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sábado, 23 de maio de 2026

Death Valley Fight Club - Told You So


Letra
Oh, you trusted memes and homemade charts
Dismissed the facts, embraced the farce
A little doubt, a little flair —
And suddenly, you're an expert, yeah?
You laughed at proof, ignored the science
Built your world on fake defiance
"Freedom first!" – you screamed so loud
Now look around — you proud?

I hate to be the one to say “I told you so”
But hey — I told you so
You light the match and act surprised
When democracy goes up in smoke
And now you claim you didn’t know
But damn — I told you so

Truth’s too boring, facts too slow
Why think at all when blue hearts glow?
You wreck your life, then curse the game
And now it’s someone else you blame?
You voted hate with cheerful grin
“It’s just protest!” – what a spin
You chose the wolf to guard the door
Still shocked it’s chewing through the poor?

I hate to be the one to say “I told you so”
But hey — I told you so
You light the match and act surprised
When democracy goes up in smoke
And now you claim you didn’t know
But damn — I told you so

Now look around — you proud?
Now look around — you proud?

It’s happened once, it happens twice
We swore “no more” — now pay the price
You saw the signs, you knew the names
Repeated all the same mistakes
You had a voice, you had a choice
But fear became the louder noise
You traded hope for easy seats
And history... just repeats

Now look around — you proud?

A canção "Told You So", do projeto alemão Death Valley Fight Club, funciona como uma crítica social e política mordaz, carregada de frustração, cinismo e de um profundo sentimento de "eu bem avisei". Através de uma sonoridade eletrónica agressiva e direta, a letra expõe a inércia e a cegueira coletiva da sociedade moderna, que muitas vezes caminha em direção ao abismo por escolha própria, ignorando os sucessivos alertas sobre os perigos do extremismo e da manipulação.

Há um ataque cerrado ao triunfo da ignorância e ao avanço do populismo, evidenciando a facilidade com que as massas se deixam seduzir por discursos vazios e figuras autoritárias. O título e o refrão da música não carregam uma arrogância vitoriosa, mas sim um desespero amargo; é o desabafo de quem assiste ao colapso social e percebe que o arrependimento alheio surge tarde demais, quando as consequências já são destrutivas e inevitáveis. Resumindo, a faixa afirma-se como um hino de protesto que utiliza o peso do Futurepop e do EBM para espelhar a apatia política e a autodestruição do mundo contemporâneo.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Jakub Józef Orliński and Fatma Said sing "Rogate" from Zelenka: Laetatus sum, ZWV 90


Esta gravação junta duas das maiores estrelas da música clássica atual numa peça raramente executada do período Barroco. Jakub Józef Orliński, o aclamado contratenor que também brilha internacionalmente como breakdancer, é polaco, tendo nascido em Varsóvia. Por sua vez, a soprano Fatma Said é egípcia, natural do Cairo, e destaca-se como a primeira soprano do seu país a cantar no prestigiado Teatro alla Scala de Milão.

A faixa "Rogate" integra uma obra religiosa maior intitulada Laetatus sum (ZWV 90), composta pelo músico boémio Jan Dismas Zelenka. O tema central desta composição assenta no Salmo 122 da Bíblia, que retrata a enorme alegria dos peregrinos à chegada às portas de Jerusalém. O andamento específico "Rogate" traduz o trecho que apela à oração pela paz em Jerusalém. Zelenka transforma este pedido solene numa linha melódica brilhante, ágil e repleta dos ornamentos expressivos que caracterizam o Barroco tardio.

Relativamente à sua estrutura, trata-se de um dueto. A peça foi escrita originalmente por Zelenka para as vozes de soprano e alto, sendo esta última assumida por Orliński. Ao longo da interpretação, os dois cantores estabelecem um diálogo direto e constante, imitando os motivos um do outro e cruzando as suas vozes em harmonias perfeitas, o que resulta num entrelaçamento vocal de enorme beleza.

Obra completa aqui e ao vivo Anima Sacra

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Dia do Amor - Handel: Dove sei, amato bene (Rodelinda)



Sobre a Ópera Rodelinda

Dove sei, amato bene!
Vieni, l’alma a consolar

Sono oppresso da’ tormenti
ed i crudeli miei lamenti
sol con te posso bear.

