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segunda-feira, 16 de março de 2026

O Earthism e a Transição para uma Civilização Ecológica


A crise civilizacional que enfrentamos no século XXI — marcada pelas alterações climáticas, pela perda acelerada de biodiversidade e pela erosão dos tecidos sociais — não é apenas um problema técnico que se resolve com melhores painéis solares ou carros elétricos. Trata-se, fundamentalmente, de uma crise de identidade e de metafísica. No centro da resposta a este desafio surge o Earthism (ou Terrismo), uma filosofia e um movimento ético que propõe uma reorientação radical: a transição de uma visão antropocêntrica para uma visão ecocêntrica da existência.

A Génese do Terrismo: De Whitehead a Cobb Jr.
Para compreender o Earthism, é obrigatório passar pela figura de John B. Cobb Jr., filósofo e teólogo norte-americano que dedicou a sua vida a construir as bases de uma Civilização Ecológica. Cobb fundamentou o seu pensamento na Filosofia do Processo de Alfred North Whitehead. Segundo esta perspetiva, o universo não é uma coleção de objetos inertes e independentes, mas sim um fluxo contínuo de eventos e relações.

Nesta visão, a Terra não é um "armazém de recursos" à espera de ser explorado, mas um organismo vivo e dinâmico onde cada parte — do microrganismo ao ser humano — possui valor intrínseco. Ao contrário da visão mecânica da modernidade, o Earthism defende que a natureza é "experienciadora". Quando destruímos um ecossistema, não estamos apenas a perder matéria-prima; estamos a ferir a própria trama da vida da qual fazemos parte.

Earthism vs. Ecologia Profunda: Uma Distinção Necessária
É comum confundir o Terrismo com a Ecologia Profunda (Deep Ecology), popularizada por Arne Naess. Embora partilhem a crítica ao consumo desenfreado, as nuances são vitais. A Ecologia Profunda é, muitas vezes, uma filosofia secular e puramente biocêntrica que pode tender para uma visão misantrópica, vendo o ser humano como um intruso ou uma ameaça à "pureza" da natureza.

Já o Earthism de Cobb Jr. é profundamente humanista e integrador. Cobb não nega a singularidade humana; pelo contrário, ele afirma que, por sermos a parte da biosfera que atingiu a autoconsciência e a capacidade tecnológica, temos a responsabilidade ética de agir como "guardiões" da Terra. O Terrismo não pede o fim da civilização, mas a sua transformação total numa civilização que floresça em harmonia com os limites planetários.

A Economia como Subsidiária da Ecologia
Uma das maiores contribuições de Cobb para o movimento foi a sua colaboração com o economista Herman Daly. No seu livro seminal For the Common Good, ambos desmontaram o mito do crescimento económico infinito num planeta finito. Para um "Earthista", a economia atual é uma forma de loucura matemática: tratamos o capital natural (solo, água, ar) como se fosse inesgotável.

A proposta de Cobb e Daly é a substituição do PIB (Produto Interno Bruto) por indicadores que meçam o bem-estar real e a integridade ecológica. Defendem uma Economia para a Comunidade, onde a produção é local, circular e regenerativa. Aqui, o sucesso não é medido pela acumulação de riqueza abstrata, mas pela capacidade de uma comunidade sustentar a vida de forma digna e sustentável.

A Convergência com Outros Pensadores
O Earthism não é uma ilha intelectual. Ele converge com o pensamento de Thomas Berry, que nos instigou a realizar o "Grande Trabalho" de transição da era Cenozoica para uma era Ecozoica. Bebe também da Democracia da Terra de Vandana Shiva, que luta contra a privatização da vida e pela proteção das sementes e da biodiversidade no Sul Global.

Conclusão: O Regresso à Terra
Em última análise, ser um adepto do Earthism significa reconhecer que não somos "donos" de nada, mas sim "terrestres". É a compreensão de que a espiritualidade, a política e a economia devem estar ao serviço da comunidade da vida. Como John B. Cobb Jr. frequentemente afirmou, o nosso destino e o destino da Terra são um só. Se a Terra falhar, a humanidade falha; mas se aprendermos a viver como parte integrante deste superorganismo, poderemos finalmente construir uma civilização que seja digna desse nome.

