Mostrar mensagens com a etiqueta Martin Luther King. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Martin Luther King. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Valter Hugo Mãe - O Século dos Imbecis


No ano em que assinala três décadas de vida literária, Valter Hugo Mãe debruça-se sobre o paradoxo de "vivermos claramente no século da informação, mas isso não corresponder ao século do conhecimento". Povoado pelos sete pecados mortais, "O século dos imbecis" poderia, inclusive, ter-se chamado "o século dos pecadores". No entanto, e na ótica do escritor, "o pecado parece uma coisa que define menos a perplexidade perante a contemporaneidade".

Isto porque, ainda que "morrer de burro [seja] algo que se faz desde que há gente", o espanto reside "em atravessarmos uma época em que uma certa ignorância ou uma certa oposição ao conhecimento perdeu o pudor e se glorifica como algo válido". Aliás, conforme admitiu Valter Hugo Mãe ao Notícias ao Minuto, basta observar a forma como muitas lideranças políticas "se desinteressam por qualquer tipo de verdade e, em última análise, se desinteressam agressivamente ou se opõem agressivamente àquilo que é comprovado cientificamente".

Ao encetar um ciclo de obras chamado Crimes e Vindouros, "O século dos imbecis" joga com as virtudes, a moralidade, a fé e a justiça, evidenciando que, "enquanto totalidade, estamos, de facto, numa espécie de movimento em direção a um certo fim do mundo, a um certo fim de todas as coisas", no advento da Inteligência Artificial (IA) e da "substituição de quem somos", o que culminará com a descida "à condição de animal, ao invés de ascendermos mais e mais à condição humana".

O que é que o motivou a escrever esta obra, tendo em conta que a sociedade atual, de facto, tem tanto de informação como de desinformação?
O que me motiva neste trabalho é criar uma certa reflexão em torno deste paradoxo, que é vivermos claramente no século da informação, mas isso não corresponder ao século do conhecimento; não garantir que a informação produzida e que o acesso à informação se expresse através do conhecimento. Então, parece-me trágico que, num tempo de tanta preparação, de tanta oportunidade, estejamos a claudicar em tantos sentidos com uma certa folia pela facilidade e por aquilo que é mais destituído. É como se o mesmo gesto que abre a porta para um esplendor humano pudesse perigar por propor também um retrocesso. Eventualmente, seria de esperar que, podendo ser melhores, estejamos meio interessados em facilitar de tal maneira a nossa vida ao ponto de nos destituirmos de capacidades e nos tornarmos piores.

Até com o advento da Inteligência Artificial (IA)...
Sim, a tecnologia está a oferecer algo que é propenso a ser maravilhoso, mas que, perversamente, também sugere ou também seduz para uma abundante, uma larga desistência. E dá-me a sensação de que tudo quanto seja desistir de uma sofisticação do fazer e uma sofisticação do pensar é um passo dado no retrocesso da humanidade. É como se a tecnologia tivesse tudo para nos sofisticar enquanto gente, mas a tentação é usá-la para que nos simplifique e nos retire, em última análise, até a condição humana.

Sim, a IA devia ser usada para coisas como limpar a casa, curar doenças, mas está a ser usada para produzir arte, música… Como é que se explica isto?
Para criar uma espécie de substituição de quem somos. Que possa haver ali uma substituição de muito do que fazemos é uma coisa. Agora, que nos possa interessar uma substituição de quem somos é trágico, porque significa que não nos consideramos à altura e que não estamos predispostos a um esforço para estar à altura correspondendo àquilo que consideramos o que devíamos ser. É muito terrível, inclusive, porque mesmo para que as tecnologias substituam muito do que fazemos, isso acarreta perigos, porque fazer significa também melhorarmos quem somos. É a partir do fazer que as nossas capacidades se comprovam e se podem testar e, inclusive, podemos arriscar melhorar e potenciá-las. Se nos destituirmos do fazer, da condição de fazedores, eventualmente podemos destituir-nos das capacidades do fazer.

Linearmente encontrarmos um gadget qualquer que nos aspire a casa está muito bem, mas chegar ao limite de encontrar um gadget que substitua as nossas necessidades de cálculo, de avaliação… Eventualmente, até a nossa humanidade será reduzida, até a potência humana será reduzida, o que significa que descemos mais à condição de animal ao invés de ascendermos mais e mais à condição humana.

Agilulfo morre de burro, como consequência do divertimento dos outros. Estamos a condenar vários ao mesmo destino, devido às redes sociais e à propaganda de que somos alvo? Estamos em risco de morrer de burros?
De algum modo, sempre se morreu de burro, porque a sofisticação do pensamento, a educação, digamos assim, é esplendorosa ou pode ser esplendorosa porque nos protege em relação a todos os males e a todos os perigos. Por isso, em última análise, numa vida minimamente normal, convencional, o conhecimento já é uma cura para muitas doenças, porque a pessoa escapa de muitas doenças por aprender a comer. Até a simples aprendizagem da travessia de um lado da rua para o outro já é uma salvação da vida ou, eventualmente, da saúde. Tudo o quanto nos instrui propende para nos salvar a vida, propende para cuidar da nossa saúde, por isso, cuida do lado material da vida, cuida do corpo. E tudo o quanto não nos instrui, por deferência, obviamente, propende para perigar o nosso corpo e para perigar a nossa vida. Por isso, morrer de burro é algo que se faz desde que há gente. Agora, o espanto está nisto, está em atravessarmos uma época em que uma certa ignorância ou uma certa oposição ao conhecimento perdeu o pudor e se glorifica como algo válido. E é só ver muitas lideranças políticas… A maneira como se desinteressam por qualquer tipo de verdade e, em última análise, se desinteressam agressivamente ou se opõem agressivamente àquilo que é comprovado cientificamente. Para mim, isso traz um espanto grotesco, diria.

Depois, os seus apoiantes vão atrás e, mesmo confrontados com os factos, negam-nos completamente.
A única maneira destas ignorâncias imperarem é através do fanatismo, através de uma posição obstinada que não quer provas, que não precisa de provas e vive assente em emoções muitas das vezes justificadas por preconceitos. Significa que são posições na vida ou são visões na vida que não pretendem qualquer relação com noções de justiça, por exemplo. O que querem é uma imposição de uma vontade imperativa, despótica e, normalmente, excludente, o que é tudo ao avesso do projeto ou do ideal humano. É tudo ao avesso do que devia ser, do que, eticamente, devia ser. É mais do que uma bizarria, é um perigo. É um perigo porque, pela primeira vez, parece que se propõe uma mudança no paradigma humano que vai meio no sentido de acabar com o humano propriamente dito.

Lá está, quando Agilulfo sobe à torre e adquire todo o conhecimento, profere uma palavra que ninguém compreende, mas à qual é dado um significado aleatório e que todos fingem ter entendido logo. É este o estado da sociedade? Alguém diz alguma coisa e, para não sermos as ovelhas negras, concordamos sem questionar ou compreender o que está em causa?
Sim, é uma padronização de um conhecimento que não é conhecimento nenhum, que é algo que se propaga e que já não se consegue questionar por inteiro, que se instala com um sentido algo dogmático, e é a partir dos dogmas que o fanatismo pode ser levantado. Por isso, para um lado ou para o outro da barricada, as posições vão-se estremando a partir das suas convicções, que são quase convicções de fé.

