Mostrar mensagens com a etiqueta Country. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Country. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Steve Earle - City Of Immigrants (canção de intervenção, mais uma no seu currículo imaculado e coerente com princípios éticos e eco-pacifistas)


Veteran singer-songwriter-actor Steve Earle and veteran actor-director Steve Buscemi are two people who would seem to have known each other for ages. Their work, whether it’s Earle’s vast catalog of songs (“Copperhead Road,” “Guitar Town”) and acting roles (“The Wire,” “Treme,” “Leaves of Grass”), or Buscemi’s formidable history of acting and directing (“Fargo,” “Reservoir Dogs,” “The Big Lebowski,” “The Sopranos,” “Boardwalk Empire”), shares a certain humanity, sensitivity and sensibilities.

Yet the two actually met for the first time earlier this year, after Buscemi was suggested as a director for a new video for Earle’s 2007 song “City of Immigrants” from his New York-themed album “Washington Square Serenade.” The video is a heartfelt, lively celebration of the polyglot melting pot that New York City has always been, created by two longtime residents.

Earle and Buscemi, together with a small cast of extras and technicians, were together in the East Village one sunny spring afternoon in April to shoot footage for the clip, which features people from the city’s countless ethnic groups, along with shots of Earle walking the streets and singing the in several different neighborhoods — also including Jackson Heights in Queens, which the singer describes as “easily the most diverse neighborhood in the country” — and performing a concert at the Gramercy Theater.

Steve Earle has never been afraid to speak his mind even if it loses him fans. He was singing about gun violence and attacking the NRA back in the 80's when it was deeply unpopular. He made a whole album against the war in Iraq when most of the country, especially his Copperhead Road fans, were supporting it. He has sung about the children of Gaza long before anyone was talking about Palestine. Seeing him stand up for immigrants is not surprising. Beautiful song.

Letra
Livin' in a city of immigrants
I don't need to go travelin'
Open my door and the world walks in
Livin' in a city of immigrants
Livin' in a city that never sleeps
My heart keepin' time to a thousand beats
Singin' in languages I don't speak
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
City of innocents
City of sweat
City of tears
City of prayers
City of immigrants

Livin' in a city where the dreams of men
Reach up to touch the sky and then
Tumble back down to earth again
Livin' in a city that never quits
Livin' in a city where the streets are paved
With good intentions and a people's faith
In the sacred promise a statue made
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Constantly spinnin'
City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants

All of us are immigrants
Every daughter, every son
Everyone is everyone
All of us are immigrants - everyone
Livin' in a city of immigrants
River flows out and the sea rolls in
Washin' away nearly all of my sins
Livin' in a city of immigrants

City of black
City of white
City of light
Livin' in a city of immigrants
City of sweat
City of tears
City of prayers
Livin' in a city of immigrants

City of stone
City of steel
City of wheels
Livin' in a city of immigrants

City of bone
City of skin
City of pain
City of immigrants
All of us are immigrants


terça-feira, 7 de abril de 2026

SASAMI - Pacify My Heart


A artista SASAMI (nome artístico de Sasami Ashworth) é de nacionalidade norte-americana, nascida em Bronxville, Nova York,1990 e radicada em Los Angeles. Ela possui ascendência coreana (família Zainichi) e japonesa.

Pacify My Heart (e o álbum de estreia): Esta música específica pertence ao seu primeiro álbum homónimo (SASAMI, 2019)

[Verse 1]
Sometimes I wish I never met you (3X)
Because I don't have enough

[Chorus 1]
When you quantify my love
You may find it's not enough
But that's okay with me
Another day I'll see it through
I'll see it through

[Verse 2]
Some days I wish I could forget you (3X)
Because you don't have it all

[Chorus 2]
When you pacify my heart
I forget why it was hard
But that's okay with me
Another day I'll see it through
I'll see it through

A canção "Pacify My Heart", lançada pela norte-americana SASAMI em 2019, é uma composição densa que mergulha nas complexidades do luto afetivo e da exaustão emocional. A letra inicia com uma confissão amarga de arrependimento, onde a artista expressa o desejo de nunca ter conhecido a pessoa em questão, estabelecendo de imediato um tom de desilusão. O significado central da faixa repousa no conflito entre a razão, que reconhece a toxicidade de um relacionamento passado, e o coração, que ainda se encontra num estado de agitação e sofrimento. O título funciona como um apelo desesperado por tranquilidade e silêncio interno, uma tentativa de "pacificar" o turbilhão de memórias que persistem mesmo após o fim da união.

