quarta-feira, 31 de julho de 2024

Sabe quantas aves são mortas pela pesca na Europa? O número vai chocá-lo


Cerca de 200 mil aves marinhas morrem todos os anos por captura acidental na pesca em águas europeias, incluindo seis espécies em risco de extinção na região, indica um estudo hoje divulgado.

Da responsabilidade da organização internacional de defesa das aves “BirdLife International” com a colaboração da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o estudo alerta que os números podem ser só “a ponta do iceberg”, porque muitos países costeiros não têm estimativas e quando existem raramente incluem toda a frota pesqueira do país.

Das 200.000 aves marinhas, 150.000 são mortas em águas da União Europeia, nota-se no documento.

“Este estudo vem reforçar, não só a importância, mas também a urgência de criar o Plano Nacional de Ação para a minimização das capturas acidentais na pesca”, diz Ana Almeida, técnica de conservação marinha na SPEA, citada num comunicado da associação portuguesa.

E acrescenta: “Estamos a colaborar com as entidades governamentais responsáveis no desenvolvimento deste plano que deve estar pronto até ao final do ano. A monitorização deste problema tem sido muito importante, mas é insuficiente. Encontrar e aplicar soluções que mitiguem este problema é determinante para garantir que a atividade de pesca seja sustentável e que os recursos marinhos se mantenham disponíveis para as gerações futuras.”

Também num comunicado sobre o estudo, a “BirdLife International” alerta que as aves marinhas são dos grupos de aves mais ameaçados na Europa, com mais de um terço das espécies a sofrerem declínios populacionais.

Entre as ameaças às colónias de reprodução em terra, a organização fala das espécies invasoras e perturbações no ‘habitat’, e dá como exemplos de outras ameaças, no mar, a sobrepesca e as infraestruturas de energia renovável (como as eólicas).

As alterações climáticas, acrescenta, estão a “aumentar a pressão ao longo do ciclo de vida” das aves.

A organização nota que as ameaças são fáceis de gerir e que em muitos casos “alterações relativamente simples nas práticas de pesca ou modificações nas artes de pesca podem reduzir significativamente o número de aves” que morrem.

“Esperamos que esta análise possa ajudar os investigadores, os gestores das pescas, os governos e muitas outras partes interessadas no setor marinho a compreender a escala das capturas acidentais de aves marinhas na Europa. Os números são alarmantes e confirmam que as capturas acidentais são uma das principais ameaças para as aves marinhas migratórias que se reproduzem ou visitam as águas europeias”, diz a “BirdLife International”.

Segundo a organização, os números mais alarmantes de capturas acidentais são registados nas redes de emalhar no mar Báltico e no Atlântico Nordeste e nos palangres (arte de pesca à linha) no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Alterações Climáticas estão a tornar os voos no Hemisfério Norte mais acidentados


Um tipo de turbulência atmosférica invisível e difícil de prever deverá ocorrer com maior frequência no Hemisfério Norte à medida que o clima aquece, revela uma nova investigação.
Segundo a mesma fonte, conhecido como turbulência de ar claro, o fenómeno também aumentou no Hemisfério Norte entre 1980 e 2021.

A investigação dá seguimento a trabalhos recentes que preveem o aumento da turbulência moderada a grave do ar limpo, analisando conjuntos de dados extensos e efetuando simulações de modelos abrangentes.

O estudo foi publicado no Journal of Geophysical Research: Atmospheres, uma revista da AGU de acesso livre que publica investigação destinada a promover a compreensão da atmosfera terrestre e a sua interação com outros componentes do sistema terrestre.

Os resultados sugerem que a turbulência no ar claro aumentará na maioria das regiões afetadas pela corrente de jato, especialmente no Norte de África, Ásia Oriental e Médio Oriente, e que a probabilidade de turbulência no ar claro aumentará com cada grau de aquecimento.

Enquanto a maioria das pessoas espera turbulência quando voa num avião através de uma trovoada ou sobre uma cadeia de montanhas, a turbulência de ar puro atinge as aeronaves de forma inesperada. E, ao contrário de outros tipos de turbulência mais óbvios, não existe uma forma fácil de detetar e evitar a turbulência de ar puro.

“Sabemos que a turbulência em ar limpo é a principal causa da turbulência na aviação, que está na origem de cerca de 70% de todos os acidentes relacionados com o clima nos Estados Unidos”, afirmou Mohamed Foudad, cientista atmosférico da Universidade de Reading e principal autor do estudo. Recentemente, encontros bem publicitados com turbulência no ar causaram ferimentos em voos da Singapore Airlines e da Air Europa.

Foudad acrescentou que os engenheiros aeronáuticos devem ter em conta o aumento da turbulência quando projetarem aviões no futuro.

“Temos agora grande confiança de que as alterações climáticas estão a aumentar a turbulência no ar em algumas regiões”, sublinhou.

Analisando o ar
A maior parte da turbulência de ar puro ocorre perto de correntes de jato: correntes de ar rápidas de oeste para leste na troposfera superior, onde os aviões comerciais voam, cerca de 10-12 quilómetros (aproximadamente 32.000-39.000 pés) acima da superfície da Terra.

Por vezes, os aviões que voam através das correntes de jato deparam-se com picos de ar volátil e ascendente, designados por cisalhamento vertical do vento, criando o fenómeno da turbulência do ar puro.

À medida que o clima aquece, a quantidade de energia na atmosfera aumenta, aumentando tanto a velocidade das correntes de jato como o número de cisalhamentos verticais do vento. Estes aumentos significam que a turbulência de ar limpo, que os aviões encontram atualmente cerca de 1% do tempo no Hemisfério Norte, deverá tornar-se mais comum no futuro.

Atualmente, a turbulência de ar limpo é mais frequente na Ásia Oriental, onde a corrente de jato subtropical é mais forte e onde os aviões podem esperar encontrar turbulência de ar limpo moderada a grave aproximadamente 7,5% do tempo.

Foudad e os seus colegas utilizaram 11 modelos climáticos para determinar as alterações passadas e futuras da turbulência no ar. Para encontrar tendências futuras, os investigadores efetuaram 20 simulações em computador com potenciais aumentos de aquecimento futuro de 1 grau Celsius (correspondente ao aquecimento atual) a 4 graus Celsius.

Na maioria das regiões do Hemisfério Norte afetadas pela corrente de jato, a turbulência do ar irá aumentar. Nas regiões em que a turbulência do ar claro aumentará mais, os modelos do estudo foram os que mais concordaram, o que, segundo Foudad, indica uma elevada confiança nos resultados. Estudos anteriores previram um aumento da turbulência no ar sobre o Atlântico Norte no futuro, mas o novo estudo foi inconclusivo para a região.

Ao reanalisar os dados atmosféricos de 1980 a 2021, os investigadores descobriram que a turbulência moderada a grave no ar claro aumentou entre cerca de 60% e 155% no Norte de África, na Ásia Oriental, no Médio Oriente, no Atlântico Norte e no Pacífico Norte durante o intervalo de 41 anos.

Embora os aumentos registados no passado no Norte de África, na Ásia Oriental e no Médio Oriente possam ser atribuídos às alterações climáticas, os investigadores não puderam atribuir os aumentos no Atlântico Norte e no Pacífico Norte ao aquecimento provocado pelo homem. Em vez disso, a variabilidade climática nessas regiões poderia estar a esconder os sinais dos efeitos das alterações climáticas.

