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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Cocteau Twins - Sea, Swallow Me

Porque hoje é Dia Mundial dos Oceanos: o mar, o oceano surge frequentemente em literatura, cinema, música.

Letra
Candle rock so many punches
Seven, sugar and a man mangoes
Yell I wanted my (4X)


Mosey temple bought her play for now
Anybody doesn't shy around
Horizontal moth (3X)
Horizontal to mono re-zones and we'll promise your dreams

At least the sea where liberty
Will stand in place to seek and rule the world

Many of us so many punches
Seven, sugar and a man mangoes
Yell I wanted my
Yell I wanted my
Yell I wanted my mellow, my mean mug, and yo-mo, ma

Candle rock, saved
(Candle rock, oliver)
No, she ain't saved
(Healer, I do)
I know, you know
(You, me, we, think not do)
Yell I wanted my
(Gonna be fine)
Yell I wanted my
(Get to feel)
Yell I wanted my
(If the tree gets stuck)
Yell I wanted my
(Now we must hiss)

Since you're all saved
(Sealed)
And she ain't saved
(Able to)
I know, you know
(I'll be you, me, we can't not think)
Yell I wanted my
(Gonna be fine)
Yell I wanted my
(Get to feel)
Yell I wanted my mellow, my mean mug, and yo-mo misease
(Hence the tree keeps bark, help me bring)

At least the sea of liberty
(His diseases, yep they're all sealing)
Can stand and moistly seem to be alive
(And his neighbor will lie this will sit in my cup into satisfy)

At least the sea of liberty
Can stand in moist reciprocally
And take the hand of people cough
A liberty alive

Desejo e liberdade em “Sea, Swallow Me” dos Cocteau Twins
Em “Sea, Swallow Me”, dos Cocteau Twins, a repetição quase hipnótica de “Yell I wanted my” revela um desejo intenso que vai além de algo material. A música expressa uma busca profunda por pertença, liberdade e realização pessoal. O contexto da colaboração com Harold Budd, numa fase introspetiva e experimental dos artistas, reforça essa atmosfera de transformação interior. A letra funciona como um canal para sentimentos difusos e sonhos partilhados, enquanto a ambientação etérea e a voz marcante de Elizabeth Fraser intensificam a sensação de estar à deriva num mar de emoções e possibilidades.

A metáfora do mar, presente no título e em versos como “At least the sea where liberty / Will stand in place to seek and rule the world” (Pelo menos o mar onde a liberdade / Vai ocupar o lugar de procurar e governar o mundo), sugere que o oceano representa tanto liberdade como renovação. O mar aparece como símbolo do inconsciente coletivo, onde desejos e esperanças se misturam. A linha “horizontal to mono re-zones and we'll promise your dreams” (horizontal para zonas mono e nós vamos prometer os teus sonhos) reforça a ideia de unidade e sonhos partilhados, indicando que a realização pessoal está ligada à conexão com outros e à busca por um mundo melhor. As imagens abstratas e fragmentadas, como “candle rock”, “horizontal moth” e “mean mug”, criam uma atmosfera onírica, permitindo múltiplas interpretações e convidando o ouvinte a mergulhar na sua própria subjetividade ao escutar a canção.

Passagem do tema para o cinema
Este vídeo é extremamente adequado para a canção "Sea, Swallow Me" dos Cocteau Twins, uma vez que não se trata de uma mera compilação feita por fãs, mas sim de um registo composto por cenas oficiais do filme White Bird in a Blizzard (2014), realizado por Gregg Araki. Esta longa-metragem, baseada no romance homónimo da autora Laura Kasischke publicado em 1999, conta com a própria canção na sua banda sonora oficial, estabelecendo uma ligação direta entre a música, o cinema e a literatura.

A narrativa do livro e do filme decorre no final dos anos 80 e acompanha Kat Connors, uma jovem cuja vida muda radicalmente com o misterioso e repentino desaparecimento da sua mãe, Eve, interpretada no ecrã por Eva Green. A estética visual das cenas presentes no vídeo traduz na perfeição a atmosfera de sonho e a melancolia gélida do dream pop, utilizando tons esverdeados, azulados e enevoados que remetem de imediato para as texturas sonoras e os sintetizadores "aquáticos" da canção.

Existe também um forte paralelismo poético entre a metáfora do "engolir" implícita no título da faixa e o enredo da história, onde o sumiço de Eve funciona como um abismo que engole a estabilidade familiar; na tela, as sequências em que a personagem encara o vazio, caminha em direção a portas brancas iluminadas ou surge isolada numa imensidão de neve capturam com precisão esse sentimento literário de perda, isolamento e desamparo.