Musicalmente, a estrutura da canção reforça esse sentimento de sufocamento e eventual libertação. O que começa como uma balada de indie rock contida e atmosférica evolui para um final instrumental longo e carregado de distorção shoegaze. Esse encerramento não é meramente estético; ele simboliza a catarse emocional, onde o ruído das guitarras substitui as palavras que já não são suficientes para expressar a dor e a frustração. Ao transformar o sentimento em som puro, SASAMI consegue transmitir a sensação de um colapso interno, tornando "Pacify My Heart" uma exploração visceral sobre como o desapego é, muitas vezes, um processo barulhento e violento dentro de nós mesmos.

segunda-feira, 30 de março de 2026

A infinita tristeza de Jason Molina

Melhor som aqui

Ainda há almas perdidas no vale da morte a aguardar por uma autópsia completa à psique. Com 39 anos, Jason Molina partiu demasiado tarde para encaixar no clube dos 27, cedo demais para ter vida além da decadência como Johnny Cash, e demasiado discreto para ter direito às placas Bowie, Cohen, Prince, Lou Reed ou Brian Wilson,. Operava sobre a mesma precariedade de meios e desarranjo emocional de Daniel Johnston, mas a catarse era revertida em maremotos intestinais, tímidos em excentricidade e teatralização. Faltava-lhe quase tudo, a começar pelo timbre angelical, para ser um ícone como Jeff Buckley, mas a biografia desgraçada e a morte afónica extraem analogias com o irmão de outra mãe Elliott Smith.

As antenas emitiam sinais interiores de nudez emocional e confidência, solenizados em cançōes estáticas, quase inertes, mas fulminantes no poder translúcido de narrar a história sem a justificar. Molina cedeu perante a dor para a poder sublimar. Custou-lhe a vida mas a partida sagrou-lhe a perenidade, e os borrōes autofágicos voltam como clarōes de uma América dessincronizada da incivilização mas não da legião de trovadores eléctricos, de MJ Lenderman a Kevin Morby, Waxahatchee, My Morning Jacket e Jim James a solo. I Will Swim to You: A Tribute to Jason Molina, um tributo organizado pela editora Run For Cover e assumido por contemporâneos como Lenderman, Trace Mountains, Sun June e Hand Habits, chega em setembro.

Entretanto, o há muito descatalogado Impala, assinado como Songs: Ohia, acaba de ser reeditado em vinil com a inédita Tess a extrapolar a (re)descoberta e a transmitir-lhe frescura de mar. As cançōes de Molina imitavam-lhe a vida. Eram perseguidas por fantasmas - reais ou metafóricos -, robustecidos pela insegurança e pavor grupal. Boa parte dos primeiros discos, assinados com o heterónimo geográfico, expōe a relação com o Ohio, onde cresceu na cidade industrial de Lorain a 25 milhas de Cleveland.

O ciclo de Songs: Ohia é de uma fertilidade irrefreada. O segundo álbum, agora com 27 anos de duração, reflecte o esplendor débil do lo-fi. Artesanal na manufactura, primário no instinto e brutalmente honesto - a verdade sempre se sobrepôs aos factores técnicos apesar de Molina se ter posteriormente aninhado num som mais compacto e burilado, já com largura de banda em Magnolia Electric Co.

O início de An Ace Unable To Change é sepulcral, como o obséquio para uma cerimónia fúnebre. Sete estáticos minutos condensadores de cataclismos fulminantes materializados em frases reditas como facas, e um final ruínoso. “Tonight i am damned to my soul”. Molina não contemplava o desprazer apenas pelo espelho. Soubera pelos pais a luta física e mental, em que acabaria por se encharcar, da classe operária. Uma questão de integridade em nome da luta pela sobrevivência digna. Morrer como as árvores.

A voz e guitarra de Molina iluminam o calvário com capacete de mineiro. Vinga a singeleza de fazer com pouco sobre a prosperidade da abundância. Quase tudo é dito na soberba Till Morning Reputations, gravura existencial de dois minutos sangrada pelo mesmo sangue de Mark Kozelek. Os 87 orgásmicos segundos da electrificada One Of Those Uncertain Hands são o turbo punk do álbum. A flexão de um homem e o seu vagar no ermo autodestrutivo da solidão.

Como tudo nele, Impala passa-se a dez mil metros de profundidade. E nem o ensaio hesitante de Separations tem o poder de o retirar com vida da caverna. “What a fine day to believe. What if I don't believe?

quinta-feira, 19 de março de 2026

Anna Calvi - I See A Darkness (feat. Perfume Genius)

Melhor som aqui
Letra
[Verse 1]
Well, you're my friend
That's what you told me
And can you see?
What's inside of me
Many times we've been out drinking
Many times we've shared our thoughts
Did you ever, ever notice
The kind of thoughts I got?

[Verse 2]
Well, you know I have a love
For everyone I know
And you know I have a drive
To live I won't let go
But can you see this opposition
Rising up sometimes
And it's dreadful imposition
Come blacking in my mind

[Chorus]
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then  I see a darkness
And then I see a darkness
Do you know how much I love you?
It's a hope that somehow you
Could save me from this darkness

[Verse 3]
Well I hope that someday, buddy
We'll  have peace in our lives
Together or apart
Alone or with our wives
And we can stop our whoring
And pull the smiles inside
And light it up forever
And never go to sleep
My best unbeaten brother
This isn't all I see

[Chorus]


I See A Darkness: a batalha psíquica, a solidariedade queer e o resgate pela conexão humana
A composição funciona como um mergulho visceral na psique humana, onde a "escuridão" não é uma ameaça externa, mas um estado mental persistente e sufocante. O narrador admite que, mesmo rodeado por afeto e momentos de paz, carrega uma sombra interna que ameaça de forma constante a sua estabilidade emocional. É nessa vulnerabilidade que a canção revela a sua faceta mais humana: uma conversa íntima e brutalmente honesta com um amigo próximo. O eu lírico anseia por retribuir o amor que recebe e ser o seu melhor amparo, mas confessa, com dolorosa lucidez, a incapacidade de estar totalmente presente enquanto trava essa batalha contra o próprio colapso.

