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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Meta-análise global revela os países menos racistas do mundo em 2026


Analisar a informação aqui
O racismo é a crença de que uma determinada raça é inferior ou superior a outra e de que as características biológicas de uma pessoa predeterminam os seus traços morais ou sociais. Quem perfilha crenças racistas pode encarar outras raças como menos dignas e, em casos extremos, até como subumanas. O racismo pode assumir muitas formas diferentes e manifestar-se de variadas maneiras, sendo tipicamente influenciado por diversos fatores culturais, religiosos, económicos ou históricos.

Ao longo da história da humanidade, o racismo sempre esteve presente, tendo influenciado guerras, a escravatura, códigos jurídicos, a ascensão e queda de nações e, talvez mais importante, o quotidiano de milhões — ou possivelmente milhares de milhões — de pessoas. O racismo demonstrado pelas potências ocidentais face a populações não ocidentais no século XX teve um impacto particularmente profundo na história, de forma mais notória na escravatura forçada de milhões de africanos. Nos Estados Unidos, a escravatura foi a principal causa da Guerra Civil. Além disso, o racismo continua a ecoar nos EUA modernos em eventos como o crescimento do movimento Black Lives Matter e os protestos de 2020-21 na sequência dos homicídios de George Floyd e Breonna Taylor.

Medir a tolerância racial de um país com precisão é um verdadeiro desafio. O racismo não é um número simples, como a população ou o rendimento médio; reveste-se de muitas formas, sendo perfeitamente possível que uma pessoa, grupo social, cultura ou país conviva pacificamente com uma raça ou situação, mas seja completamente intolerante em relação a outra. Por exemplo, uma pessoa de etnia caucasiana que não tenha qualquer problema em viver ao lado de um vizinho asiático pode opor-se firmemente a que uma pessoa negra se junte à sua família pelo casamento. Do mesmo modo, como a maioria dos respondentes em inquéritos tem consciência de que o racismo não é propriamente visto com bons olhos na sociedade atual, a veracidade e a honestidade das respostas podem ser difíceis de verificar. Devido a estas complicações, os investigadores recorrem habitualmente a sondagens para recolher informação sobre a consciência pública, combinando depois múltiplas perguntas, inquéritos ou estudos para determinar o verdadeiro nível de tolerância racial de um país.

O World Values Survey (WVS) é um programa de investigação internacional que estuda os valores sociais, políticos, económicos, religiosos e culturais, incluindo a tolerância racial e o racismo. Este inquérito coloca dezenas de perguntas a respondentes de mais de 80 países, incluindo uma que solicita a identificação de tipos de pessoas que não desejariam ter como vizinhos. Quanto maior for o número de pessoas de um determinado país a responder que ficaria satisfeita por ter um vizinho de uma raça diferente, mais tolerante do ponto de vista racial é considerado esse país. Já o relatório anual Best Countries, um esforço conjunto da U.S. News and World Report, do BAV Group e da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, adicionou perguntas específicas sobre tolerância racial ao seu relatório de 2023 que, tal como o de 2024, inquiriu mais de 17.000 pessoas em 36 países.

De uma forma geral, os países mais tolerantes em ambos os estudos foram os países escandinavos, os países latinos, o Reino Unido e as suas antigas colónias (Austrália, Canadá e Nova Zelândia). Em contrapartida, os países menos tolerantes do ponto de vista racial (Catar, Sérvia, Arábia Saudita, Irão) tenderam a situar-se em África e na Ásia. Houve também exceções. Por exemplo, embora outras antigas colónias britânicas se tenham posicionado perto do topo da lista, os Estados Unidos ocuparam o 55.º lugar num total de 89 países em 2024, em grande parte devido àquilo que é frequentemente visto como racismo institucionalizado em áreas como o emprego, a educação e o sistema de justiça criminal. Por outro lado, o Paquistão apresenta vários fatores que costumam coincidir com a intolerância racial - tais como baixos índices económicos e humanos e uma violência sectária notória -, contudo, apenas 6,5% dos paquistaneses se opuseram a ter um vizinho de uma raça diferente.

Por fim, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (ICERD) é uma convenção das Nações Unidas comprometida com a erradicação da discriminação racial, exigindo que todas as partes signatárias proíbam o discurso de ódio e criminalizem a filiação em organizações racistas. 

Fontes

domingo, 5 de julho de 2026

Just launched! A comprehensive new manual gives guidance on identifying, framing, and investigating international environmental crimes

This guide from UCLA Law's The Promise Institute for Human Rights (Europe) and Climate Counsel is a crucial resource for practitioners, investigators and civil society actors seeking accountability for environmental crimes.

It also provides the practical foundations for future implementation of an international crime of #ecocide.

The natural world is increasingly being placed at the heart of international criminal law, with the International Criminal Court’s Prosecutor last year announcing a major policy review that commits it to pursuing accountability for environmental harm. As international precedent develops, the prospect that ecocide (mass harm to nature) will be recognised by ICC member states as the fifth core atrocity crime grows stronger. Such a step would place it on the same legal footing as genocide, war crimes, crimes against humanity and the crime of aggression.

Access the manual here

The manual is compiled by Kate Mackintosh and Richard J. Rogers, with contributions from Maksym Popov,Donna Cline, Wayne Jordash KC, Dmytro Koval and Professor Darryl Robinson.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Toda a verdade sobre a Rússia, NATO, União Europeia, EUA e Ucrânia e, por fim, a China


1. A Ucrânia tem mesmo forças nazis? 
A Ucrânia não é um Estado nazi e Volodymyr Zelensky não lidera forças nazis. A narrativa de que o país está dominado por neonazis é uma das principais ferramentas de propaganda e desinformação utilizadas pelo governo russo para justificar a invasão perante a sua própria população e o mundo. Na verdade, o próprio presidente Zelensky é judeu e perdeu familiares no Holocausto, tendo sido eleito democraticamente em 2019 com mais de 73% dos votos, o que torna a acusação de liderar um regime nazi uma contradição óbvia. Além disso, embora existam grupos de extrema-direita na Ucrânia — assim como na Rússia e na maioria dos países europeus —, o seu peso político real é residual, visto que nas últimas eleições legislativas a coligação de partidos de extrema-direita obteve apenas cerca de 2% dos votos, não conseguindo sequer representação no Parlamento ucraniano.
O mito alimentado por Moscovo baseia-se sobretudo nas origens do Batalhão Azov. Em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e fomentou a guerra no Donbass, o exército ucraniano estava desestruturado e surgiram milícias voluntárias para defender o território. O grupo Azov original foi de facto fundado por indivíduos com ligações a fações radicais de ultradireita e claques de futebol, utilizando símbolos visuais controversos. No entanto, ainda no final de 2014, o governo ucraniano integrou oficialmente o grupo na Guarda Nacional, iniciando um processo profundo de reestruturação. Ao longo dos anos, os líderes políticos radicais foram afastados, a unidade foi despolitizada e transformada numa força militar regular de defesa. Inclusive, o governo dos Estados Unidos levantou as restrições ao fornecimento de armas à brigada após confirmar que esta se tinha tornado uma unidade militar profissional padrão. Para a Rússia, o rótulo de "nazi" carrega um peso histórico e emocional gigantesco herdado da Segunda Guerra Mundial, sendo utilizado de forma estratégica para desumanizar o adversário e criar um falso pretexto moral para a agressão militar.

2. As eleições na Rússia não são consideradas democráticas, livres ou justas por analistas internacionais, pelas Nações Unidas, pela União Europeia e por organizações independentes de direitos humanos. 
O sistema político russo é classificado como um regime autoritário ou uma autocracia eleitoral, o que significa que o país mantém a aparência de uma democracia — com urnas, boletins de voto e campanhas —, mas todo o processo é rigidamente controlado pelo Kremlin para garantir a permanência de Vladimir Putin no poder. O principal pilar desta falta de democraticidade é a eliminação sistemática da oposição real, onde qualquer candidato que represente uma ameaça séria é impedido de concorrer, seja através do exílio, de desqualificações burocráticas por parte da Comissão Eleitoral Central ou da prisão sob acusações politizadas, como aconteceu emblematicamente com Alexei Navalny. Para simular uma pluralidade, o regime permite apenas a participação da chamada "oposição sistémica", composta por partidos minoritários que fingem competir, mas que na prática apoiam as diretrizes do governo e nunca criticam diretamente o presidente ou a guerra.
Além da ausência de adversários reais, o processo é profundamente distorcido pelo controlo total dos meios de comunicação social, uma vez que todas as grandes cadeias de televisão, jornais e rádios são estatais ou pertencem a aliados de Putin, enquanto a internet e a imprensa independente enfrentam uma censura feroz. Organizações independentes de monitorização eleitoral denunciam consistentemente fraudes massivas nas contagens de votos, incluindo o enchimento de urnas, a manipulação de sistemas de voto eletrónico que não permitem auditoria e a forte coação sobre funcionários públicos e trabalhadores de empresas estatais, que são obrigados a votar sob ameaça de demissão. Adicionalmente, as eleições russas carecem de observadores internacionais credíveis e incluem votações forçadas em territórios ucranianos ocupados militarmente, o que viola o direito internacional. Em suma, o objetivo destas eleições não é dar uma escolha ao povo, mas sim fazer uma demonstração de força, utilizando maiorias esmagadoras fabricadas para legitimar as políticas do regime perante o mundo e desanimar qualquer oposição interna.

