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terça-feira, 4 de agosto de 2026

A geopolítica do cacau: soberania económica, agroecologia e a resistência à monocultura biotecnológica

A recente melhoria nas condições meteorológicas em importantes regiões produtoras trouxe um alívio temporário ao mercado internacional do cacau. De acordo com análises do setor (como as divulgadas pelo portal Mercado do Cacau), a chuva regular favoreceu o desenvolvimento das lavouras, permitindo que a cotação da matéria-prima ensaiasse uma recuperação. No entanto, esse impulso nas bolsas de commodities continua a ser limitado pela acumulação de estoques nos principais portos importadores e pela volatilidade da procura global.

Embora o suporte climático ofereça uma trégua a curto prazo, a cadeia de abastecimento global ainda carrega as cicatrizes do forte défice causado pelo fenómeno El Niño. Os países da África Ocidental - em especial a Costa do Marfim e o Gana, que juntos concentram mais de metade da oferta mundial, além da Nigéria e dos Camarões - continuam a enfrentar desafios estruturais profundos, como o envelhecimento dos pomares, a degradação dos solos e a persistência de doenças como a podridão-parda e o vírus do broto inchado.

Segundo dados estatísticos da International Cocoa Organization (ICCO), o mercado global caminha para um reequilíbrio delicado, passando dos déficits recordes de safras anteriores para uma projeção de pequeno superávit.

Análises detalhadas do International Food Policy Research Institute (IFPRI) revelam que a vulnerabilidade do setor não resulta apenas do clima, mas de uma rigidez estrutural: a dependência da exportação de grãos em bruto e o modelo de monocultura intensiva, que expõe os pequenos agricultores à especulação dos mercados globais.

1. A encruzilhada tecnológica: a pressão do CRISPR e da cultura celular
Como resposta à crise, o Norte Global e as multinacionais agroalimentares têm acelerado a promoção de soluções laboratoriais e patenteadas:
  • Edição genómica (CRISPR/Cas9): Investigações focam-se no desenvolvimento de cacaueiros geneticamente alterados para resistir a fungos e secas, com estudos publicados em revistas como a Nature. Nos EUA (via regras do USDA- SECURE) e progressivamente na UE (através da regulamentação de Novas Técnicas Genómicas - NGT 1 supervisionada pela EFSA), estas plantas caminham para a isenção do rótulo de OGM.
  • Cultura celular e sintéticos: Startups desenvolvem massa de cacau em biorreatores industriais ou alternativas sem cacau por fermentação de precisão, visando suprir a oferta sem depender do cultivo agrícola tradicional.
Para muitos peritos e organizações dos países produtores, este caminho não resolve as causas profundas da crise: transfere o controlo da produção agrícola para patentes corporativas e arrisca marginalizar milhões de pequenos agricultores na África Ocidental.

2. As vias de empoderamento e soberania dos países produtores
Em alternativa à dependência de patentes de laboratório, especialistas em agronomia tropical e economia de desenvolvimento apontam para quatro pilares fundamentais de autonomia e resiliência:

A. Agroecologia e Sistemas Agroflorestais (SAFs)
Em vez de modificar o DNA da planta para suportar solos degradados e Sol pleno, os Sistemas Agroflorestais recriam o ecossistema original do cacaueiro. Ao cultivar cacau sob a copa de árvores nativas, fruteiras e espécies florestais:
  • Mantém-se a humidade do solo e reduz-se a temperatura local em vários graus, anulando os efeitos térmicos do El Niño.
  • Promove-se o controlo biológico de pragas, eliminando a necessidade de pesticidas sintéticos.
  • Garante-se a diversificação de rendimentos dos agricultores com a venda de frutas, madeira e outros alimentos.
B. Processamento Local e Retenção do Valor Acrescentado
A África Ocidental exporta tradicionalmente a matéria-prima em bruto, retendo menos de 10% do valor final de um mercado global avaliado em mais de 100 mil milhões de dólares. O verdadeiro empoderamento passa pela industrialização nacional na Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões, transformando o grão em manteiga, massa e chocolate acabado antes da exportação, retendo os lucros e gerando emprego qualificado localmente.

C. Negociação Coletiva de Mercado (LID - Livelihood Income Differential)
Através de alianças regionais entre governos produtores, a implementação do prémio fixo por tonelada (LID) sobre o preço de mercado assegura um rendimento mínimo digno aos agricultores. O fortalecimento do comércio justo (Fairtrade) e o poder de negociação em bloco impedem que as multinacionais imponham preços abaixo do custo de produção.

D. Seleção Tradicional e Bancos de Germoplasma
O melhoramento agronómico tradicional - com seleção de variedades locais naturalmente resistentes a pragas e secas, aliado a técnicas de enxertia - permite renovar os pomares sem recorrer a transgenia ou CRISPR, preservando o património genético nativo e a autonomia das sementes.

3. Matriz Comparativa de Modelos de Desenvolvimento
DimensãoModelo Tecnológico Ocidental (CRISPR / Biorreatores)Modelo de Soberania Agroecológica (SAFs / Industrialização Local)
Soberania e PropriedadeDependência de patentes e empresas de biotecnologiaControlo comunitário, estatal e dos pequenos agricultores
Resiliência ClimáticaModificação genética da planta (solução laboratorial)Restauração do microclima e da biodiversidade florestal
Modelo EconómicoManutenção da importação de matérias-primas baratasProcessamento local e retenção do valor acrescentado
Rácio de RiscosPerda de mercado para os produtores tradicionaisProteção da biodiversidade e diversificação de rendimentos
A crise do cacau na África Ocidental expôs os limites da monocultura tradicional. No entanto, o futuro do setor não precisa de passar pela entrega do património agrícola a laboratórios estrangeiros: a combinação de agroecologia, justiça comercial e industrialização nos países de origem posiciona-se como a resposta mais duradoura, justa e sustentável.

domingo, 21 de dezembro de 2025

A tempestade voltou a agitar o mar de dúvidas em torno dos riscos do uso do glifosato para a saúde humana


1) Uma prestigiada revista científica acaba de retratar uma das publicações que mais influenciaram a avaliação da "segurança" do glifosato porque os autores "se esqueceram de declarar o seu conflito de interesses" — ou seja, quem os financiava. Que conveniente!

2) O Parlamento Europeu deverá decidir nas próximas semanas sobre o "abrandamento" das medidas para o registo e aprovação de pesticidas na Europa. A Comissão Europeia irá submetê-las em breve à discussão, e prevêem, entre outras coisas, a eliminação da obrigação legal de considerar provas científicas independentes ao autorizar ou proibir os pesticidas.

Assim sendo, um novo estudo dos nossos colegas da Universidade de Jaén (Espanha, Europa) sobre a presença de glifosato nos olivais de Portugal, Marrocos, Itália, Grécia e Espanha parece particularmente oportuna.

Passo a explicar: Fernández García e os seus colegas encontraram glifosato e os seus produtos de degradação (AMPA e N-acetil-AMPA) nos solos de olivais de gestão tradicional (MT) e de alta densidade (AD); também, mas em concentrações muito mais baixas e a maiores profundidades no solo, nos olivais orgânicos (ORG).