Essa dimensão interpessoal ganha uma densidade ainda maior na versão interpretada por Anna Calvi e Perfume Genius (Mike Hadreas). Sendo ambos artistas abertamente queer - Hadreas assumidamente gay e Calvi lésbica -, as suas trajetórias musicais sempre usaram a identidade como pilar central para desconstruir papéis rígidos de género, explorar traumas e questionar a rejeição social de corpos e afetos não normativos. Ao unirem as suas vozes numa obra tão densa, a luta contra a depressão deixa de ser uma abstração genérica e ganha contornos de uma vivência partilhada. A música transforma-se num ato de resistência e num pacto de sobrevivência queer, onde a dor do isolamento é acolhida pela empatia de quem entende esse mesmo peso.

No limite, a obra manifesta-se como um pedido de socorro que recusa a resignação. Permanece um contraste latente entre o pavor paralisante desse abismo emocional e a crença - ainda que frágil e oscilante - de que a conexão humana, o afeto e a coragem de expor as próprias feridas são o único antídoto capaz de afastar as sombras.

É importante notar que "I See A Darkness" é um cover. A música foi escrita originalmente por Will Oldham (sob o nome Bonnie 'Prince' Billy) em 1999. Diferente da versão original (que é mais contida, quase leve e melancólica), a interpretação de Calvi e Perfume Genius é carregada de drama. Ela mistura o virtuosismo da guitarra de Anna com harmonias vocais etéreas, criando um som que pode ser descrito como Noir Rock ou Dark Pop.

Página Oficial

sábado, 7 de março de 2026

Buffy Sainte-Marie: Universal Soldier


Canção e letra Buffy Sainte-Marie, no início dos anos 60. Buffy é uma excelente activista, com um passado atribulado. Porém foi declarada "Falsa Indígena"  

He's five feet two and he's six feet four
He fights with missiles and with spears
He's all of 31 and he's only 17
He's been a soldier for a thousand years

He's a Catholic, a Hindu, an atheist, a Jain,
a Buddhist and a Baptist and a Jew
and he knows he shouldn't kill 
and he knows he always will
kill you for me my friend and me for you

And he's fighting for Canada, 
he's fighting for France,
he's fighting for the USA,
and he's fighting for the Russians 
and he's fighting for Japan, 
and he thinks we'll put an end to war this way

And he's fighting for Democracy
and fighting for the Reds
He says it's for the peace of all
He's the one who must decide 
who's to live and who's to die
and he never sees the writing on the walls

But without him how would Hitler have 
condemned him at Dachau
Without him Caesar would have stood alone
He's the one who gives his body 
as a weapon to a war
and without him all this killing can't go on

He's the universal soldier and he 
really is to blame
His orders come from far away no more
They come from him, and you, and me
and brothers can't you see
this is not the way we put an end to war

"Universal Soldier" é uma canção escrita e gravada pela cantora e compositora canadiana Buffy Sainte-Marie. A canção foi originalmente lançada no álbum de estreia de Sainte-Marie, It's My Way!, em 1964. "Universal Soldier" não foi um sucesso popular imediato na altura do seu lançamento, mas chamou a atenção da comunidade da música folk contemporânea. Tornou-se um sucesso um ano depois, quando Donovan a regravou, assim como Glen Campbell. Sainte-Marie disse sobre a canção: "Escrevi 'Universal Soldier' ​​na cave do café The Purple Onion em Toronto, no início dos anos sessenta. É sobre a responsabilidade individual pela guerra e como o velho pensamento feudal nos mata a todos."
Em 1965, a canção chamou a atenção do aspirante a cantor folk Donovan, que a gravou usando um arranjo semelhante ao da gravação original de Buffy Sainte-Marie. Na versão de Donovan, Dachau tornou-se Liebau (Lubawka, Polónia), um centro de treino para a Juventude Hitleriana. A gravação de Donovan foi lançada num EP intitulado The Universal Soldier no Reino Unido (15 de agosto de 1965). O EP deu continuidade à sequência de lançamentos de Donovan com posições elevadas nas tabelas do Reino Unido, alcançando o 5º lugar. As faixas do EP são "Universal Soldier"; "The Ballad of a Crystal Man" com "Do You Hear Me Now?" (Bert Jansch); "The War Drags On" (Mick Softley).
A falta de interesse pelo formato EP nos Estados Unidos levou a Hickory Records a lançar a canção como single em setembro de 1965. A versão de Donovan de "Universal Soldier" teve como lado B outra faixa do EP britânico: "Do You Hear Me Now?" de Bert Jansch. O lançamento de "Universal Soldier" por Donovan nos EUA também se tornou um sucesso, alcançando uma posição superior nas tabelas do que o seu single anterior, "Colours", e chegando finalmente ao 53º lugar da tabela da Billboard. Este sucesso levou a Hickory Records a incluir a canção no lançamento nos Estados Unidos do segundo álbum de Donovan, Fairytale, substituindo uma versão de "Oh Deed I Do", de Bert Jansch. A Cash Box descreveu-a como "uma canção plangente, com um toque country, de ritmo moderado e que assume uma forte posição contra a guerra".
Saint-Marie ficou feliz por o sucesso de Donovan com esta música ter feito com que mais pessoas a ouvissem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