Estamos num tempo em que, definitivamente, precisamos de ganhar uma consciência em relação às coisas, ao invés de assumirmos que as coisas não nos atingem ou não deverão ser preocupações nossas, porque simplesmente não incorremos nesses erros. O facto de não incorrer nesse erro não implica que não deva ativamente lutar contra esse erro

Devo confessar que achei esta parte deliciosa porque, durante o julgamento, a defesa de Omobon e Omobestia disse, e passo a citar, que "queria apresentar as condolências à família daquele que não evitou a trágica consequência de perder a vida". O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse isto em fevereiro, no rescaldo das intempéries.

Ai disse? Não sabia.
Não sabia?

Não.
Disse precisamente que queria apresentar as condolências "às famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida". A minha pergunta era se foi de propósito, se não foi de propósito.

Oh, meu Deus! Foi uma coincidência, talvez no meu subconsciente tenha ficado a expressão… Não sei, não saberia dizer a expressão de cor, mas é eventualmente um lamento que acontece, que as pessoas fazem em relação a quem não evita perder a vida.

E é idêntica, portanto é muito engraçado ter sido uma coincidência.
Uma coincidência terrível.

Acha que vão interpretar mal?
Acho que vão entender que é algo que não se deve dizer. Que é algo muito estranho, atribuir a culpa à vítima. É elementarmente estranho.

Mas foi esse o seu objetivo, ou não?
Claro. É uma denúncia, é uma discordância. Discordo profundamente com culpar-se as vítimas. É uma boca, é uma provocação, é uma resposta. É uma resposta que a literatura cria em relação à contemporaneidade concreta, à mais concreta contemporaneidade. Sou licenciado em Direito. Não é possível que se estabeleça como justo um princípio que culpa a vítima. Não é possível. É mais do que um paradoxo, é uma imbecilidade.

Um bocadinho nessa linha, Omobon acaba com uma pena mais severa, mesmo mostrando-se arrependido, porque "à bondade exige-se responsabilidade". Considera que isso também acontece na nossa sociedade? Os bons e honestos são mais penalizados?
É, porque dos bons esperamos uma lisura, esperamos resultados condizentes. Dos maus, já de alguma forma os demitimos de servirem de exemplo para alguma coisa. E por isso há uma ironia, ou há um sarcasmo associado. Aliás, todo o livro é sarcástico, mas há um sarcasmo tremendo associado a essa condenação porque, de facto, tendemos a sofrer um desgosto muito maior quando vemos os bons falharem. E isso vai ao encontro do que Martin Luther King dizia, que mais do que temer o ruído dos maus, temia o silêncio dos bons. É um pouco isso. A passividade dos bons, perante uma hipótese de derrocada da humanidade, torna-se profundamente obscena, como se os bons fossem os culpados. Não bastará ser bom, é essencial agir no sentido de fazer com que a bondade seja um princípio ativo. Eu entendo muito assim. Até no foro dos ativismos, digamos assim, acho que estamos num tempo em que não podemos achar que somos só indiferentes a determinadas torpezas. Temos de ser ativamente contra essas torpezas. Por exemplo, não basta eu dizer que não sou racista; é preciso ser ativamente antirracista.

Estamos num tempo em que, definitivamente, precisamos de ganhar uma consciência em relação às coisas, ao invés de assumirmos que as coisas não nos atingem ou não deverão ser preocupações nossas, porque simplesmente não incorremos nesses erros. O facto de não incorrer nesse erro não implica que não deva ativamente lutar contra esse erro. É um pouco o que está em causa entre os bons e os maus. Os bons, não basta que sejam bons, é preciso que sejam ativamente agentes do bem, que produzam o exercício do bem como uma obrigação coletiva.

É curioso, porque a união devia fazer a força, enquanto coletivo devíamos ser muito mais robustos e devíamos funcionar como um exército bastante defendido, mas vemos que não, que os coletivos avançam impavidamente em direção ao abismo, ainda que cada um de nós saiba perfeitamente que, se chegar ao limite, não interessa saltar. Porque é que, enquanto coletivo, caminhamos em direção ao abismo?
Até porque, depois da pandemia, ou durante a pandemia, dizia-se que as pessoas iam ficar mais próximas, mais solidárias, e estamos a ver um pouco o contrário, não é? Estamos cada vez mais individualistas.

Era uma coisa que a história também já explicava, que depois das pandemias voltam as guerras e voltam as atomizações e todos os oportunismos e avançam todos os sentidos de imperialismo e de domínio de uns perante os outros. A história explica que, com cada pandemia, há um ciclo que se inicia e que tem uma tramitação, digamos assim, que é repetida. Quem leu alguma coisa já sabia que era inevitável passarmos por esta fase. A candura que se criou no período da pandemia, que fez com que as pessoas achassem que, quando pudéssemos estar juntos, quando pudéssemos voltar às ruas e normalizar um pouco as nossas vidas, haveríamos de ser muito mais fraternos, estaríamos todos saudosos de nos vermos e de nos abraçarmos… Essa candura é exatamente um dos instrumentos mais valiosos para o oportunismo, porque as pessoas entorpecem, digamos assim, os sentidos, ficam iludidas com uma fantasia e acabam por estar meio predispostas para serem enganadas em todas as situações. Por isso é que a história também comprova que é nesse instante de candura universal que os malfeitores avançam.

Não deixa de ser estranho... Como é que a história já mostrou isso tantas vezes e, mesmo assim, continuamos repeti-lo?
É como se individualmente fôssemos todos muito capazes, mas coletivamente somos sempre um pouco mais falhos. É curioso, porque a união devia fazer a força, enquanto coletivo devíamos ser muito mais robustos e devíamos funcionar como um exército bastante defendido, mas vemos que não, que os coletivos avançam impavidamente em direção ao abismo, ainda que cada um de nós saiba perfeitamente que, se chegar ao limite, não interessa saltar. Porque é que, enquanto coletivo, caminhamos em direção ao abismo? É estranho, porque cada um de nós sozinho não tem interesse nenhum em seguir essa direção, mas no coletivo fazemo-lo. Enquanto totalidade, estamos, de facto, numa espécie de movimento em direção a um certo fim do mundo, a um certo fim de todas as coisas.

A Marquesa, mulher bicuda e propensa a diarreias que acha que "o povo é estúpido", tem um final aberto, associado ao cofre de Agilulfo. O cofre representa o quê exatamente? O desconhecido, o ideal da informação? A soberba?
O cofre, para mim, é um mistério que não é aceite, que algumas personagens não conseguem aceitar. É um mistério que acontece às vezes nos meus livros. É uma equação irresoluta, que não tem solução à vista. E, depois, as pessoas distinguem-se entre aquelas que tomam a rédea das suas vidas independentemente de tudo ou as outras que não conseguem avançar em sentido algum enquanto uma resposta não lhes for dada. Por isso, a Marquesa não consegue existir para lá daquela resposta e a Criada existe para lá daquela resposta.

