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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Starlink de Elon Musk duplica preço do plano de emergência em Portugal. Conheça o outro lado da moeda - os seus impactos ambientais


A Starlink, que fornece internet via satélite, incluindo no território português, está a comunicar aos clientes uma subida de preços que chega aos 100% no plano mais básico para situações de emergência, apurou o ECO. O agravamento ocorre numa altura em que várias famílias adquiriram nos últimos meses equipamentos da marca da SpaceX para se precaverem, depois do apagão do ano passado e das tempestades de fevereiro, e em que o Governo planeia entregar um kit de conectividade desta empresa às juntas de freguesia no âmbito do PTRR. Mas coincide também com o histórico IPO da ‘casa-mãe’, a SpaceX, do multimilionário Elon Musk.

A mensalidade do “Modo Standby”, que permite manter um equipamento Starlink ativo, com serviços mínimos — para que esteja pronto a reativar em caso de necessidade ou emergência –, irá passar de cinco para dez euros por mês. O preço duplicará já em meados do próximo mês de junho, segundo o comunicado enviado aos clientes consultado pelo ECO.

O email obtido não detalha as subidas que serão aplicadas aos restantes pacotes e não foi possível encontrar informação agregada no site da empresa. Nesse sentido, o ECO contactou a Starlink para solicitar a tabela comparativa dos preços, mas ainda não obteve resposta.

Portugal não é o único mercado a assistir a aumentos de preços da Starlink. Nos Estados Unidos, o agravamento das mensalidades varia entre os cinco e os dez dólares, conforme o plano, de acordo com o portal de tecnologia Cnet
  1. O plano Residencial 100 Mbps (velocidade máxima de download) vai aumentar de 50 para 55 dólares nos EUA, uma subida de cinco dólares mensais. Em Portugal o mesmo plano custa, atualmente, 29 euros por mês.
  2. Já o Residencial 200 Mbps, que custava 80 dólares nos EUA, irá subir para 85 dólares mensais, o que também representa um aumento de cinco dólares. Em Portugal, a mensalidade atual é de 45 euros.
  3. O Residencial Max irá aumentar nos EUA de 120 para 130 dólares, um agravamento de dez dólares por mês. Em Portugal, custa 65 euros.
Estes planos permitem aceder à internet numa morada fixa definida pelo cliente. Mas os planos Roam, que permitem aceder à internet em qualquer local onde se coloque a antena — incluindo em viagem — também irão sofrer agravamentos:
  1. Nos EUA, o Roam 100 Mbps passará de 50 para 55 dólares, custando atualmente 45 euros por mês em Portugal.
  2. O Roam Ilimitado subirá no mercado norte-americano de 165 para 175 dólares, quando em Portugal custa 95 euros por mês.
“A Starlink está a aumentar rapidamente a capacidade da rede, a expandir a cobertura e a melhorar a fiabilidade para os clientes. A forte procura da Starlink reflete o valor que os clientes continuam a ver no serviço, e os preços podem mudar à medida que continuamos a investir em produtos e serviços acessíveis e de alto desempenho”, justifica a empresa, num conjunto de perguntas e respostas disponibilizado aos clientes.

Este aumento de preços surge cerca de três meses depois de a Starlink ter promovido outras alterações nas suas assinaturas. Em meados de março, a empresa comunicou o fim do plano Residencial Lite, cujo tráfego não era considerado prioritário, passando a limitar a velocidade de download a 100 Mbps e cobrando o mesmo preço. Na prática, tratou-se de um downgrade do serviço, mantendo o preço e a oferta de tráfego ilimitado.

Startlink conquista clientes após Kristin e apagão
A nova política de preços da empresa do homem mais rico do mundo acontece depois de um período de grande expansão da base de clientes em Portugal, sobretudo depois de a operadora ter promovido uma campanha de descontos agressiva no preço dos equipamentos, logo após o grande apagão energético de 28 de abril de 2025, que afetou toda a Península Ibérica.

Ademais, coincide com um momento em que o Governo tem em cima da mesa, no âmbito do plano PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência), uma proposta para distribuir uma ligação de dados Starlink por cada uma das mais de três mil freguesias do país.

A ideia é que estes equipamentos sirvam de redundância no acesso à internet numa situação em que as redes de comunicações eletrónicas tradicionais estejam indisponíveis, bastando, para tal, a ligação da antena e do router (se necessário) a uma fonte de corrente elétrica — por exemplo, um gerador. A proposta está associada às tempestades que no início do ano afetaram a zona centro do país.

Starlink é a galinha dos ovos de ouro da SpaceX
O aumento dos preços ocorre também num momento de grande importância para a Starlink, mais propriamente a sua ‘casa-mãe’: a SpaceX vai realizar a maior Oferta Pública Inicial (IPO) de sempre, com a qual espera arrecadar 75 mil milhões de dólares a uma avaliação de 1,75 biliões (ou trillions, como se diz em inglês).

Nesta mesma quarta-feira, 20 de março, a SpaceX entregou ao regulador norte-americano dos mercados financeiros o muito aguardado prospeto com os resultados financeiros. O documento coloca a descoberto que a SpaceX perdeu 4,94 mil milhões de dólares em 2025 e revela que dois terços dos 18,7 mil milhões em receitas foram obtidos através da Starlink.

O documento consultado pelo ECO mostra também que a Starlink chegou ao fim de março de 2026 com 10,3 milhões de clientes, número que compara com os 2,3 milhões de clientes que tinha no final de 2023. A empresa fechou 2025 com uma receita média por cliente de 86 dólares.

Segundo as agências internacionais, é esperado que o IPO da SpaceX arranque por volta do dia 4 de junho, com as ações da empresa a chegarem à bolsa a 11 ou 12 de junho. Poucos dias depois, entrará em vigor o aumento das mensalidades.

Impactos ambientais

domingo, 5 de novembro de 2023

Novas baterias. Vamos a isso! NASA desenvolve baterias mais seguras e potentes que as de lítio

As tecnologias desenvolvidas pela NASA não se restringem às missões espaciais e vem sendo usadas para desenvolver outros importantes setores, entre eles a aviação. O carbono proveniente das viagens aéreas equivale a cerca de 2% de todas as emissões globais de gases com efeito de estufa e a busca por combustíveis mais sustentáveis e baterias elétricas que possam substituir motores à combustão é um dos desafios da indústria.



A NASA tem uma divisão que trabalha justamente com pesquisa e desenvolvimento de baterias e está a trabalhar em projetos de baterias mais leves e seguras – e muito mais potentes do que as baterias de íões de lítio, usadas hoje nos veículos elétricos.