William Elliott Whitmore - Civilizations


Letra
Don’t mind me I’m just livin here
Don’t mind me I’m just livin’ here
Tear down the mountains, cut the forest clear
Don’t mind me I’m just livin here

Pay no attention I’m just trying to exist
Pay no attention I’m just trying to exist
I’ve said too much now my name’s on a list
pay no attention to me

I know, I know, I know
Civilizations they come and they go
Sooner or later they crumble and fall
We’re just here in the middle of it all

Don’t mind me I’m bleeding now
Don’t mind me I’m just bleeding now
A hand from above cut out my heart somehow
Don’t mind me I’m just bleeding now

Under the radar hopefully
Under the radar hopefully
I’ll live live live ‘til they bury me
Under the radar hopefully


"Civilizations" é uma das faixas mais poderosas do álbum Radium Death (2015), de William Elliott Whitmore. É uma música que resume bem a filosofia do artista: uma mistura de folk visceral, activismo rural e uma pitada de estoicismo.

A canção é acompanhada por um evocativo videoclipe animado em tons sépia, co-realizado por Joel Anderson e Matt Scharenbroich. Utiliza imagens de paisagens em transformação e decadência histórica para reflectir o tema de "ascensão e queda" da música.

O Significado e a Inspiração
A canção é uma reflexão sobre a natureza cíclica da história humana e a resiliência do "homem comum".
O Ciclo da História: o tema central é que impérios e governos — as "civilizações" do título — eventualmente desmoronam sob o próprio peso, enquanto as pessoas comuns e a terra permanecem.

Comentário político: Whitmore escreveu a música como uma crítica à arrogância das potências modernas. Ele frequentemente traça paralelos com a queda de Roma, sugerindo que sociedades que priorizam o progresso industrial desenfreado em detrimento da terra estão destinadas ao fracasso.

Raízes Pessoais: a inspiração veio de uma luta real na defesa da sua quinta familiar no Iowa. Na época, havia um projeto de instalação de um oleoduto que passaria pelas terras de sua avó, o que deu origem aos versos sobre montanhas sendo derrubadas e florestas devastadas.[Fonte]. Ler mais detalhadamente abaixo

Estilo Musical
Diferente de outras faixas de Radium Death, que trazem guitarras elétricas e uma sonoridade mais rock, "Civilizations" é minimalista e acústica.
O Banjo: a música é guiada por um dedilhado de banjo lento e deliberado.
A Voz: a voz grave e "rasgada" de Whitmore (que soa muito mais velha do que ele realmente é) dá à canção um peso ancestral, como se estivesse sendo cantada por alguém que já viu séculos passarem.


O Contexto Político (Obama e o Iowa)
Obama estava no seu segundo mandato e, curiosamente, o contexto político da época cria um contraste interessante com a mensagem da canção:

A Contradição da energia: embora a administração Obama tenha promovido energias renováveis, também presenciou um boom na produção de petróleo e gás natural nos EUA. Foi precisamente durante este período que o projeto da Dakota Access Pipeline (que Whitmore contestava ativamente no Iowa) avançou a nível federal.

O "Home State" Político: o Iowa foi o estado que catapultou a carreira de Obama em 2008. Ver um artista do Iowa como Whitmore a cantar sobre a queda de "civilizações" e a ganância das corporações em 2015 mostrava um certo desencanto de parte da população rural que sentia que as promessas de proteção ambiental e económica não estavam a chegar ao terreno.

A Canção como Protesto
Quando Whitmore canta "Civilizations, they come and they go" (As civilizações vêm e vão), ele está a adoptar uma perspetiva histórica longa, sugerindo que nenhum governo ou império — mesmo o de um presidente popular como Obama — é permanente face à força da natureza e da terra.

Whitmore chegou a participar em protestos físicos no Iowa contra a construção da conduta de petróleo durante esse governo

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Leonard Cohen - Democracy


A imagem do poderoso navio do Estado que deve passar pela tempestade do ódio, atravessar os recifes da ganância para chegar às praias da necessidade é a coisa mais linda que se pode ouvir numa canção!

"Democracy" é uma canção do Leonard Cohen com a participação de Jeff Fisher, originalmente lançada no álbum The Future, de Cohen, em 1992.  A letra aborda as falhas e as promessas da democracia nos Estados Unidos A canção foi escrita aproximadamente durante a queda do Muro de Berlim, o que levou Cohen a questionar a origem da democracia. Cohen afirmou que era "uma canção de profunda intimidade e afirmação da experiência democrática" nos Estados Unidos.