Torna-se a patroa, não é?
É e, por isso, de alguma maneira, as pessoas ficam distintas, são distintas por esta atitude em relação a uma equação irresolúvel. Ou achamos que a vida é justa independentemente de nos responder ou não, ou, então, não aceitamos o facto de não nos responder e estabelecemos a vida como impossível.

Tendo em conta as referências à religião, às tantas dei por mim a tentar identificar os sete pecados mortais. Foi propositado ou eu é que levei a minha análise demasiado a fundo?
Não, tem, porque há um jogo com as virtudes no livro e, por isso, todos os pecados estão presentes, de alguma forma. Podia ser o século dos pecadores, mas o pecado parece uma coisa que define menos a perplexidade perante a contemporaneidade. Mas existe o uso das iniquidades todas.

Se estabelecermos como verdade alguma coisa que nos é dita sem ser comprovada, sem ser passível sequer de prova, estamos a aceitar uma certa realidade paralela. Estamos a aceitar que as evidências não esgotam aquilo que há para saber e, diante das evidências, podemos estar crentes de uma coisa completamente distinta. Podemos confiar mais no que sentimos do que aquilo que está diante dos nossos olhos de uma forma concreta

Falou há pouco sobre a justiça. No livro escreveu que, "quanto mais se propagava a justiça, mais se notavam as falhas de carácter e o quanto a informação, afinal, não podia nada contra o prejuízo dos gestos" e que "a população aumentava de emoção, […] decidia por sentir e não por pensar". É um pouco isto que estamos a viver, não é?
É seguir as perceções. O sentimento é um bocadinho criado por uma perceção que pode ser completamente fantasiosa e que não se fundamenta por completo. Por isso, é uma espécie de ciência do achismo, que faz com que as pessoas se movam e tomem decisões a partir de um ponto de vista pessoalíssimo e normalmente errado – muitas vezes errado. De facto, uma das tragédias da contemporaneidade é fazermos ascender o sentimento à ciência, é confundirmos sentimento com ciência.

Até que os personagens criam uma nova santa.
Há uma Nossa Senhora que vai exatamente ser criada ao arrepio daquilo que as pessoas sentem. Em última análise, a religião é um sentimento, não consegue ser uma ciência, não fornece respostas concretas. Estabelece apenas dogmas, que é um bocadinho o que os sentimentos também vão fazendo. Vão criando em nós uns certos dogmas, umas certas inclinações para achar que as coisas são assim ou assado. E a religião é feita de dogmas e está cheia de decisões que temos de tomar e que têm que ver com acreditar em alguma coisa que não é minimamente comprovável e, às vezes, nem plausível. Então, achei interessante que o sentimento destas pessoas desse origem à criação de uma nova santa.

Às vezes, a religião é necessária para sobreviver, para suportar a vida, mas também cria bastante resistência ao conhecimento.
Sim. Tudo o quanto pode, a partir do ponto de vista do estabelecimento de um dogma, que não deixa de ser um preconceito, porque é um pré-conceito, um conceito prévio, acaba por ser modo de eventualmente perigar o conhecimento ou perigar a ciência. Se estabelecermos como verdade alguma coisa que nos é dita sem ser comprovada, sem ser passível sequer de prova, estamos a aceitar uma certa realidade paralela. Estamos a aceitar que as evidências não esgotam aquilo que há para saber e, diante das evidências, podemos estar crentes de uma coisa completamente distinta. Podemos confiar mais no que sentimos do que aquilo que está diante dos nossos olhos de uma forma concreta.

Ao longo destes 30 anos enquanto escritor, que momentos colocaria no seu top três?
A edição do meu primeiro livro, que é um livro do qual eu hoje não gosto, mas que foi um livro que surge na minha vida um pouco de surpresa, sem que eu o tivesse procurado, mas que encontrei, digamos assim. Em 1996, foi absolutamente mudador, foi uma concretização tão gratificante que nunca esperaria que pudesse acontecer. Não tinha a convicção de que isso me pudesse acontecer. Depois, eventualmente, o instante de ganhar o Prémio Saramago, que me retira de uma lonjura e que me oferece a oportunidade de participar um pouco do teatro literário nacional. Diria, depois, a publicação no Brasil. A passagem por um grande festival no Brasil e a recetividade dos leitores brasileiros em relação à minha obra acabam por retificar ou legitimar, diria, uma relação forte que tinha com a cultura brasileira e que faz com que hoje me sinta balançando entre os dois países de um modo muito gratificante.

E faria tudo igual?
Talvez, se fazer tudo igual me trouxesse a este dia, a esta hora, desta maneira, sim, faria, sim. Não saberia fazer de outra maneira, porque o que decidi foi o que soube decidir. Estou muito feliz, sobretudo estou muito feliz com os livros que escrevi, com os livros que escrevo, com o novo livro, de maneira que este foi o percurso que me garantiu a possibilidade de escrever este livro, então foi o percurso certo.

Que outros projetos é que tem em mãos?
Este livro começa um ciclo chamado Crimes e Vindouros, por isso já estou com a cabeça no próximo romance. À partida será uma tetralogia também; gosto de funcionar por ciclos de quatro livros. Estou com a cabeça nestes assuntos, do que podem ser os grandes crimes de hoje, herdados pelas pessoas do futuro; que crimes estamos nós a deixar para que as pessoas do futuro herdem. É nisso que estou metido.

Gosto muito da imagem do Albuquerque Mendes, que é um mestre pintor português, um grande amigo, e que, ao longo da escrita do livro, me foi ouvindo falar sobre ele. Enquanto escrevia, falámos quase todos os dias, e fui contando ao Albuquerque o que estava a acontecer. Ainda antes de ler o livro, ele conseguiu criar essa imagem, que me parece perfeita para o clima do livro, para a desconfiança entre a Marquesa e a Criada, entre as mulheres, a presença da máquina de costura, e o fantasma do Agilulfo deitado como sombra delas mesmas. Então, foi muito especial ter uma imagem do Albuquerque Mendes neste livro, porque surge da nossa amizade e dessa partilha de uma coisa que ainda não acontece, ou que está a acontecer, mas que ainda não existe por inteiro. Ele ajudou-me a ver o livro antes que o livro estivesse completo. É muito especial ter esses bonecos, digamos, esses desenhos na capa do livro.

Sim, é muito bonita. É a cena em que estão a vender os vestidos.
Vendem os vestidos e estão, de alguma forma, transformadas em colegas de trabalho, e assim, meio que aldrabando a clientela, meio que impingindo à clientela a tralha que têm para vender.

Mais tarde ainda é pior, porque usam trapos e cortinados.
Exatamente, depois perdem a cabeça. É o desespero, é a fome.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O ódio, por Maya Angelou

Biografia

"Hate has caused a lot of problems in this world, but it has not solved one yet." - Maya Angelou
"O ódio causou muitos problemas no mundo, mas ainda não resolveu nenhum." - Maya Angelou

Esta citação de Maya Angelou é proveniente de uma entrevista concedida à apresentadora Oprah Winfrey, especificamente para o programa "SuperSoul Sunday" da rede OWN (Oprah Winfrey Network). Ao contrário de muitos de seus pensamentos mais famosos, esta frase não foi escrita originalmente num dos seus livros ou poemas, mas surgiu de forma espontânea durante uma conversa profunda sobre perdão, cura e a experiência da comunidade negra nos Estados Unidos.