Portugal apresenta as concentrações médias mais elevadas em olivais de maneio tradicional (MT) e de alta densidade (AD). Em Espanha e Marrocos, os olivais de alta densidade (AD) apresentam as concentrações mais elevadas, enquanto que na Grécia, os olivais de maneio tradicional (MT) eram os mais ricos em glifosato.

Acrescentam que, em Itália, o glifosato não é encontrado em olivais porque o seu uso foi altamente restringido desde 2016.

O quê?! Assim, é possível produzir azeite de qualidade sem utilizar herbicidas tóxicos e alcançar uma posição de liderança internacional em termos de prestígio, imagem e marca? Não sei o que estamos à espera para abandonar este hábito prejudicial de matar ervas daninhas a qualquer custo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Estudo que negava riscos do glifosato é retirado após 25 anos de alertas

O mundo da ciência e da regulação ambiental sofreu um abalo significativo com a retratação formal de um dos estudos mais influentes de sempre sobre a segurança do glifosato. Publicado originalmente no ano 2000 na revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology, o artigo assinado pelos investigadores Williams, Kroes e Munro — que podes consultar no arquivo original da ScienceDirect — serviu, durante um quarto de século, como o principal escudo científico para afirmar que o herbicida Roundup não representava riscos de cancro ou toxicidade para os seres humanos. Agora, conforme reportado recentemente pelo jornal Público e no The Guardian, a própria revista decidiu retirar o estudo, admitindo que o processo foi marcado por má conduta ética.

A decisão de retratar o estudo surge após décadas de pressão por parte de cientistas independentes e da revelação de documentos internos da Monsanto, conhecidos como "Monsanto Papers". Estes documentos, que vieram a público durante processos judiciais nos Estados Unidos, revelaram que funcionários da multinacional estiveram diretamente envolvidos na redação, revisão e edição do texto original. Esta prática, conhecida como ghostwriting (escrita fantasma), foi ocultada na altura, apresentando o estudo como o trabalho de académicos independentes quando, na verdade, houve uma intervenção direta da empresa interessada no veredito de segurança.

Para além da escrita fantasma, a nota de retratação oficial emitida pela editora Elsevier aponta para falhas graves na integridade dos dados e na transparência. O estudo de 2000 baseou-se quase exclusivamente em relatórios internos não publicados da própria Monsanto, ignorando evidências científicas que já na altura sugeriam potenciais efeitos adversos. A falta de declaração de conflitos de interesse foi outro fator decisivo: os autores não revelaram que foram pagos pela empresa nem que o desenho da investigação foi influenciado pela estratégia de marketing e defesa legal da marca.

O impacto desta decisão é profundo, uma vez que este artigo foi citado em mais de 700 outros estudos e serviu de base para decisões regulatórias críticas em agências como a EPA nos Estados Unidos e a EFSA na União Europeia. Embora muitas destas agências continuem a manter a aprovação do glifosato baseando-se em avaliações mais recentes, a retirada deste "estudo seminal" desmorona o fundamento histórico que permitiu a normalização do uso massivo do herbicida a nível global. Para a comunidade científica e para organizações como o Pesticide Action Network, o caso serve como um aviso severo sobre os perigos da influência corporativa na ciência que dita as políticas públicas de saúde.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

A saúde das plantas e o seu impacto na economia, sustentabilidade social e ambiental


As pragas e doenças que afetam as plantas são, segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, responsáveis por cerca de 40% de perdas das culturas alimentares a nível global, pelo que o seu combate eficaz é determinante para o suprimento das necessidades alimentares mundiais, em particular dos países mais vulneráveis.

A globalização, o comércio internacional, as alterações climáticas, o movimento crescente de pessoas e bens, têm contribuído, nos últimos anos, para a dispersão de pragas e doenças entre países e entre continentes. Os seus efeitos podem ser devastadores na economia, sustentabilidade social e ambiental dos territórios afetados.

Em Portugal, atualmente, são inúmeras as ameaças fitossanitárias que podem causar danos importantes à nossa agricultura e floresta. A nossa grande diversidade de culturas e de espécies vegetais e as nossas condições climáticas favorecem a dispersão e estabelecimento de pragas e doenças e dificultam o seu combate, pelo que é de extrema relevância as ações de prevenção. São exemplo, a introdução do nematode da madeira do pinheiro que atinge atualmente praticamente toda a nossa área de pinheiro-bravo, o escaravelho da palmeira que dizimou, em poucos anos, a maior parte das nossas palmeiras. Culturas tão importantes como são, por exemplo, a pera Rocha, a laranja do Algarve, ou as nossas vinhas, são também atingidas por pragas e doenças, que, além de conduzirem a importantes perdas de produção e de qualidade, implicam grandes intervenções para o seu controlo, por vezes mesmo culminando na destruição total de pomares e vinhas.

É, portanto, reconhecida a crescente importância das autoridades fitossanitárias na criação de normas fitossanitárias que permitam atuar na prevenção e deteção precoce de pragas e doenças emergentes, e com capacidade de acionar, quando necessário e atempadamente, medidas de erradicação.
A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), enquanto autoridade fitossanitária nacional, implementa dezenas de programas de prospeção fitossanitários em todo o território nacional. Igualmente em todos os portos marítimos e aeroportos nacionais, os serviços de inspeção fitossanitária são responsáveis pela inspeção a vegetais e produtos vegetais, limitando assim a possível entrada de pragas e doenças por via dos produtos importados, mas é premente informar que uma mera peça de fruta ou uma planta trazida na mala de viagem, pode esconder um inimigo para as nossas culturas e florestas.

Devemos estar preparados para enfrentar crises fitossanitárias, priorizando a prevenção por forma a reduzirmos os impactos económicos, ambientais e sociais derivados de ataques de pragas e doenças nas nossas culturas e na nossa floresta.

É também fundamental que a sociedade em geral assuma o seu papel na salvaguarda na saúde das plantas e entenda os desafios e as dificuldades que os agricultores enfrentam diariamente para assegurar o abastecimento de alimentos saudáveis, nutritivos e diversificados, assim como o seu papel determinante na manutenção das áreas rurais e da biodiversidade.

Visando aumentar a consciência de todos para esta problemática, a Autoridade Europeia da Segurança dos Alimentos (EFSA), lança a campanha #PlantHealth4Life que une os esforços conjuntos da EFSA, de 22 países europeus e da Comissão Europeia.

Cada um de nós pode ser um embaixador desta campanha, ajude a divulgá-la, porque a «Proteger as Plantas é Proteger a Vida».

sábado, 18 de novembro de 2023

Bruxelas autoriza a utilização de glifosato na UE por mais 10 anos


A Comissão Europeia autorizou, quinta-feira, a utilização de glifosato na União Europeia (UE) por mais 10 anos, depois de os Estados-membros não terem chegado a acordo sobre proibir a sua utilização.

"A Comissão, com base em avaliações de segurança exaustivas efetuadas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA) e pela Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), em conjunto com os Estados-membros da UE, irá proceder à renovação da aprovação do glifosato por um período de 10 anos, sujeita a determinadas condições e restrições novas", afirmou em comunicado.