3. E a historieta do Tio Sam e de Putin é também falsa. 
A "historieta do Tio Sam e de Putin" refere-se à narrativa de que a guerra na Ucrânia é apenas um conflito provocado exclusivamente pelo "Tio Sam" (os Estados Unidos) para encurralar o Putin, ou à ideia romântica de que a Rússia é uma vítima inocente que foi obrigada a atacar para se defender do expansionismo ocidental, sim, essa também é uma versão altamente distorcida e falsa da realidade.
Essa narrativa - muito repetida pela propaganda russa e por setores que adotam uma postura anti-EUA automática - ignora deliberadamente a história, a soberania da Ucrânia e as próprias ambições imperialistas de Vladimir Putin. A análise factual desmitifica essa história em bloco:
  • A Ucrânia é um país independente e soberano desde 1991. A decisão de se aproximar da União Europeia ou da NATO não foi uma "invasão disfarçada" dos Estados Unidos, mas sim uma escolha democrática do próprio povo ucraniano. 
  •  Histórica e economicamente, os ucranianos assistiram ao crescimento e à prosperidade de vizinhos ex-comunistas que se juntaram ao Ocidente (como a Polónia e os países bálticos), enquanto as nações que ficaram sob a órbita da Rússia (como a Bielorrússia) estagnaram em ditaduras. 
  • A aproximação ao Ocidente foi uma tentativa da Ucrânia de garantir a sua própria segurança e modernização, e não uma conspiração americana.
Além disso, a própria NATO nunca forçou a entrada de nenhum país. São os países da Europa de Leste que pedem desesperadamente para aderir à aliança porque têm, compreensivelmente, medo do histórico de agressão da Rússia. O argumento de Putin de que se sentiu "ameaçado" cai por terra quando olhamos para os factos: a NATO é uma aliança defensiva e nenhum país ocidental tinha planos ou intenções de invadir o território russo, que possui o maior arsenal nuclear do planeta e, portanto, uma capacidade de dissuasão total.
O erro central dessa "historieta" é retirar totalmente a culpa a Vladimir Putin e o direito de escolha à Ucrânia, tratando o conflito como se os ucranianos fossem meros peões sem vontade própria num tabuleiro de xadrez entre Washington e Moscovo. A verdade é que a invasão foi um ato de agressão deliberado, planeado pelo Kremlin com o objetivo de anexar territórios, travar a democratização de um país vizinho e restaurar a antiga esfera de influência da era soviética.

4. A afirmação de que o Donbas e a região histórica da Novorossiya -  que engloba cidades como Odessa, Mykolaiv, Dnipro e Kharkiv - nunca foram da Ucrânia é historicamente falsa, tratando-se de um mito construído pelo nacionalismo russo para tentar legitimar as suas pretensões territoriais atuais. 
Muito antes de o Império Russo ou da Imperatriz Catarina, a Grande, terem conquistado estas terras no final do século XVIII, o território do sul e do leste da Ucrânia não era um vazio demográfico; a área era conhecida como os "Campos Selvagens" e estava sob o controlo e a profunda influência dos Cossacos Ucranianos, que ali estabeleceram povoações agrícolas, feitorias e rotas comerciais. O próprio termo Novorossiya ("Nova Rússia") foi apenas uma designação administrativa e colonial criada pelo Império Russo em 1764, funcionando exatamente da mesma forma que o Império Britânico criou a "Nova Inglaterra" na América do Norte. Além disso, os censos do próprio Império Russo (como o de 1897) comprovam que a esmagadora maioria dos camponeses que colonizaram e cultivaram o interior dessa região eram ucranianos, fixando-se os russos sobretudo como funcionários públicos e operários nas grandes cidades nascentes.
A propaganda russa costuma alegar que as grandes cidades da região foram fundadas do zero por russos, mas a verdade é que muitas foram erguidas sobre antigos colonatos ucranianos, tártaros ou fortalezas otomanas já existentes, como é o caso de Odessa, construída no local do antigo porto tártaro de Hadjibey. Com o colapso do Império Russo em 1917, o nome Novorossiya desapareceu dos mapas oficiais e os próprios habitantes escolheram o seu destino ao integrarem o Donbas, Kharkiv, Odessa e Mykolaiv na recém-declarada República Popular da Ucrânia, precisamente porque a maioria da população partilhava essa identidade. Mais tarde, quando os bolcheviques desenharam as fronteiras da União Soviética, incluíram estas regiões na Ucrânia Soviética pelo mesmo motivo demográfico. O teste definitivo de pertença ocorreu em dezembro de 1991, aquando do referendo para a independência da Ucrânia: mesmo nas zonas com maior presença da língua russa, a população votou massivamente a favor de fazer parte da Ucrânia independente, com aprovações que atingiram os 83,9% em Donetsk, 83,8% em Luhansk, 86,3% em Kharkiv e 85,3% em Odessa. Ignorar esta autodeterminação com base num rótulo colonial do século XVIII seria o equivalente a dizer que o Brasil pertence hoje a Portugal ou que os Estados Unidos são território britânico.

Por isso, sim. Portugal proibiu a equipa russa de trampolim de usar bandeira e hino na Taça do Mundo de Ginástica. É apenas um gesto simbólico, mas neste caso e pelo que atrás já referi, Portugal agiu bem.

P.S. A "grande" China, por exemplo, bane qualquer cantor/artista que exiba a bandeira de Taiwan, do Tibete, Hong Kong ou do povo Uigur. 
𝐎 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨 𝐝𝐚 𝐑𝐞𝐩𝐮́𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚 𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐚 𝐂𝐡𝐢𝐧𝐚 𝐚𝐝𝐨𝐭𝐚 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝐭𝐨𝐥𝐞𝐫𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐳𝐞𝐫𝐨 𝐞𝐦 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐧𝐢𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐩𝐫𝐞𝐭𝐚𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦 𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐢𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐚𝐥, 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢 𝐬𝐢́𝐦𝐛𝐨𝐥𝐨𝐬 𝐥𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐚 𝐓𝐚𝐢𝐰𝐚𝐧, 𝐚𝐨 𝐓𝐢𝐛𝐞𝐭𝐞, 𝐇𝐨𝐧𝐠 𝐊𝐨𝐧𝐠 𝐞 𝐚̀ 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐗𝐢𝐧𝐣𝐢𝐚𝐧𝐠, 𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐯𝐨 𝐔𝐢𝐠𝐮𝐫. 
Na massiva e altamente regulada indústria do entretenimento chinesa, a exibição de bandeiras ou o apoio a estas causas resulta num banimento praticamente imediato e severo. Este processo de cancelamento cultural e económico envolve a rescisão instantânea de contratos publicitários, o cancelamento de digressões e a remoção completa do catálogo musical e audiovisual do artista das principais plataformas de streaming do país, como o Weibo e o NetEase. Em casos de produções televisivas ou cinematográficas já gravadas, o governo exige frequentemente que as cenas do artista sejam cortadas ou que o seu rosto seja desfocado digitalmente.
Ao longo dos anos, diversos nomes da cultura pop internacional e regional sofreram estas sanções. A cantora Lady Gaga e a banda Maroon 5, por exemplo, viram as suas músicas banidas e concertos cancelados após demonstrarem apoio ou se encontrarem com o Dalai Lama, líder espiritual tibetano. No cenário do K-pop, a cantora taiwanesa Chou Tzu-yu, integrante do grupo Twice, causou uma enorme polémica na China continental em 2015 após segurar a bandeira de Taiwan num programa de televisão sul-coreano, o que a pressionou a gravar um pedido de desculpas público afirmando que "só existe uma China". Para as autoridades de Pequim, o acesso ao gigantesco mercado de consumo chinês é tratado como um privilégio condicionado ao respeito absoluto pelas diretrizes políticas e pela integridade territorial defendida pelo Partido Comunista Chinês.
A situação aplica-se igualmente a Hong Kong, que se tornou outra das grandes linhas vermelhas para o governo chinês, especialmente após os protestos pró-democracia de 2014 e 2019. Qualquer artista, seja local ou internacional, que expresse a mínima simpatia ou apoio aos manifestantes enfrenta exatamente o mesmo mecanismo de retaliação e censura. Figuras de destaque do entretenimento da própria cidade, como a cantora de Cantopop Denise Ho e o conceituado ator Anthony Wong, viram as suas carreiras na China continental completamente destruídas por demonstrarem apoio ao movimento democrático, resultando na remoção das suas obras de todas as plataformas digitais, contratos rescindidos e um boicote total por parte da indústria, acabando mesmo por sofrer perseguição judicial no próprio território de Hong Kong ao abrigo da nova Lei de Segurança Nacional. No panorama internacional, partilhar uma simples mensagem de solidariedade para com Hong Kong nas redes sociais é o suficiente para desencadear o cancelamento de digressões e a fúria dos consumidores nacionalistas. Tudo isto reforça a mensagem inabalável de Pequim: para operar ou lucrar no mercado chinês, o alinhamento com a narrativa oficial sobre a soberania e a estabilidade de todos os seus territórios, incluindo as suas Regiões Administrativas Especiais, tem de ser absoluto