Por fim, a obra cinematográfica abraça por completo a identidade pós-punk e gótica daquela transição de década, preenchendo o quotidiano da protagonista com roupas pretas, maquilhagens carregadas, discotecas estroboscópicas envoltas em luzes néon e quartos decorados com posters de bandas icónicas como os Joy Division. Assim, ao unir o texto original de Kasischke à visão de Araki, o vídeo transforma-se numa extensão visual legítima da música, capturando de forma brilhante o tom enigmático, belo e ligeiramente perturbador que os Cocteau Twins sempre souberam transmitir.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Dia Mundial do Urso

Ver com mais detalhe aqui
O seu regresso reflete a capacidade da natureza para recuperar e mostra a necessidade de trabalhar ativamente na forma como as pessoas e a vida selvagem partilham o espaço.

Os ursos pardos ajudam a moldar as paisagens, dispersando sementes, reciclando nutrientes e sustentando uma vasta gama de espécies. A sua presença destaca a importância de paisagens conectadas e funcionais.

Nas nossas paisagens de rewilding, as equipas estão a trabalhar com as comunidades para apoiar o regresso dos ursos de formas que tornem a partilha do espaço mais possível. Estas incluem medidas práticas para reduzir os danos, melhorar a sensibilização, ligar habitats e apoiar economias baseadas na natureza e ligadas à presença da vida selvagem. Saiba mais aqui


Saber mais
World Bear Day

sexta-feira, 13 de março de 2026

The Marrow of the Infinite

Foto do meu amigo Rui Manuel Vitor Cortes

"The mountain does not hold the water;
it is the water,
and the water is the stone’s slow breath.

We do not look at the wild;
we are the wild looking back at itself,
remembering that the boundary of our skin
is as porous as the moss upon the rock.

To go out into the wild is to go in,
climbing not over the rocks, but through the soul,
where every moss-slicked boulder
is a scripture written in green and grey.

Our biological dance is in the spray;
we breathe what the forest exhales,
and the forest drinks what we let fall.
There is no "environment" out there to save -
only our own extended body,
leaping over the precipice in a roar of white foam.

We listen with the heart that reconnects.
In the rush of the current, we hear the world’s grief
and the world’s ancient, stubborn joy.

We stop being the masters of the flow
and become the flow itself—
held by the ancestors of the silt,
feeding the children of the sea.

The granite stands. The water moves.
And we, the watchers, are the bridge
where the mountain finally learns
how beautiful it is. "

João Soares, 13.03.2016

Pedi ao Gemini para criar uma música baseada no meu poema. Ouvir aqui

quinta-feira, 5 de março de 2026

The Cure - Push


This melody means a lot to me. Released on August 30, 1985, I was 19 years old. The moment I heard it, it clung to my soul and never let go. It’s been woven into the fabric of my life for forty years.

The song begins not with words, but with an instrumental preamble that feels like a sunrise over a desolate moor - a long, glittering hallway of sound where Gallup’s bass acts as a steady, subterranean pulse. The guitars, layered in chorus and reverb, spin like silver webs catching the light, suspending the listener for two minutes in the musical equivalent of holding one’s breath until the lungs burn. We wait for the push, or perhaps the fall, until Robert Smith’s voice finally breaks through. It isn’t a whisper; it’s a desperate, melodic cry painting a portrait of fractured intimacy.

"Push" lingers as a quintessential anthem because it finds beauty in the breaking—it is the electric, terrifying thrill of the moment just before the end, the sound of a heart beating too fast in a room that’s far too quiet.

It's not just about romantic relationships. Everyone interprets it in their own way. 

For me, it healed the loss of my first love. Also, when someone (a friend) is no longer with me, or the death of a friendship, or the physical separation from an animal, or when I did everything in my power to prevent the senseless slaughter of our native woods or our urban trees, I return to this hymn because it eases my pain.


Go go go!
Push him away
No no no!
Don't let him stay...

He gets inside to stare at her
The seeping mouth
The mouth that knows
The secret you
Always you
A smile to hide the fear away
Oh! smear this man across the walls
Like strawberries and cream
It's the only way to be

Exactly the same clean room
Exactly the same clean bed
But I've stayed away too long this time
And I've got too big to fit this time.

Conflito emocional e afastamento em "Push" de The Cure
Em "Push", do The Cure, a letra explora o conflito entre o desejo de proximidade e a necessidade de afastamento. A imagem marcante de "smear this man across the walls / Like strawberries and cream" (espalhar esse homem pelas paredes / como morangos com creme) revela um impulso quase obsessivo de apagar a presença de alguém, misturando sentimentos de repulsa e fascínio. Essa metáfora sugere não só o afastamento físico, mas também a tentativa de eliminar qualquer lembrança ou influência emocional da pessoa, reforçando o tema do distanciamento.