As baterias de íons de lítio, o atual padrão da indústria automóvel, contêm líquidos que as tornam vulneráveis ​​ao superaquecimento, incêndio e perda de carga ao longo do tempo. Por outro lado, o projeto SABERS (Baterias de Arquitetura de Estado Sólido para Maior Recargabilidade e Segurança) da NASA está desenvolvendo baterias experimentais de estado sólido que não têm estas desvantagens. Além disso, as baterias Até agora, testadas pela equipe conseguiram alimentar objetos a 500 watts-hora por quilograma – o dobro de um carro elétrico.

Dentro da bateria, células de enxofre e selénio empilhadas diretamente umas sobre as outras, sem invólucros, eliminando peso das baterias. Juntamente com as próprias células, múltiplas baterias podem ser empilhadas sem qualquer separação entre elas.

“Este design elimina até 40% por cento do peso da bateria e nos permite duplicar ou mesmo triplicar a energia que pode ser armazenada, excedendo em muito as capacidades das baterias de íons de lítio”, disse Rocco Viggiano, investigador principal do SABERS no Glenn Research Center da NASA em Cleveland.

Armazenar mais energia e diminuir o peso das baterias são dois requisitos básicos para a aviação. No entanto, a quantidade de energia que uma bateria pode armazenar é apenas um lado da equação. Uma bateria também deve descarregar essa energia a uma taxa suficiente para alimentar grandes componentes eletrónicos, como uma aeronave elétrica ou um veículo aéreo não tripulado.

O site da NASA traz uma explicação didática sobre esta questão: “uma bateria poderia ser descrita como um balde. A energia (ou capacidade) de uma bateria é a quantidade que o balde pode conter, enquanto a sua potência é a rapidez com que o balde pode ser esvaziado. Para alimentar uma aeronave elétrica, a bateria deve descarregar a sua energia, ou esvaziar o seu balde, a um ritmo extraordinariamente rápido”.

Para garantir maior potência, novos testes estão a ser realizados com materiais que ainda não foram usados em baterias, mas que que produziram um progresso significativo na descarga de energia. E esses novos materiais vão permitir ainda mais ajustes no design dos equipamentos.

Segurança
A segurança é outro requisito fundamental para o uso de baterias em aeronaves elétricas. Ao contrário das baterias líquidas, as baterias de estado sólido não pegam fogo quando apresentam mau funcionamento e ainda podem funcionar quando danificadas.

Para avaliar a segurança, os pesquisadores testaram as baterias sob diferentes pressões e temperaturas e descobriram que ela pode operar em temperaturas quase duas vezes mais altas que as baterias de lítio, sem tanta tecnologia de resfriamento. A equipe continua testando-o em condições ainda mais quentes.

Segundo a NASA, o principal objetivo do SABERS para este ano é mostrar que as propriedades da bateria atendem às suas metas de energia e segurança, ao mesmo tempo que demonstra que ela pode operar com segurança em condições realistas e com potência máxima.

Em parceria com a Georgia Tech, o projeto SABERS conseguiu utilizar diferentes metodologias. “A Georgia Tech tem um grande foco na micromecânica de como a célula muda durante a operação. Isso nos ajudou a observar as pressões dentro da bateria, o que nos ajudou a melhorar ainda mais os equipamentos”, disse Viggiano. “Isso também nos levou a entender do ponto de vista prático como fabricar uma célula como essa e a algumas outras configurações de design aprimoradas”.

Apesar de ainda estarem em fase de testes, as baterias desenvolvidas pela NASA trazem esperança de uma eletrificação mais sustentável, não apenas para a indústria aeronáutica, mas também para a automotiva. Vale lembrar que a mineração necessária para a fabricação de baterias de lítio e os processos de reciclagem destes equipamentos ainda são um desafio.

Com informações da NASA

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quinta-feira, 6 de julho de 2023

Proteger os nossos oceanos e o meio ambiente do 5G e da radiação sonar sem fios


Tecnoecocídio: a destruição sistemática de nosso ecossistema pelo uso abusivo da tecnologia

Embora muitos tenham visto anúncios promovendo as capacidades sem fio rápidas do 5G conectando tudo e todos...e prometendo que essas tecnologias inteligentes fornecerão um futuro de energia renovável, a pesquisa científica e os esforços de defesa ambiental mostram o oposto do que essas indústrias com fins lucrativos prometem - com centenas de cientistas , ativistas de alterações climáticas e especialistas em saúde pública exigindo uma moratória na implantação dessas tecnologias.

Nossa missão é apoiar o movimento global para controlar a expansão sem fio na Terra, nos céus e no oceano porque representa uma ameaça imediata a toda a vida. É nossa esperança trazer uma maior consciencialização pública sobre os danos do 5G, satélites e oceanos “inteligentes” e iniciar um diálogo sobre opções tecnológicas mais sábias e equilibradas para um futuro mais seguro e que afirme a vida.

sábado, 10 de junho de 2023

5G: China quer que Portugal adote políticas "racionais" e "autónomas" após decisão


A China disse esta quinta-feira esperar que Portugal adote políticas “racionais” e “autónomas”, após um órgão consultivo do Governo português ter deliberado a exclusão de facto de empresas chinesas do desenvolvimento das redes de quinta geração (5G).

“Esperamos que o lado português faça escolhas políticas racionais de forma autónoma e adira à criação de um ambiente de negócios aberto, justo e não discriminatório”, afirmou o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, numa nota enviada à agência Lusa, em Pequim.

A diplomacia chinesa considerou que “construir muros e barreiras” e “quebrar laços” só “prejudica os mais vulneráveis”.

“A cooperação com benefícios mútuos é o único caminho certo”, realçou.

No mês passado, a Comissão de Avaliação de Segurança, no âmbito do Conselho Superior de Segurança do Ciberespaço de Portugal, divulgou uma deliberação sobre o “alto risco” para a segurança das redes e de serviços 5G do uso de equipamentos de fornecedores que, entre outros critérios, sejam de fora da União Europeia, NATO ou OCDE e cujo “ordenamento jurídico do país em que estão domiciliados permita que o Governo exerça controlo, interferência ou pressão sobre as suas atividades a operar em países terceiros”.

A deliberação não refere nomes de empresas ou de países, mas surge após anos de pressão exercida por Washington sobre os países aliados para que excluam o grupo tecnológico chinês Huawei das infraestruturas de telecomunicações.

Os Estados Unidos apontam para a Lei Nacional de Inteligência da China, que estipula que “todas as organizações e cidadãos devem apoiar, ajudar e cooperar com o Estado em matéria de Inteligência Nacional”.

A empresa negou categoricamente aquelas acusações e lembrou que a lei chinesa não exige que a Huawei instale mecanismos ocultos nas redes ou equipamentos que permitam o acesso não autorizado a dados e informações.

Outros países, incluindo Reino Unido, Austrália ou Suécia, baniram já a Huawei de participar no desenvolvimento das suas redes de 5G.

No comunicado enviado à Lusa, o Governo chinês diz que se opõe à “politização” de questões tecnológicas, ao “abuso do poder do Estado” e à “violação das regras do comércio internacional” e dos “princípios da economia de mercado”.