Impactos perigosos da turbulência invisível
A turbulência no ar é difícil e dispendiosa de prever, e um aumento da turbulência pode constituir um problema para a segurança dos aviões.

Os investigadores referem que novas análises poderão determinar se os futuros voos poderão ser mais seguros a altitudes mais elevadas ou mais baixas do que a norma atual. Mas, embora os passageiros das companhias aéreas possam ter viagens mais turbulentas no futuro, os aviões modernos são construídos para resistir a fortes turbulências.

“Vamos assistir a mais acidentes deste tipo, mas as pessoas também devem estar conscientes de que os aviões foram concebidos para resistir à pior turbulência que possa acontecer”, afirmou Foudad.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Mais de 1500 animais atropelados nas estradas portuguesas em 2023. Taxa de mortalidade é superior nos gatos


No ano de 2023 foram registados no continente 1.539 atropelamentos de animais nas estradas geridas pela Infraestruturas de Portugal (IP), menos 28,3% do que em 2022, de acordo com o relatório mais recente do organismo.

A recolha dos dados sobre a mortalidade da fauna nas estradas portuguesas é feita desde 2010 pelas Unidades Móveis de Intervenção e Apoio (UMIA) distritais da IP.

Relativamente ao relatório de 2023, o mais recente da empresa, a informação é relativa a cerca de 13.830 quilómetros de vias que estão sob gestão direta da IP, na sua maioria estradas nacionais (EN) ou regionais (ER).

Em 2023 foram registados 1.539 atropelamentos no continente, o que representa uma diminuição em cerca de 28,3% do valor registado em 2022 (2.147) e 37,7% mas baixo do que o valor médio dos anos 2015 a 2022 (2.471,9).

Em declarações à agência Lusa, a bióloga Graça Garcia, coordenadora do relatório, explicou que “é natural existirem flutuações nestes números, decorrente de variáveis como o clima, disponibilidade alimentar, as doenças epidemiológicas, assim como as alterações nos níveis de tráfego”.

Contudo, a responsável ressalvou que “a IP tem levado a cabo nos últimos anos um conjunto de medidas que têm contribuído para diminuir o número de atropelamentos”.

“A continuidade do Programa de Monitorização da Mortalidade de Fauna permite avaliar a eficácia das medidas implementadas, tendo já sido possível perceber uma redução da mortalidade das espécies-alvo na maioria dos troços intervencionados, demonstrando que os objetivos do programa estão a ser cumpridos”, sublinhou.

De acordo com o relatório, os animais domésticos foi um dos grupos que registou mais mortalidade, com 488 ocorrências, constituindo 32% dos registos totais de 2023.

Dentro deste grupo, os registos de maior mortalidade nas estradas foram de gatos, uma vez que “têm mais facilidade em trepar as vedações existentes nas autoestradas”.

No que respeita a animais silvestres, a maior incidência verificou-se nos mamíferos carnívoros (70,6%), maioritariamente raposas, seguindo-se as aves (23,5%), como as garças-boleiras e as aves noturnas de rapina.

Em menor número foram os répteis (3,3%) e os anfíbios (2,4%), o que poderá estar relacionado com “a sua baixa detetabilidade e elevada taxa de degradação”.

No que respeita a animais de grande porte, as ocorrências aumentaram relativamente ao ano anterior, tendo sido registadas as mortes de quatro corços, nove veados e 63 javalis.

As estradas identificados como mais problemáticos pela IP foram o Itinerário Complementar 1 (IC1), o IC33 (Santiago do Cacém – Grândola), Estrada Nacional 4 (EN4, Montijo – Elvas), EN114 (Peniche – Évora), EN18 (Guarda — Ervidel), EN380 (Évora), IC8 (Pombal – Vila Velha de Ródão), EN260 (Beja — Vila Verde de Ficalho) e IC27 (Castro Marim -Alcoutim).

A melhoria das vedações existentes e a construção em estradas onde não existem, assim como a edificação de passadiços e a realização de obras de beneficiação são algumas das medidas que a IP tem levado a cabo no sentido de reduzir o número de animais que são atropelados.

“De referir, ainda, que foi recentemente implementada uma solução de alerta aos condutores, em tempo real, da presença de linces ibéricos junto à estrada, através da aplicação móvel ‘Waze’, para reforçar a sua atenção e reduzir o risco de atropelamento”, explicou a coordenadora do relatório.

domingo, 28 de julho de 2024

Mísia - Sem Saber


Relembrar Mísia. Uma voz e presença e sentido estético apuradíssimos. Carismática. Insubstituível.Que voz poderosa! Possuidora de um português límpido e musical. Também uma excelente actriz.
Mísia cantora de fado polivalente, inovando-o.

Sem Saber

sem saber / porque te amei assim, / porque chorei por mim, / sem saber / com que punhais tu feres, / magoas mais e
queres, / sem saber / onde é que estás, nem como, / o que te traz sem rumo, / sem saber / se tanto amor devora /
mais do que a dor que chora, / sem saber / se vais mudar, se então / podes voltar ou não, / sem saber / se em mim
mudou a vida, / se em ti ficou perdida, / sem saber / da solidão depois / no coração dos dois, / sem saber / quanto me
dóis na voz, / ou se há heróis em nós

Mísia, nome artístico de Susana Maria Alfonso de Aguiar, foi uma cantora portuguesa, considerada uma das mais importantes fadistas de Portugal. 
Nascimento: 18 de junho de 1955, Porto
Falecimento: 27 de julho de 2024, Lisboa

Leitura recomentada

sábado, 27 de julho de 2024

Projecto dos abacates


Domingo passado, levámos o absurdo projecto dos abacates perto de Bruxelas, através do programa Europamagazin do canal televisivo alemão ARD.
Temos esperanças de que a União Europeia se aperceba do impedimento que certas decisões políticas, e lobbies agrícolas poderosos, estão a colocar aos imperiosos e louváveis objectivos comunitários de conservação da natureza.
Este projecto é um óbvio exemplo disso, colocando em causa a sobrevivência de um vasto e variado ecossistema na bacia do Sado, assim como das comunidades humanas locais, por via da depleção do aquífero, além da directa destruição e fragmentação de habitats .
As populações de Grândola e Alcácer do Sal estão unidas na oposição a este projecto. Aparentemente, só o Presidente da Câmara de Alcácer do Sal é que não.
As necessidades hídricas constantes no EIA reformulado do projecto em epígrafe são 3,997 hm3/ano, 2,858 hm3/ano extraídos do aquífero e 1,139 hm3/ano de água do canal.
Assumindo que continua a não ser possível usar água do canal para regar culturas não temporárias (como é o caso dos abacateiros), se compararmos com os últimos dados (2021) de consumos públicos (domésticos + municipais) do Pordata, chegamos à conclusão de que a extração de água de aquífero estimada no projeto reformulado, é equivalente à água distribuída pela rede pública para:
- 55% de toda a água consumida no Alentejo Litoral
- 3,42 vezes toda a água consumida no concelho de Alcácer do Sal (2º maior concelho em área de Portugal)
- 2,60 vezes toda a água consumida no concelho de Odemira (maior concelho em área de Portugal)
- 2,14 vezes toda a água consumida no concelho de Grândola
- 3 vezes toda a água consumida no concelho de Santiago do Cacém
- 3,05 vezes toda a água consumida no concelho de Sines
(Já estão licenciados para o concelho de Alcácer por autorizações dos últimos anos 13,06 hm3/ano.)