Dove sei... 

Tradução
Onde estás, amado!
Vem, consola a minha alma.

Estou oprimido por tormentos,
e os meus cruéis lamentos
só contigo posso suportar.

Onde estás...

Esta é uma das árias mais belas e emocionantes de George Frideric Handel. Ela faz parte da ópera Rodelinda, estreada em 1725, em Londres.

Aqui está o contexto dramático e a tradução para ajudar você a sentir a profundidade da obra:

O Contexto na Ópera Rodelinda
A ária é cantada por Bertarido, o rei deposto de Milão. Todos acreditam que ele morreu no exílio, inclusive a sua esposa, a rainha Rodelinda.

Neste momento (Ato I, Cena VI), Bertarido retorna disfarçado e vê seu próprio monumento fúnebre erguido pela rainha. Ele está escondido, observando de longe o sofrimento da sua amada, sentindo a dor da separação e a solidão de ser um "fantasma" em seu próprio reino. É um momento de extrema vulnerabilidade e melancolia.

1. Mais sobre Georg Friedrich Händel
2. Cantada por Jakub Józef Orliński
3. Dia de S.Valentim. Dias dos Namorados. Dia do Amor

Feliz Dia do Amor - Jakub Józef Orliński sings "L'amante consolato"


Son tanto ito cercando
che pur alfin trovai
colei che desiai
duramente penando,
Oh questa volta sì ch'io non m'inganno,
s'io non godo mio danno!

Son tali quei contenti
che pur alfin io provo
che tutto mi rinovo
doppo lunghi tormenti.
Ma tutti com'io fo far non sapranno
chi non gode suo danno.


English
I searched for so long
that I finally found
the one that I desired,
after rigorous suffering.
Oh, this time let me not fool myself,
let me not be rejoicing in my own downfall.

The delights that I feel
at last are such
that everything renews me,
after prolonged agony.
But not everyone would be able to do as I do,
not being able to rejoice in their own downfall.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Bogdan Kuziv - "Manhã Quente", 2019


Bogdan Kuziv (pintor Ucraniano, nascido em 1965)
 
Estilo: 
A sua obra é frequentemente classificada como realismo crítico, embora apresente fortes influências do impressionismo, especialmente em sua abordagem da luz e na execução de pinturas ao ar livre (en plein air).

Temas:
  1. Paisagens: especialmente as montanhas Cárpatos e a natureza da Ucrânia.
  2. Marinas: pinturas que exploram o mar e temas costeiros.
  3. Natureza-morta: composições detalhadas de flores e objetos.
  4. Arquitetura e cenas urbanas: registos de cidades como Roma e Atenas.
Técnica: 
Trabalha predominantemente com pintura a óleo sobre tela e aquarela sobre papel. É conhecido pelo uso de cores vibrantes e texturas ricas que buscam capturar a "alma" da paisagem.
Formação e Carreira
Formação Académica: Graduou-se em 1994 na Faculdade de Artes e Gráficos da Universidade Nacional Vasyl Stefanyk.
Experiência Internacional: Trabalhou na Polónia (1995–1999) e viveu em Roma, Itália (2001), onde aprimorou seus estudos artísticos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Lunatic Soul - The New End



How to end what once felt true
Yet faded more as dreams went away
How to end something that's burned out
When in your eyes
It still burns bright

Even if there could have been a chance for us
I wouldn't want to harm you anymore
Whether you want it or not
You'll always be
A part of my soul

How to stop living with guilt
No matter what you do
It will hurt
How to stop fearing that scars
Will remain on your broken heart

Even if there could have been a chance for us
I wouldn't want to harm you anymore
Whether you want it or not
You'll always be
A part of my soul

Even if there could have been a chance for us
I wouldn't want to harm you anymore
Whether you want it or not
You'll always be
A part of my soul


A canção "The New End" funciona como o epílogo emocional do álbum  The World Under Unsun (2025) e, por extensão, representa o fim da escuridão e o início da aceitação.

