estrada perto de Arraiolos. É um lugar habitual de paragem. Luís Sousa vai à procura das suas “fantásticas empadas” e de um chá frio de limão. E de outro café que o ajudará a concluir o dia de trabalho.

Este terceiro percurso faz a ligação entre Montemor-o-Novo e Évora. O céu azul, limpo, conjuga-se com os campos onde dominam os tons castanhos, apenas ponteados de verde por algumas árvores e plantas.

O lixo amontoado pela berma da estrada às vezes leva a erros. Como uma casca de banana que obriga o biólogo a parar, desconfiado de que seria mais um animal morto na estrada.

É ao fim de 10 quilómetros que encontra o quinto animal morto. “Desta vez é uma cobra-de-ferradura, ainda juvenil, que tem este nome por causa de uma mancha escura em forma de ferradura depois da cabeça.”

O sol sente-se cada vez mais forte e o cansaço já pesa. São 12h15 quando Luís Sousa chega ao fim do terceiro e último percurso.

Luís Sousa percorreu três estradas nacionais, num total de 100.8 quilómetros em 4 horas 15 minutos. “Este foi um bom dia porque apanhámos apenas cinco animais mortos”, afirma Luís Sousa.

Amanhã será um novo dia. O mesmo trajeto será percorrido por outro biólogo, Tiago Pinto, que irá procurar os animais mortos por estas estradas do interior alentejano.

Saiba mais

O projecto LifeLines, com um orçamento total de 5.540,485 euros, é co-financiado pelo programa europeu LIFE.

São parceiros do projecto as Universidades de Évora, do Porto e de Aveiro, as Câmaras Municipais de Évora e Montemor-o-Novo, a Infraestruturas de Portugal e a Marca – Associação de Desenvolvimento Local.

quinta-feira, 22 de abril de 2004

Rodovias Mortais e Absurdas

Não são só as belas quintas vinhateiras do Douro, as paisagens e os valores naturais que são sacrificados sem pensar pelos que concebem e executam o nosso sistema rodoviário (emanação de uma sociedade que interiorizou a prótese automóvel como uma conformação congénita). Também as pessoas são sacrificadas e por vezes mortalmente. E se as populações directamente atingidas não protestam, nem sequer as regras de mais elementar segurança são cumpridas, em casos que infelizmente não são raros. Eis hoje o exemplo de Adémia. Mas neste mesmo boletim, vários outros foram já evocados.
Exprimindo a mesma atitude geral de negligência e de indiferença ao massacre do peão na estrada.
José Carlos Marques

Adémia cortou EN111 para exigir passeios
Coimbra / Rodovias / Segurança
Jornal de Notícias 21 de abril de 2004

Moradores estão fartos de assistir a acidentes mortais e querem segurança para os peões População exige um prazo para o início da obra Joaquim Almeida Uma vigília para contestar a falta de segurança na
circulação de pessoas, no troço da Estrada Nacional (EN) 111, na Adémia, arredores de Coimbra, acabou num corte de trânsito naquela estrada, ontem, cerca das 18 horas. Os populares exigem a construção de passeios para não terem de partilhar o alcatrão com os automóveis e, dessa forma, evitar mais atropelamentos, alguns deles mortais, o último dos quais ocorreu há cerca de 15 dias e vitimou uma senhora idosa.