Original: aqui

"Fora da Lei". Inquérito confirma espera excessiva por consultas em hospitais


O estudo da DECO, realizado entre abril e maio deste ano, questionou mais de 700 portugueses (721) entre os 30 e os 79 anos. Cerca de metade receberam a indicação, por parte do médico de família, de que a consulta tinha prioridade normal. Significa isto que, por lei, a mesma deveria ocorrer num prazo máximo de 120 dias, o que não se verificou num quarto dos casos. Já nas consultas prioritárias (22 por cento), o Tempo Máximo de Resposta Garantido foi ultrapassado em quase metade das situações.
Os prazos referidos no inquérito aplicam-se à primeira consulta de especialidade no hospital, com exceção das que são motivadas por doença cardíaca ou oncológica, que devem acontecer no prazo de 15 a 30 dias, consoante a prioridade.

O presidente da Associação de Administradores Hospitalares (AAH) assume “preocupação” e admite que “faltam e vão faltar médicos”. Entrevistado na RTP3, Xavier Barreto considera “totalmente inaceitável” doentes que esperem por consulta nos hospitais “há 400 dias”. Para o dirigente da associação, a reorganização do SNS tem de ser feita, uma vez que “os hospitais têm aumentado a atividade “cinco por cento, seis por cento e até mais”, mas a procura também aumenta.

"Reclamem sem receios"
A DECO alerta ainda para outra conclusão do estudo: 91 por cento dos inquiridos encaminhados para uma consulta da especialidade nos hospitais nunca reclamaram de que o tempo de espera ultrapassou o que está definido por lei. 

Perante este dado, Xavier Barreto transmite uma mensagem aos doentes para que “reclamem sem receios de represálias. Não tenham medo”.

O desconhecimento que os consumidores têm dos seus direitos é sublinhado no estudo. Por exemplo, um em cada quatro inquiridos desconhecia a existência de Tempos Máximos de Resposta Garantidos, 24 por cento não sabia que podia reclamar e 28 por cento acreditam que não valia a pena reclamar por não resultar “qualquer consequência”. Apenas “uma minoria afirmou saber os prazos em concreto”. 
 
A DECO refere ainda que entre os 721 inquiridos “o número de consultas muito prioritárias declarado no estudo foi residual. Porém, mais de um quinto dos inquiridos assinalou "não sei qual o grau de prioridade". Susana Santos, especialista na área de Saúde da Deco PROteste, foi também entrevistada na manhã desta quinta-feira no programa Bom Dia Portugal.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Death In Rome feat. Deutscher W - Kebab Träume (DAF - Cover)


[Verse 1]
Kebab-Träume in der Mauerstadt
Türk-Kültür hinter Stacheldraht
Neu-Izmir ist in der DDR
Atatürk, der neue Herr

[Verse 2]
Miliyet für die Sowjet-Union
In jeder Imbißstube, ein Spion
Im ZK, Agent aus Türkei
Deutschland, Deutschland, alles ist vorbei!

[Verse 1]
Kebab-Träume in der Mauerstadt
Türk-Kültür hinter Stacheldraht
Neu-Izmir ist in der DDR
Atatürk, der neue Herr

[Verse 2]
Miliyet für die Sowjet-Union
In jeder Imbißstube, ein Spion
Im ZK, Agent aus Türkei
Deutschland, Deutschland, alles ist vorbei!

[Verse 1]
Kebab-Träume in der Mauerstadt
Türk-Kültür hinter Stacheldraht
Neu-Izmir ist in der DDR
Atatürk, der neue Herr

[Verse 2]
Miliyet für die Sowjet-Union
In jeder Imbißstube, ein Spion
Im ZK, Agent aus Türkei
Deutschland, Deutschland, alles ist vorbei!

Wir sind die Türken von morgen!

Tufão Gaemi afeta mais de 600.000 pessoas na China após causar cinco mortes em Taiwan

Taiwan na rota de um dos tufões mais violentos dos últimos anos

Cerca de 630.000 pessoas foram afetadas, no sudeste da China, pela chegada do tufão Gaemi, que desencadeou o primeiro alerta vermelho do ano no país, após ter causado cinco mortos e quase 700 feridos em Taiwan.

Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, 290.000 habitantes tiveram de ser temporariamente deslocados devido à tempestade, que atingiu a província de Fujian, no sudeste do país, por volta das 19:50 locais (12:50, em Lisboa) de quinta-feira, com ventos máximos de 118,8 quilómetros por hora.

Entre a manhã de quarta-feira e a manhã desta sexta-feira, dezenas de localidades de Fujian registaram precipitações superiores a 250 milímetros (mm), atingindo, em alguns casos, 512,8 mm.

Prevê-se que o tufão se desloque para noroeste a cerca de 20 quilómetros por hora e perca força até chegar à província vizinha de Jiangxi, na tarde de sexta-feira. De acordo com o portal de acompanhamento de tempestades Zoom.earth, o Gaemi já tinha descido para o nível de tempestade tropical, com ventos de 75 quilómetros por hora, às 12:30 locais (05:30, em Lisboa).

Em vésperas da época dos tufões e das inundações, que se verifica normalmente nas últimas semanas de julho e nas primeiras semanas de agosto, as autoridades chinesas apelaram a uma intensificação dos esforços de prevenção e de salvamento.

Preveem-se inundações ao longo das principais bacias hidrográficas, como o rio Amarelo e o Yangtsé e deslizamentos de terras nas zonas montanhosas.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Death In Rome - Wide Open (The Chemical Brothers - Cover)


O butô ou ainda Ankoku Butô é uma dança que surgiu no Japão pós-guerra e ganhou o mundo na década de 1970. Criada por Tatsumi Hijikata na década de 1950 o butô é também inspirado nos movimentos de vanguarda, expressionismo, surrealismo, construtivismo, entre outros. Wikipédia

Original

The Chemical Brothers - The Making Of Wide Open

James Webb deteta ‘super Júpiter’ que demora mais de um século a dar a volta à sua estrela

O aglomerado de galáxias SMACS 0723 em primeiro plano

Um ‘super Júpiter’ foi avistado em torno de uma estrela vizinha pelo Telescópio Espacial James Webb, revelou na quarta-feira uma equipa de cientistas, acrescentando que o planeta tem também uma ‘superórbita’.

O planeta tem aproximadamente o mesmo diâmetro que Júpiter, mas com seis vezes a massa. A sua atmosfera é também rica em hidrogénio como a de Júpiter.

A grande diferença é que este planeta demora mais de um século, possivelmente até 250 anos, a dar uma volta em torno da sua estrela. É 15 vezes mais a distância para a sua estrela do que da Terra ao Sol.

Os cientistas já suspeitavam há muito tempo que um grande planeta orbitava esta estrela a 12 anos-luz de distância, mas não tão massivo ou longe da sua estrela. Um ano-luz tem cerca de 9,46 triliões de quilómetros.