Democracy
Leonard Cohen

It's coming through a hole in the air
From those nights in Tiananmen Square
It's coming from the feel
That this ain't exactly real
Or it's real, but it ain't exactly there
From the wars against disorder
From the sirens night and day
From the fires of the homeless
From the ashes of the gay
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming through a crack in the wall
On a visionary flood of alcohol
From the staggering account
Of the Sermon on the Mount
Which I don't pretend to understand at all
It's coming from the silence
On the dock of the bay
From the brave, the bold, the battered
Heart of Chevrolet
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming from the sorrow in the street
The holy places where the races meet
From the homicidal bitchin'
That goes down in every kitchen
To determine who will serve and who will eat
From the wells of disappointment
Where the women kneel to pray
For the grace of God in the desert here
Snd the desert far away
Democracy is coming to the U.S.A

Sail on, sail on
O mighty Ship of State!
To the Shores of Need
Past the Reefs of Greed
Through the Squalls of Hate
Sail on, sail on, sail on, sail on

It's coming to America first
The cradle of the best and of the worst
It's here they got the range
And the machinery for change
And it's here they got the spiritual thirst
It's here the family's broken
And it's here the lonely say
That the heart has got to open
In a fundamental way
Democracy is coming to the U.S.A

It's coming from the women and the men
O baby, we'll be making love again
We'll be going down so deep
The river's going to weep
And the mountain's going to shout Amen!
It's coming like the tidal flood
Beneath the lunar sway
Imperial, mysterious
In amorous array
Democracy is coming to the U.S.A

Sail on, sail on

I'm sentimental, if you know what I mean
I love the country but I can't stand the scene
And I'm neither left or right
I'm just staying home tonight
Getting lost in that hopeless little screen
But I'm stubborn as those garbage bags
That Time cannot decay
I'm junk but I'm still holding up
This little wild bouquet
Democracy is coming to the U.S.A

Em "Democracy", Leonard Cohen apresenta uma análise irónica e crítica sobre o ideal democrático nos Estados Unidos. Ele deixa claro que a democracia não é um estado já alcançado, mas um processo contínuo, muitas vezes marcado por caos e sofrimento. Cohen faz referência a eventos como as "noites em Tiananmen Square" (noites na Praça da Paz Celestial) e menciona "as cinzas dos gays" e "os incêndios dos sem-teto", conectando lutas globais e marginalizações internas. Com isso, sugere que a verdadeira democracia nasce das experiências de dor, exclusão e resistência de grupos marginalizados. O verso "Democracy is coming to the U.S.A." (A democracia está chegando aos EUA) traz esperança, mas também ironia, indicando que, apesar do discurso oficial, a democracia plena ainda não foi alcançada no país.

A música foi composta durante a queda do Muro de Berlim, um momento de grandes mudanças políticas, o que reforça a visão de Cohen dos EUA como um laboratório imperfeito, onde a experiência democrática é testado entre extremos: "the cradle of the best and of the worst" (o berço do melhor e do pior). Ele também ironiza a espiritualidade e a busca por transformação, enquanto reconhece a solidão e a fragmentação social americana: "It's here the family's broken / And it's here the lonely say / That the heart has got to open / In a fundamental way" (É aqui que a família está desfeita / E é aqui que os solitários dizem / Que o coração precisa se abrir / De uma forma fundamental). O refrão, repetido como um mantra, funciona como desejo e alerta, mostrando que a democracia só se concretiza quando impulsionada "from the sorrow in the street" (a partir da dor nas ruas) e das vozes dos excluídos. No final, Cohen se mostra sentimental, mas desiludido, optando por observar à distância, mas mantendo uma esperança persistente, como "those garbage bags / That Time cannot decay" (aqueles sacos de lixo / Que o Tempo não consegue destruir). A canção segue atual ao abordar as contradições e desafios do sistema democrático, sem perder a fé em sua renovação.

sábado, 10 de janeiro de 2026

King Dude - The Hottest Girl on Earth


A canção “The Hottest Girl on Earth” de King Dude foi lançada em 20 de agosto de 2021 como parte do álbum Beware of Darkness, uma coletânea de covers, B‑sides, demos e algumas faixas inéditas lançada nessa mesma data.
A canção “The Hottest Girl on Earth” fala de um narrador obcecado pela “garota mais quente da Terra”, disposto a ir para qualquer lugar mais quente onde ela esteja, mesmo que enfrente perigos como cobras ou aranhas. O tom da música é exagerado e humorístico, transmitindo de forma cómica a intensidade de uma paixão, sem recorrer a simbolismos profundos ou mitológicos, funcionando como um hino romântico e irónico dentro da estética de King Dude.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Kristin Hersh - In Stitches


Slink past the stoned rasta painters on baronne
Blink and the walmart of the dead blurs on baronne

Found you
Look around you
Wild parrots and gin in the air
Don't know where to go
Don't know where to go from here
Don't know where to go to disappear

Tangerine and seasick green (2X)
Us in pieces
Like when wolverine
Big red's king
Caught us hiding
We just drove away into the day
In stitches

A canção "In Stitches", lançada por Kristin Hersh no álbum Wyatt At The Coyote Palace (2016) , é um retrato visceral da vulnerabilidade humana e do conflito entre a desintegração psíquica e a ancoragem na realidade. O título carrega um duplo sentido irônico: enquanto a expressão idiomática remete a rir incontrolavelmente, o contexto da letra sugere alguém que está literalmente "levando pontos" ou sendo costurada para não se desfazer. A música reflete o período em que Hersh lidava com diagnósticos de saúde mental e episódios dissociativos, utilizando a sonoridade para marcar essa dualidade; a primeira metade é tensa e agressiva, simbolizando o caos interno, enquanto a segunda transita para uma doçura melancólica.