O desconforto do narrador se intensifica quando ele admite: "But I've stayed away too long this time / And I've got too big to fit this time" (mas fiquei longe por tempo demais desta vez / e fiquei grande demais para caber desta vez). Esses versos deixam claro o sentimento de não pertencimento e a percepção de que mudanças internas o afastaram de um espaço ou relação que antes era familiar. O contexto da música, frequentemente discutido por fãs e críticos, aponta para a luta em controlar a influência do outro e a necessidade de criar barreiras emocionais. Assim, "Push" se destaca como um retrato direto e honesto do embate entre o desejo de conexão e a autopreservação, traduzindo em palavras e sons a experiência do distanciamento emocional.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dia Mundial das Zonas Húmidas: Expansão agrícola e urbana, alterações climáticas e invasoras continuam a pressionar estes ecossistemas vitais


Ambientes aquáticos costeiros ou interiores que albergam uma grande diversidade de formas de vida, que fornecem uma série de serviços críticos para o bom funcionamento dos ecossistemas e para a sobrevivência de humanos e não-humanos. Contudo, estão gravemente ameaçados, sobretudo devido à forma como temos lidado com eles, e a sua degradação custar-nos-á caro.

Para quem ainda não percebeu, falamos de zonas húmidas, pois esta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, assinala-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas. Esta efeméride foi estabelecida com a adoção da Convenção de Ramsar, em vigor desde 1975, e que tem como missão basilar a conservação desses habitats, vitais para humanos e não-humanos, para a diversidade biológica e sociocultural, e também eles muito diversos.

As zonas húmidas podem ser pântanos, charcos, ou turfeiras, naturais ou artificiais, de água estagnada ou corrente, de água doce, salobra ou salgada, incluindo áreas de água do mar cuja profundidade não seja superior a seis metros. Além disso, podem incluir zonas ribeirinhas ou costeiras que a elas sejam adjacentes, como “ilhéus ou massas de água marinha com profundidade superior a seis metros durante a maré baixa”, especialmente de forem importantes como habitats para aves marinhas.

Apesar de apenas cobrirem 6% da superfície da Terra, estimativas apontam para que cerca de 40% de todas as espécies de animais e de plantas dependem das zonas húmidas, para viverem, para se alimentarem e para se reproduzirem.

Um estudo publicado em 2023 na ‘Nature’ revelava que, entre 1700 e 2020, o mundo perdera cerca de 21% das suas zonas húmidas devido às atividades humanas, uma extensão perto dos 3,4 milhões de quilómetros quadrados. Essas perdas foram sobretudo causadas pela conversão das zonas húmidas em áreas agrícolas, mas também pela poluição, pela expansão urbana e industrial e pelo turismo insustentável.Stanford-led study finds global wetlands losses overestimated despite high losses in many regions

À Green Savers, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) explica que, quando a essas ameaças juntamos os efeitos das alterações climáticas, “o cenário torna-se, de facto, mais preocupante”.

Por provocarem secas cada vez mais frequentes e intensas, as alterações climáticas são apontadas como umas das principais ameaças às zonas húmidas. Quando esses habitats, como as turfeiras, perdem a água que lhes dá vida, o carbono aí armazenado ao longo de muitos anos no solo e na biomassa pode acabar por libertar-se na atmosfera, “contribuindo de forma significativa para um aumento das emissões globais de dióxido de carbono” e também para a crise climática.

Atualmente, aproximadamente 25% das espécies que dependem das zonas húmidas (para se reproduzirem, para se alimentarem, como pontos de paragem importantes durante migrações) estão ameaçadas de extinção, diz o ICNF. E se a destruição desses habitats não for travada e se não se recuperar dos danos causados, essas espécies enfrentarão um risco ainda maior.

As zonas húmidas em Portugal
Em Portugal, as zonas húmidas estão também a sofrer uma série de pressões, à semelhança do que se passa no resto do mundo.

Diz-nos o ICNF que, de acordo com dados comunicado pelo país à Comissão Europeia no ano passado relativos ao período entre 2019 e 2024, 58,7% dos habitas de zonas húmidas de Portugal continental e regiões autónomas estão em bom estado de conservação. Em sentido inverso, 31,7% estão avaliados como em mau estado de conservação.

Por cá, as principais ameaças às zonas húmidas são a fragmentação, degradação e destruição, especialmente devido à intensificação da agricultura e da silvicultura, à expansão urbana e à “crescente pressão turística”, explica o instituto. A agravar esses fatores está a introdução de espécies exóticas invasoras “que afeta a estrutura das comunidades biológicas nativas destes ecossistemas”, e, claro, as alterações climáticas são mais um prego no caixão.

Portugal tem 32 zonas húmidas protegidas ao abrigo da Convenção de Ramsar, com uma área total combinada de perto de 134.000 hectares. A Lagoa de Óbidos foi a mais recente adição à lista portuguesa de Sítios Ramsar, com cerca de 6,9 quilómetros quadrados e fazendo fronteira com os concelhos de Caldas da Rainha e de Óbidos.

O ICNF assegura que quase todas as zonas húmidas listadas da Convenção de Ramsar estão sujeitas a algum tipo de proteção legal, seja por serem parte da Rede Nacional de Áreas Protegidas, por serem Zonas de Proteção Especial no âmbito da Diretiva Aves da União Europeia ou Zonas Especiais de Conservação da Diretiva Habitats, por estarem sujeitas aos Planos Diretores Municipais ou ainda por estarem incluídas nas reservas agrícola ou ecológica nacionais.