"The New End", do Lunatic Soul, explora o paradoxo emocional de um término: enquanto para uma pessoa o sentimento já se apagou, para a outra ele ainda permanece intenso, como nos versos “How to end something that's burned out / When in your eyes / It still burns bright” (Como terminar algo que já se apagou / Quando nos seus olhos / Ainda brilha intensamente). Essa dualidade reflete o conceito do álbum, que Mariusz Duda descreve como um contraste entre escuridão e luz, e funciona também como metáfora para o fim de ciclos importantes da vida, não apenas de relacionamentos amorosos, mas de fases inteiras, incluindo o próprio ciclo do Lunatic Soul.

A letra tem um tom introspectivo e melancólico, marcado pela confissão de culpa e pelo medo de causar feridas emocionais: “How to stop living with guilt / No matter what you do / It will hurt” (Como parar de viver com culpa / Não importa o que você faça / Vai doer). Duda destaca que tudo o que chega ao fim permanece como parte de nós, reforçado pelo verso repetido “You'll always be / A part of my soul” (Você sempre será / Uma parte da minha alma). O sentimento de responsabilidade pelo sofrimento do outro aparece em “I wouldn't want to harm you anymore” (Eu não gostaria de te magoar mais), mostrando maturidade e empatia. Assim, "The New End" vai além do fim de um relacionamento, simbolizando o encerramento de ciclos e a importância de aceitar o passado para seguir em frente.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

IżoL - A Lonely House

Belgrado - Jeszcze Raz


Jeszcze Raz
Belgrado

Może kiedy wyjdziesz na ulicę, może kiedy wyjdziesz na ulicę
Jeszcze raz
Może będzie inaczej jeśli spojrzysz na wszystko jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Zero kontaktu

Jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Nie ma rady na milczenie, nie ma rady na milczenie

Jeszcze raz
Może będzie inaczej jeśli spojrzysz na wszystko jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Zero kontaktu

Jeszcze raz
Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz
Rozejrzyj się
Zastanów się

Tradução
Mais uma vez
Jeszcze Raz

Talvez quando você sair na rua, talvez quando você sair para a rua
Mais uma vez
Talvez seja diferente se você olhar tudo de novo
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Contato zero

Mais uma vez
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Ele não pode ficar em silêncio, ele não pode ficar em silêncio

Mais uma vez
Talvez seja diferente se você olhar tudo de novo
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Contato zero

Mais uma vez
Não diga nada para mim, basta olhar para tudo de novo
Olhar ao redor
Pense nisso

A música 'Jeszcze Raz' da banda Belgrado é uma reflexão profunda sobre a necessidade de revisitar e reavaliar nossas percepções e ações. A repetição da frase 'jeszcze raz', que significa 'mais uma vez' em polaco, sugere uma insistência em olhar para as coisas sob uma nova perspectiva. A letra convida o ouvinte a sair para a rua e observar tudo novamente, como se a primeira visão não fosse suficiente para compreender a realidade em sua totalidade.

A canção também aborda o tema do silêncio e da falta de comunicação, como evidenciado nas linhas 'Nie mów nic do mnie tylko popatrz na wszystko jeszcze raz' ('Não diga nada para mim, apenas olhe para tudo mais uma vez') e 'Zero kontaktu' ('Zero contato'). Esse silêncio pode ser interpretado como uma barreira emocional ou uma desconexão entre as pessoas, sugerindo que, às vezes, as palavras não são necessárias para entender o que está acontecendo ao nosso redor. Em vez disso, a observação e a reflexão silenciosa podem ser mais reveladoras.

Belgrado, uma banda conhecida por seu estilo pós-punk, utiliza uma abordagem minimalista tanto na música quanto na letra para transmitir uma mensagem poderosa. A repetição e a simplicidade das palavras criam uma atmosfera introspectiva, incentivando o ouvinte a parar e pensar sobre suas próprias experiências e percepções. A música é um convite à introspecção e à reconsideração, sugerindo que, ao olhar para as coisas mais uma vez, podemos encontrar novas respostas e entendimentos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Sebastian Bauer

Sebastian Bauer (pintor Polaco) - "Walking at rain, in Africa", 2024

Com forte presença nas redes sociais, Sebastian Bauer é um artista autodidata, ou seja, sem formação académica formal registada- aprendeu e desenvolveu a sua arte por meio da prática e experimentação.

Estilo:
Arte contemporânea com forte uso de cores vibrantes e soltas, muitas vezes explorando efeitos fluidos e espontâneos da pintura - especialmente em aquarelas e composições livres.