Na ocasião, a Dra. Angelou explicava a diferença entre a "raiva", que ela considerava uma reação natural e até útil para sinalizar injustiças, e o "ódio", que ela descrevia como uma força puramente corrosiva e estéril. Para ela, o ódio consome o hospedeiro sem nunca entregar uma solução prática para os conflitos humanos. A frase se tornou um dos seus legados orais mais poderosos, sendo amplamente replicada em discursos de direitos civis e redes sociais por sintetizar sua visão pragmática sobre o amor e a resistência.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Maya Angelou



"Peace is like happiness. It’s an ideal. And yet it’s not. It’s attainable everyday. I can find peace for a moment or an hour somehow, somewhere. I can actually create peace. Maybe only for a moment. Maybe only for an hour. Somehow, somewhere. Maybe more?
We can create peace. For someone. For ourselves. Maybe only for a moment. Maybe for an hour. Somehow, somewhere. Let’s do that. If we all just do that."

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Geração Silenciosa: quem são, principais características e o seu legado histórico


O conceito de “Geração Silenciosa” carrega em si um dos maiores paradoxos da história recente. O termo foi consagrado e popularizado em novembro de 1951, através do artigo da Revista Time: People: The Younger Generation, que descrevia os jovens nascidos entre 1928 e 1945 como um grupo prudente, focado no dever e sem grandes ambições de rutura radical. Contudo, quando analisamos o século XX com o distanciamento do tempo, percebemos que foi sob essa fachada de contenção que se ergueram as bases do mundo contemporâneo.

Para compreender a mentalidade desta geração, é preciso olhar para o ambiente em que cresceu. Nascidos entre a crise financeira do final dos anos 1920 e o fim da Segunda Guerra Mundial, estes indivíduos vivenciaram a infância e a juventude num contexto de racionamento e incerteza global. Ao contrário da geração anterior, que viveu o conflito na linha da frente, a Geração Silenciosa viveu-o nos bastidores e através do olhar infantil. Esta vivência moldou uma relação muito específica com a estabilidade e o risco.

O impacto demográfico dessa época de crises também se fez notar. Conforme detalhado nos dados históricos do relatório Demographic Trends in the 20th Century (U.S. Census Bureau) e no estudo comparativo sobre o hiato geracional do Pew Research Center, trata-se de um grupo populacional invulgarmente reduzido, consequência da queda vertiginosa da taxa de natalidade durante a Grande Depressão. Contudo, o seu peso institucional foi enorme. No mercado de trabalho, consolidaram a cultura da lealdade organizacional — trabalhar décadas para a mesma empresa não era visto como falta de ambição, mas sim como a conquista máxima de segurança familiar.

Existe, porém, um contraste fascinante entre a postura discreta desta geração e a sua produção cultural e social. Embora a geração seguinte, os Baby Boomers, tenha ficado famosa pelas manifestações de rua dos anos 1960, a arquitetura intelectual e estratégica desses movimentos foi desenhada pela Geração Silenciosa.

No campo dos direitos civis nos Estados Unidos, figuras centrais como Martin Luther King Jr., Malcolm X e Rosa Parks pertenciam a esta faixa etária. Na cultura global, a banda sonora da própria contestação foi criada por eles: Bob Dylan, Paul McCartney, John Lennon e Jimi Hendrix deram voz a uma era de mudanças sem precedentes. No mundo dos negócios e dos meios de comunicação, visionários como Ted Turner (fundador da CNN) transformaram a forma como a informação circula ao criar o jornalismo contínuo de 24 horas.

Mesmo no domínio da ciência e da tecnologia, foi este grupo que abriu caminho para a era digital moderna. Das missões espaciais que levaram o homem à Lua às primeiras linguagens de programação e arquiteturas de computadores comerciais, os avanços fundamentais foram desenvolvidos por mentes que cresceram a aprender o valor do detalhe e da persistência.

A Geração Silenciosa nunca foi verdadeiramente omissa; foi, essencialmente, uma geração de pontes. Entre a severidade dos seus pais e o ruído da revolução cultural dos seus filhos, ela garantiu a continuidade económica, construiu os estados sociais de pós-guerra e criou as ferramentas da globalização. As transformações mais duradouras nem sempre nascem do confronto direto - muitas vezes, são erguidas com o trabalho rigoroso de quem simplesmente faz o que tem de ser feito.

Fontes e Documentos Específicos
  1. Revista TIME (Arquivo Histórico de 1951):People: The Younger Generation 
  2. U.S. Census Bureau (Relatório Técnico CENSR-4): Demographic Trends in the 20th Century 
  3. Pew Research Center (Estudo Social): Fortysomething: Life Attitudes of the Silent Generation 

domingo, 25 de maio de 2025

Gabor Maté, Chris Hedges and Aaron Maté on 'Palestine: The Moral Issue of Our Time'


Chris Hedges e Gabor Maté, apresentados pelo premiado jornalista Aaron Maté, discutem a "questão moral do nosso tempo", Gaza. Hedges e Gabor Maté fazem discursos, participam em discussões bidirecionais e respondem a perguntas do público.

Agradecemos ao Nick Laparra, da Let's Give a Damn, e à Middle East Children's Alliance por organizarem o evento, nos terem facultado as imagens e nos terem permitido partilhá-las no nosso canal e na Substack.

Pode assistir ao evento completo, com direito a uma atuação musical de Mona Miara, aqui no canal Let's Give a Damn no YouTube

"American Fascists: The Christian Right and the War on America" é um livro de não-ficção de 2007 do jornalista americano Chris Hedges. American Fascists perfila a ascensão de uma direita cristã americana e argumenta que o bloco politicamente ativo possui as características de um movimento fascista.

sábado, 26 de abril de 2025

Não, Elon, empatia não é sinal de fraqueza


A empatia é a razão pela qual ainda aqui estamos.
Na escola, todos aprendemos sobre a teoria de Darwin da “sobrevivência do mais apto”. Talvez se surpreenda ao descobrir que não foi ele quem cunhou este termo. Foi Herbert Spencer quem surgiu com isso cinco anos depois: 


Como provavelmente também sabe, Spencer estava interessado em implementar hierarquias de seres humanos, e as suas ideias foram utilizadas para justificar a eugenia.
Ao longo dos anos, a ideia de “sobrevivência do mais apto” tem sido amplamente interpretada como significando que os mais egoístas e os mais agressivos sobreviverão. Quando se olha para os escritos de Darwin, no entanto, verá algo bastante diferente: ele enfatizou que são os simpáticos que sobrevivem e prosperam.
A simpatia é aqui utilizada por Darwin para significar algo semelhante à empatia ou compaixão, inspirado pelo uso do termo por Adam Smith em "A Teoria dos Sentimentos Morais" 


