sexta-feira, 28 de agosto de 2026
A abertura na copa das árvores
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Pequena Garça - Anima Mundi
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| Garça-caranguejeira (Ardeola ralloides) |
Há uma inteligência sem nome
na curvatura destas asas ocres e luminosas,
uma física precisa onde o ar não é vazio,
mas corpo, suporte e abraço.
Irmão Vento, que sopras sem pedir licença,
carregas a poética do espaço em cada pena.
A matéria acorda do seu longo sono:
a pedra que um dia sonhou ser planta,
a planta que ansiou pela vertigem do movimento,
até que a luz, semente da Noosfera,
revelou a consciência suspensa no azul.
Pequena Garça, não voas sobre a Terra -
és a própria Terra que ganha céus e olhares.
Não há rutura entre a tua garra amarela
e a humidade dos juncos lá em baixo:
o ecossistema é uma só teia,
uma teia profunda onde tudo o que existe,
respira o mesmo sopro.
O teu peito avança, alento puro e luz,
na metamorfose contínua da forma.
Sem artifício, sem esforço,
apenas o ser na sua mais pura,
simples e indivisível presença.
domingo, 19 de outubro de 2025
Amor Universal - Ensaio Filosófico e Ecológico
O conceito de amor universal pode ser compreendido como a manifestação suprema da consciência ética e ontológica do ser humano. Longe de se restringir à afetividade individual, trata-se de uma disposição metafísica que reconhece a unicidade do ser e a interdependência ontológica entre todas as formas de existência.
Em Platão, particularmente no Banquete, o amor (eros) é concebido como um movimento dialético da alma em direção à contemplação do Belo absoluto — o princípio inteligível que estrutura e unifica o real. O amor, neste contexto, constitui uma via epistemológica e ontológica: conhecer é amar, e amar é ascender à unidade do Ser.
Com Espinoza, o amor universal adquire uma formulação racionalista e imanentista. No Ethica, o amor Dei intellectualis designa a alegria derivada da compreensão intuitiva da substância única, Deus sive Natura. Assim, o amor universal espinosano é simultaneamente um ato cognitivo e ético: ao perceber-se como modo da substância infinita, o indivíduo participa de uma beatitude que transcende a particularidade.
A cosmopólis estóica, em autores como Sêneca e Marco Aurélio, inscreve o amor universal no âmbito da razão cósmica (logos). O ser humano, enquanto parte do todo racional, tem o dever moral de agir em conformidade com essa ordem, cultivando a oikeiosis — o reconhecimento progressivo da afinidade ontológica com todos os seres. O amor, neste horizonte, é a dimensão prática da razão universal.
Nas tradições orientais, o amor universal assume expressões fenomenologicamente convergentes. O budismo theravāda propõe a prática de metta (benevolência universal) e karuṇā (compaixão), compreendidas como atitudes que emergem da percepção da vacuidade (śūnyatā) e da interdependência (pratītyasamutpāda). O amor, aqui, é uma resposta lúcida à ausência de substancialidade do eu.
Em Laozi, o Tao Te Ching concebe o amor como modalidade espontânea da virtus (dé) que acompanha o fluxo do Tao — o princípio impessoal e gerador que sustenta o cosmos.
Na modernidade, Albert Schweitzer formula o princípio da “reverência pela vida” como imperativo ético universal, e Teilhard de Chardin interpreta o amor como energia cosmogénica, vetor de complexificação e convergência evolutiva rumo ao ponto Ômega. Ambos introduzem uma leitura bioética e teleológica do amor universal, articulando-o com a dinâmica evolutiva do cosmos.
Em síntese, o amor universal pode ser definido como categoria ontológico-ética, isto é, como o reconhecimento ativo da cooriginariedade de todos os entes no seio do ser. Constitui o fundamento de uma ética da interdependência e de uma ontologia relacional, na qual o cuidado, a compaixão e a solidariedade não são virtudes contingentes, mas expressões necessárias da estrutura do real.
Referências Bibliográficas- Aurelius, M. (2002). Meditations (G. Hays, Trans.). Modern Library. (Obra original publicada ca. 180 d.C.)
- Buda. (trad. 2010). The Dhammapada (E. Easwaran, Trans.). Nilgiri Press.
- Chardin, T. de. (1955). Le phénomène humain. Éditions du Seuil.
- Espinosa, B. de. (1985). Ethica ordine geometrico demonstrata. In Opera Posthuma. (Obra original publicada em 1677).
- Laozi. (1997). Tao Te Ching (D. C. Lau, Trans.). Penguin Classics.
- Platão. (1993). O Banquete (J. A. Segurado e Campos, Trad.). Fundação Calouste Gulbenkian.
- Schweitzer, A. (1923). Kultur und Ethik. C. H. Beck.