Estas novas observações mostram que o planeta orbita a estrela Epsilon Indi A, parte de um sistema de três estrelas.

Uma equipa internacional liderada por Elisabeth Matthews, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, recolheu as imagens no ano passado e publicou as descobertas na quarta-feira, na revista Nature.

Os astrónomos observaram diretamente o gigante gasoso incrivelmente antigo e frio — um feito raro e complicado —através do uso de um dispositivo de sombreado especial no Webb.

Ao bloquear a luz das estrelas, o planeta destacou-se como um pequeno ponto de luz infravermelha.

O planeta e a estrela têm 3,5 mil milhões de anos, 1 mil milhões de anos mais novos do que o nosso sistema solar, mas ainda assim considerados antigos e mais brilhantes do que o esperado, de acordo com Matthews.

A estrela está tão próxima e brilhante do nosso sistema solar que é visível a olho nu no hemisfério sul.
“Este é um gigante gasoso sem superfície dura ou oceanos de água líquida”, explicou Matthews, em declarações à agência Associated Press (AP).

É improvável que este sistema solar tenha mais gigantes gasosos, realçou mas pequenos mundos rochosos podem estar à espreita.

Mundos semelhantes a Júpiter podem ajudar os cientistas a compreender “como estes planetas evoluem em escalas de tempo de giga anos”, acrescentou.

Os primeiros planetas fora do nosso sistema solar – apelidados de exoplanetas – foram confirmados no início da década de 1990.

A contagem da NASA é agora de 5.690 em meados de julho. A grande maioria foi detetada através do método de trânsito, em que uma queda fugaz da luz das estrelas, repetida a intervalos regulares, indica um planeta em órbita.

Os telescópios no espaço e também no solo estão à procura de ainda mais, especialmente planetas que possam ser semelhantes à Terra.

Lançado em 2021, o telescópio Webb da NASA e da Agência Espacial Europeia é o maior e mais poderoso observatório astronómico alguma vez colocado no espaço.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Música do BioTerra: Lowlife - Truth in Needleds


Just a little downward pressure
Was sure all it took
To take away the pleasures
That he overlooked

He'd had an arm full of it
It still tasted sweet
His blindness was a part of him

So turn the lights out
And let him rest now
Tie yourself up and work it out
Tie yourself down and work it out

He worked it all out for himself
And took himself out
He worked it all out for himself
And took himself out

He let it go as long as he could
He sought the stinking truth
Truth too big for his own good
Surprised enough to shoot

He'd had a face full of it
He dropped like stone
His blindness was a part of him

So turn the lights out
And let him rest now
Strap yourself down and work it out
Strap yourself down and work it out

He worked it all out for himself
And took himself out
He worked it all out for himself
And took himself out

So turn the lights out
And let him rest now
Strap yourself down

On June 4th, 2010, Craig Lorentson (leader vocalist and lyrics) passed away due to kidney and liver problems at the age of 44.

O catolicismo de J.D. Vance. Perfil teológico do herdeiro aparente de Trump


Em 15 de julho, menos de uma semana antes de Joe Biden abandonar a corrida presidencial, Donald Trump escolheu JD Vance, o senador de 39 anos de Ohio (eleito em novembro de 2022) como seu companheiro de chapa. Se eleito com Trump em 5 de novembro, Vance seria o segundo vice-presidente católico na história dos EUA depois de Biden. No entanto, ele seria o primeiro católico “convertido” recente a ascender a essa posição, e isso diz muito sobre as trajetórias teológicas e políticas da Igreja nos Estados Unidos.

1. Um recém-convertido católico, parte de um movimento
Mais do que qualquer outra igreja no Ocidente, o catolicismo dos EUA tem uma parcela significativa de convertidos, ou seja, de membros que se juntaram à Igreja Católica quando adultos (sou casado com um deles). Há muitos convertidos recentes entre os católicos nos Estados Unidos que tornam sua fé pública. Na política, é uma mudança radical do "catolicismo de berço" de gerações mais velhas, como Joe Biden e Nancy Pelosi. Também difere da geração jovem de católicos no Partido Democrata, como Alexandria Ocasio-Cortez, que prioriza outros aspectos de suas identidade em sua política.

Vance falou abertamente sobre seu catolicismo no passado recente: a campanha de Trump entre agora e novembro pode precisar de alguns ajustes nessa mensagem. Ao se juntar à Igreja Católica, Vance faz parte de uma tendência maior de conversões de alto perfil. Nas últimas décadas, vários políticos, jornalistas e intelectuais públicos de persuasão conservadora se juntaram à Igreja Católica, vendo-a como a tradição cristã "mais antiga" e "conservadora". Em contraste com o protestantismo americano tradicional, eles veem essa conversão como um meio de salvar a América do declínio.

"A escolha de Vance de se juntar à Igreja Católica não interferiu, mas acompanhou sua conversão ao trumpismo."

Mas Vance fez isso durante os anos de Trump, durante seu (primeiro) mandato na Casa Branca, em 2019. A escolha de Vance de se juntar à Igreja Católica não interferiu, mas acompanhou sua conversão ao trumpismo; embora ele tivesse sido muito crítico de Trump apenas alguns anos antes, ele então abraçou e se tornou o rosto mais apresentável de Trump.

Sabe-se que os americanos tendem a mudar de igreja ou tradição religiosa frequentemente ao longo de suas vidas, mais do que outros cristãos no Ocidente. Vance foi exposto ao pregador batista do sul Billy Graham por sua avó, e ao pentecostalismo protestante quando adolescente, em uma família que, em seu best-seller de 2016 (com argumento político) Hillbilly Elegy. A Memoir of a Family and a Culture in Crisis (Harper 2016), ele descreveu como profundamente disfuncional. Ele o escreveu entre 2013 e 2015, vários anos antes de se tornar católico, e não dá nenhuma pista de que já tenha considerado o catolicismo. Vance menciona a palavra "católico" ou "católicos" apenas cinco vezes no livro de 264 páginas, e ele nunca se envolve com os ensinamentos católico.

Vance passou por um período de ateísmo, e seus esforços para resolver as contradições entre fé e ciência foram cruciais para sua adoção do cristianismo e do catolicismo. Como ele escreveu em seu ensaio autobiográfico publicado em 2020 na revista católica The Lamp, “Eu li Christopher Hitchens e Sam Harris, e me chamei de ateu.”

Ele foi batizado e confirmado na Igreja Católica em agosto de 2019 no Priorado de Santa Gertrudes em Cincinnati, Ohio, pelo Rev. Henry Stephan, um frade dominicano. Ele escolheu Santo Agostinho como seu santo padroeiro, como disse ao seu amigo e ideólogo "cristão" Rod Dreher (autor do manifesto best-seller internacional de 2017 The Benedict Option, que agora vive e trabalha na corte de Viktor Orban em Budapeste) numa entrevista de agosto de 2019 publicada no The American Conservative.

Vance é um jovem e recente católico que cresceu como um cristão não denominacional e superou muitos estereótipos negativos sobre o catolicismo típicos do protestantismo americano (o suposto antibiblicismo e a mariolatria). Nisso, há um certo orgulho em ser católico que é contracultural e se opõe à tendência dos progressistas liberais de culpar a Igreja Católica por vários males sociais, culturais e políticos. Para Vance, o cristianismo e a igreja não são o problema, mas a solução para os males do projeto político-religioso chamado Estados Unidos da América. Ele disse que as revelações sobre a crise de abuso na Igreja Católica atrasaram sua conversão, mas, no final, não a impediram. A eclesiologia de Agostinho da ecclesia permixta, feita de santos e pecadores, certamente ajuda os fiéis a superar o desgosto que levou muitos católicos de berço, tanto da esquerda quanto da direita, a deixar a igreja.

