quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Combichrist - Only Here For A Good Time
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Solaris (1972) de Tarkovsky: Porque é que a ficção científica é mais atual hoje do que nunca?
A ficção científica filosófica Solaris, adaptada do romance de Stanisław Lem e imortalizada no cinema por Andrei Tarkovsky em 1972 (com uma nova versão de Steven Soderbergh em 2002), é um drama existencial sobre os limites da mente humana perante o desconhecido e o peso inegociável da culpa e da memória. A narrativa acompanha Kris Kelvin, um psicólogo enviado a uma estação espacial que orbita o planeta misterioso Solaris. O planeta é coberto por um oceano protoplasmático gigante que demonstra ter consciência e, ao ler as mentes dos cientistas da estação, materializa as suas memórias, desejos e remorsos mais ocultos na forma de "visitantes" físicos. Kelvin vê-se forçado a conviver com uma cópia perfeita da sua falecida esposa, Hari, que se tinha suicidado anos antes após uma discussão entre o casal, forçando-o a enfrentar a carga emocional do seu passado.
O filme choca e mantém o seu impacto porque subverte as convenções da ficção científica tradicional de tecnologia e conquista galáctica para questionar a condição humana. Apresenta uma crítica à arrogância e ao antropocentrismo ao mostrar uma inteligência alienígena inacessível à lógica humana, evidenciando que a busca pelo cosmos é frequentemente uma fuga de nós próprios. A obra aborda a materialização da dor e do luto através da memória, transformando o remorso numa presença física, enquanto explora o mistério da identidade e da consciência ao mostrar a evolução de Hari de uma mera projeção para um ser com sofrimento e agência próprios. Toda esta atmosfera é intensificada pelo ritmo contemplativo e pelo isolamento claustrofóbico que espelha a própria prisão mental dos cientistas.
As influências científicas e filosóficas da obra elevam-na a uma profunda meditação existencial baseada na epistemologia, na psicanálise e na física teórica do século XX. No âmbito científico, o fracasso da "Solariologia" - a disciplina fictícia criada para catalogar o oceano - ilustra os limites do empirismo e antecipa a Teoria do Caos e os Sistemas Complexos, demonstrando como certos fenómenos ultrapassam a capacidade de modelação humana. Para explicar a existência dos visitantes, recorre-se a conceitos quânticos de matéria neutrónica mantida por campos de força, conferindo-lhes características biológicas humanas à escala macroscópica, mas com uma estrutura subatómica não celular e capacidade de regeneração.
No plano filosófico e psicológico, o oceano funciona como uma metáfora direta do inconsciente: mobiliza o recalque freudiano ao materializar a culpa e o trauma reprimidos, e atua como a Sombra junguiana, forçando o indivíduo a confrontar a parte rejeitada da sua psique. Sob a ótica epistemológica e do existencialismo de inspiração kantiana, sartreana e kierkegaardiana, Solaris questiona se é possível conhecer verdadeiramente o "Outro" ou apenas as nossas próprias projeções, ao mesmo tempo que reflete sobre o livre-arbítrio e a autenticidade da vida e do sofrimento de uma entidade criada como cópia. [Fonte: Fundação Stanisław Lem]
Apesar do sucesso da obra cinematográfica, a relação entre Stanisław Lem e Andrei Tarkovsky foi marcada por uma célebre divergência artística. Lem ficou desapontado com a adaptação de 1972, afirmando que Tarkovsky tinha filmado "Crime e Castigo" no espaço. O desentendimento deveu-se ao choque entre o foco epistemológico de Lem - focado na impossibilidade de comunicação com o extraterrestre - e o humanismo moral e espiritual de Tarkovsky, que centrou a narrativa no pecado e na redenção de Kelvin. Lem criticou ainda a inclusão de cerca de 40 minutos iniciais passados na Terra com a família do protagonista, por considerar que introduziam um sentimentalismo nostálgico alheio à sua obra, e lamentou a redução visual e conceptual do oceano a um mero pano de fundo para conflitos morais humanos.