Referências Bibliográficas
  1. Berry, T. (1999). The Great Work: Our Way into the Future. Nova Iorque: Bell Tower.
  2. Cobb, J. B., Jr. (2010). Spiritual Bankruptcy: A Prophetic Call to Action. Nashville: Abingdon Press.
  3. Daly, H. E., & Cobb, J. B., Jr. (1994). For the Common Good: Redirecting the Economy toward Community, the Environment, and a Sustainable Future. Boston: Beacon Press.
  4. Naess, A. (1989). Ecology, Community and Lifestyle: Outline of an Ecosophy. Cambridge: Cambridge University Press.
  5. Shiva, V. (2005). Earth Democracy: Justice, Sustainability, and Peace. Londres: Zed Books.
  6. Whitehead, A. N. (1929/1978). Process and Reality: An Essay in Cosmology. Nova Iorque: Free Press.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

The conservation world comes together on the eve of IUCN Congress 2025


As participants arrive in Abu Dhabi, UAE, for the IUCN World Conservation Congress 2025, protected and conserved areas actors gathered across the city.

Fifty-one delegates of the Biodiversity and Protected Area Management (BIOPAMA) programme assembled for a Knowledge Sharing Day, bringing a close to one of IUCN's largest and longest-running grant-making initiatives (approximately 55 million over 13 years). Grantees from Africa, the Caribbean and the Pacific reflected on the impact of their grants, ranging from supporting management effectiveness through the IMET and PAME tools, strengthening governance of protected areas, and to supporting grassroots organisations to stay afloat during the COVID-19 pandemic and build their financial capacity.

"For a long time, protected areas have ignored the rights and contributions of local communities. BIOPAMA has put the focus on governance to make conservation more equitable."
Samuel Shaba, Honeyguide Foundation Tanzania.

"Through BIOPAMA, it’s evident that good governance is the foundation of sustainable conservation. When decisions are transparent and communities are empowered, conservation becomes shared and a lasting success." 
Annick Zanga Ada, African Marine Conservation Organisation

The BIOPAMA initiative, funded by the European Union and the Organisation of African, Caribbean and Pacific States (OACPS) has supported +160 organisations across 79 countries since its inception in 2012. IUCN Congress will host almost 30 events in which BIOPAMA grantees will showcase their conservation work. Click here to learn about the events.

At the ADNEC Centre, the first ever in person ‘World Summit of Indigenous Peoples and Nature “Our Traditional Knowledge is the Language of Mother Earth”’ took place, a historic first for IUCN, led by Anita Tzec, Maya leader and Senior Programme Manager of IUCN. The event gathered IUCN Director General Dr. Grethel Aguilar; IUCN President Razan Al Mubarak; and Indigenous leader and IUCN Vice President, Ramiro Batzin Chojoj, alongside IUCN’s Indigenous Peoples Organisations members and partner representatives from across the globe. The opening spiritual ceremony was followed by high level segments that acknowledged the outsized role that Indigenous peoples and local communities play in conserving biodiversity through centuries of practices rooted in traditional knowledge, customary governance, cultural and spiritual values that tie Indigenous peoples to their ancestral territories.

“For Indigenous peoples, conservation is everything, it is about life, it is about mother earth, it a way of living for Indigenous peoples, so conservation must be about the rights, governance and knowledge of Indigenous peoples”. Ramiro Batzin Chojoj, IUCN Vice President.

The issues discussed at the Indigenous Peoples Summit shouldn’t remain aspirational but rather form strong action oriented plans that can drive change: “The first Indigenous Peoples Summit in the history of IUCN is not just symbolic, it is a promise to work closely with Indigenous peoples and local communities” said Razan Al Mubarak, “the priorities that are set here must carry forward into national plans and global frameworks”. The messages on the first day were clear, Indigenous peoples are rightsholders not just stakeholders, and are leaders not beneficiaries. It is up to us to build long term trusted partnerships to effect real change. The Indigenous Peoples Summit will be followed by the first Indigenous Peoples Pavilion and IUCN PCA Team will follow the key messages and recommendations closely.

Last but not least, the IUCN Protected and Conserved Areas team were hard at work across the ADNEC Exhibition space to prepare the the pavilions for the opening of the Exhibition tomorrow. See you at IUCN Congress 2025!