“A palavra simpatia, no seu significado mais próprio e primitivo, denota o nosso sentimento de solidariedade com os sofrimentos, e não com os prazeres, dos outros.”
É certo que, numa interação individual entre uma pessoa egoísta e uma pessoa compassiva, a pessoa egoísta pode vencer. Estão dispostos a fazer coisas que magoam outras pessoas e a sacrificar a sua moral (ou seja, atenuar a sua resposta empática).
Mas, em grupos, tudo muda. Os grupos compassivos vencem os grupos egoístas.
Os compassivos sobrevivem porque trabalham em conjunto. Ao utilizarem a sua empatia, são capazes de construir relações; nestas relações, cuidam uns dos outros, partilham recursos e exploram pontos fortes únicos. O bem-estar do grupo é o seu objetivo, e trabalharão com coragem e cooperação para o alcançar. Os egoístas não podem fazer nenhuma destas coisas, porque estão a fazê-lo apenas para si próprios. Um grupo de indivíduos egoístas desintegra-se rapidamente, voltando-se uns contra os outros e entrando em colapso interno.
Os compassivos também prosperam porque as atividades que promovem a sua sobrevivência — praticar a empatia, construir relações e cuidar uns dos outros — também conduzem à felicidade. O egoísta não pode florescer porque ninguém pode ser feliz sozinho. A miséria obriga-os a comportarem-se de forma ainda mais egoísta, causando ainda mais danos aos outros.
Conforme descrito pelo eminente biólogo E.O. Wilson, “O egoísmo supera o altruísmo dentro dos grupos. Os grupos altruístas superam os grupos egoístas. Tudo o resto é comentário.”
Quando me deparei com esta investigação pela primeira vez na pós-graduação, fiquei chocado. Foi um dos primeiros momentos em que percebi que as minhas "crenças leigas", como os académicos lhes chamam, não eram apenas moldadas pela cultura Old Happy, mas fundamentalmente distorcidas por ela. Por que razão a sobrevivência do mais apto passou a ser concebida como “a vitória egoísta”? Por causa das forças do capitalismo, do individualismo e da dominação, todos os quais centralizam o eu acima dos outros. Se acredita que o estado natural do ser humano é egoísta, então estas estruturas sociais não são apenas necessárias, mas desejáveis. É benéfico para o Velho Feliz conceber que estamos podres até à medula.
Mas, à medida que me aprofundei na investigação, aprendi que cada grande salto no desenvolvimento humano é o resultado de se tornar cada vez mais cooperativo, atencioso e prestável. Ao apoiarmo-nos nas nossas ligações e no nosso sentido de serviço aos outros, e não nos afastarmos deles. Vendo os outros como semelhantes a nós, ligados a nós, queridos por nós. Creio que é este o sentimento que sustenta a famosa citação de Martin Luther King Jr.: “O arco do universo moral é longo, mas curva-se em direção à justiça”. Isto acontece porque a nossa natureza mais profunda é compassiva.
À medida que enfrentamos outro momento crucial na história da humanidade, somos chamados a evoluir para uma versão ainda mais compassiva de nós próprios. Acredito que esta é a única forma de ultrapassarmos o que vem a seguir.
Quando olho para o movimento Make America Great Again, vejo um grupo de pessoas que são contra a nossa evolução coletiva. Não querem apenas que interrompamos o aprofundamento da nossa compaixão, querem que desaprendamos o nosso progresso e desmantelemos o que construímos. Ao convencerem-nos de que a empatia é uma fraqueza, tentam silenciar o nosso dom mais humano em favor dos seus interesses. Querem regressar a uma época em que as pessoas das comunidades marginalizadas não tinham direitos e oportunidades. Querem ter a liberdade de prejudicar os outros para obter mais para si. Querem acabar com as vitórias em compaixão pelas quais os nossos antepassados ​​tanto lutaram.
É por isso que sei que nunca terão sucesso. As suas ações não estão alinhadas com a nossa natureza humana mais profunda. O progresso só pode ser alcançado se nos tornarmos mais atenciosos, e eles estão, dia após dia, a tornar-se mais odiosos.
Podem conseguir vitórias no curto prazo, sim. Podem ser capazes de dominar os indivíduos, é verdade. Mas se nós, enquanto grupo de pessoas, nos unirmos em compaixão, então podemos confiar que venceremos.
O nosso maior desafio agora é criar este grupo de indivíduos compassivos. Neste momento estamos fragmentados, desligados, separados. Quase toda a gente ainda opera sob a sua antiga visão do mundo feliz, acreditando que a sua felicidade pessoal é mais importante do que a felicidade dos outros e que ajudar os outros é um anátema para o bem-estar. Esta é a crença leiga que deve cair para garantir a nossa felicidade coletiva.
Precisamos de aprender a amar-nos a nós próprios e uns aos outros de novo, reconhecendo que o amor é uma ação, uma prática, uma disciplina. Devemos olhar profundamente para nós próprios e perguntar: onde é que me estou a recusar a demonstrar compaixão aos outros e como posso ultrapassar isso? Devemos reunir-nos com aqueles que partilham o nosso objectivo de construir um mundo onde todos possam ser felizes e construir uma comunidade real e significativa que nos ajude a tornar-nos a versão mais empática e compassiva de nós próprios.
Não será fácil. Isso também faz sentido. Quem disse que evoluir enquanto espécie seria fácil? No entanto, diria que é a coisa mais valiosa a que nos podemos dedicar. Uma vida dedicada ao aprofundamento da compaixão seria uma vida bem vivida e criaria um legado que se estenderia pelas gerações futuras. Talvez seja por isso que aqui estamos. Talvez devêssemos começar já.
Nota: Neste artigo, não me foquei nas formas como até mesmo atribuir a empatia como uma qualidade da cultura ocidental também é incorreto, dadas as inúmeras formas como prejudicamos tantos milhares de milhões de pessoas na nossa busca pela dominação. Fonte

quarta-feira, 1 de maio de 2024

I Have a Dream, Benjamin Netanyahu

Eu Tenho um Sonho” é uma frase famosa proferida por Martin Luther King Jr. durante seu discurso icônico, intitulado “I Have a Dream”.

Este discurso foi proferido em 28 de agosto de 1963, durante a Marcha em Washington por Empregos e Liberdade.

"I say to you today, my friends, so even though we face the difficulties of today and tomorrow, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream.…I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. I have a dream that…one day right there in Alabama, little Black boys and Black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers." [Fonte: Britannica]

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Dia Mundial do Sonho


Este dia, conhecido globalmente como "World Dream Day", foi criado por um instrutor na Universidade da Colômbia em 2002 com o objetivo de refletirmos nos nossos sonhos e como os atingir, fazendo do mundo um melhor lugar para se viver.
Neste dia as pessoas são incentivadas a partilharem ideias, sonhos e ferramentas, para criarem condições que permitam efetivamente a realização de objetivos e de sonhos comuns, contribuindo para a melhoria de questões mundiais.
Unir as pessoas sonhadoras e as pessoas concretizadoras é a missão do Dia Mundial do Sonho.
Mas para além dos sonhos sinónimos de objetivos e metas a atingir, existem também os sonhos fisiológicos que nos assolam durante o sono. Podem ser bons ou verdadeiros pesadelos mas sempre com alguma relação com a realidade. Podemos lembrar ou não de acordo com o momento em que acontece o sonho, mas dizem os especialistas que sonhamos todas as noites e que sonhar é importante para o nosso cérebro.