Temas recorrentes:
Memórias pessoais - cenas ligadas a pessoas, lugares, emoções, lembranças e experiências de vida.
Figuras humanas, animais e momentos do quotidiano aparecem frequentemente nas suas obras, muitas vezes transmitindo sensações de nostalgia, sentimento ou narrativa visual.

Técnica
Sebastian Bauer usa uma vasta gama de materiais e técnicas, variando com base na peça ou série:
1. Aquarela e gouache — preferidas pela sensação de fluidez e interação das cores.
2. Acrílicos — para trabalhos mais opacos e texturizados.
3. Tinta a tinta (ink) e pastéis — usados ocasionalmente para detalhes.
3.Ferramentas variadas: pincéis, espátulas, e por vezes até as mãos diretamente no suporte.

Abordagem Pessoal
Bauer pinta muitas vezes como forma de expressão interior e emocional, usando a arte para comunicar aquilo que não diz verbalmente.
Ele também se envolve em causas sociais, referindo que a arte lhe permite ajudar crianças menos favorecidas, o que adiciona um sentido humanitário à sua prática artística.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Antonio Vivaldi: "Fara la mia Spada" - Jakub Józef Orliński and Cappella di Ospedale della Pietà


Na ópera Tito Manlio (1719), de Antonio Vivaldi, a ária “Farà la mia spada” tem um papel dramático e estrutural muito claro.

1. Momento dramático
A ária surge num ponto de tensão extrema da ação.
Tito Manlio, cônsul romano, encontra-se dilacerado entre:
  1. o dever absoluto para com Roma e a lei,
  2. e o amor paterno pelo filho Manlio, que violou ordens militares.
Em “Farà la mia spada”, Tito afasta qualquer hesitação emocional e reafirma que será a lei e a honra — simbolizadas pela espada — a decidir o destino.
Dramaticamente, é o momento em que o personagem se endurece.

2. Função psicológica da ária
Esta não é uma ária de reflexão, mas de autoafirmação:
  1. Tito convence a si próprio de que conseguirá agir como juiz implacável
  2. A música traduz resolução violenta, quase sobre-humana
  3. O conflito interior não desaparece — é reprimido
Vivaldi usa a ária para mostrar que a força moral de Tito é construída à custa do sofrimento emocional, o que torna o personagem mais trágico do que heróico.

3. Função musical e teatral
a) Aria di furore
  • Ritmo rápido e incisivo
  • Escrita vocal agressiva
  • Orquestra com caráter marcial
Isto cria um contraste direto com árias mais líricas da ópera, evitando monotonia emocional.

b) Definição do personagem
Tito é apresentado como símbolo da autoridade romana. A ária fixa o arquétipo do pai-magistrado, típico do drama setecentista

4. Papel estrutural na ópera
Dentro da lógica da ópera séria barroca:
  1. A ária interrompe a ação para cristalizar um estado emocional
  2. Serve como ponto de viragem: após este momento, a narrativa avança para as consequências dessa decisão inflexível
  3. Prepara o público para a tragédia iminente, mesmo que a ópera termine com resolução moral

Libretto

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Hasse: "Mea tormenta, properate!", Jakub Józef Orliński & Il pomo d'oro



A frase “Mea tormenta, properate!” é latim e significa literalmente: “Meus tormentos, apressai-vos!”
ou, num português mais natural:
“Ó meus tormentos, apressai-vos!”

Sentido poético/dramático:
É um clamor de desespero, típico de árias barrocas de afeto trágico. O sujeito invoca os próprios sofrimentos, pedindo que eles venham rapidamente — como se desejasse que a dor final ou o desfecho trágico chegasse logo, em vez de prolongar a angústia.
 