Segundo a própria artista em seu livro de memórias Rat Girl, essa transição final é uma dedicação ao seu filho, Ryder. Hersh explora o peso e a beleza da maternidade em meio à instabilidade emocional, descrevendo a sensação de ser uma "ponte" entre o mundo da arte — que exige uma entrega dolorosa e quase destrutiva — e o mundo real, onde ela precisa se manter inteira por outra pessoa. Em última análise, a letra é sobre o sacrifício pessoal e a tentativa exaustiva de encontrar equilíbrio quando a mente parece estar se desfazendo pelas costuras, encontrando no amor filial a linha que a mantém conectada à vida.

domingo, 13 de novembro de 2022

Música do BioTerra: Neil Young with Crazy Horse - Love Earth

Neil Young! Fez ontem anos (nasceu a 12 de novembro de 1945). Lançou este tema muito bonito há cerca de um mês. Além do seu activismo bem conhecido entre nós, foi considerado o 17º melhor guitarrista do mundo, pela revista Rolling Stone.


Love Earth
And your love comes back to you
Love Earth
Such an easy thing to do
Love Earth
Till the water and the air is pure
From the birds in the sky
To the fishes deep in the sea

Love Earth

The place where all the children can live
(Love Earth)
Really nothing better to give
(Love Earth)
And your love comes back to you
So I’m calling out
So I’m calling out to you

Love Earth

The sky was blue and the air so clean
The water crystal clear
We lived by the sun and have it all
We were living in a dream

Love Earth

We can bring the seasons back
(Love Earth)
Can you imagine that
(Love Earth)
Your love comes back to you

So I’m calling out
So I’m calling out to you
Love Earth
The sky was blue and the ear so clean
The water crystal clear
We lived by the sun and have it all
We were living in a dream
Love Earth

domingo, 25 de setembro de 2016

Música do BioTerra: Kristin Hersh feat. Michael Stipe - Your Ghost (1994)


If I walk down this hallway
Tonight it's too quiet
So I pad through the dark
And call you on the phone
Push your old numbers
And let your house ring
'Til I wake your ghost

Let him walk down your hallway
It's not this quiet
Slide down your receiver
Sprint across the wire
Follow my number
Slide into my hand

It's the blaze across my nightgown
It's the phone's ring

I think last night
You were driving circles around me
I think last night
You were driving circles around me
I think last night
You were driving circles around me

I can't drink this coffee
'Til I put you in my closet
Let him shoot me down
Let him call me off
I take it from his whisper
You're not that tough

It's the blaze across my nightgown
It's the phone's ring

You were in my dream (I think last night)
You were driving circles around me

domingo, 10 de abril de 2016

William Elliott Whitmore - Don't Need It (Curly Tonic & Franz S. Rework) - True Detective Follow Up



Hand me that hammer

hand me that saw
don't hand me down that walkin' cane
I don't need it at all

I'm gonna build me a home
gonna build it with my hands
gonna keep the rain off my head
gonna keep the mosquitos from getting fed

Don't need 'em at all

The river she's a giver
the river she takes away

gonna row my boat to the other shore
won't think about my troubles anymore

Don't need 'em at all

I should have been a steamboat man
push it on down to Louisiana
here I am working in the field
if the heat don't get you then the sunburn will

Don't need it at all

sábado, 29 de agosto de 2015

MADRUGADA - Vocal


You better run, you better run
You better not wait too long
You better run, you better run
You better run for you have a heart
So let's start, so let's start
So let's start, tear it all apart
You better run, you better run
You better run for you have a heart
Well, oh, well, oh, you know it's only so much I can take
I buried my head in that pillow for a million days
So, oh, oh well, I'm sorry but I do not care to wait
Dare not walk through the light
Dare not walk through the light

Your vision's travelled far today
So why don't you run away
Your vision's travelled far today
Like in the times when you say

I have a cry, I have a cry, and I will not be contained
I have a cry, I have a cry, and I will not be contained, no
Oh well, oh you know it is only so much I can take
Buried my head in that pillow a million days oh, oh
Oh well, I'm sorry but I do not care to wait
Oh, dare not walk through the light
Dare not walk through the light, oh

Oh, dare not walk through the light
Dare not walk through the light

domingo, 30 de setembro de 2012

Sisters Of Mercy - Knocking On Heaven's Door


Mama, take this badge off of me
I can’t use it anymore
It’s gettin’ dark, too dark for me to see
I feel like I’m knockin’ on heaven’s door

Knock, knock, knockin’ on heaven’s door (3X)

Mama wipe this blood from my face
I'm sick and tired of all this war
There's a long hard feelin' and it's hard to chase
Feel i'm knockin' on heaven's door.