View the IUCN Protected and Conserved Areas team's 09 October events by clicking here

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration gains global Momentum at CBD COP16


At the 16th Conference of the Parties (COP16) to the Convention on Biological Diversity (CBD) in Cali, Colombia, groundbreaking initiatives on Indigenous Peoples’ biocentric restoration were unveiled by the FAO in partnership with Costa Rica, Ecuador, Peru, Colombia, and Indigenous Peoples’ representatives.

The new initiatives aim to restore degraded ecosystems by putting Indigenous Peoples’ cosmogony, knowledge systems and traditional practices at the centre, in efforts to halt biodiversity loss and promote sustainable environmental management.


“The importance of incorporating Indigenous Peoples’ knowledge into environmental restoration cannot be overstated. Indigenous Peoples have been stewards of the land for millennia, and their territorial management practices offer valuable insights into how we can restore and protect biodiversity,” said H.E. Franz Tattenbach, Minister of Environment and Energy of Costa Rica. “Costa Rica is proud to be at the forefront, developing the world’s first National Plan on Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration, which integrates Indigenous Peoples’ food and knowledge systems into national environmental strategies.

The Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration programme, a collaboration between FAO and Indigenous Peoples’ leaders, is designed to restore ecosystems while respecting Indigenous Peoples' collective rights, spiritual beliefs and territorial management practices. The programme, initiated in 2019, emphasizes the critical role that Indigenous Peoples’ communities play in ecosystem restoration, not just as participants but as leaders in the process.



Ramiro Batzin, Co-Chair of the International Indigenous Forum on Biodiversity (IIFB), opened the session alongside Mr Godfrey Magwenzi, Director of the FAO Director General’s Office, to emphasize the importance of Indigenous Peoples’-led restoration initiatives.

“Science shows that by being holistic, Indigenous Peoples' food and knowledge systems are key to preserving and restoring the biodiversity and allies for the fulfilment of the Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework’’, underlined Mr Magwenzi. FAO, together with Indigenous Peoples' organizations, has co-developed the Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration approach, by centering Indigenous Peoples’ knowledge and cosmogony, and promotes the restoration of ecosystems through the strengthening of their food and knowledge systems.

“It is a pleasure for IIFB to host this event,” stated Ramiro Batzin, on behalf of the IIFB. “I would like to recognize the role of the Indigenous Peoples’ biocentric restoration approach at COP16. This approach has been presented and recognized at the TRɄA World Summit on Traditional Knowledge related to Biodiversity [that] we organized last August in Bogota, to prepare the negotiations at COP. At that Summit, we managed to bring together over 150 Indigenous Peoples’ leaders from all 7 socio-cultural regions, UN Agencies, government and key actors. These recommendations and presentations, including on biocentric, have been crucial for the work at the CBD COP16”.

Speakers recognized the relevance of the approach and the importance of the ongoing national plans. “This initiative is not just about restoring ecosystems; it’s about recognizing the rights of Indigenous Peoples and our role as custodians of the genetic diversity and nature. It’s a matter of justice, respect, and equity” said Mr Donald Rojas, President of the Mesa Nacional Indígena de Costa Rica (National Indigenous Platform of Costa Rica). “By integrating Indigenous Peoples’ cosmogony and knowledge, we can ensure that restoration efforts are effective and ensuring long-term sustainability for future generations. Through these kind of processes, we ensure the recognition of Indigenous Peoples as custodiams of biodiversity”.

Ms Nelly Paredes, Executive Director of the National Forest and Wildlife Service of Peru (SERFOR), reaffirmed Peru’s commitment to Indigenous Peoples’ biocentric restoration, highlighting efforts to develop a Regional Plan on Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration in the Southern Andes. This plan will work in close collaboration with local governments and Indigenous Peoples’ self-governance authorities. “We are committed to restoring the Southern Andes together with Indigenous Peoples. A biocentric restoration regional plan is starting to ensure Indigenous Peoples’ knowledge is considered for the restoration and conservation with native species,” said Ms Paredes. “By involving Indigenous Peoples as implementers and partners in the conservation strategies, we are creating a powerful, sustainable biocentric plan for effective environmental restoration.”