Contexto (Hasse)
Johann Adolf Hasse escreveu várias árias em latim e italiano com temas de paixão, sofrimento e abandono. Esta expressão encaixa no estilo retórico do dramma per musica, em que o personagem expressa intensamente emoções extremas.
A ária parece ser de um oratório, Sanctus Petrus et Sancta Maria Magdalena. Encontrei a data de cerca de 1735, mas o crítico da revista Gramophone, ao comentar a obra completa, afirma: "Escrita no final da década de 1750 para órfãs venezianas apresentarem durante a Semana Santa na capela do Ospedale degl'Incurabili, com o qual Hasse estava associado desde 1734". O crítico diz ainda que a "ária rápida e angustiada 'Mea tormenta, properate!' não é apenas representativa de uma ligação perdida entre o idoso Handel e o adolescente Mozart, mas igual em qualidade dramática e musical a qualquer um deles".

sábado, 8 de novembro de 2025

Duas versões excelentes do fantástico tema dos Joy Division - "Love WIll Tear Us Apart", por Mísia e Stone Roses




O nome Joy Divison foi retirado do romance ‘House of Dolls’, em 1956 da autoria de Yehiel De-Nur, sobrevivente do Holocausto. Nesse livro Joy Division (Divisão da Alegria) é o nome dado para a área onde as mulheres judias eram mantidas prisioneiras e “oferecidas” sexualmente aos oficiais nazis. Era um nome forte, poderoso, e já carregava por si caráter e crítica social. Mas não corresponde à verdade.
Um porta-voz do Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau disse ao The Guardian que "não há registos históricos de qualquer ‘ala’ de um campo de concentração onde mulheres judias fossem forçadas à escravidão sexual". Dos livros que já li sobre o Holocausto (e foram muitos, muitos) também nunca nada sobre isso lá aparece.
Foi um período histórico em que era comum bandas se inspirarem no III Reich, mas sem "activismo" racista ou intenções anti-semitas. Apenas para chocar, incomodar, criar impacto social. 
Portanto é um mito urbano classificar os Joy Division como uma banda antissemita e/ou nazi. Daniel Rachel explica isso muito bem - livro aqui

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Áreas protegidas em risco na Europa. Trezentos hectares em Melides perdidos para grupo americano



A Europa está a perder áreas verdes a um ritmo de 600 campos de futebol por dia. Esses espaços, que antes abrigavam vida selvagem, capturavam carbono e forneciam alimentos, estão a desaparecer para darem lugar a novas construções, incluindo em Portugal. Uma investigação do jornal britânico The Guardian destaca o caso de Melides, onde um grupo norte-americano comprou quase três centenas de hectares para erguer um resort de luxo no qual várias personalidades estrangeiras já terão adquirido propriedades milionárias.

Pela primeira vez, replicando o que já acontece para medir a desflorestação na Amazónia, investigadores usaram imagens de satélite para avaliar a perda de áreas verdes na Europa ao longo de um período de cinco anos. O que antes era verde é agora cinzento devido à construção de estradas e edifícios, revelou o projeto Green to Grey, uma iniciativa do Guardian que contou com a colaboração de vários parceiros europeus.

Em Portugal, quase 300 hectares de área protegida em Melides, no município de Grândola, foram comprados pelo grupo imobiliário norte-americano Discovery Land Company para construir um resort e um campo de golfe.

O projeto CostaTerra Golf and Ocean Club, cujas propriedades rondam os 6,4 milhões de euros, ainda está em construção mas já terá casas vendidas a algumas celebridades estrangeiras, entre as quais a atriz Nicole Kidman, a duquesa de Sussex, Meghan Markle, e o seu marido príncipe Harry.

O grupo norte-americano que adquiriu os hectares de terreno decidiu, em 2021, encerrar o parque de campismo da Galé, que dava acesso à praia da Galé, em Melides, originando vários protestos ao longo dos últimos anos pelos antigos utilizadores do parque, que estava em funcionamento há várias décadas.

Toda essa área de Melides integra a Rede Natura 2000, uma iniciativa europeia que pretende assegurar a biodiversidade e conservar a natureza em zonas protegidas.

Os regulamentos europeus apenas preveem exceções ao desenvolvimento de projetos em áreas da Rede Natura 2000 em caso de interesse público superior. As autoridades portuguesas, incluindo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), aprovaram a construção do resort, com algumas entidades a destacarem os benefícios económicos que este trará.

No entanto, Ioannis Agapakis, advogado da ONG de direito ambiental ClientEarth, afirmou que um campo de golfe não preenche os requisitos ambientais. "É óbvio que não se trata de um interesse público superior", afirmou, já que "o simples facto de se encontrarem benefícios económicos num projeto não o torna de interesse público superior".