Knock, knock, knockin’ on heaven’s door (3X)

Mama, put my guns in the ground
I can’t shoot them anymore
That long black cloud is comin’ down
I feel like I’m knockin’ on heaven’s door

Knock, knock, knockin’ on heaven’s door (3X)

I was at that amazing live concert at the Royal Albert Hall on June 18th, 1985. It was 70 minutes of pure utopia, joy, and beauty from the gothic, post-punk era. The Hall was literally transformed into a gothic cathedral. It felt like a timeless theme. I discovered later on that it was originally a song by Bob Dylan. However, sorry Dylan fans, I honestly think this is the proper interpretation. I’ll write more about my perspective in the comments. Interestingly, 'Knockin' on Heaven's Door' was part of the final encore of that historic night, closing the concert in grand style just as the venue's house lights were turning on." Best version than Guns N´Roses and Eric Clapton. Fact.

While both versions share the exact same simple four-chord skeleton, Bob Dylan’s original and The Sisters of Mercy’s cover feel like they belong to entirely different universes. They treat the song's core theme of facing mortality with drastically contrasting energy, pacing, and instrumentation.

Written in 1973 for the Western film Pat Garrett and Billy the Kid (original e em português), Bob Dylan’s original is a masterclass in minimalist folk-rock and gospel. It relies entirely on gentle acoustic guitar strumming, sparse percussion, and prominent, soulful backing vocals that sound like a church choir mourning a loss. Dylan sings the track in a weary, fragile, and deeply vulnerable tone, portraying a dying frontier lawman who is literally slipping away. The original track is remarkably short and direct, clocking in at just over two and a half minutes with only two verses that move in a slow, solemn march.

In stark contrast, the gothic rock icons completely tore down this acoustic warmth for their 1985 release, rebuilding it into a brooding post-punk anthem. Driven by their signature drum machine, sharp electric guitar hooks, and a heavy, driving bassline, The Sisters of Mercy transformed the track into something dark, hypnotic, and club-friendly. Frontman Andrew Eldritch delivers the lyrics in his trademark icy, cavernous baritone. Instead of sounding weary or peaceful, his delivery feels cold, detached, and menacing, as if he is aggressively staring down the abyss rather than gently fading out.

Structurally, the Sisters of Mercy dramatically stretched the song out, often past the four or five-minute mark. They amped up the tempo, turning the melancholic crawl into an urgent, high-energy rhythm while making heavy use of repetitive, chanting choruses and long instrumental build-ups to maximize the sonic impact.

Ultimately, Dylan's version acts as a quiet, intimate prayer about dying in the dust, while The Sisters of Mercy's version operates as an atmospheric, high-impact gothic anthem about dancing into the dark.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Creedence Clearwater Revival - Fortunate Son


Fortunate Son
Creedence Clearwater Revival

Some folks are born
Made to wave the flag
They're red, white and blue
And when the band plays
Hail To The Chief
They point the cannon at you, Lord

It ain't me, it ain't me
I ain't no senator's son
It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no

Some folks are born
Silver spoon in hand
Lord, don't they help themselves
But when the taxman
Come to the door
Lord, the house look like a rummage sale

It ain't me, it ain't me
I ain't no millionaire's son
It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no

Some folks inherit
Star spangled eyes
They send you down to war, Lord

And when you ask them
How much should we give?
They only answer
More, more, more

It ain't me, it ain't me
I ain't no military son
It iain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no

It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate one, no
It ain't me, it ain't me
I ain't no fortunate son, no

Crítica social e protesto em “Fortunate Son” do Creedence
Em “Fortunate Son”, o Creedence Clearwater Revival, liderado por John Fogerty, faz uma crítica direta à desigualdade social e à hipocrisia das elites durante a Guerra do Vietname. A música contrapõe o patriotismo exibido pelos privilegiados à dura realidade dos jovens comuns enviados para o conflito. O verso “Some folks are born made to wave the flag” (Algumas pessoas já nascem para balançar a bandeira) ironiza aqueles que, por nascimento, são vistos como símbolos do orgulho nacional, mas raramente enfrentam as consequências dos conflitos que apoiam. Fogerty se inspirou no casamento entre membros das famílias Nixon e Eisenhower, destacando como a elite política se exime dos sacrifícios impostos à população menos favorecida.

A repetição de “It ain't me, I ain't no senator's son” (Não sou eu, não sou filho de senador) e “I ain't no fortunate one” (Não sou um dos sortudos) reforça que o narrador não faz parte desse grupo privilegiado, representando a maioria dos jovens americanos obrigados a lutar. A letra denuncia a hipocrisia das elites, que se beneficiam do sistema (“silver spoon in hand” – colher de prata na mão), mas evitam responsabilidades como pagar impostos ou servir ao exército. O trecho “when you ask them how much should we give? They only answer more, more, more” (quando você pergunta quanto devemos dar, eles só respondem mais, mais, mais) evidencia como os poderosos exigem sacrifícios dos outros, mas nunca de si mesmos. Assim, “Fortunate Son” se tornou um hino de protesto contra a manipulação das massas e a injustiça social.

sábado, 3 de março de 2012

Encontros Improváveis: Neil Gaiman e Josh Ritter




Video made using 12,000 pieces of coloured construction paper


Sandman 4.jpg
A ler...