quinta-feira, 28 de maio de 2026

"Ilegal por Conceção" e Tóxica para o Planeta: A Amnistia Internacional Desmascara a IA

Global: Enormes pipelines de dados que alimentam os principais sistemas de IA generativa estão enraizados em invasões em massa da privacidade por conceção

As empresas estão a extrair vastas quantidades de dados online através de web scraping (extração de dados da web) ilegal para construir os seus produtos de inteligência artificial (IA) generativa, de uma forma que está a permitir uma invasão massiva da privacidade, tornando estes sistemas ilegais por conceção, afirmou hoje a Amnistia Internacional num novo relatório.

O relatório Unlawful by Design: Exposing the Human Rights Costs of Generative AI ("Ilegal por Conceção: Expondo os Custos dos Sistemas de IA Generativa para os Direitos Humanos") documenta riscos graves na extração e processamento de dados em grande escala utilizados para construir e treinar estes sistemas, incluindo violações do direito à privacidade por conceção e consequências adversas para o ambiente e para comunidades historicamente marginalizadas.

"Empresas em todo o mundo estão a fornecer produtos de IA generativa sob uma capa de eficiência e sofisticação, mas, na realidade, estes sistemas perpetuam invasões em massa da privacidade através de web scraping ilegal: um processo automatizado para extrair dados de websites, incluindo dados pessoais, como imagens e atividade em redes sociais, para treinar modelos de IA", afirmou Likhita Banerji, Diretora do Laboratório de Responsabilidade Algorítmica da Amnistia Internacional.

"O pipeline de dados extrativo, as escolhas inerentes de conceção feitas pelas empresas tecnológicas e as cadeias de abastecimento exploratórias para construir sistemas de IA generativa permitiram um paradigma de desenvolvimento tecnológico que abre caminho ao risco de abusos em massa dos direitos humanos."

A Amnistia Internacional investigou os modelos que alimentam algumas das ferramentas independentes de IA generativa mais populares e publicamente disponíveis, incluindo o GPT-3 da OpenAI, o Gemini da Google, o Llama da Meta, o DeepSeek e ferramentas da Midjourney.

Estes sistemas dependem da extração de informações de milhares de milhões de publicações e imagens públicas online, frequentemente sem o consentimento explícito dos indivíduos que nelas aparecem ou que as criaram. Isto não só infringe a privacidade por conceção, mas, à medida que as bases de dados que alimentam os modelos de IA aumentam, a presença de conteúdos de ódio e discriminatórios nos seus resultados também é amplificada, juntamente com estereótipos negativos e preconceitos, especialmente de cariz racial e de género.

"Estas escolhas não são inevitáveis. Devemos contestar as opções de conceção adotadas pelas empresas que constroem sistemas de IA generativa baseando-se em dados de treino, incluindo dados pessoais, que são extraídos sem consentimento e a uma escala monumental", disse Likhita Banerji.

Os preconceitos raciais, de género e culturais são características persistentes nos sistemas de IA generativa, um produto dos dados de treino que são maioritariamente retirados da web e, portanto, poluídos com os preconceitos do mundo real que prejudicam as comunidades historicamente marginalizadas. Adicionalmente, os sistemas de IA generativa representam riscos para o direito à liberdade de pensamento, uma vez que são capazes de influenciar os pensamentos dos utilizadores e moldar as suas crenças pessoais através de sugestões preditivas. Isto aplica-se especialmente a modelos maiores que dependem de dados de treino expansivos.

Elevados custos ambientais
À medida que a escala e a velocidade de desenvolvimento aumentaram nas empresas de IA generativa, aumentaram também os requisitos de infraestruturas e os custos ambientais associados.

As maiores necessidades de processamento dos modelos de maior dimensão exigem chips com maior consumo energético, centros de dados maiores e, consequentemente, mais energia e água para a sua operacionalização. A produção de IA generativa resulta frequentemente num impacto negativo nas comunidades historicamente marginalizadas, uma vez que as terras e os recursos pertencentes a estas comunidades são explorados para construir centros de dados e satisfazer os requisitos de processamento.

O próprio relatório de sustentabilidade da Google de 2024 observou um aumento impressionante de 48% nas emissões de gases com efeito de estufa da empresa desde 2019, atribuível às emissões dos centros de dados e da cadeia de abastecimento. Da mesma forma, as emissões da Microsoft aumentaram 29% entre 2020 e 2024, atribuíveis aos centros de dados que realizam processos de suporte à IA.

A produção de IA generativa resulta frequentemente num impacto negativo para as comunidades historicamente marginalizadas, visto que as terras e os recursos que pertencem a estas comunidades são explorados para construir centros de dados (data centres) e cumprir os requisitos de processamento.

O uso intensivo de recursos na produção de IA generativa levou a que comunidades desde Cerrillos, no Chile, e Querétaro, no México, até ao Arizona, nos Estados Unidos da América, resistissem à instalação de centros de dados em áreas que já são fortemente afetadas por secas e escassez de eletricidade.

Como parte do seu processo de investigação, a Amnistia Internacional contactou por escrito a Google, OpenAI, Meta, Stability AI, Midjourney e DeepSeek, dando-lhes a oportunidade de responder às conclusões do relatório, que afirma que os seus modelos dependem de web scraping ilegal, entre muitas outras preocupações relacionadas com direitos humanos.

A Amnistia Internacional apela aos Estados para que proíbam os sistemas independentes de IA generativa que foram construídos com recurso a web scraping ilegal, definido como a recolha massiva e em larga escala de dados de treino através da web. As empresas devem cessar imediatamente a prática de extração ilegal e não consensual de dados pessoais na web para fins de treino de IA, e os Estados devem responsabilizar as empresas pelo seu envolvimento em quaisquer abusos de direitos humanos ligados às suas escolhas comerciais e de conceção.

Contexto
O relatório fornece uma análise de direitos humanos sobre o 'pipeline de dados' que alimenta os produtos de IA generativa, incluindo as fases de captura, análise e processamento de dados que são críticas para o funcionamento geral destes sistemas. Especificamente, isto envolve focar a atenção nos parâmetros e nas implicações das escolhas de conceção feitas em relação aos dados de treino dos modelos de IA generativa, com especial incidência nos métodos e fontes de recolha de dados, processamento de dados, escala dos modelos e resultados de dados (outputs).

A Amnistia Internacional define ferramentas independentes de IA generativa como produtos que são desenvolvidos, implementados e comercializados única e especificamente pelas suas capacidades de IA generativa, tais como chatbots de IA, geradores de imagem/vídeo/áudio/texto, entre outros.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O problema com Stephen Miller é que ele não sente vergonha. O arquiteto da política de imigração de Trump cometeu um erro em Minneapolis



Depois da morte do enfermeiro norte-americano Alex Pretti às mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA, as atenções começam a virar-se para Stephen Miller, o principal conselheiro de Donald Trump, responsável por redesenhar a política de imigração do país.