"Estas restrições incluem a proibição da utilização pré-colheita como dessecante e a necessidade de determinadas medidas para proteger os organismos não visados", acrescentou.

O glifosato é um herbicida de amplo espetro e dessecante de culturas agrícolas, usado para matar ervas daninhas, especialmente as folhosas perenes e gramíneas. A AESA afirmou numa avaliação, em julho passado, que não tinha encontrado "áreas críticas de preocupação" para a renovação da utilização para além de 15 de dezembro, quando expirava o prazo de autorização.

O executivo da UE tem o poder de aprovar a sua própria proposta depois de os Estados-membros não terem conseguido, pela segunda vez, alcançar uma maioria qualificada a favor ou contra o plano apresentado, em setembro.

A bancada dos Verdes no Parlamento Europeu está contra a decisão, tendo a eurodeputada francesa Marie Toussaint dito, à Euronews, que há estudos em sentido contrário ao da AESA.

"A Europa tem uma escolha: ou se envenena ou se protege. E esta votação, esta abstenção dos Estados-membros - que tinham os meios para impedir esta proposta - acaba por contribuir para a deterioração da saúde, para a devastação da natureza. Esta proposta de renovação do glifosato é um drama para a saúde humana, com um número crescente de vítimas que sofrem de cancro e deformações desde tenra idade, e também para outros organismos vivos. Numerosos estudos demonstraram o efeito devastador do glifosato na biodiversidade", explicou.

"A Europa tem uma escolha: ou envenena ou protege. E esta votação, esta abstenção dos Estados-membros - que tinham os meios para impedir esta proposta - acaba por contribuir para a deterioração da saúde, para a devastação da natureza. Agora escondem-se por detrás da sua abstenção, alegando que se opuseram porque se abstiveram, para não passarem um cheque em branco à Comissão Europeia, o que é totalmente hipócrita", concluiu Marie Toussaint.

O presidente da Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu, Pascal Canfin, criticou a decisão por ser contrária aos pareceres científicos: “Esta proposta não tem o apoio dos três maiores países agrícolas do nosso continente - França, Alemanha e Itália. Lamento profundamente. Não é a Europa de que gosto."

Aplicação depende de cada país
Embora o executivo comunitário tomado esta decisão, recordou que os Estados-Membros são responsáveis pelas autorizações nacionais dos produtos fitofarmacêuticos que contêm glifosato.

Cada país da UE continuará, por conseguinte, a ter a possibilidade de restringir a sua utilização a nível nacional e regional, se o considerar necessário, "em função dos resultados das avaliações de risco, tendo em conta, em especial, a necessidade de proteger a biodiversidade", afirmou a CE.

Um estudo europeu, divulgado no passado dia 6 de setembro, que envolveu 12 países, revela que Portugal é campeão em termos de concentração tóxica para consumo humano do herbicida glifosato em cursos de água doce. As amostras foram recolhidas em rios, ribeiras e lagos. Uma das amostras em Portugal, recolhida em Idanha-a-Nova, continha três microgramas/litro (µg/L), isto é, 30 vezes mais que o limite legal, tendo sido a mais elevada concentração de glifosato detetada nas amostras analisadas no estudo. O limite de segurança para o glifosato na água potável é de 0,1 µg/L.

Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenha alertado, em 2015, para os riscos cancerígenos do glifosato, a Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos e a Agência Europeia dos Produtos Químicos afirmaram ter provas científicas para classificar o herbicida como não cancerígeno.

Assim, após dois anos de polémica, o herbicida glifosato (da empresa norte-americana Monsanto) recebeu, em 2017, luz verde para continuar a ser utilizado na UE, embora por um período mais curto do que o habitual, cinco anos em vez dos habituais 15. No ano passado, a licença foi renovada mais uma vez até 15 de dezembro, na pendência de um relatório da EFSA, que foi publicado este verão.

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

A poluição por glifosato ameaça as águas superficiais europeias


A Comissão Europeia quer renovar a autorização de uso do glifosato por mais 15 anos.

De Portugal à Polónia, da Bélgica à Bulgária, a água de rios e ribeiras está contaminada com glifosato e o seu resíduo metabolito de degradação AMPA (1). Mesmo fora da época de aplicação de pesticidas, final de outubro, estas substâncias foram detectadas nas águas superficiais em 11 dos 12 países estudados.

Esta é uma descoberta chocante revelada pelo estudo europeu da ONG Pesticide Action Network-PAN Europe, em colaboração com os Verdes Europeus. Esta contaminação, vaticinada há muito pela sociedade civil, constitui uma séria ameaça para a vida aquática, para a qualidade da água potável e para a saúde humana.

O glifosato está em toda a parte: na urina humana, na poeira doméstica, nos solos e nas águas superficiais. Sabe-se que tanto o glifosato, como o AMPA, constituem riscos graves para os ecossistemas aquáticos (2). Glifosato e AMPA em conjunto foram detectados acima de 0,2 μg/L em 17 de 23 amostras (74%). As amostras recolhidas na Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, França, Alemanha, Hungria, Países Baixos, Espanha, Polónia e Portugal estavam contaminadas com pelo menos uma das substâncias.

Considerando que o limite de segurança para o glifosato (sem o AMPA), na água potável, é de 0,1 μg/L, 5 das 23 amostras de água (22%) coletadas na Áustria, Espanha, Polónia e Portugal continham glifosato em concentrações tóxicas para consumo humano. Uma das amostras em Portugal, na bio-região (3) de Idanha-a- Nova, continha 3 µg/L, isto é 30 vezes mais que o limite legal, o que confirma estudos anteriores da Plataforma Transgénicos Fora em Portugal (PTF) que revelaram a contaminação da urina humana na grande maioria das pessoas analisadas (4).

O estudo salienta também a grave lacuna existente na regulamentação de salvaguarda dos nossos recursos hídricos devido à inexistência de um sistema europeu de monitorização das águas superficiais e da falta de valores de referência para o AMPA que, embora seja um produto da degradação do glifosato, é também muito tóxico.

O glifosato tem permanecido no mercado, em possível violação das disposições do Regulamento (CE) 1107/2009, segundo o qual os pesticidas (as substâncias ativas e os adjuvantes dos produtos comerciais) colocados no mercado não devem ter efeitos nocivos nas pessoas, nos animais, ou no ambiente.

Em 2018 a utilização do glifosato foi renovada por apenas 5 anos devido às dúvidas sobre a sua segurança. A autorização terminaria em 2022, mas foi prorrogada, também com a aprovação de Portugal, para recolher provas dos impactos ecotoxicológicos.

Entretanto o corpo de literatura científica independente que associa a exposição ao glifosato a doenças graves e a danos ambientais continua a aumentar. Por exemplo, para além do seu potencial carcinogénico identificado pela OMS/IARC (2015), estudos recentes revelam que o glifosato e os produtos à base de glifosato podem ser nocivos para a saúde humana.

Para além disso o glifosato está implicado na alarmante perda de biodiversidade – 65% em 40 anos, a nível mundial, prevendo-se perder 25% da existente nas próximas décadas. Ciente do problema a Comissão Europeia (CE) propôs a redução de pesticidas (incluindo herbicidas) para 50%, até 2030, na nova PAC. Os pesticidas têm de ser substituídos por práticas agrícolas capazes de proteger as culturas e os recursos naturais pois, havendo vontade política, tal é realizável.