No seu site oficial, o resort CostaTerra promete “o luxo simples da vida europeia” na “última costa atlântica intocada do sul da Europa”.

Em comunicado, o grupo Discovery Land Company garantiu estar a desenvolver o CostaTerra “para ser um modelo de gestão ambiental e de sustentabilidade na região”, prometendo ser a “propriedade mais responsável do seu género”.

Segundo o Guardian, só a manutenção do campo de golfe, que ocupa 75 hectares, implica o consumo de cerca de 800 mil litros de água por dia.

“Todos os aspetos da propriedade, desde a conceção do campo de golfe, passando pelas práticas de gestão das águas pluviais e dos resíduos, até ao desenvolvimento e preservação do habitat e dos corredores de vida selvagem, foram concebidos para satisfazer ou exceder as normas da UE, incluindo as da Rede Natura 2000”, assegurou o grupo.

O projeto Green to Grey conclui que, em toda a Europa, cerca de 9.000 quilómetros quadrados de terreno - uma área equivalente à do Chipre - passaram da cor verde à cinzenta entre 2018 e 2023. Este número traduz-se em quase 30 quilómetros quadrados por semana, ou 600 campos de futebol por dia.

A análise abrangeu 30 países, cobrindo 96 por cento da área do Espaço Económico Europeu (EEE). Os cinco países com as maiores perdas de vegetação entre 2018 e 2023 foram a Turquia, Polónia, França, Alemanha e Reino Unido.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Não há como ir ao IKEA para destruir florestas


Durante dois anos, a Disclose investigou o ogre sueco e o seu sistema de predação de madeira em todo o mundo. Apesar dos seus compromissos com a gestão florestal sustentável, a Ikea é, acima de tudo, uma defensora do greenwashing. Este documentário de 50 minutos mostra que uma árvore a cada dois segundos. Esta é a quantidade de madeira que a Ikea utiliza todos os anos para fabricar os seus móveis, que são vendidos a preços baixos em mais de 60 países. Nos últimos anos, a empresa sueca intensificou o seu compromisso com a gestão florestal sustentável. Mas qual é a realidade?

A cada 5 segundos, uma estante BILLY é vendida. Mas os números surpreendentes da marca sueca têm um custo: dependem da exploração descontrolada da madeira e do trabalho humano.

Para o Disclose, os cineastas Marianne Kerfriden e Xavier Deleu traçaram a cadeia de fornecimento da multinacional. A sua investigação levou-os da Suécia à Nova Zelândia, passando pelo Brasil e pela Polónia, para se reunirem com especialistas da indústria madeireira, activistas e cidadãos empenhados em proteger as suas florestas. Este documentário lança uma nova luz sobre o apetite insaciável do ogre da floresta.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Polónia: florestas sociais vão cercar 14 cidades


O Ministério do Clima polaco anunciou planos para criar "florestas sociais" em torno de algumas das 14 maiores cidades do país. O objetivo deste esforço de reflorestação será proporcionar um acesso fácil à vegetação a mais de um terço de todos os residentes polacos, juntamente com o impacto climático e ambiental positivo esperado da criação de uma bio-infraestrutura tão grande. As florestas sociais, na sua essência, representarão anéis verdes em torno das cidades. As metrópoles em causa são Varsóvia, Cracóvia, Gdańsk, Sopot, Gdynia, Wrocław, Łodź, Poznań, Katowice, Bydgoszcz, Toruń, Szczecin, Kielce e Bielsko-Biała. No total, são habitadas por 13 milhões de pessoas, o que representa cerca de 36% da população do país.

O que é uma floresta social? O Ministério do Clima usou os termos "floresta social" ou "floresta comunitária" para descrever a iniciativa em grande escala. De acordo com a lei polaca, as florestas devem desempenhar funções "económicas, ambientais e sociais". E nestes tempos modernos, muitos residentes urbanos perderam o contacto com os dois últimos aspetos da natureza selvagem. A função económica está muito desenvolvida. A função ambiental é largamente cumprida pelos parques nacionais. No que diz respeito à função social, ainda há muito para melhorar.