Nas redes sociais, Miller não demorou a classificar a vítima como um “aspirante a assassino”, que tentou matar agentes federais”, apenas algumas horas depois do confronto fatal entre as forças do ICE e o homem de 37 anos. Mas nem Donald Trump parece concordar com a afirmação, tendo assegurado esta terça-feira que “não” acredita que Pretti fosse um assassino.

No mesmo dia, em declarações à CNN, Stephen Miller admitiu que os agentes “podem não ter seguido” o protocolo adequado antes do tiroteio que tirou a vida a Pretti - uma posição insólita vinda de alguém conhecido por reforçar as suas convicções, de acordo com o The Guardian.

Antes de ser contrariado pelo próprio presidente, já se levantavam dúvidas sobre a ausência do conselheiro na reunião de duas horas que Donald Trump realizou com a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, esta segunda-feira, de onde saiu um novo anúncio: foi destacado para Minneapolis o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, para “recalibrar as táticas” e melhorar a cooperação com as autoridades estatais e locais.

Além de Homan ser conhecido por criticar a abordagem de Stephen Miller, Donald Trump manteve ainda telefonemas cordiais com o governador do Minnesota, Tim Walz, e com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey.

“O problema com Stephen Miller é que o mal é resiliente. Ele não sente vergonha, não acha que isto seja algo mau. Está convencido de que outras pessoas o envergonharam, mas não acredita que ele esteja a conduzir um ataque às liberdades constitucionais dos americanos”, afirmou Rick Wilson, co-fundador do Lincoln Project (um grupo anti-Trump), citado pelo mesmo jornal.

Em maio do ano passado, o conselheiro de Trump encomendou ao serviço de imigração três mil detenções diárias, um aumento de quase dez vezes relativamente ao ano anterior. Segundo, Larry Jacobs, diretor do Centro para o Estudo da Política e Governação da Universidade do Minnesota, o abuso de poder de Miller foi um dos principais fatores a desacreditar a política de deportação de Donald Trump.

“O facto de ele ter sido afastado da reunião na Casa Branca é uma mensagem forte para Washington de que o presidente não aprova este processo e de que tem de haver uma mudança”, reforça o responsável, afastando, ainda assim, a possibilidade de Miller vir a ser despedido. “Não espero que Stephen Miller seja despedido, porque Donald Trump apoia a política, só não apoia a forma como foi executada”, sublinhou Larry Jacobs.

Apesar de os democratas terem avançado com uma iniciativa para destituir Kristi Noem, os especialistas não têm dúvidas de que o verdadeiro culpado da tragédia de Minneapolis é Miller, que ocupa ainda o cargo de vice-chefe de gabinete da Casa Branca.

Larry Jacobs destaca Stephen Miller como o verdadeiro “arquiteto” que “tem pressionado o ICE para endurecer e apresentar mais números, trazer pessoas e só depois ver se são as pessoas certas”.

“A imprudência, a brutalidade, a falta de processo legal. Tudo isso tem raízes em Stephen Miller”, frisou o especialista.

Depois do erro de Minneapolis, o principal conselheiro de Donald Trump “terá um papel público muito menor no futuro previsível”, afirmou Henry Olsen, investigador no Ethics and Public Policy Center, em Washington.

“É claro que Trump pessoalmente não gosta, do ponto de vista das relações-públicas, do que tem estado a acontecer, e é sensível a isso, sempre foi. Ele sabe, tanto pelo seu instinto como pelo que os dados lhe dizem, que Miller e Noem não se favoreceram com a forma como abordaram imediatamente a morte” de Pretti.

Mesmo assim, corrobora a opinião dos investigadores que não acreditam numa demissão de Miller: “Ele está com Trump há bastante tempo e o presidente não tem problemas em livrar-se de subordinados que não rendem, mas suspeita-se que Miller, em muitos aspetos, está a render e, por isso, Trump não o vai atirar borda fora precipitadamente.”

“Stephen Miller é demasiado dominante no esquema mental de Trump sobre o que a base MAGA quer, para ser verdadeiramente afastado do seu círculo. Não acho que exista um mundo em que Miller não mantenha a sua autoridade e o seu poder junto de Trump”, corrobora Rick Wilson.

Henry Olsen sublinha que é do interesse de Donald Trump manter Miller por perto, já que o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, rende onde interessa ao presidente: na televisão. É um defensor combativo de Trump, que caracteriza os democratas como uma “organização extremista doméstica” e a América como líder de um mundo “governado pela força, governado pela violência, governado pelo poder”.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Seriously, what is a human being?


Friends,
It seems appropriate right now to try to clarify one of the most basic questions America is (or should be) struggling with: What does it mean to be a human being?
The confusion is mounting.

Three illustrations:

1. Corporations
Corporations are not human beings. That should be self-evident.

But in 2010, the Supreme Court ruled (in its Citizens United case) that corporations are the equivalent of “people” under the First Amendment to the Constitution, with rights to free speech.

This ruling has made it nearly impossible for the government to restrict the flow of money from giant corporations into politics. As a result, the political voices — and First Amendment rights — of most real human beings in America are being effectively drowned out.

But in coming years, states will have an opportunity to circumvent Citizens United by redefining what a “corporation” is in the first place. Absent state charters that empower them to become “corporations,” business organizations are nothing more than collections of contracts — between investors and managers, managers and employees, and consumers and sellers.

In the 1819 Supreme Court case Trustees of Dartmouth College v. Woodward, Chief Justice John Marshall established that:
“A corporation is an artificial being, invisible, intangible [that] possesses only those properties which the charter of its creation confers upon it …. The objects for which a corporation is created are universally such as the government wishes to promote.”

Montana is now readying a proposition for its 2026 ballot that would empower organizations that sought to be corporations there to do many things — except to fund elections. (I’ve written more on this, here.)

2. Artificial Intelligence
AI is not human, although it’s becoming increasingly difficult for many real people to tell the difference between “artificial general intelligence” and a real person.

As a result, some real people have lost touch with reality — becoming emotionally attached to AI chat boxes, or fooled into believing that AI “deepfake” videos are real, or attributing higher credibility to AI than is justified — sometimes with tragic results.

In his typically ass-backward pro-billionaire way, Trump has issued an executive order aimed at stopping states from regulating AI. But some governors — most interestingly, Florida’s Ron DeSantis — have decided to establish guardrails nonetheless.

DeSantis is calling on Florida’s lawmakers to require tech companies to notify consumers when they are interacting with AI, not to use AI for therapy or mental health counseling, and to give parents more controls over how their children use AI. DeSantis also wants to restrict the growth of AI data centers by eliminating state subsidies to tech companies for such centers and preventing such facilities from drying up local water resources.

In a recent speech, DeSantis said:
“We as individual human beings are the ones that were endowed by God with certain inalienable rights. That’s what our country was founded upon — they did not endow machines or these computers for this.”

I never thought I’d be agreeing with Ron DeSantis, but on this one he’s right.

Corporations are legal fictions. Human AI is a technological fiction. Neither has human rights. Both should be regulated for the benefit of human beings.

3. Non-Americans and suspected enemies
The third illustration of our current confusion over what is a human being is endemic in Trump’s policies toward immigrants and many inhabitants of other nations, now especially in and around Venezuela.

Yesterday, a federal agent shot and killed a 37-year-old woman during an immigration raid in Minneapolis. Despite what Trump and Kristi Noem say, a video at the scene makes clear that the shooting was not in self-defense. Minnesota Gov. Tim Walz said: “We have been warning for weeks that the Trump administration’s dangerous, sensationalized operations are a threat to our public safety,” adding that it cost a person her life.

ICE agents are arresting and detaining people on mere suspicion that they are not in the United States legally — sometimes deporting them to foreign nations where they’re brutalized — without any independent findings of fact (a minimum of “due process”).

Meanwhile, Trump and Stephen Miller, his assistant for bigotry and nativism, are busy dehumanizing immigrants. For example, Trump describes Somalian-Americans as “garbage.”

Last weekend, the U.S. killed an estimated 75 people in its attack on Venezuela, as it abducted Venezuelan president Nicolás Maduro and his wife. The U.S. has been bombing and killing sailors on small vessels in the Caribbean and off the coast of Venezuela on the suspicion they’re smuggling drugs into the United States — on the vague pretext that they’re “enemy combatants,” although Congress has not declared war.