No relatório nacional submetido em fevereiro do ano passado à 15.ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção de Ramsar, que aconteceu em Victoria Falls, no Zimbabué, Portugal diz que entre a COP15 e a COP14, de 2022, conseguiu-se aumentar a consciência das populações e das autoridades locais para o valor das zonas húmidas e para a sua importância na adaptação e mitigação das alterações climáticas.

O documento aponta ainda como conquistas nesse período de três anos o aumento do número de eventos e atividades realizados todos os anos no país para celebrar o Dia Mundial das Zonas Húmidas, o “aumento significativo” do número de projetos implementados de restauro de zonas húmidas, a crescente valorização da dimensão sociocultural e histórica desses habitats e o maior número de ações para gerir e controlar espécies invasoras que ameaçam esses ecossistemas.

Entre as principais dificuldades na implementação da convenção entre 2022 e 2025 Portugal indicou a falta de planos de gestão para a maioria dos Sítios Ramsar no país, a falta de um inventário nacional das zonas húmidas, o aumento dos impactos das alterações climáticas, o aumento da agricultura intensiva em algumas zonas do país e a “rápida expansão” das espécies invasoras.

Para o biénio 2026-2028, Portugal elencou como prioridades a continuação da gestão das invasoras, o desenvolvimento do inventário nacional, a criação de um órgão equivalente a uma comissão nacional das zonas húmidas e o reforço do envolvimento da população na conservação desses ecossistemas.

As pessoas e as zonas húmidas

O tema do Dia Mundial das Zonas Húmidas deste ano pretende destacar a íntima e longeva ligação entre as culturas humanas e esses habitats aquáticos, especialmente salientando os serviços culturais por eles prestados aos humanos.

“As pessoas coexistem com as zonas húmidas desde a pré-História, aproveitando os serviços que elas prestam, e desenvolvendo um valioso conhecimento tradicional”, diz-nos fonte do ICNF. Durante milénios, essa coexistência permitiu à nossa espécie desenvolver um amplo conhecimento tradicional, transmitido de uma geração para a seguinte, que sobre os aspetos mais científicos das zonas húmidas, mas também sobre as dimensões éticas e espirituais.

Esse saber alicerçado na convivência e interligação com esses habitats, e com a vida que neles se encontra, permitiu “uma gestão sustentável dos recursos naturais fornecidos pelas zonas húmidas ao longo de milhares de anos”, afirma o instituto, que considera que devemos olhar para o passado, aprender com aqueles que vieram antes de nós, para tentar solucionar os problemas com os quais nos deparamos no presente.

“A integração destas práticas e tradições ancestrais nas estratégias de conservação atuais é essencial para obter soluções eficazes, inclusivas e duradouras”, argumenta o ICNF, destacando como fundamental o envolvimento das comunidades locais e a valorização e aproveitamento do seu conhecimento e experiência para proteger, conservar e restaurar as zonas húmidas.

“Os conhecimentos locais, bem como a ciência cidadã, já são recursos inestimáveis para se conhecer o estado das zonas húmidas.”

Por tudo isso, a continuação da perda de zonas húmidas ameaça a sobrevivência de muitas espécies de plantas e de animais que delas dependem, põe em risco a subsistência de diversas comunidades humanas que nelas encontram a sua principal fonte de sustento, como pescadores e mariscadores, e podem fazer desaparecer tradições e costumes de séculos ou de milénios de existência, como festas e romarias, que ainda hoje são celebradas e que têm as zonas húmidas no seu cerne.

“A perda e degradação das zonas húmidas agrava o problema da perda da biodiversidade e coloca em risco as espécies dependentes destes habitats”, diz-nos o ICNF, e “ameaça não só a subsistência das suas comunidades locais, como também a sua identidade cultural”.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Porque caem tantas árvores durante as tempestades?


Nos últimos anos Portugal tem assistido a um aumento significativo da queda de árvores durante tempestades intensas. Embora estes episódios sejam muitas vezes percecionados como acontecimentos súbitos ou inevitáveis, a ciência mostra que não se trata de fenómenos aleatórios. Pelo contrário, a queda de árvores resulta da combinação previsível entre condições do solo, características das próprias árvores, contextos urbanos e florestais, e eventos meteorológicos cada vez mais extremos.

Um dos fatores críticos é o estado do solo. Durante períodos de chuva intensa ou cheias, os solos ficam saturados de água e perdem grande parte da sua resistência. A água acumulada nos poros do solo reduz o atrito e a coesão que mantêm as raízes firmemente ancoradas. Nessas circunstâncias, árvores que permaneceriam estáveis em solos secos podem tombar mesmo sob ventos moderados. Este mecanismo é uma das explicações mais bem documentadas para a queda de árvores associada a tempestades.