"Ele é um católico orgulhoso e, como muitos recém-convertidos do protestantismo, não traz o clericalismo consigo."

Ele também é alguém que escolheu o catolicismo como uma resposta à sua percepção dos limites do protestantismo americano, mas também de seu impacto limitado na cultura e na política dos EUA. Ele é um católico orgulhoso e, como muitos convertidos recentes do protestantismo, não traz o clericalismo consigo: há um "orgulho leigo" nesse tipo de catolicismo - o que não implica uma teologia progressista, mas é parte de um certo populismo eclesiológico e raiva conservadora contra a corrupção percebida do sistema eclesiástico e das hierarquias clericais.

2. Mais Vale do Silício do que Doutrina Social Católica
Vance é uma mistura de tecnocracia tipo Elon Musk e catolicismo civilizacional de Charles Maurras. Ele é um protegido de Peter Thiel (o bilionário gay que inventou, entre outras coisas, o PayPal), e a sua ascensão foi amplamente ajudada por um grupo de titãs da tecnologia. Vance personifica a aliança peculiar no GOP de hoje entre tradicionalistas culturais-religiosos (católicos, neste caso) e o Vale do Silício.

O dele é o antielitismo proclamado pelas novas elites, alimentando a raiva daqueles que são social e economicamente marginalizados. A escolha de Vance de abraçar a fé foi uma forma de expressar seu desprezo pelas elites intelectuais seculares: como ele escreveu em The Lamp, “O secularismo pode não ter sido um pré-requisito para se juntar às elites, mas certamente tornou as coisas mais fáceis”. O dele é um catolicismo muito americano, em certo sentido um “catolicismo 'América Primeiro'”, distante do Vaticano e do catolicismo global, que se tornou complacente com o “Make America Great Again” de Trump, bem como com seu gangsterismo e retórica violenta. A visão de Vance sobre as relações entre religião e política é mais próxima de Pat Buchanan, um dos principais ideólogos republicanos e católicos das “guerras culturais” desde a era Nixon, do que de João Paulo II ou Bento XVI.

Comparado a outros convertidos recentes dos EUA, ele tem sido menos polêmico contra o Papa Francisco (embora em 2021, ele educadamente discordou das restrições contra a "Missa Latina" pré-Vaticano II). Vance é um político e não pode prejudicar seu apelo aos católicos romanos, que não gostam de ver o papa atacado. O populismo de Vance nas políticas econômicas pode convergir com alguns aspectos da crítica do Papa Francisco ao capitalismo, mas apenas em um nível superficial. Na entrevista com Dreher, ele disse: "Acho que o Partido Republicano tem tido uma parceria por muito tempo entre conservadores sociais e libertários de mercado, e não acho que os conservadores sociais tenham se beneficiado muito dessa parceria. Parte do desafio do conservadorismo social para a viabilidade no século 21 é que ele não pode ser apenas sobre questões como o aborto, mas tem que ter uma visão mais ampla da economia política e do bem comum."

"Vance adotou o populismo como resposta às políticas neoliberais às quais o catolicismo progressista foi indiferente por muito tempo."

Certamente, há um mar de diferença entre a mensagem de Francisco sobre o meio ambiente e a imigração e o negacionismo de Vance, que é típico do Partido Republicano de hoje. Seu catolicismo não é o catolicismo social do século XX que pressupunha um papel forte para programas governamentais: Vance é apoiado por libertários do Vale do Silício que sabem que se beneficiarão de uma segunda presidência de Trump. Mas, em público, Vance abraçou o populismo como uma resposta contra as políticas neoliberais às quais o catolicismo progressista tem sido indiferente por muito tempo.

3. Teologia e Igreja: Agostinho e Aquino
Teologicamente, é relevante que Vance tenha sido batizado e confirmado (e tenha chegado a essa decisão) por meio de conexões e conversas com membros da Ordem Dominicana. Intelectualmente, é um mundo diferente da conexão de Biden com os jesuítas, a vanguarda do progressismo liberal católico americano, especialmente nas costas leste e oeste. A escolha de seu santo de confirmação confirma a importância fundamental do binômio Agostinho – Tomás de Aquino (interpretado de maneiras que muitas vezes diferem da teologia europeia e continental) para o catolicismo conservador, pós-liberal ou antiliberal nos EUA contemporâneos. Quando ele falou sobre Agostinho em seu artigo em The Lamp, Vance enfatizou não o lado doutrinário e eclesiológico, mas o pessoal-emocional (The Confessions) e o político-Weltanschauung (The City of God : "Eu era fã de Agostinho desde que um teórico político na faculdade designou City of God." Como acontece frequentemente hoje em dia em faculdades e universidades americanas, ele foi exposto ao catolicismo não por um teólogo, mas por um cientista político. Ele expressou interesse em René Girard graças (novamente) a Peter Thiel em 2013, seis anos antes de seu batismo e confirmação.

Ele é um político que pensou por muito tempo sobre religião, cristianismo e catolicismo, mas sem intelectualizá-los demais. Como ele disse várias vezes, "eu gosto que a Igreja Católica seja antiga". Ele não é um católico do Vaticano II: ele é mais a favor do ressourcement do que do aggiornamento em sua busca por solidez teológica e estabilidade doutrinária. O Concílio Vaticano II não aparece em seu panteão teológico, nem se encaixa em sua persona política: isso é típico de muitos convertidos católicos de convicções políticas e religiosas conservadoras. Mas à sua maneira, típico de todos os católicos americanos, incluindo aqueles do lado conservador do espectro, ele é um católico que não poderia viver sem o Vaticano II. Sua esposa, Usha, é filha de imigrantes da Índia e é hindu. Quando o casal se casou em 2014, eles realizaram duas cerimônias, incluindo uma em que um especialista hindu os abençoou. Quando se trata de religiões não cristãs, o islamismo é um assunto diferente, como convém ao companheiro de chapa de Trump: ele afirmou que o Reino Unido, sob o Partido Trabalhista, pode ser o primeiro país "verdadeiramente islâmico" com armas nucleares.

Ele está no lado oposto da doutrina social católica moldada pelo Vaticano II. Como Michael Sean Winters disse em 2022, “a fraudulência de Vance é discernida no fato de que, enquanto ele celebra o catolicismo como um veículo para sua visão sociocultural, ele se afasta do ensinamento da igreja em uma série de questões, da imigração aos direitos trabalhistas e às mudanças climáticas.”

Em 2021, Vance compareceu ao encontro anual do Instituto Napa de grandes doadores e influenciadores católicos de direita, com a participação de alguns bispos conservadores. Em 2022, ele participou de um evento público em uma universidade católica franciscana onde palestrantes argumentaram a favor do integralismo. Vance ainda precisa responder perguntas sobre seus próprios pensamentos a respeito do integralismo católico, isto é, sobre as relações entre a Igreja e o Estado, e suas opiniões sobre o recente aumento do pensamento integralista entre pensadores católicos dos EUA na última década. (Recentemente, Trump desmentiu o "Projeto 2025" da Heritage Foundation, propostas de política conservadora e de direita para remodelar o governo federal dos Estados Unidos e consolidar o poder executivo se ele vencesse a eleição presidencial de 2024. Mas em 2022, ele o endossou, e alguns de seus aliados estão por trás do projeto.)