Trump’s justification for all such killings has shifted from preventing drug smuggling to “regaining control” over oil reserves that Venezuela nationalized 50 years ago.

In all these cases, the Trump regime is violating fundamental universal human rights considered essential to human dignity.

Corporations and AI are not human beings, but people who come to the United States seeking asylum indubitably are human. So too are undocumented people who arrived in the United States when they were small children and have been here ever since. As are our neighbors and friends who, although undocumented, are valued members of our communities.

As are the Venezuelans who have been murdered by the Trump regime. So, what does it mean to be a human being?

It means the right to be protected from the big-money depredations of giant corporations, and from the emotional lure of AI disguised as a human.

And it means to be treated respectfully — as a member of the human race possessing inherent, inalienable rights.

These are moral imperatives. But America is doing exactly the reverse.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Trump não queria que Machado se tornasse presidente porque ela aceitou o Prémio Nobel da Paz — o "pecado supremo"


Segundo fontes próximas da Casa Branca, o presidente Trump estaria insatisfeito com a vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, porque esta não lhe entregou o prémio.
A informação foi inicialmente divulgada pelo Washington Post, que falou com duas fontes que afirmaram que Trump perdeu o interesse em apoiar a líder da oposição venezuelana, que governou o país, porque esta aceitou o Prémio Nobel da Paz, o que, aos olhos do presidente, foi o "pecado supremo".
Embora Machado tenha lançado recentemente uma ofensiva para conquistar a simpatia de Trump, o presidente parece tê-la rejeitado, principalmente num discurso televisivo no fim de semana.
Durante a conferência de imprensa, Trump disse: "Acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Não tem o apoio interno nem o respeito do país"

Trump novamente a mostrar o que é: um corrupto, homem de negócios polémico e várias vezes falido, um ditador e um cérebro de miúdo com birras. E o mundo treme todo...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Selah Sue - Reason


Selah Sue fala abertamente sobre: 
  1. saúde mental, especialmente ansiedade e depressão 
  2. autenticidade e autoaceitação 
  3. direitos humanos e igualdade, incluindo justiça social 
Ela tem sido bastante transparente sobre a própria experiência com problemas de saúde mental, ajudando a reduzir o estigma em torno do tema.

Reason é o segundo álbum de estúdio da artista belga Selah Sue. Distribuído pela Warner Music Group, foi editado pela Because Music a 26 de março de 2015.


Reason look at her
(Reason look at her)
And tell her what to do
(What to do)
So she can come back to life
(So she can come back to life)
And won't feel sad no more
(And won't feel sad no more)

She feels lost in her.. darkness
She feels bad in her.. darkness
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

Reason come back to her
Please tell her where to go
So she can find find a place
So she can find a place
Where she won't feel bad no more
She feels lost in her darkness
She feels bad in her darkness

Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
In the end she should know
That she is drowning in sorrow, oh
Alone
So let's change her faith
And make all

She feels lost
(In her darkness)
She feels bad
(In her darkness)

Give her the reason
just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

sábado, 27 de dezembro de 2025

Figura nacional do ano 2025 - Os imigrantes


Raquel Moleiro, Expresso, 26/12/2025
Como é tradição no Expresso, a redação escolheu as figuras nacionais e internacionais do ano. 
O imigrante nunca deixou de marcar a atualidade. Escolhido como urgência política, serviu de moeda de troca ao Governo para ganhar o apoio do Chega e atrair o seu eleitorado. São 1,5 milhões, a viver entre o discurso anti-imigração e o suporte da economia e da natalidade. 
O ano quase no fim e em dois dias o mar matou mais pescadores do que em todo o 2025. Primeiro naufragou o “Vila de Caminha”, a 14 de dezembro. O barco de pesca costeira avariou quando regressava da faina e um golpe de mar virou-o entre a barra de Caminha e a ilha de Ínsua. Levava cinco homens, três morreram. Dois dias depois, foi o “Carlos Cunha”, 21 metros dedicados à pesca do espadarte, a ir ao fundo a 370 quilómetros ao largo de Aveiro. Dos sete pescadores, apenas dois sobreviveram. Entre as duas embarcações só havia um português. Os oito que morreram eram todos imigrantes. Dos 14 pescadores que faleceram este ano, dez eram estrangeiros, da Indonésia. Mais do que números de uma tragédia repetida, estas são cifras que revelam a dependência do sector pesqueiro da mão de obra imigrante. 

São 75% de todos os tripulantes. Fazem parte de uma espinha dorsal estrangeira, mais ou menos invisível, que suporta em cada vez maior percentagem vários sectores da economia nacional: agricultura, construção, turismo, hotelaria, restauração, limpezas, apoio social.

Em 2025 reforçou-se.Dos 1.543.697 imigrantes residentes em Portugal — números da AIMA, ainda em revisão pelo INE —, 71% estão inscritos na Segurança Social, e representam 24% da população ativa do país. Em 2025, até 17 de outubro, tinham contribuído com €3,1 mil milhões, cinco vezes mais do que o valor recebido em subsídios e prestações sociais.

Diz a OCDE que é graças ao imigrante que a força de trabalho em Portugal continua a crescer. Diz o INE que um terço dos bebés que nascem no país tem mãe estrangeira, número que mais do que duplicou na última década, alimentando o aumento da natalidade há dois anos consecutivos. E que é também a imigração que tem garantido o crescimento da população ao manter o saldo migratório positivo. Mas este é um retrato pouco propagado da população estrangeira em Portugal. É positivo e só a custo entra no discurso político ou norteia as decisões do Governo e, em consequência, molda as perceções populares. 

Em 2025, a imigração foi o assunto que tudo dominou, mas encarada como um problema a resolver. O imigrante viu na restrição aos seus direitos de entrada, permanência, legalização, reagrupamento e obtenção de nacionalidade uma prioridade política do executivo de Luís Montenegro. Conseguiu, aliás, o feito notável de ultrapassar em importância a crise da habitação, que mantém os jovens em casa dos pais para todo o sempre, amassa famílias em quartos e repõe barracas. 

Ou o caos do SNS, que só conseguiu romper a hegemonia dos holofotes migrantes quando o número de bebés a nascer em ambulâncias começou a atingir proporções alarmantes. A Educação lá teve o seu curto período de estrelato com a falta crónica de professores — no final do 1º período, havia 13.446 horários por preencher. Mas a cada nova lei criada, votada, vetada, mudada, aprovada, o estrangeiro voltou sempre à ribalta.

Durante este ano, o Governo — pela mão do ministro Leitão Amaro — quis alterar todos os diplomas da imigração, numa transposição legal do fim da ‘política de portas escancaradas’. No Parlamento, o imigrante serviu de moeda de troca ao voto favorável do Chega, com leis a incluir artigos de uma Direita mais inclinada, só travados pelo Tribunal Constitucional (TC).Além de permitir a criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), a nova Lei de Estrangeiros, em vigor desde outubro, veio dificultar o processo de reagrupamento familiar, obrigando um imigrante a esperar dois anos após receber a autorização de residência para iniciar o pedido.

O TC, que chumbou a primeira versão do diploma, forçou a inclusão de um prazo menor para cônjuges e filhos menores. Esta nova lei acabou também com o visto de procura de trabalho, mantendo-se como exceção o uso por profissionais altamente qualificados, e extinguiu o privilégio de legalização com isenção de visto para cidadãos CPLP.