No entanto, a CE propõe agora renovar a utilização desta substância ativa, com o risco de não haver o adequado debate científico e escrutíno público (6). Prevendo-se que esta proposta seja votada em meados de outubro. As conclusões recentes da própria EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) identifica lacunas (7)

Notas:
  1. AMPA, ácido aminometilfosfónico, resulta da degradação do glifosato e ele próprio também é tóxico metabolito de degradação AMPA;
  2. Ecotoxicology of Glyphosate-Based Herbicides on Aquatic Environment
  3. Nesta bio-região têm sido instalados amendoais intensivos em produção integrada com uso permitido de Foram subsidiados em medidas agroambientais e, desde 2023, no PEPAC português, são subsidiados em regime ecológico.
  4. Nova et al, Glyphosate in Portuguese Adults – A Pilot Study. Environmental Toxicology and Pharmacology 80 (2020). 
  5. Silva et al, Distribution of glyphosate and aminomethylphosphonic acid (AMPA) in agricultural topsoils of the European Union. Sci Total Environ (2017)
  6. Pesticide Action Network: “Leaked: EU Commission plans to swiftly reapprove glyphosate to avoid scientific and public debatel
  7. EFSA p23. “a data gap for addressing the risk to aquatic macrophytes due to contact exposure via spray drift of glyphosate was identified and this resulted in an assessment not finalised” “For chronic exposure to glyphosate, a proper comparison between fishand amphibians could not be carried out, since relevant and reliable chronic endpoints for amphibians were not available. A full comparability between fish and aquatic stages of amphibians would anyway be hampered by the different response types being measured for the two groups.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

O que aconteceu com o glifosato?

Obra do pintor bávaro Wilhelm von Kobell, “Rast beim Pflügen”, pintada em 1800.


No dia 15 de dezembro de 2022 aconteceu algo que passou completamente despercebido pela sociedade. Quase nenhum comunicado de imprensa foi coletado. Porém, é algo tão importante quanto chover ou não; tão importante quanto saber se a água que bebemos está contaminada ou não, mas o que foi omitido da sociedade?

A Comissão Europeia decidiu prorrogar, por mais um ano, a permissão de utilização do herbicida glifosato nos nossos campos de cultivo e parques públicos. E fê-lo sem ainda ter disponível o relatório da EFSA que apoia, ou não, a extensão legal da sua utilização. A EFSA é a Agência Europeia para a Segurança Alimentar, responsável por fornecer aconselhamento técnico-científico à Comissão Europeia. Deve recordar-se que esta agência deverá ser um organismo independente. No entanto, os seus relatórios têm sido historicamente influenciados por lobbies. A elaboração do relatório sobre a relação entre a saúde humana e o glifosato, por parte deste órgão, foi prorrogada para cinco anos, desde a anterior prorrogação legal do período de utilização ocorrida em 2017.

Mas não há realmente provas suficientes sobre como o glifosato afecta a biodiversidade dos nossos ecossistemas e a saúde humana? Pelo menos isso parece emergir das ações da Comissão Europeia. Apesar da recusa de vários países em continuar com a legalidade do seu uso como produto fitossanitário, incluindo a França, a UE decidiu usar a sua prerrogativa para desfazer o “bloqueio institucional” que tornou o glifosato ilegal, e assim prorrogar a licença.
Por enquanto, o glifosato é um perturbador comprovado do sistema endócrino, alterando o nosso sistema hormonal desde o primeiro desenvolvimento embrionário. Foi demonstrado que é capaz de alterar a biota intestinal de qualquer organismo a níveis patológicos. Da mesma forma, também provou ser um desregulador do ecossistema, afetando polinizadores, organismos fotossintéticos e a fauna e bactérias que habitam o solo.

Deste grupo dedicamos alguns artigos para demonstrar a abundante evidência científica disponível sobre os efeitos do glifosato na saúde humana ou sobre o seu efeito perturbador nos ecossistemas e a sua limitada capacidade de melhorar as técnicas convencionais de cultivo. Além disso, um estudo epidemiológico recente realizado pela Associação Campagne Glyphosate em França indica que 99,8% dos franceses teriam níveis detectáveis ​​de glifosato nos seus corpos. A quantidade média encontrada é de 1,19 ng/ml; quantidade aparentemente minúscula à qual, no entanto, se observou atividade estrogénica (disrupção endócrina) enquanto altera a expressão do receptor de estrogénio em células humanas em concentrações “ambientalmente relevantes”

Então porque é que a Comissão Europeia concordou em prolongar a sua utilização na União Europeia por mais um ano? O que há de novo nas evidências científicas disponíveis sobre como o herbicida mais utilizado no mundo afeta a saúde humana e os ecossistemas? O seu benefício realmente supera o risco?

Os números do capitalismo herbicida
Entre 2011 e 2020 , foram vendidas em média 350 mil toneladas anuais de pesticidas na União Europeia, herbicidas representando ⅓ do volume total de vendas e, destes, a maior parte deles, 40%, correspondem a herbicidas organofosforados, onde o glifosato é o representante da maioria. Em Espanha, durante estes anos houve um aumento de 46% nas vendas de herbicidas, ascendendo a cerca de 20.000 toneladas por ano.

Apenas um enorme volume de negócios como este pode explicar porque é que mais de 14 países apoiam a continuação da utilização do glifosato nos nossos campos. Países que, no seu conjunto, representam nada menos que 64,73% da população. No entanto, na Comissão de Recursos da Comissão Europeia, onde foi finalmente decidida a extensão da sua utilização, é necessária uma maioria qualificada de ⅔ para aprovar um parecer. O poderoso lobby do agronegócio quase teve sucesso. As grandes abstenções da França, Alemanha e Eslovénia, bem como o voto contra de outros 3 países (Croácia, Luxemburgo e Malta), permitiram bloquear uma votação a favor de uma licença de longo prazo para a utilização deste herbicida.

O grande volume deste negócio pode explicar por que tantos países são a favor do comércio legal desta substância nos nossos campos, apesar das abundantes evidências dos danos que causa à nossa saúde e aos ecossistemas. As vendas da empresa criadora do herbicida, Bayer-Monsanto, ascenderam em 2021 a cerca de 4.200 milhões de euros . É um herbicida que, comercialmente, apresenta cerca de 200 formulações e que existem diversas empresas que o comercializam. Nos EUA, as vendas totais deste herbicida ascenderam a mil milhões de dólares em 2018, enquanto em Espanha representaram cerca de 1.100 milhões de euros em 2017.

Em contraste com o poder das empresas que lucram com este negócio, destacam-se os quase 1,5 milhões de pessoas na Europa que se apresentaram e assinaram a favor da proibição do glifosato em 2017, quando a proibição estava a ser discutida pela primeira vez. .

Saúde humana
Desde que a proibição do glifosato foi rejeitada na UE em 2017, foram descobertos novos efeitos na saúde humana, tais como danos neurológicos e sintomas psicológicos decorrentes da exposição continuada. Além disso, já existe uma base empírica sólida que liga o glifosato a danos no tecido neuronal e algumas hipóteses sobre as vias de ação do glifosato na produção desses sintomas preocupantes.