Other nations, including Ecuador and Colombia, have also made significant strides in integrating Indigenous Peoples’ knowledge into restoration strategies. Ms Glenda Ortega, Undersecretary of Natural Heritage in Ecuador’s Ministry of Environment, Water, and Ecological Transition, shared the country’s work with the International Bamboo and Rattan Organization (INBAR) in Latin America to promote the use of native bamboo species for restoration in the Amazon basin.

Mr Pacha Kanchay, Spiritual Leader of the Organización Nacional Indígena de Colombia (ONIC), reaffirmed Colombia's commitment to initiate Indigenous Peoples-led restoration activities in their territories. “In Colombia, we are learning from the ancestral knowledge of Indigenous Peoples’ communities to address environmental challenges,” said Mr Kanchay. “The integration of our spiritual and cultural values into restoration practices will help us heal our lands and preserve our biodiversity for future generations.”


The Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration Initiative includes the creation of “schools of life” to support intergenerational knowledge transmission; the establishment of community nurseries; and the careful consideration of species with ecological, spiritual, and medicinal value. These efforts emphasize the importance of respecting Indigenous Peoples' collective rights, including the right to Free, Prior, and Informed Consent (FPIC).

Yon Fernandez de Larrinoa, Head of FAO Indigenous Peoples Unit, explained the approach, welcoming the attendees to the high-level side event and reiterating the significance of these efforts in the global context. “Indigenous Peoples’ biocentric restoration is not just a solution for today, but a long-term strategy for planetary health,” said Mr Fernandez de Larrinoa. “It aligns directly with the goals of the UN Decade on Ecosystem Restoration and supports the targets of the Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework.



The Initiative has already launched restoration efforts in Bolivia, Brazil, Colombia, Costa Rica, Ecuador, India, Nepal, Peru and Thailand. Future activities are planned for Kenya and the Democratic Republic of Congo.

As global environmental challenges continue to grow, the integration of Indigenous Peoples’ knowledge into biodiversity conservation efforts has become more urgent. The launch of the Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration Initiative at COP16, dubbed “The COP of the People,” marks a crucial step towards ensuring that Indigenous Peoples’ rights and traditional ecological knowledge are prioritized in global biodiversity frameworks.

“Indigenous Peoples’-led restoration is not only an environmental imperative; it is a human rights issue,” concluded Mr Mariano Castro, from the Peace and Biodiversity Dialogue Initiative at the Secretariat of the CBD. “This initiative exemplifies how the world can work together to restore our ecosystems while honoring the rights of Indigenous Peoples and support the implementation of the CBD commitments,” he added.

Mr Pablo J. Innecken, FAO Officer for Biodiversity and Climate Change, thanked the speakers and participants at the event with the conclusion that Indigenous Peoples’ biocentric restoration, as an initiative rooted in the work of the UN Decade on Ecosystem Restoration, is aiming to support the implementation of targets 2, 3, 10 and 22 of the Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework.

The event at COP16 marks a significant step forwards in global efforts to prioritize Indigenous Peoples’ rights and knowledge in biodiversity conservation, aligning with the commitment of CBD member states embodied in the adoption of the new Programme of Work on Article 8(j) and the creation of a Subsidiary Body to support the implementation of this Article.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

A Ética Ambiental: O Imperativo Moral para a Sobrevivência Coletiva


A relação entre a humanidade e o mundo natural deixou de ser uma questão de mera utilidade para se tornar o epicentro do debate filosófico e político contemporâneo. A ética ambiental surge não apenas como um ramo da filosofia, mas como uma resposta urgente à crise ecológica, propondo uma reavaliação dos valores que norteiam a nossa presença no planeta. Esta disciplina consolidou-se na década de 1970, desafiando o antropocentrismo clássico — a ideia de que o Homem é o centro do universo — e introduzindo o conceito de que a natureza possui um valor intrínseco, independentemente da sua utilidade para o consumo humano.