A entrada de trabalhadores estrangeiros passa a fazer-se quase exclusivamente através de visto laboral, dependente da celeridade (demorada) dos consulados ou da ‘via verde’ criada pelo Governo para a contratação de mão de obra por grandes empresas. As confederações esperavam receber por aí 100 mil trabalhadores por ano, mas desde abril só passaram 1305. Por agora, a “porta escancarada” tem aberta uma nesga.
A Lei da Nacionalidade foi o segundo diploma temático aprovado. Igualmente polémica, seguiu o caminho da primeira e foi chumbada a semana passada pelos juízes do Palácio Ratton, vetada por Marcelo Rebelo de Sousa e devolvida ao Parlamento. Em traços gerais, aumenta de cinco para dez anos — sete para países lusófonos — o tempo de residência legal no país para um imigrante iniciar um pedido, o que coloca Portugal entre os mais restritivos da UE. A inclusão de uma pena acessória de perda de nacionalidade não passou no TC. Já em dezembro, o Conselho de Ministros aprovou as linhas gerais do último diploma da tríade migratória, a Lei do Retorno, que regula o afastamento dos ‘ilegais’ de Portugal e mexe igualmente na Lei do Asilo. Encontra-se em consulta pública. Entre as medidas está o aumento do tempo de detenção no Centro de Instalação Temporária dos atuais 60 dias para um ano e meio, e o fim das Notificações para Abandono Voluntário, que acelera a expulsão lá fora, o medo 

Fora da bolha política do Parlamento, no mundo real do imigrante, a vida piorou. O diagnóstico é comum às várias comunidades: entre os 485 mil brasileiros que são 31% dos estrangeiros; os indianos que não chegam aos 100 mil, quase os mesmos que os angolanos; os 79 mil ucranianos; ou entre os cabo-verdianos que se ficam pelos 66 mil. É esse o top cinco das principais nacionalidades em Portugal.Se se ligasse apenas às perceções e cartazes políticos, o Bangladesh estaria em primeiro lugar com os seus 55 mil nacionais, só mais 7 mil que os britânicos. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Tribunal suíço vai julgar caso histórico contra gigante do cimento Holcim



A Swiss court is set to hear a climate case against cement giant Holcim after admitting a complaint filed by four residents of the low-lying Indonesian island of Pari.

The residents say rising sea levels are swallowing their home and accuse Holcim of failing to cut carbon emissions.

The Cantonal Court of Zug admitted the complaint in full, marking the first time climate litigation against a corporation will proceed in Switzerland, according to Swiss Church Aid (HEKS/EPER), one of the NGOs assisting the islanders.

The case is part of a global effort to hold major companies accountable for climate damage that threatens millions, especially in poorer countries.

Climate change could submerge Pari by 2050
The case was brought in 2023 by four residents of Pari Island, Ibu Asmania, Pak Arif, Pak Edi, and Pak Bobby, to the court in Zug, where Holcim is headquartered. Rising waters linked to climate change could submerge most of the island by 2050. Pari sits just 1.5 meters (5 feet) above sea level.

The plaintiffs, supported by international NGOs including Swiss Church Aid (HEKS/EPER), the European Center for Constitutional and Human Rights, and The Indonesian Forum for Living Environment (WALHI), say Holcim is one of the world's largest emitters of greenhouse gases. They are demanding rapid cuts in CO2 emissions — 43% by 2030 and 69% by 2040 — as well as compensation for damage and funding for flood protection.

Ibu Asmania said he and the other plaintiffs were "very pleased" by the court's decision.

"This decision gives us the strength to continue our fight," he said. "This is good news for us and our families."

Cement giant plans to appeal
Holcim, which has not operated cement plants in Indonesia since 2019, plans to appeal the court's decision to allow the case to move ahead. The company has repeatedly stressed it is committed to reaching net zero by 2050 but argues lawmakers should decide how those goals are met.

"Holcim remains convinced that the courtroom is not the appropriate forum to address the global challenge of climate change," the company said.

Cement production accounts for about 9% of global carbon dioxide (CO2) emissions, according to the Global Cement and Concrete Association.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Nobel da Paz 2022 entre 123 prisioneiros libertados na Bielorrússia



Os ativistas bielorrussos Ales Bialiatski, Nobel da Paz 2022, e Maria Kolesnikova foram libertados da prisão, anunciaram organizações de direitos humanos, após o Presidente ter autorizado a libertação de 123 prisioneiros, em troca do levantamento de sanções norte-americanas.

A libertação dos detidos foi avançada pela agência estatal Belta, uma informação já confirmada pela oposição e por grupos de defesa dos direitos humanos, como a organização não-governamental (ONG) Viasna.

Pouco antes de ser conhecida a decisão de Lukashenko, os Estados Unidos anunciaram que vão levantar algumas sanções comerciais contra a Bielorrússia, nomeadamente ao sector do potássio, no mais recente sinal de alívio das relações entre Washington e a isolada autocracia.

Lukashenko perdoou "123 cidadãos de diferentes países" após estas discussões com os Estados Unidos, anunciou a conta Poul Pervogo, afiliada à presidência bielorrussa, na plataforma Telegram, sem fornecer os nomes dos libertados.

O enviado especial dos EUA para a Bielorrússia, John Coale reuniu-se na sexta-feira e hoje com o líder autoritário do país, Alexander Lukashenko, para conversações na capital bielorrussa, Minsk.

Aliada próxima da Rússia, a Bielorrússia enfrenta há anos isolamento e sanções ocidentais.
Lukashenko governa a nação de 9,5 milhões de habitantes com mão de ferro há mais de três décadas, e o país tem sido repetidamente sancionado por países ocidentais, tanto pela sua repressão aos direitos humanos como por permitir que Moscovo utilizasse o seu território na invasão da Ucrânia em 2022.

A Bielorrússia, que procura melhorar as relações com Washington, libertou centenas de prisioneiros desde julho de 2024.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Dia Internacional dos Direitos Humanos e Dia Internacional dos Direitos dos Animais


O astronauta da NASA Ron Garan, que passou 178 dias no espaço, afirma que a humanidade está “vivendo uma mentira” após ver, com os próprios olhos, a fragilidade da Terra e vivenciar o profundo Efeito Perspectiva (Overview Effect).

Ao observar o planeta da órbita, Garan percebeu como nossas prioridades estão invertidas: colocamos a economia em primeiro lugar e o planeta por último, mesmo sabendo que a fina atmosfera da Terra é a única barreira que protege toda a vida. Para ele, a verdadeira ordem de importância deveria ser: Planeta → Sociedade → Economia, já que sem uma Terra saudável, nem as pessoas nem os sistemas conseguem sobreviver.

Ele descreve a “mentira” como a ilusão da separação — a falsa crença de que somos divididos por nações, políticas ou identidades. Na realidade, segundo Garan, somos uma única família humana compartilhando um lar frágil. Sua mensagem é um apelo urgente por união, consciência e sustentabilidade, antes que seja tarde demais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A ética foi vendida. Cristiano Ronaldo é o rosto. O verdadeiro jogo dos milhões que envolveu EUA, Arábia Saudita e até Musk fez-se nos bastidores.


A Arábia Saudita deu esta semana um passo decisivo para se afirmar como um dos polos mundiais da Inteligência Artificial. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman fechou em Washington, DC um acordo que junta a xAI, empresa de Elon Musk, à recém-criada Humain - o braço estatal saudita dedicado à IA - para construir no país um novo megacentro de dados com capacidade até 500 megawatts. De acordo com o ministro do Investimento do país, Khalid Al-Falih, o valor do acordo é de 557 mil milhões de dólares.

A parceria foi anunciada num pacote mais vasto de entendimentos militares e tecnológicos entre Riade e Washington, DC, num momento em que os EUA flexibilizam o acesso saudita a semicondutores avançados - chips essenciais para treinar modelos de IA e que se tornaram instrumentos de diplomacia tecnológica.

Elon Musk tem procurado novos aliados para acelerar o crescimento da xAI e aproximar-se do ritmo de gigantes como a OpenAI, Anthropic e Google. Já a Arábia Saudita está a canalizar parte do seu fundo soberano de riqueza, avaliado em cerca de um bilião de dólares, para diversificar a economia além do petróleo e transformar o reino num fornecedor global de capacidades de computação.

Esta convergência de interesses resultou no acordo com a Humain, empresa lançada em maio pelo príncipe herdeiro e que ambiciona fornecer 6% da capacidade global de computação para IA nos próximos anos. A estratégia saudita passa por aproveitar a vasta disponibilidade energética, extensas áreas de terreno e ligações a cabos de fibra ótica internacionais para oferecer capacidade de processamento a preços competitivos. 

A parceria com Musk, que inclui também a expansão do uso dos modelos da Grok, o chatbot da xAI, reforça a tendência: cada grande empresa norte-americana de IA está a aproximar-se de um aliado estratégico na Península Arábica: a OpenAI fechou este ano um acordo com a MGX e a G42, dos Emirados Árabes Unidos, para a construção de um centro de dados perto de Abu Dhabi e a Anthropic recebeu investimento do fundo soberano do Catar. Já a Nvidia, a Amazon, a Microsoft e a Qualcomm têm vindo igualmente a reforçar presença na Arábia Saudita.