A idade das árvores e o tipo de povoamento também desempenham um papel decisivo. Árvores jovens, comuns em plantações recentes, ainda não desenvolveram sistemas radiculares profundos e extensos. Em florestas mais maduras, as raízes entrelaçam-se e criam uma estabilidade coletiva que ajuda a dissipar a força do vento. Em contraste, povoamentos jovens e homogéneos – muitas vezes compostos por árvores da mesma idade e espécie – são estruturalmente mais frágeis, o que explica porque grandes áreas podem ser afetadas de forma simultânea durante eventos extremos.

Nas cidades, o problema tende a ser ainda mais grave. As árvores urbanas vivem sob múltiplos fatores de stress: solos compactados, pouco espaço para enraizar, impermeabilização do terreno, poluição, temperaturas elevadas e podas excessivas ou mal executadas. Ao longo do tempo, estas condições enfraquecem as árvores, favorecem o desenvolvimento de podridões internas e reduzem a sua capacidade de resistir ao vento. Como resultado, as árvores urbanas têm maior probabilidade de falhar, seja pelo arranque da raiz, seja pela quebra do tronco ou dos ramos.

As próprias tempestades amplificam estes riscos. A força exercida pelo vento aumenta rapidamente com a sua velocidade, e as copas molhadas pela chuva tornam-se mais pesadas e oferecem maior resistência ao ar. As rajadas provocam movimentos repetidos que “cansam” o tronco e o sistema radicular, acelerando a falha estrutural, sobretudo quando o solo já se encontra saturado.

Este cenário é agravado pelo contexto das alterações climáticas. Em Portugal, é cada vez mais comum a sucessão de longos períodos de seca – que debilitam as árvores – seguidos de episódios de chuva intensa e tempestades severas. Estes eventos combinados aumentam significativamente o risco de queda, uma vez que as árvores não têm tempo suficiente para recuperar nem para adaptar a sua estrutura às novas condições.

Em suma, a queda de árvores durante tempestades é um fenómeno explicável e, até certo ponto, previsível. Resulta da interação entre solos encharcados, sistemas radiculares pouco desenvolvidos, stress fisiológico (particularmente em ambientes urbanos) e eventos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes.

Se queremos continuar a viver com árvores, e a beneficiar dos múltiplos serviços ecológicos, climáticos e sociais que prestam, é imperativo preparar não apenas as infraestruturas físicas, mas também as infraestruturas naturais. Isso implica reconhecer que árvores não são elementos decorativos nem obstáculos urbanos, mas organismos vivos que dependem de solos funcionais, espaço para enraizar, diversidade estrutural e tempo para se adaptarem. A gestão do risco associado às tempestades futuras passa, portanto, por investir na qualidade dos solos, no desenho ecológico das cidades e das florestas, e numa abordagem preventiva baseada no conhecimento científico. Sem esta preparação sistémica, a coexistência com árvores tornar-se-á cada vez mais frágil num clima em rápida mudança.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Katie Hinde - O que não sabemos sobre o leite materno


O leite materno contribui para o crescimento do corpo dos bebés, alimenta o desenvolvimento neurológico, fornece imunofatores essenciais e protege contra a fome e as doenças — porque é que, então, a ciência sabe mais sobre o tomate do que sobre o leite materno? Katie Hinde partilha informações sobre esta substância complexa e vital e discute as principais lacunas que a investigação científica ainda precisa de preencher para que possamos compreendê-la melhor.

Katie pensava que estava a estudar leite. O que ela descobriu foi uma conversa.
Em 2008, Katie Hinde estava num laboratório de investigação com primatas na Califórnia, a encarar dados que se recusavam a comportar.
Estava a analisar leite materno de macacas rhesus — centenas de amostras, milhares de medições. E um padrão continuava a aparecer, um padrão que não fazia sentido sob as antigas regras da ciência.

As mães com filhos do sexo masculino produziam leite mais rico em gordura e proteína. As mães com filhas do sexo masculino produziam mais volume, com diferentes proporções de nutrientes. Isto não era aleatório.Era personalizado.

Os seus colegas homens descartaram a ideia. Erro de medição. Ruído. Coincidência.

Mas Katie confiava nos números. E os números estavam a dizer algo radical: o leite não é apenas alimento. É informação.

Durante décadas, a ciência tratou o leite materno como gasolina — calorias ingeridas, crescimento produzido. Combustível simples. Mas se isso fosse verdade, porque haveria de mudar de acordo com o sexo do bebé?

Katie continuou a investigar. Analisou o leite de mais de 250 mães em mais de 700 colheitas de amostras. E a história aprofundou-se. As mães de primeira viagem e mais jovens produziam leite com menos calorias, mas com níveis muito mais elevados de cortisol, a hormona do stress. Os bebés que o consumiam cresciam mais depressa e tornavam-se mais vigilantes, mais ansiosos e menos confiantes.

O leite não estava apenas a construir corpos. Estava a moldar o temperamento.