Por outro lado, uma revisão da bibliografia recente, realizada pela pesquisadora Bożena Bukowska e vários colegas da Universidade de Łódź (Polónia), mostra que o glifosato estaria afetando a sociedade de forma sistêmica, além de poder prejudicar tecidos específicos. O herbicida seria capaz de alterar o padrão de expressão de múltiplos genes, inclusive daqueles que controlam a estrutura tridimensional do DNA quando ele está compactado no núcleo de nossas células. Essa estrutura tridimensional, que se forma graças a diferentes proteínas, inclusive as histonas, é chamada de cromatina. O glifosato estaria afetando a produção de algumas proteínas que controlam o grau de compactação da cromatina. Assim, muitas outras proteínas que devem se ligar a determinados locais para regular a expressão dos genes (proteínas chamadas fatores de transcrição) não seriam capazes de fazê-lo.

O grau de alteração é muito grande.Tanto que afeta a regulação do ciclo celular. O ciclo celular é um padrão altamente regulado de função, crescimento e divisão. Sua alteração é um dos requisitos na formação de tumores. Além disso, segundo Bukowska, não apenas a expressão desses “oncogenes” seria alterada, mas a expressão de outros genes importantes no metabolismo e na própria regulação da expressão gênica seria alterada. Mesmo em baixas concentrações de glifosato. Mas a coisa é ainda pior: existem alguns destes mecanismos reguladores cuja modificação durante a vida (seja pelo glifosato, por outros contaminantes, por estilos de vida e outros factores) é herdada pela descendência, pelo que potencialmente a nossa exposição ao glifosato pode afectar a vida dos gerações futuras.Isso é conhecido como epigenética e o glifosato estaria alterando isso.

Outra descoberta recente mostrou uma ligação plausível entre a exposição ao glifosato durante a gravidez e o nascimento prematuro.
O trabalho, realizado por um grupo interdisciplinar liderado por Corina Lesseur, do Departamento de Medicina Ambiental e Saúde Pública da Icahn School of Medicine (Nova Iorque, EUA), afirma que a exposição ao glifosato "pode ​​afetar a saúde reprodutiva, encurtando a duração do gestação” e lamentam a escassez de estudos a este respeito “dada a crescente exposição [ao herbicida] e o fardo para a saúde pública do nascimento prematuro”.

Na mesma linha, também foram encontradas evidências de que diminuiria o crescimento fetal nas concentrações atualmente presentes em nossos corpos.

Ecossistemas e biodiversidade
Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade de Konstanz (Alemanha) encontrou mais um efeito do glifosato nos polinizadores. Já sabíamos que afectava a microbiota simbiótica das abelhas melíferas, mas o que não se sabia era que os zangões selvagens podiam ver a sobrevivência da sua ninhada afectada porque “a capacidade colectiva de manter as altas temperaturas necessárias da ninhada diminui em mais de 25% durante os períodos de limitação de recursos” na presença de concentrações de glifosato comuns em nossos ecossistemas. Para os polinizadores nos nossos ecossistemas altamente stressados, a exposição ao glifosato acarreta custos ocultos que até agora têm sido largamente ignorados.Na mesma linha, um estudo aprofundado dos efeitos do glifosato na microbiota e no sistema imunológico das abelhas melíferas, liderado por Erick VS Motta, da Universidade de Austin (Texas, EUA), não deixa margem para dúvidas:
As concentrações presentes nos campos de cultivo produzem uma inibição do sistema imunológico das abelhas melíferas e simplificam a sua microbiota intestinal, tornando-as mais suscetíveis a infecções por bactérias e fungos oportunistas.

Conclusão
Uma pesquisa publicada recentemente mostrou os efeitos nocivos do glifosato nos ecossistemas e na própria saúde humana. A Comissão Europeia não pode fazer ouvidos moucos às provas disponíveis de quantidade e qualidade suficientes para aplicar uma suspensão do uso de glifosato enquanto a legislação o permitir. O número de distúrbios de saúde que pode produzir e a profundidade das alterações sistémicas no nosso ecossistema não podem ser ignorados antes do relatório da EFSA, que será publicado ao longo deste ano. Nem sequer é necessário recorrer ao princípio da precaução dado o número de casos.

No entanto, a última decisão está nas mãos dos interesses políticos e dos mercados. E é aí que a sociedade civil deve organizar-se e influenciar para mudar as posições das suas elites políticas e assim evitar uma nova licença para este herbicida. O dilema é claro : a divulgação deste facto é necessária e o pessoal científico não pode ficar calado face a outro desastre para a vida no nosso planeta, como o glifosato.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

O Glifosato - Cartoon por Serguei

Serguei (Serguei Goizauskas)


No dia 15 de dezembro de 2022, aconteceu algo que passou completamente despercebido pela sociedade. Quase nenhum comunicado de imprensa foi coletado. No entanto, é algo tão importante quanto chover ou não; tão importante quanto saber se a água que bebemos está contaminada ou não, mas o que foi omitido da sociedade?

A Comissão Europeia decidiu estender, por mais um ano, a permissão de uso do herbicida glifosato em nossas lavouras e parques públicos. E fê-lo sem ainda ter disponível o relatório da EFSA que sustenta, ou não, a extensão legal da sua utilização. A EFSA é a Agência Europeia para a Segurança Alimentar, encarregada de prestar aconselhamento técnico-científico à Comissão Europeia. Deve ser lembrado que esta agência deve ser um órgão independente. No entanto, suas reportagens foram historicamente influenciadas por lobbies. A elaboração do relatório sobre a relação entre a saúde humana e o glifosato, por este órgão, foi estendida para chegar a cinco anos, desde a anterior prorrogação legal do período de uso que ocorreu em 2017.

Mas, realmente não há evidências suficientes sobre como o glifosato afeta a biodiversidade de nossos ecossistemas e a saúde humana? Pelo menos isso parece emergir das ações da Comissão Européia. Apesar da recusa de vários países em continuar com a legalidade de seu uso como produto fitossanitário, incluindo a França, a UE decidiu usar sua prerrogativa para desfazer o "bloqueio institucional" que tornou ilegal o glifosato e, assim, estender a licença.
Por enquanto, o glifosato é um disruptor comprovado do sistema endócrino, alterando nosso sistema hormonal desde o início do desenvolvimento embrionário. Demonstrou-se capaz de alterar a biota intestinal de qualquer organismo a níveis patológicos. Da mesma forma, também provou ser um disruptor de ecossistemas, afetando polinizadores, organismos fotossintéticos e a fauna e as bactérias que habitam o solo.