Frases para Dia do Sonho

“Sonhar é acordar-se para dentro.” – Mário Quintana

“A esperança é o sonho do homem acordado.” – Aristóteles

“O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos.” – Eleanor Roosevelt

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo.” – Fernando Pessoa

“Você não precisa ver toda a escada, apenas dê o primeiro passo.” – Martin Luther King Jr

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Martin Luther King - "Embrace" envolta em polémica

Martin L. King abraçando sua esposa, Coretta Scott King 

Coretta Scott conheceu Martin Luther King, Jr., em Boston, Massachusetts, onde ela estudava educação musical no New England Conservatory, e ele estudava teologia sistemática na Boston University.


A estátua “The Embrace”  foi inaugurada na sexta-feira em Boston Common, onde King fez um discurso em 23 de abril de 1965, para uma multidão de 22.000 pessoas. A estátua foi inspirada por uma fotografia de King e Scott King que os capturou abraçando-se depois que ele ganhou o Prémio Nobel da Paz em 1964.

A obra de arte, projetada pelo artista conceitual Hank Willis Thomas , de Brooklyn, apresenta apenas os braços do casal durante o abraço e não suas cabeças, o que gerou críticas e zombaria online. Algumas pessoas descreveram isso como hediondo ou desrespeitoso, enquanto outras postaram memes e disseram que parecia um ato sexual.


Seneca Scott, um organizador comunitário em Oakland, Califórnia, e primo de Scott King, disse à CNN que a estátua era um insulto para sua família. Ele o descreveu anteriormente como uma “homenagem masturbatória ao metal” num ensaio publicado pela Compact Magazine.

“Se você pode olhar de todos os ângulos, e provavelmente são duas pessoas se abraçando, são quatro mãos. Não são as cabeças que faltam que é a atrocidade que outras pessoas prendem nisso; é um toco que parecia um pénis. Isso é uma piada”, disse Scott à CNN.

Mas Martin Luther King III disse na segunda-feira que estava grato por poder ver uma estátua representando a história de amor de seus pais e sua parceria. Embora algumas pessoas tenham opiniões negativas sobre o monumento, ele disse a Don Lemon, da CNN, na segunda-feira, que gostou.


“Acho que é uma grande representação de unir as pessoas”, disse King. “Acho que o artista fez um ótimo trabalho. Estou satisfeito. Sim, não tinha as imagens da minha mãe e do meu pai, mas representa algo que une as pessoas.”

“E nesta época, dia e idade, quando há tanta divisão, precisamos de símbolos que falem sobre nos unir”, acrescentou.

A CNN entrou em contato com Thomas para comentar sobre a reação a “The Embrace”. Em seu boletim , Thomas disse no início deste mês que a peça não era apenas um monumento a King e Scott King "mas um monumento ao amor e ao poder que ele possui".

Um representante do Embrace Boston, um grupo de justiça racial e económica sem fins lucrativos por trás da criação do monumento, recusou-se a comentar sobre as críticas e cedeu aos comentários do rei III.

“O Embrace tem como objetivo inspirar os visitantes a refletir sobre os valores da justiça racial e económica que ambos os reis adotaram”, disse o grupo sobre o memorial em seu site.

Ler mais:

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Let me tell you something- O Estado Global da Democracia

Let me tell you something... The Almost Forgotten Selma March.
Aos países como EUA, Rússia, China, Marrocos, Índia, Qatar, Myanmar, Angola, Irão, regimes autocráticos/teocráticos, regimes que violam os Direitos Humanos e países europeus governados pela extrema-direita tenho um textinho para vós:

"True peace is not merely the absence of tension; it is the presence of justice.
To cure injustices, you must expose them before the light of human conscience." - Martin Luther King, Jr. (Montgomery, Alabama, March 25, 1965)


Martin Luther King, Jr.- Selma March, 1965

História

Relatórios

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Documentário: Eu Não Sou Seu Negro


A voz de Samuel L. Jackson carrega dor, revolta, injustiça, sofrimento, mas também esperança. No tom exacto das emoções que as palavras de James Baldwin transmitem, a narração de “I am not your Negro” transporta-nos para o turbilhão racial da América, na longa e sangrenta luta pelos direitos civis.

O documentário nasceu das páginas de “Remember This House”, romance que a morte de James  Baldwin, em 1987, interrompeu.

O livro, segundo nos conta a produção de Raoul Peck, parte do compromisso assumido pelo escritor de “contar a história da América, através das vidas de três dos seus amigos que foram assassinados: Medgar Evers, Martin Luther King Junior e Malcom X”.

Todos símbolos de um movimento que continua a pagar com a morte a luta pela igualdade racial.

A trajectória dos três ícones, indissociável da de Baldwin – e de tantos outros afroamericanos que marcharam e marcham contra a opressão, pela libertação negra –, começou a ser documentada pelo escritor em 1979, mas “nunca foi além das 30 páginas de anotações”, revela-nos o documentário.

Estava em curso uma “missão impossível”, conforme o romancista, ensaísta, dramaturgo, poeta e crítico social, acabaria por descrever.

O caminho de regresso a casa, para quem há muito se tinha mudado para França – numa fuga ao racismo e homofobia de que era alvo nos EUA -, acabou por se cumprir sob a direcção de Raoul Peck, a quem Gloria Karefa-Smart, irmã do escritor, confiou as notas de “Remember This House”.

“Aqui está Raoul. Saberás o que fazer com isto”.

Estava consumada a passagem do testemunho de Baldwin, já depois de uma batalha jurídica centrada no adiantamento de 200 mil dólares que o autor tinha recebido da editora.

“I am not your Negro”, estreou-se em 2016, e chegou a estar na corrida aos Óscares, na categoria de Melhor Documentário.

O prémio da Academia de Hollywood não veio, mas o contributo desta produção para o entendimento das tensões raciais que atravessam a América é inequívoco.

“Não somos os ‘vossos’ negros, somos seres humanos”

“O que as pessoas brancas devem tentar compreender, olhando para dentro dos seus corações, é, antes de mais, a razão de ter sido necessário criar a figura do ‘negro’”, defende Baldwin, apelando à reflexão sobre a origem de uma construção social que oprime e marginaliza cidadãos em função da cor da pele.

O escritor, cujo livro de estreia foi o aclamado “Go tell it on the Mountain” (“Se o disseres na montanha”) – que apenas chegou a Portugal no ano passado, 65 anos após a publicação –, coloca-nos perante uma evidência.

“Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado. Mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”, observou Baldwin, acrescentando: “O confronto nem sempre traz uma solução para o problema, mas enquanto não enfrentarmos o problema, não teremos solução”.

O problema é o racismo, exposto nas imagens e mensagens que fazem de “I am not your negro” um documentário com relevância histórica. O problema é continuarmos sem reconhecer que as sociedades em que vivemos estão racialmente contaminadas por séculos de elevação do branco e opressão do negro. O problema é não aceitarmos que a estrutura social que herdámos está automatizada para favorecer brancos e subjugar negros. Ou, como escreveu, Baldwin: “A História não é o passado. É o presente. Carregamos a História connosco. Nós somos a nossa História. Se fingirmos que não, estaremos a ser criminosos, literalmente. Eu comprovo-o. O mundo não é branco. Nunca foi branco, nem pode ser branco. Branco é a metáfora do poder”.