“A China é contra a formulação de políticas e regulamentos discriminatórios e exclusivos e opõe-se à supressão e imposição de restrições a empresas estrangeiras”, lê-se na mesma nota.

“Esperamos que o lado português proteja os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas e adote medidas práticas para atrair investimento estrangeiro e expandir as oportunidades de cooperação”, acrescentou.

As redes de quinta geração, a Internet do futuro, estão na base de vários avanços tecnológicos, incluindo a condução autónoma ou fábricas inteligentes.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Dia da Internet ou Dia Mundial da Sociedade da Informação


Pouco resta da primeira rede estática projetada para transportar alguns bytes ou enviar pequenas mensagens entre dois terminais: a internet é hoje uma realidade indissociável do dia a dia, ao ponto de haver quem lhe aponte a capacidade da omnipresença.

A atribuição de tal caraterística a roçar o divino tem razão de ser já que, das compras à educação, das relações afetivas ao ativismo, ao teletrabalho, entretenimento e até à saúde, a rede das redes está em todo o lado.

“A internet é cada vez mais indissociável da nossa vida e das nossas relações, quer humanas quer profissionais”, notou Tiago Silva Lopes, em conversa com o SAPO TEK, a propósito do Dia da Internet. Para o Diretor de Serviços e Produtos MEO, a internet é cada vez mais omnipresente, uma tendência que vai marcar cada vez mais a forma como irá evoluir.

Fazendo um retrato geral, a população em todo o mundo ultrapassou, recentemente, a marca de 8 mil milhões de pessoas em que 64,4%, ou 5,16 mil milhões, usam a internet. Impressionante (ou já nem por isso) é o tempo, em média, que cada utilizador passa por dia na internet, que de acordo com o Digital 2023 Global Overview Report, ultrapassa as seis horas e meia. Portugal contribui para subir os números, com uma média diária de sete horas e 37 minutos, em 13º num ranking liderado pela África do Sul, onde os internautas passam mais de nove horas online. O telemóvel é o dispositivo de eleição.

As horas que passamos online, no entanto, não são diretamente comparáveis com o passado, porque “em 1990 e pouco, no começo”, as pessoas tinham de ligar-se através do computador e estar “quase exclusivamente dedicadas áquilo que estavam a fazer naquele momento”, lembra Tiago Silva Lopes. “Ficamos sempre chocados quando pensamos: ‘Sete horas por dia? Não passo sete horas por dia na internet!’, mas passamos porque temos sempre o telemóvel ao lado ou porque no trabalho passamos muito do nosso tempo a trocar emails, em vídeo calls ou a pesquisar informação”.

Entre a diversidade de coisas que fazemos “na” internet a mais recorrente é realmente procurar informação (57,8%), seguida de comunicar com a família e amigos (53,7%) e ficar a par das notícias e atualidade (50,9%).

Ver vídeos e filmes online também é um hábito cada vez maior (49,7%), e isso também se nota com vários estudos recentes que apontam os serviços de streaming como responsáveis por grande parte do consumo do tráfego atual e futuro da internet.

Em março desde ano, a Statista colocava o Netflix na liderança, com 14,9% do tráfego, seguido de perto pelo YouTube, com 11,4%. Entre os serviços e plataformas que mais trafego internet consumem estavam também representadas redes sociais, em primeiro o TikTok e em segundo o Facebook.

“De uma forma mais purista, o objetivo da internet era ligar as pessoas e as coisas umas às outras e é o que continua a acontecer e que tem evoluído de forma extraordinária”, considera Tiago Silva Lopes. O gestor destaca que há cada vez mais pessoas no mundo com acesso a um equipamento conectado, e não às tecnologias do passado, “da ligação analógica a 64kbps ou da ligação 3G”, mas através de fibra ótica ou 5G.

Para o Diretor de Serviços e Produtos MEO, houve dois marcos tecnológicos importantes na evolução do acesso à internet: o 4G do lado do acesso móvel e as redes de banda larga no fixo. Praticamente todos os grandes players de internet atuais, nos conteúdos, no ecommerce, surgiram quando estas tecnologias começaram a ser disponibilizadas no mercado

Mas estamos destinados a estar sempre ligados?

Com computadores, telemóveis, tablets e smartwatches - além de todos os equipamentos que a Internet das Coisas vai ligar -, com o sem número de aplicações disponíveis, em várias áreas, estamos destinados ao “always on”? Muito provavelmente.

O gestor acredita que há algumas tendências que vão mudar, de forma substancial, a forma como interagimos com a tecnologia, nomeadamente o tema do interface voz, que vai ser cada vez mais o interface por defeito, em vez do teclado físico no computador ou do teclado digital no telemóvel. De resto, também a parte da tecnologia imersiva, “a realidade aumentada, a realidade virtual”, vai contribuir para que o mundo real e o mundo digital se fundam cada vez mais.

Temos uma internet muito diferente daquela que começámos a utilizar, “não na sua missão, na lógica da descentralização do acesso à informação para todos”, diz Tiago Silva Lopes, mas na forma como interagimos com ela “que é cada vez menos uma coisa modular, um apêndice ao qual recorremos de vez em quando, através de um computador ou de outro interface especifico para tal, e é cada vez mais uma utilização seamless, cada vez mais integrada e fazendo parte da nossa vida”.

No entanto, falta alguma literacia digital para sabermos lidar com a enorme quantidade de estímulos que temos hoje, considera o gestor, defendendo que esta devia ser uma área de maior aposta e investimento em Portugal.

Lembrando que que a internet foi criada “para nos ajudar a sermos cada vez melhores enquanto sociedade e a tirarmos cada vez mais partido da informação que existe”, considera que isso só acontece com conhecimento para lidar com as questões da privacidade e da cibersegurança ou com as fake news.

“A internet trouxe-nos a democratização do acesso à informação e idealmente ao conhecimento, mas ainda não conseguimos passar da informação ao conhecimento”, acrescenta. “É um pouco como saber ler e escrever e hoje não sabemos ler nem escrever na era digital como deveríamos e não nos dão a formação adequada para”.

E porque devemos ver sempre as coisas pela positiva, diz Tiago Silva Lopes, é um facto que a internet veio para ficar e que tem perigos, “mas quanto mais conhecimento tivermos, quanto mais soubermos usar as ferramentas que temos à nossa disposição, melhor estaremos” para responder a esses desafios. “Temos matéria prima cada vez mais extraordinária. Saibamos nós moldá-la e utilizá-la da melhor maneira”.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Fidelizações nas telecomunicações são "um embuste", com número "dramático" de queixas, diz presidente da Anacom


“As fidelizações são um engano em que o País tem caído”, disse João Cadete de Matos, presidente da Autoridade Nacional de Comunicações, no parlamento, pedindo ao Governo que aja “rápido” para limitar duração máxima.