Deste grupo dedicamos alguns artigos para demonstrar as abundantes evidências científicas disponíveis sobre os efeitos do glifosato na saúde humana ou sobre seu efeito disruptivo nos ecossistemas e sua limitada capacidade de melhorar as técnicas convencionais de cultivo. Além disso, um estudo epidemiológico recente realizado pela Association Campagne Glyphosate na França indica que 99,8% dos franceses teriam níveis detectáveis ​​de glifosato em seus corpos. A quantidade média encontrada é de 1,19 ng/ml; quantidade aparentemente minúscula a que, no entanto, tem sido observado atividade estrogênica (interrupção endócrina) enquanto altera a expressão do receptor de estrogênio em células humanas em concentrações “ambientalmente relevantes”

Então, por que a Comissão Européia concordou em estender seu uso na União Européia por mais um ano? O que há de novo nas evidências científicas disponíveis sobre como o herbicida mais usado no mundo afeta a saúde humana e os ecossistemas? O seu benefício realmente supera o risco?

Os números do capitalismo herbicida
Entre 2011 e 2020 , foram vendidas em média 350.000 toneladas anuais de pesticidas na União Europeia, herbicidas representando ⅓ do volume total de vendas e, destes, a maior parte, 40%, correspondem a herbicidas organofosforados, onde o glifosato é o representante da maioria. Na Espanha, durante esses anos, houve um aumento de 46% nas vendas de herbicidas, chegando a cerca de 20.000 toneladas por ano.

Só um grande volume de negócios como esse pode explicar por que mais de 14 países apoiam a continuidade do uso do glifosato em nossas lavouras. Países que, no seu conjunto, representam nada menos que 64,73% da população. No entanto, no Comité de Recursos da Comissão Europeia, onde foi finalmente resolvida a extensão da sua utilização, é necessária uma maioria qualificada de ⅔ para aprovar um parecer. O poderoso lobby do agronegócio quase conseguiu. As grandes abstenções de França, Alemanha e Eslovénia, bem como os votos contra de 3 outros países (Croácia, Luxemburgo e Malta), permitiram bloquear uma votação a favor de uma autorização de longo prazo para a utilização deste herbicida.

O grande volume desse negócio pode explicar por que tantos países são a favor do comércio legal dessa substância em nossas lavouras, apesar das abundantes evidências dos danos que ela causa à nossa saúde e aos ecossistemas. As vendas da empresa que criou o herbicida, Bayer-Monsanto, ascenderam em 2021 a cerca de 4.200 milhões de euros . É um herbicida que, comercialmente, vem em cerca de 200 formulações e que existem várias empresas que o comercializam. Nos EUA, as vendas totais deste herbicida ascenderam a 1 bilião de dólares em 2018, enquanto em Espanha representaram cerca de 1.100 milhões de euros em 2017.

Em contraste com o poder das empresas que lucram com esse negócio, destacam-se as quase 1,5 milhão de pessoas na Europa que se manifestaram e assinaram a favor da proibição do glifosato em 2017, quando a proibição foi discutida pela primeira vez. .

Saúde humana
Desde que a proibição do glifosato foi rejeitada na UE em 2017, novos efeitos na saúde humana foram descobertos, como danos neurológicos e sintomas psicológicos decorrentes da exposição contínua. Além disso, já existe uma base empírica sólida que relaciona o glifosato com danos ao tecido neuronal e algumas hipóteses sobre as vias de ação do glifosato quando se trata de produzir esses sintomas preocupantes.

Por outro lado, uma revisão da bibliografia recente, realizada pela pesquisadora Bożena Bukowska e vários colegas da Universidade de Łódź (Polônia), mostra que o glifosato estaria afetando a sociedade de forma sistémica, além de poder prejudicar tecidos específicos. O herbicida seria capaz de alterar o padrão de expressão de múltiplos genes, incluindo aqueles que controlam a estrutura tridimensional do DNA quando ele é compactado no núcleo de nossas células. Essa estrutura tridimensional, que se forma graças a diferentes proteínas, entre elas as histonas, é o que se chama de cromatina. O glifosato estaria afetando a produção de algumas proteínas que controlam o grau de compactação da cromatina. Assim, muitas outras proteínas que devem se ligar a determinados locais para regular a expressão de genes (proteínas chamadas fatores de transcrição) não seriam capazes de fazê-lo.

O grau de alteração é muito grande.Tanto que afeta a regulação do ciclo celular. O ciclo celular é um padrão altamente regulado de função, crescimento e divisão. Sua alteração é um dos requisitos na formação de tumores. Além disso, segundo Bukowska, não apenas a expressão desses "oncogenes" seria alterada, mas também a expressão de outros genes importantes no metabolismo e na própria regulação da expressão gênica. Mesmo em baixas concentrações de glifosato. Mas a coisa é ainda pior: existem alguns desses mecanismos regulatórios cuja modificação durante a vida (seja por glifosato, por outros contaminantes, por estilos de vida e outros fatores) é herdada pela prole, então potencialmente nossa exposição ao glifosato pode afetar a vida de gerações futuras.Isso é conhecido como epigenética e o glifosato estaria alterando isso.

Outra descoberta recente mostrou uma conexão plausível entre a exposição ao glifosato durante a gravidez e o parto prematuro.
O trabalho, realizado por um grupo interdisciplinar liderado por Corina Lesseur, do Departamento de Medicina Ambiental e Saúde Pública da Icahn School of Medicine (Nova York, EUA), afirma que a exposição ao glifosato "pode ​​afetar a saúde reprodutiva ao encurtar a duração gestação” e lamentam a escassez de estudos a esse respeito “dada a exposição crescente [ao herbicida] e o peso do parto prematuro para a saúde pública”.

Na mesma linha, também foram encontradas evidências de que diminuiria o crescimento fetal em concentrações atualmente presentes em nossos corpos.

Ecossistemas e biodiversidade
Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade de Konstanz (Alemanha) descobriu mais um efeito do glifosato nos polinizadores. Já sabíamos que afetava a microbiota simbiótica das abelhas melíferas, mas o que não se sabia era que os zangões selvagens podiam ver afetada a sobrevivência da sua ninhada porque “a capacidade colectiva de manter as altas temperaturas necessárias da ninhada diminui mais de 25% durante os períodos de limitação de recursos” na presença de concentrações de glifosato comuns em nossos ecossistemas. Para os polinizadores em nossos ecossistemas fortemente estressados, a exposição ao glifosato acarreta custos ocultos que até agora foram amplamente negligenciados. Na mesma linha, um estudo aprofundado sobre os efeitos do glifosato na microbiota e no sistema imunológico das abelhas melíferas, conduzido por Erick VS Motta, da Universidade de Austin (Texas, EUA), não deixa margem para dúvidas:
As concentrações presentes nos campos de cultivo produzem uma inibição do sistema imunológico das abelhas e simplificam sua microbiota intestinal, tornando-as mais suscetíveis a infecções por bactérias e fungos oportunistas.

Conclusão
Pesquisas publicadas recentemente mostraram os efeitos nocivos do glifosato nos ecossistemas e na própria saúde humana. A Comissão Europeia não pode fazer ouvidos moucos às evidências disponíveis em quantidade e qualidade suficientes para aplicar a suspensão do uso do glifosato pelo tempo que a legislação permitir. O número de transtornos de saúde que pode produzir e a profundidade das alterações sistêmicas em nosso ecossistema não podem ser ignorados antes do relatório da EFSA, que será publicado ao longo deste ano. Nem é preciso recorrer ao princípio da precaução dado o número de casos.