O acordo com a xAI esteve meses em negociação, travado pelas dúvidas em Washington, DC sobre o destino final dos chips que Riade pretende adquirir. Em maio, a administração Trump anunciou o envio de milhares de unidades da Nvidia para o país, mas o processo ficou pendente devido às preocupações sobre as ligações sauditas à China. 

Com o desbloqueio do dossiê, o projeto avançou e Musk celebrou publicamente a parceria: "O futuro da inteligência será construído com computação massiva e eficiente, combinada com modelos de IA avançados. As capacidades de Humain permitem-nos acelerar esse futuro na Arábia Saudita". 

Tareq Amin, diretor-executivo da Humain, disse tratar-se de uma operação que cria "uma escala que poucos podem igualar".

Arábia Saudita quer garantir soberania na computação 
Na mesma semana, outro desenvolvimento reforçou as ambições digitais do reino. O fundo público de investimento saudita (PIF), a Saudi Information Technology (SITE) e a Microsoft assinaram um memorando de entendimento para explorar a implementação de serviços de "cloud soberana" no país - infraestruturas que permitem alojar dados sensíveis sob controlo nacional, cumprindo requisitos estritos de segurança e residência de dados. 

A Microsoft, que já proporciona soluções semelhantes a governos e setores altamente regulados noutros países, irá trabalhar com o PIF e a SITE para avaliar de que forma o modelo pode ser aplicado à realidade saudita. O objetivo passa por reforçar a infraestrutura digital e apoiar o crescimento do setor das tecnologias de informação no reino. 

O memorando, ainda não vinculativo, prevê igualmente cooperação em investigação, desenvolvimento, inovação e transferência de conhecimento.

As críticas recorrentes ao histórico saudita em matéria de direitos humanos não parece ser um fator dissuasor para as empresas tecnológicas. Na véspera do anúncio, líderes de algumas das maiores empresas dos EUA participaram num jantar em Washington, DC em honra de Mohammed bin Salman, onde Elon Musk também marcou presença - assim como Cristiano Ronaldo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

O encontro desejado de Cristiano Ronaldo com Trump e as Arábias


Jamal Khashoggi era colunista do Washington Post quando foi assassinado dentro do consulado saudita em Istambul, a mando do governo saudita. O mundo inteiro condenou o crime em 2018, com exceção de Trump. Não se tratava de um mero "things happen". Tratou-se de um assassinato cruel sancionado pelo Estado, motivado pelo exercício da liberdade de expressão. 
Agora Trump 2025 insiste na tecla "Aconteceram coisas, mas o Príncipe não sabia de nada, e podemos ficar por aí", disse aos jornalistas, no Salão Oval. 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐢𝐮!! Em novembro desse ano, um relatório da CIA, divulgado na imprensa americana, concluiu Mohammad bin Salman de ter ordenado a morte de Khashoggi, o que causou furor internacional e tensões diplomáticas.
Donald Trump acrescentou ainda que Jamal Khashoggi era "uma pessoa extremamente controversa" (???). 
Mohammed ben Salman disse, por sua vez, que a morte do jornalista foi dolorosa e que a Arábia Saudita fará tudo o que está ao seu alcance "para que não volte a acontecer".
As declarações surgem após o anúncio de um investimento saudita de quase um bilião de dólares nos Estados Unidos, durante a primeira visita do príncipe aos EUA desde 2018.
O The New York Times já tinha avançado que o craque da Seleção portuguesa e do Al Nassr ia regressar aos Estados Unidos, avançando com a marcação de um jogo amigável entre Estados Unidos e Portugal, para março de 2026.
Essa será a primeira vez que Cristiano Ronaldo vai jogar em solo norte-americano desde 2014, altura em que defrontou o Manchester United com a camisola do Real Madrid, a 2 de agosto daquele ano.
Pela Seleção jogou nesse mesmo verão a Nova Jérsia, a 10 de junho, contra a República da Irlanda.
Portanto Cristiano Ronaldo está assim de regresso aos Estados Unidos, país onde não joga há mais de 11 anos, e onde tem uma polémica com Kathryn Mayorga, professora que acusou o jogador de violação em 2017, numa entrevista dada ao jornal alemão Der Spiegel, e num caso que remonta a 2009, quando o jogador esteve de férias em Las Vegas.
Desde então que a presença de Cristiano Ronaldo em solo norte-americano tem sido uma questão polémica, não havendo quaisquer registos públicos do jogador naquele país - o último data de 2016. A ausência foi particularmente notada depois de jogos da Juventus terem sido reagendados para outros locais quando o jogador representava o clube italiano.
No dia em que internamente Donald Trump é pressionado para libertar os ficheiros de Epstein, o jantar de  Cristiano Ronaldo com Donald Trump e  Mohammed ben Salman é uma espécie de sportswahing atendendo que os três são figuras internacionais com escândalos e Ronaldo funcionará como um troféu para a melhoria da imagem de países com problemas de direitos humanos, como a Arábia Saudita e EUA.

domingo, 16 de novembro de 2025

Dia Mundial dos Pobres — e dos culpados

"Hoje celebra-se o dia mundial dos pobres.
Curioso: nunca celebramos o dia mundial
dos que produzem pobreza.
Erguem-se palcos, discursos, fotografias.
Fala-se de “apoio”, “solidariedade”, “valores”.
Mas ninguém pronuncia os nomes
dos que lucram com a miséria,
dos que apertam orçamentos
para que sobrem dividendos,
dos que tratam gente colada ao chão.

A pobreza não cai do céu —
é fabricada.
Tem autores, assinaturas, logótipos,
programas eleitorais,
conivências silenciosas.

E corporações que, ano após ano,
garantem que os mesmos continuem pobres
e os bilionários continuem a decidir.

Hoje, os poderosos dirão
que “ninguém fica para trás”.
Mentira: alguém fica para trás
porque alguém está sempre a empurrar.

É mais fácil decorar a palavra “equidade”
do que taxar fortunas;
mais fácil erguer campanhas
do que erguer salários;
mais fácil proclamar "caridade"
do que enfrentar interesses.

Pobreza não é tragédia humana —
é estratégia populista e ódio aos pobres
É o resultado frio
de permitir que o lucro vença o direito,
que o mercado vença a vida,
que a indiferença vença a vergonha.

Um dia mundial não chega.
O que falta é romper o silêncio cúmplice
e enfrentar e denunciar todos os dias
os que fazem da pobreza
uma máquina de produção contínua,
uma estratégia calculada,
um rendimento garantido.

Se é para lembrar os pobres,
então que nos lembrem também dos culpados.
E que se lhes retire — finalmente —
o privilégio de continuar a produzi-los."

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Não há Raças: A Unidade Biológica da Humanidade

Resumo
O conceito de raça humana, amplamente utilizado durante os séculos XIX e XX, tem sido desmantelado pela investigação genética contemporânea. Estudos em biologia evolutiva e genética populacional demonstram que as variações genéticas dentro de grupos humanos são superiores às variações entre grupos, invalidando a noção de raças biológicas. Este artigo revisita a evolução do conceito de raça, a evidência científica que o refuta e as suas implicações sociais e éticas, defendendo a centralidade do conceito de espécie única na compreensão da diversidade humana.

𝟏. 𝐈𝐧𝐭𝐫𝐨𝐝𝐮çã𝐨
A ideia de “raça” tem uma longa história de uso e abuso. Durante o Iluminismo e a expansão colonial europeia, o termo adquiriu uma dimensão classificatória e hierárquica, utilizada para justificar desigualdades políticas, económicas e sociais (Gould, 1981). No entanto, com o avanço da biologia molecular e da genética populacional no século XX, tornou-se evidente que a noção de raças humanas não possui fundamento biológico. A diversidade humana deve ser entendida como uma expressão da variação contínua dentro da espécie Homo sapiens.

𝟐. 𝐎 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐡𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐫𝐚ç𝐚
A construção do conceito de raça foi influenciada por naturalistas como Linnaeus e Blumenbach, que procuraram classificar a humanidade em grupos discretos com base em características fenotípicas superficiais. Essas classificações, embora pretensamente científicas, estavam impregnadas de preconceitos eurocêntricos e racistas (Stepan, 1982). A antropologia física do século XIX tentou legitimar tais distinções através da craniometria e da medição de traços corporais, práticas que hoje são reconhecidas como pseudocientíficas.