“Grave”, “um engano”, “um embuste”, “verdadeiramente chocante”. Foi assim que o presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), João Cadete de Matos, descreveu, em mais uma audição na Assembleia da República, as propostas de fidelização das operadoras de telecomunicações em Portugal, que considera anticoncorrenciais e lesivas dos interesses dos consumidores.

O regulador apelou, de forma veemente, a que o Governo mudasse a lei para limitar as fidelizações a um máximo de seis meses, face aos dois anos atuais, porque o leilão de 5G consagrou a entrada de dois novos operadores. E acusou as incumbentes de terem intensificado as campanhas de refidelização durante o leilão de 5G, classificando algumas delas de refidelizações abusivas, para limitar ao máximo a migração para os novos serviços, eventualmente mais baratos.

“Já não pedimos ao Governo que considere” alterar a lei, invectivou. “Pedimos ao governo que faça. E que faça rápido”.

Na intervenção inicial do regulador aos deputados da Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, numa audição requerida pelo PCP sobre os aumentos dos preços nas telecomunicações e no serviço postal garantido pelos CTT, Cadete de Matos disse que, se o regime de fidelização não for revisto de forma urgente, os consumidores estão sujeitos a mais aumentos de preços à taxa de inflação nos próximos anos iguais aos que estão já em vigor nas incumbentes.

Isto num país que paga telecomunicações já 20% acima dos preços praticados na União Europeia. Portugal, disse, registou um aumento de 8% no custo das telecomunicações nos últimos 12 anos, quando nos 27 os preços caíram no mesmo período.

“Mais grave ainda é Portugal ter assistido, nomeadamente quando durou a campanha do leilão das frequências [5G], ao aumento das refidelizações e refideliações abusivas”, disse Cadete de Matos. “É dramático o número de consumidores que se queixam do abuso das refidelizações”, não autorizadas ou autorizadas à distância, ou sem apresentar “toda a informação sobre o que implicam essas refidelizações”.

“Muitos clientes só sabem disto no fim do contrato, porque não percebem por que foram refidelizados”, acrescentou. “É verdadeiramente chocante (…) vamos ser muito atuantes e tirar conclusões nessa matéria”, garantiu.

“Recebemos queixas neste mês de janeiro e fevereiro” com consumidores que "em janeiro tinham sido abordados pelas empresas com novas ofertas" e com a garantia de que não iriam aumentar preços, declarou João Cadete de Matos.

“Passado uma semana ou duas receberam a informação que o preço iria aumentar” à taxa de inflação, disse.

“Não há razão nenhuma” para preços atuais
A entrada de dois novos operadores, a Dense Air e a Digi, vai espicaçar a concorrência. Mas para potenciar a queda dos preços, é necessário uma revisão da lei no que toca à duração máxima das fidelizações, disse Cadete de Matos.

“Aquilo que esperamos que aconteça, já este ano e nos próximos, com o investimento destas empresas, é que haja em Portugal as ofertas que há em Espanha e em Itália. Mas para isso temos de libertar os consumidores das ofertas de 24 meses”, defendeu.

Exemplificou com um contrato de fibra ótica, que "consegue ser contratado com uma mensalidade de 20 euros" em Espanha, “com um prazo de compromisso de 3 meses”.

“Em Portugal o preço mais baixo que existe é 30 euros, e é o preço que é prestado pelo operador Nowo”, o operador com a quota mais baixa. Os restantes operadores praticam preços mínimos de 38 euros, mas com fidelizações de dois anos, disse.

“Foi apresentado aos portugueses que com as fidelizações as comunicações eram mais baratas”, disse. “É um embuste no que é dito aos portugueses, que são as vantagens, os descontos”, acrescentou. E interrogou-se, depois de aludir aos preços : “qual é a razão" para serviços como o de Internet “custarem o dobro em Portugal? Não ha razão absolutamente nenhuma”.

“As fidelizações são um engano em que o País tem caído”, resumiu.

sábado, 19 de novembro de 2022

Qatar - Playing Smart


Is it NASA’s Mission Control In Houston Texas, wondered a UK daily about the Aspire Command and Control Center in Doha. Indeed, comparisons are un­avoidable considering the high, extra-large LED screens and resplendent PCs on display here. Except, the purpose is not to launch manned or unmanned satellites into space but to ensure a great football viewing experience.

If the temperature in any of the stadiums in Qatar that will host the FIFA World Cup this month rises or falls below 22 degrees Celsius, the Aspire Command and Control Center— which monitors all eight stadiums and manages the IT infrastruc­ture at these venues from a huge hall that resembles a NASA cen­tre from a Hollywood movie—will immediately and remotely fix the state-of-the-art air-conditioning system in place for the football extravaganza.

Those working at this centre located near the multi-purpose Khalifa International Stadium, one of the World Cup venues in capital Doha, can also gauge using artificial intelligence (AI)— and thanks to 20,000 cameras inside these stadiums—that a certain entry gate or an area inside a stadium may experience crowding 30 minutes or so in advance. This helps them mobilise volunteers much in advance to avoid any crowd surge—some of which have the potential to kill people in large numbers, as we saw recently in Seoul, South Korea.

A large screen inside the hall in this centre can zoom in on more than 120,000 fans seated across eight football venues on one large screen to identify and report any act of hooliganism or abnormal human behaviour. This highly advanced surveillance using powerful AI technologies covers even the basement park­ing, besides monitoring water supply, queues, food and beverages outlets, and so on.

“We don’t call our cameras the CCTV network. We call them our eyes on the ground,” says Niyas Abdulrahiman, executive director (ICT), Supreme Committee for Delivery and Legacy, the government-run entity responsible for delivering all infrastruc­ture required for the FIFA World Cup in Qatar. He goes on to talk about the idea of connected stadiums and “compact tournament” that is clearly unique in the history of the soccer World Cup that started way back in 1930.

Close proximity of the venues means that Qatar got the opportunity to experiment with managing this tournament in a completely different way compared to previous World Cups, says a Qatari official. Without doubt, it will be the first FIFA World Cup in a long time where there will be no inter-city travel involved. As Qatar expects, this “compact FIFA World Cup” will inspire other sporting nations to replicate this model elsewhere, says Abdul­rahiman, who stresses the “futuristic” nature of holding sporting events, and in this case, the biggest of its kind on planet Earth.

Meanwhile, FIFA officials that Open spoke to say that the Qatari model may spawn a revolution of sorts, especially if the visiting dignitaries from various countries as well as sport ar­chitects return impressed by the remote handling of this World Cup that starts on November 20 and ends on December 18, as opposed to the usual June-July season because of the scorching heat in the Gulf nation.