No entanto, a última decisão está nas mãos dos interesses políticos e dos mercados. E é aí que a sociedade civil deve se organizar e influenciar para mudar as posições de suas elites políticas e assim evitar uma nova licença para esse herbicida. O dilema é claro : divulgar esse fato é necessário e o pessoal científico não pode ficar calado diante de mais um desastre para a vida em nosso planeta, como o glifosato.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Para reduzir as superbactérias, o mundo deve reduzir a poluição

  • Até 10 milhões de mortes podem ocorrer anualmente até 2050 devido à resistência antimicrobiana (AMR), a par da taxa de 2020 de mortes globais por câncer
  • A poluição em setores-chave da economia contribui para o desenvolvimento, transmissão e disseminação da RAM
  • O custo econômico da AMR pode resultar em uma queda do PIB de pelo menos US$ 3,4 triliões anualmente até 2030, empurrando mais 24 milhões de pessoas para a pobreza extrema
Nairóbi, 7 de fevereiro de 2023 – Reduzir a poluição criada pelos setores farmacêutico, agrícola e de saúde é essencial para reduzir o surgimento, a transmissão e a disseminação de superbactérias – cepas de bactérias que se tornaram resistentes a todos os antibióticos conhecidos – e outras instâncias de resistência antimicrobiana, conhecidas como AMR. Esta é a principal mensagem de um relatório divulgado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre as dimensões ambientais da AMR, que já está causando sérios danos à saúde de humanos, animais e plantas, bem como à economia.

O relatório Preparando-se para superbactérias: fortalecendo a ação ambiental na resposta de saúde única à resistência antimicrobiana foi lançado na Sexta Reunião do Grupo de Líderes Globais sobre RAM , realizada em Barbados. Ele exige uma resposta multissetorial de Saúde Única . Isso está de acordo com o trabalho da Aliança Quadripartite, incluindo o PNUMA, a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH).

“A crise ambiental de nosso tempo é também uma crise de direitos humanos e geopolítica – o relatório de resistência antimicrobiana publicado hoje pelo PNUMA é mais um exemplo de desigualdade, já que a crise da RAM está afetando desproporcionalmente os países do Sul Global”, disse o primeiro-ministro Mia Amor Mottley, presidente do One Health Global Leaders Group on Antimicrobial Resistance.

O desenvolvimento e a disseminação da RAM significam que os antimicrobianos usados ​​para prevenir e tratar infecções em humanos, animais e plantas podem se tornar ineficazes, com a medicina moderna não sendo mais capaz de tratar até mesmo infecções leves.

Listada pela OMS entre as 10 principais ameaças globais à saúde, estima-se que em 2019, 1,27 milhão de mortes foram diretamente atribuídas a infecções resistentes a medicamentos em todo o mundo e 4,95 milhões de mortes em todo o mundo foram associadas à RAM bacteriana (incluindo aquelas diretamente atribuíveis à RAM ).

Espera-se que a RAM cause 10 milhões de mortes diretas adicionais anualmente até 2050. Isso equivale ao número de mortes causadas globalmente por câncer em 2020.

Espera-se que o custo económico da AMR resulte em uma queda do PIB de pelo menos US$ 3,4 triliões anualmente até 2030, empurrando mais 24 milhões de pessoas para a pobreza extrema.

A tripla crise planetária acarreta temperaturas mais altas e padrões climáticos extremos, mudanças no uso da terra que alteram sua diversidade microbiana, bem como poluição biológica e química. Tudo isso contribui para o desenvolvimento e disseminação da RAM.

“A poluição do ar, do solo e dos cursos de água prejudica o direito humano a um ambiente limpo e saudável. Os mesmos fatores que causam a degradação do meio ambiente estão piorando o problema da resistência antimicrobiana. Os impactos da resistência antimicrobiana podem destruir nossos sistemas de saúde e alimentação”, disse Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA. “Reduzir a poluição é um pré-requisito para mais um século de progresso em direção à fome zero e boa saúde.”

O relatório destaca um conjunto abrangente de medidas para abordar tanto o declínio do meio ambiente quanto o aumento da AMR, abordando especialmente as principais fontes de poluição de saneamento precário, esgoto, resíduos comunitários e municipais.

Para prevenir e reduzir estes poluentes é fundamental:
  • criar estruturas robustas e coerentes de governança, planejamento, regulamentação e legal em nível nacional e estabelecer mecanismos de coordenação e colaboração
  • aumentar os esforços globais para melhorar a gestão integrada da água e promover a água, o saneamento e a higiene para limitar o desenvolvimento e a disseminação da RAM no meio ambiente, bem como reduzir as infecções e a necessidade de antimicrobianos
  • aumentar a integração de considerações ambientais nos Planos de Ação Nacionais de AMR e AMR em planos relacionados ao meio ambiente, como programas nacionais de poluição química e gerenciamento de resíduos, biodiversidade nacional e planejamento de mudanças climáticas
  • estabelecer padrões internacionais para o que constitui um bom indicador microbiológico de RAM a partir de amostras ambientais, que podem ser usados ​​para orientar decisões de redução de risco e criar incentivos eficazes para seguir tal orientação
  • explorar opções para redirecionar investimentos, estabelecer incentivos e esquemas financeiros novos e inovadores e justificar o investimento para garantir financiamento sustentável, incluindo a alocação de recursos domésticos suficientes para combater a RAM.
  • Monitoramento e vigilância ambiental e maior priorização de pesquisas para fornecer mais dados e evidências e melhor direcionar as intervenções.
A AMR requer uma resposta One Health que reconheça que a saúde das pessoas, animais, plantas e meio ambiente estão intimamente ligadas e interdependentes. A prevenção está no centro da ação necessária para deter o surgimento da RAM e o meio ambiente é uma parte fundamental da solução. O fortalecimento abrangente e coordenado da ação ambiental na resposta One Health à RAM reduzirá o risco e a carga da RAM para os seres humanos e a natureza, além de ajudar a enfrentar a tripla crise planetária.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Os Riscos e Perigos da Extinção das Abelhas

1,8 milhões de seguidores de Jordan Peterson. Um céptico climático, polemista.
"O aquecimento global também desempenha um grande papel no perigo da população de abelhas. O aumento das temperaturas, o aumento das inundações, as secas e as mudanças nas estações de floração das plantas com flores afetam os ecossistemas das abelhas, reduzindo sua adequação ao meio ambiente e ameaçando sua sobrevivência." [Fairplanet- 21.05.2022]
Eu penso nos polinizadores. Estão em extinção.

Alina Ciuciu [site oficial]

O céu azul e as flores desabrochando da primavera também trazem consigo o zumbido das abelhas, que saem de suas colmeias em busca de pólen. Embora pequenas em tamanho, as suas contribuições para os nossos ecossistemas são importantes; Simplificando, a vida na Terra como é hoje não existiria sem as abelhas. Ao longo de milhões de anos, as abelhas evoluíram para ajudá-las a polinizar as flores, ganhando até mesmo pequenas bolsas de pólen para transportar cargas maiores; as flores também evoluíram para atrair abelhas e outros polinizadores e dependem em grande parte deles para reprodução. É por isso que seu desaparecimento é preocupante: ao longo do século passado, as populações de abelhas caíram a pique e algumas até foram rotuladas como ameaçadas de extinção, deixando seus ecossistemas - e nossas cadeias alimentares - em risco de colapso.