As raízes desta ideologia bebem de pioneiros como Aldo Leopold, que na sua obra fundamental A Sand County Almanac (1949), introduziu a "Ética da Terra", defendendo que uma ação é correta quando tende a preservar a integridade e a beleza da comunidade biótica. Logo depois, Rachel Carson tornou-se o catalisador ético do movimento moderno com Silent Spring (1962), expondo a arrogância tecnológica humana. No campo da filosofia pura, o norueguês Arne Naess cunhou o termo "Ecologia Profunda", estabelecendo uma distinção clara entre a ecologia "rasa" (preocupada apenas com recursos para humanos) e a profunda, que reconhece o direito de todas as formas de vida florescerem.

A evolução do conceito trouxe novas camadas de complexidade com a introdução de visões individualistas e biocêntricas. Paul Taylor, em Respect for Nature (1986), defendeu o biocentrismo igualitário, onde cada organismo vivo é visto como um "centro teleológico de vida". Diferenciando-se desta visão sistémica, Tom Regan posicionou-se fora do ecocentrismo tradicional ao focar-se nos direitos individuais. Inspirado pela deontologia, Regan argumentou que animais sencientes são "sujeitos-de-uma-vida" e possuem valor inerente, o que proíbe o seu sacrifício mesmo em nome do equilíbrio de um ecossistema. Esta linha aproxima-se do utilitarismo de Peter Singer, embora Regan prefira a linguagem dos direitos absolutos à do cálculo de sofrimento.

A transição da teoria para a prática económica e existencial deve muito a nomes como Malte Faber e Reiner Manstetten. Faber, um dos pais da economia ecológica, integrou conceitos da física, como a entropia, para demonstrar que a ética ambiental é um imperativo biofísico: a economia deve respeitar a irreversibilidade do tempo e a finitude dos recursos. Manstetten, por sua vez, propõe uma filosofia da natureza que foge do ecocentrismo radical e misantrópico; para ele, o Homem não é um "vírus", mas um ser que deve redescobrir a sua dignidade através de uma relação de parceria e cuidado com o mundo natural. Esta visão cooperativa é essencial para a Ecologia Política, que estuda como o poder e a ética moldam a distribuição de custos ambientais.

Atualmente, estes princípios traduzem-se em resultados tangíveis como a Justiça Ambiental e a Transição Justa, conceitos centrais em tratados como o Acordo de Paris, que procura proteger comunidades vulneráveis na mudança para uma economia verde. O impacto jurídico é visível no movimento pelos Direitos da Natureza, onde países como o Equador integraram a "Pachamama" nas suas constituições como sujeito de direitos, um tema explorado detalhadamente no e-book do International Rivers. Paralelamente, o setor financeiro adotou critérios de ESG (Governação Ambiental, Social e Corporativa), reconhecendo que a negligência ética é um risco económico, conforme discutido em publicações da Harvard Business Review.

Em conclusão, a importância da ética ambiental reside na sua capacidade de nos recordar que somos parte integrante da biosfera. Desde o holismo de Leopold e o individualismo de Regan até à economia ecológica de Faber e Manstetten, o pensamento verde evoluiu para uma estrutura robusta que influencia hoje políticas públicas e tribunais internacionais. A sobrevivência da civilização depende agora da nossa capacidade de converter estes princípios em ações climáticas concretas, garantindo que a integridade do planeta seja preservada para as gerações vindouras.

Recursos Adicionais:

Para um estudo sobre a economia e filosofia da natureza, recomenda-se a consulta dos trabalhos de Faber e Manstetten disponíveis através do Instituto de Economia Ecológica.

Relatórios detalhados sobre ética e governação podem ser encontrados no portal do UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Há cinco anos, o Brasil perdia Oscar Niemeyer, o Gênio do Concreto

Há cinco anos, o Brasil entrava em luto pela morte do artista que revolucionou a arquitetura moderna mundial e deu ao país um patrimônio que entrou para a história. Oscar Niemeyer (1907-2012) é considerado, ainda hoje, o maior arquiteto brasileiro. Reconhecido internacionalmente, o Gênio do Concreto deixou como legado a cidade que continua impressionando moradores e visitantes: Brasília.

A capital federal, maior e mais famosa obra de Niemeyer, é chamada pelo professor aposentado de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Carlos Cabral de "obra indelével". Cabral, paulista, veio para a cidade por influência do trabalho de Niemeyer ; queria aprender com o ícone.