Niyas Abdulrahiman, executive director (ICT), Supreme Committee for Delivery and Legacy
By hosting this World Cup, especially, Qatar’s aim is not only to build sport facilities and academies alone but also to leave a sport­ing legacy that attracts and trains sportsmen and women from all over the world. Qatar has earned praise from FIFA for making the most of its existing international stadiums and sport centres. In an earlier interview, a Qatari official had told Open, “Our sporting legacy is rich because we don’t let any sport centre go underused or disused…. We follow the strategy of making champions out of our trainees. We help them gain endurance and stamina and acquire great skills that together help them become champions,” he had said referring to empty stadiums built for World Cups in other nations.

For his part, Abdulrahiman takes enormous pride in disclos­ing that he has a multinational team in place to assist him, includ­ing several locals at the Aspire Center. Those working here can recognise faces as well as zoom in on each seat in the stadiums, but this key official of the Supreme Committee for Delivery and Legacy says that what is more important to his team is not the identity of the fan but the smooth running of the event. “We look at a person only as a fan. We are not interested in knowing who the guy is. For us, all the fans are the same but what we are keen on is maintaining safety and a smooth football viewing experience. What you see in our centre is the future,” he declares, indicating that all the surveillance involved is less about Big Brother-like control of individuals and more about safety and security of the event as a whole.

Football stadiums, like similar sport­ing venues, are entirely different kinds of spaces to ensure security and safety. Com­pared to the rest of the highly secured of­fices, for instance, like the ministry of defence, where there are always entry restrictions for many people, stadiums must accommodate all kinds of people, including the fans, the media, VVIPs, and others. It is thus a multi-threat landscape, making the task of surveillance crucial. If there is any unpleasant development in the stadium, it is first handled by volunteers. Only if things go out of con­trol will law enforcement agencies enter the scene.

What the Aspire Command and Control Center does is complement the decisions of law enforcement and other agencies with data, states Abdulrahiman, who has now become a highly televised figure with media organisations running endless stories about the unique command-and-control centre he oversees. He adds that each fan in the stadiums will have access to high-density 5G internet, helping fans record and send videos and messages real-time. “The WiFi connection in these stadiums will be faster than your home broadband and it will be available to all,” says the man who spearheads INTALEQ, the sport and entertainment technology commercial venture of Aspire Zone. INTALEQ is Ara­bic for headway, says Abdulrahiman who hopes that countries like India, rich in IT talent, will go the Qatari way in organising world-class sport events too.

But for the time being, his focus will be on delivering the most secure football experience for more than 1.2 million fans who are expected to be in Qatar shortly, as well as for those millions of spectators from across the globe.

Fonte: Open

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

No Web Summit, a personagem central não foi a tecnologia, mas sim os seres humanos

O mundo passa por uma transformação digital que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa, sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

Nós — humanos de carne, ossos e códigos — fomos personagens centrais do Web Summit por diversos ângulos: no clamor da primeira-dama ucraniana Olena Zelenska para que a tecnologia seja usada a favor da vida, nos cartazes pedindo internet livre no Irão, no crescente protagonismo de diferentes grupos sub-representados e nos múltiplos debates sobre a nossa relação com nossos empregos e com as organizações - das startups às gigantes.

Tive a oportunidade de cruzar com muitas falas, entrevistas e conversas especificamente a respeito desse novo pacto que se configura entre nós e as empresas, quando o assunto é carreira.

A primeira palavra que saltou aos olhos de todos foi flexibilidade. O debate não é mais sobre trabalho remoto, presencial ou híbrido. Não há propriamente uma fórmula a ser copiada - é um tema que depende muito de quem lidera, da cultura em questão e, também, das características de cada negócio. Estamos a falar, sobretudo, da crescente possibilidade de definir o lugar do trabalho na composição das nossas necessidades. Um mundo que seguirá tendo workaholics, mas não poderá mais criminalizar aqueles que redimensionam o peso do currículo sobre suas definições pessoais.

É um panorama que, ao apontar para o futuro, não olha mais para as descrições de cargos ou a extensão do currículo profissional. Obviamente as experiências continuam sendo importantes - mas elas não necessariamente definem o encaixe para uma posição atual. Falou-se muito sobre os empregos baseados em habilidades e competências - sem distinção entre hard e soft skills — afinal, essa separação per se implica um juízo de valor.

Foi inevitável, portanto, abordar o paradigma emergente da liderança nas corporações. Reconheceu-se que ainda falta treinamento suficiente para preparar pessoas realmente inspiradoras, solidárias, motivadoras e que, ao mesmo tempo, entreguem resultados. Entre os principais eixos de desenvolvimento das lideranças, destacam-se a capacidade de se comunicar bem com as equipas e colaborar entre diferentes clubes e parceiros. Não há mais espaço para déspotas encastelados em seus escritórios privativos.

Além disso, definiu-se a importância de líderes como indutores e responsáveis por um ambiente de trabalho pautado pelo bem-estar físico e mental. Como zeladores da segurança psicológica, não podem mais apartar esses pilares da performance das respectivas equipas. Produtividade e resultados estão, de forma indissociável, conectados às variáveis de saúde mental e segurança psicológica. Gerenciar recursos psicológicos será tão crucial quanto administrar métodos, orçamentos, estruturas e processos.

Não foram poucos os CEOs que ressaltaram a cultura organizacional como condição necessária para alavancar a prosperidade e a escala de suas empresas. E, bom lembrar, ela é uma metamorfose ambulante. E quem não se adapta fica pelo caminho.

Cultura, a propósito, não existe sem equidade e inclusão. É fundamental que sejamos intencionais no exercício de reduzir desigualdades e oferecer mais oportunidades. Saímos do QI (quem indica) para a AI (artificial intelligence). Ou seja: com base em mais dados e menos vieses, seremos mais capazes de definir as melhores pessoas para cada posição. Mas vem o desafio: como fazer isso em uma sociedade extremamente desigual?

Um dos caminhos mora, claro, na tecnologia — que pode oferecer inúmeras soluções para reduzir os abismos de habilidades, conhecimentos e competências. Em vez de mitigar os problemas, deve-se ampliar as oportunidades. Essa é uma tarefa ainda mais crítica na indústria tech, que tem 75% de brancos na força de trabalho — uma dos piores neste quesito. E, claro, isso se reflete na maneira pela qual desenvolvemos softwares e desenhamos serviços. No fim, é crucial pensar em quem está faltando à mesa na hora de tomarmos uma decisão importante.

Quando nos voltamos para as grandes questões planetárias não é diferente. Clima, guerra, violência de género, intolerâncias de múltiplas naturezas e pobreza cruzam-se na busca por respostas às nossas perguntas mais difíceis.

Uma coisa sabemos: o mundo passa por uma transformação digital que não é um projeto — mas um processo, uma jornada que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa. Sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Iniciativa de Cidadania Europeia: "Não ao 5G — Conectados mas protegidos"

A radiação de comunicação sem fios não é segura nem saudável

Centenas de estudos científicos comprovam que mesmo muito abaixo dos limites atuais de radiação esta já é nociva à vida o que significa que com o 5G este dano aumentará significativamente.