Porque é que as abelhas estão em perigo de extinção?
As abelhas estão em risco de extinção em grande parte devido às atividades humanas: mudanças em larga escala no uso da terra, práticas agrícolas industrializadas , como monoculturas, e o uso prejudicial de pesticidas contribuíram para destruir seus habitats e reduzir suas fontes de alimento disponíveis. A globalização também facilitou a transmissão de parasitas e outras espécies invasoras que atacam as abelhas, como a vespa asiática, que pode dizimar colmeias inteiras em horas.

O aquecimento global também desempenha um grande papel na ameaça da população de abelhas. O aumento das temperaturas, o aumento das inundações, as secas e as mudanças nas estações de floração das plantas com flores afetam os ecossistemas das abelhas, reduzindo sua adequação ao meio ambiente e ameaçando sua sobrevivência.

Quais  são as abelhas  que estão em risco de extinção?
Embora a maioria das espécies de abelhas tenha sofrido uma perda populacional em larga escala nos últimos 300 anos e 40% das espécies de polinizadores invertebrados estejam em extinção, oito espécies de abelhas foram oficialmente declaradas como ameaçadas de extinção.

Sete das oito são espécies da abelha havaiana de face amarela , que estão em risco devido à ameaça de espécies não nativas de formigas que se alimentam dos ovos, bem como da destruição do habitat.

O abelhão enferrujado (Bombus affinis) também está listado como uma espécie em extinção e corre risco de extinção, provavelmente devido à exposição a pesticidas e perda de habitat devido à urbanização. A população do abelhão enferrujado, endêmica da América do Norte, diminuiu para apenas 0,1% de seus níveis históricos.

Felizmente, nem todas as abelhas estão ameaçadas de extinção, embora todas enfrentem um sério declínio populacional devido à atividade humana e às mudanças climáticas.

Porque é que as abelhas são importantes?
As abelhas são um dos polinizadores mais eficientes e prevalentes. Têm uma relação simbiótica mutualística com flores e outras plantas, pelo que tanto a planta como a abelha beneficiam da sua interação: as abelhas polinizam as plantas, espalhando o pólen (que apanham nos seus minúsculos pelos) de flor em flor, ajudando assim a as plantas se reproduzem; em troca, as abelhas também comem o pólen, que é um componente crítico de suas dietas. A evolução de muitas flores foi amplamente adaptada para aumentar sua atratividade para as abelhas, favorecendo flores que estão no espectro de cores que as abelhas podem ver (ultravioleta em vez de vermelho) e que liberam um cheiro forte e doce quando seu pólen está pronto para leva.

No entanto, as abelhas polinizam mais do que apenas flores - muitas de nossas frutas e vegetais favoritos requerem a ajuda de abelhas para polinizá-los. De tomates, abóboras, pepinos e berinjelas a nozes, sementes e até algodão. Estima-se que cerca de 80 por cento da polinização de plantas com flores usa a ajuda de polinizadores como as abelhas para se reproduzir. As abelhas são essenciais para a estabilidade de nossos sistemas alimentares, sustentando mais de 35% das terras agrícolas globais - e é por isso que seu desaparecimento é preocupante para os humanos.

O que aconteceria se as abelhas forem extintas?
A questão ecológica da possível extinção das abelhas também é uma questão humanitária, pois a estabilidade das populações humanas depende em grande parte da estabilidade das populações das abelhas. Considerando o papel crucial das atividades de polinização das abelhas no apoio aos nossos sistemas agrícolas , seu desaparecimento provavelmente resultaria em uma crise alimentar para a humanidade. A oferta de alimentos como maçãs, bagas, abacates, café e cebolas cairia drasticamente, uma vez que requerem a ajuda de polinizadores para se reproduzirem. Com a queda na oferta, os preços desses alimentos disparariam, tornando-os raros e inacessíveis para a maioria das pessoas.

A dizimação dessas plantas teria efeitos secundários em outros animais além dos humanos, que também dependem delas como fonte de alimento, resultando em maior perda de biodiversidade. Para nos ajudar a atender à procura de alimentos para a crescente população humana mundial e alcançar o ODS 2, devemos proteger e promover ativamente as populações de abelhas e outros polinizadores.

Como podemos ajudar as abelhas?
Assim como as flores e as abelhas fornecem trocas mutuamente benéficas, os seres humanos - todos os quais se beneficiam das atividades polinizadoras das abelhas - devem ajudar a promover a saúde das abelhas. 

  • Proibição de pesticidas perigosos: O Comitê Europeu de Segurança Alimentar (EFSA) afirmou que três pesticidas importantes representam um “risco agudo elevado” para as espécies de abelhas e foram encontrados em níveis perigosos dentro de suas colmeias. Os governos devem garantir que os pesticidas aprovados não sejam prejudiciais às populações de polinizadores, o que, a longo prazo, ajudará a aumentar o rendimento das colheitas e promover a agricultura sustentável .
  • Prevenir e reverter a perda de habitat : Sem ambientes adequados para as abelhas construírem casas e terem fontes de alimento abundantes, suas populações continuarão diminuindo. Prevenir o desmatamento pode, portanto, também prevenir a extinção das abelhas e, como efeito colateral, promover maiores rendimentos das colheitas.
  • Compre produtos orgânicos: Os produtos orgânicos são cultivados sem o uso de pesticidas e, portanto, não possuem produtos químicos que possam matar as abelhas.
  • Plante flores e plantas que as abelhas polinizam: Se você tem um jardim, pode plantar certas plantas que atraem abelhas e outros polinizadores. Certifique-se de plantar usando sementes orgânicas e evite o uso de fungicidas ou pesticidas.
  • Compre mel local: os produtores locais de mel sustentam as populações de abelhas, mas precisam de renda para sustentar suas fazendas e a si mesmos. Comprar localmente ajudará os pequenos agricultores a sobreviver, além de ajudar a biodiversidade das plantas e as comunidades de abelhas em sua área.
  • Não mate colmeias de abelhas: embora muitas pessoas tenham medo de abelhas, é importante entender que elas são inofensivas, a menos que sejam provocadas. Na verdade, nem todas as abelhas picam - algumas espécies não possuem habilidades de picar, e os machos não picam. Mesmo as abelhas fêmeas que picam só picam se forem diretamente ameaçadas ou atacadas. Se você não se sentir confortável com as abelhas por perto, entre em contato com uma associação de apicultores local que irá realocar as abelhas para um novo lar.
Considerações finais

No Dia Mundial das Abelhas (20 de maio), reconhecemos a importância dessas belas e pequenas criaturas, cujas atividades ajudam a preservar e perpetuar a vida na Terra. A dizimação das suas populações deve-nos lembrar o caráter desestabilizador da atividade humana, que é possível prevenir e corrigir. Nossas perspectivas de nossos ambientes e nossas cadeias alimentares devem mudar de foco apenas nas plantas que comemos para incluir os outros organismos que sustentam a vida das plantas - e, por extensão, nossas vidas também.