Um poder que criou o negro para se perpetuar, que lhe retirou humanidade para o subjugar. Entenda-se de uma vez por todas, a necessidade de se enfrentar esses demónios. Porque, conforme sentenciou Baldwin, que parafraseamos no plural: “Não somos os ‘vossos’ negros. Somos seres humanos”.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Armas, ódio e conspirações criam “risco de extrema violência política” nos EUA



Estudo recente nos EUA apura que:

"Metade da população norte-americana considera que haverá uma guerra civil nos próximos anos, segundo um estudo da Universidade da Califórnia. Investigadores dizem que há motivos para recear uma “insurgência mortífera” se a ala mais radical do Partido Republicano não conseguir tomar o poder."
1 em cada 5 americanos acham que a eleição foi roubada a Trump, apesar de nenhum tribunal o ter comprovado nem nenhuma prova disso ter sido apresentada.
1 em cada 5 estão dispostos a pegar em armas contra os seus concidadãos por razões políticas.
1 em cada 5 considera mais importante que haja 1 líder forte do que democracia.

Estudo aqui

"There is no such thing as society" - Margaret Thatcher

"We are caught in an inescapable network of mutuality" - Martin Luther King, Jr.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

The little-remembered philosopher who translated Gandhi’s ideas for Americans


October this year marks Mahatma Gandhi’s 150th birthday. One of the 20th century’s most iconic figures, Gandhi’s legacy defines how many people think about peace, self-reflection and the path to a more just world.

Much less celebrated is Gandhi’s friend and follower, the American pacifist Richard Bartlett Gregg.

Gregg never made any significant speeches, so no grainy newsreels feature his words. And his books are not required reading in college courses.

Gregg has nonetheless been an influential figure in taking forward Gandhi’s message regarding the power of nonviolence. Gregg explained Gandhi’s ideas in a way that made sense to a Western audience. His books even influenced Martin Luther King Jr.‘s understanding of nonviolent resistance.

Discovering Gandhi

My own interest in Gregg was something of an accident. I am a political scientist with interest in peace activists as agents of change. I learned of Gregg a few years ago from a colleague, who told me that dozens of Gregg’s personal notebooks were moldering in a yurt on a farm up in northern Maine. These journals soon became the subject of my scholarship.

Gregg discovered Gandhi in a journal article he read in a bookstore in Chicago in 1924. Deeply impressed by Gandhi’s philosophy, at the age of 38, Gregg, a largely self-taught scholar, resolved to study with him in India.Gregg was born to a Congregational minister in 1885. It was a time of rapid industrial growth and industrial conflict, as railroads and industrialization proceeded quickly.

In a long letter to his family explaining his decision to move to India, Gregg said he was so profoundly disenchanted with the violence of American labor relations and the American system that he sought alternatives.

As I write in my forthcoming book, Gregg arrived at Sabarmati Ashram in the western Indian state of Gujarat in early February 1925. Gandhi, just released from prison, returned to his home at the ashram a few days after Gregg arrived.

During an evening walk, Gregg writes in his notes, he told Gandhi why he had come to India:

“I felt at first awed by his presence, but he listened attentively to what I said and made me feel entirely at ease,” Gregg recalls.

It was the start of a 23-year friendship that ended only with Gandhi’s death on Jan. 30, 1948.

Understanding nonviolence

Gregg spent those years traveling, teaching and studying in India.

At the time, a pacifist movement was emerging around the world. Pacifists are those who believe in confronting both domestic and international violence with peaceful resistance.

Gregg learned more deeply about Gandhi’s own strategy of nonviolence and in his first four years with him and wrote an important book, “The Power of Nonviolence,” which provided guidance on how to make pacifism more effective.

Gregg argued that onlookers should see the violent assailant, when confronted by nonviolent resistance, as “excessive and undignified – even a little ineffective.”

This was a tactic that Gandhi had used with enormous effect during the Salt March against Britain’s domination of India in 1930. The march demonstrated Gandhi’s ability to mobilize tens of thousands of Indians, who were forced to pay a salt tax to the British colonialists.

The peaceful demonstrators, who followed Gandhi to the Arabian Sea Coast to make their own salt, were beaten up and more than 60,000 arrested by British troops. The world watched, appalled at the repression of the British colonial rule.

Learning from Gandhi, Gregg also wrote that nonviolent protests should serve as a media spectacle. He knew nonviolence was not passive resistance: It was an active planned strategy that required intense – even military-style – training, both physical and spiritual.

This was controversial and shocking to many pacifists. But Gregg insisted that nonviolent protest represented a war of its own.

Simplicity and harmony

Gregg learned Hindi during his time with Gandhi and came to understand the Gandhian values of simplicity, self-reliance and how to live in harmony with the world.

Gandhi encouraged each home to have its own spinning wheel so Indians would not have to depend on cloth made in British factories. Gregg embraced the philosophy behind each Indian home spinning its own khadi cloth and became a leading advocate of organic farming and simple living.

Like Gandhi, Gregg believed that a peaceful world could only come about as humans developed inner peace and recognized their harmony with nature.

In 1936 Gregg published The Value of Voluntary Simplicity, a term he coined while serving as director of the Quaker retreat at Pendle Hill in Pennsylvania. In that post, he continued to build on Gandhi’s belief in simple living and harmony with nature as part of the true path to peace.

He was not, however, a Quaker; he remained deeply Christian.

Although he rejected Marxism and Soviet-style socialism, Gregg came to believe that the only solution to violence and injustice lay in a complete transformation of production and consumption.

What Gregg brought to America

There is no doubt that Martin Luther King Jr. was aware of Gandhi’s ideas from other sources. But Gregg’s book, “The Power of Nonviolence,” deeply affected how he thought about passive resistance. Gregg put these ideas in a context that more closely fit the American civil rights struggle.

I argue, King’s writing during this period carried very similar themes and perspectives to those laid out by Gregg. King made the distinction that nonviolent resistance was not cowardice but rather a brave act that required great training.

In 1959, King wrote the foreword for “The Power of Nonviolence,” having already become deeply familiar with Gregg’s earlier editions of the work. It went on to be published in 108 editions in six languages.

On the 150th anniversary of Gandhi’s birth, Gregg’s role in translating the Mahatma – meaning a great soul – for a Western audience and in being an early advocate of simplicity is worth commemorating, too.

How deeply he understood Gandhi’s ideas is evident in Gandhi’s own words, recorded in a personal letter to him from a friend in India:

“If you understood me as well as Richard Gregg does,” he once said to a group of Indian independence leaders, “I would die happy.”


segunda-feira, 25 de maio de 2015

John Lennon On Revolution and Native Americans


John talks about peace, peaceful revolution, the black panthers and the Native American situation. This video is partially a response to those few sick, ignorant individuals who say John Lennon was a racist because of the song, "Woman is the Nigger of the World" See my video response below if intersted.