Além disso, verificar-se-á um aumento acentuado do consumo de energia, esgotamento de minerais raros e grave violação da nossa privacidade.

Conheça mais: "Não ao 5G — Conectados mas protegidos" Julho 17, 2022

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sábado, 5 de novembro de 2022

Proteger os nossos oceanos e o meio ambiente da radiação sem fio 5G e sonar


Anti-5G
Tecnoecocídio: a destruição sistemática de nosso ecossistema pelo uso explorador da tecnologia.

Embora muitos tenham visto anúncios promovendo as rápidas capacidades sem fio do 5G conectando tudo e todos e prometendo que essas tecnologias inteligentes fornecerão um futuro de energia renovável, a pesquisa científica e os esforços de defesa ambiental mostram o oposto do que essas indústrias com fins lucrativos prometem – com centenas de cientistas , ativistas das mudanças climáticas e especialistas em saúde pública exigindo uma moratória na implantação dessas tecnologias.

Nossa missão é apoiar o movimento global para conter a expansão sem fio na Terra, nos céus e no oceano, porque representa uma ameaça imediata a toda a vida. É nossa esperança que conscientizemos o público sobre os danos do 5G, satélites e oceanos “inteligentes” e iniciemos um diálogo sobre opções de tecnologia mais sábias e equilibradas para um futuro mais seguro e afirmativo da vida.

Pró - 5G

O 5G pode vir a ter um impacto muito positivo no plano ambiental, socorrendo-se de outras áreas do conhecimento como sejam a Internet das Coisas (Internet of Things – IoT), Machine Learning, Inteligência Artificial e Big Data. A combinação com essas áreas permitirá, por exemplo, a análise e tratamento da informação em tempo real, a aprendizagem das máquinas e o desenvolvimento de equipamentos que vão gerar informação que, após processada, resultará em conhecimento útil para a tomada de decisões mais sustentáveis.

Primeiros passos
Em 2016 foi subscrito o Acordo de Paris, o primeiro acordo universal e juridicamente vinculativo sobre alterações climáticas, subscrito pela União Europeia.

No mesmo ano, o projeto SCAVENGE (sustainable celular network harvesting ambiental energy) foi lançado pela Comissão Europeia (CE), com o objetivo de definir designs, protocolos, arquiteturas e algoritmos sustentáveis para as redes móveis 5G. Em traços gerais, pretendia-se incentivar que estações de base, dispositivos móveis e sensores 5G pudessem vir a beneficiar de fontes de energia renovável.

Em 2018, a Comissão Europeia (CE) emitiu o comunicado Um Planeta Limpo para Todos – Estratégia a longo prazo da UE para uma economia próspera, moderna, competitiva e com impacto neutro no clima. Este comunicado inclui as sete principais componentes estratégicas da CE para alcançar a neutralidade climática, ou seja uma economia com zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa, até 2050.

Em 2019, o comunicado da CE sobre o Pacto Ecológico Europeu contextualiza o 5G em termos do papel que poderá ter na neutralidade climática.

“A Comissão estudará medidas para garantir que as tecnologias digitais, como os sistemas de inteligência artificial, a tecnologia 5G, a computação em nuvem e de proximidade e a Internet das coisas, possam acelerar e maximizar o impacto das políticas que visem lidar com as alterações climáticas e proteger o ambiente”

Normas internacionais

A UIT inclui um grupo de trabalho para o tema do ambiente e da economia circular (grupo de trabalho 5 da ITU-T) que, entre outros, tem como objetivo estudar metodologias de avaliação dos efeitos das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas alterações climáticas e publicar diretrizes para a utilização das TIC de forma ecológica.

Este grupo reconhece que o 5G, em conjunto com a IoT, blockchain, cloud computing, realidade virtual e aumentada, entre outras tecnologias emergentes, são importantes na criação de soluções que permitam enfrentar alguns dos desafios globais como as alterações climáticas e tem vindo a desenvolver esforços para aprovar normas que permitam apoiar: soluções sustentáveis de alimentação de energia para o 5G; centros de dados energeticamente eficientes; e gestão inteligente de energia para as estações de base de telecomunicações.

Para além do trabalho desenvolvido ao nível das futuras normas supramencionadas, a UIT também publica documentos com os requisitos ambientais para a implementação do 5G e relatórios sobre o tema do ambiente e das alterações climáticas, entre os quais se destaca o relatório “Frontier technologies to protect the environment and tackle climate change“, realizado com a colaboração de outras entidades das Nações Unidas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

No Cell Phone! Campaign Launched Worldwide Today


"When I was eight years old, as I stood among the birds and trees in front of my cousins’ country home, I suddenly heard a horrendous noise I had never heard before. “It is called a chain saw,” said my uncle George, as he explained to me what it did. In my mind’s eye I saw forests tumbling down all over the world.

Four years later, a TV commercial filled me with foreboding. It featured a bottle of shampoo falling to the floor of a shower stall and not breaking! The Prell company was introducing the wonders of plastic to a consuming public.

That same year, 1962, a marine biologist awakened the world to the devastation caused by pesticides, igniting an environmental movement that shook the world to its roots.

Yet today, 60 years later, the world poisons itself with five times as much pesticides as it did before Rachel Carson’s monumental book. The few remaining old growth forests continue to be felled by machines with a power beyond anyone’s control. And as marine mammals, seabirds and turtles choke on bottle caps, lids and grocery bags, the oceans will soon contain more plastics than fish, and we swim in microplastic particles that rain down on us day and night in the very air we breathe.

It is no one’s fault, and it is everyone’s fault. Today, without assigning blame, we have an opportunity to gather together in personal action for the future of life on Earth. An opportunity to change course. Microwave radiation is the first pollutant that is being spread intentionally over every square inch of the planet. And it is the first pollutant whose source and driving force -- the mobile phone -- is within the palms and pockets of the world’s population at all times. This gives us a unique opportunity to be proactive instead of just advocates. To be a movement of change and not just for change. To set an example of what must also be done with respect to the other environmental assaults.

Wireless technology is also the first pollutant for which there is not a dose response: the effect does not depend on the dose. Reducing the power level of a wireless device does not reduce the harm that it causes. For purposes of health and environment, a cell phone is a cell tower. We cannot have birds and insects and also have cell phones. Our children will not live to grow up if we do not get rid of cell phones.

The benefits of ridding one’s life of cell phones -- the restoration of your health and vitality - are immediate, startling, and far greater than the benefits that they provide. And as this action spreads, so will the benefits. A restored vitality of the forests, oceans, wildlife and birds that once gave life meaning will give people much more than they will give up when they throw away their cell phones -- and gladly give up, once they feel the difference and realize what they have traded away.