Depois veio a descoberta que surpreendeu até os céticos. Quando um bebé mama, pequenas quantidades de saliva viajam de volta através do mamilo até ao tecido mamário da mãe. Esta saliva transporta sinais sobre o estado imunitário do bebé. Se o bebé está a ficar doente, o corpo da mãe deteta. Em poucas horas, o leite dela muda. Os glóbulos brancos aumentam. Os macrófagos multiplicam-se. Aparecem anticorpos específicos.

E quando o bebé recupera? O leite volta ao normal. Não foi coincidência. Foi uma questão de causa e efeito.

A saliva do bebé avisa a mãe do que está errado. O corpo da mãe produz exatamente o medicamento necessário.

Um diálogo biológico — ancestral, preciso, invisível à ciência durante séculos.

Em 2011, Katie ingressou em Harvard e analisou o panorama geral da investigação. O que ela descobriu foi perturbador.

Havia o dobro dos estudos sobre a disfunção eréctil do que sobre a composição do leite materno.

O primeiro alimento que todos os humanos consumiram — a substância que moldou a nossa espécie — tinha sido largamente ignorado. 

Então, Katie fez algo ousado. Ela criou um blogue com um nome deliberadamente provocador: “Mamíferos Sugam… Leite!

Num ano, o blogue tinha mais de um milhão de leitores. Pais. Médicos. Cientistas. Pessoas a fazer perguntas que as sondagens tinham deixado de lado.

E as descobertas continuaram:
• O teor de gordura do leite varia consoante a hora do dia (o pico ocorre a meio da manhã)
• O leite inicial difere do leite final (amamentar durante mais tempo resulta num leite mais rico)
• O leite materno contém mais de 200 oligossacáridos que os bebés não conseguem digerir — pois servem de alimento às bactérias benéficas do intestino
• O leite de cada mãe é tão único como uma impressão digital
Em 2017, Katie apresentou esta história neste  TED, assistido por milhões de pessoas.
Em 2020, explicou-a ao mundo no documentário "Bebês", da Netflix.

Hoje, no Laboratório de Lactação Comparativa da Universidade Estadual do Arizona, a Dra. Katie Hinde continua a desvendar como o leite molda o desenvolvimento humano desde as primeiras horas de vida — influenciando os cuidados nas UCI neonatais, melhorando o desenvolvimento das fórmulas infantis e reformulando as políticas de saúde pública em todo o mundo.

As implicações são impressionantes.
O leite tem vindo a evoluir há 200 milhões de anos - mais tempo do que os dinossáurios caminhavam sobre a Terra. Aquilo que a ciência descartou como “simples nutrição” é, na verdade, um dos sistemas de comunicação mais sofisticados que a biologia já produziu.

Katie Hinde não estudou apenas o leite. Ela revelou que a forma mais antiga de nutrição é também a mais inteligente - uma conversa viva e responsiva entre dois corpos, moldando quem nos tornamos antes mesmo de falarmos.

Tudo porque uma cientista se recusou a aceitar que metade da história era “erro de medição”.
Por vezes, as maiores revoluções começam ao ouvirmos aquilo que todos os outros ignoram.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Robin Wall Kimmerer on What Nature Teaches Us About Giving Back


Neste episódio profundamente reflexivo de "A Grande Questão", Robin Wall Kimmerer, botânica, autora de "Braiding Sweetgrass" e "The Serviceberry", professora e membro da Nação Potawatomi, junta-se a Eva Cornman, do Museu de Ciência, para explorar a relação entre os seres humanos e a Terra. Juntas, nesta entrevista completa, mergulham nas mundividências indígenas, na ideia da economia da dádiva e em como honrar a reciprocidade com a natureza nos pode guiar para soluções climáticas enraizadas na gratidão, e não na dominação.

Quer seja ambientalista, estudante, educador ou simplesmente alguém em busca de esperança e reconexão, este vídeo oferece insights valiosos de uma das vozes ecológicas mais importantes da nossa época.

sábado, 13 de abril de 2024

Música do BioTerra: Zanias - Unraveled


I had you done,
I had you figured out.
Are you too full of fear for me now? 
Are you too full of fear for me now? 
I wish I could be what you need
to feel alive for a change.
I think I might be everything you're running from. 

I wish you could see what I see,
to feel what I feel.

If only I were enough
to deserve your wounded love. 
If only I were enough.

Interpretação geral
  1. Conflito emocional: A letra reflete o peso da expectativa de atender às necessidades do outro e a frustração de se sentir inadequado.
  2. Medo e fuga: "I think I might be everything you’re running from" indica uma dinâmica em que o medo do parceiro provoca distanciamento, talvez por esse sentir-se “demais” ou assustador.
  3. Crise interna: O refrão repetido “If only I were enough” simboliza o autoquestionamento e a autocrítica, típicos de alguém que se sente emocionalmente insuficiente.

domingo, 13 de novembro de 2022

Música do BioTerra: Neil Young with Crazy Horse - Love Earth

Neil Young! Fez ontem anos (nasceu a 12 de novembro de 1945). Lançou este tema muito bonito há cerca de um mês. Além do seu activismo bem conhecido entre nós, foi considerado o 17º melhor guitarrista do mundo, pela revista Rolling Stone.