Ele não fez mistério em uma entrevista recente com o colunista do New York Times Ross Douthat de que ele tolerou o que Trump fez em 6 de janeiro de 2021, em sua tentativa de derrubar o governo que levou a cinco mortes e à mais séria ameaça em gerações à estabilidade do sistema democrático de governo americano. Isso deve dar aos católicos dos EUA (bispos incluídos) que lutaram por pelo menos um século e meio para se tornarem parte do projeto de democracia constitucional na América alguma pausa.

4. Um rosto do novo catolicismo dos EUA
Para onde vai o catolicismo de Vance? Qual será seu efeito na política dos EUA e na igreja? Uma diferença importante em comparação a outros convertidos católicos proeminentes, Vance é um político, e ele precisa vencer no que agora é um país menos religioso, mesmo entre os conservadores, em comparação a apenas dez anos atrás.

Nós, crentes modernos, somos todos viajantes. Vance viajou do ateísmo ao catolicismo, do libertarianismo ao populismo econômico, dos Apalaches a Yale e ao Senado em Washington, DC, passando pelo Vale do Silício. Vance parece ter resolvido, à sua maneira, o famoso ditado do grande escritor católico americano Walker Percy (outro adulto convertido ao catolicismo), que disse uma vez que o homem moderno tem duas escolhas — Roma ou Califórnia. Vance ainda está viajando e pode ir muito mais longe, até mesmo à Casa Branca. Seu catolicismo público está sujeito a mais negociações do que para uma pessoa privada, um jornalista ou um pastor.

Não houve menção à igreja ou ao catolicismo em seu discurso de aceitação na Convenção Nacional Republicana, onde a religião figurou muito marginalmente, seguindo as dicas de Trump e um Partido Republicano mais secular e pós-cristão. Ele mudou sua posição sobre o aborto, deixando os católicos pró-vida com uma sensação de abandono. Mais do que pragmatismo moral contra a crueldade para as mulheres de algumas políticas antiaborto, sua mudança de posição soa como cinismo à luz do fato de que a decisão da Suprema Corte de 2022 "Dobbs" transformou o aborto em uma responsabilidade política para os republicanos. Em uma mensagem de arrecadação de fundos de campanha em 8 de julho, Vance pediu deportações em massa de imigrantes sem status legal, uma promessa também presente na plataforma do Partido Republicano. "Precisamos deportar cada pessoa que invadiu nosso país ilegalmente." É difícil entender como ele conciliará isso com a posição do Papa Francisco e dos bispos dos EUA sobre imigração.

Vance é um millennial neocatólico em uma América secularizada que ainda é o centro do Ocidente. Abraçar a fé é uma forma de dissidência cultural , uma dissidência que, embora genuína, pode se dar bem em uma aliança com tecnocratas neopagãos e antirreligiosos do Vale do Silício que governam o mundo.

O catolicismo americano não é mais apenas o refúgio de ideólogos conservadores, como foi entre os anos 1990 e alguns anos atrás. Agora é uma marca à venda, e Vance também chegou ao cenário nacional, político e global graças aos novos mestres do universo. Não está claro o quão interessado ele está pessoalmente em comprar essa marca e ser identificado com ela porque depende das necessidades políticas determinadas por seu mestre, Donald Trump. Mas outros estão comprando essa marca, pessoas politicamente próximas ao seu partido.

A escolha de Trump marca “a unção de um vice-presidente jovem e herdeiro aparente”, como seu amigo, colunista do New York Times e companheiro convertido católico Ross Douthat colocou. Se eleito com Donald Trump, JD Vance pode não apenas acabar comandando o país, mas também contribuir daquele púlpito para mudar a Igreja Católica nos Estados Unidos.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Elefantes machos dão o sinal de “vamos” com sons profundos


Os elefantes reúnem-se na frescura da noite para beber. Depois de algum tempo, um macho sénior levanta a cabeça e afasta-se do charco. Com as orelhas a abanar suavemente, solta um ruído profundo e ressonante.

Os outros respondem, um a um, e as suas vozes sobrepõem-se num coro sonoro e infrasónico que sussurra por toda a savana. Este quarteto de barbearia de elefantes transmite uma mensagem clara: É altura de seguir em frente.

Gradualmente, os elefantes mudam de posição, os seus corpos maciços balançam à medida que seguem o seu líder ruidoso para a próxima paragem nas suas deambulações noturnas.

Pela primeira vez, cientistas da Universidade de Stanford e de outras instituições documentaram elefantes machos a usarem sons de “vamos” para assinalar o início da partida de grupos do charco de Mushara, no Parque Nacional de Etosha, na Namíbia.

As vocalizações são iniciadas pelos machos mais integrados socialmente, e frequentemente os mais dominantes, em grupos sociais muito unidos.

As descobertas, apresentadas em pormenor na revista de acesso livre PeerJ, são surpreendentes porque se pensava que este comportamento era exclusivo das elefantes fêmeas em grupos familiares.

“Ficámos espantados ao descobrir que os elefantes machos, normalmente considerados como tendo laços sociais frouxos, se envolvem numa coordenação vocal tão sofisticada para desencadear ações”, disse a autora principal do estudo, Caitlin O’Connell-Rodwell, uma investigadora associada do Centro de Biologia da Conservação da Universidade de Stanford.

“Estas chamadas mostram-nos que há muito mais a acontecer na sua comunicação vocal do que se sabia anteriormente”, acrescentou.

Um projeto de 20 anos
O’Connell-Rodwell gravou pela primeira vez o estrondo do macho “ vamos lá” em 2004, enquanto realizava trabalho de campo à noite para compreender como as vocalizações dos elefantes se propagam pelo solo.

“Fiquei muito entusiasmada quando o consegui gravar”, recorda, sublinhando que “foi emocionante perceber que estes machos estavam a usar uma coordenação vocal complexa, tal como as fêmeas.”

De 2005 a 2017, a equipa recolheu dados no charco de Mushara, principalmente durante as estações secas. Utilizaram equipamento de gravação de alta tecnologia, incluindo microfones enterrados e câmaras de vídeo de visão noturna, para captar as vocalizações infrasónicas, inaudíveis aos ouvidos humanos, e os comportamentos dos elefantes machos.

Os investigadores analisaram as vocalizações em busca de propriedades e padrões acústicos e utilizaram a análise de redes sociais para compreender as relações e a hierarquia entre os machos, registando quais os elefantes que iniciavam os estrondos, como os outros respondiam e a sequência de acontecimentos que conduziam às partidas coordenadas.

Um ritual transmitido
Os ruídos de “vamos embora” observados nos elefantes machos têm semelhanças impressionantes com os anteriormente registados nas elefantes fêmeas. De facto, O’Connell-Rodwell e a sua equipa colocam a hipótese de os elefantes machos aprenderem o comportamento quando são jovens.