Choronzon: I  am a dire wolf, prey-stalking, lethal prowler. (sou um lobo terrível, assedio presas e sou  predador mortal)

Morpheus: I am a hunter, horse-mounted, wolf-stabbing.  (sou caçador, cavaleiro e esfaqueio lobos)

Choronzon: I am a horsefly, horse-stinging, hunter-throwing.  (sou mutuca, pico cavalos e vivo dos casinos)

Morpheus: I am a spider, fly-consuming, eight legged (sou aranha, adoro flutuar na teia, com 8 patas)

Choronzon: I am a snake, spider-devouring, poison-toothed.   (sou cobra, devorador de aranhas, com veneno nos dentes)

Morpheus: I am an ox, snake-crushing, heavy footed. (sou boi, esmagador de cobras e com pés bem pesados)

Choronzon: I am an anthrax, butcher, bacterium, warm-life       destroying. (sou a pústula maligna, açougueiro, bactéria e verme letal)

Morpheus: I am a world, space-floating, life nurturing. (sou o mundo, flutuante no espaço, abrigo da vida)

Choronzon: I am a nova, all-exploding… planet-cremating. (sou a estrela nova, toda a explodir e cremando todos os planetas)

Morpheus: I am the Universe — all things encompassing, all life embracing. (sou o Universo- abrangendo todas as coisas  e albergando toda vida)

Choronzon: I am Anti-Life, the Beast of Judgment. (Sou a Anti-Vida, a Besta do Julgamento). I am the dark at the end of everything (Sou a Escuridão no fim de tudo). The end of universes, gods, worlds… of everything. Sss (O fim dos universos, deuses, mundos..mesmo de tudo). And what will you be then, Dreamlord (E o que farás, Senhor Sonhador?)

Morpheus: I am hope. Sou a Esperança

Toda a arte e trabalho de Neil Gaiman aqui

sábado, 12 de setembro de 2009

sábado, 7 de junho de 2008

Música do BioTerra: Eddie Vedder - Hard Sun


Into the Wild (br: Na Natureza Selvagem / pt: O Lado Selvagem) é um filme de longa-metragem norte-americana de 2007, dirigido por Sean Penn, baseado no livro homónimo, do jornalista Jon Krakauer, que conta a história verídica de Christopher McCandless, um jovem recém-formado que se aventura pelos Estados Unidos da América até chegar ao inóspito Alasca.

Sinopse
Em 1990, com 22 anos e recém-licenciado, Christopher McCandless ao terminar a faculdade, doa todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, muda de identidade e parte em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano. Abandona, assim, a próspera casa paterna sem que ninguém saiba e mete-se à estrada. Deambula por uma boa parte da América (chegando mesmo ao México) à boleia, a pé, ou até de canoa, arranjando empregos temporários sempre que o dinheiro faltasse pois, Chris acaba por abandonar o seu carro e queimar todo o dinheiro que levava consigo para se sentir mais livre, mas nunca se fixando muito tempo no mesmo local. Desconfiado das relações humanas e influenciado pelas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau, ansiava por chegar ao Alasca, onde poderia estar longe do homem e em comunhão com a natureza selvagem e pura. O que lhe acontece durante este percurso transforma o jovem num símbolo de resistência para inúmeras pessoas.

Christopher dá igualmente início a uma aventura que mais tarde viria a encher as páginas dos jornais e que termina com a sua morte no Alasca.

Sean Penn vai intercalando a viagem de McCandless com breves flashbacks do seu passado, narrados em voz off pela irmã de Chris. Chistopher quer fugir a uma família materialista, hipócrita e cheia de mentiras. Penn tem olho de cineasta e a sua câmara vai captando melancolicamente, com vagar e gosto, a paisagem americana, ao som da excelente banda sonora de Eddie Vedder, embalando o espectador, que é quase hipnotizado pelas imagens e som. Penn tem ainda a mestria de não entrar muito pelo lado místico ou esotérico do rapaz tímido, mostrando-nos apenas o lado de McCandless extremamente simpático, uma pessoa que faz amigos com facilidade, com uma simpatia espontânea, onde apenas se entrevê uma certa tristeza interior, não obstante toda a força que possui. Claro que a isto não é estranha a tranquila mas marcante interpretação de Emile Hirsch.

Tal como aconteceu com o excêntrico Timothy Treadwell, retratado em 'Grizzly Man', também aqui McCandless não é bem tratado pela rude e impiedosa natureza que tanto amou, e onde procurou (ingenuamente?) uma solução para o seu vazio. O tocante final do filme, é o derradeiro motivo para admirarmos esta sétima obra de Sean Penn atrás da câmara.

Era Christopher McCandless um aventureiro heróico ou um idealista ingénuo, um Thoreau rebelde dos anos 1990 ou mais um filho americano perdido, uma pessoa que tudo arriscava ou uma trágica figura que lutava com o precário balanço entre homem e Natureza e contra o materialismo da sociedade?

Podem se seguir discussões e debates para decidir se era ele uma resposta a uma sociedade doente ou um jovem intenso demais em tudo que fazia. Porém, todo julgamento que fizermos dele será hipotético: sobre alguém que atravessou as fronteiras de si mesmo e chegou onde poucos habitam, que experimentou o seu jeito de viver e concluiu que seu lugar no mundo não era tão ruim assim. Mas já era tarde demais para voltar, ele já estava onde o julgamento nem bem compreende e nossa sociedade isolada em suas redes de comunicação não pode sequer supor.