We ask you to join in pledging to do your part in putting an end to the greatest, most urgent, most ignored assault on the Earth that there is. To plant a seed that will be watered, grow, and proliferate. No one -- not legislators, not judges, not corporate CEOs -- can do it for us." - Arthur Firstenberg

Please read and sign the pledge here. The signature text comes in two versions, one for people who still own cell phones, and the other for people who do not. You can also read and sign them in these languages.

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Phonegate Alert

domingo, 13 de março de 2022

Grafeno verde. Elvira Fortunato continua a revolucionar a eletrónica com materiais sustentáveis

A investigadora portuguesa dá um novo contributo para reduzir o problema ambiental do lixo eletrónico. Projeto valeu-lhe uma terceira bolsa do Conselho Europeu de Investigação.


Acumulando mais de 250 milhões de toneladas por ano, o lixo eletrónico é o fluxo de resíduos com maior crescimento em todo o mundo e constitui aquele que é, provavelmente, o próximo grande problema ambiental numa sociedade em transformação digital. Pioneira no domínio da chamada eletrónica de papel, a cientista portuguesa Elvira Fortunato tem vindo a destacar-se entre os protagonistas de uma nova revolução tecnológica mais "verde", à base de materiais ecossustentáveis que permitam uma eletrónica amiga do ambiente. Um trabalho que voltou a ser reconhecido recentemente a nível europeu com aquela que é já a sua terceira bolsa do Conselho Europeu de Investigação (ERC), desta vez a premiar um projeto que pretende utilizar o grafeno verde como forma de reduzir o desperdício eletrónico.

Denominado "e-GREEN. Da floresta à eletrónica: grafeno verde", o projeto liderado pela investigadora e diretora do CENIMAT|i3N, laboratório associado da Universidade Nova de Lisboa, propõe "uma nova abordagem sustentável, tanto em termos de materiais quanto de processos" para a produção das placas de circuito impresso - as placas eletrónicas que estão em diversos equipamentos, desde telemóveis a eletrodomésticos.

"O que se pretende com este projeto é substituir as placas convencionais, que são aquelas placas verdes com várias camadas de polímeros. Queremos substituir esses materiais feitos com tecnologias poluentes, e que têm origem fóssil, por materiais à base de papel, celulose. Além disso, evitamos a utilização de cobres e metais como materiais condutores, porque temos uma tecnologia laser que carboniza a superfície destes materiais celulósicos, transformando-a em grafeno. E o grafeno é um material muito condutor, tem propriedades muito boas do ponto de vista elétrico", descreve a cientista, em conversa com o DN.

Com isso, Elvira Fortunato consegue providenciar ao mercado uma solução ao mesmo tempo sustentável e de menor custo. "Um problema que temos com as placas de circuito impresso é a sua reciclabilidade. Temos elevados volumes de milhões de toneladas de lixo eletrónico acumulados por ano. E é um problema que o hemisfério Norte não está a resolver: os países mais desenvolvidos estão a exportar estes resíduos para países na África ou na Ásia, onde se está a utilizar mão de obra muito barata para, através de raspagens e outras técnicas, aproveitar ainda parte desses metais", diz a cientista que ganhou o Prémio Pessoa em 2020.

Urge, portanto, criar alternativas e este projeto é mais uma contribuição de Elvira Fortunato nesse sentido. "Não podemos estar continuamente a usar materiais, neste caso metais, à taxa que utilizamos agora. São materiais caros e são finitos na natureza, vão acabar um dia. Neste projeto, a solução é utilizar materiais de origem renovável. E, por outro lado, a tecnologia também é não poluente. Temos circuitos elétricos feitos à base de celulose em que os condutores são à base de grafeno e são biodegradáveis. Podem ser completamente reciclados e fazer mais pasta de papel e novos produtos à base de celulose. Há desperdício zero."

De resto, "a sustentabilidade tem sido sempre um elemento crítico" no trabalho da cientista. Agora, a ideia do "grafeno verde" convenceu o Conselho Europeu de Investigação a atribuir-lhe uma bolsa Prova de Conceito, no valor de 150 mil euros, para testar a viabilidade comercial no mercado. Uma bolsa que vem na sequência de uma outra maior anterior, uma ERC Advanced Grant que Elvira Fortunato conquistou pela segunda vez em 2019, no valor de 3,5 milhões de euros, a premiar o projeto Digismart, cujo objetivo é revolucionar a forma como os circuitos integrados e componentes eletrónicos são produzidos. Foi através desse projeto que a equipa liderada pela diretora do Cenimat|I3N obteve uma grande variedade de materiais à base de grafeno, materiais de origem renovável - como celulose, nanocelulose e cortiça - utilizando um novo processo baseado em grafeno induzido por laser, que agora mereceu esta nova bolsa."

Elvira Fortunato compara esta tecnologia com as tecnologias laser de remoção de tatuagens. "Nós temos um laser que vai escrever um determinado padrão na superfície do papel. Ou seja, vai carbonizar esse papel. E esse material queimado, que é o produto resultante desta conversão protoquímica (reação química induzida pela ação do laser), é o grafeno. Assim, ficamos com pistas condutoras à base de grafeno", diz.

Este é um grafeno verde, porque "é convertido através das árvores, da celulose extraída das árvores. E é verde também porque a tecnologia é feita à temperatura ambiente, sem quaisquer reagentes, ao passo que o grafeno convencional é produzido a altas temperaturas, na casa dos 1000 graus centígrados, com equipamentos muito caros e com muita complexidade", salienta a investigadora. "Aqui conseguimos ter material mais sustentável e de mais baixo custo. Daí o interesse por parte das indústrias e da própria Comissão Europeia", refere a cientista que revolucionou o papel, reinventando-o como um "material eletrónico".

Especialista em Microeletrónica e Optoelectrónica, a "mãe" do transístor de papel tem na celulose a matéria prima por excelência dos seus projetos, mas não a única, naturalmente. A ecossustentabilidade, contudo, estende-se a todas as escolhas. É por isso que Elvira Fortunato privilegia também alternativas ao silício como semicondutor. "Para fazer um transístor, que é a unidade de base de um circuito integrado, tenho de ter sempre um conjunto de três materiais: isolantes, condutores e semicondutores. O papel é um dos componentes, é um material isolante que pode ainda ser convertido num material condutor, o grafeno, mas depois precisamos ainda de materiais semicondutores, e aí também trabalhamos com outra classe de materiais sustentáveis. Não trabalhamos com silício, mas sim com materiais à base de óxidos metálicos, como por exemplo o óxido de zinco, que é um dos componentes dos cremes cicatrizantes, como o Halibut, os cremes da Mustela ou os protetores solares", explica.

A cientista portuguesa, que já viu o seu nome associado a um possível Nobel da Física, acredita que é viável caminharmos para uma eletrónica 100% sustentável. "Estou convencida que sim. Aliás, não temos alternativa. Isto não é uma opção, é uma obrigação. A população está a aumentar, cada vez mais pessoas vão tendo acesso a equipamentos como computadores, telemóveis, eletrodomésticos, temos o 5G e o 6G, e hoje em dia nada se repara, tudo se muda... Isto não é sustentável. Temos de arranjar soluções", aponta.