"Our society is run by insane people for insane objectives. I think we're being run by maniacs for maniacal ends and I think I'm liable to be put away as insane for expressing that. That's what's insane about it." -John Lennon

"Laurel and Hardy, that's John and Yoko. And we stand a better chance under that guise because all the serious people like Martin Luther King and Kennedy and Gandhi got shot." -John Lennon

"I am a firm believer in the people. If given the truth, they can be depended upon to meet any national crisis. The great point is to bring them to the real facts."- Abraham Lincoln

Biografia de John Lennon aqui
Site oficial : John Lennon
Outras publicação no Bioterra
O Medo e o Amor
Bed Peace

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Why America Cannot Live without Wars



On a day marking the 50th anniversary of Martin Luther King's "I-Have-A-Dream" civil rights speech, the United States is poised to unleash another nightmare some 10,000km away in the Middle-East. Washington's war machine is geared up for limited strikes against Syria because Damascus ostensibly crossed a red line by using chemical weapons against its own population, never mind that many regimes worldwide inflict atrocities against their own people by other means.

Why a President who came to office on the strength of his anti-war credentials - especially on the phony war foisted on Iraq - is running with the war hounds, is something of a mystery. But the rest of the Washington establishment is champing at the bit to unleash missiles on the Syrian regime, promising a short punitive strike, in keeping with the well-worn belief that America cannot live without a war.
Defense Secretary Chuck Hagel was among those who indicated that the US was "ready to go" the moment President Barack Obama gave the sign. "We have moved assets in place to be able to fulfill and comply with whatever option the president wishes to take," Hagel said on Tuesday.

"We are not good at anything else anymore... can't build a decent car or a television, can't give good education to the kids or health care to the old, but we can bomb the shit of out any country..."

– the late George Carlin

This, when a UN team is still investigating the reported use of chemical weapons in the conflict between the regime of Bashir al Assad and the rebels. The UN team has been asked to pack up and get out of the way. "We clearly value the UN's work - we've said that from the beginning - when it comes to investigating chemical weapons in Syria. But we've reached a point now where we believe too much time has passed for the investigation to be credible and that it's clear the security situation isn't safe for the team in Syria," State Department spokeswoman Marie Harf said Tuesday, echoing the kind of impatience that characterized the descent into the Iraq war.

Despite the appalling intelligence failures during previous such conflicts, US officials placed immense faith in their own findings while scoffing at international efforts. "I think the intelligence will conclude that it wasn't the rebels who used it and there'll probably be pretty good intelligence to show that the Syria government was responsible," Hagel said in a BBC interview. The prospect of the war, even a limited strike, upsetting a range of friends and allies, from Israel to India, does not seem to be holding back Washington's war veterans (both Secretary of State John Kerry and Defense Secretary Chuck Hagel served in the military).
If all this recalls the war against Iraq not too long ago, not many in Washington seem keen on remembering it. Instead, explanations are being proffered on how different this case is and how it will be a short, surgical strike, not really a war.
But America's discerning have long recognized that the country can never live without war. It is a country made for war. Small detail: Up until 1947, the Defense Department was called Department of War.
By one count, the United States has fought some 70 wars since its birth 234 years ago; at least 10 of them major conflicts. "We like war... we are good at it!" the great, insightful comedian George Carlin said some two decades ago, during the first Gulf War. "We are not good at anything else anymore... can't build a decent car or a television, can't give good education to the kids or health care to the old, but we can bomb the shit of out any country..."
Similar sentiments have been echoed more recently. "America's economy is a war economy. Not a manufacturing economy. Not an agricultural economy. Nor a service economy. Not even a consumer economy," business pundit Paul Farrell wrote during this Iraq War. "Deep inside we love war. We want war. Need it. Relish it. Thrive on war. War is in our genes, deep in our DNA. War excites our economic brain. War drives our entrepreneurial spirit. War thrills the American soul. Oh just admit it, we have a love affair with war."
And so, America will be off to another (limited) war shortly. [Fonte Common Dreams, 29/8/13]

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Discurso "I Have a Dream" de Martin Luther King


Eu tenho um sonho "é um discurso público que foi entregue pelo ativista dos direitos civis americano Martin Luther King Jr. durante a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade em 28 de agosto de 1963, na qual ele pediu direitos civis e económicos e um fim para o racismo nos EUA. Perante mais de 250 mil pessoas, a partir dos degraus do Lincoln Memorial, em Washington, DC, o discurso foi um momento decisivo do movimento pelos direitos civis e um dos discursos mais emblemáticos da história norte-americana.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Pete Seeger: The Power of Song




O documentário "Pete Seeger: The Power of Song" é uma biografia cinematográfica sobre a vida, a música e o ativismo político de uma das figuras mais marcantes da música tradicional americana do século xx.

Em resumo, o filme foca-se nos seguintes pontos:
  1. Música e intervenção social: mostra como Pete Seeger utilizou as canções populares como ferramentas para a mobilização social, a união de comunidades e a defesa da justiça social.
  2. Luta pelos direitos civis: destaca o seu envolvimento ativo no movimento de libertação dos cidadãos negros nos estados unidos, tendo sido o grande responsável pela popularização do hino mundial da resistência, "We Shall Overcome".
  3. Perseguição política: aborda os anos de censura sofridos durante o macartismo, nos anos 1950, devido às suas convicções políticas de esquerda. Seeger recusou-se a colaborar com o comité do congresso americano, o que lhe valeu a inclusão numa "lista negra" que o baniu da televisão comercial durante mais de 17 anos.
  4. Ativismo ecológico: documenta a sua dedicação posterior à preservação ambiental, com especial relevo para a campanha de despoluição do rio Hudson, em Nova Iorque, através da construção do barco histórico Clearwater.
  5. Testemunhos: inclui imagens de arquivo raras e entrevistas com grandes nomes da música que foram influenciados por ele, como Bruce Springsteen, Bob Dylan, Joan Baez e Johnny Cash.
É um retrato sobre a resistência cultural e sobre o impacto que um homem e o seu banjo tiveram na história contemporânea americana.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Bayard Rustin (1912-1987)


Bayard Rustin (17 de Março de 1912 – 24 de Agosto de 1987) foi um activista pelos direitos civis dos Afro-Americanos, sobretudo pelo seu papel de organizador da Marcha sobre Washington pelo Trabalho e pela Liberdade, em 1963. Foi conselheiro de Martin Luther King sobre resistência civil não-violenta. Rustin era abertamente gay e, na parte final da sua carreira, defendeu as causas gay e lésbicas. Pouco antes da sua morte, em 1987, Rustin disse: "O barómetro da nossa posição sobre a questão dos direitos humanos já não reside na comunidade negra, mas na comunidade gay. Porque é esta comunidade que é mais facilmente maltratada."

Without Bayard Rustin’s vision and leadership many of the equal rights we take for granted today wouldn’t have been possible. He was a strategist and activist for civil, human as well as gay and lesbian rights. Rustin was involved in pacifist groups and early civil rights protests. He was a main advisor to Martin Luther King, Jr. He was arrested several times for his civil disobedience and because he was gay, but he continued to fight for equality.

Biografia mais completa no Wiki Ingles