Love Earth
And your love comes back to you
Love Earth
Such an easy thing to do
Love Earth
Till the water and the air is pure
From the birds in the sky
To the fishes deep in the sea

Love Earth

The place where all the children can live
(Love Earth)
Really nothing better to give
(Love Earth)
And your love comes back to you
So I’m calling out
So I’m calling out to you

Love Earth

The sky was blue and the air so clean
The water crystal clear
We lived by the sun and have it all
We were living in a dream

Love Earth

We can bring the seasons back
(Love Earth)
Can you imagine that
(Love Earth)
Your love comes back to you

So I’m calling out
So I’m calling out to you
Love Earth
The sky was blue and the ear so clean
The water crystal clear
We lived by the sun and have it all
We were living in a dream
Love Earth

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Black Space Riders - Leaves of life (falling down)


Tearing and dragging at night - leaves of life
Waiting to give up the fight - falling down
Many before (have) been released - leaves of love
(they) turned into life when deceased – falling down

Falling but feeling secure – leaves of life
Our rebirth will follow for sure – falling down
Resurrection back to life – falling down
Changeling while changing the sides – leaves of love

Like a leaf that's floating downward - falling down
Gently moving down to earth – falling down
Seeds of hope deliver new life – falling down
Giving birth on fields of joy – falling down

Reaching the edge of belief – falling down
(A) mission with hope brings relief - falling down
Glowing and breeding new life – leaves of love
A tearing and dragging at night – leaves of life

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Yorgos Papaioannou- School of the Sun



Acredito no mundo cheio de Fantasia e Biologia. A Biologia é por si só uma magia. Desperta em nós o enigma e o brilho da descoberta!! Vejam este teledisco/ animação. É maravilhoso!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Encontros Improváveis- Mia Couto e Handel - Bramo aver mille vite


Só há um modo de escapar de um lugar: é sairmos de nós. 
Só há um modo de sairmos de nós: é amarmos alguém. - Mia Couto in "A Confissão da Leoa"

Eu desejo ter mil vidas
Ariodante:
Bramo aver mille vite, per consacrarle a te.
Ginevra:
Bramo aver mille cori, per consacrarli a te.
A Due:
Ma in questo che ti dono,
più ch'in mille, vi sono
amor, costanza e fè.
Ariodante:
Bramo aver…

terça-feira, 3 de março de 2015

Smartphones estão a alterar a postura dos seres humanos

E a prejudicá-la. Se havia estudos a defender que os smartphones já eram prejudiciais devido às ondas sonoras, fique agora a saber que existe mais uma razão para consultar menos o seu telemóvel: ele pode estar a prejudicar a sua coluna.

Um novo estudo sugere que os famosos smartphones estão a acabar com as costas e a alterar a postura correta dos seres humanos.

De acordo com uma investigação publicada na revista científica Surgery Technology International, consultar o telemóvel diariamente pode criar nas suas costas o mesmo que 27 quilos, dependendo se apenas consulta o telemóvel por alguns minutos ou se lê textos e passa horas em aplicações que o absorvem.

A cabeça humana não é leve e ao incliná-la está a exercer-se pressão sobre a coluna vertebral, que não se destina a ser puxada com tanta frequência.

Segundo o médico cirugião Kenneth Hansraj, responsável pelo estudo e citado pela imprensa internacional, "à medida que a cabeça é inclinada para a frente a força gravitacional gerada na coluna sobe para 12 kg se estiver a 15 graus, 18 kg a 30 graus, 22 kg a 45 graus e 27 kg a 60 graus".

Essa posição de stress para a coluna pode danificar seriamente os músculos das costas e do pescoço a ponto de ser necessária uma intervenção cirúrgica para minimizar os efeitos e a dor, alerta o especialista.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

L'Arpeggiata e Katerina Papadopoulou- Amygdalaki tsakisa


Amygdalaki tsakisa- cancioneiro popular grego

Hilia kalosorisate,
fili mou aghapimeni
parea mou haroumeni
ke kalokardhismeni.

Amyghdhalaki tsakisa
ke mesa se zoghrafisa
amyghdhalotsakismata,
sou stelno heretismata.

As traghoudhiso ki as haro,
tou hronou pios to xeri,
an tha pethano i tha zo,
i tha 'me s' alla meri.

Amyghdhalaki tsakisa
ke mesa se zoghrafisa
amyghdhalotsakismata,
sou stelno heretismata.

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I welcome you,
my dear friends,
happy and
cheerful company.

I cracked an almond,
I painted your picture,
broken almond,
I send you my compliments.
I shall sing and be merry,
who knows what next year will bring,
whether I'll be dead or alive,
or somewhere else.

I cracked an almond,
I painted your picture,
broken almond,
I send you my compliments.

Today, as we celebrate Earth Day, I’m reflecting on the incredible beauty of the cultures "bathed" by the Mediterranean Sea. From the Atlantic shores of Portugal to the vibrant coasts of Turkey, the music of this region feels like the heartbeat of the earth itself.