“Eles cresceram numa família onde todas as líderes femininas participavam neste ritual”, disse O’Connell-Rodwell. “Pensamos que à medida que amadurecem e formam os seus próprios grupos, adaptam-se e utilizam estes comportamentos aprendidos para se coordenarem com outros machos”, acrescentou.

No caso dos elefantes machos e fêmeas, o grito do iniciador é seguido pelo ruído do indivíduo seguinte, com cada elefante a esperar que o som anterior quase termine antes de acrescentar a sua própria voz. Isto cria um padrão harmonioso e rotativo semelhante a um quarteto de barbearia, disse O’Connell-Rodwell.

“É muito sincronizado e ritualizado. Quando um vai alto, o outro vai baixo, e eles têm esse espaço vocal onde estão coordenando”, explicou.

Este estudo segue-se a outro estudo inovador que utilizou a IA para revelar que os elefantes selvagens têm nomes únicos uns para os outros, o que indica a utilização de substantivos na sua comunicação.

“No nosso artigo, mostramos que os elefantes estão a usar verbos na forma deste grito de ‘vamos embora’. Se eles estão a usar combinações de substantivos e verbos em conjunto, isso é sintaxe. Isso é linguagem”, disse O’Connell-Rodwell.

Mentoria de elefantes
Para além destes conhecimentos linguísticos, o estudo também revela que alguns elefantes machos dominantes desempenham papéis cruciais nos seus grupos sociais, ajudando a manter a coesão e a estabilidade.

“Estes indivíduos assumem papéis de mentores”, afirmou O’Connell-Rodwell. “Preocupam-se com estes jovens que são muito carentes e querem sempre estar em contacto físico. Os machos mais velhos estão dispostos a tomá-los sob a sua asa, a guiá-los, a partilhar recursos com eles e a participar nos seus altos e baixos emocionais”, acrescentou.

Nos países onde a caça é permitida, deve ter-se o cuidado de evitar caçar os elefantes machos mais velhos, socialmente ligados, acrescentou, uma vez que a sua remoção poderia perturbar a coesão social e as estruturas de tutoria nas populações de elefantes.

A investigação também sugere que fortes laços e interacções sociais são essenciais para o bem-estar dos elefantes machos em cativeiro e semi-cativeiro, salientando a necessidade de ambientes que apoiem estas estruturas sociais.

“As nossas descobertas não só sublinham a complexidade e a riqueza da vida social dos elefantes machos”, disse O’Connell-Rodwell, ”como também aumentam a nossa compreensão da forma como utilizam as vocalizações em rituais e coordenação e, na verdade, aproximam-nos da ideia de linguagem dos elefantes”, conclui.

sábado, 20 de julho de 2024

Entrevista a Vicente Valentim, autor do livro "O fim da vergonha - como a direita radical se normalizou"


Vicente Valentim é Cientista Político na Universidade de Oxford. A sua tese de doutoramento foi publicada em livro, “O Fim da Vergonha – Como a Direita Radical se Normalizou” (ed. Gradiva), em Abril deste ano e consiste na ideia de que “o rápido avanço da direita radical é, em grande parte, movido por pessoas que já tinham ideias de direita radical, mas que não mostravam por temer repercussões sociais”.

Ao longo do seu livro, Vicente Valentim descreve as três fases que levam a esta processo de normalização, sendo a primeira a fase de latência, em que há fortes normas sociais contra a ideologia associada à direita radical. A segunda será a fase de ativação em que os políticos apercebem-se de que há em privado mais apoio a ideias de direita radical e mobilizam as pessoas nesse sentido. Por último, a fase da revelação, em que as pessoas que já tinham estas ideias sentem-se mais à vontade para o fazer, havendo também mais políticos dispostos a aderir a partidos com essa ideologia.

Foi numa entrevista por videochamada que falámos com o Cientista Político sobre o seu livro, a forma como a direita radical tem moldado o sistema político-partidário, bem como temas da atualidade mais recente num ano tão marcado por eleições. Tendo sido a primeira parte desta entrevista gravada no dia 11 de julho, não demorou muito tempo até que os acontecimentos mais recentes nos EUA, tendo o ex-Presidente Donald Trump sofrido um ataque a tiro num comício da Pensilvânia, exigissem uma segunda curta parte da entrevista sobre a atualidade mais recente naquela que é talvez a eleição mais decisiva e quente deste ano.

Segundo a tese defendida no teu livro, o avanço da direita radical é em grande parte movido por pessoas que já tinham estas ideias, mas que não as mostravam por temer repercussões sociais. Havendo este conjunto de crenças e valores na sociedade associadas à direita radical, qual foi então a particularidade nesta última década para que houvesse uma transformação tão grande do sistema partidário, com estes partidos a ganharem mais lugares em Parlamentos, e em alguns casos, a fazerem parte de soluções governativas?

O argumento no livro é que, dado que estas ideias já existiam, faltava um político que fosse percecionado como sendo competente, e que fosse capaz de mobilizar os votos das pessoas que já tinham estas ideias. Por isso grande parte daquilo que explica o motivo pelo qual os partidos cresceram nos últimos anos tem a ver com a oferta das elites partidárias, ou seja, até que ponto é que há essa pessoa que é percecionada como competente.

Para que essa pessoa competente se aperceba que pode ter sucesso eleitoral com uma plataforma de direita radical, precisa de haver algum tipo de despoletador que a faça perceber que essas ideias são mais difundidas na sociedade do que antes parecia. Nesse sentido, tem havido alguns acontecimentos que têm causado essa perceção como por exemplo, a crise de refugiados em 2015/2016. Estes são acontecimentos que afetam vários países de forma semelhante, e como tal podem funcionar como esse despoletador nos vários países ao mesmo tempo. Acho que isso explica porque é que vimos nesse momento a direita radical a ter sucesso pela primeira vez em vários países.

Mas também queria por um bocadinho de água na fervura em relação a essa ideia de que há uma vaga de direita radical, no sentido em que, é verdade que há cada vez mais países que têm este tipo de partidos a ter sucesso a entrar para o parlamento, mas não acho que isso esteja a acontecer em todo o lado ao mesmo tempo. Começou a acontecer nos países nórdicos ou em França nos anos 80, e em Portugal aconteceu em 2019. Temos aí um período de quase 40 anos. Tenho alguma dificuldade em ver isso como uma vaga porque se pensarmos que um período de 40 anos é uma vaga, então quase tudo é uma vaga. Acho que não há propriamente um processo de contágio. O que há são acontecimentos como a crise de refugiados, que acabam por afetar vários países da mesma forma, e como tal, podem levar a este desenvolvimento nesses vários países, mas não é que eles se afetem necessariamente uns aos outros. 

“Não há nenhum fenómeno social ou político que tenha só uma causa.”

Um dos fatores que também falas no livro, e que também é usado como explicativo do crescimento destes partidos, são os fatores culturais. Neste século, falando mais no caso europeu, houve um conjunto de direitos a nível legislativo, que ou foram aprovados, ou também ganharam espaço na disputa política, como por exemplo a IVG, o direito ao casamento entre casais do mesmo sexo, ou a autodeterminação de género. De que maneira é que estas questões surgiram como motivo de backlash? E havendo também o fator das transformações económicas associadas à globalização, qual o peso que ambos os fatores tiveram para o crescimento da direita radical?