𝟑. 𝐀 𝐫𝐞𝐟𝐮𝐭𝐚çã𝐨 𝐠𝐞𝐧é𝐭𝐢𝐜𝐚
Com o desenvolvimento da genética moderna, particularmente após o Projeto Genoma Humano (2003), comprovou-se que todos os seres humanos partilham cerca de 99,9% do seu ADN (Lewontin, 1972; Rosenberg et al., 2002). As pequenas diferenças existentes são distribuídas de forma gradual (clinal) e não correspondem a fronteiras geográficas fixas. Lewontin demonstrou que 85% da variação genética ocorre dentro de populações locais, e não entre os grupos raciais tradicionais. Assim, “raça” é uma construção social, e não uma categoria biológica.

𝟒. 𝐈𝐦𝐩𝐥𝐢𝐜𝐚çõ𝐞𝐬 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 é𝐭𝐢𝐜𝐚𝐬
A persistência do conceito de raça tem consequências profundas na perpetuação do racismo e das desigualdades sociais. O reconhecimento científico da inexistência de raças biológicas não elimina, contudo, o racismo enquanto fenómeno social e político. É fundamental distinguir entre diferença biológica e discriminação social. A educação científica e intercultural desempenha um papel central na desconstrução das narrativas racistas e na promoção de uma ética universalista baseada na dignidade humana.

𝟓. 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬ã𝐨
A biologia contemporânea confirma que a humanidade constitui uma única espécie com variação genética interna contínua. O conceito de raça, embora sem validade científica, persiste como instrumento de exclusão social. A superação do racismo exige não apenas a denúncia do mito biológico da raça, mas também uma reflexão ética e política sobre as estruturas que o sustentam. A ciência, ao afirmar a unidade da espécie humana, oferece um fundamento sólido para uma cultura de igualdade e respeito pela diversidade.

𝐑𝐞𝐟𝐞𝐫ê𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬 𝐁𝐢𝐛𝐥𝐢𝐨𝐠𝐫á𝐟𝐢𝐜𝐚𝐬
1.Gould, S. J. (1981). The Mismeasure of Man. New York: W.W. Norton & Company.
2. Lewontin, R. C. (1972). “The Apportionment of Human Diversity.” Evolutionary Biology, 6, 381–398.
3. Rosenberg, N. A., et al. (2002). “Genetic Structure of Human Populations.” Science, 298(5602), 2381–2385.
4. Stepan, N. L. (1982). The Idea of Race in Science: Great Britain, 1800–1960. London: Macmillan.
5. UNESCO (1950). The Race Question. Paris: UNESCO.

Saber mais:

domingo, 2 de novembro de 2025

Petição pela Demissão da Ministra da Saúde e pela Defesa de um SNS Público e Funcional

Assinar e divulgar a Petição aqui

Para: Assembleia da República, Primeiro-Ministro e Presidente da República

Nós, cidadãos abaixo-assinados, manifestamos a nossa profunda indignação e exigimos a demissão imediata da Ministra da Saúde, em consequência das falhas graves e reiteradas no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que têm colocado em risco vidas humanas — incluindo bebés, crianças e grávidas.

Situação atual
O SNS encontra-se entupido, envelhecido e incapaz de responder às necessidades básicas da população.
Casos recentes expõem a gravidade:
  1. Bebés a nascerem em ambulâncias, estradas e até na rua, por falta de resposta hospitalar atempada.
  2. Grávidas enviadas de hospital em hospital sem atendimento adequado, resultando em mortes evitáveis.
  3. Crianças encaminhadas para hospitais sem pediatria e grávidas para hospitais sem urgência obstétrica.
  4. Doentes obrigados a ligar previamente para a Linha SNS 24 para serem atendidos em hospitais públicos.
Isto é ilegal: nenhum hospital pode recusar atendimento de urgência, com ou sem contacto prévio com o SNS 24. O direito à saúde e ao socorro médico é constitucional e universal — e está acima de qualquer linha telefónica ou norma administrativa.

Também é ilegal negar o direito ao acompanhante:
  1. em partos,
  2. em internamentos,
  3. em pediatria,
  4. e em urgências, onde muitas vezes os cidadãos são impedidos de ter alguém ao seu lado em momentos de grande fragilidade.
A gestão hospitalar não está acima da lei e deve respeitar estes direitos fundamentais.

Dados que confirmam,
  1. Listas de espera: primeira consulta cresceu 46% face a 2022; cirurgias aumentaram 13%.
  2. Apenas 60% dos atendimentos nas urgências respeitam o tempo definido pela triagem.
  3. Taxa de ocupação hospitalar em 91%, a mais elevada da última década.
  4. Portugal tem apenas 3,5 camas hospitalares por 1000 habitantes, muito abaixo da média europeia.
  5. Centros de saúde degradados, sem condições físicas nem humanas: horários reduzidos, falta de médicos, enfermeiros e auxiliares.

Direitos fundamentais violados
1. Constituição da República Portuguesa
O artigo 64.º garante a todos os cidadãos o direito à proteção da saúde e o acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde. O Estado tem o dever de assegurar esse direito.
2. Lei n.º 15/2014 (Direitos e Deveres do Utente)
Artigo 3.º: nenhum utente pode ser privado de cuidados de saúde por motivos económicos, sociais ou administrativos.
Artigo 12.º: todos os utentes têm direito a acompanhante, em internamento e em urgência, incluindo grávidas, crianças, pessoas dependentes ou com deficiência
3. Portaria n.º 142/2017, de 14 de abril
Regulamenta e reforça o direito a acompanhante nos serviços de urgência e internamento do SNS. Os hospitais são obrigados a criar condições para que este direito seja respeitado. A gestão hospitalar não está acima da lei.
4. Portaria n.º 23/2025/1, de 29 de janeiro
Estabelece que, mesmo que o utente chegue ao hospital sem contacto prévio com a Linha SNS 24, deve ser:
Facultado o acesso à Linha para encaminhamento;
E, caso não seja possível, deve ser inscrito no serviço de urgência e sujeito a triagem hospitalar.
A portaria sublinha que “não pode resultar falta de resposta em saúde ajustada à condição clínica do utente”, incluindo no acompanhamento dos seus familiares.

Isto significa que nenhum hospital pode recusar atendimento por falta de chamada prévia à Linha SNS 24, sendo essa prática ilegal e contrária à Constituição, à Lei e à Portaria

Direitos humanos em risco
  1. O direito ao atendimento médico imediato não pode ser condicionado a chamadas telefónicas ou autorizações burocráticas.
  2. O direito a um acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências é legalmente reconhecido e não pode ser negado arbitrariamente.
  3. A ausência de condições nos centros de saúde prejudica utentes e funcionários, criando sobrecarga, stress, burnout e desumanização.
  4. As falhas do SNS têm efeitos psicológicos devastadores: famílias traumatizadas, profissionais culpabilizados, utentes sem confiança no sistema.
Responsabilidade política
Quando o Estado falha em proteger a vida e a dignidade dos cidadãos, deve haver responsabilização política imediata.
Não é aceitável continuar a normalizar tragédias evitáveis. A demissão da Ministra da Saúde é uma exigência ética, política e social.

O que exigimos
1. Demissão imediata da Ministra da Saúde.
2. Garantia de atendimento hospitalar imediato a qualquer cidadão, sem exigência de contacto prévio com o SNS 24.
3. Cumprimento integral do direito a acompanhante em partos, internamentos, pediatria e urgências.
4. Reforma urgente da Linha SNS 24 e SNS Grávida, que não pode substituir o acesso direto ao hospital.
5. Plano emergencial de reforço de recursos humanos e infraestruturas, com contratação imediata de médicos, enfermeiros, auxiliares e investimento nos centros de saúde.
6. Investimento público sério no SNS, com aumento de camas hospitalares, modernização de instalações e condições de trabalho dignas.
7. Protocolos nacionais de transporte de grávidas e recém-nascidos, para evitar tragédias evitáveis.
8. Auditoria independente ao SNS, com relatórios públicos e responsabilização administrativa e política pelas falhas graves

A saúde é um direito constitucional, não um privilégio. Não podemos assistir passivamente a um colapso que ceifa vidas e destrói a confiança no SNS.

Assinamos esta petição por justiça, dignidade e responsabilização política. Porque nenhum bebé deve nascer numa estrada, nenhuma grávida deve ser abandonada, nenhum cidadão deve ser recusado ou deixado sozinho num hospital.