O preferido do próprio Niemeyer, segundo o também professor da UnB Frederico Holanda, era o Congresso Nacional. Holanda lembra a genialidade do mestre também no projeto do Palácio Itamaraty, que resgata influências clássicas, como nas colunas ao redor, parecidas com o Partenon, na Grécia, e ao mesmo tempo homenageia o antigo palácio, no Rio de Janeiro, com arcos plenos (meio círculos) nas janelas.

No entanto, Holanda acredita que a verdadeira revolução de Niemeyer aconteceu antes mesmo de Brasília: no início da década de 1940, o carioca projetou o conjunto arquitetónico da Pampulha, em Belo Horizonte, e depois considerou esse o seu verdadeiro começo. "Ele introduz uma dimensão poética que não era comum e se insurgiu contra a linha dominante, mais racional, canônica, de modulações rígidas, traçados reguladores e ortogonalidade", explica o professor da UnB. Enquanto Le Corbusier, mestre e "guru assumido" de Niemeyer (ler Carta de Atenas)  e Lucio Costa, era racionalista, Oscar era poesia, imaginação e fantasia, segundo Holanda.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Documentário: Real Value

Documentário "Valor Real" 
O premiado cineasta Jesse Borkowski apresenta uma reflexão inspiradora sobre como os negócios podem ser utilizados para gerar valor para além do lucro, conectando histórias motivacionais de empreendedores sociais ativos nos setores da agricultura, vestuário, seguros e biocombustíveis com a fascinante ciência por detrás da nossa perceção de valor, apresentada pelo conceituado professor de psicologia e economia comportamental, Dan Ariely. "Valor Real" é um documentário que acompanha um sentimento crescente entre muitos americanos de que o foco corporativo no lucro tem prejudicado a sociedade. O filme serve de inspiração para qualquer empresário, empreendedor ou consumidor que procure compreender melhor o que acontece quando uma empresa coloca as pessoas, o planeta e o lucro em pé de igualdade. O documentário inclui entrevistas com Dan Ariely, professor de psicologia e economia comportamental na Universidade de Duke, autor de "Previsivelmente Irracional", "O Lado Bom da Irracionalidade", "A Verdade Nua e Crua sobre a Desonestidade" e produtor executivo do documentário "Desonestidade: A Verdade sobre as Mentiras". Lyle Estill, cofundador da Piedmont Biofuels e autor de "Small Stories: Big Changes", "Industrial Evolution" e "Small is Possible"; Eric Henry, presidente da TS Designs e vencedor do prémio North Carolina Sustainability Champion Award; Kevin Trapani, presidente e diretor executivo do The Redwoods Group, uma seguradora reconhecida como líder em responsabilidade social corporativa e nomeada uma das melhores empresas do mundo em termos de impacto global pela B Lab; e Carol Koury, fundadora e presidente da Sow True Seed.

sábado, 23 de maio de 2009

Manteigas ganha ECO XXI- o que é o ECOXXI?


Preciso mesmo de boas notícias. Esta semana foi quase desastrosa, com tanto trabalho, correcção de testes, difícil relação entre os colegas de trabalho, a contestação às políticas do Ministério da Educação e do Ambiente. Mas uns bons momentos com a minha família e a moral está retemperada novamente. Precisava de férias, mas como muitos Portugueses, não tenho dinheiro, mesmo para ir outra vez à Serra da Estrela. Vou sonhando, mas se as férias viessem agora, acreditem eram merecidas. Infelizmente só as terei em Agosto.

O que é o EcoXXI?
O EcoXXI é um projecto destinado aos municípios que visa distinguir as boas práticas no sentido da sustentabilidade desenvolvidas a nível local, com especial ênfase nos aspectos relativos à qualidade ambiental e às práticas de educação para a sustentabilidade.

Inspirado nos objectivos da Agenda 21, procura, através de um sistema de 23 indicadores e diversos sub-indicadores, avaliar diversas vertentes da sustentabilidade desde a gestão de recursos, à informação aos munícipes passando pela energia, mobilidade, floresta, resíduos, conservação da natureza e biodiversidade, turismo, ordenamento do território, qualidade do ar e da água, agricultura sustentável, emprego, etc.