Para ler mais detalhadamente sobre cada um destes aspetos e ver imagens e esquemas explicativos, pode aceder a mais informações sobre a
Andrei Tarkovsky era um crente convicto e a sua visão do mundo estava profundamente enraizada na fé e na tradição do Cristianismo Ortodoxo. No entanto, a sua religiosidade não se traduzia num dogmatismo cego ou numa prática institucional rígida, mas sim numa espiritualidade mística, poética e existencial. Sob o regime soviético - uma ditadura oficialmente ateia e materialista -, afirmar a fé era um ato de resistência espiritual. No seu livro Esculpir o Tempo e nos seus diários (Martirológio), Tarkovsky afirmava que a arte não existia para propagar ideias políticas, mas sim para cultivar a alma e preparar o homem para a transcendência, tendo chegado a declarar que via o seu trabalho como uma forma alternativa de oração.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Blvck Ceiling - Young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun
quarta-feira, 15 de julho de 2026
After The Sin - Morning Blue
terça-feira, 30 de junho de 2026
Julia Lezhneva, de 19 Anos, fascina em "Son qual nave ch'agitata" de Farinelli (a Ária impossível do Barroco)
- Coloratura vertiginosa: sequências longas e ininterruptas de notas rápidas, destinadas a imitar uma tempestade violenta no mar.
- Grandes saltos vocais: transições súbitas entre oitavas que exigem um controlo de afinação e uma memória muscular absolutos.
- Controlo de respiração impressionante: frases musicais que parecem eternas, sem dar margem para recuperar o fôlego.
- Ela canta a primeira parte (A - a tempestade).
- Canta a segunda parte (B - a esperança do porto seguro), que tem um ritmo e ambiente ligeiramente diferentes.
- Regressa ao início (Da Capo): repete toda a primeira parte (A), mas desta vez com a obrigação de improvisar e adicionar os ornamentos, agudos e variações acrobáticas que tanto nos impressionam.
Se fizer as contas ao ano de nascimento da cantora (novembro de 1989), verá que ela tinha, na verdade, 22 anos na data exata desta gravação em Cracóvia.
No entanto, os vídeos desta atuação partilhados no YouTube e nas redes sociais ganharam enorme tração com o título "The 19-Year-Old Julia Lezhneva..." (A jovem de 19 anos...). Isto acontece por dois motivos muito comuns no mundo digital:
- Confusão com a sua estreia: Julia Lezhneva saltou para a ribalta internacional precisamente aos 18/19 anos (em 2008-2009), quando venceu o prestigiado Concurso Mirjam Helin em Helsínquia e começou a fazer as suas primeiras grandes digressões europeias com esta ária no repertório. Para ver um vislumbre e recordar a aclamada prestação da cantora russa no concurso aqui
- Efeito de "Marketing" Digital: O título "aos 19 anos" tornou-se uma marca viral tão forte na internet para descrever o início da sua carreira que os blogues e canais de música continuam a usá-lo para sublinhar a sua impressionante juventude e precocidade.
sábado, 23 de maio de 2026
Death Valley Fight Club - Told You So
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Jakub Józef Orliński and Fatma Said sing "Rogate" from Zelenka: Laetatus sum, ZWV 90
segunda-feira, 18 de maio de 2026
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Dia do Amor - Handel: Dove sei, amato bene (Rodelinda)
Feliz Dia do Amor - Jakub Józef Orliński sings "L'amante consolato"
English
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Bogdan Kuziv - "Manhã Quente", 2019
- Paisagens: especialmente as montanhas Cárpatos e a natureza da Ucrânia.
- Marinas: pinturas que exploram o mar e temas costeiros.
- Natureza-morta: composições detalhadas de flores e objetos.
- Arquitetura e cenas urbanas: registos de cidades como Roma e Atenas.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Lunatic Soul - The New End
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Belgrado - Jeszcze Raz
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Sebastian Bauer
| Sebastian Bauer (pintor Polaco) - "Walking at rain, in Africa", 2024 |
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Três Contratenores no Palácio de Versailles
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Antonio Vivaldi: "Fara la mia Spada" - Jakub Józef Orliński and Cappella di Ospedale della Pietà
- o dever absoluto para com Roma e a lei,
- e o amor paterno pelo filho Manlio, que violou ordens militares.
- Tito convence a si próprio de que conseguirá agir como juiz implacável
- A música traduz resolução violenta, quase sobre-humana
- O conflito interior não desaparece — é reprimido
- Ritmo rápido e incisivo
- Escrita vocal agressiva
- Orquestra com caráter marcial
- A ária interrompe a ação para cristalizar um estado emocional
- Serve como ponto de viragem: após este momento, a narrativa avança para as consequências dessa decisão inflexível
- Prepara o público para a tragédia iminente, mesmo que a ópera termine com resolução moral