- Séneca. (2001). Cartas a Lucílio (A. C. Amaral, Trad.). Fundação Calouste Gulbenkian
sexta-feira, 3 de maio de 2024
As virtudes da lentidão
segunda-feira, 26 de junho de 2023
Deep Green Politics
sábado, 24 de dezembro de 2022
Incrível Paz: Um Poema de Natal, por Maya Angelou
sábado, 17 de dezembro de 2022
Música do BioTerra: Dead Can Dance - Cantara
domingo, 13 de novembro de 2022
Encontros Improváveis: Agostinho da Silva e Irina Laube
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| Irina Laube [site] |
mas de mim não me perdendo
e esse Outro todos os outros
que comigo estão vivendo
não só homens mas também
os animais e as plantas
e os minerais ou os ares
e as estrelas tais e tantas
terei decerto cumprido
meu destino e com que sorte
para gozar de uma vida
já ressurecta da morte."
- Documentário: Agostinho da Silva - Um pensamento vivo
- Tese de Doutoramento: "Agostinho da Silva: Filosofia e Espiritualidade, Educação e Pedagogia" de Luís Carlos Rodrigues dos Santos
domingo, 23 de outubro de 2022
Os direitos das mulheres são direitos humanos
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
Filosofia e religião: o que é arte mandala?
- Vermelho: paixão, sensualidade, força, poder e agressividade. Primeiro chakra.
- Laranja: prazer, glória, vaidade, progresso e energia. Segundo chakra.
- Amarelo: alegria, vontade e novidade. Terceiro chakra.
- Verde: esperança, autocontrole e natureza. Quarto chakra.
- Azul: tranquilidade, seriedade, respeito e comunicação. Quinto chakra.
- Violeta: meditação, criatividade e oscilação. Sexto chakra.
- Branco: paz, harmonia, bondade, delicadeza e timidez. Sétimo chakra.
- Preto: profundidade, mistério, autoridade, dignidade, segurança, tristeza e luto.
- Círculo: dinamismo e conexão com o cosmos.
- Cruz: inconsciente e consciente, união do céu e da terra.
- Triângulo: transformação e vitalidade.
- Quadrado: estabilidade e equilíbrio.
- Labirinto: busca do próprio centro.
- Roda com oito raios - A natureza circular de uma roda funciona como uma representação artística de um universo perfeito. Os oito raios representam o Caminho Óctuplo do Budismo, um resumo das práticas que levam à libertação e renascimento.
- Sino- Os sinos representam uma abertura e esvaziamento da mente para permitir a entrada de sabedoria e clareza.
- Triângulo- Quando voltados para cima, os triângulos representam ação e energia, e quando voltados para baixo, representam a criatividade e a busca do conhecimento.
- Flor de lótus- um símbolo sagrado no budismo, a simetria de uma lótus representa o equilíbrio. Assim como uma lótus sobe debaixo d’água para a luz, o mesmo acontece com um humano que busca o despertar espiritual e a iluminação.
- Sol - Uma base popular para os padrões de mandala modernos, o sol tende a representar o universo, muitas vezes carregando significados relacionados à vida e à energia.
- Resumindo, em termos mais religiosos ou extensões da psicologia, a mandala representa simbolicamente a luta pela unidade total do eu, o ponto central das emoções e o controle delas.
sábado, 18 de junho de 2022
Filme- Mindwalk (1991) - O Ponto De Mutação (legendado PT)
- Filme baseado no livro The Turning Point, de Fritjof Capra.
- Resenha do filme aqui
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Questão Tibetana
domingo, 4 de outubro de 2020
História da Religião Chinesa
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| O Confucionismo usa como símbolo o ideograma da água, como representação do caminho e da como a fonte da vida. |
terça-feira, 5 de maio de 2020
Masanobu Fukuoka - Natural Farming (Agricultura Natural)
domingo, 23 de fevereiro de 2020
O pensamento de George Ohsawa
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Alberto Carneiro, inventor de mundos, escultor da natureza
| Foto Alberto Carneiro na Fundação Serralves, 2013 Paulo Pimenta |
| Foto Exposição Arte Vida / Vida Arte, 2013 Nelson Garrido |
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domingo, 8 de junho de 2014
Música do BioTerra: Laurie Anderson - Bodies in Motion
We're bodies in motion. We're bodies in motion.
We dig down in the ocean. Swing up to the stars.
We own the moon and the earth. We're masters of Mars.
We're bodies in motion. We embody the spirit of motion.
Our ancestors cowered in caves
Afraid if the dark and the thunder.
Wrapped tip in black magic and rage
They were slaves to their hunger.
Now we fly across mountains in planes
We know aII about time and big numbers.
We're bodies in motion.
We embody the spirit of motion.
I love you with aII my heart You have my devotion.
I loved you from the start. We're bodies in motion.
We embody the spirit of motion.
Ooo the weight of the world. Eternal spin.
Puts a dent in my shoulder.
A burn in my spin. A burn in my spin.
Some say the future is crowds fighting for water and space.
Chaotic and dark and loud, everything used up and taken.
But I say the future's within the still point of the mind
Where we escape the bounds of earth
And break the bonds of time.
If somebody asked me to design a religion
I would make it aIl about snow.
No good or evil and no suffering.
Just perfect crystals spinning
In ecstasy ecstasy ecstasy ecstasy.






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