Nesse sentido, são necessárias florestas comunitárias nas cidades, para que os residentes urbanos possam beneficiar delas de múltiplas formas. Por exemplo, seriam bons locais para as pessoas apanharem cogumelos ou bagas e andarem de bicicleta. Mais importante ainda, estas florestas não devem existir apenas como espaços geridos artificialmente, mas sim como ecossistemas orgânicos verdadeiramente viáveis que proporcionam uma realidade alternativa à vida urbana organizada.

A conclusão dos trabalhos sobre a nova forma de proteção das florestas está prevista para o fim de outubro de 2024. O governo está a trabalhar na implementação do compromisso do acordo de coligação, que estabelece que "20% das áreas florestais mais valiosas serão excluídas do abate de árvores".

Fonte.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

UE deverá falhar metas de hidrogénio renovável e tem de repensar caminho a seguir


Bruxelas, 17 jul 2024 (Lusa) – A União Europeia (UE) não deverá cumprir os objetivos que fixou para a produção e importação de hidrogénio renovável e deve agora decidir sobre o caminho estratégico a seguir para a descarbonização, considera o Tribunal de Contas Europeu (TCE).

No relatório especial Política Industrial da UE para o Hidrogénio Renovável, hoje divulgado, o TCE destaca, pela positiva, que quatro anos depois da publicação, pela Comissão Europeia, da estratégia para o hidrogénio renovável – como parte do esforço para a neutralidade carbónica do bloco em 2050 -, “o quadro jurídico relativo ao hidrogénio renovável está praticamente concluído”.

No entanto, não foram discriminadas metas vinculativas para produção e importação de hidrogénio renovável para os Estados-membros até 2030 e as da UE não deverão ser cumpridas, nomeadamente a da produção de dez milhões de toneladas de hidrogénio renovável e da importação de outro tanto, objetivos que o TCE considera terem resultado de vontade política e não de uma “análise rigorosa”.
Em declarações aos jornalistas, o membro do TCE responsável pelo relatório, Stef Blok, referiu que os auditores recomendam a Bruxelas “a atualização da estratégia para o hidrogénio com base numa avaliação cuidadosa”.

Blok destacou três aspetos que a Comissão Europeia deve ter em conta, começando pelas implicações geopolíticas da produção da UE em comparação com as importações de países terceiros, ou seja, “que indústrias quer a UE manter e a que preço”.

Dar prioridade ao financiamento da UE, decidindo em que partes da cadeia de valor do hidrogénio se deve concentrar, e calibrar os incentivos de mercado para a produção e utilização de hidrogénio renovável e com baixo teor de carbono são outros dois pontos das recomendações do TCE.

A decisão sobre o caminho a seguir deve ainda ter em conta “a situação concorrencial das principais indústrias da UE”.

O financiamento total da UE para projetos relacionados com o hidrogénio está atualmente estimado em 18,8 mil milhões de euros, sendo atribuído através de vários programas, avaliaram os auditores, montante que Blok considera escasso.

O membro do TCE considerou ser necessário “fazer um ponto da situação da política industrial da UE para o hidrogénio renovável", devendo a UE continuar o caminho para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, “mas sem prejudicar a competitividade das suas principais indústrias nem criar novas dependências estratégicas".

A auditoria do TCE abrangeu o período de 2020 a 2023 em quatro Estados-membros: Alemanha, Espanha, Países Baixos e Polónia.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Michal Swider


Biografia

Só me ocorre palavras mais profundas e que desapareceram: ética ambiental, consciência animal e ecologia profunda. O economês e a alquimia que isso provoca é sedutora e ecocida.
Resta-me a arte e literaturae e o activismo.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Senão neutralizarmos a decadência, o imperialismo líquido e sem sentido, vencerá sobre as nossas vidas


Numa série de estudos influentes, incluindo o marco histórico "Modernidade Líquida" (1999), Zygmunt Bauman teorizou a condição moderna como altamente volátil: "Incapaz de manter qualquer forma ou qualquer curso por muito tempo", com "nenhum 'estado final' à vista". "O estatuto de todas as normas (...) foi, sob a égide da modernidade 'líquida' (...), severamente abalado e tornou-se frágil", escreveu ele. Para que a sua metáfora não implique suavidade, Bauman reforça que "o líquido é tudo menos suave. Pensemos num dilúvio, numa inundação ou numa barragem rebentada".