Ler mais:
Elvira Fortunato entre as 27 inspiradoras da Europa selecionadas pela UE para o Dia da Mulher

Biografia

sábado, 19 de fevereiro de 2022

International Appeal to Stop 5G on Earth and in Space


Sign and share here!

To the UN, WHO, EU, Council of Europe
and governments of all nations

We the undersigned scientists, doctors, environmental organizations and citizens from (__) countries, urgently call for a halt to the deployment of the 5G (fifth generation) wireless network, including 5G from space satellites. 5G will massively increase exposure to radio frequency (RF) radiation on top of the 2G, 3G and 4G networks for telecommunications already in place. RF radiation has been proven harmful for humans and the environment. The deployment of 5G constitutes an experiment on humanity and the environment that is defined as a crime under international law.

Executive summary

Telecommunications companies worldwide, with the support of governments, are poised within the next two years to roll out the fifth-generation wireless network (5G). This is set to deliver what is acknowledged to be unprecedented societal change on a global scale. We will have “smart” homes, “smart” businesses, “smart” highways, “smart” cities and self-driving cars. Virtually everything we own and buy, from refrigerators and washing machines to milk cartons, hairbrushes and infants’ diapers, will contain antennas and microchips and will be connected wirelessly to the Internet. Every person on Earth will have instant access to super-high-speed, low- latency wireless communications from any point on the planet, even in rainforests, mid-ocean and the Antarctic.

What is not widely acknowledged is that this will also result in unprecedented environmental change on a global scale. The planned density of radio frequency transmitters is impossible to envisage. In addition to millions of new 5G base stations on Earth and 20,000 new satellites in space, 200 billion transmitting objects, according to estimates, will be part of the Internet of Things by 2020, and one trillion objects a few years later. Commercial 5G at lower frequencies and slower speeds was deployed in Qatar, Finland and Estonia in mid-2018. The rollout of 5G at extremely high (millimetre wave) frequencies is planned to begin at the end of 2018.

Despite widespread denial, the evidence that radio frequency (RF) radiation is harmful to life is already overwhelming. The accumulated clinical evidence of sick and injured human beings, experimental evidence of damage to DNA, cells and organ systems in a wide variety of plants and animals, and epidemiological evidence that the major diseases of modern civilization—cancer, heart disease and diabetes—are in large part caused by electromagnetic pollution, forms a literature base of well over 10,000 peer-reviewed studies.

If the telecommunications industry’s plans for 5G come to fruition, no person, no animal, no bird, no insect and no plant on Earth will be able to avoid exposure, 24 hours a day, 365 days a year, to levels of RF radiation that are tens to hundreds of times greater than what exists today, without any possibility of escape anywhere on the planet. These 5G plans threaten to provoke serious, irreversible effects on humans and permanent damage to all of the Earth’s ecosystems.

Immediate measures must be taken to protect humanity and the environment, in accordance with ethical imperatives and international agreements.

5G will result in a massive increase in inescapable, involuntary exposure to wireless radiation

Ground-based 5G

In order to transmit the enormous amounts of data required for the Internet of Things (IoT), 5G technology, when fully deployed, will use millimetre waves, which are poorly transmitted through solid material. This will require every carrier to install base stations every 100 metres[1] in every urban area in the world. Unlike previous generations of wireless technology, in which a single antenna broadcasts over a wide area, 5G base stations and 5G devices will have multiple antennas arranged in “phased arrays” [2],[3] that work together to emit focused, steerable, laser-like beams that track each other.

Each 5G phone will contain dozens of tiny antennas, all working together to track and aim a narrowly focused beam at the nearest cell tower. The US Federal Communications Commission (FCC) has adopted rules [4] permitting the effective power of those beams to be as much as 20 watts, ten times more powerful than the levels permitted for current phones.

Each 5G base station will contain hundreds or thousands of antennas aiming multiple laser-like beams simultaneously at all cell phones and user devices in its service area. This technology is called “multiple input multiple output” or MIMO. FCC rules permit the effective radiated power of a 5G base station’s beams to be as much as 30,000 watts per 100 MHz of spectrum,[2] or equivalently 300,000 watts per GHz of spectrum, tens to hundreds of times more powerful than the levels permitted for current base stations.

Space-based 5G

At least five companies[5] are proposing to provide 5G from space from a combined 20,000 satellites in low- and medium-Earth orbit that will blanket the Earth with powerful, focused, steerable beams. Each satellite will emit millimetre waves with an effective radiated power of up to 5 million watts[6] from thousands of antennas arranged in a phased array. Although the energy reaching the ground from satellites will be less than that from ground-based antennas, it will irradiate areas of the Earth not reached by other transmitters and will be additional to ground-based 5G transmissions from billions of IoT objects. Even more importantly, the satellites will be located in the Earth’s magnetosphere, which exerts a significant influence over the electrical properties of the atmosphere. The alteration of the Earth’s electromagnetic environment may be an even greater threat to life than the radiation from ground-based antennas (see below).

Harmful effects of radio frequency radiation are already proven

Even before 5G was proposed, dozens of petitions and appeals[7] by international scientists, including the Freiburger Appeal signed by over 3,000 physicians, called for a halt to the expansion of wireless technology and a moratorium on new base stations.[8]

In 2015, 215 scientists from 41 countries communicated their alarm to the United Nations (UN) and World Health Organization (WHO).[9] They stated that “numerous recent scientific publications have shown that EMF [electromagnetic fields] affects living organisms at levels well below most international and national guidelines”. More than 10,000 peer-reviewed scientific studies demonstrate harm to human health from RF radiation.[10] [11] Effects include:



Effects in children include autism,[28] attention deficit hyperactivity disorder (ADHD)[29][30] and asthma.[31]

Damage goes well beyond the human race, as there is abundant evidence of harm to diverse plant- and wildlife[32][33] and laboratory animals, including:

Ants[34]
Birds[35][36]
Forests[37]
Frogs[38]
Fruit flies[39]
Honey bees[40]

Insects[41]
Mammals[42]
Mice[43][44]
Plants[45]
Rats[46]
Trees[47]


Negative microbiological effects[48] have also been recorded.

The WHO’s International Agency for Research on Cancer (IARC) concluded in 2011 that RF radiation of frequencies 30 kHz - 300 GHz are possibly carcinogenic to humans (Group 2B).[49] However, recent evidence, including the latest studies on cell phone use and brain cancer risks, indicate that RF radiation is proven carcinogenic to humans[50] and should now be classified as a “Group 1 carcinogen” along with tobacco smoke and asbestos.

Most contemporary wireless signals are pulse-modulated. Harm is caused by both the high-frequency carrier wave and the low-frequency pulsations.[51]