There is something so tasteful and timeless about these sounds:
1. Portugal & Spain: the raw emotion of Fado and the fire of Flamenco. 💃
2. Italy: the lyrical beauty of the Canzone. 🇮🇹
3. Greece, Turkey, & Albania: the haunting, ancient melodies and complex rhythms that have echoed across these mountains and seas for millennia. 🎻

The "Soul" of the Former Yugoslavia in Music
4.1. Sevdalinka (Bosnia and Herzegovina): often referred to as the "Blues of the Balkans." It is a refined, urban, and melancholic genre that speaks of love, longing, and desire. It shares a powerful emotional connection with Portuguese Fado and Greek Rebetiko.
4.2. Klapa (Croatia): traditional a cappella singing from the Dalmatian coast. It is a celebration of the sea, the land, and love, officially recognized by UNESCO. It is the true embodiment of the Croatian Mediterranean spirit.
4.3. Romani Tradition & Brass Bands (Serbia and North Macedonia): explosive and festive rhythms. These brass bands are world-famous for their high energy and technical complexity, often featuring lightning-fast tempos.
4.4. Byzantine and Ottoman Influence: particularly in North Macedonia and Kosovo, where "odd" time signatures (such as 7/8 or 9/8) create a soundscape that "dances" gracefully between the East and the West.
And I can’t leave out Crete ! The wild, rhythmic sound of the Cretan Lyra is like the wind blowing through the Samaria Gorge. It’s music that feels ancient, grounded, and deeply connected to the soil. A true tribute to the spirit of the Earth!

And how could I forget France? Beyond the cafes of Paris lies the soul of the French Mediterranean. The haunting polyphonic chants of Corsica and the sun-soaked melodies of Provence remind us that the Earth speaks in many voices. It's a reminder this #EarthDay that nature and culture are one and the same. 🌊🎶"

To me, "Earth Day" isn't just about the soil and the sea - it’s about the cultures that grew from them. These musical traditions are a reminder of our shared history and our deep connection to the land we call home.

Let’s protect the planet that gives us such beautiful inspiration. 🌊🌿

A Little Earth Day Fact:
Since it is April 22nd, it’s worth noting that the Mediterranean region is one of the world's most diverse "biodiversity hotspots." Just as the music is a mix of different influences, the environment there is a unique blend of species found nowhere else on Earth!

domingo, 17 de novembro de 2013

Passarada


Quais, quais, oliveiras, olivais
Pintassilgos, rouxinóis,
Caracóis, bichos móis,
Morcegos, pássaros negros,
Tarambolas, galinholas,
Perdizes e codornizes,
Cartaxos e pardais,
Cucos, milharucos,
Cada vez há mais.

domingo, 6 de outubro de 2013

Ottorino Respighi- The Birds


Respighi was a musicologist as well as a composer, and he used the music of the past as inspiration for some of his compositions. The Birds is a suite of pieces that are based on various 18th century composers. It is an attempt to depict (somewhat stylized) bird songs of the Dove, Hen, Nightingale and Cuckoo. The composer uses the woodwind section of the orchestra for the bird imitations to good effect. Respighi conducted the premiere of the work in Brazil in 1928.

The Birds consists of 5 movements

I. Prelude - This prelude acts as a mini-overture for the rest of the work. The first-heard melody in the prelude is based on an opera aria by the Italian composer Bernardo Pasquini (1637-1710) , who was not only a composer but a virtuoso keyboardist, perhaps the greatest keyboard player of his generation. He wrote operas, cantatas, many works for voice, and music for keyboard. He was an outstanding teacher and may have taught Domenico Scarlatti. He may have been the first composer to write three-movement sonatas for keyboard. After this melody, there is a medley of the bird songs that comprise the rest of the work, and the Pasquini melody returns again to finish the prelude.

II. The Dove - This movement is based on the music of French composer and lutenist Jacques de Gallot (ca.1625-1700). A solo oboe plays gently with the accompaniment of harp and strings. Trills in the strings imitate the flutter of wings while the melody is given to clarinet, then the solo violin.

III. The Hen - This is based on the music of the French harpsichordist, composer and theorist Jean-Philippe Rameau (1683-1764). Rameau's music is seldom heard in the concert hall, but he was one of the great musicians of the Baroque era and the history of music in general. It was Rameau who codified what had been going on for a hundred years in music, basing music on harmony instead of counterpoint. He was the culmination of the Baroque era in France, much like J.S. Bach was in Germany. The music starts with the clucking of a hen and before it is over the entire hen house is a stir.

IV. The Nightingale - The only thing known about the next melody is that it originated in England in the 18th century. Respighi orchestrates the gentle melody with the appropriate winds, and even has the solo horn gently sing the melody.

V. The Cuckoo - Another melody from Pasquini, this one from a harpsichord piece. The woodwinds imitate the cuckoo, the melody from the prelude is heard once again to round off the piece and the work is finished.