Quero começar por fazer a ressalva de que, apesar de eu defender esta tese no livro, não há nenhum fenómeno social ou político que tenha só uma causa. Pelo facto de o livro se estar a focar nesta explicação baseada em ideias que as pessoas já tinham mas não expressavam, não quer dizer que isso explique toda a dimensão do fenómeno. Explica uma parte, e é compatível com outras explicações também serem verdade.

Na literatura na Ciência Política, há muito esta ideia do backlash em relação a alterações culturais como este tipo de direitos de legislação no sentido de ser mais inclusivo de minorias. Eu acho que isso acaba por definir mais em que temas é que os partidos se focam, do que propriamente o sucesso destes partidos. Se olharmos para a direita radical em toda a Europa, quase a única coisa que ela tem em comum é a oposição às minorias, principalmente a minorias nacionais e étnicas. Tudo o resto, acaba por depender um bocadinho do contexto do país em que estão.

Há partidos de direita radical que são abertamente anti-feministas, mas também há partidos de direita radical que dizem defender os direitos das mulheres. Podemos discutir se o fazem ou não, mas pelo menos na sua perspetiva dizem isso. A mesma coisa em relação a minorias sexuais, por exemplo. É possível que haja um sentimento de reação em relação a estes direitos adquiridos nestas últimas décadas, mas acho que isso acaba por ser mais um after thought depois de esses partidos terem ganho sucesso com base nessas preferências mais próximas da direita radical.

No caso do Chega, ou do Vox em Espanha, ambos os partidos têm componentes deste tipo de retórica, mas quando pensamos naquilo que os fez crescer no momento inicial teve sempre a haver com minorias étnicas. Foi só depois de terem crescido que começaram a adicionar estes outros temas, por isso é que eu acho que acaba por ser mais uma segunda camada, mais do que o cerne do motivo pelo qual eles tiveram sucesso inicialmente.

Muitas vezes a própria retórica feminista, até por exemplo no caso da Georgia Meloni, também é muito usada para dar ênfase a uma lógica de proteção contra os imigrantes…

Há um livro da autora Sara Farris onde ela chama a isso o femonacionalismo, ou seja, a ideia de usar a bandeira do feminismo para ter ideias contra minorias. A ideia de que as nossas sociedades têm vindo a fazer progresso no campo do direito das mulheres, e se abrimos à imigração, vamos perder todo esse progresso. Há uma retórica às vezes parecida no que diz respeito à comunidade LGBT. Isto acontecia muito na Holanda com o Pim Fortuyn que foi o primeiro político de direita radical que teve sucesso que era abertamente homossexual, e cuja retórica era no sentido de que há todos estes direitos que ganhamos na nossa sociedade, e se abrirmos à imigração de repente, vamos perdê-los. Tanto no que diz respeito às minorias sexuais, como ao feminismo, há muito este tipo de retórica, de que todos estes direitos que se têm vindo a adquirir podem estar em causa se abrirmos às minorias.

Quando se dá a fase da revelação e há uma maior abertura para ter este tipo de discursos, e sendo a questão da imigração tão forte nestes partidos, de que forma é que as próprias perceções sobre esta questão acabam por aumentar gerando um ciclo vicioso?

Um dos argumentos no livro é precisamente o de que esse processo é mais ou menos irreversível. Não é possível fazer engenharia inversa e voltar para trás. Se quisermos combater a direita radical tem que ser através doutros processos, porque o processo de normalização vem muito desta noção de que se passou de uma situação em que estas ideias estavam bastante difundidas na sociedade em que o eleitorado e os políticos não sabiam, para uma situação em que tanto o eleitorado como os políticos têm a noção de que estas ideias são bastante difundidas na sociedade.

Agora que as pessoas e os políticos já sabem, é difícil voltar para uma situação em que escolhem não saber. É por isso que acho que é difícil voltar para trás, e que esta última fase do processo se autorreforça. E se pensarmos em alguém que é agora adolescente e está a interessar-se pela política pela primeira vez, o facto de estar a ser socializado politicamente num contexto em que estas ideias são tão faladas abertamente, pode também acabar por afetar as suas preferências políticas e torná-las mais próximas da direita radical, por isso, claramente isto é um equilíbrio que se autorreforça.

“O Fim da Vergonha – Como a Direita Radical se Normalizou” (Capa do livro)

No caso português, em 2019, o partido Chega elegeu pela primeira vez um deputado à Assembleia da República. Nas eleições legislativas de 2022 aumentou o seu grupo parlamentar para 12 deputados, e após as eleições deste ano conta com 50 deputados. Julgas que este partido tem mais margem de crescimento?

A direita radical pode crescer por motivos diferentes. Muitas das vezes, pelo menos no início, cresce muito por este processo de normalização, e esse processo por si só, naturalmente tem um teto. Diria que tendo em conta a expressão eleitoral do Chega, esse momento já chegou. Isso não significa que o partido não possa crescer mais através de outras estratégias, que parecem-me ser principalmente duas. Uma é que o partido pode-se moderar, chegar um pouco mais para o centro e alcançar um eleitorado que é menos radical. O outro processo através do qual o partido pode crescer no longo prazo, é não só angariar os votos das pessoas que já tinham estas ideias, mas conseguir progressivamente ir mudando as ideias de outras pessoas, e torná-las mais próximas da direita radical.

Mesmo que já tenha esgotado este eleitorado que já tinha estas ideias mas não as expressava, continua a haver outras maneiras de o partido crescer. São um bocadinho mais lentas e têm um bocadinho mais de riscos, principalmente a questão da moderação, porque abre o espaço para que apareça um partido mais extremista que ganhe os votos extremistas. Mas até isso acontecer, são estratégias que o partido pode usar, e parece-me que, pelo menos nas últimas eleições, o Chega tentou chegar-se um bocadinho mais para o centro. Houve muito menos incidência na questão da comunidade Roma, por exemplo, foi muito mais na questão dos subsídios. Acho que houve alguma tentativa de fazerem a imagem do partido ser um bocadinho menos extremista com esse objetivo talvez de chegar a um eleitorado um bocadinho mais moderado. 

Nas últimas eleições europeias colocou-se a ideia do resultado do Chega ter sido baixo por terem um candidato fraco, ou pelo facto do candidato da Iniciativa Liberal ser forte, contendo o seu eleitorado. Quais julgam ter sido os fatores que levaram a este resultado?

Acho que teve muito a ver com o candidato, e é preciso ter em conta que foi a primeira vez que o Chega concorreu com um candidato que não fosse André Ventura. Aliado a isso, e talvez também como consequência, a questão da abstenção. Agora já há dados para saber que o Chega cresceu muito nas legislativas por angariar votos de pessoas que antes se abstinham, e nas europeias tendencialmente a abstenção é mais alta, por isso é possível que algumas das pessoas que votaram no Chega nas legislativas não tenham ido votar nas Europeias. Acho que é um bocadinho prematuro dizer que o facto de o Chega ter tido um mau resultado significa que o Chega não está aqui para ficar, porque é preciso ter em conta estes dois fatores, e é também preciso não olhar para a árvore desde a floresta. O facto de o partido ter um resultado ligeiramente pior numas eleições, não quer dizer que depois não possa recuperar nas eleições seguintes.